terça-feira, 8 de setembro de 2009

[849.] Hoje...

... é dia de Nossa Senhora da Natividade

Nunca percebi isto bem, e por isso preciso constantemente de ajuda... e uma vez até levei um puxão de orelhas do padre Abílio por causa destas coisas...
Hoje é dia de Nossa Senhora da Natividade ou seja, é dia da natividade de Maria, mãe de Jesus. Assinala-se hoje, portanto, nove meses depois da solenidade da Nossa Senhora da Conceição (padroeira e rainha de Portugal) o nascimento de Maria.
Maria é uma figura central no entendimento do Cristianismo. Por ser meio (como nasceria Deus entre os Homens se não no seio de uma mulher), mas é, também, muito mais do que isso. É testemunho e é legado de Deus-filho, Jesus, aos homens.
Confesso que esta é a primeira vez que a Senhora da Natividade me interpela. Até desconhecia este pormenor dos nove meses depois da Senhora da Conceição... e pensando bem até acho curioso... Maria só podia ter nascido nesta altura... com o signo Virgem no zodíaco... eheheheh
Mas há mais curiosidades:
Nossa Senhora da Natividade é a padroeira da paróquia de Luso. Maria é filha de Santa Ana (padroeira da Mealhada) e de São Joaquim (orago na Pampilhosa-Alta).
Ora há ou não há aqui uma especie de tradição da Natividade no nosso concelho?

Esta é a imagem que está na Igreja do Luso, curiosamente representa Maria - coroada e com ceptro - como uma mulher adulta, mãe, com Jesus nos braços... A imagem é muito bonita (e pesada, também), mas não a compreendo.

*

Para saber mais:

Apontamento da Agência Ecclesia

e a passagem do Evangelho de São Tiago (apócrifo) que narra a natividade de Maria



ULTREIA E SUSEIA
ME FUI
Bebe, Y

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

[846.]

Ontem a IMS, citando o pai, 'deu-me' esta frase que não me sai da cabeça:

Não há desgraças, há oportunidades de outras Graças!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

[844.] Carta aos meus irmãos dirigentes do CNE

Caríssimos Irmãos em Cristo

Escrevo-vos quando passam apenas alguns minutos do fim do dia 4 de Setembro de 2009. Faço-o propositadamente (como não podia deixar de ser).

Ontem, 4 de Setembro de 2009, passaram cem anos sobre um momento fundamental da história do escutismo. Na minha opinião. Um evento que transformou a maneira do nosso fundador ver o movimento que tinha criado, e, assim, influenciar tudo o que se seguiria.
Falo-vos do rally de Cristal Palace, em Londres. Tratou-se da concentração de onze mil escuteiros, num mesmo espaço, em partilha, mostrando o que tinham aprendido e do que mais gostavam. Este encontro foi verdadeiramente impressionante para o fundador, como ele próprio mais tarde afirmaria.

Nesse dia B.-P. apercebeu-se de duas coisas fundamentais.

Não poderia manter o que acabava por ser fundamental no escutismo exclusivamente para rapazes, e teria de pensar numa resposta para as raparigas que, pela primeira vez em Crystal Palace, o abordaram no sentido de reivindicar um estatuto e uma oferta pedagógica dentro do movimento.

Apercebeu-se, também, que o movimento precisava de uma liderança, que não poderia manter-se “ao-Deus-dará”. Seriam precisas estruturas locais, regionais e até nacionais para coordenar a fidelidade das várias patrulhas ao método escutista.

B.-P. saiu de Crystal Palace com a convicção de que seria necessário criar o que mais tarde se veio a chamar o guidismo e de que precisava de abandonar o exército e dedicar-se exclusivamente ao escutismo para garantir a sua institucionalização. Diria sempre, a partir daí, que o escutismo era um movimento e não uma organização.

No meu imaginário, na minha concepção, 4 de Setembro de 1909 é a data em que B.-P. criou os dirigentes. É a partir do que B.-P. viu neste dia, que ele próprio vê a necessidade de os adultos se envolverem e, acima de tudo, de serem precisas estruturas institucionais (regionais, locais, nacionais e internacionais) para permitir a fidelidade ao método e à lei e ao compromisso.

No dia de hoje, no dia seguinte ao da admiração de B.-P., eu não poderia deixar de partilhar com os meus irmãos dirigentes do CNE esta reflexão.

Ontem B.-P., em Crystal Palace soube perceber qual o seu papel no movimento e entregou-se.

Hoje, cem anos e um dia depois, qual é a verdadeira missão da nossa entrega?




Video de Nuno Canilho e Nuno João, apresentado ao Núcleo Centro Norte, de Coimbra, em 1 de Março de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

[842.] Mercurii dies

O nosso futuro é o futuro das pequenas e médias empresas portuguesas

A propósito da apresentação dos programas eleitorais dos partidos nacionais

O primeiro partido a apresentar o seu programa eleitoral para as eleições legislativas foi o Partido Socialista. Seguiu-se a CDU, depois o PSD – na passada semana – e agora, no último fim-de-semana, o CDS-PP. Em todos os programas eleitorais há referências às pequenas e médias empresas, as PME, há manifestações da intenção de tomar medidas no sentido de as apoiar. Curiosamente, e perdoem o desabafo, qualquer um dos programas eleitorais deixou insatisfeitas as pessoas que se interessam por este assunto e que, se virmos bem, bem podiam ser a grande maioria dos portugueses – uma vez que é assunto que a todos afecta. Resta-nos perguntar por que razão não investiram mais os partidos nos estudos e nas propostas para a resolução deste problema? Será porque não há ideias? Será porque entendem que a falência de um número crescente de PME não é problema? Ou será porque consideram que o tema não interessa a um número significativo de eleitores e, por isso, não é uma mais-valia eleitoral?
As dificuldades das PME portuguesas não são um problema exclusivo de empresários. Apesar de o empresariado português, enquanto grupo, constituir uma das maiores riquezas do país – pese embora o facto de, uma vez desempregado, qualquer um dos seus membros não ter direito aos subsídios estatais como tem qualquer outra pessoa que contribui para a segurança social, ou não –, não é ele o único interessado no dinamismo das PME. Antes pelo contrário.
Segundo dados fornecidos pelo INE, relativos a 2005, e consultados no sítio oficial do IAPMEI, existem em Portugal 296 928 PME, que empregam dois milhões e oitenta e quatro mil e quinhentas pessoas. São empresas que realizam um volume de negócios de 170 mil e 300 milhões de euros e representam 99,6 por cento do tecido empresarial português, gerando 75,2 por cento do emprego e 56,4 por cento do volume de negócios nacional.
O ministro da Economia de qualquer Governo pode empenhar-se muito na defesa dos milhares de trabalhadores da Quimonda, ou da Auto-Europa, mas não pode esquecer os dois milhões de trabalhadores de milhares de empresas que têm em média dez trabalhadores e que estão a encerrar todos os dias. O que são as PME afinal? Uma fábrica pode ser uma PME. Mas um supermercado, uma oficina de reparações, uma loja de roupa ou uma pastelaria, tudo isso são, também, PME. E todos sabemos que o encerramento de um estabelecimento destes traz consequências sérias para a comunidade.
De forma geral, os partidos propõem o fim do pagamento especial por conta – que é uma espécie de liquidação de um imposto antes do tempo –, falam de redução da carga fiscal mas não esclarecem, devidamente, suas ideias e propostas, sugerem linhas de crédito mas limitam as empresas que à partida mais precisariam, assumem que é o Estado quem mais deve às PME mas não falam em compensações. Ou seja, o que os partidos pensaram para as PME foram medidas de contingência. Fizeram-no porque sabem que são estas as estruturas sociais que mais estão a sentir os efeitos da crise económica e financeira. Não perceberam que é da resolução dos problemas delas que resulta o não agravamento da crise social.
Tomemos o seguinte exemplo: Se no fim do mês o gerente de uma empresa tem dinheiro para pagar aos trabalhadores, mas não tem dinheiro para pagar os impostos, o que deve fazer? Se consecutivamente não pagar aos trabalhadores criará consequências desastrosas na vida daqueles que despenderam a sua força de trabalho ao serviço da empresa e comete uma injustiça. Se, por outro lado, preferir não pagar ao Estado, vê vedado o acesso a linhas de crédito criadas para ajudar as empresas, com viabilidade, mas em dificuldades. É certo que o Estado não pode deixar de penalizar as pessoas – singulares ou colectivas – que não cumpriram as suas obrigações, mas em clima de crise como o que estamos a atravessar não deveria a viabilidade da empresa ser mais importante do que as dívidas que tem ao Estado (de quem será, também, provavelmente, credor)?
No Governo de António Guterres, do Partido Socialista, o Plano Mateus permitiu às empresas regularizar a sua situação perante o Estado em condições especiais. A dívida das empresas ‘estacava’ no dia em que aderissem ao plano. Não vivíamos, na altura, a crise económica em que vivemos agora. Não faria sentido, hoje, implementar medida idêntica e assim ajudar os empresários a regularizar a situação das suas empresas perante o Estado sem que daí resulte prejuízo no funcionamento de cada uma delas e, de igual modo, sem prejudicar os trabalhadores?
Estas são apenas algumas concepções de alguém que, apesar de leigo em matéria económica, observa com muita preocupação a destruição do tecido empresarial português.

