quarta-feira, 4 de março de 2009

[730.] - Mercurii dies

“Quid est veritas?”*
*O que é a verdade? — perguntou Pilatos a Cristo

Fazer vingar a ideia da necessidade de analisar criticamente o Carnaval da Mealhada na modernidade não é tarefa fácil. É quase hercúlea a tarefa de convencer os principais implicados na organização dos desfiles de que a avaliação é uma medida importante que trará a melhoria do espectáculo, que levará a uma melhor aceitação pública do trabalho — artístico, cultural e até social — realizado pelas escolas de samba, do que resultará o beneficio de todos. Desde 6 de Fevereiro, dia em que fomos convidados para avaliar o desfile do Carnaval de 2009, até 28 de Fevereiro, dia em que entregámos os prémios e finalizámos o processo, muitas foram as complicações, e muitos foram os obstáculos e mal-entendidos que se nos apresentaram.
Acabámos por nos deparar com um divórcio atroz entre a direcção da Associação do Carnaval da Bairrada e as escolas de samba, um distanciamento inexplicável entre os dirigentes das várias escolas e uma estranhíssima falta de sintonia entre as pessoas que compõem a direcção da ACB em relação às opções tomadas pela liderança. Acusados de muitas coisas ao longo destes 22 dias de tensão, julgamos, agora, ser tempo de explicar a nossa versão dos factos. Uma versão desapaixonada, poupada em adjectivos, que resultará muito mais uma descarga de consciência do que uma qualquer moralização. Porque percebemos que, mais do que no futebol, o que, no Carnaval, é mentira hoje pode ser verdade amanhã, convém-nos, agora, dar a nossa versão da verdade.
Fomos convidados para organizar a avaliação das escolas de samba na tarde de 6 de Fevereiro. Dois gerentes da JM — Jornal da Mealhada, Lda dirigiram-se à ACB, onde eram esperados pelo presidente da direcção e por um director. Confrontados com o convite, e depois de colocar algumas exigências de natureza logística e outras que garantiriam a independência da avaliação, resolvemos aceitar. Este convite era uma demonstração do reconhecimento formal e irrefutável de que o trabalho desenvolvido pelo Jornal da Mealhada em 2005, em 2006 e em 2007, com a avaliação e concursos, era importante e digno de crédito. Ficou decidido entre as duas partes que ao Jornal da Mealhada caberia conduzir todo o processo e à ACB caberia fornecer as condições necessárias para o seu desenvolvimento, informar as escolas e promover a divulgação dos resultados na tenda gigante no último dia dos festejos.
Nesse mesmo dia 6 de Fevereiro, e poucas horas depois da aceitação do convite, fomos informados de que havia pelo menos uma escola de samba que não estaria de acordo com a realização de uma avaliação. O presidente da direcção da Sociedade Mangueirense disse-nos que haveria uma decisão, de Novembro de 2008, que, por unanimidade da direcção da ACB e dos representantes de todas as escolas, decretaria que haveria uma avaliação interna — não pública, nem publicada — e nada mais do que isso. Recusando-se expressamente a ideia de qualquer concurso ou avaliação promovida por um jornal.
Deslocámo-nos à sede da referida escola para clarificar essa posição e solicitámos que essa informação fosse escrita a fim de a podermos transmitir, sem qualquer deturpação, à ACB. Dissemos que, uma vez que tinha sido a ACB a convidar-nos, teria de ser a ACB a solucionar o problema que se deparava. Perante o anúncio de que outras escolas teriam a mesma opinião, fizemos idêntica recomendação. Por mais do que uma vez afirmámos que considerávamos a ACB soberana na decisão de realizar a avaliação. E que essa mesma avaliação havia sido anunciada publicamente pelo presidente da direcção da ACB ao lado do presidente da Câmara da Mealhada, em conferência de imprensa.
Na quinta-feira, 12 de Fevereiro, foi-nos solicitado que assistíssemos a uma reunião entre os presidentes das direcções das cinco escolas de samba que participavam no Carnaval de 2009 e a direcção da ACB. Assim fizemos. Ao chegar à sede da ACB reparámos que não se encontrava o presidente da direcção da ACB nem o dirigente que nos tinha feito o convite em 6 de Fevereiro. Assistimos à contestação e manifestação de indignação dos representantes das escolas e, assim que tivemos oportunidade, explanámos o rol dos acontecimentos havidos até à data. Ouvimos, ainda, da parte de um director da ACB, a prestação de uma informação falsa aos dirigentes das escolas. Corrigimos essa informação e anunciámos que só com o presidente da ACB poderíamos clarificar a situação e que só a ele reconheceríamos legitimidade para tomar uma decisão em relação à continuação, ou não, da avaliação. Depreendemos que havia, entre os dirigentes da ACB, pessoas que estavam manifestamente contra a realização de uma avaliação pelo jornal.
Nos dias seguintes, entre 14 e 16 de Fevereiro, recebemos de quatro escolas — GS Sócios da Mangueira, GRES Amigos da Tijuca, ES Juventude de Paquetá e GRES Samba no Pé —, por escrito, a comunicação formal que havíamos sugerido em 6 de Fevereiro. Em duas dessas quatro comunicações era referido, ainda, que um vice-presidente da ACB havia proibido expressamente as escolas de colaborarem com o Jornal da Mealhada com a entrega de informação solicitada sobre o desfile e prestação artística no corso.
Na noite de 16 de Fevereiro, os dois gerentes da JM — Jornal da Mealhada, Lda deslocaram-se à sede da ACB e, perante cinco directores, entre os quais o referido vice-presidente e o presidente da direcção, expuseram a recusa das escolas e o mal-estar provocado pelo gesto do vice-presidente da direcção da ACB. Na ocasião, o presidente da direcção relembrou a necessidade da avaliação, e acrescentou que não tinha condições para fazer uma avaliação de forma diferente da solicitada ao Jornal da Mealhada. Os directores da ACB manifestaram as suas opiniões, algumas diferentes da do presidente, sem, no entanto, apresentarem alternativas, e entendemos que devíamos sair da sala para que a direcção da ACB tomasse uma decisão sobre a manutenção ou não do convite ao Jornal da Mealhada. Minutos depois fomos informados de que se mantinha o convite nos moldes iniciais. Ao Jornal da Mealhada foi solicitado, no entanto, que prescindisse do anúncio dos resultados na tenda gigante e que assegurasse a divulgação da ideia de que a ACB era completamente alheia ao resultado do concurso. Os gerentes do Jornal da Mealhada exigiram que o vice-presidente da ACB se retratasse junto das escolas, e que o teor da deliberação fosse passada a escrito e transmitida aos dirigentes das escolas. Assim aconteceu nesse mesmo dia.
A comissão técnica da avaliação dilatou o prazo de entrega do material informativo solicitado às escolas. No entanto, apenas uma das quatro escolas, o GRES Batuque, entregou essa informação.
A avaliação decorreu de forma tranquila, havendo apenas a assinalar um problema com uma jurada. Lamentámos a ausência do representante da ACB na comissão técnica, conforme havia ficado decidido em 6 de Fevereiro, e que foi condição para o aceitar do convite. No dia da divulgação dos resultados representantes de quatro escolas deslocaram-se à Esplanada Jardim para ouvir o veredicto — prova da aceitação da avaliação — e, no dia da entrega de prémio, componentes de todas as escolas aplaudiram os vencedores que receberam prémios monetários — demonstração de desportivismo.
Ao longo deste processo quase todos os representantes das escolas que se recusaram a colaborar com a organização da avaliação fizeram saber que nada tinham a opor à avaliação, ou ao facto de ser o Jornal da Mealhada o organizador. Ficou sempre para nós claro que estariam revoltados com o facto de não ter sido dado cumprimento a uma alegada deliberação de Novembro de 2008 de promover uma avaliação exclusivamente interna, não pública nem publicada. Não percebemos as razões de tal decisão. Nem quais seriam as questões de fundo subjacentes para que as escolas e os dirigentes da ACB recusassem liminarmente, e à priori, uma avaliação pública, considerando até que estariam, todas, em igualdade de circunstância
Como em 2006 e 2007, colocámos em três dezenas de pessoas a missão, sempre difícil, de apreciar o trabalho apaixonado de muitas outras. Entendemos, ainda, que o veredicto e a análise desses avaliadores deveria ser ponderado pelos dirigentes das escolas. Trata-se da opinião fundamentada de uma amostra de pessoas, e devidamente informada sobre o trabalho desenvolvido pelas escolas. É a fundamentação dessas opiniões, essas justificações que os jurados estavam obrigados a produzir, que, depois de ponderada a sua justeza, devem servir para as escolas melhorarem o seu trabalho. Esse sempre foi e será o nosso principal objectivo.

Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de Março de 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

[729.] - Contou-me a Mafalda que...

ERA UMA VEZ... 4 funcionários chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.
Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria.
Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez.
Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente.
Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria.
No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.

Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

[728.] - Mercurii dies

Avaliando a organização do Carnaval da Bairrada de 2009

O Carnaval da Bairrada deste ano de 2009 contou com um sol radioso e com a adesão significativa de milhares de pessoas. Assumimos o papel de promotores da avaliação do trabalho das escolas de samba. É exigível que avaliemos, também, o da organização do cortejo.

