terça-feira, 5 de maio de 2009

[790.] - Mercurii dies

Dar sentido aos caminhos
O concelho da Mealhada como rota de peregrinações

São milhares os peregrinos que nas últimas semanas atravessaram o concelho da Mealhada a caminho de Fátima. Nos próximos dias esse número aumentará e serão mais notados os grandes grupos que fazem a sua peregrinação ao altar do Mundo — o santuário mariano de Fátima. Nos últimos anos tem-se intensificado, também, o número de peregrinos que, em sentido contrário, ruma a Santiago de Compostela, percorrendo o caminho — considerado património cultural mundial pela UNESCO — até ao túmulo do apóstolo São Tiago Maior, na Galiza.
As centenas de milhares de pessoas que, nestas peregrinações — embora com perfis distintos —, atravessam a região da Mealhada podem constituir uma mais-valia para o concelho em termos culturais, em termos sociais, em termos de vida associativa, em termos económicos, em resultados e em investimentos. Consideramos, ainda, que se trata de uma potencialidade que está por explorar, e cujo aproveitamento urge. A situação económica do país e do Mundo, com um reflexo importante na vida das pessoas que precisam de apoio espiritual, fará aumentar o número de peregrinos para Fátima. A grande divulgação que está a ter, nas publicações da especialidade, o caminho português da peregrinação jacobeia — a Santiago de Compostela — e o facto de 2010 ser ano santo compostelano — Ano Jacobeo — farão aumentar, também, o número de peregrinos para Santiago.
A história do concelho da Mealhada remete-nos para um património de hospitalidade, de acolhimento aos que passam e partem. Bastaria lembrarmos o próprio nome da Mealhada — de meadela, cruzamento de caminhos —, os relatos de viajantes que registaram para a posteridade a existência do povoado, mas também a importância e os reflexos do entroncamento ferroviário da Pampilhosa e da permanência sazonal de aquistas no Luso. Como ponto importante numa rota de peregrinações — as de agora e as de outrora — o concelho da Mealhada é uma plataforma para viajantes, um entreposto de culturas.
Tendo-nos debruçado sobre este assunto, juntamente com um grupo de amigos e de peregrinos, questionámo-nos sobre até que ponto não seria válida a ideia de se constituir uma associação que pudesse chamar a si as tarefas necessárias para fazer o referido aproveitamento, para a região e para o concelho da Mealhada, em particular, das potencialidades que fazem parte das rotas de peregrinos de Fátima e de Santiago. Uma associação que poderia ser formada por pessoas, individualmente consideradas, ou, de modo preferencial, por colectividades de várias naturezas que cumprem já importante ajuda na assistência aos peregrinos. Referimo-nos, por exemplo, à Delegação Concelhia da Cruz Vermelha Portuguesa, à Ordem de Malta e aos escuteiros dos vários agrupamentos do concelho.
Esta associação poderia organizar, de forma coordenada, toda a assistência na saúde a prestar aos peregrinos, não só na rota de Fátima no sentido norte-sul, mas também na rota do Buçaco, que segue pela Pampilhosa para Coimbra. Uma assistência que, mesmo fora do grande fluxo de Maio, poderia ser garantida com o apoio do Hospital da Misericórdia da Mealhada, por exemplo.
Outra das tarefas importantes que há a fazer no âmbito da assistência aos peregrinos é na marcação e na sinalização dos caminhos. Há muitos peregrinos de Fátima, principalmente, que arriscam muitas vezes a sua segurança por não conhecerem alternativas. Interessa marcar o caminho, o mais seguro, e sinalizar tudo o que possa constituir uma ajuda a esses caminhantes — fontanários, comércio local (supermercados, farmácias, lojas de calçado, etc.), telefone público, multibanco, capelas e igrejas, casas de banho públicas. Neste âmbito interessaria distinguir o perfil dos peregrinos de Fátima dos de Santiago. Os peregrinos de Fátima — entre os quais, há um número significativo de pessoas com idade mais avançada — preferem a velocidade, querem chegar o mais rápido possível, arriscam meter-se por atalhos, mesmo que com menos segurança, para atingirem o seu objectivo. Os peregrinos de Santiago, por outro lado, a semanas de chegarem ao destino, são mais contemplativos, procuram desfrutar da paisagem, da cultura e da gastronomia das zonas por onde passam, procuram passar pelos centros históricos e evitam as estradas alcatroadas nas ligações entre localidades. São, em largo número, estrangeiros, jovens e de meia-idade. Fará sentido, por isso, alterar as rotas habituais com percursos mais adequados a cada um destes dois tipos de peregrinos.
Há, ainda, um manancial de possibilidades para a promoção de outras características do concelho junto de quem passa pelas terras do município e pode levar daqui vontade de regressar. E há todo um aproveitamento cultural que se pode tirar deste fenómeno de peregrinação — pela investigação de peregrinos famosos, do legado deixado por centenas de anos de passagem de viajantes, pela própria história dos caminhos de Fátima, por exemplo — com a realização de debates, exposições, publicação de trabalhos escritos sobre o assunto. Note-se, a título de curiosidade, que a tarefa de marcação do caminho de Lisboa ao santuário de Fátima — num modelo próximo do que preconizamos — foi levada a cabo pelo Centro Nacional de Cultura.
A ideia que se nos apresentou passa pela associação de pessoas e colectividades na realização deste tipo de acções que nos parecem essenciais. Não enjeitamos, no entanto, que esta actividade deva ser acompanhada pelas autarquias locais e pelas estruturas paroquiais e diocesanas da Igreja Católica. Entendemos, até, que, na ausência de acção ‘popular’, possam ser a Câmara Municipal da Mealhada, as Juntas de Freguesia e as associações que assim o entendam a pôr mãos à obra e ajudarem a fazer caminho, a dar, e a ajudar a dar sentido a este mesmo caminho, que é de busca do divino e, acima de tudo, de descoberta pessoal.

sábado, 25 de abril de 2009

[788.] - 25 de Abril


Reflexões para um eventual discurso
Já houve tempos em que precisei de pensar em discursos - mais em escrevê-los do que a dizê-los. Discursar sobre o 25 de Abril não é fácil. E não é fácil porque todos dizem o mesmo há trinta e cinco anos. Mesmo arriscando, é hoje fácil perceber que já na quarta feira era possível antecipar que a tónica discursiva deste dia seria a de apelo ao voto enquanto garante da sustentabilidade do regime. Os discursos do Presidente da República e do Presidente da Assembleia da República foram exactamente nesse sentido.
Notei, também, e na Mealhada isso foi claro e até sublinhado pelo presidente da Câmara, o tom pesado e desiludido com que este aniversário está a ser vivido. Parece que nada correu bem, não há quem elogie, não há reflexão que conclua que o Golpe de Estado foi determinantemente positivo para o país e para todos os portugueses. É preferível sublinhar as ausências, é preferível dizer mal. É horroroso. Já ouvi hoje, mais do que uma vez, "Não foi para isto que eu fiz a Revolução". Pois eu lamento.
A maior conquista do 25 de Abril, no meu entender, é a da responsabilização do cidadão face ao seu futuro. Deixou de haver um Estado que determinava o que cada pessoa poderia ou não fazer, que conduzia a economia, que governava acima dos portugueses, para passar a haver uma representação directa e participativa de cada cidadão nos destinos da Nação. Ou seja, deixou de haver um Eles, para passar a haver só um Nós.
Bem sabemos que não é bem assim que as coisas se passam. E se os portugueses continuam a ter na sua herança genética um anti-parlamentarismo radical, também na sua genética colectiva está a a demissão completa da sua responsabilização na vida colectiva. São sempre os outros. Eu não preciso de votar porque eles se governam, porque eles roubam, porque eles são uns filhos da puta. Nunca vale a pena fazer nada.
Não vale a pena saber porque razão é que se os capitães fizeram o golpe. Interessa fazer lembrar que não se resignaram.
E se eles não se resignaram também não somos nós que nos vamos resignar. Nós que somos mais preparados, que somos mais cultos, mais globalizados, com mais consciência cívica e internacional.
Ainda não atingimos o nosso limite, ainda não chegámos ao fundo do posso. Mas se algum lá chegarmos teremos a oportunidade de fazer o nosso 25 de Abril e o nosso 25 de Novembro. Para já é preciso construir a democracia, a participação livre e democrática das pessoas. Eu nem sou republicano, mas é preciso que vingue a ideia de que não há Eles e o Eu, há o Nós, e que é possivel a todos o exercício do poder e da auto-determinação pessoal.
Nasci 5 anos depois do 25 de Abril, e estou grato por isso. É claro que valeu a pena.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

[787.] - Hoje...



... é Dia de São Jorge, patrono do Escutismo
«Arraial! Arraial! Por São Jorge! Por Portugal!»
Sinal de Nuno Alvares Pereira para ataque em batalha

Agrupamento 1037 Sant'Ana - Mealhada a 18 de Abril de 2009,
dia da XIX.ª Promessa de escuteiros e da V.ª Promessa de Dirigentes

quarta-feira, 22 de abril de 2009

[786.] - Hoje...

