sábado, 19 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
[896.] Mercurii dies
Foi com dificuldade que aceitámos a justificação dada pelo comité do Prémio Nobel da Paz para a escolha de Barack Obama para laureado de 2009. Tratou-se de algo incompreensível para nós, para grande parte do mundo e, sabemos agora, para o próprio Obama. Nessa altura, tivemos receio de que a escolha de 2009 abrisse um precedente perigoso nos critérios de atribuição do prémio. Com o discurso de aceitação do prémio, na passada quinta-feira, 10 de Dezembro, em Oslo, na Noruega, confirmámos o nosso receio. Mas não pelas razões que julgávamos.
A história dos prémios Nobel está cheia de peripécias e de curiosidades políticas. A entrega do prémio ao 44.º presidente dos Estados Unidos da América que, no dia do anúncio, estava no cargo havia, apenas, nove meses, sem que na sua vida tivesse havido qualquer acto para semelhante nomeação, era controversa. O facto de Barack Obama ser o comandante supremo das forças armadas de um país beligerante em dois cenários de guerra e receber um Nobel da Paz é controverso. O facto de o anúncio surgir na mesma altura em que Obama divulga o envio de um reforço do número de soldados para o Afeganistão em que ficam frustradas muitas expectativas que o mundo tinha sobre a sua capacidade de conduzir os Estados Unidos a uma postura mais colaborante relativamente à adopção de políticas conducentes à redução dos efeitos das alterações climáticas, e, mesmo assim, ser aplaudido pelo esforço pela paz no planeta, é controverso.
O discurso de Barack Obama em Oslo, no momento em que aceita o prémio, revoluciona, no nosso entender, todo o sistema de atribuição do galardão, para além de vulgarizar e democratizar, de certa maneira, conceitos pragmáticos da diplomacia e da tradição diplomática mundial que, até agora, eram imperceptíveis para a maior parte da população ocidental. Seria fácil a Obama aceitar o prémio distanciando-se do facto de ser o chefe do mais qualificado e do mais beligerante exército do mundo. Fez exactamente o contrário e procurou fazer doutrina sobre a necessidade do uso da força, sobre a ‘paz justa’, e sobre a ‘guerra justa’.
Foi estranho ouvir Obama, numa cerimónia de Estado, formal – na presença dos reis da Noruega –, num momento alto da sua carreira, como o seria de qualquer político, citar Luther King, lembrar Gandhi e acrescentar: “Como chefe de Estado responsável por proteger e defender a minha nação, não posso ser guiado pelos seus exemplos. Encaro o mundo como ele é, e não posso permanecer impávido perante ameaças ao povo americano. Para que não restem dúvidas: O mal existe no mundo”. E Obama prosseguiu, numa frieza quase cruel: “Os movimentos pela não violência não conseguiriam travar os exércitos de Hitler. As negociações não conseguem convencer os líderes da al-Qaeda a baixarem as armas. Dizer que o uso da força é, por vezes, necessário não é cinismo, é reconhecer a história, as imperfeições do homem e os limites da razão”. Obama justificava a necessidade da Guerra quando recebia o Nobel da Paz. Terá sido uma atitude corajosa?
Na teoriorização de Obama só a ‘paz justa’ é uma verdadeira paz. E a ‘paz justa’ é o respeito pelas leis internacionais e a sanção a quem não as respeita. É, não apenas a ausência de conflito, mas também a valorização dos direitos e da dignidade de cada indivíduo. A ‘paz justa’ é não só direitos civis e políticos, mas também segurança económica e igualdade de oportunidades para todos.
Já a ‘guerra justa’ de Obama é justificada não por concepções jurídicas, mas, tão só, por critérios políticos. Ser o último recurso para a própria defesa, ter um uso proporcional da força e uma protecção máxima a vítimas inocentes são as características desta guerra justificada que Obama defendeu. Uma guerra definida por critérios relacionados com os valores que prossegue, e com a natureza dos inimigos que se combate. Porque Obama distingue os que, segundo as suas concepções, estão do lado da justiça – os Estados Unidos e os seus aliados – dos que estão do lado da injustiça, como o Irão ou a Coreia do Norte.
“Nenhuma guerra santa pode ser uma guerra justa”, disse, ainda, o Nobel da Paz de 2009. A concluir, declarou: “Podemos reconhecer que a opressão estará sempre connosco, e, ainda assim, lutar por justiça. Podemos admitir a inevitabilidade da privação, e, ainda assim, lutar por dignidade. Podemos entender que vai haver guerra, e, ainda assim, lutar pela paz. Essa é a história do progresso humano, é a esperança de todo o mundo, e neste momento de desafio, deve ser o nosso trabalho aqui na Terra”.
Editorial do Jornal da Mealhada de 16 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
[895.] No Camiño
a caminho da Lista da UNESCO
No âmbito do Fórum Sinalização, realizado no Domingo 13 de Dezembro, no Mosteiro de Grijó (Vila Nova de Gaia), foi aprovada, por unanimidade, a Carta de Grijó (documento em anexo).
Este ambicioso documento apela ao Estado português para que os Caminhos Portugueses de Santiago possam ser classificados com bem de interesse cultural e natural, e que se inicie o processo de candidatura para a inscrição deste bem - que é de todos nós - na lista do património da humanidade da UNESCO.
Mais, as mais de três dezenas de participantes - representando associações jacobeias, câmaras municipais, entidades de turismo, ou direcções regionais de cultura - aprovaram ainda os Princípios Básicos para a abertura e sinalização de itinerários de peregrinação, nomeadamente para o Caminho de Santiago e para o Caminho de Fátima. Este documento passa agora a ser fundamental para todos os intervenientes, sejam entidades públicas ou privadas, que intervenham no Caminho de Santiago e/ou no Caminho de Fátima.
É nas conclusões deste documento que os participantes apelam a que o Estado português constitua, um organismo interministerial de cooperação e de gestão para os itinerários de peregrinação em Portugal. Mais, os participantes no Fórum Sinalização, pedem que o Governo crie ou nomeia, com carácter de urgência, uma entidade que seja responsável pela regulamentação e homologação dos itinerários de peregrinação em Portugal.
Por este documento ter sofrido alterações, procederemos ao seu envio posteriormente, anexo ao Comunicado de Imprensa que a AEJ irá emitir com as conclusões deste Fórum.
