sexta-feira, 27 de junho de 2008

[566.]

Amanhã há eleições para os órgãos dirigentes da JSD da Mealhada. Não vou votar porque não estarei no concelho da Mealhada no horário da votação. Mas se estivesse votaria, e fa-lo-ia na lista de Bruno Coimbra (mesmo sendo a única). Por duas ordens de razão.
Por razões afectivas. Porque sou amigo do Bruno, do João Varela, por exemplo, e, também, porque sou irmão do vice-presidente... e o sangue também diz qualquer coisa.
Mas faço-o também por razões ideológicas. O modelo de JSD defendido pela equipa de Bruno Coimbra integra-se no que defendi enquanto fui dirigente da JSD. Uma JSD especialmente preocupada em, primeiramente, formar pessoas capazes de desempenhar funções políticas com qualidade e sustentabilidade e, também, construir um projecto politico de juventude para a comunidade em que se insere.
Acredito, sinceramente, que o objectivo de uma estrutura política deve ser, sempre, o de mudar efectivamente o mundo. E, em termos políticos, mudar o mundo é exercer o poder com qualidade, convicção e, repito, sustentabilidade.
E esta deve ser a postura da JSD, a de formar e oferecer ao partido e ao concelho autarcas de excelência - que representem os jovens, pensem como jovens, que interajam com os jovens, que sejam jovens. Que evitem ter pouca idade e os piores defeitos dos politicos profissionais.
Entendo, no entanto, que esta não deve ser a exclusiva tarefa da JSD e que há todo um papel de sedução aos jovens e de dar vitalidade ao partido que está por fazer. Acredito que a equipa de Bruno Coimbra saberá perceber isso e, de uma vez por todas, fazer o que eu, e as minhas equipas, nunca conseguimos, dar energia positiva, alegria, dinamismo à JSD para revitalizar o PSD.
Esta deve ser uma preocupação. Sempre disse que a JSD deve dar um passo atrás para que o PSD possa dar um, dois, ou meio passo em frente. E o modelo de JSD que é necessário até Novembro de 2009, na Mealhada, é o de abrir o partido aos jovens e não fechá-lo. Não fechar a estrutura, nem impedir ninguém de dar o seu contributo, mesmo que discorde, mesmo que afronte. Porque, se não, o PSD não sai da cepa torta!
Que os futuros dirigentes (que infelizmente não serão eleitos com o meu voto) tenham sabedoria para perceber o que é prioritário, o que devem fazer e, acima de tudo, para ouvir e assimilar a opinião de todos (dentro da estrutura ou fora dela), sem cair na soberba de pensar que 'nós somos os bons e os outros não valem nada'.
[565.]


Num dia como o de hoje, convém lembrar que
não basta haver eleições para haver democracia.
E
que não há nada melhor do que umas eleições para legitimar uma ditadura!
O Governo português diz tratar-se de uma farsa... mas não consta que tivesse feito qualquer reparo a Mugabe sobre a maneira como ele gere o feudozinho dele, com este cá esteve...

Veneris dies

[564.]

Rosa Louise McCauley, mais conhecida por Rosa Parks (Tuskegee, 4 de fevereiro de 1913 - Detroit, 24 de outubro de 2005), foi uma costureira negra norte-americana que se tornou símbolo do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos da América.
Ficou famosa porque, em 1 de dezembro de 1955, se recusou frontalmente a ceder o seu lugar onde estava sentada no autocarro a um homem branco.

Hay que tenerlos

[563.]

António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, o mais corajoso português da actualidade.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

[562.]

Depois de uns tempos aparentemente desamazelado a actualidade poderá ter regressado ao Fio dos Dias.
Ontem, 25 de Junho, adicionei nada mais nada menos do que 18 posts que andavam rabiscados no meu moleskine há cinco semanas.
Foram colocados na data em que entraram no moleskine... e levam a numeração sequencial de entrada no blogue. Espero que compreendam e não me levem a mal.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dedicado aos meus bons AMIGOS do 347

[550.]

Quando a zona Solum era assim... há 70 anos, talvez?

Ao ponto a que chegámos...

[549.]

O Vale e Azevedo diz mal da justiça portuguesa... e tem razão!