Dia Internacional da Terra
22 de Abril

[785.] - Mercurii dies

Duas notas de portugalidade

25 de Abril em 2009

No próximo sábado comemora-se, em Portugal, o 35.º aniversário da Revolução dos Cravos. Num tempo de grave crise financeira, económica e social, adivinha-se um fim-de-semana acalorado com a oportunidade que a data proporcionará para uma jornada de luta da parte dos partidos da oposição, dos sindicatos e de grande número das ‘corporações’, nomeadamente as ligadas à administração da Justiça. A uma semana do aniversário da revolução serena que pôs fim ao Estado Novo, o Chefe do Estado irritou o primeiro-ministro ao pedir que se evitem a tomada de medidas populistas e a estratégia de governar para as estatísticas. Em contra-ataque, o chefe do Governo fez saber que era inútil a ‘política do recado e do remoque’ e que o país precisa mais de políticos que anunciassem o que há a fazer que daqueles que sublinham o clima de pessimismo e derrotismo.
Mas está mais que visto que os discursos do 25 de Abril se vão centrar no apelo à participação eleitoral dos portugueses nas eleições de 2009 — Europeias, Autárquicas e Legislativas.
Só de modo muito leve, possivelmente de modo completamente inconsequente, se falará nas reformas do aparelho do Estado que precisamos que sejam tomadas; na administração pública — administração pública que hoje está a tolher completamente o desenvolvimento do país ao ter em lugares de liderança pessoas completamente impreparadas; no sistema político, que está a matar a participação democrática dos cidadãos; na educação dos portugueses para a cidadania, para o patriotismo, para as regras do confronto democrático.
Os discursos do PS, PSD e CDS falarão da Europa unida e forte como uma necessidade premente para a retoma económica e para a saída da crise. A CDU e o BE dirão que é por culpa da Europa que estamos em crise social. Todos exaltarão o poder local democrático como a mais importante conquista de Abril. O PS falará da necessidade de estabilidade política e todos os outros partidos falarão da necessidade de mudança, de alternativas. O Presidente da República prosseguirá na exaltação dos bons exemplos que permitem que não percamos a auto-estima, e os sindicatos, na Avenida da Liberdade, falarão do desemprego, da precariedade social, e das limitações legisladas a respeito do sigilo bancário… Ao som do tema “Sem eira nem beira” dos Xutos e Pontapés.

Nuno Álvares Pereira, herói e santo

Será canonizado no domingo, 26 de Abril de 2009, em Roma, o Beato Nuno de Santa Maria, nome religioso, depois de se ter tornado carmelita, de Nuno Alvares Pereira (1360-1431). Condestável do Reino de Portugal (chefe militar), D. Nuno foi o braço direito do Rei Dom João, Mestre de Avis, nas batalhas que asseguraram as condições necessárias para que, no processo de sucessão ao trono de Portugal por morte de D.Fernando se respeitasse a legitimidade deste príncipe, reconhecida pelas Cortes de Coimbra. Batalhas que travaram a ofensiva de Dom João de Castela, genro do rei morto, e que cuja coroação colocaria em causa a independência de Portugal. Trata-se, portanto, de um herói nacional.
Nuno Alvares Pereira foi, ainda, sogro do primeiro duque de Bragança e, por isso, ascendente de todos os reis portugueses da Dinastia de Bragança, que reinou em Portugal durante 270 anos.
Homenagear e levar aos altares um herói da independência e da luta antiga entre portugueses e castelhanos é, em tempos de unidade europeia, curioso. Mas nem por isso deve ser diminuída a sua importância. Trata-se de uma extraordinária oportunidade para insuflação da auto-estima de Portugal e dos portugueses, católicos e não católicos, monárquicos e republicanos, conservadores e progressistas. A este propósito, aconselhamos a leitura do livro do antigo Bispo do Porto, Dom António Ferreira Gomes, de 1931, intitulado “Nuno de Santa Maria, herói e santo” da editora Aletheia. Trata-se de um conjunto de interessantes textos escritos por um homem extraordinário a propósito desse português medievo que tinha já uma concepção moderna, formada e muito concreta do que deveria ser o futuro de Portugal como Nação. Em tempo de crise o Santo Condestável é ícone da resistência e da esperança de que todos precisamos para sobreviver.

Editorial do Jornal da Mealhada de 22 de Abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

[784.] - QUEM?

Paulo Rangel foi a melhor coisinha que Manuela Ferreira Leite arranjou para encabeçar a Lista do Partido às Europeias?
Mas estará tudo doido?
Ferreira Leite passou-se?
Demorou meses a arranjar... isto?
É mau de mais para ser verdade!

domingo, 12 de abril de 2009

[780.] - 'Ecce homo'

Segundo um estudo da BBC, feito há uns anos, esta seria a mais aproximada aparência que teria um judeu, nascido na Galileia há dois mil anos, com ascendência da Casa de David. Dito de outra forma esta cara seria o mais próximo a que a ciência pode chegar da verdadeira fisionomia de Jesus Cristo.

Nunca a vi nos altares... nem nada parecido... mas gostava!

[779.] - Hoje

... É Dia da Páscoa.

Páscoa para os Judeus, o Povo da Primeira Aliança, e Páscoa para os Cristãos, o Povo da Segunda Aliança... Ou pura e simplesmente o Primeiro Domingo depois da primeira Lua Cheia depois do Equinócio da Primavera.

«Hoje é o Dia da Vitória Suprema. Que a noticia dessa alegria nos inspire e seja Força em nós para superarmos as nossas dificuldades. A vida eterna alcança-se pelo sofrimento, mas alcança-se!»
Boa Páscoa!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

[775.] - Mistérios da Páscoa (1)

Encomendação das Almas
Monsanto - Beira Baixa - Portugal

Nas sexta-feiras da Quaresma grupos de homens e de mulheres, a partir da meia noite, pelas ruas rezam e cantam para lembrarem e pedirem pela salvação das Almas dos que já morreram.

domingo, 5 de abril de 2009

[773.] - Hoje

Começa a SEMANA SANTA
E, quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou, então, Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos.
E, se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os há de mister; e logo os enviará.
Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz:
Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, Manso, e assentado sobre uma jumenta, E sobre um jumentinho, filho de animal de carga.
E, indo os discípulos, e fazendo como Jesus lhes ordenara, Trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas vestes, e fizeram-no assentar em cima.
E muitíssima gente estendia as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. E a multidão que ia adiante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!
E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este?
E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia.
E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.
E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.
Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se, E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?
E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
MATEUS 21, 1 17

[778.] - Hoje...

... A Igreja Católica, para além do Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa, realiza, também, a XXIV Jornada Mundial da Juventude.
O Papa Bento XVI, como não podia deixar de ser, dirigiu aos jovens uma mensagem que pode ser lida AQUI. No entanto, não posso deixar de aqui citar a parte final da sua mensagem invocando a figura de Santa Maria, mãe de Jesus, e utilizando as palavras de uma conhecida exortação de São Bernardo, inspirada no título de Maria Stella maris, Estrela do mar:
"Tu que na instabilidade contínua da vida presente, te vês mais a flutuar entre as tempestades do que a caminhar na terra, mantém fixo o olhar no esplendor desta estrela, se não quiseres ser aniquilado pelos furacões. Se insurgem os ventos das tentações e te encalhas entre as rochas das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria... Nos perigos, nas angústias, nas perplexidades, pensa em Maria, invoca Maria... Seguindo os seus exemplos não te perderás; invocando-a não perderás a esperança; pensando nela não cairás no erro. Amparado nela não escorregarás; sob a sua protecção nada recearás; com a sua guia não te cansarás; com a sua protecção alcançarás a meta" (Homilias em louvor da Virgem Mãe, 2, 17).

sábado, 4 de abril de 2009

[772.] - Requiescat In Pace

Faleceu esta tarde Manuel Joaquim Pires Santos, o dr.Manel Joaquim do Murtal. Foi o homem com o perfil e o currículo politico mais vasto no concelho da Mealhada. Era um homem notavel, maçon, um democrata classico da escola maçónica socialista.
Lamento o seu desaparecimento.
Que descanse em Paz.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

[771.] - Hoje...

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[770.] - Dias vencidos

20 de Março de 2009, sexta-feira

CEMITÉRIOS - Por necessidade profissional hoje tive de visitar o Cemitério do Luso. Pode ser um local sórdido, emotivo, mas é perene, é social, é histórico, é da memória. É importante.

[769.] - Dias vencidos

19 de Março de 2009, quinta-feira

PROVEDOR DE JUSTIÇA - O Provedor de Justiça falou de mais. Tem razão em estar chateado porque quer organizar a sua vida, deixar o cargo com dignidade e parece que os partidos políticos se estão a lixar para ele... Mas há limites e ele, que até fez um mandato tão imparcial e tão elogiado, poderia ter evitado criticar de modo tão rasteiro o Partido Socialista. Não vale a pena justar-se a eles para vencer os partidos!

379 ANOS - Hoje é Dia do Pai, Dia de São José, e é, também, o dia em que passam 379 anos sobre o inicio da vida regular dos carmelitas no Deserto do Bussaco, em 1630.

[768.] - Dias vencidos

18 de Março de 2009, quarta-feira

DIA DO HOMEM - Para todos aqueles, e aquelas, que contestam a necessidade da existência de um Dia da Mulher, por não haver um Dia do Homem, fica o registo. Hoje é Dia do Homem! Infelizmente é comemorado apenas na Mongólia...

[767.] - Dias vencidos

17 de Março de 2009, terça-feira

TORGA - Jorge Sampaio, na cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, ao lado da linda monarca da Jordânia, Ranya, afirmou: «O Universal é o local sem muros». Trata-se de uma fantástica citação de Miguel Torga.

PRESERVATIVO - Bento XVI afirma que o preservativo não é solução para a Sida. E não é. Uma vez que não se trata de um fármaco que elimine o virus. Mas se ninguém usasse preservativo a doença ter-se-ia propagado muito mais do que já está. Ou seja, mais vale não dizer nada do que defender, ou arriscar ser entendido como, a não utilização do preservativo.

[766.] - Dias vencidos

16 de Março, segunda-feira

COERÊNCIA - O primeiro-ministro desfiou hoje duras acusações ao sindicalismo partidarizado. E onde é que disse isto? Disse-o no discurso de conclusão da reunião da Tendência Sindical Socialista que elegeu João Proença como seu líder. Que por sua vez, e por ocupar este cargo, será eleito secretário geral da UGT, a segunda maior agremiação sindical do país!
Sindicalismo Partidarizado? Todo ele é... não é só o da CGTP!