Editorial do Jornal da Mealhada de 2 de Setembro

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

[841.] Razões de uma edição em blogue

«O ritmo a que as duas campanhas eleitorais, autárquicas e legislativas, serão vividas no concelho da Mealhada/Mortágua/Penacova exige um acompanhamento à altura. Um acompanhamento diário, com edição de agenda, com alguma análise e explicação aos leitores e eleitores, até como repositório de imagens e produtos de campanha.»
É por isso que decidimos editar o

MEALHADA: Eleições'2009!

MORTÁGUA: Eleições'2009!

PENACOVA: Eleições'2009!
Trata-se de três blogues de informação, com a dinâmica que esta ferramenta pode oferecer e para a qual os seus editores - a redacção conjunta dos títulos Jornal da Mealhada e jornal FRONTAL - contam com o contributo dos leitores e restante blogosfera.
Para além da informação sobre os três concelhos, haverá ligações a outras realidades locais, distritais e nacionais.
O esquema de funcionamento dos blogues será adequado ao desenvolver da campanha e está aberto a sugestões.
Como é óbvio cada blogue terá comentários, moderados, cujos autores serão identificados junto dos editores ou nas próprias mensagens.

domingo, 30 de agosto de 2009

[840.] Campanha autárquica neste blogue

A malta vai perceber o que lhe digo com estas palavras simples:

Este blogue não serve para insultar ninguém.
Não serve para insultar adversários políticos e não serve para me insultar a mim!

Os meus leitores mealhadenses já sabem isso, e desistiram de o fazer.
Os mortaguenses ainda não perceberam, mas ainda vão a tempo!

Os comentários são moderados e os anónimos não têm direito de antena. É uma espécie do meu direito a censurar cobardes, se é que me faço entender. Quem quiser que a sua identidade não seja revelada no seu comentário, manda-me um mail com o pedido e eu publico o comentário com todo o gosto, dentro dos limites do respeito e do direito à opinião.

Os que quiserem fazer campanha eleitoral e insultar os opositores façam um blogue seu que para já é gratuito!

Queixinhas e cobardes - que adoram escrever textos anónimos e com meias palavras - sempre me pareceram gente reles!

[837.] Campanha autárquica

Conforme havia prometido AQUI e AQUI publico e mando para AQUI e para AQUI mais uma remessa de 'imagens de campanha' com algumas notas que deixo como contributo.

Como qualquer mealhadense que se preze... passei pelo

concelho de MIRA, no distrito de Coimbra.

João Reigota, actual presidente da Câmara, eleito pelo PS, é recandidato.
http://www.joaoreigota.com/

Reigota tem 'cartazes' em vinil - que é a grande sensação desta campanha - que mudam de localidade para localidade, com a indicação (no canto inferior direito) das obras que promoveu naquela localidade especificamente.
Mantém o slogan e a indicação especifica da localidade.
As duas fotos que apresento foram tiradas na Praia de Mira, daí o "Praia no coração!"
A campanha e os cartazes, em MIRA, vão alimentando polémicas...
João Rocha de Almeida é o candidato do PSD
Rocha de Almeida foi presidente da Câmara de Mira de 1985 a 1989 e de 1993 a 1997
Surgirá daí, talvez, o slogan "PARA DEVOLVER a esperança!"

sábado, 29 de agosto de 2009

[839.] Campanha autárquica

Ora prosseguindo, chega a vez de MORTÁGUA, no distrito de Viseu.
Mortágua não nega a sua localização no distrito de Viseu, também conhecido como o Cavaquistão. Acontece que nas eleições autárquicas o Partido Socialista é Governo há muitos e muitos anos.
Pelo PS, Afonso Abrantes
Na campanha de 2009, o PS apresenta como candidato o actual presidente da Câmara, e dinossauro, Afonso Abrantes. Com "Paixão pela Terra", o presidente de sorriso alegre e franco afirma-se desanimado com a falta de ideias da oposição e garante estar em condições de conseguir o pleno, ganhar a maioria na Câmara, na Assembleia e nas 10 juntas de Freguesia.
Pelo CDS, Filipe Valente
O advogado Filipe Valente, do CDS, que se apresentou como candidato do partido há um ano e meio, acusa Abrantes de ser autoritário e exercer o poder de maneira autocrática. Foi até agora o unico eleito do CDS na Assembleia Municipal e espera vir a ser eleito vereador.
Raul Marta, do PSD, é o jovem candidato, que também foi o porta-voz do partido na Assembleia Municipal, e que quer marcar pontos no municipio e, também, no próprio partido em termos de afirmação no distrito.
Maria Teresa Afonso, da CDU, é candidata, mas ainda não tem cartazes na rua.
A campanha afigura-se dura e renhida, apesar de mais dificil para as oposições que chegaram a pensar em unir-se.
Mortágua, graças ao aumento do número de eleitores (o que é significativo num municipio do Interior), em 2009, elege 7 vereadores (elegia 5) e 21 membros da AM (elegia 15).

[838.] Campanha autárquica

Concelho de SANTA COMBA DÃO, no distrito de Viseu
João Lourenço, do PSD (em coligação com o CDS), é recandidato.
O actual presidente da Câmara ficou conhecido pela inauguração da Praça Oliveira Salazar, previsamente no dia 25 de Abril de 2009, e pela conjugação de esforços no sentido de edificar o Museu do Estado Novo no Vimieiro, terra natural de Salazar.
Pelo PS Leonel Gouveia
Para o defrontar o PS apresenta Leonel Gouveia que, como João Reigota em Mira, a que já aludimos noutro post, tem cartazes diferentes em sitios diferentes. Na zona comercial o cartaz fala no comercio local, em frente à Câmara fala de transparencia nas contas municipais, etc.
Acho, aliás, que este ano, é facto significativo da campanha o melhor uso dos cartazes em vinil. Em municipios onde os partidos têm menos recursos é agora possivel fazer uma campanha mais colorida e com melhores imagens...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

[836.] - Deambulações

Estava eu em deambulações FRONTALísticas quando encontrei isto:

Um restaurante em Brooklyn, em Nova Iorque, chamado BUSSACO.

Bussaco - Restaurant - Bar - Brooklyn

É brutal!

[835.]

Mais uma forma de acompanhar as Eleições Autárquicas!

[834.]


[833.]

Mealhada é cidade há precisamente seis anos e, ao que parece, ninguém se orgulha disso.
Há uma especie de atitude envergonhada em relação a este assunto.
Não fazemos parte desse grupo.
Orgulhamo-nos de ter ficado orgulhosos de ver crescer uma cidade moderna a partir de uma grande vila.

[832.]

Coloque-nos as perguntas que gostaria de ver respondidas
A propósito das eleições autárquicas e legislativas

“Com a entrega dos processos de candidaturas nos tribunais das comarcas, cujo prazo acabou na segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, termina a fase de preparação política dos partidos para as candidaturas aos órgãos autárquicos e começa o período de pré-campanha eleitoral. O Jornal da Mealhada procura acompanhar a actualidade política e contribuir, também, para um melhor esclarecimento da comunidade dos seus leitores em relação aos candidatos e às propostas de realizações que apresentam para o concelho da Mealhada”.
O parágrafo anterior é a transcrição do texto com que abrimos o caderno especial Autárquicas 2009 que publicamos no interior da presente edição do Jornal da Mealhada.
O propósito de contribuir para um melhor esclarecimento da comunidade dos leitores deste jornal (sejam eles eleitores ou não), relativamente às eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009, reflecte-se, desde já, na divulgação integral de todas as listas de candidatos às oito assembleias de freguesia, à Câmara Municipal e Assembleia Municipal da Mealhada.
Num caderno especial de oito páginas, integrado na publicação especial do Jornal da Mealhada, apresentamos hoje o nome de todos os candidatos, acompanhado com as fotografias dos cabeças-de-lista.
Até 11 de Outubro de 2009, dia das eleições autárquicas, publicaremos seis edições do Jornal da Mealhada ao longo das quais procuraremos fazer o acompanhamento jornalístico das principais iniciativas da campanha eleitoral no município e divulgar as ideias fundamentais das linhas de acção dos programas dos três partidos políticos que apresentam candidaturas no concelho da Mealhada. Faremos este acompanhamento com reportagens e, acima de tudo, com a publicação do resultado de inquéritos ou entrevistas que a seu tempo solicitaremos aos partidos políticos para obtenção das suas respostas. Num esforço que será compreendido por todos os nossos leitores esperamos publicar as principais ideias apresentadas nos seus programas eleitorais pelos vinte e nove cabeças-de-lista que se submetem à votação dos eleitores em Outubro.
Numa democracia que se quer participada não caberá apenas ao jornalista, ao chefe de redacção ou ao director de um jornal a escolha das perguntas a colocar aos candidatos, a identificação do que é mais relevante para a promoção da qualidade de vida das pessoas. Numa altura em que, neste jornal, todo o cidadão pode ser repórter, queremos recolher o contributo dos nossos leitores na identificação dos temas que gostariam de ver tratados pelos candidatos e das perguntas que gostariam de ver respondidas por eles – sejam eles candidatos a assembleias de freguesia, à Câmara Municipal ou à Assembleia Municipal.
Caro leitor, envie-nos a sua sugestão por e-mail, por fax ou por telefone (os contactos da nossa redacção encontram-se publicados na margem inferior da página 6 desta edição). Há quatro anos, por exemplo – lembramo-lo com gosto –, foi em consequência do contributo dado por um leitor do Jornal da Mealhada que todos os candidatos se sentiram na obrigação de tomar posição relativamente à problemática dos maus cheiros que assolavam (e tantas vezes assolam ainda) a cidade da Mealhada.
No mesmo sentido estamos abertos ao contributo dos nossos leitores para sugestão de perguntas a colocar aos cabeças-de-lista dos partidos políticos que concorrem às eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009 pelo círculo eleitoral de Aveiro. Também neste caso procuraremos questionar directamente os candidatos em relação a problemas concretos do concelho da Mealhada e da região, esperando, também, ver assumidos compromissos com vista à sua resolução. Através dos mesmos meios, os que constam da ficha técnica da página 6, pode qualquer leitor fazer-nos chegar a sua sugestão.
Estimados leitores, não percam esta oportunidade de, através deste jornal, obterem, as informações que poderão contribuir para que, nas eleições autárquicas ou nas legislativas, votem na força política que propõem os projectos mais aliciantes ou que maiores garantias dá para fazer face aos problemas que, no entender do leitor, mais afectam a qualidade de vida da nossa comunidade.

