terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Obrigado, Padre Abílio
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O Presidente da República foi a Anadia, na sexta-feira, inaugurar o cineteatro municipal (que até é bonito mas não tem programação) e, com o Cluny Vox, a melhor afilhada do Mundo cantou para ele.Foto do sitio da Presidência da República
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
[710.] - Hoje...
O mesmo será dizer que foi o ínicio da Guerra Colonial Portuguesa - que só terminaria em 1974, a 25 de Abril.
A partir desse 4 de fevereiro de 1961 nada seria como dantes... em pouco tempo o império começaria a desfazer-se!
[709.] - Comigo
Por que queres tu que eu fique?,
Porque é preciso,
Não é razao que me convença,
Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,
Não tenho forças que me levem daqui, deitas-te um encanto,
Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,
Olhaste-me por dentro,
Juro que nunca te olharei por dentro,
Juras que não o farás e já o fizeste,
Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro,
Se eu ficar, onde durmo?,
Comigo."
Memorial do Convento,
conversa entre Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas
[708.] - Mercurii dies
A propósito do segundo aniversário da morte do Padre Abílio Simões
No próximo sábado, 7 de Fevereiro, completam-se dois anos sobre a súbita morte do Padre Abílio Duarte Simões. Para além do pároco — da Vacariça e da Mealhada —, do professor, do colaborador do Jornal da Mealhada, recordamos, com emoção, o homem — altruísta, militante, teimoso, corajoso, inquieto — e, de modo muito especial, o amigo — dedicado, generoso — cuja falta não conseguimos, ainda, superar. A falta de alguém que fez parte integrante do nosso crescimento pessoal, do crescimento do projecto, sempre inacabado, que é o Jornal da Mealhada, permite-nos, num toque mais pessoal, solicitar ao leitor a autorização para admitir que quem escreve um editorial também tem direito ao sentimentalismo e à partilha.
As exéquias fúnebres, com a participação massiva da população — crente e não crente — foram bem demonstrativas da admiração que a maior parte das pessoas tinha pelo Padre Abílio Simões. Acreditamos, até, que nem o Padre Abílio tinha a noção da quantidade de pessoas que, mesmo nem sempre concordando com ele, nutriam por si simpatia. Ciente das suas capacidades e do seu valor, não era, no entanto, um homem cuja auto-estima lhe fizesse acreditar ser tão estimado como, de facto, era. O que, certamente, mais admiração lhe traria, mesmo acreditando que nunca o admitiria, foi a homenagem que, na altura do seu funeral, lhe fizeram políticos de todos os quadrantes partidários. Alguns com quem travou acesas lutas por aquilo que considerava justo para si e para o seu rebanho. Alguma vez o Padre Abílio pensaria que aos funcionários municipais do concelho da Mealhada seria dada a dispensa do trabalho para participação no seu funeral?
A verdade é que o tempo foi passando e a vida continuou. O jornal, mesmo sem ele, foi continuando a ser editado — mesmo notando-se a diferença e a ausência — e mudou bastante, em aspectos relativamente aos quais ele próprio mostrara relutância e até oposição. As paróquias da Mealhada e da Vacariça acolheram, de braços abertos, novo pastor e, com ele, algumas mudanças, nem sempre bem aceites. Na sua escola a ausência não se terá sentido de forma tão acentuada, até porque se tinha reformado quatro meses antes, mas terá deixado, a vários putativos discípulos, a promessa de os pôr a saber latim em dezanove lições. A agricultura, o oficio a que prometera dedicar-se com mais afinco na reforma, ficou para outros, e a pós-gradução em bioética certamente que não acabou pela sua falta.
A terra continuou a girar. É certo. Mas o Padre Abílio continua entre nós. Nas últimas semanas reparámos na quantidade de pessoas — dos mais variados quadrantes e graus de formação — que evoca, ainda hoje, as palavras dele para falar sobre a língua portuguesa bem escrita e bem falada, sobre as gralhas nos jornais, sobre a pontualidade, sobre a astúcia deste ou daquele protagonista político, sobre aquilo que ele algum dia terá dito ou escrito sobre o assunto. E, inevitavelmente, a congeminação: “Se o padre Abílio aqui estivesse…” Continua, por isso, entre nós. É citado mesmo por aqueles que ele julgava não o suportarem.
E enquanto ele for lembrado estará a ser feita a sua homenagem maior, no seu testemunho e no seu exemplo. Está, no entanto, por fazer a homenagem pública, institucional, secular, que foi prometida, pelos autarcas do concelho, aos seus familiares e aos seus amigos. O reconhecimento dos poderes políticos impõe-se. Ele nunca o exigiria e até dele fugiria… mas é merecido. E quem o prometeu não pode disso afastar-se.
Merece-o por ter sido um homem positivamente polifacetado. Por ter sido um homem de demandas que considerava de interesse social, um lutador, de antes quebrar que torcer mas que sabia dar a outra face, e que sofria com os que lhe eram ingratos. Por ser, por outro lado, um homem com um sentido de humor inigualável, a ponto de se rir das suas próprias fraquezas, perante aqueles em que confiava. Por ser um homem que mudaria a rota da Terra se fosse preciso ajudar uma pessoa que dele precisasse.
Dissemos, há dois anos, que a verdadeira personalidade do padre Abílio Simões só com o tempo seria devidamente apreciada. Não nos enganámos e, provavelmente, aconteceu mais cedo do que julgávamos. Dissemos que seriam muitos os que o criticavam e que, no futuro, invocariam, positivamente, a sua memória. E assim é.
O altruísmo, a perseverança, a generosidade dos gestos, que preferia manter anónimos, o exemplo de desprendimento das compensações materiais, de dedicação aos outros fazem dele um homem de grandeza excepcional que merece ser reconhecido e elogiado. Para memória dos que não tiveram a graça de o conhecer.

