
sexta-feira, 23 de abril de 2010
[985.] Intendência, de acordo (ortográfico)

quinta-feira, 22 de abril de 2010
[988.] Sofia Ferreira, RIP
[987.] Hoje é Dia da Terra
A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a Cimeira do Rio (1992).
Actualmente, uma organização internacional, a Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.
[986.] Iovis dies, no dia de anos de Lenin
«Ao genial teórico continuador de Marx e de Engels, ao criador do Partido proletário de novo tipo, ao dirigente da primeira revolução socialista vitoriosa, ao fundador do primeiro Estado de operários e camponeses, ao criador e guia da Internacional Comunista, nós, comunistas portugueses, devemos, como os comunistas e trabalhadores de todo o mundo, a determinante influência das suas ideias e actividade nos acontecimentos revolucionários capitais da nossa época. Devemos o exaltante exemplo e o profundo impacto na consciência dos trabalhadores portugueses da vitória de Outubro, das realizações da URSS dos êxitos do movimento operário internacional. Devemos ainda a Lénine a bússola segura para a orientação de toda a nossa actividade.»
quarta-feira, 21 de abril de 2010
[984.] Mercurii dies
A propósito do 36.º aniversário da Revolução dos Cravos
“A Justiça foi, talvez, o maior falhanço deste país no pós 25 de Abril”. A frase é de Manuel Castelo-Branco, filho de Gaspar Castelo-Branco, antigo director-geral dos Serviços Prisionais portugueses, assassinado à porta de sua casa, em Lisboa, em 15 de Fevereiro de 1986, pelas Forças Populares 25 de Abril, também conhecidas como FP-25. A afirmação, vinda de uma vítima – para quem, normalmente, a melhor justiça seria a da Lei de Talião –, até poderá parecer exacerbada, mas serve para nos ajudar a fazer duas perguntas a nós próprios, enquanto comunidade: Será a nossa Justiça um falhanço democrático? Terá sido o nosso maior falhanço?
Hoje, em Portugal, o sistema judicial não dá garantias, nem ao cidadão nem à comunidade, de que é idóneo – no sentido de ser capaz – para resolver os problemas de um e de outra. E essa garantia é uma das primeiras funções que o Estado de Direito tem de afiançar. E que, actual e objectivamente, não assevera.

Seja pela falta de celeridade, seja pelo excesso de garantias, de formalismos e processualidades – e bem sabemos que a Democracia exige formalidade –, seja pela incapacidade, laxismo ou inaptidão de alguns profissionais do foro, a verdade é que a Justiça hoje, em Portugal, atrapalha muito mais do que resolve, torna-se demasiado condescendente e está excessivamente dependente do poder político. Para ilustrar o que afirmamos nem sequer precisaríamos de falar do caso das FP-25 – um escândalo –, nem dos casos Melância, ou Costa Freire e Zezé Beleza – para que não se pense que o problema é de agora. Também não cairíamos na redundância de falar do caso Casa Pia, das fugas de informação do Freeport, do Face Oculta, do Tagus Park, nem de qualquer outro mais ou menos mediático. Tomemos como exemplo ilustrativo o caso de uma acção declarativa ordinária, intentada no tribunal da Mealhada em 2006, que já teve sessão de julgamento há mais de doze meses, que já tem despacho do juiz sobre a matéria de facto considerada provada, e que aguarda “prolação de sentença final” há um ano. Trata-se de um caso em que se discute a validade de um contrato comercial e que há doze meses entope e entorpece a vida de duas empresas.
A ameaça de recorrer aos tribunais para resolver problemas de dívidas, por exemplo, já não é ameaça, é uma garantia, uma prorrogação. E, assim, as empresas não sobrevivem, a vida social entre as pessoas, nomeadamente as que precisam de estabelecer negócios jurídicos, está posta em causa. E logo a seguir, quando o Estado não é capaz de garantir o que são funções de soberania, é o próprio Estado de Direito que é posto em causa. E é próximo disso que estamos.
Mesmo o facto de o primeiro-ministro se ver envolvido em vários casos que, alegadamente, constituem a prática de ilícitos, e de o sistema judicial não garantir um esclarecimento cabal dos factos – ilibando-o ou não –, e em vez disso ainda intensificar a especulação, constitui uma prova de que o sistema faliu.
A justiça portuguesa é, de facto, um falhanço democrático.
Será, porventura, o maior falhanço. Economicamente já tivemos momentos bons e momentos maus. Em 36 anos de Democracia, Descolonizámos, Desenvolvemos e Democratizámos. Em poucos anos, Portugal conseguiu que mais de meio milhão de pessoas que habitavam as ex-colónias ultramarinas se integrassem na sociedade portuguesa sem problemas de maior. Este é um grande feito, e outros terá havido.
Trinta e seis anos de democracia integraram-nos na Europa – à conta de quem temos sobrevivido – e tornaram-nos uma Nação livre e aparentemente feliz. Não é Portugal que é um falhanço – não é isso que está em causa – mas a nossa Democracia está em perigo, e quando não se podem ter Revoluções – a que, conjunturalmente, não conseguiríamos resistir – fazem-se reformas. E a reforma da Justiça já vai atrasada, porque não são as férias dos juízes que estão a criar este problema, são 36 anos de facilitismos, de incompetência e laxismo, de direitos, liberdades e garantias dos prevaricadores que lesam cidadãos e empresas. A presunção de inocência e o direito de um arguido à defesa não se podem sobrepor ao direito de a comunidade reconhecer que viver honestamente compensa.
terça-feira, 20 de abril de 2010
[983.] Marti dies, no Dia do Nascimento do Profeta Maomé
Hoje, 20 de Abril, é o dia commumente aceite como o do nascimento do Profeta Maomé,no ano 570 da nossa era, em Meca, na actual Arábia Saudita.
Maomé ou Muhammad (em árabe: مُحَمَّد, transl. Muḥammad ou Moḥammed; Meca, c. 570 — Medina, 8 de Junho de 632) foi um líder religioso e político árabe. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.
Para os muçulmanos, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até à Península Ibérica.
Não é considerado pelos muçulmanos como um ser divino, mas sim, um ser humano; contudo, entre os fiéis, ele é visto como um dos mais perfeitos seres humanos.
Deus ditou o Corão a Maomé e explicou-lhe o culto. O som que ouvimos é o Azan ou Adhan, o chamado à oração. A canção que do alto dos minaretes, os muazzin (os cantores) entoam para chamar os muçulmanos para as cinco orações diárias. A própria canção é um culto que precede a oração e constitui um rito que existe desde o inicio da Hégira.
O adhan começa com a repetição, por quatro vezes da frase "Alláh Akbar", que significa Deus é Grande. Depois, por duas vezes, é recitada a frase "Ach-hadu an la iláha il-la Alláh", que quer dizer: Testemunho que não há outra divindade além de Deus. Recita-se, de seguida, "Ach-hadu an-na Muhammadan rassulu Alláh", que significa: Testemunho que Muhammad é o Mensageiro de Deus, por duas vezes também.
A seguir, o muazzin canta, por duas vezes "Haiyá ´alas-sala", Vinde para a oração, e por mais duas vezes "Haiyá ´alal-falah", Vinde para a salvação. É recitado "Alláh Akbar", por mais duas vezes e a oração termina com "La iláha il-la Alláh", Não há outra divindade além de Deus, uma vez.