É o propósito da AEJ que os Caminhos Portugueses de Santiago sejam inscritos na lista do património da humanidade da UNESCO, no âmbito do Ano Santo de 2021. Para este efeito, a AEJ irá desenvolver todos os esforços afim de que esta seja, em matéria de cultura, uma prioridade nacional.
Para mais informações:
Amaro Franco, presidente da Direcção Nacional da AEJ: 967 775 856.
Carta de Grijó
sobre o Caminho de Santiago e de Fátima
Os participantes no Fórum Sinalização - Princípios Básicos a adoptar na abertura e sinalização dos itinerários de peregrinação “Caminho de Santiago” e “Caminho de Fátima”, reunidos no Mosteiro de Grijó, a 13 de Dezembro de 2009,
Considerando,
1. Que o Conselho da Europa recomendou em 1984 (Recomendação 987) “Uma cooperação entre os Estados-membros destinada a preservar conjuntamente os itinerários internacionais de peregrinação - por exemplo uma acção concertada tendo em vista fazer figurar os itinerários mais significativos e os seus monumentos no repertório do património mundial da UNESCO”.
2. Que o Conselho da Europa apresentou a Declaração de Santiago de Compostela (23 de Outubro 1987), apelando as autoridades, instituições e cidadãos para (entre outros):
a) Perseguir o trabalho de identificação dos caminhos de Santiago sobre o conjunto do território europeu;
b) Estabelecer um sistema de sinalização dos principais pontos do itinerário pela utilização do emblema proposto pelo Conselho da Europa;
c) Desenvolver uma acção coordenada de restauração e posta em valor do património arquitectónico e natural situado na proximidade destes caminhos.
3. Que o Conselho da Europa declarou, em 1987, o Caminho de Santiago como “Primeiro Itinerário Cultural Europeu”, e em 2004 atribuiu-lhe a menção de “Grande Itinerário Cultural Europeu”.
4. Que a UNESCO inscreveu, em 1993, o Caminho Francês de Santiago (de Roncesvalles até Santiago de Compostela) na lista do património da humanidade.
5. Que a UNESCO inscreveu, em 1998, como “Caminhos de Santiago – du Puy - em França”, 64 monumentos individuais notáveis, 7 conjuntos e 7 secções de caminho particularmente distinguidos, na lista do património da humanidade.
6. Que a Comissão Europeia lançou, em 19 de Março de 2007, a etiqueta “Património Europeu”, atribuída aos lugares que desempenharam um papel particular na história da Europa e sua progressiva construção.
7. Que existem em Portugal diversos itinerários históricos de peregrinação, seja a Santiago de Compostela, seja a outros santuários nacionais que, em certas épocas da História, convocaram milhares de peregrinos.
8. Que os itinerários portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela registaram, desde do século IX até aos dias de hoje um contínuo fluxo de peregrinos, mesmo quando o mesmo não acontecia em outros itinerários, hoje classificados como património mundial.
9. Que na actualidade, os Caminhos Portugueses são o segundo itinerário mais percorrido dos Caminhos de Santiago.
10. Que os itinerários de peregrinação são itinerários religiosos e de manifestação de fé de quem os percorre com esse intuito, mas que permitem ainda o contacto com o património cultural, artístico, arquitectónico e da natureza, promovendo o desenvolvimento sustentável e contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico das regiões que atravessam.
Declaram,
1. Que é urgente que o Estado português se consciencialize do património cultural e paisagístico que constituem os itinerários de peregrinação em Portugal;
2. Que é urgente a classificação dos Caminhos Portugueses de Santiago como património cultural e natural nacional, promovendo medidas para o seu estudo, protecção e conservação.
3. Que importa iniciar o processo de candidatura para a inscrição dos Caminhos Portugueses de Santiago na lista do património mundial da UNESCO.
4. Que para este efeito, seja constituído o Conselho Jacobeu, organismo interministerial de gestão e coordenação para os itinerários de peregrinação em Portugal. O Conselho Jacobeu deverá ainda integrar as Câmaras Municipais e outras instituições públicas regionais. Devem ter assento no Conselho Jacobeu as associações jacobeias e as demais relacionadas com estes itinerários.
5. Que neste âmbito, seja nomeada ou criada, pelo Governo da República Portuguesa, uma entidade responsável pela regulamentação e homologação da sinalização dos itinerários de peregrinação em Portugal, em especial para os Caminhos de Santiago e os Caminhos de Fátima. Esta mesma entidade deverá ser responsável pela elaboração de um manual técnico para a execução da sinalização destes itinerários específicos.
Os participantes no Fórum Sinalização - Princípios Básicos a adoptar na abertura e sinalização dos itinerários de peregrinação “Caminho de Santiago” e “Caminho de Fátima”, em vésperas do Ano Jubilar Compostelano de 2010, manifestam ainda o seu desejo de que os Caminhos Portugueses de Santiago possam vir a ser inscritos na lista do património da humanidade da UNESCO por ocasião do Ano Santo de 2021.
Grijó, 13 de Dezembro de 2009.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
[894.] Mercurii dies
A actividade jornalística do concelho da Mealhada no século XX é notável. Teve quase sempre imprensa local – durante alguns períodos até com vários títulos –, e apenas entre Janeiro de 1976 e Dezembro de 1985, curiosamente, no alvorecer da Democracia, não há registo de publicações de imprensa local na área do município. É precisamente nos finais de 1985, com data de 10 de Dezembro, que nasce o Jornal da Mealhada, pela mão de Fernando Queiroz – cidadão de Valongo e director do Correio do Douro.

O Jornal da Mealhada põe um fim à vacatura jornalística de quase dez anos e vai crescendo e ultrapassando vicissitudes e grandes desafios tornando-se, com vinte e quatro anos, o segundo mais longo projecto jornalístico do concelho da Mealhada – o recorde é do jornal Bairrada Elegante, que foi publicado durante trinta e três com este nome (entre 1916 e 1949) e depois com a designação de Bairrada (de 1949 a 1964).
Já noutros aniversários do Jornal da Mealhada lembrámos a ambiência em que o concelho vivia em 1985 e nos anos seguintes, que, de certa forma, justificam o seu nascimento e os primeiros passos da publicação: “Nascido da torrente de modernidade e arrojo que se verificou no município da Mealhada nos meados da década de oitenta do século passado, o Jornal, a par do Centro de Cultura, por exemplo, foi dos filhos mais queridos da geração desse tempo e o que até hoje sobreviveu” – Editorial ‘Agora como antes’, na edição de 10 de Dezembro de 2008.
