
quinta-feira, 31 de julho de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
[572.]
O tempo não tem chegado para postar regularmente no Fio dos Dias... Peço desculpa pela falta.
O tempo não tem chegado para postar regularmente no Fio dos Dias... Peço desculpa pela falta.
Mercurii dies
[571.]
Quid est veritas?
Sobre o estado da Nação, o que é a verdade?
Na próxima quinta-feira, 10 de Julho, pelas 15 horas, reunir-se-ão, no plenário de São Bento, os deputados da Nação e o Governo para o último debate da legislatura. Em discussão estará “O estado da Nação”. Salientámos, no editorial da última edição, as vantagens que decorrem da auto-avaliação em qualquer organização. E este debate reúne todas as condições para que se faça auto-avaliação e dela sejam tiradas as devidas vantagens. Possibilitará, também, o conhecimento da verdade sobre o estado real do país?
Do célebre diálogo entre Cristo e Pilatos resultou, para a eternidade, a não menos célebre pergunta do governador romano a Jesus: Quid est veritas? — O que é a verdade? No momento presente surge, também, uma questão: Qual é a verdade sobre a situação do país?
Há a verdade de José Sócrates. O primeiro-ministro, em entrevista à estação de televisão pública, RTP, avisou que todos os países europeus, e os Estados Unidos da América igualmente, estão em situação económica difícil, a que não pode chamar-se, ainda, de crise. Declarou-se optimista em relação ao futuro, ma non troppo (mas não demasiado), e disse que, com energia e coragem, o país consegue entrar outra vez em fase de desenvolvimento continuado. O chefe do Governo diz-se orgulhoso do saneamento das contas públicas e das reformas que encetou. Acredita, segundo disse, que, com o conjunto de obras por si anunciadas, que serão feitas com o dinheiro de entidades privadas, se resolvem os principais problemas do Estado. E que uma atitude de energia, de dinamismo e de confiança garantirão uma maioria socialista na Assembleia da República, após as eleições legislativas de 2009.
Verdade diferente é a identificada por Manuela Ferreira Leite, presidente do maior partido da oposição. Em entrevista à TVI, ela frisou: “O país está hipotecado. O país não tem dinheiro para nada!”. Disse também que a situação do país é séria e preocupante, especialmente a situação social, e que não é com investimento público que “isto se salva”. Salientou que é preciso dizer a verdade aos portugueses, a sua verdade, e convencer-nos de que só quem fala verdade é que pode salvar Portugal do estado em que se encontra.
A verdade enunciada por parte substancial dos comentadores especializados em Economia aponta as condicionantes internacionais preço dos combustíveis, iminente crise alimentar, crise nos negócios imobiliários nos Estados Unidos da América, entre outras, como as principais causas do actual estado da Nação portuguesa e das nações europeias. Estado esse que ninguém classifica como de prosperidade. Será um estado de abrandamento económico ou de decréscimo iminente, pelo menos.
A verdade é que os portugueses estão apreensivos relativamente ao futuro e já há muito tempo que, na rua, cheira a pessimismo. E voltamos à pergunta: Qual é a verdade? Haverá sinais de esperança, como diz José Sócrates? Estará o país em tão más condições, como nos diz Ferreira Leite? Ou estará ainda pior? E a verdade é que nunca a conheceremos exactamente. Porque não dispomos dos dados necessários para esse efeito, e porque todas as análises dos comentadores terão sempre algo de subjectivo. Os portugueses vão acreditando na verdade que lhes vai sendo transmitida por quem mais confiança lhes merece, e vão caminhando… sem grande esperança.
Os problemas que têm vindo a público na Educação ou na Justiça, por exemplo, agravam o nosso estado de pessimismo. Problemas que temos de enfrentar, que até poderiam existir desde há muito, mas dos quais não teríamos consciência e que agora se agravam aos nossos olhos. Mas é nesses problemas, só, que consiste a verdade do país? Quantas vezes não tomamos a nuvem por Juno?
Há, com certeza, razões para estarmos preocupados. Há, com certeza, motivos para adoptarmos comportamentos de austeridade. Há, com certeza, sinais que denotam a incapacidade dos nossos dirigentes para resolver questões prementes da nossa vida colectiva. Mas o que é que acontece se baixarmos os braços? Poderemos emigrar todos? Será essa a solução? Será essa a verdade de Portugal?
