quarta-feira, 26 de novembro de 2008

[664.] - Mercurii dies

Por quem os sinos dobram

“Nenhum homem é uma ilha isolada:
Cada homem é uma parcela do continente, uma parte do todo.
Se um torrão é arrastado pelo mar, a Europa fica diminuída, tal como se fosse um promontório, como se fosse um homem ou os teus amigos, ou como se fosses mesmo tu.
A morte de qualquer homem diminui-me porque pertenço à Humanidade.
Por isso nunca te perguntes por quem os sinos dobram: dobram por ti.”

Este é um excerto do texto “Por quem os sinos dobram” de John Donne, poeta inglês dos séculos XVI/XVII. Em 1940, Ernest Hemingway recuperava a ideia e utilizou-o como base para o título do seu romance sobre a Guerra Civil Espanhola, “Por quem os sinos dobram”.
O texto de Donne remete-nos para a relação de cada um com o mundo, com os outros e com a nossa própria vida. Ao mesmo tempo, lembra-nos, de igual modo, a vulnerabilidade da vida às agruras do tempo, da doença, das convulsões sociais e políticas. Entendemos, também, nas palavras de Donne, uma chamada de atenção para a consequência das nossas acções na vida dos outros e vice-versa.
Numa época em que, oficial, efectiva e conscientemente, estamos em crise económica, as palavras do poeta inglês revestem-se de particular oportunidade e interesse. Pudemos comprovar a existência do chamado efeito borboleta — o bater das asas de uma borboleta no Japão (expressão metafórica) provoca uma tempestade na Europa —, com as consequências económicas na Europa da falência de um banco americano. Por outro lado, a eleição de Barack Obama, por exemplo, parece ter insuflado de esperança não apenas os Estados Unidos da América mas todo o mundo. O mundo está hoje muito mais pequeno do que no tempo de Donne, e todos sentimos, na pele e em casa, as consequências de muitas das medidas tomadas em qualquer parte do globo.
Sentimos isto na crise económica que está a assolar o mundo, mas, mesmo economicamente, poderemos dar outros exemplos, como o da indústria e da ofensiva mercantil chinesas que estão a desequilibrar de forma preocupante os preços no mercado europeu. Como há outros, o problema ambiental, o das alterações climáticas, ou o do excedente de produção agrícola e a fome em algumas partes da Terra.
Esta nova dimensão e vulnerabilidade global não nos deve, no entanto, fazer baixar os braços. O criptograma chinês para a palavra crise inclui dois componentes — perigo e oportunidade — a lembrar-nos que não somos meras vítimas dos acontecimentos. Em qualquer crise há o perigo de falhar, falhar no acto de agir apropriadamente ou falhar no acto de agir efectivamente, mas também nos é dada a oportunidade e a justificação para começar de novo, de inovar, de fazer ainda melhor.

Donne, no final do seu texto — e também Hemingway no seu romance — aborda concretamente a vulnerabilidade da vida humana — a morte de qualquer homem diminui-me. De qualquer homem, note-se. Para Donne os homens poderiam ser católicos ou protestantes, para Hemingway seriam republicanos ou falangistas, mas todos importam para a contabilidade aludida. Todos devemos sentir a morte de alguém, mesmo que não conheçamos essa pessoa ou que retenhamos dela apenas a memória de um encontro de breves minutos. O que essa pessoa foi capaz de fazer da sua vida ao serviço dos outros, no seu trabalho, na educação dos seus filhos, no auxilio aos seus amigos, no testemunho do seu sofrimento e da sua coragem, e os reflexos maiores ou menores que tudo isso possa ter tido ou/e continuará a ter na sociedade tudo isso deixa marca, tudo isso fortalece, dá uma perspectiva de perda no momento da morte, por um lado, e, por outro, uma mais forte sensação do valor da vida e das pessoas.

Em memória de Fernando Oliveira Várzeas

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de Novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

[663.] - Hoje é 25 de Novembro

Se eu mandasse, já o disse várias vezes,

Hoje era feriado...

E não era (só) pelo facto de hoje o


'Comandante' José Felgueiras celebrar o seu 75.º aniversário
ou o do Eça de Queiroz...
Era, acima de tudo, por causa disto

[665.] - Hoje é 25 de Novembro

Academia de Coimbra

88.º Aniversário da Tomada da Bastilha
(1920-2008)


Desde 1913 que a AAC tinha a sua sede localizada na Rua Larga, no r/c do velho edifício do Colégio de S. Paulo Eremita que não oferecia as mínimas condições. No andar de cima situava-se o Clube dos Lentes, espaço há muito destinado aos estudantes, mas que tardava em ser cedido.
Insatisfeito com as decadentes instalações, na madrugada de 25 de Novembro de 1920, um conjunto de estudantes dividiu-se em três grupos: um para ocupar a torre da Universidade usando chaves falsas, outro para o assalto ao Clube dos Lentes, e outro para defender a sede da AAC, isto é, o rés-do-chão do Colégio.
Pelas 7 da manhã, a cidade acordava ao som de salvas de tiros e sinos a repicar. "Tomada da Bastilha", expressão que desde a Revolução Francesa simbolizava a luta com os opressores, foi o nome logo associado ao assalto. À noite, a Academia desfilou, da Alta até à Baixa, num cortejo luminoso ao qual se associou a população da cidade. Perante a rebeldia estudantil, o Reitor - depois de reaver o mobiliário - imediatamente cedeu as instalações e assim, a AAC passou a ter sede condigna, onde permaneceu alguns anos.

O dia 25 de Novembro, considerado o "Dia da Academia" foi marcado por um movimento de irreverência estudantil. Recorda-se anualmente este marco de orgulho para todos os estudantes desta Academia. Nesta data, revive-se o acontecimento reconstruindo a "Tomada da Bastilha", onde se inclui o Cortejo de Archotes vindo da Alta universitária até ao edifício da AAC.

Texto da autoria da Lista E às eleições 2008 para a DG da AAC.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

[661.] - Sim, nós (também) podemos

Na sexta-feira, 14 de Novembro, os alunos da Escola Secundária da Mealhada - a melhor do mundo, porque foi a minha - manifestaram-se. Manifestaram-se com classe (tirando meia dúzia de inergumenos que decidiram fazer umas javardices... E digo que se manifestaram com classe por duas ordens de razão.
Em primeiro lugar porque mesmo com os portões escancarados e com os professores no interior da escola os alunos não entraram no espaço escolar - provando que os piquetes muitas vezes só servem para fazer má figura.
Em segundo lugar porque os cartazes que envergaram eram de requintada postura. Um deles, a que tive acesso e cuja foto se apresenta abaixo consta da imagem do presidente eleito dos Estados Unidos da América, Barack Obama, o slogan "Sim, Nós Podemos", e, ainda, um desenho do primeiro-ministro e da ministra da Educação num jacto a caminho do Iraque.

Os alunos da Escola Secundária da Mealhada têm classe, estão informados da realidade que os rodeia - mesmo internacional - e não há duvida que Obama é um icone da modernidade, da esperança e da vontade de mudar o mundo que a Juventude tanto aprecia.

Parabéns ppl!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

[660.]

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Já alguma vez te perguntaste como és sendo escuteiro?