O vigésimo terceiro ano da vida do Jornal da Mealhada, e da empresa sua proprietária, revelou-se muito exigente e decisivo para o futuro da instituição.
No final do ano de 2008, a empresa registou uma alteração significativa na sua estrutura societária, o que permitiu a superação de algumas dificuldades que, de outra maneira, seriam intransponíveis. Por outro lado, aproveitando o ‘know-how’ dos profissionais da redacção do jornal, a empresa proprietária abalançou-se na fundação e desenvolvimento de outro órgão de imprensa regional, o FRONTAL, cuja acção incide sobre os concelhos de Mortágua e de Penacova, registando-se, desde Maio de 2009, um crescimento, uma preferência e uma notoriedade muito significativos, para os quais a credibilidade do título Jornal da Mealhada em muito terá contribuído.
O aproveitamento do património histórico de duas décadas do Jornal da Mealhada permitiu, ainda, o desenvolvimento de outras acções que neste último ano foram sendo preparadas e que a seu tempo verão a luz do dia.

A fundação da revista VIA foi apenas a primeira de um conjunto de iniciativas que a empresa proprietária do jornal pretende levar a cabo nesta área de desenvolvimento do seu património. O envolvimento do Jornal da Mealhada com a comunidade dos que são naturais do município mealhadense, ou nele apenas residem, é uma história de quase um quarto de século.

O jornal procura implicar-se e apoiar as iniciativas de associações, de instituições oficiais, de movimentos assim como de acções de relevância social dos cidadãos. Como exemplos, lembramos que a empresa proprietária do jornal foi, no concelho da Mealhada, a primeira a aderir ao projecto Limpar Portugal e será, no Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada de 2010, a organizadora do concurso de escolas de samba, incumbência que assume pela quarta vez consecutiva.
Nesta altura, em que celebramos mais um aniversário, renovamos o compromisso solene – que, assim pensamos, é também o dos sócios da empresa, da redacção e de todos aqueles que connosco colaboram – de não colocar nunca em causa os princípios basilares da publicação Jornal da Mealhada claramente expressos no seu estatuto redactorial. Pela tradição, pelo compromisso, mas, acima de tudo, porque fazer o contrário significaria adulterar o rumo de uma publicação de comunicação social que tem leitores, tem assinantes dedicados e cuidadosos, esclarecidos e atentos, tem anunciantes motivados e satisfeitos com o retorno do investimento efectuado neste jornal para a divulgação das suas empresas e dos seus produtos ou serviços.
O próximo ano – que será o das bodas de prata – terá a prossecução de objectivos a que há algum tempo demos preferência como tais como o do esforço de afirmação das nossas edições na Internet, e o da adequação à modernidade, sem perder o que de mais genuíno tem o Jornal da Mealhada. Abalançar-nos-emos em novos desafios, que, certamente, ultrapassaremos – os que forem surgindo e os que a nós próprios proporemos –, sempre no seguimento do que de melhor têm a herança e a tradição do Jornal da Mealhada, isto é, procurando superar as dificuldades que se nos apresentarem sem esquecer, sejam quais forem as circunstâncias, o lema por que ele sempre se tem guiado desde a sua fundação: garantir aos seus leitores intervenção séria e criteriosa, independência e honestidade na informação.
Editorial do Jornal da Mealhada de 9 de Dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
[892.] Mercurii dies
Esperança
Dizer que o Natal é tempo de Esperança é recorrente. Não será já um lugar-comum? Garantir que estamos em crise – financeira, económica, social, de valores, de esperança – também é habitual. Dissertar sobre as formas como a esperança, nomeadamente a natalícia, pode atenuar as crises em que vivemos é exercício a que nos entregámos muitas vezes. Como recompensa sentimos a que basta, a esperança de ter garantias de que benéfico para quem está sem esperança, é ouvir de alguém que há soluções, e que elas virão em breve.
Todas as palavras foram já ditas, é tempo de passarmos à acção!
E que acções podemos nós tomar, individualmente, perante a nossa realidade? Há precisamente um ano, também num editorial do Jornal da Mealhada, considerávamos “que seria importante que todos, nesta altura de dificuldade, especificamente, quando reflectíssemos sobre o tipo de compras a efectuar e sobre os locais onde as fazer, procurássemos colaborar no sentido de exercer a solidariedade natalícia de uma forma mais pensada”. “Se consumirmos o nosso pecúlio para as compras de Natal nos estabelecimentos comerciais locais, no comércio de proximidade, estamos a apoiar empresas, geralmente pequenas ou médias, normalmente de pessoas das nossas relações. Ao fazermos isso estamos a contribuir para revitalizar o círculo virtuoso de trocas e transacções de distribuição da riqueza na nossa comunidade local”, afirmámos. Um ano depois, mantemos a mesma ideia, convictos de que são os pequenos gestos – em grande quantidade, é certo – que mudam o mundo.
Solidariedade
São muitas as campanhas de solidariedade que, nesta altura, nos entram pela televisão, que nos aparecem na rua ou nos estabelecimentos comerciais. Há campanhas sérias e outras que nem por isso. Há instituições que realizam campanhas com objectivos de promover a solidariedade em locais longínquos e outras que procuram resolver problemas à nossa porta e dos quais, muitas vezes, nem deles temos conhecimento. A escolha é de cada um, mas o gesto de ajudar deve ser de todos. Peça explicações a quem o aborda e que lhe apresenta agente de uma campanha de angariação de fundos monetários, de alimentos, ou de outras coisas, no sentido de ficar a saber mais sobre o destino que vai ser dado ao seu donativo. Pergunte, discuta, procure fazer a distinção entre os mais sérios e os outros, mas não deixe de ajudar.
Serviço
O Jornal da Mealhada, atento à quadra natalícia e à necessidade dos comerciantes de se dirigirem aos actuais e aos potenciais clientes, está a preparar, uma vez mais, edições comemorativas, a saírem em 16 e 23 de Dezembro. Serão uma edições com uma tiragem superior à habitual e com distribuição especial. Os nossos leitores apreciam e os anunciantes — empresas comerciais e empresas industriais — poderão, assim, assinalar a época dirigindo-se, de forma especial, a clientes e amigos, no sentido de lhes manifestar os seus votos de festas felizes e de fazer a promoção das características especiais dos seus produtos.
