quarta-feira, 29 de outubro de 2008

[638.] - Mercurii dies

Do Destino do Luso e dos seus protagonistas

A propósito da apresentação do plano de desenvolvimento do projecto Destino Luso — Saúde, Beleza e Bem-estar

Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, subiu ao palco do cineteatro Messias, na Mealhada, na tarde de 23 de Outubro de 2008, como “o rosto e o nome do desafio” que constitui o projecto Destino Luso - Saúde, Beleza e Bem-estar — a concretização do plano Luso Inova, já anteriormente apresentado, e que pretende implementar uma estratégia ampla de revitalização turística, termal e empresarial do Luso, mas também, naturalmente, de todo o concelho da Mealhada. Um investimento inicial e "previsível" de cinquenta milhões de euros. Damos conta do programa e da referida sessão nas páginas 2 e 3 da presente edição.
Tão profissional no marketing político como na resposta, diríamos que cabal, que dá aos críticos, o presidente da Câmara aposta neste programa todo o seu capital político, como se deste processo dependesse todo o futuro: se correr bem, Cabral é o único candidato viável a presidente da Câmara, em Outubro de 2009. Fá-lo com arte, o risco é minimizado: se correr mal, sai, ainda, pela porta grande como o timoneiro de um programa arrojadíssimo.
Cabral tem contra ele, no entanto, um pequeno senão. Por um lado, tem seguido, sábia e prudentemente, uma estratégia de gestão do silêncio junto da comunicação social, atitude que o tem resguardado politicamente. Por outro lado, Carlos Cabral precisa agora de chegar aos investidores e aos lusenses para fazer vingar este programa Destino Luso, com uma imagem de dinamismo, arrojo e qualidade – e para isso precisa da comunicação social. A sua grande dificuldade não está em ter má imprensa, está no facto de passar a ser artificial o “encontro” entre o presidente da Câmara e os munícipes através dos jornais, ou da rádio. E o presidente tem necessidade extrema desse encontro.
O que Cabral não disse no palco do cineteatro Messias, naquela tarde, mas precisa de dizer, rapidamente, principalmente aos habitantes e aos pequenos investidores do Luso, é que a concretização do projecto depende muito mais da sociedade civil, dos agentes económicos — numa economia global à beira da recessão — do que da boa vontade da Câmara Municipal da Mealhada. O presidente da Câmara, que, para chegar aos investidores, elevou as expectativas a um patamar quase inimaginável, que empenhou, declaradamente, a cabeça perante os mais cépticos — que são muitos — tem a obrigação pedagógica de dizer, claramente, que a missão da Câmara passará por criar as condições para que as empresas de turismo, das tecnologias da saúde, de beleza e bem-estar se instalem no concelho da Mealhada. Tem a obrigação de deixar claro que a Câmara não vai construir nenhum hotel, nem comprar terrenos para a sua instalação. Deve esclarecer que vai adquirir o espaço da plataforma industrial de Barrô para vender os lotes de terreno às empresas que desejem comprar, mas que não vai fazer nenhuma fábrica de produtos de beleza. Tem o dever de deixar expresso que vai requalificar, em termos urbanos, o centro do Luso, com novas lojas e novos espaços, mas que não vai garantir um aumento de turistas, de lojistas ou de variedade. Consideramos — mesmo que possa pensar-se que caímos no paternalismo ou numa infantilização dos cidadãos — que Carlos Cabral tem a obrigação de explicar aos munícipes que o sucesso deste projecto está, apenas em pequena parte, nas mãos da Câmara, e que o fundamental está nas mãos dos próprios lusenses e dos agentes económicos.

O programa Destino Luso compromete o futuro do município da Mealhada e, naturalmente, os próximos executivos camarários, não como ónus, mas como legado. O próximo mandato autárquico, 2009-2013, será o da revolução total. Pelo que, assim se espera, será sobre este programa que incidirão as principais dúvidas a tirar na campanha eleitoral que se avizinha. Mas Cabral surgiu sozinho no palco, como o “rosto e o nome” de um projecto revolucionário para o Luso — a jóia da coroa do concelho da Mealhada, pelo que parece. E na plateia não figurava nem Rui Marqueiro, nem César Carvalheira, dois candidatos eventuais ao lugar de Cabral. Mesmo sem a música épica da banda sonora do “Gladiador”, que anima a presença de Sócrates, ou dos sons de Vangelis, que pendiam sobre Guterres, a verdade é que Cabral teve ali condições para proporcionar momento de glória. Uma saída pela porta grande, poderá dizer-se, ou uma utilização cirúrgica de grande parte dos trunfos que tem para se afirmar como o candidato natural e ideal a novo mandato camarário? Se não conhecerem o projecto e nem se comprometerem com ele, não estarão Marqueiro e Carvalheira em sérias dificuldades?