O video que aqui apresentamos não é o Adhan mais bonito do Youtube. Escolhi-o porque o muazzin é um muçulmano bósnio, de Sarajevo, na Europa.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
[982.] Lunae dies
No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, reunidos em Congresso, aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da ASP em Partido Socialista. Finda a votação, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação. Eram 18 horas. Publicam-se, em seguida, os diversos documentos preparatórios dessa reunião e, bem assim, outros que viriam a ser publicados na sequência directa da fundação do PS.domingo, 18 de abril de 2010
[981.] Solis dies
Dr.Parnasus - O Homem que tentou enganar o Diabo
Não aconselho... não valeria o preço do bilhete se não fosse pela companhia. Nem o confronto milenar de Deus e do Diabo - e as sacanices que fizeram ao pobre do Job -, nem o desafio de procurar uma moral numa história proto-vitoriana se mostraram capazes de satisfazer o gosto de um cinéfilo num domingo à tarde que precisava de se distrair!
Nem a despedida do Heath Ledger...
sábado, 17 de abril de 2010
[980.] Saturni dies, no dia de lembrar a Crise Académica de 1969
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
No dia 17 de Abril de 1969, em Coimbra, estalou o movimento estudantil que viria a ficar conhecido como a Crise Académica de 1969. O ambiente era tenso nos meandros da ditadura, a primavera marcelista parecia não florescer e bastou o presidente da direcção-geral da Associação Académica de Coimbra pedir a palavra - no dia da inauguração do edificio das Matemáticas - para o castelo de cartas, a opera bufa, cair por terra.
Em Saturni dies, dia de poesia n'o fio dos dias, homenageamos os obreiros, com o poema que se tornou música e se tornou hino destes acontecimentos.
Dias gloriosos!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
[979.] Veneris dies, no Dia da Dinamarca
Den lille havfrueA Pequena Sereia
Estátua de Edvard Eriksen, esculpida em 1913, localizada porto de Copenhaga, capital da Dinamarca. Representa uma das personagens de um dos contos infantis escritos pelo dinamarquês Hans Christian Andersen. Trata-se de um dos maiores simbolos da cidade de Copenhaga.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
[978.] Iovis dies, no dia de aniversário de Leonardo da Vinci
A Última CeiaFresco de Leonardo da Vinci colocado no refeitório do Mosteiro de Santa Maria delle Grazie, em Milão, pintado entre 1495 e 1497
[977.] Tempo à minha porta II
[976.] «Se eu quiser falar com Deus»
quarta-feira, 14 de abril de 2010
[975.] Tempo à minha porta
[972.] Mercurii dies
O programa cultural e lúdico que a Fundação Mata do Buçaco organizou para a Semana Santa de 2010 foi a primeira iniciativa de maior dimensão levada a cabo pela instituição desde a tomada de posse dos seus órgãos sociais, no Verão de 2009. O balanço é, na nossa opinião, muito positivo, e prova um conjunto de ideias que há muito defendemos.
Em primeiro lugar, que uma instituição com a independência formal e institucional face aos poderes políticos tradicionais pode constituir-se como uma extraordinária plataforma de congregação de vontades e disponibilidades para organização de eventos. A Fundação Mata do Buçaco conseguiu congregar grupos de jovens – nomeadamente escuteiros –, para a organização das vias-sacras dos Passos da Prisão (quase inédita na liturgia popular contemporânea da via-sacra) e dos Passos da Paixão, a disponibilidade de voluntários, que garantiram a abertura do Convento e o atendimento aos turistas que quiseram o visitar. Até o apoio do pároco e da paróquia de Luso se mostrou um gesto extraordinário, apesar de não surpreender.
Em segundo lugar, ficou demonstrado que a população está ansiosa por se reconciliar com o Bussaco. Não se ama verdadeiramente o que não se conhece e a atracção inicial que o Bussaco está a provocar nas pessoas – de toda a região – precisa de evoluir para uma relação de amor e de dedicação. Esta Semana Santa foi um bom princípio e a adesão da população poderia classificar-se de maciça. Em qualquer uma das iniciativas deste programa a participação superou as melhores expectativas.
Em terceiro lugar, consideramos que ficou demonstrado que não é difícil divulgar a Mata Nacional do Bussaco junto dos órgãos de comunicação social nacional e que isso pode constituir um pólo de desenvolvimento importante para toda a região. As televisões e os principais jornais nacionais deslocaram-se à Mata para cobrir as iniciativas programadas e demonstraram, assim, que o ‘tema’ tem interesse jornalístico nacional.
O momento é de elogio a todo o pessoal da Fundação e, naturalmente, a todos os que contribuíram para o sucesso do programa. O facto de a Fundação não dispor ainda de verbas para o financiamento da sua actividade – em resultado do atraso na aprovação do Orçamento Geral do Estado e de, não tendo tido actividade em 2009, não ter sequer financiamento por duodécimos – terão constrangido um maior investimento no programa da Semana Santa, constrangimentos esses que, no entanto, não foram visíveis ao público-alvo.
Manter o envolvimento dos parceiros na organização e na programação das actividades da Fundação poderá revelar-se importante e uma mais-valia para conservar as mais-valias conquistadas nesta primeira actividade. A constituição de uma equipa pedagógica (mesmo que só com voluntários) para organização e apoio a actividades para crianças, adolescentes e jovens na Mata – nomeadamente para grupos organizados de jovens, de escuteiros e oferta para crianças na primeira infância – poderá revelar-se frutuosa no caminho de amor entre os portugueses e a Mata.
Aguardam-se, com expectativa, surpresas sobre as actividades de um programa para a Ascensão de 2010, que decorrerão, certamente, em meados do próximo Maio – em 13 de Maio. O Dia da Ascensão tem sido, sem dúvida nenhuma, o Dia do Bussaco e o dia maior de uma união centenária que nas últimas décadas se havia diluído e que agora parece renovar-se.
Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
[971.] Marti dies, no Dia Internacional do Beijo: a importância dos pormenores
Pequeno Pormenor
Xutos e Pontapés
Pequenas coisas que faltam na vida
Tornam-se as grandes incompletas
Pequenas coisas fazem parte
Não te esqueças
A grande ponte para lado nenhum
Fica distante da pequena estrada
Esburacada, onde arriscas a vida
necessáriamente
E se tudo é um todo
E o todo é que importa
Não ponhas de lado
Aquilo que falta
Mesmo que não tenhas tempo
Pensa o que tens a fazer
Mede bem a importância
Dum pequeno pormenor
Um parafuso no foquetão
Um beijo ao deitar, um papel no chão
Uma prenda com cartão, um voto aqui
Ali um não
A justiça em grande faz sombra à pequena
Frágil, diária de todos
Tantas pequenas injustiças
tornam falso o sistema
A pequena dor nunca aliviada
Nas filas de espera do grande hospital
torna a doer, mesmo que te digam
vais ser atendido mais lá pro outro natal
Se tudo é um todo
E o todo é que importa
Não ponhas de lado
Aquilo que falta
Mesmo que não tenhas tempo
Pensa o que tens a fazer
Mede bem a importância
Dum pequeno pormenor
Um parafuso no foquetão
Um beijo ao deitar, um papel no chão
Uma prenda com cartão, um voto aqui
Ali um não
[973.] Medelim, 13 de Abril de 1812
Marechal Auguste de Marmont, 1.º Duque de Ragusa (1774 - 1852)
Foi exactamente nesta quarta invasão que Medelim acabou por sofrer as agruras da história e da violência dos Homens. Medelim e Pedrogão poderão ter sido mesmo as ultimas localidades portuguesas a serem saqueadas pelos gauleses na Invasão Francesa.