Bruno Proença, editorialista do Diário Económico, ao abordar, em 7 de Julho, o tema do estado da Nação, afirmou o seguinte: “E quem vai tratar da saúde da Nação? Como também é hábito, a discussão vai centrar-se no Governo. Não chega. Obviamente que este Executivo, como os do passado, tem culpas, sobretudo pelo que não fez tendo em conta o poder — exagerado — na sociedade e na economia. Mas as mudanças passam por todos. O desemprego e a produtividade não se resolvem por decreto, bem como a melhoria da eficiência energética. A Nação está num ponto em que todos devem assumir as suas responsabilidades. Isto inclui partidos, empresários, sindicatos — não basta pensar e dizer o que está mal. É altura de a denominada ‘sociedade civil’ também fazer alguma coisa”.
Se nada pudermos ou se nada quisermos fazer, de que nos serve o conhecimento da verdade sobre o real estado da Nação nesta altura? Interessa arregaçar as mangas e colaborar, à nossa medida, na cura e deixarmos de fazer parte da doença com o nosso pessimismo.
Sobre o estado da Nação, o que é a verdade?
Na próxima quinta-feira, 10 de Julho, pelas 15 horas, reunir-se-ão, no plenário de São Bento, os deputados da Nação e o Governo para o último debate da legislatura. Em discussão estará “O estado da Nação”. Salientámos, no editorial da última edição, as vantagens que decorrem da auto-avaliação em qualquer organização. E este debate reúne todas as condições para que se faça auto-avaliação e dela sejam tiradas as devidas vantagens. Possibilitará, também, o conhecimento da verdade sobre o estado real do país?
Do célebre diálogo entre Cristo e Pilatos resultou, para a eternidade, a não menos célebre pergunta do governador romano a Jesus: Quid est veritas? — O que é a verdade? No momento presente surge, também, uma questão: Qual é a verdade sobre a situação do país?
Há a verdade de José Sócrates. O primeiro-ministro, em entrevista à estação de televisão pública, RTP, avisou que todos os países europeus, e os Estados Unidos da América igualmente, estão em situação económica difícil, a que não pode chamar-se, ainda, de crise. Declarou-se optimista em relação ao futuro, ma non troppo (mas não demasiado), e disse que, com energia e coragem, o país consegue entrar outra vez em fase de desenvolvimento continuado. O chefe do Governo diz-se orgulhoso do saneamento das contas públicas e das reformas que encetou. Acredita, segundo disse, que, com o conjunto de obras por si anunciadas, que serão feitas com o dinheiro de entidades privadas, se resolvem os principais problemas do Estado. E que uma atitude de energia, de dinamismo e de confiança garantirão uma maioria socialista na Assembleia da República, após as eleições legislativas de 2009.
Verdade diferente é a identificada por Manuela Ferreira Leite, presidente do maior partido da oposição. Em entrevista à TVI, ela frisou: “O país está hipotecado. O país não tem dinheiro para nada!”. Disse também que a situação do país é séria e preocupante, especialmente a situação social, e que não é com investimento público que “isto se salva”. Salientou que é preciso dizer a verdade aos portugueses, a sua verdade, e convencer-nos de que só quem fala verdade é que pode salvar Portugal do estado em que se encontra.
A verdade enunciada por parte substancial dos comentadores especializados em Economia aponta as condicionantes internacionais preço dos combustíveis, iminente crise alimentar, crise nos negócios imobiliários nos Estados Unidos da América, entre outras, como as principais causas do actual estado da Nação portuguesa e das nações europeias. Estado esse que ninguém classifica como de prosperidade. Será um estado de abrandamento económico ou de decréscimo iminente, pelo menos.
A verdade é que os portugueses estão apreensivos relativamente ao futuro e já há muito tempo que, na rua, cheira a pessimismo. E voltamos à pergunta: Qual é a verdade? Haverá sinais de esperança, como diz José Sócrates? Estará o país em tão más condições, como nos diz Ferreira Leite? Ou estará ainda pior? E a verdade é que nunca a conheceremos exactamente. Porque não dispomos dos dados necessários para esse efeito, e porque todas as análises dos comentadores terão sempre algo de subjectivo. Os portugueses vão acreditando na verdade que lhes vai sendo transmitida por quem mais confiança lhes merece, e vão caminhando… sem grande esperança.
Os problemas que têm vindo a público na Educação ou na Justiça, por exemplo, agravam o nosso estado de pessimismo. Problemas que temos de enfrentar, que até poderiam existir desde há muito, mas dos quais não teríamos consciência e que agora se agravam aos nossos olhos. Mas é nesses problemas, só, que consiste a verdade do país? Quantas vezes não tomamos a nuvem por Juno?
Há, com certeza, razões para estarmos preocupados. Há, com certeza, motivos para adoptarmos comportamentos de austeridade. Há, com certeza, sinais que denotam a incapacidade dos nossos dirigentes para resolver questões prementes da nossa vida colectiva. Mas o que é que acontece se baixarmos os braços? Poderemos emigrar todos? Será essa a solução? Será essa a verdade de Portugal?