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de Agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Comemoração dos 400 anos da invenção do telescópio de Galileu Galilei

domingo, 23 de agosto de 2009

[830.] Yes, We Can! Versão estónia

Uma inspiração para a limpeza das matas? para a limpeza das praias? para angariar apoios para os mais desfavorecidos? para... tanta coisa!

É possível!

[829.]

Entrámos na Loucura!
Toda a gente anda a postar imagens dos outdoors da campanha eleitoral autárquica que pululam pelo país. O Fio dos Dias alinha na loucura. Aqui ou por aí...
em
por exemplo.
CANTANHEDE
Cantanhede, distrito de Coimbra, PSD
João Moura, do PSD, recandidata-se ao lugar de presidente da Câmara de Cantanhede com o slogan 'No Rumo Certo'. É presidente desde 2001.
Cantanhede, distrito de Coimbra, PS

Manuel Ruivo, do PS, é, novamente, a aposta socialista para ganhar a Câmara de Cantanhede. O slogan de Ruivo é 'Do seu lado'... só não se percebe em que espaço...
*
Se alguém me quiser mandar imagens de outras campanhas ou de outros materiais de propaganda, estejam à vontade! Para ncastelacanilho@gmail.com
*
ADENDA 26.08.2009
Estas fotos foram aceites como contributos no www.autarquicas.sapo.pt

[829.] III - Fui a banhos à Tocha...

... i mantive-me informado apenas pelo i


O projecto editorial do i motivou, desde o inicio, a minha atenção e acompanhamento. Manifestei essa minha curiosidade logo no dia em que saiu o primeiro número.


Nestes dias de férias dei preferência ao jornal para poder fazer um melhor julgamento. Estava à espera de melhor. Achei demasiado light, demasiado superficial na análise dos temas e demasiado americanófilo. Lamento.


[828.] II - Fui a banhos à Tocha...

... e li o livro de José Rodrigues dos Santos, "A Vida num Sopro".


Não achei assim nada de especial. Talvez até seja um bocado embrulhado. Há, no entanto, um aspecto que ressalta à vista e que é, no meu entender, preconceituoso.

Tanto neste livro como no "Rio das Flores", de Miguel Sousa Tavares, o protagonista, mesmo vivendo na década de 30 do século passado, manifestam-se anti-salarazistas e libertários. É certo que não tomam nenhuma acção concreta, relevante, contra o regime - não participam em nenhuma acção da oposição, nem se tornam militantes comunistas - mas falam de modo contestário.

A ideia é preconceituosa porque se escreve hoje em Portugal sobre o passado, com preconceitos de hoje e sem entender o pensamento da altura. Na década de 1930 o Estado Novo era uma solução desejada e aplaudida pela grande maioria dos portugueses e as liberdades estavam tão tolhidas, desde 1926, como já haviam estado noutras alturas durante a primeira república.

Em "A Vida num Sopro" o protagonista, Luís António Afonso chega até a entrar em contradição com o que afirma.

Aborrece-me que não se tenha a honestidade intelectual suficiente para evitar que se escrevam estórias, com a história revisitada e com os preconceitos da actualidade. Infelizmente, foi dessa maneira que durante o Estado Novo se subverteram teses e se enalteceram heróis históricos portugueses e se fez uma história oficial, à medida das necessidades do regime. Agora faz-se a mesma coisa...

[827.] I - Fui a banhos à Tocha...

... e gostei.

Sou um gajo avesso a praia.
Nunca gostei muito.
Sempre achei um desperdício de tempo... estar ali... numa mega torradeira solar... a fritar... tipo churrascada... vira de um lado, vira do outro.
Gosto do banho, nunca gostei da praia.

Mas desta vez gostei. Pela companhia? Porque as condições eram diferentes? Porque estava a precisar? Gostei. E isso basta para repetir... qualquer dia!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

[826.]


Exercício interessante ou uma boa racionalização de posições?

ADENDA
22.08.2009

Eu fiz o exercício e publico, agora, o resultado.
Sem grandes (mas com algumas) surpresas aqui vai:

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

[825.]

[823.]

Mealhada não estaria melhor no distrito de Coimbra?
A propósito do processo de escolha de candidatos a deputados pelo círculo de Aveiro

Apesar de o concelho da Mealhada ser, no distrito de Aveiro, o que melhores resultados tem dado ao Partido Socialista, consecutiva e ininterruptamente, durante os últimos vinte anos, pelo menos, não figura na lista de candidatos a deputados pelo círculo de Aveiro o nome de nenhum mealhadense em lugar elegível, nem sequer na lista de efectivos. No último acto eleitoral realizado em Portugal, por exemplo – as eleições para o Parlamento Europeu – o concelho da Mealhada foi o único que deu a vitória ao partido da rosa no distrito.
Apesar de a estrutura concelhia da Mealhada do PSD ser das maiores do distrito de Aveiro, com a quinta posição em termos de número de militantes, e de os seus dirigentes serem pessoas com currículo político e partidário, a verdade é que o candidato indicado pela Mealhada na lista de deputados, João Peres, figura na 13.ª posição. Uma posição que não é elegível e – com todo o respeito – não faz jus nem ao concelho da Mealhada nem ao currículo da personalidade que o ocupa.
Nas listas candidatas ao parlamento nacional pelo círculo de Aveiro não há, em nenhuma delas, qualquer mealhadense a figurar nos primeiros dez lugares.
Se fizermos uma análise histórica, retrospectiva, à representação do concelho no parlamento português desde 1974, vemos que em 35 anos de Democracia sentaram-se em São Bento quatro munícipes do concelho da Mealhada, e todos eles por períodos relativamente curtos. Analisando caso a caso reparamos que a posse de mealhadenses foi feita, em dois dos casos, em substituição de outros deputados e, nos casos restantes, porque os eleitos representavam tendências partidárias internas ou estruturas partidárias que nada tinham a ver com a representação do concelho da Mealhada, como aconteceu, respectivamente, no caso de Rui Marqueiro, que tinha sido candidato a presidente da Federação Distrital de Aveiro do PS, e no caso de Gonçalo Breda Marques, que tinha sido presidente da distrital da JSD de Aveiro.
O que representa, afinal, o concelho da Mealhada para o distrito de Aveiro? Se para as estruturas partidárias distritais não representa nada, e nem sequer é merecedor de investimento eleitoral com a escolha de candidatos dele naturais, também não vai representar alguma coisa quando, depois, os seus dirigentes ocuparem lugares nos órgãos de soberania.

Nestes momentos, torna-se relevante, então, fazer uma pergunta já clássica da história do concelho da Mealhada: Não estaríamos melhor se fizessemos parte no distrito de Coimbra?
Quando o município da Mealhada, por volta de 2003/2004, aderiu à Grande Área Metropolitana de Coimbra – que entretanto foi extinta por decisão governamental – pensou-se que a divisão administrativa do país em distritos fosse uma realidade a extinguir e se renovaria a esperança de uma maior ligação a Coimbra, em detrimento da ligação a Aveiro. Criaram-se expectativas e pensou-se que o problema terminaria com a adopção da melhor solução. Não foi assim. E, a menos que se institua a regionalização do país, não se perspectiva qualquer mudança nesta situação.
Há opiniões diferentes sobre qual seria a melhor opção para o município da Mealhada: pertencer ao distrito de Aveiro ou ao de Coimbra? Do lado dos que defendem a ligação a Coimbra surgem argumentos de uma maior ligação de índole pessoal – afectiva –, social, cultural e económica. Do lado dos que defendem a permanência do estado actual ouve-se o argumento de que, economicamente, é mais favorável ser a Mealhada um concelho menos rico num distrito riquíssimo do que ser um concelho menos pobre num distrito paupérrimo.
Não esquecemos que em 6 de Novembro de 1836, quando foi criado, o concelho da Mealhada foi incorporado no distrito de Coimbra. Só em 25 de Outubro de 1855, por troca com o município de Mira, o concelho da Mealhada passou a fazer parte do distrito de Aveiro. Um erro histórico com 154 anos? Um negócio político que não agradou nem a mealhadenses nem a mirenses, que continuam a preferir a situação inicial?
Os responsáveis políticos – governamentais e partidários – do distrito de Aveiro não têm respeitado o concelho da Mealhada. Se os distritos e os círculos eleitorais distritais são uma realidade para continuar, então alguma coisa tem de mudar.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de Agosto de 2009

[820.]