A este propósito, limito-me a publicar um texto de João Caldeira, investigador medelinense, com quem tive o prazer de trocar correspondência, que publica artigos de investigação no jornal Reconquista, de Castelo Branco, sob a epigrafe 'Crónicas de Medelim'.
As invasões francesas
Por João Caldeira
Publicado no jornal Reconquista de 11 de Setembro de 2008
Foram as Invasões Francesas com o poderio dos exércitos envolvidos que mudaram a face da Região, arrasando não só Castelo Branco, mas também Segura, Idanha, Penamacor, Monsanto, Penha Garcia , e Medelim. Foram as Invasões Francesas, em particular a pouco conhecida 4.ª Invasão, que se revelaram particularmente destrutivas para Medelim.
Da torre pouco resta, dos muros também. Os tempos que se seguiram foram de
reconstrução e reocupação. As Casas Senhoriais construídas pelas famílias mais
representativas da aldeia a partir do século XVIII situam-se exactamente para o
exterior da linha de muralha, tal como a tenho proposto, esta é uma situação que
reforça a teoria que proponho em relação aos limites da Fortaleza. A excepção é
a casa da Cultura que tendo sido construída por uma família que já estava na
região no século XV-XVI, já existia intra – muros.
A 1ª Invasão teve inicio a 19 de Novembro de 1807, comandada pelo General Andoche Junot, Governador de Paris e embaixador em Portugal até dois anos antes. A sua entrada deu-se pela Beira Baixa. Os invasores precedidos por uma Guarda avançada atravessaram a Ponte de Segura a 19 e 20 de Novembro, como os caminhos eram muito maus, uma força de 54.000 homens teve de se espalhar por uma frente bastante grande no seu trajecto para Castelo Branco, onde foram chegando a partir de dia 20 e durante um mês.
Foi a pouco conhecida 4.ª Invasão, que se revelou particularmente destrutiva para Medelim. A Cronologia da 4.ª Invasão é a seguinte: inicio a 3 de Abril de 1812. A 8 o Exército Francês estabelece-se em redor do Sabugal. Já 13 de Abril de 1812, Pedrogão e Medelim são saqueados. Numa Batalha a 14 de Abril (onde?), as Milícias Portuguesas são desbaratadas e a 24 o exército Francês de Marmont abandona Portugal, a invasão durou cerca de 20 dias.
1812 é o ano em que morrem dois dos meus antepassados em Medelim, Catarina Caldeira e o Reverendo Domingos Caldeira. É minha opinião que terá sido nesse ano de 1812 que a muralha defensiva de Medelim terá sido completamente destruída.
A cobiça ditava a atitude. Tudo o que podiam carregar era roubado, todos os que
tentavam impedir os saques eram mortos.
O que restou da muralha foi utilizado no esforço de reconstrução da aldeia.
Vamos ver o exemplo da Casa da Cultura de Medelim. A sua fachada construída com grandes blocos de granito permanece conservada. No entanto, o restante do edifício está construído com pedra miúda, tal como as habitações na restante aldeia, nitidamente este edifício foi reconstruído em alguma parte da sua existência. A sua construção original não seria semelhante à actual, quem o mandou construir e nele colocou o seu Brasão, teria meios para lhe conferir outro acabamento. Penso que este terá sido um dos edifícios que, tal como a restante aldeia, terá mudado bastante de aparência em relação ao que era antes das Invasões Francesas.
Foi nesses tempos de reconstrução que os Militares envolvidos na contenda e residentes em Medelim construíram as suas casas de família, para fora dos limites da antiga muralha, para o exterior onde existia terreno livre.
No período pós- guerra, as famílias com melhor condição económica tiveram uma palavra importante a dizer quando da alienação dos terrenos e propriedades sob jurisdição religiosa.
Através do seu arrendamento ou venda, terrenos e propriedades como as da
Misericórdia de Medelim serviram então para um reforço das fracas economias do
Estado.
Começou a tomar forma o Medelim tal como hoje o conhecemos. Tendo
descrito a evolução do aspecto de Medelim é altura de falar das pessoas que lá
foram vivendo.
Não que Medelim ainda esteja como ficou depois das Invasões
Francesas! Não, já não está. Mas esteve até há cerca de duas gerações. Somente
nos últimos 50 anos a aldeia mudou, e a história de Medelim nesses anos está
certamente presente na memória de muitos.
jocal@netcabo.pt
segunda-feira, 12 de abril de 2010
[969.] Luna dies, em Dia 'da Lua'
Às segundas-feiras, n'O fio dos Dias, é Luna Dies - Dia da Lua e dia de colocar uma fotografia especial. É assim porque na história do "dar nomes aos dias" a Lua é quem manda à segunda-feira. Se o primeiro dia da semana é do Sol, o segundo é da Lua. Em Inglês é Monday = Moon Day, por exemplo, como poderia citar o Lundi francês ou o Lunes espanhol.Hoje, 12 de Abril, é segunda-feira. Mas é uma segunda-feira especial. E especialmente lunar...
Em 12 de Abril de 1961, o soviético Yuri Gagarine foi o primeiro cosmonauta, o primeiro homem a passar para além do céu, a ir ao Espaço. É por isso que hoje, na Rússia, é Dia do Cosmonauta e se assinala a "Yuri's night".
Yuri Gagarine (1934-1968) foi o primeiro homem a ver a Terra e são-lhe atribuídas as seguintes declarações: «A Terra é azul e olhei para todos os lados e não vi Deus!»
Foi na sequência desta conquista soviética que John F. Kennedy proferiu o célebre discurso na Universidade Rice e que é por muitos considerado como a intervenção que prova e faz de Kennedy um grande estadista. Em 1961, Kennedy declarava ao Mundo que antes do fim da década um americano pisaria a Lua e regressaria a casa são e salvo. «We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard» (Pode ouvir-se AQUI)
E a verdade é que em 20 de Julho de 1969 a Apolo 11, com um escuteiro lá dentro - Neil Armstrong - pisava a superfície lunar, no 'Mar da Tranquilidade' e lá deixava uma placa onde se pode (?) ler: «Here Men From Planet Earth First Set Foot Upon The Moon. July 1969 A.D. We Came In Peace For All Mankind»
E tudo graças (também) ao Gagarine. O "pequeno passo para o homem" começou com ele!
domingo, 11 de abril de 2010
[970.] Solis dies com 'Easter Monday' de um português na Polónia - a quem mandamos abraço solidário de condolências
Easter Monday from Miguel Gaudencio on Vimeo.
Miguel Gaudêncio filmou, em Szczcin, na católica Polónia, esta curta metragem, no Domingo de Páscoa de 2010 (4 de Abril). Uma filmagem interessante, sem ser aborrecida, apesar de a banda-sonora ser 'ultra-batida'e já entediante.
