terça-feira, 31 de agosto de 2010
[1144.] Marti dies
Estou além, de António Variações
Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
[1142.]
Fomos de Férias!
POR TERRAS DO GRAAL
... mas já regressámos!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
[1141.] Fazer o Camiño...
e que Deus os Acompanhe
O João Ricardo, a Marta Paredes, a Ana Bárbara Aleixo e o Nelson Saldanha recomeçaram hoje a caminhada de ligação de Coimbra a Santiago de Compostela. Partiram hoje à noite - por volta das 22 horas - a partir de São Pedro de Rates até Valença do Minho (o objectivo pelo menos é esse). Esta é a sexta etapa: já fizeram Coimbra - Mealhada, Mealhada - Agueda (estas duas também fiz com eles), Agueda - Oliveira de Azeméis, Oliveira de Azemeis - Porto e Porto - São Pedro de Rates.
Rezo para que tudo corra bem. E acompanho-os em espirito, desejando que façam bom caminho.
Ultreia e Suseia
[ADENDA]
- Esta actividade começou a 5 de Julho de 2008, com a realização da etapa Coimbra - Mealhada [Registo AQUI][Participaram na actividade: A Bárbara, o Samuel, o Manuel António e o Nelson e eu].
- A segunda etapa, Mealhada - Agueda, realizou-se na noite de 4 para 5 de Outubro de 2008 [Registo AQUI][Participaram na actividade: A Bárbara, a Marta, o João Ricardo e o Nelson e eu. Com o apoio logístico do Fred].
- A terceira etapa, Agueda - Oliveira de Azemeis, realizou-se em 16 e 17 de Maio de 2009 [Registo AQUI][Participaram na actividade: A Marta, o João Ricardo, o Manuel António, o Samuel e o Nelson. Com o meu apoio logistico].
- A terceira etapa, Agueda - Oliveira de Azemeis, realizou-se em 16 e 17 de Maio de 2009 [Registo AQUI][Participaram na actividade: A Marta, o João Ricardo, o Manuel António, o Samuel e o Nelson. Com o meu apoio logistico].
- A etapa seguinte, a quarta, Oliveira de Azemeis - Porto, teve lugar a 12 de Setembro de 2009. [Registo AQUI][Participaram na actividade: A Marta, o João Ricardo e o Nelson. Com o meu apoio logistico].
- A quinta etapa, Porto - São Pedro de Rates, realizou-se a 15 e 16 de Janeiro de 2010.[Participaram na actividade: A Marta, o João Ricardo, e o Nelson. Com o apoio logistico do Fred].
- A mais recente etapa, a quinta, São Pedro de Rates - Valença, teve lugar a 20,21 e 22 de Agosto de 2010.
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[1140.] 2011 - Ano Europeu do Voluntariado
A Comissão Europeia declarou o ano de 2011 como Ano Europeu do Voluntariado sob o lema 'Volunteer! Make a difference.' - Voluntário! Faz a Diferença. «Mais de 100 milhões de Europeus e Europeias estão envolvidos(as) em actividades voluntárias, são solidários(as) e, desta forma, fazem a diferença na nossa sociedade. Um estudo do Eurobarómetro em 2006 revela que 3 em cada 10 europeus/europeias afirmam ser voluntários(as) activos(as), e que perto de 80% dos(as) inquiridos(as) consideram o voluntariado uma parte importante da vida democrática na Europa.
Existe um vasto leque de noções, definições do termo “voluntariado”. No entanto, o que é comum em toda a Europa é que sempre que as pessoas se envolvem em actividades de entreajuda, de apoio àqueles que necessitam, na protecção do ambiente, em campanhas de direitos humanos, ou em acções que visam contribuir para que todos(as) usufruam de um nível de vida decente –a sociedade como um todo, assim como os(as) voluntários(as) de um ponto de vista individual, saem beneficiados e a coesão social é significativamente fortalecida.»
«Em 2011, celebrar-se-á o décimo aniversário do Ano Internacional do Voluntariado (AIV) da ONU. O AIV 2001 veio demonstrar que o interesse público de alto nível pelos voluntários e a sua contribuição na sociedade incita os governos e outros intervenientes a comprometerem-se com acções comuns. Podem ser criadas sinergias com as actividades da ONU em 2011, tirando partido do progresso obtido até agora para desenvolver uma agenda política europeia para o voluntariado “2011 +”. »
Para mais informações:
[1139.] Veneris dies
«Os velhos são os verdadeiros rebeldes. Os jovens, por muiro rasgados que estejam os blusões de cabedal, querem sempre conformar-se com qualquer coisa. Querem fazer parte dum movimento. Querem fazer parte de uma revolução ou de uma comunidade. Os velhos só querem fazer partes. De preferência gagas. Os velhos não têm nada a perder. Podem dizer e fazer o que lhes apetece. É por isso que os velhos, mais do que os novos, dizem quase sempre a verdade. Nós é que podemos não querer ouvi-la. Há-de reparar-se que aquilo que os velhos dizem é que «a vida é uma chatice». Nós dizemos que eles estão senis. Mas eles é que têm razão.»
Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'
A velhice, a mim, incomoda-me.
Faz-me confusão.
Não sei lidar com ela!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
[1138.] Hoje
«"Leitão só o da Mealhada", palavras de Ricardo Henriques, responsável pela tasquinha do Restaurante Típico, de Sernadelo, em Santarém [no XVI Festival Nacional de Gastronomia], na foto, à esquerda, com Duarte Simões, redactor do JM, e Messias Costa, vendedor dos vinhos Messias».A foto é do dia 27 de Outubro de 1996
Legenda da fotografia, publicada junto da noticia sobre o Festival Nacional de Gastronomia na edição 216 do Jornal da Mealhada, de 15 de Novembro de 1996.
Hoje faria 65 anos.
Chamava-se Abílio, mas em determinada altura, enquanto redactor do Jornal da Mealhada, assinava Duarte Simões (os seus dois apelidos).
Era padre, mas só o assumia quando era necessário.
É um homem extraordinário que continua a deixar muitas saudades.
[1137.] Iovis dies
Ilustração de Dinotopia
«Journey to Chandara»
James Gurney
Arthur Denison teria descoberto a ilha fantástica de Dinotopia, em 1862, altura em que começou a escrever sobre ela. Nessa ilha, homens e dinoussauros viviam em harmonia. James Gurney, em 1992, pega na ideia e dela faz um conjunto alargado de livros ilustrados. O primeiro em 1992, o mais recente em 2007. Dinotopia chegou, depois, em 2002 à TV.
Ultimamente, tenho-me aproximado do estilo cinematográfico da fantasia. Este Dinotopia, cujo livro descobri no outro dia, por acidente, na FNAC, é muito bom. Mesmo muito bom!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
[1136.]
Abraçar o Bussaco!O desafio é simples: fazer um cordão humano, à volta da cerca do Bussaco, envolvendo todo o perímetro da Mata Nacional do Bussaco. São 5 quilómetros, logo serão necessárias cinco mil pessoas para realizar este feito épico.
Vamos fazer isto na manhã do dia
5 de Setembro de 2010
A partir das 9 horas da manhã!
«No próximo dia 5 de Setembro, um domingo, quando faltarem dois dias para terminar a votação popular para a escolha das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, cinco mil pessoas darão as mãos, fazendo um cordão humano, num abraço literal à Mata Nacional do Bussaco. Este é, pelo menos, o objectivo da Fundação Mata do Bussaco, que, assim, realiza uma última iniciativa de envolvimento da comunidade na eleição das Maravilhas Naturais de Portugal.“Abrace o Bussaco”, literalmente, é o apelo que a Fundação Mata do Buçaco está a lançar à população do concelho da Mealhada e dos concelhos limítrofes, bem como a toda a região. Segundo a contabilidade dos promotores, serão necessárias cerca de cinco mil pessoas para que seja possível cercar a Mata do Buçaco através de um cordão humano.A Mata Nacional do Buçaco está entre as 21 finalistas na eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, sendo que um dos objectivos da Fundação ao organizar este acontecimento é apelar e promover, mais uma vez, o voto, para que a Mata possa ser uma das sete maravilhas naturais de Portugal. Numa contagem parcial dos votos, a 7 de Agosto, a Mata do Bussaco já figurava na lista das eleitas, mas a um mês da escolha final não há, ainda, garantias que possam ser dadas nesse sentido.
