"Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento.
Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse.
Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir.
O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"
Evangelho segundo Marcos
I DOMINGO DO ADVENTO (Ano B)
domingo, 30 de novembro de 2008
[668.] - Hoje é começa o Ano Litúrgico
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
[667.] - Hoje é 27 de Novembro
Ou seja é a quarta quinta-feira de Novembro...
O mesmo é dizer que, nos Estados Unidos da América é o 'Thanksgiving', o Dia de Acção de Graças.
É um feriado federal - dos poucos que existem -, antigo e cheio de tradição, e tem como objectivo agradecer, especialmente a Deus, todas as graças - materiais e espirituais - recebidas no ano que passou.
É bonito...

[666.] - Única
Não elogiei a transformação na Revista Única, do Expresso, operada em Setembro deste ano. Para além da mudança gráfica - boa -, houve uma alteração de esquema editorial, que não me agradou. Passou a haver um tema central, analisado de vários pontos de vista, e um conjunto de rúbricas fixas... estilo Notícias Magazine.Dito de outra forma: a Única passou a ser igual às outras revistas do género - Pública e Notícias Magazine, por exemplo.
Assim quando o tema é interessante a Revista é interessante, quando o tema é uma banhada, a Revista é uma banhada...
É banhada com temas como Mudança ou Televisão, é interessante, muito interessante aliás, tema como Ditadura.
Foi esse o tema da edição do passado sábado. Tema actual, depois da pérola declarativa da Dama de Ferro, a Dr.ª Ferreira Leite - qual cônsul romano a sugerir a ditadura dos tempos da República Romana. E actual também, a três dias do 33.º aniversário do 25 de Novembro. Mas a Única teve a inteligência de ir para além disso.
A edição de 22 de Novembro de 2008 é daquelas para encadernar: Um texto sobre a Bielorrúsia - a última ditadura europeia, que coexiste connosco intra-muros -, uma entrevista a Adriano Moreira - o Príncipe, provavelmente o último e mais brilhante ministro inteligente de Oliveira Salazar -, uma entrevista a Elmano Alves - a primeira entrevista ao último presidente da Acção Nacional Popular, o renovado partido único do Estado Novo marcelista -, e depois textos sobre a autoridade profissional, a autoridade parental, a autoridade sexual, e as ditaduras do gosto e da moda.
Soberba, uma Revista Única.
Adenda de curiosidade...
O posto 666 ser destinado à Ditadura... digam lá que não há coincidências!
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
[664.] - Mercurii dies
Por quem os sinos dobram
“Nenhum homem é uma ilha isolada:
Cada homem é uma parcela do continente, uma parte do todo.
Se um torrão é arrastado pelo mar, a Europa fica diminuída, tal como se fosse um promontório, como se fosse um homem ou os teus amigos, ou como se fosses mesmo tu.
A morte de qualquer homem diminui-me porque pertenço à Humanidade.
Por isso nunca te perguntes por quem os sinos dobram: dobram por ti.”
Este é um excerto do texto “Por quem os sinos dobram” de John Donne, poeta inglês dos séculos XVI/XVII. Em 1940, Ernest Hemingway recuperava a ideia e utilizou-o como base para o título do seu romance sobre a Guerra Civil Espanhola, “Por quem os sinos dobram”.
O texto de Donne remete-nos para a relação de cada um com o mundo, com os outros e com a nossa própria vida. Ao mesmo tempo, lembra-nos, de igual modo, a vulnerabilidade da vida às agruras do tempo, da doença, das convulsões sociais e políticas. Entendemos, também, nas palavras de Donne, uma chamada de atenção para a consequência das nossas acções na vida dos outros e vice-versa.
Numa época em que, oficial, efectiva e conscientemente, estamos em crise económica, as palavras do poeta inglês revestem-se de particular oportunidade e interesse. Pudemos comprovar a existência do chamado efeito borboleta — o bater das asas de uma borboleta no Japão (expressão metafórica) provoca uma tempestade na Europa —, com as consequências económicas na Europa da falência de um banco americano. Por outro lado, a eleição de Barack Obama, por exemplo, parece ter insuflado de esperança não apenas os Estados Unidos da América mas todo o mundo. O mundo está hoje muito mais pequeno do que no tempo de Donne, e todos sentimos, na pele e em casa, as consequências de muitas das medidas tomadas em qualquer parte do globo.
Sentimos isto na crise económica que está a assolar o mundo, mas, mesmo economicamente, poderemos dar outros exemplos, como o da indústria e da ofensiva mercantil chinesas que estão a desequilibrar de forma preocupante os preços no mercado europeu. Como há outros, o problema ambiental, o das alterações climáticas, ou o do excedente de produção agrícola e a fome em algumas partes da Terra.
Esta nova dimensão e vulnerabilidade global não nos deve, no entanto, fazer baixar os braços. O criptograma chinês para a palavra crise inclui dois componentes — perigo e oportunidade — a lembrar-nos que não somos meras vítimas dos acontecimentos. Em qualquer crise há o perigo de falhar, falhar no acto de agir apropriadamente ou falhar no acto de agir efectivamente, mas também nos é dada a oportunidade e a justificação para começar de novo, de inovar, de fazer ainda melhor.