Fica a lembrança - com um artigo nacional português, bonito e simples - ao povo polaco, no momento em que chora a morte brutal e surpreendente do seu Chefe do Estado, o presidente da República Lech Kaczynski. Não nutríamos qualquer simpatia pela personalidade, mas não podemos deixar de nos solidarizar com um povo amigo e irmão, no momento duro da orfandade.
sábado, 10 de abril de 2010
[968.] Saturni dies
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
Camões
quinta-feira, 8 de abril de 2010
[967.] Iovis dies, no Dia Internacional do Cigano
quarta-feira, 7 de abril de 2010
[966.] Mercurii dies
A entrevista do Bispo das Forças Armadas, Dom Januário Torgal Ferreira ao programa Discurso Directo, do Diário de Noticias e da TSF - visivel AQUI - parece-me representar a atitude sensata a assumir pelos católicos neste momento.
Tal como o prelado português, eu não acredito na teoria de que a divulgação pública dos casos de pedofilia é a face visivel de uma campanha contra o Papa.
Agora, também me custa aceitar que o Papa seja, ao mesmo tempo, acusado de encobrir e de divulgar, reconhecendo, todos estes casos de pedofilia. Ou acusamos o homem de uma coisa, ou de outra, das duas não dá.
Quanto mais depressa se souber dos problema, se afastem os prevaricadores e se castiguem os cumplices (e falo naturalmente de toda a hierarquia), mais cedo se podem tomar medidas para resolver o problema, fazer a catarse e dar garantias aos fieis de que a Igreja se preparou para que isto não volte a acontecer.
terça-feira, 6 de abril de 2010
[964.] Marti dies
BRIDGE OVER TROUBLED WATER
When you're weary
Feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all
I'm on your side
When times get rough
And friends just can't be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard
I will comfort you
I'll take your part
When darkness comes
And pain is all around
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Sail on Silver Girl,
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way
See how they shine
If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
quarta-feira, 31 de março de 2010
[965.] Mercurii dies, na Quarta-feira Santa
O tempo que se aproxima é de um forte pendor religioso. O facto de sermos um país maioritariamente católico terá levado a que tão importante quanto a festa litúrgica da Páscoa – e são tantos os que nela se envolvem de corpo e alma, vigorosamente – seja a festa comunitária que se vive nesta altura. A Páscoa tem no seu âmago a ideia de libertação (na tradição judaica da libertação do Egipto, pela vara de Moisés, e na tradição cristã da libertação da morte, pela Ressureição de Cristo), tem, também, a ideia de salvação e de alegria pela esperança. São tudo argumentos festivos que nos devem aproximar das pessoas de quem mais gostamos, de as visitar e de lhes mostrarmos o nosso afecto, e, porque não, brindar a isso mesmo, ao sabor de umas amêndoas.
Para os crentes, o caminho até à Páscoa não é feito sem dor. O sacrifício torna, na concepção dogmática desta celebração, a alegria final mais sentida e significante. E a Igreja Católica, enquanto instituição, está a viver estes tempos de Quaresma, numa perfeita via dolorosa. A informação do número de crimes de pedofilia que terão sido perpetrados por pessoas consagradas contra crianças, muitas delas à guarda da Igreja, é abjecta e é revoltante para qualquer ser humano. A notícia deste grande conjunto de casos chega às pessoas nas vésperas da festa da Páscoa, o ponto mais alto da vivência cristã, e precisamente no Ano Sacerdotal (que Bento XVI proclamou para ser assinalado entre Junho de 2009 e Junho de 2010 para “contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo”). Ironias? Ou a longa manus do destino?
Qualquer espécie de justificação para estes comportamentos odiosos deve ser escusado, porque não há nada que o justifique. “Temos que dar a mão à palmatória. A Igreja também é feita de pecadores”, afirmou Dom Albino Cleto, Bispo de Coimbra, recentemente e a este propósito. Na mensagem do Papa para a Quaresma 2010, o Sumo Pontífice aborda a questão da Justiça e, num texto bastante interessante, analisa o que entende ser a diferença entre a Justiça de Deus e a Justiça dos homens. Das suas palavras não se depreende que os homens de Deus que cometem crimes estejam isentos da Justiça humana e terrena. E esse talvez tenha sido o erro que mais choca neste domínio e que não pode repetir-se: A Igreja não deve impedir que os alegados pedófilos no seu seio não sejam submetidos à justiça dos seus países.
As dificuldades e os efeitos do escândalo que os prevaricadores infligiram às crianças estão a revelar-se na própria Igreja, como se fosse uma retribuição, e até nos poderia parecer justa se toda a acção da Igreja se resumisse a estes acontecimentos. Mas não resume e é essa a ideia que não podemos deixar esquecer no domínio desta discussão e desta incriminação colectiva.
Não há registos de casos de pedofilia entre padres portugueses – o que não quer dizer que não existam –, o que nos faz garantir que não podemos tomar a árvore pela floresta (e até por isso não devem ficar incólumes os prevaricadores). A acção da Igreja no domínio da protecção social e à protecção da criança é muito grande, muito importante e não pode ser manchada por esta suspeição que se abateu sobre a instituição.
Em tempo de via-sacra, não podemos deixar que um percurso aparentemente pantanoso, como o que atravessa a Igreja Católica nestes dias, obscureça o caminho e a obra social que, em Portugal e em todo o Mundo, presta às crianças e, por elas, à humanidade.
sábado, 27 de março de 2010
[963.] Saturni dies, no Dia Internacional do Teatro
Fica um poema de Bertold Brecht (1898-1956), uma grande figura do teatro ocidental.
"Aos pósteros"
I
Realmente vivo em tempos sombrios.
A palavra ingénua é tola. Uma fronte lisa
Indica insensibilidade. Aquele que ri
Ainda não recebeu
A terrível notícia.
Uma conversa sobre árvores é quase um crime
Por que inclui um silêncio sobre tantos delitos?
Aquele que vai pela rua tranquilo
Não é mais acessível aos amigos
Que estão em necessidade?
É verdade: ainda ganho o meu sustento
Mas acreditem: é por acaso. Nada
do que faço autoriza que eu me sacie.
Casualmente fui poupado.
(Quando minha sorte acabar
Estou perdido.)
Dizem-me coma! beba! fique feliz por ter o quê!
Mas como posso comer e beber se
Tiro ao faminto o que comer e
Meu copo d'água falta a quem tem sede?
No entanto, como e bebo.
Gostaria também de ser sábio.
O que é sábio está nos velhos livros:
Afastar-me da briga do mundo e passar
Sem medo a curta temporada
Sobreviver sem violência
Pagar o mal com o bem
Não realizar os desejos, mas esquecê-los
É tido por sábio.
Nada disso eu posso:Realmente, vivo em tempos sombrios!
II
Cheguei às cidades no tempo da desordem
Quando aí reinava a fome
Cheguei-me aos homens no tempo do tumulto
E indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
Comi minha comida entre as batalhas
Deitei-me para dormir entre os assassinos
Tratei do amor sem atenção
E vi a natureza sem paciência.
Assim passou o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
No meu tempo os caminhos levavam ao pântano.
Minha linguagem denunciava-me ao carrasco.
Só pude pouca coisa. Mas esperava que sem mim
Os dominadores se sentassem mais seguros.
Assim passou o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
As forças eram escassas. O alvo
Ficava a grande distância.Era bem visível, embora
Eu mal pudesse alcança-lo.
Assim passou o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
III
Vocês, que emergirão da maré
Onde nós soçobramos
Pensem
Ao falarem das nossas fraquezas
Nos tempos sombrios
De que escaparam.
Pois nós, desesperados, trocando mais de países
Que de sapatos, atravessamos as guerras de classes quando
Só havia injustiça e nenhuma revolta.
