quarta-feira, 11 de agosto de 2010

[1124.] Mercurii dies

Portugal e os fogos

Primeira parte

O Governo português continua a acreditar que vale a pena proclamar a máxima: “Portugal sem fogos depende de todos!”. Apesar de o fogo continuar a alastrar por todo o país como uma praga e de, este verão, se mostrar particularmente severo nos parques nacionais e áreas protegidas, a verdade é que não será a famosa e sempre alegada ineficácia de medidas governamentais – nomeadamente na área da estratégia e do socorro – que está a sustentar esta situação. Por outro lado, a mais ninguém caberá o mérito de a situação estar a ser debelada com sucesso (pelo menos até agora) senão às heróicas corporações de bombeiros – e sublinhamos sempre as de voluntários – que, com bravura, vão travando este combate. Solidarizamo-nos, naturalmente, com os amigos e famílias dos bombeiros falecidos no cumprimento da missão que abraçaram de proteger vida por vida, e de defesa e protecção de Portugal e dos portugueses.


Olhar apenas para o nosso umbigo, também neste tema é ridículo e fará sentido observar debates que se fazem noutros países e com os quais – referimo-nos aos debates, entenda-se – alguma coisa podemos aprender. A Rússia viveu, neste verão de 2010, a maior onde de calor dos últimos mil anos – assim asseveram as entidades oficiais. Já se registaram 26 mil fogos florestais, numa área de 750 mil hectares. No combate às chamas já participam mais de 160 mil bombeiros, apoiados por 26 meios técnicos, incluindo 42 aviões e helicópteros.
O presidente Medvedev já demitiu altas patentes militares, o primeiro-ministro Putin já proibiu a exportação de cereais nos próximos sete anos e o país – (ainda) uma das grandes potências mundiais – está em estado de emergência. Nessa Rússia em chamas, os políticos estão a ser acusados de terem permitido esta situação com a aprovação de uma nova lei de prevenção florestal, em 2007. “Praticamente não existe um serviço responsável pela segurança das florestas em nível federal. Antes da entrada em vigor em 2007 da nova lei florestal, a prevenção de incêndios era feita pelos guardas florestais. Acontece que mais de 70 mil postos de guardas florestais foram eliminados. Agora, não há ninguém encarregada da vigilância das florestas, só funcionários em seus escritórios", disse, à agência noticiosa EFE, Alexei Yaroshenko, analista do Greenpeace.
Os russos poderão ter encontrado uma ligação directa entre uma onda de calor sem precedentes, o desmantelamento da rede de guardas florestais e uma catástrofe de fogos florestais.
Em Portugal, onde praticamente não há guardas florestais onde as áreas florestais do Estado são as mais sujas e perigosas, onde se têm vivido sucessivas ondas de calor, o pior só pode estar a ser evitado ou por providência divina ou pelo facto de termos, provavelmente, os mais destemidos e heróicos (quiçá inconscientes) bombeiros do mundo.

Editorial do jornal FRONTAL de 10 de Agosto
Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Agosto

terça-feira, 10 de agosto de 2010

[1122.] Lunae dies

Hoje começou o ROVER 2010!