[765.] - Dias vencidos

15 de Março de 2009, domingo

ATÉ AMANHÃ CAMARADAS - Há livros que mexem connosco. Uns porque nos trazem informações e emoções sobre algo que nos comove. Outros porque ilustram coisas pelas quais sempre lutámos ou o contrário. Ando a ler o "Até Amanhã Camaradas" por causa da Revista VIA que em breve lançaremos. Não sou comunista nem sequer de esquerda, mas aquilo mexe com um gajo. Está escrito para cultivar o martírio e o heroísmo comunista. Mas se tirarmos toda a adjectivação, toda a lustrosidade fica um testemunho muito interessante.
«Cunhal tinha bem consciência — e algumas vezes mo disse — de que a matéria recorrente desse conjunto de novelas e contos, em que brilha como um diamante o romance Até Amanhã Camaradas, é o Partido Comunista, como corpo teórico e prático voltado para a revolução socialista, ou seja, a transformação da nossa sociedade, moldada e esmagada pelo fascismo, numa democracia igualitária, à medida de Portugal. Quase um exército da sombra, uma força organizada composta por homens e mulheres que na luta por essa causa afrontam toda a casta de dificuldades e sacrifícios, cada qual com as suas qualidades e defeitos, suas marcas pessoais, sonhos e fraquezas.
Até Amanhã Camaradas narra a reorganização do Partido Comunista num período difícil e apaixonante de conflitos sociais, greves, manifestações, reuniões clandestinas, distribuição de imprensa. Estas acções, historicamente verídicas, poderiam gerar um discurso frio. No entanto, cada gesto, cada palavra dessas personagens que correm mil riscos e por vezes até parecem poder vergar ao peso das responsabilidades chega a nós cheio de humanidade.
A coragem destes heróis da insegurança e do segredo não exclui a angústia, as apreensões. Alguns desafiam a sua própria natureza e até acontece sucumbirem à doença ou ao cansaço mas, ao longo de todas as peripécias que se vão desenrolando, todos ou quase todos crescem e alguns se agigantam nas ocasiões mais perigosas ou de maior tensão. São muito diferentes uns dos outros, como são os seres humanos na vida corrente.
A amizade, o amor, o ciúme, a gratidão aqui se nos deparam, o que significa que, sendo Até Amanhã Camaradas um romance político, é antes de mais um romance, forte e profundo no modo como nos mostra a evolução dos comportamentos e através dos diálogos não raro desoculta sentimentos recalcados ou exprime emoções, pulsões eróticas, receios, esperanças em torno da realização dos projectos comuns. Sempre na linguagem clara precisa e plástica de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, ágil no descritivo, rápido na condução dos eventos». Urbano Tavares Rodrigues

[764.] - Dias vencidos

14 de Março de 2009, sábado

ANIMAIS EM EXTINÇÃO - Foi publicada hoje lista actualizada dos animais em risco de extinção. Que planeta vamos deixar aos nossos filhos? Que filhos vamos deixar ao nosso planeta?

SER EM LISBOA - Estar em Lisboa é diferente de SER em Lisboa. Nunca se perspectivou na minha vida ter de ir viver, de ir ser, na capital do Império. Mas cada vez que lá vou tenho saudades do nível de vida que tenho na provincia!

*

TRISTEZA - Deve ser destes dias... mas sinto-me triste pelas pessoas que não têm amigos como eu tenho. Não têm amigos como eu tenho, nem como os que eu tenho. Não é justo! Abaixo a Solidão!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

[763.] - Eis porque sou (e continuo) católico!

Às vezes sinto que algumas pessoas não compreendem por que razão sou católico. Ou como sou capaz de ser católico e compactuar com posições da Igreja que aos olhos dessas pessoas eu não poderia aceitar. E muitas não aceito. A razão de ser da minha posição, para além de uma questão de Fé, claro está, reside, também, da própria compreensão que tenho do que é a Igreja Católica.
O texto do Bispo de Viseu, Dom Ílidio Pinto Leandro, "A Igreja e a Sexualidade", «A propósito dos preservativos...» como ele próprio diz, recentemente divulgado, é bom exemplo de que a posição que eu tenho, o meu entendimento do que é a Igreja, não é exclusivo. Sinto-me reconfortado com isso. E não estou a falar da questão do uso do preservativo, isso até é, no meu entender, perfeitamente lateral. Falo da explicação que Dom Ilídio Leandro faz sobre o que disse e o que se deve entender das palavras de Bento XVI quando ele se pronuncia. (Note-se que digo "da explicação que Dom Ilídio Leandro faz", e não da explicação que dá...)
A Igreja Católica é feita de pessoas, a grande maioria delas leigos e uma outra parte relevante que é a hierarquia, o clero. A missão da hierarquia é diferente da missão dos leigos e dos fieis. O que diz o clero, as determinações dos padres, dos bispos e do Papa são relevantes, mas devem ser entendidas. E quando se diz entendidas, diz-se reflectidas, diz-se analisadas, diz-se perspectivadas.
O texto do bispo de Viseu a este propósito é de uma clareza admirável. Acho importante a sua divulgação porque está dito de forma inteligente e para pessoas inteligentes compreenderem. Os católicos são ovelhas de Cristo, o Bom Pastor, não são uma carneirada de acéfalos.
Aqui fica o texto do Bispo de Viseu - que ultimamente tão extraordinários prelados tem tido - com sublinhados meus.

A viagem de Bento XVI a África

A propósito dos preservativos…


Causou algum escândalo a afirmação do Papa, várias vezes repetida como tese da Igreja, de que o preservativo não é a solução para o combate ao vírus da Sida. Que queriam que ele dissesse? Afirmando que sim, banalizava o valor, o sentido e a vivência da sexualidade, enquanto dimensão do ser humano, centro, símbolo e expressão das relações profundas da pessoa, a viver no amor, na fidelidade (confiança recíproca), na estabilidade e na responsabilidade.
O Papa, quando fala da Sida ou de outros aspectos da vida humana, não pode fazer doutrina para situações individuais e casos concretos. Neste caso, para relações entre uma pessoa infectada e outra que pode ser afectada com a doença. Nestes casos, quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa. Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório.
E não tenhamos medo ou reserva mental ou hipocrisia de admitir esta doutrina!
Não usamos tantos “auxiliares” artificiais para promover a vida e defender a saúde? As intervenções cirúrgicas, os fármacos, as próteses e tantas outras técnicas ao serviço da pessoa, em situação de doença, não são formas de ‘preservar’, defender e promover a saúde?... Então, porquê esta afirmação do Papa a veicular uma doutrina e, precisamente, na viagem para África – o continente mais atingido por esta doença? Como doutrina, como ideal, como princípio de dignidade, defesa e promoção da vida humana, o Papa não pode dizer outra coisa. Como, também, deverá ser a deontologia do médico, praticando a medicina para promover e defender a vida em todas as circunstâncias possíveis, ainda que, para defender valores em conflito, possa pôr-se perante situações inevitáveis de morte…
Ainda bem que o Papa não cede a tentações de simpatia, facilitismo ou conveniência!... Esta é parte da sua cruz pascal (também da Igreja, dos Bispos, dos Sacerdotes, dos Cristãos) – ter valores e causas a defender para a realização integral da pessoa humana e gastar a vida por eles, ao serviço da dignidade e sentido da pessoa e da sua plenitude. Será falta de hábito e de cultura da exigência e da honestidade, numa sociedade tão relativa, tão mínima e tão pouca ambiciosa e coerente na defesa das pessoas e dos seus valores? Será tão fácil o escândalo farisaico de quem não sabe interpretar as diferenças entre valores e princípios gerais, por um lado e situações concretas e pessoais, por outro? Sim... Está aqui a grande diferença: a chamada “lei da gradualidade” explica que, existindo a lei geral a afirmar, a exigir e a promover valores, eles não esmagam a pessoa concreta, em situações muito individuais… Eles dão a mão com paciência, tolerância e compreensão para que a pessoa “situada” compreenda, aceite e queira caminhar, ao ritmo de um ideal libertador, defendido por uma lei orientadora. Acredita-se sempre no ideal que a pessoa é chamada a atingir, porque a dignifica e valoriza, ainda que demore algum tempo ou não chegue nunca a atingi-lo.
Este é o papel da formação personalizada e libertadora, dada individualmente ou em pequeno grupo, sempre como desafio à conversão e à vida digna e feliz. O legislador, como referência do ideal a amar e a seguir, não pode deixar de estar acima e ser exigente, apelando, com a sabedoria de mestre e, sobretudo, com o amor e a proximidade de pai, a um grande ideal, percorrendo um caminho juntos, indo até onde for possível. Sobretudo, nunca abandonando a pessoa.
A terminar: como são parciais e intencionais as apreciações da doutrina da Igreja veiculada pelo Papa para o Continente Africano e não só!...
O preservativo teria sido o tema mais importante – quase único? Mesmo a respeito do tema da Sida, foi a única coisa que o Papa disse?
E outros temas, como a pobreza, a fome, a justiça social (…) e os apelos a que os países ricos cumpram os seus compromissos a favor do desenvolvimento?...
E a denúncia de que África não pode ser vista como o “reino do dinheiro”, explorando a sua riqueza e as suas matérias-primas, deixando este Continente entregue à sua insuficiência económica, industrial e financeiramente?...
E os desafios, feitos aos jovens, convidando-os à coragem da aventura e a que não tenham medo das decisões definitivas, sabendo que a vida está dentro deles?...
E os desafios entreabertos e a aprofundar, quando denomina a África como o “Continente da Esperança”?... E a coragem que o Papa manifesta, ao falar e abordar tantos temas incómodos?...
E como entender a coragem e a capacidade de um homem, com quase 82 anos, que enfrenta situações desta natureza para ir falar, no lugar próprio, dos temas e das causas que defende e nos quais acredita, ainda que saiba que são incómodos para tantos?...
Ao serviço de quem estão tantos meios de comunicação social, tantos opinionmakers e tantos poderes instituídos, que mais parecem donos ou correias de transmissão de interesses económicos e políticos que dos direitos, liberdades e dignidade da pessoa humana, a começar pelas mais pobres e mais indefesas?...
Alguns perderam mesmo uma grande oportunidade de trazer para a reflexão dos “grandes” os grandes problemas dos “pequenos” que – infelizmente – continuam a não ter voz nem vez no actual (des)concerto das nações.