A Fundação Mata do Bussaco está a convidar toda a população e a procurar o envolvimento de várias associações da região [entre as quais os agrupamentos de escuteiros da zona] com o objectivo de envolver o máximo de pessoas possível.
Os organizadores solicitam às pessoas interessadas em participar que se inscrevam através do telefone
A partir das 9 horas da manhã!
«No próximo dia 5 de Setembro, um domingo, quando faltarem dois dias para terminar a votação popular para a escolha das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, cinco mil pessoas darão as mãos, fazendo um cordão humano, num abraço literal à Mata Nacional do Bussaco. Este é, pelo menos, o objectivo da Fundação Mata do Bussaco, que, assim, realiza uma última iniciativa de envolvimento da comunidade na eleição das Maravilhas Naturais de Portugal.“Abrace o Bussaco”, literalmente, é o apelo que a Fundação Mata do Buçaco está a lançar à população do concelho da Mealhada e dos concelhos limítrofes, bem como a toda a região. Segundo a contabilidade dos promotores, serão necessárias cerca de cinco mil pessoas para que seja possível cercar a Mata do Buçaco através de um cordão humano.A Mata Nacional do Buçaco está entre as 21 finalistas na eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, sendo que um dos objectivos da Fundação ao organizar este acontecimento é apelar e promover, mais uma vez, o voto, para que a Mata possa ser uma das sete maravilhas naturais de Portugal. Numa contagem parcial dos votos, a 7 de Agosto, a Mata do Bussaco já figurava na lista das eleitas, mas a um mês da escolha final não há, ainda, garantias que possam ser dadas nesse sentido.
A Fundação Mata do Bussaco está a convidar toda a população e a procurar o envolvimento de várias associações da região [entre as quais os agrupamentos de escuteiros da zona] com o objectivo de envolver o máximo de pessoas possível.
Os organizadores solicitam às pessoas interessadas em participar que se inscrevam através do telefone
número 231 937 000 ou
do email abraceobussaco@fmb.pt.
A concentração dos participantes está marcada para as 9 horas em local ainda a designar.
do email abraceobussaco@fmb.pt.
A concentração dos participantes está marcada para as 9 horas em local ainda a designar.
[1134.] Mercurii dies
Portugal e os fogos
Segunda Parte
Na passada edição, procurámos reflectir sobre a problemática dos incêndios florestais no Verão português tomando como base o que se estava a passar na Rússia – com um alarmante número de incêndios activos e com o debate e consequências políticas que o mesmo estava a provocar.
Reflectindo nós próprios um pouco mais sobre o assunto, e com a noticia da morte de mais um soldado da paz em serviço, desta vez em Lourosa, no norte do nosso distrito de Aveiro, não podemos deixar de voltar ao assunto, particularmente quando da boca do ministro da Agricultura ouvimos a intenção de ser suscitado um debate sobre a hipótese de nacionalização dos terrenos florestais que estejam a ser negligenciados pelos proprietários e a pôr em causa a segurança nacional.
Assim, lançamos à fogueira, mais dois aspectos cuja reflexão ora partilhamos. Em primeiro lugar sobre o papel dos bombeiros voluntários na protecção civil nacional e, em segundo lugar, sobre a responsabilidade dos proprietários florestais na ocorrência de fogos florestais.
I.
De 29 de Julho a 15 de Agosto de 2010 deflagraram, em Portugal, 6652 fogos florestais. Uma média de 370 incêndios florestais por dia. Para combater estes incêndios foram precisos 89404 operacionais, uma média de 4967 bombeiros por dia – no sábado, 14 de Agosto, e só nesse dia, estiveram em acção 6467 bombeiros – e de três fogos por cada bombeiro português. Existem em Portugal 28 mil bombeiros activos – números do ministro da Administração Interna, divulgados em 25 de Julho. Destes cerca de 89 por cento são voluntários. Ou seja, se não fossem os bombeiros voluntários este país, nestes dezoito dias, tinha ardido completamente.
Todos temos noção de que o bombeiro voluntário é alguém que tem a sua profissão e que assume a tarefa de assegurar a protecção civil da comunidade no seu tempo livre – em detrimento do descanso ou do lazer – ou em prejuízo do seu horário normal de trabalho. Num tempo em que a precariedade laboral é significativa é notório que por muito que a lei proteja o bombeiro, à entidade patronal acaba por ser mais vantajoso empregar uma pessoa que não tem o ónus de ser bombeiro do que alguém que pode ter necessidade de abandonar o seu local de trabalho a meio da jornada laboral. Num modelo ideal de economia esta situação – este esforço de responsabilidade social de uma empresa – é bonito, mas na economia real significa um prejuízo concreto.
Os corpos de bombeiros voluntários – mais de meio milhar – são, na quase unanimidade dos casos, financiados por associações humanitárias que, por sua vez, garantem a sobrevivência do corpo activo através de subsídios das Câmaras Municipais, quotização dos associados, alguma prestação de serviços (que o Estado geralmente paga mal) e peditórios que os bombeiros se vêem na contingência de fazer. Ou seja, os meios técnicos essenciais para a operacionalidade dos bombeiros voluntários têm de ser garantidos pelas comunidades onde estão inseridos. A realidade de hoje – e bem – leva a que todos os meios tenham de ser mobilizados para onde são necessários o que faz com que, por exemplo, a maior parte de incêndios florestais em que os bombeiros da Mealhada operam num ano tenham lugar noutros teatros que não o da sua área de acção. Dito de outra forma, os meios dos bombeiros voluntários de uma comunidade deixaram se ser usados nessa comunidade para servirem o interesse colectivo nacional. Ou seja, não deveria caber ao Estado a fatia maior do financiamento destes corpos de bombeiros ou, pelo menos, a intermediação no custo dos meios, de forma a serem mais baratos?
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, disse declarar que “os 28 mil bombeiros portugueses são o primeiro exército de proximidade com as populações para fazer frente a questões de protecção civil, fogos florestais, desastres e calamidades”. Para o titular da pasta da Administração Interna, os bombeiros continuam a ser “o primeiro elemento de resposta próxima a todos estes fenómenos”. O mesmo é dizer que o Governo reconhece que a função de soberania de Segurança dos cidadãos, que constitucionalmente cabe ao Estado – neste caso de protecção civil contra fogos florestais, desastres e calamidades – em vez de ser por ele garantida e de ser por ele financiada com o dinheiro dos impostos, é assegurada quase exclusivamente pelo apoio das autarquias e pelo resultado da tarefa degradante de os bombeiros terem de estar de chapéu na mão a pedir dinheiro em peditórios nas rotundas para terem, eles próprios, condições para garantirem a nossa protecção.
II.
A evolução do fogo numa área de floresta abandonada é assustadora. Chega a surpreender os próprios bombeiros. Décadas de abandono progressivo da floresta e da agricultura transformaram as zonas rurais do nosso país em autênticos barris de pólvora. Se repararmos, concelhos como o de Mortágua, onde a economia florestal é dominante, não têm tido problemas nenhuns com incêndios, enquanto que nos concelhos limítrofes, como Penacova ou Tondela, a realidade é completamente diferente.
O relato de um bombeiro de Penacova, reproduzido no jornal FRONTAL, é ilustrativo da situação a que nos referimos:“As habitações com o mato e os eucaliptos junto às portas são uma constante. Há aldeias com casas que nos últimos vinte anos já arderam pela terceira vez, e, a vez seguinte, tem sido sempre pior do que a anterior. O combustível nas florestas, nas valetas, nos quintais das habitações é cada vez maior. As silvas e o mato mais se parecem com trepadeiras, os jardins e os pequenos terrenos antes amanhados, são agora pastos fáceis das chamas. O que há dez anos demorava quatro ou cinco dias a arder, agora arde em apenas 4 horas, tal é a carga de combustível acumulado. Nestas condições, aqui ou em qualquer outra parte do mundo, é e será sempre uma tarefa muito difícil combater o fogo. Todos nós, bombeiros, população e outras entidades envolvidas, damos naturalmente o nosso melhor. Damos o que podemos e o que não podemos. Fazemos como se diz por cá, ‘das tripas coração’, mas não conseguimos operar milagres. Todos os dias temos tido diversas ocorrências de incêndios florestais e nos últimos quinze anos, a média anual tem andado acima dos oitenta fogos por ano. A todos eles temos sabido chegar primeiro do que a tragédia. Muita gente destas nossas aldeias, habituada a ver nos seus bombeiros uma tábua de salvação, questiona-se agora como foi possível (refere-se ao incêndio de 28 e 29 de Julho)? Mas não nos admiremos, basta olharmos à nossa volta e verificar o estado da floresta”.