Editorial do Jornal da Mealhada de 29 de Outubro de 2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mercurii dies

Ensaio sobre a obscuridade
A propósito da abstenção nas regionais dos Açores e dos brancos no PSD de Anadia

Realizaram-se no domingo, 19 de Outubro, as eleições regionais dos Açores. Tratou-se do primeiro de um conjunto de quatro actos eleitorais que se completará, previsivelmente, em menos de um ano. O Partido Socialista, com Carlos César, conseguiu renovar, na Região Autónoma dos Açores, a maioria absoluta e o parlamento regional ganhou colorido com a eleição de deputados de partidos que até agora não tinham representação nos órgãos políticos regionais. Tudo seria positivo, uma vitória da democracia autonómica, se não fosse o facto de mais de metade dos eleitores não ter participado no acto.
Por quanto tempo ignoraremos os sinais que, sucessivamente, eleição após eleição, nos vão sendo dados por um sistema político que já não atrai os cidadãos a participar na gestão do que é de todos?
Os Açores têm 192 mil eleitores, aproximadamente. No entanto, mais de metade, 102 mil, decidiram não votar. Porque o terão feito? Importa fazer a pergunta.
Nas eleições presidenciais, nas legislativas nacionais, nas autárquicas e nas eleições para o Parlamento Europeu, os níveis de abstenção são substancialmente mais baixos. Estarão, desta forma, os açorianos a manifestar o seu desacordo em relação à própria autonomia? Estarão os açorianos a repudiar o caciquismo doentio, característico das autonomias portuguesas?
Pondo de parte as habituais desculpas da chuva, que afasta as pessoas das urnas, e do sol, que leva as pessoas para a praia e as afasta das urnas, é urgente questionar, procurar saber por que razão os portugueses estão cada vez mais distantes da participação política.
Declarações como as do vencedor, Carlos César, também não ajudam na procura de respostas. Para o presidente do Governo regional dos Açores “a baixa participação é característica das democracias consolidadas”. “A abstenção foi elevada e houve uma quebra significativa de mobilização e de motivação nestas eleições, em virtude da presunção de vitória que havia à volta do Partido Socialista”, terá afirmado, também. E ainda: “Os partidos com mais votos têm menos responsabilidades na abstenção”, e “o que conta, em democracia, são as pessoas que votam em dia de eleições”.
Quando nos debruçamos sobre a questão da falta de participação dos cidadãos no sufrágio político vem-nos à ideia uma outra questão, usada literariamente por José Saramago, em “Ensaio sobre a Lucidez”, que é a questão da valoração política dos votos em branco. Dito de outra forma: Que significa um voto em branco? Que conclusão deve tirar-se de um número tão significativo de votos em branco?
No livro do Nobel da Literatura, a solução encontrada para reagir ao resultado eleitoral de uma cidade cujos eleitores, sem terem sido mobilizados para isso, votaram maioritariamente em branco, foi o ostracismo. A cidade é isolada do resto do território. “Antes que a pestilência e a gangrena alastrem à parte ainda sã do país”, justifica um dos personagens na obra.
Hipótese muitas vezes considerada academicamente para resolução do síndrome dos votos em branco é a das cadeiras vazias — Se, para eleger um parlamento de duzentos lugares, houvesse dez milhões de eleitores, se nessa eleição só votassem metade, então só metade dos mandatos seria distribuída. E se metade desses eleitores tivesse votado em branco, então só cinquenta cadeiras ficariam ocupadas por representantes parlamentares.
Tudo isto são conjecturas académicas, mais ou menos bem-humoradas, que nos assomam ao pensamento quando analisamos estas questões. Mas o problema existe e só a obscuridade nos impede de nos prepararmos para lidarmos com ele, quando ele nos assomar.
Uma obscuridade que resulta da ideia de que este é um problema dos quadros dos partidos políticos e dos governantes. Ou uma obscuridade que resulta da ideia de que este “não é um problema dos partidos que ganham mais votos”, como disse Carlos César. Ou a obscuridade que resulta da ideia de considerar que só não vota quem é negligente ou despreocupado com os outros. Ou a obscuridade que resulta da tão propalada máxima de que “só interessam os que cá estão”, que neste contexto da governação da coisa pública se cingiria a terem direitos só os que participam.
Se é verdade que esta obscuridade nos tolhe, a todos de um modo geral, não é menos verdade que o problema não está assim tão distante… Em Anadia, a 10 de Outubro, nas eleições para as estruturas distritais do PSD de Aveiro, nas eleições para a comissão política distrital, trinta e nove militantes social-democratas votaram na lista A, que era única, e cinquenta e cinco votaram em branco. Para a mesa da assembleia distrital, quarenta e três votaram na lista única, mas cinquenta e um votaram em branco. Para o conselho de jurisdição quarenta votaram na lista única e cinquenta e quatro votaram em branco. É verdade que, tratando-se de uma eleição distrital, para a eleição de cada órgão distrital são somados os votos das dezanove secções concelhias do distrito, e, deste modo, os votos em branco de Anadia diluem-se. Mas... e se estivéssemos a falar, não de uma eleição distrital, mas de uma eleição concelhia? Quem ocuparia o lugar dos eleitos? Note-se que o exemplo que damos é de uma eleição interna do PSD, um dos partidos que “ganha muitos votos”. O que prova que a gangrena já chegou aos partidos, aos partidos do arco do poder, e já corrói por dentro.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

