sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
[706.] - «You'll never walk alone»
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
[705.] - Mercurii dies

Num texto de Março de 2005, José Carlos Abrantes, na época o provedor do Diário de Notícias, discorria sobre o erro e, especialmente, sobre o erro nos jornais. Errar é humano, dizia o provedor, que, por sua vez, citava Agustina Bessa-Luís, que, pelo telefone, havia admitido que os erros lhe aconteciam com regularidade e, muitas vezes, com insistente repetição. A escritora acrescentava, ainda, com a falta de humildade que se perdoa aos génios, que até os grandes compositores musicais riscavam e garatujavam as pautas manuscritas das grandes obras. Justificava, assim, os erros que, por vezes, surpreenderiam quem a lê.
Assim como Agustina Bessa-Luís se socorre do marido para lhe emendar as gralhas e os erros, também os jornais, assim aconselha o provedor do Diário de Notícias, devem munir-se de idênticos mecanismos para evitar o erro. No seu artigo, José Carlos Abrantes debruçava-se sobre a evolução dos instrumentos de combate ao erro nos jornais, desde o tempo dos revisores profissionais até à época da confiança exclusiva nos jornalistas licenciados e nas ferramentas informáticas de correcção ortográfica.
Mesmo assim, mesmo com revisores e ferramentas informáticas, os erros acontecem. Errar é humano. E os erros nem sempre são ortográficos, nem sempre são de concordância, nem sempre são gralhas com trocas de letras ou acentos ausentes, desadequados ou mal colocados. Esses erros também existem, mas são mais facilmente aceites pelo leitor. Felizmente temos diligentes e estimados leitores que nos apoiam na missão de evitar o erro e nos vão alertando para as falhas mais recorrentes nas nossas edições. Agradecemos publicamente aos que nos fazem chegar as suas notas e correcções a falhas em relação às quais fomos insensíveis ou negligentes. Mesmo sem terem disso noção, prestam um grande serviço ao jornal e às pessoas que aqui trabalham.
São falhas de outra natureza as que mais preocupam quem é responsável pela edição semanal de um jornal. Falhas de natureza técnica, a que os jornalistas são alheios — como a de paginar uma versão primitiva de uma entrevista e não a versão final revista e corrigida. Falhas no entendimento de determinada intervenção de uma personalidade política numa assembleia municipal, ou num plenário de militantes de um partido. Falhas relacionadas com escrita deficiente, com os leitores a fazerem interpretações daquilo que escrevemos que os levam a formarem ideia diferente do que é a realidade e a da intenção de quem escreveu.
E ao responsável pela edição semanal de um jornal coloca-se a pergunta: Como é que se emenda um erro destes? A lei da imprensa pode ajudar. Diz a lei que a publicação de uma rectificação tem de ser feita na mesma secção em que o erro foi publicado, com o mesmo relevo e apresentação do escrito ou da imagem que a tiver provocado. O preceito legal é o acertado, principalmente na óptica do prejudicado, mas até que ponto é possível cumpri-lo, escrupulosamente, na prática? Cumpri-lo garantindo que o defeito fica corrigido, cumpri-lo sem prejudicar a boa imagem, o bom nome, do jornal?
Deparou-se-nos este problema algumas vezes ao longo dos quatro anos em que dirigimos o Jornal da Mealhada. E o critério que temos seguido é o do respeito criterioso pela solução apontada na lei. Fazemo-lo esta semana, com a republicação, integral, da entrevista ao presidente da direcção da ACIM, nas páginas 8 e 9. Como também o fizemos na edição de 17 de Dezembro de 2008, rectificando, na primeira página, um título publicado na semana anterior cuja informação estava deturpada.
Nem todos os jornais portugueses têm este entendimento escrupuloso. Nós próprios reconhecemos que é radical e nem sempre garante o efeito pretendido, nem um eventual direito ao erro e ao engano. Mas aceitamo-lo. Aliás, adoptamo-lo e praticamo-lo sempre que necessário. Não por medo das consequências legais, não por medo dos ralhetes da Entidade Reguladora da Comunicação Social. Fazemo-lo por uma questão de honestidade, de lealdade em vários sentidos e, também, de afirmação de credibilidade. Acreditamos que o leitor que nos vê reconhecer e corrigir um erro acreditará mais facilmente no rigor do nosso trabalho. Mesmo conscientes de que fornecemos argumento aos críticos, acreditamos que, reconhecendo e corrigindo as nossas falhas, estamos a servir a Verdade, com sentido de responsabilidade e com coerência.
Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de Janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
[703.] - A não perder...
[702.] - Hoje...