Ilídio, bispo de Viseu

Mensagem episcopal de Dom Ilídio Pinto Leandro "A Igreja e a Sexualidade"

[762.] - Mercurii dies

Um ano depois
A propósito da recuperação das Termas de Luso

Há precisamente um ano, na edição do Jornal da Mealhada de 2 de Abril de 2008, dávamos conta da apresentação pública, ocorrida dois dias antes, do parceiro da Sociedade da Água de Luso (SAL), a Maló Clinic Health Group (MCHG), para a gestão e desenvolvimento das Termas de Luso, concessão que a SAL detém juntamente com a exploração da água.
No editorial a que demos o título “E agora?” enunciámos algumas das convicções que resultaram da nossa análise, pessoal, da conferência de imprensa da referida apresentação pública, na qual intervieram Alberto da Ponte, administrador da SAL, e Paulo Maló, da MCHG. Lembramos, dessa apresentação pública, o compromisso de investimento de três milhões de euros num complexo de SPA médico, que ocuparia cerca de mil e quatrocentos metros quadrados. Assumida foi, ainda, a garantia de que, em Outubro de 2009, seria emitida a primeira factura pela utilização do serviço, que, a partir desse mês, abriria ao público.
«Ficou claro, na intervenção de Paulo Maló, que a MCHG pretende dar notoriedade à vila do Luso e que pretende não perder dinheiro. Maló disse que, para isso, seria preciso ‘transformar as termas numa espécie de shopping da saúde’ — com termalismo clássico, com SPA, com comercialização de produtos cosméticos, serviço de fisioterapia e, acima de tudo, com a prestação de um serviço de check-up médico completo aos utentes. Afirmou, também, que o projecto que pretende realizar está vocacionado especialmente para um mercado de clientes de gama média alta, com poder económico, à procura de qualidade nos cuidados de saúde, no turismo, na hotelaria e na restauração», escrevemos nessa altura no referido editorial.
Agora, um ano depois, reafirmamos outra consideração que evidenciámos na altura: «Entendemos que estamos a viver um momento de viragem nas Termas de Luso e, consequentemente, na economia do Luso e do concelho da Mealhada. Não será fácil aceitar novo falhanço na tão desejada solução da desesperante necessidade de recuperação das Termas de Luso».
Acreditamos que não haverá falhanço, mas os sinais não parecem correr a favor dessa convicção. Bastaria assinalar o compromisso de realização do projecto e de finalização das obras em dezoito meses e ver que já passaram doze, dois terços, e a obra ainda nem sequer começou. Soubemos, no início de Março, que era intenção do consórcio que as obras se iniciassem ainda nesse mês. Nessa mesma altura foi renovado o compromisso de conclusão das obras dentro de seis meses, e realizou-se uma reunião entre o consócio SAL-MCHG e o Movimento dos Comerciantes e Hoteleiros do Luso da qual viria a resultar, dias depois, uma conferência de imprensa do movimento apresentando algumas dúvidas para as quais o consórcio não tinha apresentado, ainda, uma satisfatória resposta.
Pegámos nas questões apresentadas nessa conferência de imprensa e colocámo-las aos responsáveis pelo consórcio. Editamos esta semana, na página 9 deste jornal, as respostas que nos foram enviadas por Alberto da Ponte e Paulo Maló. Deixamos ao Movimento dos Comerciantes e dos Hoteleiros e aos nossos leitores a apreciação dessas mesmas respostas e a avaliação de até que ponto satisfazem as dúvidas. Não estamos avalizados a responder a isso, mas sempre registamos a convicção, o ar de certeza e de garantia, com que o consórcio garante a realização dos projectos tornados públicos.
No editorial de há um ano aplaudimos a criação do Movimento de Comerciantes e Hoteleiros do Luso: «Consideramos que poderá ser um elemento fundamental para que o máximo de pessoas retire o máximo proveito do projecto que agora se anunciou. Acreditamos, firmemente, que só uma estrutura com estas condições poderá dar aos empresários do Luso as informações e a esperança de que necessitam para poderem transformar os seus negócios e aproveitarem a oportunidade».
Um ano depois, como já se disse, muito pouco se viu no avançar do projecto e da obra do SPA termal, a que a SAL-MCHG nega alguma vez ter chamado ‘Mega’. Viu-se, por outro lado, crescer a credibilidade da acção do Movimento que tem servido de guarda avançada na defesa dos interesses da comunidade do Luso com uma legitimidade que, pela força das circunstâncias, se sobrepõe à do poder político. Os porta-vozes desta organização têm-se feito ouvir com inteligência, têm demonstrado com fundamentação, até de números, os seus argumentos. Entendemos, por isso, que se trata de um movimento que tem realizado o seu papel e tem sido interlocutor respeitado pelo consórcio o que poderá constituir estímulo relevante para que o consórcio se esforce por honrar os seus compromissos e não falhar.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Abril de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

[761.] - Hoje

Hoje fiz 30 anos.
E continuo a ser a pessoa mais feliz que eu conheço.
*
Tenho os melhores pais, e a mais unida família do mundo.
Tenho a mais compreensiva, companheira e amorosa namorada do mundo.
Tenho os mais dedicados, interessados e melhores amigos do mundo.
*
Obrigado a todos. Amo-vos muito. Obrigado Senhor!

quarta-feira, 25 de março de 2009

[760.] - Mercurii dies

A glória do mundo é passageira

Duas notas, de conteúdo político e histórico, que em comum terão o facto de poderem servir como ilustração da ideia de como são passageiras as glórias e as derrotas mundanas, ou como diz a expressão latina utilizada na coroação papal: “Sic transit gloria mundi”. São, de facto, passageiras as vitórias e as derrotas dos Homens, quem cai sempre se ergue e quem se ergueu rapidamente poderá voltar a cair. O que não quer dizer que quedas e ascensões não sejam, quase sempre, grandes oportunidades de crescimento.

25 de Março de 1949 — Álvaro Cunhal foi preso no Luso

Assinalam-se hoje, precisamente, sessenta anos sobre a manhã em que o dirigente do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, a viver na clandestinidade numa casa na vila termal do Luso, é preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo, juntamente com outro dirigente comunista, Militão Ribeiro, e a companheira da residência clandestina Sofia Ferreira. José Pacheco Pereira, biógrafo de Cunhal, refere-se ao acontecimento da seguinte maneira: “Naquela casa do Luso, no meio do nervosismo geral, da alegria alarve dos agentes da PIDE e do estado de choque dos presos, acabava uma era da história da luta da oposição portuguesa e do PCP”.
A data poderá considerar-se uma derrota para a oposição ao Estado Novo. Mas não deixa de ser um momento decisivo para a história de Portugal que só a Democracia permite analisar e investigar. Cunhal é, em 25 de Março de 1949, um prisioneiro que, onze anos depois, oito dos quais em isolamento total, foge da cadeia e surge como um herói, um libertador e, mais tarde, um ‘senador’ da III República.
Publicamos, na última página desta edição, um texto de Carlos Ferraz a propósito da prisão de Cunhal. Associando-nos, assim, à evocação da data e do que ela significa. Mas procurámos ir mais além. O Jornal da Mealhada fez uma entrevista com a única sobrevivente deste acontecimento, Sofia Ferreira, em 25 de Março de 2007, trabalho que nunca chegámos a publicar. Aguardávamos um momento em que esse texto pudesse ser publicado no âmbito de uma pesquisa mais vasta de tudo o que terá acontecido nesses dias, nos dias anteriores e nos subsequentes, lembrando, também, o Luso da década de 1940 e a realidade do Portugal dessa altura.
Por outro lado, numa estratégia de valorização documental do património de vinte e cinco anos de publicação, praticamente ininterrupta, do Jornal da Mealhada, decidiu a empresa editora do jornal promover a publicação de um novo produto, uma revista de divulgação cultural e histórica, cujo nome é VIA, que apresentará, num suporte diferente, conteúdos, originais ou já publicados no jornal, de interesse relevante.
O primeiro número da VIA, que irá ser posto à venda a partir de Abril de 2009, será, exactamente sobre o 25 de Março de 1949. Dele farão parte a entrevista a Sofia Ferreira, o relato dos acontecimentos anteriores à noite da prisão e da detenção de Cunhal, com alguns dados novos, bem documentado e ilustrado de um modo que nos parece pedagógico e atraente. A primeira edição da VIA terá, ainda, dados biográficos dos principais protagonistas do acontecimento. Pensamos que poderá ser um contributo importante para o estudo histórico deste acontecimento, da história do PCP e do Portugal do Estado Novo. Contribuíram para a pesquisa algumas dezenas de pessoas, desde investigadores e coleccionadores até testemunhas contemporâneas dessa altura, contributos importantes para uma aproximação à verdade do que se passou naquela madrugada.


Acabou a Guerra das Rosas

As duas facções locais, da Mealhada, do Partido Socialista — uma afecta a Rui Marqueiro, a outra defensora de Carlos Cabral — chegaram a acordo em relação à decisão sobre quem seria o candidato a cabeça-de-lista do PS para a Câmara Municipal da Mealhada. Depois de algumas semanas, ou até meses, de crispação, com trocas de acusações graves — a que chamámos a Guerra das Rosas —, os principais protagonistas, Marqueiro e Cabral, chegaram a acordo e, pelo menos publicamente, terão enterrado o machado da guerra.
Carlos Cabral e Rui Marqueiro são duas personalidades da vida politica moderna — e, por que não, da história local democrática — de certa maneira condenados a viver juntos. Quando tudo faria pensar que Cabral se poderia ter emancipado a decisão final da escolha deste ano volta a ter de resultar de um entendimento entre ambos. Foi a união de Cabral e Marqueiro que fez o PS vencer as eleições frente a César Carvalheira em 1989. Foi a união que consolidou executivos maioritários em 1993 e 1997. Foi a união de Marqueiro e Cabral que fez superar o cisma Odete Isabel, em 2001. Os sinais de distanciamento entre os dois começaram em 2005 e disso resultaram algumas dores de cabeça para o PS nas últimas autárquicas. Estes dois homens não serão, necessariamente, amigos, mas estão condenados a estar juntos… Marqueiro acha que a sua emancipação surgirá em 2013. A ver vamos.
No final desta Guerra das Rosas, Cabral, que, durante o processo, parecia ser a vítima e estar diminuído, mostrou ser excelente estratega. A sua capacidade de resistência — a sua mais evidente característica — permitiu-lhe gerir, pacientemente, um conjunto vasto de silêncios que beneficiaram a sua estratégia. E foi o vencedor da contenda. Marqueiro perdeu, mas mostrou ser um líder forte, capaz de conduzir um barco que, de repente, inesperadamente, faz uma mudança de rota de 180 graus e consegue manter a tripulação — que não aprecia Cabral — unida, calada e serena, resignada com a opinião do líder.
Chegaram a acordo, com cedências de parte a parte. Perguntar-se-á por que não havia sido, então, imperioso o acordo em 2001? A resposta radicará na personalidade de Odete Isabel e no facto de o adversário do PSD ser, agora, César Carvalheira. Carvalheira é uma força da natureza, é portador de um discurso simples e popular, capaz de aglutinar tendências diametralmente opostas. Cabral e Marqueiro sabem disso e sabem que não vale a pena arriscar um cisma nesta altura do campeonato, especialmente quando a direcção nacional do partido quer serenidade e união no combate, em torno do seu secretário-geral.
Editorial do Jornal da Mealhada de 25 de Março de 2009

sábado, 21 de março de 2009

[754.] -

Começou a Primavera!
A julgar pelas temperaturas das últimas duas semanas pensava eu que já estávamos no Verão. Mas ok.