No entanto sabemos:
Também o ódio contra a baixeza
Contorce os traços.
Também a cólera contra a injustiça
Deixa a voz rouca. Ah, nós
Que quisemos preparar o chão para a amabilidade
Nós próprios não pudemos ser amáveis
mas vocês, quando tiver chegado a hora
Do homem ajudar o homem
Pensem em nós
Com indulgência.
sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
[961.] Dia Nacional da Grécia em 'Iovis dies'

quarta-feira, 24 de março de 2010
[960.] Mercurii dies... no Dia do Estudante
a ilha de ‘O Deus das Moscas’?
O problema das sociedades mediatizadas, como a nossa, é o de que nunca levamos os problemas suficientemente a sério e as soluções nunca são maturadas, avaliadas e corrigidas. Tomamos medidas à medida do que os media nos vão fazendo sentir as dores. As soluções para os problemas sérios do país estarão, sempre, naturalmente, a montante de tomadas de posição preventivas ou estritamente imediatistas. A questão da violência no interior das escolas, por exemplo, da parte de alunos contra alunos e professores, não será nova, mas atingiu uma expressão impossível de ignorar.
A situação não é completamente nova, é certo, e nem por isso é surpreendente. Se não vejamos: passámos a última década a retirar a autoridade do professor na sala de aula, a dar ao aluno um estatuto de facilitismo e cedências constantes mascaradas com a criação de exames para garantir exigência, a enjaular os alunos em salas durante o dia inteiro. Ao mesmo tempo, em casa, as crianças perderam convivência com os pais e com os avós, perdem referências, são subtraídas a redes de civilização, desconhecem regras sociais de sã convivência.
Pedindo desculpa pelo exagero, parece-nos que nos aproximamos, na escola e no dia-a-dia das crianças, do que William Golding, em 1954, narrou no seu distópico e pessimista romance ‘O Deus das Moscas’ – cuja leitura aconselhávamos a todos os educadores.

Serve a escola para educar as crianças, os adolescentes e os jovens? Ou serve, principalmente, para empregar professores? Da resposta a estas perguntas se depreenderá que se o objectivo fosse centrar a escola no aluno, seria mais fácil financiar o aluno – que poderia escolher livremente a sua escola, pública ou privada – do que financiar o edifício burocrático que é hoje a escola pública portuguesa. Não deixa de ser curioso que a maior parte dos políticos portugueses – nas cúpulas do Estado mas também ao nível das autarquias locais –, mesmo os que têm responsabilidades na educação, prefiram colocar os seus filhos a estudar em colégios privados do que na escola pública que tantas vezes tutelam.
David Cameron é o líder do Partido Conservador britânico. Em Maio poderá vir a ser primeiro-ministro. No Outono passado, não teve nenhum pudor em afirmar que tinha uma equipa a estudar o modelo sueco de gestão escolar, conhecido como ‘da liberdade de escolha da escola’. A Suécia é, talvez, o mais social-democrata – o que no panorama português equivale ao socialismo democrático maioritariamente representado pelo PS – dos países europeus. Este modelo nasce com um governo liberal-conservador, é certo, e é mantido e melhorado nos governos social-democratas seguintes – seria impensável em Portugal?
O elemento fundamental do modelo sueco, criado em 1992, passa pelo financiamento dos alunos, através de um ‘voucher’ e, consequentemente pela introdução da possibilidade de escolha da escola e da posterior concorrência entre escolas. A criança tem direito à Educação gratuita. Tem a criança sueca, como tem a criança portuguesa. A diferença é que o Estado entrega a sua comparticipação através de um voucher, uma espécie de cheque que a família recebe como contrapartida da condição de cidadão do estudante com direito a uma educação gratuita. “Quando os vouchers foram lançados, em 1992, já existiam algumas escolas privadas, em regra muitíssimo boas e muito procuradas pelas famílias. Mas eram todas pertencentes a instituições sem fins lucrativos, o que era imposto por lei. A consequência desta restrição era muito curiosa. As poucas e excelentes escolas privadas não tinham incentivos nem meios para se expandirem. Criavam então enormíssimas listas de espera em que os pais inscreviam os filhos à nascença. Esse era o seu distintivo de qualidade. Mas só um número muito limitado de crianças tinha realmente acesso à escola de qualidade”, narra João Carlos Espada, politólogo da Universidade Católica, num ensaio publicado no jornal i, em 24 de Outubro de 2009. “A partir de 1992, duas coisas aconteceram. Todas as escolas, estatais ou privadas, passaram a receber por aluno o mesmo montante pago pelo Estado. Em segundo lugar, a criação de novas escolas foi tremendamente facilitada, requerendo apenas garantias de qualidade. As instituições com fins lucrativos foram autorizadas a entrar no novo mercado de educação”, descreve, ainda, João Carlos Espada. Hoje a escola sueca é um modelo de qualidade, melhorou a educação dos alunos, mas também melhorou a escola pública.“Talvez a liberdade de escolha da escola seja a solução para a quadratura do círculo. Pelo menos funcionou na Suécia, o mais social-democrata país europeu. E é bem possível que venha a dominar o futuro próximo do debate político europeu”, assevera João Carlos Espada. Porque não?
Editorial do Jornal da Mealhada de 24 de Março de 2010, Dia do Estudante
terça-feira, 23 de março de 2010
[959.] Marti dies... e a cantiga é uma arma
Jorge Palma
«A Gente Vai Continuar»
Esta música, para mim, é quase um hino. Um hino de esperança na resistência. Uma esperança à beira da loucura, do precipicio.
Muitas vezes, a vantagem de quem acredita é que se sente testado, posto à prova e isso sabe sempre a temporário... impele-nos sempre a acreditar que a coisa vai mudar, vai melhorar depois do teste. E até pode haver recompensa. Mesmo que saibamos que não, que vamos transportar a nossa cruz para sempre, passa-nos pela cabeça que no fim da estrada há algo diferente, algo melhor e por isso, só por isso, vale a pena continuar.
Se não tivesse os amigos que tenho - e tenho muito poucos - eu já tinha desistido. E como sou crente, acredito que neles reside a missão de me ajudarem a superar as adversidades. E acredito, também, que a minha missão, a missão que me é destinada, é ajudá-los a eles. Como se tivesse nascido para isso.
Nesta teia de crenças, facilmente se chega à conclusão que enquanto houver estrada para andar eu tenho de continuar, com o meu fardo sempre, mas ao lado deles. Hoje ajudam-me eles, amanhã ajudo-os eu. É o meu fado, que não renego.
Nunca gostei do Jorge Palma - radicalismos de quem é parvo. Lembro-me da Alina ter facilidades nos bilhetes para irmos todos ao TAGV e de eu ter ficado em casa, de, depois disso, ter ouvido o 'Estrela do Mar' na Queima de um ano qualquer e de ter dito uns disparates qualqueres...
Só depois de ter estado à rasca da esperança é que esta musica me apareceu... se revelou! Hoje é o toque do meu telemóvel e um modo de encarar a vida.
A um grande amigo, um urso Nobre e Justo, fica a lembrança: A minha missão é levar esta merda até ao fim, até ao martirio, até deixar de haver estrada para andar. Comeram-me a carne. hão-de me comer os ossos! Eu não desisto! Enquanto caminhares a meu lado!
segunda-feira, 22 de março de 2010
[958.] Lunae dies
domingo, 21 de março de 2010
[957.] Intendência

[936.] Esto solo lo arreglamos entre todos, en Solis dies
Solis dies é dia de filme...
