Puxão de orelhas
A propósito do encerramento das Termas de Luso
Os comerciantes e hoteleiros do Luso, através do movimento por eles criado, afirmaram, na reunião pública da Câmara Municipal da Mealhada, em 9 de Julho, que era preciso dar um puxão de orelhas ao consórcio (aparentemente) estabelecido entre a Sociedade das Águas de Luso (SAL) e a Maló Clinic Health Group (MCHG), para a gestão e desenvolvimento das Termas de Luso, concessão que a SAL detém juntamente com a da exploração da água. Dizemos aparentemente porque há quem tenha dúvidas de que esse consórcio esteja já formal e legalmente estabelecido e que tenham sido já as duas empresas a optar pelo encerramento das Termas de Luso precisamente no único período do ano em que o balneário termal estaria aberto ao público. É nossa convicção que os comerciantes e hoteleiros do Luso têm razão e que é necessária e merecida uma censura pública e relevante ao comportamento da concessionária — pelo menos essa — no âmbito do encerramento das Termas no período do Verão.
Somos testemunhas de que, em meados de Abril, poucas semanas depois do início das obras no balneário termal, — no seguimento de uma informação interna da SAL de 14 de Abril de 2009, que dava indicações para a não marcação de consultas a termalistas no período entre 27 de Junho e o final de Agosto — comerciantes e hoteleiros e a Câmara Municipal da Mealhada manifestaram a sua preocupação relativamente a um eventual encerramento das Termas. Nessa altura, ao presidente da Câmara e aos comerciantes foi dada a garantia de que as termas não iriam encerrar completamente em momento nenhum. Já nessa altura a SAL saberia que essa promessa seria muito difícil de cumprir. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. Já nessa altura a SAL sabia que a convivência de obras e termalistas no mesmo espaço traria desconforto e problemas. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. Já nessa altura a SAL sabia que as estruturas dos edifícios a recuperar estavam muito mais degradadas do que inicialmente previa. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. O encerramento das Termas é agora apresentado como a opção lógica e inevitável. No entanto só à SAL é que, em Abril, o contrário parecia verosímil.
Não temos dados que o garantam, nem, apesar das tentativas realizadas conseguimos apurar da veracidade do que afirmamos, mas custa-nos acreditar que a MCHG esteja já totalmente envolvida em todo este processo. Provavelmente — e reflexão é especulativa — o acordo entre a SAL e a MCHG passará pela entrega do balneário recuperado e ‘como novo’ à MCHG, em Outubro de 2009, para esta empresa o explorar a partir daí. Assim, a recuperação do imóvel é uma responsabilidade exclusiva da SAL na qual a MCHG não se envolve nem investe, dado que o espaço faz parte da concessão do Estado à SAL. Esta parece-nos ser a solução empresarialmente lógica e justificaria o facto de a SAL continuar a ser a única interlocutora com a autarquia e os comerciantes e hoteleiros em todo este processo.
Esta tese — de que poderemos ter a comprovação ou não — manteria incólume a ideia que tínhamos, e que sempre aqui manifestámos, do profissionalismo, da seriedade, da ambição e do rigor da MCHG. Porque nos pareceu sempre muito estranho que a atitude de convicção com que Paulo Maló assumiu o compromisso de ter as termas a funcionar no prazo acordado acabasse por se transformar num bluff tão grande. O facto de o projecto ter demorado dois terços dos dezoito meses a fazer e que as obras se restringissem a seis meses parece mau de mais para ser gestão da MCHG. A intransigência da parte da SAL em ter as obras prontas em Outubro, custe o que custar, acaba por ser — segundo a nossa tese — não decorrente do compromisso de honra do consórcio perante o Luso e a Câmara da Mealhada — até porque estes estariam na disposição de ver o fim das obras adiado unicamente para não fechar no Verão — mas sim decorrente do compromisso da SAL com a MCHG de lhe entregar a chave para exploração das Termas naquele prazo, cujo incumprimento poderá dar lugar a indemnização.
A tese que alvitramos justifica muitas coisas verificadas até aqui, que, pelo menos para nós, são incompreensíveis.
Nesta edição damos conta de que estará reatada a “paz” entre os comerciantes e hoteleiros do Luso e a Câmara da Mealhada. É de aplaudir este facto. Terá havido excessos cometidos que, necessariamente, devem ser ultrapassados, mesmo que não sejam, para já, “perdoados”. E temos conhecimento de que a Câmara da Mealhada, no sentido de manter o alojamento dos termalistas habituais no Luso, garantirá o transporte destes para as Termas da Curia a fim de fazerem tratamentos. Este será o resultado visível do entendimento entre Câmara e lusenses.
Como dizia um vereador na reunião do executivo municipal de 9 de Julho, a publicidade negativa que os lusenses poderiam fazer à SAL em consequência do encerramento das Termas é contra-producente. Trata-se de cortar a árvore que dá sombra e que poderá sustentar o efeito de promoção turística que se pretende no futuro. A publicidade negativa não é, portanto, um meio que possa ser utilizado. Mas é verdade que alguma censura deve ser feita. A empresa começou as obras (que previsivelmente durarão seis meses) precisamente na única altura em que não o deveria ter feito, com prejuízo para os comerciantes do Luso mas também para a MCHG e para o futuro das Termas. A empresa faltou à verdade a um presidente da Câmara e a toda uma comunidade. E isso não pode deixar de merecer reprovação.
Editorial do Jornal da Mealhada de 22 de Julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
[813.]
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
[810.] Hoje...
A superficie lunar é pisada, pela primeira vez por um humano (escuteiro, claro está!)
quinta-feira, 16 de julho de 2009
[812.]
"Desiste de desistir"
O município de Mortágua foi palco, no sábado, 11 de Julho, de uma prova de Triatlo (canoagem, ciclismo e atletismo) com características muito especiais. Tratou-se de uma iniciativa da Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual — também conhecida como escola dos cães-guia. Este triatlo tinha como dificuldade acrescida o facto de as provas de canoagem e de atletismo serem realizadas por duplas sendo que a um dos elementos estava vedada a visão. Vedada por questões naturais, atletas cegos, ou imposta, por vendas nos olhos. Foi a forma encontrada — original, entenda-se — de, por um lado, possibilitar uma actividade desportiva, arrojada, adaptada a atletas invisuais em condições naturais e extraordinárias e, por outro lado, sensibilizar todas as outras pessoas não para as limitações da cegueira, mas para tudo o que um cego pode fazer e sentir, mesmo estando desprovido do sentido da visão.Tivemos a oportunidade de, neste âmbito, conversar com o atleta paralímpico Carlos Lopes, várias vezes medalha de ouro em provas de atletismo de resistência. Carlos Lopes foi o principal dinamizador de uma acção, da comissão nacional de jovens da ACAPO — Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal — que envolveu dezassete jovens cegos. Os jovens estiveram de 10 a 12 de Julho no Luso e em Mortágua para realizar várias actividades desportivas. No Luso, no Centro de Estágios e no Pavilhão, fizeram provas de Atletismo e de gobol, uma modalidade adaptada, em Mortágua participaram no referido triatlo e tiveram actividades radicais, de slide, rappel e escalada. O lema escolhido para esta actividade da ACAPO foi “Desiste de desistir!”. A ideia da comissão nacional de jovens da ACAPO era incentivar à experimentação. “Tenta porque serás capaz! Tenta porque vais ser surpreendido por ti próprio!”, este foi o apelo feito a dezassete jovens cegos que tiveram a primeira experiência com a prática desportiva neste fim-de-semana.Carlos Lopes, também ele invisual, dizia-nos que é importante fazer sentir aos jovens cegos que a cegueira é apenas uma contrariedade, não é uma limitação. Que há muitas coisas que não lhes estão vedadas, que há sonhos que podem continuar a perseguir e que podem potenciar os restantes sentidos. Fazer canoagem para um cego pode parecer impossível — para ele e para muitos de nós —, mas não é. E é importante que todos saibamos isso, mas, acima de tudo, é importante que as pessoas cegas, e os jovens de modo especial também o saibam e arrisquem. “Desistir de desistir” é, portanto, o primeiro passo a dar pelos jovens cegos. E por todos. É maravilhoso o trabalho da escola de cães-guia. Como é maravilhoso o facto de todos podermos ajudar a fazer coisas maravilhosas através dos trabalhadores e da acção esta associação. É muito encorajador ouvir a alegria e o optimismo de Carlos Lopes e dos jovens da ACAPO que, surpreendidos, receberam a prova de que tentando não há barreiras intransponíveis.“Desistir de desistir!” poderia ser, também, um bom mote para ilustrar uma outra iniciativa que começou nesse mesmo sábado, 11 de Julho, em São Pedro de Alva, a ExpoAlva. Uma mostra empresarial — promovida com o apoio da Câmara Municipal de Penacova, mas, ainda assim, organizada pela Junta de Freguesia de São Pedro de Alva. Dizemos isto porque tendo qualidade, arrojo, presença de muitos empresários e empresas tem o mérito acrescido de ser uma acção promovida por uma junta de freguesia. Engana-se quem, por ventura, pensar que é limitado o trabalho que pode ser desenvolvido pelas juntas de freguesia. Os autarcas de São Pedro de Alva provaram o contrário. Demonstraram que o tecido empresarial da região, que os empresários que corajosamente não baixaram os braços num dos momentos mais conturbados da histórica económica da modernidade, merecem elogio, merecem novas oportunidades de negócio e de apresentação dos seus produtos. Os empresários e os autarcas de São Pedro de Alva não desistiram e, por isso, merecem o nosso reconhecimento. Tomemos os seus exemplos e o de Carlos Lopes e não baixemos os braços. “Nos tempos de crise também há oportunidades!”, foi uma das frases de Luís Adelino, presidente da Junta de São Pedro de Alva, que merece registo.
Editorial do Jornal FRONTAL de 16 de Julho de 2009
O município de Mortágua foi palco, no sábado, 11 de Julho, de uma prova de Triatlo (canoagem, ciclismo e atletismo) com características muito especiais. Tratou-se de uma iniciativa da Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual — também conhecida como escola dos cães-guia. Este triatlo tinha como dificuldade acrescida o facto de as provas de canoagem e de atletismo serem realizadas por duplas sendo que a um dos elementos estava vedada a visão. Vedada por questões naturais, atletas cegos, ou imposta, por vendas nos olhos. Foi a forma encontrada — original, entenda-se — de, por um lado, possibilitar uma actividade desportiva, arrojada, adaptada a atletas invisuais em condições naturais e extraordinárias e, por outro lado, sensibilizar todas as outras pessoas não para as limitações da cegueira, mas para tudo o que um cego pode fazer e sentir, mesmo estando desprovido do sentido da visão.Tivemos a oportunidade de, neste âmbito, conversar com o atleta paralímpico Carlos Lopes, várias vezes medalha de ouro em provas de atletismo de resistência. Carlos Lopes foi o principal dinamizador de uma acção, da comissão nacional de jovens da ACAPO — Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal — que envolveu dezassete jovens cegos. Os jovens estiveram de 10 a 12 de Julho no Luso e em Mortágua para realizar várias actividades desportivas. No Luso, no Centro de Estágios e no Pavilhão, fizeram provas de Atletismo e de gobol, uma modalidade adaptada, em Mortágua participaram no referido triatlo e tiveram actividades radicais, de slide, rappel e escalada. O lema escolhido para esta actividade da ACAPO foi “Desiste de desistir!”. A ideia da comissão nacional de jovens da ACAPO era incentivar à experimentação. “Tenta porque serás capaz! Tenta porque vais ser surpreendido por ti próprio!”, este foi o apelo feito a dezassete jovens cegos que tiveram a primeira experiência com a prática desportiva neste fim-de-semana.Carlos Lopes, também ele invisual, dizia-nos que é importante fazer sentir aos jovens cegos que a cegueira é apenas uma contrariedade, não é uma limitação. Que há muitas coisas que não lhes estão vedadas, que há sonhos que podem continuar a perseguir e que podem potenciar os restantes sentidos. Fazer canoagem para um cego pode parecer impossível — para ele e para muitos de nós —, mas não é. E é importante que todos saibamos isso, mas, acima de tudo, é importante que as pessoas cegas, e os jovens de modo especial também o saibam e arrisquem. “Desistir de desistir” é, portanto, o primeiro passo a dar pelos jovens cegos. E por todos. É maravilhoso o trabalho da escola de cães-guia. Como é maravilhoso o facto de todos podermos ajudar a fazer coisas maravilhosas através dos trabalhadores e da acção esta associação. É muito encorajador ouvir a alegria e o optimismo de Carlos Lopes e dos jovens da ACAPO que, surpreendidos, receberam a prova de que tentando não há barreiras intransponíveis.“Desistir de desistir!” poderia ser, também, um bom mote para ilustrar uma outra iniciativa que começou nesse mesmo sábado, 11 de Julho, em São Pedro de Alva, a ExpoAlva. Uma mostra empresarial — promovida com o apoio da Câmara Municipal de Penacova, mas, ainda assim, organizada pela Junta de Freguesia de São Pedro de Alva. Dizemos isto porque tendo qualidade, arrojo, presença de muitos empresários e empresas tem o mérito acrescido de ser uma acção promovida por uma junta de freguesia. Engana-se quem, por ventura, pensar que é limitado o trabalho que pode ser desenvolvido pelas juntas de freguesia. Os autarcas de São Pedro de Alva provaram o contrário. Demonstraram que o tecido empresarial da região, que os empresários que corajosamente não baixaram os braços num dos momentos mais conturbados da histórica económica da modernidade, merecem elogio, merecem novas oportunidades de negócio e de apresentação dos seus produtos. Os empresários e os autarcas de São Pedro de Alva não desistiram e, por isso, merecem o nosso reconhecimento. Tomemos os seus exemplos e o de Carlos Lopes e não baixemos os braços. “Nos tempos de crise também há oportunidades!”, foi uma das frases de Luís Adelino, presidente da Junta de São Pedro de Alva, que merece registo.
Editorial do Jornal FRONTAL de 16 de Julho de 2009
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
[811.]
Dezoito anos de construção de futuros
A propósito do aniversário da Escola Profissional da Mealhada
“Estive aqui no inicio do meu mandato, há cerca de quatro anos, vi uma escola de excelência que me impressionou, e o seu exemplo esteve no meu pensamento no desenhar de muitas das boas medidas que desenhei desde aí!”.
Pode ser uma parcela de um discurso de circunstância. Pode ser, simplesmente, uma palavra, descomprometida, de simpatia. Mas esta frase é da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e foi proferida no sábado, dia 11 de Julho, na Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL), na Mealhada, perante uma assistência com algumas centenas de pessoas.
Não seria necessário recorrer às palavras da ministra da Educação – a mais contestada figura do actual Governo – para ilustrar a certeza, que temos, de que a Escola Profissional da Mealhada é, se não a maior, uma das maiores obras do concelho da Mealhada do século XX e princípios do século XXI (e não falamos somente de betão, mas de construção humana, social e moral, acima de tudo). Numa altura em que assinala o seu 18.º aniversário – completa-o neste mês de Julho – a EPVL é uma escola de referência nacional não somente no leque das escolas profissionais, mas em todas elas. É uma escola das mais arrojadas da Europa, com trabalho desenvolvido no campo do software livre, que dá cartas, tendo vindo, desde há vários anos, a partilhar saberes com escolas europeias por meio de parcerias que com elas constitui e, com base nesse tipo de cooperação, obterem financiamento europeu. É também uma escola que tem dado um apoio determinante no ensino profissional em África. Recebendo alunos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, estabelecendo parcerias com Angola e oferecendo ferramentas pedagógicas por si criadas ao Governo moçambicano, que, dentro de poucos meses, enviará para a Mealhada alunos e professores para receberam formação.
Em termos de sucesso na formação que ministra os dados são, também, factor de contentamento. Dos últimos ciclos de formação, apenas dois por cento dos alunos formados na EPVL estão desempregados, e 84 por cento estão a trabalhar na área em que obtiveram diploma na escola. Os restantes 14 por cento de alunos da escola dos últimos ciclos de formação prosseguiram os estudos e até há antigos alunos da escola que hoje são lá professores. A este propósito, não deixa de ser curioso o facto de a EPVL ter contribuído para o desmoronar do mito de que os alunos das escolas profissionais não conseguem entrar na Universidade e prosseguir lá, com sucesso, os seus estudos. As melhores notas da Escola Secundária da Mealhada nos exames nacionais de Matemática e de Economia de 2009, para ingresso no Ensino Superior, foram os de alunas provindas da EPVL.
A Escola Profissional da Mealhada é uma escola de referência. Por que será? Será pelo facto de ser uma escola privada? Será pelo facto de os docentes serem escolhidos pela direcção? Será porque a direcção é carismática, estável e pragmática? Será porque ministra um ensino técnico profissionalizante (de elevada qualidade)? Será porque há na escola uma cultura de trabalho, de esforço e de entreajuda? Será pela cultura de confiança e de auto-responsabilização que os docentes e directores propõem aos alunos? Será pelo facto de ter um corpo de alunos não muito numeroso e não massificado? Será porque, para alguns alunos, constitui uma tábua de salvação, uma derradeira oportunidade para a obtenção de condições que lhes possibilitem uma colocação satisfatória num posto de trabalho? Será porque é uma escola aberta à comunidade em geral, com uma boa relação com a comunicação social? Será pelo facto de ter instalações bem cuidadas e equipamento moderno? Será…?