O percurso do sambódromo

Já no final do desfile do Carnaval de 2008 tinha ficado comprovado e aceite, pelos organizadores dos festejos e pelos dirigentes das escolas de samba que tomaram parte nos desfiles, que o percurso do sambódromo na zona desportiva da Mealhada era demasiado pequeno para o corso. Apesar disso, e talvez porque este ano desfilava menos uma escola, esse facto foi ignorado e o cortejo voltou a realizar-se naquele espaço. A verdade é que, mesmo assim, as cinco escolas de samba não couberam no percurso e foi preciso tomar medidas de emergência que, em vez de remediar satisfatoriamente a situação, prejudicaram o desfrute do espectáculo àqueles que pagaram para o ver. Na terça-feira a medida tomada para obviar o problema foi mais sensata do que a que fora tomada no Domingo Gordo, dia em que uma escola, a última a desfilar, saiu bastante prejudicada uma vez que teve de esperar que a primeira saísse do recinto para ela poder entrar. Em 2010, seja com seis escolas ou, mesmo, com cinco, é necessário alterar o percurso — alterando a sua localização ou, no caso de isso não ser possível, definindo locais diferentes para a concentração e para a dispersão dos componentes das escolas.

O som e o atraso

Não foram significativos os problemas com o som e com o atraso no início do desfile. Dizemo-lo porque entendemos que, no que respeita à hora de início dos cortejos, se tratou, durante muitos e muitos anos, de um defeito crónico do Carnaval da Mealhada. O problema de som a que assistimos, principalmente no domingo, reside muito mais nas características do recinto do que nos meios utilizados para a sua propagação. Quanto ao atraso, registamos o facto de, na publicidade do Carnaval, não existir referência a horários. O que, apesar de tudo, acaba por ser positivo. O que não faz tanto sentido é o desfile terminar já depois do pôr-do-sol. E quanto a isto parece ser possível melhorar, até porque no desfile de terça-feira o facto já não se repetiu.

Espectadores

Fará sentido, ao fim de trinta e um anos de realização ininterrupta de Carnaval da Mealhada, que, de uma vez por todas, a totalidade dos objectivos da organização se centrem essencialmente no espectador. Com esse propósito deverão ser promovidas medidas que passem pela pontualidade — como já vimos —, por incentivar mais educação no trato por parte das pessoas que, no percurso, são responsáveis pela segurança — recebemos inúmeras queixas em relação ao trabalho de alguns senhores de colete reflector —, e por privilegiar e aumentar a espectacularidade da prestação das escolas em zonas mais nobres do trajecto, especialmente junto das bancadas.

A avaliação das escolas de samba

Está, também, mais que reconhecido que a competição entre as escolas de samba melhora a qualidade do espectáculo. O Carnaval da Bairrada de 2009, com a realização de uma avaliação que não beneficiou da colaboração de quatro das cinco escolas de samba que desfilaram, provou que essa avaliação — chame-se assim, chame-se concurso, ou campeonato — é absolutamente imprescindível para o Carnaval do futuro, sendo insensato voltar atrás neste assunto. Tome-se, portanto, a avaliação por dado adquirido.

O papel das escolas de samba

Com o corso de 2009 encerra-se uma fase, que começou há vários anos, de gradual independência das escolas de samba, como grupos autónomos, relativamente à Associação do Carnaval da Bairrada (ACB). Se, por um lado, este movimento de auto-determinação teve grandes vantagens, a verdade é que, por outro lado, está a desembocar num impasse. Esta independência em relação à ACB fez com que as escolas deixassem de estar tão presentes na cúpula organizativa do corso carnavalesco. Fomos nós próprios — no âmbito do processo de avaliação das escolas de samba para cuja realização a ACB solicitou a colaboração do Jornal da Mealhada —, testemunhas do afastamento, do divórcio, até, que, neste momento, existe entre as escolas e entre estas e a direcção da ACB. E isto não deve continuar. As escolas de samba precisam de compreender que têm vantagens em se unir e que, institucionalmente, têm obrigações perante o próprio Carnaval, entendendo que não lhes cabe o papel de meros fornecedores, ou clientes, da realização dos cortejos.

Notas finais

Temos para nós que ou o modelo de organização do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada muda ou a própria realização do corso carnavalesco acaba por ter os dias contados. O Carnaval da Bairrada atingiu tal dimensão que precisa de tornar mais profissionais algumas das componentes da sua organização. Ao falarmos de profissionalismo falamos de maior cuidado, de planificação, de pensamento metódico e estratégico. Esta organização precisa de crescer e precisa de saber para onde, e em que aspectos é mais necessário, mais prioritário, o dispêndio de energias.
Finalmente, cabe-nos concluir com o lamento de neste desfile não termos descortinado qualquer homenagem ao Macaca — António Oliveira, recentemente falecido. O ano de 2009 é o do trigésimo aniversário do Carnaval da Criança, festa infantil que, durante duas décadas se realizou no Domingo Magro. Também não notámos referência a isso. O número destes pequenos desfiles carnavalescos com crianças fantasiadas que se realizaram nestes últimos dias, por todo o concelho da Mealhada, justifica que se encare seriamente a hipótese de voltar a realizar-se o Carnaval da Criança — Carnaval Infantil da Bairrada, que era o seu nome — integrado nos festejos do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada, nos moldes do que se realizava. Entendemos que poderia ser um ponto a constar no protocolo a celebrar entre a Câmara Municipal da Mealhada e a Associação do Carnaval da Bairrada, para 2010. Trata-se, afinal, do futuro do carnaval da Mealhada.


Editorial do Jornal da Mealhada de 25.02.09

[727.] - É campeã!

A minha escola de samba carioca, a Académicos de Salgueiro, venceu o concurso de 2009, e tornou-se campeã do Grupo Especial depois de 16 anos de jejum.

Oito mil salgueristas comemoraram a vitória com seis mil caixas de cerveja.

A vermelha e branca obteve 399 em 400 pontos e ficou a um ponto da vice-campeã, a Beija-flor.

É campeã! Parabéns.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

[726.] - Rescaldo do 2.º dia de Carnaval

1 - Numa volta rápida pelo centro da Mealhada, às 4h30m da manhã de terça-feira - entre a redacção e casa -, vejo, finalmente, o centro parecido com o de uma cidade. Dizem-me que as festas de Carnaval da Mealhada já não são como suíam mas a verdade é que está muito mais gente na rua do que às 16h30m de um qualquer dia de semana... ou de feira. O Carnaval é, de facto, um fenómeno admirável. É pena que quem precisava de comprovar isso esteja, a esta hora, recolhido.
2 - Se é verdade que foram bastantes as críticas ao desfile de domingo - eu acho que até nem correu tão mal como era hábito -, não há dúvidas que na terça-feira correu muitíssimo melhor. Sem o atropelo, sem atrasos, com final marcado para antes do pôr-do-sol. Parabéns à organização e às escolas.

- Como nota final, pessoal, aos desfiles de domingo e de terça-feira, queria acrescentar o seguinte - depois no Editorial do Jornal da Mealhada desenvolvo:
3 - Não vi qualquer homenagem ao Macaca. Lamento. Era importante fazê-lo poucos tempo passado sobre a sua morte. O Carnaval da Mealhada a ele muito deve.
4 - Não vi qualquer referência aos 30 anos do Carnaval Infantil da Bairrada, vulgo Carnaval da Criança, em Domingo Magro. Mesmo tendo acabado há uns anos - e eu até acho que vai ter de renascer - era justo lembrá-lo no ano do 30.º aniversário. Quantos do foliões de hoje começaram por ali?
5 - Acho que o facto de algumas escolas terem escolhido enredos dificeis de descrição visual - como os Sócios, com o aquecimento global, e o Samba no Pé, com a comunicação global - lhes prejudicou a prestação. O Batuque escolheu um enredo mais acessível, a tauromaquia, mas faltou-lhe um pormenor que me parece importante e cuja falha lamento, que é o da tradição tauromáquica mealhadense. A Mealhada, entre 1899 e 1930, teve a mais importante Praça de Touros da região. As garraiadas das Queimas das Fitas realizaram-se aqui durante alguns anos. A ideia de Luís Marques e Manuel Santos organizarem um cortejo carnavalesco na Mealhada, em 1971, surgiu como forma de financiar a compra da bancada de uma praça de touros amovível que tinham comprado para as festas de Sant'Ana do ano anterior. Essa bancada tauromáquica viria a ser instalada naquilo que é hoje o Municipal Américo Couto.
6 - Amanhã escrevo sobre a Avaliação...
Foto de João Oliveira Silva, fotojornalista do Jornal da Mealhada


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

[725.] - Axé

Axé - Segundo a santa Wikipédia é Energia, poder, força da natureza. Poder de realização através de força sobrenatural.