Hoje um filme inspirador de um movimento inspirador. Em Espanha, foi criada uma campanha que visa restaurar a confiança e dar esperança às pessoas, exaltando as histórias de sucesso, dadndo testemunho do número (grande e significativo) de pessoas que não baixou os braços, nem desanimou apesar de todas as adversidades.
O movimento chama-se "Esto solo lo arreglamos entre todos" - Só todos conseguimos corrigir isto!
É um movimento muito inspirador que eu gostava muito de ver implementado aqui em Portugal. Porque eu não tenho duvidas nenhumas, como alías já escrevi, que o sentimento da crise é mais poderoso e contagiante que a própria crise. Precisamos de luzes, de archotes de esperança a arder na noite escura!
www.estosoloarreglamosentretodos.org
sábado, 20 de março de 2010
[934.] Hoje, 20 de Março, Saturni dies
Hoje, 20 de Março, precisamente às 17h 32m, o Sol cruzará o Equador Celeste, no fenómeno astronómico a que se dá o nome de EQUINÓCIO. Nesse momento dá-se o climax da grande batalha da escuridão e da luz começada no Solsticio de Inverno. Nesta noite Noite e Dia serão exactamente iguais: aequus (igual) - nox (noite).
Mas ainda há muito a percorrer até à vitória da Luz... muito mesmo...
A Primavera chegou! "Chega-se a este ponto em que se fica à espera!", como diria Mourão-Ferreira
Equinócio
Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato
Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gin enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena
Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo
Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe
David Mourão-Ferreira
do tempo ao coração
guimarães editores
1966
sexta-feira, 19 de março de 2010
[931.] Passos Coelho conta comigo!
Fui contactado em Abril/Maio de 2008, por Miguel Relvas, para ser o mandatário no concelho da Mealhada da candidatura de Pedro Passos Coelho. Disse-lhe que aceitava o honroso convite, como tinha dito a quem primeiro me sondara para saber da minha sensibilidade.Na eleição de 31 de Maio de 2008, a votação em Pedro Passos Coelho no concelho da Mealhada ficou muito aquém do que eu esperaria, no que se constituiu como um resultado humilhante para a candidatura. A este propósito escrevi o post [541.].
Há cerca de um mês, recebi um telefonema para, mais uma vez, saber da minha disponibilidade para apoiar a candidatura. Mostrei toda a minha disponibilidade, como já havia mostrado em mail que enviei a Álvaro Santos, mandatário distrital em 2008, mas fiz saber que não estava disponível para ser mandatario concelhio, por entender não estar à altura do que seria de esperar.
Fiz, no entanto, uma sugestão. Tendo a comissão politica concelhia da Mealhada sido a primeira do distrito a apoiar Pedro Passos Coelho, tendo Passos Coelho participado na campanha para as autárquicas 2009, na Mealhada, e por ser um militante ilustre, sugeri que o melhor mandatário possivel seria o presidente da concelhia, César Carvalheira.
Na passada segunda-feira, 15 de Março, soube que a candidatura de Pedro Passos Coelho havia convidado César Borges Carvalheira para mandatário no concelho da Mealhada. De imediato, apresentei a minha disponibilidade ao mandatário concelhio e ao coordenador da campanha no concelho, António Miguel Ferreira, como já havia apresentado a Bruno Coimbra, mandatário distrital para a Juventude, com quem já trabalhei nesse sentido.
Sou apoiante de Pedro Passos Coelho com toda a dedicação, empenho e energia! E não é de agora! Passos Coelho Conta Comigo!
[933.] Hoje, 19 de Março...

As infra-estruturas (cerca e convento) do deserto do Bussaco começaram a ser construídas no Verão de 1628.
Concluídas as obras principais, foi no dia de São José do ano de 1630 que os carmelitas descalços começaram a habitar o deserto do Bussaco e o Convento de Santa Cruz de forma regular. A igreja, por exemplo, não estaria concluída e as missas eram celebradas na sala da livraria.
O primeiro dia de um periodo de 206 anos em que os carmelitas ali viveram. O último carmelita abandonar o convento fê-lo em 1836, dois anos depois da lei da extinção das ordens religiosas masculinas.
[932.] Veneris dies
[930.] Dia vencido
(Respigados do que já foi dito no Facebook)
Eu não discordo da normatização da obrigação de lealdade e solidariedade dos militantes face às cupulas partidárias em período eleitoral.
1. Alguém que voluntariamente se filia num partido politico vincula-se a uma obrigação de solidariedade pelas decisões que a organização (e a cupula) legitimamente toma.
2. Esta obrigação não viola o principio da Liberdade de Expressão, ou do Direito à Opinião ou ao Livre Pensamento. Toda a gente pode apresentar reservas, discordâncias relativamente às opções tomadas, nos órgãos próprios, mas tem uma obrigação de solidariedade, de não-agressão em momentos sensíveis como são os eleitorais.
3. Todos os partidos e todas as associações de direito privado têm essa permissa nas obrigações dos associados.
4. Só é militante quem quer!
5. Não me parece legitima a desculpa de que os militantes do PSD, em Mafra, não sabiam o que estavam a votar e/ou estavam com pressa para voltar para casa!
quinta-feira, 18 de março de 2010
[928.] Iovis dies
quarta-feira, 17 de março de 2010
[927.] Mercurii dies
A Mata Nacional do Bussaco está no lote das 21 Maravilhas Naturais de Portugal que está, desde 7 de Março, em votação para escolha dos portugueses para eleição do conjunto formal das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. A votação decorrerá até 7 de Setembro de 2010. Esta escolha e inclusão no lote das 21 Maravilhas Naturais constitui, por si só e desde já, uma grande oportunidade para a promoção do turismo na região, para a preservação do património arbóreo e construído, para a valorização cientifica e histórica da Mata Nacional do Buçaco.
Nos próximos seis meses deveremos – colectivamente – contribuir para que não seja desperdiçada esta oportunidade e proceder, com os meios ao alcance de cada um, para que em termos turísticos, empresariais e, naturalmente, económicos, tiremos desta iniciativa o máximo proveito.
Por outro lado, fará sentido, colectivamente, também, pensarmos de que forma poderemos contribuir para incentivar os portugueses a votar no Bussaco e assim, a 7 de Setembro, vermos a nossa mata como uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. Acreditamos que a criatividade pode ser uma boa ajuda e que a Fundação Mata do Bussaco não deixará de apoiar todas as boas ideias que cheguem até ela.

A empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, à sua escala e na sua área de influência, através do Jornal da Mealhada e do jornal FRONTAL, especialmente, não deixará de se associar ao que entende ser, mais uma oportunidade de vivência, de fortalecimento da identidade e valorização da comunidade dos residentes nos concelhos limítrofes do Bussaco, ou que dele são naturais. Assim, passaremos a publicitar, periodicamente, os meios através dos quais as pessoas poderão votar, e estamos disponíveis para acolher sugestões – dos nossos colaboradores, leitores e amigos – sobre outras formas que poderão, eventualmente, ajudar a divulgar o Bussaco e a sua candidatura. Contamos com a criatividade de todos.
Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
[926.] Mercurii dies
Resultava da discussão de há poucos dias, na tomada de posse de André Vaz como coordenador da concelhia da Mealhada da Juventude Socialista da Mealhada, a ideia de que a intervenção política dos jovens se deixou de fazer através do exercício de uma actividade politica partidária, para passar a exercer-se no campo das causas e da militância pela defesa e promoção de acções concretas, palpáveis, e de efeitos a médio ou curto-prazo. Consideramos que é, de facto, assim. Se é certo que não há – ainda – sistema constitucional democrático sem partidos, a verdade é que a militância por causas é nobre e não deve ser desvalorizada por uma visão pessimista ou conservadora da juventude portuguesa.
Um dos exemplos ricos e interessantes desta nova forma de fazer Politica – no sentido clássico de contribuir de forma positiva para a gestão da cidade, da res pública – é o projecto Limpar Portugal. Trata-se da ideia de juntar um grande número de voluntários – mobilizados por novos canais de informação, como a internet e a televisão – para, num determinado dia, a 20 de Março, todos procederem à limpeza das lixeiras que poluem as matas e espaços verdes de Portugal. A iniciativa tem já o Alto Patrocínio da Presidência da República.

A ideia surgiu na Estónia – um país que no início deste século tinha destroços industriais por todo o lado – e galvanizou muitos povos da Europa, nomeadamente o português.
Será fácil compreender que o sucesso da organização de uma iniciativa que tem o seu apogeu, o seu clímax num único dia, a 20 de Março, não se compadece com uma preparação simples. O trabalho feito pelos voluntários já começou há muito tempo e terá de continuar depois do dia da limpeza nacional. As tarefas começaram pela organização dos grupos por concelho e, depois, no caso concreto do concelho da Mealhada, por freguesia e pela nomeação de coordenadores para cada uma delas. O primeiro trabalho dos coordenadores e dos voluntários – para além da aproximação aos parceiros institucionais e sua sensibilização para a campanha – foi o levantamento, no terreno, dos locais onde está depositado o lixo. Esse levantamento foi editado e publicado numa base de dados nacional da campanha.
Nalgumas freguesias do concelho da Mealhada o número de lixeiras era tão grande que os voluntários sentiram necessidade de começar imediatamente a tarefa de limpeza e remoção do lixo. Assim aconteceu especialmente no Luso e na Antes, mas, também, em Barcouço e na Vacariça. O trabalho de limpeza na freguesia do Luso, por exemplo, começou em Janeiro e prossegue.
O grupo de voluntários do concelho da Mealhada do Limpar Portugal tem sido muito elogiado pelos coordenadores nacionais da campanha pela capacidade de mobilização alcançada. E isso deve constituir motivo de orgulho e vontade em apoiar. No dia 20 de Março qualquer pessoa pode pôr mãos à obra e fazer a sua parte nesta missão – patriótica? – de limpar os espaços verdes de Portugal. Serão divulgados, em breve, mais dados sobre a acção do dia 20 de Março.
A tarefa da limpeza é quase tão importante como a de sensibilizar as populações para o problema da poluição desta natureza. Que necessidade tem alguém de se deslocar vários quilómetros para depositar, numa mata, colchões, electrodomésticos e outros lixos que podem ser depositados no estaleiro da Câmara, que até tem um serviço de remoção destes lixos ao domicilio? O grupo de voluntários do Luso encontrou na zona de Barrô várias arcas frigoríficas. Não era uma, nem duas, eram muitas. No limite da sua freguesia com o Pego, encontraram, ainda, lixos – nomeadamente correspondência – de pessoas residentes no concelho de Anadia.
A sensibilização passa, ainda, pela consciencialização de que os poluidores têm de ser denunciados de modo a que lhes sejam aplicadas as coimas que a lei prevê.
Os interessados poderão acompanhar a actividade e aderir ao grupo do concelho da Mealhada em www.limparportugal.ning.com e procurar o grupo ‘MLD – Mealhada’.
Lembramos Edmund Burke para apelar à participação de todos nesta campanha, e assim, contribuir para o nosso bem-estar colectivo: “Ninguém cometeu maior erro do que aquele que nada fez só porque o que podia fazer era pouco!”.
Editorial do Jornal da Mealhada de 10 de Março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
A Mata Nacional do Buçaco está no lote das 21 maravilhas naturais de Portugal apresentadas hoje, 7 de Março.
quinta-feira, 4 de março de 2010
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.
António Machado
quarta-feira, 3 de março de 2010
[922.] Se eu mandasse?
ENSAIO
Palestra anual Winston Churchill: Tentar conhecer o próximo primeiro-ministro britânico [David Cameron, do Partido Conservador].
por João Carlos Espada, Publicado no Jornal i, em 24 de Outubro de 2009,
sendo certo que o que me interessa sublinhar é o modelo sueco de gestão escolar, apresentado como um caso interessante por David Cameron, já anunciado nos programas eleitorais do PSD (principalmente em Marcelo Revelo de Sousa), mas nunca aplicado em Portugal! Infelizmente!
«EDUCAÇÃO O ponto mais claro da intervenção de Cameron - e aquele que motivou a única interrupção com aplausos - terá sido a referência à educação. Depois de condenar o declínio dos padrões educativos e a ditadura de teorias politicamente correctas nas escolas, Cameron indignou-se com a quase ausência de referências a Winston Churchill nos novos programas escolares. "O próximo governo conservador trará Churchill e o estudo da história de volta aos programas das escolas" - aqui houve uma chuva de aplausos. E David Cameron aproveitou para reiterar a sua intenção de introduzir mais escolha das escolas pelas famílias, seguindo aliás a experiência da Suécia, que, garantiu, a sua equipa estava a estudar com grande interesse.Esta pode acabar por ser a primeira grande inovação do programa de David Cameron e do seu ministro sombra para a Educação, Michael Gove: introduzir mais escolha e concorrência nas escolas inglesas, à semelhança do que foi feito na Suécia a partir de 1992. Trata-se de uma história de sucesso incontornável. Em 17 anos, as escolas independentes na Suécia passaram de 80 para 1100 - educando 10% do total de alunos do ensino obrigatório e 20% do ensino secundário não obrigatório. A reforma, iniciada por um governo liberal--conservador em 1992, não foi anulada pelos social-democratas quando voltaram ao poder. E, há menos de um mês, os social--democratas anunciaram que tinham abandonado a sua última reserva contra a escolha das escola: passaram também a aceitar as escolas privadas com fins lucrativos.
EXEMPLO SUECO Segundo Anders Hultin, um dos arquitectos do sistema de vouchers suecos, esta questão das escolas com fins lucrativos não deve ser menosprezada. Escrevendo na "Spectator" de 3 de Outubro, cuja capa foi dedicada a David Cameron, Hultin explica que o sector privado com fins lucrativos foi a chave do sucesso dos "vouchers" na Suécia. Quando estes foram lançados, em 1992, já existiam algumas escolas privadas, em regra muitíssimo boas e muito procuradas pelas famílias. Mas eram todas pertencentes a instituições sem fins lucrativos, o que era imposto por lei.A consequência desta restrição era muito curiosa, explica Hultin. As poucas e excelentes escolas privadas - como a escola Carlsson em Estocolmo - não tinham incentivos nem meios para se expandirem. Criavam então enormíssimas listas de espera em que os pais inscreviam os filhos à nascença. Esse era o seu distintivo de qualidade. Mas só um número muito limitado de crianças tinha realmente acesso à escola Carlsson.A partir de 1992, duas coisas aconteceram. Primeiro, foram introduzidos os "vouchers". Todas as escolas, estatais ou privadas, passaram a receber por aluno o mesmo montante pago pelo Estado - aliás, um montante ligeiramente inferior -- ao que até essa data um aluno custava realmente numa escola estatal. Em segundo lugar, a criação de novas escolas foi tremendamente facilitada, requerendo apenas garantias de qualidade. As instituições com fins lucrativos foram autorizadas a entrar no novo mercado de educação.