Artes de Píndaro

[548.]
Pensamentos pindéricos...
[547.]

Depois de algum tempo... Depois de observar a definição do candidato democrata, decidi: Se eu tivesse/pudesse votar, votaria no 'Black JFK'

Transmite-me mais energias positivas, mais esperança.

É a minha escolha para o líder do 'free world'

Yes We Can


Mercurii dies

[546.]
Política sem ideologia

Acompanhar a vida interna de uma força política como o Partido Social-Democrata revela-se tão importante como acompanhar a acção de um Governo. Mesmo que este Governo seja de outro partido. O funcionamento dos principais partidos da oposição e as opções tomadas pelos seus militantes e pelas suas lideranças condicionam de tal modo a vida política nacional que é fundamental saber-se que rumo tomam, o que defendem e que plano alternativo estão a construir.
No discurso de encerramento do XXXI Congresso Nacional do PSD, realizado em Guimarães, no fim-de-semana de 21 e 22 de Junho de 2008, a nova líder, Manuela Ferreira Leite, abriu a campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizarão na Primavera ou no Outono de 2009 — decorreriam em Outubro de 2009 mas há quem coloque a hipótese de o primeiro-ministro preferir uma antecipação para Abril de modo a não coincidirem com as eleições autárquicas, que, segundo a lei, se realizarão em Outubro.
Manuela Ferreira Leite procurará aproveitar o estado de graça em que se encontra, resultante da eleição como líder do partido, para melhorar a imagem que os portugueses têm do partido e só depois apresentar um programa alternativo ao do Partido Socialista, com ideias e soluções diferentes para a governação, que muitos consideram que não tem. Se for verdade que tem não o mostrou. Justifica-se, então, a dúvida de que a eleição de Ferreira Leite poderá adiar a resolução de um problema que deve preocupar os portugueses. Trata-se do problema da afirmação ideológica do PSD. Um problema que pode modificar, completamente, a lógica democrática do sistema político português.
Desde sempre o PSD, primeiro com o nome de PPD e depois com o de PPD/PSD, teve problemas de definição ideológica. Nunca foi, verdadeiramente, um partido social-democrata, e nem a tentativa de Sá Carneiro de enunciar os princípios de uma social-democracia portuguesa, ou a hipótese de inscrever o partido na Internacional Socialista resolveram a questão. O partido, graças ao carisma dos seus líderes, tornou-se, logo em 1976, um partido de massas, e foi devido à influência desse carisma e das perspectivas ideológicas dos líderes que se foi tornando naquilo que, em ciência política, se chama um partido catch all, isto é, um partido em que convivem liberais, populistas, conservadores, democratas-cristãos, keynesianos, socialistas, entre muitos outros.
Quando o partido foi dirigido por Cavaco Silva, keynesiano e pragmático, o PSD defendia um Estado interventivo no investimento, com a execução de um conjunto alargado de obras públicas. Quando procurou diminuir o papel do Estado, e rever a tabela de preços das portagens na Ponte 25 de Abril ou aumentar as propinas dos estudantes do Ensino Superior Público, por exemplo, teve muito problemas. Em 1992, dezoito anos depois da sua fundação, foi revisto o seu programa político do PSD, mas a ideologia do partido já era, na prática, e continuou a ser, a ideologia do líder.
À medida que foi mudando de liderança foi mudando de ideologia. Não imediatamente com Fernando Nogueira, mas logo depois, com Marcelo Rebelo de Sousa e a reedição da AD, a Alternativa Democrática — uma solução impensável para Cavaco, por exemplo.
Durão Barroso, que disse não fazer mais investimento público enquanto houvesse pobres em Portugal, demarcou-se, também, das anteriores lideranças, enunciou princípios de choque, tornou-se primeiro-ministro, sem estar para isso preparado, e, acabou por formar governo à direita. Depois da "fuga" para Bruxelas, foi nomeado primeiro-ministro Santana Lopes, também ele impreparado, que procurou dar ao Governo um estilo mais a seu gosto pessoal, mas, em seis meses, pouco pôde fazer.
Acompanhando as lideranças mais recentes, regista-se a de Marques Mendes, que declarou ser contra o investimento em obras públicas de vulto e defendia a baixa imediata dos impostos. Luís Filipe Menezes defendia exactamente o contrário: considerava as obras públicas como motor da salvação económica do país e considerava, também, que havia falta de condições para descer impostos. Pelo que já ouvimos de Ferreira Leite parece-nos que a antiga ministra das Finanças tem a opinião de que não se pode avançar com a baixa de impostos… nem há dinheiro para grandes obras públicas. Em conclusão, nos últimos doze meses o PSD teve três líderes diferentes, que defendiam três modelos de desenvolvimento ideologicamente diferentes e, até, contraditórios.
Os militantes do PSD escolhem os líderes que entendem ser melhores para conquistar o poder e governar o país. Fazem-no conscientemente, disso não há dúvidas. E abdicam, até, de averiguar qual o programa que esses líderes têm para solução dos problemas da Nação. Assim aconteceu com Ferreira Leite. Estão, desse modo, mais sensíveis, mais vulneráveis à demagogia e susceptíveis de golpes carismáticos e de retórica política.
O PS funciona de modo diferente. Tem, mais ou menos institucionalizado, um direito de tendência ideológica — com os socialistas tradicionais, que estão mais próximos do PCP e do BE (como Alegre e Soares), com os católicos progressistas (como os guterristas e Maria do Rosário Carneiro, Matilde Sousa Franco, por exemplo) e com os da Terceira Via (de que Sócrates faz parte).
E enquanto, no PSD, as tendências forem pessoais, e resultarem da simpatia por putativos candidatos à liderança, não sendo, portanto, ideológicas, o risco de descaracterização na área das ideologias permanecerá. Negar-se-ão, assim, os princípios fundamentais da política clássica, não se saberá que modelo de desenvolvimento tem o partido… E poderá saber-se, ou não, o que defende o líder… Que, se ganhar a eleição legislativa, poderá levar o partido para onde quiser, sem ninguém saber muito bem para onde. E isso pode prejudicar gravemente o país. O PSD será imune a isso enquanto estiver Ferreira Leite na liderança? E depois disso?
Editorial do Jornal da Mealhada de 25 de Junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Se, depois de eu morrer