De igual modo, todas pessoas, individualmente ou em grupo, e instituições, que queiram, de forma especial e original, expressar votos de festas felizes a familiares e amigos, podem fazê-lo nas páginas do Jornal da Mealhada a preços reduzidos.
Nesse sentido, apelamos à colaboração de todos e à sua participação nesta campanha de Natal.
Testemunho
Realizar-se-ão, nas próximas semanas, festas de Natal das escolas, das IPSS e de outras instituições — culturais, recreativas ou desportivas —, e de muitas outras entidades colectivas, públicas ou privadas. O objectivo será, através do convívio, da fraternidade, da partilha, viver com mais intensidade uma época festiva de grande relevância social. Poderá ser aproveitada também a oportunidade para homenagear colaboradores e pôr em destaque a dedicação, o empenho, a entrega no serviço prestado por quem trabalha por amor a uma causa.
Acreditamos que a relevância dessas festas crescerá e cada uma delas cumprirá melhor os seus objectivos se puder ecoar pela comunidade através das páginas do Jornal da Mealhada. Dêem-nos conta destas festas, por favor. Teremos todo o gosto em nos associar a elas, fazendo a devida cobertura jornalística. Obrigado.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
[891.] No Camiño
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
[890.] Mercurii dies
A propósito da Conferência de Copenhaga sobre alterações climáticas
Está registar-se no planeta Terra um conjunto de alterações do clima num período extraordinariamente reduzido de tempo. As condições de habitabilidade do globo terrestre estão a mudar drástica e rapidamente. As pessoas conseguem identificar – unicamente com as suas vivências – várias alterações ao clima comparando a actualidade com o tempo da sua meninice. A sustentabilidade e a viabilidade do planeta, enquanto território habitado por humanos e muitas outras espécies animais, estão em risco.
Desde 1988 que a Organização das Nações Unidas tem evidenciado preocupação com o assunto. Há a consciência de que o ritmo acelerado das alterações ao clima é consequência do comportamento humano relativamente à utilização dos recursos naturais e ao tratamento dado aos resíduos da produção humana. Depois de nove anos de discussões e muitos estudos, em 1997, no Japão, na cidade de Quioto, os diplomatas de vários países chegaram a um consenso e estabeleceram um tratado internacional – o Protocolo de Quioto – pelo qual se obrigavam a reduzir, em cinco por cento, até ao ano de 2012, o volume das emissões de gases que contribuem para o efeito de estufa tendo os níveis de 1990 como referência. O Protocolo de Quioto entrou em vigor no dia 16 de Fevereiro de 2005, após a assinatura da Rússia, quando, finalmente, “55 por cento dos países responsáveis por 55 por cento da poluição no mundo” tinham subscrito o tratado.
Em 2012 termina o prazo para o cumprimento das normas e recomendações do acordo de Quioto e há a necessidade de continuar a trilhar o caminho estabelecido no sentido de procurar atenuar os prejuízos que a utilização humana dos recursos terrestres está a provocar no planeta. É neste contexto que se realiza em Copenhaga, na Dinamarca, de 7 a 18 de Dezembro próximo, uma conferência inter-governamental no sentido de alcançar mais pontos de entendimento político para a prossecução dos objectivos de protecção do planeta Terra.
Alguma hesitação recente manifestada pelo Governo norte-americano, no entanto, leva a crer que os resultados de Copenhaga podem ser politicamente vinculativos, mas sem força jurídica vinculativa. Obama – apesar de ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Paz com base na capacidade que demonstrou em dar esperança às pessoas –, neste assunto, parece não pensar de modo muito diferente da de Bush e torna-se muito difícil assegurar um futuro mais limpo para o planeta sem a adesão de um dos maiores poluidores, os Estados Unidos da América. As notícias dão-nos conta de que quase “todos os países desenvolvidos” já têm números sobre os esforços que se propõem fazer para reduzir as emissões de gases contribuem para o efeito de estufa, mas falta a resposta americana e, por isso, a assinatura de um novo tratado pode ser mandada para as calendas.
“Cientistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas sustentam que os países desenvolvidos têm de abater 25 a 40 por cento das suas emissões de dióxido de carbono até 2020, em relação a 1990, de modo a manter o aquecimento global dentro de limites mais aceitáveis. A Noruega e o Japão prometem cortes de 40 e 25 por cento, respectivamente. A União Europeia assume 20 por cento, mas está disposta a ir até aos 30 por cento, caso haja um compromisso global ambicioso. A UE é o único bloco com uma promessa vinculativa, de que os compromissos do tratado serão vertidos para a legislação comunitária”, pode ler-se na imprensa mundial de referência. E dos cientistas ouve-se, também, a afirmação de que “apesar destas propostas, e sem números dos EUA, a soma de todos os esforços já sugeridos não chega ao mínimo considerado como necessário”.
Nas próximas semanas os líderes mundiais juntam-se para ajudar a resolver um problema global. Um problema cuja solução é difícil, que exige cedências e restrições, mas, acima de tudo, espírito de responsabilidade moral e social e, também, apesar da crise, de muito investimento. “Mesmo para um acordo político, há muito ainda por negociar. Falta definir os esforços que os países em desenvolvimento devem fazer para atenuar a subida das suas emissões de dióxido de carbono. Também sobre a mesa está a questão do financiamento à adaptação dos países pobres a um mundo mais quente, que pode custar 100 mil milhões de euros por ano”, refere a imprensa especializada. O futuro estará nas mãos dos líderes mencionados? Estará o futuro em Copenhaga? Quem dera que esteja!
Editorial do Jornal da Mealhada de 25 de Novembro de 2009 e do jornal FRONTAL de 26 de Novembro de 2009.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
[889.] Mercurii dies
Pediram a Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, que expressasse a sua opinião sobre o caso de investigação judiciária “Face Oculta”. O líder autonómico, conhecido pelo seu sentido crítico e, por vezes, humorado com que analisa os temas políticos nacionais, manifestou-se preocupado com os interesses da Madeira e dos madeirenses e disse: “O que se passa na Sicília hispânica é um problema daquela gente que eu não tenho nada com isso, nem quero saber daquilo para nada”.
A Alberto João Jardim já chamaram Bocaça e dirigiram outros epítetos parecidos que, se têm alguma justificação séria, põem em causa a sua legitimidade para comentar, com seriedade, assuntos como o do favorecimento político a empresas e pessoas em troca de benesses financeiras. Mas a verdade é que os casos de alegada corrupção que vão enchendo os telejornais são já em volumoso número e a pergunta impõe-se: Será Portugal um Estado mafioso?
