quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

[691.] - O discurso do Rei - Parte II

O ano de 2009…
O caminho é estreito mas existe

Classificado, antes mesmo de se iniciar, como annus horribilis, 2009 começou há poucos dias mas tem já, sobre si, uma carga bastante pesada. As perspectivas económicas não são promissoras, há indicadores que prenunciam o aumento do desemprego, da pobreza e da exclusão social. Será, assim o dizem os analistas, o ano da crise. No seu discurso de Ano Novo, o Chefe do Estado, Prof. Cavaco Silva, exortando os portugueses no sentido de não se deixarem dominar pelo desânimo disse: “Não tenham medo!”. No mesmo sentido, à sua maneira, vem a tirada do grupo de humoristas ‘Gato Fedorento’ sugerindo a passagem directa do ano de 2008, para o ano de 2010, evitando assim o ano de 2009.
A ideia de classificar um ano do calendário como horribilis — horrível — ou mirabilis — milagroso — decorre da tradição poética britânica e ganhou maior popularidade quando a monarca de Inglaterra, Isabel II, declarou que os factos do ano de 1992, na família real britânica, tinham feito deste um annus horribilis. O antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan com o mesmo epíteto classificou o ano de 2004 — aludindo à catástrofe do tsunami na Ásia e, também, às suspeitas de corrupção nas estruturas internas da ONU. Também o ano de 2007 foi considerado horribilis por Juan Carlos, rei de Espanha — devido a problemas do foro intimo da família real, aos incidentes separatistas anti-monárquicos que se verificaram no seu país e ao conflito entre ele e o Presidente República da Venezuela.
Sem o dizer textualmente, Cavaco Silva, Presidente da República, classificou também o ano que agora começa como um annus horribilis. Aguardava-se do Chefe do Estado português, dias depois do puxão de orelhas que deu aos deputados da Assembleia da República, uma declaração de Estado com uma análise ao trabalho do Governo. Cavaco Silva não o fez — criticou apenas os “oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos parceiros europeus”, fazendo sobressair a verdade que entendeu ter de ser dita: “Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz”. O Presidente da República preferiu dirigir “uma palavra especial de solidariedade a todos os que se encontram em situações particularmente difíceis”. Palavra endereçada, de forma sublinhada, aos que perderam o emprego e rendimentos, aos jovens que não conseguem o primeiro emprego, aos pequenos comerciantes, e aos agricultores.
Num discurso particularmente escuro, que fomenta o cepticismo, e que é, até, na nossa opinião, angustiante, Cavaco Silva declarou sentir-se impelido a dizer a verdade — uma verdade que custa ouvir: “2009 vai ser um ano muito difícil!”. “A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes. É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca”, disse Cavaco. “As ilusões pagam-se caro. O caminho é estreito, mas existe. E está ao nosso alcance”, acrescentou.
Sublinhamos, ainda, as palavras que Cavaco Silva dirige aos partidos políticos. Lembramos que se realizarão nos próximos doze meses três actos eleitorais — a eleição para o Parlamento Europeu, as eleições autárquicas e as legislativas. Sendo as duas últimas de especial relevância politica e económica, e mais susceptíveis à demagogia e ao populismo. Cavaco é muito directo: “Os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está, de facto, centrada no combate à crise. Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os problemas das pessoas”.
Cavaco Silva, pessoa a que já alguém chamou, um dia, timoneiro e homem do leme, garante estar atento, mas não nos tranquiliza. Sem pretendermos colocar no mesmo plano o discurso do Chefe de Estado e o do Gato Fedorento, lembramos que Cavaco Silva exprime uma ideia semelhante à do referido grupo humorístico: “O futuro é mais do que o ano que temos pela frente. O futuro será 2009, mas também os anos que a seguir vierem”.
Condenados a atravessar este ano, mais ou menos angustiados, com mais ou menos motivos para ter esperança, lembremos que 2009, para além de ser o Ano Internacional da Astronomia, é, note-se bem, o Ano Europeu para a Criatividade e Inovação. Criatividade e inovação que, em época de crise, tão necessárias são, tanto jeito dão, tantas oportunidades poderão criar e tantos sucessos podem proporcionar.
Não tenhamos medo! O caminho é estreito mas existe, frisou Cavaco Silva. Aceitemos trilhá-lo, com criatividade e sentido de inovação.

Editorial do Jornal da Mealhada de 07.01.09

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

[690.] - O PM foi à televisão

O Primeiro-Ministro foi à televisão. Eis uma boa razão para parar o que estava a fazer - até porque estava a escrever sobre o discurso de Cavaco na mensagem de Ano Novo - e ir ouvir o presidente do conselho... de ministros.
No final, fiquei mais angustiado do que quando o debate (será esse o nome apropriado, mais do que entrevista) começou.
E fiquei logo angustiado porque o primeiro-ministro fez asneira quando falou do estatuto dos Açores. Foi disparate e custa-me ver as pessoas a dizer disparates.
Angustiado porque a autoridade do Chefe do Governo saiu daquele estudio pelas ruas da amargura. Ricardo Costa, reputado jornalista - da SIC e agora do Expresso - portou-se muitissimo mal. Deu ali duas ou três lições de jornalismo de trazer por casa. E angustia-me ver boas pessoas a fazer disparates.
Ricardo Costa tratou o entrevistado como se este estivesse num estado de inferioridade intelectual. Gabarolou-se de conhecer melhor os dossiês e a Constituição do que Socrates. Dirigiu-se a ele como se fosse um colega da sueca do café e estivesse a discutir o espalho do Quique. Deu a sua opinião variadissimas vezes, chegando mesmo ao rídiculo de afirmar: "Aposto que o Tribunal Constitucional vai chumbar o estatuto!". Aposta? O entrevistador aposta? O que é isto?
Ricardo Costa fez perguntas despropositadas numa entrevista em directo: "Já perguntou a Alegre se ele vai fundar um partido novo?"... É fácil imaginar o telefonema: "Está Alegre, olha, vais-me espetar uma faca nas costas? Ah sim, obrigadinho. Até amanhã!"
Apreciei o resto da prestação de Socrates, percebi o desnorte do José Gomes Ferreira, perante as atoardas do Ricardo Costa. E acima de tudo cheguei à conclusão de que estamos fornicados. O primeiro-ministro tem o discurso ensaiado, não precisa sequer das cábulas que o Ricardo Costa tinha no teleponto, sabia a mensagem que tinha para dizer... mas não faz ideia do que é preciso fazer para nos tirar desta maldita crise!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O dia está a chegar ao fim e amanhã alvorecerá um novo ano.
A todos os que por aqui passam, pelos bons e pelos maus motivos,
A todos os que me dão o prazer da sua amizade,
A todos os que se preocupam comigo e que me ocupam a preocupação,
A todos, de forma geral,
desejo um feliz ano novo.
O ano de 2008 foi dos melhores da minha vida. Agradeço a Deus e aos que me rodeiam por isso. Que de hoje a um ano, todos os que nos lêem, e eu próprio também, tenham razões para repetir estas palavras!
Na imagem escolhida vejo o mundo a rodar e o tempo a passar.
Não esqueço este mundo de Portugal, de Europa, mas também de São Tomé e de África...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