Donne, no final do seu texto — e também Hemingway no seu romance — aborda concretamente a vulnerabilidade da vida humana — a morte de qualquer homem diminui-me. De qualquer homem, note-se. Para Donne os homens poderiam ser católicos ou protestantes, para Hemingway seriam republicanos ou falangistas, mas todos importam para a contabilidade aludida. Todos devemos sentir a morte de alguém, mesmo que não conheçamos essa pessoa ou que retenhamos dela apenas a memória de um encontro de breves minutos. O que essa pessoa foi capaz de fazer da sua vida ao serviço dos outros, no seu trabalho, na educação dos seus filhos, no auxilio aos seus amigos, no testemunho do seu sofrimento e da sua coragem, e os reflexos maiores ou menores que tudo isso possa ter tido ou/e continuará a ter na sociedade tudo isso deixa marca, tudo isso fortalece, dá uma perspectiva de perda no momento da morte, por um lado, e, por outro, uma mais forte sensação do valor da vida e das pessoas.
Em memória de Fernando Oliveira Várzeas
Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de Novembro de 2008
“Nenhum homem é uma ilha isolada:
Cada homem é uma parcela do continente, uma parte do todo.
Se um torrão é arrastado pelo mar, a Europa fica diminuída, tal como se fosse um promontório, como se fosse um homem ou os teus amigos, ou como se fosses mesmo tu.
A morte de qualquer homem diminui-me porque pertenço à Humanidade.
Por isso nunca te perguntes por quem os sinos dobram: dobram por ti.”
Este é um excerto do texto “Por quem os sinos dobram” de John Donne, poeta inglês dos séculos XVI/XVII. Em 1940, Ernest Hemingway recuperava a ideia e utilizou-o como base para o título do seu romance sobre a Guerra Civil Espanhola, “Por quem os sinos dobram”.
O texto de Donne remete-nos para a relação de cada um com o mundo, com os outros e com a nossa própria vida. Ao mesmo tempo, lembra-nos, de igual modo, a vulnerabilidade da vida às agruras do tempo, da doença, das convulsões sociais e políticas. Entendemos, também, nas palavras de Donne, uma chamada de atenção para a consequência das nossas acções na vida dos outros e vice-versa.
Numa época em que, oficial, efectiva e conscientemente, estamos em crise económica, as palavras do poeta inglês revestem-se de particular oportunidade e interesse. Pudemos comprovar a existência do chamado efeito borboleta — o bater das asas de uma borboleta no Japão (expressão metafórica) provoca uma tempestade na Europa —, com as consequências económicas na Europa da falência de um banco americano. Por outro lado, a eleição de Barack Obama, por exemplo, parece ter insuflado de esperança não apenas os Estados Unidos da América mas todo o mundo. O mundo está hoje muito mais pequeno do que no tempo de Donne, e todos sentimos, na pele e em casa, as consequências de muitas das medidas tomadas em qualquer parte do globo.
Sentimos isto na crise económica que está a assolar o mundo, mas, mesmo economicamente, poderemos dar outros exemplos, como o da indústria e da ofensiva mercantil chinesas que estão a desequilibrar de forma preocupante os preços no mercado europeu. Como há outros, o problema ambiental, o das alterações climáticas, ou o do excedente de produção agrícola e a fome em algumas partes da Terra.
Esta nova dimensão e vulnerabilidade global não nos deve, no entanto, fazer baixar os braços. O criptograma chinês para a palavra crise inclui dois componentes — perigo e oportunidade — a lembrar-nos que não somos meras vítimas dos acontecimentos. Em qualquer crise há o perigo de falhar, falhar no acto de agir apropriadamente ou falhar no acto de agir efectivamente, mas também nos é dada a oportunidade e a justificação para começar de novo, de inovar, de fazer ainda melhor.
Donne, no final do seu texto — e também Hemingway no seu romance — aborda concretamente a vulnerabilidade da vida humana — a morte de qualquer homem diminui-me. De qualquer homem, note-se. Para Donne os homens poderiam ser católicos ou protestantes, para Hemingway seriam republicanos ou falangistas, mas todos importam para a contabilidade aludida. Todos devemos sentir a morte de alguém, mesmo que não conheçamos essa pessoa ou que retenhamos dela apenas a memória de um encontro de breves minutos. O que essa pessoa foi capaz de fazer da sua vida ao serviço dos outros, no seu trabalho, na educação dos seus filhos, no auxilio aos seus amigos, no testemunho do seu sofrimento e da sua coragem, e os reflexos maiores ou menores que tudo isso possa ter tido ou/e continuará a ter na sociedade tudo isso deixa marca, tudo isso fortalece, dá uma perspectiva de perda no momento da morte, por um lado, e, por outro, uma mais forte sensação do valor da vida e das pessoas.
Em memória de Fernando Oliveira Várzeas
Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de Novembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
[663.] - Hoje é 25 de Novembro
Se eu mandasse, já o disse várias vezes,
Hoje era feriado...
E não era (só) pelo facto de hoje o
'Comandante' José Felgueiras celebrar o seu 75.º aniversário
ou o do Eça de Queiroz...
Era, acima de tudo, por causa disto
[665.] - Hoje é 25 de Novembro
88.º Aniversário da Tomada da Bastilha
(1920-2008)
Desde 1913 que a AAC tinha a sua sede localizada na Rua Larga, no r/c do velho edifício do Colégio de S. Paulo Eremita que não oferecia as mínimas condições. No andar de cima situava-se o Clube dos Lentes, espaço há muito destinado aos estudantes, mas que tardava em ser cedido.