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e de outros crimes económicos relacionados com empresas do Estado e empresas privadas, havendo, à data, quinze arguidos, incluindo o presidente da REN (Redes Eléctricas Nacionais), José Penedos, e Armando Vara, vice-presidente do Millenium/BCP, que, em face da situação, suspendeu as suas funções no referido banco. Armando Vara foi ministro no Governo de António Guterres. A este caso – o mais recente – podem juntar-se o caso Freeport – em cujo processo se investigam os contornos do processo de licenciamento de um espaço comercial em Alcochete – ou o caso Portucale – dos sobreiros em Benavente – ou o dos submarinos. Em todos eles estão envolvidas pessoas que já fizeram parte de altos quadros da administração pública portuguesa ou que estão ainda ligadas ao sector empresarial do Estado. Com tantos casos, se forem provadas as acusações neles contidas o que faltará para Portugal poder ser considerado um Estado mafioso?
A verdade é que em Portugal a corrupção não é socialmente condenada. Para muitos portugueses um corrupto é apenas um espertalhão, não é um criminoso. Uma pessoa pode ser (apenas) arguido num processo de corrupção, mas não deixará, por isso, de fazer parte do conjunto dos amigos do primeiro-ministro de Portugal, e de receber deste telefonemas de solidariedade. É certo que Armando Vara não foi condenado e deve continuar a ser considerado inocente, mas não é estranho que o primeiro-ministro não se distancie de situações destas? A ponto de as condenar? Sabemos que o primeiro-ministro andou a telefonar para pessoas que tinham o seu telefone sob escuta e que foram gravadas as conversas que, por esse meio, teve com elas. Há quem ache que se trata de espionagem política. Augusto Santos Silva queixa-se de que há cinquenta e duas cassetes com gravações de conversas em que participou o primeiro-ministro.
Em Portugal a forma de corrupção em causa chama-se cunha. E está tão vulgarizada que não choca ninguém. As pessoas, nas suas relações pessoais, já contam com isso. Procuram agradar e não criar conflitos com quem ‘pode um dia ajudar’. É frequente as pessoas dizerem “Olhe que eu votei em si!”, quando se dirigem ao presidente da Câmara ou da Junta de Freguesia, no sentido de verem facilitada a sua pretensão, por exemplo.
Muitos portugueses não compreendem que a corrupção – grande ou pequena – prejudica todos e, duplamente. Porque ao prejudicar o Estado somos todos prejudicados, e porque quando num contrato ou num serviço, alguém é beneficiado indevidamente, alguém foi prejudicado.
Alguém espera alguma coisa de concreto e significativo, ou seja, penalizações severas, para os casos que estão a ser objecto de investigação, a que aludimos? Falta reprovação social ao assunto para casos deste género. Ainda que a sociedade não condene, o Estado de Direito tem obrigação de analisar?
Em 5 de Outubro de 2006, o Presidente da República, no discurso do Dia da Implantação da República, dizia que a corrupção “é uma excepção no comportamento dos nossos agentes políticos”. “A corrupção tem um potencial corrosivo para a qualidade da democracia que não pode ser menosprezado. (…) Da corrupção decorre outro efeito altamente perverso para a qualidade da democracia: julgando que, de um modo generalizado, o comportamento dos titulares de cargos públicos não é exemplar, os cidadãos deixam de possuir modelos de acção e referenciais éticos nos seus próprios comportamentos”.
Se for provado que os políticos – ministros e, até, o primeiro-ministro – estão ou estiveram envolvidos, directa ou indirectamente, nestes caso de corrupção, poderá alguém, com razão, considerar desajustado chamar a Portugal Sicília Hispânica?
Editorial do Jornal da Mealhada de 18 de Novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
[886.] EU SOU ESCUTEIRO
Este filme chegou à final do 3.º Concurso Nacional Espanhol de Curtas Metragens. Envolveu todo o agrupamento e tem como tema "Valores Escutistas". A música do final,
"Yo soy Scout", é de Nudo e podes ouvi-la em http://www.myspace.com/nudorock.
O Agrupamento é o Grupo Scout San Rafael - 99 - de Elche, uma cidade no sul de Espanha, na provincia de Alicante.
Uma optima ideia!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
[887.] Mercurii dies
O Muro de Berlim caiu há vinte anos. Na madrugada de 9 para 10 de Novembro de 1989 caiu uma das grandes barreiras físicas – e também psicológicas – da história da humanidade. Cento e cinquenta e cinco quilómetros de um muro que dividia a cidade de Berlim, que dividia a Alemanha, que dividia um continente e o mundo em dois blocos que travavam um com o outro a Guerra Fria, estratégica, de movimentos calculados e restrições mútuas.
Assistimos à queda do muro sem nos apercebermos do que estava a acontecer, como já tínhamos assistido a muitos dos acontecimentos que se revelaram como sendo cruciais e impulsionadores dos outros que contribuíram para o fim de uma era.
No final da Segunda Guerra Mundial os vencedores (União Soviética, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos da América) dividiram Berlim e a Alemanha. As zonas adstritas à Grã-Bretanha, à França e aos Estados Unidos da América tornam-se na República Federal da Alemanha. A zona sob administração soviética, em 1949, transforma-se na República Democrática da Alemanha – e tornou-se um país satélite da União Soviética. Com o seguir do curso da história, a fronteira entre a RDA e a RFA prolonga-se e torna-se muito mais do que a fronteira entre estes dois países. Passa a ser uma Cortina de Ferro (como lhe viria a chamar Winston Churchill), que separa dois blocos políticos fortíssimos. De um lado está o bloco soviético, um conjunto de países, unido pelo Pacto de Varsóvia, onde é aplicado um sistema político marxista-leninista, com a União Soviética como potência hegemónica. Do outro lado fica uma Europa que procura ressuscitar das cinzas. Que tem os Estados Unidos da América como protector e patrocinador mais importante, onde são implantados uma economia de mercado e sistemas políticos que não eram, de modo nenhum, marxistas-leninistas.
