quinta-feira, 26 de março de 2009
[761.] - Hoje
quarta-feira, 25 de março de 2009
[760.] - Mercurii dies
Duas notas, de conteúdo político e histórico, que em comum terão o facto de poderem servir como ilustração da ideia de como são passageiras as glórias e as derrotas mundanas, ou como diz a expressão latina utilizada na coroação papal: “Sic transit gloria mundi”. São, de facto, passageiras as vitórias e as derrotas dos Homens, quem cai sempre se ergue e quem se ergueu rapidamente poderá voltar a cair. O que não quer dizer que quedas e ascensões não sejam, quase sempre, grandes oportunidades de crescimento.
25 de Março de 1949 — Álvaro Cunhal foi preso no Luso
Assinalam-se hoje, precisamente, sessenta anos sobre a manhã em que o dirigente do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, a viver na clandestinidade numa casa na vila termal do Luso, é preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo, juntamente com outro dirigente comunista, Militão Ribeiro, e a companheira da residência clandestina Sofia Ferreira. José Pacheco Pereira, biógrafo de Cunhal, refere-se ao acontecimento da seguinte maneira: “Naquela casa do Luso, no meio do nervosismo geral, da alegria alarve dos agentes da PIDE e do estado de choque dos presos, acabava uma era da história da luta da oposição portuguesa e do PCP”.
A data poderá considerar-se uma derrota para a oposição ao Estado Novo. Mas não deixa de ser um momento decisivo para a história de Portugal que só a Democracia permite analisar e investigar. Cunhal é, em 25 de Março de 1949, um prisioneiro que, onze anos depois, oito dos quais em isolamento total, foge da cadeia e surge como um herói, um libertador e, mais tarde, um ‘senador’ da III República.
Publicamos, na última página desta edição, um texto de Carlos Ferraz a propósito da prisão de Cunhal. Associando-nos, assim, à evocação da data e do que ela significa. Mas procurámos ir mais além. O Jornal da Mealhada fez uma entrevista com a única sobrevivente deste acontecimento, Sofia Ferreira, em 25 de Março de 2007, trabalho que nunca chegámos a publicar. Aguardávamos um momento em que esse texto pudesse ser publicado no âmbito de uma pesquisa mais vasta de tudo o que terá acontecido nesses dias, nos dias anteriores e nos subsequentes, lembrando, também, o Luso da década de 1940 e a realidade do Portugal dessa altura.
Por outro lado, numa estratégia de valorização documental do património de vinte e cinco anos de publicação, praticamente ininterrupta, do Jornal da Mealhada, decidiu a empresa editora do jornal promover a publicação de um novo produto, uma revista de divulgação cultural e histórica, cujo nome é VIA, que apresentará, num suporte diferente, conteúdos, originais ou já publicados no jornal, de interesse relevante.
O primeiro número da VIA, que irá ser posto à venda a partir de Abril de 2009, será, exactamente sobre o 25 de Março de 1949. Dele farão parte a entrevista a Sofia Ferreira, o relato dos acontecimentos anteriores à noite da prisão e da detenção de Cunhal, com alguns dados novos, bem documentado e ilustrado de um modo que nos parece pedagógico e atraente. A primeira edição da VIA terá, ainda, dados biográficos dos principais protagonistas do acontecimento. Pensamos que poderá ser um contributo importante para o estudo histórico deste acontecimento, da história do PCP e do Portugal do Estado Novo. Contribuíram para a pesquisa algumas dezenas de pessoas, desde investigadores e coleccionadores até testemunhas contemporâneas dessa altura, contributos importantes para uma aproximação à verdade do que se passou naquela madrugada.

Acabou a Guerra das Rosas
As duas facções locais, da Mealhada, do Partido Socialista — uma afecta a Rui Marqueiro, a outra defensora de Carlos Cabral — chegaram a acordo em relação à decisão sobre quem seria o candidato a cabeça-de-lista do PS para a Câmara Municipal da Mealhada. Depois de algumas semanas, ou até meses, de crispação, com trocas de acusações graves — a que chamámos a Guerra das Rosas —, os principais protagonistas, Marqueiro e Cabral, chegaram a acordo e, pelo menos publicamente, terão enterrado o machado da guerra.
