quinta-feira, 13 de maio de 2010

[1018.] Iovis dies, em Quinta-feira da Ascensão

Romaria da Ascensão
Óleo do anadiense Fausto Sampaio
Enquanto não consigo ter uma imagem 'limpa' deste quadro, fica aqui um pormenor do cartaz da Romaria da Ascensão 2010, iniciativa promovida pela Fundação Mata do Buçaco.
A história da Romaria da Ascensão é simples. E muito interessante.
Em 1834, com a abolição das Ordens Religiosas Masculinas, em 30 de Maio, pelo Joaquim António de Aguiar, o 'Mata-frades', o Convento do Buçaco deixou de ser território exclusivo dos religiosos e interdito às pessoas. Passou a ser do Estado, logo, de todos.
Esta mudança teve um efeito quase imediato: Os habitantes das povoações à volta, da Serra do Bussaco e da região, com grande espírito de curiosidade, começaram a ir 'espiolhar' lá dentro, ver como era, o que se passava e afins.
Para uma população iminientemente agrícola, não era fácil arranjar um dia para se dar a essas visitas de estudo. Com os anos, a curiosidade não se perdeu e a população curiosa foi aumentando de número. Intensificando-se de ano para ano.
Quinta-feira da Ascensão era dia de guarda obrigatória para os católicos. Seria o que hoje se chama um feriado nacional... Aliás, nalguns países é mesmo feriado nacional religioso. Neste dia os católicos que trabalhassem incorriam em pecado contra o terceiro dos mandamentos da Lei de Deus.
Então o dia de visita ao Buçaco, para matar curiosidades acontecia nesse dia. No regresso cumpria-se a tradição de fazer o ramo da Ascensão e com o tempo outros atractivos foram aparecendo: a festa, o convivio, as compras, o namoro etc.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

[1017.]

A Igreja Portuguesa



Já vai sendo hábito haver quem diga que, apesar de católico, não acredita na Igreja. Eu não critico quem pensa assim, apesar de, eu, pensar diferente. Quando recito o credo, não me calo quando os outros dizem 'Creio na Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica'. E não o faço porque, considerando-me católico, considero-me parte da Igreja e não um outsider, um observador externo. Eu sou parte da Igreja.
O facto de ser parte da Igreja - pedra viva no templo do Senhor - dá-me autoridade para poder analisar criticamente a postura da hierarquia perante os problemas da vida das pessoas - na saúde, na sexualidade, nos costumes -, perante os próprios problemas e deficiências da própria Igreja e, por maioria de razão, da própria hierarquia.
Considerar-me parte da Igreja não me inibe de pensar pela minha própria cabeça, antes pelo contrário. É minha obrigação fazê-lo. E procuro fazê-lo, nos fóruns próprios e, acima de tudo, pelo meu testemunho.
Os defeitos da Igreja vão muito para além da discrepância entre um discurso de solidariedade e caridade e as roupas do Papa, a riqueza dos paramentos, ou o valor económico da arte sacra, das obras de arte do Vaticano, ou o valor imobiliário das propriedades da Igreja. Isso é apenas a espuma que flutua. A intervenção do Papa hoje, aos religiosos portugueses, aos consagrados, e já ontem antes de aterrar em Portugal, mostra que o Papa tem noção exacta dessas deficiências e do que é preciso fazer para que a Igreja se torne melhor servidora da maior criação divina: o Homem!
A intervenção do Papa, hoje, exigindo aos consagrados "Fidelidade à sua vocação", de certa forma, tranquiliza-me. Como me tranquiliza saber que Bento XVI exigiu "coragem e confiança", e pediu "particular atenção" ao "esmorecimento dos ideias sacerdotais" ou a "actividades" discordantes do "que é próprio" para os padres. Isto, como leigo, tranquiliza-me.
Como me tranquilizaria saber que a Igreja Portuguesa vai promover uma reforma grande na gestão territorial, na gestão de recursos, na optimização do trabalho pastoral, na explicação aos crentes das tarefas que são feitas por consagrados e das que podem ser feitas por leigos, na valorização social do sacerdote na vida das comunidades.
Mas já me tranquiliza hoje saber que a Igreja Portuguesa tem ao seu serviço um Dom Januário Torgal Ferreira - um homem com "os tomates no sítio", um bispo corajoso capaz de dizer as verdades olhos nos olhos -, um Dom Manuel Clemente - um homem culto, sábio, um intelectual reputado e reconhecido -, um Dom Carlos Azevedo - um homem de seriedade, de acção, de trabalho, de concretização e energia. Haverá em Portugal outros prelados que os focos das câmaras ainda me não apresentaram, mas estes fazem-me crer que é a Igreja Portuguesa é forte, é corajosa, é capaz, é presente, é testemunho.
E assim, sinto-me mais tranquilo para considerar que os portugueses têm (continuam a ter) um porto de abrigo garantido para os tempos que aí vêm!

[1016.] Mercurii dies

Papismos?
A propósito da visita de Bento XVI a Portugal

“Cristianismo, sabedoria e missão” é o tema da visita pastoral e diplomática que o Papa Bento XVI realiza a Portugal até sexta-feira. Segundo o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o padre Manuel Morujão,: “O tema está ligado aos valores, a pôr em prática esses valores, a viver a missão, não viver para dentro de portas, mas vivendo saindo, servindo a sociedade onde a Igreja se situa”. Dito de outra maneira, o Papa procura realçar o papel da Igreja na vida social de Portugal, nas suas diversas dimensões, especialmente em tempo de crise. O chefe da Igreja Católica procura, também, exortar os católicos portugueses a vivenciarem a sua fé no serviço aos outros, em demonstrações substanciais de caridade, o que hoje será mais prosaico chamar solidariedade e serviço. Na visita ad limina que os bispos portugueses fizeram a Roma ficou clara a consideração de que os portugueses, apesar de se considerarem católicos, nem sempre o fazem notar na sua prática social e comunitária – e não falamos da prática litúrgica.
O Estado português, por outro lado, recebe o Papa em pecado. Demonstrando excesso de zelo, os responsáveis políticos portugueses – que no resto do ano não se importam de afrontar os católicos portugueses – procuraram receber o Papa com uma exuberância desnecessária. Não se dirá que é o remorso, ou a consciência pesada, mas em tempos de crise não se justifica que o Estado português queira mostrar o que, neste momento, não é, e o que, neste momento, não tem. Bento XVI é um homem frugal que aprecia os portugueses por serem como são e não como os seus políticos gostariam que fossem. Não foi a Igreja portuguesa que exigiu tolerâncias de ponto, ou restrições ao trânsito na capital do país. Foi o Estado.
Não nos choca que se gaste dinheiro para receber o Papa. Quem tem dinheiro e o pode gastar deve fazê-lo, trata-se de uma forma de o distribuir e isso é positivo. Mas choca-nos que a visita do Papa seja argumento para ter sido dada tolerância de ponto aos funcionários públicos, amanhã, quinta-feira. As escolas estarão fechadas em todo o país, e toda a vida económica portuguesa estará em suspenso por causa da visita do Papa. Não se justifica. E choca-nos que os mesmos que se mostram tão indignados pelo facto de haver crucifixos nas salas de aula nada digam a este respeito. O centro de Lisboa está hoje condicionado por causa de uma missa que poderia ter sido celebrada no Parque das Nações, ou num estádio de futebol. O local escolhido é mais bonito e mais simbólico, mas os constrangimentos criados, na nossa opinião, não o justificam.
Na sua primeira intervenção em Portugal, Bento XVI foi peremptório: “Venho a Portugal como peregrino de Nossa Senhora de Fátima”. Um humilde peregrino. O Estado português quis ser mais papista que o Papa, e Portugal não pode dar-se ao luxo de certos ‘papismos’!

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de Maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

[1015.] Marti dies



Avé Maria, de Schubert,
cantada por Dolores O'Riordan, vocalista dos Cranberries

Com este momento, associamo-nos à visita do Papa Bento XVI a Portugal

segunda-feira, 10 de maio de 2010

[1014.] Hoje...

... é Dia Mundial do Doente com Lúpus

Porque é preciso alertar para a necessidade de aumentar a investigação e o conhecimento público sobre a doença e os cuidados prestados aos doentes.

Porque é preciso que os doentes e os familiares que só recentemente sabem que são portadoras da doença saibam que não é o fim do mundo, que podem partilhar informações com muitos outros doentes e impedir que se cometam, ou deixem cometer, tantas barbaridades.