A resposta é simples...
Tens algo que fazer aos sábados porque encontras as pessoas que realmente valem a pena.
Vais acampar, por vezes dizes que não o voltarás a fazer e no entanto voltas a ir.
De certeza que o teu melhor amigo (a) lá esta, e talvez a pessoa que amas também - e se não está tentas leva-lá para o grupo.
Aprendes algo de novo ensinas algo a alguém...
Os miúdos vêem-te te como um exemplo a seguir e tu tens um exemplo a seguir.
Numa festa tua tens mais escuteiros do que colegas de escola e mesmo assim os poucos que lá estão são os que são os realmente importantes.
Comes do mesmo prato que os teus companheiros e recordas os momentos divertidos que passaram à noite quando estavam prestes a dormir.
Preocupas-te tanto com a teu bando, a tua patrulha ou a tua equipa como se fossem a tua família.
O teu dirigente é como um segundo pai ou como o teu irmão mais velho.
Por vezes vêem-te como um bicho raro na rua.
Quando voltas cansado de um acampamento e 99 por cento das vezes chegas a casa comes como um abade, tomas um banho e vais dormir.
Os teus pais aprendem a confiar mais em ti e nos teus amigos pelo simples facto de serem escuteiros e não se sentem embaraçados por dizerem aos seus amigos que o seu filho ou filha e escuteiro enquanto que estes perguntam "o que é isso de escuteiros", "quanto se paga para matricular o meu filho nos escuteiros?"
As pessoas que não sabem o que e ser escuteiro gozam contigo enquanto te sentes mais orgulhoso e contente por saberes que essas pessoas não sabem o que perdem.
Pões toda a gente ao teu redor de boca aberta e atentos sempre que contas aventuras que passaste em acampamentos e actividades.
Se és rapariga não falta quem te diga "como e que gostas de uma coisa que é para homens?".
Se és rapariga dás-te conta de como os rapazes da tua patrulha te tratam bem e não te discriminam por seres rapariga.
Se participas numa actividade nacional ou internacional e garantido que arranjas pelo menos 5 emails de raparigas.
doras mandar-te para uma montanha por mais bravas que sejam as condições e por mais difíceis que sejam as noites ao ouvires alguém a ressonar dentro da tua tenda ou ao sentires o chulé de alguém.
Ao encontrares algum escuteiro que conheceste a muito tempo sentes sempre uma sensação de alegria e dás-lhe uma forte abraço.
Na vida fora dos escuteiros podes fingir ser uma pessoa mas nos escuteiros não consegues evitar seres tu próprio.
Quando te sentes em baixo sabes que tens sempre um amigo escuta que te ouve e que mostra o caminho. Tens sempre um escuteiro que sabe os teus segredos.
Ao chegares a tua sede sabes sempre que tens gente que te quer ver e estar contigo.
Gostas de ver chegar alguém novo ao teu agrupamento e observas a maneira boa ou má de como se comporta na sua actividade e isso faz-te recordar o teu primeiro dia nos escuteiros e como sofreste com as actividades desse dia, mas sabes que essa mesma pessoa vai gostar de ser escuteiro. Num acampamento e quase certo que se adormeceres as 6 da manhã, às 7 o teu chefe tá a dar a alvorada e não tens hipótese senão passar o dia com uma soneira terrível.
Ás vezes sentes-te triste ao encontrar pessoas que te dizem "esse uniforme e estúpido e ridículo" e tu pensas, "Vocês e que não são escuteiros não percebem nada do que isto significa para mim".
A comida é sempre saborosa mesmo que tenha restos de carvão ou sabor a ervas e terra.
Por fim um escuta é uma pessoa feliz e responsável que tem confiança em si mesmo.
A beleza disto é conhecer gente de fora que nunca conhecerias se não fosse pelos escuteiros e por vezes choras nas despedidas por uma pessoa com quem estiveste só por 3 ou 4 dias e ficam para sempre no teu coração.
Nas fotos de grupo há sempre 10 ou 20 máquinas fotográficas para tirar fotos porque todos querem ter uma recordação desse momento.
Os acampamentos começam antes de encontrares todos aqueles que contigo vão acampar, para ti, só fazer a mochila e preparar tudo para o grande dia já é o inicio.
Por vezes nem consegues dormir só com a ansiedade de partir.
As caminhadas que para os teus chefes parecem curtas, a ti parece que andaste uma vida inteira, na verdade só andastes 5 km’s.
Recordas que as vezes o chão se movia nas latrinas...
E há sempre alguém que se quer aproveitar da tua inexperiência de acampar mas sentes te útil ao ires buscar lenha.
Estás tranquilo com os teus irmãos escutas e não suportas que nada nem ninguém diga mal do teu grupo. Vês que a cor do teu lenço, meias e calções vai mudando conforme o uso que tem e sentes-te orgulhoso por teres um uniforme quase sem cor porque sabes que com ele passaste por muitos sítios e aventura.
Por fim, no teu coração e na tua promessa fica para sempre gravada na tua memória.
Escuteiro um dia, escuteiro para sempre
Este é um daqueles textos spam que chegou ao meu mail... mas é bonito!

[659.] - Imagens de uma cidade que já não existe

Clicar em cima, linkado para album com 147 fotos

[658.] - Mercurri dies

Ajudar a ser voluntário

Incomoda, muitas vezes, o número de interpelações que nos são feitas no sentido de apoiarmos, com dinheiro ou géneros, um sem número de causas sociais e comunitárias. À porta do supermercado encontramos, bastas vezes, pessoas que nos solicitam apoio para os Escuteiros, para o Banco Alimentar Contra a Fome, para a Liga Portuguesa contra o Cancro, para o Grupo de Acção Sócio-caritativa, ou, em outros locais, para os Bombeiros, para um rancho folclórico, ou para um clube desportivo. Pode, à primeira vista, causar-nos algum transtorno, é certo, mas temos de reconhecer que apoiar pode ser, mesmo que o nosso contributo seja mínimo, valiosa ajuda para tornar possível a acção voluntária de outros.
O trabalho do voluntário, a sua militância, é o resultado de uma decisão livre e espontânea que ele tomou, apoiada em motivações e opções pessoais de altruísmo e disponibilidade para os outros. São pessoas que se colocam ao serviço de outras pessoas, das famílias e das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar das populações.
O exemplo mais claro deste espírito de altruísmo, de dedicação ao seu semelhante, e deste esforço de abnegação, de voluntariado, é, naturalmente, o dos bombeiros voluntários. É, provavelmente, o mais imediatamente reconhecido, até porque envolve um risco de vida, mas não é o único que encontramos na população do concelho da Mealhada.
As associações, culturais, recreativas, de solidariedade social, desportivas ou outras, são dirigidas por voluntários. Pessoas que se associaram para a concretização de um objectivo de interesse comunitário, que dispõem do seu tempo — algumas até do seu dinheiro — para o dar aos outros. Há satisfação pessoal? Naturalmente. Há crescimento da auto-estima e do reconhecimento público? Nem sempre…
As comissões fabriqueiras de capelas e igrejas são compostas por pessoas que dispõem de si para a defesa e manutenção de património colectivo. Encontramos voluntários nestas comissões que se disponibilizam para promover obras que envolvem centenas de milhares de euros que têm de ultrapassar obstáculos burocráticos imensos, tempos de espera ciclópicos que não se compadecem com a urgência de tectos a ruir, de paredes a ceder, de património a destruir-se a cada minuto que passa. Voluntários que resistem, que têm estômago para repetir ano após ano ‘peditórios pelo povo’, além de outros esforços.
São voluntárias as pessoas que se disponibilizaram para a formação das crianças, adolescentes e jovens, no âmbito desportivo, no âmbito da catequese, ou da formação escutista. Formação que é feita, muitas vezes, pelo exemplo.
São também voluntárias as pessoas que no concelho da Mealhada, ou noutros, integram Grupos de Acção Sócio-caritativa, ou associações de benemerência e solidariedade. Pessoas que visitam doentes, que recolhem e distribuem géneros alimentícios por dezenas de famílias desfavorecidas, que procuram disponibilizar cadeiras de rodas, camas articuladas, andarilhos e outros equipamentos a quem deles necessita.
Como são voluntários os que aceitam dar a cara por campanhas como a do Banco Alimentar contra a Fome ou a da Liga Portuguesa contra o Cancro. Voluntários que nos abordam directamente, estranhos, para nos pedir algo que não é para si, mas para outros que não podem estar ali.
O voluntário é aquele que dá por vontade — voluntas. Vontade que muitas vezes nos falta para comprarmos um qualquer objecto de uma campanha financeira, ou para irmos à reunião da assembleia-geral do clube ou à reunião da comissão fabriqueira da capela. Vontade cuja falta muitas vezes faz com que não haja meios para que os voluntários possam dispor do seu tempo para ajudar quem precisa. Voluntários esses que, verdadeiramente, não esperam o nosso reconhecimento e o nosso elogio, mas a quem temos, naturalmente, de dar valor e agradecer.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de Novembro de 2008

[657.]

Facile ex amico inimicum facies,
cui promissa non reddas.
*
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[S.Jerónimo, Epistulae 148.30]

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

[656.] - Veneris dies

Em 14 de Novembro de 1921 morria, em França, no exilio, Isabel de Bragança e Bourbon... a Princesa Isabel

A Princesa Isabel é provavelmente a mais estimada das monarcas brasileiras. É estimada por republicanos, monárquicos, progressistas e conservadores. Porquê? Em primeiro lugar porque aboliu a escravatura. Depois, porque exerceu os cargos que desempenhou de maneira exemplar. Exerceu o cargos político de forma tão exemplar que o Brasil ainda suspira por ela...

Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (Rio de Janeiro, 29 de julho de 1846 — Eu, França, 14 de novembro de 1921) foi princesa imperial do Brasil e regente do Império do Brasil por três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina. É considerada a primeira chefe de estado das Américas, tendo sido uma das nove mulheres a governar uma nação durante todo o século XIX. Foi cognominada a Redentora por ter abolido a escravidão no Brasil.
A princesa Isabel foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império do Brasil de 1824.
Com a morte de seu pai, em 1891, já abolida a monarquia e com a familia imperial no exílio, tornou-se chefe da Casa Imperial do Brasil e a primeira na linha sucessória ao trono brasileiro, sendo considerada, de jure, Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Por Graça de Deus, e Unânime Aclamação dos Povos, Imperadora Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

[655.] - Hoje é 12 de Novembro

No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio disparou sobre manifestantes que homenageavam um estudante morto pela repressão no cemitério de Santa Cruz, em Díli - Timor Leste.
Cerca de 200 pessoas foram mortas no local. Outros manifestantes foram mortos nos dias seguintes, "caçados" pelo exército da Indonésia.
Para a minha geração a noticia do Massacre de Santa Cruz, como ficou conhecido, acabou por ser a primeira informação de que havia um território português do outro lado do globo, ocupado pela Indonésia - que tinha este tipo de comportamentos repressivos. A causa da auto-determinação Imediatamente recebeu a nossa adesão que viria a tomar maior visibilibidade em 1999, aquando do referendo e a 20 de Maio de 2002, quando o estado maubere é proclamado independente.