e ainda AQUI

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

[721.] - Axé do Carnaval

Luís Marques
A Força motriz

[720.] - Rescaldo do 1.º dia de Carnaval

Ou o Carnaval da Mealhada mata este sistema ou este sistema mata o Carnaval


1 - O primeiro cortejo de Carnaval da Mealhada já lá vai. A festa correu bem mas, verdade seja dita, se a teimosia pagasse imposto o deficit do Estado era substancialmente menor... Estava mais que visto que ia haver problemas em meter o cortejo todo no espaço do sambódromo. Ainda alteraram o percurso mas é muito complicado meter o Rossio na Betesga... apesar de haver quem tente. Desta vez os prejudicados foram os que pagaram bilhete (estranho!) e estacionaram na Rua do Grupo Desportivo... e os componentes da Escola Samba no Pé.
2 - As pessoas fazem o melhor que sabem, não duvido. Também se perde muito conhecimento adquirido com as substituições. E falta quem perceba o que se espera, quem tenha algum rasgo, como tiveram (ou têm) alguns antigos dirigentes da ACB. Mas a verdade é que este sistema de organização do Carnaval já morreu e ainda ninguém lhe disse, nem avisou a família. E das duas uma ou o Carnaval mata este sistema, ou este sistema mata o Carnaval. Quando é que as escolas compreendem que têm de se sentar à mesa para tomar decisões?
3 - As escolas estiveram como sempre. De um modo geral, bem. Com os reparos do costume... e uma necessidade extrema de melhorarem a sua performance entendendo, de uma vez por todas, que estão a protagonizar um espectáculo para os outros. E esses outros precisam de perceber a história que lhes está a ser contada. Contada. Não se trata de um mero desfile de vestidos bonitos cheios de plumas. São histórias.
4 - E não resisto a pensar que só agora percebo porque razão é que alguns não queriam uma avaliação séria e independente... Há notórias misérias que poderiam passar despercebidas se ninguém as apontasse. Mesmo que, para isso se sacrificassem aplausos a quem os merece.
5 - Se o espírito do Velho Marques protege o Carnaval da Mealhada, não haverá dúvidas que foi ele que inventou os Amigos da Tijuca. Sacana do velho sabe bem o que faz. Que Deus o proteja lá no paraíso dos camaradas.
Foto de João Silva, fotojornalista do Jornal da Mealhada

[719.] - Exercícios

No sábado fomos jantar com os amigos do tempo do Liceu. «Amigos do sempre desde antigamente» foi assim que escrevi na agenda, depois do telefonema do Pedro. À volta da mesa de uma marisqueira da região juntámo-nos dezasseis pessoas, oito casais, cujos homens há 15 anos se sentavam à mesma mesa nos orgãos sociais da associação dos estudantes do liceu.
Passaram-se os anos, e cada um foi à sua vida. Reencontramo-nos ocasionalmente. Alguns nas passagens de ano, outros na Páscoa, geralmente quase todos nos casamentos. Graças a Deus ainda não nos funerais... Nem sempre temos assunto para falar e volta e meia lá temos de recorrer às historietas do antigamente. Mas damo-nos geralmente bem. E esquecemos muita coisa... boa e má.
Mas o tempo passa. Nunca me tinha apercebido tanto da passagem do tempo como desta vez. Foi uma noite extraordinária, para relembrar in secula seculorum, mas saí de lá com a nostalgia de um tempo que acelerou em velocidade cruzeiro.
Não falámos de investimentos, de trabalho, sequer de futebol - e o Sporting-Benfica até dava no ecrã - a atenção estava completamente focada noutros protagonistas: olhámos, todos, enternecidos os gestos, as palavras, as expressões do Martim e do Luís Pedro - e em parte da Leonor - três crianças de 22, 12 e 5 meses...
E foram elas que manipularam todo o jantar.
É fantástico.
É admirável o ciclo da vida.

[723.] - Hoje...



... É dia de B.-P.
Para os escuteiros é Dia do Pensamento, Dia do Fundador.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

[722.] - Nuno é nome de santo

O Papa anunciou hoje que vao canonizar Nuno de Santa Maria - Nuno Alvares Pereira - no próximo dia 26 de Abril de 2009. Nuno, nome, tipica e exclusivamente, português passa a ser também nome de Santo.
São Nuno de Santa Maria é, ainda, patrono do Corpo Nacional de Escutas e um herói português.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


No ano passado escolhi a minha Escola de Samba carioca.
Escolhi a Académicos do Salgueiro.
Diz que "à entrada da Mealhada há um Salgueiro no rio...", e a primeira ideia que tenho do Carnaval carioca é da imagem branca-vermelha. E, também, para contrariar... e não misturar mangueiras e beija-flores...
Portanto tá escolhida!
O samba-enredo do Salgueiro este ano é muito interessante. O Tambor... Será a segunda escola do Grupo Especial a desfilar segunda-feira... Só eu não sei como (ou onde) posso ver o Carnaval deste ano...
Vou acompanhando por aqui

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009




Conta para subscrição pública do busto do Padre Abílio Simões

Crédito Agrícola da Mealhada:

Número da conta: 40 101917230
NIB da conta: 0045 3400 40101917230 26

[716.] - Mercurii dies

Juventude, Mealhada e Esperança

Numa tentativa de incentivarmos o incremento da auto-estima colectiva dos nossos leitores temos procurado dedicar mais espaço e mais energias à divulgação, à recolha, à pesquisa de acontecimentos que versem aspectos positivos da vida quotidiana das comunidades junto das quais temos vindo a desenvolver a nossa acção. Não tem sido difícil, admitamos, e temo-lo feito com um gosto muito especial. A estratégia poderá não ser imediatamente detectável, mas depressa se aperceberá dela quem enumerar e analisar os trabalhos que temos realizado com jovens do concelho da Mealhada que se têm destacado em várias áreas. Estes jovens, que partilham o nosso quotidiano, são exemplos de sucesso e motivo de orgulho, são pessoas talentosas, notáveis, que merecem o nosso reconhecimento.
Apresentamos hoje um trabalho feito com Luís Lebre, de vinte e um anos, co-autor de um projecto de design cerâmico premiado num concurso nacional. Já noutras ocasiões demos relevo ao trabalho de jovens do concelho da Mealhada que se têm destacado na tecnologia, em termos nacionais e, nalguns casos, até internacionais. Falámos de Frederico Santos e de Gustavo Corrente, no âmbito da robótica, de Sandro Alves, cuja acção se salienta na área da biotecnologia e das ciências da saúde, de Sílvio Gomes, que ganhou um prémio de design industrial. Procuramos acompanhar, o melhor possível, os sucessos dos alunos das escolas do concelho da Mealhada, que quase sempre se destacam na área tecnológica. Um desses casos foi o da distinção de Pedro Santos, da Escola Profissional da Mealhada, na área da automação industrial.
O sucesso escolar tem sido para nós, também, motivo de reportagem. Neste campo fizemos trabalhos jornalísticos com Maria João Lousada e Rita Pinheiro Lopes, consideradas as melhores caloiras da Universidade de Aveiro, com Tiago Loureiro, que recebeu um prémio de desempenho em Anadia, e, mais recentemente, com Luís Filipe Costa, que foi o vencedor português do concurso europeu “Juvenes translatores”.
Fomos, também, para além destas áreas de trabalho e de estudo e realçámos jovens que, nos seus tempos livres, desempenham acções de mérito. Na área cultural, por exemplo, são muitos os trabalhos que temos desenvolvido com as escolas de samba do Carnaval da Mealhada — na presente edição debruçamo-nos sobre o envolvimento dos jovens no Carnaval, mais aprofundadamente. Mas temos apresentado outros exemplos, como o de Dinis Rego, na área musical, o de Marta Pires, no teatro, o do disc jockey Rui Santos, o Soulthek, ou o do conjunto de jovens talentos que integram os Drama & Dance. Fizemos um trabalho com Nuno Machado, também, um estudante que viveu no Japão para aprofundar os seus conhecimentos.
Também na área da intervenção social e da cidadania, temo-nos empenhado na divulgação de boas práticas, muitas vezes promovidas pelos grupos de jovens, como a Associação de Jovens Cristãos de Luso, como, em acções de voluntariado e intervenção social, os vários agrupamentos de escuteiros de Barcouço, Casal Comba, Mealhada e Pampilhosa, no nosso concelho e também no estrangeiro.
É talvez na área do desporto que o nosso trabalho de promoção da juventude tem sido mais intenso. Graças ao trabalho profícuo do nosso director adjunto, Afonso Simões, especialmente nos campos de futebol do concelho da Mealhada, temos detectado e salientado, sistematicamente, um numeroso grupo de grandes atletas. Temos tido um trabalho muito presente junto dos nadadores do GDM, junto dos hoquistas do HCM e vamos muito para além disso. Cabe aqui, neste momento, uma palavra de apreço a atletas com relevantíssimo mérito desportivo que foram indesculpavelmente esquecidos na última Gala do Desporto, aquando das atribuições dos prémios de mérito desportivo. Falamos de Carla Silva e Tiago Vital, a campeã ibérica e o campeão nacional de kickboxing, e, ainda, de Nuno Cruz e Luís Ferreira, que integraram a equipa campeã da terceira de divisão nacional de hóquei em patins. Eles merecem o nosso aplauso.
Procuramos, também, com a nossa acção, justificar as palavras que aqui propalamos. E é por isso que no Jornal da Mealhada nos esforçamos por aproveitar a força “motriz” da juventude para a prossecução dos nossos propósitos. É também por isso que nos orgulhamos de trabalhar com os contributos voluntários e graciosos de André Vaz e do jovem que modestamente se oculta por trás do pseudónimo “O Corvo”, em artigos de opinião, e com os de António Pinho, Diogo Canilho e Ana Pinho, nesta redacção, e de Tiago Ângelo e João Silva, na fotografia.
São, por isso, muitas as razões que nos levam a afirmar que o concelho da Mealhada está cheio de jovens que são capazes de colocar as suas capacidades ao serviço de boas causas, de acções louváveis, que são capazes de fazer a diferença. Que são detentores de um capital de esperança e de crédito, que merecem ser observados e valorizados.


