sexta-feira, 20 de março de 2009
[757.] - 'Eles' metem-se em todo o lado
Novo filme da Pixar, "UP", que estreia nos States em 29 de Maio.
Do Expresso:«Paris, 19 Mar (Lusa) - O filme de animação "Up", dos estúdios Pixar e Walt Disney, vai abrir oficialmente o Festival de Cinema de Cannes, marcado para 13 de Maio no sul de França, anunciou hoje a organização.
Esta será a primeira vez que um filme animado inaugura o mais prestigiado festival europeu de cinema, sendo exibido em estreia mundial e com projecção em três dimensões. Em 2008, o filme de abertura em Cannes foi "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles.
"Up" é uma comédia sobre as aventuras de Carl Fredricksen, de 78 anos, que decide levar literalemente a sua casa numa viagem pela América do Sul, auxiliado por centenas de balões.Já depois de partir, descobre que na viagem segue acidentalmente um pequeno escuteiro, de nove anos.
O filme é realizado por Pete Docter (o mesmo de "Monstros & Companhia) e Bob Peterson, autor de "À procura de Nemo".Depois da antestreia em Cannes, o filme estreia a 29 de Maio nos Estados Unidos. A Portugal deverá chegar apenas no Verão.»
[756.] - O 'Velho'
No dia 22 de Fevereiro assinalava-se mais um aniversário de Baden-Powell, fundador do escutismo. Por ser domingo gordo comemorámos o Dia do Fundador a 1 de Março de 2009, no Valdoeiro. Para esse efeito eu e o Nuno João editámos um video para apresentar aos escuteiros fazendo a ligação com a actualidade e o que se passou na História do Escutismo logo após o acampamento experimental de Brownsea, em Agosto de 1907. Tivemos de passar pela publicação do «Escutismo para Rapazes», pela edição da Revista «The Scout», pelo acampamento de Humsaugh, tudo em 1908, e, depois, pelo Grande Rally de 4 de Setembro de 1909, que concentrou onze mil escuteiros em Londres, e que revoluciona a história do escutsimo. Depois desse dia, B.-P. abandona definitivamente o exército, dedica-se exclusivamente ao escutismo, passa a defender a existência de estruturas intermédias de organização e, acima de tudo, fica sensibilizado para a necessidade de criar uma oferta educativa para as raparigas.
Sacana do 'Velho'!
quinta-feira, 19 de março de 2009
[753.] - Dias vencidos
EUROPA - Diz hoje o Público que o primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, o líder da oposição britânica, líder dos conservadores e, ao que tudo indica, futuro primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e ainda os manos Kaczyński - o mano-presidente Lech, e o mano-líder da oposição Jaroslaw -, vão abandonar o Partido Popular Europeu para fundar um partido eurocéptico! Que os manos polacos era do eurocontra, já se sabia, que os britânicos, e especialmente os conservadores, eram euro-desconfiados também já se conhecia... o estranho é o Topolanek... não é por mais nada senão pelo facto dele, neste momento, ser o presidente da União Europeia, em exercício. Fica-lhe mal assumir-se como tão eurocéptico a ponto de fundar um novo partido estando, precisamente, ao leme da União.
FREITAS PROVEDOR - Fala a comunicação social de que Sócrates sugeriu a Ferreira Leite o nome de Freitas do Amaral para Provedor de Justiça. Não me parece mal. Em primeiro lugar porque se resolvia bem este problema escabroso de não conseguirem substituir um titular de um cargo público em oito meses. Depois porque entendo que está mais que provado que há todas as vantagens em ter os Senadores da República à mão de semear!
JORNALISTA - Esteve hoje no Jornal da Mealhada uma turma de alunos do nono ano da Escola Secundária da Mealhada. São alunos de um curso de comunicação e afins e, entre outras questões, quiseram saber que características são necessárias para se ser bom jornalista. Respondi-lhes que não sabia responder, porque também não sabia bem o que era um BOM jornalista. Acrescentei dizendo-lhes que lhes poderia dizer o que é preciso se ser jornalista do Jornal da Mealhada... 1 - Saber escrever em Língua Portuguesa (não é tão fácil quanto possa parecer); 2 - Ser uma pessoa educada e capaz de transmitir uma boa imagem do Jornal; 3 - Ter coragem para não temer qualquer trabalho ou situação; 4 - Ter perspicácia para saber ler uma noticia numa conversa ou numa qualquer situação; 5 - Gostar do oficio e do concelho da Mealhada.
[752.] - Dias vencidos
"É possível perceber que as mulheres, que dedicam tempo e energia a cuidar do corpo e da aparência física - para desenvolver o seu papel da mulher no jogo de sedução - recusem homens que decididamente entram na área do extremo cuidado corporal e se posicionam no jogo de sedução, que pertence às mulheres", explica um dos autores do estudo, o sociólogo colombiano Jaime Carmona.
Segundo o trabalho, no lugar do metrossexual, que abraçou atitudes antes apenas reservadas às mulheres, está a emergir uma nova identidade masculina, que passa pela recuperação de alguns valores do passado. "O neossexual é um homem que resgata as suas raízes mais viris mas que não proíbe o lado afectivo. Um homem síntese dos modelos anteriores que, seguindo o seu instinto, está à altura das necessidades da mulher actual".
Símbolo desta nova masculinidade é o cabedal, popularizado em ícones como James Dean ou Elvis Presley. Este material representa a mistura de firmeza e flexibilidade, de tradição e modernidade, que se espera do homem neossexual.»
[751.] - Dias vencidos
AFECTIVIDADES - A minha avó Alice fez hoje 77 anos. Sempre foi a avó com quem tive mais afinidades e mais cumplicidades. Acredito que sou católico mais por causa dela do que por qualquer outra influência familiar. Tem mau feitio mas é a minha avó. Parabéns Avó!
BUSSACO - Há cento e cinquenta e dois anos, em 8 de Junho de 1856, o Deserto dos Carmelitas Descalços, no Monte Bussaco passava da administração de um último carmelita que sobrevivera da extinção das ordens religiosas de 1834 - que durante alguns anos ficou como zelador do espaço - para a "Administração Geral das Matas do Reino". Cento e cinquenta e dois anos de administração central que foram o que hoje se vê. Nunca, nestes anos todos, esteve a Câmara, a Junta de Freguesia, ou alguma entidade próxima daquele espaço, responsável por ele. Agora parece que vai estar. Vamos a ver se isto muda.
IRLANDA DO NORTE - O terrorismo recomeçou? Haja Deus!
quarta-feira, 18 de março de 2009
[750.] - Mercurii dies
Apresentamos na presente edição, [AQUI], uma reportagem sobre crianças autistas e o trabalho da Sala TEACCH — Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children —, um espaço destinado ao apoio a crianças autistas e à sua educação, que, no concelho da Mealhada, foi inicialmente instalado na Escola Básica 1 do Luso, mais recentemente colocado na Escola Básica 2,3 da Mealhada e, desde há poucos meses, transferido para as instalações da Escola Secundária da Mealhada.
O Jornal da Mealhada, em 16 de Abril de 2003, publicou uma extensa reportagem sobre a sala TEACCH, a funcionar, nessa altura, e desde Outubro de 2001, no Luso. Procurámos acompanhar a evolução deste serviço extraordinário de apoio a estas crianças especiais mas nem sempre isso foi facilitado. Constrangimentos de ordem variada levaram a repórter do Jornal da Mealhada, Mónica Sofia Lopes, a aguardar quase dois anos para fazer uma reportagem sobre a sala TEACCH, nessa altura, em 2007, já instalada na EB 2,3 da Mealhada.