*Para eterna memória
Editorial da edição de 4 de Fevereiro do Jornal da Mealhada
[707.] - Hoje...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
[711.] - Hoje...
A primeira vez que ouvi falar de conflitos 'coloniais' entre o Estado Português e a colónia ultramarina de São Tomé e Principe foi no centro da cidade de São Tomé, na Praça da Independência.
Os são-tomenses, como os cabo-verdianos, não criaram movimentos nacionalistas de libertação que optassem pelo conflito armado com Portugal. A questão do uso de mão-de-obra escrava em São Tomé é antiga - tema central do Equador - mas nunca pensei que daí tivesse surgido algum confronto directo.
Aconteceu. E só fiquei a saber do que aconteceu realmente quando estava em Batepá, numa hiace, a caminho da Roça Monte Café. Parámos num monumento que evoca o que ficou conhecido como o massacre de Batepá.
A explicação parece ser simples. O governador da Colónia ficou convencido de que estava a proceder-se à organização de uma conspiração, nas roças, entre os nativos, que punha em causa a sua própria vida e a soberania portuguesa e decidiu antecipar-se e reprimir. Reprimiu tanto que causou uma chacina completa. Torturas, mortes... coisas abomináveis para a raça humana.
O episódio não é conhecido na história portuguesa, nem na temática colonial especifica. Mas é vergonhosa.
O próprio Governador não terá sobrevivido politicamente e foi substituído.
Ainda hoje há feridas do massacre de Batepá
Do que pesquisei, hoje, sobre o assunto resultou:- a existência de um livro de Sum Marky, "Crónica de uma guerra inventada", que narra estes acontecimentos; - a descoberta do poema "Onde estão os homens caçados neste vento de loucura", de Alda Espírito Santo, que fala d'
«O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.»
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
[706.] - «You'll never walk alone»
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
[705.] - Mercurii dies

Num texto de Março de 2005, José Carlos Abrantes, na época o provedor do Diário de Notícias, discorria sobre o erro e, especialmente, sobre o erro nos jornais. Errar é humano, dizia o provedor, que, por sua vez, citava Agustina Bessa-Luís, que, pelo telefone, havia admitido que os erros lhe aconteciam com regularidade e, muitas vezes, com insistente repetição. A escritora acrescentava, ainda, com a falta de humildade que se perdoa aos génios, que até os grandes compositores musicais riscavam e garatujavam as pautas manuscritas das grandes obras. Justificava, assim, os erros que, por vezes, surpreenderiam quem a lê.
Assim como Agustina Bessa-Luís se socorre do marido para lhe emendar as gralhas e os erros, também os jornais, assim aconselha o provedor do Diário de Notícias, devem munir-se de idênticos mecanismos para evitar o erro. No seu artigo, José Carlos Abrantes debruçava-se sobre a evolução dos instrumentos de combate ao erro nos jornais, desde o tempo dos revisores profissionais até à época da confiança exclusiva nos jornalistas licenciados e nas ferramentas informáticas de correcção ortográfica.
Mesmo assim, mesmo com revisores e ferramentas informáticas, os erros acontecem. Errar é humano. E os erros nem sempre são ortográficos, nem sempre são de concordância, nem sempre são gralhas com trocas de letras ou acentos ausentes, desadequados ou mal colocados. Esses erros também existem, mas são mais facilmente aceites pelo leitor. Felizmente temos diligentes e estimados leitores que nos apoiam na missão de evitar o erro e nos vão alertando para as falhas mais recorrentes nas nossas edições. Agradecemos publicamente aos que nos fazem chegar as suas notas e correcções a falhas em relação às quais fomos insensíveis ou negligentes. Mesmo sem terem disso noção, prestam um grande serviço ao jornal e às pessoas que aqui trabalham.
São falhas de outra natureza as que mais preocupam quem é responsável pela edição semanal de um jornal. Falhas de natureza técnica, a que os jornalistas são alheios — como a de paginar uma versão primitiva de uma entrevista e não a versão final revista e corrigida. Falhas no entendimento de determinada intervenção de uma personalidade política numa assembleia municipal, ou num plenário de militantes de um partido. Falhas relacionadas com escrita deficiente, com os leitores a fazerem interpretações daquilo que escrevemos que os levam a formarem ideia diferente do que é a realidade e a da intenção de quem escreveu.
E ao responsável pela edição semanal de um jornal coloca-se a pergunta: Como é que se emenda um erro destes? A lei da imprensa pode ajudar. Diz a lei que a publicação de uma rectificação tem de ser feita na mesma secção em que o erro foi publicado, com o mesmo relevo e apresentação do escrito ou da imagem que a tiver provocado. O preceito legal é o acertado, principalmente na óptica do prejudicado, mas até que ponto é possível cumpri-lo, escrupulosamente, na prática? Cumpri-lo garantindo que o defeito fica corrigido, cumpri-lo sem prejudicar a boa imagem, o bom nome, do jornal?
Deparou-se-nos este problema algumas vezes ao longo dos quatro anos em que dirigimos o Jornal da Mealhada. E o critério que temos seguido é o do respeito criterioso pela solução apontada na lei. Fazemo-lo esta semana, com a republicação, integral, da entrevista ao presidente da direcção da ACIM, nas páginas 8 e 9. Como também o fizemos na edição de 17 de Dezembro de 2008, rectificando, na primeira página, um título publicado na semana anterior cuja informação estava deturpada.
Nem todos os jornais portugueses têm este entendimento escrupuloso. Nós próprios reconhecemos que é radical e nem sempre garante o efeito pretendido, nem um eventual direito ao erro e ao engano. Mas aceitamo-lo. Aliás, adoptamo-lo e praticamo-lo sempre que necessário. Não por medo das consequências legais, não por medo dos ralhetes da Entidade Reguladora da Comunicação Social. Fazemo-lo por uma questão de honestidade, de lealdade em vários sentidos e, também, de afirmação de credibilidade. Acreditamos que o leitor que nos vê reconhecer e corrigir um erro acreditará mais facilmente no rigor do nosso trabalho. Mesmo conscientes de que fornecemos argumento aos críticos, acreditamos que, reconhecendo e corrigindo as nossas falhas, estamos a servir a Verdade, com sentido de responsabilidade e com coerência.
Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de Janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
[703.] - A não perder...
[702.] - Hoje...
[701.] - Equador

«O último fim-de-semana em Portugal fez questão de o ir passar ao Palace, no Bussaco, um dos seus locais preferidos. «Quero levar o Bussaco nos olhos e na alma!» - declarou, em tom tão trágico, que o João Forjaz, o Filipe Martins e o Mateus Resende, os seus amigos mais próximos, se apressaram a dizer que iam também. Tinham planeado uma escapadela a Coimbra, para «uma farra das antigas», mas ninguém o arrancou da varanda do Palace, onde passou duas manhãs e uma tarde a olhar obsessivamente para a mata, perdido em considerações filosóficas do género «junte-se-lhe uma mulher e um bom livro e tudo o que um homem precisa para ser feliz está aqui!». Em contrapartida e confirmando a sua tese, atirou-se ao menu do Palace com o apetite de um condenado, devorando tudo o que constava da lista e insistindo em terminar sempre com o leitão assado. Para grande deleite dos amigos, invocou a sua nova condição de rico sem destino que dar ao dinheiro e ofereceu as bebidas durante todo o fim-de-semana, indiferente aos preços que os melhores vinhos da célebre cave do Palace ostentavam. Comeu, bebeu e fumou como se disso dependesse a salvação da sua alma e acabou arrastado para o comboio em condições impróprias para um governador de nomeação régia».
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
[699.] - Gemidos de Moleskine

- sobre o BEST OF 2008 que já prometi há mesmo muito tempo.
- sobre a President OBAMA'S INAUGURATION. Achei o discurso demasiado historiográfico sem grande apelo... Foi um optimo discurso mas esperava, sinceramente, mais. Achei curiosas algumas das medidas tomadas imediatamente a seguir à tomada de posse... e previa escrever sobre isso
- sobre a BATALHA DE BLORE HEATH a segunda da Guerra das Rosas aqui do Partido Socialista da Mealhada.
E a agenda, claro está, que ficou por actualizar...
[704.] - Mercurii dies
A propósito da tomada de posse de Barack Obama como presidente dos EUA

Quando em Novembro nos debruçámos sobre a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos da América — no Editorial de 12 de Novembro de 2008 — procurámos encontrar no conjunto das características pessoais de Obama e nas mensagens que transmitiu ao longo da campanha eleitoral a justificação para a esolha dos americanos. “Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e política do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de mudança, de esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso”, escrevemos há três meses.
Agora, quando escrevemos, poucas horas antes da tomada de posse do 44.º presidente dos Estados Unidos, temos novos dados, geradores de novas reflexões que interessaria serem feitas nesta altura. Reflexões essas que julgamos importantes para perceber o modo de governo dos povos mas, principalmente, para um entendimento do novo paradigma político que Obama introduz. Haverá outros casos na sociedade contemporânea. Aliás, debruçamo-nos sobre este tema porque entendemos que compreendê-lo poderá ser útil para uma maior credibilização, eficácia e eficiência do trabalho político de modo geral, no governo das nações, no governo regional, nos governos locais, na gestão das associações, no fundo, no exercício efectivo da Democracia.
Quando esta edição chegar às mãos do leitor, Obama já terá prestado juramento, e o seu mandato estará inaugurado — a expressão não é nossa, é a oficial. Terão assistido à cerimónia, ao vivo, cerca de quatro milhões de pessoas. Comentadores na comunicação social terão dito que, naquele momento, o índice de popularidade do presidente Obama era de 73 por cento. Um valor que poderá ser encarado como um bom augúrio — trata-se de um valor sem precedentes —, mas que Obama sabe ser, certamente, efémero.
Mesmo com valores altos na popularidade, mesmo com um valor de participação eleitoral sem precedentes, mesmo com um confortável resultado eleitoral, o presidente democrata Obama durante toda a transição deu sinais ao mundo de que, como Abraham Lincoln — presidente republicano que cita recorrentemente —, e como Ronald Reagan — presidente republicano que afirmou admirar —, procurará governar agradando a conservadores, não desiludindo liberais. Procurará governar para o cidadão ideologicamente indiferenciado. Para isso constituiu uma equipa pragmática, liderada ao centro sem a tentação de se colar aos sectores mais liberais ou aos mais conservadores.
Mas onde está a diferença? O tal novo paradigma de Obama? O que é novo neste modelo de Obama é ele ir buscar o paradigma de Lincoln ao contrário do modelo de Blair — um modelo de eleição à esquerda e governação à direita para esvaziamento das propostas da oposição, de que Sócrates é fiel seguidor. Obama prefere trazer os adversários para dentro da sua equipa, fazer dos que derrotou seus conselheiros políticos. O presidente eleito procura soluções para os problemas das pessoas mesmo junto dos seus adversários. Soluções que acolhe venham elas de onde vierem. Trata-se de um modelo que Lincoln usou depois da Guerra Civil Americana, mas cuja eficácia não estará suficientemente confirmada.
Obama procura reproduzir o legado de Lincoln quando chama Hillary Clinton, a sua adversária interna, para assumir, entre outras tarefas, a chefia da diplomacia americana. Obama têm tido reuniões periódicas com John McCain, o candidato republicano que derrotou, no sentido de recolher conselhos sobre política externa. O próprio McCain terá dito, recentemente, que algumas das escolhas de Obama para o Governo também teriam sido as suas. Obama tem, aliás, vários republicanos na sua equipa governativa, alguns até transitam da administração Bush. Para proferir a oração que inicia a cerimónia de tomada de posse, Obama convidou um pastor protestante, ligado à conservadora direita religiosa anti-aborto, mostrando, dando a entender, assim, até onde está disposto a ir no esforço de convergência.