Ai Timor - Trovante

Reportagem sobre o Massacre de Santa Cruz

[654.] - Mercurii dies

Esperança e Mudança

A propósito da eleição de Barack Obama para 44.º presidente dos Estados Unidos da América

Barack Hussein Obama foi eleito, na passada semana, a 4 de Novembro de 2008, presidente dos Estados Unidos da América. Obama, que foi o candidato do Partido Democrata, é o primeiro afro-americano a ocupar a sala oval da Casa Branca. A sua eleição é apontada por muitos analistas como um marco histórico de grande relevância. Pelo facto de ter ascendência negra, pela sua personalidade, pelo momento político-económico em que assume o cargo, pela forma como orientou a campanha eleitoral e pelo que consta do seu programa político.
Obama é filho de um intelectual queniano e de uma americana — uma WASP (White Anglo Saxonic Protestant) — o que faz dele um afro-americano. O facto de este rótulo, que terá relevância política, não lhe advir de ascendentes africanos escravos moderou os sectores mais racistas (negros e brancos), moderação que terá tornado possível a sua eleição. Um dos receios dos seus estrategas é que fosse considerado demasiado negro para os brancos e demasiado branco para os negros. Obama é o primeiro presidente afro-americano e é, no entender de muitos analistas, o máximo que os americanos seriam capazes de tolerar, nesta fase — mesmo que surpreendente para muitos.
O presidente eleito considera-se, também, e ao mesmo tempo, o mais legítimo dos americanos e a antítese do americano típico. Antítese do americano porque tem mundo, isto é, viveu grande parte da sua vida fora do país, tem um conhecimento alargado de geopolítica e conhece bem o que é a globalização: tem seis meios-irmãos e outros familiares, “que vivem em três continentes diferentes, e — assim disse — são de todas as cores e raças”. Legítimo porque só os Estados Unidos da América, a terra da oportunidade, dariam a uma pessoa como ele a hipótese de ser presidente do Governo federal.
È unânime a convicção de que seria impossível haver momento mais difícil para assumir o comando da maior potência económica e politica do mundo do que o presente. O modelo económico neo-liberal e capitalista que a Europa e a América têm adoptado demonstrou ter grandes fragilidades. Por outro lado, em termos geopolíticos o mundo ocidental precisa de uma nova liderança. Trata-se de questão de resolução urgentíssima. Não precisará de ser Obama a desempenhar essa liderança, mas é preciso que a presidência americana ajude e não obstaculize... São necessárias uma atitude e medidas que contribuam para a resolução dos problemas da ocupação iraquiana e da ocupação afegã, que, pelo menos, atenuem os conflitos israelo-palestiniano e sudanês, que estabeleçam novas pontes com o Irão, com a Coreia do Norte, com a América-Latina. E que, acima de tudo, contenham significativas formas de apoio à reforma da ONU, nomeadamente no que diz respeito às mudanças no Conselho de Segurança e ao papel das economias emergentes — como o Brasil e a Índia — no concerto das Nações.
Tem também grande relevância a mudança que, com Obama, já se produziu nos Estados Unidos da América e na Política. Quando no mundo ocidental se atingem níveis baixíssimos de participação politica, Barack Obama consegue bater recordes de participação eleitoral. Votaram cento e trinta milhões de pessoas, número de que faz parte um aumento nos níveis de participação só comparável ao verificado em 1920, quando as mulheres passaram a votar. Os Estados Unidos da América atravessam uma crise económica só comparável à de 1929, a Grande Depressão, mas, apesar disso, a campanha de Obama conseguiu angariar um volume recorde de fundos e fazer nascer o maior movimento de cidadãos da história politica americana. Para o ajudar voluntariou-se um milhão e meio de pessoas. Pessoas que se organizaram, que bateram de porta em porta, e que, recolhendo mesmo donativos individuais de cinco e de dez dólares, conseguiram a maior angariação de fundos de qualquer outra campanha política americana.
Como é que Obama conseguiu isto? Aí está uma resposta que, certamente, todos os outros líderes políticos gostariam de ter. Obama elegeu a Saúde, a Educação e a Energia como áreas prioritárias da sua acção. E provavelmente os americanos concordaram com ele. Mas, acima de tudo, Barack Obama quis chegar ao coração dos americanos e apresentar-lhes a promessa política primitiva, elementar, original, a mais simples de todas: A esperança de que melhores dias virão. Promessa cuja concretização começa com a sua eleição, que é, acima de tudo, sinónimo de mudança. Mas Obama foi mais longe, apresentou a ideia de que a mudança não está em si, eleito, mas nos outros, nos eleitores. Ou seja, a mudança não está no facto de o eleito ser negro, de ser convincente na sua aparente sinceridade, no facto de parecer confiável. A mudança está no facto de as pessoas o seguirem. Obama recorreu ao mito fundador dos Estados Unidos da América para galvanizar as pessoas: o protagonista da mudança é o génio americano não é o seu líder. O protagonista é o indivíduo e aquilo que o conjunto de indivíduos é capaz de fazer e não a liderança. Por várias vezes e nos mais entusiásticos discursos, Obama citou Lincoln e Kenedy — mais do que Luther King — e lembrou o documento fundador dos Estados Unidos, a constituição americana, que começa com a esclarecedora frase: “Nós, o Povo, (…) estabelecemos…”.
Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e politica do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de Mudança, de Esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso.

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Novembro de 2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

[653.] - Hoje é 11 de Novembro

Assinala-se hoje o 90.º aniversário sobre a assinatura do Armísticio que colocou um ponto final à primeira Guerra Mundial. Guerra esta em que morreram 1643 jovens do Corpo Expedicionário Português.
Não se ouviu a este propósito uma palavra do Chefe do Estado, do primeiro-ministro, ou sequer das chefias militares ou do Parlamento. Nada. Trata-se, no meu entender, de uma vergonha.

Foi uma Guerra que marcou profundamente o povo português e influenciou definitivamente toda a história politica e social do século XX português. Foi, para Portugal e para os portugueses, uma ferida muito dificil de sarar que teimamos em deixar sem tratamento.

Fica por aqui a minha indignação que é para não desrespeitar ninguém.

É vergonhoso.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

[652.] - Hoje (ainda) é 6 de Novembro...

71.º aniversário

da Elevação do Luso à categoria de Vila
Publicação o Decreto do Governo n.º28:142

6 de Novembro de 1937 - 6 de Novembro de 2008
Parabéns!

[651.] - Hoje é 6 de Novembro...

172.º aniversário
da Criação do Concelho da Mealhada

6 de Novembro de 1836 - 6 de Novembro de 2008

Parabéns!


[650.] - Hoje é 6 de Novembro

Quinta do Valongo, 6 de Novembro de 2008, Dia do Beato Nuno de Santa Maria

Dom João II, rei de Castela — neto do mesmo João que Nuno derrotara em Aljubarrota — terá ido ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde se encontrava, já idoso, Nun'Álvares Pereira, agora o monge Nuno de Santa Maria. Em jeito de provocação o castelhano perguntou-lhe o que faria o religioso se Castela voltasse a invadir Portugal. Nuno, sem dizer uma palavra, levantou o seu hábito, de modo a que o rei visse, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando que mesmo com quase setenta anos permanecia alerta, preparado e disponível para servir o seu país sempre que necessário e defendê-lo.
Nuno Álvares Pereira foi Condestável de Portugal, o vencedor e o estratega de Aljubarrota, um dos melhores generais portugueses de todos os tempos, filho predilecto de Nossa Senhora da Vitória. Garantiu a independência de Portugal foi o principal responsável pela coroação de D. João I, pai da Ínclita Geração e o primeiro rei da época gloriosa dos Descobrimentos Portugueses. Do casamento de Beatriz, única filha de Alvares Pereira, com Afonso, filho bastardo do seu senhor D. João I, nasceu a Casa de Bragança cujos descendentes reinaram em Portugal durante 270 anos.
Nuno Alvares Pereira foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Morreu aos 71 anos, foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV. O processo de canonização foi iniciado em 1940, tendo sido interrompido posteriormente. Em 2004 foi reiniciado e tem o seu termo anunciado para o ano de 2009, uma vez que em 3 de Julho desse ano a Santa Sé publicou o decreto em que reconhece o milagre necessário à conclusão do processo.
Nuno de Santa Maria é o patrono do Corpo Nacional de Escutas.
Peçamos a Deus, por intercessão de Maria, Mãe dos Escutas, de Jesus, seu Amado Filho, que nos ajude a sermos, como Nuno: fieis à nossa missão, resistentes às fraquezas e adversidades do caminho, coragens para lutar e perder, humildes para aceitar o destino e as vitórias, e simples, para que o testemunho da nossa vida na Terra possa servir de exemplo aos irmãos que ajudamos a educar e sejamos olhados por Deus e pelos homens como seres justos.
A Junta do Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[649.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 6


É, também, admirável o discurso de John McCain, sobre o seu adversário:

"That he managed to do so by inspiring the hopes of so many millions of Americans who once wrongly believed they had little at stake or little influence in the election of an American president is something I deeply admire and commend him for achieving. This is a historic election, and I recognize the special significance it has for African-Americans and for the special pride that must be theirs tonight".