O testemunho dos pais da Bruna e do João é tocante. Trata-se de duas famílias do concelho da Mealhada que viram a sua vida completamente transformada com a notícia de que um dos seus filhos sofria de autismo. Não deixaram, no entanto, de lutar, de dar aos seus filhos a dignidade, a tranquilidade, o conforto que estes, como pessoas, como pessoas com direitos iguais aos de todas as outras, mereciam. Sacrificaram-se como, provavelmente, não o fizeram por qualquer outro filho — com idas bidiárias a Coimbra, para os irem deixar e buscar à escola, por exemplo.
Será difícil imaginar o sofrimento destes pais que vêem o corpo dos filhos a crescer, a desenvolver-se, enquanto assistem a uma maior dependência, ao regredir de muitas das capacidades que os filhos já tiveram um dia, nos primeiros dois anos de vida. Imaginarão, apreensivas, como será a vida dos filhos se algum dia lhes faltarem. Terão guardado as expectativas que tinham para estes seus descendentes quando eles nasceram. Estes pais são testemunhos de um Amor profundo, incondicional, grandioso. Tão grande que merece todo o nosso reconhecimento, todo o nosso apoio.
Apoiar significa, então, ajudar estes pais, e os professores e auxiliares de quem estas crianças dependem, na luta pelas condições devidas a fim de que elas possam viver em tranquilidade, com conforto e dignidade. Condições que existem na Mealhada, e orgulhamo-nos disso, agradecendo a quem o tornou possível. Mas quantas crianças autistas, por este país fora, beneficiarão de condições semelhantes?
Nós também podemos ajudar proporcionando, nós próprios, a estas crianças, garantias de normalidade para que elas se sintam bem quando passeiam com os pais na rua, quando entram numa loja ou num café. Quando estão no cineteatro ou numa visita a uma monumento. São crianças que precisam de rotinas, que toleram pouco o quebrar de hábitos rígidos, mas nem por isso deixam de ser pessoas, de reconhecer um sorriso, uma simpatia.
Habituámo-nos, nos anos em que trabalhamos no Jornal da Mealhada, a encontrar o João, a Bruna, o Luís, o Tomás e o Gonçalo em várias actividades da escola EB 2,3 da Mealhada. Lembramo-nos de ver, alguns deles, nas férias desportivas, em exposições de trabalhos, em espectáculos de circo ou no cineteatro Messias. São crianças diferentes, mas são igualmente crianças. Precisam de um tratamento diferente para terem as mesmas oportunidades que as outras. Mas nem por isso deixa de valer a pena dedicar-lhes o tratamento de que necessitam. E por isso são amadas.
Autismo é palavra poderosa, mas não é estranha, não deixa, não deixará nunca de ser assustadora, mas não morde. Poderá remeter-nos para o filme “Rain man — Encontro de Irmãos”, de 1988, com Dustin Hoffman no papel de um doente autista, encontrado pelo irmão cujo papel é representado por Tom Cruise. Mas há, também, quem use as palavras autismo e o autista para adjectivação política, procurando associar ao adversário, a quem são atribuídos os epítetos, falta de capacidade, de visão, para o exercício do cargo. Mas autismo é algo muito diferente. É algo que não pode ou não deve servir, sequer, para a verborreia política.
Editorial de 18 de Março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
[749.]
George Bernard Shaw
quinta-feira, 12 de março de 2009
[748.] - Hoje, também
[747.] - Hoje
«Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta»
Foto da Presidência da República
José Eduardo dos Santos e Cavaco Silva homenageiam Camões no âmbito da visita de Estado do presidente de Angola a Lisboa. 10 de Março de 2009
[746.] - "Rapidamente e em força!"
quarta-feira, 11 de março de 2009
[745.] - Tenho saudades!
[744.] - Dias vencidos
CAVACO - O Presidente da República completou hoje o seu terceiro ano de mandato. Um mandato que tem credibilizado a instituição e o Regime. Um mandato personalizado e interventivo, atento e responsável. Para alguém, como eu, que na monarquia constitucional vê vantagens no facto de o Chefe de Estado ser alguém preparado e educado para representar a Nação e defender os seus interesses, Cavaco Silva é o melhor que poderiamos querer em Belém nesta fase da nossa vida colectiva como país e como povo.
DESILUSÃO - Há dias em que parece que o céu nos cai em cima da cabeça. E surgem críticas, duras e dolorosas, de quem menos esperavamos. A vida continua mas dói e não é fácil manter a concentração naquilo que seria fácil de classificar como sendo o essencial. Falo demais e nem sempre o que digo é compreendido. Para esta Quaresma a minha busca deve ser a do silêncio. Por que é que não me lembro disto mais vezes?
[743.] - Mercurii dies
A propósito da aplicação, em 2009, da Lei da Paridade nas eleições políticas
Assinalou-se no passado domingo, 8 de Março, mais um Dia Internacional da Mulher. Não esquecendo nunca a luta das mulheres — e até do martírio — pela igualdade de direitos e deveres perante a sociedade, importa, num ano em que se realizam, em Portugal, três eleições políticas (para o Parlamento Europeu, para as autarquias locais e para a Assembleia da República), reflectir sobre o que de mais imediato resulta, do mais recente diploma legal português com vista a promover a paridade política entre homens e mulheres.
A Lei da Paridade, como ficou conhecida a Lei Orgânica n.º 3/2006, de 21 de Agosto, “estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33 por cento de cada um dos sexos”. Só agora, em 2009, é que a eficácia da lei pode ser testada. Trata-se da primeira vez que os partidos prepararam candidaturas para estas três eleições, especialmente, obrigados à paridade.
O problema da paridade prende-se, acima de tudo, com a fraca participação política das mulheres em Portugal. Esta Lei da Paridade — apresentada pelo grupo parlamentar do PS a 8 de Março de 2006 — nasceu para estabelecer uma espécie de quota mínima obrigatória para acesso das mulheres aos cargos políticos. Promovendo por meio artificial aquilo que seria (ou deveria ser) natural: se 52 por cento da população residente em Portugal são mulheres, por que razão a participação de mulheres na política há-de ter uma percentagem tão díspar?
Notícias de Março de 2006 explicavam que o objectivo da Lei da Paridade passava por assegurar um limiar de influência das mulheres na decisão política. Um limiar de influência, apenas isso. E essa seria a razão apontada para o facto de a lei portuguesa exigir um mínimo de 33,3 por cento na representação dos sexos e a lei francesa estipular os 40 por cento.
Os partidos estão, portanto, obrigados a respeitar a Lei da Paridade. Uma candidatura que não respeite a percentagem será penalizada na hora de atribuição da subvenção estatal — note-se que no projecto inicial apresentado pelo PS a pena era a não aceitação da lista pelo tribunal. Em cada dez candidatos, três têm de ser mulheres e uma delas tem de figurar entre os primeiros lugares da lista. Como é que os partidos que — por qualquer razão — não têm mulheres em número suficiente para apresentar uma candidatura vão proceder? Vão procurar arranjar candidatas sem critério, misturando qualidade e falta dela só para cumprir a quota? Por outro lado, recairá sobre as mulheres militantes a obrigação de se candidatarem para não inviabiliarem a lista. Será justo? Será machismo pensar que, por causa desta obrigação, pode haver homens com projectos válidos e vontade e disponibilidade para servir a República que são preteridos por causa do seu sexo?
Recorde-se, como mero apontamento de curiosidade, que, em 2001, no concelho da Mealhada, candidataram-se à Assembleia de Freguesia da Vacariça duas listas, uma constituída exclusivamente por homens e outra de que faziam parte exclusivamente nomes de mulheres. A dos homens conquistou maioria absoluta e a das mulheres não alcançou qualquer mandato.
A paridade será o meio mais óbvio para suprir a falta de representação das mulheres nos cargos políticos. Consideramos esta sub-representação injusta e anti-democrática. Não temos dúvidas. Esperamos pelos resultados visíveis da Lei da Paridade para saber se compensou dar às mulheres que exercem cargos políticos o rótulo de “eleitas pela quota feminina”. Entretanto, entretenhamo-nos com o anúncio governamental que soa nas rádios nacionais e que propala, talvez para convencer os fazedores de listas partidárias e as mulheres candidatáveis: “A paridade faz a diferença. A diferença faz a igualdade!”.
Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Março de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
[741.] - Dias vencidos
MULHER – Dia Internacional da Mulher e dia do aniversário da mulher que me deu o ser. Há lá melhor coincidência? Obrigado Mãe?
POESIA - «Se partires um dia rumo à Ítaca/Faz votos de que o caminho seja longo/repleto de aventuras, repleto de saber», poema Itaca de Constantino Kavafis.
[740.] - Dias vencidos
MANUEL ALEGRE – O José Lello disse e eu concordo com ele: Alegre tem problemas de carácter. Se está tão aborrecido com o Governo porque não larga o tachinho de deputado e vai para casa escrever poemas? Há limites para a divulgação pública das divergências de opinião. Se Alegre e Sócrates divergem tanto um do outro a ponto do primeiro colocar a hipótese de numa eleição nacional se apresentar como alternativa de Governo, há aqui um problema sério. Quem está mal com a decisão da maioria deve respeitar a maioria e calar-se – pelo menos publicamente (e parece que Alegre só critica em publico… não o fez nos órgãos próprios para que tinha sido eleito).
CABO VERDE - Os escuteiros do Louriçal vieram pedir informações sobre a actividade que fizemos, com os escuteiros, em 2006, em Cabo Verde. Fiquem com saudades da dupla mentira que é Cabo Verde – nem é Cabo, nem é verde. Mas é espectacular e o seu povo é extraordinário. Senti necessidade de escrever ao Luís Delgado, ao Domingos Jorge, à Olívia Lima, ao Marcos, e assim fiz! Morabeza!
PCP – Ando a ler o “Até amanhã Camaradas”. Afazeres profissionais a isso me obrigaram. Hoje fui fazer a cobertura do almoço evocativo do 88.º aniversário do PCP, que teve lugar na Pampilhosa. Sempre tive grande fascínio (que me repelia) pelo PCP. Apesar de não concordar ideologicamente com a concepção da sociedade comunista, observo com muito interesse a entrega, a resistência, a fé dos militantes. A capacidade de militância é, desde sempre, extraordinária. E hoje fiz a mim próprio uma pergunta: Que causas me levariam a mim, nos dias de hoje, a abraçar a clandestinidade para poder lutar por?
[739.] - Dias vencidos
VERBA POLITICA – José Eduardo Martins insultou Afonso Candal no Parlamento. No mesmo dia, Cabral diz-se ofendido por Carvalheira, que por sua vez fez queixa de Calhoa, que também fez queixa de Carvalheira. Tudo por excessos na linguagem. Estaremos a cair numa judicialização da politica, como disse Carlos Marques? Ou estaremos a assistir a uma bloguização da politica? Ou estamos todos habituados à imunidade parlamentar que permite que tudo seja dito sem o risco de tribunais nem de duelos ao pôr-do-sol? Imunidade autárquica já!
AUTO-CRÍTICA – Pulido Valente e Miguel Esteves Cardoso criticam hoje, no Público, uma falha (grave) do Público de ontem. Criticam e escrevem-no no próprio jornal. E fazem bem. Porque raio havemos nós de ser tão mesquinhos e tão afoitos em relação à autocrítica?
[738.] - Dias vencidos
BUÇACO – O Conselho de Ministros aprovou a Fundação Mata do Buçaco. Finalmente surge um modelo de gestão para o Buçaco que envolve a Câmara e une os vários reizinhos que existem no Estado, na Administração Central. Vamos lá ver se é desta. Hoje é “Albo lapille notare diem”. É dia feliz.
DILEMA – Haverá dilemas na vida difíceis de resolver. Imagino os dilemas que homens importantes do nosso quotidiano não têm de resolver… Como no passado. Poderia um presidente da Câmara do Estado Novo ajudar militantes clandestinos do PCP? Seria isso, para si, um dilema? No dia 25 de Abril de 1974 de que lado se colocaria? Do lado do que era capaz de fazer? Ou do lado que os outros esperavam que escolhesse? Dilemas.
[737.] - Dias vencidos
PROVEDOR DE JUSTIÇA - PS e PSD não conseguem chegar a acordo para substituir o Provedor de Justiça e só o actual detentor do cargo parece preocupar-se com isso.
INTIMIDADES – Será que não há nada que eu faça que esteja bem feito? Ou seja relevante? Bolas.
[736.] - Dias vencidos
NINO VIEIRA - Viva a Lei de Talião. Sem mais. Nino é de etnia papel. Terá mandado matar Tagmé Na Waié, que é de etnia balanta. Já não se davam bem há uns tempos. Vieram os balantas de Mansoa e acabaram com Nino. E os jornalistas portugueses estão a tentar fazer dele um herói. Hoje, o relato da morte de Nino no Jornal de Noticias e no Público é contraditório... criam-se histórias... A fonte do Público é Frederick Forsyth, um romancista!
IBÉRIA - Na Galiza em 2005, Fraga Iribarne ganhou as eleições e até tinha mais deputados, mas não tinha a maioria absoluta. O PSOE galego conseguiu arranjar uma maioria conjuntural e Touriño foi empossado presidente da Xunta. Mas o destino é o destino, e a vontade do povo é a vontade do povo. E o PP voltou a ganhar e os socialistas foram derrotados até porque, segundo consta, fizeram mandato miserável. Em Euskal Herria também se fez história. E as coisas não são muito diferentes da Galiza de 2005... resta saber o que vai sair daqui... Os espanholistas (PP e PSOE) juntos têm maioria. Ibarretxe, do PNV, ganhou mais não chegou. Vai deixar de ser Lehendakari... Patxi Lopez, do PSOE, pode ser o que senhor que se segue. Está mais que visto que com um espanholista como Lehendakari, seria o primeiro desde a democracia, os independentistas vão dar nas vistas...
A1 - Estava a levantar dinheiro numa caixa na auto-estrada. Vêm três fulanos em alta velocidade num carro de alta cilindrada e cortam-no ao meio. Há justiça?
[735.] - Dias vencidos
2 de Março, segunda-feira
NINO VIEIRA - Assassinaram hoje o presidente da Guiné-Bissau. Estamos todos condenados a morrer, mas ele estava condenado a morrer assim, de modo sangrento às mãos de alguém parecido com ele. Paz à sua alma... mas não há dúvida de que era um ditador sanguinário vestido de europeu e travestido de democrata. É Africa? E a Guiné sobrevive a Nino, como sobreviveu aos Cabrais. Resta saber quem é o soba que se segue.
SÓCRATES - Em http://www.socrates2009.pt/ encontramos uma espécie de 'Sócras Yes We Can"... para ir acompanhando
BLOGUES - São uma espécie do Alfaiate especial? Para ir acompanhando também, http://www.blogtailors.blogspot.com/
JORNAiS - O novo jornal da SOJORMÉDIA, o diário, com o Martim Avillez de Figueiredo como director, chama-se 'i'. Não é um jornal. Não é um site, é uma marca de informação - diz o Público (que está estranhamente interessando em aprofundar noticiais sobre este tema em concreto... meeeeeedo!)
GUERRA DAS ROSAS - O 'Pacto Indio' viu a luz do dia. Cabral mostrou o trunfo que Litério Marques, por exemplo, apregoou e nunca mostrou. Ter o apoio de quase todos os presidentes de Junta pode ser importante. A segunda batalha importante da Guerra das Rosas, foi ganha por Cabral.
PSD/ANADIA - O inacreditável aconteceu. Pode uma comissão distrital recusar um nome de um candidato que foi sufragado num plenário de militantes e que até alcançou a quase unanimidade? Pode. Isto é surreal. Se a ultima palavra é das distritais e das nacionais porque dar às bases a mera ilusão de que decidem alguma coisa. Partidos e democracia começam a conjugar mal... Eu estava a falar de Anadia... e do PSD...