O Corpo Nacional de Escutas é a maior associação de jovens de Portugal. É um facto. Sendo portuguesa - e "0 Escuta é filho de Portugal e bom cidadão" - tem todas as características de uma instituição portuguesa. É conservadora, é resistente à mudança, prefere a estabilidade do que está comprovadamente certo à incerteza do que pode correr bem... ou não.
Nos quase setenta mil membros que 'encorpora' há conservadores, mas também há progressistas, que talvez por isso tenham energia para procurar inovar e 'ir mais além' (curiosamente uma ideia que é lema na família escutista).
Como também é democrática, a associação escolhe quem a deve dirigir e qual a sua estratégia, respeitando os pontos de vista de quem é eleito em relação a todos os assuntos que estarão na sua esfera de competências.
Tudo isto para dizer que começa hoje o Rover 2010. A actividade nacional de caminheiros, especificamente para caminheiros. A actividade que dá sequência ao Rover 2001... que aconteceu há nove anos!
Depois do XIX Acampamento Nacional do CNE, em Valado de Frades, na Nazaré, de 4 a 10 de Agosto de 2007, entendeu o CNE que seria preferível os caminheiros terem uma actividade especifica para eles que substituiria a participação - com campo próprio - nos Acampamentos Nacionais. Não interessará estar agora a aprofundar as razões que terão levado a tal decisão, mas a verdade é que ela foi tomada e faz sentido. Os caminheiros têm um tipo de actividade tipica que logisticamente acaba por ser desapropriada para o que se entende ser objectivo do acampamento nacional do CNE.
Foi nesse contexto que se realizou o Rover 2001, que terminou na Drave, que mais tarde se tornaria a Base Nacional da IV Secção, e que no ano seguinte, em Agosto de 2002 se realizou o Acampamento Nacional de Santa Margarida, na região de Santarém, já sem a participação dos caminheiros.
A avaliação de ambas as actividades foi positiva e a ponderação da medida foi de que deveria continuar. A actividade deveria ter sido repetida em 2005 (o Rover realizar-se-ia, como o ACANAC, de 4 em 4 anos) e chegou a ser constituída uma equipa-projecto. O secretário-pedagógico nacional à época era João Armando (o pai do Rover 2001), e o coordenador da equipa pedagógica da IV secção era Jorge Noro, o 'Pituca' - que transitava do departamento regional de Coimbra da mesma secção. Tive a honra de integrar esta equipa-projecto, acompanhado de escuteiros de grande mérito (lembro-me do Paulo Valdez, da Tuxa, do Paulo Peres, do Tojó...). A verdade é que a Junta Central demitiu-se poucas semanas depois de termos começado a trabalhar e a nova Junta - curiosamente liderada pelo mesmo dirigente, o chefe Lidington, que acumulava a secretaria pedagógica - meteu o Rover 2005 na gaveta.
O Acanac deveria ter-se realizado em 2006, mas como 2007 era o ano do primeiro centenário do escutismo a actividade foi adiada um ano. Como era ano de aniversário, entendeu o CNE voltar a juntar as quatro secções e realizar, no Monte Trigo, em Idanha-a-Nova, o XXI Acampamento Nacional com todas as secções. Justificava-se, até porque não havia, à data, uma actividade nacional de caminheiros há seis anos.
É nesse contexto que surge, agora, o Rover 2010. Deveria haver Acanac em 2011, foi, no entanto, adiado para 2012, e este seria ano de Rover.
Dar seguimento, continuidade, a uma actividade que foi pensada há dez anos não é tarefa fácil. Mobilizar e pôr a mexer uma estrutura mastodôntica como é o CNE não é mesmo nada fácil.

Levar este "facho a arder na noite escura", independentemente da avaliação que a actividade em si possa trazer, merece que se deixe uma palavra de grande agradecimento à Diana Cardoso e à sua equipa e ao Pedro Vasconcelos, que aceitaram este enorme ...desafio.

Depois do Rover 2001, há 9 anos, nunca mais ninguém conseguiu realizar o que foi sonhado há mais de uma década. Nunca mais. Digo isto eu, que fiz parte de uma equipa projecto que tinha como missão organizar o Rover 2004 ou 2005 (já nem me l...embro).Sonhar pode ser fácil, mas ser obreiro do sonho é grandioso e eles ganharam. Já. Porque venceram resistências, moveram pedregulhos e no dia 15 deixarão o tal facho a arder... que só será aceite por quem for feito da mesma cepa!


[1123.] Marti dies



Estrela do Mar
Jorge Palma
in 'Asas e Penas', de 1984, e 'Só', de 1991.

«Não sei se era maior o desejo ou o espanto
mas sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar».

domingo, 8 de agosto de 2010

[1121.] Visto isto

«Chaque jour nous laissons une partie de nous-mêmes en chemin»*

*Em cada dia, deixamos uma parte de nós mesmos no/pelo caminho

Tradução livre

Numa peregrinação ao 'templo', desta vez em domingo abafado e triste, esbarrei com a reedição dos dois primeiros volumes dos 'Diários' de Miguel Torga - I a IV volume e V a VIII volume. Prenda que a Dom Quixote decidiu proporcionar aos aficionados do médico da Portagem com novas capas - um de amarelo e outro de verde - desde Julho de 2010.