[688.] - A Guerra das Rosas

É oficial, começou a Guerra das Rosas!
A Guerra que, tal como a dos Lancasters e Yorks, em Inglaterra, há 650 anos, opõem duas facções na vontade em controlar o Conselho Real e o trono - a família dos Cabralistas, com Carlos Cabral como pretendente, e a família dos Marqueiristas, sendo Rui Marqueiro o pretendente. Não se trata do trono do reino, mas o trono que é a cadeira de presidente da Câmara Municipal da Mealhada.
A guerra é travada não só no seio do Partido Socialista, mas também nesse seio.
Uma guerra que estava latente há muitos meses, mas que ontem, na reunião da Assembleia Municipal da Mealhada se tornou evidente, clara, oficial. Esta clarificação chegou mesmo a traduzir-se numa votação que deixa ambas as famílias contentes e ambas as famílias frustradas.
Mas vamos aos factos:
Discutia-se ontem, na reunião da Assembleia Municipal da Mealhada, para além de outros assuntos, a aprovação de um mapa de pessoal dos funcionários da Câmara. Mapa de pessoal que o presidente da Câmara, Carlos Cabral, disse ser obrigatório - face a uma nova lei - e urgente, quando há 127 novos funcionários vindos do Ministério de Educação que carecem de 'arrumação'.
Miguel Felgueiras, duque da família Marqueirista, acusou o camarada de partido e presidente da Câmara de falta de ética, ao querer mudar o mapa de pessoal a oito meses das eleições, dizendo ainda que considerava absurdo a criação de dois departamentos e uma nova divisão na estrutura orgânica municipal. Invocou ainda uma lei de 1984 que estabeleceria que não poderia haver lugar a alterações do mapa de pessoal sem uma aprovação, em assembleia municipal, de uma alteração do organograma municipal. Rui Marqueiro não abriu a boca em toda a discussão, escusando-se até a gerir os pedidos de palavra.
Cabral socorreu-se da jurista da corte, pelo que se percebeu a autora do mapa, que declarou a Felgueiras que a lei que invocava estava revogada. Felgueiras não aceitou a opinião da jurista e lamentou ter sido interpelado por uma serviçal...
Cabral perguntou então, em forma retórica, se Felgueiras entendia haver necessidade de instrumentalização partidária nas admissões por concurso público - uma vez que tinha dito considerar que novo presidente em novo mandato não deveria ter que levar com funcionários recém admitidos.
Dá-se então a machadada final, a declaração de guerra, a bofetada que espoleta o barril da pólvora: Felgueiras apresenta proposta, em nome do Partido Socialista, em papel timbrado, em que propõe a aprovação de um outro mapa de pessoal sem a criação dos dois departamentos e da nova divisão.
Cabral diz lamentar que os camaradas de partido não o tenham informado da proposta e das divergências de opinião na reunião preparatória tida na véspera e Felgueiras responde que a assembleia era o lugar certo para o fazer. Estava dado o passo fatal, o caminho sem retorno.
O PSD assistia à discussão com serenidade. Quando percebeu que o assunto ia a votação e que teria de optar por Marqueiristas ou Cabralistas, pediu a suspensão da reunião para parlamentar. A discussão não deve ter sido fácil porque demorou.
Marqueiro, no topo da sala, estava nervoso. Cabral estava tenso.
A reunião recomeçou, foram dados esclarecimentos e foi a votos. Era a hora da verdade!
- Quem vota contra a proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Nove pessoas: Augusto Oliveira e António Breda (CDU, fidelíssimos), Tony Luís, Vitor Gomes e os representantes das juntas do Luso, Barcouço, Pampilhosa, Vacariça e Casal Comba (todos socialistas cabralistas).

- Quem se abstém da proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Duas pessoas: Álvaro Madeira e o presidente da Junta da Antes (ambos do PS)

- Quem vota a favor da proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Dezasseis pessoas: (Foto é prova) 8 do PSD - Mano Soares, António Ferreira, Luís Brandão, Filipa Pereira, Pedro Duarte, Pedro Paiva e os presidentes das juntas da Mealhada e Ventosa; 8 do PS-M - Rui Marqueiro, Manuel Paredes, Miguel Felgueiras, Júlio Penetra, António Ribeiro e Lurdes Bastos.



Ficaram ambas as famílias contentes? Sim. Os Marqueiristas porque ganharam a primeira batalha. Os Cabralistas porque mostraram que há divisão, que os barões (presidentes de junta) estão com eles e isso é importante porque cada um deles também tem exército.

Ficaram ambas as famílias frustradas? Sim. Os Marqueiristas porque precisaram da muleta do PSD para ganhar, uma vez que falharam votos como o da Junta da Antes... Os cabralistas porque perderam a primeira batalha com ferimentos graves... nas costas!

Os franceses, que é como quem diz os do PSD é que, * ofuscados com o sangue da guerra, se esqueceram de fazer politica e reivindicar os despojos. Foi oportunidade falhada que pode não voltar a repetir-se.

A Primeira Batalha de St. Albans está feita. Ganharam os de York, os Marqueiristas. A segunda batalha é a de Blore Heath reza a história que ganhariam aí os de Lancaster... a ver vamos!

[687.] - O discurso do Rei - Parte I

O Chefe de Estado ontem falou à Nação.
Certeiro, simples, disse o que tinha a dizer e saiu.
Falou em valores como a lealdade, o serviço à Pátria, a moral política.
Foi muito crítico e apresentou-se desiludido e frustrado.
Puxou as orelhas aos profissionais do metier e isso parece ter doído.

O Chefe de Estado portou-se à altura. Não percebi muito bem porque razão é que não enviou ele próprio o assunto para análise do Tribunal Constitucional, mas enfim.
As criticas que fez aos partidos políticos deixaram-me assustado e com aquele sentido de orfandade-a-vir, ou seja, os partidos políticos não são garante de sobrevivência nacional, quando estamos mal eles ainda nos fornicam mais...

Mas é neles que reside a chave da democracia... Por quanto tempo?


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

[686.] - Juízo do Ano 2008 - Prólogo -

Como vem sendo hábito, o Fio dos Dias procurará identificar as figuras, factos, produtos que se destacaram no ano velho.

Ando em prospecção e analisando o que poderá resultar na nossa análise pessoal.

Mas desta vez queria pedir ajuda.
Será que não dá para a malta que por aqui passa me deixar o seu contributo?


Nos comentários ou para ncastelacanilho@gmail.com
Pode ser?

ADENDA 1
AS CATEGORIAS: a) - PERSONALIDADE DO ANO; b) - PERSONALIDADE NACIONAL DO ANO; c) - PERSONALIDADE LOCAL DO ANO; d) - FACTO INTERNACIONAL DO ANO; e) - FACTO NACIONAL DO ANO; f) - FACTO LOCAL DO ANO; g) - BLOGUE DO ANO; f) - BLOGUE LOCAL DO ANO; h) - BLOGUER DO ANO; i) - MÚSICA DO ANO; j) - GRUPO MUSICAL DO ANO; k) - LIVRO DO ANO; l) - ESCRITOR DO ANO; m) ATLETA INTERNACIONAL DO ANO; n) ATLETA NACIONAL DO ANO; o) ATLETA LOCAL DO ANO.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

[685.] - Hoje é Dia de Natal

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença,como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos.Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas.

Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado.

Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro Admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

Isaías
NOITE DE NATAL (ANO B)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

[684.] - Mercurii dies

Esperança.

O Natal é tempo do elogio da esperança, a época propícia para pensarmos nela, para termos confiança e para conduzirmos as nossas vidas impelidos por ela.
Podemos justificar esta afirmação — a do Natal como tempo do elogio da esperança — com o comportamento da própria natureza e com a tendência que o Homem tem de dar à realidade natural uma dimensão simbólica.
Antes de Cristo nascer ou de se ter estabelecido que neste tempo do calendário se evocaria o Seu nascimento, já os homens celebravam a esperança, como factor de confiança da chegada de melhores dias. Faziam-no motivados pelo fenómeno do solstício de Inverno — momento a partir do qual o dia passa a ser maior do que a noite, o período de luz solar passa a ser superior ao período de escuridão. Deste facto astronómico terá nascido a ideia de que neste momento a Luz vence a Treva, o Bem vence o Mal.
Celebrações associadas à luz, à mudança de ciclo solar, e à esperança da transformação a ela associada. Com a implantação do cristianismo, os cristãos começaram a evocar, também, o nascimento do Salvador, como início de um tempo novo, de uma nova aliança entre Deus e os homens. E Cristo, o Salvador — o Deus-Filho incarnado, o Messias prometido — é esperança para cristãos, mas, também, de certo modo, esperança para os muçulmanos. Jesus é considerado no islamismo como grande profeta.
Hoje, mais do que a significação atribuída ao ciclo solar, é a necessidade humana de sobrevivência que nos conduz à invocação e à utilização da esperança como apoio, como suporte, como uma espécie de muleta, espiritual, anímica, para as nossas vidas. Uma invocação e utilização que vai muito para além da fé, da espiritualidade ou sequer da religião. Trata-se de um esperança racional, a de percebermos que, em tempo de crises, que prometem agravar-se, precisamos de nos precavermos, de nos prepararmos material e espiritualmente, de observarmos a realidade que nos rodeia e arriscar, investir em segurança, consumir responsavelmente, para que a economia saia do estado de estagnação em que se encontra e volte a crescer.
Em finais do ano de 2007, e durante o ano de 2008, falou-se da mais recente encíclica do Sumo Pontífice da Igreja Católica, o Papa Bento XVI, sobre a Esperança — Spe salvi. Também em 2008, perante o olhar atento de todo o planeta, foi eleito para presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, um homem que escolheu como ideias e palavras de ordem da sua campanha ‘Esperança’ e ‘Mudança’, e como lema, a frase “Yes, we can” — Sim, nós podemos. Estes dois factos serão uma coincidência ou uma demonstração de que o Homem contemporâneo tem sede de esperança, e que a satisfação dessa sede é prioridade absoluta? Prioridade espiritual, prioridade social, prioridade mundial.
A todas as pessoas das nossas relações, a quem se justificaria a oferta de algum bem material, não seria mais positivo dirigirmos uma palavra de esperança — “Uma esperança fidedigna, graças à qual se possa enfrentar o tempo presente”, como disse Bento XVI?
“O presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (encíclica Spe salvi).

