quarta-feira, 26 de agosto de 2009

[832.]

Coloque-nos as perguntas que gostaria de ver respondidas
A propósito das eleições autárquicas e legislativas

“Com a entrega dos processos de candidaturas nos tribunais das comarcas, cujo prazo acabou na segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, termina a fase de preparação política dos partidos para as candidaturas aos órgãos autárquicos e começa o período de pré-campanha eleitoral. O Jornal da Mealhada procura acompanhar a actualidade política e contribuir, também, para um melhor esclarecimento da comunidade dos seus leitores em relação aos candidatos e às propostas de realizações que apresentam para o concelho da Mealhada”.
O parágrafo anterior é a transcrição do texto com que abrimos o caderno especial Autárquicas 2009 que publicamos no interior da presente edição do Jornal da Mealhada.
O propósito de contribuir para um melhor esclarecimento da comunidade dos leitores deste jornal (sejam eles eleitores ou não), relativamente às eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009, reflecte-se, desde já, na divulgação integral de todas as listas de candidatos às oito assembleias de freguesia, à Câmara Municipal e Assembleia Municipal da Mealhada.
Num caderno especial de oito páginas, integrado na publicação especial do Jornal da Mealhada, apresentamos hoje o nome de todos os candidatos, acompanhado com as fotografias dos cabeças-de-lista.
Até 11 de Outubro de 2009, dia das eleições autárquicas, publicaremos seis edições do Jornal da Mealhada ao longo das quais procuraremos fazer o acompanhamento jornalístico das principais iniciativas da campanha eleitoral no município e divulgar as ideias fundamentais das linhas de acção dos programas dos três partidos políticos que apresentam candidaturas no concelho da Mealhada. Faremos este acompanhamento com reportagens e, acima de tudo, com a publicação do resultado de inquéritos ou entrevistas que a seu tempo solicitaremos aos partidos políticos para obtenção das suas respostas. Num esforço que será compreendido por todos os nossos leitores esperamos publicar as principais ideias apresentadas nos seus programas eleitorais pelos vinte e nove cabeças-de-lista que se submetem à votação dos eleitores em Outubro.
Numa democracia que se quer participada não caberá apenas ao jornalista, ao chefe de redacção ou ao director de um jornal a escolha das perguntas a colocar aos candidatos, a identificação do que é mais relevante para a promoção da qualidade de vida das pessoas. Numa altura em que, neste jornal, todo o cidadão pode ser repórter, queremos recolher o contributo dos nossos leitores na identificação dos temas que gostariam de ver tratados pelos candidatos e das perguntas que gostariam de ver respondidas por eles – sejam eles candidatos a assembleias de freguesia, à Câmara Municipal ou à Assembleia Municipal.
Caro leitor, envie-nos a sua sugestão por e-mail, por fax ou por telefone (os contactos da nossa redacção encontram-se publicados na margem inferior da página 6 desta edição). Há quatro anos, por exemplo – lembramo-lo com gosto –, foi em consequência do contributo dado por um leitor do Jornal da Mealhada que todos os candidatos se sentiram na obrigação de tomar posição relativamente à problemática dos maus cheiros que assolavam (e tantas vezes assolam ainda) a cidade da Mealhada.
No mesmo sentido estamos abertos ao contributo dos nossos leitores para sugestão de perguntas a colocar aos cabeças-de-lista dos partidos políticos que concorrem às eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009 pelo círculo eleitoral de Aveiro. Também neste caso procuraremos questionar directamente os candidatos em relação a problemas concretos do concelho da Mealhada e da região, esperando, também, ver assumidos compromissos com vista à sua resolução. Através dos mesmos meios, os que constam da ficha técnica da página 6, pode qualquer leitor fazer-nos chegar a sua sugestão.
Estimados leitores, não percam esta oportunidade de, através deste jornal, obterem, as informações que poderão contribuir para que, nas eleições autárquicas ou nas legislativas, votem na força política que propõem os projectos mais aliciantes ou que maiores garantias dá para fazer face aos problemas que, no entender do leitor, mais afectam a qualidade de vida da nossa comunidade.

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de Agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Comemoração dos 400 anos da invenção do telescópio de Galileu Galilei

domingo, 23 de agosto de 2009

[830.] Yes, We Can! Versão estónia

Uma inspiração para a limpeza das matas? para a limpeza das praias? para angariar apoios para os mais desfavorecidos? para... tanta coisa!

É possível!

[829.]

Entrámos na Loucura!
Toda a gente anda a postar imagens dos outdoors da campanha eleitoral autárquica que pululam pelo país. O Fio dos Dias alinha na loucura. Aqui ou por aí...
em
por exemplo.
CANTANHEDE
Cantanhede, distrito de Coimbra, PSD
João Moura, do PSD, recandidata-se ao lugar de presidente da Câmara de Cantanhede com o slogan 'No Rumo Certo'. É presidente desde 2001.
Cantanhede, distrito de Coimbra, PS

Manuel Ruivo, do PS, é, novamente, a aposta socialista para ganhar a Câmara de Cantanhede. O slogan de Ruivo é 'Do seu lado'... só não se percebe em que espaço...
*
Se alguém me quiser mandar imagens de outras campanhas ou de outros materiais de propaganda, estejam à vontade! Para ncastelacanilho@gmail.com
*
ADENDA 26.08.2009
Estas fotos foram aceites como contributos no www.autarquicas.sapo.pt

[829.] III - Fui a banhos à Tocha...

... i mantive-me informado apenas pelo i


O projecto editorial do i motivou, desde o inicio, a minha atenção e acompanhamento. Manifestei essa minha curiosidade logo no dia em que saiu o primeiro número.


Nestes dias de férias dei preferência ao jornal para poder fazer um melhor julgamento. Estava à espera de melhor. Achei demasiado light, demasiado superficial na análise dos temas e demasiado americanófilo. Lamento.


[828.] II - Fui a banhos à Tocha...

... e li o livro de José Rodrigues dos Santos, "A Vida num Sopro".


Não achei assim nada de especial. Talvez até seja um bocado embrulhado. Há, no entanto, um aspecto que ressalta à vista e que é, no meu entender, preconceituoso.

Tanto neste livro como no "Rio das Flores", de Miguel Sousa Tavares, o protagonista, mesmo vivendo na década de 30 do século passado, manifestam-se anti-salarazistas e libertários. É certo que não tomam nenhuma acção concreta, relevante, contra o regime - não participam em nenhuma acção da oposição, nem se tornam militantes comunistas - mas falam de modo contestário.

A ideia é preconceituosa porque se escreve hoje em Portugal sobre o passado, com preconceitos de hoje e sem entender o pensamento da altura. Na década de 1930 o Estado Novo era uma solução desejada e aplaudida pela grande maioria dos portugueses e as liberdades estavam tão tolhidas, desde 1926, como já haviam estado noutras alturas durante a primeira república.

Em "A Vida num Sopro" o protagonista, Luís António Afonso chega até a entrar em contradição com o que afirma.

Aborrece-me que não se tenha a honestidade intelectual suficiente para evitar que se escrevam estórias, com a história revisitada e com os preconceitos da actualidade. Infelizmente, foi dessa maneira que durante o Estado Novo se subverteram teses e se enalteceram heróis históricos portugueses e se fez uma história oficial, à medida das necessidades do regime. Agora faz-se a mesma coisa...

[827.] I - Fui a banhos à Tocha...

... e gostei.

Sou um gajo avesso a praia.
Nunca gostei muito.
Sempre achei um desperdício de tempo... estar ali... numa mega torradeira solar... a fritar... tipo churrascada... vira de um lado, vira do outro.
Gosto do banho, nunca gostei da praia.

Mas desta vez gostei. Pela companhia? Porque as condições eram diferentes? Porque estava a precisar? Gostei. E isso basta para repetir... qualquer dia!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

[826.]


Exercício interessante ou uma boa racionalização de posições?

ADENDA
22.08.2009

Eu fiz o exercício e publico, agora, o resultado.
Sem grandes (mas com algumas) surpresas aqui vai:

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

[825.]

[823.]

Mealhada não estaria melhor no distrito de Coimbra?
A propósito do processo de escolha de candidatos a deputados pelo círculo de Aveiro

Apesar de o concelho da Mealhada ser, no distrito de Aveiro, o que melhores resultados tem dado ao Partido Socialista, consecutiva e ininterruptamente, durante os últimos vinte anos, pelo menos, não figura na lista de candidatos a deputados pelo círculo de Aveiro o nome de nenhum mealhadense em lugar elegível, nem sequer na lista de efectivos. No último acto eleitoral realizado em Portugal, por exemplo – as eleições para o Parlamento Europeu – o concelho da Mealhada foi o único que deu a vitória ao partido da rosa no distrito.
Apesar de a estrutura concelhia da Mealhada do PSD ser das maiores do distrito de Aveiro, com a quinta posição em termos de número de militantes, e de os seus dirigentes serem pessoas com currículo político e partidário, a verdade é que o candidato indicado pela Mealhada na lista de deputados, João Peres, figura na 13.ª posição. Uma posição que não é elegível e – com todo o respeito – não faz jus nem ao concelho da Mealhada nem ao currículo da personalidade que o ocupa.
Nas listas candidatas ao parlamento nacional pelo círculo de Aveiro não há, em nenhuma delas, qualquer mealhadense a figurar nos primeiros dez lugares.
Se fizermos uma análise histórica, retrospectiva, à representação do concelho no parlamento português desde 1974, vemos que em 35 anos de Democracia sentaram-se em São Bento quatro munícipes do concelho da Mealhada, e todos eles por períodos relativamente curtos. Analisando caso a caso reparamos que a posse de mealhadenses foi feita, em dois dos casos, em substituição de outros deputados e, nos casos restantes, porque os eleitos representavam tendências partidárias internas ou estruturas partidárias que nada tinham a ver com a representação do concelho da Mealhada, como aconteceu, respectivamente, no caso de Rui Marqueiro, que tinha sido candidato a presidente da Federação Distrital de Aveiro do PS, e no caso de Gonçalo Breda Marques, que tinha sido presidente da distrital da JSD de Aveiro.
O que representa, afinal, o concelho da Mealhada para o distrito de Aveiro? Se para as estruturas partidárias distritais não representa nada, e nem sequer é merecedor de investimento eleitoral com a escolha de candidatos dele naturais, também não vai representar alguma coisa quando, depois, os seus dirigentes ocuparem lugares nos órgãos de soberania.