É esta convergência política que vai ser testada e constitui o que apelidamos de novo paradigma político. Será que estaríamos preparados para ver Sócrates, empossado como primeiro-ministro depois das legislativas de 2009, nomear Ferreira Leite como ministra das Finanças, ou Manuel Alegre como ministro de Estado? Será que o sistema partidário português, como o conhecemos, aceitaria que nos municípios o cabeça-de-lista do partido da oposição fosse nomeado vice-presidente pelo presidente da Câmara?
“A convergência em política é possível, mas é perigoso pensar que se pode ter toda a gente no mesmo barco”, dizem alguns politólogos. A Obama caberá mostrar se a afirmação é, ou não, verdadeira.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
[697.] - Hoje...
... Martin Luther King faria 80 anos, se não tivesse sido assassinado em 1968.Se fosse vivo teria visto Obama tornar-se presidente e, assim, cumprir o seu sonho?
Ou teria ele próprio sido presidente?
Ou será que se não tivesse sido assassinado nesse dia, tê-lo-ia sido em 1969, ou em 70, ou 71...?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
[696.] - Mercurii dies
A propósito da recuperação da Mata Nacional do Buçaco
Publicamos boas notícias sobre a Mata do Buçaco com muito gosto, com muita satisfação. A informação de que o investimento na recuperação e potenciação da Mata, com a construção de um centro interpretativo, esteve em risco mas que a situação está hoje ultrapassada e as obras vão começar em breve é uma boa notícia. Como é boa notícia a informação, em primeira-mão, assim acreditamos, de que o modelo de gestão da Mata do Buçaco que o Governo está a elaborar é o de uma fundação com capitais públicos, que terá um órgão de gestão constituído quase exclusivamente por representações de organismos do Estado. Publicamos ambas as notícias nas páginas 2 e 3 da presente edição.
Acompanhamos tudo o que diz respeito à maior jóia natural desta região, o ex-libris do município da Mealhada, com grande atenção. Encontramo-nos no conjunto dos defensores intransigentes da Mata e do seu património histórico, natural e afectivo. E foi com grande apreensão que recebemos a informação, que depois confirmámos, de que estaria em risco o investimento de vários milhares de euros na recuperação da Mata, e, de modo especial, e particularmente gravoso, o investimento na construção do Centro Interpretativo. A razão deste risco foi o facto de, até ao dia 15 de Dezembro de 2008, a Direcção Geral das Florestas não ter conseguido a cedência formal das garagens do Palace Hotel do Bussaco para lá poder construir no seu lugar o referido Centro Interpretativo. E essa cedência não foi garantida porque faltava um papel do Instituto Nacional do Turismo, um organismo do Estado, autorizando a Hotéis Alexandre de Almeida, concessionário provisório sem concessão formal, a permutar as garagens com dois edifícios, que eram pertença da Direcção Geral das Florestas, que é, também, um organismo do Estado.
Ou seja, por causa de um papel, por causa da burocracia interna do próprio Estado português, o dinheiro do terceiro Quadro Comunitário de Apoio entregue pela União Europeia a Portugal para realizar a recuperação da Mata Nacional do Buçaco esteve em risco de regressar a Bruxelas por não ter sido gasto dentro do prazo exigido. Pioraria a situação, no caso de deixar de haver esse dinheiro para investir, a possibilidade de ter de indemnizar a empresa construtora a quem a obra já tinha sido adjudicada e que até já tinha colocado no local os materiais para dar início à empreitada.
Diz-se que tudo está bem quando acaba em bem e, pelo que conseguimos apurar de várias fontes, terá sido graças à intervenção do presidente da Câmara da Mealhada, que os obstáculos se puderam superar e que a construção do Centro Interpretativo se tornará real dentro de pouco tempo.
A acção da Câmara da Mealhada em relação à resolução deste problema será apenas mais um dos exemplos a que se pode recorrer para justificar que é essencial a autarquia ter um papel fundamental no futuro modelo de gestão da Mata. E, de acordo com o que averiguámos, esta questão está solucionada e, assim, um representante da Câmara fará parte do órgão de gestão da Fundação Mata do Bussaco. Como salvaguardada está a inclusão neste mesmo órgão de vários organismos do Estado — da Cultura, das Florestas, do Turismo. Acreditamos assim que, com esta conjugação de poderes Câmara-Estado, e uma atitude vigorosa e activa da parte da Câmara da Mealhada, possa surgir um tempo novo para a recuperação da Mata do Buçaco.
Post scriptum
A Fundação Mata do Bussaco ainda não está constituída. Prevê-se que o diploma que a faz nascer e que a vai reger vá a Conselho de Ministros ainda no mês de Janeiro de 2009. Mas os elementos que constituirão o futuro órgão de gestão já tomaram uma decisão. E a decisão que tomaram foi de uniformizar a grafia do nome da mata nacional e da serra de que faz parte. Ou seja, o órgão de gestão da fundação vai grafar exclusivamente Mata Nacional do Bussaco, desprezando a grafia “Buçaco”. No Jornal da Mealhada o critério até agora existente ditava que a grafia do nome da serra fosse “Buçaco” e que só em nomes próprios, não geográficos, e marcas assim registados se grafaria “Bussaco”, como no caso de Palace Hotel do Bussaco. Encontramo-nos, portanto, perante um "dilema" que, certamente, o tempo e a prática acabarão por resolver.
Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Dezembro de 2008
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
[695.] - Quantos temos a graça de conviver com um Homem Novo de barbas brancas?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
[694.] - Poderá uma sms mudar o mundo?
domingo, 11 de janeiro de 2009
[693.] - Hoje é...
obrigadinho, portanto, a todas as pessoas a quem eu tenho razões para agradecer!