Editorial do Jornal da Mealhada de 23 de Dezembro

domingo, 21 de dezembro de 2008

[683.] - Hoje é o Quarto Domingo do Advento

Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo:«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo; bendita és tu entre as mulheres». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo:«Como será isto, se eu não conheço homem?»
O Anjo respondeu-lhe:«O Espírito Santo virá sobre tie a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhiceporque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:

«Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Evangelho segundo Lucas
IV DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

[682.] - Mercurii dies

Os Direitos e os Homens
A propósito do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem

Assinalou-se na quarta-feira, 10 de Dezembro, o sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Do conjunto vastíssimo de iniciativas referentes ao tema e evocativas da data, destacamos uma que nos tocou especialmente — a do Bispo do Porto, Manuel Clemente, num colóquio sobre o tema realizado na Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa sob o título “Direitos do Homem e Bento XVI”.
Na sua intervenção, o Bispo do Porto, um dos mais brilhantes prelados portugueses, defendeu que “neste novo século que vivemos, a oportunidade da Declaração e a substancialidade do que ela afirma nos seus vários artigos é, de algum modo, ainda mais urgente do que o foi no início”. A justificação dada para tão peremptória afirmação assenta na “certa rarefacção cultural que atinge o mundo ‘ocidental’ e, a partir dele, se difunde relativizando muito do que foi afirmado, tornando mais ténues do que pareciam ser as afirmações da Declaração de há sessenta anos. Pelo ambiente e pela prática, mesmo legislativa, de vários países signatários, dizer hoje, por exemplo, que ‘todo o indivíduo tem direito à vida’ (artigo 3.º), ou que ‘a família é o elemento natural e fundamental da sociedade’ (artigo 16.º), não encontrará um entendimento tão geral e unívoco como em 1948”.
Manuel Clemente prosseguiu numa explanação que visava salientar a reflexão do Papa Bento XVI a propósito do documento sexagenário. Mas foi a ideia de Manuel Clemente, que citámos, a que, de maneira mais forte, nos interpelou. Seremos hoje menos sensíveis à importância da vida e da família humanas do que há 60 anos?
Em 1948 o mundo sofria com as feridas abertas da Segunda Guerra Mundial, feridas que exigiram, da parte da comunidade internacional, algo de verdadeiramente sólido e universal, erga omnes — para todos os homens. Algo que protegesse a humanidade da repetição dos enormes atropelos que tinha sofrido entre 1939 e 1945. Assim nasceu a Declaração Universal dos Direitos do Homem, texto esboçado pelo canadiano John Peters Humphrey e, depois, amplamente discutido e aprovado na ONU.
“Infelizmente, as seis décadas que entretanto se volveram não ficaram ilesas de outros atropelos, repetindo abusos e esquecendo valores que pareciam finalmente universais, em termos de humanidade assegurada e geral”, diz também o Bispo do Porto.
A declaração universal tornou-se uma arma de protecção contra a crueldade da própria natureza humana. Em 1948 “a família humana reagia aos horrores da II Guerra Mundial, reconhecendo a sua própria unidade assente na igual dignidade de todos os homens e pondo, no centro da convivência humana, o respeito pelos direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos; tratou-se de um passo decisivo no árduo e empenhado caminho da concórdia e da paz”.
Direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos que, nesta declaração universal, assentavam nas liberdades individuais — de expressão, circulação, emancipação, manifestação — de cada pessoa acima de tudo, no direito ao desenvolvimento, à educação, à solidariedade social. A declaração universal dos Direitos do Homem foi, também, inovadora no âmbito da responsabilização colectiva da satisfação destes direitos. Contrariamente aos direitos sociais, económicos e laborais nascidos do liberalismo do século XVIII, na América e em França, e que tomaram força de lei em meados do século XIX, que responsabilizavam o Homem e o Estado, a declaração universal de 1948 responsabilizava o Homem perante o Homem.
A segunda metade do século XX, fortalecida pela declaração universal, valorizou a liberdade e o desenvolvimento dos povos de todo o mundo, o direito à auto-determinação dos povos, especialmente dos que saíram da colonização europeia.
E actualmente? Teremos esgotado o potencial social de crescimento no âmbito do aprofundamento do humanismo? Dito de outra forma: Seremos hoje menos sensíveis à importância da vida e da família humanas do que há 60 anos?
Consideramos que não. A declaração universal dos Direitos do Homem não precisa de ser reescrita, mas precisa de ser relida. Relida no sentido de reconhecermos a importância do direito ao alimento — do direito a não passar fome —, do direito ao acesso à água potável, do direito à sustentabilidade do planeta, do acesso à cultura, à educação e à informação, por exemplo.
E, ainda, retomando as palavras e a preocupação do Papa Bento XVI e do Bispo Manuel Clemente, precisamos de revalorizar o papel da família, do direito à família, enquanto estrutura basilar do ser humano como ser social. “Quem, mesmo inconscientemente, combate o instituto familiar, debilita a paz na comunidade inteira, nacional e internacional, porque enfraquece aquela que é efectivamente a principal agência de paz”, afirma o Sumo Pontífice da Igreja Católica.
Quando nos preparamos para viver o Natal e somos interpelados pelo sexagésimo aniversário de um documento — o que em maior número de línguas se encontra traduzido — não podemos deixar de o reconhecer como proposta salutar de globalização pelos valores da vida humana e da família que o povo da Terra constitui, e, “sobretudo, a antropologia que vê no homem um sujeito de direito precedente a todas as Instituições, com valores comuns a serem respeitados da parte de todos” — usando as palavras de Bento XVI.

Editorial de 17 de Dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

[681.] - Hoje é o Terceiro Domingo do Advento

«Irmãos:
Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus.
Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos;

mas avaliai tudo, conservando o que for bom.»

Primeira Epístola de Paulo aos Tessalonicenses
II DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)

[680.] -


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

[679.] - Hoje é 10 de Dezembro II

É o dia do 23.º aniversário
do Jornal da Mealhada
Mais do que o título, a empresa ou os antigos e actuais redactores, é o concelho da Mealhada que está de parabéns!

[677.] - Hoje é 10 de Dezembro

Dia dos Direitos Humanos
60.º aniversário da assinatura da Declaração dos Direitos do Homem


Portugal disponível para acolher prisioneiros de Guantanamo

Para perceber como, ver AQUI (Jornal de Noticias) e AQUI (versão integral da carta no MNE).

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

[678.] (07) - Saudades do Paraíso


«Trabalhando, lutando, presente em vencendo,
Caminhamos a passos gigantes
Na cruzada dos povos africanos,
Hasteando a bandeira nacional.
Voz do povo, presente, presente em conjunto,
Vibra rijo no coro da esperança
Ser herói na hora do perigo,
Ser herói no ressurgir do País.»

Do hino nacional de São Tomé e Principe, escrito por Alda do Espírito Santo.

[676.] - Hoje é 9 de Dezembro

Dia Internacional contra a corrupção

domingo, 7 de dezembro de 2008

[675.] - Hoje é Segundo Domingo do Advento

«Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Está escrito no profeta Isaías:
"Vou enviar à tua frente o meu mensageiro,que preparará o teu caminho.Uma voz clama no deserto:

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas".»