[648.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 5




O discurso da vitória

[647.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 4

CARTOONS DA NOITE ELEITORAL...
a não perder!

[646.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 3


Tirei a noite de ontem para ver as reportagens sobre a noite eleitoral americana. No meu intimo esperava que a coisa não se arrastasse por muito tempo e que, acima de tudo, não se repetissem as cenas de há 4 e 8 anos e o veredicto ficasse adiado.
Refastelei-me no sofá... à espera... a ver a malta da SIC Noticias a encher chouriços e a comentar contagens de um por cento dos votos. Foi inevitável: adormeci!

Mensagem providencial de quem se preocupa com os meus gostos alertou-me para o discurso de Obama às 5 e tal da manhã. Vibrei... e voltei a adormecer...

Os jornalistas portugueses quiseram ser de tal modo profissionais que se tornaram aborrecidos... Já para não falar da Quadratura do Circulo, armada em blogger em noite decisiva, que acabou a postar no blogue do Pacheco por dificuldades técnicas...

[645.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 2

Barack Obama levou as pessoas a acreditarem que é possível mudar. Como disse Nelson Mandela, dando os parabéns ao novo presidente eleito, está acessível a todos a possibilidade de mudar o mundo. (Até) Os americanos foram capazes disso.

Os Clintons representavam a geração de 60, a babyboomer, os ideais de libertação. Bush filho era a retracção desse avanço e associava-se ao conservadorismo protestante e patético de Bush pai que nada tinha a ver com o conservadorismo de Reagan, antecessor do velho Bush.

Obama é a nova América. É o paradigma do político do século XXI. No discurso de esperança, no discurso de envolver todos. Não é necessariamente novo - já JFK o fazia - mas é muito importante nesta altura.

Vamos ver quem serão os protagonistas deste paradigma... aqui na Velha Europa.

[644.]

JUMA
Novembro de 1998 - 5 de Novembro de 2008

[643.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 1


Barack Hussein Obama (BHO) foi eleito ontem o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América.
"Vivi para ver isto", terá sido frase sentida onte por milhares de pessoas em todo o mundo. Acho que estes dias, ontem e hoje, ficarão na memória das pessoas da mesma maneira que na minha ficou o rol dos acontecimentos em directo do 11 de Setembro e nas gerações anteriores à minha a chegada à lua ou o assoassinato de JFK.
Obama é um preto (mulato digamos) que chega a Presidente dos Estados Unidos. É o primeiro é certo, apesar de já termos visto centenas de filmes com esta hipotese... Mas independentemente disso, que já não é pouco, Obama teve no país e no mundo, o mesmo efeito de JFK há quarenta anos. Foi capaz de mexer com as pessoas, entusiasmá-las, dar-lhes esperança e impeto de mudança.
Obama fez o que Sá Carneiro dizia ser a tarefa fundamental da Politica. Dar às pessoas a esperança de que algo de transformador e positivo pode acontecer.
Acho que esse é, também, papel de Obama no Mundo...

domingo, 2 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

[641.] - In Flanders fields

De Hoje até dia 11 de Novembro teremos, aqui de lado, uma poppy - uma papoila vermelha -, seguindo uma tradição britânica, de homenagear os mortos da primeira Guerra Mundial.
O dia 11 é o dia do Armistício e a tradição da poppy surge do poema In flanders fields.
Há dois anos contámos a história do acontecimento. Aqui (e daqui há mais ligações).
Homenageamos assim os mortos - todos, mas os portugueses e mealhadenses de modo especial - na Primeira Guerra Mundial.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

[638.] - Mercurii dies

Do Destino do Luso e dos seus protagonistas

A propósito da apresentação do plano de desenvolvimento do projecto Destino Luso — Saúde, Beleza e Bem-estar

Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, subiu ao palco do cineteatro Messias, na Mealhada, na tarde de 23 de Outubro de 2008, como “o rosto e o nome do desafio” que constitui o projecto Destino Luso - Saúde, Beleza e Bem-estar — a concretização do plano Luso Inova, já anteriormente apresentado, e que pretende implementar uma estratégia ampla de revitalização turística, termal e empresarial do Luso, mas também, naturalmente, de todo o concelho da Mealhada. Um investimento inicial e "previsível" de cinquenta milhões de euros. Damos conta do programa e da referida sessão nas páginas 2 e 3 da presente edição.
Tão profissional no marketing político como na resposta, diríamos que cabal, que dá aos críticos, o presidente da Câmara aposta neste programa todo o seu capital político, como se deste processo dependesse todo o futuro: se correr bem, Cabral é o único candidato viável a presidente da Câmara, em Outubro de 2009. Fá-lo com arte, o risco é minimizado: se correr mal, sai, ainda, pela porta grande como o timoneiro de um programa arrojadíssimo.
Cabral tem contra ele, no entanto, um pequeno senão. Por um lado, tem seguido, sábia e prudentemente, uma estratégia de gestão do silêncio junto da comunicação social, atitude que o tem resguardado politicamente. Por outro lado, Carlos Cabral precisa agora de chegar aos investidores e aos lusenses para fazer vingar este programa Destino Luso, com uma imagem de dinamismo, arrojo e qualidade – e para isso precisa da comunicação social. A sua grande dificuldade não está em ter má imprensa, está no facto de passar a ser artificial o “encontro” entre o presidente da Câmara e os munícipes através dos jornais, ou da rádio. E o presidente tem necessidade extrema desse encontro.
O que Cabral não disse no palco do cineteatro Messias, naquela tarde, mas precisa de dizer, rapidamente, principalmente aos habitantes e aos pequenos investidores do Luso, é que a concretização do projecto depende muito mais da sociedade civil, dos agentes económicos — numa economia global à beira da recessão — do que da boa vontade da Câmara Municipal da Mealhada. O presidente da Câmara, que, para chegar aos investidores, elevou as expectativas a um patamar quase inimaginável, que empenhou, declaradamente, a cabeça perante os mais cépticos — que são muitos — tem a obrigação pedagógica de dizer, claramente, que a missão da Câmara passará por criar as condições para que as empresas de turismo, das tecnologias da saúde, de beleza e bem-estar se instalem no concelho da Mealhada. Tem a obrigação de deixar claro que a Câmara não vai construir nenhum hotel, nem comprar terrenos para a sua instalação. Deve esclarecer que vai adquirir o espaço da plataforma industrial de Barrô para vender os lotes de terreno às empresas que desejem comprar, mas que não vai fazer nenhuma fábrica de produtos de beleza. Tem o dever de deixar expresso que vai requalificar, em termos urbanos, o centro do Luso, com novas lojas e novos espaços, mas que não vai garantir um aumento de turistas, de lojistas ou de variedade. Consideramos — mesmo que possa pensar-se que caímos no paternalismo ou numa infantilização dos cidadãos — que Carlos Cabral tem a obrigação de explicar aos munícipes que o sucesso deste projecto está, apenas em pequena parte, nas mãos da Câmara, e que o fundamental está nas mãos dos próprios lusenses e dos agentes económicos.

O programa Destino Luso compromete o futuro do município da Mealhada e, naturalmente, os próximos executivos camarários, não como ónus, mas como legado. O próximo mandato autárquico, 2009-2013, será o da revolução total. Pelo que, assim se espera, será sobre este programa que incidirão as principais dúvidas a tirar na campanha eleitoral que se avizinha. Mas Cabral surgiu sozinho no palco, como o “rosto e o nome” de um projecto revolucionário para o Luso — a jóia da coroa do concelho da Mealhada, pelo que parece. E na plateia não figurava nem Rui Marqueiro, nem César Carvalheira, dois candidatos eventuais ao lugar de Cabral. Mesmo sem a música épica da banda sonora do “Gladiador”, que anima a presença de Sócrates, ou dos sons de Vangelis, que pendiam sobre Guterres, a verdade é que Cabral teve ali condições para proporcionar momento de glória. Uma saída pela porta grande, poderá dizer-se, ou uma utilização cirúrgica de grande parte dos trunfos que tem para se afirmar como o candidato natural e ideal a novo mandato camarário? Se não conhecerem o projecto e nem se comprometerem com ele, não estarão Marqueiro e Carvalheira em sérias dificuldades?