Nestes momentos, torna-se relevante, então, fazer uma pergunta já clássica da história do concelho da Mealhada: Não estaríamos melhor se fizessemos parte no distrito de Coimbra?
Quando o município da Mealhada, por volta de 2003/2004, aderiu à Grande Área Metropolitana de Coimbra – que entretanto foi extinta por decisão governamental – pensou-se que a divisão administrativa do país em distritos fosse uma realidade a extinguir e se renovaria a esperança de uma maior ligação a Coimbra, em detrimento da ligação a Aveiro. Criaram-se expectativas e pensou-se que o problema terminaria com a adopção da melhor solução. Não foi assim. E, a menos que se institua a regionalização do país, não se perspectiva qualquer mudança nesta situação.
Há opiniões diferentes sobre qual seria a melhor opção para o município da Mealhada: pertencer ao distrito de Aveiro ou ao de Coimbra? Do lado dos que defendem a ligação a Coimbra surgem argumentos de uma maior ligação de índole pessoal – afectiva –, social, cultural e económica. Do lado dos que defendem a permanência do estado actual ouve-se o argumento de que, economicamente, é mais favorável ser a Mealhada um concelho menos rico num distrito riquíssimo do que ser um concelho menos pobre num distrito paupérrimo.
Não esquecemos que em 6 de Novembro de 1836, quando foi criado, o concelho da Mealhada foi incorporado no distrito de Coimbra. Só em 25 de Outubro de 1855, por troca com o município de Mira, o concelho da Mealhada passou a fazer parte do distrito de Aveiro. Um erro histórico com 154 anos? Um negócio político que não agradou nem a mealhadenses nem a mirenses, que continuam a preferir a situação inicial?
Os responsáveis políticos – governamentais e partidários – do distrito de Aveiro não têm respeitado o concelho da Mealhada. Se os distritos e os círculos eleitorais distritais são uma realidade para continuar, então alguma coisa tem de mudar.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de Agosto de 2009

[820.]

Nunca estava na Mealhada por estes dias.
Guardava sempre a segunda quinzena de Agosto para se meter na Hiace e correr a Europa com os sobrinhos. Dar-lhe os parabéns não era tarefa fácil e na maior parte das vezes ficavam no voice mail para ele depois os receber.


Faria hoje 64 anos, apenas 64 anos.

Parabéns senhor padre. Até Sempre.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

[819.] Saudades do Paraíso

Os nossos amigos de São Tomé e Principe, Adlander, Vasco, Cosme, Suzinay, Heloisa e Neuza estão em Portugal. Chegaram a 29 de Julho e estarão até 25 de Agosto. Nesta estadia permaneceram connosco do dia da chegada até 10 de Agosto, os restantes dias estão a ser passados na companhia dos seus familiares.
Nos dias que passaram no concelho da Mealhada visitaram a cidade, o Luso e o Buçaco. Ficaram instalados na sede dos escuteiros da Pampilhosa e aí visitaram a Casa Quinhentista. Animaram a missa de domingo com os seus cânticos tradicionais em 'crioulo fôrro' e causaram sensação...
Foram recebidos pelo presidente da Cãmara da Mealhada, Carlos Cabral, e visitaram a Escola Profissional da Mealhada.

Foi um prazer para nós recebê-los e possibilitar a participação deles no Jamboree das Beiras - Acampamento Regional de Coimbra. Considero que é desta forma que se faz cooperação estratégica entre Portugal e os PALOP, sem complexos de superioridade nem distinções patéticas.
Procurámos recebê-los tão bem como eles nos receberam a nós, no Paraíso, há precisamente um ano.

Até sempre Migo Nô!

A comitiva do intercâmbio: os que vieiram e os que lá foram
(faltam Nuno e Rita João, as Marifaldas, a Sara Valle e a Ana Rita)
O ensaio dos cânticos da missa, no sábado à noite, acabou por constituir, por si só um espectáculo memorável.

No domingo, na missa, na Pampilhosa

Na quinta-feira, 30 de Julho, recebidos pelo Presidente da Câmara da Mealhada


Na segunda-feira, 10 de Agosto, visitando a Escola Profissional da Mealhada e ouvindo as características do PROAid.

domingo, 16 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

[822.]

Ser FRONTAL.

O projecto editorial FRONTAL – quinzenário dos concelhos de Mortágua e de Penacova – entra agora numa segunda fase. Depois de uma primeira fase de apresentação ao público do nosso projecto editorial, com distribuição gratuita pelos estabelecimentos comerciais, papelarias e cafés, e sectorialmente por algumas zonas residenciais entramos agora numa segunda fase de preparação para a entrada num sistema de assinaturas que decorrerá na terceira fase do nosso processo de implantação. Nessa altura, provavelmente no terceiro trimestre de 2009, o FRONTAL será acessível aos leitores através de assinatura e pela venda ao público em quiosques, tabacarias e papelarias. Até lá o FRONTAL permanecerá gratuito.
Neste momento, e aproveitando a época em que os nossos concelhos de Mortágua e de Penacova estão em festa com a recepção dos nossos emigrantes da diáspora, começamos a recolher os dados de todos os que têm intenção de se tornarem assinantes do FRONTAL. Esses dados serão processados e uma vez iniciada a terceira fase o jornal passará a ser enviado para a morada indicada. A partir dessa altura, e só a partir daí, começará a ser cobrada uma assinatura por valor anual.
O jornal será enviado para todo o país e para o estrangeiro, por valores diferentes. O custo é diferenciado e o apoio do Estado à leitura, e consequentemente à imprensa regional, tem também variantes a que a viabilidade económica de um projecto destes não pode ser alheia. Para o território português – todo ele – o custo da assinatura anual será de vinte e quatro euros. O jornal terá um valor unitário de um euro e o assinante receberá os vinte e quatro números de uma anuidade por esse preço unitário, no conforto da sua casa ou do seu trabalho, sem outros incómodos. Para o estrangeiro o custo é mais elevado, pelas razões que já apontámos e terá um valor anula de quarenta e seus euros.
A avaliação que fazemos da primeira fase de implantação do FRONTAL é muito positiva. O acolhimento por parte das comunidades foi muito positivo tanto da parte dos leitores como dos principais protagonistas da sociedade civil ou as instituições e autarquias. Houve uma desconfiança inicial por parte de algumas forças políticas – nomeadamente das actuais oposições – que, entendemos nós, estarão a ser ultrapassadas.
Os leitores perceberam que promovemos um jornalismo isento sem deixar de ser actuante e interventivo. Um jornalismo que não está condicionado pelo politicamente correcto, mas que não deixa de observar valores e princípios morais estruturantes das sociedades modernas e democráticas.
Estamos ainda a dar os primeiros passos e temos consciência de que caminhamos, ainda cambaleando, no período mais conturbado que se poderia imaginar. Uma época de crise económica e de ambiente eleitoral duplo, com eleições legislativas e, mais importante, com eleições autárquicas.
Mas esse facto não nos amedronta, antes pelo contrário. É nossa convicção de que esta é a altura em que a informação mais necessária é às pessoas, para a formação de um voto consciente e, só assim, democrático. A nossa postura sempre foi de nos posicionarmos perante o leitor de olhos nos olhos, assim continuaremos em período eleitoral. Sem comércios de favores ou outros, intransigentemente livres, garantidamente isentos perante todos os partidos e candidaturas. Só assim, de modo frontal, é que sabemos trabalhar.

Editorial do jornal FRONTAL de 13 de Agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

[821.]

O tempo revela as verdades e as mentiras
A propósito do nemátodo do pinheiro na Serra do Buçaco

Quando em 11 de Fevereiro de 2009 publicámos a informação de que a doença do nemátodo do pinheiro estava a contaminar árvores no perímetro florestal do Buçaco, Rui Rosmaninho, técnico da Direcção Regional de Florestas do Centro, acusou-nos de ligeireza. Na semana seguinte publicámos reacções de proprietários e de técnicos florestais, entre outros, que desmentiam categoricamente as declarações proferidas pelo técnico florestal do departamento do Estado responsável pelas florestas. E Rui Rosmaninho continuou a negar.
Seis meses depois, agora, em Agosto, a Associação de Defesa do Luso-Buçaco (ADeLB) e a Quercus denunciam a propagação da doença numa extensão de mais de quinhentos hectares e motivam um comunicado do Ministério da Agricultura reconhecendo a existência da doença. Diz hoje o Ministério da Agricultura – que, naturalmente, tutela a Direcção Regional de Florestas do Centro – que está planeada uma intervenção para abate dos pinheiros doentes… Mas só para Outubro, porque estão proibidas por lei as intervenções durante o período de voo dos insectos que transportam o nemátodo, o que acontece durante o Verão.
Afinal a informação dada pelo Jornal da Mealhada e o alerta feito não padeciam de ligeireza. A ligeireza estava do lado de quem ignorou o problema. Como disse Rodolfo Santos, proprietário de um pinhal na área da Serra do Buçaco abrangida pelo município de Mortágua, há seis meses: “Ligeireza é querer tapar o sol com a peneira e mandar areia para os nossos olhos”.
A doença propagou-se, atinge hoje uma área equivalente a quinhentos estádios de futebol, e só daqui a três meses se poderá dar um primeiro passo na resolução daquele problema.