[560.]

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas
a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.

Além disso fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro
[559.]

Só para lembrar:

24 de Junho
(1944 - 2008)
64.º aniversário da criação da Freguesia da Mealhada

domingo, 22 de junho de 2008

Obrigado Paula

[558.]

Na noite de sábado para domingo, 21 para 22 de Junho, tive a minha pior noite de campo (noite escutista). Estive acampado com o meu agrupamento (com os escuteiros, mas também com os pais), em Mouronho, no concelho de Tábua, perto de uma praia no Rio Alva, e foi uma noite para esquecer. Acampámos num local que se revelou extraordinaria e surpreendentemente concorrido. Já na noite anterior eu tinha pensado que Deus tinha prescindido de vir acampar connosco. Mas nessa noite desesperei sozinho.

Quando chegou a minha hora de fazer a vigia, às 3 horas, verbalizei o meu pensamento. Mas procurei não fazer passar o meu estado de pânico e desespero.

No dia seguinte a avaliar a actividade, ouvi os participantes dizer algo de que eu não estava à espera. Fiquei admirado.

Recordei então um texto que está afixado na base dos caminheiros do meu agrupamento. Um texto oferecido, no dia da sua partida de caminheira, em Novembro de 1993, pela Ana Paula Gouveia, a nossa primeira Aquelá, e falecida há cinco anos.


Eis o texto, chama-se Pegadas na Areia:

«Uma noite eu tive um sonho. Sonhei que estava a andar na praia com o Senhor e, à minha frente, passavam cenas da minha vida. Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia; Um era meu e o outro do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou Diante de nós, olhei para trás, para as pegadas Na areia e notei que, muitas vezes, no caminho da Minha vida havia apenas um par de pegadas na areia. Notei também, que isso aconteceu nos momentos Mais difíceis e angustiosos da minha vida.
Isso entristeceu-me muito, e perguntei então ao Senhor: "Senhor, Tu disseste-me que, uma vez que eu resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, Durante a minha caminhada , notei que nos momentos mais Difíceis da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas que mais necessitava de Ti, Tu me deixastes".
O Senhor respondeu-me: "Meu Irmão. Eu Amo-te e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando viste na areia apenas um par de pegadas, foi exactamente aí que Eu,peguei em ti e carreguei-te nos braços...»