Consciente deste pesadelo, o ministro António Serrano, da Agricultura e das Florestas, declarou ter intenção de suscitar um debate sobre a hipótese de nacionalização dos terrenos florestais que estejam a ser negligenciados pelos proprietários e a pôr em causa a segurança nacional. A ideia não seria descabida se o pior proprietário florestal português não fosse o Estado. Mas a verdade é que é.
Não precisamos de ir muito longe para atestarmos do comportamento completamente negligente que o Estado assume relativamente às áreas florestais que possui. O que se passou com o perímetro florestal do Bussaco chega a ser criminoso. Árvores que arderam em 2005 foram abatidas cinco anos depois. Árvores infectadas com o nemátodo do pinheiro ali permaneceram durante anos, quando ao lado o Estado obrigava os proprietários privados a abater as suas sem qualquer compensação. O abate das árvores, no segundo trimestre de 2010 foi feito de forma selvagem, e deixou para trás toneladas de detritos que hoje são pasto perfeito para as chamas, para além de ter destruído caminhos e corta-fogos. Acrescendo o facto de não haver qualquer preocupação com a reflorestação do perímetro ou prevenção contra infestantes.
Muito do que tem ardido em Portugal neste mês de Agosto tem sido em terrenos mal tratados do Estado. O exemplo que demos do perímetro florestal do Bussaco, durante anos e ainda hoje, obrigaria esse Estado-Estado a começar estas nacionalizações por negligência por castigar o Estado-Proprietário que assume, tantas vezes um comportamento perfeitamento criminoso. O que faria o Estado de diferente com a floresta nacionalizada?
Segunda Parte
Na passada edição, procurámos reflectir sobre a problemática dos incêndios florestais no Verão português tomando como base o que se estava a passar na Rússia – com um alarmante número de incêndios activos e com o debate e consequências políticas que o mesmo estava a provocar.
Reflectindo nós próprios um pouco mais sobre o assunto, e com a noticia da morte de mais um soldado da paz em serviço, desta vez em Lourosa, no norte do nosso distrito de Aveiro, não podemos deixar de voltar ao assunto, particularmente quando da boca do ministro da Agricultura ouvimos a intenção de ser suscitado um debate sobre a hipótese de nacionalização dos terrenos florestais que estejam a ser negligenciados pelos proprietários e a pôr em causa a segurança nacional.
Assim, lançamos à fogueira, mais dois aspectos cuja reflexão ora partilhamos. Em primeiro lugar sobre o papel dos bombeiros voluntários na protecção civil nacional e, em segundo lugar, sobre a responsabilidade dos proprietários florestais na ocorrência de fogos florestais.
I.
De 29 de Julho a 15 de Agosto de 2010 deflagraram, em Portugal, 6652 fogos florestais. Uma média de 370 incêndios florestais por dia. Para combater estes incêndios foram precisos 89404 operacionais, uma média de 4967 bombeiros por dia – no sábado, 14 de Agosto, e só nesse dia, estiveram em acção 6467 bombeiros – e de três fogos por cada bombeiro português. Existem em Portugal 28 mil bombeiros activos – números do ministro da Administração Interna, divulgados em 25 de Julho. Destes cerca de 89 por cento são voluntários. Ou seja, se não fossem os bombeiros voluntários este país, nestes dezoito dias, tinha ardido completamente.
Todos temos noção de que o bombeiro voluntário é alguém que tem a sua profissão e que assume a tarefa de assegurar a protecção civil da comunidade no seu tempo livre – em detrimento do descanso ou do lazer – ou em prejuízo do seu horário normal de trabalho. Num tempo em que a precariedade laboral é significativa é notório que por muito que a lei proteja o bombeiro, à entidade patronal acaba por ser mais vantajoso empregar uma pessoa que não tem o ónus de ser bombeiro do que alguém que pode ter necessidade de abandonar o seu local de trabalho a meio da jornada laboral. Num modelo ideal de economia esta situação – este esforço de responsabilidade social de uma empresa – é bonito, mas na economia real significa um prejuízo concreto.
Os corpos de bombeiros voluntários – mais de meio milhar – são, na quase unanimidade dos casos, financiados por associações humanitárias que, por sua vez, garantem a sobrevivência do corpo activo através de subsídios das Câmaras Municipais, quotização dos associados, alguma prestação de serviços (que o Estado geralmente paga mal) e peditórios que os bombeiros se vêem na contingência de fazer. Ou seja, os meios técnicos essenciais para a operacionalidade dos bombeiros voluntários têm de ser garantidos pelas comunidades onde estão inseridos. A realidade de hoje – e bem – leva a que todos os meios tenham de ser mobilizados para onde são necessários o que faz com que, por exemplo, a maior parte de incêndios florestais em que os bombeiros da Mealhada operam num ano tenham lugar noutros teatros que não o da sua área de acção. Dito de outra forma, os meios dos bombeiros voluntários de uma comunidade deixaram se ser usados nessa comunidade para servirem o interesse colectivo nacional. Ou seja, não deveria caber ao Estado a fatia maior do financiamento destes corpos de bombeiros ou, pelo menos, a intermediação no custo dos meios, de forma a serem mais baratos?
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, disse declarar que “os 28 mil bombeiros portugueses são o primeiro exército de proximidade com as populações para fazer frente a questões de protecção civil, fogos florestais, desastres e calamidades”. Para o titular da pasta da Administração Interna, os bombeiros continuam a ser “o primeiro elemento de resposta próxima a todos estes fenómenos”. O mesmo é dizer que o Governo reconhece que a função de soberania de Segurança dos cidadãos, que constitucionalmente cabe ao Estado – neste caso de protecção civil contra fogos florestais, desastres e calamidades – em vez de ser por ele garantida e de ser por ele financiada com o dinheiro dos impostos, é assegurada quase exclusivamente pelo apoio das autarquias e pelo resultado da tarefa degradante de os bombeiros terem de estar de chapéu na mão a pedir dinheiro em peditórios nas rotundas para terem, eles próprios, condições para garantirem a nossa protecção.
II.
A evolução do fogo numa área de floresta abandonada é assustadora. Chega a surpreender os próprios bombeiros. Décadas de abandono progressivo da floresta e da agricultura transformaram as zonas rurais do nosso país em autênticos barris de pólvora. Se repararmos, concelhos como o de Mortágua, onde a economia florestal é dominante, não têm tido problemas nenhuns com incêndios, enquanto que nos concelhos limítrofes, como Penacova ou Tondela, a realidade é completamente diferente.
O relato de um bombeiro de Penacova, reproduzido no jornal FRONTAL, é ilustrativo da situação a que nos referimos:“As habitações com o mato e os eucaliptos junto às portas são uma constante. Há aldeias com casas que nos últimos vinte anos já arderam pela terceira vez, e, a vez seguinte, tem sido sempre pior do que a anterior. O combustível nas florestas, nas valetas, nos quintais das habitações é cada vez maior. As silvas e o mato mais se parecem com trepadeiras, os jardins e os pequenos terrenos antes amanhados, são agora pastos fáceis das chamas. O que há dez anos demorava quatro ou cinco dias a arder, agora arde em apenas 4 horas, tal é a carga de combustível acumulado. Nestas condições, aqui ou em qualquer outra parte do mundo, é e será sempre uma tarefa muito difícil combater o fogo. Todos nós, bombeiros, população e outras entidades envolvidas, damos naturalmente o nosso melhor. Damos o que podemos e o que não podemos. Fazemos como se diz por cá, ‘das tripas coração’, mas não conseguimos operar milagres. Todos os dias temos tido diversas ocorrências de incêndios florestais e nos últimos quinze anos, a média anual tem andado acima dos oitenta fogos por ano. A todos eles temos sabido chegar primeiro do que a tragédia. Muita gente destas nossas aldeias, habituada a ver nos seus bombeiros uma tábua de salvação, questiona-se agora como foi possível (refere-se ao incêndio de 28 e 29 de Julho)? Mas não nos admiremos, basta olharmos à nossa volta e verificar o estado da floresta”.