Já li 'Bichos', passei olhos pelos 'Contos da Montanha' (não recordo se os Novos se os "velhos") e já me ri com 'O Senhor Ventura'. Nunca li os 'Diário's, confesso.

(Mais uma linha para a lista do contributo dos que não sabem o que me oferecer pelas Festas...)

Mas fiquei sorridente com a frase de Henri-Frederic Amiel (1821-1881) que serve de epígrafe a ambos os volumes dos 'Diário's de Torga. Ao lê-la achei que tinha de a pôr n'o fio dos dias. Saquei do telemóvel, fotografei-a (e que boa trampa ficou).

sábado, 7 de agosto de 2010

[1120.] Saturni dies

Cântico de Humanidade

Hinos aos deuses, não.
Os homens é que merecem
Que se lhes cante a virtude.
Bichos que lavram no chão,
Actuam como parecem,
Sem um disfarce que os mude.

Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos.
E à soga do mesmo carro,
Com os aguilhões que nos ferem,
Nós também lhes demonstremos
Que são mortais e de barro.

Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'

Este poema de Miguel Torga - que conheci há poucos dias - faz-me lembrar, imediatamente, o poema (poderei chamá-lo assim?) - uma espécie de Hino ao Homem - inserido na peça 'Antígona', de Sófocles. Pela voz do coro ouve-se: «Numerosas são as maravilhas da natureza, mas de todas a maior é o Homem!».

Por sua vez, esta frase faz-me lembrar um outro momento - desta vez uma oração - exactamente com esta mesma ideia, mas citada da boca de São Paulo. Recordo que fazia parte - seria a primeira frase - da oração que nos foi proposta na actividade nacional de caminheiros - Trilhos 2002 - no fim do raid já em Santa Comba Dão.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

[1119.] Veneris dies

A Modern Romance - Lado A

*
* *

Repescado do Público, de 5 de Agosto de 2008

Crime
MP abre mais de 25 processos de violência doméstica por dia

Memorando da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa adianta que foram registados só no primeiro semestre deste ano 4546 novos inquéritos.
A Procuradoria de Lisboa abriu 10.861 inquéritos no ano passado (Manuel Roberto/PÚBLICO)
Foram abertos em média 25 inquéritos de violência doméstica por dia no distrito judicial de Lisboa no primeiro semestre deste ano. O número retira-se do recém-divulgado memorando de actividades da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa sobre os primeiros seis meses do ano, que adianta terem sido registados neste período 4546 novos inquéritos. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) é uma das quatro procuradorias distritais do país e compreende 42 comarcas, abarcando 32 por cento da população recenseada em Portugal. A comarca de Lisboa foi a que registou maior número de inquéritos abertos, com 920 do total, seguida pela nova comarca da Grande Lisboa Noroeste, que inclui os concelhos de Amadora, de Mafra e de Sintra, com 681."Pese embora a necessidade de confirmação dos registos (uma vez que haverá situações como tal registadas que poderão não configurar crime de violência doméstica), aquele número é significativo", lê-se no documento. O relatório divulgado no mesmo período do ano passado não divulgava os inquéritos relativos a violência doméstica, mas o memorando relativo a 2009 dava conta da abertura de 10.861 inquéritos pelo crime de violência doméstica ao longo dos 12 meses. Metade são 5430, o que pode significar que, apesar de esta criminalidade se manter elevada, houve uma diminuição face ao ano anterior. "Em matéria de violência doméstica, têm sido desenvolvidos no distrito modelos de intervenção diferenciada, envolvendo a articulação com estruturas comunitárias e instituições públicas e privadas vocacionadas para a detecção, o estudo, o acompanhamento do fenómeno e para o apoio às vítimas", adianta ainda a procuradora-geral distrital, Francisca Van Dunem, que assina o documento.Este ano já morreram 14 mulheres vítimas de violência doméstica. O Observatório das Mulheres Assassinadas, da UMAR, contabilizou 29 homicídios em 2009, menos 14 por cento do que no ano anterior. Um processo destes tem sido alvo de inúmero interesse nos últimos dias. Trata-se da queixa apresentada pela presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais, que decidiu denunciar a violência de anos por parte do seu último companheiro, que, quando esta lhe anunciou o fim da relação, a ameaçou de morte.Também significativa foi a criminalidade juvenil registada no primeiro semestre no distrito judicial de Lisboa. Por terem tido comportamentos qualificados como crimes, mas ainda não terem atingido os 16 anos necessários para responderem penalmente, foram abertos 2474 inquéritos tutelares educativos. A maioria encontra-se nos tribunais de família e menores de Lisboa (591) e Sintra (432). Em 135 casos, o Ministério Público requereu uma medida de internamento e em 289 outras medidas que não implicavam a institucionalização do menor.