A fronteira dividia, também, dois estilos de vida. Dividia duas concepções de felicidade. Dividia duas maneiras antagónicas de pensar a humanidade e o papel do Homem e da sociedade, e muitas foram as pessoas que a atravessaram a fronteira do lado oriental para o lado ocidental. No princípio da década de 1960, a Europa Ocidental dava os primeiros passos na criação de uma união económica que mais tarde se tornaria um mercado comum de dimensões extraordinárias. Em pouco mais de dez anos, 3 milhões de alemães passaram a fronteira do Oriente para o Ocidente. Só nas duas primeiras semanas de Agosto de 1961, passaram 47 mil pessoas. Para travar o êxodo a caminho do capitalismo (e da liberdade), a RDA, em 13 de Agosto de 1961, começa a construir uma barreira, com uma vedação de arame farpado, mas, em pouco tempo, é já um portentoso muro, uma intransponível muralha de 155 quilómetros, reforçada em 1966, em 1968 e em 1976.
O caminho histórico do lado ocidental é conhecido, e acaba por ser, de certa forma, a nossa própria história. Torna-se mais difícil identificar – de forma científica – o que pode ter sido decisivo para o desmoronar do bloco soviético. Começaríamos por apontar – a escolha tem muito de pessoal e subjectivo – a eleição do polaco Karol Woitila, para chefe da Igreja Católica, em 1978, o que constituiu uma afronta para Moscovo. Ainda na Polónia, em 1980, o nascimento da organização sindical Solidariedade, liderada por Lech Walesa, foi outro factor importante para a queda do Muro. Nove anos depois, em Junho de 1989, numa espécie de eleições semi-abertas à participação de outras forças políticas para além do Partido Comunista Polaco, o Solidariedade torna-se a principal força política da Polónia, contribuindo, assim, para o aceleramento do processo da queda do regime comunista na Polónia. Helmut Kohl, o chanceler da RFA foi o grande obreiro de um desenvolvimento que contribuiu para que se tornassem bem visíveis as diferenças entre as duas Alemanhas, soube ser um fiel amigo de Walesa e o timoneiro da reunificação do seu país. Também Gorbatchov, o líder da União Soviética, terá tido um papel relevante em todo este processo. Por acção e por omissão. Procurava modernizar a URSS, e acabou por provocar a modernização de todo o Bloco de Leste. Também é herói o soldado que prefere não premir o gatilho e não intensificar a batalha, quando o poderia fazer.
Em Maio de 1989, uma pequena “brecha” na cortina de ferro, entre a Hungria e a Áustria, levou a que milhares de pessoas – e entre eles muitos alemães de Leste – tenham fugido por lá para o Ocidente. A população da RDA sai à rua e exige liberdade de movimentos, o direito a viajar, eleições livres, liberdade política (como na Polónia). O Governo acaba por ceder e determina a autorização da liberdade de circulação da RDA para a RFA, mediante visto. Numa entrevista paralela ao decorrer de uma reunião do Comité Central do Partido Comunista da RDA, Günter Schabowski, o porta-voz do Governo, divulga a informação, e, erradamente, informa que a determinação tem efeitos imediatos.
Horas depois, os postos fronteiriços têm milhares de pessoas a querer passar. Os guardas ouviram o mesmo que os restantes alemães de Leste e começam a deixar passar as pessoas sem restrições. Pouco tempo depois, as picaretas começam a destruir o muro. No dia seguinte o êxtase instalou-se e o muro caiu, definitivamente.
Os dias seguintes seriam de grande mudança – ao som do tema musical ‘Winds of Change’ dos Scorpions.
O lado capitalista da Europa, que era já uma grande Comunidade Económica, abriu os braços à RDA, e depois à Polónia, à República Checa e a tantos outros estados que estavam do outro lado do muro.
Hoje quase não se notam as diferenças? Continuam a notar-se, porque o desenvolvimento de 20 anos de economia de mercado não homogeneizou uma Alemanha que vive a duas velocidades. E há alemães de Leste que dizem ser tomados como cidadãos de segunda categoria. As consequências de quarenta e quatro anos de separação certamente que não se diluem em quase vinte anos de reunificação. Certamente não se acentuarão. Pelo menos isso. Assim pensamos.
Outros muros se levantaram desde 1989. O muro de Berlim era o muro da vergonha mas há outros muros e outras vergonhas. Tranquiliza-nos a moral da metáfora que Kohl terá apresentado um dia a Gorbatchov. “A ânsia de liberdade dos homens é como um grande rio. Pode até erguer-se um dique ou uma barragem para o travar, mas o rio encontrará sempre uma forma de ultrapassar o obstáculo e chegar à foz!”
terça-feira, 10 de novembro de 2009
[885.] Pensamentos soltos
Há vinte anos, em Novembro de 1989, a governança do Mundo tinha as seguintes lideranças:
Helmut Kohl governava a RF da Alemanha.
Lech Walesa acabava de ganhar as eleições na Polónia.
Mikail Gorbatchov presidia à URSS.
A primeira-ministra britânica era Margaret Thatcher.
O primeiro-ministro espanhol era Felipe Gonzalez.
O presidente francês era François Mitterrand e tinha como seu primeiro-ministro Jacques Chirac.
Em Portugal, Cavaco Silva era primeiro-ministro e Mário Soares presidente da República.
O presidente da Comissão Europeia era Jacques Delors.
Ronald Regan havia deixado a presidência dos Estados Unidos há poucos meses.
O secretário-geral da ONU era Perez de Cuellar.
Ou seja, em 1989 o Mundo era governado por muitos daqueles que poderão ser considerados como os melhores politicos do século XX - ou de pelo menos da segunda metade.
Foi possível fazer cair o Muro, segurar as pontas e reunificar a Alemanha, em 1989. Seria possível hoje?
Desde 1989, que líderes tivemos? Tivemos Aznar. Tivemos Tony Blair. Tivemos (para quem aprecia) Bill Clinton. Temos agora Sócrates - que até pode, perante o deserto, ser uma referência. Temos Nicolas Sarkozy. Temos Barack Obama (se não se estragar). E não temos, rigorosamente mais nada.
A falta de líderes parece-me ser um dos maiores problemas da modernidade.
E essa falta nota-se, agora, por exemplo, quando os lideres europeus precisam de arranjar um Presidente para o Conselho Europeu e andam à rasca. Presidente de arranjar um chefe para a diplomacia e nada!