[701.] - Equador

«O último fim-de-semana em Portugal fez questão de o ir passar ao Palace, no Bussaco, um dos seus locais preferidos. «Quero levar o Bussaco nos olhos e na alma!» - declarou, em tom tão trágico, que o João Forjaz, o Filipe Martins e o Mateus Resende, os seus amigos mais próximos, se apressaram a dizer que iam também. Tinham planeado uma escapadela a Coimbra, para «uma farra das antigas», mas ninguém o arrancou da varanda do Palace, onde passou duas manhãs e uma tarde a olhar obsessivamente para a mata, perdido em considerações filosóficas do género «junte-se-lhe uma mulher e um bom livro e tudo o que um homem precisa para ser feliz está aqui!». Em contrapartida e confirmando a sua tese, atirou-se ao menu do Palace com o apetite de um condenado, devorando tudo o que constava da lista e insistindo em terminar sempre com o leitão assado. Para grande deleite dos amigos, invocou a sua nova condição de rico sem destino que dar ao dinheiro e ofereceu as bebidas durante todo o fim-de-semana, indiferente aos preços que os melhores vinhos da célebre cave do Palace ostentavam. Comeu, bebeu e fumou como se disso dependesse a salvação da sua alma e acabou arrastado para o comboio em condições impróprias para um governador de nomeação régia».
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
[699.] - Gemidos de Moleskine

- sobre o BEST OF 2008 que já prometi há mesmo muito tempo.
- sobre a President OBAMA'S INAUGURATION. Achei o discurso demasiado historiográfico sem grande apelo... Foi um optimo discurso mas esperava, sinceramente, mais. Achei curiosas algumas das medidas tomadas imediatamente a seguir à tomada de posse... e previa escrever sobre isso
- sobre a BATALHA DE BLORE HEATH a segunda da Guerra das Rosas aqui do Partido Socialista da Mealhada.
E a agenda, claro está, que ficou por actualizar...
[704.] - Mercurii dies
A propósito da tomada de posse de Barack Obama como presidente dos EUA

Quando em Novembro nos debruçámos sobre a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos da América — no Editorial de 12 de Novembro de 2008 — procurámos encontrar no conjunto das características pessoais de Obama e nas mensagens que transmitiu ao longo da campanha eleitoral a justificação para a esolha dos americanos. “Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e política do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de mudança, de esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso”, escrevemos há três meses.
Agora, quando escrevemos, poucas horas antes da tomada de posse do 44.º presidente dos Estados Unidos, temos novos dados, geradores de novas reflexões que interessaria serem feitas nesta altura. Reflexões essas que julgamos importantes para perceber o modo de governo dos povos mas, principalmente, para um entendimento do novo paradigma político que Obama introduz. Haverá outros casos na sociedade contemporânea. Aliás, debruçamo-nos sobre este tema porque entendemos que compreendê-lo poderá ser útil para uma maior credibilização, eficácia e eficiência do trabalho político de modo geral, no governo das nações, no governo regional, nos governos locais, na gestão das associações, no fundo, no exercício efectivo da Democracia.
Quando esta edição chegar às mãos do leitor, Obama já terá prestado juramento, e o seu mandato estará inaugurado — a expressão não é nossa, é a oficial. Terão assistido à cerimónia, ao vivo, cerca de quatro milhões de pessoas. Comentadores na comunicação social terão dito que, naquele momento, o índice de popularidade do presidente Obama era de 73 por cento. Um valor que poderá ser encarado como um bom augúrio — trata-se de um valor sem precedentes —, mas que Obama sabe ser, certamente, efémero.
Mesmo com valores altos na popularidade, mesmo com um valor de participação eleitoral sem precedentes, mesmo com um confortável resultado eleitoral, o presidente democrata Obama durante toda a transição deu sinais ao mundo de que, como Abraham Lincoln — presidente republicano que cita recorrentemente —, e como Ronald Reagan — presidente republicano que afirmou admirar —, procurará governar agradando a conservadores, não desiludindo liberais. Procurará governar para o cidadão ideologicamente indiferenciado. Para isso constituiu uma equipa pragmática, liderada ao centro sem a tentação de se colar aos sectores mais liberais ou aos mais conservadores.
Mas onde está a diferença? O tal novo paradigma de Obama? O que é novo neste modelo de Obama é ele ir buscar o paradigma de Lincoln ao contrário do modelo de Blair — um modelo de eleição à esquerda e governação à direita para esvaziamento das propostas da oposição, de que Sócrates é fiel seguidor. Obama prefere trazer os adversários para dentro da sua equipa, fazer dos que derrotou seus conselheiros políticos. O presidente eleito procura soluções para os problemas das pessoas mesmo junto dos seus adversários. Soluções que acolhe venham elas de onde vierem. Trata-se de um modelo que Lincoln usou depois da Guerra Civil Americana, mas cuja eficácia não estará suficientemente confirmada.