Assinala-se, também:
- O 47.º aniversário da 'inauguração' do Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII. Concílio que foi verdadeiramente transformador da Igreja Católica Apostólica Romana.
- O Dia da República na Albânia
- O Dia da Independência em Marrocos
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
[692.] - Saudades da Lua

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
[691.] - O discurso do Rei - Parte II
O ano de 2009…
O caminho é estreito mas existe
Classificado, antes mesmo de se iniciar, como annus horribilis, 2009 começou há poucos dias mas tem já, sobre si, uma carga bastante pesada. As perspectivas económicas não são promissoras, há indicadores que prenunciam o aumento do desemprego, da pobreza e da exclusão social. Será, assim o dizem os analistas, o ano da crise. No seu discurso de Ano Novo, o Chefe do Estado, Prof. Cavaco Silva, exortando os portugueses no sentido de não se deixarem dominar pelo desânimo disse: “Não tenham medo!”. No mesmo sentido, à sua maneira, vem a tirada do grupo de humoristas ‘Gato Fedorento’ sugerindo a passagem directa do ano de 2008, para o ano de 2010, evitando assim o ano de 2009.
A ideia de classificar um ano do calendário como horribilis — horrível — ou mirabilis — milagroso — decorre da tradição poética britânica e ganhou maior popularidade quando a monarca de Inglaterra, Isabel II, declarou que os factos do ano de 1992, na família real britânica, tinham feito deste um annus horribilis. O antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan com o mesmo epíteto classificou o ano de 2004 — aludindo à catástrofe do tsunami na Ásia e, também, às suspeitas de corrupção nas estruturas internas da ONU. Também o ano de 2007 foi considerado horribilis por Juan Carlos, rei de Espanha — devido a problemas do foro intimo da família real, aos incidentes separatistas anti-monárquicos que se verificaram no seu país e ao conflito entre ele e o Presidente República da Venezuela.
Sem o dizer textualmente, Cavaco Silva, Presidente da República, classificou também o ano que agora começa como um annus horribilis. Aguardava-se do Chefe do Estado português, dias depois do puxão de orelhas que deu aos deputados da Assembleia da República, uma declaração de Estado com uma análise ao trabalho do Governo. Cavaco Silva não o fez — criticou apenas os “oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos parceiros europeus”, fazendo sobressair a verdade que entendeu ter de ser dita: “Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz”. O Presidente da República preferiu dirigir “uma palavra especial de solidariedade a todos os que se encontram em situações particularmente difíceis”. Palavra endereçada, de forma sublinhada, aos que perderam o emprego e rendimentos, aos jovens que não conseguem o primeiro emprego, aos pequenos comerciantes, e aos agricultores.
Num discurso particularmente escuro, que fomenta o cepticismo, e que é, até, na nossa opinião, angustiante, Cavaco Silva declarou sentir-se impelido a dizer a verdade — uma verdade que custa ouvir: “2009 vai ser um ano muito difícil!”. “A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes. É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca”, disse Cavaco. “As ilusões pagam-se caro. O caminho é estreito, mas existe. E está ao nosso alcance”, acrescentou.
Sublinhamos, ainda, as palavras que Cavaco Silva dirige aos partidos políticos. Lembramos que se realizarão nos próximos doze meses três actos eleitorais — a eleição para o Parlamento Europeu, as eleições autárquicas e as legislativas. Sendo as duas últimas de especial relevância politica e económica, e mais susceptíveis à demagogia e ao populismo. Cavaco é muito directo: “Os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está, de facto, centrada no combate à crise. Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os problemas das pessoas”.
Cavaco Silva, pessoa a que já alguém chamou, um dia, timoneiro e homem do leme, garante estar atento, mas não nos tranquiliza. Sem pretendermos colocar no mesmo plano o discurso do Chefe de Estado e o do Gato Fedorento, lembramos que Cavaco Silva exprime uma ideia semelhante à do referido grupo humorístico: “O futuro é mais do que o ano que temos pela frente. O futuro será 2009, mas também os anos que a seguir vierem”.
Condenados a atravessar este ano, mais ou menos angustiados, com mais ou menos motivos para ter esperança, lembremos que 2009, para além de ser o Ano Internacional da Astronomia, é, note-se bem, o Ano Europeu para a Criatividade e Inovação. Criatividade e inovação que, em época de crise, tão necessárias são, tanto jeito dão, tantas oportunidades poderão criar e tantos sucessos podem proporcionar.
Não tenhamos medo! O caminho é estreito mas existe, frisou Cavaco Silva. Aceitemos trilhá-lo, com criatividade e sentido de inovação.
Editorial do Jornal da Mealhada de 07.01.09
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
[690.] - O PM foi à televisão
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
[688.] - A Guerra das Rosas
- Quem se abstém da proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Duas pessoas: Álvaro Madeira e o presidente da Junta da Antes (ambos do PS)
- Quem vota a favor da proposta do Partido Socialista Marqueirista?
Dezasseis pessoas: (Foto é prova) 8 do PSD - Mano Soares, António Ferreira, Luís Brandão, Filipa Pereira, Pedro Duarte, Pedro Paiva e os presidentes das juntas da Mealhada e Ventosa; 8 do PS-M - Rui Marqueiro, Manuel Paredes, Miguel Felgueiras, Júlio Penetra, António Ribeiro e Lurdes Bastos.
Ficaram ambas as famílias contentes? Sim. Os Marqueiristas porque ganharam a primeira batalha. Os Cabralistas porque mostraram que há divisão, que os barões (presidentes de junta) estão com eles e isso é importante porque cada um deles também tem exército.
Ficaram ambas as famílias frustradas? Sim. Os Marqueiristas porque precisaram da muleta do PSD para ganhar, uma vez que falharam votos como o da Junta da Antes... Os cabralistas porque perderam a primeira batalha com ferimentos graves... nas costas!