Bruno Proença, editorialista do Diário Económico, ao abordar, em 7 de Julho, o tema do estado da Nação, afirmou o seguinte: “E quem vai tratar da saúde da Nação? Como também é hábito, a discussão vai centrar-se no Governo. Não chega. Obviamente que este Executivo, como os do passado, tem culpas, sobretudo pelo que não fez tendo em conta o poder — exagerado — na sociedade e na economia. Mas as mudanças passam por todos. O desemprego e a produtividade não se resolvem por decreto, bem como a melhoria da eficiência energética. A Nação está num ponto em que todos devem assumir as suas responsabilidades. Isto inclui partidos, empresários, sindicatos — não basta pensar e dizer o que está mal. É altura de a denominada ‘sociedade civil’ também fazer alguma coisa”.
Se nada pudermos ou se nada quisermos fazer, de que nos serve o conhecimento da verdade sobre o real estado da Nação nesta altura? Interessa arregaçar as mangas e colaborar, à nossa medida, na cura e deixarmos de fazer parte da doença com o nosso pessimismo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 9 de Julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Pôr na agenda
[568.]
Eu pus na minha agenda a procissão nocturna, e os concertos da Mariza, no Pátio das Escolas, e o da Rosa Passos... (se bem que aos dois ultimos vai haver impedimentos...)
Mercurii dies
[567.]
A auto-avaliação na vida da comunidade
É fundamental para qualquer organização — empresarial, política, recreativa, ou outras —, promover sistemas de auto-avaliação. A auto-crítica é algo que contribui para o aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido, fomenta a criatividade e promove a eficiência e a eficácia das ferramentas utilizadas para a concretização de um dado propósito. Organizações em que a máxima, na conclusão de uma realização, é “o que correu bem, correu, o que correu mal é para esquecer” estarão, mais tarde ou mais cedo, condenadas a repetir o erro até à sua própria extinção. No mesmo sentido se posicionam aquelas entidades que declaram ganhar sempre, independentemente do resultado obtido.
Sentimos que os portugueses são, talvez por natureza, avessos à auto-avaliação, e que confundem, muitas vezes, auto-avaliação com auto-flagelação. Isso diz bem do nível de consciência que têm do que é e do que pode ajudar a avaliação. Falamos de avaliação de desempenho, no trabalho profissional, no trabalho escolar dos alunos, principalmente, mas também nas execução de tarefas em associações de vária natureza, nas estruturas políticas, no trabalho autárquico, etc..
Esta altura do ano é propícia à avaliação. O tempo de descanso estival pode servir para analisar o que está realizado. É importante identificar o que correu bem e o que correu mal e por que razão. Convencidos de que prestamos um bom serviço à comunidade dos leitores do Jornal da Mealhada, iniciámos, recentemente, três ciclos de entrevistas propícias ao balanço das actividades e à auto-avaliação dos entrevistados.
Fazemo-lo porque entendemos que, desse modo, aproximamos os componentes da comunidade — aproximamos dirigentes desportivos, políticos, educadores e outros aos principais beneficiários da sua acção —, cumprimos a nossa missão de informar, por um lado, e, por outro damos a palavra aos protagonistas sem quaisquer outros intermediários. Ajudamos ainda os nossos entrevistados, assim pensamos, a fazerem connosco a auto-avaliação que, provavelmente, não estariam dispostos a fazer.
A primeira série de entrevistas, que iniciámos há quatro semanas, é destinada aos treinadores e dirigentes dos clubes desportivos do concelho da Mealhada. Tem o título genérico de ‘Relatos do Defeso’ e visa avaliar a época desportiva na perspectiva do técnico — nas suas opções, dificuldades, pontos de vista —, e, também, na perspectiva do presidente da direcção do clube — na vertente logística, financeira, de viabilidade, entre outras. Este ciclo de entrevistas começou com os treinadores de futebol, mas, nos próximos meses desfilarão, nas páginas deste jornal, as entrevistas com os técnicos das outras modalidades com prática regular no concelho da Mealhada.
A segunda série de entrevistas, iniciámo-la na passada edição, tem o nome de ‘Nota Final’, é mais breve e é destinada aos directores dos estabelecimentos escolares que são responsáveis pela educação de número significativo de crianças, de adolescentes e de jovens do concelho da Mealhada. Começámos pela Escola Profissional Vasconcellos Lebre, da Mealhada, e prosseguimos, nesta edição, com o Colégio de Nossa Senhora da Assunção, de Famalicão, Anadia. Optámos por alargar o âmbito territorial das entrevistas para além do município da Mealhada, porque assim o exige a realidade das coisas. É muito significativo o número de alunos residentes no concelho da Mealhada que frequenta o ensino privado fora do concelho, e nós teremos, necessariamente, de ter isso em conta.