Meya Culpa
de José de Almeida & Maria Flores
in http://www.olhares.com/

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

[1117.] Iovis dies

Afonso Henriques, primeiro rei dos portugueses
Os defensores da tese que afiança que Afonso Henriques, filho de Teresa e Henrique, e mais tarde rei dos portugueses, nasceu no Paço Real dos Reis de Leão, em VISEU, alvitram o dia de hoje, 5 de Agosto, no ano de 1109, como o do nascimento do monarca.

[1116.] Visto isto

«Um amigo que ainda fez o serviço militar obrigatório contou-me um episódio curioso: os recrutas estavam na parada a serem ritualmente insultados por um sargento. O bruto inquiria-os acerca das suas qualificações e profissões para, logo de seguida, os vilipendiar acerca disso. A dado passo, berrou a um magala com ar assustadiço: "O que é que tu fazes?" O rapaz balbuciou um elucidativo pedido de esclarecimento: "Aqui ou na vida real?"»

Carlos Abreu Amorim in 'Aqui ou na vida real?', na rúbrica 'É dificil ser liberal em Portugal', no Diário de Notícias de ontem, 4 de Agosto.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[1114.] Mercurii dies

A falta da (ou de uma) ExpoMealhada

Quando se faz o balanço da 20.ª edição da Expofacic – Exposição, Feira Agrícola e Industrial e Festas do Concelho de Cantanhede –, é com nostalgia que recordamos os meses de Julho de 2005 e de 2006, quando a Associação Comercial e Industrial da Mealhada (ACIM) e a Câmara da Mealhada decidiram associar-se e organizar a ExpoMealhada.
Nunca se percebeu, realmente – isto para além do conflito de personalidades –, porque razão fracassou o evento. Bem se sabe que era uma realização cara, bem se sabe que dos cofres da Câmara não teria de sair todo o investimento, bem se sabe que uma criança dá muitas quedas antes de começar a andar. A ExpoMealhada morreu na praia e (quase?) todos os protagonistas políticos lamentam esse facto, sem, no entanto, terem tido a coragem de o fazer ressuscitar.
Segundo dados divulgados pela organização da Expofacic, serão fiáveis ou não, visitaram a feira 416 mil pessoas. Destas, 73 mil fizeram-no no último dia. Se tivermos em atenção que o concelho de Cantanhede tem cerca de quarenta mil residentes, facilmente chegamos à conclusão de que se trata de um evento aglutinador na região. A animação chama pessoas que são impelidas a visitar os expositores comerciais e a apoiar as associações culturais que fazem a exploração de espaços gastronómicos, vulgarmente chamados de ‘tasquinhas’. Há, notoriamente, uma distribuição da riqueza, um fluxo financeiro que, inegavelmente, apoiará a economia local mesmo que em pequena escala, mesmo em época de crise.
Bem pode dizer-se que a existência de uma feira desta dimensão num concelho vizinho – a que se juntará a Feira da Vinha e do Vinho, em Anadia, em Junho – inviabiliza a realização de um certame similar no concelho da Mealhada. É provável que isso seja verdadeiro, mas não é exigível que um certame como a ExpoMealhada fosse criado para destronar um peso pesado como é a Expofacic, logo nas primeiras edições.