Acreditamos que a EPVL é o que é por todas estas razões, entre outras que não descortinamos. É nossa convicção de que, se o sucesso daquela escola se deve, obviamente, ao trabalho de muitas pessoas, para isso muito tem contribuído, com o seu empenho, o seu dinamismo, o seu trabalho, a sua competência e a sua liderança mobilizadora, o director geral daquele estabelecimento de ensino, eng.º João Pega, o grande obreiro da grande construção humana que é a EPVL.
No ano em que se assinala o centenário da fundação do Colégio da Mealhada pelo Padre dr. António Antunes Breda, lembramos essa obra humana e a sua importância na luta pela instrução e literacia de várias gerações de jovens em toda a região centro de Portugal. É, para nós, evidente na EPVL o espírito do Colégio da Mealhada, uma espécie de legado, ou semente, que, devidamente aproveitado, está a produzir abundantes frutos. O director da EPVL foi aluno e professor do Colégio da Mealhada. Tinha-o sido também seu pai, o professor Armindo Pega. Se é com orgulho que se celebra este ano o centenário da fundação do Colégio da Mealhada e o início de uma longa e porfiada luta pela elevação do nível de instrução/formação da gente da zona em que se situava, deverá ser também com orgulho que se lembrem e festejem os dezoito anos do ensino técnico e profissional que a EPVL, com assinalável maestria, vem ministrando a pessoas da região centro de Portugal.
Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de Julho de 2009
A propósito do aniversário da Escola Profissional da Mealhada
“Estive aqui no inicio do meu mandato, há cerca de quatro anos, vi uma escola de excelência que me impressionou, e o seu exemplo esteve no meu pensamento no desenhar de muitas das boas medidas que desenhei desde aí!”.
Pode ser uma parcela de um discurso de circunstância. Pode ser, simplesmente, uma palavra, descomprometida, de simpatia. Mas esta frase é da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e foi proferida no sábado, dia 11 de Julho, na Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL), na Mealhada, perante uma assistência com algumas centenas de pessoas.
Não seria necessário recorrer às palavras da ministra da Educação – a mais contestada figura do actual Governo – para ilustrar a certeza, que temos, de que a Escola Profissional da Mealhada é, se não a maior, uma das maiores obras do concelho da Mealhada do século XX e princípios do século XXI (e não falamos somente de betão, mas de construção humana, social e moral, acima de tudo). Numa altura em que assinala o seu 18.º aniversário – completa-o neste mês de Julho – a EPVL é uma escola de referência nacional não somente no leque das escolas profissionais, mas em todas elas. É uma escola das mais arrojadas da Europa, com trabalho desenvolvido no campo do software livre, que dá cartas, tendo vindo, desde há vários anos, a partilhar saberes com escolas europeias por meio de parcerias que com elas constitui e, com base nesse tipo de cooperação, obterem financiamento europeu. É também uma escola que tem dado um apoio determinante no ensino profissional em África. Recebendo alunos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, estabelecendo parcerias com Angola e oferecendo ferramentas pedagógicas por si criadas ao Governo moçambicano, que, dentro de poucos meses, enviará para a Mealhada alunos e professores para receberam formação.
Em termos de sucesso na formação que ministra os dados são, também, factor de contentamento. Dos últimos ciclos de formação, apenas dois por cento dos alunos formados na EPVL estão desempregados, e 84 por cento estão a trabalhar na área em que obtiveram diploma na escola. Os restantes 14 por cento de alunos da escola dos últimos ciclos de formação prosseguiram os estudos e até há antigos alunos da escola que hoje são lá professores. A este propósito, não deixa de ser curioso o facto de a EPVL ter contribuído para o desmoronar do mito de que os alunos das escolas profissionais não conseguem entrar na Universidade e prosseguir lá, com sucesso, os seus estudos. As melhores notas da Escola Secundária da Mealhada nos exames nacionais de Matemática e de Economia de 2009, para ingresso no Ensino Superior, foram os de alunas provindas da EPVL.
A Escola Profissional da Mealhada é uma escola de referência. Por que será? Será pelo facto de ser uma escola privada? Será pelo facto de os docentes serem escolhidos pela direcção? Será porque a direcção é carismática, estável e pragmática? Será porque ministra um ensino técnico profissionalizante (de elevada qualidade)? Será porque há na escola uma cultura de trabalho, de esforço e de entreajuda? Será pela cultura de confiança e de auto-responsabilização que os docentes e directores propõem aos alunos? Será pelo facto de ter um corpo de alunos não muito numeroso e não massificado? Será porque, para alguns alunos, constitui uma tábua de salvação, uma derradeira oportunidade para a obtenção de condições que lhes possibilitem uma colocação satisfatória num posto de trabalho? Será porque é uma escola aberta à comunidade em geral, com uma boa relação com a comunicação social? Será pelo facto de ter instalações bem cuidadas e equipamento moderno? Será…?
Acreditamos que a EPVL é o que é por todas estas razões, entre outras que não descortinamos. É nossa convicção de que, se o sucesso daquela escola se deve, obviamente, ao trabalho de muitas pessoas, para isso muito tem contribuído, com o seu empenho, o seu dinamismo, o seu trabalho, a sua competência e a sua liderança mobilizadora, o director geral daquele estabelecimento de ensino, eng.º João Pega, o grande obreiro da grande construção humana que é a EPVL.
No ano em que se assinala o centenário da fundação do Colégio da Mealhada pelo Padre dr. António Antunes Breda, lembramos essa obra humana e a sua importância na luta pela instrução e literacia de várias gerações de jovens em toda a região centro de Portugal. É, para nós, evidente na EPVL o espírito do Colégio da Mealhada, uma espécie de legado, ou semente, que, devidamente aproveitado, está a produzir abundantes frutos. O director da EPVL foi aluno e professor do Colégio da Mealhada. Tinha-o sido também seu pai, o professor Armindo Pega. Se é com orgulho que se celebra este ano o centenário da fundação do Colégio da Mealhada e o início de uma longa e porfiada luta pela elevação do nível de instrução/formação da gente da zona em que se situava, deverá ser também com orgulho que se lembrem e festejem os dezoito anos do ensino técnico e profissional que a EPVL, com assinalável maestria, vem ministrando a pessoas da região centro de Portugal.
Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de Julho de 2009
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Mercurii dies
quarta-feira, 8 de julho de 2009
[808.] Intendência
Caríssimos,Como tem sido fácil de reparar, não tem sido possível manter actualizado O Fio dos Dias. Não há tempo para publicar e não há tempo para produzir alguma coisa que valha a pena ser aqui publicada.
Peço desculpa, portanto, pelo desinteresse que este blogue pode constituir neste momento.
Aos amigos que gostam de acompanhar os meus bitaites informo que passei a estar mais disponível e activo para uma experiência similiar, de micro-blogging, no Twitter.
No twitter, a minha morada é www.twitter.com/ncastelacanilho aí poderei ser seguido por quem tenha conta twitter, mas, também, por qualquer pessoa que aceda a esta morada.
Abraços!

Pedido
Seria que a pessoa que me deixou um comentário recente,
com a
assinatura ACS,
me poderia enviar mail para
para,
mesmo mantendo o sigilo e o anonimato
podermos conversar e esclarecer algumas questões?
[806.] Mercurii dies
Leitão da Bairrada
O elogio que veio da América
A uma semana da II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada — que se realizará a 10 de Julho, sexta-feira, no cineteatro Messias —, um dos mais conceituados jornais económicos americanos, o nova-iorquino Wall Street Journal, dedica duas páginas da sua edição de 3 de Julho ao leitão da Bairrada.
O texto, apologético da iguaria e da Mealhada, como berço e espaço privilegiado do leitão assado à Bairrada, é um forte contributo para a promoção internacional da gastronomia e do turismo do concelho da Mealhada e, acima de tudo, para a auto-estima da comunidade mealhadense e dos empresários ligados à restauração. Atesta, ainda, no nosso entender, o produto leitão assado à Bairrada como um prato tradicional geograficamente localizado, e isso pode constituir um contributo importante para a defesa da marca.
Apesar de ter falado com empresários de fora do concelho da Mealhada, o jornalista Paul Ames, autor do texto do Wall Street Journal, centraliza, por completo, a marca Leitão da Bairrada no município mealhadense. E o conteúdo do texto é convidativo. Pena que não tenha descoberto todas as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada e não se tenha debruçado sobre os outros três produtos dessa marca, os quais acabam por constituir um conjunto harmonioso com o leitão. Por muito que haja a intenção de dizer o contrário, o leitão da Bairrada está de tal modo associado à Mealhada que para qualquer pessoa, a ligação entre leitão e Mealhada é natural e automática.
Tal facto não pode, no entanto, fazer desvanecer a vontade de querer fazer sempre mais e melhor e de prosseguir no sentido de, cada vez mais, promover a qualidade do leitão da Bairrada, da produção gastronómica e vinícola do concelho da Mealhada, dos restaurantes e das empresas do sector localizados no município e da marca turística 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada.
Na II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada, organizada pela Câmara Municipal da Mealhada, serão apresentados, publicamente, os estabelecimentos e empresas que em melhores condições se encontram para garantir um serviço de excelência às pessoas que se dirigem ao município da Mealhada para deleite turístico e gastronómico. Esperemos que todos os vinte e sete estabelecimentos reconhecidos no ano passado renovem a sua presença na lista de luxo e que a estes se somem mais alguns. Esta gala acontece, também, no momento em que se assinala o segundo aniversário do lançamento da marca. Trata-se de uma boa altura para receber o reconhecimento internacional que a própria Câmara Municipal da Mealhada, com a criação da marca, quer promover junto dos consumidores, fazer um balanço e procurar criar garantias políticas de que, independentemente do partido que constituir a maioria política da Câmara Municipal da Mealhada, este projecto vai continuar.
O reconhecimento estrangeiro do Wall Street Journal — que nos parece fundamentado, característica que não tem podido ser detectada noutros textos (nacionais) referentes a este tema — contrasta com o tratamento dado ao leitão da Bairrada na estratégia de promoção da região Turismo Centro de Portugal.
No final de um ano de existência, a Turismo Centro de Portugal mostra ser um organismo mais político do que operacional e são várias as razões que, no nosso entender, justificam a afirmação. Se o município de Coimbra, por exemplo, decidiu não integrar essa estrutura, não se compreende que esta aja como se a deliberação tivesse sido a oposta. Para além desta atitude, acresce ainda que a promoção do Luso surge agregada à marca Coimbra, e da Curia, por outro lado, agrega-se à marca Ria de Aveiro. Na brochura lançada pela Turismo Centro de Portugal, na passada semana, não há uma palavra sobre as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada. Na lista de produtos gastronómicos que publicou, não consta o pão da Mealhada nem sequer o leitão da Bairrada, apesar de a ilustração e a introdução a ele fazerem referência — vá lá alguém perceber isso! Quem ler a brochura vai andar à procura, na Mealhada, de um restaurante que lhe sirva o prato típico local, a carne marinhoa, é este o prato referenciado com sendo típico dos concelhos de Mealhada, Mira e Cantanhede — veja-se bem isto! Não garantimos que encontre essa carne marinhoa, mas, garantidamente, podemos afirmar que qualquer pessoa, uma vez na Mealhada, perceberá que chegou à capital do leitão da Bairrada, “ao inferno dos vegetarianos”, como afirma o Wall Street Journal.
Editorial do Jornal da Mealhada de 8 de Julho de 2009
O elogio que veio da América
A uma semana da II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada — que se realizará a 10 de Julho, sexta-feira, no cineteatro Messias —, um dos mais conceituados jornais económicos americanos, o nova-iorquino Wall Street Journal, dedica duas páginas da sua edição de 3 de Julho ao leitão da Bairrada.
O texto, apologético da iguaria e da Mealhada, como berço e espaço privilegiado do leitão assado à Bairrada, é um forte contributo para a promoção internacional da gastronomia e do turismo do concelho da Mealhada e, acima de tudo, para a auto-estima da comunidade mealhadense e dos empresários ligados à restauração. Atesta, ainda, no nosso entender, o produto leitão assado à Bairrada como um prato tradicional geograficamente localizado, e isso pode constituir um contributo importante para a defesa da marca.
Apesar de ter falado com empresários de fora do concelho da Mealhada, o jornalista Paul Ames, autor do texto do Wall Street Journal, centraliza, por completo, a marca Leitão da Bairrada no município mealhadense. E o conteúdo do texto é convidativo. Pena que não tenha descoberto todas as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada e não se tenha debruçado sobre os outros três produtos dessa marca, os quais acabam por constituir um conjunto harmonioso com o leitão. Por muito que haja a intenção de dizer o contrário, o leitão da Bairrada está de tal modo associado à Mealhada que para qualquer pessoa, a ligação entre leitão e Mealhada é natural e automática.
Tal facto não pode, no entanto, fazer desvanecer a vontade de querer fazer sempre mais e melhor e de prosseguir no sentido de, cada vez mais, promover a qualidade do leitão da Bairrada, da produção gastronómica e vinícola do concelho da Mealhada, dos restaurantes e das empresas do sector localizados no município e da marca turística 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada.
Na II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada, organizada pela Câmara Municipal da Mealhada, serão apresentados, publicamente, os estabelecimentos e empresas que em melhores condições se encontram para garantir um serviço de excelência às pessoas que se dirigem ao município da Mealhada para deleite turístico e gastronómico. Esperemos que todos os vinte e sete estabelecimentos reconhecidos no ano passado renovem a sua presença na lista de luxo e que a estes se somem mais alguns. Esta gala acontece, também, no momento em que se assinala o segundo aniversário do lançamento da marca. Trata-se de uma boa altura para receber o reconhecimento internacional que a própria Câmara Municipal da Mealhada, com a criação da marca, quer promover junto dos consumidores, fazer um balanço e procurar criar garantias políticas de que, independentemente do partido que constituir a maioria política da Câmara Municipal da Mealhada, este projecto vai continuar.
O reconhecimento estrangeiro do Wall Street Journal — que nos parece fundamentado, característica que não tem podido ser detectada noutros textos (nacionais) referentes a este tema — contrasta com o tratamento dado ao leitão da Bairrada na estratégia de promoção da região Turismo Centro de Portugal.
No final de um ano de existência, a Turismo Centro de Portugal mostra ser um organismo mais político do que operacional e são várias as razões que, no nosso entender, justificam a afirmação. Se o município de Coimbra, por exemplo, decidiu não integrar essa estrutura, não se compreende que esta aja como se a deliberação tivesse sido a oposta. Para além desta atitude, acresce ainda que a promoção do Luso surge agregada à marca Coimbra, e da Curia, por outro lado, agrega-se à marca Ria de Aveiro. Na brochura lançada pela Turismo Centro de Portugal, na passada semana, não há uma palavra sobre as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada. Na lista de produtos gastronómicos que publicou, não consta o pão da Mealhada nem sequer o leitão da Bairrada, apesar de a ilustração e a introdução a ele fazerem referência — vá lá alguém perceber isso! Quem ler a brochura vai andar à procura, na Mealhada, de um restaurante que lhe sirva o prato típico local, a carne marinhoa, é este o prato referenciado com sendo típico dos concelhos de Mealhada, Mira e Cantanhede — veja-se bem isto! Não garantimos que encontre essa carne marinhoa, mas, garantidamente, podemos afirmar que qualquer pessoa, uma vez na Mealhada, perceberá que chegou à capital do leitão da Bairrada, “ao inferno dos vegetarianos”, como afirma o Wall Street Journal.