Costuma dizer-se que faz parte das regras de boa educação não dizer “Eu bem te disse”, quando o mal está feito e os nossos avisos não foram tidos em conta. Mas agora apetece dizê-lo. O alerta foi dado parece-nos ter havido a intenção de ocultar a existência de uma situação que o próprio Estado classifica de calamidade para a floresta portuguesa.
E apetece dizê-lo porque, mais uma vez, se comprova que o Estado toma atitudes e tem comportamentos que reprime nos cidadãos e isso não está certo. No perímetro florestal do Buçaco, cerca de 974 hectares, é propriedade do Estado. O Estado que, por exemplo, obriga os cidadãos a abater os pinheiros ardidos e que nas suas propriedades não o faz – lembremos a este propósito as trezentas mil toneladas de pinheiros ardidos em Julho de 2005, no Vale da Formiga, e que estiveram muitos meses a apodrecer, de pé, com risco para todos e com grande prejuízo económico. O Estado entra pelos terrenos dentro e põe os seus técnicos a marcar todos os pinheiros com sintomas da doença do nemátodo dando dez dias aos proprietários para abater as árvores sob pena de sanção pecuniária, mas não abate os seus pinheiros doentes.
A Serra do Buçaco e especialmente a área onde se encontra o perímetro florestal do Buçaco é, nada mais, nada menos, a maior e melhor área de pinheiro da Europa. Dali sai uma madeira que é elogiada e cara. Uma área que agora está a apodrecer a olhos vistos por incúria do Estado.
Será que, se estes pinheiros infectados estivessem em terrenos de particulares, o Estado teria esta ligeireza de negar o óbvio e adiar a resolução do problema, tornando-o maior? Nós achamos que não. Felizmente que, para o combate à doença, a maioria dos pinhais não são propriedade do Estado. Infelizmente, porém, para nós, porque, embora vivamos numa sociedade democrática, o Estado, nas suas relações connosco, individual ou colectivamente, não tem a mesma conduta que nos exige.
O tempo mostrou quem é que agiu com ligeireza em Fevereiro, quando não era ainda Verão, nem época de voo dos insectos transmissores, e os pinheiros infectados eram só alguns. O tempo revela as verdades e as mentiras, por muito que nos custe.

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

[816.] Para minha auto-mentalização

Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:

Para tudo há um momento
e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:
tempo para nascer e tempo para morrer,
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou,
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para destruir e tempo para edificar,
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar,
tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço,
tempo para procurar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar,
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para guerra e tempo para paz.

Eclesiastes 3

Smells like champions spirit


C A M P E Õ E S

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

[818.]

Alea iacta est*
A propósito das candidaturas às autarquias locais

É já conhecida a identidade da maior parte dos cidadãos que se candidatam aos órgãos das autarquias locais do município/concelho da Mealhada — Câmara Municipal e Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia. Apesar de faltarem mais de dez dias para o final do prazo para entrega das listas — partidárias ou de movimentos de cidadãos — não deverá haver (mais) grandes surpresas nem alterações. O Partido Socialista e o Partido Social-Democrata apresentarão listas aos dez órgãos autárquicos do concelho — oito assembleias de freguesia, câmara municipal e assembleia municipal —; a CDU está a preparar a candidatura a todos, mas poderá falhar uma assembleia de freguesia; não parece haver movimentações — à hora em que escrevemos este texto — para a candidatura de movimentos independentes, do CDS/PP ou do Bloco de Esquerda, ou de outros partidos. Assim, parafraseando o imperador romano Júlio César quando passou o Rubicão e fez entrar as suas legiões na desmilitarizada Roma, afirmamos ‘Alea iacta est’, isto é, os dados estão lançados. Já só resta observar o que vai acontecer.
Os candidatos têm pela frente 65 dias de campanha eleitoral. Destes, só 15 são de campanha eleitoral formal e oficial. Durante o mês de Agosto, para além das participações em realizações sociais, os candidatos, certamente, não farão grandes acções de campanha, uma vez que grande parte do eleitorado se desloca para a praia ou para o campo. Em meados de Setembro começa a campanha eleitoral para a escolha dos deputados do parlamento nacional e as máquinas de campanha partidária dividir-se-ão pelo esforço de mobilização local e de mobilização distrital. Só a 28 de Setembro, no dia seguinte ao das eleições parlamentares — e fortemente influenciada pelos resultados destas — começará a campanha eleitoral exclusiva para as autarquias locais.
A campanha espera-se viva, esclarecedora em relação às intenções e projectos de todos os candidatos e com momentos de confronto dialéctico democrático e participativo. O Jornal da Mealhada procurou estar à altura dos acontecimentos e das responsabilidades sociais que tem e dará o seu contributo para que, assim o queiram os candidatos e os partidos, os eleitores, por intermédio deste jornal, possam participar na campanha e obter toda a informação e todos os esclarecimentos que considerarem necessários para formar o seu voto. Em breve apresentaremos a nossa planificação e os critérios por que nos guiaremos para o acompanhamento da campanha, e o conjunto de iniciativas que, exclusivamente ou em parceria, pretendemos desenvolver neste âmbito.

*
* *

A palavra candidato tem origem etimológica numa palavra latina que quer dizer “vestido de branco”. Em Roma, na antiguidade, os cidadãos romanos que manifestavam desejo e disponibilidade para se submeter a sufrágio e vir a ocupar um lugar no senado passavam a vestir uma toga branca — alva, cândida, pura. Com este sinal procuravam mostrar aos cidadãos em geral e aos eleitores em particular que eram suficientemente limpos e puros para os representar.
Vem esta ideia a propósito das declarações recentes de Luís Marques Mendes, antigo ministro e antigo presidente do PSD, que disse considerar vergonhoso o facto de os partidos políticos não terem encontrado uma solução jurídica que impedisse os cidadãos de se candidatarem a cargos públicos de natureza política desde que eles tivessem sido acusados, pronunciados ou condenados judicialmente por crimes de corrupção. Não deixa de ser interessante que tantos séculos passados a candura dos que se oferecem para gerir a coisa pública continue a suscitar opiniões divergentes, de ser tema de debate, e de impor soluções legislativas…
* Os dados estão lançados
Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de Agosto de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

[817.]

Abertas as portas do Céu?
A propósito da tomada de posse dos órgãos da Fundação Buçaco

Precisamente no dia em que se completavam 387 anos após a publicação da bula do Papa Gregório XV que proibia a entrada de mulheres nos desertos carmelitas, como o do Buçaco, 23 de Julho de 2009, tomaram posse os órgãos dirigentes da Fundação Buçaco. Tal acto consistiu, em termos práticos, na transferência da tutela directa do Estado para a Fundação, que passa, a partir daquele momento, a gerir a Mata Nacional do Buçaco e todo o seu património. O Estado não sai da Mata — uma vez que continua a ter elementos representantes do Governo nos órgãos de gestão desse espaço da Serra do Buaçaco —, mas naquele momento entraram novas entidades, nomeadamente a Câmara Municipal da Mealhada, que, associadas, constituem uma nova estrutura de gestão, uma entidade, de direito privado, uma fundação.Como já amplamente fizemos referência no Jornal da Mealhada, a entrada da Câmara Municipal da Mealhada na gestão do património da Mata Nacional do Buçaco — a jóia mais preciosa do concelho, como já foi dito por vários autarcas — acontece 152 anos depois de a Mata passar a ser gerida pela administração do Estado, da qual a própria Câmara é uma estrutura descentralizada. É certo que durante algum tempo, apesar de não o ser formalmente, nem oficialmente, como agora, a Câmara da Mealhada esteve muito próxima da administração da Mata. José de Melo Figueiredo foi administrador da Mata Nacional do Buçaco de 1920 até finais dos anos cinquenta. Durante esse tempo foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada durante grande parte do mandato de Manuel Louzada, e chegou a ser presidente da Câmara desde Setembro de 1957 a finais do ano de 1959. Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, foi quem afirmou que considera que a data de 23 de Julho de 2009 passará a figurar na história da Mata Nacional do Buçaco como inequivocamente relevante. Passará a haver, nessa história, disse o autarca, uma Mata antes deste dia, e uma Mata diferente depois deste dia. A ver vamos. A expectativa e o desejo — pelo menos o nosso — é o de que isso aconteça.A conduta da administração central nos últimos meses é ilustrativa da incúria e da falta de zelo com que a Mata Nacional do Buçaco foi gerida nos últimos anos. Numa atitude inqualificável de represália pela simplesmente anunciada perda de autoridade naquele espaço, a administração central desmazelou completamente a sua acção, mesmo a na gestão meramente corrente. Ascenso Simões, secretário de Estado das Florestas, quando interpelado pelo repórter do Jornal da Mealhada sobre a razão pela qual as portagens da Mata tinham ficado por abrir, branqueou o tema, usou de alguma técnica discursiva para virar o tabuleiro e fugir ao assunto, mas não o negou, nem tão-pouco conseguiu diminuir a contradição em que se tinha metido. O governante não pode, ao mesmo tempo, dizer que é significativo e relevante o facto de se transferir o dinheiro das receitas geradas pela Mata para a Fundação e, ao mesmo tempo, justificar por que razão não foram colocadas portagens na Mata como era hábito. “As portagens servem para purificar o sistema e impedir o excesso de pessoas e de carros na Mata”, disse Ascenso Simões. Então em 2009 já não vai ser preciso purificar o sistema? Custa-nos crer que Ascenso Simões, que é um homem pragmático, hábil e politicamente competente, acredite na justificação que nos deu. Defendeu a administração central, como será, certamente, a sua obrigação, mas sem o sentir. A verdade é que a administração central deixou de cobrar portagens durante três meses e, com isso, impediu a criação de receitas e a tal purificação do sistema de entradas na mata durante todo o ano de 2009. Abriu, também, o precedente de não restringir a entrada selvagem no Verão e com isso a sua atitude poderá dar origem a problemas no futuro.Para além disto nós não esquecemos — nem consideramos perdoável — a falta de um papel da Direcção Geral do Tesouro e do Património a autorizar a retirada das garagens da concessão do Palace para construção do Centro Interpretativo. Também não esquecemos que ainda os estatutos da Fundação não estavam sequer escritos, e, logicamente, nem sequer aprovados pelo Conselho de Ministros, já os serviços da administração central se recusavam a tomar decisões de gestão corrente — como a de cedência de instalações a grupos — “porque ia nascer uma fundação para gerir a Mata”. À Fundação começaram por ser atribuídas responsabilidades e funções antes mesmo de ela existir formalmente. E, por último, não nos parece aceitável que, no meio do Verão, o Convento de Santa Cruz permaneça encerrado ao domingo, ao contrário do que acontecia nos Verões anteriores. Apesar de o número de visitantes ao fim-de-semana ser muito significativo — temos testemunhado isso — o acesso ao Convento de Santa Cruz continua só ser possível às terças e quintas-feiras. Ora, se era normal a abertura ao domingo, faz sentido que este ano, particularmente, isso não aconteça? Manter o que se fazia em anos anteriores não é uma gestão corrente?Lamentamos ter de o dizer, mas a gestão estadual da Mata Nacional do Buçaco não deixa saudades. O modelo da Fundação até pode mostrar-se desadequado, mas, mesmo assim, é uma réstia de esperança num futuro melhor para aquele espaço tão importante para todos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 29 de Julho de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Há gajos que não são capazes de elogiar. Até quando parece ser doce o que dizem, destilam venenos!
Há grandes recalcamentos, aqui pela urbe!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