[1013.] Lunae dies

Gordon Brown demitiu-se. David Miliband poderá ser o senhor que se segue.
Nada seria estranho se não estivessemos a falar do primeiro-ministro do Reino Unido...
Senão vejamos...
Na quinta-feira houve eleições no Reino Unido.
Os Conservadores ganharam mais lugares no Parlamento, na Casa dos Comuns, mas não os suficientes para terem uma maioria absoluta. Conseguiram 306 lugares em 650.
O Partido Trabalhista, Labour, chefiado por Gordon Brown teve uma derrota significativa e perdeu mais de 90 lugares.
Os Liberais Democratas, que nas sondagens chegaram a ser maioritários, foram o terceiro partido e elegeram 57 membros do Parlamento.
A constituição britânica estipula que não havendo uma maioria absoluta - havendo um hung parliament - cabe ao primeiro-ministro em funções a iniciativa de formar governo. A situação não acontecia desde 1974.
No Reino Unido as eleições são à quinta-feira, não há dia de reflexão, e na sexta-feira a seguir o novo primeiro-ministro dirigir-se-ia à rainha para ser empossado.
No entanto, na mesma quinta-feira, Gordon Brown dizia que assumiria as responsabilidades que lhe adviessem do cargo. David Cameron (lider dos tories) dizia que os britânicos tinham retirado o mandato ao Labour. E Nick Clegg disse que estaria disponível para encontrar uma solução de governo para o país e iria começar por falar com os tories.
As negociações começaram na sexta e ainda não acabaram. Os Liberais Democratas querem um novo sistema eleitoral e esse será o busilis da questão. Os tories já se dispuseram a levar o assunto a referendo.
Hoje, Nick Clegg disse que ia começar a encetar negociações com o Labour. Como o Labour quer muito manter-se no poder (apesar de somados os dois partidos continuarem minoritários), e como Gordon Brown sabe que é um obstáculo a isso... demitiu-se hoje!
Ou seja...
Se os Liberais se coligarem com os Conservadores o Labour escolhe um líder - em Setembro - que assume a liderança da oposição. Nada de mais. Agora, se os Liberais se coligarem com o Labour o primeiro-ministro do Reino Unido será Gordon Brown até Setembro e aí será o novo líder dos trabalhistas. Ou seja, serão só militantes labour a escolherem o primeiro-ministro. E o Reino Unido terá o segundo primeiro-ministro não eleito em menos de nada.
A política britânica está num lodaçal como há muito não se via. Amanhã os mercados vão acordar em pânico... Graças a Deus não estão na zona euro, se não estávamos todos lixados.
A unica coisa positiva - na minha opinião - no meio disto tudo, é a possibilidade de David Miliband poder ser o novo líder dos trabalhistas.

domingo, 9 de maio de 2010

[1012.] Solis dies

Hoje é dia 9 de Maio

Nove de Maio é um dia especial para mim. É uma data de que gosto... manias! Há um ano, lançava a revista VIA - um sonho, que apesar das dificuldades e dos percalços não está abandonado. Para ontem, 8 de Maio, e durante muito tempo esteve marcado o casamento, outras dificuldades motivaram o adiamento.

Mas 9 de Maio é um dia expressivo. É um daqueles dias que os romanos diziam 'albo lapide notarem diem' (um dia para marcar com uma pedra branca - para não esquecer).

Só para me justificar aqui deixo algumas notas para justificar a afirmação... Umas mais prosaicas que outras... mas cá vai... sem esquecer que hoje, aqui no blogue é Solis Dies - dia de imagem em movimento!

9 de Maio, em Esperantina, no Brasil, é Dia do Orgasmo! Há, até, um decreto municipal que obriga à fruição da coisa no dia de hoje.

Ontem e hoje são dias assinalados pelas nações participantes na II Guerra Mundial como Dia da Vitória (para os que ganharam, naturalmente!)... assinalando o fim desta catástrofe humana em 1945. Franceses, ingleses, canadianos... checos e eslovacos... entre muitos outros assinalaram o dia ontem. Os russos assinalam-no hoje.

Hoje é Dia da Europa por ter sido em 9 de Maio de 1950 que o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Robert Schuman, desafiou as nações europeias a organizarem-se economicamente, como forma de manter a paz e a estabilidade. A sua intervenção ficou conhecida como Declaração Schuman e é, por muitos, considerada, como uma espécie de acto pré-fundacional do que é hoje a União Europeia.

Em 9 de Maio de 1386 era assinado o primeiro tratado internacional de amizade e cooperação - uma aliança, vá - entre duas nações soberanas. O documento ficou conhecido como o Tratado de Windsor e foi assinado pelo Rei de Portugal, D.João I, mestre de Avis, e pelo Duque de Lancaster, John de Gaunt. Daqui resultou, no ano seguinte, o casamento entre o monarca português e a filha do duque de Lancaster, Filipa. E deste casamento surgiu a mais frutifera e brilhante geração de politicos portugueses de onde distingo D.Duarte I, D.Pedro, duque de Coimbra, e o Infante D.Henrique, duque de Viseu.

Em 9 de Maio de 1605 foi publicada a primeira parte do livro do espanhol Miguel Cervantes - 'Dom Quixote de la Mancha' - as histórias do cavaleiro da triste figura.

Por ser Solis Dies deixo a 'treila' do filme 'Invictus', sobre a intervenção e a forma como Nelson Mandela usou um campeonato do mundo de raguebi para unir um país. A justificação prende-se com o facto de ter sido a 9 de Maio de 1994, precisamente, que o 'Madiba' se tornava no 10.º presidente da África do Sul.

sábado, 8 de maio de 2010

[1011.] Saturni dies

Pilgrim
Peregrino

Pilgrim, how you journey
On the road you chose
To find out why the winds die
And where the stories go.

All days come from one day
That much you must know,
You cannot change what's over
But only where you go.

One way leads to diamonds,
One way leads to gold,
Another leads you only
To everything you're told.

In your heart you wonder
Which of these is true;
The road that leads to nowhere,
The road that leads to you.

Will you find the answer
In all you say and do?
Will you find the answer
In you?

Each heart is a pilgrim,
Each one wants to know
The reason why the winds die
And where the stories go.

Pilgrim, in your journey
You may travel far,
For pilgrim it's a long way
To find out who you are...

Pilgrim, it's a long way
To find out who you are...
Pilgrim, it's a long way
To find out who you are...

Enya

sexta-feira, 7 de maio de 2010

[1010.] Veneris dies

Baronesa Margaret Thatcher
Primeira-ministra britânica de
4 de Maio de 1979 a 22 de Novembro de 1990

No dia em que se sabe que se sabe que os 'tories' ganharam as eleições sem, no entanto, conseguirem uma maioria absoluta no parlamento, não me sai da cabeça a figura de Margaret Thatcher - a primeira-ministra, 'The Lady', a Dama de Ferro - que governou o Reino Unido durante 11 anos, num periodo particularmente dificil. Mas foi a última líder carismática do Partido que ontem, apesar de estar na oposição há 13 anos - com um governo desastroso nos últimos 4 ou 5 - não conseguiu ganhar a confiança suficiente dos britânicos.
O 'Labour' foi desastroso, mas os 'tories' não conseguiram apresentar-se como uma alternativa para a maioria dos britânicos. Aconteceu o mesmo com o PS e com o PSD há 8 meses.
É estranho... mas aconteceu!
Thatcher continua a ser um modelo politico para a direita mundial. A Dama de Ferro conseguiu mostrar que é possível uma mulher ser respeitada na liderança de uma Nação. Até nisso foi inovadora (foi eleita há 30 anos) e exemplar.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

[1009.] Iovis dies

No dia 6 de Maio de 1974, onze dias depois da Revolução dos Cravos, em Lisboa, Francisco Sá Carneiro, Francisco Balsemão e Joaquim Magalhães Mota, em conferência de imprensa, anunciam a criação do Partido Popular Democrático. O partido é legalizado em 25 Janeiro de 1975 e em 3 de Outubro de 1976 passa a chamar-se Partido Social-Democrata. Tornou-se o grande partido do Poder Local e um grande referencial da estabilidade política da III República.
Em Iovis dies não se publica uma pintura, mas um dos desenhos que serviram de apoio à acção de implantação do partido nos primeiros anos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

[1008.] Mercurii dies

O fado do encontro
Não estivemos, sempre, condenados a entendermo-nos?