Nunca estava na Mealhada por estes dias.
Guardava sempre a segunda quinzena de Agosto para se meter na Hiace e correr a Europa com os sobrinhos. Dar-lhe os parabéns não era tarefa fácil e na maior parte das vezes ficavam no voice mail para ele depois os receber.


Faria hoje 64 anos, apenas 64 anos.

Parabéns senhor padre. Até Sempre.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

[819.] Saudades do Paraíso

Os nossos amigos de São Tomé e Principe, Adlander, Vasco, Cosme, Suzinay, Heloisa e Neuza estão em Portugal. Chegaram a 29 de Julho e estarão até 25 de Agosto. Nesta estadia permaneceram connosco do dia da chegada até 10 de Agosto, os restantes dias estão a ser passados na companhia dos seus familiares.
Nos dias que passaram no concelho da Mealhada visitaram a cidade, o Luso e o Buçaco. Ficaram instalados na sede dos escuteiros da Pampilhosa e aí visitaram a Casa Quinhentista. Animaram a missa de domingo com os seus cânticos tradicionais em 'crioulo fôrro' e causaram sensação...
Foram recebidos pelo presidente da Cãmara da Mealhada, Carlos Cabral, e visitaram a Escola Profissional da Mealhada.

Foi um prazer para nós recebê-los e possibilitar a participação deles no Jamboree das Beiras - Acampamento Regional de Coimbra. Considero que é desta forma que se faz cooperação estratégica entre Portugal e os PALOP, sem complexos de superioridade nem distinções patéticas.
Procurámos recebê-los tão bem como eles nos receberam a nós, no Paraíso, há precisamente um ano.

Até sempre Migo Nô!

A comitiva do intercâmbio: os que vieiram e os que lá foram
(faltam Nuno e Rita João, as Marifaldas, a Sara Valle e a Ana Rita)
O ensaio dos cânticos da missa, no sábado à noite, acabou por constituir, por si só um espectáculo memorável.

No domingo, na missa, na Pampilhosa

Na quinta-feira, 30 de Julho, recebidos pelo Presidente da Câmara da Mealhada


Na segunda-feira, 10 de Agosto, visitando a Escola Profissional da Mealhada e ouvindo as características do PROAid.

domingo, 16 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

[822.]

Ser FRONTAL.

O projecto editorial FRONTAL – quinzenário dos concelhos de Mortágua e de Penacova – entra agora numa segunda fase. Depois de uma primeira fase de apresentação ao público do nosso projecto editorial, com distribuição gratuita pelos estabelecimentos comerciais, papelarias e cafés, e sectorialmente por algumas zonas residenciais entramos agora numa segunda fase de preparação para a entrada num sistema de assinaturas que decorrerá na terceira fase do nosso processo de implantação. Nessa altura, provavelmente no terceiro trimestre de 2009, o FRONTAL será acessível aos leitores através de assinatura e pela venda ao público em quiosques, tabacarias e papelarias. Até lá o FRONTAL permanecerá gratuito.
Neste momento, e aproveitando a época em que os nossos concelhos de Mortágua e de Penacova estão em festa com a recepção dos nossos emigrantes da diáspora, começamos a recolher os dados de todos os que têm intenção de se tornarem assinantes do FRONTAL. Esses dados serão processados e uma vez iniciada a terceira fase o jornal passará a ser enviado para a morada indicada. A partir dessa altura, e só a partir daí, começará a ser cobrada uma assinatura por valor anual.
O jornal será enviado para todo o país e para o estrangeiro, por valores diferentes. O custo é diferenciado e o apoio do Estado à leitura, e consequentemente à imprensa regional, tem também variantes a que a viabilidade económica de um projecto destes não pode ser alheia. Para o território português – todo ele – o custo da assinatura anual será de vinte e quatro euros. O jornal terá um valor unitário de um euro e o assinante receberá os vinte e quatro números de uma anuidade por esse preço unitário, no conforto da sua casa ou do seu trabalho, sem outros incómodos. Para o estrangeiro o custo é mais elevado, pelas razões que já apontámos e terá um valor anula de quarenta e seus euros.
A avaliação que fazemos da primeira fase de implantação do FRONTAL é muito positiva. O acolhimento por parte das comunidades foi muito positivo tanto da parte dos leitores como dos principais protagonistas da sociedade civil ou as instituições e autarquias. Houve uma desconfiança inicial por parte de algumas forças políticas – nomeadamente das actuais oposições – que, entendemos nós, estarão a ser ultrapassadas.
Os leitores perceberam que promovemos um jornalismo isento sem deixar de ser actuante e interventivo. Um jornalismo que não está condicionado pelo politicamente correcto, mas que não deixa de observar valores e princípios morais estruturantes das sociedades modernas e democráticas.
Estamos ainda a dar os primeiros passos e temos consciência de que caminhamos, ainda cambaleando, no período mais conturbado que se poderia imaginar. Uma época de crise económica e de ambiente eleitoral duplo, com eleições legislativas e, mais importante, com eleições autárquicas.
Mas esse facto não nos amedronta, antes pelo contrário. É nossa convicção de que esta é a altura em que a informação mais necessária é às pessoas, para a formação de um voto consciente e, só assim, democrático. A nossa postura sempre foi de nos posicionarmos perante o leitor de olhos nos olhos, assim continuaremos em período eleitoral. Sem comércios de favores ou outros, intransigentemente livres, garantidamente isentos perante todos os partidos e candidaturas. Só assim, de modo frontal, é que sabemos trabalhar.

Editorial do jornal FRONTAL de 13 de Agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

[821.]

O tempo revela as verdades e as mentiras
A propósito do nemátodo do pinheiro na Serra do Buçaco

Quando em 11 de Fevereiro de 2009 publicámos a informação de que a doença do nemátodo do pinheiro estava a contaminar árvores no perímetro florestal do Buçaco, Rui Rosmaninho, técnico da Direcção Regional de Florestas do Centro, acusou-nos de ligeireza. Na semana seguinte publicámos reacções de proprietários e de técnicos florestais, entre outros, que desmentiam categoricamente as declarações proferidas pelo técnico florestal do departamento do Estado responsável pelas florestas. E Rui Rosmaninho continuou a negar.
Seis meses depois, agora, em Agosto, a Associação de Defesa do Luso-Buçaco (ADeLB) e a Quercus denunciam a propagação da doença numa extensão de mais de quinhentos hectares e motivam um comunicado do Ministério da Agricultura reconhecendo a existência da doença. Diz hoje o Ministério da Agricultura – que, naturalmente, tutela a Direcção Regional de Florestas do Centro – que está planeada uma intervenção para abate dos pinheiros doentes… Mas só para Outubro, porque estão proibidas por lei as intervenções durante o período de voo dos insectos que transportam o nemátodo, o que acontece durante o Verão.
Afinal a informação dada pelo Jornal da Mealhada e o alerta feito não padeciam de ligeireza. A ligeireza estava do lado de quem ignorou o problema. Como disse Rodolfo Santos, proprietário de um pinhal na área da Serra do Buçaco abrangida pelo município de Mortágua, há seis meses: “Ligeireza é querer tapar o sol com a peneira e mandar areia para os nossos olhos”.
A doença propagou-se, atinge hoje uma área equivalente a quinhentos estádios de futebol, e só daqui a três meses se poderá dar um primeiro passo na resolução daquele problema.