[634.]


[633.] - Iovis dies

16 de Outubro de 1978
Karol Woytila é eleito Papa, tomando o nome de João Paulo II

Para quem, como eu, acredita que a eleição do Papa é feita com a intervenção do Espírito Santo, o facto de o pontificado de João Paulo II ter sido tão importante para a Igreja e para o Mundo é muito mais uma obra de Deus, do que uma obra dele próprio.

Mais do que um Papa reformador, ou renovador da acção da Igreja - que não foi - João Paulo II personificou a imagem do Homem que sofre, da Igreja viva feita de homens e mulheres, feita por gente de carne e osso, sem infalibilidades de qualquer ordem. Foi um Homem que, tal como Cristo, assumiu a condição humana e a levou ao extremo do sofrimento, do sacrificio, da doação plena e inequivoca.

O pontificado de João Paulo II foi, no meu entender, um adiar de muitas coisas na vida da Igreja, mas foi, também, um momento de gloriosa presença da Igreja na vida dos homens, de igual para igual, na mesma língua, com as mesmas preocupações.

Como se a santidade estivesse à distância de um gesto.


[632.] - Hoje é 16 de Outubro...

*
Dia Mundial da Alimentação... e curiosamente, ou não - coisas que a vida tem - é Dia Mundial de Boicote ao MacDonalds!
Nos EUA é o ‘Boss Day’... e o Day After do último debate Obama vs McCain... uma seca que eu insiti em ver, que colocam os politicos portugueses num altar, em termos de profundidade de pensamento. Um debate todo, com o tótó do McCain a falar do Joe, The plumber! Uma seca atroz.

Em Niue, que ao que parece é um país localizado no Pacifico Sul, hoje é Feriado Nacional — é o Dia da Constituição.
E se alguém perguntar que relação tem Oscar Wilde e Gunter Grass, para além de serem/terem sido ambos escritores, a resposta é simples... nasceram no mesmo dia do ano, hoje!

Ah... e a minha avó Maria faz hoje 82 anos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

[631.] - Hoje

A Santa Casa da Misericórdia da Mealhada faz 102 anos!

Em 15 de Outubro de 1906 era, finalmente fundada a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada com a incumbência exclusiva de ser proprietária e administradora do Hospital de Santa Maria, aberto dois meses antes.

Uma condição imposta por Maria José Barata e Silva, amiga de Augusto Costa Simões, e a maior benemérita do Hospital.

Uma instituição secular, que nasceu e vive graças ao esforço de homens, mas por imposição de uma mulher.

Parabéns!

[630.] - Mercurii dies

Faltam 361 dias para as autárquicas…
As movimentações que se esperam em doze meses de campanha eleitoral