Editorial do Jornal da Mealhada de 29 de Outubro de 2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mercurii dies

Ensaio sobre a obscuridade
A propósito da abstenção nas regionais dos Açores e dos brancos no PSD de Anadia

Realizaram-se no domingo, 19 de Outubro, as eleições regionais dos Açores. Tratou-se do primeiro de um conjunto de quatro actos eleitorais que se completará, previsivelmente, em menos de um ano. O Partido Socialista, com Carlos César, conseguiu renovar, na Região Autónoma dos Açores, a maioria absoluta e o parlamento regional ganhou colorido com a eleição de deputados de partidos que até agora não tinham representação nos órgãos políticos regionais. Tudo seria positivo, uma vitória da democracia autonómica, se não fosse o facto de mais de metade dos eleitores não ter participado no acto.
Por quanto tempo ignoraremos os sinais que, sucessivamente, eleição após eleição, nos vão sendo dados por um sistema político que já não atrai os cidadãos a participar na gestão do que é de todos?
Os Açores têm 192 mil eleitores, aproximadamente. No entanto, mais de metade, 102 mil, decidiram não votar. Porque o terão feito? Importa fazer a pergunta.
Nas eleições presidenciais, nas legislativas nacionais, nas autárquicas e nas eleições para o Parlamento Europeu, os níveis de abstenção são substancialmente mais baixos. Estarão, desta forma, os açorianos a manifestar o seu desacordo em relação à própria autonomia? Estarão os açorianos a repudiar o caciquismo doentio, característico das autonomias portuguesas?
Pondo de parte as habituais desculpas da chuva, que afasta as pessoas das urnas, e do sol, que leva as pessoas para a praia e as afasta das urnas, é urgente questionar, procurar saber por que razão os portugueses estão cada vez mais distantes da participação política.
Declarações como as do vencedor, Carlos César, também não ajudam na procura de respostas. Para o presidente do Governo regional dos Açores “a baixa participação é característica das democracias consolidadas”. “A abstenção foi elevada e houve uma quebra significativa de mobilização e de motivação nestas eleições, em virtude da presunção de vitória que havia à volta do Partido Socialista”, terá afirmado, também. E ainda: “Os partidos com mais votos têm menos responsabilidades na abstenção”, e “o que conta, em democracia, são as pessoas que votam em dia de eleições”.
Quando nos debruçamos sobre a questão da falta de participação dos cidadãos no sufrágio político vem-nos à ideia uma outra questão, usada literariamente por José Saramago, em “Ensaio sobre a Lucidez”, que é a questão da valoração política dos votos em branco. Dito de outra forma: Que significa um voto em branco? Que conclusão deve tirar-se de um número tão significativo de votos em branco?
No livro do Nobel da Literatura, a solução encontrada para reagir ao resultado eleitoral de uma cidade cujos eleitores, sem terem sido mobilizados para isso, votaram maioritariamente em branco, foi o ostracismo. A cidade é isolada do resto do território. “Antes que a pestilência e a gangrena alastrem à parte ainda sã do país”, justifica um dos personagens na obra.
Hipótese muitas vezes considerada academicamente para resolução do síndrome dos votos em branco é a das cadeiras vazias — Se, para eleger um parlamento de duzentos lugares, houvesse dez milhões de eleitores, se nessa eleição só votassem metade, então só metade dos mandatos seria distribuída. E se metade desses eleitores tivesse votado em branco, então só cinquenta cadeiras ficariam ocupadas por representantes parlamentares.
Tudo isto são conjecturas académicas, mais ou menos bem-humoradas, que nos assomam ao pensamento quando analisamos estas questões. Mas o problema existe e só a obscuridade nos impede de nos prepararmos para lidarmos com ele, quando ele nos assomar.
Uma obscuridade que resulta da ideia de que este é um problema dos quadros dos partidos políticos e dos governantes. Ou uma obscuridade que resulta da ideia de que este “não é um problema dos partidos que ganham mais votos”, como disse Carlos César. Ou a obscuridade que resulta da ideia de considerar que só não vota quem é negligente ou despreocupado com os outros. Ou a obscuridade que resulta da tão propalada máxima de que “só interessam os que cá estão”, que neste contexto da governação da coisa pública se cingiria a terem direitos só os que participam.
Se é verdade que esta obscuridade nos tolhe, a todos de um modo geral, não é menos verdade que o problema não está assim tão distante… Em Anadia, a 10 de Outubro, nas eleições para as estruturas distritais do PSD de Aveiro, nas eleições para a comissão política distrital, trinta e nove militantes social-democratas votaram na lista A, que era única, e cinquenta e cinco votaram em branco. Para a mesa da assembleia distrital, quarenta e três votaram na lista única, mas cinquenta e um votaram em branco. Para o conselho de jurisdição quarenta votaram na lista única e cinquenta e quatro votaram em branco. É verdade que, tratando-se de uma eleição distrital, para a eleição de cada órgão distrital são somados os votos das dezanove secções concelhias do distrito, e, deste modo, os votos em branco de Anadia diluem-se. Mas... e se estivéssemos a falar, não de uma eleição distrital, mas de uma eleição concelhia? Quem ocuparia o lugar dos eleitos? Note-se que o exemplo que damos é de uma eleição interna do PSD, um dos partidos que “ganha muitos votos”. O que prova que a gangrena já chegou aos partidos, aos partidos do arco do poder, e já corrói por dentro.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

[634.]


[633.] - Iovis dies

16 de Outubro de 1978
Karol Woytila é eleito Papa, tomando o nome de João Paulo II

Para quem, como eu, acredita que a eleição do Papa é feita com a intervenção do Espírito Santo, o facto de o pontificado de João Paulo II ter sido tão importante para a Igreja e para o Mundo é muito mais uma obra de Deus, do que uma obra dele próprio.

Mais do que um Papa reformador, ou renovador da acção da Igreja - que não foi - João Paulo II personificou a imagem do Homem que sofre, da Igreja viva feita de homens e mulheres, feita por gente de carne e osso, sem infalibilidades de qualquer ordem. Foi um Homem que, tal como Cristo, assumiu a condição humana e a levou ao extremo do sofrimento, do sacrificio, da doação plena e inequivoca.

O pontificado de João Paulo II foi, no meu entender, um adiar de muitas coisas na vida da Igreja, mas foi, também, um momento de gloriosa presença da Igreja na vida dos homens, de igual para igual, na mesma língua, com as mesmas preocupações.

Como se a santidade estivesse à distância de um gesto.


[632.] - Hoje é 16 de Outubro...

*
Dia Mundial da Alimentação... e curiosamente, ou não - coisas que a vida tem - é Dia Mundial de Boicote ao MacDonalds!
Nos EUA é o ‘Boss Day’... e o Day After do último debate Obama vs McCain... uma seca que eu insiti em ver, que colocam os politicos portugueses num altar, em termos de profundidade de pensamento. Um debate todo, com o tótó do McCain a falar do Joe, The plumber! Uma seca atroz.

Em Niue, que ao que parece é um país localizado no Pacifico Sul, hoje é Feriado Nacional — é o Dia da Constituição.
E se alguém perguntar que relação tem Oscar Wilde e Gunter Grass, para além de serem/terem sido ambos escritores, a resposta é simples... nasceram no mesmo dia do ano, hoje!

Ah... e a minha avó Maria faz hoje 82 anos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

[631.] - Hoje

A Santa Casa da Misericórdia da Mealhada faz 102 anos!

Em 15 de Outubro de 1906 era, finalmente fundada a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada com a incumbência exclusiva de ser proprietária e administradora do Hospital de Santa Maria, aberto dois meses antes.

Uma condição imposta por Maria José Barata e Silva, amiga de Augusto Costa Simões, e a maior benemérita do Hospital.

Uma instituição secular, que nasceu e vive graças ao esforço de homens, mas por imposição de uma mulher.

Parabéns!