Costuma dizer-se que faz parte das regras de boa educação não dizer “Eu bem te disse”, quando o mal está feito e os nossos avisos não foram tidos em conta. Mas agora apetece dizê-lo. O alerta foi dado parece-nos ter havido a intenção de ocultar a existência de uma situação que o próprio Estado classifica de calamidade para a floresta portuguesa.
E apetece dizê-lo porque, mais uma vez, se comprova que o Estado toma atitudes e tem comportamentos que reprime nos cidadãos e isso não está certo. No perímetro florestal do Buçaco, cerca de 974 hectares, é propriedade do Estado. O Estado que, por exemplo, obriga os cidadãos a abater os pinheiros ardidos e que nas suas propriedades não o faz – lembremos a este propósito as trezentas mil toneladas de pinheiros ardidos em Julho de 2005, no Vale da Formiga, e que estiveram muitos meses a apodrecer, de pé, com risco para todos e com grande prejuízo económico. O Estado entra pelos terrenos dentro e põe os seus técnicos a marcar todos os pinheiros com sintomas da doença do nemátodo dando dez dias aos proprietários para abater as árvores sob pena de sanção pecuniária, mas não abate os seus pinheiros doentes.
A Serra do Buçaco e especialmente a área onde se encontra o perímetro florestal do Buçaco é, nada mais, nada menos, a maior e melhor área de pinheiro da Europa. Dali sai uma madeira que é elogiada e cara. Uma área que agora está a apodrecer a olhos vistos por incúria do Estado.
Será que, se estes pinheiros infectados estivessem em terrenos de particulares, o Estado teria esta ligeireza de negar o óbvio e adiar a resolução do problema, tornando-o maior? Nós achamos que não. Felizmente que, para o combate à doença, a maioria dos pinhais não são propriedade do Estado. Infelizmente, porém, para nós, porque, embora vivamos numa sociedade democrática, o Estado, nas suas relações connosco, individual ou colectivamente, não tem a mesma conduta que nos exige.
O tempo mostrou quem é que agiu com ligeireza em Fevereiro, quando não era ainda Verão, nem época de voo dos insectos transmissores, e os pinheiros infectados eram só alguns. O tempo revela as verdades e as mentiras, por muito que nos custe.

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

[816.] Para minha auto-mentalização

Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:

Para tudo há um momento
e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:
tempo para nascer e tempo para morrer,
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou,
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para destruir e tempo para edificar,
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar,
tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço,
tempo para procurar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar,
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para guerra e tempo para paz.

Eclesiastes 3

Smells like champions spirit


C A M P E Õ E S

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

[818.]

Alea iacta est*
A propósito das candidaturas às autarquias locais

É já conhecida a identidade da maior parte dos cidadãos que se candidatam aos órgãos das autarquias locais do município/concelho da Mealhada — Câmara Municipal e Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia. Apesar de faltarem mais de dez dias para o final do prazo para entrega das listas — partidárias ou de movimentos de cidadãos — não deverá haver (mais) grandes surpresas nem alterações. O Partido Socialista e o Partido Social-Democrata apresentarão listas aos dez órgãos autárquicos do concelho — oito assembleias de freguesia, câmara municipal e assembleia municipal —; a CDU está a preparar a candidatura a todos, mas poderá falhar uma assembleia de freguesia; não parece haver movimentações — à hora em que escrevemos este texto — para a candidatura de movimentos independentes, do CDS/PP ou do Bloco de Esquerda, ou de outros partidos. Assim, parafraseando o imperador romano Júlio César quando passou o Rubicão e fez entrar as suas legiões na desmilitarizada Roma, afirmamos ‘Alea iacta est’, isto é, os dados estão lançados. Já só resta observar o que vai acontecer.
Os candidatos têm pela frente 65 dias de campanha eleitoral. Destes, só 15 são de campanha eleitoral formal e oficial. Durante o mês de Agosto, para além das participações em realizações sociais, os candidatos, certamente, não farão grandes acções de campanha, uma vez que grande parte do eleitorado se desloca para a praia ou para o campo. Em meados de Setembro começa a campanha eleitoral para a escolha dos deputados do parlamento nacional e as máquinas de campanha partidária dividir-se-ão pelo esforço de mobilização local e de mobilização distrital. Só a 28 de Setembro, no dia seguinte ao das eleições parlamentares — e fortemente influenciada pelos resultados destas — começará a campanha eleitoral exclusiva para as autarquias locais.
A campanha espera-se viva, esclarecedora em relação às intenções e projectos de todos os candidatos e com momentos de confronto dialéctico democrático e participativo. O Jornal da Mealhada procurou estar à altura dos acontecimentos e das responsabilidades sociais que tem e dará o seu contributo para que, assim o queiram os candidatos e os partidos, os eleitores, por intermédio deste jornal, possam participar na campanha e obter toda a informação e todos os esclarecimentos que considerarem necessários para formar o seu voto. Em breve apresentaremos a nossa planificação e os critérios por que nos guiaremos para o acompanhamento da campanha, e o conjunto de iniciativas que, exclusivamente ou em parceria, pretendemos desenvolver neste âmbito.

*
* *

A palavra candidato tem origem etimológica numa palavra latina que quer dizer “vestido de branco”. Em Roma, na antiguidade, os cidadãos romanos que manifestavam desejo e disponibilidade para se submeter a sufrágio e vir a ocupar um lugar no senado passavam a vestir uma toga branca — alva, cândida, pura. Com este sinal procuravam mostrar aos cidadãos em geral e aos eleitores em particular que eram suficientemente limpos e puros para os representar.
Vem esta ideia a propósito das declarações recentes de Luís Marques Mendes, antigo ministro e antigo presidente do PSD, que disse considerar vergonhoso o facto de os partidos políticos não terem encontrado uma solução jurídica que impedisse os cidadãos de se candidatarem a cargos públicos de natureza política desde que eles tivessem sido acusados, pronunciados ou condenados judicialmente por crimes de corrupção. Não deixa de ser interessante que tantos séculos passados a candura dos que se oferecem para gerir a coisa pública continue a suscitar opiniões divergentes, de ser tema de debate, e de impor soluções legislativas…
* Os dados estão lançados
Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de Agosto de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

[817.]

Abertas as portas do Céu?
A propósito da tomada de posse dos órgãos da Fundação Buçaco

Precisamente no dia em que se completavam 387 anos após a publicação da bula do Papa Gregório XV que proibia a entrada de mulheres nos desertos carmelitas, como o do Buçaco, 23 de Julho de 2009, tomaram posse os órgãos dirigentes da Fundação Buçaco. Tal acto consistiu, em termos práticos, na transferência da tutela directa do Estado para a Fundação, que passa, a partir daquele momento, a gerir a Mata Nacional do Buçaco e todo o seu património. O Estado não sai da Mata — uma vez que continua a ter elementos representantes do Governo nos órgãos de gestão desse espaço da Serra do Buaçaco —, mas naquele momento entraram novas entidades, nomeadamente a Câmara Municipal da Mealhada, que, associadas, constituem uma nova estrutura de gestão, uma entidade, de direito privado, uma fundação.Como já amplamente fizemos referência no Jornal da Mealhada, a entrada da Câmara Municipal da Mealhada na gestão do património da Mata Nacional do Buçaco — a jóia mais preciosa do concelho, como já foi dito por vários autarcas — acontece 152 anos depois de a Mata passar a ser gerida pela administração do Estado, da qual a própria Câmara é uma estrutura descentralizada. É certo que durante algum tempo, apesar de não o ser formalmente, nem oficialmente, como agora, a Câmara da Mealhada esteve muito próxima da administração da Mata. José de Melo Figueiredo foi administrador da Mata Nacional do Buçaco de 1920 até finais dos anos cinquenta. Durante esse tempo foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada durante grande parte do mandato de Manuel Louzada, e chegou a ser presidente da Câmara desde Setembro de 1957 a finais do ano de 1959. Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, foi quem afirmou que considera que a data de 23 de Julho de 2009 passará a figurar na história da Mata Nacional do Buçaco como inequivocamente relevante. Passará a haver, nessa história, disse o autarca, uma Mata antes deste dia, e uma Mata diferente depois deste dia. A ver vamos. A expectativa e o desejo — pelo menos o nosso — é o de que isso aconteça.A conduta da administração central nos últimos meses é ilustrativa da incúria e da falta de zelo com que a Mata Nacional do Buçaco foi gerida nos últimos anos. Numa atitude inqualificável de represália pela simplesmente anunciada perda de autoridade naquele espaço, a administração central desmazelou completamente a sua acção, mesmo a na gestão meramente corrente. Ascenso Simões, secretário de Estado das Florestas, quando interpelado pelo repórter do Jornal da Mealhada sobre a razão pela qual as portagens da Mata tinham ficado por abrir, branqueou o tema, usou de alguma técnica discursiva para virar o tabuleiro e fugir ao assunto, mas não o negou, nem tão-pouco conseguiu diminuir a contradição em que se tinha metido. O governante não pode, ao mesmo tempo, dizer que é significativo e relevante o facto de se transferir o dinheiro das receitas geradas pela Mata para a Fundação e, ao mesmo tempo, justificar por que razão não foram colocadas portagens na Mata como era hábito. “As portagens servem para purificar o sistema e impedir o excesso de pessoas e de carros na Mata”, disse Ascenso Simões. Então em 2009 já não vai ser preciso purificar o sistema? Custa-nos crer que Ascenso Simões, que é um homem pragmático, hábil e politicamente competente, acredite na justificação que nos deu. Defendeu a administração central, como será, certamente, a sua obrigação, mas sem o sentir. A verdade é que a administração central deixou de cobrar portagens durante três meses e, com isso, impediu a criação de receitas e a tal purificação do sistema de entradas na mata durante todo o ano de 2009. Abriu, também, o precedente de não restringir a entrada selvagem no Verão e com isso a sua atitude poderá dar origem a problemas no futuro.Para além disto nós não esquecemos — nem consideramos perdoável — a falta de um papel da Direcção Geral do Tesouro e do Património a autorizar a retirada das garagens da concessão do Palace para construção do Centro Interpretativo. Também não esquecemos que ainda os estatutos da Fundação não estavam sequer escritos, e, logicamente, nem sequer aprovados pelo Conselho de Ministros, já os serviços da administração central se recusavam a tomar decisões de gestão corrente — como a de cedência de instalações a grupos — “porque ia nascer uma fundação para gerir a Mata”. À Fundação começaram por ser atribuídas responsabilidades e funções antes mesmo de ela existir formalmente. E, por último, não nos parece aceitável que, no meio do Verão, o Convento de Santa Cruz permaneça encerrado ao domingo, ao contrário do que acontecia nos Verões anteriores. Apesar de o número de visitantes ao fim-de-semana ser muito significativo — temos testemunhado isso — o acesso ao Convento de Santa Cruz continua só ser possível às terças e quintas-feiras. Ora, se era normal a abertura ao domingo, faz sentido que este ano, particularmente, isso não aconteça? Manter o que se fazia em anos anteriores não é uma gestão corrente?Lamentamos ter de o dizer, mas a gestão estadual da Mata Nacional do Buçaco não deixa saudades. O modelo da Fundação até pode mostrar-se desadequado, mas, mesmo assim, é uma réstia de esperança num futuro melhor para aquele espaço tão importante para todos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 29 de Julho de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Há gajos que não são capazes de elogiar. Até quando parece ser doce o que dizem, destilam venenos!
Há grandes recalcamentos, aqui pela urbe!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