Vou acompanhando a politica internacional como posso e, desde há muito, reparo que o futuro da politica europeia passa muito mais pela Grã-Bretanha do que pela Europa Continental - isto até parece rídiculo. E na Grã-Bretanha a esperança começa a ser, muito mais, David Miliband - o actual ministro dos negócios estrangeiros (trabalhista) - do que David Cameron - o líder dos Tories e futuro primeiro-ministro. Ou seja, já não está em causa quem será o próximo PM, mas quem será o seguinte (em Portugal, curiosamente, passa-se o mesmo com António José Seguro e Pedro Passos Coelho).
Ora acontece que Miliband foi convidado para ser a indicação socialista para o cargo de Alto Representante da Política Externa da UE (até porque o nome de Blair foi vetado para o cargo de Presidente do Conselho Europeu). A escolha seria acertada. David Miliband, no entanto, declinou o convite porque considera ser mais necessário o contributo que tem para dar à Grã-Bretanha... que para já (ainda) não é nenhum... Trata-se de um líder que, digo eu, nunca deixaria o exercicio de um cargo nacional para exercer responsabilidades europeias...
Como europeu lamento.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
[883.] Gemidos de Moleskine
O tempo é pouco e os apontamentos vão-se acumulando no Moleskine que, coitado, vai gemendo de sofrimento...[882.] Visionário, adj.s.m.
visionário (francês visionnaire)
adj.
adj.
1. Relativo a visões.
s. m.
2. Aquele que julga ter visões.
adj.
s. m.
adj. s. m.
3. Que tem ideias quiméricas ou
extravagantes. = devaneador,
idealista, sonhador, utopista
Eu conheço gente que toda a vida foi escuteira.
Que não se lembra já como entrou no movimento e que aproveita todas as vivências que a vida em campo e com os outros lhe proporciona para seu crescimento pessoal.
Eu conheço gente que sendo escuteira não deixa de ter sentido crítico e auto-avaliação do que são gestos e práticas que um século de vida entortou e desvaneceu.
Eu conheço gente que tem muita qualidade, mas nem por isso se põe em bicos de pés com medalhas que não recebeu ou com cargos que aceitou sem saber ao que ia.
Eu conheço gente que faz a diferença num universo de setenta mil pessoas, ou, especialmente, num universo de sete mil adultos.
Eu conheço gente que nem por ser boa é simpática, ou irrepreensível, ou calma, ou livre de defeitos ou frustrações.
Eu conheço gente que não se resigna a viver no tal 'Vale de Lágrimas' e procura ser feliz todos os dias, ser justa e verdadeira, leal e competente.
Eu conheço gente que disse sim a um projecto muito maior do que ela, a um projecto de renovação integral e completa que muitos não olham com bons olhos, logo porque é novo, ou desde logo porque traz transformações a velhos hábitos e facilidades.
Mas essa gente não desiste. Não desiste de defender aquilo em que acredita. Não desiste de apontar um caminho que pode ser hoje apenas uma vereda. Não desiste de sonhar e de questionar. Que não se perturba quando lhe ouve chamar visionário... porque até acha que há um aspecto positivo nesse adjectivo para além da loucura.
Costumo pedir a Deus, que me dê capacidade para ajudar os rapazes e as raparigas, que - directa ou indirectamente - recebem acção do meu trabalho e da minha dedicação ao escutismo - aos níveis local, de núcleo, regional e nacional -, a serem melhores pessoas, arrojados no que sonham e desejam, a não serem indiferentes aos outros, a lutarem e serem felizes. Tenho tido muitas razões para me orgulhar de muitos deles e agradecer a Deus.
Ontem, enquanto regressava de Fátima a alta madrugada, para hoje de manhã estar novamente de lenço ao pescoço, pedi a Deus - também - que um dia, escuteiros meus, feitos dirigentes, possam ser acusados de ser visionários só por verem uma estrada onde os outros veêm apenas uma vereda!
sábado, 7 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
[880.] Mercuri dies
Muito se tem falado sobre a escola pública e sobre a necessidade de garantir a qualidade do ensino e a sua democraticidade no sentido de todos a ela terem acesso. Costumamos ouvir a reivindicação de defesa intransigente da escola pública da parte de muitos agentes políticos – alguns deles com os descendentes em escolas privadas – que se opõem à tese da liberdade de opção na qual se defende que o Estado deve apoiar a escolaridade das crianças independentemente de estudarem numa escola pública ou numa escola privada. Seja qual for a nossa posição sobre qual das duas práticas melhor responderia às necessidades do país, a verdade é que consideramos necessário um debate urgente sobre o que se pretende da escola pública em Portugal quando esta se prepara para garantir a formação dos alunos portugueses até ao 12.º ano de escolaridade. Consideramos ser pedagogicamente muito importante que as noções básicas de Economia possam começar a ser apreendidas logo nos primeiros encontros das crianças com a Matemática. As noções da formação dos preços, com os custos de produção, de mão-de-obra e as margens de lucro, ensinadas através de actividades que as próprias crianças desenvolvem parecem-nos ser iniciativas de aplaudir. Trata-se, assim consideramos, de um tipo de ensino de aprender-fazendo que só pode ter vantagens.
Temos notado, nas últimas semanas, especialmente, que iniciativas deste género, nalgumas escolas do concelho da Mealhada, para além do aspecto pedagógico têm, também, um objectivo de angariação de fundos. Iniciativas que visam a obtenção de fundos que revertem para o Jardim-de-Infância da Mealhada, para a Escola Básica do primeiro ciclo (EB1) de Luso, para a EB1 da Mealhada, para a EB1 do Canedo, só para dar exemplos que têm merecido notícia nas páginas do Jornal da Mealhada.
Angariação de fundos para apoiar o ensino público? – poderá questionar o leitor. E a pergunta não será totalmente descabida. Acreditamos que o objectivo principal destas iniciativas será, certamente, pedagógico. Não nos choca que estas iniciativas produzam fundos que revertam a favor das escolas. Mas não será mais difícil de compreender que a escola pública, em tempos de Magalhães e de choques tecnológicos, tenha necessidade de angariar dinheiro para comprar material escolar – como nos foi dito pelos professores da EB1 de Luso, aquando da realização de um mercadito – ou para comprar impressoras – como aconteceu com a venda de doces na EB1 da Mealhada?
Nitidamente a escola pública portuguesa está sub-financiada. Conhecem-se as limitações e as consequentes ginásticas – muitas vezes penalizando o seu património pessoal – que os professores têm de operar para utilização de recursos, de materiais e até de equipamentos para possibilitar novas formas e modos mais arrojados de cumprir a sua missão de promotor da aquisição de conhecimentos, de valores, de competências, de vivências e de atitudes.