Evangelho segundo Marcos
II DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

[674.] - Hoje é 5 de Dezembro

Hoje é Dia Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Económico e Social

[673.] - Hoje é 5 de Dezembro


Dia de São Geraldo
Padroeiro de Braga e da nossa Lameira com o mesmo nome

Geraldo de Moissac era francês, mas transformou-se num personagem essencial para a formação de Portugal, ao consolidar a Arquidiocese de Braga como metrópole eclesiástica de toda a Galiza e noroeste da Ibéria, no século XI.

«Nascido de família nobre, Geraldo era natural da diocese de Cahors (França), tendo professado na Abadia de Moissac. Foi visitador de mosteiros de obediência desta localidade e chantre da Sé de Toledo. Eleito bibliotecário do mosteiro, tal o seu fervor pela leitura, dedicou-se ao ensino dos monges menos instruídos, tanto na música como nas artes.
Nas reuniões capitulares distinguia-se pela sua eloquência e erudição, desde logo porque era versado em Gramática, cujo exercício regia doutamente.
Em Abril de 1096, Geraldo encontra-se já em Braga, governando a diocese e fazendo todos os esforços para engrandecer a Igreja local, de que é testemunho o facto de ter conseguido do papa Pascoal II a dignidade de Braga como Metrópole da Galiza.
A sua acção em prol do engrandecimento da Igreja bracarense registou sempre o apoio do conde D. Henrique, então titular do Condado Portucalense, sendo vários os relatos que o implicam nas circunstâncias que haviam de favorecer a fundação de Portugal. É com base nessa intervenção “política” que chegou até nós a informação de que terá sido precisamente o primeiro arcebispo metropolita a baptizar o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Geraldo terá morrido no concelho de Vila Pouca de Aguiar, quando, em Dezembro de 1108, por lá andava em visita pastoral. Foi então trazido para Braga e sepultado na capela que edificara em honra de São Nicolau, junto da Sé. Cedo foi organizado o seu processo de canonização e, em fins do século XII, aparece já como padroeiro da diocese que eficazmente governara.»

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Fonte Agência Ecclesia
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Eis a forma encontrada de ver se a malta da Lameira paga um copito pela festa...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

[671.]

Que a Força esteja contigo!

Que vantagens advêm de estar do Lado Bom da Força?

Estar sujeito ao desafio. Ser constantemente posto à prova. Não ter descanso nem desculpa, apesar da dedicação, da fé, da entrega, da disponibilidade, do desprendimento. É desconfortável e, acima de tudo, injusto.

Estar do lado Bom da Força é como olhar-se à volta e ver-se os que estão do lado Mau ou não têm lado a ter grandes vitórias... Acontece que as vitórias deles são de jogos da III Distrital e estar do Lado Bom da Força significa jogar para a Liga dos Campeões. Os jogos são mais complicados mais a vitória é mais saborosa.

No lado Mau da Força as vitórias são muitas, tudo parece fácil, e de grandes contentamentos. Só que antes do gozo total, antes do usufruto absoluto, é a própria Força que tudo dissolve e tudo se esfuma.

Estar do lado Bom da Força é estar com a Justiça, com a Paz, com a Luz. Não é fácil, mas só o que não é fácil é que vale a pena... é que não se esfuma!

[670.] - Mercurii dies

O Natal e as crises (a financeira e a económica)

Desde o princípio do mês de Novembro que as montras dos estabelecimentos comerciais se engalanaram com motivos natalícios para procurar convencer os consumidores a fazer compras. O facto de a campanha de Natal começar tão cedo estará relacionado com a urgência que os empresários têm de realizar dinheiro? Será pacífico entender-se que sim, apesar de, desde há já alguns anos, graças à febre consumista, a época natalícia começa cada vez mais cedo, e ter cada vez com maior duração, obviamente.
A crise, como já aqui o dissemos, está oficializada, é efectiva e todos têm consciência disso. Consciencializámo-nos, também, de que, da crise financeira (verificada quando as pessoas não dispõem de dinheiro para gastar em bens de consumo), passámos já à crise económica (quando toda a economia, enquanto rede global de transacções de bens e serviços, perde vitalidade em consequência da quebra do consumo).
A época natalícia é a altura, no ciclo de doze meses, em que mais transacções comerciais, de vários tipos e ordens de grandeza, se operam. Grande parte dos empresários procura compensar nesta quadra o proveito que não obteve noutras alturas. É natural que assim seja. E é importante que todos procuremos colaborar com isso.
Pensamos que seria importante que todos, nesta altura de dificuldade, especificamente, quando reflectíssemos sobre o tipo de compras a efectuar e sobre os locais onde as fazer, procurássemos colaborar no sentido de exercer a solidariedade natalícia de uma forma mais global. Se consumirmos o nosso pecúlio para as compras de Natal nos estabelecimentos comerciais locais, no comércio de proximidade, estamos a apoiar empresas, geralmente pequenas ou médias. Ao fazermos isso estamos a contribuir para revitalizar o círculo virtuoso de trocas e transacções de distribuição da riqueza na nossa comunidade local.

Editorial do Jornal da Mealhada de 3 de dezembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

[669.] - Hoje é Dia da Restauração da Independência

1 de Dezembro de 1640
Dia da Restauração da Independência
É muito incómoda para mim a ideia da supressão da soberania nacional. Procuro ser um bom português e respeitar a tradição e a cultura dos meus antepassados. Procuro manter fresca a memória e lamento que muitos de nós ignoremos completamente o motivo pelo qual um dia é feriado nacional.
O 1.º de Dezembro é mais um desses feriados de que ninguém sabe o significado... É pena. Mas alguns dos que o sabem, muitas vezes induzidos em erro, acabam por fazer uma ideia errada das circunstãncias históricas e fazem extrapolações falsas.
- Portugal nunca foi parte da Espanha. Aconteceu que no período entre 1581 e 1640 o monarca soberano dos dois países era o mesmo. Filipe I de Portugal tinha este título, mesmo sendo o segundo monarca com este nome em Espanha.
- Os espanhois nunca conquistaram Portugal. Depois do desaparecimento do rei D.Sebastião teve lugar a crise sucessória porque estava terminada a linha directa de D. João III. Os três pretendentes estariam em igualdade de circunstâncias: Catarina de Bragança, António 'Prior do Crato' e Filipe de Habsburgo eram todos netos do rei D.Manuel I. A primeira era mulher, o segundo era tido como descendente de uma linha ilegitima e sobrava o Filipe, que já na altura era Rei de Espanha. As Cortes de Tomar de 1581 preferiram Filipe e ele tornou-se, também, e para além de muitas outras coisas, Rei de Portugal. Os Filipes eram reis estrangeiros? Seriam tão portugueses como quaisquer outros... eram filhos de uma portuguesa.
- Não há registo de que para Portugal, para além da ferida da União ibérica com supremacia castelhana, esta dinastia tenha sido desastrosa. Portugal não tinha o rei em permanência em Lisboa, mas tinha um vice-rei. Foram tomadas em Portugal algumas medidas importantes para Portugal. A restruturação da Universidade de Coimbra - a construção da tão tradicional Porta Férrea é desse tempo.
Eu também me orgulho do 1.º de Dezembro e dos conjurados e da escolha de D.João IV. Mas não vale a pena dizer disparates para tentar enaltecer o momento. Tudo isto ainda engrandece Portugal que nunca se subjogou à coroa de Espanha.
Em cima, na imagem, as armas de Filipe I de Portugal.

domingo, 30 de novembro de 2008

[668.] - Hoje é começa o Ano Litúrgico

"Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento.
Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse.
Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir.

O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"

Evangelho segundo Marcos
I DOMINGO DO ADVENTO (Ano B)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

[667.] - Hoje é 27 de Novembro

Ou seja é a quarta quinta-feira de Novembro...

O mesmo é dizer que, nos Estados Unidos da América é o 'Thanksgiving', o Dia de Acção de Graças.

É um feriado federal - dos poucos que existem -, antigo e cheio de tradição, e tem como objectivo agradecer, especialmente a Deus, todas as graças - materiais e espirituais - recebidas no ano que passou.