Na passada quinta-feira, 9 de Outubro, completou-se o terceiro ano sobre o dia das últimas eleições autárquicas, em 2005. Novo acto eleitoral para as autarquias locais acontecerá, provavelmente, em 11 de Outubro de 2009 — já não falta um ano. Dizemos provavelmente porque é uma decisão a tomar pelo Presidente da República, que, para 2009, tem de agendar as eleições autárquicas e legislativas que, por lei, teriam lugar, no mês de Outubro. Há quem admita, no entanto, a hipótese de as eleições legislativas serem antecipadas, vindo a realizar-se antes das eleições europeias, marcadas para Junho.
Esperam-se, então, para muito próximo, os anúncios oficiais, ou não oficiais, das decisões dos partidos políticos e, eventualmente, de alguns movimentos de cidadãos acerca das suas estratégias, programas e, talvez seja o mais esperado, dos nomes que encabeçarão cada uma das listas de candidatos à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e às Assembleias de Freguesia.
Ao que nos é dado perceber, pelo que é público e pelo que sabemos, ainda em nenhuma das estruturas partidárias do concelho da Mealhada haverá fumo branco, uma decisão final, acerca dos nomes dos que encabeçarão as listas candidatas aos dez órgãos autárquicos.
Num exercício de pura análise, com o possível rigor, o que nos é permitido pela simples observação, atrevemo-nos a “pensar em voz alta” as movimentações que se esperam, para os próximos meses, em cada um dos partidos.
As decisões partidárias sobre a escolha do cabeça-de-lista de cada uma das candidaturas à Câmara Municipal são as mais aguardadas.
É para o Partido Socialista que, neste momento, todas as atenções estarão viradas. Saber qual será o desenlace do braço-de-ferro que se aguarda entre Carlos Cabral e Rui Marqueiro é a “resposta do milhão de euros”…
O actual presidente da Câmara, Carlos Cabral, já anunciou que estará na disposição de voltar a encabeçar a lista do PS. Disse, também, há precisamente um ano, que, para além da sua própria vontade “é precisa a vontade do partido”. As declarações de Cabral nessa altura provocaram algum mal-estar — pela antecipação, acima de tudo — e motivaram declarações premonitórias da parte de Rui Marqueiro (presidente da Câmara entre 1989 e 1999), que deixaram antever a hipótese de ele próprio assumir uma candidatura interna ao lugar.
Efectuaram-se, entretanto, em Março, eleições na comissão concelhia da Mealhada do PS. Rui Marqueiro obteve vitória esmagadora para a presidência dessa comissão. O concorrente vencido foi José Calhoa, vereador de Cabral, que, no fundo, representaria a sensibilidade do presidente da Câmara no seio do partido.
Pelo que nos parece, dificilmente será na Mealhada que a decisão final será tomada. Na cúpula nacional do PS vigora o respeito pelo principio de que em quem ganha não se mexe e, portanto, segundo este principio, em Lisboa preferirão Cabral a Marqueiro — cujo peso eleitoral é, dez anos após ter saído da Câmara, uma incógnita. Cabral goza de algum prestígio entre a cúpula nacional do partido mas não faz parte da comissão politica nacional, nem tem nenhum cargo nacional, o que, nesta ocasião, pode ser uma desvantagem. Se a dúvida, em termos nacionais, se instalar, certamente que o caminho a seguir será o de um estudo de opinião, uma sondagem, que ditará quem obteria melhor resultado na eleição autárquica. E esta sondagem será decisiva. Se a estrutura nacional continuar a preferir Cabral, e se o vencedor das eleições para a Federação Distrital de Aveiro, a 24 de Outubro, for Afonso Candal, que tem o apoio de Marqueiro, poderá voltar a haver oposição à escolha do actual presidente. De qualquer maneira, só depois do veredicto superior é que a comissão politica concelhia ratificará a decisão. Se a escolha for Cabral, Marqueiro não apresentará o seu nome para discussão, apresentará o nome de algum dos seus próximos. Dito de outra maneira, pelo que nos é dado observar, a escolha de Cabral, na comissão politica concelhia, nunca será unânime.
No PSD as coisas parecem mais simples. Depois da vitória esmagadora de César Carvalheira sobre Carlos Marques, nas eleições para a comissão política concelhia em Abril de 2008, a escolha de Carvalheira para cabeça-de-lista parece pacífica. Resta saber se Carvalheira terá vontade de se submeter a terceiro sufrágio (depois de ter sido derrotado por Rui Marqueiro em 1989 e em 1993). Uma eventual maioria absoluta de José Sócrates, no caso de as eleições legislativas acontecerem antes das autárquicas, pode influir na decisão. Carvalheira, no entanto, não se assume como candidato natural e está a envidar esforços no sentido de o partido apresentar outra solução, provavelmente com alguém fora do âmbito partidário. De qualquer maneira, nomes como o de Gonçalo Breda Marques, João Oliveira Pires ou Carlos Marques parecem ter sido completamente descartados.
Não deixará de ser curioso, e sintomático, se às eleições de 2009 se apresentarem pelo PS Rui Marqueiro, e pelo PSD César Carvalheira. Exactamente os mesmos cabeças-de-lista apresentados às eleições de 1989 e de 1993. Vinte anos depois, repetem-se os protagonistas.
Da parte do Partido Comunista Português espera-se uma candidatura à Câmara Municipal da Mealhada, integrada na CDU. O candidato, seja ele quem for, dificilmente conseguirá ser eleito vereador, pelo que o esforço dos comunistas centrar-se-á na eleição de elementos para Assembleia Municipal e para as Assembleias de Freguesia da Mealhada e da Pampilhosa.
O Movimento Odete Isabel, que se apresentou a sufrágio em 2001, dificilmente terá condições para obter o mesmo resultado que há sete anos — elegeu um vereador e quatro elementos na Assembleia Municipal. Recentemente foi anunciada a intenção do movimento em se apresentar às eleições de 2009. Mas entre a intenção de o fazer e fazê-lo realmente vai uma larga distância. Se o candidato do PS for Carlos Cabral, os aderentes do MOI podem sentir um maior apelo a organizarem uma candidatura própria.
Pelo que nos apercebemos, uma candidatura do CDS/PP só surgirá se, de alguma maneira, houver alguma tentativa, por parte do PSD, de recrutar para as suas listas militantes populares. De outra forma não parece haver estímulo suficiente para o surgimento de uma candidatura.
Onde o terreno se afigura propício à sementeira é junto dos simpatizantes pelo Bloco de Esquerda. Os 712 votos que o partido alcançou nas eleições legislativas de 2005 teriam sido mais do que suficientes para eleger um elemento para a Assembleia Municipal da Mealhada. E podem, agora, constituir estímulo para os militantes do partido, que os há, apresentarem uma lista de candidatura. Alguns deles têm vasta experiência política concelhia.
Já no que diz respeito às freguesias o panorama parece ser muito menos emocionante. Publicámos, nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2008, um conjunto de oito entrevistas às equipas que constituem as Juntas de Freguesia do concelho da Mealhada. Questionados os presidentes das Juntas, sobre a hipótese de recandidatura, só José Rosa, da Vacariça, eleito na lista do PS, anunciou indisponibilidade. Mas também se sabe que as recandidaturas não serão todas automáticas. Dependentes do veredicto do duelo Cabral-Marqueiro estarão as recandidaturas de Delfim Martins, de Barcouço — que prefere Cabral — e, eventualmente, a de Benjamim Almeida, da Antes — que prefere Marqueiro. Nas outras freguesias as recandidaturas são todas previsíveis e partem em vantagem sobre outros candidatos.
Faltam 361 dias para as eleições autárquicas. Doze meses de grande agitação que acompanharemos com entusiasmo e atenção.