Pedro Passos Coelho encontrou-se com José Sócrates, na semana passada, para lhe dizer que está disponível para ajudar na promoção de medidas que ajudem o país a salvar-se da ofensiva especulativa e do pânico criado à volta dos mercados mundiais. O primeiro-ministro teve a sabedoria de corresponder e dirigiu-se ao Presidente da República, solicitando-lhe novo encontro desta vez com o ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos. Paulo Portas, líder do CDS, dirigiu-se, também, a Belém, para se encontrar com o presidente Cavaco Silva. Enquanto isso o líder do maior partido da oposição, o mesmo Passos Coelho, encontrava-se com antigos ministros das Finanças para debater medidas a tomar para apoiar o país. Antigos governantes estes que se encontrarão com o Chefe do Estado nos próximos dias. Foi preciso soarem todas as sinetas e alarmes, e a ameaça da necessidade de intervenção do FMI, para os governantes portugueses tomarem consciência de que têm de se entender? Um entendimento que tem de advir não de uma obrigação de promiscuidade politica entre pessoas que pensam de modo diferente e defendem diferentes modelos de desenvolvimento, mas por necessidade imperiosa da Nação.
Os ministros das Finanças dos vinte sete estados membros da União Europeia encontraram-se, em Bruxelas, para discutir os termos da ajuda à Grécia. Juntaram-se ao encontro os representantes do FMI e daí saiu entendimento para empréstimo de 110 mil milhões de euros aos helénicos. Ângela Merkel, a chanceler alemã, e Christine Lagarde, a ministra das Finanças francesa, quiseram garantias sérias da parte de George Papandreou, chefe do Governo grego. E do encontro resultou a convicção de que as instituições europeias têm de encontrar maneira de se tornar menos vulneráveis à incompetência dos políticos nacionais e à influência de especuladores dos mercados. Dão bons frutos, os encontros, em tempo de desespero?
Ao mesmo tempo, deste encontro, numa Europa desprovida de lideranças carismáticas, já se ouvem vozes de autoridade garantirem que “se nos casámos” é para sermos solidários até ao fim, na “saúde e na doença, na riqueza e na pobreza”. Em boa hora se lembra que se portugueses, espanhóis e gregos receberam fundos para a coesão europeia, alemães e franceses receberam vários milhões de novos compradores para os seus produtos. Numa família – e não é isso que querem que a União Europeia seja? – não se expulsam os filhos com maiores dificuldades. Também neste caso não nos resta alternativa se não o encontro e o entendimento…

Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de Maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

[1007.] A uma semana da vinda do Papa,

Estórias do dia em que Ratzinger almoçou no Bussaco
Texto de Aura Miguel, jornalista da Rádio Renascença e vaticanista, na introdução do livro "As razões de Bento XVI", e reproduzida no sitio da Rádio Renascença AQUI. Aqui a jornalista narra o encontro que teve com o Cardeal Joseph Ratzinger no Palace Hotel do Bussaco, em 14 de Outubro de 1996.

«(...) Desta sua visita a Portugal tenho ainda outro episódio para contar. O Padre Luís Kondor, grande entusiasta e apóstolo de Fátima e amigo pessoal do cardeal Raztinger, juntou-se à pequena comitiva [que acompanhava o Cardeal Ratzinger na sua viagem a Portugal]. Como sempre acontecia quando um cardeal vinha a Fátima, o Pe. Kondor organizava uma ida ao Carmelo de Coimbra, para um encontro com a Irmã Lúcia. Foi o que aconteceu também com o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
No dia 14 de Outubro [de 1996] lá foram todos para Coimbra; e eu também, como jornalista, claro. Quando saíram do Carmelo, a visita a Coimbra incluía também uma breve passagem pela Biblioteca da Universidade. Foi então que, antes de entrar para o carro, o Pe. Kondor veio ter comigo e convidou-me para almoçar com eles nesse dia, no hotel do Buçaco.
Foi inesquecível. Éramos dez pessoas, sentadas à volta de uma mesa redonda. Ratzinger, sempre bem disposto, observava mais do que falava. Monsenhor Clemens, na altura seu secretário, gostava de fazer-nos rir com as suas histórias e o próprio cardeal também alinhou na conversa com uma anedota hilariante que envolvia um católico, um judeu e um muçulmano que chegavam ao céu e falavam com São Pedro... Ainda hoje me arrependo por não ter escrito a divertida história contada pelo “guardião da fé”.
Comeu pouco e não repetiu. Não me lembro se bebeu vinho. O que reparei, sim, foi nos doces que pediu. O criado de mesa trouxe um carrinho com várias especialidades portuguesas e ele escolheu os doces mais fortes, do tipo conventual. No final do almoço, perguntei a Mons. Clemens se o cardeal gostaria de receber daqueles doces em Roma. O secretário respondeu logo que sim. Então, por duas ou três vezes, nos anos seguintes, passei eu própria a levar-lhe uns docinhos de ovos portugueses, que entreguei sempre a Mons. Clemens, no Palácio do Santo Ofício.
Ser vaticanista com este Papa é uma nova aventura.»


A mesma Aura Miguel, a Rita Carvalho, jornalista do Diário de Notícias, voltou a narrar o assunto que foi reproduzida na reportagem «Os amigos portugueses de Bento XVI», publicada no jornal a 17 de Abril e que pode ler-se, na integra, AQUI.

«(...) No hotel do Buçaco, eram dez pessoas à mesa. E o futuro Papa não hesitou em deixar escapar um comentário jocoso à presença da jornalista. "Trocaram-se piadas religiosas que metiam infernos comunistas e capitalistas e crentes de outras religiões que chegavam ao céu. Mas o cardeal revelava-se discreto, austero na comida, e muito simples", lembra a repórter, longe de imaginar estar perante o futuro Papa e lamentando hoje não ter registado todos os pormenores "Eu limitava-me a ouvir e a sorrir." Na hora da sobremesa, quando chegou o carrinho dos doces, Ratzinger deu nas vistas, pois comeu de tudo um pouco. "Reparei nisso e perguntei ao seu secretário, monsenhor Clemens, se o cardeal gostaria de receber os doces em casa. Nas vezes seguintes que fui a Roma, levei-lhe umas caixas, que entreguei ao seu secretário."
Esse dia tão especial ficou registado para a posteridade numa fotografia ao lado de Ratzinger, exibida com orgulho na sua sala. "É o meu trunfo!", diz, rindo-se, e interrompendo o relato para chamar a atenção do pato que nada no lago que tem pela frente.


Cardeal Ratzinger e Aura Miguel na galeria exterior norte do Palace do Bussaco

[1005.] Marti dies, no dia do 555.º aniversário do nascimento de D.João II, 'O Príncipe Perfeito'



Herois do Mar, 1981
Brava Dança dos Heróis

Oh Grande tribo, nasces do cio
De bélicas Deusas à beira rio
Brava Dança dos Heróis
Sagras a vida quando guerreias
À luz macia das luas cheias
Brava Dança dos Heróis

Dos fracos não reza a história
Cantemos alta nossa vitória (2x)

Corpos caídos na selva ardente
A terra fértil do sangue quente
Brava Dança dos Heróis
Dos feitos a glória há de perdurar
Mesmo se a morte nos apagar
Brava Dança dos Heróis

Dos fracos não reza a história
Cantemos alta nossa vitória (2x)

Dos fracos não reza a história
Cantemos alta nossa vitória...

Fazem hoje 555 anos que nasceu o maior monarca português e um dos maiores portugueses de sempre. Porque a Cantiga é uma Arma, porque hoje é dia de Marte n'O fio dos Dias, aqui ficam os Herois do Mar - por Dom João II.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

[1004.] Lunae dies, no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Teerão, 24 de Junho de 2009
World Press Photo of the year 2009
Pietro Masturzo, Itália

Um mulher, em Teerão, capital do Irão, grita protestos contra as alegadas irregularidades no processo eleitoral que reelegeu Ahmanidejad.
Já em 1979, quando se deu a Revolução Islâmica, era normal as pessoas subirem ao cimo dos telhados e gritarem protestos políticos contra os adversários.
no
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
(pela UNESCO)

domingo, 2 de maio de 2010

[1003.] Solis dies, no Dia da Mãe



Tudo Sobre a Minha Mãe,

de Pedro Almodovar, de 1999

Eu admiro o Almodovar. Acho-o um bocado repetitivo... as mesmas atrizes, os mesmos atores, as mesmas temáticas... mas este é um filme interessante. Um bocado pesado, mas interessante.