Consciente deste pesadelo, o ministro António Serrano, da Agricultura e das Florestas, declarou ter intenção de suscitar um debate sobre a hipótese de nacionalização dos terrenos florestais que estejam a ser negligenciados pelos proprietários e a pôr em causa a segurança nacional. A ideia não seria descabida se o pior proprietário florestal português não fosse o Estado. Mas a verdade é que é.
Não precisamos de ir muito longe para atestarmos do comportamento completamente negligente que o Estado assume relativamente às áreas florestais que possui. O que se passou com o perímetro florestal do Bussaco chega a ser criminoso. Árvores que arderam em 2005 foram abatidas cinco anos depois. Árvores infectadas com o nemátodo do pinheiro ali permaneceram durante anos, quando ao lado o Estado obrigava os proprietários privados a abater as suas sem qualquer compensação. O abate das árvores, no segundo trimestre de 2010 foi feito de forma selvagem, e deixou para trás toneladas de detritos que hoje são pasto perfeito para as chamas, para além de ter destruído caminhos e corta-fogos. Acrescendo o facto de não haver qualquer preocupação com a reflorestação do perímetro ou prevenção contra infestantes.
Muito do que tem ardido em Portugal neste mês de Agosto tem sido em terrenos mal tratados do Estado. O exemplo que demos do perímetro florestal do Bussaco, durante anos e ainda hoje, obrigaria esse Estado-Estado a começar estas nacionalizações por negligência por castigar o Estado-Proprietário que assume, tantas vezes um comportamento perfeitamento criminoso. O que faria o Estado de diferente com a floresta nacionalizada?
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Mercurii dies
terça-feira, 17 de agosto de 2010
[1135.] Marti dies
«Amor a Coimbra»
Estudantina da Universidade de Coimbra
[EM CONSTRUÇÃO]
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[1133.] Marti dies
Zorro
Letra de João Monge, Música de João Gil, Voz de Luís Represas
2006 - Album "A História Toda"
[1053.]
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Marti dies
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
[1130.] Mensagem do Chefe de Agrupamento
Mensagem do Chefe de Agrupamento
Caríssimos Irmãos em Cristo,
Terminou ontem o ROVER 2010 - Actividade Nacional de Caminheiros - na qual participaram a Ana Bárbara, a Marta, o Diogo e o Samuel e, ainda, o Nelson, nos Serviços. Com o final desta actividade termina, também, o nosso ano escutista de 2009/2010.
A avaliação deste ano que agora termina terá de ser feita com atenção. Os dirigentes e os caminheiros reunir-se-ão, em Conselho de Agrupamento, com esse objectivo e com o propósito de preparar o novo ano, no próximo dia 11 de Setembro.
Durante o último ano escutista houve algumas coisas que não correram bem. Continuamos com alguns problemas por resolver e isso não nos pode tranquilizar. Com a frontalidade com que sempre falámos (eu convosco), tenho de vos dizer que me sinto muito preocupado, muito mesmo.
Também houve aspectos que correram bem, e isso deve deixar-nos razões para estarmos contentes. Continuamos a ser um agrupamento que, onde se apresenta o faz com brio e qualidade e isso é um motivo de orgulho. Os nossos escuteiros são pessoas que nos orgulham e cujo sucesso, pessoal e nos escuteiros, nos enche de satisfação.
Mesmo esta participação dos caminheiros no ROVER 2010, a segunda participação de escuteiros do agrupamento numa actividade nacional - e o nosso primeiro ROVER - (apesar de internamente nem tudo ter corrido da melhor maneira), é um motivo de alegria e orgulho. Eu, pelo menos, assim o sinto.
Quando regressarmos, daqui a sensivelmente um mês, estaremos, todos, certamente, preparados para um novo ano, mas também para um novo ciclo. Há muita coisa para fazermos juntos. E quando digo juntos falo de escuteiros, dirigentes, do nosso assistente e, de modo muito particular, dos pais dos nossos escuteiros.
Assim nos ajude Jesus e a Sua Santa Mãe.
Durante as férias, ou o que resta delas, espero que todos nós tenhamos condições para reflectir no que podemos nós dar ao movimento e ao nosso agrupamento. No que podemos nós ajudar no sentido de continuarmos a crescer, de sermos cada vez mais e cada vez melhores.
Todos não somos demais para fazer o que falta!
Boas férias!
Terminou ontem o ROVER 2010 - Actividade Nacional de Caminheiros - na qual participaram a Ana Bárbara, a Marta, o Diogo e o Samuel e, ainda, o Nelson, nos Serviços. Com o final desta actividade termina, também, o nosso ano escutista de 2009/2010.
A avaliação deste ano que agora termina terá de ser feita com atenção. Os dirigentes e os caminheiros reunir-se-ão, em Conselho de Agrupamento, com esse objectivo e com o propósito de preparar o novo ano, no próximo dia 11 de Setembro.
Durante o último ano escutista houve algumas coisas que não correram bem. Continuamos com alguns problemas por resolver e isso não nos pode tranquilizar. Com a frontalidade com que sempre falámos (eu convosco), tenho de vos dizer que me sinto muito preocupado, muito mesmo.
Também houve aspectos que correram bem, e isso deve deixar-nos razões para estarmos contentes. Continuamos a ser um agrupamento que, onde se apresenta o faz com brio e qualidade e isso é um motivo de orgulho. Os nossos escuteiros são pessoas que nos orgulham e cujo sucesso, pessoal e nos escuteiros, nos enche de satisfação.
Mesmo esta participação dos caminheiros no ROVER 2010, a segunda participação de escuteiros do agrupamento numa actividade nacional - e o nosso primeiro ROVER - (apesar de internamente nem tudo ter corrido da melhor maneira), é um motivo de alegria e orgulho. Eu, pelo menos, assim o sinto.
Quando regressarmos, daqui a sensivelmente um mês, estaremos, todos, certamente, preparados para um novo ano, mas também para um novo ciclo. Há muita coisa para fazermos juntos. E quando digo juntos falo de escuteiros, dirigentes, do nosso assistente e, de modo muito particular, dos pais dos nossos escuteiros.
Assim nos ajude Jesus e a Sua Santa Mãe.
Durante as férias, ou o que resta delas, espero que todos nós tenhamos condições para reflectir no que podemos nós dar ao movimento e ao nosso agrupamento. No que podemos nós ajudar no sentido de continuarmos a crescer, de sermos cada vez mais e cada vez melhores.
Todos não somos demais para fazer o que falta!
Boas férias!
Do vosso Chefe,
Lobo Irmão
domingo, 15 de agosto de 2010
[1132.] Hoje... é Feriado
Hoje é 15 de Agosto. É Feriado Nacional. Há muita gente que acha que é feriado porque o Governo se lembrou de dar mais um dia de férias a quem goza o descanso estival na primeira quinzena de Agosto. Mas não é assim. 15 de Agosto é mais um dos feriados religiosos que os jacobinos portugueses nunca quiseram deixar cair… porque até pode dar grande jeito!15 de Agosto é dia da “Assunção de Nossa Senhora” – Maria –, mãe de Jesus Cristo. Assinala a solenidade religiosa da subida aos céus de Maria – Virgem Maria, Santa Maria ou Nossa Senhora – no final da sua vida terrena. Para os católicos a Mãe de Jesus – tal como o seu filho – não morreu. Em determinada altura, já com provecta idade, submetida a um fenómeno de ‘dormição’ (adormecimento), Maria foi elevada aos céus – não só em alma, como em corpo. A questão é dogma de fé – indiscutível, portanto – instituído pelo Papa Pio XII, em 1 de Novembro de 1950, na sua Constituição Apostólica Munificentissimus Deus.