Carlos Cabral e Rui Marqueiro são duas personalidades da vida politica moderna — e, por que não, da história local democrática — de certa maneira condenados a viver juntos. Quando tudo faria pensar que Cabral se poderia ter emancipado a decisão final da escolha deste ano volta a ter de resultar de um entendimento entre ambos. Foi a união de Cabral e Marqueiro que fez o PS vencer as eleições frente a César Carvalheira em 1989. Foi a união que consolidou executivos maioritários em 1993 e 1997. Foi a união de Marqueiro e Cabral que fez superar o cisma Odete Isabel, em 2001. Os sinais de distanciamento entre os dois começaram em 2005 e disso resultaram algumas dores de cabeça para o PS nas últimas autárquicas. Estes dois homens não serão, necessariamente, amigos, mas estão condenados a estar juntos… Marqueiro acha que a sua emancipação surgirá em 2013. A ver vamos.
No final desta Guerra das Rosas, Cabral, que, durante o processo, parecia ser a vítima e estar diminuído, mostrou ser excelente estratega. A sua capacidade de resistência — a sua mais evidente característica — permitiu-lhe gerir, pacientemente, um conjunto vasto de silêncios que beneficiaram a sua estratégia. E foi o vencedor da contenda. Marqueiro perdeu, mas mostrou ser um líder forte, capaz de conduzir um barco que, de repente, inesperadamente, faz uma mudança de rota de 180 graus e consegue manter a tripulação — que não aprecia Cabral — unida, calada e serena, resignada com a opinião do líder.
Chegaram a acordo, com cedências de parte a parte. Perguntar-se-á por que não havia sido, então, imperioso o acordo em 2001? A resposta radicará na personalidade de Odete Isabel e no facto de o adversário do PSD ser, agora, César Carvalheira. Carvalheira é uma força da natureza, é portador de um discurso simples e popular, capaz de aglutinar tendências diametralmente opostas. Cabral e Marqueiro sabem disso e sabem que não vale a pena arriscar um cisma nesta altura do campeonato, especialmente quando a direcção nacional do partido quer serenidade e união no combate, em torno do seu secretário-geral.
Editorial do Jornal da Mealhada de 25 de Março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
[754.] -
[759.] - A Missão
Parte da Oração de São Francisco de Assis, por Ana Carolina
[758.] - Dias vencidos
MANIFESTAÇÃO - A CGTP convocou, e levou a cabo, uma manifestação que juntou 200 mil pessoas. É extraordinário. Tenho de lhes tirar o chapéu. Acredito sinceramente que as estrturas sindicais poderão neste momento ser os portadores de potencial de esprança que os partidos (já) não conseguem ser. Continuo a achar disparate fazerem acções (manifestações e greves) às sextas-feiras e nas vésperas de feriado... mas pronto... insistem e erram.
SEXTA-FEIRA-TREZE - É a segunda sexta-feira 13 deste ano... Será sinónimo de azar... Lembrar-nos-emos de onde nasce esta superstição? Há imensas teses, a que, historicamente, mais fundamento terá será que se associa ao dia 13 de Outubro de 1307. Nesta sexta-feira, a Ordem dos Templários foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França e todos os seus membros foram presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia. Foi dia de azar! Os sortudos fugiram para Portugal, o Rei D.Dinis foi o único que os recolheu e protegeu, vindo mais tarde a transformar esses cavaleiros na Ordem de Cristo.
INTERNET - A Internet foi criada há precisamente vinte anos pelo físico britânico Tim Berners-Lee.