Uma homenagem às mães, a todas, especialmente à minha - a melhor do Mundo - e às que sofrem como 'Manuela'.

sábado, 1 de maio de 2010

[1002.] Saturni dies, no Dia do Trabalhador

Ela Canta, Pobre Ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso!
Ó céu! Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

*
Gosto imenso deste poema. E lembro-me muitas dele, e recito o primeiro verso. Quando estou cansado de mim mesmo. Quando vejo os outros felizes com menos do que eu e, mesmo assim, irradiando felicidade, penso nesta ceifeira. Quando vejo alguém com uma vida comedida, sem rasgo e sem preocupações, sem angústias, lembro-me deste poema.
«Ah, poder ser tu, sendo eu! /Ter a tua alegre inconsciência, /E a consciência disso!», era tão bom! Esta intranquilidade, este querer abraçar o mundo com estes dois braços, este achar que se está do Lado Bom da Força e se tem a ajuda da Verdade... leva-me onde? A esta angústia, esta intranquilidade, este travo de insatisfação na boca? Será?
Merda para isto tudo! «Pesa tanto e a vida é tão breve!»

sexta-feira, 30 de abril de 2010

[1001.] Veneris dies, no Dia Nacional da Holanda

"Koningin" Beatrix Wilhemilna Armgard Orange- Nassau
Rainha dos Países Baixos

Hoje é Dia Nacional da Holanda, ou dos Países Baixos, como se preferir. A data é a do 29.º aniversário da coroação da Rainha Beatriz, Chefe do Estado.

Uma senhora amável, estimada pelo povo. É licenciada em Direito, desde 1961, e encabeça um Estado desenvolvido, uma democracia cada vez mais multicultural. Apesar de não estar longe de polémicas na juventude é hoje uma mulher de 72 anos, discreta e respeitada.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

[1006.] Mercurii dies

Da memória
Em homenagem a Sofia Ferreira (1922 – 2010)

“Nós, jovens de hoje, provavelmente não damos tanto valor à liberdade como as pessoas que viveram na época pré-25 de Abril de 1974. Já nascemos em Democracia, nunca tivemos de lutar pela Liberdade, pela Paz, por Direitos. Para muitos de nós, este dia é apenas um feriado como os outros, tendo importância social e nacional, mas não significado pessoal. Tudo o que sabemos sobre a revolução foi-nos ensinado pela História que se conta nos livros e pelos mais velhos, professores e pais, alguns dos quais até nos dizem que se vivia melhor antes dela ter existido”. Este trecho consta do discurso que dois escuteiros da Mealhada dirigiram aos que assistiam à sessão solene do 36.º aniversário do 25 de Abril. Os ‘jovens de hoje’ têm a perfeita noção de que é difícil compreenderem a importância do 25 de Abril quando sempre viveram em Democracia. Democracia que, democraticamente, vêem ser posta em causa diariamente. E que alguns já duvidam ser a melhor forma para resolver conflitos.
Talvez fosse mais fácil se conhecessem a história de Sofia Ferreira. A história de quem começou a trabalhar aos dez anos, na agricultura. Aos doze foi servir para Lisboa e só muito mais tarde aprende a ler e a contar. Por influência de um tio e, depois das irmãs, defende um modelo de sociedade diferente do vigente. Acha que as coisas deviam ser diferentes. Não interessa, para o caso, o que defende e que alternativas preconiza. Sofia pensa de maneira diferente. Como o Estado persegue e prende os que pensam de modo diferente há pessoas que estão escondidas, que lutam na clandestinidade. Sofia começa por ajudar estas pessoas e, depois, ela própria passa para a clandestinidade. É presa, em Luso. Passa quatro anos presa sem nunca lhe dizerem por qual razão. É torturada e nunca mais poderá ser mãe. Sai da prisão e apaixona-se pelo António, que também pensa como ela. Pouco tempo depois volta a ser presa, por mais nove anos.
Sofia faz anos a 1 de Maio, mas ela diz a todos que faz a 10 de Maio, porque não a deixam receber visitas no dia dos anos, por ser Dia do Trabalhador. Sofia soube da morte do pai pelo jornal e quando pediu para ir ao funeral da mãe disseram-lhe que não. Sai da prisão, casa-se com o António e foge para um país distante.
Volta e, eis senão quando, vem o 25 de Abril e todas as pessoas que pensam diferente podem livremente defender aquilo em que acreditam sem medo de perseguição. Sofia entusiasma-se, o tempo passa e aquilo em que acredita nunca será praticado e implementado. Acusam-na de defender coisas más, criticam-na severamente. Mas Sofia continua convicta do que defende. As experiências de outros países revelam o insucesso do que defende, mas Sofia permanece firme, porque a diferença é que desta vez não precisa de se esconder, nem é presa ou torturada por pensar diferente. Pensa por si, só pensa diferente, apenas isso.

Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de Abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

[998.] Marti dies, Deolinda for ever





Boas noticias!
Os Deolinda lançaram ontem, 26 de Abril, o seu segundo CD: "Dois selos e um carimbo". O novo single chama-se «Um contra o outro», tem video no youtube e tudo.
Entretanto hoje, no site (cujo link está na imagem aqui ao lado), já foram colocados mais três temas. «A problemática colocação de um mastro» é um tema fantástico, com uma leitura politica imediata e arrojada! Isto é música de intervenção do melhor! Ainda lá não está a música nova que já tocaram na Mealhada no ano passado, e que fala do notário que se apaixona pelo escriturário...

Há temas de amor, temas de intervenção política, de humor. Permanecem as qualidades do "Canção ao Lado" e aprofundam-se outras. Actualidade politica está para brilhar!
Em 7 de Maio vão a Ilhavo... pode ser que alguém nos convide... se não a 21 de Maio no TAGV, em Coimbra...

Disfrutem...

domingo, 25 de abril de 2010

[995.] Solis dies, no dia em que uma Revolução não destruiu um país - III



Lisboa, 25 de Abril de 1974 - 18h 30m

[992.] "Quem hoje derrama o seu sangue junto comigo passa a ser meu irmão. Pode ser homem de condição humilde; o dia de hoje fará dele um nobre"

«This story shall the good man teach his son;
And Crispin Crispian shall ne'er go by,
From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remembered-
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne'er so vile,
This day shall gentle his condition;
And gentlemen in England now-a-bed
Shall think themselves accurs'd they were not here,
And hold their manhoods cheap whiles any speaks
That fought with us upon Saint Crispin's day.»

da peça 'Henrique V', de Shakespeare

[993.] Solis dies, no dia em que uma Revolução não destruiu um país - II



Lisboa, 25 de Abril de 1974 - 16h 30m

[993.] Solis dies, no dia em que uma Revolução não destruiu um país - I

Ontem, na reunião dos pioneiros (escuteiros com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos) do meu agrupamento, no prosseguimento do debate que começámos oito dias antes sobre o '25 de Abril de 1974', confirmei a ideia de que os jovens não conseguem perceber o que foi o 25 de Abril de 1974 - e falo só da gradação da importância da sequência dos acontecimentos históricos -, para além do folclore das canções de senha e contra-senha, não sabem mais nada. "Tocou uma canção, a tropa invadiu Lisboa e veio a Liberdade e a Democracia", assim se podia resumir a informação de que muitos deles dispunham.

Posso garantir que, até ao sábado passado, muitos dos jovens que connosco trabalham (todos eles com a educação básica aprovada, e alguns deles a poucos meses de entrar no ensino superior) não dispunham da informação de que os portugueses combatiam desde 1961 numa guerra nas colónias.

Não me interessa tecer considerações sobre os culpados ou discutir se os autores dos programas escolares portugueses - nomeadamente os de História - são reacionários ou envergonhados. Mas o que falo é do domínio dos factos.

Lisboa, 25 de Abril de 1974 - 14h 30m

Pessoalmente, considero que um dos aspectos mais importantes do rol de acontecimentos que constituiram o 25 de Abril foi a substituição do poder de forma inteligente e pacifica no respeito pela soberania da Nação - e nesse sentido pelos seus titulares. Neste dominio, pelos dados históricos de que dispomos, salientamos a integridade do capitão Salgueiro Maia, e o sentido de Estado do presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano.