[813.]

Puxão de orelhas
A propósito do encerramento das Termas de Luso

Os comerciantes e hoteleiros do Luso, através do movimento por eles criado, afirmaram, na reunião pública da Câmara Municipal da Mealhada, em 9 de Julho, que era preciso dar um puxão de orelhas ao consórcio (aparentemente) estabelecido entre a Sociedade das Águas de Luso (SAL) e a Maló Clinic Health Group (MCHG), para a gestão e desenvolvimento das Termas de Luso, concessão que a SAL detém juntamente com a da exploração da água. Dizemos aparentemente porque há quem tenha dúvidas de que esse consórcio esteja já formal e legalmente estabelecido e que tenham sido já as duas empresas a optar pelo encerramento das Termas de Luso precisamente no único período do ano em que o balneário termal estaria aberto ao público. É nossa convicção que os comerciantes e hoteleiros do Luso têm razão e que é necessária e merecida uma censura pública e relevante ao comportamento da concessionária — pelo menos essa — no âmbito do encerramento das Termas no período do Verão.
Somos testemunhas de que, em meados de Abril, poucas semanas depois do início das obras no balneário termal, — no seguimento de uma informação interna da SAL de 14 de Abril de 2009, que dava indicações para a não marcação de consultas a termalistas no período entre 27 de Junho e o final de Agosto — comerciantes e hoteleiros e a Câmara Municipal da Mealhada manifestaram a sua preocupação relativamente a um eventual encerramento das Termas. Nessa altura, ao presidente da Câmara e aos comerciantes foi dada a garantia de que as termas não iriam encerrar completamente em momento nenhum. Já nessa altura a SAL saberia que essa promessa seria muito difícil de cumprir. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. Já nessa altura a SAL sabia que a convivência de obras e termalistas no mesmo espaço traria desconforto e problemas. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. Já nessa altura a SAL sabia que as estruturas dos edifícios a recuperar estavam muito mais degradadas do que inicialmente previa. Os comerciantes e hoteleiros também sabiam, mas confiaram na palavra dada pela empresa. O encerramento das Termas é agora apresentado como a opção lógica e inevitável. No entanto só à SAL é que, em Abril, o contrário parecia verosímil.
Não temos dados que o garantam, nem, apesar das tentativas realizadas conseguimos apurar da veracidade do que afirmamos, mas custa-nos acreditar que a MCHG esteja já totalmente envolvida em todo este processo. Provavelmente — e reflexão é especulativa — o acordo entre a SAL e a MCHG passará pela entrega do balneário recuperado e ‘como novo’ à MCHG, em Outubro de 2009, para esta empresa o explorar a partir daí. Assim, a recuperação do imóvel é uma responsabilidade exclusiva da SAL na qual a MCHG não se envolve nem investe, dado que o espaço faz parte da concessão do Estado à SAL. Esta parece-nos ser a solução empresarialmente lógica e justificaria o facto de a SAL continuar a ser a única interlocutora com a autarquia e os comerciantes e hoteleiros em todo este processo.
Esta tese — de que poderemos ter a comprovação ou não — manteria incólume a ideia que tínhamos, e que sempre aqui manifestámos, do profissionalismo, da seriedade, da ambição e do rigor da MCHG. Porque nos pareceu sempre muito estranho que a atitude de convicção com que Paulo Maló assumiu o compromisso de ter as termas a funcionar no prazo acordado acabasse por se transformar num bluff tão grande. O facto de o projecto ter demorado dois terços dos dezoito meses a fazer e que as obras se restringissem a seis meses parece mau de mais para ser gestão da MCHG. A intransigência da parte da SAL em ter as obras prontas em Outubro, custe o que custar, acaba por ser — segundo a nossa tese — não decorrente do compromisso de honra do consórcio perante o Luso e a Câmara da Mealhada — até porque estes estariam na disposição de ver o fim das obras adiado unicamente para não fechar no Verão — mas sim decorrente do compromisso da SAL com a MCHG de lhe entregar a chave para exploração das Termas naquele prazo, cujo incumprimento poderá dar lugar a indemnização.
A tese que alvitramos justifica muitas coisas verificadas até aqui, que, pelo menos para nós, são incompreensíveis.
Nesta edição damos conta de que estará reatada a “paz” entre os comerciantes e hoteleiros do Luso e a Câmara da Mealhada. É de aplaudir este facto. Terá havido excessos cometidos que, necessariamente, devem ser ultrapassados, mesmo que não sejam, para já, “perdoados”. E temos conhecimento de que a Câmara da Mealhada, no sentido de manter o alojamento dos termalistas habituais no Luso, garantirá o transporte destes para as Termas da Curia a fim de fazerem tratamentos. Este será o resultado visível do entendimento entre Câmara e lusenses.
Como dizia um vereador na reunião do executivo municipal de 9 de Julho, a publicidade negativa que os lusenses poderiam fazer à SAL em consequência do encerramento das Termas é contra-producente. Trata-se de cortar a árvore que dá sombra e que poderá sustentar o efeito de promoção turística que se pretende no futuro. A publicidade negativa não é, portanto, um meio que possa ser utilizado. Mas é verdade que alguma censura deve ser feita. A empresa começou as obras (que previsivelmente durarão seis meses) precisamente na única altura em que não o deveria ter feito, com prejuízo para os comerciantes do Luso mas também para a MCHG e para o futuro das Termas. A empresa faltou à verdade a um presidente da Câmara e a toda uma comunidade. E isso não pode deixar de merecer reprovação.

Editorial do Jornal da Mealhada de 22 de Julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

[810.] Hoje...

20 de Julho de 1969
A superficie lunar é pisada, pela primeira vez por um humano (escuteiro, claro está!)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

[812.]

"Desiste de desistir"

O município de Mortágua foi palco, no sábado, 11 de Julho, de uma prova de Triatlo (canoagem, ciclismo e atletismo) com características muito especiais. Tratou-se de uma iniciativa da Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual — também conhecida como escola dos cães-guia. Este triatlo tinha como dificuldade acrescida o facto de as provas de canoagem e de atletismo serem realizadas por duplas sendo que a um dos elementos estava vedada a visão. Vedada por questões naturais, atletas cegos, ou imposta, por vendas nos olhos. Foi a forma encontrada — original, entenda-se — de, por um lado, possibilitar uma actividade desportiva, arrojada, adaptada a atletas invisuais em condições naturais e extraordinárias e, por outro lado, sensibilizar todas as outras pessoas não para as limitações da cegueira, mas para tudo o que um cego pode fazer e sentir, mesmo estando desprovido do sentido da visão.Tivemos a oportunidade de, neste âmbito, conversar com o atleta paralímpico Carlos Lopes, várias vezes medalha de ouro em provas de atletismo de resistência. Carlos Lopes foi o principal dinamizador de uma acção, da comissão nacional de jovens da ACAPO — Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal — que envolveu dezassete jovens cegos. Os jovens estiveram de 10 a 12 de Julho no Luso e em Mortágua para realizar várias actividades desportivas. No Luso, no Centro de Estágios e no Pavilhão, fizeram provas de Atletismo e de gobol, uma modalidade adaptada, em Mortágua participaram no referido triatlo e tiveram actividades radicais, de slide, rappel e escalada. O lema escolhido para esta actividade da ACAPO foi “Desiste de desistir!”. A ideia da comissão nacional de jovens da ACAPO era incentivar à experimentação. “Tenta porque serás capaz! Tenta porque vais ser surpreendido por ti próprio!”, este foi o apelo feito a dezassete jovens cegos que tiveram a primeira experiência com a prática desportiva neste fim-de-semana.Carlos Lopes, também ele invisual, dizia-nos que é importante fazer sentir aos jovens cegos que a cegueira é apenas uma contrariedade, não é uma limitação. Que há muitas coisas que não lhes estão vedadas, que há sonhos que podem continuar a perseguir e que podem potenciar os restantes sentidos. Fazer canoagem para um cego pode parecer impossível — para ele e para muitos de nós —, mas não é. E é importante que todos saibamos isso, mas, acima de tudo, é importante que as pessoas cegas, e os jovens de modo especial também o saibam e arrisquem. “Desistir de desistir” é, portanto, o primeiro passo a dar pelos jovens cegos. E por todos. É maravilhoso o trabalho da escola de cães-guia. Como é maravilhoso o facto de todos podermos ajudar a fazer coisas maravilhosas através dos trabalhadores e da acção esta associação. É muito encorajador ouvir a alegria e o optimismo de Carlos Lopes e dos jovens da ACAPO que, surpreendidos, receberam a prova de que tentando não há barreiras intransponíveis.“Desistir de desistir!” poderia ser, também, um bom mote para ilustrar uma outra iniciativa que começou nesse mesmo sábado, 11 de Julho, em São Pedro de Alva, a ExpoAlva. Uma mostra empresarial — promovida com o apoio da Câmara Municipal de Penacova, mas, ainda assim, organizada pela Junta de Freguesia de São Pedro de Alva. Dizemos isto porque tendo qualidade, arrojo, presença de muitos empresários e empresas tem o mérito acrescido de ser uma acção promovida por uma junta de freguesia. Engana-se quem, por ventura, pensar que é limitado o trabalho que pode ser desenvolvido pelas juntas de freguesia. Os autarcas de São Pedro de Alva provaram o contrário. Demonstraram que o tecido empresarial da região, que os empresários que corajosamente não baixaram os braços num dos momentos mais conturbados da histórica económica da modernidade, merecem elogio, merecem novas oportunidades de negócio e de apresentação dos seus produtos. Os empresários e os autarcas de São Pedro de Alva não desistiram e, por isso, merecem o nosso reconhecimento. Tomemos os seus exemplos e o de Carlos Lopes e não baixemos os braços. “Nos tempos de crise também há oportunidades!”, foi uma das frases de Luís Adelino, presidente da Junta de São Pedro de Alva, que merece registo.

Editorial do Jornal FRONTAL de 16 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

[811.]

Dezoito anos de construção de futuros
A propósito do aniversário da Escola Profissional da Mealhada

“Estive aqui no inicio do meu mandato, há cerca de quatro anos, vi uma escola de excelência que me impressionou, e o seu exemplo esteve no meu pensamento no desenhar de muitas das boas medidas que desenhei desde aí!”.
Pode ser uma parcela de um discurso de circunstância. Pode ser, simplesmente, uma palavra, descomprometida, de simpatia. Mas esta frase é da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e foi proferida no sábado, dia 11 de Julho, na Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL), na Mealhada, perante uma assistência com algumas centenas de pessoas.
Não seria necessário recorrer às palavras da ministra da Educação – a mais contestada figura do actual Governo – para ilustrar a certeza, que temos, de que a Escola Profissional da Mealhada é, se não a maior, uma das maiores obras do concelho da Mealhada do século XX e princípios do século XXI (e não falamos somente de betão, mas de construção humana, social e moral, acima de tudo). Numa altura em que assinala o seu 18.º aniversário – completa-o neste mês de Julho – a EPVL é uma escola de referência nacional não somente no leque das escolas profissionais, mas em todas elas. É uma escola das mais arrojadas da Europa, com trabalho desenvolvido no campo do software livre, que dá cartas, tendo vindo, desde há vários anos, a partilhar saberes com escolas europeias por meio de parcerias que com elas constitui e, com base nesse tipo de cooperação, obterem financiamento europeu. É também uma escola que tem dado um apoio determinante no ensino profissional em África. Recebendo alunos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, estabelecendo parcerias com Angola e oferecendo ferramentas pedagógicas por si criadas ao Governo moçambicano, que, dentro de poucos meses, enviará para a Mealhada alunos e professores para receberam formação.
Em termos de sucesso na formação que ministra os dados são, também, factor de contentamento. Dos últimos ciclos de formação, apenas dois por cento dos alunos formados na EPVL estão desempregados, e 84 por cento estão a trabalhar na área em que obtiveram diploma na escola. Os restantes 14 por cento de alunos da escola dos últimos ciclos de formação prosseguiram os estudos e até há antigos alunos da escola que hoje são lá professores. A este propósito, não deixa de ser curioso o facto de a EPVL ter contribuído para o desmoronar do mito de que os alunos das escolas profissionais não conseguem entrar na Universidade e prosseguir lá, com sucesso, os seus estudos. As melhores notas da Escola Secundária da Mealhada nos exames nacionais de Matemática e de Economia de 2009, para ingresso no Ensino Superior, foram os de alunas provindas da EPVL.
A Escola Profissional da Mealhada é uma escola de referência. Por que será? Será pelo facto de ser uma escola privada? Será pelo facto de os docentes serem escolhidos pela direcção? Será porque a direcção é carismática, estável e pragmática? Será porque ministra um ensino técnico profissionalizante (de elevada qualidade)? Será porque há na escola uma cultura de trabalho, de esforço e de entreajuda? Será pela cultura de confiança e de auto-responsabilização que os docentes e directores propõem aos alunos? Será pelo facto de ter um corpo de alunos não muito numeroso e não massificado? Será porque, para alguns alunos, constitui uma tábua de salvação, uma derradeira oportunidade para a obtenção de condições que lhes possibilitem uma colocação satisfatória num posto de trabalho? Será porque é uma escola aberta à comunidade em geral, com uma boa relação com a comunicação social? Será pelo facto de ter instalações bem cuidadas e equipamento moderno? Será…?
Acreditamos que a EPVL é o que é por todas estas razões, entre outras que não descortinamos. É nossa convicção de que, se o sucesso daquela escola se deve, obviamente, ao trabalho de muitas pessoas, para isso muito tem contribuído, com o seu empenho, o seu dinamismo, o seu trabalho, a sua competência e a sua liderança mobilizadora, o director geral daquele estabelecimento de ensino, eng.º João Pega, o grande obreiro da grande construção humana que é a EPVL.
No ano em que se assinala o centenário da fundação do Colégio da Mealhada pelo Padre dr. António Antunes Breda, lembramos essa obra humana e a sua importância na luta pela instrução e literacia de várias gerações de jovens em toda a região centro de Portugal. É, para nós, evidente na EPVL o espírito do Colégio da Mealhada, uma espécie de legado, ou semente, que, devidamente aproveitado, está a produzir abundantes frutos. O director da EPVL foi aluno e professor do Colégio da Mealhada. Tinha-o sido também seu pai, o professor Armindo Pega. Se é com orgulho que se celebra este ano o centenário da fundação do Colégio da Mealhada e o início de uma longa e porfiada luta pela elevação do nível de instrução/formação da gente da zona em que se situava, deverá ser também com orgulho que se lembrem e festejem os dezoito anos do ensino técnico e profissional que a EPVL, com assinalável maestria, vem ministrando a pessoas da região centro de Portugal.

Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de Julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009


[808.] Intendência

Caríssimos,

Como tem sido fácil de reparar, não tem sido possível manter actualizado O Fio dos Dias. Não há tempo para publicar e não há tempo para produzir alguma coisa que valha a pena ser aqui publicada.
Peço desculpa, portanto, pelo desinteresse que este blogue pode constituir neste momento.

Aos amigos que gostam de acompanhar os meus bitaites informo que passei a estar mais disponível e activo para uma experiência similiar, de micro-blogging, no Twitter.

No twitter, a minha morada é www.twitter.com/ncastelacanilho aí poderei ser seguido por quem tenha conta twitter, mas, também, por qualquer pessoa que aceda a esta morada.

Abraços!




Pedido

Seria que a pessoa que me deixou um comentário recente,
com a
assinatura ACS,
me poderia enviar mail para
para,
mesmo mantendo o sigilo e o anonimato
podermos conversar e esclarecer algumas questões?