[734.] - Dias vencidos
1 de Março, domingo
FELICIDADE - Perguntar aos caminheiros a diferença entre Prazer e Felicidade, e a diferença entre Alegria e Felicidade é debate interessante. O que resulta nem sempre é reconfortante, mas é interessante. Apesar de tantas certezas sobre tanta coisas não deixa de ser bom exercício comparar as respostas - ou o tipo delas - com o percurso que eles próprios - como todos têm de trilhar. As palavras de B.-P. são bonitas e perceptíveis. O dificil é ir para além do óbvio. É pensar não que no ouvimos mas naquilo que nos dizem aquelas palavras sobre Felicidade.
QUARESMA - A Quaresma chegou e o Carnaval nem me permitiu acolhê-la. Corre-se para chegar a tempo e desilude-se quem esperou e não gostou... Será que desiludir os outros é uma forma de penitência? É, pelo menos, uma especie de flagelação - a nós próprios e aos outros. Valeria a pena ser penitente afastando de nós, e de perto de nós, tudo o que nos afasta de Deus e nos afasta dos outros... Ser católico é já ser-se penitente. Ter quase trinta anos, assumir a sua fé, ser escuteiro, ocupar funções com visibilidade pública e de caracter intelectual. É lixado. Acredito que no tempo de Saúl de Tarso seria pior. Hoje resta-nos, sem almejar o martírio, procurar ser testemunho.
IBÉRIA - Hoje houve eleições em Euskal Herria (País Basco) e na Galiza. É porreiro. Que resultados? Que mudanças? Que sinais?
B.-P. - Foi hoje comemorado por quatrocentos putos - e velhadas - só aqui no Núcleo. Terá sido, aliás, lembrado por estes dias por 28 milhões de escuteiros que neste momento estão em actividade no movimento (Imagine-se os que nos últimos 100 anos entraram e arrumaram as botas). Comemorámos o génio de um homem inspirado. Hoje foi um bom dia, na nossa própria tristeza e a olhar para os cachopos, para perguntar o que raio terá faltado para B.-P. (ou o 'sacana do Velho') para merecer o Nobel da Paz.
sexta-feira, 6 de março de 2009
[733.] - Publicidade educativa...
quinta-feira, 5 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
[731.] - (Ex) Citações
[730.] - Mercurii dies
*O que é a verdade? — perguntou Pilatos a Cristo
Fazer vingar a ideia da necessidade de analisar criticamente o Carnaval da Mealhada na modernidade não é tarefa fácil. É quase hercúlea a tarefa de convencer os principais implicados na organização dos desfiles de que a avaliação é uma medida importante que trará a melhoria do espectáculo, que levará a uma melhor aceitação pública do trabalho — artístico, cultural e até social — realizado pelas escolas de samba, do que resultará o beneficio de todos. Desde 6 de Fevereiro, dia em que fomos convidados para avaliar o desfile do Carnaval de 2009, até 28 de Fevereiro, dia em que entregámos os prémios e finalizámos o processo, muitas foram as complicações, e muitos foram os obstáculos e mal-entendidos que se nos apresentaram.
Acabámos por nos deparar com um divórcio atroz entre a direcção da Associação do Carnaval da Bairrada e as escolas de samba, um distanciamento inexplicável entre os dirigentes das várias escolas e uma estranhíssima falta de sintonia entre as pessoas que compõem a direcção da ACB em relação às opções tomadas pela liderança. Acusados de muitas coisas ao longo destes 22 dias de tensão, julgamos, agora, ser tempo de explicar a nossa versão dos factos. Uma versão desapaixonada, poupada em adjectivos, que resultará muito mais uma descarga de consciência do que uma qualquer moralização. Porque percebemos que, mais do que no futebol, o que, no Carnaval, é mentira hoje pode ser verdade amanhã, convém-nos, agora, dar a nossa versão da verdade.
Fomos convidados para organizar a avaliação das escolas de samba na tarde de 6 de Fevereiro. Dois gerentes da JM — Jornal da Mealhada, Lda dirigiram-se à ACB, onde eram esperados pelo presidente da direcção e por um director. Confrontados com o convite, e depois de colocar algumas exigências de natureza logística e outras que garantiriam a independência da avaliação, resolvemos aceitar. Este convite era uma demonstração do reconhecimento formal e irrefutável de que o trabalho desenvolvido pelo Jornal da Mealhada em 2005, em 2006 e em 2007, com a avaliação e concursos, era importante e digno de crédito. Ficou decidido entre as duas partes que ao Jornal da Mealhada caberia conduzir todo o processo e à ACB caberia fornecer as condições necessárias para o seu desenvolvimento, informar as escolas e promover a divulgação dos resultados na tenda gigante no último dia dos festejos.
Nesse mesmo dia 6 de Fevereiro, e poucas horas depois da aceitação do convite, fomos informados de que havia pelo menos uma escola de samba que não estaria de acordo com a realização de uma avaliação. O presidente da direcção da Sociedade Mangueirense disse-nos que haveria uma decisão, de Novembro de 2008, que, por unanimidade da direcção da ACB e dos representantes de todas as escolas, decretaria que haveria uma avaliação interna — não pública, nem publicada — e nada mais do que isso. Recusando-se expressamente a ideia de qualquer concurso ou avaliação promovida por um jornal.
Deslocámo-nos à sede da referida escola para clarificar essa posição e solicitámos que essa informação fosse escrita a fim de a podermos transmitir, sem qualquer deturpação, à ACB. Dissemos que, uma vez que tinha sido a ACB a convidar-nos, teria de ser a ACB a solucionar o problema que se deparava. Perante o anúncio de que outras escolas teriam a mesma opinião, fizemos idêntica recomendação. Por mais do que uma vez afirmámos que considerávamos a ACB soberana na decisão de realizar a avaliação. E que essa mesma avaliação havia sido anunciada publicamente pelo presidente da direcção da ACB ao lado do presidente da Câmara da Mealhada, em conferência de imprensa.
Na quinta-feira, 12 de Fevereiro, foi-nos solicitado que assistíssemos a uma reunião entre os presidentes das direcções das cinco escolas de samba que participavam no Carnaval de 2009 e a direcção da ACB. Assim fizemos. Ao chegar à sede da ACB reparámos que não se encontrava o presidente da direcção da ACB nem o dirigente que nos tinha feito o convite em 6 de Fevereiro. Assistimos à contestação e manifestação de indignação dos representantes das escolas e, assim que tivemos oportunidade, explanámos o rol dos acontecimentos havidos até à data. Ouvimos, ainda, da parte de um director da ACB, a prestação de uma informação falsa aos dirigentes das escolas. Corrigimos essa informação e anunciámos que só com o presidente da ACB poderíamos clarificar a situação e que só a ele reconheceríamos legitimidade para tomar uma decisão em relação à continuação, ou não, da avaliação. Depreendemos que havia, entre os dirigentes da ACB, pessoas que estavam manifestamente contra a realização de uma avaliação pelo jornal.
Nos dias seguintes, entre 14 e 16 de Fevereiro, recebemos de quatro escolas — GS Sócios da Mangueira, GRES Amigos da Tijuca, ES Juventude de Paquetá e GRES Samba no Pé —, por escrito, a comunicação formal que havíamos sugerido em 6 de Fevereiro. Em duas dessas quatro comunicações era referido, ainda, que um vice-presidente da ACB havia proibido expressamente as escolas de colaborarem com o Jornal da Mealhada com a entrega de informação solicitada sobre o desfile e prestação artística no corso.