Foi graças a estes dois homens que o 25 de Abril de 1974 ficou na história como a Revolução dos Cravos e não do sangue ou da carnificina.

O meu discurso até pode parecer reaccionário. Mas também já todos estamos fartos dos discursos revolucionários da treta que acabam por defender teses de um espirito anti-democrático profundo e intransigente (ouvi, hoje, um que me envergonhou, nas cerimónias na Câmara Municipal da Mealhada). "Das duas uma" ou se defende a Democracia e se aceita a decisão do Povo como soberana, aceitando que o Povo escolha mesmo aqueles que nós entendemos não conseguirem servir o país, ou não se defende a Democracia e se declara que os portugueses não estão preparados para votar, como defendiam os responsáveis políticos do Estado Novo. Ou estamos com a Democracia, com as suas vantagens e desvantagens, ou estamos do lado da Oligarquia.

Não é preciso mais um "25 de Abril de 1974", como também não é preciso mais um "25 de Novembro de 1975"! Precisamos de mais "25 de Abril de 1975" (Eleições para Assembleia Constituinte), precisamos de mais "27 de Junho de 1976" (primeiras eleições para a Presidência da República), precisamos de mais "12 de Dezembro de 1976" (primeiras eleições autárquicas), e precisamos de mais "25 de Abril de 1976" e de "5 de Outubro de 1980" (eleições legislativas). Disso é que precisamos!

sábado, 24 de abril de 2010

[991.] Saturni dies, no dia em que me declaro a Mortágua

As Viagens

Antes seja afastado do que já alcancei que o seja daquilo para que vou.
A posse é um declínio.
Antes um pássaro a voar que dois na mão.
Dois pássaros na mão são o que já não falta.
Um pássaro a voar: é ir com os olhos a voar com ele; ir sobre os montes, sobre os rios, sobre os mares; dar a volta ao mundo e continuar; é ter um motivo de viver — é não ter chegado ainda.

Branquinho da Fonseca

Um poema de um mortaguense, das Laceiras - na freguesia de Pala - na terra das quedas de água lá no alto, em dia de poesia por aqui. Um poema de certezas e de esperanças num dia em que, na pele, vivenciei a solidariedade, a maneira de ser tão especial e tão nobre dos mortaguenses.

Apesar de vermos todos os mesmos programas de televisão, de vivermos a poucos quilómetros de distância, a verdade é que para territórios diferentes há maneiras de ser e de estar diferentes também. As pessoas da Mealhada não são iguais às da Pampilhosa ou às do Luso. E as do Luso não são iguais às de Mortágua, etc, etc, etc.

E as pessoas de Mortágua são especiais. São afáveis, são simpáticas, são solidárias mesmo com quem - como eu - não é de lá. São pessoas capazes de ajudar, com humildade e espírito altruísta.

Gosto muito do meu concelho, gosto muito de Medelim e do concelho de Idanha-a-Nova. Mas tenho o concelho de Mortágua como uma terra de gente muito especial e fantástica.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

[990.] Veneris dies, em Dia de São Jorge

[989.] Hoje é Dia de São Jorge

Hoje é Dia de São Jorge

São Jorge é o santo padroeiro dos escuteiros de todo o mundo.

Venerado por católicos e anglicanos, São Jorge é o padroeiro da Inglaterra, da Geórgia, da Catalunha, da Lituânia, das cidades de Moscovo e do Rio de Janeiro. São Jorge é, também, o protetor de Portugal.
São Jorge é um dos primeiros mártires cristãos e no dia 23 de Abril recorda-se o seu martírio, diz a tradição que no ano de 303.
Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos, a devoção a São Jorge espalhou-se por todo o mundo, muito graças ao protótipo de cavaleiro exemplar que encarna. A devoção a São Jorge pode ter também suas origens na mitologia nórdica, pela figura de Sigurd, o caçador de dragões.

(em construção)

[985.] Intendência, de acordo (ortográfico)


Porque hoje é um dia tão bom como outro qualquer...
Informamos que procuraremos, a partir de hoje, escrever segundo as regras do novo acordo ortográfico.
Vamos lá ver se nos entendemos...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

[988.] Sofia Ferreira, RIP


Com Sofia Ferreira, em 9 de Maio de 2009
"Amanhã" completarei o poste.

[987.] Hoje é Dia da Terra

Imagem da Google para assinalar o Dia da Terra
O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição, protesto esse coordenado a nível nacional por Denis Hayes. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).
A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a
Cimeira do Rio (1992).
Actualmente, uma organização internacional, a
Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.
Subtraído de AQUI

[986.] Iovis dies, no dia de anos de Lenin

Na Smolnii, 1957
Vladimir Aleksandrovich Servo (1910 - 1968)
Óleo sobre tela
Galleria de Tumensk
Em 22 de Abril de 1870 nasceu Vladimir Ilyitch Ulianov, mais tarde conhecido como Lenin. Foi o líder da Revolução Bolchevique que pôs fim à Monarquia Russa, em 1917. Foi o primeiro líder do Partido Comunista Russo e, mais tarde, em 1922, tornou-se primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética. Morreu em 1924.
Lenin foi um dos grandes pensadores políticos, reviu as teses marxistas e, com o apoio de outros pensadores como Trotsky, acabou por criar um rompimento que veio a chamar-se Leninismo. O Leninismo, ou o marxismo-leninismo é, ainda hoje, a corrente política adoptada pelo Partido Comunista Português.
Num texto publicado no jornal 'O Militante' - que pode ser lido na integra aqui -, em 1970 (no centenário do nascimento de Lenin) Alvaro Cunhal descrevia, assim, a influência do primeiro líder soviético.
«Ao genial teórico continuador de Marx e de Engels, ao criador do Partido proletário de novo tipo, ao dirigente da primeira revolução socialista vitoriosa, ao fundador do primeiro Estado de operários e camponeses, ao criador e guia da Internacional Comunista, nós, comunistas portugueses, devemos, como os comunistas e trabalhadores de todo o mundo, a determinante influência das suas ideias e actividade nos acontecimentos revolucionários capitais da nossa época. Devemos o exaltante exemplo e o profundo impacto na consciência dos trabalhadores portugueses da vitória de Outubro, das realizações da URSS dos êxitos do movimento operário internacional. Devemos ainda a Lénine a bússola segura para a orientação de toda a nossa actividade.»

quarta-feira, 21 de abril de 2010

[984.] Mercurii dies

A Justiça terá sido o nosso maior falhanço?
A propósito do 36.º aniversário da Revolução dos Cravos

“A Justiça foi, talvez, o maior falhanço deste país no pós 25 de Abril”. A frase é de Manuel Castelo-Branco, filho de Gaspar Castelo-Branco, antigo director-geral dos Serviços Prisionais portugueses, assassinado à porta de sua casa, em Lisboa, em 15 de Fevereiro de 1986, pelas Forças Populares 25 de Abril, também conhecidas como FP-25. A afirmação, vinda de uma vítima – para quem, normalmente, a melhor justiça seria a da Lei de Talião –, até poderá parecer exacerbada, mas serve para nos ajudar a fazer duas perguntas a nós próprios, enquanto comunidade: Será a nossa Justiça um falhanço democrático? Terá sido o nosso maior falhanço?
Hoje, em Portugal, o sistema judicial não dá garantias, nem ao cidadão nem à comunidade, de que é idóneo – no sentido de ser capaz – para resolver os problemas de um e de outra. E essa garantia é uma das primeiras funções que o Estado de Direito tem de afiançar. E que, actual e objectivamente, não assevera.