MISSÃO - Há dias em que estamos tristes e precisamos de uma palavra amiga. Alguém que nos lembre da Força. Alguém que nos ajude a dar um sentido ao nosso sacrificio, ao nosso penar, aos nossos medos. Ouvimos do outro palavras que nós já dissemos. Damos aos outros certezas que não temos para nós. Damos conselhos que só seguiriamos se nos fossem ditos. Hoje precisamos nós. Amanhã precisa quem me ajuda hoje. É a Missão de quem vive no mundo para se dar aos outros. É a Missão de quem tem a Graça de ter amigos. Quando recitamos a Oração de São Franscisco pedimos que Deus faça de nós instrumento de Paz, e que «Onde houver desespero que eu leve a esperança/Onde houver tristeza que eu leve a alegria». É a Missão.
sexta-feira, 20 de março de 2009
[757.] - 'Eles' metem-se em todo o lado
Novo filme da Pixar, "UP", que estreia nos States em 29 de Maio.
Do Expresso:«Paris, 19 Mar (Lusa) - O filme de animação "Up", dos estúdios Pixar e Walt Disney, vai abrir oficialmente o Festival de Cinema de Cannes, marcado para 13 de Maio no sul de França, anunciou hoje a organização.
Esta será a primeira vez que um filme animado inaugura o mais prestigiado festival europeu de cinema, sendo exibido em estreia mundial e com projecção em três dimensões. Em 2008, o filme de abertura em Cannes foi "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles.
"Up" é uma comédia sobre as aventuras de Carl Fredricksen, de 78 anos, que decide levar literalemente a sua casa numa viagem pela América do Sul, auxiliado por centenas de balões.Já depois de partir, descobre que na viagem segue acidentalmente um pequeno escuteiro, de nove anos.
O filme é realizado por Pete Docter (o mesmo de "Monstros & Companhia) e Bob Peterson, autor de "À procura de Nemo".Depois da antestreia em Cannes, o filme estreia a 29 de Maio nos Estados Unidos. A Portugal deverá chegar apenas no Verão.»
[756.] - O 'Velho'
No dia 22 de Fevereiro assinalava-se mais um aniversário de Baden-Powell, fundador do escutismo. Por ser domingo gordo comemorámos o Dia do Fundador a 1 de Março de 2009, no Valdoeiro. Para esse efeito eu e o Nuno João editámos um video para apresentar aos escuteiros fazendo a ligação com a actualidade e o que se passou na História do Escutismo logo após o acampamento experimental de Brownsea, em Agosto de 1907. Tivemos de passar pela publicação do «Escutismo para Rapazes», pela edição da Revista «The Scout», pelo acampamento de Humsaugh, tudo em 1908, e, depois, pelo Grande Rally de 4 de Setembro de 1909, que concentrou onze mil escuteiros em Londres, e que revoluciona a história do escutsimo. Depois desse dia, B.-P. abandona definitivamente o exército, dedica-se exclusivamente ao escutismo, passa a defender a existência de estruturas intermédias de organização e, acima de tudo, fica sensibilizado para a necessidade de criar uma oferta educativa para as raparigas.
Sacana do 'Velho'!
quinta-feira, 19 de março de 2009
[753.] - Dias vencidos
EUROPA - Diz hoje o Público que o primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, o líder da oposição britânica, líder dos conservadores e, ao que tudo indica, futuro primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e ainda os manos Kaczyński - o mano-presidente Lech, e o mano-líder da oposição Jaroslaw -, vão abandonar o Partido Popular Europeu para fundar um partido eurocéptico! Que os manos polacos era do eurocontra, já se sabia, que os britânicos, e especialmente os conservadores, eram euro-desconfiados também já se conhecia... o estranho é o Topolanek... não é por mais nada senão pelo facto dele, neste momento, ser o presidente da União Europeia, em exercício. Fica-lhe mal assumir-se como tão eurocéptico a ponto de fundar um novo partido estando, precisamente, ao leme da União.
FREITAS PROVEDOR - Fala a comunicação social de que Sócrates sugeriu a Ferreira Leite o nome de Freitas do Amaral para Provedor de Justiça. Não me parece mal. Em primeiro lugar porque se resolvia bem este problema escabroso de não conseguirem substituir um titular de um cargo público em oito meses. Depois porque entendo que está mais que provado que há todas as vantagens em ter os Senadores da República à mão de semear!