[813.]

Puxão de orelhas
A propósito do encerramento das Termas de Luso

Os comerciantes e hoteleiros do Luso, através do movimento por eles criado, afirmaram, na reunião pública da Câmara Municipal da Mealhada, em 9 de Julho, que era preciso dar um puxão de orelhas ao consórcio (aparentemente) estabelecido entre a Sociedade das Águas de Luso (SAL) e a Maló Clinic Health Group (MCHG), para a gestão e desenvolvimento das Termas de Luso, concessão que a SAL detém juntamente com a da exploração da água. Dizemos aparentemente porque há quem tenha dúvidas de que esse consórcio esteja já formal e legalmente estabelecido e que tenham sido já as duas empresas a optar pelo encerramento das Termas de Luso precisamente no único período do ano em que o balneário termal estaria aberto ao público. É nossa convicção que os comerciantes e hoteleiros do Luso têm razão e que é necessária e merecida uma censura pública e relevante ao comportamento da concessionária — pelo menos essa — no âmbito do encerramento das Termas no período do Verão.
Somos testemunhas de que, em meados de Abril, poucas semanas depois do início das obras no balneário termal, — no seguimento de uma informação interna da SAL de 14 de Abril de 2009, que dava indicações para a não marcação de consultas a termalistas no período entre 27 de Junho e o final de Agosto — comerciantes e hoteleiros e a Câmara Municipal da Mealhada manifestaram a sua preocupação relativamente a um eventual encerramento das Termas. Nessa altura, ao presidente da Câmara e aos comerciantes foi dada a garantia de que as termas não iriam encerrar completamente em momento nenhum. Já nessa altura a SAL saberia que essa promessa seria muito difícil de cumprir. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. Já nessa altura a SAL sabia que a convivência de obras e termalistas no mesmo espaço traria desconforto e problemas. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. Já nessa altura a SAL sabia que as estruturas dos edifícios a recuperar estavam muito mais degradadas do que inicialmente previa. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. O encerramento das Termas é agora apresentado como a opção lógica e inevitável. No entanto só à SAL é que, em Abril, o contrário parecia verosímil.
Não temos dados que o garantam, nem, apesar das tentativas realizadas conseguimos apurar da veracidade do que afirmamos, mas custa-nos acreditar que a MCHG esteja já totalmente envolvida em todo este processo. Provavelmente — e reflexão é especulativa — o acordo entre a SAL e a MCHG passará pela entrega do balneário recuperado e ‘como novo’ à MCHG, em Outubro de 2009, para esta empresa o explorar a partir daí. Assim, a recuperação do imóvel é uma responsabilidade exclusiva da SAL na qual a MCHG não se envolve nem investe, dado que o espaço faz parte da concessão do Estado à SAL. Esta parece-nos ser a solução empresarialmente lógica e justificaria o facto de a SAL continuar a ser a única interlocutora com a autarquia e os comerciantes e hoteleiros em todo este processo.
Esta tese — de que poderemos ter a comprovação ou não — manteria incólume a ideia que tínhamos, e que sempre aqui manifestámos, do profissionalismo, da seriedade, da ambição e do rigor da MCHG. Porque nos pareceu sempre muito estranho que a atitude de convicção com que Paulo Maló assumiu o compromisso de ter as termas a funcionar no prazo acordado acabasse por se transformar num bluff tão grande. O facto de o projecto ter demorado dois terços dos dezoito meses a fazer e que as obras se restringissem a seis meses parece mau de mais para ser gestão da MCHG. A intransigência da parte da SAL em ter as obras prontas em Outubro, custe o que custar, acaba por ser — segundo a nossa tese — não decorrente do compromisso de honra do consórcio perante o Luso e a Câmara da Mealhada — até porque estes estariam na disposição de ver o fim das obras adiado unicamente para não fechar no Verão — mas sim decorrente do compromisso da SAL com a MCHG de lhe entregar a chave para exploração das Termas naquele prazo, cujo incumprimento poderá dar lugar a indemnização.
A tese que alvitramos justifica muitas coisas verificadas até aqui, que, pelo menos para nós, são incompreensíveis.
Nesta edição damos conta de que estará reatada a “paz” entre os comerciantes e hoteleiros do Luso e a Câmara da Mealhada. É de aplaudir este facto. Terá havido excessos cometidos que, necessariamente, devem ser ultrapassados, mesmo que não sejam, para já, “perdoados”. E temos conhecimento de que a Câmara da Mealhada, no sentido de manter o alojamento dos termalistas habituais no Luso, garantirá o transporte destes para as Termas da Curia a fim de fazerem tratamentos. Este será o resultado visível do entendimento entre Câmara e lusenses.
Como dizia um vereador na reunião do executivo municipal de 9 de Julho, a publicidade negativa que os lusenses poderiam fazer à SAL em consequência do encerramento das Termas é contra-producente. Trata-se de cortar a árvore que dá sombra e que poderá sustentar o efeito de promoção turística que se pretende no futuro. A publicidade negativa não é, portanto, um meio que possa ser utilizado. Mas é verdade que alguma censura deve ser feita. A empresa começou as obras (que previsivelmente durarão seis meses) precisamente na única altura em que não o deveria ter feito, com prejuízo para os comerciantes do Luso mas também para a MCHG e para o futuro das Termas. A empresa faltou à verdade a um presidente da Câmara e a toda uma comunidade. E isso não pode deixar de merecer reprovação.

Editorial do Jornal da Mealhada de 22 de Julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

[810.] Hoje...

20 de Julho de 1969
A superficie lunar é pisada, pela primeira vez por um humano (escuteiro, claro está!)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

[812.]

"Desiste de desistir"