É bonito...

[666.] - Única

Não elogiei a transformação na Revista Única, do Expresso, operada em Setembro deste ano. Para além da mudança gráfica - boa -, houve uma alteração de esquema editorial, que não me agradou. Passou a haver um tema central, analisado de vários pontos de vista, e um conjunto de rúbricas fixas... estilo Notícias Magazine.
Dito de outra forma: a Única passou a ser igual às outras revistas do género - Pública e Notícias Magazine, por exemplo.

Assim quando o tema é interessante a Revista é interessante, quando o tema é uma banhada, a Revista é uma banhada...

É banhada com temas como Mudança ou Televisão, é interessante, muito interessante aliás, tema como Ditadura.

Foi esse o tema da edição do passado sábado. Tema actual, depois da pérola declarativa da Dama de Ferro, a Dr.ª Ferreira Leite - qual cônsul romano a sugerir a ditadura dos tempos da República Romana. E actual também, a três dias do 33.º aniversário do 25 de Novembro. Mas a Única teve a inteligência de ir para além disso.
A edição de 22 de Novembro de 2008 é daquelas para encadernar: Um texto sobre a Bielorrúsia - a última ditadura europeia, que coexiste connosco intra-muros -, uma entrevista a Adriano Moreira - o Príncipe, provavelmente o último e mais brilhante ministro inteligente de Oliveira Salazar -, uma entrevista a Elmano Alves - a primeira entrevista ao último presidente da Acção Nacional Popular, o renovado partido único do Estado Novo marcelista -, e depois textos sobre a autoridade profissional, a autoridade parental, a autoridade sexual, e as ditaduras do gosto e da moda.

Soberba, uma Revista Única.

Adenda de curiosidade...
O posto 666 ser destinado à Ditadura... digam lá que não há coincidências!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

[664.] - Mercurii dies

Por quem os sinos dobram

“Nenhum homem é uma ilha isolada:
Cada homem é uma parcela do continente, uma parte do todo.
Se um torrão é arrastado pelo mar, a Europa fica diminuída, tal como se fosse um promontório, como se fosse um homem ou os teus amigos, ou como se fosses mesmo tu.
A morte de qualquer homem diminui-me porque pertenço à Humanidade.
Por isso nunca te perguntes por quem os sinos dobram: dobram por ti.”

Este é um excerto do texto “Por quem os sinos dobram” de John Donne, poeta inglês dos séculos XVI/XVII. Em 1940, Ernest Hemingway recuperava a ideia e utilizou-o como base para o título do seu romance sobre a Guerra Civil Espanhola, “Por quem os sinos dobram”.
O texto de Donne remete-nos para a relação de cada um com o mundo, com os outros e com a nossa própria vida. Ao mesmo tempo, lembra-nos, de igual modo, a vulnerabilidade da vida às agruras do tempo, da doença, das convulsões sociais e políticas. Entendemos, também, nas palavras de Donne, uma chamada de atenção para a consequência das nossas acções na vida dos outros e vice-versa.
Numa época em que, oficial, efectiva e conscientemente, estamos em crise económica, as palavras do poeta inglês revestem-se de particular oportunidade e interesse. Pudemos comprovar a existência do chamado efeito borboleta — o bater das asas de uma borboleta no Japão (expressão metafórica) provoca uma tempestade na Europa —, com as consequências económicas na Europa da falência de um banco americano. Por outro lado, a eleição de Barack Obama, por exemplo, parece ter insuflado de esperança não apenas os Estados Unidos da América mas todo o mundo. O mundo está hoje muito mais pequeno do que no tempo de Donne, e todos sentimos, na pele e em casa, as consequências de muitas das medidas tomadas em qualquer parte do globo.
Sentimos isto na crise económica que está a assolar o mundo, mas, mesmo economicamente, poderemos dar outros exemplos, como o da indústria e da ofensiva mercantil chinesas que estão a desequilibrar de forma preocupante os preços no mercado europeu. Como há outros, o problema ambiental, o das alterações climáticas, ou o do excedente de produção agrícola e a fome em algumas partes da Terra.
Esta nova dimensão e vulnerabilidade global não nos deve, no entanto, fazer baixar os braços. O criptograma chinês para a palavra crise inclui dois componentes — perigo e oportunidade — a lembrar-nos que não somos meras vítimas dos acontecimentos. Em qualquer crise há o perigo de falhar, falhar no acto de agir apropriadamente ou falhar no acto de agir efectivamente, mas também nos é dada a oportunidade e a justificação para começar de novo, de inovar, de fazer ainda melhor.

Donne, no final do seu texto — e também Hemingway no seu romance — aborda concretamente a vulnerabilidade da vida humana — a morte de qualquer homem diminui-me. De qualquer homem, note-se. Para Donne os homens poderiam ser católicos ou protestantes, para Hemingway seriam republicanos ou falangistas, mas todos importam para a contabilidade aludida. Todos devemos sentir a morte de alguém, mesmo que não conheçamos essa pessoa ou que retenhamos dela apenas a memória de um encontro de breves minutos. O que essa pessoa foi capaz de fazer da sua vida ao serviço dos outros, no seu trabalho, na educação dos seus filhos, no auxilio aos seus amigos, no testemunho do seu sofrimento e da sua coragem, e os reflexos maiores ou menores que tudo isso possa ter tido ou/e continuará a ter na sociedade tudo isso deixa marca, tudo isso fortalece, dá uma perspectiva de perda no momento da morte, por um lado, e, por outro, uma mais forte sensação do valor da vida e das pessoas.

Em memória de Fernando Oliveira Várzeas

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de Novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

[663.] - Hoje é 25 de Novembro

Se eu mandasse, já o disse várias vezes,

Hoje era feriado...

E não era (só) pelo facto de hoje o


'Comandante' José Felgueiras celebrar o seu 75.º aniversário
ou o do Eça de Queiroz...
Era, acima de tudo, por causa disto

[665.] - Hoje é 25 de Novembro

Academia de Coimbra

88.º Aniversário da Tomada da Bastilha
(1920-2008)


Desde 1913 que a AAC tinha a sua sede localizada na Rua Larga, no r/c do velho edifício do Colégio de S. Paulo Eremita que não oferecia as mínimas condições. No andar de cima situava-se o Clube dos Lentes, espaço há muito destinado aos estudantes, mas que tardava em ser cedido.
Insatisfeito com as decadentes instalações, na madrugada de 25 de Novembro de 1920, um conjunto de estudantes dividiu-se em três grupos: um para ocupar a torre da Universidade usando chaves falsas, outro para o assalto ao Clube dos Lentes, e outro para defender a sede da AAC, isto é, o rés-do-chão do Colégio.
Pelas 7 da manhã, a cidade acordava ao som de salvas de tiros e sinos a repicar. "Tomada da Bastilha", expressão que desde a Revolução Francesa simbolizava a luta com os opressores, foi o nome logo associado ao assalto. À noite, a Academia desfilou, da Alta até à Baixa, num cortejo luminoso ao qual se associou a população da cidade. Perante a rebeldia estudantil, o Reitor - depois de reaver o mobiliário - imediatamente cedeu as instalações e assim, a AAC passou a ter sede condigna, onde permaneceu alguns anos.

O dia 25 de Novembro, considerado o "Dia da Academia" foi marcado por um movimento de irreverência estudantil. Recorda-se anualmente este marco de orgulho para todos os estudantes desta Academia. Nesta data, revive-se o acontecimento reconstruindo a "Tomada da Bastilha", onde se inclui o Cortejo de Archotes vindo da Alta universitária até ao edifício da AAC.

Texto da autoria da Lista E às eleições 2008 para a DG da AAC.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

[661.] - Sim, nós (também) podemos

Na sexta-feira, 14 de Novembro, os alunos da Escola Secundária da Mealhada - a melhor do mundo, porque foi a minha - manifestaram-se. Manifestaram-se com classe (tirando meia dúzia de inergumenos que decidiram fazer umas javardices... E digo que se manifestaram com classe por duas ordens de razão.
Em primeiro lugar porque mesmo com os portões escancarados e com os professores no interior da escola os alunos não entraram no espaço escolar - provando que os piquetes muitas vezes só servem para fazer má figura.
Em segundo lugar porque os cartazes que envergaram eram de requintada postura. Um deles, a que tive acesso e cuja foto se apresenta abaixo consta da imagem do presidente eleito dos Estados Unidos da América, Barack Obama, o slogan "Sim, Nós Podemos", e, ainda, um desenho do primeiro-ministro e da ministra da Educação num jacto a caminho do Iraque.