Insatisfeito com as decadentes instalações, na madrugada de 25 de Novembro de 1920, um conjunto de estudantes dividiu-se em três grupos: um para ocupar a torre da Universidade usando chaves falsas, outro para o assalto ao Clube dos Lentes, e outro para defender a sede da AAC, isto é, o rés-do-chão do Colégio.
Pelas 7 da manhã, a cidade acordava ao som de salvas de tiros e sinos a repicar. "Tomada da Bastilha", expressão que desde a Revolução Francesa simbolizava a luta com os opressores, foi o nome logo associado ao assalto. À noite, a Academia desfilou, da Alta até à Baixa, num cortejo luminoso ao qual se associou a população da cidade. Perante a rebeldia estudantil, o Reitor - depois de reaver o mobiliário - imediatamente cedeu as instalações e assim, a AAC passou a ter sede condigna, onde permaneceu alguns anos.
O dia 25 de Novembro, considerado o "Dia da Academia" foi marcado por um movimento de irreverência estudantil. Recorda-se anualmente este marco de orgulho para todos os estudantes desta Academia. Nesta data, revive-se o acontecimento reconstruindo a "Tomada da Bastilha", onde se inclui o Cortejo de Archotes vindo da Alta universitária até ao edifício da AAC.
Texto da autoria da Lista E às eleições 2008 para a DG da AAC.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
[661.] - Sim, nós (também) podemos
Na sexta-feira, 14 de Novembro, os alunos da Escola Secundária da Mealhada - a melhor do mundo, porque foi a minha - manifestaram-se. Manifestaram-se com classe (tirando meia dúzia de inergumenos que decidiram fazer umas javardices... E digo que se manifestaram com classe por duas ordens de razão.Em primeiro lugar porque mesmo com os portões escancarados e com os professores no interior da escola os alunos não entraram no espaço escolar - provando que os piquetes muitas vezes só servem para fazer má figura.
Em segundo lugar porque os cartazes que envergaram eram de requintada postura. Um deles, a que tive acesso e cuja foto se apresenta abaixo consta da imagem do presidente eleito dos Estados Unidos da América, Barack Obama, o slogan "Sim, Nós Podemos", e, ainda, um desenho do primeiro-ministro e da ministra da Educação num jacto a caminho do Iraque.
Parabéns ppl!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
[660.]
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Já alguma vez te perguntaste como és sendo escuteiro?
A resposta é simples...
Tens algo que fazer aos sábados porque encontras as pessoas que realmente valem a pena.
Vais acampar, por vezes dizes que não o voltarás a fazer e no entanto voltas a ir.
De certeza que o teu melhor amigo (a) lá esta, e talvez a pessoa que amas também - e se não está tentas leva-lá para o grupo.
Aprendes algo de novo ensinas algo a alguém...
Os miúdos vêem-te te como um exemplo a seguir e tu tens um exemplo a seguir.
Numa festa tua tens mais escuteiros do que colegas de escola e mesmo assim os poucos que lá estão são os que são os realmente importantes.
Comes do mesmo prato que os teus companheiros e recordas os momentos divertidos que passaram à noite quando estavam prestes a dormir.
Preocupas-te tanto com a teu bando, a tua patrulha ou a tua equipa como se fossem a tua família.
O teu dirigente é como um segundo pai ou como o teu irmão mais velho.
Por vezes vêem-te como um bicho raro na rua.
Quando voltas cansado de um acampamento e 99 por cento das vezes chegas a casa comes como um abade, tomas um banho e vais dormir.
Os teus pais aprendem a confiar mais em ti e nos teus amigos pelo simples facto de serem escuteiros e não se sentem embaraçados por dizerem aos seus amigos que o seu filho ou filha e escuteiro enquanto que estes perguntam "o que é isso de escuteiros", "quanto se paga para matricular o meu filho nos escuteiros?"
As pessoas que não sabem o que e ser escuteiro gozam contigo enquanto te sentes mais orgulhoso e contente por saberes que essas pessoas não sabem o que perdem.
Pões toda a gente ao teu redor de boca aberta e atentos sempre que contas aventuras que passaste em acampamentos e actividades.
Se és rapariga não falta quem te diga "como e que gostas de uma coisa que é para homens?".
Se és rapariga dás-te conta de como os rapazes da tua patrulha te tratam bem e não te discriminam por seres rapariga.
Se participas numa actividade nacional ou internacional e garantido que arranjas pelo menos 5 emails de raparigas.
Se participas numa actividade nacional ou internacional e garantido que arranjas pelo menos 5 emails de raparigas.
doras mandar-te para uma montanha por mais bravas que sejam as condições e por mais difíceis que sejam as noites ao ouvires alguém a ressonar dentro da tua tenda ou ao sentires o chulé de alguém.
Ao encontrares algum escuteiro que conheceste a muito tempo sentes sempre uma sensação de alegria e dás-lhe uma forte abraço.
Na vida fora dos escuteiros podes fingir ser uma pessoa mas nos escuteiros não consegues evitar seres tu próprio.
Quando te sentes em baixo sabes que tens sempre um amigo escuta que te ouve e que mostra o caminho. Tens sempre um escuteiro que sabe os teus segredos.
Ao chegares a tua sede sabes sempre que tens gente que te quer ver e estar contigo.