O município de Mortágua foi palco, no sábado, 11 de Julho, de uma prova de Triatlo (canoagem, ciclismo e atletismo) com características muito especiais. Tratou-se de uma iniciativa da Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual — também conhecida como escola dos cães-guia. Este triatlo tinha como dificuldade acrescida o facto de as provas de canoagem e de atletismo serem realizadas por duplas sendo que a um dos elementos estava vedada a visão. Vedada por questões naturais, atletas cegos, ou imposta, por vendas nos olhos. Foi a forma encontrada — original, entenda-se — de, por um lado, possibilitar uma actividade desportiva, arrojada, adaptada a atletas invisuais em condições naturais e extraordinárias e, por outro lado, sensibilizar todas as outras pessoas não para as limitações da cegueira, mas para tudo o que um cego pode fazer e sentir, mesmo estando desprovido do sentido da visão.Tivemos a oportunidade de, neste âmbito, conversar com o atleta paralímpico Carlos Lopes, várias vezes medalha de ouro em provas de atletismo de resistência. Carlos Lopes foi o principal dinamizador de uma acção, da comissão nacional de jovens da ACAPO — Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal — que envolveu dezassete jovens cegos. Os jovens estiveram de 10 a 12 de Julho no Luso e em Mortágua para realizar várias actividades desportivas. No Luso, no Centro de Estágios e no Pavilhão, fizeram provas de Atletismo e de gobol, uma modalidade adaptada, em Mortágua participaram no referido triatlo e tiveram actividades radicais, de slide, rappel e escalada. O lema escolhido para esta actividade da ACAPO foi “Desiste de desistir!”. A ideia da comissão nacional de jovens da ACAPO era incentivar à experimentação. “Tenta porque serás capaz! Tenta porque vais ser surpreendido por ti próprio!”, este foi o apelo feito a dezassete jovens cegos que tiveram a primeira experiência com a prática desportiva neste fim-de-semana.Carlos Lopes, também ele invisual, dizia-nos que é importante fazer sentir aos jovens cegos que a cegueira é apenas uma contrariedade, não é uma limitação. Que há muitas coisas que não lhes estão vedadas, que há sonhos que podem continuar a perseguir e que podem potenciar os restantes sentidos. Fazer canoagem para um cego pode parecer impossível — para ele e para muitos de nós —, mas não é. E é importante que todos saibamos isso, mas, acima de tudo, é importante que as pessoas cegas, e os jovens de modo especial também o saibam e arrisquem. “Desistir de desistir” é, portanto, o primeiro passo a dar pelos jovens cegos. E por todos. É maravilhoso o trabalho da escola de cães-guia. Como é maravilhoso o facto de todos podermos ajudar a fazer coisas maravilhosas através dos trabalhadores e da acção esta associação. É muito encorajador ouvir a alegria e o optimismo de Carlos Lopes e dos jovens da ACAPO que, surpreendidos, receberam a prova de que tentando não há barreiras intransponíveis.“Desistir de desistir!” poderia ser, também, um bom mote para ilustrar uma outra iniciativa que começou nesse mesmo sábado, 11 de Julho, em São Pedro de Alva, a ExpoAlva. Uma mostra empresarial — promovida com o apoio da Câmara Municipal de Penacova, mas, ainda assim, organizada pela Junta de Freguesia de São Pedro de Alva. Dizemos isto porque tendo qualidade, arrojo, presença de muitos empresários e empresas tem o mérito acrescido de ser uma acção promovida por uma junta de freguesia. Engana-se quem, por ventura, pensar que é limitado o trabalho que pode ser desenvolvido pelas juntas de freguesia. Os autarcas de São Pedro de Alva provaram o contrário. Demonstraram que o tecido empresarial da região, que os empresários que corajosamente não baixaram os braços num dos momentos mais conturbados da histórica económica da modernidade, merecem elogio, merecem novas oportunidades de negócio e de apresentação dos seus produtos. Os empresários e os autarcas de São Pedro de Alva não desistiram e, por isso, merecem o nosso reconhecimento. Tomemos os seus exemplos e o de Carlos Lopes e não baixemos os braços. “Nos tempos de crise também há oportunidades!”, foi uma das frases de Luís Adelino, presidente da Junta de São Pedro de Alva, que merece registo.

Editorial do Jornal FRONTAL de 16 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

[811.]

Dezoito anos de construção de futuros
A propósito do aniversário da Escola Profissional da Mealhada

“Estive aqui no inicio do meu mandato, há cerca de quatro anos, vi uma escola de excelência que me impressionou, e o seu exemplo esteve no meu pensamento no desenhar de muitas das boas medidas que desenhei desde aí!”.
Pode ser uma parcela de um discurso de circunstância. Pode ser, simplesmente, uma palavra, descomprometida, de simpatia. Mas esta frase é da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e foi proferida no sábado, dia 11 de Julho, na Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL), na Mealhada, perante uma assistência com algumas centenas de pessoas.
Não seria necessário recorrer às palavras da ministra da Educação – a mais contestada figura do actual Governo – para ilustrar a certeza, que temos, de que a Escola Profissional da Mealhada é, se não a maior, uma das maiores obras do concelho da Mealhada do século XX e princípios do século XXI (e não falamos somente de betão, mas de construção humana, social e moral, acima de tudo). Numa altura em que assinala o seu 18.º aniversário – completa-o neste mês de Julho – a EPVL é uma escola de referência nacional não somente no leque das escolas profissionais, mas em todas elas. É uma escola das mais arrojadas da Europa, com trabalho desenvolvido no campo do software livre, que dá cartas, tendo vindo, desde há vários anos, a partilhar saberes com escolas europeias por meio de parcerias que com elas constitui e, com base nesse tipo de cooperação, obterem financiamento europeu. É também uma escola que tem dado um apoio determinante no ensino profissional em África. Recebendo alunos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, estabelecendo parcerias com Angola e oferecendo ferramentas pedagógicas por si criadas ao Governo moçambicano, que, dentro de poucos meses, enviará para a Mealhada alunos e professores para receberam formação.
Em termos de sucesso na formação que ministra os dados são, também, factor de contentamento. Dos últimos ciclos de formação, apenas dois por cento dos alunos formados na EPVL estão desempregados, e 84 por cento estão a trabalhar na área em que obtiveram diploma na escola. Os restantes 14 por cento de alunos da escola dos últimos ciclos de formação prosseguiram os estudos e até há antigos alunos da escola que hoje são lá professores. A este propósito, não deixa de ser curioso o facto de a EPVL ter contribuído para o desmoronar do mito de que os alunos das escolas profissionais não conseguem entrar na Universidade e prosseguir lá, com sucesso, os seus estudos. As melhores notas da Escola Secundária da Mealhada nos exames nacionais de Matemática e de Economia de 2009, para ingresso no Ensino Superior, foram os de alunas provindas da EPVL.
A Escola Profissional da Mealhada é uma escola de referência. Por que será? Será pelo facto de ser uma escola privada? Será pelo facto de os docentes serem escolhidos pela direcção? Será porque a direcção é carismática, estável e pragmática? Será porque ministra um ensino técnico profissionalizante (de elevada qualidade)? Será porque há na escola uma cultura de trabalho, de esforço e de entreajuda? Será pela cultura de confiança e de auto-responsabilização que os docentes e directores propõem aos alunos? Será pelo facto de ter um corpo de alunos não muito numeroso e não massificado? Será porque, para alguns alunos, constitui uma tábua de salvação, uma derradeira oportunidade para a obtenção de condições que lhes possibilitem uma colocação satisfatória num posto de trabalho? Será porque é uma escola aberta à comunidade em geral, com uma boa relação com a comunicação social? Será pelo facto de ter instalações bem cuidadas e equipamento moderno? Será…?
Acreditamos que a EPVL é o que é por todas estas razões, entre outras que não descortinamos. É nossa convicção de que, se o sucesso daquela escola se deve, obviamente, ao trabalho de muitas pessoas, para isso muito tem contribuído, com o seu empenho, o seu dinamismo, o seu trabalho, a sua competência e a sua liderança mobilizadora, o director geral daquele estabelecimento de ensino, eng.º João Pega, o grande obreiro da grande construção humana que é a EPVL.
No ano em que se assinala o centenário da fundação do Colégio da Mealhada pelo Padre dr. António Antunes Breda, lembramos essa obra humana e a sua importância na luta pela instrução e literacia de várias gerações de jovens em toda a região centro de Portugal. É, para nós, evidente na EPVL o espírito do Colégio da Mealhada, uma espécie de legado, ou semente, que, devidamente aproveitado, está a produzir abundantes frutos. O director da EPVL foi aluno e professor do Colégio da Mealhada. Tinha-o sido também seu pai, o professor Armindo Pega. Se é com orgulho que se celebra este ano o centenário da fundação do Colégio da Mealhada e o início de uma longa e porfiada luta pela elevação do nível de instrução/formação da gente da zona em que se situava, deverá ser também com orgulho que se lembrem e festejem os dezoito anos do ensino técnico e profissional que a EPVL, com assinalável maestria, vem ministrando a pessoas da região centro de Portugal.

Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de Julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009


[808.] Intendência

Caríssimos,

Como tem sido fácil de reparar, não tem sido possível manter actualizado O Fio dos Dias. Não há tempo para publicar e não há tempo para produzir alguma coisa que valha a pena ser aqui publicada.
Peço desculpa, portanto, pelo desinteresse que este blogue pode constituir neste momento.

Aos amigos que gostam de acompanhar os meus bitaites informo que passei a estar mais disponível e activo para uma experiência similiar, de micro-blogging, no Twitter.

No twitter, a minha morada é www.twitter.com/ncastelacanilho aí poderei ser seguido por quem tenha conta twitter, mas, também, por qualquer pessoa que aceda a esta morada.

Abraços!




Pedido

Seria que a pessoa que me deixou um comentário recente,
com a
assinatura ACS,
me poderia enviar mail para
para,
mesmo mantendo o sigilo e o anonimato
podermos conversar e esclarecer algumas questões?