Editorial do Jornal da Mealhada de 15.10.2008

domingo, 12 de outubro de 2008

[628.]




Imortais
Mafalda Veiga

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Ás vezes só a cinza do que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu sei te dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

[627.] (05) - Saudades do Paraíso

Este é o Dudu... Mora em Água Izé e um dia vai mudar o Mundo!
O Dudu vendia gelados à porta da capela de Água Izé, quando nos conheceu. Estávamos na manhã de 2 de Agosto de 2008. Os gelados que vendia eram aqueles tipo fá... sumo gelado. O NJ decidiu comprar um... acontece que não poderíamos beber aquela água gelada (a porcaria da mania dos europeus). Então acabou por lhe dar dinheiro suficiente (para nós uma miséria) para comprar toda a caixa dos gelados e mais umas quantas. Estabeleceu, no entanto, um compromisso, o Dudu entregaria os gelados, comprados pelo NJ, a todos os miudos que estavam ali à volta.
A partir daí o Dudu tornou-se o nosso braço direito, oficial em armas. Silencioso, observador, antecipava os nossos movimentos e procurava ajudar em tudo o que precisavámos. "Dudu, arranjas-nos um coco?", perguntávamos. Meia-hora depois tinhamos à porta da tenda sete ou oito cocos. Era o líder da criançada. Um capitão da areia, como escrevia Jorge Amado. Naquele olhar todos os desejos do mundo, toda a força do mundo.
As palavras para mudar o mundo estão inventadas. Dudu pode não as conhecer. Mas mudará, um dia, o seu mundo.
Saudades.

"Tua mão cor-de-laranja
oscila no céu de zinco
e fixa a saudade
com uns grandes olhos taciturnos".
Maria Manuela Margarido, santomense

[626.] (04) - Saudades do Paraíso


Lá no água grande

Lá no "Água Grande" a caminho da roça
negritas batem que batem co'a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.
Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.
Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.
As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.
E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.
(É nosso o solo sagrado da terra)

*
Poema de Alda do Espirito Santo, santomense

[625.] - Hoje é 9 de Outubro...