[759.] - A Missão



Parte da Oração de São Francisco de Assis, por Ana Carolina

[758.] - Dias vencidos

13 de Março, sexta-feira

MANIFESTAÇÃO - A CGTP convocou, e levou a cabo, uma manifestação que juntou 200 mil pessoas. É extraordinário. Tenho de lhes tirar o chapéu. Acredito sinceramente que as estrturas sindicais poderão neste momento ser os portadores de potencial de esprança que os partidos (já) não conseguem ser. Continuo a achar disparate fazerem acções (manifestações e greves) às sextas-feiras e nas vésperas de feriado... mas pronto... insistem e erram.

SEXTA-FEIRA-TREZE - É a segunda sexta-feira 13 deste ano... Será sinónimo de azar... Lembrar-nos-emos de onde nasce esta superstição? Há imensas teses, a que, historicamente, mais fundamento terá será que se associa ao dia 13 de Outubro de 1307. Nesta sexta-feira, a Ordem dos Templários foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França e todos os seus membros foram presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia. Foi dia de azar! Os sortudos fugiram para Portugal, o Rei D.Dinis foi o único que os recolheu e protegeu, vindo mais tarde a transformar esses cavaleiros na Ordem de Cristo.

INTERNET - A Internet foi criada há precisamente vinte anos pelo físico britânico Tim Berners-Lee.

MISSÃO - Há dias em que estamos tristes e precisamos de uma palavra amiga. Alguém que nos lembre da Força. Alguém que nos ajude a dar um sentido ao nosso sacrificio, ao nosso penar, aos nossos medos. Ouvimos do outro palavras que nós já dissemos. Damos aos outros certezas que não temos para nós. Damos conselhos que só seguiriamos se nos fossem ditos. Hoje precisamos nós. Amanhã precisa quem me ajuda hoje. É a Missão de quem vive no mundo para se dar aos outros. É a Missão de quem tem a Graça de ter amigos. Quando recitamos a Oração de São Franscisco pedimos que Deus faça de nós instrumento de Paz, e que «Onde houver desespero que eu leve a esperança/Onde houver tristeza que eu leve a alegria». É a Missão.

sexta-feira, 20 de março de 2009

[757.] - 'Eles' metem-se em todo o lado



Novo filme da Pixar, "UP", que estreia nos States em 29 de Maio.

Do Expresso:«Paris, 19 Mar (Lusa) - O filme de animação "Up", dos estúdios Pixar e Walt Disney, vai abrir oficialmente o Festival de Cinema de Cannes, marcado para 13 de Maio no sul de França, anunciou hoje a organização.
Esta será a primeira vez que um filme animado inaugura o mais prestigiado festival europeu de cinema, sendo exibido em estreia mundial e com projecção em três dimensões. Em 2008, o filme de abertura em Cannes foi "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles.
"Up" é uma comédia sobre as aventuras de Carl Fredricksen, de 78 anos, que decide levar literalemente a sua casa numa viagem pela América do Sul, auxiliado por centenas de balões.Já depois de partir, descobre que na viagem segue acidentalmente um pequeno escuteiro, de nove anos.
O filme é realizado por Pete Docter (o mesmo de "Monstros & Companhia) e Bob Peterson, autor de "À procura de Nemo".Depois da antestreia em Cannes, o filme estreia a 29 de Maio nos Estados Unidos. A Portugal deverá chegar apenas no Verão.»

[756.] - O 'Velho'

No dia 22 de Fevereiro assinalava-se mais um aniversário de Baden-Powell, fundador do escutismo. Por ser domingo gordo comemorámos o Dia do Fundador a 1 de Março de 2009, no Valdoeiro. Para esse efeito eu e o Nuno João editámos um video para apresentar aos escuteiros fazendo a ligação com a actualidade e o que se passou na História do Escutismo logo após o acampamento experimental de Brownsea, em Agosto de 1907. Tivemos de passar pela publicação do «Escutismo para Rapazes», pela edição da Revista «The Scout», pelo acampamento de Humsaugh, tudo em 1908, e, depois, pelo Grande Rally de 4 de Setembro de 1909, que concentrou onze mil escuteiros em Londres, e que revoluciona a história do escutsimo. Depois desse dia, B.-P. abandona definitivamente o exército, dedica-se exclusivamente ao escutismo, passa a defender a existência de estruturas intermédias de organização e, acima de tudo, fica sensibilizado para a necessidade de criar uma oferta educativa para as raparigas.

Sacana do 'Velho'!

[755.] - Esta Quaresma, molha-te!

quinta-feira, 19 de março de 2009

[753.] - Dias vencidos

12 de Março, quinta-feira

EUROPA - Diz hoje o Público que o primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, o líder da oposição britânica, líder dos conservadores e, ao que tudo indica, futuro primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e ainda os manos Kaczyński - o mano-presidente Lech, e o mano-líder da oposição Jaroslaw -, vão abandonar o Partido Popular Europeu para fundar um partido eurocéptico! Que os manos polacos era do eurocontra, já se sabia, que os britânicos, e especialmente os conservadores, eram euro-desconfiados também já se conhecia... o estranho é o Topolanek... não é por mais nada senão pelo facto dele, neste momento, ser o presidente da União Europeia, em exercício. Fica-lhe mal assumir-se como tão eurocéptico a ponto de fundar um novo partido estando, precisamente, ao leme da União.

FREITAS PROVEDOR - Fala a comunicação social de que Sócrates sugeriu a Ferreira Leite o nome de Freitas do Amaral para Provedor de Justiça. Não me parece mal. Em primeiro lugar porque se resolvia bem este problema escabroso de não conseguirem substituir um titular de um cargo público em oito meses. Depois porque entendo que está mais que provado que há todas as vantagens em ter os Senadores da República à mão de semear!

JORNALISTA - Esteve hoje no Jornal da Mealhada uma turma de alunos do nono ano da Escola Secundária da Mealhada. São alunos de um curso de comunicação e afins e, entre outras questões, quiseram saber que características são necessárias para se ser bom jornalista. Respondi-lhes que não sabia responder, porque também não sabia bem o que era um BOM jornalista. Acrescentei dizendo-lhes que lhes poderia dizer o que é preciso se ser jornalista do Jornal da Mealhada... 1 - Saber escrever em Língua Portuguesa (não é tão fácil quanto possa parecer); 2 - Ser uma pessoa educada e capaz de transmitir uma boa imagem do Jornal; 3 - Ter coragem para não temer qualquer trabalho ou situação; 4 - Ter perspicácia para saber ler uma noticia numa conversa ou numa qualquer situação; 5 - Gostar do oficio e do concelho da Mealhada.

[752.] - Dias vencidos

11 de Março, quarta-feira
11M (1) - Há muitos 'Onzes-de-Março' para assinalar... O de 1975, por exemplo, um contra-golpe das forças de direita em Portugal, falhado, que viria a fazer crescer a opressão das forças de esquerda sobre o sistema político, a vida ecnómica... fazendo crescer o PREC - Processo Revolucionário Em Curso - que só viria a ser tratado com o 25 de Novembro.
11M (2) - O 11 de Março de 2004, com o Atentado sobre a Estação de Atocha, em Madrid, sangrento, terrível, nojento, no coração da Espanha e da Europa. Um atentado que foi um duro golpe sobre as democracias e acima de tudo sobre os sitemas políticos. Tratou-se de um atentado que mostrou que é possível virar um povo ao contrário, por sms, e fazer eleger para presidente do Governo Espanhol alguém que não teria sido eleito se não fosse este atentado, dias antes da eleição.
CABO VERDE (2) - Os amigos de Cabo Verde responderam aos meus mails e estão bem. Ainda bem para todos!
NEOSSEXUAL - Lido no Expresso: «Segundo um estudo encomendado pela Axe, elas preferem um homem capaz de encontrar um equilíbrio entre a virilidade e a sensibilidade. Que realce o seu lado mais forte e tradicional mas sem receio de ser sensível e emocional. Chamam-lhe neossexual e é o preferido de 80 por cento das 2800 mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e 35 anos, inquiridas pela empresa de estudos de mercado argentina Datos Claros em 14 países da Europa, América do Norte, América do Sul e Ásia.
"É possível perceber que as mulheres, que dedicam tempo e energia a cuidar do corpo e da aparência física - para desenvolver o seu papel da mulher no jogo de sedução - recusem homens que decididamente entram na área do extremo cuidado corporal e se posicionam no jogo de sedução, que pertence às mulheres", explica um dos autores do estudo, o sociólogo colombiano Jaime Carmona.
Segundo o trabalho, no lugar do metrossexual, que abraçou atitudes antes apenas reservadas às mulheres, está a emergir uma nova identidade masculina, que passa pela recuperação de alguns valores do passado. "O neossexual é um homem que resgata as suas raízes mais viris mas que não proíbe o lado afectivo. Um homem síntese dos modelos anteriores que, seguindo o seu instinto, está à altura das necessidades da mulher actual".
Símbolo desta nova masculinidade é o cabedal, popularizado em ícones como James Dean ou Elvis Presley. Este material representa a mistura de firmeza e flexibilidade, de tradição e modernidade, que se espera do homem neossexual.»