[630.] - Mercurii dies

Faltam 361 dias para as autárquicas…
As movimentações que se esperam em doze meses de campanha eleitoral

Na passada quinta-feira, 9 de Outubro, completou-se o terceiro ano sobre o dia das últimas eleições autárquicas, em 2005. Novo acto eleitoral para as autarquias locais acontecerá, provavelmente, em 11 de Outubro de 2009 — já não falta um ano. Dizemos provavelmente porque é uma decisão a tomar pelo Presidente da República, que, para 2009, tem de agendar as eleições autárquicas e legislativas que, por lei, teriam lugar, no mês de Outubro. Há quem admita, no entanto, a hipótese de as eleições legislativas serem antecipadas, vindo a realizar-se antes das eleições europeias, marcadas para Junho.
Esperam-se, então, para muito próximo, os anúncios oficiais, ou não oficiais, das decisões dos partidos políticos e, eventualmente, de alguns movimentos de cidadãos acerca das suas estratégias, programas e, talvez seja o mais esperado, dos nomes que encabeçarão cada uma das listas de candidatos à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e às Assembleias de Freguesia.
Ao que nos é dado perceber, pelo que é público e pelo que sabemos, ainda em nenhuma das estruturas partidárias do concelho da Mealhada haverá fumo branco, uma decisão final, acerca dos nomes dos que encabeçarão as listas candidatas aos dez órgãos autárquicos.
Num exercício de pura análise, com o possível rigor, o que nos é permitido pela simples observação, atrevemo-nos a “pensar em voz alta” as movimentações que se esperam, para os próximos meses, em cada um dos partidos.
As decisões partidárias sobre a escolha do cabeça-de-lista de cada uma das candidaturas à Câmara Municipal são as mais aguardadas.
É para o Partido Socialista que, neste momento, todas as atenções estarão viradas. Saber qual será o desenlace do braço-de-ferro que se aguarda entre Carlos Cabral e Rui Marqueiro é a “resposta do milhão de euros”…
O actual presidente da Câmara, Carlos Cabral, já anunciou que estará na disposição de voltar a encabeçar a lista do PS. Disse, também, há precisamente um ano, que, para além da sua própria vontade “é precisa a vontade do partido”. As declarações de Cabral nessa altura provocaram algum mal-estar — pela antecipação, acima de tudo — e motivaram declarações premonitórias da parte de Rui Marqueiro (presidente da Câmara entre 1989 e 1999), que deixaram antever a hipótese de ele próprio assumir uma candidatura interna ao lugar.
Efectuaram-se, entretanto, em Março, eleições na comissão concelhia da Mealhada do PS. Rui Marqueiro obteve vitória esmagadora para a presidência dessa comissão. O concorrente vencido foi José Calhoa, vereador de Cabral, que, no fundo, representaria a sensibilidade do presidente da Câmara no seio do partido.
Pelo que nos parece, dificilmente será na Mealhada que a decisão final será tomada. Na cúpula nacional do PS vigora o respeito pelo principio de que em quem ganha não se mexe e, portanto, segundo este principio, em Lisboa preferirão Cabral a Marqueiro — cujo peso eleitoral é, dez anos após ter saído da Câmara, uma incógnita. Cabral goza de algum prestígio entre a cúpula nacional do partido mas não faz parte da comissão politica nacional, nem tem nenhum cargo nacional, o que, nesta ocasião, pode ser uma desvantagem. Se a dúvida, em termos nacionais, se instalar, certamente que o caminho a seguir será o de um estudo de opinião, uma sondagem, que ditará quem obteria melhor resultado na eleição autárquica. E esta sondagem será decisiva. Se a estrutura nacional continuar a preferir Cabral, e se o vencedor das eleições para a Federação Distrital de Aveiro, a 24 de Outubro, for Afonso Candal, que tem o apoio de Marqueiro, poderá voltar a haver oposição à escolha do actual presidente. De qualquer maneira, só depois do veredicto superior é que a comissão politica concelhia ratificará a decisão. Se a escolha for Cabral, Marqueiro não apresentará o seu nome para discussão, apresentará o nome de algum dos seus próximos. Dito de outra maneira, pelo que nos é dado observar, a escolha de Cabral, na comissão politica concelhia, nunca será unânime.
No PSD as coisas parecem mais simples. Depois da vitória esmagadora de César Carvalheira sobre Carlos Marques, nas eleições para a comissão política concelhia em Abril de 2008, a escolha de Carvalheira para cabeça-de-lista parece pacífica. Resta saber se Carvalheira terá vontade de se submeter a terceiro sufrágio (depois de ter sido derrotado por Rui Marqueiro em 1989 e em 1993). Uma eventual maioria absoluta de José Sócrates, no caso de as eleições legislativas acontecerem antes das autárquicas, pode influir na decisão. Carvalheira, no entanto, não se assume como candidato natural e está a envidar esforços no sentido de o partido apresentar outra solução, provavelmente com alguém fora do âmbito partidário. De qualquer maneira, nomes como o de Gonçalo Breda Marques, João Oliveira Pires ou Carlos Marques parecem ter sido completamente descartados.
Não deixará de ser curioso, e sintomático, se às eleições de 2009 se apresentarem pelo PS Rui Marqueiro, e pelo PSD César Carvalheira. Exactamente os mesmos cabeças-de-lista apresentados às eleições de 1989 e de 1993. Vinte anos depois, repetem-se os protagonistas.
Da parte do Partido Comunista Português espera-se uma candidatura à Câmara Municipal da Mealhada, integrada na CDU. O candidato, seja ele quem for, dificilmente conseguirá ser eleito vereador, pelo que o esforço dos comunistas centrar-se-á na eleição de elementos para Assembleia Municipal e para as Assembleias de Freguesia da Mealhada e da Pampilhosa.
O Movimento Odete Isabel, que se apresentou a sufrágio em 2001, dificilmente terá condições para obter o mesmo resultado que há sete anos — elegeu um vereador e quatro elementos na Assembleia Municipal. Recentemente foi anunciada a intenção do movimento em se apresentar às eleições de 2009. Mas entre a intenção de o fazer e fazê-lo realmente vai uma larga distância. Se o candidato do PS for Carlos Cabral, os aderentes do MOI podem sentir um maior apelo a organizarem uma candidatura própria.
Pelo que nos apercebemos, uma candidatura do CDS/PP só surgirá se, de alguma maneira, houver alguma tentativa, por parte do PSD, de recrutar para as suas listas militantes populares. De outra forma não parece haver estímulo suficiente para o surgimento de uma candidatura.
Onde o terreno se afigura propício à sementeira é junto dos simpatizantes pelo Bloco de Esquerda. Os 712 votos que o partido alcançou nas eleições legislativas de 2005 teriam sido mais do que suficientes para eleger um elemento para a Assembleia Municipal da Mealhada. E podem, agora, constituir estímulo para os militantes do partido, que os há, apresentarem uma lista de candidatura. Alguns deles têm vasta experiência política concelhia.
Já no que diz respeito às freguesias o panorama parece ser muito menos emocionante. Publicámos, nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2008, um conjunto de oito entrevistas às equipas que constituem as Juntas de Freguesia do concelho da Mealhada. Questionados os presidentes das Juntas, sobre a hipótese de recandidatura, só José Rosa, da Vacariça, eleito na lista do PS, anunciou indisponibilidade. Mas também se sabe que as recandidaturas não serão todas automáticas. Dependentes do veredicto do duelo Cabral-Marqueiro estarão as recandidaturas de Delfim Martins, de Barcouço — que prefere Cabral — e, eventualmente, a de Benjamim Almeida, da Antes — que prefere Marqueiro. Nas outras freguesias as recandidaturas são todas previsíveis e partem em vantagem sobre outros candidatos.
Faltam 361 dias para as eleições autárquicas. Doze meses de grande agitação que acompanharemos com entusiasmo e atenção.

Editorial do Jornal da Mealhada de 15.10.2008

domingo, 12 de outubro de 2008

[628.]




Imortais
Mafalda Veiga

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Ás vezes só a cinza do que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu sei te dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

[627.] (05) - Saudades do Paraíso

Este é o Dudu... Mora em Água Izé e um dia vai mudar o Mundo!
O Dudu vendia gelados à porta da capela de Água Izé, quando nos conheceu. Estávamos na manhã de 2 de Agosto de 2008. Os gelados que vendia eram aqueles tipo fá... sumo gelado. O NJ decidiu comprar um... acontece que não poderíamos beber aquela água gelada (a porcaria da mania dos europeus). Então acabou por lhe dar dinheiro suficiente (para nós uma miséria) para comprar toda a caixa dos gelados e mais umas quantas. Estabeleceu, no entanto, um compromisso, o Dudu entregaria os gelados, comprados pelo NJ, a todos os miudos que estavam ali à volta.
A partir daí o Dudu tornou-se o nosso braço direito, oficial em armas. Silencioso, observador, antecipava os nossos movimentos e procurava ajudar em tudo o que precisavámos. "Dudu, arranjas-nos um coco?", perguntávamos. Meia-hora depois tinhamos à porta da tenda sete ou oito cocos. Era o líder da criançada. Um capitão da areia, como escrevia Jorge Amado. Naquele olhar todos os desejos do mundo, toda a força do mundo.
As palavras para mudar o mundo estão inventadas. Dudu pode não as conhecer. Mas mudará, um dia, o seu mundo.
Saudades.

"Tua mão cor-de-laranja
oscila no céu de zinco
e fixa a saudade
com uns grandes olhos taciturnos".
Maria Manuela Margarido, santomense

[626.] (04) - Saudades do Paraíso


Lá no água grande

Lá no "Água Grande" a caminho da roça
negritas batem que batem co'a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.
Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.
Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.
As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.
E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.
(É nosso o solo sagrado da terra)

*
Poema de Alda do Espirito Santo, santomense

[625.] - Hoje é 9 de Outubro...