Editorial do Jornal da Mealhada de 8 de Julho de 2009
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
[805.] Mercurii dies
Condomínio da Terra
Porque se a casa é só uma, todos temos de a partilhar
Será levado a efeito no próximo fim-de-semana, 4 e 5 de Julho, em Gaia, um fórum internacional que visa, através de cinco plenários com especialistas de várias nacionalidades e de debates económicos, jurídicos, científicos e filosóficos. Trata-se, no fim de contas, de debater a necessidade da tomada de posições colectivas dos cidadãos e dos Governos face aos problemas que se perspectivam por causa da deterioração das condições de vida do planeta Terra. O fórum do Condomínio da Terra — uma iniciativa da associação ambientalista portuguesa Quercus que, entretanto, ganhou dimensão universal — terá como base um documento intitulado Declaração de Gaia e culminará com a elaboração de uma estratégia a que será dado o nome de Compromisso de Gaia. Ajustar a vida da espécie humana, e de todos os ecossistemas, à sustentabilidade do planeta, num momento em que este apresenta sintomas claros de deterioração rápida e com consequências imprevisíveis, é uma responsabilidade das gerações que actualmente habitam na Terra. “Este será, talvez, o maior desafio que se colocou até hoje à humanidade”, garantem os promotores da iniciativa Condomínio da Terra. “Temos de adaptar o nosso modo de vida e organização ao funcionamento natural da vida na Terra”, propõem os promotores da referida iniciativa. A escolha da cidade de Gaia parece-nos feliz. Gaia é, na mitologia grega, a deusa da Terra. Ao mesmo tempo que nos parece, também, feliz o emprego da metáfora que dá o nome à iniciativa. Um condomínio é, num sistema de propriedade horizontal, a melhor forma encontrada para gerir os espaços comuns e o interesse colectivo. Se todos somos vizinhos neste planeta, se todos dependemos de todos e uma vez que os problemas globais não se resolvem de forma isolada, só nos resta uma organização em condomínio para gestão dos espaços comuns.A atmosfera, a hidrosfera e a biodiversidade são partes comuns do planeta. Não só porque ultrapassam todas as fronteiras e os ‘serviços’ que prestam não podem ser divididos, mas também porque todos dependemos delas para viver e todos as podemos afectar de forma positiva ou negativa.As propostas da Declaração de Gaia apresentam o conceito de Soberania Complexa — “coexistência de soberanias autónomas num espaço colectivo, ou seja, um poder político, supremo e independente, relativo à fracção territorial de cada Estado, e partilhado, no que concerne às partes insusceptíveis de divisão jurídica, (atmosfera, hidrosfera e biodiversidade) das quais todos os povos são funcionalmente dependentes”.Outro dos conceitos apresentados à discussão no fórum internacional do próximo fim-de-semana é Economia de Simbiose — uma articulação daquilo a que se poderia designar por “economia da manutenção dos sistemas vitais” com a tradicional economia de produção. A ideia seria a de aproveitar a valorização económica que se faz da bens ecológicos vitais aplicada a todas as partes comuns do planeta (a Economia de Simbiose), através da referida Soberania Complexa. Ou seja, tornando possível a gestão global (politica e económica) dos bens indivisíveis do planeta.Estes conceitos sustentam-se numa distinção clara entre soberania — autoridade para dispor — e propriedade sobre os ecossistemas da Terra. Para melhor compreensão poderíamos dizer que o Brasil tem soberania sobre a Amazónia, mas não é proprietário desta. A destruição da Amazónia, mesmo que parcial, traz efeitos imediatos e sérios a todo o planeta. A Amazónia é uma “parte comum” do planeta, logo deve ser gerida de forma comum. Demos como exemplo a Amazónia, mas poderíamos falar da Gronelândia ou dos glaciares que estão a derreter-se.“Se o valor destes bens vitais é de alguma forma incalculável, precisamente porque são vitais, resta-nos a certeza de que os ecossistemas prestam um serviço cujo valor económico deveria ser muito superior aos lucros gerados pela exploração tradicional dos seus recursos”, garantem os promotores do Condomínio da Terra, que concluem: “As árvores deveriam valer mais vivas do que o valor da sua madeira!”Os documentos a que se fez referência encontram-se disponíveis em http://www.earth-condominium.com/pt/
Tivemos conhecimento, pelo vereador da Câmara Municipal da Mealhada Gonçalo Breda Marques, de que o executivo decidiu, na passada quinta-feira, subscrever os princípios da Carta de Aalborg, que inclui os princípios fundamentais da promoção de uma economia e gestão política sustentáveis, que tem execução prática ao nível local no modelo da Agenda 21 Local. Há cerca de dois anos, a vice-presidente da Câmara, Filomena Pinheiro, garantiu estarem a ser desenvolvidos os mecanismos para o desenvolvimento de uma Agenda 21 Local comum aos municípios do Baixo Vouga — rede entretanto substituída — e asseverou que a implementação das disciplinas de Educação Ambiental e de Cidadania, no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular para o primeiro ciclo do Ensino Básico, estava a ser já pensada segundo os princípios de Aalborg e como iniciativa a integrar um esquema de desenvolvimento baseado na metodologia da Agenda 21 Local. Manda-nos a coerência elogiar a iniciativa e a decisão municipal de, com ou sem rede de municípios, subscrever a Carta de Aalborg, e, posteriormente, implementar a Agenda 21 Local. Esperamos, também, que o executivo e, nomeadamente, Filomena Pinheiro, não esqueça as boas intenções enunciadas há dois anos e as possa concretizar agora. Procurámos fazer com que o desenvolvimento sustentável fizesse parte dos temas a debater na campanha eleitoral autárquica de 2005. Não o conseguimos, mas não desistiremos em 2009.
Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Julho e do FRONTAL de 2 de Julho
Porque se a casa é só uma, todos temos de a partilhar
Será levado a efeito no próximo fim-de-semana, 4 e 5 de Julho, em Gaia, um fórum internacional que visa, através de cinco plenários com especialistas de várias nacionalidades e de debates económicos, jurídicos, científicos e filosóficos. Trata-se, no fim de contas, de debater a necessidade da tomada de posições colectivas dos cidadãos e dos Governos face aos problemas que se perspectivam por causa da deterioração das condições de vida do planeta Terra. O fórum do Condomínio da Terra — uma iniciativa da associação ambientalista portuguesa Quercus que, entretanto, ganhou dimensão universal — terá como base um documento intitulado Declaração de Gaia e culminará com a elaboração de uma estratégia a que será dado o nome de Compromisso de Gaia. Ajustar a vida da espécie humana, e de todos os ecossistemas, à sustentabilidade do planeta, num momento em que este apresenta sintomas claros de deterioração rápida e com consequências imprevisíveis, é uma responsabilidade das gerações que actualmente habitam na Terra. “Este será, talvez, o maior desafio que se colocou até hoje à humanidade”, garantem os promotores da iniciativa Condomínio da Terra. “Temos de adaptar o nosso modo de vida e organização ao funcionamento natural da vida na Terra”, propõem os promotores da referida iniciativa. A escolha da cidade de Gaia parece-nos feliz. Gaia é, na mitologia grega, a deusa da Terra. Ao mesmo tempo que nos parece, também, feliz o emprego da metáfora que dá o nome à iniciativa. Um condomínio é, num sistema de propriedade horizontal, a melhor forma encontrada para gerir os espaços comuns e o interesse colectivo. Se todos somos vizinhos neste planeta, se todos dependemos de todos e uma vez que os problemas globais não se resolvem de forma isolada, só nos resta uma organização em condomínio para gestão dos espaços comuns.A atmosfera, a hidrosfera e a biodiversidade são partes comuns do planeta. Não só porque ultrapassam todas as fronteiras e os ‘serviços’ que prestam não podem ser divididos, mas também porque todos dependemos delas para viver e todos as podemos afectar de forma positiva ou negativa.As propostas da Declaração de Gaia apresentam o conceito de Soberania Complexa — “coexistência de soberanias autónomas num espaço colectivo, ou seja, um poder político, supremo e independente, relativo à fracção territorial de cada Estado, e partilhado, no que concerne às partes insusceptíveis de divisão jurídica, (atmosfera, hidrosfera e biodiversidade) das quais todos os povos são funcionalmente dependentes”.Outro dos conceitos apresentados à discussão no fórum internacional do próximo fim-de-semana é Economia de Simbiose — uma articulação daquilo a que se poderia designar por “economia da manutenção dos sistemas vitais” com a tradicional economia de produção. A ideia seria a de aproveitar a valorização económica que se faz da bens ecológicos vitais aplicada a todas as partes comuns do planeta (a Economia de Simbiose), através da referida Soberania Complexa. Ou seja, tornando possível a gestão global (politica e económica) dos bens indivisíveis do planeta.Estes conceitos sustentam-se numa distinção clara entre soberania — autoridade para dispor — e propriedade sobre os ecossistemas da Terra. Para melhor compreensão poderíamos dizer que o Brasil tem soberania sobre a Amazónia, mas não é proprietário desta. A destruição da Amazónia, mesmo que parcial, traz efeitos imediatos e sérios a todo o planeta. A Amazónia é uma “parte comum” do planeta, logo deve ser gerida de forma comum. Demos como exemplo a Amazónia, mas poderíamos falar da Gronelândia ou dos glaciares que estão a derreter-se.“Se o valor destes bens vitais é de alguma forma incalculável, precisamente porque são vitais, resta-nos a certeza de que os ecossistemas prestam um serviço cujo valor económico deveria ser muito superior aos lucros gerados pela exploração tradicional dos seus recursos”, garantem os promotores do Condomínio da Terra, que concluem: “As árvores deveriam valer mais vivas do que o valor da sua madeira!”Os documentos a que se fez referência encontram-se disponíveis em http://www.earth-condominium.com/pt/
Tivemos conhecimento, pelo vereador da Câmara Municipal da Mealhada Gonçalo Breda Marques, de que o executivo decidiu, na passada quinta-feira, subscrever os princípios da Carta de Aalborg, que inclui os princípios fundamentais da promoção de uma economia e gestão política sustentáveis, que tem execução prática ao nível local no modelo da Agenda 21 Local. Há cerca de dois anos, a vice-presidente da Câmara, Filomena Pinheiro, garantiu estarem a ser desenvolvidos os mecanismos para o desenvolvimento de uma Agenda 21 Local comum aos municípios do Baixo Vouga — rede entretanto substituída — e asseverou que a implementação das disciplinas de Educação Ambiental e de Cidadania, no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular para o primeiro ciclo do Ensino Básico, estava a ser já pensada segundo os princípios de Aalborg e como iniciativa a integrar um esquema de desenvolvimento baseado na metodologia da Agenda 21 Local. Manda-nos a coerência elogiar a iniciativa e a decisão municipal de, com ou sem rede de municípios, subscrever a Carta de Aalborg, e, posteriormente, implementar a Agenda 21 Local. Esperamos, também, que o executivo e, nomeadamente, Filomena Pinheiro, não esqueça as boas intenções enunciadas há dois anos e as possa concretizar agora. Procurámos fazer com que o desenvolvimento sustentável fizesse parte dos temas a debater na campanha eleitoral autárquica de 2005. Não o conseguimos, mas não desistiremos em 2009.
Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Julho e do FRONTAL de 2 de Julho
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
[804.] Mercurii dies
A judicialização da Política na Mealhada
O mandato autárquico que finda no próximo Outono foi pródigo em transformações interessantes no exercício das responsabilidades políticas municipais. Transformações que são gerais, comuns a quase todos os municípios, e transformações específicas do concelho da Mealhada.
A tomada de posse dos autarcas dos órgãos municipais — Câmara e Assembleia Municipal —, em Outubro de 2005, deu início a um período de grande conturbação política na Mealhada. A ‘Guerra do Papel Timbrado’, os gabinetes para a oposição e a tenda para atender os munícipes, as reuniões de Câmara abertas e as fechadas foram episódios que marcaram de forma muito vincada a primeira metade do mandato da Câmara da Mealhada. Foi um período de grande crispação verbal, de muita tensão entre as pessoas, de algum aproveitamento da comunicação social para a prossecução de uma estratégia política de desgaste de Cabral e da sua equipa. A estratégia resultou e alastrou-se a outros sectores da sociedade civil obrigando o presidente da Câmara a travar novos combates.
Nesta primeira fase, na Mealhada, verificou-se um esvaziamento quase completo da Assembleia Municipal enquanto espaço privilegiado para a dialéctica política, para a acção da oposição. Esta é, no entanto, uma das transformações gerais, comuns a muitos municípios, a que aludimos. A especificidade mealhadense acabou por ser o facto de as principais manifestações da oposição, a acção de confronto dialéctico, de debate, se terem transferido para a Câmara Municipal, que deixou de ter a aparência de um órgão executivo pragmático para a gestão do quotidiano para passar a apresentar-se com características parlamentaristas de debate de ideias mais gerais.
Nos meados do mandato deu-se início a uma nova tendência. A decisão final do debate político foi transferida para os tribunais. O primeiro caso de que temos memória foi a queixa dos vereadores do PSD a propósito da avaliação do imóvel da MEAGRI com a intervenção do vereador António Jorge. Apesar de não ser por nós conhecido o resultado desta queixa, outras queixas judiciais se lhe seguiram. E, nos últimos meses, a situação intensificou-se sobremaneira. Foi o caso do ‘Relatório Calhoa’, que deu origem a várias queixas, foi a queixa de Cabral sobre as declarações de Carvalheira, alegadamente proferidas num plenário do PSD, foi, agora, o caso dos inertes de Mala, levantado por Carlos Marques, e do pavimento da pista no Parque Urbano da Cidade, apresentado por Carvalheira.
São casos, pelo menos estes últimos, que passaram quase directamente da Câmara para os jornais e destes para os tribunais. Na reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira — no auge dos acontecimentos do debate sobre o pavimento do Parque Urbano da Cidade, por exemplo — nem uma palavra se ouviu acerca do assunto, nem de qualquer um dos que, ultimamente, têm suscitado mais controvérsia política.
Não nos cabe ajuizar sobre as vantagens e desvantagens desta transferência da dialéctica democrática do poder local para os tribunais. Nem sequer qualificar este recurso — os poderes estão divididos para que possam cumprir funções distintas. Cabe-nos sublinhar este facto e procurar reflectir sobre ele. Uma reflexão — com os partidos, os autarcas, os académicos, com os legisladores (?) e com os eleitores — que seria um óptimo ponto de partida para o debate que se deseja esclarecedor na campanha eleitoral autárquica que se aproxima.
Estará o sistema político autárquico tão desgastado que já não permite a resolução dos conflitos que gera, naturalmente? Estar-se-á a transferir a confiança do povo, manifestada através do voto democrático, directamente dos políticos para os tribunais?
Para nós, no entanto, há uma ideia que nos parece pertinente: o actual sistema de distribuição de competências e atribuições entre a Câmara e a Assembleia Municipal está ultrapassado. O que nos obriga a sublinhar o facto de, há pelo menos seis anos, se ter mostrado como sendo necessária uma alteração profunda na legislação que regula o funcionamento dos órgãos do poder local. Uma alteração que se entende dever passar pela forma de eleição da Câmara Municipal, pela periodicidade das suas reuniões e pelas competências da Assembleia Municipal, por exemplo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 24 de Junho 2009
O mandato autárquico que finda no próximo Outono foi pródigo em transformações interessantes no exercício das responsabilidades políticas municipais. Transformações que são gerais, comuns a quase todos os municípios, e transformações específicas do concelho da Mealhada.
A tomada de posse dos autarcas dos órgãos municipais — Câmara e Assembleia Municipal —, em Outubro de 2005, deu início a um período de grande conturbação política na Mealhada. A ‘Guerra do Papel Timbrado’, os gabinetes para a oposição e a tenda para atender os munícipes, as reuniões de Câmara abertas e as fechadas foram episódios que marcaram de forma muito vincada a primeira metade do mandato da Câmara da Mealhada. Foi um período de grande crispação verbal, de muita tensão entre as pessoas, de algum aproveitamento da comunicação social para a prossecução de uma estratégia política de desgaste de Cabral e da sua equipa. A estratégia resultou e alastrou-se a outros sectores da sociedade civil obrigando o presidente da Câmara a travar novos combates.
Nesta primeira fase, na Mealhada, verificou-se um esvaziamento quase completo da Assembleia Municipal enquanto espaço privilegiado para a dialéctica política, para a acção da oposição. Esta é, no entanto, uma das transformações gerais, comuns a muitos municípios, a que aludimos. A especificidade mealhadense acabou por ser o facto de as principais manifestações da oposição, a acção de confronto dialéctico, de debate, se terem transferido para a Câmara Municipal, que deixou de ter a aparência de um órgão executivo pragmático para a gestão do quotidiano para passar a apresentar-se com características parlamentaristas de debate de ideias mais gerais.
Nos meados do mandato deu-se início a uma nova tendência. A decisão final do debate político foi transferida para os tribunais. O primeiro caso de que temos memória foi a queixa dos vereadores do PSD a propósito da avaliação do imóvel da MEAGRI com a intervenção do vereador António Jorge. Apesar de não ser por nós conhecido o resultado desta queixa, outras queixas judiciais se lhe seguiram. E, nos últimos meses, a situação intensificou-se sobremaneira. Foi o caso do ‘Relatório Calhoa’, que deu origem a várias queixas, foi a queixa de Cabral sobre as declarações de Carvalheira, alegadamente proferidas num plenário do PSD, foi, agora, o caso dos inertes de Mala, levantado por Carlos Marques, e do pavimento da pista no Parque Urbano da Cidade, apresentado por Carvalheira.
São casos, pelo menos estes últimos, que passaram quase directamente da Câmara para os jornais e destes para os tribunais. Na reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira — no auge dos acontecimentos do debate sobre o pavimento do Parque Urbano da Cidade, por exemplo — nem uma palavra se ouviu acerca do assunto, nem de qualquer um dos que, ultimamente, têm suscitado mais controvérsia política.
Não nos cabe ajuizar sobre as vantagens e desvantagens desta transferência da dialéctica democrática do poder local para os tribunais. Nem sequer qualificar este recurso — os poderes estão divididos para que possam cumprir funções distintas. Cabe-nos sublinhar este facto e procurar reflectir sobre ele. Uma reflexão — com os partidos, os autarcas, os académicos, com os legisladores (?) e com os eleitores — que seria um óptimo ponto de partida para o debate que se deseja esclarecedor na campanha eleitoral autárquica que se aproxima.