Os alunos da Escola Secundária da Mealhada têm classe, estão informados da realidade que os rodeia - mesmo internacional - e não há duvida que Obama é um icone da modernidade, da esperança e da vontade de mudar o mundo que a Juventude tanto aprecia.

Parabéns ppl!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

[660.]

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Já alguma vez te perguntaste como és sendo escuteiro?

A resposta é simples...
Tens algo que fazer aos sábados porque encontras as pessoas que realmente valem a pena.
Vais acampar, por vezes dizes que não o voltarás a fazer e no entanto voltas a ir.
De certeza que o teu melhor amigo (a) lá esta, e talvez a pessoa que amas também - e se não está tentas leva-lá para o grupo.
Aprendes algo de novo ensinas algo a alguém...
Os miúdos vêem-te te como um exemplo a seguir e tu tens um exemplo a seguir.
Numa festa tua tens mais escuteiros do que colegas de escola e mesmo assim os poucos que lá estão são os que são os realmente importantes.
Comes do mesmo prato que os teus companheiros e recordas os momentos divertidos que passaram à noite quando estavam prestes a dormir.
Preocupas-te tanto com a teu bando, a tua patrulha ou a tua equipa como se fossem a tua família.
O teu dirigente é como um segundo pai ou como o teu irmão mais velho.
Por vezes vêem-te como um bicho raro na rua.
Quando voltas cansado de um acampamento e 99 por cento das vezes chegas a casa comes como um abade, tomas um banho e vais dormir.
Os teus pais aprendem a confiar mais em ti e nos teus amigos pelo simples facto de serem escuteiros e não se sentem embaraçados por dizerem aos seus amigos que o seu filho ou filha e escuteiro enquanto que estes perguntam "o que é isso de escuteiros", "quanto se paga para matricular o meu filho nos escuteiros?"
As pessoas que não sabem o que e ser escuteiro gozam contigo enquanto te sentes mais orgulhoso e contente por saberes que essas pessoas não sabem o que perdem.
Pões toda a gente ao teu redor de boca aberta e atentos sempre que contas aventuras que passaste em acampamentos e actividades.
Se és rapariga não falta quem te diga "como e que gostas de uma coisa que é para homens?".
Se és rapariga dás-te conta de como os rapazes da tua patrulha te tratam bem e não te discriminam por seres rapariga.
Se participas numa actividade nacional ou internacional e garantido que arranjas pelo menos 5 emails de raparigas.
doras mandar-te para uma montanha por mais bravas que sejam as condições e por mais difíceis que sejam as noites ao ouvires alguém a ressonar dentro da tua tenda ou ao sentires o chulé de alguém.
Ao encontrares algum escuteiro que conheceste a muito tempo sentes sempre uma sensação de alegria e dás-lhe uma forte abraço.
Na vida fora dos escuteiros podes fingir ser uma pessoa mas nos escuteiros não consegues evitar seres tu próprio.
Quando te sentes em baixo sabes que tens sempre um amigo escuta que te ouve e que mostra o caminho. Tens sempre um escuteiro que sabe os teus segredos.
Ao chegares a tua sede sabes sempre que tens gente que te quer ver e estar contigo.
Gostas de ver chegar alguém novo ao teu agrupamento e observas a maneira boa ou má de como se comporta na sua actividade e isso faz-te recordar o teu primeiro dia nos escuteiros e como sofreste com as actividades desse dia, mas sabes que essa mesma pessoa vai gostar de ser escuteiro. Num acampamento e quase certo que se adormeceres as 6 da manhã, às 7 o teu chefe tá a dar a alvorada e não tens hipótese senão passar o dia com uma soneira terrível.
Ás vezes sentes-te triste ao encontrar pessoas que te dizem "esse uniforme e estúpido e ridículo" e tu pensas, "Vocês e que não são escuteiros não percebem nada do que isto significa para mim".
A comida é sempre saborosa mesmo que tenha restos de carvão ou sabor a ervas e terra.
Por fim um escuta é uma pessoa feliz e responsável que tem confiança em si mesmo.
A beleza disto é conhecer gente de fora que nunca conhecerias se não fosse pelos escuteiros e por vezes choras nas despedidas por uma pessoa com quem estiveste só por 3 ou 4 dias e ficam para sempre no teu coração.
Nas fotos de grupo há sempre 10 ou 20 máquinas fotográficas para tirar fotos porque todos querem ter uma recordação desse momento.
Os acampamentos começam antes de encontrares todos aqueles que contigo vão acampar, para ti, só fazer a mochila e preparar tudo para o grande dia já é o inicio.
Por vezes nem consegues dormir só com a ansiedade de partir.
As caminhadas que para os teus chefes parecem curtas, a ti parece que andaste uma vida inteira, na verdade só andastes 5 km’s.
Recordas que as vezes o chão se movia nas latrinas...
E há sempre alguém que se quer aproveitar da tua inexperiência de acampar mas sentes te útil ao ires buscar lenha.
Estás tranquilo com os teus irmãos escutas e não suportas que nada nem ninguém diga mal do teu grupo. Vês que a cor do teu lenço, meias e calções vai mudando conforme o uso que tem e sentes-te orgulhoso por teres um uniforme quase sem cor porque sabes que com ele passaste por muitos sítios e aventura.
Por fim, no teu coração e na tua promessa fica para sempre gravada na tua memória.
Escuteiro um dia, escuteiro para sempre
Este é um daqueles textos spam que chegou ao meu mail... mas é bonito!

[659.] - Imagens de uma cidade que já não existe

Clicar em cima, linkado para album com 147 fotos

[658.] - Mercurri dies

Ajudar a ser voluntário

Incomoda, muitas vezes, o número de interpelações que nos são feitas no sentido de apoiarmos, com dinheiro ou géneros, um sem número de causas sociais e comunitárias. À porta do supermercado encontramos, bastas vezes, pessoas que nos solicitam apoio para os Escuteiros, para o Banco Alimentar Contra a Fome, para a Liga Portuguesa contra o Cancro, para o Grupo de Acção Sócio-caritativa, ou, em outros locais, para os Bombeiros, para um rancho folclórico, ou para um clube desportivo. Pode, à primeira vista, causar-nos algum transtorno, é certo, mas temos de reconhecer que apoiar pode ser, mesmo que o nosso contributo seja mínimo, valiosa ajuda para tornar possível a acção voluntária de outros.
O trabalho do voluntário, a sua militância, é o resultado de uma decisão livre e espontânea que ele tomou, apoiada em motivações e opções pessoais de altruísmo e disponibilidade para os outros. São pessoas que se colocam ao serviço de outras pessoas, das famílias e das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar das populações.
O exemplo mais claro deste espírito de altruísmo, de dedicação ao seu semelhante, e deste esforço de abnegação, de voluntariado, é, naturalmente, o dos bombeiros voluntários. É, provavelmente, o mais imediatamente reconhecido, até porque envolve um risco de vida, mas não é o único que encontramos na população do concelho da Mealhada.
As associações, culturais, recreativas, de solidariedade social, desportivas ou outras, são dirigidas por voluntários. Pessoas que se associaram para a concretização de um objectivo de interesse comunitário, que dispõem do seu tempo — algumas até do seu dinheiro — para o dar aos outros. Há satisfação pessoal? Naturalmente. Há crescimento da auto-estima e do reconhecimento público? Nem sempre…
As comissões fabriqueiras de capelas e igrejas são compostas por pessoas que dispõem de si para a defesa e manutenção de património colectivo. Encontramos voluntários nestas comissões que se disponibilizam para promover obras que envolvem centenas de milhares de euros que têm de ultrapassar obstáculos burocráticos imensos, tempos de espera ciclópicos que não se compadecem com a urgência de tectos a ruir, de paredes a ceder, de património a destruir-se a cada minuto que passa. Voluntários que resistem, que têm estômago para repetir ano após ano ‘peditórios pelo povo’, além de outros esforços.
São voluntárias as pessoas que se disponibilizaram para a formação das crianças, adolescentes e jovens, no âmbito desportivo, no âmbito da catequese, ou da formação escutista. Formação que é feita, muitas vezes, pelo exemplo.
São também voluntárias as pessoas que no concelho da Mealhada, ou noutros, integram Grupos de Acção Sócio-caritativa, ou associações de benemerência e solidariedade. Pessoas que visitam doentes, que recolhem e distribuem géneros alimentícios por dezenas de famílias desfavorecidas, que procuram disponibilizar cadeiras de rodas, camas articuladas, andarilhos e outros equipamentos a quem deles necessita.
Como são voluntários os que aceitam dar a cara por campanhas como a do Banco Alimentar contra a Fome ou a da Liga Portuguesa contra o Cancro. Voluntários que nos abordam directamente, estranhos, para nos pedir algo que não é para si, mas para outros que não podem estar ali.
O voluntário é aquele que dá por vontade — voluntas. Vontade que muitas vezes nos falta para comprarmos um qualquer objecto de uma campanha financeira, ou para irmos à reunião da assembleia-geral do clube ou à reunião da comissão fabriqueira da capela. Vontade cuja falta muitas vezes faz com que não haja meios para que os voluntários possam dispor do seu tempo para ajudar quem precisa. Voluntários esses que, verdadeiramente, não esperam o nosso reconhecimento e o nosso elogio, mas a quem temos, naturalmente, de dar valor e agradecer.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de Novembro de 2008