JORNALISTA - Esteve hoje no Jornal da Mealhada uma turma de alunos do nono ano da Escola Secundária da Mealhada. São alunos de um curso de comunicação e afins e, entre outras questões, quiseram saber que características são necessárias para se ser bom jornalista. Respondi-lhes que não sabia responder, porque também não sabia bem o que era um BOM jornalista. Acrescentei dizendo-lhes que lhes poderia dizer o que é preciso se ser jornalista do Jornal da Mealhada... 1 - Saber escrever em Língua Portuguesa (não é tão fácil quanto possa parecer); 2 - Ser uma pessoa educada e capaz de transmitir uma boa imagem do Jornal; 3 - Ter coragem para não temer qualquer trabalho ou situação; 4 - Ter perspicácia para saber ler uma noticia numa conversa ou numa qualquer situação; 5 - Gostar do oficio e do concelho da Mealhada.
[752.] - Dias vencidos
"É possível perceber que as mulheres, que dedicam tempo e energia a cuidar do corpo e da aparência física - para desenvolver o seu papel da mulher no jogo de sedução - recusem homens que decididamente entram na área do extremo cuidado corporal e se posicionam no jogo de sedução, que pertence às mulheres", explica um dos autores do estudo, o sociólogo colombiano Jaime Carmona.
Segundo o trabalho, no lugar do metrossexual, que abraçou atitudes antes apenas reservadas às mulheres, está a emergir uma nova identidade masculina, que passa pela recuperação de alguns valores do passado. "O neossexual é um homem que resgata as suas raízes mais viris mas que não proíbe o lado afectivo. Um homem síntese dos modelos anteriores que, seguindo o seu instinto, está à altura das necessidades da mulher actual".
Símbolo desta nova masculinidade é o cabedal, popularizado em ícones como James Dean ou Elvis Presley. Este material representa a mistura de firmeza e flexibilidade, de tradição e modernidade, que se espera do homem neossexual.»
[751.] - Dias vencidos
AFECTIVIDADES - A minha avó Alice fez hoje 77 anos. Sempre foi a avó com quem tive mais afinidades e mais cumplicidades. Acredito que sou católico mais por causa dela do que por qualquer outra influência familiar. Tem mau feitio mas é a minha avó. Parabéns Avó!
BUSSACO - Há cento e cinquenta e dois anos, em 8 de Junho de 1856, o Deserto dos Carmelitas Descalços, no Monte Bussaco passava da administração de um último carmelita que sobrevivera da extinção das ordens religiosas de 1834 - que durante alguns anos ficou como zelador do espaço - para a "Administração Geral das Matas do Reino". Cento e cinquenta e dois anos de administração central que foram o que hoje se vê. Nunca, nestes anos todos, esteve a Câmara, a Junta de Freguesia, ou alguma entidade próxima daquele espaço, responsável por ele. Agora parece que vai estar. Vamos a ver se isto muda.
IRLANDA DO NORTE - O terrorismo recomeçou? Haja Deus!
quarta-feira, 18 de março de 2009
[750.] - Mercurii dies
Apresentamos na presente edição, [AQUI], uma reportagem sobre crianças autistas e o trabalho da Sala TEACCH — Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children —, um espaço destinado ao apoio a crianças autistas e à sua educação, que, no concelho da Mealhada, foi inicialmente instalado na Escola Básica 1 do Luso, mais recentemente colocado na Escola Básica 2,3 da Mealhada e, desde há poucos meses, transferido para as instalações da Escola Secundária da Mealhada.
O Jornal da Mealhada, em 16 de Abril de 2003, publicou uma extensa reportagem sobre a sala TEACCH, a funcionar, nessa altura, e desde Outubro de 2001, no Luso. Procurámos acompanhar a evolução deste serviço extraordinário de apoio a estas crianças especiais mas nem sempre isso foi facilitado. Constrangimentos de ordem variada levaram a repórter do Jornal da Mealhada, Mónica Sofia Lopes, a aguardar quase dois anos para fazer uma reportagem sobre a sala TEACCH, nessa altura, em 2007, já instalada na EB 2,3 da Mealhada.