O assunto é interessante, independentemente da opinião que se possa ter a este respeito, porque a vida e a “morte” de Maria é – assim como no caso de Jesus – ‘mexe’ com a própria divindade de duas personalidades que, historicamente existiram entre os homens. No entanto, este é, por outro lado, um dogma relativamente recente, o que não deixa de ser surpreendente.
A questão no entanto é teológica – e sobre isso pouco posso opinar – que é o facto de a duas personalidades divinas, não assistir a perenidade ou a faculdade da morte. Maria e Jesus – ambos concebidos sem o ‘pecado original’, segundo o dogma da Conceição – não terão a faculdade humana (terrena e resultante desse mesmo ‘pecado’) de morrer.
Mas voltemos ao que me foi possível investigar a este respeito. Repito que me limito a expor o assunto, procurando ser exacto, sem analisar criticamente ou expor eventuais pontos de vista.
Como ponto prévio, repare-se que enquanto Jesus “ascendeu aos céus” – na solenidade da Ascensão, no 44.º dia depois da Páscoa – com Maria houve a “assunção”. Jesus subiu aos céus por seu próprio poder, Maria foi subida, subiu por intermédio de Deus.
A Assunção de Maria aos céus não se encontra explicitamente nas Sagradas Escrituras. Apesar de os especialistas considerarem que está implícita. De qualquer forma, trata-se de uma ideia que terá tido transmissão escrita e oral ao longo de toda a história da Igreja, até ao estabelecimento do dogma católico em 1950.
Repare-se, também, que a Assunção de Maria é dogma católico. Outras igrejas cristãs têm entendimento diferente sobre a morte da mãe de Jesus. Os protestantes acreditam que a Maria, apesar de ter sido o Tabernáculo vivo da divindade, deve ter conhecido “a podridão do túmulo, a voracidade dos evermos, o esquecimento da morte, o aniquilamento de sua pessoa”. Os cristãos ortodoxos assinalam a solenidade da “dormição” – uma morte suave, adormecimento – de Maria e a deposição do seu corpo no Getsemani, o Jardim das Oliveiras, em Jerusalém.
Na ocasião de Pentecostes, Maria tinha, mais ou menos, 47 anos de idade. Depois desse facto, terá permanecido mais 25 anos na terra, “para educar e formar, por assim dizer, a Igreja nascente, como outrora ela educara, protegera, e dirigira a infância do Filho de Deus”.
A opinião mais comum atesta que a “carreira mortal” de Maria terá terminado aos 72 anos, conforme a opinião mais comum.
São Dionísio Aeropagita, discípulo de São Paulo e primeiro Bispo de Paris, que terá assistido, juntamente com vários apóstolos e discípulos, garante – na sua narração do facto – que a morte de Maria foi suave, como num adormecimento. A narrativa atesta, ainda “que os Apóstolos foram milagrosamente levados para Jerusalém, na noite que precedera o desenlace” de Maria.
São João Damasceno, um dos mais ilustres doutores da Igreja Oriental, refere que “os fiéis de Jerusalém, ao terem notícia do falecimento de sua Mãe querida, como a chamavam, vieram em multidão prestar-lhe as últimas homenagens e que logo se multiplicaram os milagres em redor da relíquia sagrada de seu corpo”.
Numa descrição muito parecida com a da narrativa da notícia da Ressurreição de Jesus, reza a história que São Tomé não terá estado em Jerusalém nesse dia. Terá chegado três dias depois. O Apóstolo Tomé terá pedido, então, para ver o corpo morto de Maria. Aberto o túmulo, retirada a pedra, o corpo já lá não estava. “Do túmulo exalava um perfume de suavidade celestial!”. Como Jesus, Maria ressuscitara ao terceiro dia.
Uma outra descrição, num dos livros apócrifos (textos não considerados como sagrados pela Igreja), narra a Assunção de Maria com particular meticulosidade, colocando testemunhas que terão assistido ao acontecimento. O livro de São João coloca São Pedro a presidir a um ritual, no qual teriam participado os apóstolos, em que as próprias mãos de Deus terão recolhido o corpo para os céus.
Muitas das tradições religiosas em relação à Maria têm suas origens nos livros apócrifos. Os nomes de seu pai e de sua mãe, a visita que ela e Jesus receberam dos magos, o parto em uma manjedoura, são apenas algumas delas.
A fé na Assunção de Maria terá começado imediatamente, e descritas pelos doutores da Igreja dos primeiros séculos, e relatadas, depois, no Concílio geral de Calcedónia, em 451.
A tradição atribui a Maria o título de Nossa Senhora da Boa Morte. Acontece que a mesma tradição evita dizer que Maria morreu, substituindo o termo por “dormitio”, para justificar o fim da vida da Mãe de Deus na terra. A justificação dada para esta aparente contradição tem passado pela ideia da imagem de uma Boa Morte com a do adormecimento suave.
O Novo Catecismo da Igreja Católica declara: “A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos” (n. 966).
Se hoje santuários como o de Fátima ou Lourdes – onde o registo é de aparições de Maria – são altares do Mundo. O que seria expectável neste domínio do culto num santuário onde estivessem depositados os restos mortais de Maria, a mãe de Deus, ou de Jesus, o próprio Deus-Filho?
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[1131.] Dia vencido 14.08.10
Tinha prometido a mim mesmo que ia à Barragem de Santa Luzia, na Pampilhosa da Serra, onde hoje (15.08) acabou o ROVER 2010. Senti que tinha obrigação de lá ir dar um beijinho à Diana Cardoso, cumprimentar o Pedro Vasconcelos e a sua equipa, e o Valdez, o Francês, o Pedrosa, entre outros - por tudo aquilo que já aqui tinha dito e por tudo aquilo que censurei antes de postar, definitivamente, a minha apreciação sobre o que eu entendo que significa esta actividade para o CNE. Senti que tinha obrigação - a grande obrigação - de ir visitar o Nelson, e os meus caminheiros: a Barbara, a Marta, o Diogo e o Samuel, que, de alguma maneira, estão naquela actividade para grande orgulho da minha parte e representando o meu agrupamento, me fazem participante a mim também (sou um invejoso). Senti, ainda, que seria importante dar a todos os escuteiros do meu Núcleo o sinal de que apreciamos - nos caminheiros e nos dirigentes - o facto de terem participado na actividade e de o terem feito com tanta disponibilidade e qualidade.
Depois de ter conseguido a cumplicidade do grande João Paredes, lá reuni "condições" para ir à Pampilhosa da Serra no sábado à noite. Uma vez mais - à Canilho - viagem cheia de aventura e adrenalina, sempre a testar os limites do grande Saxo-azul, companheiro inseparável - juntamente com Santa Maria, Mãe dos Escutas, que sempre nos tem safado - de uma completa falta de responsabilidade logistica.
No acampamento encontrei gente cansada. O que é muito bom sinal.
Encontrei gente com capacidade critica. O que me parece ser um fantástico sinal.
Encontrei caminheiros e dirigentes queixosos com os problemas do costume nas actividades do CNE de grande escala - quando é que resolvemos estes problemas, Meu Deus?
Encontrei alguns dirigentes com o olhar brilhante e a verbalização - estranha - daquela dupla sensação: "Encontrei gente fantástica, capaz de garantir o futuro, e de fazer coisas maravilhosas e cheia de capacidades!" e, ao mesmo tempo: "Encontrei gente completamente irresponsável sem noção nenhuma de para onde veio e do que vinha fazer!".
Encontrei os responsáveis máximos no limite dos nervos, mas com um sorriso do dever cumprido. Quase como o que a Espanca chamava de "bebedeiras de azul".
E fiquei muito orgulhoso - enquanto dirigente do CNE - do que me foi narrado acerca do impacto que o Rover 2010 causou nas comunidades onde os caminheiros realizaram acções de serviço.
Eu acho que o próximo Rover não vai ter de esperar nove anos para voltar a nascer.