[751.] - Dias vencidos

10 de Março, terça-feira

AFECTIVIDADES - A minha avó Alice fez hoje 77 anos. Sempre foi a avó com quem tive mais afinidades e mais cumplicidades. Acredito que sou católico mais por causa dela do que por qualquer outra influência familiar. Tem mau feitio mas é a minha avó. Parabéns Avó!

BUSSACO - Há cento e cinquenta e dois anos, em 8 de Junho de 1856, o Deserto dos Carmelitas Descalços, no Monte Bussaco passava da administração de um último carmelita que sobrevivera da extinção das ordens religiosas de 1834 - que durante alguns anos ficou como zelador do espaço - para a "Administração Geral das Matas do Reino". Cento e cinquenta e dois anos de administração central que foram o que hoje se vê. Nunca, nestes anos todos, esteve a Câmara, a Junta de Freguesia, ou alguma entidade próxima daquele espaço, responsável por ele. Agora parece que vai estar. Vamos a ver se isto muda.

IRLANDA DO NORTE - O terrorismo recomeçou? Haja Deus!

quarta-feira, 18 de março de 2009

[750.] - Mercurii dies

Crianças autistas: A diferença, na igualdade de oportunidade

Apresentamos na presente edição, [AQUI], uma reportagem sobre crianças autistas e o trabalho da Sala TEACCH — Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children —, um espaço destinado ao apoio a crianças autistas e à sua educação, que, no concelho da Mealhada, foi inicialmente instalado na Escola Básica 1 do Luso, mais recentemente colocado na Escola Básica 2,3 da Mealhada e, desde há poucos meses, transferido para as instalações da Escola Secundária da Mealhada.
O Jornal da Mealhada, em 16 de Abril de 2003, publicou uma extensa reportagem sobre a sala TEACCH, a funcionar, nessa altura, e desde Outubro de 2001, no Luso. Procurámos acompanhar a evolução deste serviço extraordinário de apoio a estas crianças especiais mas nem sempre isso foi facilitado. Constrangimentos de ordem variada levaram a repórter do Jornal da Mealhada, Mónica Sofia Lopes, a aguardar quase dois anos para fazer uma reportagem sobre a sala TEACCH, nessa altura, em 2007, já instalada na EB 2,3 da Mealhada.
O testemunho dos pais da Bruna e do João é tocante. Trata-se de duas famílias do concelho da Mealhada que viram a sua vida completamente transformada com a notícia de que um dos seus filhos sofria de autismo. Não deixaram, no entanto, de lutar, de dar aos seus filhos a dignidade, a tranquilidade, o conforto que estes, como pessoas, como pessoas com direitos iguais aos de todas as outras, mereciam. Sacrificaram-se como, provavelmente, não o fizeram por qualquer outro filho — com idas bidiárias a Coimbra, para os irem deixar e buscar à escola, por exemplo.
Será difícil imaginar o sofrimento destes pais que vêem o corpo dos filhos a crescer, a desenvolver-se, enquanto assistem a uma maior dependência, ao regredir de muitas das capacidades que os filhos já tiveram um dia, nos primeiros dois anos de vida. Imaginarão, apreensivas, como será a vida dos filhos se algum dia lhes faltarem. Terão guardado as expectativas que tinham para estes seus descendentes quando eles nasceram. Estes pais são testemunhos de um Amor profundo, incondicional, grandioso. Tão grande que merece todo o nosso reconhecimento, todo o nosso apoio.
Apoiar significa, então, ajudar estes pais, e os professores e auxiliares de quem estas crianças dependem, na luta pelas condições devidas a fim de que elas possam viver em tranquilidade, com conforto e dignidade. Condições que existem na Mealhada, e orgulhamo-nos disso, agradecendo a quem o tornou possível. Mas quantas crianças autistas, por este país fora, beneficiarão de condições semelhantes?
Nós também podemos ajudar proporcionando, nós próprios, a estas crianças, garantias de normalidade para que elas se sintam bem quando passeiam com os pais na rua, quando entram numa loja ou num café. Quando estão no cineteatro ou numa visita a uma monumento. São crianças que precisam de rotinas, que toleram pouco o quebrar de hábitos rígidos, mas nem por isso deixam de ser pessoas, de reconhecer um sorriso, uma simpatia.
Habituámo-nos, nos anos em que trabalhamos no Jornal da Mealhada, a encontrar o João, a Bruna, o Luís, o Tomás e o Gonçalo em várias actividades da escola EB 2,3 da Mealhada. Lembramo-nos de ver, alguns deles, nas férias desportivas, em exposições de trabalhos, em espectáculos de circo ou no cineteatro Messias. São crianças diferentes, mas são igualmente crianças. Precisam de um tratamento diferente para terem as mesmas oportunidades que as outras. Mas nem por isso deixa de valer a pena dedicar-lhes o tratamento de que necessitam. E por isso são amadas.


Autismo é palavra poderosa, mas não é estranha, não deixa, não deixará nunca de ser assustadora, mas não morde. Poderá remeter-nos para o filme “Rain man — Encontro de Irmãos”, de 1988, com Dustin Hoffman no papel de um doente autista, encontrado pelo irmão cujo papel é representado por Tom Cruise. Mas há, também, quem use as palavras autismo e o autista para adjectivação política, procurando associar ao adversário, a quem são atribuídos os epítetos, falta de capacidade, de visão, para o exercício do cargo. Mas autismo é algo muito diferente. É algo que não pode ou não deve servir, sequer, para a verborreia política.

Editorial de 18 de Março de 2009

sexta-feira, 13 de março de 2009

[749.]

A lifetime of happiness! No man alive could bear it; it would be hell on earth.

George Bernard Shaw

quinta-feira, 12 de março de 2009

[748.] - Hoje, também

DIA MUNDIAL CONTRA A CENSURA NA INTERNET (ou contra a cyber-censura)

[747.] - Hoje

... 12 de Março de 1572
É publicada a primeira edição de "Os Lusíadas".

«Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta»

Foto da Presidência da República

José Eduardo dos Santos e Cavaco Silva homenageiam Camões no âmbito da visita de Estado do presidente de Angola a Lisboa. 10 de Março de 2009

[746.] - "Rapidamente e em força!"

Visita de Estado do Presidente da República Popular de Angola a Portugal, 10 de Março de 2009
*
"Para Angola, rapidamente e em Força",
13 de Abril de 1961, António de Oliveira Salazar

quarta-feira, 11 de março de 2009

[745.] - Tenho saudades!

São Domingos, Cabo Verde, 2006

[744.] - Dias vencidos

9 de Março, segunda-feira

CAVACO - O Presidente da República completou hoje o seu terceiro ano de mandato. Um mandato que tem credibilizado a instituição e o Regime. Um mandato personalizado e interventivo, atento e responsável. Para alguém, como eu, que na monarquia constitucional vê vantagens no facto de o Chefe de Estado ser alguém preparado e educado para representar a Nação e defender os seus interesses, Cavaco Silva é o melhor que poderiamos querer em Belém nesta fase da nossa vida colectiva como país e como povo.

DESILUSÃO - Há dias em que parece que o céu nos cai em cima da cabeça. E surgem críticas, duras e dolorosas, de quem menos esperavamos. A vida continua mas dói e não é fácil manter a concentração naquilo que seria fácil de classificar como sendo o essencial. Falo demais e nem sempre o que digo é compreendido. Para esta Quaresma a minha busca deve ser a do silêncio. Por que é que não me lembro disto mais vezes?

[743.] - Mercurii dies

“Da paridade faz a diferença. A diferença faz a igualdade”?
A propósito da aplicação, em 2009, da Lei da Paridade nas eleições políticas

Assinalou-se no passado domingo, 8 de Março, mais um Dia Internacional da Mulher. Não esquecendo nunca a luta das mulheres — e até do martírio — pela igualdade de direitos e deveres perante a sociedade, importa, num ano em que se realizam, em Portugal, três eleições políticas (para o Parlamento Europeu, para as autarquias locais e para a Assembleia da República), reflectir sobre o que de mais imediato resulta, do mais recente diploma legal português com vista a promover a paridade política entre homens e mulheres.
A Lei da Paridade, como ficou conhecida a Lei Orgânica n.º 3/2006, de 21 de Agosto, “estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33 por cento de cada um dos sexos”. Só agora, em 2009, é que a eficácia da lei pode ser testada. Trata-se da primeira vez que os partidos prepararam candidaturas para estas três eleições, especialmente, obrigados à paridade.


O problema da paridade prende-se, acima de tudo, com a fraca participação política das mulheres em Portugal. Esta Lei da Paridade — apresentada pelo grupo parlamentar do PS a 8 de Março de 2006 — nasceu para estabelecer uma espécie de quota mínima obrigatória para acesso das mulheres aos cargos políticos. Promovendo por meio artificial aquilo que seria (ou deveria ser) natural: se 52 por cento da população residente em Portugal são mulheres, por que razão a participação de mulheres na política há-de ter uma percentagem tão díspar?


Notícias de Março de 2006 explicavam que o objectivo da Lei da Paridade passava por assegurar um limiar de influência das mulheres na decisão política. Um limiar de influência, apenas isso. E essa seria a razão apontada para o facto de a lei portuguesa exigir um mínimo de 33,3 por cento na representação dos sexos e a lei francesa estipular os 40 por cento.

Os partidos estão, portanto, obrigados a respeitar a Lei da Paridade. Uma candidatura que não respeite a percentagem será penalizada na hora de atribuição da subvenção estatal — note-se que no projecto inicial apresentado pelo PS a pena era a não aceitação da lista pelo tribunal. Em cada dez candidatos, três têm de ser mulheres e uma delas tem de figurar entre os primeiros lugares da lista. Como é que os partidos que — por qualquer razão — não têm mulheres em número suficiente para apresentar uma candidatura vão proceder? Vão procurar arranjar candidatas sem critério, misturando qualidade e falta dela só para cumprir a quota? Por outro lado, recairá sobre as mulheres militantes a obrigação de se candidatarem para não inviabiliarem a lista. Será justo? Será machismo pensar que, por causa desta obrigação, pode haver homens com projectos válidos e vontade e disponibilidade para servir a República que são preteridos por causa do seu sexo?
Recorde-se, como mero apontamento de curiosidade, que, em 2001, no concelho da Mealhada, candidataram-se à Assembleia de Freguesia da Vacariça duas listas, uma constituída exclusivamente por homens e outra de que faziam parte exclusivamente nomes de mulheres. A dos homens conquistou maioria absoluta e a das mulheres não alcançou qualquer mandato.