[657.]

Facile ex amico inimicum facies,
cui promissa non reddas.
*
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[S.Jerónimo, Epistulae 148.30]

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

[656.] - Veneris dies

Em 14 de Novembro de 1921 morria, em França, no exilio, Isabel de Bragança e Bourbon... a Princesa Isabel

A Princesa Isabel é provavelmente a mais estimada das monarcas brasileiras. É estimada por republicanos, monárquicos, progressistas e conservadores. Porquê? Em primeiro lugar porque aboliu a escravatura. Depois, porque exerceu os cargos que desempenhou de maneira exemplar. Exerceu o cargos político de forma tão exemplar que o Brasil ainda suspira por ela...

Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (Rio de Janeiro, 29 de julho de 1846 — Eu, França, 14 de novembro de 1921) foi princesa imperial do Brasil e regente do Império do Brasil por três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina. É considerada a primeira chefe de estado das Américas, tendo sido uma das nove mulheres a governar uma nação durante todo o século XIX. Foi cognominada a Redentora por ter abolido a escravidão no Brasil.
A princesa Isabel foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império do Brasil de 1824.
Com a morte de seu pai, em 1891, já abolida a monarquia e com a familia imperial no exílio, tornou-se chefe da Casa Imperial do Brasil e a primeira na linha sucessória ao trono brasileiro, sendo considerada, de jure, Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Por Graça de Deus, e Unânime Aclamação dos Povos, Imperadora Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

[655.] - Hoje é 12 de Novembro

No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio disparou sobre manifestantes que homenageavam um estudante morto pela repressão no cemitério de Santa Cruz, em Díli - Timor Leste.
Cerca de 200 pessoas foram mortas no local. Outros manifestantes foram mortos nos dias seguintes, "caçados" pelo exército da Indonésia.
Para a minha geração a noticia do Massacre de Santa Cruz, como ficou conhecido, acabou por ser a primeira informação de que havia um território português do outro lado do globo, ocupado pela Indonésia - que tinha este tipo de comportamentos repressivos. A causa da auto-determinação Imediatamente recebeu a nossa adesão que viria a tomar maior visibilibidade em 1999, aquando do referendo e a 20 de Maio de 2002, quando o estado maubere é proclamado independente.

Ai Timor - Trovante

Reportagem sobre o Massacre de Santa Cruz

[654.] - Mercurii dies

Esperança e Mudança

A propósito da eleição de Barack Obama para 44.º presidente dos Estados Unidos da América

Barack Hussein Obama foi eleito, na passada semana, a 4 de Novembro de 2008, presidente dos Estados Unidos da América. Obama, que foi o candidato do Partido Democrata, é o primeiro afro-americano a ocupar a sala oval da Casa Branca. A sua eleição é apontada por muitos analistas como um marco histórico de grande relevância. Pelo facto de ter ascendência negra, pela sua personalidade, pelo momento político-económico em que assume o cargo, pela forma como orientou a campanha eleitoral e pelo que consta do seu programa político.
Obama é filho de um intelectual queniano e de uma americana — uma WASP (White Anglo Saxonic Protestant) — o que faz dele um afro-americano. O facto de este rótulo, que terá relevância política, não lhe advir de ascendentes africanos escravos moderou os sectores mais racistas (negros e brancos), moderação que terá tornado possível a sua eleição. Um dos receios dos seus estrategas é que fosse considerado demasiado negro para os brancos e demasiado branco para os negros. Obama é o primeiro presidente afro-americano e é, no entender de muitos analistas, o máximo que os americanos seriam capazes de tolerar, nesta fase — mesmo que surpreendente para muitos.
O presidente eleito considera-se, também, e ao mesmo tempo, o mais legítimo dos americanos e a antítese do americano típico. Antítese do americano porque tem mundo, isto é, viveu grande parte da sua vida fora do país, tem um conhecimento alargado de geopolítica e conhece bem o que é a globalização: tem seis meios-irmãos e outros familiares, “que vivem em três continentes diferentes, e — assim disse — são de todas as cores e raças”. Legítimo porque só os Estados Unidos da América, a terra da oportunidade, dariam a uma pessoa como ele a hipótese de ser presidente do Governo federal.
È unânime a convicção de que seria impossível haver momento mais difícil para assumir o comando da maior potência económica e politica do mundo do que o presente. O modelo económico neo-liberal e capitalista que a Europa e a América têm adoptado demonstrou ter grandes fragilidades. Por outro lado, em termos geopolíticos o mundo ocidental precisa de uma nova liderança. Trata-se de questão de resolução urgentíssima. Não precisará de ser Obama a desempenhar essa liderança, mas é preciso que a presidência americana ajude e não obstaculize... São necessárias uma atitude e medidas que contribuam para a resolução dos problemas da ocupação iraquiana e da ocupação afegã, que, pelo menos, atenuem os conflitos israelo-palestiniano e sudanês, que estabeleçam novas pontes com o Irão, com a Coreia do Norte, com a América-Latina. E que, acima de tudo, contenham significativas formas de apoio à reforma da ONU, nomeadamente no que diz respeito às mudanças no Conselho de Segurança e ao papel das economias emergentes — como o Brasil e a Índia — no concerto das Nações.
Tem também grande relevância a mudança que, com Obama, já se produziu nos Estados Unidos da América e na Política. Quando no mundo ocidental se atingem níveis baixíssimos de participação politica, Barack Obama consegue bater recordes de participação eleitoral. Votaram cento e trinta milhões de pessoas, número de que faz parte um aumento nos níveis de participação só comparável ao verificado em 1920, quando as mulheres passaram a votar. Os Estados Unidos da América atravessam uma crise económica só comparável à de 1929, a Grande Depressão, mas, apesar disso, a campanha de Obama conseguiu angariar um volume recorde de fundos e fazer nascer o maior movimento de cidadãos da história politica americana. Para o ajudar voluntariou-se um milhão e meio de pessoas. Pessoas que se organizaram, que bateram de porta em porta, e que, recolhendo mesmo donativos individuais de cinco e de dez dólares, conseguiram a maior angariação de fundos de qualquer outra campanha política americana.
Como é que Obama conseguiu isto? Aí está uma resposta que, certamente, todos os outros líderes políticos gostariam de ter. Obama elegeu a Saúde, a Educação e a Energia como áreas prioritárias da sua acção. E provavelmente os americanos concordaram com ele. Mas, acima de tudo, Barack Obama quis chegar ao coração dos americanos e apresentar-lhes a promessa política primitiva, elementar, original, a mais simples de todas: A esperança de que melhores dias virão. Promessa cuja concretização começa com a sua eleição, que é, acima de tudo, sinónimo de mudança. Mas Obama foi mais longe, apresentou a ideia de que a mudança não está em si, eleito, mas nos outros, nos eleitores. Ou seja, a mudança não está no facto de o eleito ser negro, de ser convincente na sua aparente sinceridade, no facto de parecer confiável. A mudança está no facto de as pessoas o seguirem. Obama recorreu ao mito fundador dos Estados Unidos da América para galvanizar as pessoas: o protagonista da mudança é o génio americano não é o seu líder. O protagonista é o indivíduo e aquilo que o conjunto de indivíduos é capaz de fazer e não a liderança. Por várias vezes e nos mais entusiásticos discursos, Obama citou Lincoln e Kenedy — mais do que Luther King — e lembrou o documento fundador dos Estados Unidos, a constituição americana, que começa com a esclarecedora frase: “Nós, o Povo, (…) estabelecemos…”.
Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e politica do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de Mudança, de Esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso.