Estará o sistema político autárquico tão desgastado que já não permite a resolução dos conflitos que gera, naturalmente? Estar-se-á a transferir a confiança do povo, manifestada através do voto democrático, directamente dos políticos para os tribunais?
Para nós, no entanto, há uma ideia que nos parece pertinente: o actual sistema de distribuição de competências e atribuições entre a Câmara e a Assembleia Municipal está ultrapassado. O que nos obriga a sublinhar o facto de, há pelo menos seis anos, se ter mostrado como sendo necessária uma alteração profunda na legislação que regula o funcionamento dos órgãos do poder local. Uma alteração que se entende dever passar pela forma de eleição da Câmara Municipal, pela periodicidade das suas reuniões e pelas competências da Assembleia Municipal, por exemplo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 24 de Junho 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Mercurii dies
O valor do dinheiro (em tempos de crise)
A notícia da transferência de clube do futebolista Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, por 94 milhões de euros, não passou indiferente nem aos portugueses… nem ao resto do mundo. Trata-se de um valor muito alto — a mais dispendiosa transferência da história do futebol — que, especialmente numa época em que se fala de crise internacional — financeira, económica e social —, choca e até revolta as pessoas. A revolta pode ficar a dever-se ao facto de se tratar de futebol e não de uma outra qualquer área social. O futebol será um complemento à vida das pessoas, uma forma de diversão, logo uma actividade subsidiária que não mereceria o dispêndio de um volume de capitais com esta dimensão. Acreditamos ser essa a principal causa de reprovação do cidadão comum. Ninguém estranha, sequer, que um clube pague a outro a transferência da propriedade de um jogador, numa espécie de rota tradicional de mercantilismo como se o produto não passasse disso mesmo, um mero produto transaccionável.
Mas se há algum dirigente de um clube que está disposto a pagar 94 milhões de euros pela transferência do jogador, é porque a presença do jogador na equipa desse clube vale esse dinheiro. A história da Economia mostra que o valor dos produtos se situa, tendencialmente, no valor (e no sacrifício) que as pessoas estão dispostas a dar para o ter. Se o presidente do Real Madrid — Florentino Perez — considera que é rentável pagar o equivalente ao peso em ouro de 54 Cristianos, e se o Manchester o entrega por esse valor e por nenhum valor mais baixo, então está encontrado o ponto de equilíbrio e o preço justo.
Pelos dados que nos têm sido dados pela comunicação social, é possível que Florentino Perez não tenha enlouquecido. A transferência de Ronaldo custou 94 milhões de euros, e o contrato do jogador é de 6 anos, mas só a venda de produtos com a sua marca — como as camisolas do Real Madrid com o seu nome, entre outros produtos — irá render 90 milhões de euros por ano. Ou seja, mesmo que não consideremos as contas os salários do jogador e outros gastos e todos os outros valores que virão a ser adicionados como receitas com ele relacionadas, continuava a ser um investimento rentável. É, portanto, um gasto que gera dinheiro. O Manchester United recebe pela transferência de Cristiano — um jogador — um valor idêntico ao de todas as receitas angariadas na liga inglesa na última época desportiva — com jogos semanais de uma equipa de onze jogadores. Logo, também não terá feito uma má venda.
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, garantiu que esta transferência dá sinais de que o mercado do futebol está de boa saúde. E parece-nos que tem razão. Ao menos que algum mercado tenha boa saúde nesta época de crise internacional. Crise que nunca será debelada se, pura e simplesmente, restringirmos o consumo. Bem sabemos que o Manchester United não irá distribuir os euros recebidos do Real Madrid pelas pequenas e médias empresas de Inglaterra — quando muito pagará impostos sobre essa receita —, mas se o dinheiro se desloca é bom para todos porque é bom para a economia global.
Quando o Presidente da República Portuguesa, há poucos dias, apelava aos partidos políticos para serem comedidos nos gastos da campanha eleitoral não percebemos o que queria dizer, confessamo-lo com humildade. Se os partidos dispõem de dinheiro em quantidade não o devem gastar porquê? O Estado só vai dar-lhes o equivalente ao número de votos que obterão, ou seja, o gasto do Estado não está directamente relacionado com o gasto dos partidos na campanha. Cada eleitor fará a sua apreciação dos gastos supérfluos dos partidos mas poderá considerar-se um acto de cidadania a despesa feita por eles em campanha eleitoral. As gráficas que fazem os panfletos, os comerciantes de sacos plásticos e de outros brindes, as empresas de som… e tantas outras micro, pequenas e médias empresas, bem como as pessoas que são remuneradas para colar os cartazes, por exemplo, ganham directamente com a campanha eleitoral. Serão, em todo o território nacional, directamente beneficiadas com a campanha eleitoral.
As pessoas, nos dias de hoje, devem preparar-se para tempos difíceis, devem consumir com responsabilidade, devem ter mecanismo de poupança e de investimento seguro. Mas não podem restringir o consumo. O incentivo fundamental para o ultrapassar da crise económica — é já ideia comummente aceite pelos especialistas — passa pelo apoio directo e imediato às micro, pequenas e médias empresas. E esse apoio, da parte das pessoas — não nos arriscaríamos a dizer o que devia o Governo fazer neste domínio — faz-se pelo consumo, pelo comprar de alguns produtos nas mercearias, no comércio de proximidade, no voltar a utilizar o serviço dos sapateiros e das costureiras para arranjarem o que ainda pode ser reutilizável, por exemplo.
O valor do dinheiro, mesmo em tempo de crise, é sempre difícil de definir. Não há tabela para o que é muito nem para o que é pouco. Mas a valia do dinheiro passa pela circulação, passa pelo resultado dessa circulação. O dinheiro de pouco valerá se ficar estagnado no colchão, de quem tem muito ou, também, de quem tem pouco...
Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Junho
A notícia da transferência de clube do futebolista Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, por 94 milhões de euros, não passou indiferente nem aos portugueses… nem ao resto do mundo. Trata-se de um valor muito alto — a mais dispendiosa transferência da história do futebol — que, especialmente numa época em que se fala de crise internacional — financeira, económica e social —, choca e até revolta as pessoas. A revolta pode ficar a dever-se ao facto de se tratar de futebol e não de uma outra qualquer área social. O futebol será um complemento à vida das pessoas, uma forma de diversão, logo uma actividade subsidiária que não mereceria o dispêndio de um volume de capitais com esta dimensão. Acreditamos ser essa a principal causa de reprovação do cidadão comum. Ninguém estranha, sequer, que um clube pague a outro a transferência da propriedade de um jogador, numa espécie de rota tradicional de mercantilismo como se o produto não passasse disso mesmo, um mero produto transaccionável.
Mas se há algum dirigente de um clube que está disposto a pagar 94 milhões de euros pela transferência do jogador, é porque a presença do jogador na equipa desse clube vale esse dinheiro. A história da Economia mostra que o valor dos produtos se situa, tendencialmente, no valor (e no sacrifício) que as pessoas estão dispostas a dar para o ter. Se o presidente do Real Madrid — Florentino Perez — considera que é rentável pagar o equivalente ao peso em ouro de 54 Cristianos, e se o Manchester o entrega por esse valor e por nenhum valor mais baixo, então está encontrado o ponto de equilíbrio e o preço justo.
Pelos dados que nos têm sido dados pela comunicação social, é possível que Florentino Perez não tenha enlouquecido. A transferência de Ronaldo custou 94 milhões de euros, e o contrato do jogador é de 6 anos, mas só a venda de produtos com a sua marca — como as camisolas do Real Madrid com o seu nome, entre outros produtos — irá render 90 milhões de euros por ano. Ou seja, mesmo que não consideremos as contas os salários do jogador e outros gastos e todos os outros valores que virão a ser adicionados como receitas com ele relacionadas, continuava a ser um investimento rentável. É, portanto, um gasto que gera dinheiro. O Manchester United recebe pela transferência de Cristiano — um jogador — um valor idêntico ao de todas as receitas angariadas na liga inglesa na última época desportiva — com jogos semanais de uma equipa de onze jogadores. Logo, também não terá feito uma má venda.
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, garantiu que esta transferência dá sinais de que o mercado do futebol está de boa saúde. E parece-nos que tem razão. Ao menos que algum mercado tenha boa saúde nesta época de crise internacional. Crise que nunca será debelada se, pura e simplesmente, restringirmos o consumo. Bem sabemos que o Manchester United não irá distribuir os euros recebidos do Real Madrid pelas pequenas e médias empresas de Inglaterra — quando muito pagará impostos sobre essa receita —, mas se o dinheiro se desloca é bom para todos porque é bom para a economia global.
Quando o Presidente da República Portuguesa, há poucos dias, apelava aos partidos políticos para serem comedidos nos gastos da campanha eleitoral não percebemos o que queria dizer, confessamo-lo com humildade. Se os partidos dispõem de dinheiro em quantidade não o devem gastar porquê? O Estado só vai dar-lhes o equivalente ao número de votos que obterão, ou seja, o gasto do Estado não está directamente relacionado com o gasto dos partidos na campanha. Cada eleitor fará a sua apreciação dos gastos supérfluos dos partidos mas poderá considerar-se um acto de cidadania a despesa feita por eles em campanha eleitoral. As gráficas que fazem os panfletos, os comerciantes de sacos plásticos e de outros brindes, as empresas de som… e tantas outras micro, pequenas e médias empresas, bem como as pessoas que são remuneradas para colar os cartazes, por exemplo, ganham directamente com a campanha eleitoral. Serão, em todo o território nacional, directamente beneficiadas com a campanha eleitoral.
As pessoas, nos dias de hoje, devem preparar-se para tempos difíceis, devem consumir com responsabilidade, devem ter mecanismo de poupança e de investimento seguro. Mas não podem restringir o consumo. O incentivo fundamental para o ultrapassar da crise económica — é já ideia comummente aceite pelos especialistas — passa pelo apoio directo e imediato às micro, pequenas e médias empresas. E esse apoio, da parte das pessoas — não nos arriscaríamos a dizer o que devia o Governo fazer neste domínio — faz-se pelo consumo, pelo comprar de alguns produtos nas mercearias, no comércio de proximidade, no voltar a utilizar o serviço dos sapateiros e das costureiras para arranjarem o que ainda pode ser reutilizável, por exemplo.
O valor do dinheiro, mesmo em tempo de crise, é sempre difícil de definir. Não há tabela para o que é muito nem para o que é pouco. Mas a valia do dinheiro passa pela circulação, passa pelo resultado dessa circulação. O dinheiro de pouco valerá se ficar estagnado no colchão, de quem tem muito ou, também, de quem tem pouco...
Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Junho
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
O rescaldo eleitoral
Já se disputou o primeiro combate nacional do ciclo eleitoral de 2009. Quem acompanhou o resultado dos apuramentos, os comentários políticos e as leituras de carácter mais ou menos profético chegou à conclusão do costume: “Todos ganharam” menos o partido do Governo. O PSD teve mais votos e mais mandatos do que o PS e do que tinha tido em 2004, logo, ganhou. O Bloco de Esquerda duplicou o número de votos e triplicou o número de mandatos, logo, ganhou. A CDU manteve o número de mandatos mas, apesar de ter sido ultrapassada pelo Bloco por uma unha negra, obteve mais votos que há cinco anos, logo, ganhou. O CDS manteve o número de deputados que tinha conquistado em 2004 — quando concorreu coligado com o PSD — mas ganhou às sondagens que o remetiam para um resultado insignificante. Até os votos em branco ganharam nestas eleições — se fossem um partido seriam a sexta força e até poderiam ter elegido um deputado. Não seria interessante haver no Parlamento uma cadeira vazia em nome destes votos? Em resumo, todos ganharam menos o PS.
De facto, o Partido Socialista não ganhou. Não há maneira de, à boa maneira partidocrática portuguesa, conseguir achar uma vitória nesta derrota. O PS perdeu mais de meio milhão de votos relativamente a 2004. O PS tem hoje um número de mandatos que só se pode comparar ao resultado obtido na eleição de 1987. Os socialistas perderam nada mais nada menos do que cinco mandatos — Portugal perdeu dois deputados europeus e acreditamos que possam ter sido retirados um ao PS e outro ao PSD.
Os portugueses quiseram penalizar o Governo pela acção política? Provavelmente essa será a razão mais plausível para justificar o resultado. Poderá dizer-se que, depois desta noite eleitoral, é garantida uma derrota do PS nos combates seguintes e, especialmente, no combate das eleições legislativas? Não nos parece. Em primeiro lugar porque os portugueses atingiram já um estado de maturidade democrática que lhes permite distinguir o que é a valer e o que é a feijões. Em segundo lugar porque neste combate os protagonistas não eram Ferreira Leite e Sócrates, eram outras pessoas para outros lugares. Mas há um dado essencial que agora se revela e que pode importar. Trata-se de um elemento subjectivo muito relevante: A invencibilidade de Sócrates não é irreversível. Ou seja, é possível Manuela Ferreira Leite travar o combate de igual para igual com Sócrates. Isso é importante porque vai aumentar a intensidade da campanha tanto do lado do PS como do lado do PSD e vai aumentar o apelo ao voto útil. Dito de outra forma: O primeiro combate traz maior interesse aos seguintes.
Foi anunciada como a maior inimiga deste acto eleitoral. Falamos da abstenção. A declaração não passou disso mesmo e nenhuma das candidaturas fez fosse o que fosse para a combater. No entanto, a abstenção não aumentou. Pode dizer-se que a percentagem de abstenção aumentou. E é verdade. Mas acontece que Portugal viu aplicada uma lei do recenseamento obrigatório e automático que fez insuflar o número de eleitores inscritos involuntariamente. A verdade é que em 2009 votaram mais 150 mil pessoas do que em 2004. Não há, no entanto, qualquer motivo de alegria. Nem achamos — como afirmámos na passada edição — que da abstenção se possam fazer leituras politicas de desagrado ou descontentamento.
A conclusão a tirar é que Portugal está cada vez mais europeu! O nível da abstenção em Portugal esteve abaixo do nível verificado em muitas das democracias mais consolidadas da Europa. O Reino Unido, a Holanda e a Suécia, por exemplo, tiveram abstenções superiores à portuguesa. A abstenção em França, na Alemanha e na Finlândia não foi muito inferior à portuguesa. E já para não falar na abstenção nos países que recentemente entraram na União.
A situação da abstenção pode ser, aliás, muito mais grave do que seria de esperar. Não é um problema exclusivo dos portugueses, é um problema de todos os cidadãos dos estados-membros que demonstram estar, cada vez mais desinteressados da união política que é hoje a Europa.
Editorial do JM 745 e do FRONTAL 1 de 10 de Junho de 2009
Já se disputou o primeiro combate nacional do ciclo eleitoral de 2009. Quem acompanhou o resultado dos apuramentos, os comentários políticos e as leituras de carácter mais ou menos profético chegou à conclusão do costume: “Todos ganharam” menos o partido do Governo. O PSD teve mais votos e mais mandatos do que o PS e do que tinha tido em 2004, logo, ganhou. O Bloco de Esquerda duplicou o número de votos e triplicou o número de mandatos, logo, ganhou. A CDU manteve o número de mandatos mas, apesar de ter sido ultrapassada pelo Bloco por uma unha negra, obteve mais votos que há cinco anos, logo, ganhou. O CDS manteve o número de deputados que tinha conquistado em 2004 — quando concorreu coligado com o PSD — mas ganhou às sondagens que o remetiam para um resultado insignificante. Até os votos em branco ganharam nestas eleições — se fossem um partido seriam a sexta força e até poderiam ter elegido um deputado. Não seria interessante haver no Parlamento uma cadeira vazia em nome destes votos? Em resumo, todos ganharam menos o PS.
De facto, o Partido Socialista não ganhou. Não há maneira de, à boa maneira partidocrática portuguesa, conseguir achar uma vitória nesta derrota. O PS perdeu mais de meio milhão de votos relativamente a 2004. O PS tem hoje um número de mandatos que só se pode comparar ao resultado obtido na eleição de 1987. Os socialistas perderam nada mais nada menos do que cinco mandatos — Portugal perdeu dois deputados europeus e acreditamos que possam ter sido retirados um ao PS e outro ao PSD.
Os portugueses quiseram penalizar o Governo pela acção política? Provavelmente essa será a razão mais plausível para justificar o resultado. Poderá dizer-se que, depois desta noite eleitoral, é garantida uma derrota do PS nos combates seguintes e, especialmente, no combate das eleições legislativas? Não nos parece. Em primeiro lugar porque os portugueses atingiram já um estado de maturidade democrática que lhes permite distinguir o que é a valer e o que é a feijões. Em segundo lugar porque neste combate os protagonistas não eram Ferreira Leite e Sócrates, eram outras pessoas para outros lugares. Mas há um dado essencial que agora se revela e que pode importar. Trata-se de um elemento subjectivo muito relevante: A invencibilidade de Sócrates não é irreversível. Ou seja, é possível Manuela Ferreira Leite travar o combate de igual para igual com Sócrates. Isso é importante porque vai aumentar a intensidade da campanha tanto do lado do PS como do lado do PSD e vai aumentar o apelo ao voto útil. Dito de outra forma: O primeiro combate traz maior interesse aos seguintes.