Eu acho que está mais que provado que esta actividade é uma necessidade e a melhor resposta para uma necessidade pedagógica e uma garantia de qualidade na aplicação do método escutista.
Fiquei com a sensação de que há aspectos na organização e vivência da prepração da actividade que vão ter de ser adaptadas...
... Mas a verdade é que os pais da criança, há uma década, têm razão para estar contentes e mostrar que o Tempo, esse grande justiceiro, lhes voltou a dar razão.
Até 2014!
Depois de ter conseguido a cumplicidade do grande João Paredes, lá reuni "condições" para ir à Pampilhosa da Serra no sábado à noite. Uma vez mais - à Canilho - viagem cheia de aventura e adrenalina, sempre a testar os limites do grande Saxo-azul, companheiro inseparável - juntamente com Santa Maria, Mãe dos Escutas, que sempre nos tem safado - de uma completa falta de responsabilidade logistica.
No acampamento encontrei gente cansada. O que é muito bom sinal.
Encontrei gente com capacidade critica. O que me parece ser um fantástico sinal.
Encontrei caminheiros e dirigentes queixosos com os problemas do costume nas actividades do CNE de grande escala - quando é que resolvemos estes problemas, Meu Deus?
Encontrei alguns dirigentes com o olhar brilhante e a verbalização - estranha - daquela dupla sensação: "Encontrei gente fantástica, capaz de garantir o futuro, e de fazer coisas maravilhosas e cheia de capacidades!" e, ao mesmo tempo: "Encontrei gente completamente irresponsável sem noção nenhuma de para onde veio e do que vinha fazer!".
Encontrei os responsáveis máximos no limite dos nervos, mas com um sorriso do dever cumprido. Quase como o que a Espanca chamava de "bebedeiras de azul".
E fiquei muito orgulhoso - enquanto dirigente do CNE - do que me foi narrado acerca do impacto que o Rover 2010 causou nas comunidades onde os caminheiros realizaram acções de serviço.
Eu acho que o próximo Rover não vai ter de esperar nove anos para voltar a nascer.
Eu acho que está mais que provado que esta actividade é uma necessidade e a melhor resposta para uma necessidade pedagógica e uma garantia de qualidade na aplicação do método escutista.
Fiquei com a sensação de que há aspectos na organização e vivência da prepração da actividade que vão ter de ser adaptadas...
... Mas a verdade é que os pais da criança, há uma década, têm razão para estar contentes e mostrar que o Tempo, esse grande justiceiro, lhes voltou a dar razão.
Até 2014!
sábado, 14 de agosto de 2010
[1129.] Saturni dies
"Dom Nuno Alvares digo, verdadeiro
Açoute de soberbos Castelhanos
Como já o fero Huno o foi primeiro
Para Franceses, para Italianos.
Outro também famoso cavaleiro,
Que a ala direita tem dos Lusitanos,
Apto para mandá-los, e regê-los,
Mem Rodrigues se diz de Vasconcelos.
"E da outra ala, que a esta corresponde,
Antão Vasques de Almada é capitão,
Que depois foi de Abranches nobre Conde,
Das gentes vai regendo a sestra mão.
Logo na retaguarda não se esconde
Das quinas e castelos o pendão,
Com Joane, Rei forte em toda parte,
Que escurecendo o preço vai de Alarte.
"Estavam pelos muros, temerosas,
E de um alegre medo quase frias,
Rezando as mães, irmãs, damas e esposas,
Prometendo jejuns e romarias.
Já chegam as esquadras belicosas
Defronte das amigas companhias,
Que com grita grandíssima os recebem,
E todas grande dúvida concebem.
"Respondem as trombetas mensageiras,
Pífaros sibilantes e atambores;
Alférezes volteam as bandeiras,
Que variadas são de muitas cores.
Era no seco tempo, que nas eiras
Ceres o fruto deixa aos lavradores,
Entra em Astreia o Sol, no mês de Agosto,
Baco das uvas tira o doce mosto.
"Deu sinal a trombeta Castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escutaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.
"Quantos rostos ali se vêem sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo;
E se o não é, parece-o; que o furor
De ofender ou vencer o duro amigo
Faz não sentir que é perda grande e rara,
Dos membros corporais, da vida cara.
"Começa-se a travar a incerta guerra;
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la;
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba, e encontra, e a terra enfim semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.
"Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças; e as frequentes
Quedas coas duras armas, tudo atroam;
Recrescem os amigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.
"Eis ali seus irmãos contra ele vão,
(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!)
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.
"Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos,
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos,
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns tredores houve algumas vezes.
"Rompem-se aqui dos nossos os primeiros,
Tantos dos inimigos a eles vão!
Está ali Nuno, qual pelos outeiros
De Ceita está o fortíssimo leão,
Que cercado se vê dos cavaleiros
Que os campos vão correr de Tetuão:
Perseguem-no com as lanças, e ele iroso,
Torvado um pouco está, mas não medroso.
"Com torva vista os vê, mas a natura
Ferina e a ira não lhe compadecem
Que as costas dê, mas antes na espessura
Das lanças se arremessa, que recrescem.
Tal está o cavaleiro, que a verdura
Tinge co'o sangue alheio; ali perecem
Alguns dos seus, que o ânimo valente
Perde a virtude contra tanta gente.
"Sentiu Joane a afronta que passava
Nuno, que, como sábio capitão,
Tudo corria e via, e a todos dava,
Com presença e palavras, coração.
Qual parida leoa, fera e brava,
Que os filhos que no ninho sós estão,
Sentiu que, enquanto pasto lhe buscara,
O pastor de Massília lhos furtara;
"Corre raivosa, e freme, e com bramidos
Os montes Sete Irmãos atroa e abala:
Tal Joane, com outros escolhidos
Dos seus, correndo acode à primeira ala:
-"Ó fortes companheiros, ó subidos
Cavaleiros, a quem nenhum se iguala,
Defendei vossas terras, que a esperança
Da liberdade está na vossa lança.
-"Vedes-me aqui, Rei vosso, e companheiro,
Que entre as lanças, e setas, e os arneses
Dos inimigos corro e vou primeiro:
Pelejai, verdadeiros Portugueses!"-
Isto disse o magnânimo guerreiro,
E, sopesando a lança quatro vezes,
Com força tira; e, deste único tiro,
Muitos lançaram o último suspiro.
"Porque eis os seus acesos novamente
Duma nobre vergonha e honroso fogo,
Sobre qual mais com ânimo valente
Perigos vencerá do Márcio jogo,
Porfiam: tinge o ferro o sangue ardente;
Rompem malhas primeiro, e peitos logo:
Assim recebem junto e dão feridas,
Como a quem já não dói perder as vidas.
"A muitos mandam ver o Estígio lago,
Em cujo corpo a morte e o ferro entrava:
O Mestre morre ali de Santiago,
Que fortíssimamente pelejava;
Morre também, fazendo grande estrago,
Outro Mestre cruel de Calatrava;
Os Pereiras também arrenegados
Morrem, arrenegando o Céu e os fados.
"Muitos também do vulgo vil sem nome
Vão, e também dos nobres, ao profundo,
Onde o trifauce Cão perpétua fome
Tem das almas que passam deste mundo.
E porque mais aqui se amanse e dome
A soberba do amigo furibundo,
A sublime bandeira Castelhana
Foi derribada aos pés da Lusitana.
"Aqui a fera batalha se encruece
Com mortes, gritos, sangue e cutiladas;
A multidão da gente que perece
Tem as flores da própria cor mudadas;
Já as costas dão e as vidas; já falece
O furor e sobejam as lançadas;
Já de Castela o Rei desbaratado
Se vê, e de seu propósito mudado.
"O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida.
Seguem-no os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida.
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da desonra, e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.
"Alguns vão maldizendo e blasfemando
Do primeiro que guerra fez no mundo;
Outros a sede dura vão culpando
Do peito cobiçoso e sitibundo,
Que, por tomar o alheio, o miserando
Povo aventura às penas do profundo,
Deixando tantas mães, tantas esposas
Sem filhos, sem maridos, desditosas.
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões
Canto IV - Estrofes 24 a 44 (narração da Batalha de Aljubarrota)
Hoje é o 625.º aniversário da Batalha de Aljubarrota.