A paridade será o meio mais óbvio para suprir a falta de representação das mulheres nos cargos políticos. Consideramos esta sub-representação injusta e anti-democrática. Não temos dúvidas. Esperamos pelos resultados visíveis da Lei da Paridade para saber se compensou dar às mulheres que exercem cargos políticos o rótulo de “eleitas pela quota feminina”. Entretanto, entretenhamo-nos com o anúncio governamental que soa nas rádios nacionais e que propala, talvez para convencer os fazedores de listas partidárias e as mulheres candidatáveis: “A paridade faz a diferença. A diferença faz a igualdade!”.


Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

[741.] - Dias vencidos

8 de Março, domingo

MULHER – Dia Internacional da Mulher e dia do aniversário da mulher que me deu o ser. Há lá melhor coincidência? Obrigado Mãe?

POESIA - «Se partires um dia rumo à Ítaca/Faz votos de que o caminho seja longo/repleto de aventuras, repleto de saber», poema Itaca de Constantino Kavafis.

[740.] - Dias vencidos

7 de Março, sábado

MANUEL ALEGRE – O José Lello disse e eu concordo com ele: Alegre tem problemas de carácter. Se está tão aborrecido com o Governo porque não larga o tachinho de deputado e vai para casa escrever poemas? Há limites para a divulgação pública das divergências de opinião. Se Alegre e Sócrates divergem tanto um do outro a ponto do primeiro colocar a hipótese de numa eleição nacional se apresentar como alternativa de Governo, há aqui um problema sério. Quem está mal com a decisão da maioria deve respeitar a maioria e calar-se – pelo menos publicamente (e parece que Alegre só critica em publico… não o fez nos órgãos próprios para que tinha sido eleito).

CABO VERDE - Os escuteiros do Louriçal vieram pedir informações sobre a actividade que fizemos, com os escuteiros, em 2006, em Cabo Verde. Fiquem com saudades da dupla mentira que é Cabo Verde – nem é Cabo, nem é verde. Mas é espectacular e o seu povo é extraordinário. Senti necessidade de escrever ao Luís Delgado, ao Domingos Jorge, à Olívia Lima, ao Marcos, e assim fiz! Morabeza!

PCP – Ando a ler o “Até amanhã Camaradas”. Afazeres profissionais a isso me obrigaram. Hoje fui fazer a cobertura do almoço evocativo do 88.º aniversário do PCP, que teve lugar na Pampilhosa. Sempre tive grande fascínio (que me repelia) pelo PCP. Apesar de não concordar ideologicamente com a concepção da sociedade comunista, observo com muito interesse a entrega, a resistência, a fé dos militantes. A capacidade de militância é, desde sempre, extraordinária. E hoje fiz a mim próprio uma pergunta: Que causas me levariam a mim, nos dias de hoje, a abraçar a clandestinidade para poder lutar por?

[739.] - Dias vencidos

6 de Março, sexta-feira

VERBA POLITICA – José Eduardo Martins insultou Afonso Candal no Parlamento. No mesmo dia, Cabral diz-se ofendido por Carvalheira, que por sua vez fez queixa de Calhoa, que também fez queixa de Carvalheira. Tudo por excessos na linguagem. Estaremos a cair numa judicialização da politica, como disse Carlos Marques? Ou estaremos a assistir a uma bloguização da politica? Ou estamos todos habituados à imunidade parlamentar que permite que tudo seja dito sem o risco de tribunais nem de duelos ao pôr-do-sol? Imunidade autárquica já!

AUTO-CRÍTICA – Pulido Valente e Miguel Esteves Cardoso criticam hoje, no Público, uma falha (grave) do Público de ontem. Criticam e escrevem-no no próprio jornal. E fazem bem. Porque raio havemos nós de ser tão mesquinhos e tão afoitos em relação à autocrítica?

[738.] - Dias vencidos

5 de Março, quinta-feira

BUÇACO – O Conselho de Ministros aprovou a Fundação Mata do Buçaco. Finalmente surge um modelo de gestão para o Buçaco que envolve a Câmara e une os vários reizinhos que existem no Estado, na Administração Central. Vamos lá ver se é desta. Hoje é “Albo lapille notare diem”. É dia feliz.

DILEMA – Haverá dilemas na vida difíceis de resolver. Imagino os dilemas que homens importantes do nosso quotidiano não têm de resolver… Como no passado. Poderia um presidente da Câmara do Estado Novo ajudar militantes clandestinos do PCP? Seria isso, para si, um dilema? No dia 25 de Abril de 1974 de que lado se colocaria? Do lado do que era capaz de fazer? Ou do lado que os outros esperavam que escolhesse? Dilemas.

[737.] - Dias vencidos

4 de Março, quarta-feira

PROVEDOR DE JUSTIÇA - PS e PSD não conseguem chegar a acordo para substituir o Provedor de Justiça e só o actual detentor do cargo parece preocupar-se com isso.

INTIMIDADES – Será que não há nada que eu faça que esteja bem feito? Ou seja relevante? Bolas.

[736.] - Dias vencidos

3 de Março, terça-feira

NINO VIEIRA - Viva a Lei de Talião. Sem mais. Nino é de etnia papel. Terá mandado matar Tagmé Na Waié, que é de etnia balanta. Já não se davam bem há uns tempos. Vieram os balantas de Mansoa e acabaram com Nino. E os jornalistas portugueses estão a tentar fazer dele um herói. Hoje, o relato da morte de Nino no Jornal de Noticias e no Público é contraditório... criam-se histórias... A fonte do Público é Frederick Forsyth, um romancista!

IBÉRIA - Na Galiza em 2005, Fraga Iribarne ganhou as eleições e até tinha mais deputados, mas não tinha a maioria absoluta. O PSOE galego conseguiu arranjar uma maioria conjuntural e Touriño foi empossado presidente da Xunta. Mas o destino é o destino, e a vontade do povo é a vontade do povo. E o PP voltou a ganhar e os socialistas foram derrotados até porque, segundo consta, fizeram mandato miserável. Em Euskal Herria também se fez história. E as coisas não são muito diferentes da Galiza de 2005... resta saber o que vai sair daqui... Os espanholistas (PP e PSOE) juntos têm maioria. Ibarretxe, do PNV, ganhou mais não chegou. Vai deixar de ser Lehendakari... Patxi Lopez, do PSOE, pode ser o que senhor que se segue. Está mais que visto que com um espanholista como Lehendakari, seria o primeiro desde a democracia, os independentistas vão dar nas vistas...

A1 - Estava a levantar dinheiro numa caixa na auto-estrada. Vêm três fulanos em alta velocidade num carro de alta cilindrada e cortam-no ao meio. Há justiça?

[735.] - Dias vencidos

+
2 de Março, segunda-feira

NINO VIEIRA - Assassinaram hoje o presidente da Guiné-Bissau. Estamos todos condenados a morrer, mas ele estava condenado a morrer assim, de modo sangrento às mãos de alguém parecido com ele. Paz à sua alma... mas não há dúvida de que era um ditador sanguinário vestido de europeu e travestido de democrata. É Africa? E a Guiné sobrevive a Nino, como sobreviveu aos Cabrais. Resta saber quem é o soba que se segue.

SÓCRATES - Em
http://www.socrates2009.pt/ encontramos uma espécie de 'Sócras Yes We Can"... para ir acompanhando

BLOGUES - São uma espécie do Alfaiate especial? Para ir acompanhando também,
http://www.blogtailors.blogspot.com/

JORNAiS - O novo jornal da SOJORMÉDIA, o diário, com o Martim Avillez de Figueiredo como director, chama-se 'i'. Não é um jornal. Não é um site, é uma marca de informação - diz o Público (que está estranhamente interessando em aprofundar noticiais sobre este tema em concreto... meeeeeedo!)

GUERRA DAS ROSAS - O 'Pacto Indio' viu a luz do dia. Cabral mostrou o trunfo que Litério Marques, por exemplo, apregoou e nunca mostrou. Ter o apoio de quase todos os presidentes de Junta pode ser importante. A segunda batalha importante da Guerra das Rosas, foi ganha por Cabral.
PSD/ANADIA - O inacreditável aconteceu. Pode uma comissão distrital recusar um nome de um candidato que foi sufragado num plenário de militantes e que até alcançou a quase unanimidade? Pode. Isto é surreal. Se a ultima palavra é das distritais e das nacionais porque dar às bases a mera ilusão de que decidem alguma coisa. Partidos e democracia começam a conjugar mal... Eu estava a falar de Anadia... e do PSD...

[734.] - Dias vencidos

Sobre os dias que vão sendo vencidos, um a um, e a espuma que sobra deles...
1 de Março, domingo

FELICIDADE - Perguntar aos caminheiros a diferença entre Prazer e Felicidade, e a diferença entre Alegria e Felicidade é debate interessante. O que resulta nem sempre é reconfortante, mas é interessante. Apesar de tantas certezas sobre tanta coisas não deixa de ser bom exercício comparar as respostas - ou o tipo delas - com o percurso que eles próprios - como todos têm de trilhar. As palavras de B.-P. são bonitas e perceptíveis. O dificil é ir para além do óbvio. É pensar não que no ouvimos mas naquilo que nos dizem aquelas palavras sobre Felicidade.

QUARESMA - A Quaresma chegou e o Carnaval nem me permitiu acolhê-la. Corre-se para chegar a tempo e desilude-se quem esperou e não gostou... Será que desiludir os outros é uma forma de penitência? É, pelo menos, uma especie de flagelação - a nós próprios e aos outros. Valeria a pena ser penitente afastando de nós, e de perto de nós, tudo o que nos afasta de Deus e nos afasta dos outros... Ser católico é já ser-se penitente. Ter quase trinta anos, assumir a sua fé, ser escuteiro, ocupar funções com visibilidade pública e de caracter intelectual. É lixado. Acredito que no tempo de Saúl de Tarso seria pior. Hoje resta-nos, sem almejar o martírio, procurar ser testemunho.