Foi anunciada como a maior inimiga deste acto eleitoral. Falamos da abstenção. A declaração não passou disso mesmo e nenhuma das candidaturas fez fosse o que fosse para a combater. No entanto, a abstenção não aumentou. Pode dizer-se que a percentagem de abstenção aumentou. E é verdade. Mas acontece que Portugal viu aplicada uma lei do recenseamento obrigatório e automático que fez insuflar o número de eleitores inscritos involuntariamente. A verdade é que em 2009 votaram mais 150 mil pessoas do que em 2004. Não há, no entanto, qualquer motivo de alegria. Nem achamos — como afirmámos na passada edição — que da abstenção se possam fazer leituras politicas de desagrado ou descontentamento.
A conclusão a tirar é que Portugal está cada vez mais europeu! O nível da abstenção em Portugal esteve abaixo do nível verificado em muitas das democracias mais consolidadas da Europa. O Reino Unido, a Holanda e a Suécia, por exemplo, tiveram abstenções superiores à portuguesa. A abstenção em França, na Alemanha e na Finlândia não foi muito inferior à portuguesa. E já para não falar na abstenção nos países que recentemente entraram na União.
A situação da abstenção pode ser, aliás, muito mais grave do que seria de esperar. Não é um problema exclusivo dos portugueses, é um problema de todos os cidadãos dos estados-membros que demonstram estar, cada vez mais desinteressados da união política que é hoje a Europa.
Editorial do JM 745 e do FRONTAL 1 de 10 de Junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009

RESULTADOS ELEITORAIS:
CONCELHO DE MORTÁGUA
No concelho de Mortágua a abstenção alcançou valores muito acima da média nacional e até do distrito de Viseu. Chegou aos 72%.
No concelho de Mortágua venceu o PSD, com 35,68%. Seguiram-se o PS, com 31,41%, o Bloco de Esquerda, com 8,28%, e o CDS com 7,59%. A CDU alcançou 3,52% dos votos. O PS ganhou, no entanto, nas freguesias de Cercosa, Marmeleira, Mortágua, Trezói e Vale Remígio. O PSD ganhou nas restantes cinco.
CONCELHO DE PENACOVA
No concelho de Penacova a abstenção alcançou valores pouco acima da média nacional, ficou-se pelos 67,2%.
Também no concelho de Penacova venceu o PSD, com 38,9%. Seguiu-se o PS, com 30,79%. Contrariamente à tendência nacional, a CDU foi a terceira força com 7,37%. O Bloco de Esquerda alcançou com 6,32%, e o CDS com 6,03%.
No concelho de Penacova a abstenção alcançou valores pouco acima da média nacional, ficou-se pelos 67,2%.
Também no concelho de Penacova venceu o PSD, com 38,9%. Seguiu-se o PS, com 30,79%. Contrariamente à tendência nacional, a CDU foi a terceira força com 7,37%. O Bloco de Esquerda alcançou com 6,32%, e o CDS com 6,03%.
O PS ganhou, apenas, na freguesia de Lorvão. A CDU foi a segunda força em Oliveira do Mondego. Nas freguesias de São Pedro de Alva, de São Paio do Mondego, de Paradela e de Friúmes a terceira força mais votada foi o CDS. Em Penacova, a terceira força foi a CDU.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
[797.]

Ora viva!
De modo informal, quase familiar, apresentamo-nos e saudamos todos os que, nesta ocasião, têm nas suas mãos o número zero — uma edição experimental — do jornal FRONTAL. Será deste modo, olhos-nos-olhos, com simpatia, apreço e espírito de serviço ao desenvolvimento e à valorização dos lugares e das populações dos municípios de Mortágua e de Penacova, que procuraremos dar dinâmica a um projecto que agora dá os primeiros passos.
O FRONTAL é um jornal que se apresentará quinzenalmente aos seus leitores. Começará por ter uma distribuição gratuita, mas transitará, gradualmente, com o tempo, para um sistema de assinaturas e de venda ao público em quiosques, papelarias, etc. Queremos chegar a todos os que queiram saber noticias especialmente relacionadas com as comunidades dos municípios de Penacova e de Mortágua e da região envolvente. Para isso, e de modo muito especial — porque sabemos o que isso significa para eles—, queremos chegar às comunidades de mortaguenses e penacovenses no estrangeiro, levando-lhes, de certa maneira, novo alento para as dificuldades que a distância de casa lhes traz.
O FRONTAL é um jornal que faz parte de um grupo editorial com 25 anos, e com várias títulos. Os seus promotores conhecem as características e os problemas do jornalismo regional na actualidade. Apesar das dificuldades que todos conhecem, não houve resignação nem medo em avançar com este projecto, que não deixa de ser arriscado.
O FRONTAL é um jornal de notícias locais, com espaço de opinião, de cultura, de divulgação histórica e científica, entre outras. Os que o dirigem, e que serão responsáveis pela sua linha editorial, procurarão oferecer um produto o mais diversificado e o mais atraente possível. Mas para isso precisam dos leitores. Precisamos da sua opinião, da sua crítica, das suas chamadas de atenção, das suas informações.
Portugal atravessa, na actualidade, um tempo de nascimento de formas muito variadas de intervenção cívica. Colaborar com a edição de um jornal regional — que acaba por ser (para já) um meio mais abrangente do que as outras tecnologias da informação — é também uma forma de intervenção em prole da sua comunidade e dos outros.
Esperamos que nos dê a sua opinião sobre o número zero do FRONTAL. Com ela, poderemos ir mais fácil e rapidamente ao seu encontro. Esse é, de facto, o nosso objectivo. Levar aos habitantes dos concelhos de Mortágua e de Penacova, de olhos-nos-olhos, e de modo responsável, as boas e as más noticias das comunidades maravilhosas e riquíssimas que nos seus territórios estão instaladas.
Coragem e Frontalidade são características que a História e a Tradição atribuem a mortaguenses e penacovenses, e que este jornal quer assumir e valorizar!
Editorial do número zero do FRONTAL de 27.05.2009
De modo informal, quase familiar, apresentamo-nos e saudamos todos os que, nesta ocasião, têm nas suas mãos o número zero — uma edição experimental — do jornal FRONTAL. Será deste modo, olhos-nos-olhos, com simpatia, apreço e espírito de serviço ao desenvolvimento e à valorização dos lugares e das populações dos municípios de Mortágua e de Penacova, que procuraremos dar dinâmica a um projecto que agora dá os primeiros passos.
O FRONTAL é um jornal que se apresentará quinzenalmente aos seus leitores. Começará por ter uma distribuição gratuita, mas transitará, gradualmente, com o tempo, para um sistema de assinaturas e de venda ao público em quiosques, papelarias, etc. Queremos chegar a todos os que queiram saber noticias especialmente relacionadas com as comunidades dos municípios de Penacova e de Mortágua e da região envolvente. Para isso, e de modo muito especial — porque sabemos o que isso significa para eles—, queremos chegar às comunidades de mortaguenses e penacovenses no estrangeiro, levando-lhes, de certa maneira, novo alento para as dificuldades que a distância de casa lhes traz.
O FRONTAL é um jornal que faz parte de um grupo editorial com 25 anos, e com várias títulos. Os seus promotores conhecem as características e os problemas do jornalismo regional na actualidade. Apesar das dificuldades que todos conhecem, não houve resignação nem medo em avançar com este projecto, que não deixa de ser arriscado.
O FRONTAL é um jornal de notícias locais, com espaço de opinião, de cultura, de divulgação histórica e científica, entre outras. Os que o dirigem, e que serão responsáveis pela sua linha editorial, procurarão oferecer um produto o mais diversificado e o mais atraente possível. Mas para isso precisam dos leitores. Precisamos da sua opinião, da sua crítica, das suas chamadas de atenção, das suas informações.
Portugal atravessa, na actualidade, um tempo de nascimento de formas muito variadas de intervenção cívica. Colaborar com a edição de um jornal regional — que acaba por ser (para já) um meio mais abrangente do que as outras tecnologias da informação — é também uma forma de intervenção em prole da sua comunidade e dos outros.
Esperamos que nos dê a sua opinião sobre o número zero do FRONTAL. Com ela, poderemos ir mais fácil e rapidamente ao seu encontro. Esse é, de facto, o nosso objectivo. Levar aos habitantes dos concelhos de Mortágua e de Penacova, de olhos-nos-olhos, e de modo responsável, as boas e as más noticias das comunidades maravilhosas e riquíssimas que nos seus territórios estão instaladas.
Coragem e Frontalidade são características que a História e a Tradição atribuem a mortaguenses e penacovenses, e que este jornal quer assumir e valorizar!
Editorial do número zero do FRONTAL de 27.05.2009
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Editorial FRONTAL,
História Pessoal,
Mercurii dies
[796.] -

Mais um projecto JM'09!
Um sonho com alguns anos, possível graças à parceria, ao dinamismo, à vontade e à fé inabalável no futuro e nas capacidades de fazer diferente!
O FRONTAL nasceu para vingar e para valorizar uma zona do país que estava sedenta e precisava de ser acarinhada!
O FRONTAL nasceu para vingar e para valorizar uma zona do país que estava sedenta e precisava de ser acarinhada!
O mesmo estilo, a mesma energia!
O jornal que se apresenta ao leitor 'olhos-nos-olhos'
[795.]
Luso, 25 de Março de 1949“Naquela casa do Luso, no meio do nervosismo geral, da alegria alarve dos agentes da PIDE e do estado de choque dos presos, acabava uma era da história da luta da oposição portuguesa e do PCP”. É desta forma que José Pacheco Pereira, biógrafo de Álvaro Cunhal — dirigente mítico do Partido Comunista Português e da oposição ao Estado Novo —, caracteriza os acontecimentos de 25 de Março de 1949. Álvaro Cunhal, a viver na clandestinidade numa casa na vila termal de Luso, é preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo, juntamente com outro dirigente comunista, Militão Ribeiro, e a companheira da residência clandestina Sofia Ferreira.
A data poderá considerar-se uma derrota para a oposição ao Estado Novo. Mas não deixa de ser um momento decisivo para a história de Portugal do século XX que só a Democracia permite analisar e investigar. Cunhal é, em 25 de Março de 1949, um prisioneiro. Onze anos depois, oito dos quais em isolamento total, foge da cadeia e surge como um herói, um libertador e, mais tarde, um ‘senador’ da III República.
É com a evocação deste acontecimento, ocorrido na vila termal de Luso, no concelho da Mealhada, no coração da Bairrada, que nasce a VIA. VIA é uma revista de divulgação histórica e cultural, especialmente dedicada à valorização do património do município da Mealhada, e dos concelhos vizinhos — Anadia, Cantanhede, Mortágua, Penacova e Coimbra —, da região da Bairrada e do Buçaco.
Mas VIA é caminho, e há caminhos, estradas, que ligam pessoas e que criam espaços. E há pessoas, e comunidades, que são resultado desses espaços. Comunidades que, culturalmente, se adaptaram a ver passar legiões romanas, peregrinos de Santiago de Compostela, viajantes e comerciantes, intelectuais e salteadores. Que, circunstancialmente, souberam ser porta de entrada dos ares da Europa, da modernidade, da Literatura e da Filosofia, da Democracia e da Liberdade. Assim se passa com as comunidades da região da Bairrada e com as do concelho da Mealhada em particular.
Tal como o caminho tem dois sentidos — e a própria palavra VIA pode ler-se nos dois sentidos — VIA é, também, meio, modo de obter ou conseguir qualquer coisa. VIA é desígnio, é método, é vontade. E é tudo isso que pretende ser este projecto de valorização histórica e cultural das comunidades da região em que se estabelece.
Pensamos que estaremos a dar um contributo importante para o estudo histórico do património cultural da região do Centro de Portugal. Procuraremos prosseguir. Contamos, agora e no futuro, com a ajuda de algumas dezenas de pessoas, desde investigadores e coleccionadores até testemunhas e curiosos, para a pesquisa de que resulta o presente trabalho. Contributos importantes para uma aproximação à verdade do que se passou na madrugada de 25 de Março de 1949.
Editorial da Revista Via n.º 01
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Lamentavelmente, para mim, convenhamos, não tenho conseguido actualizar este blogue com a periodicidade que era minha obrigação cumprir.Ando demasiado absorvido com algumas questões e com novos projectos profissionais que não há hipotese de ter tempo para o blogue.
Aos leitores e ao meu próprio sentido de disciplina, peço desculpa!
sábado, 9 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
«O que acontece na Queima...
morre na Queima!»
quinta-feira, 7 de maio de 2009
[791.] - iHoje...
Eu estava expectante. Porque fico sempre entusiasmado quando nascem projectos editoriais. Porque acompanhei o crescimento deste. Porque sei que nasce de um grupo económico que se quer afirmar no jornalismo e no jornalismo regional de modo muito particular. Porque... porque sim!
Comprei o primeiro número e não me pareceu mal. Traz um novo conceito de organização que ainda não pude avaliar. Hoje vou ler atentamente e esperar pela edição com revista, no sábado, para tirar a coisa a limpo.
Para já pareceu-me aprovado. Vou comprar os próximos números e... i a ver vamos!
terça-feira, 5 de maio de 2009
[790.] - Mercurii dies
Dar sentido aos caminhos
O concelho da Mealhada como rota de peregrinações
São milhares os peregrinos que nas últimas semanas atravessaram o concelho da Mealhada a caminho de Fátima. Nos próximos dias esse número aumentará e serão mais notados os grandes grupos que fazem a sua peregrinação ao altar do Mundo — o santuário mariano de Fátima. Nos últimos anos tem-se intensificado, também, o número de peregrinos que, em sentido contrário, ruma a Santiago de Compostela, percorrendo o caminho — considerado património cultural mundial pela UNESCO — até ao túmulo do apóstolo São Tiago Maior, na Galiza.
As centenas de milhares de pessoas que, nestas peregrinações — embora com perfis distintos —, atravessam a região da Mealhada podem constituir uma mais-valia para o concelho em termos culturais, em termos sociais, em termos de vida associativa, em termos económicos, em resultados e em investimentos. Consideramos, ainda, que se trata de uma potencialidade que está por explorar, e cujo aproveitamento urge. A situação económica do país e do Mundo, com um reflexo importante na vida das pessoas que precisam de apoio espiritual, fará aumentar o número de peregrinos para Fátima. A grande divulgação que está a ter, nas publicações da especialidade, o caminho português da peregrinação jacobeia — a Santiago de Compostela — e o facto de 2010 ser ano santo compostelano — Ano Jacobeo — farão aumentar, também, o número de peregrinos para Santiago.
A história do concelho da Mealhada remete-nos para um património de hospitalidade, de acolhimento aos que passam e partem. Bastaria lembrarmos o próprio nome da Mealhada — de meadela, cruzamento de caminhos —, os relatos de viajantes que registaram para a posteridade a existência do povoado, mas também a importância e os reflexos do entroncamento ferroviário da Pampilhosa e da permanência sazonal de aquistas no Luso. Como ponto importante numa rota de peregrinações — as de agora e as de outrora — o concelho da Mealhada é uma plataforma para viajantes, um entreposto de culturas.
Tendo-nos debruçado sobre este assunto, juntamente com um grupo de amigos e de peregrinos, questionámo-nos sobre até que ponto não seria válida a ideia de se constituir uma associação que pudesse chamar a si as tarefas necessárias para fazer o referido aproveitamento, para a região e para o concelho da Mealhada, em particular, das potencialidades que fazem parte das rotas de peregrinos de Fátima e de Santiago. Uma associação que poderia ser formada por pessoas, individualmente consideradas, ou, de modo preferencial, por colectividades de várias naturezas que cumprem já importante ajuda na assistência aos peregrinos. Referimo-nos, por exemplo, à Delegação Concelhia da Cruz Vermelha Portuguesa, à Ordem de Malta e aos escuteiros dos vários agrupamentos do concelho.
Esta associação poderia organizar, de forma coordenada, toda a assistência na saúde a prestar aos peregrinos, não só na rota de Fátima no sentido norte-sul, mas também na rota do Buçaco, que segue pela Pampilhosa para Coimbra. Uma assistência que, mesmo fora do grande fluxo de Maio, poderia ser garantida com o apoio do Hospital da Misericórdia da Mealhada, por exemplo.
Outra das tarefas importantes que há a fazer no âmbito da assistência aos peregrinos é na marcação e na sinalização dos caminhos. Há muitos peregrinos de Fátima, principalmente, que arriscam muitas vezes a sua segurança por não conhecerem alternativas. Interessa marcar o caminho, o mais seguro, e sinalizar tudo o que possa constituir uma ajuda a esses caminhantes — fontanários, comércio local (supermercados, farmácias, lojas de calçado, etc.), telefone público, multibanco, capelas e igrejas, casas de banho públicas. Neste âmbito interessaria distinguir o perfil dos peregrinos de Fátima dos de Santiago. Os peregrinos de Fátima — entre os quais, há um número significativo de pessoas com idade mais avançada — preferem a velocidade, querem chegar o mais rápido possível, arriscam meter-se por atalhos, mesmo que com menos segurança, para atingirem o seu objectivo. Os peregrinos de Santiago, por outro lado, a semanas de chegarem ao destino, são mais contemplativos, procuram desfrutar da paisagem, da cultura e da gastronomia das zonas por onde passam, procuram passar pelos centros históricos e evitam as estradas alcatroadas nas ligações entre localidades. São, em largo número, estrangeiros, jovens e de meia-idade. Fará sentido, por isso, alterar as rotas habituais com percursos mais adequados a cada um destes dois tipos de peregrinos.