Os franceses, que é como quem diz os do PSD é que, * ofuscados com o sangue da guerra, se esqueceram de fazer politica e reivindicar os despojos. Foi oportunidade falhada que pode não voltar a repetir-se.
A Primeira Batalha de St. Albans está feita. Ganharam os de York, os Marqueiristas. A segunda batalha é a de Blore Heath reza a história que ganhariam aí os de Lancaster... a ver vamos!
[687.] - O discurso do Rei - Parte I
Certeiro, simples, disse o que tinha a dizer e saiu.
Falou em valores como a lealdade, o serviço à Pátria, a moral política.
Foi muito crítico e apresentou-se desiludido e frustrado.
Puxou as orelhas aos profissionais do metier e isso parece ter doído.
O Chefe de Estado portou-se à altura. Não percebi muito bem porque razão é que não enviou ele próprio o assunto para análise do Tribunal Constitucional, mas enfim.
As criticas que fez aos partidos políticos deixaram-me assustado e com aquele sentido de orfandade-a-vir, ou seja, os partidos políticos não são garante de sobrevivência nacional, quando estamos mal eles ainda nos fornicam mais...
Mas é neles que reside a chave da democracia... Por quanto tempo?
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
[686.] - Juízo do Ano 2008 - Prólogo -
Como vem sendo hábito, o Fio dos Dias procurará identificar as figuras, factos, produtos que se destacaram no ano velho.Ando em prospecção e analisando o que poderá resultar na nossa análise pessoal.
Mas desta vez queria pedir ajuda.
Será que não dá para a malta que por aqui passa me deixar o seu contributo?
Nos comentários ou para ncastelacanilho@gmail.com
Pode ser?
ADENDA 1
AS CATEGORIAS: a) - PERSONALIDADE DO ANO; b) - PERSONALIDADE NACIONAL DO ANO; c) - PERSONALIDADE LOCAL DO ANO; d) - FACTO INTERNACIONAL DO ANO; e) - FACTO NACIONAL DO ANO; f) - FACTO LOCAL DO ANO; g) - BLOGUE DO ANO; f) - BLOGUE LOCAL DO ANO; h) - BLOGUER DO ANO; i) - MÚSICA DO ANO; j) - GRUPO MUSICAL DO ANO; k) - LIVRO DO ANO; l) - ESCRITOR DO ANO; m) ATLETA INTERNACIONAL DO ANO; n) ATLETA NACIONAL DO ANO; o) ATLETA LOCAL DO ANO.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
[685.] - Hoje é Dia de Natal
Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado.
Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro Admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.
Isaías
NOITE DE NATAL (ANO B)
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
[684.] - Mercurii dies
O Natal é tempo do elogio da esperança, a época propícia para pensarmos nela, para termos confiança e para conduzirmos as nossas vidas impelidos por ela.
Podemos justificar esta afirmação — a do Natal como tempo do elogio da esperança — com o comportamento da própria natureza e com a tendência que o Homem tem de dar à realidade natural uma dimensão simbólica.
Antes de Cristo nascer ou de se ter estabelecido que neste tempo do calendário se evocaria o Seu nascimento, já os homens celebravam a esperança, como factor de confiança da chegada de melhores dias. Faziam-no motivados pelo fenómeno do solstício de Inverno — momento a partir do qual o dia passa a ser maior do que a noite, o período de luz solar passa a ser superior ao período de escuridão. Deste facto astronómico terá nascido a ideia de que neste momento a Luz vence a Treva, o Bem vence o Mal.
Celebrações associadas à luz, à mudança de ciclo solar, e à esperança da transformação a ela associada. Com a implantação do cristianismo, os cristãos começaram a evocar, também, o nascimento do Salvador, como início de um tempo novo, de uma nova aliança entre Deus e os homens. E Cristo, o Salvador — o Deus-Filho incarnado, o Messias prometido — é esperança para cristãos, mas, também, de certo modo, esperança para os muçulmanos. Jesus é considerado no islamismo como grande profeta.
Hoje, mais do que a significação atribuída ao ciclo solar, é a necessidade humana de sobrevivência que nos conduz à invocação e à utilização da esperança como apoio, como suporte, como uma espécie de muleta, espiritual, anímica, para as nossas vidas. Uma invocação e utilização que vai muito para além da fé, da espiritualidade ou sequer da religião. Trata-se de um esperança racional, a de percebermos que, em tempo de crises, que prometem agravar-se, precisamos de nos precavermos, de nos prepararmos material e espiritualmente, de observarmos a realidade que nos rodeia e arriscar, investir em segurança, consumir responsavelmente, para que a economia saia do estado de estagnação em que se encontra e volte a crescer.
Em finais do ano de 2007, e durante o ano de 2008, falou-se da mais recente encíclica do Sumo Pontífice da Igreja Católica, o Papa Bento XVI, sobre a Esperança — Spe salvi. Também em 2008, perante o olhar atento de todo o planeta, foi eleito para presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, um homem que escolheu como ideias e palavras de ordem da sua campanha ‘Esperança’ e ‘Mudança’, e como lema, a frase “Yes, we can” — Sim, nós podemos. Estes dois factos serão uma coincidência ou uma demonstração de que o Homem contemporâneo tem sede de esperança, e que a satisfação dessa sede é prioridade absoluta? Prioridade espiritual, prioridade social, prioridade mundial.
A todas as pessoas das nossas relações, a quem se justificaria a oferta de algum bem material, não seria mais positivo dirigirmos uma palavra de esperança — “Uma esperança fidedigna, graças à qual se possa enfrentar o tempo presente”, como disse Bento XVI?
“O presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (encíclica Spe salvi).
Editorial do Jornal da Mealhada de 23 de Dezembro
domingo, 21 de dezembro de 2008
[683.] - Hoje é o Quarto Domingo do Advento
Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo:«Como será isto, se eu não conheço homem?»