A terceira série de entrevistas terá como protagonistas os autarcas e os principais dirigentes dos partidos com representação política nos órgãos autárquicos da Mealhada. Dentro de um ano estarão a ser apresentadas as candidaturas dos partidos políticos e dos movimentos de cidadãos às autarquias e este é o tempo oportuno para avaliar a actividade dos autarcas desenvolvida nos primeiros três quartos do seu mandato. O ciclo de entrevistas é exclusivamente subordinado ao tema da política autárquica. Começámos pelos membros das juntas de freguesia, seguiremos para a Câmara da Mealhada e depois para os dirigentes do Partido Socialista, do Partido Social-Democrata e do Partido Comunista Português, o partido mais representativo da Coligação Democrática Unitária (CDU), de que faz parte.
Este trabalho de promoção da auto-avaliação centrado nestas três esferas de acção das nossas comunidades — desporto, educação e política —, está planificado para se estender pelos meses de Julho, Agosto e Setembro. Esperemos que os próprios protagonistas estejam na disposição de ‘se abrirem’ connosco e nos concedam as entrevistas. No final faremos, também nós, uma auto-avaliação referente ao trabalho desenvolvido neste órgão de comunicação social.
É fundamental para qualquer organização — empresarial, política, recreativa, ou outras —, promover sistemas de auto-avaliação. A auto-crítica é algo que contribui para o aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido, fomenta a criatividade e promove a eficiência e a eficácia das ferramentas utilizadas para a concretização de um dado propósito. Organizações em que a máxima, na conclusão de uma realização, é “o que correu bem, correu, o que correu mal é para esquecer” estarão, mais tarde ou mais cedo, condenadas a repetir o erro até à sua própria extinção. No mesmo sentido se posicionam aquelas entidades que declaram ganhar sempre, independentemente do resultado obtido.
Sentimos que os portugueses são, talvez por natureza, avessos à auto-avaliação, e que confundem, muitas vezes, auto-avaliação com auto-flagelação. Isso diz bem do nível de consciência que têm do que é e do que pode ajudar a avaliação. Falamos de avaliação de desempenho, no trabalho profissional, no trabalho escolar dos alunos, principalmente, mas também nas execução de tarefas em associações de vária natureza, nas estruturas políticas, no trabalho autárquico, etc..
Esta altura do ano é propícia à avaliação. O tempo de descanso estival pode servir para analisar o que está realizado. É importante identificar o que correu bem e o que correu mal e por que razão. Convencidos de que prestamos um bom serviço à comunidade dos leitores do Jornal da Mealhada, iniciámos, recentemente, três ciclos de entrevistas propícias ao balanço das actividades e à auto-avaliação dos entrevistados.
Fazemo-lo porque entendemos que, desse modo, aproximamos os componentes da comunidade — aproximamos dirigentes desportivos, políticos, educadores e outros aos principais beneficiários da sua acção —, cumprimos a nossa missão de informar, por um lado, e, por outro damos a palavra aos protagonistas sem quaisquer outros intermediários. Ajudamos ainda os nossos entrevistados, assim pensamos, a fazerem connosco a auto-avaliação que, provavelmente, não estariam dispostos a fazer.
A primeira série de entrevistas, que iniciámos há quatro semanas, é destinada aos treinadores e dirigentes dos clubes desportivos do concelho da Mealhada. Tem o título genérico de ‘Relatos do Defeso’ e visa avaliar a época desportiva na perspectiva do técnico — nas suas opções, dificuldades, pontos de vista —, e, também, na perspectiva do presidente da direcção do clube — na vertente logística, financeira, de viabilidade, entre outras. Este ciclo de entrevistas começou com os treinadores de futebol, mas, nos próximos meses desfilarão, nas páginas deste jornal, as entrevistas com os técnicos das outras modalidades com prática regular no concelho da Mealhada.
A segunda série de entrevistas, iniciámo-la na passada edição, tem o nome de ‘Nota Final’, é mais breve e é destinada aos directores dos estabelecimentos escolares que são responsáveis pela educação de número significativo de crianças, de adolescentes e de jovens do concelho da Mealhada. Começámos pela Escola Profissional Vasconcellos Lebre, da Mealhada, e prosseguimos, nesta edição, com o Colégio de Nossa Senhora da Assunção, de Famalicão, Anadia. Optámos por alargar o âmbito territorial das entrevistas para além do município da Mealhada, porque assim o exige a realidade das coisas. É muito significativo o número de alunos residentes no concelho da Mealhada que frequenta o ensino privado fora do concelho, e nós teremos, necessariamente, de ter isso em conta.