Obrigado Aquelá!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Acho a bandeira nacional horrível... e não sou o único - I

[561.]

No dia 19 de Junho de 2008, passam 97 anos sobre a adopção da bandeira verde-rubra e de 'A Portuguesa' como símbolos nacionais, bandeira e hino nacional, respectivamente.

A respeito da bandeira da República Portuguesa, atente-se:

(...) “contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor.
Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se”.
.
Citação de “Da República” de Fernando Pessoa em "Tradição e Revolução" de José Adelino Maltez, e depois, no Corta-fitas.
[543.]

Olho ao longe.

Meço a distância.
+
+
Vou, porque quero.
+
Sou caminheiro.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mercurii dies

[545.]
E nós, os europeus? — segunda parte

Na quinta-feira, 12 de Junho, os irlandeses foram chamados a pronunciar-se sobre a decisão de ratificar ou não o Tratado Reformador da União Europeia, acordado pelos vinte e sete líderes europeus em Lisboa, no dia 19 de Outubro, assinado na mesma cidade a 13 de Dezembro e, por isso tudo, chamado Tratado de Lisboa. Mais de cinquenta e três por cento dos irlandeses que participaram no referendo preferiram não aprovar a ratificação do documento. Apesar de representarem apenas um por cento dos quatrocentos e noventa milhões de habitantes da União Europeia (UE) os irlandeses inviabilizaram a entrada em vigor do tratado a 1 de Janeiro de 2009 e, consequentemente, a eleição de um novo Parlamento Europeu em Junho de 2009, a escolha da presidência da Comissão Europeia e a eleição de um presidente da UE.
Do resultado deste referendo decorrem, imediatamente, duas lições que importaria considerar.
A primeira lição é dirigida aos que, como nós, consideravam que um referendo, em Portugal, à ratificação do Tratado de Lisboa, poderia servir como forma de plebiscitar, finalmente, a integração europeia. Este resultado demonstra que os cidadãos estão conscientes do alcance da pergunta que lhes é feita pelo referendo e de que, se são chamados a pronunciar-se sobre o tratado, é sobre isso que votam. Se tivesse havido um referendo em Portugal, a participação seria mínima, e o ‘Não’ ao Tratado ganharia sem que isso quisesse dizer que os portugueses estão contra a integração europeia. Os votos recentemente alcançados em eleições pelos partidos irlandeses que decidiram apoiar o ‘Sim’ ao tratado correspondem a mais de oitenta por cento dos eleitores desse país. Mesmo assim, o ‘Não’ ganhou. Consideramos que em Portugal deveria ter havido um referendo ao Tratado de Lisboa, porque assim o prometeram, em campanha eleitoral, PS, PSD e CDS/PP. Reconhecemos hoje, no entanto, que a necessidade de plebiscito à integração de Portugal na UE deveria fazer-se, mas de forma autónoma em relação à ratificação de tratados reformadores.
A segunda lição do referendo irlandês é dirigida aos vinte e seis líderes da UE que, entre si, acordaram que nos países que representavam a ratificação do tratado não seria feita por via referendária. O único país da União que a tal é obrigado, por imperativo jurisprudencial, é a Irlanda. Todos os outros países decidiram evitar esse sistema. Em 24 de Outubro de 2007, no Editorial, escrevemos: “Esse acordo é, para todos os efeitos, uma falta de respeito aos cidadãos europeus”. Mesmo assim, e aí está a lição a tirar, o Tratado de Lisboa não vai entrar em vigor na data prevista. Ou seja, esse desrespeito aos cidadãos europeus — porque muitos, os portugueses, por exemplo, ouviram do seu primeiro-ministro que o tratado iria ser referendado — não compensou. Serviu para coisa nenhuma. O efeito prático, na óptica da alegada necessidade de velocidade no processo de construção europeia, é nulo.
A decisão dos líderes europeus de não referendarem a ratificação do tratado pode ser nula, mas o resultado do referendo irlandês traz várias consequências. A primeira delas é a travagem a fundo de todo este processo uma vez que o tratado só pode vigorar se for aprovado por todos os Estados. Apesar de ser consensual a ideia de que os oito países que ainda não ratificaram o tratado o devem fazer sem esperar pela Irlanda. A segunda consequência deste resultado é o facto de o tratado ter de ser alterado, nem que seja numa vírgula qualquer, para que possa ser, novamente referendado — no prazo de um ano, possivelmente. Acontece que esta ‘vírgula’ pode não ser só uma minudência… e pode resultar na cedência a uma excepção irlandesa… e todos os líderes da UE aceitarem que a Irlanda mantenha um comissário europeu até 2014, só para ultrapassar a situação, mesmo que com um ano de atraso.
Os irlandeses votaram contra a ratificação do Tratado de Lisboa, como já tinham votado contra o Tratado de Maastricht, em 1992, como já tinham votado contra o Tratado de Nice, em 2001. Nestes dois casos os irlandeses rejeitaram a ratificação num primeiro referendo, a seguir o Conselho Europeu aprovou uma ou duas excepções, fez algumas cedências e os irlandeses foram chamados a referendo uma segunda vez… E depois aprovaram. O mesmo se passou com a Dinamarca noutras duas situações.
Ou seja, quem referenda, especialmente se o resultado for negativo, ganha sempre. Quem não referenda pode passar por menino bem-comportado… mas nunca ganha nada.