Há, ainda, um manancial de possibilidades para a promoção de outras características do concelho junto de quem passa pelas terras do município e pode levar daqui vontade de regressar. E há todo um aproveitamento cultural que se pode tirar deste fenómeno de peregrinação — pela investigação de peregrinos famosos, do legado deixado por centenas de anos de passagem de viajantes, pela própria história dos caminhos de Fátima, por exemplo — com a realização de debates, exposições, publicação de trabalhos escritos sobre o assunto. Note-se, a título de curiosidade, que a tarefa de marcação do caminho de Lisboa ao santuário de Fátima — num modelo próximo do que preconizamos — foi levada a cabo pelo Centro Nacional de Cultura.
A ideia que se nos apresentou passa pela associação de pessoas e colectividades na realização deste tipo de acções que nos parecem essenciais. Não enjeitamos, no entanto, que esta actividade deva ser acompanhada pelas autarquias locais e pelas estruturas paroquiais e diocesanas da Igreja Católica. Entendemos, até, que, na ausência de acção ‘popular’, possam ser a Câmara Municipal da Mealhada, as Juntas de Freguesia e as associações que assim o entendam a pôr mãos à obra e ajudarem a fazer caminho, a dar, e a ajudar a dar sentido a este mesmo caminho, que é de busca do divino e, acima de tudo, de descoberta pessoal.
O concelho da Mealhada como rota de peregrinações
São milhares os peregrinos que nas últimas semanas atravessaram o concelho da Mealhada a caminho de Fátima. Nos próximos dias esse número aumentará e serão mais notados os grandes grupos que fazem a sua peregrinação ao altar do Mundo — o santuário mariano de Fátima. Nos últimos anos tem-se intensificado, também, o número de peregrinos que, em sentido contrário, ruma a Santiago de Compostela, percorrendo o caminho — considerado património cultural mundial pela UNESCO — até ao túmulo do apóstolo São Tiago Maior, na Galiza.
As centenas de milhares de pessoas que, nestas peregrinações — embora com perfis distintos —, atravessam a região da Mealhada podem constituir uma mais-valia para o concelho em termos culturais, em termos sociais, em termos de vida associativa, em termos económicos, em resultados e em investimentos. Consideramos, ainda, que se trata de uma potencialidade que está por explorar, e cujo aproveitamento urge. A situação económica do país e do Mundo, com um reflexo importante na vida das pessoas que precisam de apoio espiritual, fará aumentar o número de peregrinos para Fátima. A grande divulgação que está a ter, nas publicações da especialidade, o caminho português da peregrinação jacobeia — a Santiago de Compostela — e o facto de 2010 ser ano santo compostelano — Ano Jacobeo — farão aumentar, também, o número de peregrinos para Santiago.
A história do concelho da Mealhada remete-nos para um património de hospitalidade, de acolhimento aos que passam e partem. Bastaria lembrarmos o próprio nome da Mealhada — de meadela, cruzamento de caminhos —, os relatos de viajantes que registaram para a posteridade a existência do povoado, mas também a importância e os reflexos do entroncamento ferroviário da Pampilhosa e da permanência sazonal de aquistas no Luso. Como ponto importante numa rota de peregrinações — as de agora e as de outrora — o concelho da Mealhada é uma plataforma para viajantes, um entreposto de culturas.
Tendo-nos debruçado sobre este assunto, juntamente com um grupo de amigos e de peregrinos, questionámo-nos sobre até que ponto não seria válida a ideia de se constituir uma associação que pudesse chamar a si as tarefas necessárias para fazer o referido aproveitamento, para a região e para o concelho da Mealhada, em particular, das potencialidades que fazem parte das rotas de peregrinos de Fátima e de Santiago. Uma associação que poderia ser formada por pessoas, individualmente consideradas, ou, de modo preferencial, por colectividades de várias naturezas que cumprem já importante ajuda na assistência aos peregrinos. Referimo-nos, por exemplo, à Delegação Concelhia da Cruz Vermelha Portuguesa, à Ordem de Malta e aos escuteiros dos vários agrupamentos do concelho.
Esta associação poderia organizar, de forma coordenada, toda a assistência na saúde a prestar aos peregrinos, não só na rota de Fátima no sentido norte-sul, mas também na rota do Buçaco, que segue pela Pampilhosa para Coimbra. Uma assistência que, mesmo fora do grande fluxo de Maio, poderia ser garantida com o apoio do Hospital da Misericórdia da Mealhada, por exemplo.
Outra das tarefas importantes que há a fazer no âmbito da assistência aos peregrinos é na marcação e na sinalização dos caminhos. Há muitos peregrinos de Fátima, principalmente, que arriscam muitas vezes a sua segurança por não conhecerem alternativas. Interessa marcar o caminho, o mais seguro, e sinalizar tudo o que possa constituir uma ajuda a esses caminhantes — fontanários, comércio local (supermercados, farmácias, lojas de calçado, etc.), telefone público, multibanco, capelas e igrejas, casas de banho públicas. Neste âmbito interessaria distinguir o perfil dos peregrinos de Fátima dos de Santiago. Os peregrinos de Fátima — entre os quais, há um número significativo de pessoas com idade mais avançada — preferem a velocidade, querem chegar o mais rápido possível, arriscam meter-se por atalhos, mesmo que com menos segurança, para atingirem o seu objectivo. Os peregrinos de Santiago, por outro lado, a semanas de chegarem ao destino, são mais contemplativos, procuram desfrutar da paisagem, da cultura e da gastronomia das zonas por onde passam, procuram passar pelos centros históricos e evitam as estradas alcatroadas nas ligações entre localidades. São, em largo número, estrangeiros, jovens e de meia-idade. Fará sentido, por isso, alterar as rotas habituais com percursos mais adequados a cada um destes dois tipos de peregrinos.
Há, ainda, um manancial de possibilidades para a promoção de outras características do concelho junto de quem passa pelas terras do município e pode levar daqui vontade de regressar. E há todo um aproveitamento cultural que se pode tirar deste fenómeno de peregrinação — pela investigação de peregrinos famosos, do legado deixado por centenas de anos de passagem de viajantes, pela própria história dos caminhos de Fátima, por exemplo — com a realização de debates, exposições, publicação de trabalhos escritos sobre o assunto. Note-se, a título de curiosidade, que a tarefa de marcação do caminho de Lisboa ao santuário de Fátima — num modelo próximo do que preconizamos — foi levada a cabo pelo Centro Nacional de Cultura.
A ideia que se nos apresentou passa pela associação de pessoas e colectividades na realização deste tipo de acções que nos parecem essenciais. Não enjeitamos, no entanto, que esta actividade deva ser acompanhada pelas autarquias locais e pelas estruturas paroquiais e diocesanas da Igreja Católica. Entendemos, até, que, na ausência de acção ‘popular’, possam ser a Câmara Municipal da Mealhada, as Juntas de Freguesia e as associações que assim o entendam a pôr mãos à obra e ajudarem a fazer caminho, a dar, e a ajudar a dar sentido a este mesmo caminho, que é de busca do divino e, acima de tudo, de descoberta pessoal.
sábado, 25 de abril de 2009
[788.] - 25 de Abril

Reflexões para um eventual discurso
Já houve tempos em que precisei de pensar em discursos - mais em escrevê-los do que a dizê-los. Discursar sobre o 25 de Abril não é fácil. E não é fácil porque todos dizem o mesmo há trinta e cinco anos. Mesmo arriscando, é hoje fácil perceber que já na quarta feira era possível antecipar que a tónica discursiva deste dia seria a de apelo ao voto enquanto garante da sustentabilidade do regime. Os discursos do Presidente da República e do Presidente da Assembleia da República foram exactamente nesse sentido.
Notei, também, e na Mealhada isso foi claro e até sublinhado pelo presidente da Câmara, o tom pesado e desiludido com que este aniversário está a ser vivido. Parece que nada correu bem, não há quem elogie, não há reflexão que conclua que o Golpe de Estado foi determinantemente positivo para o país e para todos os portugueses. É preferível sublinhar as ausências, é preferível dizer mal. É horroroso. Já ouvi hoje, mais do que uma vez, "Não foi para isto que eu fiz a Revolução". Pois eu lamento.
A maior conquista do 25 de Abril, no meu entender, é a da responsabilização do cidadão face ao seu futuro. Deixou de haver um Estado que determinava o que cada pessoa poderia ou não fazer, que conduzia a economia, que governava acima dos portugueses, para passar a haver uma representação directa e participativa de cada cidadão nos destinos da Nação. Ou seja, deixou de haver um Eles, para passar a haver só um Nós.
Bem sabemos que não é bem assim que as coisas se passam. E se os portugueses continuam a ter na sua herança genética um anti-parlamentarismo radical, também na sua genética colectiva está a a demissão completa da sua responsabilização na vida colectiva. São sempre os outros. Eu não preciso de votar porque eles se governam, porque eles roubam, porque eles são uns filhos da puta. Nunca vale a pena fazer nada.
Não vale a pena saber porque razão é que se os capitães fizeram o golpe. Interessa fazer lembrar que não se resignaram.
E se eles não se resignaram também não somos nós que nos vamos resignar. Nós que somos mais preparados, que somos mais cultos, mais globalizados, com mais consciência cívica e internacional.
Ainda não atingimos o nosso limite, ainda não chegámos ao fundo do posso. Mas se algum lá chegarmos teremos a oportunidade de fazer o nosso 25 de Abril e o nosso 25 de Novembro. Para já é preciso construir a democracia, a participação livre e democrática das pessoas. Eu nem sou republicano, mas é preciso que vingue a ideia de que não há Eles e o Eu, há o Nós, e que é possivel a todos o exercício do poder e da auto-determinação pessoal.
Nasci 5 anos depois do 25 de Abril, e estou grato por isso. É claro que valeu a pena.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
[787.] - Hoje...

... é Dia de São Jorge, patrono do Escutismo
«Arraial! Arraial! Por São Jorge! Por Portugal!»
Sinal de Nuno Alvares Pereira para ataque em batalha
dia da XIX.ª Promessa de escuteiros e da V.ª Promessa de Dirigentes
quarta-feira, 22 de abril de 2009
[785.] - Mercurii dies
Duas notas de portugalidade
25 de Abril em 2009
No próximo sábado comemora-se, em Portugal, o 35.º aniversário da Revolução dos Cravos. Num tempo de grave crise financeira, económica e social, adivinha-se um fim-de-semana acalorado com a oportunidade que a data proporcionará para uma jornada de luta da parte dos partidos da oposição, dos sindicatos e de grande número das ‘corporações’, nomeadamente as ligadas à administração da Justiça. A uma semana do aniversário da revolução serena que pôs fim ao Estado Novo, o Chefe do Estado irritou o primeiro-ministro ao pedir que se evitem a tomada de medidas populistas e a estratégia de governar para as estatísticas. Em contra-ataque, o chefe do Governo fez saber que era inútil a ‘política do recado e do remoque’ e que o país precisa mais de políticos que anunciassem o que há a fazer que daqueles que sublinham o clima de pessimismo e derrotismo.
Mas está mais que visto que os discursos do 25 de Abril se vão centrar no apelo à participação eleitoral dos portugueses nas eleições de 2009 — Europeias, Autárquicas e Legislativas.
Só de modo muito leve, possivelmente de modo completamente inconsequente, se falará nas reformas do aparelho do Estado que precisamos que sejam tomadas; na administração pública — administração pública que hoje está a tolher completamente o desenvolvimento do país ao ter em lugares de liderança pessoas completamente impreparadas; no sistema político, que está a matar a participação democrática dos cidadãos; na educação dos portugueses para a cidadania, para o patriotismo, para as regras do confronto democrático.
Os discursos do PS, PSD e CDS falarão da Europa unida e forte como uma necessidade premente para a retoma económica e para a saída da crise. A CDU e o BE dirão que é por culpa da Europa que estamos em crise social. Todos exaltarão o poder local democrático como a mais importante conquista de Abril. O PS falará da necessidade de estabilidade política e todos os outros partidos falarão da necessidade de mudança, de alternativas. O Presidente da República prosseguirá na exaltação dos bons exemplos que permitem que não percamos a auto-estima, e os sindicatos, na Avenida da Liberdade, falarão do desemprego, da precariedade social, e das limitações legisladas a respeito do sigilo bancário… Ao som do tema “Sem eira nem beira” dos Xutos e Pontapés.

Nuno Álvares Pereira, herói e santo
Será canonizado no domingo, 26 de Abril de 2009, em Roma, o Beato Nuno de Santa Maria, nome religioso, depois de se ter tornado carmelita, de Nuno Alvares Pereira (1360-1431). Condestável do Reino de Portugal (chefe militar), D. Nuno foi o braço direito do Rei Dom João, Mestre de Avis, nas batalhas que asseguraram as condições necessárias para que, no processo de sucessão ao trono de Portugal por morte de D.Fernando se respeitasse a legitimidade deste príncipe, reconhecida pelas Cortes de Coimbra. Batalhas que travaram a ofensiva de Dom João de Castela, genro do rei morto, e que cuja coroação colocaria em causa a independência de Portugal. Trata-se, portanto, de um herói nacional.
Nuno Alvares Pereira foi, ainda, sogro do primeiro duque de Bragança e, por isso, ascendente de todos os reis portugueses da Dinastia de Bragança, que reinou em Portugal durante 270 anos.
Homenagear e levar aos altares um herói da independência e da luta antiga entre portugueses e castelhanos é, em tempos de unidade europeia, curioso. Mas nem por isso deve ser diminuída a sua importância. Trata-se de uma extraordinária oportunidade para insuflação da auto-estima de Portugal e dos portugueses, católicos e não católicos, monárquicos e republicanos, conservadores e progressistas. A este propósito, aconselhamos a leitura do livro do antigo Bispo do Porto, Dom António Ferreira Gomes, de 1931, intitulado “Nuno de Santa Maria, herói e santo” da editora Aletheia. Trata-se de um conjunto de interessantes textos escritos por um homem extraordinário a propósito desse português medievo que tinha já uma concepção moderna, formada e muito concreta do que deveria ser o futuro de Portugal como Nação. Em tempo de crise o Santo Condestável é ícone da resistência e da esperança de que todos precisamos para sobreviver.
25 de Abril em 2009
No próximo sábado comemora-se, em Portugal, o 35.º aniversário da Revolução dos Cravos. Num tempo de grave crise financeira, económica e social, adivinha-se um fim-de-semana acalorado com a oportunidade que a data proporcionará para uma jornada de luta da parte dos partidos da oposição, dos sindicatos e de grande número das ‘corporações’, nomeadamente as ligadas à administração da Justiça. A uma semana do aniversário da revolução serena que pôs fim ao Estado Novo, o Chefe do Estado irritou o primeiro-ministro ao pedir que se evitem a tomada de medidas populistas e a estratégia de governar para as estatísticas. Em contra-ataque, o chefe do Governo fez saber que era inútil a ‘política do recado e do remoque’ e que o país precisa mais de políticos que anunciassem o que há a fazer que daqueles que sublinham o clima de pessimismo e derrotismo.
Mas está mais que visto que os discursos do 25 de Abril se vão centrar no apelo à participação eleitoral dos portugueses nas eleições de 2009 — Europeias, Autárquicas e Legislativas.
Só de modo muito leve, possivelmente de modo completamente inconsequente, se falará nas reformas do aparelho do Estado que precisamos que sejam tomadas; na administração pública — administração pública que hoje está a tolher completamente o desenvolvimento do país ao ter em lugares de liderança pessoas completamente impreparadas; no sistema político, que está a matar a participação democrática dos cidadãos; na educação dos portugueses para a cidadania, para o patriotismo, para as regras do confronto democrático.
Os discursos do PS, PSD e CDS falarão da Europa unida e forte como uma necessidade premente para a retoma económica e para a saída da crise. A CDU e o BE dirão que é por culpa da Europa que estamos em crise social. Todos exaltarão o poder local democrático como a mais importante conquista de Abril. O PS falará da necessidade de estabilidade política e todos os outros partidos falarão da necessidade de mudança, de alternativas. O Presidente da República prosseguirá na exaltação dos bons exemplos que permitem que não percamos a auto-estima, e os sindicatos, na Avenida da Liberdade, falarão do desemprego, da precariedade social, e das limitações legisladas a respeito do sigilo bancário… Ao som do tema “Sem eira nem beira” dos Xutos e Pontapés.

Nuno Álvares Pereira, herói e santo
Será canonizado no domingo, 26 de Abril de 2009, em Roma, o Beato Nuno de Santa Maria, nome religioso, depois de se ter tornado carmelita, de Nuno Alvares Pereira (1360-1431). Condestável do Reino de Portugal (chefe militar), D. Nuno foi o braço direito do Rei Dom João, Mestre de Avis, nas batalhas que asseguraram as condições necessárias para que, no processo de sucessão ao trono de Portugal por morte de D.Fernando se respeitasse a legitimidade deste príncipe, reconhecida pelas Cortes de Coimbra. Batalhas que travaram a ofensiva de Dom João de Castela, genro do rei morto, e que cuja coroação colocaria em causa a independência de Portugal. Trata-se, portanto, de um herói nacional.