São muitas vezes os professores os primeiros a desenvolver iniciativas para angariação de fundos porque sabem que não podem estar consecutiva e exclusivamente a sobrecarregar os encarregados de educação com pedidos de dinheiro porque sabem que nem todos eles podem contribuir da mesma forma, que nem sempre vigora o princípio da equidade na distribuição dos sacrifícios se pode fazer.
Cabe a todos continuar a colaborar com estas iniciativas de angariação de fundos, mas também nos cabe exigir ao Estado o financiamento apropriado para a criação de boas condições de trabalho na sala de aula, aos agrupamentos escolares uma organização orçamental que privilegie a acção principal da sua missão educativa como prioridade em relação aos gastos da máquina da burocracia, às autarquias – Câmara Municipal e Juntas de Freguesia – um financiamento adequado no âmbito das suas competências, mas – se for preciso – para além delas, de modo a assegurar, sempre, um ensino público de qualidade.
Também a escola pública parece estar em crise. Pode achar-se que a avaliação de professores é prioritária, ou que deve incrementar-se maior exigência na avaliação dos alunos, mas nada se pode fazer de concreto, de consequente, se não forem dadas as ferramentas para a grande obra que é dar conhecimentos e competências aos portugueses.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
2009 annus domini
O ano foi designado como:
Ano Internacional da Astronomia, pela ONU
http://www.astronomia2009.org/
Trata-se da celebração da astronomia, em 2009 para coincidir com o 400.º aniversário das primeiras observações astronómicas feitas com um telescópio por Galileu Galilei e da publicação de Astronomia nova por Johannes Kepler no século XVII. O Ano foi declarado pela 62.ª Assembleia Geral da ONU. Um regime mundial, estabelecido pela União Astronómica Internacional (IAU), também foi aprovada pela UNESCO - órgão da ONU responsável pela Educação, Ciência e Cultura.
Ano Internacional das Fibras Naturais, pela ONU
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2009 como o Ano Internacional das Fibras Naturais. A proposta para este ano é originária da International FAO numa reunião conjunta do Grupo Intergovernamental sobre Fibras e o Hard Grupo Intergovernamental sobre a Juta, em 2004, e foi apoiado pela Conferência da FAO em 2005.
O ano internacional é dedicado às fibras naturais, de origem vegetal e animal, bem como as suas utilizações. O ano é esperado para elevar o perfil das fibras naturais; será baseado na cooperação entre os produtores de todas as fibras naturais e dará ênfase a qualidades positivas das fibras naturais.
Ano Internacional da Reconciliação, segundo a ONU
O Ano Internacional de Reconciliação é um ano proclamado pela Organização das Nações Unidas, em 20 de Novembro de 2006, através da Resolução 61/17 da Assembleia-geral.
Tem como objectivo concretizar os processos de reconciliação nas sociedades afectadas ou divididas por conflitos, vendo tais processos como necessários para o firme estabelecimento da paz duradoura. A Assembleia convidou os governos das sociedades em conflitos, organizações internacionais e não-governamentais a apoiarem os processos de reconciliação nas regiões em conflito. Convidou-os, ainda, a implementar programas culturais, educacionais e sociais adequados para promover o conceito de reconciliação, incluindo a realização de conferências e seminários e a disseminação da informação sobre o assunto.
Ano Internacional da Aprendizagem sobre os Direitos Humanos, segundo a ONU
O Ano Internacional da Aprendizagem sobre os Direitos Humanos foi lançado no 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10 de Dezembro de 2008, pela Organização das Nações Unidas.
O ano é dedicado a actividades com o objectivo de ampliar e aprofundar a aprendizagem sobre os direitos humanos, com base nos princípios da universalidade, indivisibilidade, interdependência, imparcialidade, objectividade, da não-selectividade, do diálogo construtivo e da cooperação, tendo sido proclamado através da Resolução 62/171 de 18 de Dezembro de 2007. Tem como objectivo reforçar a promoção e protecção dos direitos humanos e as liberdades fundamentais, incluindo o direito ao desenvolvimento.
Ano Internacional do Gorila, segundo a ONU
O ano de 2009 foi designado pela ONU como o Ano Internacional do Gorila como uma forma de proteger os primatas. As Nações Unidas esforçam-se para levantar fundos para a protecção dos primatas ameaçados de extinção devido a doenças (inclusive Ebola), ao desmatamento, ao conflito armado e à caça pela sua carne ou para torná-los animais de estimação.
Ano de José María Morelos, Servo da Nação, segundo o Governo do México
José María Teclo Morelos y Pavón (30 de Setembro de 1765 - 22 de Dezembro de 1815) foi um dos primeiros líderes da luta pela independência do México da Espanha, até ao seu julgamento e execução pelo Santo Ofício.
Ano de Charles Darwin
http://www.ano-darwin-2009.org/
200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação da “Origem das Espécies” . Charles Darwin foi um dos mais importantes pensadores de todos os tempos. A sua teoria de evolução dos seres vivos representou uma grande mudança no pensamento biológico, além de influenciar outras áreas do conhecimento.
Ano Europeu da Criatividade e Inovação
http://criar2009.gov.pt/
O Ano Europeu da Criatividade e da Inovação (AECI) tem como objectivo sensibilizar os cidadãos para a importância da criatividade e da inovação enquanto competências chave do desenvolvimento pessoal, social e económico. Através desta iniciativa, a UE procura moldar o futuro da Europa no contexto da globalização, promovendo o potencial criativo e inovador que existe em todos nós. A UE adoptará um conjunto de medidas para chamar a atenção dos cidadãos para as questões mais importantes e promover um debate político sobre a melhor forma de explorar o potencial criativo e inovador da Europa.
Ano Jubilar Paulino
Junho 2008 – Junho 2009
Dedicado ao Apóstolo Paulo, por ocasião dos 2000 anos do seu nascimento. O Ano Paulino prolongou-se de 28 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009.
Ano Sacerdotal
Junho 2009/Junho de 2010
Por ocasião do 150.º aniversário do «dies natalis» de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo, celebra-se de 19 de Junho de 2009 a 18 de Junho de 2010 o Ano Sacerdotal. Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo.

_-_Homer_and_his_Guide_(1874).jpg)