Açoute de soberbos Castelhanos
Como já o fero Huno o foi primeiro
Para Franceses, para Italianos.
Outro também famoso cavaleiro,
Que a ala direita tem dos Lusitanos,
Apto para mandá-los, e regê-los,
Mem Rodrigues se diz de Vasconcelos.
"E da outra ala, que a esta corresponde,
Antão Vasques de Almada é capitão,
Que depois foi de Abranches nobre Conde,
Das gentes vai regendo a sestra mão.
Logo na retaguarda não se esconde
Das quinas e castelos o pendão,
Com Joane, Rei forte em toda parte,
Que escurecendo o preço vai de Alarte.
"Estavam pelos muros, temerosas,
E de um alegre medo quase frias,
Rezando as mães, irmãs, damas e esposas,
Prometendo jejuns e romarias.
Já chegam as esquadras belicosas
Defronte das amigas companhias,
Que com grita grandíssima os recebem,
E todas grande dúvida concebem.
"Respondem as trombetas mensageiras,
Pífaros sibilantes e atambores;
Alférezes volteam as bandeiras,
Que variadas são de muitas cores.
Era no seco tempo, que nas eiras
Ceres o fruto deixa aos lavradores,
Entra em Astreia o Sol, no mês de Agosto,
Baco das uvas tira o doce mosto.
"Deu sinal a trombeta Castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escutaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.
"Quantos rostos ali se vêem sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo;
E se o não é, parece-o; que o furor
De ofender ou vencer o duro amigo
Faz não sentir que é perda grande e rara,
Dos membros corporais, da vida cara.
"Começa-se a travar a incerta guerra;
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la;
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba, e encontra, e a terra enfim semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.
"Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças; e as frequentes
Quedas coas duras armas, tudo atroam;
Recrescem os amigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.
"Eis ali seus irmãos contra ele vão,
(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!)
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.
"Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos,
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos,
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns tredores houve algumas vezes.
"Rompem-se aqui dos nossos os primeiros,
Tantos dos inimigos a eles vão!
Está ali Nuno, qual pelos outeiros
De Ceita está o fortíssimo leão,
Que cercado se vê dos cavaleiros
Que os campos vão correr de Tetuão:
Perseguem-no com as lanças, e ele iroso,
Torvado um pouco está, mas não medroso.
"Com torva vista os vê, mas a natura
Ferina e a ira não lhe compadecem
Que as costas dê, mas antes na espessura
Das lanças se arremessa, que recrescem.
Tal está o cavaleiro, que a verdura
Tinge co'o sangue alheio; ali perecem
Alguns dos seus, que o ânimo valente
Perde a virtude contra tanta gente.
"Sentiu Joane a afronta que passava
Nuno, que, como sábio capitão,
Tudo corria e via, e a todos dava,
Com presença e palavras, coração.
Qual parida leoa, fera e brava,
Que os filhos que no ninho sós estão,
Sentiu que, enquanto pasto lhe buscara,
O pastor de Massília lhos furtara;
"Corre raivosa, e freme, e com bramidos
Os montes Sete Irmãos atroa e abala:
Tal Joane, com outros escolhidos
Dos seus, correndo acode à primeira ala:
-"Ó fortes companheiros, ó subidos
Cavaleiros, a quem nenhum se iguala,
Defendei vossas terras, que a esperança
Da liberdade está na vossa lança.
-"Vedes-me aqui, Rei vosso, e companheiro,
Que entre as lanças, e setas, e os arneses
Dos inimigos corro e vou primeiro:
Pelejai, verdadeiros Portugueses!"-
Isto disse o magnânimo guerreiro,
E, sopesando a lança quatro vezes,
Com força tira; e, deste único tiro,
Muitos lançaram o último suspiro.
"Porque eis os seus acesos novamente
Duma nobre vergonha e honroso fogo,
Sobre qual mais com ânimo valente
Perigos vencerá do Márcio jogo,
Porfiam: tinge o ferro o sangue ardente;
Rompem malhas primeiro, e peitos logo:
Assim recebem junto e dão feridas,
Como a quem já não dói perder as vidas.
"A muitos mandam ver o Estígio lago,
Em cujo corpo a morte e o ferro entrava:
O Mestre morre ali de Santiago,
Que fortíssimamente pelejava;
Morre também, fazendo grande estrago,
Outro Mestre cruel de Calatrava;
Os Pereiras também arrenegados
Morrem, arrenegando o Céu e os fados.
"Muitos também do vulgo vil sem nome
Vão, e também dos nobres, ao profundo,
Onde o trifauce Cão perpétua fome
Tem das almas que passam deste mundo.
E porque mais aqui se amanse e dome
A soberba do amigo furibundo,
A sublime bandeira Castelhana
Foi derribada aos pés da Lusitana.
"Aqui a fera batalha se encruece
Com mortes, gritos, sangue e cutiladas;
A multidão da gente que perece
Tem as flores da própria cor mudadas;
Já as costas dão e as vidas; já falece
O furor e sobejam as lançadas;
Já de Castela o Rei desbaratado
Se vê, e de seu propósito mudado.
"O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida.
Seguem-no os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida.
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da desonra, e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.
"Alguns vão maldizendo e blasfemando
Do primeiro que guerra fez no mundo;
Outros a sede dura vão culpando
Do peito cobiçoso e sitibundo,
Que, por tomar o alheio, o miserando
Povo aventura às penas do profundo,
Deixando tantas mães, tantas esposas
Sem filhos, sem maridos, desditosas.
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões
Canto IV - Estrofes 24 a 44 (narração da Batalha de Aljubarrota)
Hoje é o 625.º aniversário da Batalha de Aljubarrota.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
[1128.] Veneris dies
Florence Nightingale(12 de Maio 1820, Florença - 13 de Agosto 1910, Londres)
Florence Nightingale foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia. Ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lâmpada", pelo fato de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo "pizza") criado inicialmente por William Playfair.
Florence Nightingale faleceu em 13 de agosto de 1910, deixando legado de persistência, capacidade, compaixão e dedicação ao próximo, estabeleceu as diretrizes e caminho para enfermagem moderna.
(Wikipédia)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
[1127.] Iovis dies
(Detalhe)
1884
William-Adolphe Bouguereau
Colecção particular
*
Hoje é Dia Internacional da Juventude
e os dados do Eurostat garantem:
«O desemprego entre os jovens na zona do Euro é mais de duas vezes o número de adultos trabalhadores e situa-se em 19,5 por cento.»
*
A Juventude de Baco sempre parece ser a melhor forma de não termos uma juventude completamente deprimida.
E como alguém disse esta semana, a Juventude é o motor da economia.

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Iovis dies
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
[1126.] Dia vencido 11.08.10
Ouvir o Ministro da Agricultura sugerir (ou sequer declarar estar a pensar no assunto) um processo de nacionalização da floresta que está desprezada pelos proprietários seria rídiculo se não fosse dramático.
O Estado é o pior proprietário florestal do país. Em muitas regiões, foi por culpa do Estado - na sua qualidade de proprietário negligente - que os fogos ganharam dimensões consideráveis.
O Estado não limpa os seus terrenos, não os explora e, acima de tudo, não respeita o que obriga os proprietários privados a fazer!
Falo de propriedades que arderam e cujas árvores não são abatidas. Falo da campanha de combate ao nemátodo do pinheiro. Para me bastar de dois exemplos.
O que se passou no perímetro florestal do Bussaco, durante anos e ainda hoje, obrigaria esse Estado-Estado a começar estas nacionalizações por negligência por castigar o Estado-Proprietário que assume, tantas vezes um comportamento perfeitamento criminoso.
[Adenda 13.08.10]
«Comportamentos dolosos, e às vezes é difícil encontrar a margem entre negligência e dolo, devem ser punidos»: dixit Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa.
«O comportamento negligente de um proprietário pode pôr em causa a segurança dos bens dos proprietários vizinhos e isso deve estar reflectido também na lei e na capacidade de aquilo que são os interesses públicos e colectivos»: dixit José Sócrates Pinto de Sousa, primeiro-ministro de Portugal.