Obama procura reproduzir o legado de Lincoln quando chama Hillary Clinton, a sua adversária interna, para assumir, entre outras tarefas, a chefia da diplomacia americana. Obama têm tido reuniões periódicas com John McCain, o candidato republicano que derrotou, no sentido de recolher conselhos sobre política externa. O próprio McCain terá dito, recentemente, que algumas das escolhas de Obama para o Governo também teriam sido as suas. Obama tem, aliás, vários republicanos na sua equipa governativa, alguns até transitam da administração Bush. Para proferir a oração que inicia a cerimónia de tomada de posse, Obama convidou um pastor protestante, ligado à conservadora direita religiosa anti-aborto, mostrando, dando a entender, assim, até onde está disposto a ir no esforço de convergência.
É esta convergência política que vai ser testada e constitui o que apelidamos de novo paradigma político. Será que estaríamos preparados para ver Sócrates, empossado como primeiro-ministro depois das legislativas de 2009, nomear Ferreira Leite como ministra das Finanças, ou Manuel Alegre como ministro de Estado? Será que o sistema partidário português, como o conhecemos, aceitaria que nos municípios o cabeça-de-lista do partido da oposição fosse nomeado vice-presidente pelo presidente da Câmara?
“A convergência em política é possível, mas é perigoso pensar que se pode ter toda a gente no mesmo barco”, dizem alguns politólogos. A Obama caberá mostrar se a afirmação é, ou não, verdadeira.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
[697.] - Hoje...
... Martin Luther King faria 80 anos, se não tivesse sido assassinado em 1968.Se fosse vivo teria visto Obama tornar-se presidente e, assim, cumprir o seu sonho?
Ou teria ele próprio sido presidente?
Ou será que se não tivesse sido assassinado nesse dia, tê-lo-ia sido em 1969, ou em 70, ou 71...?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
[696.] - Mercurii dies
A propósito da recuperação da Mata Nacional do Buçaco
Publicamos boas notícias sobre a Mata do Buçaco com muito gosto, com muita satisfação. A informação de que o investimento na recuperação e potenciação da Mata, com a construção de um centro interpretativo, esteve em risco mas que a situação está hoje ultrapassada e as obras vão começar em breve é uma boa notícia. Como é boa notícia a informação, em primeira-mão, assim acreditamos, de que o modelo de gestão da Mata do Buçaco que o Governo está a elaborar é o de uma fundação com capitais públicos, que terá um órgão de gestão constituído quase exclusivamente por representações de organismos do Estado. Publicamos ambas as notícias nas páginas 2 e 3 da presente edição.
Acompanhamos tudo o que diz respeito à maior jóia natural desta região, o ex-libris do município da Mealhada, com grande atenção. Encontramo-nos no conjunto dos defensores intransigentes da Mata e do seu património histórico, natural e afectivo. E foi com grande apreensão que recebemos a informação, que depois confirmámos, de que estaria em risco o investimento de vários milhares de euros na recuperação da Mata, e, de modo especial, e particularmente gravoso, o investimento na construção do Centro Interpretativo. A razão deste risco foi o facto de, até ao dia 15 de Dezembro de 2008, a Direcção Geral das Florestas não ter conseguido a cedência formal das garagens do Palace Hotel do Bussaco para lá poder construir no seu lugar o referido Centro Interpretativo. E essa cedência não foi garantida porque faltava um papel do Instituto Nacional do Turismo, um organismo do Estado, autorizando a Hotéis Alexandre de Almeida, concessionário provisório sem concessão formal, a permutar as garagens com dois edifícios, que eram pertença da Direcção Geral das Florestas, que é, também, um organismo do Estado.
Ou seja, por causa de um papel, por causa da burocracia interna do próprio Estado português, o dinheiro do terceiro Quadro Comunitário de Apoio entregue pela União Europeia a Portugal para realizar a recuperação da Mata Nacional do Buçaco esteve em risco de regressar a Bruxelas por não ter sido gasto dentro do prazo exigido. Pioraria a situação, no caso de deixar de haver esse dinheiro para investir, a possibilidade de ter de indemnizar a empresa construtora a quem a obra já tinha sido adjudicada e que até já tinha colocado no local os materiais para dar início à empreitada.
Diz-se que tudo está bem quando acaba em bem e, pelo que conseguimos apurar de várias fontes, terá sido graças à intervenção do presidente da Câmara da Mealhada, que os obstáculos se puderam superar e que a construção do Centro Interpretativo se tornará real dentro de pouco tempo.
A acção da Câmara da Mealhada em relação à resolução deste problema será apenas mais um dos exemplos a que se pode recorrer para justificar que é essencial a autarquia ter um papel fundamental no futuro modelo de gestão da Mata. E, de acordo com o que averiguámos, esta questão está solucionada e, assim, um representante da Câmara fará parte do órgão de gestão da Fundação Mata do Bussaco. Como salvaguardada está a inclusão neste mesmo órgão de vários organismos do Estado — da Cultura, das Florestas, do Turismo. Acreditamos assim que, com esta conjugação de poderes Câmara-Estado, e uma atitude vigorosa e activa da parte da Câmara da Mealhada, possa surgir um tempo novo para a recuperação da Mata do Buçaco.
Post scriptum
A Fundação Mata do Bussaco ainda não está constituída. Prevê-se que o diploma que a faz nascer e que a vai reger vá a Conselho de Ministros ainda no mês de Janeiro de 2009. Mas os elementos que constituirão o futuro órgão de gestão já tomaram uma decisão. E a decisão que tomaram foi de uniformizar a grafia do nome da mata nacional e da serra de que faz parte. Ou seja, o órgão de gestão da fundação vai grafar exclusivamente Mata Nacional do Bussaco, desprezando a grafia “Buçaco”. No Jornal da Mealhada o critério até agora existente ditava que a grafia do nome da serra fosse “Buçaco” e que só em nomes próprios, não geográficos, e marcas assim registados se grafaria “Bussaco”, como no caso de Palace Hotel do Bussaco. Encontramo-nos, portanto, perante um "dilema" que, certamente, o tempo e a prática acabarão por resolver.
Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Dezembro de 2008
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
[695.] - Quantos temos a graça de conviver com um Homem Novo de barbas brancas?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
[694.] - Poderá uma sms mudar o mundo?
domingo, 11 de janeiro de 2009
[693.] - Hoje é...
obrigadinho, portanto, a todas as pessoas a quem eu tenho razões para agradecer!
Assinala-se, também:
- O 47.º aniversário da 'inauguração' do Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII. Concílio que foi verdadeiramente transformador da Igreja Católica Apostólica Romana.
- O Dia da República na Albânia
- O Dia da Independência em Marrocos
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
[692.] - Saudades da Lua

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
[691.] - O discurso do Rei - Parte II
O ano de 2009…
O caminho é estreito mas existe
Classificado, antes mesmo de se iniciar, como annus horribilis, 2009 começou há poucos dias mas tem já, sobre si, uma carga bastante pesada. As perspectivas económicas não são promissoras, há indicadores que prenunciam o aumento do desemprego, da pobreza e da exclusão social. Será, assim o dizem os analistas, o ano da crise. No seu discurso de Ano Novo, o Chefe do Estado, Prof. Cavaco Silva, exortando os portugueses no sentido de não se deixarem dominar pelo desânimo disse: “Não tenham medo!”. No mesmo sentido, à sua maneira, vem a tirada do grupo de humoristas ‘Gato Fedorento’ sugerindo a passagem directa do ano de 2008, para o ano de 2010, evitando assim o ano de 2009.
A ideia de classificar um ano do calendário como horribilis — horrível — ou mirabilis — milagroso — decorre da tradição poética britânica e ganhou maior popularidade quando a monarca de Inglaterra, Isabel II, declarou que os factos do ano de 1992, na família real britânica, tinham feito deste um annus horribilis. O antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan com o mesmo epíteto classificou o ano de 2004 — aludindo à catástrofe do tsunami na Ásia e, também, às suspeitas de corrupção nas estruturas internas da ONU. Também o ano de 2007 foi considerado horribilis por Juan Carlos, rei de Espanha — devido a problemas do foro intimo da família real, aos incidentes separatistas anti-monárquicos que se verificaram no seu país e ao conflito entre ele e o Presidente República da Venezuela.
Sem o dizer textualmente, Cavaco Silva, Presidente da República, classificou também o ano que agora começa como um annus horribilis. Aguardava-se do Chefe do Estado português, dias depois do puxão de orelhas que deu aos deputados da Assembleia da República, uma declaração de Estado com uma análise ao trabalho do Governo. Cavaco Silva não o fez — criticou apenas os “oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos parceiros europeus”, fazendo sobressair a verdade que entendeu ter de ser dita: “Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz”. O Presidente da República preferiu dirigir “uma palavra especial de solidariedade a todos os que se encontram em situações particularmente difíceis”. Palavra endereçada, de forma sublinhada, aos que perderam o emprego e rendimentos, aos jovens que não conseguem o primeiro emprego, aos pequenos comerciantes, e aos agricultores.