O testemunho dos pais da Bruna e do João é tocante. Trata-se de duas famílias do concelho da Mealhada que viram a sua vida completamente transformada com a notícia de que um dos seus filhos sofria de autismo. Não deixaram, no entanto, de lutar, de dar aos seus filhos a dignidade, a tranquilidade, o conforto que estes, como pessoas, como pessoas com direitos iguais aos de todas as outras, mereciam. Sacrificaram-se como, provavelmente, não o fizeram por qualquer outro filho — com idas bidiárias a Coimbra, para os irem deixar e buscar à escola, por exemplo.
Será difícil imaginar o sofrimento destes pais que vêem o corpo dos filhos a crescer, a desenvolver-se, enquanto assistem a uma maior dependência, ao regredir de muitas das capacidades que os filhos já tiveram um dia, nos primeiros dois anos de vida. Imaginarão, apreensivas, como será a vida dos filhos se algum dia lhes faltarem. Terão guardado as expectativas que tinham para estes seus descendentes quando eles nasceram. Estes pais são testemunhos de um Amor profundo, incondicional, grandioso. Tão grande que merece todo o nosso reconhecimento, todo o nosso apoio.
Apoiar significa, então, ajudar estes pais, e os professores e auxiliares de quem estas crianças dependem, na luta pelas condições devidas a fim de que elas possam viver em tranquilidade, com conforto e dignidade. Condições que existem na Mealhada, e orgulhamo-nos disso, agradecendo a quem o tornou possível. Mas quantas crianças autistas, por este país fora, beneficiarão de condições semelhantes?
Nós também podemos ajudar proporcionando, nós próprios, a estas crianças, garantias de normalidade para que elas se sintam bem quando passeiam com os pais na rua, quando entram numa loja ou num café. Quando estão no cineteatro ou numa visita a uma monumento. São crianças que precisam de rotinas, que toleram pouco o quebrar de hábitos rígidos, mas nem por isso deixam de ser pessoas, de reconhecer um sorriso, uma simpatia.
Habituámo-nos, nos anos em que trabalhamos no Jornal da Mealhada, a encontrar o João, a Bruna, o Luís, o Tomás e o Gonçalo em várias actividades da escola EB 2,3 da Mealhada. Lembramo-nos de ver, alguns deles, nas férias desportivas, em exposições de trabalhos, em espectáculos de circo ou no cineteatro Messias. São crianças diferentes, mas são igualmente crianças. Precisam de um tratamento diferente para terem as mesmas oportunidades que as outras. Mas nem por isso deixa de valer a pena dedicar-lhes o tratamento de que necessitam. E por isso são amadas.
Autismo é palavra poderosa, mas não é estranha, não deixa, não deixará nunca de ser assustadora, mas não morde. Poderá remeter-nos para o filme “Rain man — Encontro de Irmãos”, de 1988, com Dustin Hoffman no papel de um doente autista, encontrado pelo irmão cujo papel é representado por Tom Cruise. Mas há, também, quem use as palavras autismo e o autista para adjectivação política, procurando associar ao adversário, a quem são atribuídos os epítetos, falta de capacidade, de visão, para o exercício do cargo. Mas autismo é algo muito diferente. É algo que não pode ou não deve servir, sequer, para a verborreia política.
Editorial de 18 de Março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
[749.]
George Bernard Shaw
quinta-feira, 12 de março de 2009
[748.] - Hoje, também
[747.] - Hoje
«Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta»
Foto da Presidência da República
José Eduardo dos Santos e Cavaco Silva homenageiam Camões no âmbito da visita de Estado do presidente de Angola a Lisboa. 10 de Março de 2009
[746.] - "Rapidamente e em força!"
quarta-feira, 11 de março de 2009
[745.] - Tenho saudades!
[744.] - Dias vencidos
CAVACO - O Presidente da República completou hoje o seu terceiro ano de mandato. Um mandato que tem credibilizado a instituição e o Regime. Um mandato personalizado e interventivo, atento e responsável. Para alguém, como eu, que na monarquia constitucional vê vantagens no facto de o Chefe de Estado ser alguém preparado e educado para representar a Nação e defender os seus interesses, Cavaco Silva é o melhor que poderiamos querer em Belém nesta fase da nossa vida colectiva como país e como povo.