Seja pela falta de celeridade, seja pelo excesso de garantias, de formalismos e processualidades – e bem sabemos que a Democracia exige formalidade –, seja pela incapacidade, laxismo ou inaptidão de alguns profissionais do foro, a verdade é que a Justiça hoje, em Portugal, atrapalha muito mais do que resolve, torna-se demasiado condescendente e está excessivamente dependente do poder político. Para ilustrar o que afirmamos nem sequer precisaríamos de falar do caso das FP-25 – um escândalo –, nem dos casos Melância, ou Costa Freire e Zezé Beleza – para que não se pense que o problema é de agora. Também não cairíamos na redundância de falar do caso Casa Pia, das fugas de informação do Freeport, do Face Oculta, do Tagus Park, nem de qualquer outro mais ou menos mediático. Tomemos como exemplo ilustrativo o caso de uma acção declarativa ordinária, intentada no tribunal da Mealhada em 2006, que já teve sessão de julgamento há mais de doze meses, que já tem despacho do juiz sobre a matéria de facto considerada provada, e que aguarda “prolação de sentença final” há um ano. Trata-se de um caso em que se discute a validade de um contrato comercial e que há doze meses entope e entorpece a vida de duas empresas.
A ameaça de recorrer aos tribunais para resolver problemas de dívidas, por exemplo, já não é ameaça, é uma garantia, uma prorrogação. E, assim, as empresas não sobrevivem, a vida social entre as pessoas, nomeadamente as que precisam de estabelecer negócios jurídicos, está posta em causa. E logo a seguir, quando o Estado não é capaz de garantir o que são funções de soberania, é o próprio Estado de Direito que é posto em causa. E é próximo disso que estamos.
Mesmo o facto de o primeiro-ministro se ver envolvido em vários casos que, alegadamente, constituem a prática de ilícitos, e de o sistema judicial não garantir um esclarecimento cabal dos factos – ilibando-o ou não –, e em vez disso ainda intensificar a especulação, constitui uma prova de que o sistema faliu.
A justiça portuguesa é, de facto, um falhanço democrático.
Será, porventura, o maior falhanço. Economicamente já tivemos momentos bons e momentos maus. Em 36 anos de Democracia, Descolonizámos, Desenvolvemos e Democratizámos. Em poucos anos, Portugal conseguiu que mais de meio milhão de pessoas que habitavam as ex-colónias ultramarinas se integrassem na sociedade portuguesa sem problemas de maior. Este é um grande feito, e outros terá havido.
Trinta e seis anos de democracia integraram-nos na Europa – à conta de quem temos sobrevivido – e tornaram-nos uma Nação livre e aparentemente feliz. Não é Portugal que é um falhanço – não é isso que está em causa – mas a nossa Democracia está em perigo, e quando não se podem ter Revoluções – a que, conjunturalmente, não conseguiríamos resistir – fazem-se reformas. E a reforma da Justiça já vai atrasada, porque não são as férias dos juízes que estão a criar este problema, são 36 anos de facilitismos, de incompetência e laxismo, de direitos, liberdades e garantias dos prevaricadores que lesam cidadãos e empresas. A presunção de inocência e o direito de um arguido à defesa não se podem sobrepor ao direito de a comunidade reconhecer que viver honestamente compensa.

Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de Abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

[983.] Marti dies, no Dia do Nascimento do Profeta Maomé



Hoje, 20 de Abril, é o dia commumente aceite como o do nascimento do Profeta Maomé,no ano 570 da nossa era, em Meca, na actual Arábia Saudita.

Maomé ou Muhammad (em árabe: مُحَمَّد, transl. Muḥammad ou Moḥammed; Meca, c. 570 — Medina, 8 de Junho de 632) foi um líder religioso e político árabe. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.
Para os muçulmanos, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até à Península Ibérica.
Não é considerado pelos muçulmanos como um ser divino, mas sim, um ser humano; contudo, entre os fiéis, ele é visto como um dos mais perfeitos seres humanos.

Deus ditou o Corão a Maomé e explicou-lhe o culto. O som que ouvimos é o Azan ou Adhan, o chamado à oração. A canção que do alto dos minaretes, os muazzin (os cantores) entoam para chamar os muçulmanos para as cinco orações diárias. A própria canção é um culto que precede a oração e constitui um rito que existe desde o inicio da Hégira.
O adhan começa com a repetição, por quatro vezes da frase "Alláh Akbar", que significa Deus é Grande. Depois, por duas vezes, é recitada a frase "Ach-hadu an la iláha il-la Alláh", que quer dizer: Testemunho que não há outra divindade além de Deus. Recita-se, de seguida, "Ach-hadu an-na Muhammadan rassulu Alláh", que significa: Testemunho que Muhammad é o Mensageiro de Deus, por duas vezes também.

A seguir, o muazzin canta, por duas vezes "Haiyá ´alas-sala", Vinde para a oração, e por mais duas vezes "Haiyá ´alal-falah", Vinde para a salvação. É recitado "Alláh Akbar", por mais duas vezes e a oração termina com "La iláha il-la Alláh", Não há outra divindade além de Deus, uma vez.

O video que aqui apresentamos não é o Adhan mais bonito do Youtube. Escolhi-o porque o muazzin é um muçulmano bósnio, de Sarajevo, na Europa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

[982.] Lunae dies

No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, reunidos em Congresso, aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da ASP em Partido Socialista. Finda a votação, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação. Eram 18 horas. Publicam-se, em seguida, os diversos documentos preparatórios dessa reunião e, bem assim, outros que viriam a ser publicados na sequência directa da fundação do PS.
Feliz aniversário!

domingo, 18 de abril de 2010

[981.] Solis dies



Dr.Parnasus - O Homem que tentou enganar o Diabo

Não aconselho... não valeria o preço do bilhete se não fosse pela companhia. Nem o confronto milenar de Deus e do Diabo - e as sacanices que fizeram ao pobre do Job -, nem o desafio de procurar uma moral numa história proto-vitoriana se mostraram capazes de satisfazer o gosto de um cinéfilo num domingo à tarde que precisava de se distrair!

Nem a despedida do Heath Ledger...

sábado, 17 de abril de 2010

[980.] Saturni dies, no dia de lembrar a Crise Académica de 1969

Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

No dia 17 de Abril de 1969, em Coimbra, estalou o movimento estudantil que viria a ficar conhecido como a Crise Académica de 1969. O ambiente era tenso nos meandros da ditadura, a primavera marcelista parecia não florescer e bastou o presidente da direcção-geral da Associação Académica de Coimbra pedir a palavra - no dia da inauguração do edificio das Matemáticas - para o castelo de cartas, a opera bufa, cair por terra.

Em Saturni dies, dia de poesia n'o fio dos dias, homenageamos os obreiros, com o poema que se tornou música e se tornou hino destes acontecimentos.

Dias gloriosos!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

[979.] Veneris dies, no Dia da Dinamarca

Den lille havfrue

A Pequena Sereia



Estátua de Edvard Eriksen, esculpida em 1913, localizada porto de Copenhaga, capital da Dinamarca. Representa uma das personagens de um dos contos infantis escritos pelo dinamarquês Hans Christian Andersen. Trata-se de um dos maiores simbolos da cidade de Copenhaga.


Hoje é Dia Nacional da Dinamarca, um dos nossos parceiros europeus. Numa busca no sentido de encontrar uma mulher dinamarquesa, encontrei imensas modelos fantásticas e encantadoras. Mesmo assim, preferi colocar uma sereia, um ser imaginário e mágico, metade mulher, metade peixe (e não baleia, apesar de rimar). Aqui fica a imagem e a homenagem à Dinamarca.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

[978.] Iovis dies, no dia de aniversário de Leonardo da Vinci

A Última Ceia
Fresco de Leonardo da Vinci colocado no refeitório do Mosteiro de Santa Maria delle Grazie, em Milão, pintado entre 1495 e 1497

Leonardo, o Homem Universal, o génio da natureza humana, nasceu em Vinci em 15 de Abril de 1452. Morreu em França, em Amboise, em 2 de Maio de 1519. Foi um cientista, um pintor, escultor, foi um homem de todas as artes, de todas as genialidades. No dia do seu aniversário, e no dia em que n'o Fio dos Dias se homenageia o Dia de Jupiter com pintura, deixamos a sua obra mais enigmática e vulnerável: A Última Ceia. Uma pintura que é também uma narrativa de um momento com tantas histórias e que tem matéria suficiente para todas as especulações - e algumas tão interessantes - como o 'Código da Vinci', do Dan Brown.