[806.] Mercurii dies

Leitão da Bairrada
O elogio que veio da América

A uma semana da II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada — que se realizará a 10 de Julho, sexta-feira, no cineteatro Messias —, um dos mais conceituados jornais económicos americanos, o nova-iorquino Wall Street Journal, dedica duas páginas da sua edição de 3 de Julho ao leitão da Bairrada.
O texto, apologético da iguaria e da Mealhada, como berço e espaço privilegiado do leitão assado à Bairrada, é um forte contributo para a promoção internacional da gastronomia e do turismo do concelho da Mealhada e, acima de tudo, para a auto-estima da comunidade mealhadense e dos empresários ligados à restauração. Atesta, ainda, no nosso entender, o produto leitão assado à Bairrada como um prato tradicional geograficamente localizado, e isso pode constituir um contributo importante para a defesa da marca.
Apesar de ter falado com empresários de fora do concelho da Mealhada, o jornalista Paul Ames, autor do texto do Wall Street Journal, centraliza, por completo, a marca Leitão da Bairrada no município mealhadense. E o conteúdo do texto é convidativo. Pena que não tenha descoberto todas as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada e não se tenha debruçado sobre os outros três produtos dessa marca, os quais acabam por constituir um conjunto harmonioso com o leitão. Por muito que haja a intenção de dizer o contrário, o leitão da Bairrada está de tal modo associado à Mealhada que para qualquer pessoa, a ligação entre leitão e Mealhada é natural e automática.
Tal facto não pode, no entanto, fazer desvanecer a vontade de querer fazer sempre mais e melhor e de prosseguir no sentido de, cada vez mais, promover a qualidade do leitão da Bairrada, da produção gastronómica e vinícola do concelho da Mealhada, dos restaurantes e das empresas do sector localizados no município e da marca turística 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada.
Na II Gala das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada, organizada pela Câmara Municipal da Mealhada, serão apresentados, publicamente, os estabelecimentos e empresas que em melhores condições se encontram para garantir um serviço de excelência às pessoas que se dirigem ao município da Mealhada para deleite turístico e gastronómico. Esperemos que todos os vinte e sete estabelecimentos reconhecidos no ano passado renovem a sua presença na lista de luxo e que a estes se somem mais alguns. Esta gala acontece, também, no momento em que se assinala o segundo aniversário do lançamento da marca. Trata-se de uma boa altura para receber o reconhecimento internacional que a própria Câmara Municipal da Mealhada, com a criação da marca, quer promover junto dos consumidores, fazer um balanço e procurar criar garantias políticas de que, independentemente do partido que constituir a maioria política da Câmara Municipal da Mealhada, este projecto vai continuar.
O reconhecimento estrangeiro do Wall Street Journal — que nos parece fundamentado, característica que não tem podido ser detectada noutros textos (nacionais) referentes a este tema — contrasta com o tratamento dado ao leitão da Bairrada na estratégia de promoção da região Turismo Centro de Portugal.
No final de um ano de existência, a Turismo Centro de Portugal mostra ser um organismo mais político do que operacional e são várias as razões que, no nosso entender, justificam a afirmação. Se o município de Coimbra, por exemplo, decidiu não integrar essa estrutura, não se compreende que esta aja como se a deliberação tivesse sido a oposta. Para além desta atitude, acresce ainda que a promoção do Luso surge agregada à marca Coimbra, e da Curia, por outro lado, agrega-se à marca Ria de Aveiro. Na brochura lançada pela Turismo Centro de Portugal, na passada semana, não há uma palavra sobre as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada. Na lista de produtos gastronómicos que publicou, não consta o pão da Mealhada nem sequer o leitão da Bairrada, apesar de a ilustração e a introdução a ele fazerem referência — vá lá alguém perceber isso! Quem ler a brochura vai andar à procura, na Mealhada, de um restaurante que lhe sirva o prato típico local, a carne marinhoa, é este o prato referenciado com sendo típico dos concelhos de Mealhada, Mira e Cantanhede — veja-se bem isto! Não garantimos que encontre essa carne marinhoa, mas, garantidamente, podemos afirmar que qualquer pessoa, uma vez na Mealhada, perceberá que chegou à capital do leitão da Bairrada, “ao inferno dos vegetarianos”, como afirma o Wall Street Journal.

Editorial do Jornal da Mealhada de 8 de Julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

[805.] Mercurii dies

Condomínio da Terra
Porque se a casa é só uma, todos temos de a partilhar


Será levado a efeito no próximo fim-de-semana, 4 e 5 de Julho, em Gaia, um fórum internacional que visa, através de cinco plenários com especialistas de várias nacionalidades e de debates económicos, jurídicos, científicos e filosóficos. Trata-se, no fim de contas, de debater a necessidade da tomada de posições colectivas dos cidadãos e dos Governos face aos problemas que se perspectivam por causa da deterioração das condições de vida do planeta Terra. O fórum do Condomínio da Terra — uma iniciativa da associação ambientalista portuguesa Quercus que, entretanto, ganhou dimensão universal — terá como base um documento intitulado Declaração de Gaia e culminará com a elaboração de uma estratégia a que será dado o nome de Compromisso de Gaia. Ajustar a vida da espécie humana, e de todos os ecossistemas, à sustentabilidade do planeta, num momento em que este apresenta sintomas claros de deterioração rápida e com consequências imprevisíveis, é uma responsabilidade das gerações que actualmente habitam na Terra. “Este será, talvez, o maior desafio que se colocou até hoje à humanidade”, garantem os promotores da iniciativa Condomínio da Terra. “Temos de adaptar o nosso modo de vida e organização ao funcionamento natural da vida na Terra”, propõem os promotores da referida iniciativa. A escolha da cidade de Gaia parece-nos feliz. Gaia é, na mitologia grega, a deusa da Terra. Ao mesmo tempo que nos parece, também, feliz o emprego da metáfora que dá o nome à iniciativa. Um condomínio é, num sistema de propriedade horizontal, a melhor forma encontrada para gerir os espaços comuns e o interesse colectivo. Se todos somos vizinhos neste planeta, se todos dependemos de todos e uma vez que os problemas globais não se resolvem de forma isolada, só nos resta uma organização em condomínio para gestão dos espaços comuns.A atmosfera, a hidrosfera e a biodiversidade são partes comuns do planeta. Não só porque ultrapassam todas as fronteiras e os ‘serviços’ que prestam não podem ser divididos, mas também porque todos dependemos delas para viver e todos as podemos afectar de forma positiva ou negativa.As propostas da Declaração de Gaia apresentam o conceito de Soberania Complexa — “coexistência de soberanias autónomas num espaço colectivo, ou seja, um poder político, supremo e independente, relativo à fracção territorial de cada Estado, e partilhado, no que concerne às partes insusceptíveis de divisão jurídica, (atmosfera, hidrosfera e biodiversidade) das quais todos os povos são funcionalmente dependentes”.Outro dos conceitos apresentados à discussão no fórum internacional do próximo fim-de-semana é Economia de Simbiose — uma articulação daquilo a que se poderia designar por “economia da manutenção dos sistemas vitais” com a tradicional economia de produção. A ideia seria a de aproveitar a valorização económica que se faz da bens ecológicos vitais aplicada a todas as partes comuns do planeta (a Economia de Simbiose), através da referida Soberania Complexa. Ou seja, tornando possível a gestão global (politica e económica) dos bens indivisíveis do planeta.Estes conceitos sustentam-se numa distinção clara entre soberania — autoridade para dispor — e propriedade sobre os ecossistemas da Terra. Para melhor compreensão poderíamos dizer que o Brasil tem soberania sobre a Amazónia, mas não é proprietário desta. A destruição da Amazónia, mesmo que parcial, traz efeitos imediatos e sérios a todo o planeta. A Amazónia é uma “parte comum” do planeta, logo deve ser gerida de forma comum. Demos como exemplo a Amazónia, mas poderíamos falar da Gronelândia ou dos glaciares que estão a derreter-se.“Se o valor destes bens vitais é de alguma forma incalculável, precisamente porque são vitais, resta-nos a certeza de que os ecossistemas prestam um serviço cujo valor económico deveria ser muito superior aos lucros gerados pela exploração tradicional dos seus recursos”, garantem os promotores do Condomínio da Terra, que concluem: “As árvores deveriam valer mais vivas do que o valor da sua madeira!”Os documentos a que se fez referência encontram-se disponíveis em http://www.earth-condominium.com/pt/
Tivemos conhecimento, pelo vereador da Câmara Municipal da Mealhada Gonçalo Breda Marques, de que o executivo decidiu, na passada quinta-feira, subscrever os princípios da Carta de Aalborg, que inclui os princípios fundamentais da promoção de uma economia e gestão política sustentáveis, que tem execução prática ao nível local no modelo da Agenda 21 Local. Há cerca de dois anos, a vice-presidente da Câmara, Filomena Pinheiro, garantiu estarem a ser desenvolvidos os mecanismos para o desenvolvimento de uma Agenda 21 Local comum aos municípios do Baixo Vouga — rede entretanto substituída — e asseverou que a implementação das disciplinas de Educação Ambiental e de Cidadania, no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular para o primeiro ciclo do Ensino Básico, estava a ser já pensada segundo os princípios de Aalborg e como iniciativa a integrar um esquema de desenvolvimento baseado na metodologia da Agenda 21 Local. Manda-nos a coerência elogiar a iniciativa e a decisão municipal de, com ou sem rede de municípios, subscrever a Carta de Aalborg, e, posteriormente, implementar a Agenda 21 Local. Esperamos, também, que o executivo e, nomeadamente, Filomena Pinheiro, não esqueça as boas intenções enunciadas há dois anos e as possa concretizar agora. Procurámos fazer com que o desenvolvimento sustentável fizesse parte dos temas a debater na campanha eleitoral autárquica de 2005. Não o conseguimos, mas não desistiremos em 2009.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Julho e do FRONTAL de 2 de Julho