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Novembro de 2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

[653.] - Hoje é 11 de Novembro

Assinala-se hoje o 90.º aniversário sobre a assinatura do Armísticio que colocou um ponto final à primeira Guerra Mundial. Guerra esta em que morreram 1643 jovens do Corpo Expedicionário Português.
Não se ouviu a este propósito uma palavra do Chefe do Estado, do primeiro-ministro, ou sequer das chefias militares ou do Parlamento. Nada. Trata-se, no meu entender, de uma vergonha.

Foi uma Guerra que marcou profundamente o povo português e influenciou definitivamente toda a história politica e social do século XX português. Foi, para Portugal e para os portugueses, uma ferida muito dificil de sarar que teimamos em deixar sem tratamento.

Fica por aqui a minha indignação que é para não desrespeitar ninguém.

É vergonhoso.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

[652.] - Hoje (ainda) é 6 de Novembro...

71.º aniversário

da Elevação do Luso à categoria de Vila
Publicação o Decreto do Governo n.º28:142

6 de Novembro de 1937 - 6 de Novembro de 2008
Parabéns!

[651.] - Hoje é 6 de Novembro...

172.º aniversário
da Criação do Concelho da Mealhada

6 de Novembro de 1836 - 6 de Novembro de 2008

Parabéns!


[650.] - Hoje é 6 de Novembro

Quinta do Valongo, 6 de Novembro de 2008, Dia do Beato Nuno de Santa Maria

Dom João II, rei de Castela — neto do mesmo João que Nuno derrotara em Aljubarrota — terá ido ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde se encontrava, já idoso, Nun'Álvares Pereira, agora o monge Nuno de Santa Maria. Em jeito de provocação o castelhano perguntou-lhe o que faria o religioso se Castela voltasse a invadir Portugal. Nuno, sem dizer uma palavra, levantou o seu hábito, de modo a que o rei visse, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando que mesmo com quase setenta anos permanecia alerta, preparado e disponível para servir o seu país sempre que necessário e defendê-lo.
Nuno Álvares Pereira foi Condestável de Portugal, o vencedor e o estratega de Aljubarrota, um dos melhores generais portugueses de todos os tempos, filho predilecto de Nossa Senhora da Vitória. Garantiu a independência de Portugal foi o principal responsável pela coroação de D. João I, pai da Ínclita Geração e o primeiro rei da época gloriosa dos Descobrimentos Portugueses. Do casamento de Beatriz, única filha de Alvares Pereira, com Afonso, filho bastardo do seu senhor D. João I, nasceu a Casa de Bragança cujos descendentes reinaram em Portugal durante 270 anos.
Nuno Alvares Pereira foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Morreu aos 71 anos, foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV. O processo de canonização foi iniciado em 1940, tendo sido interrompido posteriormente. Em 2004 foi reiniciado e tem o seu termo anunciado para o ano de 2009, uma vez que em 3 de Julho desse ano a Santa Sé publicou o decreto em que reconhece o milagre necessário à conclusão do processo.
Nuno de Santa Maria é o patrono do Corpo Nacional de Escutas.
Peçamos a Deus, por intercessão de Maria, Mãe dos Escutas, de Jesus, seu Amado Filho, que nos ajude a sermos, como Nuno: fieis à nossa missão, resistentes às fraquezas e adversidades do caminho, coragens para lutar e perder, humildes para aceitar o destino e as vitórias, e simples, para que o testemunho da nossa vida na Terra possa servir de exemplo aos irmãos que ajudamos a educar e sejamos olhados por Deus e pelos homens como seres justos.
A Junta do Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[649.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 6


É, também, admirável o discurso de John McCain, sobre o seu adversário:

"That he managed to do so by inspiring the hopes of so many millions of Americans who once wrongly believed they had little at stake or little influence in the election of an American president is something I deeply admire and commend him for achieving. This is a historic election, and I recognize the special significance it has for African-Americans and for the special pride that must be theirs tonight".

[648.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 5




O discurso da vitória

[647.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 4

CARTOONS DA NOITE ELEITORAL...
a não perder!

[646.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 3


Tirei a noite de ontem para ver as reportagens sobre a noite eleitoral americana. No meu intimo esperava que a coisa não se arrastasse por muito tempo e que, acima de tudo, não se repetissem as cenas de há 4 e 8 anos e o veredicto ficasse adiado.
Refastelei-me no sofá... à espera... a ver a malta da SIC Noticias a encher chouriços e a comentar contagens de um por cento dos votos. Foi inevitável: adormeci!

Mensagem providencial de quem se preocupa com os meus gostos alertou-me para o discurso de Obama às 5 e tal da manhã. Vibrei... e voltei a adormecer...

Os jornalistas portugueses quiseram ser de tal modo profissionais que se tornaram aborrecidos... Já para não falar da Quadratura do Circulo, armada em blogger em noite decisiva, que acabou a postar no blogue do Pacheco por dificuldades técnicas...

[645.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 2

Barack Obama levou as pessoas a acreditarem que é possível mudar. Como disse Nelson Mandela, dando os parabéns ao novo presidente eleito, está acessível a todos a possibilidade de mudar o mundo. (Até) Os americanos foram capazes disso.

Os Clintons representavam a geração de 60, a babyboomer, os ideais de libertação. Bush filho era a retracção desse avanço e associava-se ao conservadorismo protestante e patético de Bush pai que nada tinha a ver com o conservadorismo de Reagan, antecessor do velho Bush.

Obama é a nova América. É o paradigma do político do século XXI. No discurso de esperança, no discurso de envolver todos. Não é necessariamente novo - já JFK o fazia - mas é muito importante nesta altura.

Vamos ver quem serão os protagonistas deste paradigma... aqui na Velha Europa.

[644.]

JUMA
Novembro de 1998 - 5 de Novembro de 2008

[643.] - BHO - Estilhaços de momento histórico - 1


Barack Hussein Obama (BHO) foi eleito ontem o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América.
"Vivi para ver isto", terá sido frase sentida onte por milhares de pessoas em todo o mundo. Acho que estes dias, ontem e hoje, ficarão na memória das pessoas da mesma maneira que na minha ficou o rol dos acontecimentos em directo do 11 de Setembro e nas gerações anteriores à minha a chegada à lua ou o assoassinato de JFK.
Obama é um preto (mulato digamos) que chega a Presidente dos Estados Unidos. É o primeiro é certo, apesar de já termos visto centenas de filmes com esta hipotese... Mas independentemente disso, que já não é pouco, Obama teve no país e no mundo, o mesmo efeito de JFK há quarenta anos. Foi capaz de mexer com as pessoas, entusiasmá-las, dar-lhes esperança e impeto de mudança.
Obama fez o que Sá Carneiro dizia ser a tarefa fundamental da Politica. Dar às pessoas a esperança de que algo de transformador e positivo pode acontecer.
Acho que esse é, também, papel de Obama no Mundo...

domingo, 2 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

[641.] - In Flanders fields

De Hoje até dia 11 de Novembro teremos, aqui de lado, uma poppy - uma papoila vermelha -, seguindo uma tradição britânica, de homenagear os mortos da primeira Guerra Mundial.
O dia 11 é o dia do Armistício e a tradição da poppy surge do poema In flanders fields.
Há dois anos contámos a história do acontecimento. Aqui (e daqui há mais ligações).
Homenageamos assim os mortos - todos, mas os portugueses e mealhadenses de modo especial - na Primeira Guerra Mundial.