[977.] Tempo à minha porta II

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010, às 10h 50m

[976.] «Se eu quiser falar com Deus»

quarta-feira, 14 de abril de 2010

[975.] Tempo à minha porta

O meu avô António deixou-nos muitas coisas. Muio boas recordações, por exemplo.
E deixou-nos sinais que nos permitem lembrar-mo-nos dele todos os dias.
Um desses sinais é uma ameixeira que plantou no pátio da nossa casa.
E é por ela que passam as estações do ano e os meses e os anos, o fio dos dias.
É pela ameixeira do meu avô António que passa o tempo.
Quarta-feira, 24 de Março de 2010, às 11h 12m

Quinta-feira, 26 de Março de 2010, às 11h 30m

[972.] Mercurii dies

Semana Santa no Bussaco

O programa cultural e lúdico que a Fundação Mata do Buçaco organizou para a Semana Santa de 2010 foi a primeira iniciativa de maior dimensão levada a cabo pela instituição desde a tomada de posse dos seus órgãos sociais, no Verão de 2009. O balanço é, na nossa opinião, muito positivo, e prova um conjunto de ideias que há muito defendemos.
Em primeiro lugar, que uma instituição com a independência formal e institucional face aos poderes políticos tradicionais pode constituir-se como uma extraordinária plataforma de congregação de vontades e disponibilidades para organização de eventos. A Fundação Mata do Buçaco conseguiu congregar grupos de jovens – nomeadamente escuteiros –, para a organização das vias-sacras dos Passos da Prisão (quase inédita na liturgia popular contemporânea da via-sacra) e dos Passos da Paixão, a disponibilidade de voluntários, que garantiram a abertura do Convento e o atendimento aos turistas que quiseram o visitar. Até o apoio do pároco e da paróquia de Luso se mostrou um gesto extraordinário, apesar de não surpreender.
Em segundo lugar, ficou demonstrado que a população está ansiosa por se reconciliar com o Bussaco. Não se ama verdadeiramente o que não se conhece e a atracção inicial que o Bussaco está a provocar nas pessoas – de toda a região – precisa de evoluir para uma relação de amor e de dedicação. Esta Semana Santa foi um bom princípio e a adesão da população poderia classificar-se de maciça. Em qualquer uma das iniciativas deste programa a participação superou as melhores expectativas.
Em terceiro lugar, consideramos que ficou demonstrado que não é difícil divulgar a Mata Nacional do Bussaco junto dos órgãos de comunicação social nacional e que isso pode constituir um pólo de desenvolvimento importante para toda a região. As televisões e os principais jornais nacionais deslocaram-se à Mata para cobrir as iniciativas programadas e demonstraram, assim, que o ‘tema’ tem interesse jornalístico nacional.
O momento é de elogio a todo o pessoal da Fundação e, naturalmente, a todos os que contribuíram para o sucesso do programa. O facto de a Fundação não dispor ainda de verbas para o financiamento da sua actividade – em resultado do atraso na aprovação do Orçamento Geral do Estado e de, não tendo tido actividade em 2009, não ter sequer financiamento por duodécimos – terão constrangido um maior investimento no programa da Semana Santa, constrangimentos esses que, no entanto, não foram visíveis ao público-alvo.
Manter o envolvimento dos parceiros na organização e na programação das actividades da Fundação poderá revelar-se importante e uma mais-valia para conservar as mais-valias conquistadas nesta primeira actividade. A constituição de uma equipa pedagógica (mesmo que só com voluntários) para organização e apoio a actividades para crianças, adolescentes e jovens na Mata – nomeadamente para grupos organizados de jovens, de escuteiros e oferta para crianças na primeira infância – poderá revelar-se frutuosa no caminho de amor entre os portugueses e a Mata.
Aguardam-se, com expectativa, surpresas sobre as actividades de um programa para a Ascensão de 2010, que decorrerão, certamente, em meados do próximo Maio – em 13 de Maio. O Dia da Ascensão tem sido, sem dúvida nenhuma, o Dia do Bussaco e o dia maior de uma união centenária que nas últimas décadas se havia diluído e que agora parece renovar-se.

Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

[971.] Marti dies, no Dia Internacional do Beijo: a importância dos pormenores



Pequeno Pormenor
Xutos e Pontapés

Pequenas coisas que faltam na vida
Tornam-se as grandes incompletas
Pequenas coisas fazem parte
Não te esqueças
A grande ponte para lado nenhum
Fica distante da pequena estrada
Esburacada, onde arriscas a vida
necessáriamente
E se tudo é um todo
E o todo é que importa
Não ponhas de lado
Aquilo que falta

Mesmo que não tenhas tempo
Pensa o que tens a fazer
Mede bem a importância
Dum pequeno pormenor
Um parafuso no foquetão
Um beijo ao deitar, um papel no chão
Uma prenda com cartão, um voto aqui
Ali um não


A justiça em grande faz sombra à pequena
Frágil, diária de todos
Tantas pequenas injustiças
tornam falso o sistema
A pequena dor nunca aliviada
Nas filas de espera do grande hospital
torna a doer, mesmo que te digam
vais ser atendido mais lá pro outro natal

Se tudo é um todo
E o todo é que importa
Não ponhas de lado
Aquilo que falta

Mesmo que não tenhas tempo
Pensa o que tens a fazer
Mede bem a importância
Dum pequeno pormenor
Um parafuso no foquetão
Um beijo ao deitar, um papel no chão
Uma prenda com cartão, um voto aqui
Ali um não

[973.] Medelim, 13 de Abril de 1812

Os franceses saqueiam Medelim
Medelim é "a terra". Foi onde nasceu o meu pai, onde nasceram os meus avós, onde estão as raízes da minha família. O Canilho que uso, como meu sobrenome principal, é de Medelim. Passei, desde os três meses, longas temporadas em Medelim. Reza a lenda que lá terei sido concebido numa noite de Verão, no quarto da "antiga-Casa-da-Senhora-Josefa,-à-Rua-Direita, em-frente-à-casa-do-Domingos-Cartola".
Ainda hoje, para mim, Medelim é a Terra. Sinto-me lá bem e tenho o sentido de pertença. Uma das maiores alegrias que tive na minha vida escutista, por exemplo, foi ter conseguido realizar o sonho de ajudar a organizar uma grande actividade escutista - o Acampamento Nacional de 2007 - naquela região. Tendo sido o chefe da equipa pedagógica das actividades da III Secção, pude 'brincar', juntamente com mais 2100 jovens de todo o país, com a história de um local que aprendi a amar!
Mas deixemo-nos de lamúrias e passemos ao que HOJE interessa.
A verdade é que Medelim, sendo uma aldeia muito antiga - com vestigios pré-históricos e história na romanização e na ocupação arabe - não tem visiveis algumas das caracteristicas que se suporiam... Como uma muralha, um castelo ou uma torre, por exemplo. Não tem, mas já teve, e os motivos por que não tem poderão dever-se (assim o perspectiva João Caldeira) à degradação do tempo e, provavelmente, à consequência do saque dos franceses, em 13 de Abril de 1812, na sequência da 4.ª Invasão Francesa.
Durante o período conhecido como o das "Invasões Francesas", ou da Guerra Peninsular, que assinalamos o seu bicentenário, houve pelo menos quatro grandes investidas das tropas francesas. A primeira Invasão, intentada pelo General Junot, que chegou até Lisboa e até ao Porto, está cronologicamente determinada entre 19 de Novembro de 1807 (entrada por Segura, na Beira Baixa) e 15 de Setembro de 1808 (regresso de Junot a França). A segunda Invasão é comandada pelo General Soult que entra em Portugal, por Chaves, em 10 Março de 1809, e dura até Maio desse ano. A terceira Invasão é comandada pelo Genral Massena que entra pelo Nordeste de Portugal, em 24 de Julho de 1810. Conquista Almeida e segue até ao Bussaco onde trava a Batalha com o mesmo nome, em 27 de Setembro. Os franceses, mais debilitados, prosseguem até às Linhas de Torres, onde são derrotados em 14 de Outubro.
Há, ainda, uma quarta investida dos franceses em Portugal, que durou 20 dias - o general Marmont invade Portugal a 3 de Abril onde está até 24 de Abril.

Marechal Auguste de Marmont, 1.º Duque de Ragusa (1774 - 1852)


Foi exactamente nesta quarta invasão que Medelim acabou por sofrer as agruras da história e da violência dos Homens. Medelim e Pedrogão poderão ter sido mesmo as ultimas localidades portuguesas a serem saqueadas pelos gauleses na Invasão Francesa.
A este propósito, limito-me a publicar um texto de João Caldeira, investigador medelinense, com quem tive o prazer de trocar correspondência, que publica artigos de investigação no jornal Reconquista, de Castelo Branco, sob a epigrafe 'Crónicas de Medelim'.