Gostas de ver chegar alguém novo ao teu agrupamento e observas a maneira boa ou má de como se comporta na sua actividade e isso faz-te recordar o teu primeiro dia nos escuteiros e como sofreste com as actividades desse dia, mas sabes que essa mesma pessoa vai gostar de ser escuteiro. Num acampamento e quase certo que se adormeceres as 6 da manhã, às 7 o teu chefe tá a dar a alvorada e não tens hipótese senão passar o dia com uma soneira terrível.
Ás vezes sentes-te triste ao encontrar pessoas que te dizem "esse uniforme e estúpido e ridículo" e tu pensas, "Vocês e que não são escuteiros não percebem nada do que isto significa para mim".
A comida é sempre saborosa mesmo que tenha restos de carvão ou sabor a ervas e terra.
Por fim um escuta é uma pessoa feliz e responsável que tem confiança em si mesmo.
A beleza disto é conhecer gente de fora que nunca conhecerias se não fosse pelos escuteiros e por vezes choras nas despedidas por uma pessoa com quem estiveste só por 3 ou 4 dias e ficam para sempre no teu coração.
Nas fotos de grupo há sempre 10 ou 20 máquinas fotográficas para tirar fotos porque todos querem ter uma recordação desse momento.
Os acampamentos começam antes de encontrares todos aqueles que contigo vão acampar, para ti, só fazer a mochila e preparar tudo para o grande dia já é o inicio.
Por vezes nem consegues dormir só com a ansiedade de partir.
As caminhadas que para os teus chefes parecem curtas, a ti parece que andaste uma vida inteira, na verdade só andastes 5 km’s.
Recordas que as vezes o chão se movia nas latrinas...
E há sempre alguém que se quer aproveitar da tua inexperiência de acampar mas sentes te útil ao ires buscar lenha.
Estás tranquilo com os teus irmãos escutas e não suportas que nada nem ninguém diga mal do teu grupo. Vês que a cor do teu lenço, meias e calções vai mudando conforme o uso que tem e sentes-te orgulhoso por teres um uniforme quase sem cor porque sabes que com ele passaste por muitos sítios e aventura.
Por fim, no teu coração e na tua promessa fica para sempre gravada na tua memória.
Escuteiro um dia, escuteiro para sempre
Escuteiro um dia, escuteiro para sempre
Este é um daqueles textos spam que chegou ao meu mail... mas é bonito!
[659.] - Imagens de uma cidade que já não existe
[658.] - Mercurri dies
Ajudar a ser voluntário
Incomoda, muitas vezes, o número de interpelações que nos são feitas no sentido de apoiarmos, com dinheiro ou géneros, um sem número de causas sociais e comunitárias. À porta do supermercado encontramos, bastas vezes, pessoas que nos solicitam apoio para os Escuteiros, para o Banco Alimentar Contra a Fome, para a Liga Portuguesa contra o Cancro, para o Grupo de Acção Sócio-caritativa, ou, em outros locais, para os Bombeiros, para um rancho folclórico, ou para um clube desportivo. Pode, à primeira vista, causar-nos algum transtorno, é certo, mas temos de reconhecer que apoiar pode ser, mesmo que o nosso contributo seja mínimo, valiosa ajuda para tornar possível a acção voluntária de outros.
O trabalho do voluntário, a sua militância, é o resultado de uma decisão livre e espontânea que ele tomou, apoiada em motivações e opções pessoais de altruísmo e disponibilidade para os outros. São pessoas que se colocam ao serviço de outras pessoas, das famílias e das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar das populações.
O exemplo mais claro deste espírito de altruísmo, de dedicação ao seu semelhante, e deste esforço de abnegação, de voluntariado, é, naturalmente, o dos bombeiros voluntários. É, provavelmente, o mais imediatamente reconhecido, até porque envolve um risco de vida, mas não é o único que encontramos na população do concelho da Mealhada.
As associações, culturais, recreativas, de solidariedade social, desportivas ou outras, são dirigidas por voluntários. Pessoas que se associaram para a concretização de um objectivo de interesse comunitário, que dispõem do seu tempo — algumas até do seu dinheiro — para o dar aos outros. Há satisfação pessoal? Naturalmente. Há crescimento da auto-estima e do reconhecimento público? Nem sempre…
As comissões fabriqueiras de capelas e igrejas são compostas por pessoas que dispõem de si para a defesa e manutenção de património colectivo. Encontramos voluntários nestas comissões que se disponibilizam para promover obras que envolvem centenas de milhares de euros que têm de ultrapassar obstáculos burocráticos imensos, tempos de espera ciclópicos que não se compadecem com a urgência de tectos a ruir, de paredes a ceder, de património a destruir-se a cada minuto que passa. Voluntários que resistem, que têm estômago para repetir ano após ano ‘peditórios pelo povo’, além de outros esforços.
São voluntárias as pessoas que se disponibilizaram para a formação das crianças, adolescentes e jovens, no âmbito desportivo, no âmbito da catequese, ou da formação escutista. Formação que é feita, muitas vezes, pelo exemplo.
São também voluntárias as pessoas que no concelho da Mealhada, ou noutros, integram Grupos de Acção Sócio-caritativa, ou associações de benemerência e solidariedade. Pessoas que visitam doentes, que recolhem e distribuem géneros alimentícios por dezenas de famílias desfavorecidas, que procuram disponibilizar cadeiras de rodas, camas articuladas, andarilhos e outros equipamentos a quem deles necessita.