domingo, 15 de junho de 2008

[557.]

[2.º HUG - Caramulo]
«Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros».

Carta de São Paulo aos Romanos 12, 4-5

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Mercurii dies

[544.]
Feiras, feirinhas e feirões…

A décima edição da Feira de Artesanato e Gastronomia do Município da Mealhada constitui um facto digno de registo. A feira é uma realização que tem conseguido manter-se e subsistir perante vicissitudes a que não resistiram outras actividades. Numa cidade onde as festas religiosas tradicionais já não são acompanhadas das diversões profanas que atraíam milhares de pessoas, onde, para além dos festejos carnavalescos, já não se tem verificado a concretização de outras iniciativas recreativas e culturais do género, promovidas por associações ou comissões, realizações destas, mesmo que com organização exclusiva da Câmara Municipal, são muito relevantes.
O facto de só através da administração pública autárquica se conseguirem promover realizações recreativas e culturais de vulto na cidade da Mealhada é coisa que consideramos preocupante. As únicas excepções poderiam ser, como já se disse, os festejos de Carnaval e a Expo Mealhada, mas, se esta não teve continuidade por causa do (não) financiamento municipal, sobre a outra não tem deixado de pairar o mesmo fantasma. Ou seja, o financiamento autárquico é, na Mealhada — e contrariamente ao que se verifica em outras localidades do concelho —, condição sine qua non para qualquer realização de vulto. E é pena porque a iniciativa pública deve, em determinados casos, apoiar a iniciativa privada, associativa ou comunitária, e, acima de tudo, não a limitar, nem por acção nem por omissão.
Muitas pessoas, e algumas até com responsabilidades políticas, têm manifestado a opinião de que o conceito subjacente à Feira de Artesanato e Gastronomia do Município da Mealhada está ultrapassado, é limitado e não corresponde à necessidade de promoção de que o concelho enferma. É um tema interessante que, na nossa opinião, merece análise e discussão responsável.
A Feira das Tasquinhas, como vulgarmente passou a ser designada, é uma realização importante para a solução de um problema de que o concelho da Mealhada padece. Apesar de territorialmente pequeno, comparado com a área de alguns dos que com ele confinam, há entre a sua população manifestações de bairrismo que geram polémicas separatistas. Trata-se de questões que têm décadas, mais de um século, até. Questões sociais, questões culturais, questões políticas, que foram utilizadas, e promovidas, em nome, até, da estabilidade de regimes e de politicas. O gentílico mealhadense, por exemplo, não é assumido pelas pessoas que, mesmo sendo munícipes do concelho da Mealhada, não residem na sede do município, nem dela são naturais.
Não havendo no concelho o costume da celebração oficial e pública do feriado municipal, nem foi designado o dia do município, a Feira de Artesanato e Gastronomia é uma forma de satisfazer uma necessidade básica da população do município — a da promoção da unidade. A referida feira ao ter tasquinhas representantes de cada uma das freguesias do concelho da Mealhada, cujas juntas entregam a respectiva exploração a associações culturais e desportivas locais, está a prestar um serviço ao desenvolvimento do espírito de unidade que deve existir no município. Também é pela diferenciação que se unifica. A existência de uma representação de cada freguesia, ainda que, apenas, por intermédio de tasquinhas, constitui factor de atracção e motivo para que pessoas de todo o concelho afluam à feira e façam dela, e do jardim municipal da Mealhada, um espaço de convívio.