Nuno Alvares Pereira foi, ainda, sogro do primeiro duque de Bragança e, por isso, ascendente de todos os reis portugueses da Dinastia de Bragança, que reinou em Portugal durante 270 anos.
Homenagear e levar aos altares um herói da independência e da luta antiga entre portugueses e castelhanos é, em tempos de unidade europeia, curioso. Mas nem por isso deve ser diminuída a sua importância. Trata-se de uma extraordinária oportunidade para insuflação da auto-estima de Portugal e dos portugueses, católicos e não católicos, monárquicos e republicanos, conservadores e progressistas. A este propósito, aconselhamos a leitura do livro do antigo Bispo do Porto, Dom António Ferreira Gomes, de 1931, intitulado “Nuno de Santa Maria, herói e santo” da editora Aletheia. Trata-se de um conjunto de interessantes textos escritos por um homem extraordinário a propósito desse português medievo que tinha já uma concepção moderna, formada e muito concreta do que deveria ser o futuro de Portugal como Nação. Em tempo de crise o Santo Condestável é ícone da resistência e da esperança de que todos precisamos para sobreviver.

Editorial do Jornal da Mealhada de 22 de Abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
[784.] - QUEM?
Paulo Rangel foi a melhor coisinha que Manuela Ferreira Leite arranjou para encabeçar a Lista do Partido às Europeias?
Mas estará tudo doido?
Ferreira Leite passou-se?
Demorou meses a arranjar... isto?
É mau de mais para ser verdade!
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
[780.] - 'Ecce homo'
Segundo um estudo da BBC, feito há uns anos, esta seria a mais aproximada aparência que teria um judeu, nascido na Galileia há dois mil anos, com ascendência da Casa de David. Dito de outra forma esta cara seria o mais próximo a que a ciência pode chegar da verdadeira fisionomia de Jesus Cristo.Nunca a vi nos altares... nem nada parecido... mas gostava!
[779.] - Hoje
... É Dia da Páscoa.
Páscoa para os Judeus, o Povo da Primeira Aliança, e Páscoa para os Cristãos, o Povo da Segunda Aliança... Ou pura e simplesmente o Primeiro Domingo depois da primeira Lua Cheia depois do Equinócio da Primavera.
«Hoje é o Dia da Vitória Suprema. Que a noticia dessa alegria nos inspire e seja Força em nós para superarmos as nossas dificuldades. A vida eterna alcança-se pelo sofrimento, mas alcança-se!»
Boa Páscoa!
Páscoa para os Judeus, o Povo da Primeira Aliança, e Páscoa para os Cristãos, o Povo da Segunda Aliança... Ou pura e simplesmente o Primeiro Domingo depois da primeira Lua Cheia depois do Equinócio da Primavera.
«Hoje é o Dia da Vitória Suprema. Que a noticia dessa alegria nos inspire e seja Força em nós para superarmos as nossas dificuldades. A vida eterna alcança-se pelo sofrimento, mas alcança-se!»
Boa Páscoa!
sábado, 11 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
[775.] - Mistérios da Páscoa (1)
Monsanto - Beira Baixa - Portugal
Nas sexta-feiras da Quaresma grupos de homens e de mulheres, a partir da meia noite, pelas ruas rezam e cantam para lembrarem e pedirem pela salvação das Almas dos que já morreram.
domingo, 5 de abril de 2009
[773.] - Hoje
Começa a SEMANA SANTA
E, quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou, então, Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos.E, se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os há de mister; e logo os enviará.
Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz:
Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, Manso, e assentado sobre uma jumenta, E sobre um jumentinho, filho de animal de carga.
E, indo os discípulos, e fazendo como Jesus lhes ordenara, Trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas vestes, e fizeram-no assentar em cima.
E muitíssima gente estendia as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. E a multidão que ia adiante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!
E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este?
E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia.
E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.
E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.
Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se, E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?
E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
MATEUS 21, 1 17
[778.] - Hoje...
... A Igreja Católica, para além do Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa, realiza, também, a XXIV Jornada Mundial da Juventude.
O Papa Bento XVI, como não podia deixar de ser, dirigiu aos jovens uma mensagem que pode ser lida AQUI. No entanto, não posso deixar de aqui citar a parte final da sua mensagem invocando a figura de Santa Maria, mãe de Jesus, e utilizando as palavras de uma conhecida exortação de São Bernardo, inspirada no título de Maria Stella maris, Estrela do mar:
"Tu que na instabilidade contínua da vida presente, te vês mais a flutuar entre as tempestades do que a caminhar na terra, mantém fixo o olhar no esplendor desta estrela, se não quiseres ser aniquilado pelos furacões. Se insurgem os ventos das tentações e te encalhas entre as rochas das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria... Nos perigos, nas angústias, nas perplexidades, pensa em Maria, invoca Maria... Seguindo os seus exemplos não te perderás; invocando-a não perderás a esperança; pensando nela não cairás no erro. Amparado nela não escorregarás; sob a sua protecção nada recearás; com a sua guia não te cansarás; com a sua protecção alcançarás a meta" (Homilias em louvor da Virgem Mãe, 2, 17).
O Papa Bento XVI, como não podia deixar de ser, dirigiu aos jovens uma mensagem que pode ser lida AQUI. No entanto, não posso deixar de aqui citar a parte final da sua mensagem invocando a figura de Santa Maria, mãe de Jesus, e utilizando as palavras de uma conhecida exortação de São Bernardo, inspirada no título de Maria Stella maris, Estrela do mar:
"Tu que na instabilidade contínua da vida presente, te vês mais a flutuar entre as tempestades do que a caminhar na terra, mantém fixo o olhar no esplendor desta estrela, se não quiseres ser aniquilado pelos furacões. Se insurgem os ventos das tentações e te encalhas entre as rochas das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria... Nos perigos, nas angústias, nas perplexidades, pensa em Maria, invoca Maria... Seguindo os seus exemplos não te perderás; invocando-a não perderás a esperança; pensando nela não cairás no erro. Amparado nela não escorregarás; sob a sua protecção nada recearás; com a sua guia não te cansarás; com a sua protecção alcançarás a meta" (Homilias em louvor da Virgem Mãe, 2, 17).
sábado, 4 de abril de 2009
[772.] - Requiescat In Pace
Faleceu esta tarde Manuel Joaquim Pires Santos, o dr.Manel Joaquim do Murtal. Foi o homem com o perfil e o currículo politico mais vasto no concelho da Mealhada. Era um homem notavel, maçon, um democrata classico da escola maçónica socialista.
Lamento o seu desaparecimento.
Que descanse em Paz.
Lamento o seu desaparecimento.
Que descanse em Paz.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
[770.] - Dias vencidos
20 de Março de 2009, sexta-feira
CEMITÉRIOS - Por necessidade profissional hoje tive de visitar o Cemitério do Luso. Pode ser um local sórdido, emotivo, mas é perene, é social, é histórico, é da memória. É importante.
CEMITÉRIOS - Por necessidade profissional hoje tive de visitar o Cemitério do Luso. Pode ser um local sórdido, emotivo, mas é perene, é social, é histórico, é da memória. É importante.
[769.] - Dias vencidos
19 de Março de 2009, quinta-feira
PROVEDOR DE JUSTIÇA - O Provedor de Justiça falou de mais. Tem razão em estar chateado porque quer organizar a sua vida, deixar o cargo com dignidade e parece que os partidos políticos se estão a lixar para ele... Mas há limites e ele, que até fez um mandato tão imparcial e tão elogiado, poderia ter evitado criticar de modo tão rasteiro o Partido Socialista. Não vale a pena justar-se a eles para vencer os partidos!
379 ANOS - Hoje é Dia do Pai, Dia de São José, e é, também, o dia em que passam 379 anos sobre o inicio da vida regular dos carmelitas no Deserto do Bussaco, em 1630.
PROVEDOR DE JUSTIÇA - O Provedor de Justiça falou de mais. Tem razão em estar chateado porque quer organizar a sua vida, deixar o cargo com dignidade e parece que os partidos políticos se estão a lixar para ele... Mas há limites e ele, que até fez um mandato tão imparcial e tão elogiado, poderia ter evitado criticar de modo tão rasteiro o Partido Socialista. Não vale a pena justar-se a eles para vencer os partidos!
379 ANOS - Hoje é Dia do Pai, Dia de São José, e é, também, o dia em que passam 379 anos sobre o inicio da vida regular dos carmelitas no Deserto do Bussaco, em 1630.
[768.] - Dias vencidos
18 de Março de 2009, quarta-feira
DIA DO HOMEM - Para todos aqueles, e aquelas, que contestam a necessidade da existência de um Dia da Mulher, por não haver um Dia do Homem, fica o registo. Hoje é Dia do Homem! Infelizmente é comemorado apenas na Mongólia...
DIA DO HOMEM - Para todos aqueles, e aquelas, que contestam a necessidade da existência de um Dia da Mulher, por não haver um Dia do Homem, fica o registo. Hoje é Dia do Homem! Infelizmente é comemorado apenas na Mongólia...
[767.] - Dias vencidos
17 de Março de 2009, terça-feira
TORGA - Jorge Sampaio, na cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, ao lado da linda monarca da Jordânia, Ranya, afirmou: «O Universal é o local sem muros». Trata-se de uma fantástica citação de Miguel Torga.
PRESERVATIVO - Bento XVI afirma que o preservativo não é solução para a Sida. E não é. Uma vez que não se trata de um fármaco que elimine o virus. Mas se ninguém usasse preservativo a doença ter-se-ia propagado muito mais do que já está. Ou seja, mais vale não dizer nada do que defender, ou arriscar ser entendido como, a não utilização do preservativo.
TORGA - Jorge Sampaio, na cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, ao lado da linda monarca da Jordânia, Ranya, afirmou: «O Universal é o local sem muros». Trata-se de uma fantástica citação de Miguel Torga.
PRESERVATIVO - Bento XVI afirma que o preservativo não é solução para a Sida. E não é. Uma vez que não se trata de um fármaco que elimine o virus. Mas se ninguém usasse preservativo a doença ter-se-ia propagado muito mais do que já está. Ou seja, mais vale não dizer nada do que defender, ou arriscar ser entendido como, a não utilização do preservativo.
[766.] - Dias vencidos
16 de Março, segunda-feira
COERÊNCIA - O primeiro-ministro desfiou hoje duras acusações ao sindicalismo partidarizado. E onde é que disse isto? Disse-o no discurso de conclusão da reunião da Tendência Sindical Socialista que elegeu João Proença como seu líder. Que por sua vez, e por ocupar este cargo, será eleito secretário geral da UGT, a segunda maior agremiação sindical do país!
Sindicalismo Partidarizado? Todo ele é... não é só o da CGTP!
COERÊNCIA - O primeiro-ministro desfiou hoje duras acusações ao sindicalismo partidarizado. E onde é que disse isto? Disse-o no discurso de conclusão da reunião da Tendência Sindical Socialista que elegeu João Proença como seu líder. Que por sua vez, e por ocupar este cargo, será eleito secretário geral da UGT, a segunda maior agremiação sindical do país!
Sindicalismo Partidarizado? Todo ele é... não é só o da CGTP!
[765.] - Dias vencidos
15 de Março de 2009, domingo
ATÉ AMANHÃ CAMARADAS - Há livros que mexem connosco. Uns porque nos trazem informações e emoções sobre algo que nos comove. Outros porque ilustram coisas pelas quais sempre lutámos ou o contrário. Ando a ler o "Até Amanhã Camaradas" por causa da Revista VIA que em breve lançaremos. Não sou comunista nem sequer de esquerda, mas aquilo mexe com um gajo. Está escrito para cultivar o martírio e o heroísmo comunista. Mas se tirarmos toda a adjectivação, toda a lustrosidade fica um testemunho muito interessante.
«Cunhal tinha bem consciência — e algumas vezes mo disse — de que a matéria recorrente desse conjunto de novelas e contos, em que brilha como um diamante o romance Até Amanhã Camaradas, é o Partido Comunista, como corpo teórico e prático voltado para a revolução socialista, ou seja, a transformação da nossa sociedade, moldada e esmagada pelo fascismo, numa democracia igualitária, à medida de Portugal. Quase um exército da sombra, uma força organizada composta por homens e mulheres que na luta por essa causa afrontam toda a casta de dificuldades e sacrifícios, cada qual com as suas qualidades e defeitos, suas marcas pessoais, sonhos e fraquezas.
Até Amanhã Camaradas narra a reorganização do Partido Comunista num período difícil e apaixonante de conflitos sociais, greves, manifestações, reuniões clandestinas, distribuição de imprensa. Estas acções, historicamente verídicas, poderiam gerar um discurso frio. No entanto, cada gesto, cada palavra dessas personagens que correm mil riscos e por vezes até parecem poder vergar ao peso das responsabilidades chega a nós cheio de humanidade.
A coragem destes heróis da insegurança e do segredo não exclui a angústia, as apreensões. Alguns desafiam a sua própria natureza e até acontece sucumbirem à doença ou ao cansaço mas, ao longo de todas as peripécias que se vão desenrolando, todos ou quase todos crescem e alguns se agigantam nas ocasiões mais perigosas ou de maior tensão. São muito diferentes uns dos outros, como são os seres humanos na vida corrente.
A amizade, o amor, o ciúme, a gratidão aqui se nos deparam, o que significa que, sendo Até Amanhã Camaradas um romance político, é antes de mais um romance, forte e profundo no modo como nos mostra a evolução dos comportamentos e através dos diálogos não raro desoculta sentimentos recalcados ou exprime emoções, pulsões eróticas, receios, esperanças em torno da realização dos projectos comuns. Sempre na linguagem clara precisa e plástica de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, ágil no descritivo, rápido na condução dos eventos». Urbano Tavares Rodrigues
ATÉ AMANHÃ CAMARADAS - Há livros que mexem connosco. Uns porque nos trazem informações e emoções sobre algo que nos comove. Outros porque ilustram coisas pelas quais sempre lutámos ou o contrário. Ando a ler o "Até Amanhã Camaradas" por causa da Revista VIA que em breve lançaremos. Não sou comunista nem sequer de esquerda, mas aquilo mexe com um gajo. Está escrito para cultivar o martírio e o heroísmo comunista. Mas se tirarmos toda a adjectivação, toda a lustrosidade fica um testemunho muito interessante.
«Cunhal tinha bem consciência — e algumas vezes mo disse — de que a matéria recorrente desse conjunto de novelas e contos, em que brilha como um diamante o romance Até Amanhã Camaradas, é o Partido Comunista, como corpo teórico e prático voltado para a revolução socialista, ou seja, a transformação da nossa sociedade, moldada e esmagada pelo fascismo, numa democracia igualitária, à medida de Portugal. Quase um exército da sombra, uma força organizada composta por homens e mulheres que na luta por essa causa afrontam toda a casta de dificuldades e sacrifícios, cada qual com as suas qualidades e defeitos, suas marcas pessoais, sonhos e fraquezas.
Até Amanhã Camaradas narra a reorganização do Partido Comunista num período difícil e apaixonante de conflitos sociais, greves, manifestações, reuniões clandestinas, distribuição de imprensa. Estas acções, historicamente verídicas, poderiam gerar um discurso frio. No entanto, cada gesto, cada palavra dessas personagens que correm mil riscos e por vezes até parecem poder vergar ao peso das responsabilidades chega a nós cheio de humanidade.
A coragem destes heróis da insegurança e do segredo não exclui a angústia, as apreensões. Alguns desafiam a sua própria natureza e até acontece sucumbirem à doença ou ao cansaço mas, ao longo de todas as peripécias que se vão desenrolando, todos ou quase todos crescem e alguns se agigantam nas ocasiões mais perigosas ou de maior tensão. São muito diferentes uns dos outros, como são os seres humanos na vida corrente.
A amizade, o amor, o ciúme, a gratidão aqui se nos deparam, o que significa que, sendo Até Amanhã Camaradas um romance político, é antes de mais um romance, forte e profundo no modo como nos mostra a evolução dos comportamentos e através dos diálogos não raro desoculta sentimentos recalcados ou exprime emoções, pulsões eróticas, receios, esperanças em torno da realização dos projectos comuns. Sempre na linguagem clara precisa e plástica de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, ágil no descritivo, rápido na condução dos eventos». Urbano Tavares Rodrigues
[764.] - Dias vencidos
14 de Março de 2009, sábado
ANIMAIS EM EXTINÇÃO - Foi publicada hoje lista actualizada dos animais em risco de extinção. Que planeta vamos deixar aos nossos filhos? Que filhos vamos deixar ao nosso planeta?
SER EM LISBOA - Estar em Lisboa é diferente de SER em Lisboa. Nunca se perspectivou na minha vida ter de ir viver, de ir ser, na capital do Império. Mas cada vez que lá vou tenho saudades do nível de vida que tenho na provincia!