Como são voluntários os que aceitam dar a cara por campanhas como a do Banco Alimentar contra a Fome ou a da Liga Portuguesa contra o Cancro. Voluntários que nos abordam directamente, estranhos, para nos pedir algo que não é para si, mas para outros que não podem estar ali.
O voluntário é aquele que dá por vontade — voluntas. Vontade que muitas vezes nos falta para comprarmos um qualquer objecto de uma campanha financeira, ou para irmos à reunião da assembleia-geral do clube ou à reunião da comissão fabriqueira da capela. Vontade cuja falta muitas vezes faz com que não haja meios para que os voluntários possam dispor do seu tempo para ajudar quem precisa. Voluntários esses que, verdadeiramente, não esperam o nosso reconhecimento e o nosso elogio, mas a quem temos, naturalmente, de dar valor e agradecer.
Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de Novembro de 2008
Incomoda, muitas vezes, o número de interpelações que nos são feitas no sentido de apoiarmos, com dinheiro ou géneros, um sem número de causas sociais e comunitárias. À porta do supermercado encontramos, bastas vezes, pessoas que nos solicitam apoio para os Escuteiros, para o Banco Alimentar Contra a Fome, para a Liga Portuguesa contra o Cancro, para o Grupo de Acção Sócio-caritativa, ou, em outros locais, para os Bombeiros, para um rancho folclórico, ou para um clube desportivo. Pode, à primeira vista, causar-nos algum transtorno, é certo, mas temos de reconhecer que apoiar pode ser, mesmo que o nosso contributo seja mínimo, valiosa ajuda para tornar possível a acção voluntária de outros.
O trabalho do voluntário, a sua militância, é o resultado de uma decisão livre e espontânea que ele tomou, apoiada em motivações e opções pessoais de altruísmo e disponibilidade para os outros. São pessoas que se colocam ao serviço de outras pessoas, das famílias e das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar das populações.
O exemplo mais claro deste espírito de altruísmo, de dedicação ao seu semelhante, e deste esforço de abnegação, de voluntariado, é, naturalmente, o dos bombeiros voluntários. É, provavelmente, o mais imediatamente reconhecido, até porque envolve um risco de vida, mas não é o único que encontramos na população do concelho da Mealhada.
As associações, culturais, recreativas, de solidariedade social, desportivas ou outras, são dirigidas por voluntários. Pessoas que se associaram para a concretização de um objectivo de interesse comunitário, que dispõem do seu tempo — algumas até do seu dinheiro — para o dar aos outros. Há satisfação pessoal? Naturalmente. Há crescimento da auto-estima e do reconhecimento público? Nem sempre…
As comissões fabriqueiras de capelas e igrejas são compostas por pessoas que dispõem de si para a defesa e manutenção de património colectivo. Encontramos voluntários nestas comissões que se disponibilizam para promover obras que envolvem centenas de milhares de euros que têm de ultrapassar obstáculos burocráticos imensos, tempos de espera ciclópicos que não se compadecem com a urgência de tectos a ruir, de paredes a ceder, de património a destruir-se a cada minuto que passa. Voluntários que resistem, que têm estômago para repetir ano após ano ‘peditórios pelo povo’, além de outros esforços.
São voluntárias as pessoas que se disponibilizaram para a formação das crianças, adolescentes e jovens, no âmbito desportivo, no âmbito da catequese, ou da formação escutista. Formação que é feita, muitas vezes, pelo exemplo.
São também voluntárias as pessoas que no concelho da Mealhada, ou noutros, integram Grupos de Acção Sócio-caritativa, ou associações de benemerência e solidariedade. Pessoas que visitam doentes, que recolhem e distribuem géneros alimentícios por dezenas de famílias desfavorecidas, que procuram disponibilizar cadeiras de rodas, camas articuladas, andarilhos e outros equipamentos a quem deles necessita.
Como são voluntários os que aceitam dar a cara por campanhas como a do Banco Alimentar contra a Fome ou a da Liga Portuguesa contra o Cancro. Voluntários que nos abordam directamente, estranhos, para nos pedir algo que não é para si, mas para outros que não podem estar ali.
O voluntário é aquele que dá por vontade — voluntas. Vontade que muitas vezes nos falta para comprarmos um qualquer objecto de uma campanha financeira, ou para irmos à reunião da assembleia-geral do clube ou à reunião da comissão fabriqueira da capela. Vontade cuja falta muitas vezes faz com que não haja meios para que os voluntários possam dispor do seu tempo para ajudar quem precisa. Voluntários esses que, verdadeiramente, não esperam o nosso reconhecimento e o nosso elogio, mas a quem temos, naturalmente, de dar valor e agradecer.
Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de Novembro de 2008
[657.]
Facile ex amico inimicum facies,
cui promissa non reddas.
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[S.Jerónimo, Epistulae 148.30]
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
[656.] - Veneris dies
Em 14 de Novembro de 1921 morria, em França, no exilio, Isabel de Bragança e Bourbon... a Princesa IsabelA Princesa Isabel é provavelmente a mais estimada das monarcas brasileiras. É estimada por republicanos, monárquicos, progressistas e conservadores. Porquê? Em primeiro lugar porque aboliu a escravatura. Depois, porque exerceu os cargos que desempenhou de maneira exemplar. Exerceu o cargos político de forma tão exemplar que o Brasil ainda suspira por ela...
Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (Rio de Janeiro, 29 de julho de 1846 — Eu, França, 14 de novembro de 1921) foi princesa imperial do Brasil e regente do Império do Brasil por três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina. É considerada a primeira chefe de estado das Américas, tendo sido uma das nove mulheres a governar uma nação durante todo o século XIX. Foi cognominada a Redentora por ter abolido a escravidão no Brasil.
A princesa Isabel foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império do Brasil de 1824.
Com a morte de seu pai, em 1891, já abolida a monarquia e com a familia imperial no exílio, tornou-se chefe da Casa Imperial do Brasil e a primeira na linha sucessória ao trono brasileiro, sendo considerada, de jure, Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Por Graça de Deus, e Unânime Aclamação dos Povos, Imperadora Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
[655.] - Hoje é 12 de Novembro
No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio disparou sobre manifestantes que homenageavam um estudante morto pela repressão no cemitério de Santa Cruz, em Díli - Timor Leste. Cerca de 200 pessoas foram mortas no local. Outros manifestantes foram mortos nos dias seguintes, "caçados" pelo exército da Indonésia.
Para a minha geração a noticia do Massacre de Santa Cruz, como ficou conhecido, acabou por ser a primeira informação de que havia um território português do outro lado do globo, ocupado pela Indonésia - que tinha este tipo de comportamentos repressivos. A causa da auto-determinação Imediatamente recebeu a nossa adesão que viria a tomar maior visibilibidade em 1999, aquando do referendo e a 20 de Maio de 2002, quando o estado maubere é proclamado independente.
Ai Timor - Trovante
Reportagem sobre o Massacre de Santa Cruz
[654.] - Mercurii dies
Esperança e Mudança
A propósito da eleição de Barack Obama para 44.º presidente dos Estados Unidos da América
Barack Hussein Obama foi eleito, na passada semana, a 4 de Novembro de 2008, presidente dos Estados Unidos da América. Obama, que foi o candidato do Partido Democrata, é o primeiro afro-americano a ocupar a sala oval da Casa Branca. A sua eleição é apontada por muitos analistas como um marco histórico de grande relevância. Pelo facto de ter ascendência negra, pela sua personalidade, pelo momento político-económico em que assume o cargo, pela forma como orientou a campanha eleitoral e pelo que consta do seu programa político.
Obama é filho de um intelectual queniano e de uma americana — uma WASP (White Anglo Saxonic Protestant) — o que faz dele um afro-americano. O facto de este rótulo, que terá relevância política, não lhe advir de ascendentes africanos escravos moderou os sectores mais racistas (negros e brancos), moderação que terá tornado possível a sua eleição. Um dos receios dos seus estrategas é que fosse considerado demasiado negro para os brancos e demasiado branco para os negros. Obama é o primeiro presidente afro-americano e é, no entender de muitos analistas, o máximo que os americanos seriam capazes de tolerar, nesta fase — mesmo que surpreendente para muitos.
O presidente eleito considera-se, também, e ao mesmo tempo, o mais legítimo dos americanos e a antítese do americano típico. Antítese do americano porque tem mundo, isto é, viveu grande parte da sua vida fora do país, tem um conhecimento alargado de geopolítica e conhece bem o que é a globalização: tem seis meios-irmãos e outros familiares, “que vivem em três continentes diferentes, e — assim disse — são de todas as cores e raças”. Legítimo porque só os Estados Unidos da América, a terra da oportunidade, dariam a uma pessoa como ele a hipótese de ser presidente do Governo federal.
È unânime a convicção de que seria impossível haver momento mais difícil para assumir o comando da maior potência económica e politica do mundo do que o presente. O modelo económico neo-liberal e capitalista que a Europa e a América têm adoptado demonstrou ter grandes fragilidades. Por outro lado, em termos geopolíticos o mundo ocidental precisa de uma nova liderança. Trata-se de questão de resolução urgentíssima. Não precisará de ser Obama a desempenhar essa liderança, mas é preciso que a presidência americana ajude e não obstaculize... São necessárias uma atitude e medidas que contribuam para a resolução dos problemas da ocupação iraquiana e da ocupação afegã, que, pelo menos, atenuem os conflitos israelo-palestiniano e sudanês, que estabeleçam novas pontes com o Irão, com a Coreia do Norte, com a América-Latina. E que, acima de tudo, contenham significativas formas de apoio à reforma da ONU, nomeadamente no que diz respeito às mudanças no Conselho de Segurança e ao papel das economias emergentes — como o Brasil e a Índia — no concerto das Nações.
Tem também grande relevância a mudança que, com Obama, já se produziu nos Estados Unidos da América e na Política. Quando no mundo ocidental se atingem níveis baixíssimos de participação politica, Barack Obama consegue bater recordes de participação eleitoral. Votaram cento e trinta milhões de pessoas, número de que faz parte um aumento nos níveis de participação só comparável ao verificado em 1920, quando as mulheres passaram a votar. Os Estados Unidos da América atravessam uma crise económica só comparável à de 1929, a Grande Depressão, mas, apesar disso, a campanha de Obama conseguiu angariar um volume recorde de fundos e fazer nascer o maior movimento de cidadãos da história politica americana. Para o ajudar voluntariou-se um milhão e meio de pessoas. Pessoas que se organizaram, que bateram de porta em porta, e que, recolhendo mesmo donativos individuais de cinco e de dez dólares, conseguiram a maior angariação de fundos de qualquer outra campanha política americana.