[806.] Mercurii dies

Leitão da Bairrada
O elogio que veio da América

A uma semana da II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada — que se realizará a 10 de Julho, sexta-feira, no cineteatro Messias —, um dos mais conceituados jornais económicos americanos, o nova-iorquino Wall Street Journal, dedica duas páginas da sua edição de 3 de Julho ao leitão da Bairrada.
O texto, apologético da iguaria e da Mealhada, como berço e espaço privilegiado do leitão assado à Bairrada, é um forte contributo para a promoção internacional da gastronomia e do turismo do concelho da Mealhada e, acima de tudo, para a auto-estima da comunidade mealhadense e dos empresários ligados à restauração. Atesta, ainda, no nosso entender, o produto leitão assado à Bairrada como um prato tradicional geograficamente localizado, e isso pode constituir um contributo importante para a defesa da marca.
Apesar de ter falado com empresários de fora do concelho da Mealhada, o jornalista Paul Ames, autor do texto do Wall Street Journal, centraliza, por completo, a marca Leitão da Bairrada no município mealhadense. E o conteúdo do texto é convidativo. Pena que não tenha descoberto todas as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada e não se tenha debruçado sobre os outros três produtos dessa marca, os quais acabam por constituir um conjunto harmonioso com o leitão. Por muito que haja a intenção de dizer o contrário, o leitão da Bairrada está de tal modo associado à Mealhada que para qualquer pessoa, a ligação entre leitão e Mealhada é natural e automática.
Tal facto não pode, no entanto, fazer desvanecer a vontade de querer fazer sempre mais e melhor e de prosseguir no sentido de, cada vez mais, promover a qualidade do leitão da Bairrada, da produção gastronómica e vinícola do concelho da Mealhada, dos restaurantes e das empresas do sector localizados no município e da marca turística 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada.
Na II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada, organizada pela Câmara Municipal da Mealhada, serão apresentados, publicamente, os estabelecimentos e empresas que em melhores condições se encontram para garantir um serviço de excelência às pessoas que se dirigem ao município da Mealhada para deleite turístico e gastronómico. Esperemos que todos os vinte e sete estabelecimentos reconhecidos no ano passado renovem a sua presença na lista de luxo e que a estes se somem mais alguns. Esta gala acontece, também, no momento em que se assinala o segundo aniversário do lançamento da marca. Trata-se de uma boa altura para receber o reconhecimento internacional que a própria Câmara Municipal da Mealhada, com a criação da marca, quer promover junto dos consumidores, fazer um balanço e procurar criar garantias políticas de que, independentemente do partido que constituir a maioria política da Câmara Municipal da Mealhada, este projecto vai continuar.
O reconhecimento estrangeiro do Wall Street Journal — que nos parece fundamentado, característica que não tem podido ser detectada noutros textos (nacionais) referentes a este tema — contrasta com o tratamento dado ao leitão da Bairrada na estratégia de promoção da região Turismo Centro de Portugal.
No final de um ano de existência, a Turismo Centro de Portugal mostra ser um organismo mais político do que operacional e são várias as razões que, no nosso entender, justificam a afirmação. Se o município de Coimbra, por exemplo, decidiu não integrar essa estrutura, não se compreende que esta aja como se a deliberação tivesse sido a oposta. Para além desta atitude, acresce ainda que a promoção do Luso surge agregada à marca Coimbra, e da Curia, por outro lado, agrega-se à marca Ria de Aveiro. Na brochura lançada pela Turismo Centro de Portugal, na passada semana, não há uma palavra sobre as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada. Na lista de produtos gastronómicos que publicou, não consta o pão da Mealhada nem sequer o leitão da Bairrada, apesar de a ilustração e a introdução a ele fazerem referência — vá lá alguém perceber isso! Quem ler a brochura vai andar à procura, na Mealhada, de um restaurante que lhe sirva o prato típico local, a carne marinhoa, é este o prato referenciado com sendo típico dos concelhos de Mealhada, Mira e Cantanhede — veja-se bem isto! Não garantimos que encontre essa carne marinhoa, mas, garantidamente, podemos afirmar que qualquer pessoa, uma vez na Mealhada, perceberá que chegou à capital do leitão da Bairrada, “ao inferno dos vegetarianos”, como afirma o Wall Street Journal.

Editorial do Jornal da Mealhada de 8 de Julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

[805.] Mercurii dies

Condomínio da Terra
Porque se a casa é só uma, todos temos de a partilhar


Será levado a efeito no próximo fim-de-semana, 4 e 5 de Julho, em Gaia, um fórum internacional que visa, através de cinco plenários com especialistas de várias nacionalidades e de debates económicos, jurídicos, científicos e filosóficos. Trata-se, no fim de contas, de debater a necessidade da tomada de posições colectivas dos cidadãos e dos Governos face aos problemas que se perspectivam por causa da deterioração das condições de vida do planeta Terra. O fórum do Condomínio da Terra — uma iniciativa da associação ambientalista portuguesa Quercus que, entretanto, ganhou dimensão universal — terá como base um documento intitulado Declaração de Gaia e culminará com a elaboração de uma estratégia a que será dado o nome de Compromisso de Gaia. Ajustar a vida da espécie humana, e de todos os ecossistemas, à sustentabilidade do planeta, num momento em que este apresenta sintomas claros de deterioração rápida e com consequências imprevisíveis, é uma responsabilidade das gerações que actualmente habitam na Terra. “Este será, talvez, o maior desafio que se colocou até hoje à humanidade”, garantem os promotores da iniciativa Condomínio da Terra. “Temos de adaptar o nosso modo de vida e organização ao funcionamento natural da vida na Terra”, propõem os promotores da referida iniciativa. A escolha da cidade de Gaia parece-nos feliz. Gaia é, na mitologia grega, a deusa da Terra. Ao mesmo tempo que nos parece, também, feliz o emprego da metáfora que dá o nome à iniciativa. Um condomínio é, num sistema de propriedade horizontal, a melhor forma encontrada para gerir os espaços comuns e o interesse colectivo. Se todos somos vizinhos neste planeta, se todos dependemos de todos e uma vez que os problemas globais não se resolvem de forma isolada, só nos resta uma organização em condomínio para gestão dos espaços comuns.A atmosfera, a hidrosfera e a biodiversidade são partes comuns do planeta. Não só porque ultrapassam todas as fronteiras e os ‘serviços’ que prestam não podem ser divididos, mas também porque todos dependemos delas para viver e todos as podemos afectar de forma positiva ou negativa.As propostas da Declaração de Gaia apresentam o conceito de Soberania Complexa — “coexistência de soberanias autónomas num espaço colectivo, ou seja, um poder político, supremo e independente, relativo à fracção territorial de cada Estado, e partilhado, no que concerne às partes insusceptíveis de divisão jurídica, (atmosfera, hidrosfera e biodiversidade) das quais todos os povos são funcionalmente dependentes”.Outro dos conceitos apresentados à discussão no fórum internacional do próximo fim-de-semana é Economia de Simbiose — uma articulação daquilo a que se poderia designar por “economia da manutenção dos sistemas vitais” com a tradicional economia de produção. A ideia seria a de aproveitar a valorização económica que se faz da bens ecológicos vitais aplicada a todas as partes comuns do planeta (a Economia de Simbiose), através da referida Soberania Complexa. Ou seja, tornando possível a gestão global (politica e económica) dos bens indivisíveis do planeta.Estes conceitos sustentam-se numa distinção clara entre soberania — autoridade para dispor — e propriedade sobre os ecossistemas da Terra. Para melhor compreensão poderíamos dizer que o Brasil tem soberania sobre a Amazónia, mas não é proprietário desta. A destruição da Amazónia, mesmo que parcial, traz efeitos imediatos e sérios a todo o planeta. A Amazónia é uma “parte comum” do planeta, logo deve ser gerida de forma comum. Demos como exemplo a Amazónia, mas poderíamos falar da Gronelândia ou dos glaciares que estão a derreter-se.“Se o valor destes bens vitais é de alguma forma incalculável, precisamente porque são vitais, resta-nos a certeza de que os ecossistemas prestam um serviço cujo valor económico deveria ser muito superior aos lucros gerados pela exploração tradicional dos seus recursos”, garantem os promotores do Condomínio da Terra, que concluem: “As árvores deveriam valer mais vivas do que o valor da sua madeira!”Os documentos a que se fez referência encontram-se disponíveis em http://www.earth-condominium.com/pt/
Tivemos conhecimento, pelo vereador da Câmara Municipal da Mealhada Gonçalo Breda Marques, de que o executivo decidiu, na passada quinta-feira, subscrever os princípios da Carta de Aalborg, que inclui os princípios fundamentais da promoção de uma economia e gestão política sustentáveis, que tem execução prática ao nível local no modelo da Agenda 21 Local. Há cerca de dois anos, a vice-presidente da Câmara, Filomena Pinheiro, garantiu estarem a ser desenvolvidos os mecanismos para o desenvolvimento de uma Agenda 21 Local comum aos municípios do Baixo Vouga — rede entretanto substituída — e asseverou que a implementação das disciplinas de Educação Ambiental e de Cidadania, no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular para o primeiro ciclo do Ensino Básico, estava a ser já pensada segundo os princípios de Aalborg e como iniciativa a integrar um esquema de desenvolvimento baseado na metodologia da Agenda 21 Local. Manda-nos a coerência elogiar a iniciativa e a decisão municipal de, com ou sem rede de municípios, subscrever a Carta de Aalborg, e, posteriormente, implementar a Agenda 21 Local. Esperamos, também, que o executivo e, nomeadamente, Filomena Pinheiro, não esqueça as boas intenções enunciadas há dois anos e as possa concretizar agora. Procurámos fazer com que o desenvolvimento sustentável fizesse parte dos temas a debater na campanha eleitoral autárquica de 2005. Não o conseguimos, mas não desistiremos em 2009.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Julho e do FRONTAL de 2 de Julho