*...
DIA MUNDIAL DA VISÃO e
DIA MUNDIAL DOS CORREIOS e
DIA DO PROJECTO EUROPEU!
Hoje, no UGANDA, é feriado nacional. Os ugandeses celebram o 9 de Outubro de 1962, dia em que se tornaram independentes do Reino Unido. E, portanto, não se trabalha neste país africano.
Americanos, canadianos e noruegueses celebram hoje o DIA DE LEIF ERIKSON, para todos os efeitos o primeiro europeu a pisar o solo do continente americano... em 1000! Aqui o Leif era viking, está visto, e desembarcou neste ano na Vinlândia, a grande Ilha canadiana, por sua vez era filho de Erick, o Vermelho (por ser ruivo, não por ser comunista), que dezoito anos antes havia desembarcado, pela primeira vez, na Gronelândia! Uma familia de gente viajada!
No AZERBEIJÃO é DIA DO EXÉRCITO E DA MARINHA, e no PERU é DIA DA DIGNIDADE NACIONAL. Os Sul-coreanos celebram o Dia de Han'Gul, o alfabeto sul coreano. Diz-que criado no dia de hoje em 1446... acredite-se ou não...
Se precisarem informo-vos que é escusado andarem à procura de alguma coisa que tenha acontecido em Portugal em 9 de Outubro de 1582. É escusado. Porquê? Porque não aconteceu nada! Porque o dia nem sequer existiu! É verdade, os dias 5 a 14 de Outubro de 1582 não existiram! Devido à implementação do calendário gregoriano, estes dias também não existem em Itália, em Espanha e na Polónia.
Hoje, também é dia de Saint Deniz - ou São Dionísio - padreoeiro de França e de Paris, em especial. Assinalam-se hoje 51 anos sobre o dia da execução de Ernesto Che Guevara, e se fosse vivo o nosso saudoso Rei Dom Dinis faria a provecta idade de 747 anos...
Na Roma antiga festejar-se-ia hoje a Felicitas, deusa da felicidade e da boa sorte.

Até amanhã, se Deus quiser!

[624.] - Iovis dies


Jews Praying in the Synagogue on Yom Kippur. Vienna, 1878.

por Maurycy Gottlieb

(1856-1879)

Pintor polaco, judeu
יום כיפור
Yom Kippur

Entre o pôr-do-sol de ontem, 8 de Outubro e o de hoje, é, na religião Judaica, o Dia do Perdão, o Yom Kippur. Trata-se daquele que é considerado pelos Judeus como o mais santo e solene dia do ano. Nele, é dado especial ênfase ao perdão e à reconciliação - coisas tão gratas ao pensamento judaico.

No Yom Kippur existem cinco proibições: A primeira é a de Comer (come-se um pouco antes do pôr-do-sol ainda na véspera do dia até o nascer das estrelas do dia de Yom Kipur); A segunda é o uso de calçado de couro; A terceira é a do relacionamento conjugal; A quarta é passar cremes, desodorizante, etc. no corpo; E a quinta é tomar banho por prazer.
A essência destas proibições é causar aflição ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Pela perspectiva judaica, o ser humano é constituído pelo yetzer hatóv (o desejo de fazer as coisas corretamente, que é identificado com a alma) e o yetzer hará (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde ao corpo). Nosso desafio na vida é "sincronizar" nosso corpo com o yetzer hatóv. Uma analogia é feita no Talmud entre um cavalo (o corpo) e um cavaleiro (a alma). É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo!

Os serviços religiosos de Yom Kippur começam com uma oração, conhecida como Kol Nidrei, que tem de ser recitada antes do pôr-do-sol. Kol Nidrei, que em Aramaico significa "todos os votos", é a anulação pública de votos ou juramentos religiosos feitos por judeus durante o ano anterior. Apenas diz respeito a votos não cumpridos, feitos entre a pessoa e Deus, e não cancela ou anula os votos feitos entre pessoas.
O Yom Kippur termina com o toque do shofar, que marca a conclusão do jejum. É sempre observado como uma festividade de um dia apenas, tanto em Israel como nas comunidades da Diáspora judaica.

(Textos adaptados da Wikipédia)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

[623.] - Mercurii dies

*
Honrar o legado
A propósito da nossa homenagem a José Andrade Branquinho de Carvalho
*
Decidimos homenagear José Andrade Branquinho de Carvalho convictos de que, ao fazê-lo, estávamos a elogiar o seu espírito crítico, o seu esforço de recolecção de memórias, o seu génio inconformista e empreendedor, o seu espírito de iniciativa e de criatividade e, também, reconheçamo-lo, estávamos a dar algum destaque a uma das construções de que foi um dos obreiros, o Jornal da Mealhada.
A homenagem foi simples. Organizámos um concurso de fotografias, “O concelho da Mealhada pela lente”, que foi um sucesso no que se refere à qualidade dos trabalhos apresentados e no nível de adesão das pessoas, e demos ao prémio do concurso o nome de José Andrade Branquinho de Carvalho. Em sessão pública, realizada no dia 4 de Outubro de 2008 — que mereceu a participação de muitas pessoas e a atenção da comunicação social regional, mesmo dos nossos concorrentes, que agradecemos —, e de que fez parte a inauguração da exposição de todos os trabalhos concorrentes, procurámos dar relevo ao sentimento de gratidão, de reconhecimento e de amor que dedicamos a Branquinho de Carvalho.
Falhámos em muitos aspectos organizativos e lamentamo-nos por isso.
Considerámos que levar a cabo uma iniciativa aberta à população, tendo em vista o desenvolvimento da criatividade, da busca do belo na paisagem edificada ou natural que é nossa contemporânea, é uma das maneiras de homenagear um homem que ficará para sempre associado à história do concelho da Mealhada — assim como de outros locais — como grande recolector de imagens do passado.
Procurámos homenagear Branquinho de Carvalho, em primeiro lugar, pelo seu papel como um dos fundadores da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, como divulgador do Jornal da Mealhada e como seu director-adjunto, entre Julho de 1987 e Outubro de 1998. Neste jornal Branquinho de Carvalho foi o grande dinamizador de uma abordagem jornalística de promoção da memória e de divulgação histórica, com forte componente pedagógica, que caracteriza este órgão de comunicação social desde a sua fundação. Se o conjunto das centenas de edições do Jornal da Mealhada é hoje importante fonte de inspiração e de investigação histórica do concelho da Mealhada e da região, devemo-lo, em grande parte, a José Andrade Branquinho de Carvalho.
Julgamos que não ficou diminuído, com esta homenagem, o conjunto de outros motivos de elogio a Branquinho de Carvalho. Divulgador cultural neste jornal, não deixou de o ser noutros fóruns. O entusiasmo que expressa de cada vez que mostra as fotos da sua colecção é contagiante. A preocupação que teve, e que mantém, de fazer acompanhar as fotografias antigas de outras tiradas na actualidade, referentes ao mesmo local, revela a constante vontade de divulgar a memória de lugares e pessoas, de documentar o desenvolvimento local e comunitário, e de promover a identidade da comunidade do concelho da Mealhada. O testemunho que deu como dirigente da Casa do Povo da Mealhada, ou do Centro de Cultural do Concelho da Mealhada, são exemplo da sua consciência cívica, do seu amor à terra onde reside e do seu empenho no progresso cultural e humano do concelho.
Na sessão pública, a que já aludimos, Branquinho de Carvalho mostrou, uma vez mais, que é Homem grande. Tivemos conhecimento nessa altura de que ele doou ao Município da Mealhada as imagens da sua colecção, para reprodução digital e divulgação pública, através do Arquivo Municipal. Trata-se de um acto de generosidade. Porque a colecção lhe custou dinheiro, porque a entrega para disponibilidade de todos, fazendo-o, assim o declarou, no sentido de contribuir para uma mais completa investigação histórica do município da Mealhada.
Homenageámos José Andrade Branquinho de Carvalho como homenagearemos outros grandes obreiros do Jornal da Mealhada, no âmbito do vigésimo quinto aniversário da primeira publicação deste periódico, que se assinalará em Dezembro de 2010. Fazemo-lo em honra do legado que eles nos deixaram. Um legado de memória, de divulgação histórica, de identidade, de dedicação, de trabalho e de competência.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Outubro de 2008
é o Mês Internacional da Bibliotecas Escolares

[621.] - Iovis dies


2 de Outubro de 1789

É votada definitivamente a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, uma das cartas constitucionais mais revolucionárias da história moderna.
A Liberdade Guiando o Povo
1830 - Óleo - Museu du Louvre
de Eugene Delacroix (1798-1863)
Sentindo-se um pouco culpado pela sua pouca participação nos acontecimentos do país, Delacroix pintou A Liberdade Guiando o Povo, um quadro que o Estado adquiriu e que foi exibido poucas vezes, por ter sido considerado excessivamente panfletário. O certo é que a bandeira francesa tremulando nas mãos de uma liberdade resoluta e destemida, prestes a saltar da tela, impressionou um número não pequeno de espectadores.