DESILUSÃO - Há dias em que parece que o céu nos cai em cima da cabeça. E surgem críticas, duras e dolorosas, de quem menos esperavamos. A vida continua mas dói e não é fácil manter a concentração naquilo que seria fácil de classificar como sendo o essencial. Falo demais e nem sempre o que digo é compreendido. Para esta Quaresma a minha busca deve ser a do silêncio. Por que é que não me lembro disto mais vezes?
[743.] - Mercurii dies
A propósito da aplicação, em 2009, da Lei da Paridade nas eleições políticas
Assinalou-se no passado domingo, 8 de Março, mais um Dia Internacional da Mulher. Não esquecendo nunca a luta das mulheres — e até do martírio — pela igualdade de direitos e deveres perante a sociedade, importa, num ano em que se realizam, em Portugal, três eleições políticas (para o Parlamento Europeu, para as autarquias locais e para a Assembleia da República), reflectir sobre o que de mais imediato resulta, do mais recente diploma legal português com vista a promover a paridade política entre homens e mulheres.
A Lei da Paridade, como ficou conhecida a Lei Orgânica n.º 3/2006, de 21 de Agosto, “estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33 por cento de cada um dos sexos”. Só agora, em 2009, é que a eficácia da lei pode ser testada. Trata-se da primeira vez que os partidos prepararam candidaturas para estas três eleições, especialmente, obrigados à paridade.
O problema da paridade prende-se, acima de tudo, com a fraca participação política das mulheres em Portugal. Esta Lei da Paridade — apresentada pelo grupo parlamentar do PS a 8 de Março de 2006 — nasceu para estabelecer uma espécie de quota mínima obrigatória para acesso das mulheres aos cargos políticos. Promovendo por meio artificial aquilo que seria (ou deveria ser) natural: se 52 por cento da população residente em Portugal são mulheres, por que razão a participação de mulheres na política há-de ter uma percentagem tão díspar?
Notícias de Março de 2006 explicavam que o objectivo da Lei da Paridade passava por assegurar um limiar de influência das mulheres na decisão política. Um limiar de influência, apenas isso. E essa seria a razão apontada para o facto de a lei portuguesa exigir um mínimo de 33,3 por cento na representação dos sexos e a lei francesa estipular os 40 por cento.
Os partidos estão, portanto, obrigados a respeitar a Lei da Paridade. Uma candidatura que não respeite a percentagem será penalizada na hora de atribuição da subvenção estatal — note-se que no projecto inicial apresentado pelo PS a pena era a não aceitação da lista pelo tribunal. Em cada dez candidatos, três têm de ser mulheres e uma delas tem de figurar entre os primeiros lugares da lista. Como é que os partidos que — por qualquer razão — não têm mulheres em número suficiente para apresentar uma candidatura vão proceder? Vão procurar arranjar candidatas sem critério, misturando qualidade e falta dela só para cumprir a quota? Por outro lado, recairá sobre as mulheres militantes a obrigação de se candidatarem para não inviabiliarem a lista. Será justo? Será machismo pensar que, por causa desta obrigação, pode haver homens com projectos válidos e vontade e disponibilidade para servir a República que são preteridos por causa do seu sexo?
Recorde-se, como mero apontamento de curiosidade, que, em 2001, no concelho da Mealhada, candidataram-se à Assembleia de Freguesia da Vacariça duas listas, uma constituída exclusivamente por homens e outra de que faziam parte exclusivamente nomes de mulheres. A dos homens conquistou maioria absoluta e a das mulheres não alcançou qualquer mandato.
A paridade será o meio mais óbvio para suprir a falta de representação das mulheres nos cargos políticos. Consideramos esta sub-representação injusta e anti-democrática. Não temos dúvidas. Esperamos pelos resultados visíveis da Lei da Paridade para saber se compensou dar às mulheres que exercem cargos políticos o rótulo de “eleitas pela quota feminina”. Entretanto, entretenhamo-nos com o anúncio governamental que soa nas rádios nacionais e que propala, talvez para convencer os fazedores de listas partidárias e as mulheres candidatáveis: “A paridade faz a diferença. A diferença faz a igualdade!”.
Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Março de 2009