sexta-feira, 26 de junho de 2009

[804.] Mercurii dies

A judicialização da Política na Mealhada

O mandato autárquico que finda no próximo Outono foi pródigo em transformações interessantes no exercício das responsabilidades políticas municipais. Transformações que são gerais, comuns a quase todos os municípios, e transformações específicas do concelho da Mealhada.
A tomada de posse dos autarcas dos órgãos municipais — Câmara e Assembleia Municipal —, em Outubro de 2005, deu início a um período de grande conturbação política na Mealhada. A ‘Guerra do Papel Timbrado’, os gabinetes para a oposição e a tenda para atender os munícipes, as reuniões de Câmara abertas e as fechadas foram episódios que marcaram de forma muito vincada a primeira metade do mandato da Câmara da Mealhada. Foi um período de grande crispação verbal, de muita tensão entre as pessoas, de algum aproveitamento da comunicação social para a prossecução de uma estratégia política de desgaste de Cabral e da sua equipa. A estratégia resultou e alastrou-se a outros sectores da sociedade civil obrigando o presidente da Câmara a travar novos combates.
Nesta primeira fase, na Mealhada, verificou-se um esvaziamento quase completo da Assembleia Municipal enquanto espaço privilegiado para a dialéctica política, para a acção da oposição. Esta é, no entanto, uma das transformações gerais, comuns a muitos municípios, a que aludimos. A especificidade mealhadense acabou por ser o facto de as principais manifestações da oposição, a acção de confronto dialéctico, de debate, se terem transferido para a Câmara Municipal, que deixou de ter a aparência de um órgão executivo pragmático para a gestão do quotidiano para passar a apresentar-se com características parlamentaristas de debate de ideias mais gerais.
Nos meados do mandato deu-se início a uma nova tendência. A decisão final do debate político foi transferida para os tribunais. O primeiro caso de que temos memória foi a queixa dos vereadores do PSD a propósito da avaliação do imóvel da MEAGRI com a intervenção do vereador António Jorge. Apesar de não ser por nós conhecido o resultado desta queixa, outras queixas judiciais se lhe seguiram. E, nos últimos meses, a situação intensificou-se sobremaneira. Foi o caso do ‘Relatório Calhoa’, que deu origem a várias queixas, foi a queixa de Cabral sobre as declarações de Carvalheira, alegadamente proferidas num plenário do PSD, foi, agora, o caso dos inertes de Mala, levantado por Carlos Marques, e do pavimento da pista no Parque Urbano da Cidade, apresentado por Carvalheira.
São casos, pelo menos estes últimos, que passaram quase directamente da Câmara para os jornais e destes para os tribunais. Na reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira — no auge dos acontecimentos do debate sobre o pavimento do Parque Urbano da Cidade, por exemplo — nem uma palavra se ouviu acerca do assunto, nem de qualquer um dos que, ultimamente, têm suscitado mais controvérsia política.
Não nos cabe ajuizar sobre as vantagens e desvantagens desta transferência da dialéctica democrática do poder local para os tribunais. Nem sequer qualificar este recurso — os poderes estão divididos para que possam cumprir funções distintas. Cabe-nos sublinhar este facto e procurar reflectir sobre ele. Uma reflexão — com os partidos, os autarcas, os académicos, com os legisladores (?) e com os eleitores — que seria um óptimo ponto de partida para o debate que se deseja esclarecedor na campanha eleitoral autárquica que se aproxima.
Estará o sistema político autárquico tão desgastado que já não permite a resolução dos conflitos que gera, naturalmente? Estar-se-á a transferir a confiança do povo, manifestada através do voto democrático, directamente dos políticos para os tribunais?
Para nós, no entanto, há uma ideia que nos parece pertinente: o actual sistema de distribuição de competências e atribuições entre a Câmara e a Assembleia Municipal está ultrapassado. O que nos obriga a sublinhar o facto de, há pelo menos seis anos, se ter mostrado como sendo necessária uma alteração profunda na legislação que regula o funcionamento dos órgãos do poder local. Uma alteração que se entende dever passar pela forma de eleição da Câmara Municipal, pela periodicidade das suas reuniões e pelas competências da Assembleia Municipal, por exemplo.

Editorial do Jornal da Mealhada de 24 de Junho 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

In memoriam

Mariazinha
16.10.1926 - 21.06.2009
A construtora de impérios.
Resistência, coragem e sofrimento

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Mercurii dies

O valor do dinheiro (em tempos de crise)

A notícia da transferência de clube do futebolista Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, por 94 milhões de euros, não passou indiferente nem aos portugueses… nem ao resto do mundo. Trata-se de um valor muito alto — a mais dispendiosa transferência da história do futebol — que, especialmente numa época em que se fala de crise internacional — financeira, económica e social —, choca e até revolta as pessoas. A revolta pode ficar a dever-se ao facto de se tratar de futebol e não de uma outra qualquer área social. O futebol será um complemento à vida das pessoas, uma forma de diversão, logo uma actividade subsidiária que não mereceria o dispêndio de um volume de capitais com esta dimensão. Acreditamos ser essa a principal causa de reprovação do cidadão comum. Ninguém estranha, sequer, que um clube pague a outro a transferência da propriedade de um jogador, numa espécie de rota tradicional de mercantilismo como se o produto não passasse disso mesmo, um mero produto transaccionável.
Mas se há algum dirigente de um clube que está disposto a pagar 94 milhões de euros pela transferência do jogador, é porque a presença do jogador na equipa desse clube vale esse dinheiro. A história da Economia mostra que o valor dos produtos se situa, tendencialmente, no valor (e no sacrifício) que as pessoas estão dispostas a dar para o ter. Se o presidente do Real Madrid — Florentino Perez — considera que é rentável pagar o equivalente ao peso em ouro de 54 Cristianos, e se o Manchester o entrega por esse valor e por nenhum valor mais baixo, então está encontrado o ponto de equilíbrio e o preço justo.
Pelos dados que nos têm sido dados pela comunicação social, é possível que Florentino Perez não tenha enlouquecido. A transferência de Ronaldo custou 94 milhões de euros, e o contrato do jogador é de 6 anos, mas só a venda de produtos com a sua marca — como as camisolas do Real Madrid com o seu nome, entre outros produtos — irá render 90 milhões de euros por ano. Ou seja, mesmo que não consideremos as contas os salários do jogador e outros gastos e todos os outros valores que virão a ser adicionados como receitas com ele relacionadas, continuava a ser um investimento rentável. É, portanto, um gasto que gera dinheiro. O Manchester United recebe pela transferência de Cristiano — um jogador — um valor idêntico ao de todas as receitas angariadas na liga inglesa na última época desportiva — com jogos semanais de uma equipa de onze jogadores. Logo, também não terá feito uma má venda.
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, garantiu que esta transferência dá sinais de que o mercado do futebol está de boa saúde. E parece-nos que tem razão. Ao menos que algum mercado tenha boa saúde nesta época de crise internacional. Crise que nunca será debelada se, pura e simplesmente, restringirmos o consumo. Bem sabemos que o Manchester United não irá distribuir os euros recebidos do Real Madrid pelas pequenas e médias empresas de Inglaterra — quando muito pagará impostos sobre essa receita —, mas se o dinheiro se desloca é bom para todos porque é bom para a economia global.
Quando o Presidente da República Portuguesa, há poucos dias, apelava aos partidos políticos para serem comedidos nos gastos da campanha eleitoral não percebemos o que queria dizer, confessamo-lo com humildade. Se os partidos dispõem de dinheiro em quantidade não o devem gastar porquê? O Estado só vai dar-lhes o equivalente ao número de votos que obterão, ou seja, o gasto do Estado não está directamente relacionado com o gasto dos partidos na campanha. Cada eleitor fará a sua apreciação dos gastos supérfluos dos partidos mas poderá considerar-se um acto de cidadania a despesa feita por eles em campanha eleitoral. As gráficas que fazem os panfletos, os comerciantes de sacos plásticos e de outros brindes, as empresas de som… e tantas outras micro, pequenas e médias empresas, bem como as pessoas que são remuneradas para colar os cartazes, por exemplo, ganham directamente com a campanha eleitoral. Serão, em todo o território nacional, directamente beneficiadas com a campanha eleitoral.
As pessoas, nos dias de hoje, devem preparar-se para tempos difíceis, devem consumir com responsabilidade, devem ter mecanismo de poupança e de investimento seguro. Mas não podem restringir o consumo. O incentivo fundamental para o ultrapassar da crise económica — é já ideia comummente aceite pelos especialistas — passa pelo apoio directo e imediato às micro, pequenas e médias empresas. E esse apoio, da parte das pessoas — não nos arriscaríamos a dizer o que devia o Governo fazer neste domínio — faz-se pelo consumo, pelo comprar de alguns produtos nas mercearias, no comércio de proximidade, no voltar a utilizar o serviço dos sapateiros e das costureiras para arranjarem o que ainda pode ser reutilizável, por exemplo.
O valor do dinheiro, mesmo em tempo de crise, é sempre difícil de definir. Não há tabela para o que é muito nem para o que é pouco. Mas a valia do dinheiro passa pela circulação, passa pelo resultado dessa circulação. O dinheiro de pouco valerá se ficar estagnado no colchão, de quem tem muito ou, também, de quem tem pouco...

Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Junho

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O rescaldo eleitoral

Já se disputou o primeiro combate nacional do ciclo eleitoral de 2009. Quem acompanhou o resultado dos apuramentos, os comentários políticos e as leituras de carácter mais ou menos profético chegou à conclusão do costume: “Todos ganharam” menos o partido do Governo. O PSD teve mais votos e mais mandatos do que o PS e do que tinha tido em 2004, logo, ganhou. O Bloco de Esquerda duplicou o número de votos e triplicou o número de mandatos, logo, ganhou. A CDU manteve o número de mandatos mas, apesar de ter sido ultrapassada pelo Bloco por uma unha negra, obteve mais votos que há cinco anos, logo, ganhou. O CDS manteve o número de deputados que tinha conquistado em 2004 — quando concorreu coligado com o PSD — mas ganhou às sondagens que o remetiam para um resultado insignificante. Até os votos em branco ganharam nestas eleições — se fossem um partido seriam a sexta força e até poderiam ter elegido um deputado. Não seria interessante haver no Parlamento uma cadeira vazia em nome destes votos? Em resumo, todos ganharam menos o PS.
De facto, o Partido Socialista não ganhou. Não há maneira de, à boa maneira partidocrática portuguesa, conseguir achar uma vitória nesta derrota. O PS perdeu mais de meio milhão de votos relativamente a 2004. O PS tem hoje um número de mandatos que só se pode comparar ao resultado obtido na eleição de 1987. Os socialistas perderam nada mais nada menos do que cinco mandatos — Portugal perdeu dois deputados europeus e acreditamos que possam ter sido retirados um ao PS e outro ao PSD.
Os portugueses quiseram penalizar o Governo pela acção política? Provavelmente essa será a razão mais plausível para justificar o resultado. Poderá dizer-se que, depois desta noite eleitoral, é garantida uma derrota do PS nos combates seguintes e, especialmente, no combate das eleições legislativas? Não nos parece. Em primeiro lugar porque os portugueses atingiram já um estado de maturidade democrática que lhes permite distinguir o que é a valer e o que é a feijões. Em segundo lugar porque neste combate os protagonistas não eram Ferreira Leite e Sócrates, eram outras pessoas para outros lugares. Mas há um dado essencial que agora se revela e que pode importar. Trata-se de um elemento subjectivo muito relevante: A invencibilidade de Sócrates não é irreversível. Ou seja, é possível Manuela Ferreira Leite travar o combate de igual para igual com Sócrates. Isso é importante porque vai aumentar a intensidade da campanha tanto do lado do PS como do lado do PSD e vai aumentar o apelo ao voto útil. Dito de outra forma: O primeiro combate traz maior interesse aos seguintes.
Foi anunciada como a maior inimiga deste acto eleitoral. Falamos da abstenção. A declaração não passou disso mesmo e nenhuma das candidaturas fez fosse o que fosse para a combater. No entanto, a abstenção não aumentou. Pode dizer-se que a percentagem de abstenção aumentou. E é verdade. Mas acontece que Portugal viu aplicada uma lei do recenseamento obrigatório e automático que fez insuflar o número de eleitores inscritos involuntariamente. A verdade é que em 2009 votaram mais 150 mil pessoas do que em 2004. Não há, no entanto, qualquer motivo de alegria. Nem achamos — como afirmámos na passada edição — que da abstenção se possam fazer leituras politicas de desagrado ou descontentamento.
A conclusão a tirar é que Portugal está cada vez mais europeu! O nível da abstenção em Portugal esteve abaixo do nível verificado em muitas das democracias mais consolidadas da Europa. O Reino Unido, a Holanda e a Suécia, por exemplo, tiveram abstenções superiores à portuguesa. A abstenção em França, na Alemanha e na Finlândia não foi muito inferior à portuguesa. E já para não falar na abstenção nos países que recentemente entraram na União.
A situação da abstenção pode ser, aliás, muito mais grave do que seria de esperar. Não é um problema exclusivo dos portugueses, é um problema de todos os cidadãos dos estados-membros que demonstram estar, cada vez mais desinteressados da união política que é hoje a Europa.

Editorial do JM 745 e do FRONTAL 1 de 10 de Junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009


RESULTADOS ELEITORAIS:
CONCELHO DE MORTÁGUA
No concelho de Mortágua a abstenção alcançou valores muito acima da média nacional e até do distrito de Viseu. Chegou aos 72%.
No concelho de Mortágua venceu o PSD, com 35,68%. Seguiram-se o PS, com 31,41%, o Bloco de Esquerda, com 8,28%, e o CDS com 7,59%. A CDU alcançou 3,52% dos votos. O PS ganhou, no entanto, nas freguesias de Cercosa, Marmeleira, Mortágua, Trezói e Vale Remígio. O PSD ganhou nas restantes cinco.
CONCELHO DE PENACOVA
No concelho de Penacova a abstenção alcançou valores pouco acima da média nacional, ficou-se pelos 67,2%.
Também no concelho de Penacova venceu o PSD, com 38,9%. Seguiu-se o PS, com 30,79%. Contrariamente à tendência nacional, a CDU foi a terceira força com 7,37%. O Bloco de Esquerda alcançou com 6,32%, e o CDS com 6,03%.
O PS ganhou, apenas, na freguesia de Lorvão. A CDU foi a segunda força em Oliveira do Mondego. Nas freguesias de São Pedro de Alva, de São Paio do Mondego, de Paradela e de Friúmes a terceira força mais votada foi o CDS. Em Penacova, a terceira força foi a CDU.
Resultados eleitorais do concelho da Mealhada
(clicar em cima da imagem, pf)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pequim, 4 de Junho de 1989

[797.]


Ora viva!

De modo informal, quase familiar, apresentamo-nos e saudamos todos os que, nesta ocasião, têm nas suas mãos o número zero — uma edição experimental — do jornal FRONTAL. Será deste modo, olhos-nos-olhos, com simpatia, apreço e espírito de serviço ao desenvolvimento e à valorização dos lugares e das populações dos municípios de Mortágua e de Penacova, que procuraremos dar dinâmica a um projecto que agora dá os primeiros passos.
O FRONTAL é um jornal que se apresentará quinzenalmente aos seus leitores. Começará por ter uma distribuição gratuita, mas transitará, gradualmente, com o tempo, para um sistema de assinaturas e de venda ao público em quiosques, papelarias, etc. Queremos chegar a todos os que queiram saber noticias especialmente relacionadas com as comunidades dos municípios de Penacova e de Mortágua e da região envolvente. Para isso, e de modo muito especial — porque sabemos o que isso significa para eles—, queremos chegar às comunidades de mortaguenses e penacovenses no estrangeiro, levando-lhes, de certa maneira, novo alento para as dificuldades que a distância de casa lhes traz.
O FRONTAL é um jornal que faz parte de um grupo editorial com 25 anos, e com várias títulos. Os seus promotores conhecem as características e os problemas do jornalismo regional na actualidade. Apesar das dificuldades que todos conhecem, não houve resignação nem medo em avançar com este projecto, que não deixa de ser arriscado.
O FRONTAL é um jornal de notícias locais, com espaço de opinião, de cultura, de divulgação histórica e científica, entre outras. Os que o dirigem, e que serão responsáveis pela sua linha editorial, procurarão oferecer um produto o mais diversificado e o mais atraente possível. Mas para isso precisam dos leitores. Precisamos da sua opinião, da sua crítica, das suas chamadas de atenção, das suas informações.
Portugal atravessa, na actualidade, um tempo de nascimento de formas muito variadas de intervenção cívica. Colaborar com a edição de um jornal regional — que acaba por ser (para já) um meio mais abrangente do que as outras tecnologias da informação — é também uma forma de intervenção em prole da sua comunidade e dos outros.
Esperamos que nos dê a sua opinião sobre o número zero do FRONTAL. Com ela, poderemos ir mais fácil e rapidamente ao seu encontro. Esse é, de facto, o nosso objectivo. Levar aos habitantes dos concelhos de Mortágua e de Penacova, de olhos-nos-olhos, e de modo responsável, as boas e as más noticias das comunidades maravilhosas e riquíssimas que nos seus territórios estão instaladas.
Coragem e Frontalidade são características que a História e a Tradição atribuem a mortaguenses e penacovenses, e que este jornal quer assumir e valorizar!

Editorial do número zero do FRONTAL de 27.05.2009

[796.] -


Mais um projecto JM'09!
Um sonho com alguns anos, possível graças à parceria, ao dinamismo, à vontade e à fé inabalável no futuro e nas capacidades de fazer diferente!

O FRONTAL nasceu para vingar e para valorizar uma zona do país que estava sedenta e precisava de ser acarinhada!
O mesmo estilo, a mesma energia!
O jornal que se apresenta ao leitor 'olhos-nos-olhos'






[795.]

Luso, 25 de Março de 1949

“Naquela casa do Luso, no meio do nervosismo geral, da alegria alarve dos agentes da PIDE e do estado de choque dos presos, acabava uma era da história da luta da oposição portuguesa e do PCP”. É desta forma que José Pacheco Pereira, biógrafo de Álvaro Cunhal — dirigente mítico do Partido Comunista Português e da oposição ao Estado Novo —, caracteriza os acontecimentos de 25 de Março de 1949. Álvaro Cunhal, a viver na clandestinidade numa casa na vila termal de Luso, é preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo, juntamente com outro dirigente comunista, Militão Ribeiro, e a companheira da residência clandestina Sofia Ferreira.
A data poderá considerar-se uma derrota para a oposição ao Estado Novo. Mas não deixa de ser um momento decisivo para a história de Portugal do século XX que só a Democracia permite analisar e investigar. Cunhal é, em 25 de Março de 1949, um prisioneiro. Onze anos depois, oito dos quais em isolamento total, foge da cadeia e surge como um herói, um libertador e, mais tarde, um ‘senador’ da III República.
É com a evocação deste acontecimento, ocorrido na vila termal de Luso, no concelho da Mealhada, no coração da Bairrada, que nasce a VIA. VIA é uma revista de divulgação histórica e cultural, especialmente dedicada à valorização do património do município da Mealhada, e dos concelhos vizinhos — Anadia, Cantanhede, Mortágua, Penacova e Coimbra —, da região da Bairrada e do Buçaco.
Mas VIA é caminho, e há caminhos, estradas, que ligam pessoas e que criam espaços. E há pessoas, e comunidades, que são resultado desses espaços. Comunidades que, culturalmente, se adaptaram a ver passar legiões romanas, peregrinos de Santiago de Compostela, viajantes e comerciantes, intelectuais e salteadores. Que, circunstancialmente, souberam ser porta de entrada dos ares da Europa, da modernidade, da Literatura e da Filosofia, da Democracia e da Liberdade. Assim se passa com as comunidades da região da Bairrada e com as do concelho da Mealhada em particular.
Tal como o caminho tem dois sentidos — e a própria palavra VIA pode ler-se nos dois sentidos — VIA é, também, meio, modo de obter ou conseguir qualquer coisa. VIA é desígnio, é método, é vontade. E é tudo isso que pretende ser este projecto de valorização histórica e cultural das comunidades da região em que se estabelece.

Pensamos que estaremos a dar um contributo importante para o estudo histórico do património cultural da região do Centro de Portugal. Procuraremos prosseguir. Contamos, agora e no futuro, com a ajuda de algumas dezenas de pessoas, desde investigadores e coleccionadores até testemunhas e curiosos, para a pesquisa de que resulta o presente trabalho. Contributos importantes para uma aproximação à verdade do que se passou na madrugada de 25 de Março de 1949.

Editorial da Revista Via n.º 01