Num discurso particularmente escuro, que fomenta o cepticismo, e que é, até, na nossa opinião, angustiante, Cavaco Silva declarou sentir-se impelido a dizer a verdade — uma verdade que custa ouvir: “2009 vai ser um ano muito difícil!”. “A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes. É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca”, disse Cavaco. “As ilusões pagam-se caro. O caminho é estreito, mas existe. E está ao nosso alcance”, acrescentou.
Sublinhamos, ainda, as palavras que Cavaco Silva dirige aos partidos políticos. Lembramos que se realizarão nos próximos doze meses três actos eleitorais — a eleição para o Parlamento Europeu, as eleições autárquicas e as legislativas. Sendo as duas últimas de especial relevância politica e económica, e mais susceptíveis à demagogia e ao populismo. Cavaco é muito directo: “Os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está, de facto, centrada no combate à crise. Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os problemas das pessoas”.
Cavaco Silva, pessoa a que já alguém chamou, um dia, timoneiro e homem do leme, garante estar atento, mas não nos tranquiliza. Sem pretendermos colocar no mesmo plano o discurso do Chefe de Estado e o do Gato Fedorento, lembramos que Cavaco Silva exprime uma ideia semelhante à do referido grupo humorístico: “O futuro é mais do que o ano que temos pela frente. O futuro será 2009, mas também os anos que a seguir vierem”.
Condenados a atravessar este ano, mais ou menos angustiados, com mais ou menos motivos para ter esperança, lembremos que 2009, para além de ser o Ano Internacional da Astronomia, é, note-se bem, o Ano Europeu para a Criatividade e Inovação. Criatividade e inovação que, em época de crise, tão necessárias são, tanto jeito dão, tantas oportunidades poderão criar e tantos sucessos podem proporcionar.
Não tenhamos medo! O caminho é estreito mas existe, frisou Cavaco Silva. Aceitemos trilhá-lo, com criatividade e sentido de inovação.
Editorial do Jornal da Mealhada de 07.01.09
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
[690.] - O PM foi à televisão
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
[688.] - A Guerra das Rosas
- Quem se abstém da proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Duas pessoas: Álvaro Madeira e o presidente da Junta da Antes (ambos do PS)
- Quem vota a favor da proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Dezasseis pessoas: (Foto é prova) 8 do PSD - Mano Soares, António Ferreira, Luís Brandão, Filipa Pereira, Pedro Duarte, Pedro Paiva e os presidentes das juntas da Mealhada e Ventosa; 8 do PS-M - Rui Marqueiro, Manuel Paredes, Miguel Felgueiras, Júlio Penetra, António Ribeiro e Lurdes Bastos.
Ficaram ambas as famílias contentes? Sim. Os Marqueiristas porque ganharam a primeira batalha. Os Cabralistas porque mostraram que há divisão, que os barões (presidentes de junta) estão com eles e isso é importante porque cada um deles também tem exército.
Ficaram ambas as famílias frustradas? Sim. Os Marqueiristas porque precisaram da muleta do PSD para ganhar, uma vez que falharam votos como o da Junta da Antes... Os cabralistas porque perderam a primeira batalha com ferimentos graves... nas costas!
Os franceses, que é como quem diz os do PSD é que, * ofuscados com o sangue da guerra, se esqueceram de fazer politica e reivindicar os despojos. Foi oportunidade falhada que pode não voltar a repetir-se.
A Primeira Batalha de St. Albans está feita. Ganharam os de York, os Marqueiristas. A segunda batalha é a de Blore Heath reza a história que ganhariam aí os de Lancaster... a ver vamos!
[687.] - O discurso do Rei - Parte I
Certeiro, simples, disse o que tinha a dizer e saiu.
Falou em valores como a lealdade, o serviço à Pátria, a moral política.
Foi muito crítico e apresentou-se desiludido e frustrado.
Puxou as orelhas aos profissionais do metier e isso parece ter doído.
O Chefe de Estado portou-se à altura. Não percebi muito bem porque razão é que não enviou ele próprio o assunto para análise do Tribunal Constitucional, mas enfim.
As criticas que fez aos partidos políticos deixaram-me assustado e com aquele sentido de orfandade-a-vir, ou seja, os partidos políticos não são garante de sobrevivência nacional, quando estamos mal eles ainda nos fornicam mais...
Mas é neles que reside a chave da democracia... Por quanto tempo?