Como é que Obama conseguiu isto? Aí está uma resposta que, certamente, todos os outros líderes políticos gostariam de ter. Obama elegeu a Saúde, a Educação e a Energia como áreas prioritárias da sua acção. E provavelmente os americanos concordaram com ele. Mas, acima de tudo, Barack Obama quis chegar ao coração dos americanos e apresentar-lhes a promessa política primitiva, elementar, original, a mais simples de todas: A esperança de que melhores dias virão. Promessa cuja concretização começa com a sua eleição, que é, acima de tudo, sinónimo de mudança. Mas Obama foi mais longe, apresentou a ideia de que a mudança não está em si, eleito, mas nos outros, nos eleitores. Ou seja, a mudança não está no facto de o eleito ser negro, de ser convincente na sua aparente sinceridade, no facto de parecer confiável. A mudança está no facto de as pessoas o seguirem. Obama recorreu ao mito fundador dos Estados Unidos da América para galvanizar as pessoas: o protagonista da mudança é o génio americano não é o seu líder. O protagonista é o indivíduo e aquilo que o conjunto de indivíduos é capaz de fazer e não a liderança. Por várias vezes e nos mais entusiásticos discursos, Obama citou Lincoln e Kenedy — mais do que Luther King — e lembrou o documento fundador dos Estados Unidos, a constituição americana, que começa com a esclarecedora frase: “Nós, o Povo, (…) estabelecemos…”.
Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e politica do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de Mudança, de Esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso.
Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Novembro de 2008
A propósito da eleição de Barack Obama para 44.º presidente dos Estados Unidos da América
Barack Hussein Obama foi eleito, na passada semana, a 4 de Novembro de 2008, presidente dos Estados Unidos da América. Obama, que foi o candidato do Partido Democrata, é o primeiro afro-americano a ocupar a sala oval da Casa Branca. A sua eleição é apontada por muitos analistas como um marco histórico de grande relevância. Pelo facto de ter ascendência negra, pela sua personalidade, pelo momento político-económico em que assume o cargo, pela forma como orientou a campanha eleitoral e pelo que consta do seu programa político.
Obama é filho de um intelectual queniano e de uma americana — uma WASP (White Anglo Saxonic Protestant) — o que faz dele um afro-americano. O facto de este rótulo, que terá relevância política, não lhe advir de ascendentes africanos escravos moderou os sectores mais racistas (negros e brancos), moderação que terá tornado possível a sua eleição. Um dos receios dos seus estrategas é que fosse considerado demasiado negro para os brancos e demasiado branco para os negros. Obama é o primeiro presidente afro-americano e é, no entender de muitos analistas, o máximo que os americanos seriam capazes de tolerar, nesta fase — mesmo que surpreendente para muitos.
O presidente eleito considera-se, também, e ao mesmo tempo, o mais legítimo dos americanos e a antítese do americano típico. Antítese do americano porque tem mundo, isto é, viveu grande parte da sua vida fora do país, tem um conhecimento alargado de geopolítica e conhece bem o que é a globalização: tem seis meios-irmãos e outros familiares, “que vivem em três continentes diferentes, e — assim disse — são de todas as cores e raças”. Legítimo porque só os Estados Unidos da América, a terra da oportunidade, dariam a uma pessoa como ele a hipótese de ser presidente do Governo federal.
È unânime a convicção de que seria impossível haver momento mais difícil para assumir o comando da maior potência económica e politica do mundo do que o presente. O modelo económico neo-liberal e capitalista que a Europa e a América têm adoptado demonstrou ter grandes fragilidades. Por outro lado, em termos geopolíticos o mundo ocidental precisa de uma nova liderança. Trata-se de questão de resolução urgentíssima. Não precisará de ser Obama a desempenhar essa liderança, mas é preciso que a presidência americana ajude e não obstaculize... São necessárias uma atitude e medidas que contribuam para a resolução dos problemas da ocupação iraquiana e da ocupação afegã, que, pelo menos, atenuem os conflitos israelo-palestiniano e sudanês, que estabeleçam novas pontes com o Irão, com a Coreia do Norte, com a América-Latina. E que, acima de tudo, contenham significativas formas de apoio à reforma da ONU, nomeadamente no que diz respeito às mudanças no Conselho de Segurança e ao papel das economias emergentes — como o Brasil e a Índia — no concerto das Nações.
Tem também grande relevância a mudança que, com Obama, já se produziu nos Estados Unidos da América e na Política. Quando no mundo ocidental se atingem níveis baixíssimos de participação politica, Barack Obama consegue bater recordes de participação eleitoral. Votaram cento e trinta milhões de pessoas, número de que faz parte um aumento nos níveis de participação só comparável ao verificado em 1920, quando as mulheres passaram a votar. Os Estados Unidos da América atravessam uma crise económica só comparável à de 1929, a Grande Depressão, mas, apesar disso, a campanha de Obama conseguiu angariar um volume recorde de fundos e fazer nascer o maior movimento de cidadãos da história politica americana. Para o ajudar voluntariou-se um milhão e meio de pessoas. Pessoas que se organizaram, que bateram de porta em porta, e que, recolhendo mesmo donativos individuais de cinco e de dez dólares, conseguiram a maior angariação de fundos de qualquer outra campanha política americana.