O Anjo respondeu-lhe:«O Espírito Santo virá sobre tie a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhiceporque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:
«Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».
Evangelho segundo Lucas
IV DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
[682.] - Mercurii dies
A propósito do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem
Assinalou-se na quarta-feira, 10 de Dezembro, o sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Do conjunto vastíssimo de iniciativas referentes ao tema e evocativas da data, destacamos uma que nos tocou especialmente — a do Bispo do Porto, Manuel Clemente, num colóquio sobre o tema realizado na Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa sob o título “Direitos do Homem e Bento XVI”.
Na sua intervenção, o Bispo do Porto, um dos mais brilhantes prelados portugueses, defendeu que “neste novo século que vivemos, a oportunidade da Declaração e a substancialidade do que ela afirma nos seus vários artigos é, de algum modo, ainda mais urgente do que o foi no início”. A justificação dada para tão peremptória afirmação assenta na “certa rarefacção cultural que atinge o mundo ‘ocidental’ e, a partir dele, se difunde relativizando muito do que foi afirmado, tornando mais ténues do que pareciam ser as afirmações da Declaração de há sessenta anos. Pelo ambiente e pela prática, mesmo legislativa, de vários países signatários, dizer hoje, por exemplo, que ‘todo o indivíduo tem direito à vida’ (artigo 3.º), ou que ‘a família é o elemento natural e fundamental da sociedade’ (artigo 16.º), não encontrará um entendimento tão geral e unívoco como em 1948”.
Manuel Clemente prosseguiu numa explanação que visava salientar a reflexão do Papa Bento XVI a propósito do documento sexagenário. Mas foi a ideia de Manuel Clemente, que citámos, a que, de maneira mais forte, nos interpelou. Seremos hoje menos sensíveis à importância da vida e da família humanas do que há 60 anos?
Em 1948 o mundo sofria com as feridas abertas da Segunda Guerra Mundial, feridas que exigiram, da parte da comunidade internacional, algo de verdadeiramente sólido e universal, erga omnes — para todos os homens. Algo que protegesse a humanidade da repetição dos enormes atropelos que tinha sofrido entre 1939 e 1945. Assim nasceu a Declaração Universal dos Direitos do Homem, texto esboçado pelo canadiano John Peters Humphrey e, depois, amplamente discutido e aprovado na ONU.
“Infelizmente, as seis décadas que entretanto se volveram não ficaram ilesas de outros atropelos, repetindo abusos e esquecendo valores que pareciam finalmente universais, em termos de humanidade assegurada e geral”, diz também o Bispo do Porto.
A declaração universal tornou-se uma arma de protecção contra a crueldade da própria natureza humana. Em 1948 “a família humana reagia aos horrores da II Guerra Mundial, reconhecendo a sua própria unidade assente na igual dignidade de todos os homens e pondo, no centro da convivência humana, o respeito pelos direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos; tratou-se de um passo decisivo no árduo e empenhado caminho da concórdia e da paz”.
Direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos que, nesta declaração universal, assentavam nas liberdades individuais — de expressão, circulação, emancipação, manifestação — de cada pessoa acima de tudo, no direito ao desenvolvimento, à educação, à solidariedade social. A declaração universal dos Direitos do Homem foi, também, inovadora no âmbito da responsabilização colectiva da satisfação destes direitos. Contrariamente aos direitos sociais, económicos e laborais nascidos do liberalismo do século XVIII, na América e em França, e que tomaram força de lei em meados do século XIX, que responsabilizavam o Homem e o Estado, a declaração universal de 1948 responsabilizava o Homem perante o Homem.
A segunda metade do século XX, fortalecida pela declaração universal, valorizou a liberdade e o desenvolvimento dos povos de todo o mundo, o direito à auto-determinação dos povos, especialmente dos que saíram da colonização europeia.
E actualmente? Teremos esgotado o potencial social de crescimento no âmbito do aprofundamento do humanismo? Dito de outra forma: Seremos hoje menos sensíveis à importância da vida e da família humanas do que há 60 anos?
Consideramos que não. A declaração universal dos Direitos do Homem não precisa de ser reescrita, mas precisa de ser relida. Relida no sentido de reconhecermos a importância do direito ao alimento — do direito a não passar fome —, do direito ao acesso à água potável, do direito à sustentabilidade do planeta, do acesso à cultura, à educação e à informação, por exemplo.
E, ainda, retomando as palavras e a preocupação do Papa Bento XVI e do Bispo Manuel Clemente, precisamos de revalorizar o papel da família, do direito à família, enquanto estrutura basilar do ser humano como ser social. “Quem, mesmo inconscientemente, combate o instituto familiar, debilita a paz na comunidade inteira, nacional e internacional, porque enfraquece aquela que é efectivamente a principal agência de paz”, afirma o Sumo Pontífice da Igreja Católica.
Quando nos preparamos para viver o Natal e somos interpelados pelo sexagésimo aniversário de um documento — o que em maior número de línguas se encontra traduzido — não podemos deixar de o reconhecer como proposta salutar de globalização pelos valores da vida humana e da família que o povo da Terra constitui, e, “sobretudo, a antropologia que vê no homem um sujeito de direito precedente a todas as Instituições, com valores comuns a serem respeitados da parte de todos” — usando as palavras de Bento XVI.
Editorial de 17 de Dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
[681.] - Hoje é o Terceiro Domingo do Advento
Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus.
Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos;
mas avaliai tudo, conservando o que for bom.»
Primeira Epístola de Paulo aos Tessalonicenses
II DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
[679.] - Hoje é 10 de Dezembro II
[677.] - Hoje é 10 de Dezembro
Portugal disponível para acolher prisioneiros de Guantanamo
Para perceber como, ver AQUI (Jornal de Noticias) e AQUI (versão integral da carta no MNE).