Bem pode dizer-se que o concelho da Mealhada já tem a sua Feira Gastronómica e a sua oportunidade de incremento da auto-estima e do sentimento colectivo e identitário. É um facto. Mas não é menos verdade que essa realização – exclusivamente camarária – é iminentemente de promoção do artesanato e da gastronomia sem qualquer carácter de natureza comercial, pelo que Feira de Artesanato e Gastronomia e ExpoMealhada são eventos que não se imiscuiriam – apesar de poderem ser complementares.
Carlos Pinheiro, presidente da direcção da ACIM, já reconheceu que há necessidade de reequacionar os modelos utilizados para realizações como as Feiras de Stocks ou as Feiras do Emprego, promovidas pela associação comercial mealhadense. Esse reequacionar bem podia começar por colocar em cima da mesa a reedição da ExpoMealhada, alicerçada numa estratégia de parceria cooperativa entre a ACIM, a Câmara e empresas de referência do concelho da Mealhada. Estratégia essa de crescimento gradual, a cinco anos, por exemplo, no caminho da promoção de uma auto-sustentabilidade financeira a longo prazo. A reedição de uma feira comercial que procurasse, antes de imitar, pura e simplesmente, modelos, como os citados, fosse ao encontro da satisfação de necessidades locais e regionais específicas como a da promoção turística, a da divulgação e exaltação do património gastronómico, como a afirmação do concelho da Mealhada como possuidor de uma centralidade e de uma infraestruturação logística espectacular. Para além de todas as outras questões óbvias e decorrentes como a promoção da economia local (e aqui o escoar das mercadorias como é objectivo das Feiras de Stocks) e de novas oportunidades de emprego, por exemplo.
Depois do fracasso resultante da não continuidade da ExpoMealhada, após as edições de 2005 e de 2006, é bem verdade que o concelho da Mealhada pode ter perdido, definitivamente, a carruagem da chance de realizar um evento similar, à sua escala. Não nos parece de todo razoável é que o assunto seja mantido em suspenso – com a maior parte dos protagonistas políticos do concelho a fazer a apologia das virtualidades da ExpoMealhada – pelo simples facto de não haver a coragem de reconhecer que foi um conflito de personalidades (de personalidades e não de instituições) que provocou a morte prematura do certame.

Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de Agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

[1115.] Marti dies



Canção do Tempo
De José Carlos Ary dos Santos
Por 'Rua da Saudade'

quinta-feira, 29 de julho de 2010

[1113.] Visto isto

«Depois acrescenta-se que a nossa Constituição ter os donos vivos e os donos não gostam que se lhes mexa na propriedade e querem tudo no sítio onde o colocaram há 35 anos. E há também, numa Constituição que já foi remexida dezenas de vezes, muitas vezes inutilmente por causa da Europa, o facto de ela ser simbólica à esquerda, sacrossanta e até um pouco de fetiche, o que em tempo de vacas magras ideológicas conta.»

José Pacheco Pereira, 'A querela constitucional', na rubrica 'A Lagartixa e o Jacaré', na Revista Sábado de 22 de Julho