*...
DIA MUNDIAL DA VISÃO e
DIA MUNDIAL DOS CORREIOS e
DIA DO PROJECTO EUROPEU!
Hoje, no UGANDA, é feriado nacional. Os ugandeses celebram o 9 de Outubro de 1962, dia em que se tornaram independentes do Reino Unido. E, portanto, não se trabalha neste país africano.
Americanos, canadianos e noruegueses celebram hoje o DIA DE LEIF ERIKSON, para todos os efeitos o primeiro europeu a pisar o solo do continente americano... em 1000! Aqui o Leif era viking, está visto, e desembarcou neste ano na Vinlândia, a grande Ilha canadiana, por sua vez era filho de Erick, o Vermelho (por ser ruivo, não por ser comunista), que dezoito anos antes havia desembarcado, pela primeira vez, na Gronelândia! Uma familia de gente viajada!
No AZERBEIJÃO é DIA DO EXÉRCITO E DA MARINHA, e no PERU é DIA DA DIGNIDADE NACIONAL. Os Sul-coreanos celebram o Dia de Han'Gul, o alfabeto sul coreano. Diz-que criado no dia de hoje em 1446... acredite-se ou não...
Se precisarem informo-vos que é escusado andarem à procura de alguma coisa que tenha acontecido em Portugal em 9 de Outubro de 1582. É escusado. Porquê? Porque não aconteceu nada! Porque o dia nem sequer existiu! É verdade, os dias 5 a 14 de Outubro de 1582 não existiram! Devido à implementação do calendário gregoriano, estes dias também não existem em Itália, em Espanha e na Polónia.
Hoje, também é dia de Saint Deniz - ou São Dionísio - padreoeiro de França e de Paris, em especial. Assinalam-se hoje 51 anos sobre o dia da execução de Ernesto Che Guevara, e se fosse vivo o nosso saudoso Rei Dom Dinis faria a provecta idade de 747 anos...
Na Roma antiga festejar-se-ia hoje a Felicitas, deusa da felicidade e da boa sorte.

Até amanhã, se Deus quiser!

[624.] - Iovis dies


Jews Praying in the Synagogue on Yom Kippur. Vienna, 1878.

por Maurycy Gottlieb

(1856-1879)

Pintor polaco, judeu
יום כיפור
Yom Kippur

Entre o pôr-do-sol de ontem, 8 de Outubro e o de hoje, é, na religião Judaica, o Dia do Perdão, o Yom Kippur. Trata-se daquele que é considerado pelos Judeus como o mais santo e solene dia do ano. Nele, é dado especial ênfase ao perdão e à reconciliação - coisas tão gratas ao pensamento judaico.

No Yom Kippur existem cinco proibições: A primeira é a de Comer (come-se um pouco antes do pôr-do-sol ainda na véspera do dia até o nascer das estrelas do dia de Yom Kipur); A segunda é o uso de calçado de couro; A terceira é a do relacionamento conjugal; A quarta é passar cremes, desodorizante, etc. no corpo; E a quinta é tomar banho por prazer.
A essência destas proibições é causar aflição ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Pela perspectiva judaica, o ser humano é constituído pelo yetzer hatóv (o desejo de fazer as coisas corretamente, que é identificado com a alma) e o yetzer hará (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde ao corpo). Nosso desafio na vida é "sincronizar" nosso corpo com o yetzer hatóv. Uma analogia é feita no Talmud entre um cavalo (o corpo) e um cavaleiro (a alma). É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo!

Os serviços religiosos de Yom Kippur começam com uma oração, conhecida como Kol Nidrei, que tem de ser recitada antes do pôr-do-sol. Kol Nidrei, que em Aramaico significa "todos os votos", é a anulação pública de votos ou juramentos religiosos feitos por judeus durante o ano anterior. Apenas diz respeito a votos não cumpridos, feitos entre a pessoa e Deus, e não cancela ou anula os votos feitos entre pessoas.
O Yom Kippur termina com o toque do shofar, que marca a conclusão do jejum. É sempre observado como uma festividade de um dia apenas, tanto em Israel como nas comunidades da Diáspora judaica.

(Textos adaptados da Wikipédia)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