MÓBIL DO LUCRO Anders Hultin explica na "Spectator" que os resultados foram surpreendentes para todos, a começar pelos próprios promotores da reforma. "Nós próprios tínhamos grandes dúvidas sobre o alcance prático da reforma. Mas estava no programa eleitoral e tínhamos de o honrar." As dúvidas na Suécia eram as mesmas que existem hoje em todos os países europeus. "Quem vai querer lançar uma nova escola, com o investimento e a dedicação que isso implica? As famílias não querem nem sabem escolher a escola, querem é que a escola do Estado seja boa." Olhando agora para trás, Anders Hultin conclui que a medida decisiva que permitiu a literal explosão de novas escolas foi - além do "voucher" - a abertura ao sector privado com fins lucrativos. Hoje até os socialistas suecos já concordam com a medida. Hulton termina com uma mensagem para David Cameron: "Seria peculiar pensar que a esquerda sueca é mais aberta relativamente a escolas com fins lucrativos que o partido conservador britânico."
GANHAR O CENTRO A ironia de Hultin é divertida, mas não deve obscurecer o real problema político enfrentado por David Cameron. O partido conservador britânico foi "o partido natural do governo" em Inglaterra sempre que o seu opositor - o partido liberal, primeiro, ou o trabalhista, depois - se afastou do centro. Embora o partido conservador fosse muitas vezes visto pelo eleitorado como defensor das classes mais abastadas, o medo do liberalismo radical ou do socialismo radical empurrou os eleitores do centro para os Tories. Tony Blair e o seu New Labour abandonaram as propostas socialistas radicais e com isso anularam o medo do socialismo. Dessa forma, reconquistaram o centro e lançaram os conservadores na longa travessia do deserto.David Cameron está agora a tentar reconquistar o centro e por isso é tão cauteloso em relação ao que vai fazer. Essa cautela, em contrapartida, pode custar-lhe a desmobilização do seu eleitorado tradicional. Talvez a liberdade de escolha da escola seja a solução para esta quadratura do círculo. Pelo menos funcionou na Suécia, o mais social-democrata país europeu. E é bem possível que venha a dominar o futuro próximo do debate político europeu.»
[921.] Mercurii dies
Não mais direitos sem deveres?”*
A propósito da Carta dos Deveres do Homem
A Carta dos Direitos do Homem, aprovada pelas Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948, constitui-se, depois de mais uma tentativa de união e concertação entre os governos do mundo (a Organização das Nações Unidas), como uma resposta do mundo civilizado às atrocidades infligidas na Segunda Guerra Mundial contra a humanidade, contra a razão de ser do próprio Homem. Trata-se de um documento que foi assimilado em muitos Estados como a lista constitucional dos direitos fundamentais e ao fim de sessenta anos continua a ser importante lembrá-lo, divulgá-lo e sensibilizar todos para a importância dos valores que procura proteger. O ano de 2009 foi declarado como o Ano Internacional para a Aprendizagem dos Direitos Humanos.Foi ao longo deste ano de 2009 que o Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, a maior associação juvenil do país, entendeu assinalar o ano internacional com um amplo debate, entre os seus associados, inicialmente, e depois com a sociedade civil, sobre quais deveriam considerar-se como os Deveres do Homem.
“O Homem é sujeito de Direitos, largamente consagrados, embora demasiado frequentemente desrespeitados, mas é igualmente sujeito de Deveres, deveres cujo objecto é, também, em muitos casos, o próprio Homem. Será que alguma vez alcançaremos o pleno respeito pelos Direitos do Homem não sendo pelo efectivo cumprimento por parte do Homem, de todos os homens e mulheres, dos seus Deveres? E quais são esses Deveres?”, pode ler-se no que foi apresentado como o enquadramento deste projecto, cujo objectivo era: “Contribuir para uma definição dos Deveres do Homem”.
Foi deste esforço de muitos jovens escuteiros portugueses – todos com idades compreendidas entre os 14 aos 22 anos – que nasceu a Carta dos Deveres do Homem. Um texto onde se enunciam deveres do Homem para consigo próprio, para com os outros e para com a Natureza, e que se encontra integralmente reproduzido na última página desta edição do Jornal da Mealhada.
A Carta dos Deveres do Homem é um “verdadeiro rol das obrigações que individualmente devem ser promovidas e cumpridas a fim de se alcançar uma plena expressão da responsabilidade individual na prossecução do bem comum, uma plena realização comunitária dos direitos universais e uma plena vivência em liberdade, justiça e paz”. Assim o esclarece o texto da própria carta.
Num Ensaio intitulado “Direitos e Deveres: juntos ou separados?”, publicado no jornal i, em 21 de Novembro de 2009, João Carlos Espada – Director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa –, que também participou no projecto como especialista convidado, coloca a seguinte questão: “Por que razão hoje só falamos de direitos e nunca referimos os deveres? Por que motivo a lista de direitos não pára de crescer e insistimos em não mencionar qualquer dever?”. Não seremos obrigados a dar razão a este académico quando vemos que educamos mais para os direitos do que para os deveres colectivos? Quando vemos que tantas vezes se fala da intocabilidade dos direitos adquiridos e raramente se proclamam deveres fundamentais para com os outros e para connosco próprios?
No ensaio a que aludimos – e cuja leitura sugerimos a quem queira aprofundar o assunto, o texto permanece acessível na Internet – João Carlos Espada analisa o que poderia chamar-se de história do Dever nos pensamentos clássico e cristão e, depois, em Maquiavel, Rousseau e Nietzche. Conclui preferindo e citando Edmund Burke: “Os direitos não podem ser separados dos deveres. E nem uns e nem os outros dependem da vontade (da maioria, ou dos mais fortes, como em Rousseau e em Nietzche, respectivamente). Existem objectivamente e é preciso descobri-los. Trata-se de uma mensagem crucial da civilização ocidental”.
É preciso descobrir direitos e descobri deveres. Porque ao Direito à vida corresponde mais do que o Dever de não matar. Porque ao Direito de todos à Habitação, à Educação o à Saúde, deve corresponder mais do que o Dever de pagar impostos.
Os escuteiros portugueses procuraram fazê-lo. O documento que produziram pode ser apenas uma óptima oportunidade para pensar no assunto. Pode ser um bom argumento para começar uma conversa, pode ser um bom motivo para abrir o debate nas nossas escolas, nos nossos blogues ou no nosso jornal: “Será que alguma vez alcançaremos o pleno respeito pelos Direitos do Homem não sendo pelo efectivo cumprimento por parte do Homem, de todos os homens e mulheres, dos seus Deveres? E quais são esses Deveres?”. O leitor aceita o desafio de responder a estas perguntas?
* Expressão retirada da ‘Internacional’, o hino do socialismo internacional: “À opressão não mais sujeitos/ Somos iguais todos os seres/ Não mais deveres sem direitos/ Não mais direitos sem deveres”