O Estado é o pior proprietário florestal do país. Em muitas regiões, foi por culpa do Estado - na sua qualidade de proprietário negligente - que os fogos ganharam dimensões consideráveis.
O Estado não limpa os seus terrenos, não os explora e, acima de tudo, não respeita o que obriga os proprietários privados a fazer!
Falo de propriedades que arderam e cujas árvores não são abatidas. Falo da campanha de combate ao nemátodo do pinheiro. Para me bastar de dois exemplos.
O que se passou no perímetro florestal do Bussaco, durante anos e ainda hoje, obrigaria esse Estado-Estado a começar estas nacionalizações por negligência por castigar o Estado-Proprietário que assume, tantas vezes um comportamento perfeitamento criminoso.
[Adenda 13.08.10]
«Comportamentos dolosos, e às vezes é difícil encontrar a margem entre negligência e dolo, devem ser punidos»: dixit Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa.
«O comportamento negligente de um proprietário pode pôr em causa a segurança dos bens dos proprietários vizinhos e isso deve estar reflectido também na lei e na capacidade de aquilo que são os interesses públicos e colectivos»: dixit José Sócrates Pinto de Sousa, primeiro-ministro de Portugal.
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[1125.] Visto isto... Hoje começa o Ramadão

رَمَضَان
Mês sagrado do Islão leva milhões ao jejum
Da aurora ao pôr do Sol sem comer nem beber: é um dos cinco pilares da prática dos muçulmanos. O Ramadão começa hoje, quarta-feira, e os crentes devem juntar às cinco orações diárias habituais mais uma, especial, em casa ou na mesquita.
Com uma data móvel, que recua todos os anos no calendário e que é anunciada com precisão à roda do mundo consoante a hora do primeiro avistamento da Lua após a Lua Nova, chega para os crentes do Islão o mês sagrado.
Em todo o mundo, serão actualmente 1, 57 mil milhões (cerca de 23% da humanidade). Portugal tem uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas integradas nesta fé, a maior parte vivendo na região da Grande Lisboa.
Por estes dias, até 9 de Setembro, aumenta a afluência à Mesquita de Lisboa: não são apenas as cinco orações diárias que ali levam os praticantes do Islão, é também uma oração especial que àquelas é acrescentada e que consiste na recitação, de cor, de uma das 30 partes do Alcorão.
Antes dessa oração especial, os crentes podem quebrar o jejum com uma tâmara. Só mais tarde, com o ocaso, será tempo de uma refeição. A Mesquita de Lisboa está preparada para servir 800 refeições gratuitas.
O mês sagrado coincidindo com tempo de férias laborais ou escolares permite maior afluência às orações, que podem também ser feitas em casa ou noutro lugar conveniente.
No próximo ano, o Ramadão vai começar recuando cerca de dez dias no calendário e assim será sempre, obedecendo ao ano lunar, que tem a duração de 355 ou 356 dias, menos dez que o calendário gregoriano.
Das cinco horas da manhã até às 20.39, assim será hoje a duração do jejum, a decrescer conforme Setembro venha chegando. Estas cerca de 16 horas de privação voluntária de comida ou bebida são encurtadas quando o mês do Ramadão recai nos meses de Inverno das regiões mais afastadas dos trópicos.
Em cada ano, a Mesquita de Lisboa passou a facultar aos crentes pela Internet os horários de fazer jejum, tendo como ponto de orientação as principais cidades do país. Para o crente tem significado a orientação mesmo ao minuto e o pormenor do nascer e pôr do sol varia não só de dia para dia, como consoante a zona do país.
Na Alemanha, que já conta com quatro milhões de muçulmanos, um canal de televisão anunciou que todos os dias vai anunciar a hora do começo e fim do jejum.
Segundo explicou ao JN o imã, no Ramadão “há uma intensidade maior” nas práticas por parte dos fiéis. Afirma o “sheik” David Munir que “este é o único mês em que é possível praticar quatro dos cinco pilares”. A crença, as cinco orações diárias, a caridade e o jejum. A peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida, deve ser feita no 12º mês do calendário muçulmano.
Diz o imã Munir que, no que toca ao exercício obrigatório da caridade, ele se concentra no mês do Ramadão em 99% das opções tomadas pelos muçulmanos.
Se este mês é assumido como sagrado isso deve-se “ao início da revelação do Alcorão ao Profeta Maomé”. Daí a espiritualidade que deve ser conferida à vivência desse tempo, refere também o mesmo teólogo, há já 25 anos na Mesquita de Lisboa.
A comunidade muçulmana em Portugal tem sobretudo como raízes os crentes vindos de Moçambique, a que se juntaram outros da Guiné-Bissau e de pessoas trazidas por outras origens da corrente migratória.
“A prática do Islão”, assegura o teólogo, “é muito pessoal. Vir à mesquita não é sinónimo de ser muçulmano”.
Jornal de Noticias de 11 de Agosto de 2010, por Eduarda FerreiraCom uma data móvel, que recua todos os anos no calendário e que é anunciada com precisão à roda do mundo consoante a hora do primeiro avistamento da Lua após a Lua Nova, chega para os crentes do Islão o mês sagrado.
Em todo o mundo, serão actualmente 1, 57 mil milhões (cerca de 23% da humanidade). Portugal tem uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas integradas nesta fé, a maior parte vivendo na região da Grande Lisboa.
Por estes dias, até 9 de Setembro, aumenta a afluência à Mesquita de Lisboa: não são apenas as cinco orações diárias que ali levam os praticantes do Islão, é também uma oração especial que àquelas é acrescentada e que consiste na recitação, de cor, de uma das 30 partes do Alcorão.
Antes dessa oração especial, os crentes podem quebrar o jejum com uma tâmara. Só mais tarde, com o ocaso, será tempo de uma refeição. A Mesquita de Lisboa está preparada para servir 800 refeições gratuitas.
O mês sagrado coincidindo com tempo de férias laborais ou escolares permite maior afluência às orações, que podem também ser feitas em casa ou noutro lugar conveniente.
No próximo ano, o Ramadão vai começar recuando cerca de dez dias no calendário e assim será sempre, obedecendo ao ano lunar, que tem a duração de 355 ou 356 dias, menos dez que o calendário gregoriano.
Das cinco horas da manhã até às 20.39, assim será hoje a duração do jejum, a decrescer conforme Setembro venha chegando. Estas cerca de 16 horas de privação voluntária de comida ou bebida são encurtadas quando o mês do Ramadão recai nos meses de Inverno das regiões mais afastadas dos trópicos.
Em cada ano, a Mesquita de Lisboa passou a facultar aos crentes pela Internet os horários de fazer jejum, tendo como ponto de orientação as principais cidades do país. Para o crente tem significado a orientação mesmo ao minuto e o pormenor do nascer e pôr do sol varia não só de dia para dia, como consoante a zona do país.
Na Alemanha, que já conta com quatro milhões de muçulmanos, um canal de televisão anunciou que todos os dias vai anunciar a hora do começo e fim do jejum.
Segundo explicou ao JN o imã, no Ramadão “há uma intensidade maior” nas práticas por parte dos fiéis. Afirma o “sheik” David Munir que “este é o único mês em que é possível praticar quatro dos cinco pilares”. A crença, as cinco orações diárias, a caridade e o jejum. A peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida, deve ser feita no 12º mês do calendário muçulmano.
Diz o imã Munir que, no que toca ao exercício obrigatório da caridade, ele se concentra no mês do Ramadão em 99% das opções tomadas pelos muçulmanos.
Se este mês é assumido como sagrado isso deve-se “ao início da revelação do Alcorão ao Profeta Maomé”. Daí a espiritualidade que deve ser conferida à vivência desse tempo, refere também o mesmo teólogo, há já 25 anos na Mesquita de Lisboa.
A comunidade muçulmana em Portugal tem sobretudo como raízes os crentes vindos de Moçambique, a que se juntaram outros da Guiné-Bissau e de pessoas trazidas por outras origens da corrente migratória.
“A prática do Islão”, assegura o teólogo, “é muito pessoal. Vir à mesquita não é sinónimo de ser muçulmano”.
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