[623.] - Mercurii dies

*
Honrar o legado
A propósito da nossa homenagem a José Andrade Branquinho de Carvalho
*
Decidimos homenagear José Andrade Branquinho de Carvalho convictos de que, ao fazê-lo, estávamos a elogiar o seu espírito crítico, o seu esforço de recolecção de memórias, o seu génio inconformista e empreendedor, o seu espírito de iniciativa e de criatividade e, também, reconheçamo-lo, estávamos a dar algum destaque a uma das construções de que foi um dos obreiros, o Jornal da Mealhada.
A homenagem foi simples. Organizámos um concurso de fotografias, “O concelho da Mealhada pela lente”, que foi um sucesso no que se refere à qualidade dos trabalhos apresentados e no nível de adesão das pessoas, e demos ao prémio do concurso o nome de José Andrade Branquinho de Carvalho. Em sessão pública, realizada no dia 4 de Outubro de 2008 — que mereceu a participação de muitas pessoas e a atenção da comunicação social regional, mesmo dos nossos concorrentes, que agradecemos —, e de que fez parte a inauguração da exposição de todos os trabalhos concorrentes, procurámos dar relevo ao sentimento de gratidão, de reconhecimento e de amor que dedicamos a Branquinho de Carvalho.
Falhámos em muitos aspectos organizativos e lamentamo-nos por isso.
Considerámos que levar a cabo uma iniciativa aberta à população, tendo em vista o desenvolvimento da criatividade, da busca do belo na paisagem edificada ou natural que é nossa contemporânea, é uma das maneiras de homenagear um homem que ficará para sempre associado à história do concelho da Mealhada — assim como de outros locais — como grande recolector de imagens do passado.
Procurámos homenagear Branquinho de Carvalho, em primeiro lugar, pelo seu papel como um dos fundadores da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, como divulgador do Jornal da Mealhada e como seu director-adjunto, entre Julho de 1987 e Outubro de 1998. Neste jornal Branquinho de Carvalho foi o grande dinamizador de uma abordagem jornalística de promoção da memória e de divulgação histórica, com forte componente pedagógica, que caracteriza este órgão de comunicação social desde a sua fundação. Se o conjunto das centenas de edições do Jornal da Mealhada é hoje importante fonte de inspiração e de investigação histórica do concelho da Mealhada e da região, devemo-lo, em grande parte, a José Andrade Branquinho de Carvalho.
Julgamos que não ficou diminuído, com esta homenagem, o conjunto de outros motivos de elogio a Branquinho de Carvalho. Divulgador cultural neste jornal, não deixou de o ser noutros fóruns. O entusiasmo que expressa de cada vez que mostra as fotos da sua colecção é contagiante. A preocupação que teve, e que mantém, de fazer acompanhar as fotografias antigas de outras tiradas na actualidade, referentes ao mesmo local, revela a constante vontade de divulgar a memória de lugares e pessoas, de documentar o desenvolvimento local e comunitário, e de promover a identidade da comunidade do concelho da Mealhada. O testemunho que deu como dirigente da Casa do Povo da Mealhada, ou do Centro de Cultural do Concelho da Mealhada, são exemplo da sua consciência cívica, do seu amor à terra onde reside e do seu empenho no progresso cultural e humano do concelho.
Na sessão pública, a que já aludimos, Branquinho de Carvalho mostrou, uma vez mais, que é Homem grande. Tivemos conhecimento nessa altura de que ele doou ao Município da Mealhada as imagens da sua colecção, para reprodução digital e divulgação pública, através do Arquivo Municipal. Trata-se de um acto de generosidade. Porque a colecção lhe custou dinheiro, porque a entrega para disponibilidade de todos, fazendo-o, assim o declarou, no sentido de contribuir para uma mais completa investigação histórica do município da Mealhada.
Homenageámos José Andrade Branquinho de Carvalho como homenagearemos outros grandes obreiros do Jornal da Mealhada, no âmbito do vigésimo quinto aniversário da primeira publicação deste periódico, que se assinalará em Dezembro de 2010. Fazemo-lo em honra do legado que eles nos deixaram. Um legado de memória, de divulgação histórica, de identidade, de dedicação, de trabalho e de competência.
*

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Outubro de 2008
é o Mês Internacional da Bibliotecas Escolares

[621.] - Iovis dies


2 de Outubro de 1789

É votada definitivamente a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, uma das cartas constitucionais mais revolucionárias da história moderna.
A Liberdade Guiando o Povo
1830 - Óleo - Museu du Louvre
de Eugene Delacroix (1798-1863)
Sentindo-se um pouco culpado pela sua pouca participação nos acontecimentos do país, Delacroix pintou A Liberdade Guiando o Povo, um quadro que o Estado adquiriu e que foi exibido poucas vezes, por ter sido considerado excessivamente panfletário. O certo é que a bandeira francesa tremulando nas mãos de uma liberdade resoluta e destemida, prestes a saltar da tela, impressionou um número não pequeno de espectadores.

[620.] - Hoje...

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... É

o segundo dia do Id al Fitr - Fim do Ramadão!

Dia Mundial dos Animais da Quinta (os que se comem, a bem dizer)
Dia Mundial do Habitat

... Faz

80 anos que S. Josemaría Escrivá fundou o Opus Dei

... É feriado
na Guiné – por ser o Dia da República – lembra o 2 de Outubro de 1958
na Índia – comemorando o Aniversário de Mahatma Gandhi – que nasceu a 2 de Outubro de 1869