quarta-feira, 28 de julho de 2010

[1112.] Dias vencidos 24 a 28.07.10

Quando aceitei integrar a lista do Chefe Liberto Maia para mais um mandato na Junta de Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas, em Junho de 2008, fi-lo com a intenção de testar e pôr em prática algumas ideias que tinha na minha cabeça e que tinha apreendido da experiência do trabalho com a Equipa Nacional do Programa Educativo - cuja nomeação para a Equipa Nacional de Pioneiros e Marinheiros havia aceite quatro meses antes.
Eu tinha começado a trabalhar com o Núcleo em 2004, com a organização de um mítico Curso de Guias em Cernache, e fui prosseguindo na chefia da equipa do campo da III que organizou o AEP em Quiaios, e depois mais dois Cursos de Guias... até ser cooptado para a Junta de Núcleo em Dezembro de 2006.
Ao assumir as responsabilidades pedagógicas do Núcleo estabeleci, imediatamente, duas prioridades: - a de encontrar uma equipa alargada e versátil; - e a de apresentar um plano trienal de actividades com objectivos claros de enquadramento, de crescimento e de melhoria da qualidade da oferta pedagógica.
A primeira prioridade, que o Núcleo já havia assinalado como importante na avaliação do ACANUC de N.ª Sr.ª do Chão de Calvos, foi concretizada imediatamente (apesar de eu ser uma nódoa a fazer equipas). A segunda conseguiria fazê-la aprovar por unanimidade alguns meses depois, no Conselho de Núcleo.
«Crescer passo a passo» foi o tema trienal para um mandato que se pretendia de pedagogia da preparação, da vivência e da avaliação da actividade maior que o método escutista proporciona: o Acampamento.
No primeiro ano do triénio - "O Primeiro Passo" -, em Novembro de 2008, fizemos um acampamento em Seixo de Mira onde choveu terrivelmente, que ajudou a trabalhar a dimensão da preparação que, em casa, temos de ter para que o acampamento corra bem. No segundo ano do triénio - "Ser Construindo" - , em Novembro de 2009, demos inicio ao trabalho da dimensão da realização e da vivência do acampamento. Começámos com a utilização do Método do Projecto - e o consequente envolvimento dos escuteiros - no Curso de Guias de Cernache. Trabalhámos a coisa durante largos meses e o acampamento - o 5.º ACANUC - começou a 24 de Julho, em Penacova.
"Ser Construindo" era o grande tema do ano. Para isso, a ideia da CONSTRUÇÃO de uma catedral - como imagem da construção pessoal que o acampamento e a vivência em ambiente escutista (com os valores, a Lei do Escuta, o sistema de patrulhas levado ao expoenete máximo, e o aprender fazendo) proporciona - pareceu-nos adequado. Baseados na história narrada por Ken Follet no romance histórico "Os Pilares da Terra", recriámos uma cidade medieval. Procurámos, ainda, recriar não só uma mera cidade, mas a Civitas ideal idealizada por B.-P., que ao fundar o escutismo buscou formar "a próxima geração de líderes" comunitários. Esta cidade - Pax Hill, o nome da emblemática propriedade onde B.-P. viveu a sua vida depois de ter fundado o escutismo, 'Colina da Paz' - procurou ser a cidade de lona, perfeita e de acordo com o sonho do fundador.
Ainda não tenho uma visão completa da avaliação da actividade. Mas há generalidades, comummente aceites (digo eu), que me enchem de orgulho em mais esta realização de uma equipa esforçada e que, genericamente, trabalha com eficiência e eficácia. O imaginário revelou-se uma mais-valia, as actividades foram arrojadas quanto-baste, não se registaram problemas de saúde ou conforto dignos de registo, a postura pública dos dirigentes foi muito positiva, o impacto na comunidade de Penacova e Lorvão foi extraordinariamente positivo.

Há, portanto, e para já, razões para considerar esta actividade como um sucesso!



Este é o momento em que, na Cerimónia de Abertura, os escuteiros passam o Pórtico (simbolo do 2.º ano do triénio e do 'Ser Construindo'), e são 'transportados' para 1386, e para o tempo da cidade medieval de Pax Hill. Foi uma imagem que os escuteiros apreenderam com muita facilidade, assim me parece.

Este é o brasão, as armas, de Pax Hill. A Pomba, simbolo da Paz, de Pax, ao centro a Flor-de-Lis, simbolo da fraternidade escutista. Sob o fundo amarelo, a cruz castanha, dos monges - imaginário especifico dos Lobitos. Sob o fundo verde, a balança, simbolo da justiça e do equilibrio e do comércio dos mercadores - imaginário da II Secção. O compasso e o esquadro, amarelos sob o fundo azul representam os construtores - imaginário especifico dos Pioneiros. Por fim, as duas espadas cruzadas, simbolos dos cruzados, simbolizava o imaginário especificos dos caminheiros.