Editorial do Jornal da Mealhada de 18 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

[715.] - Exercícios

É pior ser mineiro.
É pior ser árbitro de futebol.
É pior ser presidente da Câmara.
É pior ser médico de coisas estranhas.

É pior ser auxiliar num lar de idosos.
É pior ser almeida na recolha do lixo.
É pior ser advogado.
É pior ser calista.

É pior ser pescador.
É pior ser higienista oral.
É pior ser ortoprotésio.
É pior ser...

Às vezes, para descontrair, é importante enumerar o que é pior do que ser director do Jornal da Mealhada...

Para chegar à conclusão de que é quase tudo!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

[714.] - Hoje...

... comemoraríamos o dia da Evolução da Espécie...
...ehehehehe...

... Charles Darwin, o pai da teoria, faria hoje 200 anos...
... O meu avô Hilário, pai da minha mãe, faria hoje 104 anos...

ele há coisas...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

[713.] - Mercurii dies

Uma questão de vontade — dois anos depois
A propósito da avaliação das escolas de samba do Carnaval da Bairrada


A direcção da Associação do Carnaval da Bairrada, na passada sexta-feira, 6 de Fevereiro, lançou ao Jornal da Mealhada o desafio de organizar a avaliação da prestação das escolas de samba no desfile do Carnaval Luso-brasileiro da Bairrada que se realizará daqui a uma semana e meia. Colocadas algumas questões que considerávamos relevantes, aceitámos a proposta que nos estava a ser feita, a missão que nos estava a ser confiada.
E aceitámos, quase de imediato, por duas ordens de razões, facilmente explicáveis. Em primeiro lugar, porque foi a Associação do Carnaval da Bairrada que nos faz esse convite, o que vai ao encontro do compromisso que deixámos no final do concurso de escolas de samba de 2007, e que mais à frente lembraremos. Em segundo lugar, porque acreditamos que a avaliação da prestação das escolas, feita por pessoas interessadas e com sensibilidade para a questão, é fundamental para a melhoria da qualidade dos festejos do Carnaval mealhadense e, portanto, para a sua promoção.
Não será desadequado lembrarmos a forma como o Jornal da Mealhada, desde Fevereiro de 2005, especialmente, se tem batido pelo reconhecimento de que há necessidade da realização de uma avaliação qualificada da prestação de cada uma das escolas de samba no desfile, e pela criação de condições para que ele se efectue. Conseguimos, perdoem a imodéstia, com a qualidade do Carnaval de 2007, mostrar que a existência de um concurso, com a competição entre escolas, contribui de forma relevante para o atingir de níveis de excelência no desfile. Não dizemos que foi o único ou, mesmo, o principal factor para que o cortejo desse ano de 2007 tivesse sido considerado o melhor de sempre, mas acreditamos que terá sido muito importante.
Em 2005 fizemos uma análise crítica, detalhada, dos desfiles das escolas de samba — na altura cinco — cujo resultado publicámos sob a forma de artigo de opinião. Já nessa altura assumimos que, se a marca com a qual o Carnaval na Mealhada se quer afirmar é a de luso-brasileiro, então o desfile de referência deve ser o do Carnaval do Rio de Janeiro. A medida resultou e, graças, também, ao apoio das escolas, decidimos promover, no Carnaval de 2006, um concurso que contou com a avaliação de vinte e dois jurados de diversas áreas profissionais e com gostos e sensibilidades naturalmente diferentes. Criámos um modelo aprofundado, sistematizado, baseado em regulamentos e manuais adaptados do Carnaval carioca. Graças ao apoio de três empresas e da carolice de voluntários que apoiaram o Jornal da Mealhada nesta realização, foi possível atribuir um relevante prémio monetário a cada uma das três escolas mais bem classificadas no concurso.
Foi nos preparativos do Carnaval de 2007 que assumimos a realização do concurso como um contributo relevante para o Carnaval e como uma responsabilidade social importante da empresa JM — Jornal da Mealhada, Lda e da marca e do título Jornal da Mealhada. Às escolas, antes de avançarmos, fizemos saber que lhes caberia decidir o caminho que se seguiria — a via da resignação, ou a da melhoria da qualidade do seu desempenho com base no juízo critico de quem, como qualquer elemento do público, havia feito uma análise do espectáculo na perspectiva do espectador, que pagara para ver. A decisão foi a de continuar na senda do aperfeiçoamento.
O Jornal da Mealhada organizou a segunda edição do concurso, as escolas efectuaram melhorias com base na análise crítica que havia sido feita. Os desfiles, como já dissemos, foram considerados, por número significativo de pessoas, os melhores de sempre. E como a competitividade promove o brio, o empenho em fazer as coisas bem, agradáveis para quem vê e não só para quem desfila, houve uma mudança na atitude dos dirigentes de algumas escolas, em termos de planificação de trabalho, ensaios, e atitudes no desfile, o que justificava plenamente a prossecução deste trajecto de avaliação.
Assumimos, no final do Carnaval de 2007, o compromisso de transferir para as escolas de samba e para a Associação do Carnaval da Bairrada a decisão, exclusiva, de continuar a realizar, ou não, o concurso. Decidiram, nos preparativos do Carnaval de 2008, que não havia condições para fazer concurso nesse ano. Ficámos tristes com a resposta mas contentes com o facto de, pelo menos, sem a nossa intervenção, o assunto ter sido abordado. Decidiram, nos preparativos do Carnaval de 2009, que não havia condições para fazer concurso também neste ano, mas declararam que consideravam ser necessária uma avaliação à prestação das escolas. Aplaudimos a deliberação e sentimo-nos felizes e honrados pelo facto de a direcção da Associação do Carnaval da Bairrada ter entendido que o Jornal da Mealhada era a instituição que melhores condições reunia para promover essa avaliação. Proporcionámos aos protagonistas a decisão de continuar a promover a melhoria do Carnaval. Aceitaram prosseguir esse caminho. O Carnaval da Mealhada do futuro agradecer-lhes-á por isso, estamos certos. Tratava-se de uma questão de vontade, e a vontade move montanhas. Procuraremos fazer o melhor possível na avaliação deste ano, conscientes da importância da missão que nos foi confiada.


Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Obrigado, Padre Abílio


“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce!”

Homenagear o
Padre Abílio Duarte Simões

No sábado, 7 de Fevereiro de 2009, completaram-se dois anos sobre a súbita morte do Padre Abílio Duarte Simões. Para além do pároco — da Vacariça e da Mealhada —, do professor, do jornalista, recordamos, com emoção, o homem — altruísta, militante, teimoso, corajoso, inquieto — e, de modo muito especial, o amigo — dedicado, generoso — cuja falta não conseguimos, ainda, superar.
Abílio Duarte Simões era um homem extraordinário. Caridoso, altruísta, quantas vezes tirou do seu bolso para dar aos outros? Tirou dinheiro, tirou tempo, tirou paciência, tirou disponibilidade.
Não era um homem fácil. Tinha o feitio difícil dos génios. Nem sempre era fácil aceitar a impetuosidade dos seus gestos, das suas enigmáticas respostas. Era um homem superiormente inteligente e com ironia, sentido de auto-crítica, mostrava muitas vezes apenas aos mais próximos o seu lado mais transparente.
Ao longo de trinta e quatro anos de permanência na Mealhada envolveu-se de maneira empenhada em várias causas de cidadania, como o Centro de Cultura da Mealhada, sempre serviu os outros em trabalho voluntário em todos os jornais da região. Abraçou causas sociais como as dos cursos de português para emigrantes, como da acção social caritativa para os mais necessitados. Como pároco sempre soube dizer presente nos momentos em que alguém se encontrava hospitalizado e precisava de apoio, soube conjugar vontades para erigir uma igreja digna do estatuto da paróquia, deu de si e do que era seu pela Mealhada e pelos mealhadenses.
Merece estar entre os nossos mais notáveis. Torna-se, assim necessário, como ele fez tantas vezes por outras causas, conjugar vontades para, por exemplo, instalar um busto seu na praceta, na Alameda da Cidade, próxima da Igreja da Mealhada. Para isso contamos com o apoio de todos os que connosco se quiserem solidarizar.
A Junta de Freguesia da Mealhada dará o apoio institucional a uma iniciativa que merece ser popular, da parte de cada um dos que, como nós, tem um obrigado a dizer ao Padre Abílio.
Junta-te a nós para dizer obrigado!
Envia-nos o teu testemunho, apoio e sugestões para obrigadoabilio@gmail.com

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O Presidente da República foi a Anadia, na sexta-feira, inaugurar o cineteatro municipal (que até é bonito mas não tem programação) e, com o Cluny Vox, a melhor afilhada do Mundo cantou para ele.
Parabéns Isa, diz o padrinho orgulhoso.

Foto do sitio da Presidência da República


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

[710.] - Hoje...

... em 1961, um ataque à Casa de Reclusão, ao quartel da PSP e à Emissora Nacional, em Luanda, foi acção considerada como o início da luta armada em Angola.

O mesmo será dizer que foi o ínicio da Guerra Colonial Portuguesa - que só terminaria em 1974, a 25 de Abril.

A partir desse 4 de fevereiro de 1961 nada seria como dantes... em pouco tempo o império começaria a desfazer-se!




[709.] - Comigo

"Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires,
Por que queres tu que eu fique?,
Porque é preciso,
Não é razao que me convença,
Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,
Não tenho forças que me levem daqui, deitas-te um encanto,
Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,
Olhaste-me por dentro,
Juro que nunca te olharei por dentro,
Juras que não o farás e já o fizeste,
Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro,
Se eu ficar, onde durmo?,
Comigo."

Memorial do Convento,
conversa entre Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas

[708.] - Mercurii dies

Ad aeternam rei memoriam*
A propósito do segundo aniversário da morte do Padre Abílio Simões

No próximo sábado, 7 de Fevereiro, completam-se dois anos sobre a súbita morte do Padre Abílio Duarte Simões. Para além do pároco — da Vacariça e da Mealhada —, do professor, do colaborador do Jornal da Mealhada, recordamos, com emoção, o homem — altruísta, militante, teimoso, corajoso, inquieto — e, de modo muito especial, o amigo — dedicado, generoso — cuja falta não conseguimos, ainda, superar. A falta de alguém que fez parte integrante do nosso crescimento pessoal, do crescimento do projecto, sempre inacabado, que é o Jornal da Mealhada, permite-nos, num toque mais pessoal, solicitar ao leitor a autorização para admitir que quem escreve um editorial também tem direito ao sentimentalismo e à partilha.
As exéquias fúnebres, com a participação massiva da população — crente e não crente — foram bem demonstrativas da admiração que a maior parte das pessoas tinha pelo Padre Abílio Simões. Acreditamos, até, que nem o Padre Abílio tinha a noção da quantidade de pessoas que, mesmo nem sempre concordando com ele, nutriam por si simpatia. Ciente das suas capacidades e do seu valor, não era, no entanto, um homem cuja auto-estima lhe fizesse acreditar ser tão estimado como, de facto, era. O que, certamente, mais admiração lhe traria, mesmo acreditando que nunca o admitiria, foi a homenagem que, na altura do seu funeral, lhe fizeram políticos de todos os quadrantes partidários. Alguns com quem travou acesas lutas por aquilo que considerava justo para si e para o seu rebanho. Alguma vez o Padre Abílio pensaria que aos funcionários municipais do concelho da Mealhada seria dada a dispensa do trabalho para participação no seu funeral?
A verdade é que o tempo foi passando e a vida continuou. O jornal, mesmo sem ele, foi continuando a ser editado — mesmo notando-se a diferença e a ausência — e mudou bastante, em aspectos relativamente aos quais ele próprio mostrara relutância e até oposição. As paróquias da Mealhada e da Vacariça acolheram, de braços abertos, novo pastor e, com ele, algumas mudanças, nem sempre bem aceites. Na sua escola a ausência não se terá sentido de forma tão acentuada, até porque se tinha reformado quatro meses antes, mas terá deixado, a vários putativos discípulos, a promessa de os pôr a saber latim em dezanove lições. A agricultura, o oficio a que prometera dedicar-se com mais afinco na reforma, ficou para outros, e a pós-gradução em bioética certamente que não acabou pela sua falta.
A terra continuou a girar. É certo. Mas o Padre Abílio continua entre nós. Nas últimas semanas reparámos na quantidade de pessoas — dos mais variados quadrantes e graus de formação — que evoca, ainda hoje, as palavras dele para falar sobre a língua portuguesa bem escrita e bem falada, sobre as gralhas nos jornais, sobre a pontualidade, sobre a astúcia deste ou daquele protagonista político, sobre aquilo que ele algum dia terá dito ou escrito sobre o assunto. E, inevitavelmente, a congeminação: “Se o padre Abílio aqui estivesse…” Continua, por isso, entre nós. É citado mesmo por aqueles que ele julgava não o suportarem.
E enquanto ele for lembrado estará a ser feita a sua homenagem maior, no seu testemunho e no seu exemplo. Está, no entanto, por fazer a homenagem pública, institucional, secular, que foi prometida, pelos autarcas do concelho, aos seus familiares e aos seus amigos. O reconhecimento dos poderes políticos impõe-se. Ele nunca o exigiria e até dele fugiria… mas é merecido. E quem o prometeu não pode disso afastar-se.
Merece-o por ter sido um homem positivamente polifacetado. Por ter sido um homem de demandas que considerava de interesse social, um lutador, de antes quebrar que torcer mas que sabia dar a outra face, e que sofria com os que lhe eram ingratos. Por ser, por outro lado, um homem com um sentido de humor inigualável, a ponto de se rir das suas próprias fraquezas, perante aqueles em que confiava. Por ser um homem que mudaria a rota da Terra se fosse preciso ajudar uma pessoa que dele precisasse.
Dissemos, há dois anos, que a verdadeira personalidade do padre Abílio Simões só com o tempo seria devidamente apreciada. Não nos enganámos e, provavelmente, aconteceu mais cedo do que julgávamos. Dissemos que seriam muitos os que o criticavam e que, no futuro, invocariam, positivamente, a sua memória. E assim é.
O altruísmo, a perseverança, a generosidade dos gestos, que preferia manter anónimos, o exemplo de desprendimento das compensações materiais, de dedicação aos outros fazem dele um homem de grandeza excepcional que merece ser reconhecido e elogiado. Para memória dos que não tiveram a graça de o conhecer.
29 de Março de 1992
Dia da Sagração da Igreja Paroquial da Mealhada
No dia da inauguração da sua obra maior, ao centro, com o microfone, o Padre Abílio usa da palavra para as saudações da praxe. Ao seu lado aparecem aqui figuras por quem tinha particular azia... Da esquerda para a direita temos Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada à data, com quem teve a célebre guerra da casa paroquial. Abílio dizia que Rui faltava à palavra dada ao impedir a construção da casa paroquial ao lado da Igreja. Rui socorreu-se da sentença do Supremo Tribunal Administrativo para tirar a água do capote. Mas a casa fez-se... e Abílio passou a assinar "Pároco da Mealhada não-residente sem intenções de residir". Nunca morou naquela casa, que construiu, e estabeleceu residência na Lameira de São Pedro.
A seguir aparece-nos o ortodoxo Bispo de Coimbra, Dom João Alves. Por quem o padre Abílio nutria pouca simpatia... 'se me chatear muito eu...". Raramente acabou a frase, felizmente. À direita Gilberto Madail, Governador Civil de Aveiro, alvo, inúmeras vezes, das maiores farpas que, nos artigos de opinião, o articulista Abílio alguma vez distribuiu.


*Para eterna memória
Editorial da edição de 4 de Fevereiro do Jornal da Mealhada

[707.] - Hoje...

... é dia de São João de Brito

João de Brito, um santo dos nossos!


Assinalamos hoje, 4 de Fevereiro, o dia de São João de Brito, o patrono dos pioneiros e marinheiros do Corpo Nacional de Escutas. No dia 4 de Fevereiro de 1673, o português, lisboeta de gema, João Heitor de Brito Pereira tornou-se padre da Companhia de Jesus. No mesmo dia 4 de Fevereiro, mas vinte anos depois, era degolado em Oriyur, por ordem do governador de Maravá, na India.
Para além do facto de ser português, São João de Brito tem outros argumentos para ser apelidado de um santo dos nossos. Também ele foi um pioneiro. Foi para a India, desprendendo-se de um Portugal onde gozava das regalias de uma grande afinidade junto dos poderosos da corte - aos dez anos foi pajem do futuro rei Dom Pedro II.
No continente indiano, num ambiente hostil, procurou alimentar-se de todas as informações necessárias para uma aproximação eficaz aos indianos. E assim fez. Com o conhecimento da realidade que o rodeava, mudou a maneira de vestir, de comer, de falar.
A sua vontade de levar a mensagem ao maior número possível de pessoas era enorme e, por isso, sujeitou-se às maiores tribulações imagináveis - tortura, maus tratos físicos e psicológicos. O sucesso viria mais cedo do que julgava.
Construiu uma família de mais de oito mil novos cristãos, que ele próprio baptizou e catequizou, entre eles o principe real de Maravá, talvez o maior triunfo da sua persistência.
Foi degolado na terra que mais amou, a India. Por amor a Jesus e Serviço aos Homens.

João de Brito deu o melhor de si por aquilo em que acreditava. Prosseguiu o sonho que teve quando era ainda uma criança. O resultado, aparentemente, não terá sido o melhor - até porque morreu degolado -, mas se ainda hoje falamos dele é porque venceu, porque as suas acções foram maiores do que a sua vida. Porque mostrou que valia a pena lutar pelo que se acredita.

Texto escrito para o sítio www.cne-escutismo.pt

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

[711.] - Hoje...

...o massacre de Batepá faz 56 anos

A primeira vez que ouvi falar de conflitos 'coloniais' entre o Estado Português e a colónia ultramarina de São Tomé e Principe foi no centro da cidade de São Tomé, na Praça da Independência.

Os são-tomenses, como os cabo-verdianos, não criaram movimentos nacionalistas de libertação que optassem pelo conflito armado com Portugal. A questão do uso de mão-de-obra escrava em São Tomé é antiga - tema central do Equador - mas nunca pensei que daí tivesse surgido algum confronto directo.

Aconteceu. E só fiquei a saber do que aconteceu realmente quando estava em Batepá, numa hiace, a caminho da Roça Monte Café. Parámos num monumento que evoca o que ficou conhecido como o massacre de Batepá.

A explicação parece ser simples. O governador da Colónia ficou convencido de que estava a proceder-se à organização de uma conspiração, nas roças, entre os nativos, que punha em causa a sua própria vida e a soberania portuguesa e decidiu antecipar-se e reprimir. Reprimiu tanto que causou uma chacina completa. Torturas, mortes... coisas abomináveis para a raça humana.

O episódio não é conhecido na história portuguesa, nem na temática colonial especifica. Mas é vergonhosa.

O próprio Governador não terá sobrevivido politicamente e foi substituído.

Ainda hoje há feridas do massacre de Batepá

Do que pesquisei, hoje, sobre o assunto resultou:
- a existência de um livro de Sum Marky, "Crónica de uma guerra inventada", que narra estes acontecimentos; - a descoberta do poema "Onde estão os homens caçados neste vento de loucura", de Alda Espírito Santo, que fala d'
«O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.»

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

[706.] - «You'll never walk alone»

Nunquam solo ambulanbatis
"You'll never walk alone"
Se nunca caminharás sozinho, eu nunca caminharei sozinho.
É bom lembrar (é bom ouvir) nos dias mais cinzentos!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

[705.] - Mercurii dies

Errar é humano



Num texto de Março de 2005, José Carlos Abrantes, na época o provedor do Diário de Notícias, discorria sobre o erro e, especialmente, sobre o erro nos jornais. Errar é humano, dizia o provedor, que, por sua vez, citava Agustina Bessa-Luís, que, pelo telefone, havia admitido que os erros lhe aconteciam com regularidade e, muitas vezes, com insistente repetição. A escritora acrescentava, ainda, com a falta de humildade que se perdoa aos génios, que até os grandes compositores musicais riscavam e garatujavam as pautas manuscritas das grandes obras. Justificava, assim, os erros que, por vezes, surpreenderiam quem a lê.
Assim como Agustina Bessa-Luís se socorre do marido para lhe emendar as gralhas e os erros, também os jornais, assim aconselha o provedor do Diário de Notícias, devem munir-se de idênticos mecanismos para evitar o erro. No seu artigo, José Carlos Abrantes debruçava-se sobre a evolução dos instrumentos de combate ao erro nos jornais, desde o tempo dos revisores profissionais até à época da confiança exclusiva nos jornalistas licenciados e nas ferramentas informáticas de correcção ortográfica.
Mesmo assim, mesmo com revisores e ferramentas informáticas, os erros acontecem. Errar é humano. E os erros nem sempre são ortográficos, nem sempre são de concordância, nem sempre são gralhas com trocas de letras ou acentos ausentes, desadequados ou mal colocados. Esses erros também existem, mas são mais facilmente aceites pelo leitor. Felizmente temos diligentes e estimados leitores que nos apoiam na missão de evitar o erro e nos vão alertando para as falhas mais recorrentes nas nossas edições. Agradecemos publicamente aos que nos fazem chegar as suas notas e correcções a falhas em relação às quais fomos insensíveis ou negligentes. Mesmo sem terem disso noção, prestam um grande serviço ao jornal e às pessoas que aqui trabalham.
São falhas de outra natureza as que mais preocupam quem é responsável pela edição semanal de um jornal. Falhas de natureza técnica, a que os jornalistas são alheios — como a de paginar uma versão primitiva de uma entrevista e não a versão final revista e corrigida. Falhas no entendimento de determinada intervenção de uma personalidade política numa assembleia municipal, ou num plenário de militantes de um partido. Falhas relacionadas com escrita deficiente, com os leitores a fazerem interpretações daquilo que escrevemos que os levam a formarem ideia diferente do que é a realidade e a da intenção de quem escreveu.
E ao responsável pela edição semanal de um jornal coloca-se a pergunta: Como é que se emenda um erro destes? A lei da imprensa pode ajudar. Diz a lei que a publicação de uma rectificação tem de ser feita na mesma secção em que o erro foi publicado, com o mesmo relevo e apresentação do escrito ou da imagem que a tiver provocado. O preceito legal é o acertado, principalmente na óptica do prejudicado, mas até que ponto é possível cumpri-lo, escrupulosamente, na prática? Cumpri-lo garantindo que o defeito fica corrigido, cumpri-lo sem prejudicar a boa imagem, o bom nome, do jornal?
Deparou-se-nos este problema algumas vezes ao longo dos quatro anos em que dirigimos o Jornal da Mealhada. E o critério que temos seguido é o do respeito criterioso pela solução apontada na lei. Fazemo-lo esta semana, com a republicação, integral, da entrevista ao presidente da direcção da ACIM, nas páginas 8 e 9. Como também o fizemos na edição de 17 de Dezembro de 2008, rectificando, na primeira página, um título publicado na semana anterior cuja informação estava deturpada.
Nem todos os jornais portugueses têm este entendimento escrupuloso. Nós próprios reconhecemos que é radical e nem sempre garante o efeito pretendido, nem um eventual direito ao erro e ao engano. Mas aceitamo-lo. Aliás, adoptamo-lo e praticamo-lo sempre que necessário. Não por medo das consequências legais, não por medo dos ralhetes da Entidade Reguladora da Comunicação Social. Fazemo-lo por uma questão de honestidade, de lealdade em vários sentidos e, também, de afirmação de credibilidade. Acreditamos que o leitor que nos vê reconhecer e corrigir um erro acreditará mais facilmente no rigor do nosso trabalho. Mesmo conscientes de que fornecemos argumento aos críticos, acreditamos que, reconhecendo e corrigindo as nossas falhas, estamos a servir a Verdade, com sentido de responsabilidade e com coerência.


Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de Janeiro de 2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

[703.] - A não perder...

Sítio sobre a Guerra Colonial, com material dos Arquivos da RTP. Absolutamente obrigatório.

*
***

Blogue muito interessante sobre a arte de memoriar...
um bocado esquerdoso mas muito interessante

[702.] - Hoje...

... é o
Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto
A data assinala-se neste dia desde 2006 e lembra o dia 27 de Janeiro de 1945. O dia em que o Exército Soviético libertou o maior campo de concentração da Alemanha Nazi, o campo de Auschwitz - Birkenau
Mensagem do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon
Recordamos, hoje, os milhões de vítimas do nazismo – quase um terço do povo judeu e de inúmeros membros de outras minorias – que sofreram actos atrozes de discriminação, privações, crueldade e assassínios.
As novas iniciativas em memória do Holocausto e para educar a opinião deram-nos motivos justificados para ter esperança. Essa esperança é o tema da comemoração deste ano.
Mas podemos e devemos fazer mais, se quisermos que essa esperança se torne realidade.
Devemos continuar a analisar as razões por que o mundo não impediu o Holocausto e outras atrocidades perpetradas desde então. Dessa forma, estaremos mais preparados para derrotar o anti-semitismo e outras formas de intolerância.
Devemos continuar a ensinar às nossas crianças as lições dos capítulos mais sombrios da História. Isso irá ajudá-las a agir melhor do que os seus ascendentes, construindo um mundo assente na coexistência pacífica.
Devemos combater o negacionismo e erguer as nossas vozes contra o fanatismo e o ódio.E devemos defender as normas e as leis que as Nações Unidas instituíram para proteger os seres humanos e combater a impunidade dos responsáveis por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
O nosso mundo continua a sofrer uma violência implacável, o desrespeito absoluto pelos direitos humanos e a agressão a pessoas, simplesmente por serem quem são.
Neste quarto Dia Internacional, recordemos as vítimas do Holocausto, reafirmando a nossa fé na dignidade e igualdade de direitos de todos os membros da família humana. E comprometamo-nos a trabalhar em conjunto para transformar a esperança de hoje no mundo melhor de amanhã.
Muito obrigado.

[701.] - Equador


«O último fim-de-semana em Portugal fez questão de o ir passar ao Palace, no Bussaco, um dos seus locais preferidos. «Quero levar o Bussaco nos olhos e na alma!» - declarou, em tom tão trágico, que o João Forjaz, o Filipe Martins e o Mateus Resende, os seus amigos mais próximos, se apressaram a dizer que iam também. Tinham planeado uma escapadela a Coimbra, para «uma farra das antigas», mas ninguém o arrancou da varanda do Palace, onde passou duas manhãs e uma tarde a olhar obsessivamente para a mata, perdido em considerações filosóficas do género «junte-se-lhe uma mulher e um bom livro e tudo o que um homem precisa para ser feliz está aqui!». Em contrapartida e confirmando a sua tese, atirou-se ao menu do Palace com o apetite de um condenado, devorando tudo o que constava da lista e insistindo em terminar sempre com o leitão assado. Para grande deleite dos amigos, invocou a sua nova condição de rico sem destino que dar ao dinheiro e ofereceu as bebidas durante todo o fim-de-semana, indiferente aos preços que os melhores vinhos da célebre cave do Palace ostentavam. Comeu, bebeu e fumou como se disso dependesse a salvação da sua alma e acabou arrastado para o comboio em condições impróprias para um governador de nomeação régia».


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

[699.] - Gemidos de Moleskine

Tudo tem corrido a tanta velocidade que não tem sido possível actualizar este blogue... Sobrecarga de trabalho a nível profissional - novos projectos, novos desafios -, exigência de maior dedicação nalgumas tarefas de alguns dos hobbies, família e amigos (esses santos)... O fio dos dias tem ficado para trás.

Há bocado, revisitando os apontamentos do inseparável Moleskine, cheguei à conclusão que tenho uma quantidade significativa de notas para aqui deixar...

- sobre o ANO EUROPEU DA CRIATIVIDADE E DA INOVAÇÃO - uma iniciativa inteligente em época de crise tomada pela União Europeia, estou convencido que pela Comissão.


- sobre a NOVA PRESIDÊNCIA da UE, da República Checa, que, não satisfeita com o ónus e a grande responsabilidade de se seguir à presidência maravilhástica da França de Sarkozy ainda decidiu começar atabalhoadamente e, nitidamente, com o pé esquerdo. A posição da UE sobre o conflito na Faixa de Gaza foi surreal, igualmente invisivel foi a posição sobre a Guerra do Gás, a estátua adquirida para assinalar a presidência - Entropa - é vergonhosa, as declarações de Mirek Topolánek, o presidente do conselho sobre os mais variados temas têm sido hilariantes... Aguardo com expectativa as comemorações do 20º aniversário da queda do muro de Berlim; do 30º aniversário das primeiras eleições directas para o Parlamento Europeu; do 10º aniversário da introdução do Euro; e do 5º aniversário do "grande" alargamento da União Europeia em 2004 (entrada de 10 novos países), a que a presidência se propôs!...
- sobre o BEST OF 2008 que já prometi há mesmo muito tempo.
- sobre a President OBAMA'S INAUGURATION. Achei o discurso demasiado historiográfico sem grande apelo... Foi um optimo discurso mas esperava, sinceramente, mais. Achei curiosas algumas das medidas tomadas imediatamente a seguir à tomada de posse... e previa escrever sobre isso
- sobre a BATALHA DE BLORE HEATH a segunda da Guerra das Rosas aqui do Partido Socialista da Mealhada.
A ver vamos se temos tempo falar abordar isto tudo...
E a agenda, claro está, que ficou por actualizar...
Entretanto fica o pedido de desculpas pela falta de diligência.

[704.] - Mercurii dies

Esperança e mudança – Parte II
A propósito da tomada de posse de Barack Obama como presidente dos EUA

Quando em Novembro nos debruçámos sobre a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos da América — no Editorial de 12 de Novembro de 2008 — procurámos encontrar no conjunto das características pessoais de Obama e nas mensagens que transmitiu ao longo da campanha eleitoral a justificação para a esolha dos americanos. “Como é que Obama conseguiu convencer a maior parte dos americanos a confiar-lhe a liderança daquela que é a maior potência económica e política do mundo e a incumbência de a tirar da crise? Falou de mudança, de esperança e pôs milhões de pessoas a gritar: “Sim, nós podemos!”. Acreditamos que possa ter sido com isso”, escrevemos há três meses.
Agora, quando escrevemos, poucas horas antes da tomada de posse do 44.º presidente dos Estados Unidos, temos novos dados, geradores de novas reflexões que interessaria serem feitas nesta altura. Reflexões essas que julgamos importantes para perceber o modo de governo dos povos mas, principalmente, para um entendimento do novo paradigma político que Obama introduz. Haverá outros casos na sociedade contemporânea. Aliás, debruçamo-nos sobre este tema porque entendemos que compreendê-lo poderá ser útil para uma maior credibilização, eficácia e eficiência do trabalho político de modo geral, no governo das nações, no governo regional, nos governos locais, na gestão das associações, no fundo, no exercício efectivo da Democracia.
Quando esta edição chegar às mãos do leitor, Obama já terá prestado juramento, e o seu mandato estará inaugurado — a expressão não é nossa, é a oficial. Terão assistido à cerimónia, ao vivo, cerca de quatro milhões de pessoas. Comentadores na comunicação social terão dito que, naquele momento, o índice de popularidade do presidente Obama era de 73 por cento. Um valor que poderá ser encarado como um bom augúrio — trata-se de um valor sem precedentes —, mas que Obama sabe ser, certamente, efémero.
Mesmo com valores altos na popularidade, mesmo com um valor de participação eleitoral sem precedentes, mesmo com um confortável resultado eleitoral, o presidente democrata Obama durante toda a transição deu sinais ao mundo de que, como Abraham Lincoln — presidente republicano que cita recorrentemente —, e como Ronald Reagan — presidente republicano que afirmou admirar —, procurará governar agradando a conservadores, não desiludindo liberais. Procurará governar para o cidadão ideologicamente indiferenciado. Para isso constituiu uma equipa pragmática, liderada ao centro sem a tentação de se colar aos sectores mais liberais ou aos mais conservadores.
Mas onde está a diferença? O tal novo paradigma de Obama? O que é novo neste modelo de Obama é ele ir buscar o paradigma de Lincoln ao contrário do modelo de Blair — um modelo de eleição à esquerda e governação à direita para esvaziamento das propostas da oposição, de que Sócrates é fiel seguidor. Obama prefere trazer os adversários para dentro da sua equipa, fazer dos que derrotou seus conselheiros políticos. O presidente eleito procura soluções para os problemas das pessoas mesmo junto dos seus adversários. Soluções que acolhe venham elas de onde vierem. Trata-se de um modelo que Lincoln usou depois da Guerra Civil Americana, mas cuja eficácia não estará suficientemente confirmada.
Obama procura reproduzir o legado de Lincoln quando chama Hillary Clinton, a sua adversária interna, para assumir, entre outras tarefas, a chefia da diplomacia americana. Obama têm tido reuniões periódicas com John McCain, o candidato republicano que derrotou, no sentido de recolher conselhos sobre política externa. O próprio McCain terá dito, recentemente, que algumas das escolhas de Obama para o Governo também teriam sido as suas. Obama tem, aliás, vários republicanos na sua equipa governativa, alguns até transitam da administração Bush. Para proferir a oração que inicia a cerimónia de tomada de posse, Obama convidou um pastor protestante, ligado à conservadora direita religiosa anti-aborto, mostrando, dando a entender, assim, até onde está disposto a ir no esforço de convergência.
É esta convergência política que vai ser testada e constitui o que apelidamos de novo paradigma político. Será que estaríamos preparados para ver Sócrates, empossado como primeiro-ministro depois das legislativas de 2009, nomear Ferreira Leite como ministra das Finanças, ou Manuel Alegre como ministro de Estado? Será que o sistema partidário português, como o conhecemos, aceitaria que nos municípios o cabeça-de-lista do partido da oposição fosse nomeado vice-presidente pelo presidente da Câmara?
“A convergência em política é possível, mas é perigoso pensar que se pode ter toda a gente no mesmo barco”, dizem alguns politólogos. A Obama caberá mostrar se a afirmação é, ou não, verdadeira.

Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de Janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

[698.] - Hoje...


.. faz cento e um anos que começou uma grande aventura!

[697.] - Hoje...

... Martin Luther King faria 80 anos, se não tivesse sido assassinado em 1968.

Se fosse vivo teria visto Obama tornar-se presidente e, assim, cumprir o seu sonho?
Ou teria ele próprio sido presidente?
Ou será que se não tivesse sido assassinado nesse dia, tê-lo-ia sido em 1969, ou em 70, ou 71...?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

[696.] - Mercurii dies

Velhas burocracias sempre a emperrar Tempo Novo
A propósito da recuperação da Mata Nacional do Buçaco

Publicamos boas notícias sobre a Mata do Buçaco com muito gosto, com muita satisfação. A informação de que o investimento na recuperação e potenciação da Mata, com a construção de um centro interpretativo, esteve em risco mas que a situação está hoje ultrapassada e as obras vão começar em breve é uma boa notícia. Como é boa notícia a informação, em primeira-mão, assim acreditamos, de que o modelo de gestão da Mata do Buçaco que o Governo está a elaborar é o de uma fundação com capitais públicos, que terá um órgão de gestão constituído quase exclusivamente por representações de organismos do Estado. Publicamos ambas as notícias nas páginas 2 e 3 da presente edição.
Acompanhamos tudo o que diz respeito à maior jóia natural desta região, o ex-libris do município da Mealhada, com grande atenção. Encontramo-nos no conjunto dos defensores intransigentes da Mata e do seu património histórico, natural e afectivo. E foi com grande apreensão que recebemos a informação, que depois confirmámos, de que estaria em risco o investimento de vários milhares de euros na recuperação da Mata, e, de modo especial, e particularmente gravoso, o investimento na construção do Centro Interpretativo. A razão deste risco foi o facto de, até ao dia 15 de Dezembro de 2008, a Direcção Geral das Florestas não ter conseguido a cedência formal das garagens do Palace Hotel do Bussaco para lá poder construir no seu lugar o referido Centro Interpretativo. E essa cedência não foi garantida porque faltava um papel do Instituto Nacional do Turismo, um organismo do Estado, autorizando a Hotéis Alexandre de Almeida, concessionário provisório sem concessão formal, a permutar as garagens com dois edifícios, que eram pertença da Direcção Geral das Florestas, que é, também, um organismo do Estado.
Ou seja, por causa de um papel, por causa da burocracia interna do próprio Estado português, o dinheiro do terceiro Quadro Comunitário de Apoio entregue pela União Europeia a Portugal para realizar a recuperação da Mata Nacional do Buçaco esteve em risco de regressar a Bruxelas por não ter sido gasto dentro do prazo exigido. Pioraria a situação, no caso de deixar de haver esse dinheiro para investir, a possibilidade de ter de indemnizar a empresa construtora a quem a obra já tinha sido adjudicada e que até já tinha colocado no local os materiais para dar início à empreitada.
Diz-se que tudo está bem quando acaba em bem e, pelo que conseguimos apurar de várias fontes, terá sido graças à intervenção do presidente da Câmara da Mealhada, que os obstáculos se puderam superar e que a construção do Centro Interpretativo se tornará real dentro de pouco tempo.
A acção da Câmara da Mealhada em relação à resolução deste problema será apenas mais um dos exemplos a que se pode recorrer para justificar que é essencial a autarquia ter um papel fundamental no futuro modelo de gestão da Mata. E, de acordo com o que averiguámos, esta questão está solucionada e, assim, um representante da Câmara fará parte do órgão de gestão da Fundação Mata do Bussaco. Como salvaguardada está a inclusão neste mesmo órgão de vários organismos do Estado — da Cultura, das Florestas, do Turismo. Acreditamos assim que, com esta conjugação de poderes Câmara-Estado, e uma atitude vigorosa e activa da parte da Câmara da Mealhada, possa surgir um tempo novo para a recuperação da Mata do Buçaco.