IBÉRIA - Hoje houve eleições em Euskal Herria (País Basco) e na Galiza. É porreiro. Que resultados? Que mudanças? Que sinais?

B.-P. - Foi hoje comemorado por quatrocentos putos - e velhadas - só aqui no Núcleo. Terá sido, aliás, lembrado por estes dias por 28 milhões de escuteiros que neste momento estão em actividade no movimento (Imagine-se os que nos últimos 100 anos entraram e arrumaram as botas). Comemorámos o génio de um homem inspirado. Hoje foi um bom dia, na nossa própria tristeza e a olhar para os cachopos, para perguntar o que raio terá faltado para B.-P. (ou o 'sacana do Velho') para merecer o Nobel da Paz.

sexta-feira, 6 de março de 2009

[733.] - Publicidade educativa...

Publicidade a plasticina para crianças...
«Let the kids build a better world!»
Deixe-se as crianças construirem um mundo melhor.

quinta-feira, 5 de março de 2009

[732.] - Hoje...

... 5 de Março de 2009

Governo aprovou estatutos da Fundação Mata do Bussaco!

Finalmente!

Ver aqui!

quarta-feira, 4 de março de 2009

[731.] - (Ex) Citações

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

[730.] - Mercurii dies

“Quid est veritas?”*
*O que é a verdade? — perguntou Pilatos a Cristo

Fazer vingar a ideia da necessidade de analisar criticamente o Carnaval da Mealhada na modernidade não é tarefa fácil. É quase hercúlea a tarefa de convencer os principais implicados na organização dos desfiles de que a avaliação é uma medida importante que trará a melhoria do espectáculo, que levará a uma melhor aceitação pública do trabalho — artístico, cultural e até social — realizado pelas escolas de samba, do que resultará o beneficio de todos. Desde 6 de Fevereiro, dia em que fomos convidados para avaliar o desfile do Carnaval de 2009, até 28 de Fevereiro, dia em que entregámos os prémios e finalizámos o processo, muitas foram as complicações, e muitos foram os obstáculos e mal-entendidos que se nos apresentaram.
Acabámos por nos deparar com um divórcio atroz entre a direcção da Associação do Carnaval da Bairrada e as escolas de samba, um distanciamento inexplicável entre os dirigentes das várias escolas e uma estranhíssima falta de sintonia entre as pessoas que compõem a direcção da ACB em relação às opções tomadas pela liderança. Acusados de muitas coisas ao longo destes 22 dias de tensão, julgamos, agora, ser tempo de explicar a nossa versão dos factos. Uma versão desapaixonada, poupada em adjectivos, que resultará muito mais uma descarga de consciência do que uma qualquer moralização. Porque percebemos que, mais do que no futebol, o que, no Carnaval, é mentira hoje pode ser verdade amanhã, convém-nos, agora, dar a nossa versão da verdade.
Fomos convidados para organizar a avaliação das escolas de samba na tarde de 6 de Fevereiro. Dois gerentes da JM — Jornal da Mealhada, Lda dirigiram-se à ACB, onde eram esperados pelo presidente da direcção e por um director. Confrontados com o convite, e depois de colocar algumas exigências de natureza logística e outras que garantiriam a independência da avaliação, resolvemos aceitar. Este convite era uma demonstração do reconhecimento formal e irrefutável de que o trabalho desenvolvido pelo Jornal da Mealhada em 2005, em 2006 e em 2007, com a avaliação e concursos, era importante e digno de crédito. Ficou decidido entre as duas partes que ao Jornal da Mealhada caberia conduzir todo o processo e à ACB caberia fornecer as condições necessárias para o seu desenvolvimento, informar as escolas e promover a divulgação dos resultados na tenda gigante no último dia dos festejos.
Nesse mesmo dia 6 de Fevereiro, e poucas horas depois da aceitação do convite, fomos informados de que havia pelo menos uma escola de samba que não estaria de acordo com a realização de uma avaliação. O presidente da direcção da Sociedade Mangueirense disse-nos que haveria uma decisão, de Novembro de 2008, que, por unanimidade da direcção da ACB e dos representantes de todas as escolas, decretaria que haveria uma avaliação interna — não pública, nem publicada — e nada mais do que isso. Recusando-se expressamente a ideia de qualquer concurso ou avaliação promovida por um jornal.
Deslocámo-nos à sede da referida escola para clarificar essa posição e solicitámos que essa informação fosse escrita a fim de a podermos transmitir, sem qualquer deturpação, à ACB. Dissemos que, uma vez que tinha sido a ACB a convidar-nos, teria de ser a ACB a solucionar o problema que se deparava. Perante o anúncio de que outras escolas teriam a mesma opinião, fizemos idêntica recomendação. Por mais do que uma vez afirmámos que considerávamos a ACB soberana na decisão de realizar a avaliação. E que essa mesma avaliação havia sido anunciada publicamente pelo presidente da direcção da ACB ao lado do presidente da Câmara da Mealhada, em conferência de imprensa.
Na quinta-feira, 12 de Fevereiro, foi-nos solicitado que assistíssemos a uma reunião entre os presidentes das direcções das cinco escolas de samba que participavam no Carnaval de 2009 e a direcção da ACB. Assim fizemos. Ao chegar à sede da ACB reparámos que não se encontrava o presidente da direcção da ACB nem o dirigente que nos tinha feito o convite em 6 de Fevereiro. Assistimos à contestação e manifestação de indignação dos representantes das escolas e, assim que tivemos oportunidade, explanámos o rol dos acontecimentos havidos até à data. Ouvimos, ainda, da parte de um director da ACB, a prestação de uma informação falsa aos dirigentes das escolas. Corrigimos essa informação e anunciámos que só com o presidente da ACB poderíamos clarificar a situação e que só a ele reconheceríamos legitimidade para tomar uma decisão em relação à continuação, ou não, da avaliação. Depreendemos que havia, entre os dirigentes da ACB, pessoas que estavam manifestamente contra a realização de uma avaliação pelo jornal.
Nos dias seguintes, entre 14 e 16 de Fevereiro, recebemos de quatro escolas — GS Sócios da Mangueira, GRES Amigos da Tijuca, ES Juventude de Paquetá e GRES Samba no Pé —, por escrito, a comunicação formal que havíamos sugerido em 6 de Fevereiro. Em duas dessas quatro comunicações era referido, ainda, que um vice-presidente da ACB havia proibido expressamente as escolas de colaborarem com o Jornal da Mealhada com a entrega de informação solicitada sobre o desfile e prestação artística no corso.
Na noite de 16 de Fevereiro, os dois gerentes da JM — Jornal da Mealhada, Lda deslocaram-se à sede da ACB e, perante cinco directores, entre os quais o referido vice-presidente e o presidente da direcção, expuseram a recusa das escolas e o mal-estar provocado pelo gesto do vice-presidente da direcção da ACB. Na ocasião, o presidente da direcção relembrou a necessidade da avaliação, e acrescentou que não tinha condições para fazer uma avaliação de forma diferente da solicitada ao Jornal da Mealhada. Os directores da ACB manifestaram as suas opiniões, algumas diferentes da do presidente, sem, no entanto, apresentarem alternativas, e entendemos que devíamos sair da sala para que a direcção da ACB tomasse uma decisão sobre a manutenção ou não do convite ao Jornal da Mealhada. Minutos depois fomos informados de que se mantinha o convite nos moldes iniciais. Ao Jornal da Mealhada foi solicitado, no entanto, que prescindisse do anúncio dos resultados na tenda gigante e que assegurasse a divulgação da ideia de que a ACB era completamente alheia ao resultado do concurso. Os gerentes do Jornal da Mealhada exigiram que o vice-presidente da ACB se retratasse junto das escolas, e que o teor da deliberação fosse passada a escrito e transmitida aos dirigentes das escolas. Assim aconteceu nesse mesmo dia.
A comissão técnica da avaliação dilatou o prazo de entrega do material informativo solicitado às escolas. No entanto, apenas uma das quatro escolas, o GRES Batuque, entregou essa informação.
A avaliação decorreu de forma tranquila, havendo apenas a assinalar um problema com uma jurada. Lamentámos a ausência do representante da ACB na comissão técnica, conforme havia ficado decidido em 6 de Fevereiro, e que foi condição para o aceitar do convite. No dia da divulgação dos resultados representantes de quatro escolas deslocaram-se à Esplanada Jardim para ouvir o veredicto — prova da aceitação da avaliação — e, no dia da entrega de prémio, componentes de todas as escolas aplaudiram os vencedores que receberam prémios monetários — demonstração de desportivismo.
Ao longo deste processo quase todos os representantes das escolas que se recusaram a colaborar com a organização da avaliação fizeram saber que nada tinham a opor à avaliação, ou ao facto de ser o Jornal da Mealhada o organizador. Ficou sempre para nós claro que estariam revoltados com o facto de não ter sido dado cumprimento a uma alegada deliberação de Novembro de 2008 de promover uma avaliação exclusivamente interna, não pública nem publicada. Não percebemos as razões de tal decisão. Nem quais seriam as questões de fundo subjacentes para que as escolas e os dirigentes da ACB recusassem liminarmente, e à priori, uma avaliação pública, considerando até que estariam, todas, em igualdade de circunstância
Como em 2006 e 2007, colocámos em três dezenas de pessoas a missão, sempre difícil, de apreciar o trabalho apaixonado de muitas outras. Entendemos, ainda, que o veredicto e a análise desses avaliadores deveria ser ponderado pelos dirigentes das escolas. Trata-se da opinião fundamentada de uma amostra de pessoas, e devidamente informada sobre o trabalho desenvolvido pelas escolas. É a fundamentação dessas opiniões, essas justificações que os jurados estavam obrigados a produzir, que, depois de ponderada a sua justeza, devem servir para as escolas melhorarem o seu trabalho. Esse sempre foi e será o nosso principal objectivo.

Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de Março de 2009