*
TRISTEZA - Deve ser destes dias... mas sinto-me triste pelas pessoas que não têm amigos como eu tenho. Não têm amigos como eu tenho, nem como os que eu tenho. Não é justo! Abaixo a Solidão!
ANIMAIS EM EXTINÇÃO - Foi publicada hoje lista actualizada dos animais em risco de extinção. Que planeta vamos deixar aos nossos filhos? Que filhos vamos deixar ao nosso planeta?
SER EM LISBOA - Estar em Lisboa é diferente de SER em Lisboa. Nunca se perspectivou na minha vida ter de ir viver, de ir ser, na capital do Império. Mas cada vez que lá vou tenho saudades do nível de vida que tenho na provincia!
*
TRISTEZA - Deve ser destes dias... mas sinto-me triste pelas pessoas que não têm amigos como eu tenho. Não têm amigos como eu tenho, nem como os que eu tenho. Não é justo! Abaixo a Solidão!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
[763.] - Eis porque sou (e continuo) católico!
Às vezes sinto que algumas pessoas não compreendem por que razão sou católico. Ou como sou capaz de ser católico e compactuar com posições da Igreja que aos olhos dessas pessoas eu não poderia aceitar. E muitas não aceito. A razão de ser da minha posição, para além de uma questão de Fé, claro está, reside, também, da própria compreensão que tenho do que é a Igreja Católica.
O texto do Bispo de Viseu, Dom Ílidio Pinto Leandro, "A Igreja e a Sexualidade", «A propósito dos preservativos...» como ele próprio diz, recentemente divulgado, é bom exemplo de que a posição que eu tenho, o meu entendimento do que é a Igreja, não é exclusivo. Sinto-me reconfortado com isso. E não estou a falar da questão do uso do preservativo, isso até é, no meu entender, perfeitamente lateral. Falo da explicação que Dom Ilídio Leandro faz sobre o que disse e o que se deve entender das palavras de Bento XVI quando ele se pronuncia. (Note-se que digo "da explicação que Dom Ilídio Leandro faz", e não da explicação que dá...)
A Igreja Católica é feita de pessoas, a grande maioria delas leigos e uma outra parte relevante que é a hierarquia, o clero. A missão da hierarquia é diferente da missão dos leigos e dos fieis. O que diz o clero, as determinações dos padres, dos bispos e do Papa são relevantes, mas devem ser entendidas. E quando se diz entendidas, diz-se reflectidas, diz-se analisadas, diz-se perspectivadas.
O texto do bispo de Viseu a este propósito é de uma clareza admirável. Acho importante a sua divulgação porque está dito de forma inteligente e para pessoas inteligentes compreenderem. Os católicos são ovelhas de Cristo, o Bom Pastor, não são uma carneirada de acéfalos.
Aqui fica o texto do Bispo de Viseu - que ultimamente tão extraordinários prelados tem tido - com sublinhados meus.
A viagem de Bento XVI a África
A propósito dos preservativos…
Causou algum escândalo a afirmação do Papa, várias vezes repetida como tese da Igreja, de que o preservativo não é a solução para o combate ao vírus da Sida. Que queriam que ele dissesse? Afirmando que sim, banalizava o valor, o sentido e a vivência da sexualidade, enquanto dimensão do ser humano, centro, símbolo e expressão das relações profundas da pessoa, a viver no amor, na fidelidade (confiança recíproca), na estabilidade e na responsabilidade.
O Papa, quando fala da Sida ou de outros aspectos da vida humana, não pode fazer doutrina para situações individuais e casos concretos. Neste caso, para relações entre uma pessoa infectada e outra que pode ser afectada com a doença. Nestes casos, quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa. Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório.
E não tenhamos medo ou reserva mental ou hipocrisia de admitir esta doutrina! Não usamos tantos “auxiliares” artificiais para promover a vida e defender a saúde? As intervenções cirúrgicas, os fármacos, as próteses e tantas outras técnicas ao serviço da pessoa, em situação de doença, não são formas de ‘preservar’, defender e promover a saúde?... Então, porquê esta afirmação do Papa a veicular uma doutrina e, precisamente, na viagem para África – o continente mais atingido por esta doença? Como doutrina, como ideal, como princípio de dignidade, defesa e promoção da vida humana, o Papa não pode dizer outra coisa. Como, também, deverá ser a deontologia do médico, praticando a medicina para promover e defender a vida em todas as circunstâncias possíveis, ainda que, para defender valores em conflito, possa pôr-se perante situações inevitáveis de morte…
Ainda bem que o Papa não cede a tentações de simpatia, facilitismo ou conveniência!... Esta é parte da sua cruz pascal (também da Igreja, dos Bispos, dos Sacerdotes, dos Cristãos) – ter valores e causas a defender para a realização integral da pessoa humana e gastar a vida por eles, ao serviço da dignidade e sentido da pessoa e da sua plenitude. Será falta de hábito e de cultura da exigência e da honestidade, numa sociedade tão relativa, tão mínima e tão pouca ambiciosa e coerente na defesa das pessoas e dos seus valores? Será tão fácil o escândalo farisaico de quem não sabe interpretar as diferenças entre valores e princípios gerais, por um lado e situações concretas e pessoais, por outro? Sim... Está aqui a grande diferença: a chamada “lei da gradualidade” explica que, existindo a lei geral a afirmar, a exigir e a promover valores, eles não esmagam a pessoa concreta, em situações muito individuais… Eles dão a mão com paciência, tolerância e compreensão para que a pessoa “situada” compreenda, aceite e queira caminhar, ao ritmo de um ideal libertador, defendido por uma lei orientadora. Acredita-se sempre no ideal que a pessoa é chamada a atingir, porque a dignifica e valoriza, ainda que demore algum tempo ou não chegue nunca a atingi-lo.
Este é o papel da formação personalizada e libertadora, dada individualmente ou em pequeno grupo, sempre como desafio à conversão e à vida digna e feliz. O legislador, como referência do ideal a amar e a seguir, não pode deixar de estar acima e ser exigente, apelando, com a sabedoria de mestre e, sobretudo, com o amor e a proximidade de pai, a um grande ideal, percorrendo um caminho juntos, indo até onde for possível. Sobretudo, nunca abandonando a pessoa.
A terminar: como são parciais e intencionais as apreciações da doutrina da Igreja veiculada pelo Papa para o Continente Africano e não só!...
O preservativo teria sido o tema mais importante – quase único? Mesmo a respeito do tema da Sida, foi a única coisa que o Papa disse?
E outros temas, como a pobreza, a fome, a justiça social (…) e os apelos a que os países ricos cumpram os seus compromissos a favor do desenvolvimento?...
E a denúncia de que África não pode ser vista como o “reino do dinheiro”, explorando a sua riqueza e as suas matérias-primas, deixando este Continente entregue à sua insuficiência económica, industrial e financeiramente?...
E os desafios, feitos aos jovens, convidando-os à coragem da aventura e a que não tenham medo das decisões definitivas, sabendo que a vida está dentro deles?...
E os desafios entreabertos e a aprofundar, quando denomina a África como o “Continente da Esperança”?... E a coragem que o Papa manifesta, ao falar e abordar tantos temas incómodos?...
E como entender a coragem e a capacidade de um homem, com quase 82 anos, que enfrenta situações desta natureza para ir falar, no lugar próprio, dos temas e das causas que defende e nos quais acredita, ainda que saiba que são incómodos para tantos?...
Ao serviço de quem estão tantos meios de comunicação social, tantos opinionmakers e tantos poderes instituídos, que mais parecem donos ou correias de transmissão de interesses económicos e políticos que dos direitos, liberdades e dignidade da pessoa humana, a começar pelas mais pobres e mais indefesas?...
Alguns perderam mesmo uma grande oportunidade de trazer para a reflexão dos “grandes” os grandes problemas dos “pequenos” que – infelizmente – continuam a não ter voz nem vez no actual (des)concerto das nações.
Ilídio, bispo de Viseu
Mensagem episcopal de Dom Ilídio Pinto Leandro "A Igreja e a Sexualidade"
[762.] - Mercurii dies
Um ano depois
A propósito da recuperação das Termas de Luso
Há precisamente um ano, na edição do Jornal da Mealhada de 2 de Abril de 2008, dávamos conta da apresentação pública, ocorrida dois dias antes, do parceiro da Sociedade da Água de Luso (SAL), a Maló Clinic Health Group (MCHG), para a gestão e desenvolvimento das Termas de Luso, concessão que a SAL detém juntamente com a exploração da água.
No editorial a que demos o título “E agora?” enunciámos algumas das convicções que resultaram da nossa análise, pessoal, da conferência de imprensa da referida apresentação pública, na qual intervieram Alberto da Ponte, administrador da SAL, e Paulo Maló, da MCHG. Lembramos, dessa apresentação pública, o compromisso de investimento de três milhões de euros num complexo de SPA médico, que ocuparia cerca de mil e quatrocentos metros quadrados. Assumida foi, ainda, a garantia de que, em Outubro de 2009, seria emitida a primeira factura pela utilização do serviço, que, a partir desse mês, abriria ao público.
«Ficou claro, na intervenção de Paulo Maló, que a MCHG pretende dar notoriedade à vila do Luso e que pretende não perder dinheiro. Maló disse que, para isso, seria preciso ‘transformar as termas numa espécie de shopping da saúde’ — com termalismo clássico, com SPA, com comercialização de produtos cosméticos, serviço de fisioterapia e, acima de tudo, com a prestação de um serviço de check-up médico completo aos utentes. Afirmou, também, que o projecto que pretende realizar está vocacionado especialmente para um mercado de clientes de gama média alta, com poder económico, à procura de qualidade nos cuidados de saúde, no turismo, na hotelaria e na restauração», escrevemos nessa altura no referido editorial.
Agora, um ano depois, reafirmamos outra consideração que evidenciámos na altura: «Entendemos que estamos a viver um momento de viragem nas Termas de Luso e, consequentemente, na economia do Luso e do concelho da Mealhada. Não será fácil aceitar novo falhanço na tão desejada solução da desesperante necessidade de recuperação das Termas de Luso».
Acreditamos que não haverá falhanço, mas os sinais não parecem correr a favor dessa convicção. Bastaria assinalar o compromisso de realização do projecto e de finalização das obras em dezoito meses e ver que já passaram doze, dois terços, e a obra ainda nem sequer começou. Soubemos, no início de Março, que era intenção do consórcio que as obras se iniciassem ainda nesse mês. Nessa mesma altura foi renovado o compromisso de conclusão das obras dentro de seis meses, e realizou-se uma reunião entre o consócio SAL-MCHG e o Movimento dos Comerciantes e Hoteleiros do Luso da qual viria a resultar, dias depois, uma conferência de imprensa do movimento apresentando algumas dúvidas para as quais o consórcio não tinha apresentado, ainda, uma satisfatória resposta.
Pegámos nas questões apresentadas nessa conferência de imprensa e colocámo-las aos responsáveis pelo consórcio. Editamos esta semana, na página 9 deste jornal, as respostas que nos foram enviadas por Alberto da Ponte e Paulo Maló. Deixamos ao Movimento dos Comerciantes e dos Hoteleiros e aos nossos leitores a apreciação dessas mesmas respostas e a avaliação de até que ponto satisfazem as dúvidas. Não estamos avalizados a responder a isso, mas sempre registamos a convicção, o ar de certeza e de garantia, com que o consórcio garante a realização dos projectos tornados públicos.
No editorial de há um ano aplaudimos a criação do Movimento de Comerciantes e Hoteleiros do Luso: «Consideramos que poderá ser um elemento fundamental para que o máximo de pessoas retire o máximo proveito do projecto que agora se anunciou. Acreditamos, firmemente, que só uma estrutura com estas condições poderá dar aos empresários do Luso as informações e a esperança de que necessitam para poderem transformar os seus negócios e aproveitarem a oportunidade».
Um ano depois, como já se disse, muito pouco se viu no avançar do projecto e da obra do SPA termal, a que a SAL-MCHG nega alguma vez ter chamado ‘Mega’. Viu-se, por outro lado, crescer a credibilidade da acção do Movimento que tem servido de guarda avançada na defesa dos interesses da comunidade do Luso com uma legitimidade que, pela força das circunstâncias, se sobrepõe à do poder político. Os porta-vozes desta organização têm-se feito ouvir com inteligência, têm demonstrado com fundamentação, até de números, os seus argumentos. Entendemos, por isso, que se trata de um movimento que tem realizado o seu papel e tem sido interlocutor respeitado pelo consórcio o que poderá constituir estímulo relevante para que o consórcio se esforce por honrar os seus compromissos e não falhar.
Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Abril de 2009
A propósito da recuperação das Termas de Luso
Há precisamente um ano, na edição do Jornal da Mealhada de 2 de Abril de 2008, dávamos conta da apresentação pública, ocorrida dois dias antes, do parceiro da Sociedade da Água de Luso (SAL), a Maló Clinic Health Group (MCHG), para a gestão e desenvolvimento das Termas de Luso, concessão que a SAL detém juntamente com a exploração da água.
No editorial a que demos o título “E agora?” enunciámos algumas das convicções que resultaram da nossa análise, pessoal, da conferência de imprensa da referida apresentação pública, na qual intervieram Alberto da Ponte, administrador da SAL, e Paulo Maló, da MCHG. Lembramos, dessa apresentação pública, o compromisso de investimento de três milhões de euros num complexo de SPA médico, que ocuparia cerca de mil e quatrocentos metros quadrados. Assumida foi, ainda, a garantia de que, em Outubro de 2009, seria emitida a primeira factura pela utilização do serviço, que, a partir desse mês, abriria ao público.
«Ficou claro, na intervenção de Paulo Maló, que a MCHG pretende dar notoriedade à vila do Luso e que pretende não perder dinheiro. Maló disse que, para isso, seria preciso ‘transformar as termas numa espécie de shopping da saúde’ — com termalismo clássico, com SPA, com comercialização de produtos cosméticos, serviço de fisioterapia e, acima de tudo, com a prestação de um serviço de check-up médico completo aos utentes. Afirmou, também, que o projecto que pretende realizar está vocacionado especialmente para um mercado de clientes de gama média alta, com poder económico, à procura de qualidade nos cuidados de saúde, no turismo, na hotelaria e na restauração», escrevemos nessa altura no referido editorial.
Agora, um ano depois, reafirmamos outra consideração que evidenciámos na altura: «Entendemos que estamos a viver um momento de viragem nas Termas de Luso e, consequentemente, na economia do Luso e do concelho da Mealhada. Não será fácil aceitar novo falhanço na tão desejada solução da desesperante necessidade de recuperação das Termas de Luso».
Acreditamos que não haverá falhanço, mas os sinais não parecem correr a favor dessa convicção. Bastaria assinalar o compromisso de realização do projecto e de finalização das obras em dezoito meses e ver que já passaram doze, dois terços, e a obra ainda nem sequer começou. Soubemos, no início de Março, que era intenção do consórcio que as obras se iniciassem ainda nesse mês. Nessa mesma altura foi renovado o compromisso de conclusão das obras dentro de seis meses, e realizou-se uma reunião entre o consócio SAL-MCHG e o Movimento dos Comerciantes e Hoteleiros do Luso da qual viria a resultar, dias depois, uma conferência de imprensa do movimento apresentando algumas dúvidas para as quais o consórcio não tinha apresentado, ainda, uma satisfatória resposta.
Pegámos nas questões apresentadas nessa conferência de imprensa e colocámo-las aos responsáveis pelo consórcio. Editamos esta semana, na página 9 deste jornal, as respostas que nos foram enviadas por Alberto da Ponte e Paulo Maló. Deixamos ao Movimento dos Comerciantes e dos Hoteleiros e aos nossos leitores a apreciação dessas mesmas respostas e a avaliação de até que ponto satisfazem as dúvidas. Não estamos avalizados a responder a isso, mas sempre registamos a convicção, o ar de certeza e de garantia, com que o consórcio garante a realização dos projectos tornados públicos.
No editorial de há um ano aplaudimos a criação do Movimento de Comerciantes e Hoteleiros do Luso: «Consideramos que poderá ser um elemento fundamental para que o máximo de pessoas retire o máximo proveito do projecto que agora se anunciou. Acreditamos, firmemente, que só uma estrutura com estas condições poderá dar aos empresários do Luso as informações e a esperança de que necessitam para poderem transformar os seus negócios e aproveitarem a oportunidade».
Um ano depois, como já se disse, muito pouco se viu no avançar do projecto e da obra do SPA termal, a que a SAL-MCHG nega alguma vez ter chamado ‘Mega’. Viu-se, por outro lado, crescer a credibilidade da acção do Movimento que tem servido de guarda avançada na defesa dos interesses da comunidade do Luso com uma legitimidade que, pela força das circunstâncias, se sobrepõe à do poder político. Os porta-vozes desta organização têm-se feito ouvir com inteligência, têm demonstrado com fundamentação, até de números, os seus argumentos. Entendemos, por isso, que se trata de um movimento que tem realizado o seu papel e tem sido interlocutor respeitado pelo consórcio o que poderá constituir estímulo relevante para que o consórcio se esforce por honrar os seus compromissos e não falhar.
Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Abril de 2009
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