Como é que Obama conseguiu isto? Aí está uma resposta que, certamente, todos os outros líderes políticos gostariam de ter. Obama elegeu a Saúde, a Educação e a Energia como áreas prioritárias da sua acção. E provavelmente os americanos concordaram com ele. Mas, acima de tudo, Barack Obama quis chegar ao coração dos americanos e apresentar-lhes a promessa política primitiva, elementar, original, a mais simples de todas: A esperança de que melhores dias virão. Promessa cuja concretização começa com a sua eleição, que é, acima de tudo, sinónimo de mudança. Mas Obama foi mais longe, apresentou a ideia de que a mudança não está em si, eleito, mas nos outros, nos eleitores. Ou seja, a mudança não está no facto de o eleito ser negro, de ser convincente na sua aparente sinceridade, no facto de parecer confiável. A mudança está no facto de as pessoas o seguirem. Obama recorreu ao mito fundador dos Estados Unidos da América para galvanizar as pessoas: o protagonista da mudança é o génio americano não é o seu líder. O protagonista é o indivíduo e aquilo que o conjunto de indivíduos é capaz de fazer e não a liderança. Por várias vezes e nos mais entusiásticos discursos, Obama citou Lincoln e Kenedy — mais do que Luther King — e lembrou o documento fundador dos Estados Unidos, a constituição americana, que começa com a esclarecedora frase: “Nós, o Povo, (…) estabelecemos…”.
Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e politica do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de Mudança, de Esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso.
Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
[653.] - Hoje é 11 de Novembro
Assinala-se hoje o 90.º aniversário sobre a assinatura do Armísticio que colocou um ponto final à primeira Guerra Mundial. Guerra esta em que morreram 1643 jovens do Corpo Expedicionário Português. Não se ouviu a este propósito uma palavra do Chefe do Estado, do primeiro-ministro, ou sequer das chefias militares ou do Parlamento. Nada. Trata-se, no meu entender, de uma vergonha.
Foi uma Guerra que marcou profundamente o povo português e influenciou definitivamente toda a história politica e social do século XX português. Foi, para Portugal e para os portugueses, uma ferida muito dificil de sarar que teimamos em deixar sem tratamento.
Fica por aqui a minha indignação que é para não desrespeitar ninguém.
É vergonhoso.
Foi uma Guerra que marcou profundamente o povo português e influenciou definitivamente toda a história politica e social do século XX português. Foi, para Portugal e para os portugueses, uma ferida muito dificil de sarar que teimamos em deixar sem tratamento.
Fica por aqui a minha indignação que é para não desrespeitar ninguém.
É vergonhoso.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
[652.] - Hoje (ainda) é 6 de Novembro...
da Elevação do Luso à categoria de Vila
Publicação o Decreto do Governo n.º28:142
6 de Novembro de 1937 - 6 de Novembro de 2008
Parabéns!
[651.] - Hoje é 6 de Novembro...
da Criação do Concelho da Mealhada
6 de Novembro de 1836 - 6 de Novembro de 2008
Parabéns!
[650.] - Hoje é 6 de Novembro
Quinta do Valongo, 6 de Novembro de 2008, Dia do Beato Nuno de Santa MariaDom João II, rei de Castela — neto do mesmo João que Nuno derrotara em Aljubarrota — terá ido ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde se encontrava, já idoso, Nun'Álvares Pereira, agora o monge Nuno de Santa Maria. Em jeito de provocação o castelhano perguntou-lhe o que faria o religioso se Castela voltasse a invadir Portugal. Nuno, sem dizer uma palavra, levantou o seu hábito, de modo a que o rei visse, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando que mesmo com quase setenta anos permanecia alerta, preparado e disponível para servir o seu país sempre que necessário e defendê-lo.
Nuno Álvares Pereira foi Condestável de Portugal, o vencedor e o estratega de Aljubarrota, um dos melhores generais portugueses de todos os tempos, filho predilecto de Nossa Senhora da Vitória. Garantiu a independência de Portugal foi o principal responsável pela coroação de D. João I, pai da Ínclita Geração e o primeiro rei da época gloriosa dos Descobrimentos Portugueses. Do casamento de Beatriz, única filha de Alvares Pereira, com Afonso, filho bastardo do seu senhor D. João I, nasceu a Casa de Bragança cujos descendentes reinaram em Portugal durante 270 anos.
Nuno Alvares Pereira foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Morreu aos 71 anos, foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV. O processo de canonização foi iniciado em 1940, tendo sido interrompido posteriormente. Em 2004 foi reiniciado e tem o seu termo anunciado para o ano de 2009, uma vez que em 3 de Julho desse ano a Santa Sé publicou o decreto em que reconhece o milagre necessário à conclusão do processo.
Nuno de Santa Maria é o patrono do Corpo Nacional de Escutas.
Peçamos a Deus, por intercessão de Maria, Mãe dos Escutas, de Jesus, seu Amado Filho, que nos ajude a sermos, como Nuno: fieis à nossa missão, resistentes às fraquezas e adversidades do caminho, coragens para lutar e perder, humildes para aceitar o destino e as vitórias, e simples, para que o testemunho da nossa vida na Terra possa servir de exemplo aos irmãos que ajudamos a educar e sejamos olhados por Deus e pelos homens como seres justos.
A Junta do Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
[649.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 6

É, também, admirável o discurso de John McCain, sobre o seu adversário:
"That he managed to do so by inspiring the hopes of so many millions of Americans who once wrongly believed they had little at stake or little influence in the election of an American president is something I deeply admire and commend him for achieving. This is a historic election, and I recognize the special significance it has for African-Americans and for the special pride that must be theirs tonight".
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