Consideramos que o conceito desta feira deve manter-se, como uma iniciativa para consumo interno do concelho e como contributo para solução de um problema específico. Os destinatários da feira devem continuar, essencialmente, a ser os munícipes da Mealhada. A feira deve manter-se no Jardim Municipal, que é também um símbolo, com as tasquinhas por freguesia, e com o ar aconchegante e típico que tem hoje.
Mas não tem o concelho da Mealhada a necessidade de se afirmar, no contexto regional, como pólo de desenvolvimento cultural e empresarial, por exemplo? A resposta é óbvia. Entendemos, no entanto, que não é acabando com a Feira de Artesanato e Gastronomia, dando-lhe nova dimensão ou mudando a sua concepção que o concelho se afirma a nível regional. É criando mais um certame, com um público alvo mais amplo, com uma data pensada estrategicamente, num local adequado. Uma realização que pode ser ao ar livre ou num espaço fechado, desde que com condições de qualidade, ou de funcionalidade, para a venda de produtos gastronómicos. Deve ter sempre um programa de recreio e cultura, com realizações de qualidade e visibilidade nacional, entre as quais exposições e espectáculos.
A Câmara da Mealhada tem necessidade de criar esse certame. Consideramos que o sucesso do projecto da marca “Quatro Maravilhas da Mesa da Mealhada” assim o impõe. A Câmara da Mealhada, porém, não deveria fazer isso sozinha. Deveria promovê-lo com o estabelecimento de parcerias públicas, com os organismos públicos de turismo e de agricultura (tutela da gastronomia e da viticultura), e com entidades privadas, como a Associação Comercial e Industrial da Mealhada, a Associação dos Hoteleiros e Industriais do Leitão Assado à Bairrada, a Confraria do Leitão da Mealhada, a Confraria dos Enófilos da Bairrada, ou a Sociedade da Água de Luso. E nesse certame poderia satisfazer a necessidade de promoção externa. Enquanto isso a “feirinha das Tasquinhas” deve continuar com o mesmo conceito, com as adaptações que se impuserem, mas dando oportunidade aos munícipes para se encontrarem e criarem laços de solidariedade, de convivência, de afectos, ali, no jardim municipal da sede do concelho.
Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Magister adest et vocat te*

[542.]

*O mestre está aqui e chama-te

[Vulgata, João 11.28]

http://franciscolucaspires.blogspot.com/

[541.]


Não venceu o candidato em que votei mas entendo as razões que levaram os militantes a tomar a decisão de eleger Manuela Ferreira Leite como presidente do PSD. Não vou dizer que fiquei contente porque não seria verdade. Prefiro-a a Pedro Santana Lopes mas considero que seria melhor para o país e para o partido que o combate eleitoral de 2009 fosse travado taco-a-taco, com um programa realmente alternativo e sem necessidade de estratégias de auto-defesa e de auto-justificação.

Considero, no entanto, que todos os militantes que apoiaram Pedo Passos Coelho subscrevem as declarações que proferiu na noite eleitoral, e se colocam, agora, ao dispor de Manuela Ferreira Leite para, com ela, trabalhar em nome do bem-comum do partido e do país.

Em termos locais, no concelho da Mealhada, o resultado alcançado pelo candidato de que fui mandatário concelhio foi muito baixo. Assumo a responsabilidade pessoal do que considero ter sido um resultado humilhante.

Acredito que a honestidade politica e intelectual exige que se reconheça que quando as pessoas vencem, vencem e quando perdem, perdem...