A terceira série de entrevistas terá como protagonistas os autarcas e os principais dirigentes dos partidos com representação política nos órgãos autárquicos da Mealhada. Dentro de um ano estarão a ser apresentadas as candidaturas dos partidos políticos e dos movimentos de cidadãos às autarquias e este é o tempo oportuno para avaliar a actividade dos autarcas desenvolvida nos primeiros três quartos do seu mandato. O ciclo de entrevistas é exclusivamente subordinado ao tema da política autárquica. Começámos pelos membros das juntas de freguesia, seguiremos para a Câmara da Mealhada e depois para os dirigentes do Partido Socialista, do Partido Social-Democrata e do Partido Comunista Português, o partido mais representativo da Coligação Democrática Unitária (CDU), de que faz parte.
Este trabalho de promoção da auto-avaliação centrado nestas três esferas de acção das nossas comunidades — desporto, educação e política —, está planificado para se estender pelos meses de Julho, Agosto e Setembro. Esperemos que os próprios protagonistas estejam na disposição de ‘se abrirem’ connosco e nos concedam as entrevistas. No final faremos, também nós, uma auto-avaliação referente ao trabalho desenvolvido neste órgão de comunicação social.
Editorial do Jornal da Mealhada de 2 de Julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
Piada de caserna...
[569.]
Notícia na primeira página do Público:
«Governo e Bruxelas declaram todo o pinhal português afectado por doença mortal»
A vice-presidente da Câmara da Mealhada, o presidente da direcção da ACIM e um conhecido empresário de Sernadelo estão em estado de alerta e chocados com a situação.
Segundo O Fio dos Dias pode apurar Filomena Pinheiro, Carlos Pinheiro e Claude Pires, gerente da Quinta dos Três Pinheiros, dirigiram-se, de imediato, ao Hospital da Misericórdia da Mealhada para fazerem profilaxia.
Notícia na primeira página do Público:
«Governo e Bruxelas declaram todo o pinhal português afectado por doença mortal»
A vice-presidente da Câmara da Mealhada, o presidente da direcção da ACIM e um conhecido empresário de Sernadelo estão em estado de alerta e chocados com a situação.
Segundo O Fio dos Dias pode apurar Filomena Pinheiro, Carlos Pinheiro e Claude Pires, gerente da Quinta dos Três Pinheiros, dirigiram-se, de imediato, ao Hospital da Misericórdia da Mealhada para fazerem profilaxia.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Amanhã há eleições para os órgãos dirigentes da JSD da Mealhada. Não vou votar porque não estarei no concelho da Mealhada no horário da votação. Mas se estivesse votaria, e fa-lo-ia na lista de Bruno Coimbra (mesmo sendo a única). Por duas ordens de razão.
Por razões afectivas. Porque sou amigo do Bruno, do João Varela, por exemplo, e, também, porque sou irmão do vice-presidente... e o sangue também diz qualquer coisa.
Mas faço-o também por razões ideológicas. O modelo de JSD defendido pela equipa de Bruno Coimbra integra-se no que defendi enquanto fui dirigente da JSD. Uma JSD especialmente preocupada em, primeiramente, formar pessoas capazes de desempenhar funções políticas com qualidade e sustentabilidade e, também, construir um projecto politico de juventude para a comunidade em que se insere.
Acredito, sinceramente, que o objectivo de uma estrutura política deve ser, sempre, o de mudar efectivamente o mundo. E, em termos políticos, mudar o mundo é exercer o poder com qualidade, convicção e, repito, sustentabilidade.
E esta deve ser a postura da JSD, a de formar e oferecer ao partido e ao concelho autarcas de excelência - que representem os jovens, pensem como jovens, que interajam com os jovens, que sejam jovens. Que evitem ter pouca idade e os piores defeitos dos politicos profissionais.
Entendo, no entanto, que esta não deve ser a exclusiva tarefa da JSD e que há todo um papel de sedução aos jovens e de dar vitalidade ao partido que está por fazer. Acredito que a equipa de Bruno Coimbra saberá perceber isso e, de uma vez por todas, fazer o que eu, e as minhas equipas, nunca conseguimos, dar energia positiva, alegria, dinamismo à JSD para revitalizar o PSD.
Esta deve ser uma preocupação. Sempre disse que a JSD deve dar um passo atrás para que o PSD possa dar um, dois, ou meio passo em frente. E o modelo de JSD que é necessário até Novembro de 2009, na Mealhada, é o de abrir o partido aos jovens e não fechá-lo. Não fechar a estrutura, nem impedir ninguém de dar o seu contributo, mesmo que discorde, mesmo que afronte. Porque, se não, o PSD não sai da cepa torta!
Que os futuros dirigentes (que infelizmente não serão eleitos com o meu voto) tenham sabedoria para perceber o que é prioritário, o que devem fazer e, acima de tudo, para ouvir e assimilar a opinião de todos (dentro da estrutura ou fora dela), sem cair na soberba de pensar que 'nós somos os bons e os outros não valem nada'.
[565.]


Num dia como o de hoje, convém lembrar que
não basta haver eleições para haver democracia.
E
que não há nada melhor do que umas eleições para legitimar uma ditadura!
O Governo português diz tratar-se de uma farsa... mas não consta que tivesse feito qualquer reparo a Mugabe sobre a maneira como ele gere o feudozinho dele, com este cá esteve...
Veneris dies
[564.]


Rosa Louise McCauley, mais conhecida por Rosa Parks (Tuskegee, 4 de fevereiro de 1913 - Detroit, 24 de outubro de 2005), foi uma costureira negra norte-americana que se tornou símbolo do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos da América.
Ficou famosa porque, em 1 de dezembro de 1955, se recusou frontalmente a ceder o seu lugar onde estava sentada no autocarro a um homem branco.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
[562.]Depois de uns tempos aparentemente desamazelado a actualidade poderá ter regressado ao Fio dos Dias.
Ontem, 25 de Junho, adicionei nada mais nada menos do que 18 posts que andavam rabiscados no meu moleskine há cinco semanas.
Foram colocados na data em que entraram no moleskine... e levam a numeração sequencial de entrada no blogue. Espero que compreendam e não me levem a mal.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Dedicado aos meus bons AMIGOS do 347
[550.]
Quando a zona Solum era assim... há 70 anos, talvez?
Ao ponto a que chegámos...
[549.]
O Vale e Azevedo diz mal da justiça portuguesa... e tem razão!
O Vale e Azevedo diz mal da justiça portuguesa... e tem razão!
Artes de Píndaro
[548.]
Pensamentos pindéricos...
[547.]
Depois de algum tempo... Depois de observar a definição do candidato democrata, decidi: Se eu tivesse/pudesse votar, votaria no 'Black JFK'
Transmite-me mais energias positivas, mais esperança.
É a minha escolha para o líder do 'free world'
Yes We Can
Mercurii dies
[546.]
Política sem ideologia
Acompanhar a vida interna de uma força política como o Partido Social-Democrata revela-se tão importante como acompanhar a acção de um Governo. Mesmo que este Governo seja de outro partido. O funcionamento dos principais partidos da oposição e as opções tomadas pelos seus militantes e pelas suas lideranças condicionam de tal modo a vida política nacional que é fundamental saber-se que rumo tomam, o que defendem e que plano alternativo estão a construir.
No discurso de encerramento do XXXI Congresso Nacional do PSD, realizado em Guimarães, no fim-de-semana de 21 e 22 de Junho de 2008, a nova líder, Manuela Ferreira Leite, abriu a campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizarão na Primavera ou no Outono de 2009 — decorreriam em Outubro de 2009 mas há quem coloque a hipótese de o primeiro-ministro preferir uma antecipação para Abril de modo a não coincidirem com as eleições autárquicas, que, segundo a lei, se realizarão em Outubro.
Manuela Ferreira Leite procurará aproveitar o estado de graça em que se encontra, resultante da eleição como líder do partido, para melhorar a imagem que os portugueses têm do partido e só depois apresentar um programa alternativo ao do Partido Socialista, com ideias e soluções diferentes para a governação, que muitos consideram que não tem. Se for verdade que tem não o mostrou. Justifica-se, então, a dúvida de que a eleição de Ferreira Leite poderá adiar a resolução de um problema que deve preocupar os portugueses. Trata-se do problema da afirmação ideológica do PSD. Um problema que pode modificar, completamente, a lógica democrática do sistema político português.
Desde sempre o PSD, primeiro com o nome de PPD e depois com o de PPD/PSD, teve problemas de definição ideológica. Nunca foi, verdadeiramente, um partido social-democrata, e nem a tentativa de Sá Carneiro de enunciar os princípios de uma social-democracia portuguesa, ou a hipótese de inscrever o partido na Internacional Socialista resolveram a questão. O partido, graças ao carisma dos seus líderes, tornou-se, logo em 1976, um partido de massas, e foi devido à influência desse carisma e das perspectivas ideológicas dos líderes que se foi tornando naquilo que, em ciência política, se chama um partido catch all, isto é, um partido em que convivem liberais, populistas, conservadores, democratas-cristãos, keynesianos, socialistas, entre muitos outros.
Quando o partido foi dirigido por Cavaco Silva, keynesiano e pragmático, o PSD defendia um Estado interventivo no investimento, com a execução de um conjunto alargado de obras públicas. Quando procurou diminuir o papel do Estado, e rever a tabela de preços das portagens na Ponte 25 de Abril ou aumentar as propinas dos estudantes do Ensino Superior Público, por exemplo, teve muito problemas. Em 1992, dezoito anos depois da sua fundação, foi revisto o seu programa político do PSD, mas a ideologia do partido já era, na prática, e continuou a ser, a ideologia do líder.
À medida que foi mudando de liderança foi mudando de ideologia. Não imediatamente com Fernando Nogueira, mas logo depois, com Marcelo Rebelo de Sousa e a reedição da AD, a Alternativa Democrática — uma solução impensável para Cavaco, por exemplo.
Durão Barroso, que disse não fazer mais investimento público enquanto houvesse pobres em Portugal, demarcou-se, também, das anteriores lideranças, enunciou princípios de choque, tornou-se primeiro-ministro, sem estar para isso preparado, e, acabou por formar governo à direita. Depois da "fuga" para Bruxelas, foi nomeado primeiro-ministro Santana Lopes, também ele impreparado, que procurou dar ao Governo um estilo mais a seu gosto pessoal, mas, em seis meses, pouco pôde fazer.
Acompanhando as lideranças mais recentes, regista-se a de Marques Mendes, que declarou ser contra o investimento em obras públicas de vulto e defendia a baixa imediata dos impostos. Luís Filipe Menezes defendia exactamente o contrário: considerava as obras públicas como motor da salvação económica do país e considerava, também, que havia falta de condições para descer impostos. Pelo que já ouvimos de Ferreira Leite parece-nos que a antiga ministra das Finanças tem a opinião de que não se pode avançar com a baixa de impostos… nem há dinheiro para grandes obras públicas. Em conclusão, nos últimos doze meses o PSD teve três líderes diferentes, que defendiam três modelos de desenvolvimento ideologicamente diferentes e, até, contraditórios.
Os militantes do PSD escolhem os líderes que entendem ser melhores para conquistar o poder e governar o país. Fazem-no conscientemente, disso não há dúvidas. E abdicam, até, de averiguar qual o programa que esses líderes têm para solução dos problemas da Nação. Assim aconteceu com Ferreira Leite. Estão, desse modo, mais sensíveis, mais vulneráveis à demagogia e susceptíveis de golpes carismáticos e de retórica política.
O PS funciona de modo diferente. Tem, mais ou menos institucionalizado, um direito de tendência ideológica — com os socialistas tradicionais, que estão mais próximos do PCP e do BE (como Alegre e Soares), com os católicos progressistas (como os guterristas e Maria do Rosário Carneiro, Matilde Sousa Franco, por exemplo) e com os da Terceira Via (de que Sócrates faz parte).
E enquanto, no PSD, as tendências forem pessoais, e resultarem da simpatia por putativos candidatos à liderança, não sendo, portanto, ideológicas, o risco de descaracterização na área das ideologias permanecerá. Negar-se-ão, assim, os princípios fundamentais da política clássica, não se saberá que modelo de desenvolvimento tem o partido… E poderá saber-se, ou não, o que defende o líder… Que, se ganhar a eleição legislativa, poderá levar o partido para onde quiser, sem ninguém saber muito bem para onde. E isso pode prejudicar gravemente o país. O PSD será imune a isso enquanto estiver Ferreira Leite na liderança? E depois disso?
Acompanhar a vida interna de uma força política como o Partido Social-Democrata revela-se tão importante como acompanhar a acção de um Governo. Mesmo que este Governo seja de outro partido. O funcionamento dos principais partidos da oposição e as opções tomadas pelos seus militantes e pelas suas lideranças condicionam de tal modo a vida política nacional que é fundamental saber-se que rumo tomam, o que defendem e que plano alternativo estão a construir.
No discurso de encerramento do XXXI Congresso Nacional do PSD, realizado em Guimarães, no fim-de-semana de 21 e 22 de Junho de 2008, a nova líder, Manuela Ferreira Leite, abriu a campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizarão na Primavera ou no Outono de 2009 — decorreriam em Outubro de 2009 mas há quem coloque a hipótese de o primeiro-ministro preferir uma antecipação para Abril de modo a não coincidirem com as eleições autárquicas, que, segundo a lei, se realizarão em Outubro.
Manuela Ferreira Leite procurará aproveitar o estado de graça em que se encontra, resultante da eleição como líder do partido, para melhorar a imagem que os portugueses têm do partido e só depois apresentar um programa alternativo ao do Partido Socialista, com ideias e soluções diferentes para a governação, que muitos consideram que não tem. Se for verdade que tem não o mostrou. Justifica-se, então, a dúvida de que a eleição de Ferreira Leite poderá adiar a resolução de um problema que deve preocupar os portugueses. Trata-se do problema da afirmação ideológica do PSD. Um problema que pode modificar, completamente, a lógica democrática do sistema político português.
Desde sempre o PSD, primeiro com o nome de PPD e depois com o de PPD/PSD, teve problemas de definição ideológica. Nunca foi, verdadeiramente, um partido social-democrata, e nem a tentativa de Sá Carneiro de enunciar os princípios de uma social-democracia portuguesa, ou a hipótese de inscrever o partido na Internacional Socialista resolveram a questão. O partido, graças ao carisma dos seus líderes, tornou-se, logo em 1976, um partido de massas, e foi devido à influência desse carisma e das perspectivas ideológicas dos líderes que se foi tornando naquilo que, em ciência política, se chama um partido catch all, isto é, um partido em que convivem liberais, populistas, conservadores, democratas-cristãos, keynesianos, socialistas, entre muitos outros.
Quando o partido foi dirigido por Cavaco Silva, keynesiano e pragmático, o PSD defendia um Estado interventivo no investimento, com a execução de um conjunto alargado de obras públicas. Quando procurou diminuir o papel do Estado, e rever a tabela de preços das portagens na Ponte 25 de Abril ou aumentar as propinas dos estudantes do Ensino Superior Público, por exemplo, teve muito problemas. Em 1992, dezoito anos depois da sua fundação, foi revisto o seu programa político do PSD, mas a ideologia do partido já era, na prática, e continuou a ser, a ideologia do líder.
À medida que foi mudando de liderança foi mudando de ideologia. Não imediatamente com Fernando Nogueira, mas logo depois, com Marcelo Rebelo de Sousa e a reedição da AD, a Alternativa Democrática — uma solução impensável para Cavaco, por exemplo.
Durão Barroso, que disse não fazer mais investimento público enquanto houvesse pobres em Portugal, demarcou-se, também, das anteriores lideranças, enunciou princípios de choque, tornou-se primeiro-ministro, sem estar para isso preparado, e, acabou por formar governo à direita. Depois da "fuga" para Bruxelas, foi nomeado primeiro-ministro Santana Lopes, também ele impreparado, que procurou dar ao Governo um estilo mais a seu gosto pessoal, mas, em seis meses, pouco pôde fazer.
Acompanhando as lideranças mais recentes, regista-se a de Marques Mendes, que declarou ser contra o investimento em obras públicas de vulto e defendia a baixa imediata dos impostos. Luís Filipe Menezes defendia exactamente o contrário: considerava as obras públicas como motor da salvação económica do país e considerava, também, que havia falta de condições para descer impostos. Pelo que já ouvimos de Ferreira Leite parece-nos que a antiga ministra das Finanças tem a opinião de que não se pode avançar com a baixa de impostos… nem há dinheiro para grandes obras públicas. Em conclusão, nos últimos doze meses o PSD teve três líderes diferentes, que defendiam três modelos de desenvolvimento ideologicamente diferentes e, até, contraditórios.
Os militantes do PSD escolhem os líderes que entendem ser melhores para conquistar o poder e governar o país. Fazem-no conscientemente, disso não há dúvidas. E abdicam, até, de averiguar qual o programa que esses líderes têm para solução dos problemas da Nação. Assim aconteceu com Ferreira Leite. Estão, desse modo, mais sensíveis, mais vulneráveis à demagogia e susceptíveis de golpes carismáticos e de retórica política.
O PS funciona de modo diferente. Tem, mais ou menos institucionalizado, um direito de tendência ideológica — com os socialistas tradicionais, que estão mais próximos do PCP e do BE (como Alegre e Soares), com os católicos progressistas (como os guterristas e Maria do Rosário Carneiro, Matilde Sousa Franco, por exemplo) e com os da Terceira Via (de que Sócrates faz parte).
E enquanto, no PSD, as tendências forem pessoais, e resultarem da simpatia por putativos candidatos à liderança, não sendo, portanto, ideológicas, o risco de descaracterização na área das ideologias permanecerá. Negar-se-ão, assim, os princípios fundamentais da política clássica, não se saberá que modelo de desenvolvimento tem o partido… E poderá saber-se, ou não, o que defende o líder… Que, se ganhar a eleição legislativa, poderá levar o partido para onde quiser, sem ninguém saber muito bem para onde. E isso pode prejudicar gravemente o país. O PSD será imune a isso enquanto estiver Ferreira Leite na liderança? E depois disso?
Editorial do Jornal da Mealhada de 25 de Junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
Se, depois de eu morrer
[560.]
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas
a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas
a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro
Subscrever:
Mensagens (Atom)