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
[678.] (07) - Saudades do Paraíso
«Trabalhando, lutando, presente em vencendo,
Caminhamos a passos gigantes
Na cruzada dos povos africanos,
Hasteando a bandeira nacional.
Voz do povo, presente, presente em conjunto,
Vibra rijo no coro da esperança
Ser herói na hora do perigo,
Ser herói no ressurgir do País.»
Do hino nacional de São Tomé e Principe, escrito por Alda do Espírito Santo.
[676.] - Hoje é 9 de Dezembro
domingo, 7 de dezembro de 2008
[675.] - Hoje é Segundo Domingo do Advento
Está escrito no profeta Isaías:
"Vou enviar à tua frente o meu mensageiro,que preparará o teu caminho.Uma voz clama no deserto:
‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas".»
Evangelho segundo Marcos
II DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
[674.] - Hoje é 5 de Dezembro
[673.] - Hoje é 5 de Dezembro

Dia de São Geraldo
Padroeiro de Braga e da nossa Lameira com o mesmo nome
Geraldo de Moissac era francês, mas transformou-se num personagem essencial para a formação de Portugal, ao consolidar a Arquidiocese de Braga como metrópole eclesiástica de toda a Galiza e noroeste da Ibéria, no século XI.
«Nascido de família nobre, Geraldo era natural da diocese de Cahors (França), tendo professado na Abadia de Moissac. Foi visitador de mosteiros de obediência desta localidade e chantre da Sé de Toledo. Eleito bibliotecário do mosteiro, tal o seu fervor pela leitura, dedicou-se ao ensino dos monges menos instruídos, tanto na música como nas artes.
Nas reuniões capitulares distinguia-se pela sua eloquência e erudição, desde logo porque era versado em Gramática, cujo exercício regia doutamente.
Em Abril de 1096, Geraldo encontra-se já em Braga, governando a diocese e fazendo todos os esforços para engrandecer a Igreja local, de que é testemunho o facto de ter conseguido do papa Pascoal II a dignidade de Braga como Metrópole da Galiza.
A sua acção em prol do engrandecimento da Igreja bracarense registou sempre o apoio do conde D. Henrique, então titular do Condado Portucalense, sendo vários os relatos que o implicam nas circunstâncias que haviam de favorecer a fundação de Portugal. É com base nessa intervenção “política” que chegou até nós a informação de que terá sido precisamente o primeiro arcebispo metropolita a baptizar o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Geraldo terá morrido no concelho de Vila Pouca de Aguiar, quando, em Dezembro de 1108, por lá andava em visita pastoral. Foi então trazido para Braga e sepultado na capela que edificara em honra de São Nicolau, junto da Sé. Cedo foi organizado o seu processo de canonização e, em fins do século XII, aparece já como padroeiro da diocese que eficazmente governara.»
.
Fonte Agência Ecclesia
.
Eis a forma encontrada de ver se a malta da Lameira paga um copito pela festa...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
[672.] - Hoje é 4 de Dezembro
.
Hoje é inevitável lembrar o desaparecimento de 'O Principe'.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
[671.]
Que vantagens advêm de estar do Lado Bom da Força?
Estar sujeito ao desafio. Ser constantemente posto à prova. Não ter descanso nem desculpa, apesar da dedicação, da fé, da entrega, da disponibilidade, do desprendimento. É desconfortável e, acima de tudo, injusto.
Estar do lado Bom da Força é como olhar-se à volta e ver-se os que estão do lado Mau ou não têm lado a ter grandes vitórias... Acontece que as vitórias deles são de jogos da III Distrital e estar do Lado Bom da Força significa jogar para a Liga dos Campeões. Os jogos são mais complicados mais a vitória é mais saborosa.
No lado Mau da Força as vitórias são muitas, tudo parece fácil, e de grandes contentamentos. Só que antes do gozo total, antes do usufruto absoluto, é a própria Força que tudo dissolve e tudo se esfuma.
Estar do lado Bom da Força é estar com a Justiça, com a Paz, com a Luz. Não é fácil, mas só o que não é fácil é que vale a pena... é que não se esfuma!
[670.] - Mercurii dies
Desde o princípio do mês de Novembro que as montras dos estabelecimentos comerciais se engalanaram com motivos natalícios para procurar convencer os consumidores a fazer compras. O facto de a campanha de Natal começar tão cedo estará relacionado com a urgência que os empresários têm de realizar dinheiro? Será pacífico entender-se que sim, apesar de, desde há já alguns anos, graças à febre consumista, a época natalícia começa cada vez mais cedo, e ter cada vez com maior duração, obviamente.
A crise, como já aqui o dissemos, está oficializada, é efectiva e todos têm consciência disso. Consciencializámo-nos, também, de que, da crise financeira (verificada quando as pessoas não dispõem de dinheiro para gastar em bens de consumo), passámos já à crise económica (quando toda a economia, enquanto rede global de transacções de bens e serviços, perde vitalidade em consequência da quebra do consumo).
A época natalícia é a altura, no ciclo de doze meses, em que mais transacções comerciais, de vários tipos e ordens de grandeza, se operam. Grande parte dos empresários procura compensar nesta quadra o proveito que não obteve noutras alturas. É natural que assim seja. E é importante que todos procuremos colaborar com isso.
Pensamos que seria importante que todos, nesta altura de dificuldade, especificamente, quando reflectíssemos sobre o tipo de compras a efectuar e sobre os locais onde as fazer, procurássemos colaborar no sentido de exercer a solidariedade natalícia de uma forma mais global. Se consumirmos o nosso pecúlio para as compras de Natal nos estabelecimentos comerciais locais, no comércio de proximidade, estamos a apoiar empresas, geralmente pequenas ou médias. Ao fazermos isso estamos a contribuir para revitalizar o círculo virtuoso de trocas e transacções de distribuição da riqueza na nossa comunidade local.
Editorial do Jornal da Mealhada de 3 de dezembro de 2008