[1118.] Hoje

Faz hoje seis anos que me tornei Chefe de Agrupamento do 1037 Mealhada.
Seis anos... como o tempo passa!

domingo, 25 de julho de 2010

[1111.] Hoje

é dia de São Tiago, Maior
Hoje é dia de São Tiago Maior. São Tiago de Compostela. Dia de São Tiago em ano Jacobeu (sempre que 25 de Julho calha a um domingo). Infelizmente não estou em Santiago de Compostela hoje, com muita pena minha, diga-se de passagem - até porque o próximo ano Jacobeu é em 2021...
Para quem, como eu, já tem duas compostelas (fiz duas vezes o Caminho de Santiago, a pé, numa distância superior a 120 quilómetros) o dia de São Tiago é um dia especial. É um dia admirável.
Farei a terceira compostela ainda este ano - Se Deus Quiser! - e nessa altura espero poder compensar esta minha falta para comigo próprio!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

[1109.] Dia vencido 22.07.10

Na minha vida (até ver, claro está) tive quatro grandes mestres. O Professor Armindo Pega deu-me atenção e paciência, o Padre Abílio Simões mostrou-me o orgulho da perfeição, o Professor Manuel Santos ensinou-me a usar da auto-estima e o Professor Pedro Semedo mostrou-me mundo! Aos quatro SOU muito grato!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

[1094.] Mercurii dies

Pampilhosa: “Farol de cultura”

Vítor Matos, presidente da Junta de Freguesia da Pampilhosa, afirmou, um dia, numa sessão de inauguração de uma qualquer iniciativa na vila, que a Pampilhosa era “um farol de cultura no concelho da Mealhada”. A imagem é humorada, mas é, também, muito interessante. Também de Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada e pampilhosense, é conhecida a declaração de que a Pampilhosa é uma terra de associações onde sempre se praticou a democracia, mesmo quando o país vivia em ditadura. Estas duas ideias, intimamente ligadas, não podem deixar de ser citadas quando se vive um mês em que a Pampilhosa marca, de forma total e notória, o panorama cultural do concelho da Mealhada.
A PampiArte, a exposição com vinte cinco artistas plásticos, a exposição dos trabalhos das crianças sobre a “Pampilhosa do Futuro”, a edição de quatro selos alusivos aos 25 anos da elevação da Pampilhosa à categoria de vila, a actuação de um grupo folclórico cossaco, as actuações, o intercâmbio e a recepção da Filarmónica Pampilhosense à Real Filarmónica de Hendersem, na Bélgica, e o XXIII Festival Internacional de Folclore da vila da Pampilhosa – promovido pelo Grupo Regional da Pampilhosa do Botão –, a 31 de Julho, são iniciativas que, individualmente, numa qualquer localidade do concelho – em Luso ou na Mealhada, nomeadamente, mereceriam atenção por serem feito assinalável. Acontece que estas iniciativas, promovidas pela Junta de Freguesia e pelas associações, e não pela Câmara Municipal, acontecem ao mesmo tempo e num período de quinze dias, enquanto decorrem as festas em honra de Santa Marinha, padroeira da Pampilhosa.
A Pampilhosa é, de facto, um caso de estudo num concelho em que o movimento associativo parece estar excessivamente dependente da Câmara e onde o ritmo das iniciativas é muito diferente. Não dizemos que não haja actividades de grande valor nas outras freguesias. Mas temos de reconhecer que o volume de iniciativas de qualidade, ao mesmo tempo, na Pampilhosa, é facto digno de registo e de elogio.
Fruto de uma tradição proletária, mais comunitária, de envolvimento nas associações locais. Fruto de uma herança de vivência de valores de Igualdade, Liberdade e Fraternidade – de tradição maçónica – em muitas das colectividades da vila ferroviária. Fruto de um bairrismo, muitas vezes mal entendido, de auto-determinação e de vivência numa cultura de marcar pela diferença e pelo arrojo. Fruto de um ambiente de caldo de culturas que o mais importante entreposto ferroviário com a Europa proporcionou durante décadas. Todas estas podiam ser razões alvitradas para justificar a nossa concordância com a declaração de Vítor Matos: “A Pampilhosa é o farol de cultura do concelho da Mealhada”.
Há vinte e cinco anos, em 9 de Julho, por iniciativa da deputada do PCP pelo círculo eleitoral de Aveiro, Zita Seabra, a Assembleia da República votava, por unanimidade, a elevação da Pampilhosa à categoria de vila. Em 25 de Setembro seguinte, a Lei n.º67/85 promulgava a deliberação e tornava-a oficial e definitiva. Vinte e cinco anos passados, não há dúvida de que a Pampilhosa – a Junta e as suas colectividades – soube assinalar o aniversário com vitalidade e arrojo, mostrando que se trata de uma grande vila, digna desse nome e capaz de brilhar na região.

Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de Julho de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

[1093.] Lunae dies... porque "recordar é viver"

A malta que foi a Macau - ao abrigo do Concurso Nacional de Jornalismo Juvenil - em Agosto de 1997 tem um grupo no Facebook com muitas fotografias fantásticas!

[1092.] Lunae dies...

"Senhor, Dai-me paciência... porque se me Dais Força, parto-lhes a tromba"
Podia ser uma boa legenda para esta foto tirada pelo Frederico Santos no Acampamento Regional de Coimbra - Jambeiras - em Agosto de 2009.

domingo, 18 de julho de 2010

[1108.] Hoje

é o
"Nelson Mandela Day",
data estabelecida pela ONU.

A ONU exorta os Homens a dedicarem, neste dia, 67 minutos a trabalho voluntário de servico aos outros!

É isso q vou fazer agora! Talvez um pouco mais!



What is Mandela Day?
- Mandela Day is an annual celebration of Nelson Mandela’s life and a global call to action for people to recognize their individual ability to make an imprint and change the world around them.
- Mandela Day has been created to inspire people from every corner of the world to embrace the values that have embodied Nelson Mandela’s life – democracy; equality; reconciliation; diversity; responsibility; respect and freedom – for these are the values of Nelson Mandela and they are his legacy to the world.
- Mandela Day aims to showcase the work of the Nelson Mandela charitable organisations (Nelson Mandela Foundation; Nelson Mandela Children’s Fund; Mandela Rhodes Foundation) and raise monies to support their continuing work.
- By connecting people with ways to act on Nelson Mandela’s values, we aim to empower every individual to make an imprint on the world.
- The Mandela Day campaign message is simple: Nelson Mandela has given 67 years of his life fighting for the rights of humanity. All we are asking is that everyone gives 67 minutes of their time, whether it’s supporting your chosen charity or serving your local community.
- Mandela Day is a global social movement – an umbrella idea – that does not discriminate, it’s open and lets in and embraces every organization that does good, whilst enabling people to serve their community and improve their lives.
- The Mandela Day brand icon represents Mr Mandela’s hand and the passing of the torch to each of us and our individual ability to make an imprint on the
world.

- Mandela Day is not a holiday – it is a day for all of us to option and show that we can all make an impact.

[1110.] Hoje

é dia de
SANTA MARINHA
Padroeira da Pampilhosa
Santa Marinha (virgem e mártir) diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória. A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as baptizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade. Por esse tempo, o César romano ordenou aos delegados imperiais para activarem a perseguição aos cristãos na Península Ibérica. Nessa perseguição, os soldados viriam a descobrir as gémeas, que foram detidas mercê das suas crenças, sendo levadas à presença do régulo. Este, acabou por constatar que elas, afinal, eram suas filhas. Quis convencê-las a renunciar à sua fé e a abraçar o paganismo. Porém, em face da sua resistência, mandou detê-las e enclausurá-las no Palácio. Sucedeu que as prisioneiras durante a noite, por intervenção sobrenatural ou com a ajuda da própria mãe, lograram alcançar a liberdade. Correndo em várias direcções chegaram a províncias espanholas, donde se dispersaram. Todavia, Santa Marinha, teria sido apanhada nas proximidades de Orense, em Águas Santas, e condenada à morte, sendo aí degolada em 18 de Julho do ano 130, vindo as suas irmãs a ser também martirizadas. Diz-se que Santa Liberata, que tem uma bela imagem na Capela de Gaia, teria sido crucificada junto do Castelo.