Post scriptum
A Fundação Mata do Bussaco ainda não está constituída. Prevê-se que o diploma que a faz nascer e que a vai reger vá a Conselho de Ministros ainda no mês de Janeiro de 2009. Mas os elementos que constituirão o futuro órgão de gestão já tomaram uma decisão. E a decisão que tomaram foi de uniformizar a grafia do nome da mata nacional e da serra de que faz parte. Ou seja, o órgão de gestão da fundação vai grafar exclusivamente Mata Nacional do Bussaco, desprezando a grafia “Buçaco”. No Jornal da Mealhada o critério até agora existente ditava que a grafia do nome da serra fosse “Buçaco” e que só em nomes próprios, não geográficos, e marcas assim registados se grafaria “Bussaco”, como no caso de Palace Hotel do Bussaco. Encontramo-nos, portanto, perante um "dilema" que, certamente, o tempo e a prática acabarão por resolver.

Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Dezembro de 2008

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

[695.] - Quantos temos a graça de conviver com um Homem Novo de barbas brancas?

O agrupamento dos escuteiros da Pampilhosa assinalou no domingo, 11 de janeiro, o seu 20.º aniversário. E pelo aniversário saudamos os nossos irmãos escuteiros da Pampilhosa. Não esquecemos, também, que foi com o apoio do Chefe Mário Gaspar que se (re)fundou o escutismo na Mealhada. Como não esqueço, também, que é com o apoio do Chefe Liberto Maia, com a sua amizade e o seu exmeplo, que procuro ser melhor dirigente do CNE, melhor pessoa, melhor servidor de Deus e dos outros.
Obrigado e parabéns!


domingo, 11 de janeiro de 2009

[693.] - Hoje é...

... o DIA INTERNACIONAL DO OBRIGADO
obrigadinho, portanto, a todas as pessoas a quem eu tenho razões para agradecer!

Assinala-se, também:

- O 47.º aniversário da 'inauguração' do Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII. Concílio que foi verdadeiramente transformador da Igreja Católica Apostólica Romana.

- O Dia da República na Albânia
- O Dia da Independência em Marrocos

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

[692.] - Saudades da Lua

Por onde anda a Lua?

Lua-de-Mel-lua-de-fel! Onde estás tu, que temos saudades?


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

[691.] - O discurso do Rei - Parte II

O ano de 2009…
O caminho é estreito mas existe

Classificado, antes mesmo de se iniciar, como annus horribilis, 2009 começou há poucos dias mas tem já, sobre si, uma carga bastante pesada. As perspectivas económicas não são promissoras, há indicadores que prenunciam o aumento do desemprego, da pobreza e da exclusão social. Será, assim o dizem os analistas, o ano da crise. No seu discurso de Ano Novo, o Chefe do Estado, Prof. Cavaco Silva, exortando os portugueses no sentido de não se deixarem dominar pelo desânimo disse: “Não tenham medo!”. No mesmo sentido, à sua maneira, vem a tirada do grupo de humoristas ‘Gato Fedorento’ sugerindo a passagem directa do ano de 2008, para o ano de 2010, evitando assim o ano de 2009.
A ideia de classificar um ano do calendário como horribilis — horrível — ou mirabilis — milagroso — decorre da tradição poética britânica e ganhou maior popularidade quando a monarca de Inglaterra, Isabel II, declarou que os factos do ano de 1992, na família real britânica, tinham feito deste um annus horribilis. O antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan com o mesmo epíteto classificou o ano de 2004 — aludindo à catástrofe do tsunami na Ásia e, também, às suspeitas de corrupção nas estruturas internas da ONU. Também o ano de 2007 foi considerado horribilis por Juan Carlos, rei de Espanha — devido a problemas do foro intimo da família real, aos incidentes separatistas anti-monárquicos que se verificaram no seu país e ao conflito entre ele e o Presidente República da Venezuela.
Sem o dizer textualmente, Cavaco Silva, Presidente da República, classificou também o ano que agora começa como um annus horribilis. Aguardava-se do Chefe do Estado português, dias depois do puxão de orelhas que deu aos deputados da Assembleia da República, uma declaração de Estado com uma análise ao trabalho do Governo. Cavaco Silva não o fez — criticou apenas os “oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos parceiros europeus”, fazendo sobressair a verdade que entendeu ter de ser dita: “Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz”. O Presidente da República preferiu dirigir “uma palavra especial de solidariedade a todos os que se encontram em situações particularmente difíceis”. Palavra endereçada, de forma sublinhada, aos que perderam o emprego e rendimentos, aos jovens que não conseguem o primeiro emprego, aos pequenos comerciantes, e aos agricultores.
Num discurso particularmente escuro, que fomenta o cepticismo, e que é, até, na nossa opinião, angustiante, Cavaco Silva declarou sentir-se impelido a dizer a verdade — uma verdade que custa ouvir: “2009 vai ser um ano muito difícil!”. “A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes. É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca”, disse Cavaco. “As ilusões pagam-se caro. O caminho é estreito, mas existe. E está ao nosso alcance”, acrescentou.
Sublinhamos, ainda, as palavras que Cavaco Silva dirige aos partidos políticos. Lembramos que se realizarão nos próximos doze meses três actos eleitorais — a eleição para o Parlamento Europeu, as eleições autárquicas e as legislativas. Sendo as duas últimas de especial relevância politica e económica, e mais susceptíveis à demagogia e ao populismo. Cavaco é muito directo: “Os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está, de facto, centrada no combate à crise. Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os problemas das pessoas”.
Cavaco Silva, pessoa a que já alguém chamou, um dia, timoneiro e homem do leme, garante estar atento, mas não nos tranquiliza. Sem pretendermos colocar no mesmo plano o discurso do Chefe de Estado e o do Gato Fedorento, lembramos que Cavaco Silva exprime uma ideia semelhante à do referido grupo humorístico: “O futuro é mais do que o ano que temos pela frente. O futuro será 2009, mas também os anos que a seguir vierem”.
Condenados a atravessar este ano, mais ou menos angustiados, com mais ou menos motivos para ter esperança, lembremos que 2009, para além de ser o Ano Internacional da Astronomia, é, note-se bem, o Ano Europeu para a Criatividade e Inovação. Criatividade e inovação que, em época de crise, tão necessárias são, tanto jeito dão, tantas oportunidades poderão criar e tantos sucessos podem proporcionar.
Não tenhamos medo! O caminho é estreito mas existe, frisou Cavaco Silva. Aceitemos trilhá-lo, com criatividade e sentido de inovação.

Editorial do Jornal da Mealhada de 07.01.09

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

[690.] - O PM foi à televisão

O Primeiro-Ministro foi à televisão. Eis uma boa razão para parar o que estava a fazer - até porque estava a escrever sobre o discurso de Cavaco na mensagem de Ano Novo - e ir ouvir o presidente do conselho... de ministros.
No final, fiquei mais angustiado do que quando o debate (será esse o nome apropriado, mais do que entrevista) começou.
E fiquei logo angustiado porque o primeiro-ministro fez asneira quando falou do estatuto dos Açores. Foi disparate e custa-me ver as pessoas a dizer disparates.
Angustiado porque a autoridade do Chefe do Governo saiu daquele estudio pelas ruas da amargura. Ricardo Costa, reputado jornalista - da SIC e agora do Expresso - portou-se muitissimo mal. Deu ali duas ou três lições de jornalismo de trazer por casa. E angustia-me ver boas pessoas a fazer disparates.
Ricardo Costa tratou o entrevistado como se este estivesse num estado de inferioridade intelectual. Gabarolou-se de conhecer melhor os dossiês e a Constituição do que Socrates. Dirigiu-se a ele como se fosse um colega da sueca do café e estivesse a discutir o espalho do Quique. Deu a sua opinião variadissimas vezes, chegando mesmo ao rídiculo de afirmar: "Aposto que o Tribunal Constitucional vai chumbar o estatuto!". Aposta? O entrevistador aposta? O que é isto?
Ricardo Costa fez perguntas despropositadas numa entrevista em directo: "Já perguntou a Alegre se ele vai fundar um partido novo?"... É fácil imaginar o telefonema: "Está Alegre, olha, vais-me espetar uma faca nas costas? Ah sim, obrigadinho. Até amanhã!"
Apreciei o resto da prestação de Socrates, percebi o desnorte do José Gomes Ferreira, perante as atoardas do Ricardo Costa. E acima de tudo cheguei à conclusão de que estamos fornicados. O primeiro-ministro tem o discurso ensaiado, não precisa sequer das cábulas que o Ricardo Costa tinha no teleponto, sabia a mensagem que tinha para dizer... mas não faz ideia do que é preciso fazer para nos tirar desta maldita crise!