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

[619.] - Mercuri dies

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Festa da Identidade e da Memória
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Sugestão de comemoração dos 25 anos da vila da Pampilhosa, do bicentenário da Batalha do Buçaco e do centenário da República, em Setembro e Outubro de 2010
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A comemoração de datas relevantes da História nacional ou local é sempre ocasião privilegiada para se promover uma reflexão sobre a consciência que temos do nosso passado e dos valores que, de forma empenhada, queremos projectar no futuro. Deixar passar em claro aniversários de importantes datas do património histórico colectivo é lamentável e constitui um esbanjamento de oportunidades para a afirmação das características e da cultura social das pessoas que constituem uma comunidade.
É na base deste pressuposto que se assinala, de forma quase religiosa, um pouco por todo o país, cada aniversário da Revolução dos Cravos. Foi na certeza de que constitui sua obrigação que o Jornal da Mealhada assinalou, em 2006, o 170.º aniversário da criação do concelho da Mealhada e que, na edição de 27 de Agosto de 2008, lembrou o quinto aniversário da elevação da Mealhada à categoria de cidade. Lembramos apenas iniciativas jornalísticas de um passado mais próximo. Lamentamos, no entanto, não termos sido acompanhados neste trabalho, e em qualquer destas ocasiões, por outras entidades públicas ou privadas.
Será desnecessário elencar a mais-valia cultural, cívica, política e até pedagógica que constitui a celebração, devidamente preparada, de factos históricos ou os actos públicos que tragam à memória da população personalidades importantes para o desenvolvimento da comunidade. Lembremos, e apenas a título de exemplo, o conjunto de actividades de índole intelectual, entre os quais serão de destacar os trabalhos de investigação, que foram desenvolvidos para as comemorações, em 2003, do centenário do falecimento do Professor Doutor Augusto Costa Simões, e, em 2006, do centenário da fundação da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
É com base em tudo isto que nos atrevemos a deixar uma declaração e uma sugestão destinada a todas as pessoas da comunidade concelhia, às suas associações, às autarquias do Município da Mealhada, é às entidades militares e religiosas, entre outras.
Por elementos responsáveis pela organização do 29.º encontro dos alunos, professores e funcionários do Colégio da Mealhada, tivemos conhecimento de que estará em debate, no próximo sábado, dia 4, que é a data da realização desse encontro, a forma como se poderá proceder à comemoração do centenário da fundação desse estabelecimento de ensino — comemoração essa que passará, julgamos que inevitavelmente, pela homenagem ao Padre Dr. António Antunes Breda. A declaração que queremos aqui deixar é de apoio e de incentivo e, também, de disponibilidade para dar colaboração naquilo que a comissão organizadora entender pertinente. Falamos, naturalmente, de colaboração para além das obrigações naturais que decorrem do facto de sermos um órgão de comunicação social.

A sugestão que deixamos, noutra área, é a de que sejam dados passos no sentido da organização de uma comemoração condigna, em Setembro e Outubro de 2010, de um conjunto de acontecimentos que se podem celebrar, quanto a nós, de forma coordenada. No dia 25 de Setembro de 2010, faz vinte e cinco anos que a Pampilhosa foi elevada à categoria de vila. Dois dias depois, em 27 de Setembro, completa-se o segundo centenário da Batalha do Buçaco, e o primeiro centenário da inauguração, pelo Rei Dom Manuel II — no seu último acto público —, do Museu Militar do Buçaco. Uma semana depois, o dia 5 de Outubro é o do primeiro centenário da implantação da República em Portugal. A propósito dir-se-á que, esse mesmo dia, é o do 865.º aniversário da assinatura do Tratado de Zamora, que oficializou a independência de Portugal, e o do 494.º aniversário da entrega do Foral da Mealhada e Vacariça aos dignatários deste concelho.
Consideramos que os aniversários da elevação da Pampilhosa à categoria de vila, da Batalha do Buçaco e da implantação da República, que ocorrem em aproximadamente dez dias, constituem uma oportunidade única para enriquecer o ano de 2010 com um significativo conjunto de celebrações. Celebrações essas que poderão ser um estímulo para a investigação histórica — e, nesse campo, muito há a fazer em relação à Batalha do Buçaco e à influência que ficou da passagem de ingleses e franceses pela região, à importância da Maçonaria republicana na Pampilhosa, por exemplo —, para a homenagem de personalidades, como Wellington, com o monumento que leitores do Jornal da Mealhada já nestas páginas reclamaram, ou como Joaquim da Cruz, da Pampilhosa, ilustre figura de republicano e presidente da Câmara da Mealhada. O conjunto de iniciativas a concretizar nessa ocasião deverá motivar o convite à presença do Chefe de Estado num momento que se considere como ponto alto das comemorações.
Sugerimos à Câmara Municipal da Mealhada a constituição, em breve, de uma comissão de personalidades que comece a pensar na comemoração destes acontecimentos. Um gesto que deve ter a colaboração, desde logo, da Junta de Freguesia da Pampilhosa, da Junta de Freguesia do Luso, da Direcção de História e Cultura Militar do Exército Português, da Comissão para as Comemorações dos 200 anos da Guerra Peninsular, e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
Pode achar-se que, faltando dois anos, o tempo que resta é muito. Não é o que pensamos. À sugestão por nós apresentada, associamos a convicção de que só a falta de tempo é problema e a de que, com eleições autárquicas daqui a um ano, ou se começa a trabalhar agora, ou então nada acontecerá.