A judicialização da Política na Mealhada
O mandato autárquico que finda no próximo Outono foi pródigo em transformações interessantes no exercício das responsabilidades políticas municipais. Transformações que são gerais, comuns a quase todos os municípios, e transformações específicas do concelho da Mealhada.
A tomada de posse dos autarcas dos órgãos municipais — Câmara e Assembleia Municipal —, em Outubro de 2005, deu início a um período de grande conturbação política na Mealhada. A ‘Guerra do Papel Timbrado’, os gabinetes para a oposição e a tenda para atender os munícipes, as reuniões de Câmara abertas e as fechadas foram episódios que marcaram de forma muito vincada a primeira metade do mandato da Câmara da Mealhada. Foi um período de grande crispação verbal, de muita tensão entre as pessoas, de algum aproveitamento da comunicação social para a prossecução de uma estratégia política de desgaste de Cabral e da sua equipa. A estratégia resultou e alastrou-se a outros sectores da sociedade civil obrigando o presidente da Câmara a travar novos combates.
Nesta primeira fase, na Mealhada, verificou-se um esvaziamento quase completo da Assembleia Municipal enquanto espaço privilegiado para a dialéctica política, para a acção da oposição. Esta é, no entanto, uma das transformações gerais, comuns a muitos municípios, a que aludimos. A especificidade mealhadense acabou por ser o facto de as principais manifestações da oposição, a acção de confronto dialéctico, de debate, se terem transferido para a Câmara Municipal, que deixou de ter a aparência de um órgão executivo pragmático para a gestão do quotidiano para passar a apresentar-se com características parlamentaristas de debate de ideias mais gerais.
Nos meados do mandato deu-se início a uma nova tendência. A decisão final do debate político foi transferida para os tribunais. O primeiro caso de que temos memória foi a queixa dos vereadores do PSD a propósito da avaliação do imóvel da MEAGRI com a intervenção do vereador António Jorge. Apesar de não ser por nós conhecido o resultado desta queixa, outras queixas judiciais se lhe seguiram. E, nos últimos meses, a situação intensificou-se sobremaneira. Foi o caso do ‘Relatório Calhoa’, que deu origem a várias queixas, foi a queixa de Cabral sobre as declarações de Carvalheira, alegadamente proferidas num plenário do PSD, foi, agora, o caso dos inertes de Mala, levantado por Carlos Marques, e do pavimento da pista no Parque Urbano da Cidade, apresentado por Carvalheira.
São casos, pelo menos estes últimos, que passaram quase directamente da Câmara para os jornais e destes para os tribunais. Na reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira — no auge dos acontecimentos do debate sobre o pavimento do Parque Urbano da Cidade, por exemplo — nem uma palavra se ouviu acerca do assunto, nem de qualquer um dos que, ultimamente, têm suscitado mais controvérsia política.
Não nos cabe ajuizar sobre as vantagens e desvantagens desta transferência da dialéctica democrática do poder local para os tribunais. Nem sequer qualificar este recurso — os poderes estão divididos para que possam cumprir funções distintas. Cabe-nos sublinhar este facto e procurar reflectir sobre ele. Uma reflexão — com os partidos, os autarcas, os académicos, com os legisladores (?) e com os eleitores — que seria um óptimo ponto de partida para o debate que se deseja esclarecedor na campanha eleitoral autárquica que se aproxima.
Estará o sistema político autárquico tão desgastado que já não permite a resolução dos conflitos que gera, naturalmente? Estar-se-á a transferir a confiança do povo, manifestada através do voto democrático, directamente dos políticos para os tribunais?
Para nós, no entanto, há uma ideia que nos parece pertinente: o actual sistema de distribuição de competências e atribuições entre a Câmara e a Assembleia Municipal está ultrapassado. O que nos obriga a sublinhar o facto de, há pelo menos seis anos, se ter mostrado como sendo necessária uma alteração profunda na legislação que regula o funcionamento dos órgãos do poder local. Uma alteração que se entende dever passar pela forma de eleição da Câmara Municipal, pela periodicidade das suas reuniões e pelas competências da Assembleia Municipal, por exemplo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 24 de Junho 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
[804.] Mercurii dies
terça-feira, 23 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Mercurii dies
O valor do dinheiro (em tempos de crise)
A notícia da transferência de clube do futebolista Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, por 94 milhões de euros, não passou indiferente nem aos portugueses… nem ao resto do mundo. Trata-se de um valor muito alto — a mais dispendiosa transferência da história do futebol — que, especialmente numa época em que se fala de crise internacional — financeira, económica e social —, choca e até revolta as pessoas. A revolta pode ficar a dever-se ao facto de se tratar de futebol e não de uma outra qualquer área social. O futebol será um complemento à vida das pessoas, uma forma de diversão, logo uma actividade subsidiária que não mereceria o dispêndio de um volume de capitais com esta dimensão. Acreditamos ser essa a principal causa de reprovação do cidadão comum. Ninguém estranha, sequer, que um clube pague a outro a transferência da propriedade de um jogador, numa espécie de rota tradicional de mercantilismo como se o produto não passasse disso mesmo, um mero produto transaccionável.
Mas se há algum dirigente de um clube que está disposto a pagar 94 milhões de euros pela transferência do jogador, é porque a presença do jogador na equipa desse clube vale esse dinheiro. A história da Economia mostra que o valor dos produtos se situa, tendencialmente, no valor (e no sacrifício) que as pessoas estão dispostas a dar para o ter. Se o presidente do Real Madrid — Florentino Perez — considera que é rentável pagar o equivalente ao peso em ouro de 54 Cristianos, e se o Manchester o entrega por esse valor e por nenhum valor mais baixo, então está encontrado o ponto de equilíbrio e o preço justo.
Pelos dados que nos têm sido dados pela comunicação social, é possível que Florentino Perez não tenha enlouquecido. A transferência de Ronaldo custou 94 milhões de euros, e o contrato do jogador é de 6 anos, mas só a venda de produtos com a sua marca — como as camisolas do Real Madrid com o seu nome, entre outros produtos — irá render 90 milhões de euros por ano. Ou seja, mesmo que não consideremos as contas os salários do jogador e outros gastos e todos os outros valores que virão a ser adicionados como receitas com ele relacionadas, continuava a ser um investimento rentável. É, portanto, um gasto que gera dinheiro. O Manchester United recebe pela transferência de Cristiano — um jogador — um valor idêntico ao de todas as receitas angariadas na liga inglesa na última época desportiva — com jogos semanais de uma equipa de onze jogadores. Logo, também não terá feito uma má venda.
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, garantiu que esta transferência dá sinais de que o mercado do futebol está de boa saúde. E parece-nos que tem razão. Ao menos que algum mercado tenha boa saúde nesta época de crise internacional. Crise que nunca será debelada se, pura e simplesmente, restringirmos o consumo. Bem sabemos que o Manchester United não irá distribuir os euros recebidos do Real Madrid pelas pequenas e médias empresas de Inglaterra — quando muito pagará impostos sobre essa receita —, mas se o dinheiro se desloca é bom para todos porque é bom para a economia global.
Quando o Presidente da República Portuguesa, há poucos dias, apelava aos partidos políticos para serem comedidos nos gastos da campanha eleitoral não percebemos o que queria dizer, confessamo-lo com humildade. Se os partidos dispõem de dinheiro em quantidade não o devem gastar porquê? O Estado só vai dar-lhes o equivalente ao número de votos que obterão, ou seja, o gasto do Estado não está directamente relacionado com o gasto dos partidos na campanha. Cada eleitor fará a sua apreciação dos gastos supérfluos dos partidos mas poderá considerar-se um acto de cidadania a despesa feita por eles em campanha eleitoral. As gráficas que fazem os panfletos, os comerciantes de sacos plásticos e de outros brindes, as empresas de som… e tantas outras micro, pequenas e médias empresas, bem como as pessoas que são remuneradas para colar os cartazes, por exemplo, ganham directamente com a campanha eleitoral. Serão, em todo o território nacional, directamente beneficiadas com a campanha eleitoral.
As pessoas, nos dias de hoje, devem preparar-se para tempos difíceis, devem consumir com responsabilidade, devem ter mecanismo de poupança e de investimento seguro. Mas não podem restringir o consumo. O incentivo fundamental para o ultrapassar da crise económica — é já ideia comummente aceite pelos especialistas — passa pelo apoio directo e imediato às micro, pequenas e médias empresas. E esse apoio, da parte das pessoas — não nos arriscaríamos a dizer o que devia o Governo fazer neste domínio — faz-se pelo consumo, pelo comprar de alguns produtos nas mercearias, no comércio de proximidade, no voltar a utilizar o serviço dos sapateiros e das costureiras para arranjarem o que ainda pode ser reutilizável, por exemplo.
O valor do dinheiro, mesmo em tempo de crise, é sempre difícil de definir. Não há tabela para o que é muito nem para o que é pouco. Mas a valia do dinheiro passa pela circulação, passa pelo resultado dessa circulação. O dinheiro de pouco valerá se ficar estagnado no colchão, de quem tem muito ou, também, de quem tem pouco...
Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Junho
A notícia da transferência de clube do futebolista Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, por 94 milhões de euros, não passou indiferente nem aos portugueses… nem ao resto do mundo. Trata-se de um valor muito alto — a mais dispendiosa transferência da história do futebol — que, especialmente numa época em que se fala de crise internacional — financeira, económica e social —, choca e até revolta as pessoas. A revolta pode ficar a dever-se ao facto de se tratar de futebol e não de uma outra qualquer área social. O futebol será um complemento à vida das pessoas, uma forma de diversão, logo uma actividade subsidiária que não mereceria o dispêndio de um volume de capitais com esta dimensão. Acreditamos ser essa a principal causa de reprovação do cidadão comum. Ninguém estranha, sequer, que um clube pague a outro a transferência da propriedade de um jogador, numa espécie de rota tradicional de mercantilismo como se o produto não passasse disso mesmo, um mero produto transaccionável.
Mas se há algum dirigente de um clube que está disposto a pagar 94 milhões de euros pela transferência do jogador, é porque a presença do jogador na equipa desse clube vale esse dinheiro. A história da Economia mostra que o valor dos produtos se situa, tendencialmente, no valor (e no sacrifício) que as pessoas estão dispostas a dar para o ter. Se o presidente do Real Madrid — Florentino Perez — considera que é rentável pagar o equivalente ao peso em ouro de 54 Cristianos, e se o Manchester o entrega por esse valor e por nenhum valor mais baixo, então está encontrado o ponto de equilíbrio e o preço justo.
Pelos dados que nos têm sido dados pela comunicação social, é possível que Florentino Perez não tenha enlouquecido. A transferência de Ronaldo custou 94 milhões de euros, e o contrato do jogador é de 6 anos, mas só a venda de produtos com a sua marca — como as camisolas do Real Madrid com o seu nome, entre outros produtos — irá render 90 milhões de euros por ano. Ou seja, mesmo que não consideremos as contas os salários do jogador e outros gastos e todos os outros valores que virão a ser adicionados como receitas com ele relacionadas, continuava a ser um investimento rentável. É, portanto, um gasto que gera dinheiro. O Manchester United recebe pela transferência de Cristiano — um jogador — um valor idêntico ao de todas as receitas angariadas na liga inglesa na última época desportiva — com jogos semanais de uma equipa de onze jogadores. Logo, também não terá feito uma má venda.
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, garantiu que esta transferência dá sinais de que o mercado do futebol está de boa saúde. E parece-nos que tem razão. Ao menos que algum mercado tenha boa saúde nesta época de crise internacional. Crise que nunca será debelada se, pura e simplesmente, restringirmos o consumo. Bem sabemos que o Manchester United não irá distribuir os euros recebidos do Real Madrid pelas pequenas e médias empresas de Inglaterra — quando muito pagará impostos sobre essa receita —, mas se o dinheiro se desloca é bom para todos porque é bom para a economia global.
Quando o Presidente da República Portuguesa, há poucos dias, apelava aos partidos políticos para serem comedidos nos gastos da campanha eleitoral não percebemos o que queria dizer, confessamo-lo com humildade. Se os partidos dispõem de dinheiro em quantidade não o devem gastar porquê? O Estado só vai dar-lhes o equivalente ao número de votos que obterão, ou seja, o gasto do Estado não está directamente relacionado com o gasto dos partidos na campanha. Cada eleitor fará a sua apreciação dos gastos supérfluos dos partidos mas poderá considerar-se um acto de cidadania a despesa feita por eles em campanha eleitoral. As gráficas que fazem os panfletos, os comerciantes de sacos plásticos e de outros brindes, as empresas de som… e tantas outras micro, pequenas e médias empresas, bem como as pessoas que são remuneradas para colar os cartazes, por exemplo, ganham directamente com a campanha eleitoral. Serão, em todo o território nacional, directamente beneficiadas com a campanha eleitoral.
As pessoas, nos dias de hoje, devem preparar-se para tempos difíceis, devem consumir com responsabilidade, devem ter mecanismo de poupança e de investimento seguro. Mas não podem restringir o consumo. O incentivo fundamental para o ultrapassar da crise económica — é já ideia comummente aceite pelos especialistas — passa pelo apoio directo e imediato às micro, pequenas e médias empresas. E esse apoio, da parte das pessoas — não nos arriscaríamos a dizer o que devia o Governo fazer neste domínio — faz-se pelo consumo, pelo comprar de alguns produtos nas mercearias, no comércio de proximidade, no voltar a utilizar o serviço dos sapateiros e das costureiras para arranjarem o que ainda pode ser reutilizável, por exemplo.
O valor do dinheiro, mesmo em tempo de crise, é sempre difícil de definir. Não há tabela para o que é muito nem para o que é pouco. Mas a valia do dinheiro passa pela circulação, passa pelo resultado dessa circulação. O dinheiro de pouco valerá se ficar estagnado no colchão, de quem tem muito ou, também, de quem tem pouco...
Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Junho
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
O rescaldo eleitoral
Já se disputou o primeiro combate nacional do ciclo eleitoral de 2009. Quem acompanhou o resultado dos apuramentos, os comentários políticos e as leituras de carácter mais ou menos profético chegou à conclusão do costume: “Todos ganharam” menos o partido do Governo. O PSD teve mais votos e mais mandatos do que o PS e do que tinha tido em 2004, logo, ganhou. O Bloco de Esquerda duplicou o número de votos e triplicou o número de mandatos, logo, ganhou. A CDU manteve o número de mandatos mas, apesar de ter sido ultrapassada pelo Bloco por uma unha negra, obteve mais votos que há cinco anos, logo, ganhou. O CDS manteve o número de deputados que tinha conquistado em 2004 — quando concorreu coligado com o PSD — mas ganhou às sondagens que o remetiam para um resultado insignificante. Até os votos em branco ganharam nestas eleições — se fossem um partido seriam a sexta força e até poderiam ter elegido um deputado. Não seria interessante haver no Parlamento uma cadeira vazia em nome destes votos? Em resumo, todos ganharam menos o PS.
De facto, o Partido Socialista não ganhou. Não há maneira de, à boa maneira partidocrática portuguesa, conseguir achar uma vitória nesta derrota. O PS perdeu mais de meio milhão de votos relativamente a 2004. O PS tem hoje um número de mandatos que só se pode comparar ao resultado obtido na eleição de 1987. Os socialistas perderam nada mais nada menos do que cinco mandatos — Portugal perdeu dois deputados europeus e acreditamos que possam ter sido retirados um ao PS e outro ao PSD.
Os portugueses quiseram penalizar o Governo pela acção política? Provavelmente essa será a razão mais plausível para justificar o resultado. Poderá dizer-se que, depois desta noite eleitoral, é garantida uma derrota do PS nos combates seguintes e, especialmente, no combate das eleições legislativas? Não nos parece. Em primeiro lugar porque os portugueses atingiram já um estado de maturidade democrática que lhes permite distinguir o que é a valer e o que é a feijões. Em segundo lugar porque neste combate os protagonistas não eram Ferreira Leite e Sócrates, eram outras pessoas para outros lugares. Mas há um dado essencial que agora se revela e que pode importar. Trata-se de um elemento subjectivo muito relevante: A invencibilidade de Sócrates não é irreversível. Ou seja, é possível Manuela Ferreira Leite travar o combate de igual para igual com Sócrates. Isso é importante porque vai aumentar a intensidade da campanha tanto do lado do PS como do lado do PSD e vai aumentar o apelo ao voto útil. Dito de outra forma: O primeiro combate traz maior interesse aos seguintes.
Foi anunciada como a maior inimiga deste acto eleitoral. Falamos da abstenção. A declaração não passou disso mesmo e nenhuma das candidaturas fez fosse o que fosse para a combater. No entanto, a abstenção não aumentou. Pode dizer-se que a percentagem de abstenção aumentou. E é verdade. Mas acontece que Portugal viu aplicada uma lei do recenseamento obrigatório e automático que fez insuflar o número de eleitores inscritos involuntariamente. A verdade é que em 2009 votaram mais 150 mil pessoas do que em 2004. Não há, no entanto, qualquer motivo de alegria. Nem achamos — como afirmámos na passada edição — que da abstenção se possam fazer leituras politicas de desagrado ou descontentamento.
A conclusão a tirar é que Portugal está cada vez mais europeu! O nível da abstenção em Portugal esteve abaixo do nível verificado em muitas das democracias mais consolidadas da Europa. O Reino Unido, a Holanda e a Suécia, por exemplo, tiveram abstenções superiores à portuguesa. A abstenção em França, na Alemanha e na Finlândia não foi muito inferior à portuguesa. E já para não falar na abstenção nos países que recentemente entraram na União.
A situação da abstenção pode ser, aliás, muito mais grave do que seria de esperar. Não é um problema exclusivo dos portugueses, é um problema de todos os cidadãos dos estados-membros que demonstram estar, cada vez mais desinteressados da união política que é hoje a Europa.
Editorial do JM 745 e do FRONTAL 1 de 10 de Junho de 2009
Já se disputou o primeiro combate nacional do ciclo eleitoral de 2009. Quem acompanhou o resultado dos apuramentos, os comentários políticos e as leituras de carácter mais ou menos profético chegou à conclusão do costume: “Todos ganharam” menos o partido do Governo. O PSD teve mais votos e mais mandatos do que o PS e do que tinha tido em 2004, logo, ganhou. O Bloco de Esquerda duplicou o número de votos e triplicou o número de mandatos, logo, ganhou. A CDU manteve o número de mandatos mas, apesar de ter sido ultrapassada pelo Bloco por uma unha negra, obteve mais votos que há cinco anos, logo, ganhou. O CDS manteve o número de deputados que tinha conquistado em 2004 — quando concorreu coligado com o PSD — mas ganhou às sondagens que o remetiam para um resultado insignificante. Até os votos em branco ganharam nestas eleições — se fossem um partido seriam a sexta força e até poderiam ter elegido um deputado. Não seria interessante haver no Parlamento uma cadeira vazia em nome destes votos? Em resumo, todos ganharam menos o PS.
De facto, o Partido Socialista não ganhou. Não há maneira de, à boa maneira partidocrática portuguesa, conseguir achar uma vitória nesta derrota. O PS perdeu mais de meio milhão de votos relativamente a 2004. O PS tem hoje um número de mandatos que só se pode comparar ao resultado obtido na eleição de 1987. Os socialistas perderam nada mais nada menos do que cinco mandatos — Portugal perdeu dois deputados europeus e acreditamos que possam ter sido retirados um ao PS e outro ao PSD.
Os portugueses quiseram penalizar o Governo pela acção política? Provavelmente essa será a razão mais plausível para justificar o resultado. Poderá dizer-se que, depois desta noite eleitoral, é garantida uma derrota do PS nos combates seguintes e, especialmente, no combate das eleições legislativas? Não nos parece. Em primeiro lugar porque os portugueses atingiram já um estado de maturidade democrática que lhes permite distinguir o que é a valer e o que é a feijões. Em segundo lugar porque neste combate os protagonistas não eram Ferreira Leite e Sócrates, eram outras pessoas para outros lugares. Mas há um dado essencial que agora se revela e que pode importar. Trata-se de um elemento subjectivo muito relevante: A invencibilidade de Sócrates não é irreversível. Ou seja, é possível Manuela Ferreira Leite travar o combate de igual para igual com Sócrates. Isso é importante porque vai aumentar a intensidade da campanha tanto do lado do PS como do lado do PSD e vai aumentar o apelo ao voto útil. Dito de outra forma: O primeiro combate traz maior interesse aos seguintes.
Foi anunciada como a maior inimiga deste acto eleitoral. Falamos da abstenção. A declaração não passou disso mesmo e nenhuma das candidaturas fez fosse o que fosse para a combater. No entanto, a abstenção não aumentou. Pode dizer-se que a percentagem de abstenção aumentou. E é verdade. Mas acontece que Portugal viu aplicada uma lei do recenseamento obrigatório e automático que fez insuflar o número de eleitores inscritos involuntariamente. A verdade é que em 2009 votaram mais 150 mil pessoas do que em 2004. Não há, no entanto, qualquer motivo de alegria. Nem achamos — como afirmámos na passada edição — que da abstenção se possam fazer leituras politicas de desagrado ou descontentamento.
A conclusão a tirar é que Portugal está cada vez mais europeu! O nível da abstenção em Portugal esteve abaixo do nível verificado em muitas das democracias mais consolidadas da Europa. O Reino Unido, a Holanda e a Suécia, por exemplo, tiveram abstenções superiores à portuguesa. A abstenção em França, na Alemanha e na Finlândia não foi muito inferior à portuguesa. E já para não falar na abstenção nos países que recentemente entraram na União.
A situação da abstenção pode ser, aliás, muito mais grave do que seria de esperar. Não é um problema exclusivo dos portugueses, é um problema de todos os cidadãos dos estados-membros que demonstram estar, cada vez mais desinteressados da união política que é hoje a Europa.
Editorial do JM 745 e do FRONTAL 1 de 10 de Junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009

RESULTADOS ELEITORAIS:
CONCELHO DE MORTÁGUA
No concelho de Mortágua a abstenção alcançou valores muito acima da média nacional e até do distrito de Viseu. Chegou aos 72%.
No concelho de Mortágua venceu o PSD, com 35,68%. Seguiram-se o PS, com 31,41%, o Bloco de Esquerda, com 8,28%, e o CDS com 7,59%. A CDU alcançou 3,52% dos votos. O PS ganhou, no entanto, nas freguesias de Cercosa, Marmeleira, Mortágua, Trezói e Vale Remígio. O PSD ganhou nas restantes cinco.
CONCELHO DE PENACOVA
No concelho de Penacova a abstenção alcançou valores pouco acima da média nacional, ficou-se pelos 67,2%.
Também no concelho de Penacova venceu o PSD, com 38,9%. Seguiu-se o PS, com 30,79%. Contrariamente à tendência nacional, a CDU foi a terceira força com 7,37%. O Bloco de Esquerda alcançou com 6,32%, e o CDS com 6,03%.
No concelho de Penacova a abstenção alcançou valores pouco acima da média nacional, ficou-se pelos 67,2%.
Também no concelho de Penacova venceu o PSD, com 38,9%. Seguiu-se o PS, com 30,79%. Contrariamente à tendência nacional, a CDU foi a terceira força com 7,37%. O Bloco de Esquerda alcançou com 6,32%, e o CDS com 6,03%.
O PS ganhou, apenas, na freguesia de Lorvão. A CDU foi a segunda força em Oliveira do Mondego. Nas freguesias de São Pedro de Alva, de São Paio do Mondego, de Paradela e de Friúmes a terceira força mais votada foi o CDS. Em Penacova, a terceira força foi a CDU.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
[797.]

Ora viva!
De modo informal, quase familiar, apresentamo-nos e saudamos todos os que, nesta ocasião, têm nas suas mãos o número zero — uma edição experimental — do jornal FRONTAL. Será deste modo, olhos-nos-olhos, com simpatia, apreço e espírito de serviço ao desenvolvimento e à valorização dos lugares e das populações dos municípios de Mortágua e de Penacova, que procuraremos dar dinâmica a um projecto que agora dá os primeiros passos.
O FRONTAL é um jornal que se apresentará quinzenalmente aos seus leitores. Começará por ter uma distribuição gratuita, mas transitará, gradualmente, com o tempo, para um sistema de assinaturas e de venda ao público em quiosques, papelarias, etc. Queremos chegar a todos os que queiram saber noticias especialmente relacionadas com as comunidades dos municípios de Penacova e de Mortágua e da região envolvente. Para isso, e de modo muito especial — porque sabemos o que isso significa para eles—, queremos chegar às comunidades de mortaguenses e penacovenses no estrangeiro, levando-lhes, de certa maneira, novo alento para as dificuldades que a distância de casa lhes traz.
O FRONTAL é um jornal que faz parte de um grupo editorial com 25 anos, e com várias títulos. Os seus promotores conhecem as características e os problemas do jornalismo regional na actualidade. Apesar das dificuldades que todos conhecem, não houve resignação nem medo em avançar com este projecto, que não deixa de ser arriscado.
O FRONTAL é um jornal de notícias locais, com espaço de opinião, de cultura, de divulgação histórica e científica, entre outras. Os que o dirigem, e que serão responsáveis pela sua linha editorial, procurarão oferecer um produto o mais diversificado e o mais atraente possível. Mas para isso precisam dos leitores. Precisamos da sua opinião, da sua crítica, das suas chamadas de atenção, das suas informações.
Portugal atravessa, na actualidade, um tempo de nascimento de formas muito variadas de intervenção cívica. Colaborar com a edição de um jornal regional — que acaba por ser (para já) um meio mais abrangente do que as outras tecnologias da informação — é também uma forma de intervenção em prole da sua comunidade e dos outros.
Esperamos que nos dê a sua opinião sobre o número zero do FRONTAL. Com ela, poderemos ir mais fácil e rapidamente ao seu encontro. Esse é, de facto, o nosso objectivo. Levar aos habitantes dos concelhos de Mortágua e de Penacova, de olhos-nos-olhos, e de modo responsável, as boas e as más noticias das comunidades maravilhosas e riquíssimas que nos seus territórios estão instaladas.
Coragem e Frontalidade são características que a História e a Tradição atribuem a mortaguenses e penacovenses, e que este jornal quer assumir e valorizar!
Editorial do número zero do FRONTAL de 27.05.2009
De modo informal, quase familiar, apresentamo-nos e saudamos todos os que, nesta ocasião, têm nas suas mãos o número zero — uma edição experimental — do jornal FRONTAL. Será deste modo, olhos-nos-olhos, com simpatia, apreço e espírito de serviço ao desenvolvimento e à valorização dos lugares e das populações dos municípios de Mortágua e de Penacova, que procuraremos dar dinâmica a um projecto que agora dá os primeiros passos.
O FRONTAL é um jornal que se apresentará quinzenalmente aos seus leitores. Começará por ter uma distribuição gratuita, mas transitará, gradualmente, com o tempo, para um sistema de assinaturas e de venda ao público em quiosques, papelarias, etc. Queremos chegar a todos os que queiram saber noticias especialmente relacionadas com as comunidades dos municípios de Penacova e de Mortágua e da região envolvente. Para isso, e de modo muito especial — porque sabemos o que isso significa para eles—, queremos chegar às comunidades de mortaguenses e penacovenses no estrangeiro, levando-lhes, de certa maneira, novo alento para as dificuldades que a distância de casa lhes traz.
O FRONTAL é um jornal que faz parte de um grupo editorial com 25 anos, e com várias títulos. Os seus promotores conhecem as características e os problemas do jornalismo regional na actualidade. Apesar das dificuldades que todos conhecem, não houve resignação nem medo em avançar com este projecto, que não deixa de ser arriscado.
O FRONTAL é um jornal de notícias locais, com espaço de opinião, de cultura, de divulgação histórica e científica, entre outras. Os que o dirigem, e que serão responsáveis pela sua linha editorial, procurarão oferecer um produto o mais diversificado e o mais atraente possível. Mas para isso precisam dos leitores. Precisamos da sua opinião, da sua crítica, das suas chamadas de atenção, das suas informações.
Portugal atravessa, na actualidade, um tempo de nascimento de formas muito variadas de intervenção cívica. Colaborar com a edição de um jornal regional — que acaba por ser (para já) um meio mais abrangente do que as outras tecnologias da informação — é também uma forma de intervenção em prole da sua comunidade e dos outros.
Esperamos que nos dê a sua opinião sobre o número zero do FRONTAL. Com ela, poderemos ir mais fácil e rapidamente ao seu encontro. Esse é, de facto, o nosso objectivo. Levar aos habitantes dos concelhos de Mortágua e de Penacova, de olhos-nos-olhos, e de modo responsável, as boas e as más noticias das comunidades maravilhosas e riquíssimas que nos seus territórios estão instaladas.
Coragem e Frontalidade são características que a História e a Tradição atribuem a mortaguenses e penacovenses, e que este jornal quer assumir e valorizar!
Editorial do número zero do FRONTAL de 27.05.2009
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[796.] -

Mais um projecto JM'09!
Um sonho com alguns anos, possível graças à parceria, ao dinamismo, à vontade e à fé inabalável no futuro e nas capacidades de fazer diferente!
O FRONTAL nasceu para vingar e para valorizar uma zona do país que estava sedenta e precisava de ser acarinhada!
O FRONTAL nasceu para vingar e para valorizar uma zona do país que estava sedenta e precisava de ser acarinhada!
O mesmo estilo, a mesma energia!
O jornal que se apresenta ao leitor 'olhos-nos-olhos'
[795.]
Luso, 25 de Março de 1949“Naquela casa do Luso, no meio do nervosismo geral, da alegria alarve dos agentes da PIDE e do estado de choque dos presos, acabava uma era da história da luta da oposição portuguesa e do PCP”. É desta forma que José Pacheco Pereira, biógrafo de Álvaro Cunhal — dirigente mítico do Partido Comunista Português e da oposição ao Estado Novo —, caracteriza os acontecimentos de 25 de Março de 1949. Álvaro Cunhal, a viver na clandestinidade numa casa na vila termal de Luso, é preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo, juntamente com outro dirigente comunista, Militão Ribeiro, e a companheira da residência clandestina Sofia Ferreira.
A data poderá considerar-se uma derrota para a oposição ao Estado Novo. Mas não deixa de ser um momento decisivo para a história de Portugal do século XX que só a Democracia permite analisar e investigar. Cunhal é, em 25 de Março de 1949, um prisioneiro. Onze anos depois, oito dos quais em isolamento total, foge da cadeia e surge como um herói, um libertador e, mais tarde, um ‘senador’ da III República.
É com a evocação deste acontecimento, ocorrido na vila termal de Luso, no concelho da Mealhada, no coração da Bairrada, que nasce a VIA. VIA é uma revista de divulgação histórica e cultural, especialmente dedicada à valorização do património do município da Mealhada, e dos concelhos vizinhos — Anadia, Cantanhede, Mortágua, Penacova e Coimbra —, da região da Bairrada e do Buçaco.
Mas VIA é caminho, e há caminhos, estradas, que ligam pessoas e que criam espaços. E há pessoas, e comunidades, que são resultado desses espaços. Comunidades que, culturalmente, se adaptaram a ver passar legiões romanas, peregrinos de Santiago de Compostela, viajantes e comerciantes, intelectuais e salteadores. Que, circunstancialmente, souberam ser porta de entrada dos ares da Europa, da modernidade, da Literatura e da Filosofia, da Democracia e da Liberdade. Assim se passa com as comunidades da região da Bairrada e com as do concelho da Mealhada em particular.
Tal como o caminho tem dois sentidos — e a própria palavra VIA pode ler-se nos dois sentidos — VIA é, também, meio, modo de obter ou conseguir qualquer coisa. VIA é desígnio, é método, é vontade. E é tudo isso que pretende ser este projecto de valorização histórica e cultural das comunidades da região em que se estabelece.
Pensamos que estaremos a dar um contributo importante para o estudo histórico do património cultural da região do Centro de Portugal. Procuraremos prosseguir. Contamos, agora e no futuro, com a ajuda de algumas dezenas de pessoas, desde investigadores e coleccionadores até testemunhas e curiosos, para a pesquisa de que resulta o presente trabalho. Contributos importantes para uma aproximação à verdade do que se passou na madrugada de 25 de Março de 1949.
Editorial da Revista Via n.º 01
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Lamentavelmente, para mim, convenhamos, não tenho conseguido actualizar este blogue com a periodicidade que era minha obrigação cumprir.Ando demasiado absorvido com algumas questões e com novos projectos profissionais que não há hipotese de ter tempo para o blogue.
Aos leitores e ao meu próprio sentido de disciplina, peço desculpa!
sábado, 9 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
«O que acontece na Queima...
morre na Queima!»
quinta-feira, 7 de maio de 2009
[791.] - iHoje...
Eu estava expectante. Porque fico sempre entusiasmado quando nascem projectos editoriais. Porque acompanhei o crescimento deste. Porque sei que nasce de um grupo económico que se quer afirmar no jornalismo e no jornalismo regional de modo muito particular. Porque... porque sim!
Comprei o primeiro número e não me pareceu mal. Traz um novo conceito de organização que ainda não pude avaliar. Hoje vou ler atentamente e esperar pela edição com revista, no sábado, para tirar a coisa a limpo.
Para já pareceu-me aprovado. Vou comprar os próximos números e... i a ver vamos!
terça-feira, 5 de maio de 2009
[790.] - Mercurii dies
Dar sentido aos caminhos
O concelho da Mealhada como rota de peregrinações
São milhares os peregrinos que nas últimas semanas atravessaram o concelho da Mealhada a caminho de Fátima. Nos próximos dias esse número aumentará e serão mais notados os grandes grupos que fazem a sua peregrinação ao altar do Mundo — o santuário mariano de Fátima. Nos últimos anos tem-se intensificado, também, o número de peregrinos que, em sentido contrário, ruma a Santiago de Compostela, percorrendo o caminho — considerado património cultural mundial pela UNESCO — até ao túmulo do apóstolo São Tiago Maior, na Galiza.
As centenas de milhares de pessoas que, nestas peregrinações — embora com perfis distintos —, atravessam a região da Mealhada podem constituir uma mais-valia para o concelho em termos culturais, em termos sociais, em termos de vida associativa, em termos económicos, em resultados e em investimentos. Consideramos, ainda, que se trata de uma potencialidade que está por explorar, e cujo aproveitamento urge. A situação económica do país e do Mundo, com um reflexo importante na vida das pessoas que precisam de apoio espiritual, fará aumentar o número de peregrinos para Fátima. A grande divulgação que está a ter, nas publicações da especialidade, o caminho português da peregrinação jacobeia — a Santiago de Compostela — e o facto de 2010 ser ano santo compostelano — Ano Jacobeo — farão aumentar, também, o número de peregrinos para Santiago.
A história do concelho da Mealhada remete-nos para um património de hospitalidade, de acolhimento aos que passam e partem. Bastaria lembrarmos o próprio nome da Mealhada — de meadela, cruzamento de caminhos —, os relatos de viajantes que registaram para a posteridade a existência do povoado, mas também a importância e os reflexos do entroncamento ferroviário da Pampilhosa e da permanência sazonal de aquistas no Luso. Como ponto importante numa rota de peregrinações — as de agora e as de outrora — o concelho da Mealhada é uma plataforma para viajantes, um entreposto de culturas.
Tendo-nos debruçado sobre este assunto, juntamente com um grupo de amigos e de peregrinos, questionámo-nos sobre até que ponto não seria válida a ideia de se constituir uma associação que pudesse chamar a si as tarefas necessárias para fazer o referido aproveitamento, para a região e para o concelho da Mealhada, em particular, das potencialidades que fazem parte das rotas de peregrinos de Fátima e de Santiago. Uma associação que poderia ser formada por pessoas, individualmente consideradas, ou, de modo preferencial, por colectividades de várias naturezas que cumprem já importante ajuda na assistência aos peregrinos. Referimo-nos, por exemplo, à Delegação Concelhia da Cruz Vermelha Portuguesa, à Ordem de Malta e aos escuteiros dos vários agrupamentos do concelho.
Esta associação poderia organizar, de forma coordenada, toda a assistência na saúde a prestar aos peregrinos, não só na rota de Fátima no sentido norte-sul, mas também na rota do Buçaco, que segue pela Pampilhosa para Coimbra. Uma assistência que, mesmo fora do grande fluxo de Maio, poderia ser garantida com o apoio do Hospital da Misericórdia da Mealhada, por exemplo.
Outra das tarefas importantes que há a fazer no âmbito da assistência aos peregrinos é na marcação e na sinalização dos caminhos. Há muitos peregrinos de Fátima, principalmente, que arriscam muitas vezes a sua segurança por não conhecerem alternativas. Interessa marcar o caminho, o mais seguro, e sinalizar tudo o que possa constituir uma ajuda a esses caminhantes — fontanários, comércio local (supermercados, farmácias, lojas de calçado, etc.), telefone público, multibanco, capelas e igrejas, casas de banho públicas. Neste âmbito interessaria distinguir o perfil dos peregrinos de Fátima dos de Santiago. Os peregrinos de Fátima — entre os quais, há um número significativo de pessoas com idade mais avançada — preferem a velocidade, querem chegar o mais rápido possível, arriscam meter-se por atalhos, mesmo que com menos segurança, para atingirem o seu objectivo. Os peregrinos de Santiago, por outro lado, a semanas de chegarem ao destino, são mais contemplativos, procuram desfrutar da paisagem, da cultura e da gastronomia das zonas por onde passam, procuram passar pelos centros históricos e evitam as estradas alcatroadas nas ligações entre localidades. São, em largo número, estrangeiros, jovens e de meia-idade. Fará sentido, por isso, alterar as rotas habituais com percursos mais adequados a cada um destes dois tipos de peregrinos.
Há, ainda, um manancial de possibilidades para a promoção de outras características do concelho junto de quem passa pelas terras do município e pode levar daqui vontade de regressar. E há todo um aproveitamento cultural que se pode tirar deste fenómeno de peregrinação — pela investigação de peregrinos famosos, do legado deixado por centenas de anos de passagem de viajantes, pela própria história dos caminhos de Fátima, por exemplo — com a realização de debates, exposições, publicação de trabalhos escritos sobre o assunto. Note-se, a título de curiosidade, que a tarefa de marcação do caminho de Lisboa ao santuário de Fátima — num modelo próximo do que preconizamos — foi levada a cabo pelo Centro Nacional de Cultura.
A ideia que se nos apresentou passa pela associação de pessoas e colectividades na realização deste tipo de acções que nos parecem essenciais. Não enjeitamos, no entanto, que esta actividade deva ser acompanhada pelas autarquias locais e pelas estruturas paroquiais e diocesanas da Igreja Católica. Entendemos, até, que, na ausência de acção ‘popular’, possam ser a Câmara Municipal da Mealhada, as Juntas de Freguesia e as associações que assim o entendam a pôr mãos à obra e ajudarem a fazer caminho, a dar, e a ajudar a dar sentido a este mesmo caminho, que é de busca do divino e, acima de tudo, de descoberta pessoal.
O concelho da Mealhada como rota de peregrinações
São milhares os peregrinos que nas últimas semanas atravessaram o concelho da Mealhada a caminho de Fátima. Nos próximos dias esse número aumentará e serão mais notados os grandes grupos que fazem a sua peregrinação ao altar do Mundo — o santuário mariano de Fátima. Nos últimos anos tem-se intensificado, também, o número de peregrinos que, em sentido contrário, ruma a Santiago de Compostela, percorrendo o caminho — considerado património cultural mundial pela UNESCO — até ao túmulo do apóstolo São Tiago Maior, na Galiza.
As centenas de milhares de pessoas que, nestas peregrinações — embora com perfis distintos —, atravessam a região da Mealhada podem constituir uma mais-valia para o concelho em termos culturais, em termos sociais, em termos de vida associativa, em termos económicos, em resultados e em investimentos. Consideramos, ainda, que se trata de uma potencialidade que está por explorar, e cujo aproveitamento urge. A situação económica do país e do Mundo, com um reflexo importante na vida das pessoas que precisam de apoio espiritual, fará aumentar o número de peregrinos para Fátima. A grande divulgação que está a ter, nas publicações da especialidade, o caminho português da peregrinação jacobeia — a Santiago de Compostela — e o facto de 2010 ser ano santo compostelano — Ano Jacobeo — farão aumentar, também, o número de peregrinos para Santiago.
A história do concelho da Mealhada remete-nos para um património de hospitalidade, de acolhimento aos que passam e partem. Bastaria lembrarmos o próprio nome da Mealhada — de meadela, cruzamento de caminhos —, os relatos de viajantes que registaram para a posteridade a existência do povoado, mas também a importância e os reflexos do entroncamento ferroviário da Pampilhosa e da permanência sazonal de aquistas no Luso. Como ponto importante numa rota de peregrinações — as de agora e as de outrora — o concelho da Mealhada é uma plataforma para viajantes, um entreposto de culturas.
Tendo-nos debruçado sobre este assunto, juntamente com um grupo de amigos e de peregrinos, questionámo-nos sobre até que ponto não seria válida a ideia de se constituir uma associação que pudesse chamar a si as tarefas necessárias para fazer o referido aproveitamento, para a região e para o concelho da Mealhada, em particular, das potencialidades que fazem parte das rotas de peregrinos de Fátima e de Santiago. Uma associação que poderia ser formada por pessoas, individualmente consideradas, ou, de modo preferencial, por colectividades de várias naturezas que cumprem já importante ajuda na assistência aos peregrinos. Referimo-nos, por exemplo, à Delegação Concelhia da Cruz Vermelha Portuguesa, à Ordem de Malta e aos escuteiros dos vários agrupamentos do concelho.
Esta associação poderia organizar, de forma coordenada, toda a assistência na saúde a prestar aos peregrinos, não só na rota de Fátima no sentido norte-sul, mas também na rota do Buçaco, que segue pela Pampilhosa para Coimbra. Uma assistência que, mesmo fora do grande fluxo de Maio, poderia ser garantida com o apoio do Hospital da Misericórdia da Mealhada, por exemplo.
Outra das tarefas importantes que há a fazer no âmbito da assistência aos peregrinos é na marcação e na sinalização dos caminhos. Há muitos peregrinos de Fátima, principalmente, que arriscam muitas vezes a sua segurança por não conhecerem alternativas. Interessa marcar o caminho, o mais seguro, e sinalizar tudo o que possa constituir uma ajuda a esses caminhantes — fontanários, comércio local (supermercados, farmácias, lojas de calçado, etc.), telefone público, multibanco, capelas e igrejas, casas de banho públicas. Neste âmbito interessaria distinguir o perfil dos peregrinos de Fátima dos de Santiago. Os peregrinos de Fátima — entre os quais, há um número significativo de pessoas com idade mais avançada — preferem a velocidade, querem chegar o mais rápido possível, arriscam meter-se por atalhos, mesmo que com menos segurança, para atingirem o seu objectivo. Os peregrinos de Santiago, por outro lado, a semanas de chegarem ao destino, são mais contemplativos, procuram desfrutar da paisagem, da cultura e da gastronomia das zonas por onde passam, procuram passar pelos centros históricos e evitam as estradas alcatroadas nas ligações entre localidades. São, em largo número, estrangeiros, jovens e de meia-idade. Fará sentido, por isso, alterar as rotas habituais com percursos mais adequados a cada um destes dois tipos de peregrinos.
Há, ainda, um manancial de possibilidades para a promoção de outras características do concelho junto de quem passa pelas terras do município e pode levar daqui vontade de regressar. E há todo um aproveitamento cultural que se pode tirar deste fenómeno de peregrinação — pela investigação de peregrinos famosos, do legado deixado por centenas de anos de passagem de viajantes, pela própria história dos caminhos de Fátima, por exemplo — com a realização de debates, exposições, publicação de trabalhos escritos sobre o assunto. Note-se, a título de curiosidade, que a tarefa de marcação do caminho de Lisboa ao santuário de Fátima — num modelo próximo do que preconizamos — foi levada a cabo pelo Centro Nacional de Cultura.
A ideia que se nos apresentou passa pela associação de pessoas e colectividades na realização deste tipo de acções que nos parecem essenciais. Não enjeitamos, no entanto, que esta actividade deva ser acompanhada pelas autarquias locais e pelas estruturas paroquiais e diocesanas da Igreja Católica. Entendemos, até, que, na ausência de acção ‘popular’, possam ser a Câmara Municipal da Mealhada, as Juntas de Freguesia e as associações que assim o entendam a pôr mãos à obra e ajudarem a fazer caminho, a dar, e a ajudar a dar sentido a este mesmo caminho, que é de busca do divino e, acima de tudo, de descoberta pessoal.
sábado, 25 de abril de 2009
[788.] - 25 de Abril

Reflexões para um eventual discurso
Já houve tempos em que precisei de pensar em discursos - mais em escrevê-los do que a dizê-los. Discursar sobre o 25 de Abril não é fácil. E não é fácil porque todos dizem o mesmo há trinta e cinco anos. Mesmo arriscando, é hoje fácil perceber que já na quarta feira era possível antecipar que a tónica discursiva deste dia seria a de apelo ao voto enquanto garante da sustentabilidade do regime. Os discursos do Presidente da República e do Presidente da Assembleia da República foram exactamente nesse sentido.
Notei, também, e na Mealhada isso foi claro e até sublinhado pelo presidente da Câmara, o tom pesado e desiludido com que este aniversário está a ser vivido. Parece que nada correu bem, não há quem elogie, não há reflexão que conclua que o Golpe de Estado foi determinantemente positivo para o país e para todos os portugueses. É preferível sublinhar as ausências, é preferível dizer mal. É horroroso. Já ouvi hoje, mais do que uma vez, "Não foi para isto que eu fiz a Revolução". Pois eu lamento.
A maior conquista do 25 de Abril, no meu entender, é a da responsabilização do cidadão face ao seu futuro. Deixou de haver um Estado que determinava o que cada pessoa poderia ou não fazer, que conduzia a economia, que governava acima dos portugueses, para passar a haver uma representação directa e participativa de cada cidadão nos destinos da Nação. Ou seja, deixou de haver um Eles, para passar a haver só um Nós.
Bem sabemos que não é bem assim que as coisas se passam. E se os portugueses continuam a ter na sua herança genética um anti-parlamentarismo radical, também na sua genética colectiva está a a demissão completa da sua responsabilização na vida colectiva. São sempre os outros. Eu não preciso de votar porque eles se governam, porque eles roubam, porque eles são uns filhos da puta. Nunca vale a pena fazer nada.
Não vale a pena saber porque razão é que se os capitães fizeram o golpe. Interessa fazer lembrar que não se resignaram.
E se eles não se resignaram também não somos nós que nos vamos resignar. Nós que somos mais preparados, que somos mais cultos, mais globalizados, com mais consciência cívica e internacional.
Ainda não atingimos o nosso limite, ainda não chegámos ao fundo do posso. Mas se algum lá chegarmos teremos a oportunidade de fazer o nosso 25 de Abril e o nosso 25 de Novembro. Para já é preciso construir a democracia, a participação livre e democrática das pessoas. Eu nem sou republicano, mas é preciso que vingue a ideia de que não há Eles e o Eu, há o Nós, e que é possivel a todos o exercício do poder e da auto-determinação pessoal.
Nasci 5 anos depois do 25 de Abril, e estou grato por isso. É claro que valeu a pena.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
[787.] - Hoje...

... é Dia de São Jorge, patrono do Escutismo
«Arraial! Arraial! Por São Jorge! Por Portugal!»
Sinal de Nuno Alvares Pereira para ataque em batalha
dia da XIX.ª Promessa de escuteiros e da V.ª Promessa de Dirigentes
quarta-feira, 22 de abril de 2009
[785.] - Mercurii dies
Duas notas de portugalidade
25 de Abril em 2009
No próximo sábado comemora-se, em Portugal, o 35.º aniversário da Revolução dos Cravos. Num tempo de grave crise financeira, económica e social, adivinha-se um fim-de-semana acalorado com a oportunidade que a data proporcionará para uma jornada de luta da parte dos partidos da oposição, dos sindicatos e de grande número das ‘corporações’, nomeadamente as ligadas à administração da Justiça. A uma semana do aniversário da revolução serena que pôs fim ao Estado Novo, o Chefe do Estado irritou o primeiro-ministro ao pedir que se evitem a tomada de medidas populistas e a estratégia de governar para as estatísticas. Em contra-ataque, o chefe do Governo fez saber que era inútil a ‘política do recado e do remoque’ e que o país precisa mais de políticos que anunciassem o que há a fazer que daqueles que sublinham o clima de pessimismo e derrotismo.
Mas está mais que visto que os discursos do 25 de Abril se vão centrar no apelo à participação eleitoral dos portugueses nas eleições de 2009 — Europeias, Autárquicas e Legislativas.
Só de modo muito leve, possivelmente de modo completamente inconsequente, se falará nas reformas do aparelho do Estado que precisamos que sejam tomadas; na administração pública — administração pública que hoje está a tolher completamente o desenvolvimento do país ao ter em lugares de liderança pessoas completamente impreparadas; no sistema político, que está a matar a participação democrática dos cidadãos; na educação dos portugueses para a cidadania, para o patriotismo, para as regras do confronto democrático.
Os discursos do PS, PSD e CDS falarão da Europa unida e forte como uma necessidade premente para a retoma económica e para a saída da crise. A CDU e o BE dirão que é por culpa da Europa que estamos em crise social. Todos exaltarão o poder local democrático como a mais importante conquista de Abril. O PS falará da necessidade de estabilidade política e todos os outros partidos falarão da necessidade de mudança, de alternativas. O Presidente da República prosseguirá na exaltação dos bons exemplos que permitem que não percamos a auto-estima, e os sindicatos, na Avenida da Liberdade, falarão do desemprego, da precariedade social, e das limitações legisladas a respeito do sigilo bancário… Ao som do tema “Sem eira nem beira” dos Xutos e Pontapés.

Nuno Álvares Pereira, herói e santo
Será canonizado no domingo, 26 de Abril de 2009, em Roma, o Beato Nuno de Santa Maria, nome religioso, depois de se ter tornado carmelita, de Nuno Alvares Pereira (1360-1431). Condestável do Reino de Portugal (chefe militar), D. Nuno foi o braço direito do Rei Dom João, Mestre de Avis, nas batalhas que asseguraram as condições necessárias para que, no processo de sucessão ao trono de Portugal por morte de D.Fernando se respeitasse a legitimidade deste príncipe, reconhecida pelas Cortes de Coimbra. Batalhas que travaram a ofensiva de Dom João de Castela, genro do rei morto, e que cuja coroação colocaria em causa a independência de Portugal. Trata-se, portanto, de um herói nacional.
Nuno Alvares Pereira foi, ainda, sogro do primeiro duque de Bragança e, por isso, ascendente de todos os reis portugueses da Dinastia de Bragança, que reinou em Portugal durante 270 anos.
Homenagear e levar aos altares um herói da independência e da luta antiga entre portugueses e castelhanos é, em tempos de unidade europeia, curioso. Mas nem por isso deve ser diminuída a sua importância. Trata-se de uma extraordinária oportunidade para insuflação da auto-estima de Portugal e dos portugueses, católicos e não católicos, monárquicos e republicanos, conservadores e progressistas. A este propósito, aconselhamos a leitura do livro do antigo Bispo do Porto, Dom António Ferreira Gomes, de 1931, intitulado “Nuno de Santa Maria, herói e santo” da editora Aletheia. Trata-se de um conjunto de interessantes textos escritos por um homem extraordinário a propósito desse português medievo que tinha já uma concepção moderna, formada e muito concreta do que deveria ser o futuro de Portugal como Nação. Em tempo de crise o Santo Condestável é ícone da resistência e da esperança de que todos precisamos para sobreviver.
25 de Abril em 2009
No próximo sábado comemora-se, em Portugal, o 35.º aniversário da Revolução dos Cravos. Num tempo de grave crise financeira, económica e social, adivinha-se um fim-de-semana acalorado com a oportunidade que a data proporcionará para uma jornada de luta da parte dos partidos da oposição, dos sindicatos e de grande número das ‘corporações’, nomeadamente as ligadas à administração da Justiça. A uma semana do aniversário da revolução serena que pôs fim ao Estado Novo, o Chefe do Estado irritou o primeiro-ministro ao pedir que se evitem a tomada de medidas populistas e a estratégia de governar para as estatísticas. Em contra-ataque, o chefe do Governo fez saber que era inútil a ‘política do recado e do remoque’ e que o país precisa mais de políticos que anunciassem o que há a fazer que daqueles que sublinham o clima de pessimismo e derrotismo.
Mas está mais que visto que os discursos do 25 de Abril se vão centrar no apelo à participação eleitoral dos portugueses nas eleições de 2009 — Europeias, Autárquicas e Legislativas.
Só de modo muito leve, possivelmente de modo completamente inconsequente, se falará nas reformas do aparelho do Estado que precisamos que sejam tomadas; na administração pública — administração pública que hoje está a tolher completamente o desenvolvimento do país ao ter em lugares de liderança pessoas completamente impreparadas; no sistema político, que está a matar a participação democrática dos cidadãos; na educação dos portugueses para a cidadania, para o patriotismo, para as regras do confronto democrático.
Os discursos do PS, PSD e CDS falarão da Europa unida e forte como uma necessidade premente para a retoma económica e para a saída da crise. A CDU e o BE dirão que é por culpa da Europa que estamos em crise social. Todos exaltarão o poder local democrático como a mais importante conquista de Abril. O PS falará da necessidade de estabilidade política e todos os outros partidos falarão da necessidade de mudança, de alternativas. O Presidente da República prosseguirá na exaltação dos bons exemplos que permitem que não percamos a auto-estima, e os sindicatos, na Avenida da Liberdade, falarão do desemprego, da precariedade social, e das limitações legisladas a respeito do sigilo bancário… Ao som do tema “Sem eira nem beira” dos Xutos e Pontapés.

Nuno Álvares Pereira, herói e santo
Será canonizado no domingo, 26 de Abril de 2009, em Roma, o Beato Nuno de Santa Maria, nome religioso, depois de se ter tornado carmelita, de Nuno Alvares Pereira (1360-1431). Condestável do Reino de Portugal (chefe militar), D. Nuno foi o braço direito do Rei Dom João, Mestre de Avis, nas batalhas que asseguraram as condições necessárias para que, no processo de sucessão ao trono de Portugal por morte de D.Fernando se respeitasse a legitimidade deste príncipe, reconhecida pelas Cortes de Coimbra. Batalhas que travaram a ofensiva de Dom João de Castela, genro do rei morto, e que cuja coroação colocaria em causa a independência de Portugal. Trata-se, portanto, de um herói nacional.
Nuno Alvares Pereira foi, ainda, sogro do primeiro duque de Bragança e, por isso, ascendente de todos os reis portugueses da Dinastia de Bragança, que reinou em Portugal durante 270 anos.
Homenagear e levar aos altares um herói da independência e da luta antiga entre portugueses e castelhanos é, em tempos de unidade europeia, curioso. Mas nem por isso deve ser diminuída a sua importância. Trata-se de uma extraordinária oportunidade para insuflação da auto-estima de Portugal e dos portugueses, católicos e não católicos, monárquicos e republicanos, conservadores e progressistas. A este propósito, aconselhamos a leitura do livro do antigo Bispo do Porto, Dom António Ferreira Gomes, de 1931, intitulado “Nuno de Santa Maria, herói e santo” da editora Aletheia. Trata-se de um conjunto de interessantes textos escritos por um homem extraordinário a propósito desse português medievo que tinha já uma concepção moderna, formada e muito concreta do que deveria ser o futuro de Portugal como Nação. Em tempo de crise o Santo Condestável é ícone da resistência e da esperança de que todos precisamos para sobreviver.

Editorial do Jornal da Mealhada de 22 de Abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
[784.] - QUEM?
Paulo Rangel foi a melhor coisinha que Manuela Ferreira Leite arranjou para encabeçar a Lista do Partido às Europeias?
Mas estará tudo doido?
Ferreira Leite passou-se?
Demorou meses a arranjar... isto?
É mau de mais para ser verdade!
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