Na noite de 16 de Fevereiro, os dois gerentes da JM — Jornal da Mealhada, Lda deslocaram-se à sede da ACB e, perante cinco directores, entre os quais o referido vice-presidente e o presidente da direcção, expuseram a recusa das escolas e o mal-estar provocado pelo gesto do vice-presidente da direcção da ACB. Na ocasião, o presidente da direcção relembrou a necessidade da avaliação, e acrescentou que não tinha condições para fazer uma avaliação de forma diferente da solicitada ao Jornal da Mealhada. Os directores da ACB manifestaram as suas opiniões, algumas diferentes da do presidente, sem, no entanto, apresentarem alternativas, e entendemos que devíamos sair da sala para que a direcção da ACB tomasse uma decisão sobre a manutenção ou não do convite ao Jornal da Mealhada. Minutos depois fomos informados de que se mantinha o convite nos moldes iniciais. Ao Jornal da Mealhada foi solicitado, no entanto, que prescindisse do anúncio dos resultados na tenda gigante e que assegurasse a divulgação da ideia de que a ACB era completamente alheia ao resultado do concurso. Os gerentes do Jornal da Mealhada exigiram que o vice-presidente da ACB se retratasse junto das escolas, e que o teor da deliberação fosse passada a escrito e transmitida aos dirigentes das escolas. Assim aconteceu nesse mesmo dia.
A comissão técnica da avaliação dilatou o prazo de entrega do material informativo solicitado às escolas. No entanto, apenas uma das quatro escolas, o GRES Batuque, entregou essa informação.
A avaliação decorreu de forma tranquila, havendo apenas a assinalar um problema com uma jurada. Lamentámos a ausência do representante da ACB na comissão técnica, conforme havia ficado decidido em 6 de Fevereiro, e que foi condição para o aceitar do convite. No dia da divulgação dos resultados representantes de quatro escolas deslocaram-se à Esplanada Jardim para ouvir o veredicto — prova da aceitação da avaliação — e, no dia da entrega de prémio, componentes de todas as escolas aplaudiram os vencedores que receberam prémios monetários — demonstração de desportivismo.
Ao longo deste processo quase todos os representantes das escolas que se recusaram a colaborar com a organização da avaliação fizeram saber que nada tinham a opor à avaliação, ou ao facto de ser o Jornal da Mealhada o organizador. Ficou sempre para nós claro que estariam revoltados com o facto de não ter sido dado cumprimento a uma alegada deliberação de Novembro de 2008 de promover uma avaliação exclusivamente interna, não pública nem publicada. Não percebemos as razões de tal decisão. Nem quais seriam as questões de fundo subjacentes para que as escolas e os dirigentes da ACB recusassem liminarmente, e à priori, uma avaliação pública, considerando até que estariam, todas, em igualdade de circunstância
Como em 2006 e 2007, colocámos em três dezenas de pessoas a missão, sempre difícil, de apreciar o trabalho apaixonado de muitas outras. Entendemos, ainda, que o veredicto e a análise desses avaliadores deveria ser ponderado pelos dirigentes das escolas. Trata-se da opinião fundamentada de uma amostra de pessoas, e devidamente informada sobre o trabalho desenvolvido pelas escolas. É a fundamentação dessas opiniões, essas justificações que os jurados estavam obrigados a produzir, que, depois de ponderada a sua justeza, devem servir para as escolas melhorarem o seu trabalho. Esse sempre foi e será o nosso principal objectivo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de Março de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
[729.] - Contou-me a Mafalda que...
Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria.
Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez.
Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente.
Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria.
No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.
Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
[728.] - Mercurii dies
O Carnaval da Bairrada deste ano de 2009 contou com um sol radioso e com a adesão significativa de milhares de pessoas. Assumimos o papel de promotores da avaliação do trabalho das escolas de samba. É exigível que avaliemos, também, o da organização do cortejo.
O percurso do sambódromo
Já no final do desfile do Carnaval de 2008 tinha ficado comprovado e aceite, pelos organizadores dos festejos e pelos dirigentes das escolas de samba que tomaram parte nos desfiles, que o percurso do sambódromo na zona desportiva da Mealhada era demasiado pequeno para o corso. Apesar disso, e talvez porque este ano desfilava menos uma escola, esse facto foi ignorado e o cortejo voltou a realizar-se naquele espaço. A verdade é que, mesmo assim, as cinco escolas de samba não couberam no percurso e foi preciso tomar medidas de emergência que, em vez de remediar satisfatoriamente a situação, prejudicaram o desfrute do espectáculo àqueles que pagaram para o ver. Na terça-feira a medida tomada para obviar o problema foi mais sensata do que a que fora tomada no Domingo Gordo, dia em que uma escola, a última a desfilar, saiu bastante prejudicada uma vez que teve de esperar que a primeira saísse do recinto para ela poder entrar. Em 2010, seja com seis escolas ou, mesmo, com cinco, é necessário alterar o percurso — alterando a sua localização ou, no caso de isso não ser possível, definindo locais diferentes para a concentração e para a dispersão dos componentes das escolas.
O som e o atraso
Não foram significativos os problemas com o som e com o atraso no início do desfile. Dizemo-lo porque entendemos que, no que respeita à hora de início dos cortejos, se tratou, durante muitos e muitos anos, de um defeito crónico do Carnaval da Mealhada. O problema de som a que assistimos, principalmente no domingo, reside muito mais nas características do recinto do que nos meios utilizados para a sua propagação. Quanto ao atraso, registamos o facto de, na publicidade do Carnaval, não existir referência a horários. O que, apesar de tudo, acaba por ser positivo. O que não faz tanto sentido é o desfile terminar já depois do pôr-do-sol. E quanto a isto parece ser possível melhorar, até porque no desfile de terça-feira o facto já não se repetiu.
Espectadores
Fará sentido, ao fim de trinta e um anos de realização ininterrupta de Carnaval da Mealhada, que, de uma vez por todas, a totalidade dos objectivos da organização se centrem essencialmente no espectador. Com esse propósito deverão ser promovidas medidas que passem pela pontualidade — como já vimos —, por incentivar mais educação no trato por parte das pessoas que, no percurso, são responsáveis pela segurança — recebemos inúmeras queixas em relação ao trabalho de alguns senhores de colete reflector —, e por privilegiar e aumentar a espectacularidade da prestação das escolas em zonas mais nobres do trajecto, especialmente junto das bancadas.
A avaliação das escolas de samba
Está, também, mais que reconhecido que a competição entre as escolas de samba melhora a qualidade do espectáculo. O Carnaval da Bairrada de 2009, com a realização de uma avaliação que não beneficiou da colaboração de quatro das cinco escolas de samba que desfilaram, provou que essa avaliação — chame-se assim, chame-se concurso, ou campeonato — é absolutamente imprescindível para o Carnaval do futuro, sendo insensato voltar atrás neste assunto. Tome-se, portanto, a avaliação por dado adquirido.
O papel das escolas de samba
Com o corso de 2009 encerra-se uma fase, que começou há vários anos, de gradual independência das escolas de samba, como grupos autónomos, relativamente à Associação do Carnaval da Bairrada (ACB). Se, por um lado, este movimento de auto-determinação teve grandes vantagens, a verdade é que, por outro lado, está a desembocar num impasse. Esta independência em relação à ACB fez com que as escolas deixassem de estar tão presentes na cúpula organizativa do corso carnavalesco. Fomos nós próprios — no âmbito do processo de avaliação das escolas de samba para cuja realização a ACB solicitou a colaboração do Jornal da Mealhada —, testemunhas do afastamento, do divórcio, até, que, neste momento, existe entre as escolas e entre estas e a direcção da ACB. E isto não deve continuar. As escolas de samba precisam de compreender que têm vantagens em se unir e que, institucionalmente, têm obrigações perante o próprio Carnaval, entendendo que não lhes cabe o papel de meros fornecedores, ou clientes, da realização dos cortejos.
Notas finais
Temos para nós que ou o modelo de organização do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada muda ou a própria realização do corso carnavalesco acaba por ter os dias contados. O Carnaval da Bairrada atingiu tal dimensão que precisa de tornar mais profissionais algumas das componentes da sua organização. Ao falarmos de profissionalismo falamos de maior cuidado, de planificação, de pensamento metódico e estratégico. Esta organização precisa de crescer e precisa de saber para onde, e em que aspectos é mais necessário, mais prioritário, o dispêndio de energias.
Finalmente, cabe-nos concluir com o lamento de neste desfile não termos descortinado qualquer homenagem ao Macaca — António Oliveira, recentemente falecido. O ano de 2009 é o do trigésimo aniversário do Carnaval da Criança, festa infantil que, durante duas décadas se realizou no Domingo Magro. Também não notámos referência a isso. O número destes pequenos desfiles carnavalescos com crianças fantasiadas que se realizaram nestes últimos dias, por todo o concelho da Mealhada, justifica que se encare seriamente a hipótese de voltar a realizar-se o Carnaval da Criança — Carnaval Infantil da Bairrada, que era o seu nome — integrado nos festejos do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada, nos moldes do que se realizava. Entendemos que poderia ser um ponto a constar no protocolo a celebrar entre a Câmara Municipal da Mealhada e a Associação do Carnaval da Bairrada, para 2010. Trata-se, afinal, do futuro do carnaval da Mealhada.
Editorial do Jornal da Mealhada de 25.02.09
[727.] - É campeã!
A minha escola de samba carioca, a Académicos de Salgueiro, venceu o concurso de 2009, e tornou-se campeã do Grupo Especial depois de 16 anos de jejum. Oito mil salgueristas comemoraram a vitória com seis mil caixas de cerveja.
A vermelha e branca obteve 399 em 400 pontos e ficou a um ponto da vice-campeã, a Beija-flor.
É campeã! Parabéns.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
[726.] - Rescaldo do 2.º dia de Carnaval
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
[725.] - Axé
e ainda AQUI
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
[720.] - Rescaldo do 1.º dia de Carnaval
1 - O primeiro cortejo de Carnaval da Mealhada já lá vai. A festa correu bem mas, verdade seja dita, se a teimosia pagasse imposto o deficit do Estado era substancialmente menor... Estava mais que visto que ia haver problemas em meter o cortejo todo no espaço do sambódromo. Ainda alteraram o percurso mas é muito complicado meter o Rossio na Betesga... apesar de haver quem tente. Desta vez os prejudicados foram os que pagaram bilhete (estranho!) e estacionaram na Rua do Grupo Desportivo... e os componentes da Escola Samba no Pé.
2 - As pessoas fazem o melhor que sabem, não duvido. Também se perde muito conhecimento adquirido com as substituições. E falta quem perceba o que se espera, quem tenha algum rasgo, como tiveram (ou têm) alguns antigos dirigentes da ACB. Mas a verdade é que este sistema de organização do Carnaval já morreu e ainda ninguém lhe disse, nem avisou a família. E das duas uma ou o Carnaval mata este sistema, ou este sistema mata o Carnaval. Quando é que as escolas compreendem que têm de se sentar à mesa para tomar decisões?
3 - As escolas estiveram como sempre. De um modo geral, bem. Com os reparos do costume... e uma necessidade extrema de melhorarem a sua performance entendendo, de uma vez por todas, que estão a protagonizar um espectáculo para os outros. E esses outros precisam de perceber a história que lhes está a ser contada. Contada. Não se trata de um mero desfile de vestidos bonitos cheios de plumas. São histórias.
4 - E não resisto a pensar que só agora percebo porque razão é que alguns não queriam uma avaliação séria e independente... Há notórias misérias que poderiam passar despercebidas se ninguém as apontasse. Mesmo que, para isso se sacrificassem aplausos a quem os merece.
[719.] - Exercícios
Passaram-se os anos, e cada um foi à sua vida. Reencontramo-nos ocasionalmente. Alguns nas passagens de ano, outros na Páscoa, geralmente quase todos nos casamentos. Graças a Deus ainda não nos funerais... Nem sempre temos assunto para falar e volta e meia lá temos de recorrer às historietas do antigamente. Mas damo-nos geralmente bem. E esquecemos muita coisa... boa e má.
Mas o tempo passa. Nunca me tinha apercebido tanto da passagem do tempo como desta vez. Foi uma noite extraordinária, para relembrar in secula seculorum, mas saí de lá com a nostalgia de um tempo que acelerou em velocidade cruzeiro.
Não falámos de investimentos, de trabalho, sequer de futebol - e o Sporting-Benfica até dava no ecrã - a atenção estava completamente focada noutros protagonistas: olhámos, todos, enternecidos os gestos, as palavras, as expressões do Martim e do Luís Pedro - e em parte da Leonor - três crianças de 22, 12 e 5 meses...
E foram elas que manipularam todo o jantar.
É fantástico.
É admirável o ciclo da vida.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
[722.] - Nuno é nome de santo
O Papa anunciou hoje que vao canonizar Nuno de Santa Maria - Nuno Alvares Pereira - no próximo dia 26 de Abril de 2009. Nuno, nome, tipica e exclusivamente, português passa a ser também nome de Santo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Conta para subscrição pública do busto do Padre Abílio Simões
Crédito Agrícola da Mealhada:
Número da conta: 40 101917230
NIB da conta: 0045 3400 40101917230 26
[716.] - Mercurii dies
Numa tentativa de incentivarmos o incremento da auto-estima colectiva dos nossos leitores temos procurado dedicar mais espaço e mais energias à divulgação, à recolha, à pesquisa de acontecimentos que versem aspectos positivos da vida quotidiana das comunidades junto das quais temos vindo a desenvolver a nossa acção. Não tem sido difícil, admitamos, e temo-lo feito com um gosto muito especial. A estratégia poderá não ser imediatamente detectável, mas depressa se aperceberá dela quem enumerar e analisar os trabalhos que temos realizado com jovens do concelho da Mealhada que se têm destacado em várias áreas. Estes jovens, que partilham o nosso quotidiano, são exemplos de sucesso e motivo de orgulho, são pessoas talentosas, notáveis, que merecem o nosso reconhecimento.
Apresentamos hoje um trabalho feito com Luís Lebre, de vinte e um anos, co-autor de um projecto de design cerâmico premiado num concurso nacional. Já noutras ocasiões demos relevo ao trabalho de jovens do concelho da Mealhada que se têm destacado na tecnologia, em termos nacionais e, nalguns casos, até internacionais. Falámos de Frederico Santos e de Gustavo Corrente, no âmbito da robótica, de Sandro Alves, cuja acção se salienta na área da biotecnologia e das ciências da saúde, de Sílvio Gomes, que ganhou um prémio de design industrial. Procuramos acompanhar, o melhor possível, os sucessos dos alunos das escolas do concelho da Mealhada, que quase sempre se destacam na área tecnológica. Um desses casos foi o da distinção de Pedro Santos, da Escola Profissional da Mealhada, na área da automação industrial.
O sucesso escolar tem sido para nós, também, motivo de reportagem. Neste campo fizemos trabalhos jornalísticos com Maria João Lousada e Rita Pinheiro Lopes, consideradas as melhores caloiras da Universidade de Aveiro, com Tiago Loureiro, que recebeu um prémio de desempenho em Anadia, e, mais recentemente, com Luís Filipe Costa, que foi o vencedor português do concurso europeu “Juvenes translatores”.
Fomos, também, para além destas áreas de trabalho e de estudo e realçámos jovens que, nos seus tempos livres, desempenham acções de mérito. Na área cultural, por exemplo, são muitos os trabalhos que temos desenvolvido com as escolas de samba do Carnaval da Mealhada — na presente edição debruçamo-nos sobre o envolvimento dos jovens no Carnaval, mais aprofundadamente. Mas temos apresentado outros exemplos, como o de Dinis Rego, na área musical, o de Marta Pires, no teatro, o do disc jockey Rui Santos, o Soulthek, ou o do conjunto de jovens talentos que integram os Drama & Dance. Fizemos um trabalho com Nuno Machado, também, um estudante que viveu no Japão para aprofundar os seus conhecimentos.
Também na área da intervenção social e da cidadania, temo-nos empenhado na divulgação de boas práticas, muitas vezes promovidas pelos grupos de jovens, como a Associação de Jovens Cristãos de Luso, como, em acções de voluntariado e intervenção social, os vários agrupamentos de escuteiros de Barcouço, Casal Comba, Mealhada e Pampilhosa, no nosso concelho e também no estrangeiro.
É talvez na área do desporto que o nosso trabalho de promoção da juventude tem sido mais intenso. Graças ao trabalho profícuo do nosso director adjunto, Afonso Simões, especialmente nos campos de futebol do concelho da Mealhada, temos detectado e salientado, sistematicamente, um numeroso grupo de grandes atletas. Temos tido um trabalho muito presente junto dos nadadores do GDM, junto dos hoquistas do HCM e vamos muito para além disso. Cabe aqui, neste momento, uma palavra de apreço a atletas com relevantíssimo mérito desportivo que foram indesculpavelmente esquecidos na última Gala do Desporto, aquando das atribuições dos prémios de mérito desportivo. Falamos de Carla Silva e Tiago Vital, a campeã ibérica e o campeão nacional de kickboxing, e, ainda, de Nuno Cruz e Luís Ferreira, que integraram a equipa campeã da terceira de divisão nacional de hóquei em patins. Eles merecem o nosso aplauso.
Procuramos, também, com a nossa acção, justificar as palavras que aqui propalamos. E é por isso que no Jornal da Mealhada nos esforçamos por aproveitar a força “motriz” da juventude para a prossecução dos nossos propósitos. É também por isso que nos orgulhamos de trabalhar com os contributos voluntários e graciosos de André Vaz e do jovem que modestamente se oculta por trás do pseudónimo “O Corvo”, em artigos de opinião, e com os de António Pinho, Diogo Canilho e Ana Pinho, nesta redacção, e de Tiago Ângelo e João Silva, na fotografia.
São, por isso, muitas as razões que nos levam a afirmar que o concelho da Mealhada está cheio de jovens que são capazes de colocar as suas capacidades ao serviço de boas causas, de acções louváveis, que são capazes de fazer a diferença. Que são detentores de um capital de esperança e de crédito, que merecem ser observados e valorizados.
Editorial do Jornal da Mealhada de 18 de Fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
[715.] - Exercícios
É pior ser mineiro.É pior ser árbitro de futebol.
É pior ser presidente da Câmara.
É pior ser médico de coisas estranhas.
É pior ser auxiliar num lar de idosos.
É pior ser almeida na recolha do lixo.
É pior ser advogado.
É pior ser calista.
É pior ser pescador.
É pior ser higienista oral.
É pior ser ortoprotésio.
É pior ser...
Às vezes, para descontrair, é importante enumerar o que é pior do que ser director do Jornal da Mealhada...
Para chegar à conclusão de que é quase tudo!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
[714.] - Hoje...
... comemoraríamos o dia da Evolução da Espécie...quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
[713.] - Mercurii dies
A propósito da avaliação das escolas de samba do Carnaval da Bairrada
A direcção da Associação do Carnaval da Bairrada, na passada sexta-feira, 6 de Fevereiro, lançou ao Jornal da Mealhada o desafio de organizar a avaliação da prestação das escolas de samba no desfile do Carnaval Luso-brasileiro da Bairrada que se realizará daqui a uma semana e meia. Colocadas algumas questões que considerávamos relevantes, aceitámos a proposta que nos estava a ser feita, a missão que nos estava a ser confiada.
E aceitámos, quase de imediato, por duas ordens de razões, facilmente explicáveis. Em primeiro lugar, porque foi a Associação do Carnaval da Bairrada que nos faz esse convite, o que vai ao encontro do compromisso que deixámos no final do concurso de escolas de samba de 2007, e que mais à frente lembraremos. Em segundo lugar, porque acreditamos que a avaliação da prestação das escolas, feita por pessoas interessadas e com sensibilidade para a questão, é fundamental para a melhoria da qualidade dos festejos do Carnaval mealhadense e, portanto, para a sua promoção.
Não será desadequado lembrarmos a forma como o Jornal da Mealhada, desde Fevereiro de 2005, especialmente, se tem batido pelo reconhecimento de que há necessidade da realização de uma avaliação qualificada da prestação de cada uma das escolas de samba no desfile, e pela criação de condições para que ele se efectue. Conseguimos, perdoem a imodéstia, com a qualidade do Carnaval de 2007, mostrar que a existência de um concurso, com a competição entre escolas, contribui de forma relevante para o atingir de níveis de excelência no desfile. Não dizemos que foi o único ou, mesmo, o principal factor para que o cortejo desse ano de 2007 tivesse sido considerado o melhor de sempre, mas acreditamos que terá sido muito importante.
Em 2005 fizemos uma análise crítica, detalhada, dos desfiles das escolas de samba — na altura cinco — cujo resultado publicámos sob a forma de artigo de opinião. Já nessa altura assumimos que, se a marca com a qual o Carnaval na Mealhada se quer afirmar é a de luso-brasileiro, então o desfile de referência deve ser o do Carnaval do Rio de Janeiro. A medida resultou e, graças, também, ao apoio das escolas, decidimos promover, no Carnaval de 2006, um concurso que contou com a avaliação de vinte e dois jurados de diversas áreas profissionais e com gostos e sensibilidades naturalmente diferentes. Criámos um modelo aprofundado, sistematizado, baseado em regulamentos e manuais adaptados do Carnaval carioca. Graças ao apoio de três empresas e da carolice de voluntários que apoiaram o Jornal da Mealhada nesta realização, foi possível atribuir um relevante prémio monetário a cada uma das três escolas mais bem classificadas no concurso.
Foi nos preparativos do Carnaval de 2007 que assumimos a realização do concurso como um contributo relevante para o Carnaval e como uma responsabilidade social importante da empresa JM — Jornal da Mealhada, Lda e da marca e do título Jornal da Mealhada. Às escolas, antes de avançarmos, fizemos saber que lhes caberia decidir o caminho que se seguiria — a via da resignação, ou a da melhoria da qualidade do seu desempenho com base no juízo critico de quem, como qualquer elemento do público, havia feito uma análise do espectáculo na perspectiva do espectador, que pagara para ver. A decisão foi a de continuar na senda do aperfeiçoamento.
O Jornal da Mealhada organizou a segunda edição do concurso, as escolas efectuaram melhorias com base na análise crítica que havia sido feita. Os desfiles, como já dissemos, foram considerados, por número significativo de pessoas, os melhores de sempre. E como a competitividade promove o brio, o empenho em fazer as coisas bem, agradáveis para quem vê e não só para quem desfila, houve uma mudança na atitude dos dirigentes de algumas escolas, em termos de planificação de trabalho, ensaios, e atitudes no desfile, o que justificava plenamente a prossecução deste trajecto de avaliação.
Assumimos, no final do Carnaval de 2007, o compromisso de transferir para as escolas de samba e para a Associação do Carnaval da Bairrada a decisão, exclusiva, de continuar a realizar, ou não, o concurso. Decidiram, nos preparativos do Carnaval de 2008, que não havia condições para fazer concurso nesse ano. Ficámos tristes com a resposta mas contentes com o facto de, pelo menos, sem a nossa intervenção, o assunto ter sido abordado. Decidiram, nos preparativos do Carnaval de 2009, que não havia condições para fazer concurso também neste ano, mas declararam que consideravam ser necessária uma avaliação à prestação das escolas. Aplaudimos a deliberação e sentimo-nos felizes e honrados pelo facto de a direcção da Associação do Carnaval da Bairrada ter entendido que o Jornal da Mealhada era a instituição que melhores condições reunia para promover essa avaliação. Proporcionámos aos protagonistas a decisão de continuar a promover a melhoria do Carnaval. Aceitaram prosseguir esse caminho. O Carnaval da Mealhada do futuro agradecer-lhes-á por isso, estamos certos. Tratava-se de uma questão de vontade, e a vontade move montanhas. Procuraremos fazer o melhor possível na avaliação deste ano, conscientes da importância da missão que nos foi confiada.
Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Obrigado, Padre Abílio
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O Presidente da República foi a Anadia, na sexta-feira, inaugurar o cineteatro municipal (que até é bonito mas não tem programação) e, com o Cluny Vox, a melhor afilhada do Mundo cantou para ele.Foto do sitio da Presidência da República
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
[710.] - Hoje...
O mesmo será dizer que foi o ínicio da Guerra Colonial Portuguesa - que só terminaria em 1974, a 25 de Abril.
A partir desse 4 de fevereiro de 1961 nada seria como dantes... em pouco tempo o império começaria a desfazer-se!
[709.] - Comigo
Por que queres tu que eu fique?,
Porque é preciso,
Não é razao que me convença,
Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,
Não tenho forças que me levem daqui, deitas-te um encanto,
Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,
Olhaste-me por dentro,
Juro que nunca te olharei por dentro,
Juras que não o farás e já o fizeste,
Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro,
Se eu ficar, onde durmo?,
Comigo."
Memorial do Convento,
conversa entre Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas
[708.] - Mercurii dies
A propósito do segundo aniversário da morte do Padre Abílio Simões
No próximo sábado, 7 de Fevereiro, completam-se dois anos sobre a súbita morte do Padre Abílio Duarte Simões. Para além do pároco — da Vacariça e da Mealhada —, do professor, do colaborador do Jornal da Mealhada, recordamos, com emoção, o homem — altruísta, militante, teimoso, corajoso, inquieto — e, de modo muito especial, o amigo — dedicado, generoso — cuja falta não conseguimos, ainda, superar. A falta de alguém que fez parte integrante do nosso crescimento pessoal, do crescimento do projecto, sempre inacabado, que é o Jornal da Mealhada, permite-nos, num toque mais pessoal, solicitar ao leitor a autorização para admitir que quem escreve um editorial também tem direito ao sentimentalismo e à partilha.
As exéquias fúnebres, com a participação massiva da população — crente e não crente — foram bem demonstrativas da admiração que a maior parte das pessoas tinha pelo Padre Abílio Simões. Acreditamos, até, que nem o Padre Abílio tinha a noção da quantidade de pessoas que, mesmo nem sempre concordando com ele, nutriam por si simpatia. Ciente das suas capacidades e do seu valor, não era, no entanto, um homem cuja auto-estima lhe fizesse acreditar ser tão estimado como, de facto, era. O que, certamente, mais admiração lhe traria, mesmo acreditando que nunca o admitiria, foi a homenagem que, na altura do seu funeral, lhe fizeram políticos de todos os quadrantes partidários. Alguns com quem travou acesas lutas por aquilo que considerava justo para si e para o seu rebanho. Alguma vez o Padre Abílio pensaria que aos funcionários municipais do concelho da Mealhada seria dada a dispensa do trabalho para participação no seu funeral?
A verdade é que o tempo foi passando e a vida continuou. O jornal, mesmo sem ele, foi continuando a ser editado — mesmo notando-se a diferença e a ausência — e mudou bastante, em aspectos relativamente aos quais ele próprio mostrara relutância e até oposição. As paróquias da Mealhada e da Vacariça acolheram, de braços abertos, novo pastor e, com ele, algumas mudanças, nem sempre bem aceites. Na sua escola a ausência não se terá sentido de forma tão acentuada, até porque se tinha reformado quatro meses antes, mas terá deixado, a vários putativos discípulos, a promessa de os pôr a saber latim em dezanove lições. A agricultura, o oficio a que prometera dedicar-se com mais afinco na reforma, ficou para outros, e a pós-gradução em bioética certamente que não acabou pela sua falta.
A terra continuou a girar. É certo. Mas o Padre Abílio continua entre nós. Nas últimas semanas reparámos na quantidade de pessoas — dos mais variados quadrantes e graus de formação — que evoca, ainda hoje, as palavras dele para falar sobre a língua portuguesa bem escrita e bem falada, sobre as gralhas nos jornais, sobre a pontualidade, sobre a astúcia deste ou daquele protagonista político, sobre aquilo que ele algum dia terá dito ou escrito sobre o assunto. E, inevitavelmente, a congeminação: “Se o padre Abílio aqui estivesse…” Continua, por isso, entre nós. É citado mesmo por aqueles que ele julgava não o suportarem.
E enquanto ele for lembrado estará a ser feita a sua homenagem maior, no seu testemunho e no seu exemplo. Está, no entanto, por fazer a homenagem pública, institucional, secular, que foi prometida, pelos autarcas do concelho, aos seus familiares e aos seus amigos. O reconhecimento dos poderes políticos impõe-se. Ele nunca o exigiria e até dele fugiria… mas é merecido. E quem o prometeu não pode disso afastar-se.
Merece-o por ter sido um homem positivamente polifacetado. Por ter sido um homem de demandas que considerava de interesse social, um lutador, de antes quebrar que torcer mas que sabia dar a outra face, e que sofria com os que lhe eram ingratos. Por ser, por outro lado, um homem com um sentido de humor inigualável, a ponto de se rir das suas próprias fraquezas, perante aqueles em que confiava. Por ser um homem que mudaria a rota da Terra se fosse preciso ajudar uma pessoa que dele precisasse.
Dissemos, há dois anos, que a verdadeira personalidade do padre Abílio Simões só com o tempo seria devidamente apreciada. Não nos enganámos e, provavelmente, aconteceu mais cedo do que julgávamos. Dissemos que seriam muitos os que o criticavam e que, no futuro, invocariam, positivamente, a sua memória. E assim é.
O altruísmo, a perseverança, a generosidade dos gestos, que preferia manter anónimos, o exemplo de desprendimento das compensações materiais, de dedicação aos outros fazem dele um homem de grandeza excepcional que merece ser reconhecido e elogiado. Para memória dos que não tiveram a graça de o conhecer.

*Para eterna memória
Editorial da edição de 4 de Fevereiro do Jornal da Mealhada
[707.] - Hoje...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
[711.] - Hoje...
A primeira vez que ouvi falar de conflitos 'coloniais' entre o Estado Português e a colónia ultramarina de São Tomé e Principe foi no centro da cidade de São Tomé, na Praça da Independência.
Os são-tomenses, como os cabo-verdianos, não criaram movimentos nacionalistas de libertação que optassem pelo conflito armado com Portugal. A questão do uso de mão-de-obra escrava em São Tomé é antiga - tema central do Equador - mas nunca pensei que daí tivesse surgido algum confronto directo.
Aconteceu. E só fiquei a saber do que aconteceu realmente quando estava em Batepá, numa hiace, a caminho da Roça Monte Café. Parámos num monumento que evoca o que ficou conhecido como o massacre de Batepá.
A explicação parece ser simples. O governador da Colónia ficou convencido de que estava a proceder-se à organização de uma conspiração, nas roças, entre os nativos, que punha em causa a sua própria vida e a soberania portuguesa e decidiu antecipar-se e reprimir. Reprimiu tanto que causou uma chacina completa. Torturas, mortes... coisas abomináveis para a raça humana.
O episódio não é conhecido na história portuguesa, nem na temática colonial especifica. Mas é vergonhosa.
O próprio Governador não terá sobrevivido politicamente e foi substituído.
Ainda hoje há feridas do massacre de Batepá
Do que pesquisei, hoje, sobre o assunto resultou:- a existência de um livro de Sum Marky, "Crónica de uma guerra inventada", que narra estes acontecimentos; - a descoberta do poema "Onde estão os homens caçados neste vento de loucura", de Alda Espírito Santo, que fala d'
«O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.»