[620.] - Hoje...

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... É

o segundo dia do Id al Fitr - Fim do Ramadão!

Dia Mundial dos Animais da Quinta (os que se comem, a bem dizer)
Dia Mundial do Habitat

... Faz

80 anos que S. Josemaría Escrivá fundou o Opus Dei

... É feriado
na Guiné – por ser o Dia da República – lembra o 2 de Outubro de 1958
na Índia – comemorando o Aniversário de Mahatma Gandhi – que nasceu a 2 de Outubro de 1869

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

[619.] - Mercuri dies

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Festa da Identidade e da Memória
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Sugestão de comemoração dos 25 anos da vila da Pampilhosa, do bicentenário da Batalha do Buçaco e do centenário da República, em Setembro e Outubro de 2010
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A comemoração de datas relevantes da História nacional ou local é sempre ocasião privilegiada para se promover uma reflexão sobre a consciência que temos do nosso passado e dos valores que, de forma empenhada, queremos projectar no futuro. Deixar passar em claro aniversários de importantes datas do património histórico colectivo é lamentável e constitui um esbanjamento de oportunidades para a afirmação das características e da cultura social das pessoas que constituem uma comunidade.
É na base deste pressuposto que se assinala, de forma quase religiosa, um pouco por todo o país, cada aniversário da Revolução dos Cravos. Foi na certeza de que constitui sua obrigação que o Jornal da Mealhada assinalou, em 2006, o 170.º aniversário da criação do concelho da Mealhada e que, na edição de 27 de Agosto de 2008, lembrou o quinto aniversário da elevação da Mealhada à categoria de cidade. Lembramos apenas iniciativas jornalísticas de um passado mais próximo. Lamentamos, no entanto, não termos sido acompanhados neste trabalho, e em qualquer destas ocasiões, por outras entidades públicas ou privadas.
Será desnecessário elencar a mais-valia cultural, cívica, política e até pedagógica que constitui a celebração, devidamente preparada, de factos históricos ou os actos públicos que tragam à memória da população personalidades importantes para o desenvolvimento da comunidade. Lembremos, e apenas a título de exemplo, o conjunto de actividades de índole intelectual, entre os quais serão de destacar os trabalhos de investigação, que foram desenvolvidos para as comemorações, em 2003, do centenário do falecimento do Professor Doutor Augusto Costa Simões, e, em 2006, do centenário da fundação da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
É com base em tudo isto que nos atrevemos a deixar uma declaração e uma sugestão destinada a todas as pessoas da comunidade concelhia, às suas associações, às autarquias do Município da Mealhada, é às entidades militares e religiosas, entre outras.
Por elementos responsáveis pela organização do 29.º encontro dos alunos, professores e funcionários do Colégio da Mealhada, tivemos conhecimento de que estará em debate, no próximo sábado, dia 4, que é a data da realização desse encontro, a forma como se poderá proceder à comemoração do centenário da fundação desse estabelecimento de ensino — comemoração essa que passará, julgamos que inevitavelmente, pela homenagem ao Padre Dr. António Antunes Breda. A declaração que queremos aqui deixar é de apoio e de incentivo e, também, de disponibilidade para dar colaboração naquilo que a comissão organizadora entender pertinente. Falamos, naturalmente, de colaboração para além das obrigações naturais que decorrem do facto de sermos um órgão de comunicação social.

A sugestão que deixamos, noutra área, é a de que sejam dados passos no sentido da organização de uma comemoração condigna, em Setembro e Outubro de 2010, de um conjunto de acontecimentos que se podem celebrar, quanto a nós, de forma coordenada. No dia 25 de Setembro de 2010, faz vinte e cinco anos que a Pampilhosa foi elevada à categoria de vila. Dois dias depois, em 27 de Setembro, completa-se o segundo centenário da Batalha do Buçaco, e o primeiro centenário da inauguração, pelo Rei Dom Manuel II — no seu último acto público —, do Museu Militar do Buçaco. Uma semana depois, o dia 5 de Outubro é o do primeiro centenário da implantação da República em Portugal. A propósito dir-se-á que, esse mesmo dia, é o do 865.º aniversário da assinatura do Tratado de Zamora, que oficializou a independência de Portugal, e o do 494.º aniversário da entrega do Foral da Mealhada e Vacariça aos dignatários deste concelho.
Consideramos que os aniversários da elevação da Pampilhosa à categoria de vila, da Batalha do Buçaco e da implantação da República, que ocorrem em aproximadamente dez dias, constituem uma oportunidade única para enriquecer o ano de 2010 com um significativo conjunto de celebrações. Celebrações essas que poderão ser um estímulo para a investigação histórica — e, nesse campo, muito há a fazer em relação à Batalha do Buçaco e à influência que ficou da passagem de ingleses e franceses pela região, à importância da Maçonaria republicana na Pampilhosa, por exemplo —, para a homenagem de personalidades, como Wellington, com o monumento que leitores do Jornal da Mealhada já nestas páginas reclamaram, ou como Joaquim da Cruz, da Pampilhosa, ilustre figura de republicano e presidente da Câmara da Mealhada. O conjunto de iniciativas a concretizar nessa ocasião deverá motivar o convite à presença do Chefe de Estado num momento que se considere como ponto alto das comemorações.
Sugerimos à Câmara Municipal da Mealhada a constituição, em breve, de uma comissão de personalidades que comece a pensar na comemoração destes acontecimentos. Um gesto que deve ter a colaboração, desde logo, da Junta de Freguesia da Pampilhosa, da Junta de Freguesia do Luso, da Direcção de História e Cultura Militar do Exército Português, da Comissão para as Comemorações dos 200 anos da Guerra Peninsular, e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
Pode achar-se que, faltando dois anos, o tempo que resta é muito. Não é o que pensamos. À sugestão por nós apresentada, associamos a convicção de que só a falta de tempo é problema e a de que, com eleições autárquicas daqui a um ano, ou se começa a trabalhar agora, ou então nada acontecerá.

[618.] - Hoje

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Hoje...
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Assinala-se o Fim do Ramadão — (Chamado de ‘Ida l Fitr’). A wikipédia diz que: «Id al Fitr - Eid ul-Fitr (Árabe: عيد الفطر) - quer dizer "o banquete do término do jejum". No encerramento do mês do Ramadão, no primeiro dia do mês de Shawwal, é um feriado celebrado durante três dias. Banquetes são servidos, presentes são trocados, roupas novas são vestidas. Amigos e familiares rezam em congregação e fazem banquetes. Em muitas cidades islâmicas grandes festividades são realizadas para celebrar o ‘Id al Fitr.Está prescrito nesta festa a prática da Zakat al fitr, doação de esmolas da quebra do jejum».

Curiosamente, ou não, para os judeus hoje é, também, dia de festa. Roch Hachanah — O Ano Novo Judaico de 5769.

pelo mundo...

Bangladesh — Durga Puja (Saptami)


China
Dia Nacional
Fundação da República Popular da China, em 1949





Chipre — Dia da Independência — Independência do Chipre e, 1 de Outubro de 1960 depois de negociações entre o Reino Unido, a Turquia e a Grécia
Iraque — Eleições nas províncias
Israel – Fast of Gedaliah
Kuwait — Dia do Funcionário Público
Mianmar — Feriado
Nigéria — Independência da Nigéria, do Reino Unido, em 1960
Uzbequistão — Dia dos Professores
Ruanda — Dia dos Patriotas
São Marino — Dia da Investidura de um novo Regente
Tuvalu — Dia Nacional — Em 1974, os polinésios votaram pela separação da Micronésia das Gilbert Islands. No ano seguinte as Ellice Islands decidiram constituir-se como a Colónia Britância de Tuvalu. Em 1 de Outubro de 1978 tornou-se independente.
Ilhas Palau – Independência
Camarões — Dia da Unificação

Na Roma Antiga: Festival de Fides, deusa da palavra e do destino

Dia Nacional da Água
Dia Internacional do Guaxinim
Dia Internacional do
Idoso
Dia Internacional da Música (Dia de Santa Cecília)


Há quem diga que Pedro Hispano, o Papa João XXI, foi o único papa português. A informação está tecnicamente certa... Mas em 366, no dia 1 de Outubro, era eleito o 37.º sucessor de Pedro, Dâmaso I. Não era português, é certo, até porque Portugal não existia. Mas Dâmaso nasceu em Idanha-a-Velha, uma terra das minhas raízes, e não posso deixar de sentir afinidades com ele. De Idanha-a-Velha para Roma... Foi um papa importante e tenho, por isso, de sentir orgulho pelo homem!