As invasões francesas
Por João Caldeira
Publicado no jornal Reconquista de 11 de Setembro de 2008

Foram as Invasões Francesas com o poderio dos exércitos envolvidos que mudaram a face da Região, arrasando não só Castelo Branco, mas também Segura, Idanha, Penamacor, Monsanto, Penha Garcia , e Medelim. Foram as Invasões Francesas, em particular a pouco conhecida 4.ª Invasão, que se revelaram particularmente destrutivas para Medelim.
Da torre pouco resta, dos muros também. Os tempos que se seguiram foram de
reconstrução e reocupação. As Casas Senhoriais construídas pelas famílias mais
representativas da aldeia a partir do século XVIII situam-se exactamente para o
exterior da linha de muralha, tal como a tenho proposto, esta é uma situação que
reforça a teoria que proponho em relação aos limites da Fortaleza. A excepção é
a casa da Cultura que tendo sido construída por uma família que já estava na
região no século XV-XVI, já existia intra – muros.
A 1ª Invasão teve inicio a 19 de Novembro de 1807, comandada pelo General Andoche Junot, Governador de Paris e embaixador em Portugal até dois anos antes. A sua entrada deu-se pela Beira Baixa. Os invasores precedidos por uma Guarda avançada atravessaram a Ponte de Segura a 19 e 20 de Novembro, como os caminhos eram muito maus, uma força de 54.000 homens teve de se espalhar por uma frente bastante grande no seu trajecto para Castelo Branco, onde foram chegando a partir de dia 20 e durante um mês.
Foi a pouco conhecida 4.ª Invasão, que se revelou particularmente destrutiva para Medelim. A Cronologia da 4.ª Invasão é a seguinte: inicio a 3 de Abril de 1812. A 8 o Exército Francês estabelece-se em redor do Sabugal. Já 13 de Abril de 1812, Pedrogão e Medelim são saqueados. Numa Batalha a 14 de Abril (onde?), as Milícias Portuguesas são desbaratadas e a 24 o exército Francês de Marmont abandona Portugal, a invasão durou cerca de 20 dias.
1812 é o ano em que morrem dois dos meus antepassados em Medelim, Catarina Caldeira e o Reverendo Domingos Caldeira. É minha opinião que terá sido nesse ano de 1812 que a muralha defensiva de Medelim terá sido completamente destruída.
A cobiça ditava a atitude. Tudo o que podiam carregar era roubado, todos os que
tentavam impedir os saques eram mortos.
O que restou da muralha foi utilizado no esforço de reconstrução da aldeia.
Vamos ver o exemplo da Casa da Cultura de Medelim. A sua fachada construída com grandes blocos de granito permanece conservada. No entanto, o restante do edifício está construído com pedra miúda, tal como as habitações na restante aldeia, nitidamente este edifício foi reconstruído em alguma parte da sua existência. A sua construção original não seria semelhante à actual, quem o mandou construir e nele colocou o seu Brasão, teria meios para lhe conferir outro acabamento. Penso que este terá sido um dos edifícios que, tal como a restante aldeia, terá mudado bastante de aparência em relação ao que era antes das Invasões Francesas.
Foi nesses tempos de reconstrução que os Militares envolvidos na contenda e residentes em Medelim construíram as suas casas de família, para fora dos limites da antiga muralha, para o exterior onde existia terreno livre.
No período pós- guerra, as famílias com melhor condição económica tiveram uma palavra importante a dizer quando da alienação dos terrenos e propriedades sob jurisdição religiosa.
Através do seu arrendamento ou venda, terrenos e propriedades como as da
Misericórdia de Medelim serviram então para um reforço das fracas economias do
Estado.
Começou a tomar forma o Medelim tal como hoje o conhecemos. Tendo
descrito a evolução do aspecto de Medelim é altura de falar das pessoas que lá
foram vivendo.
Não que Medelim ainda esteja como ficou depois das Invasões
Francesas! Não, já não está. Mas esteve até há cerca de duas gerações. Somente
nos últimos 50 anos a aldeia mudou, e a história de Medelim nesses anos está
certamente presente na memória de muitos.


jocal@netcabo.pt

segunda-feira, 12 de abril de 2010

[969.] Luna dies, em Dia 'da Lua'

Às segundas-feiras, n'O fio dos Dias, é Luna Dies - Dia da Lua e dia de colocar uma fotografia especial. É assim porque na história do "dar nomes aos dias" a Lua é quem manda à segunda-feira. Se o primeiro dia da semana é do Sol, o segundo é da Lua. Em Inglês é Monday = Moon Day, por exemplo, como poderia citar o Lundi francês ou o Lunes espanhol.


Hoje, 12 de Abril, é segunda-feira. Mas é uma segunda-feira especial. E especialmente lunar...


Em 12 de Abril de 1961, o soviético Yuri Gagarine foi o primeiro cosmonauta, o primeiro homem a passar para além do céu, a ir ao Espaço. É por isso que hoje, na Rússia, é Dia do Cosmonauta e se assinala a "Yuri's night".
Yuri Gagarine (1934-1968) foi o primeiro homem a ver a Terra e são-lhe atribuídas as seguintes declarações: «A Terra é azul e olhei para todos os lados e não vi Deus!»

Foi na sequência desta conquista soviética que John F. Kennedy proferiu o célebre discurso na Universidade Rice e que é por muitos considerado como a intervenção que prova e faz de Kennedy um grande estadista. Em 1961, Kennedy declarava ao Mundo que antes do fim da década um americano pisaria a Lua e regressaria a casa são e salvo. «We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard» (Pode ouvir-se AQUI)
E a verdade é que em 20 de Julho de 1969 a Apolo 11, com um escuteiro lá dentro - Neil Armstrong - pisava a superfície lunar, no 'Mar da Tranquilidade' e lá deixava uma placa onde se pode (?) ler: «Here Men From Planet Earth First Set Foot Upon The Moon. July 1969 A.D. We Came In Peace For All Mankind»


E tudo graças (também) ao Gagarine. O "pequeno passo para o homem" começou com ele!

domingo, 11 de abril de 2010

[970.] Solis dies com 'Easter Monday' de um português na Polónia - a quem mandamos abraço solidário de condolências

Easter Monday from Miguel Gaudencio on Vimeo.



Miguel Gaudêncio filmou, em Szczcin, na católica Polónia, esta curta metragem, no Domingo de Páscoa de 2010 (4 de Abril). Uma filmagem interessante, sem ser aborrecida, apesar de a banda-sonora ser 'ultra-batida'e já entediante.
Fica a lembrança - com um artigo nacional português, bonito e simples - ao povo polaco, no momento em que chora a morte brutal e surpreendente do seu Chefe do Estado, o presidente da República Lech Kaczynski. Não nutríamos qualquer simpatia pela personalidade, mas não podemos deixar de nos solidarizar com um povo amigo e irmão, no momento duro da orfandade.

sábado, 10 de abril de 2010

[968.] Saturni dies

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

Camões

quinta-feira, 8 de abril de 2010

[967.] Iovis dies, no Dia Internacional do Cigano

A Vida entre os Ciganos
Pintura de John Philips (1817 - 1867)
Óleo sobre tela
Sevilha, 1853

quarta-feira, 7 de abril de 2010

[966.] Mercurii dies

A existência de pedofilia na Igreja Católica é um problema sério que merece a censura pública de todas as pessoas que subscrevem os valores ocidentais - quase todos acentes numa moral milenar judaico-cristã.

A entrevista do Bispo das Forças Armadas, Dom Januário Torgal Ferreira ao programa Discurso Directo, do Diário de Noticias e da TSF - visivel AQUI - parece-me representar a atitude sensata a assumir pelos católicos neste momento.

Tal como o prelado português, eu não acredito na teoria de que a divulgação pública dos casos de pedofilia é a face visivel de uma campanha contra o Papa.

Agora, também me custa aceitar que o Papa seja, ao mesmo tempo, acusado de encobrir e de divulgar, reconhecendo, todos estes casos de pedofilia. Ou acusamos o homem de uma coisa, ou de outra, das duas não dá.

Quanto mais depressa se souber dos problema, se afastem os prevaricadores e se castiguem os cumplices (e falo naturalmente de toda a hierarquia), mais cedo se podem tomar medidas para resolver o problema, fazer a catarse e dar garantias aos fieis de que a Igreja se preparou para que isto não volte a acontecer.

terça-feira, 6 de abril de 2010

[964.] Marti dies



BRIDGE OVER TROUBLED WATER

When you're weary
Feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all

I'm on your side
When times get rough
And friends just can't be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard
I will comfort you

I'll take your part
When darkness comes
And pain is all around
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Sail on Silver Girl,
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way

See how they shine
If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind