quarta-feira, 28 de julho de 2010

[1112.] Dias vencidos 24 a 28.07.10

Quando aceitei integrar a lista do Chefe Liberto Maia para mais um mandato na Junta de Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas, em Junho de 2008, fi-lo com a intenção de testar e pôr em prática algumas ideias que tinha na minha cabeça e que tinha apreendido da experiência do trabalho com a Equipa Nacional do Programa Educativo - cuja nomeação para a Equipa Nacional de Pioneiros e Marinheiros havia aceite quatro meses antes.
Eu tinha começado a trabalhar com o Núcleo em 2004, com a organização de um mítico Curso de Guias em Cernache, e fui prosseguindo na chefia da equipa do campo da III que organizou o AEP em Quiaios, e depois mais dois Cursos de Guias... até ser cooptado para a Junta de Núcleo em Dezembro de 2006.
Ao assumir as responsabilidades pedagógicas do Núcleo estabeleci, imediatamente, duas prioridades: - a de encontrar uma equipa alargada e versátil; - e a de apresentar um plano trienal de actividades com objectivos claros de enquadramento, de crescimento e de melhoria da qualidade da oferta pedagógica.
A primeira prioridade, que o Núcleo já havia assinalado como importante na avaliação do ACANUC de N.ª Sr.ª do Chão de Calvos, foi concretizada imediatamente (apesar de eu ser uma nódoa a fazer equipas). A segunda conseguiria fazê-la aprovar por unanimidade alguns meses depois, no Conselho de Núcleo.
«Crescer passo a passo» foi o tema trienal para um mandato que se pretendia de pedagogia da preparação, da vivência e da avaliação da actividade maior que o método escutista proporciona: o Acampamento.
No primeiro ano do triénio - "O Primeiro Passo" -, em Novembro de 2008, fizemos um acampamento em Seixo de Mira onde choveu terrivelmente, que ajudou a trabalhar a dimensão da preparação que, em casa, temos de ter para que o acampamento corra bem. No segundo ano do triénio - "Ser Construindo" - , em Novembro de 2009, demos inicio ao trabalho da dimensão da realização e da vivência do acampamento. Começámos com a utilização do Método do Projecto - e o consequente envolvimento dos escuteiros - no Curso de Guias de Cernache. Trabalhámos a coisa durante largos meses e o acampamento - o 5.º ACANUC - começou a 24 de Julho, em Penacova.
"Ser Construindo" era o grande tema do ano. Para isso, a ideia da CONSTRUÇÃO de uma catedral - como imagem da construção pessoal que o acampamento e a vivência em ambiente escutista (com os valores, a Lei do Escuta, o sistema de patrulhas levado ao expoenete máximo, e o aprender fazendo) proporciona - pareceu-nos adequado. Baseados na história narrada por Ken Follet no romance histórico "Os Pilares da Terra", recriámos uma cidade medieval. Procurámos, ainda, recriar não só uma mera cidade, mas a Civitas ideal idealizada por B.-P., que ao fundar o escutismo buscou formar "a próxima geração de líderes" comunitários. Esta cidade - Pax Hill, o nome da emblemática propriedade onde B.-P. viveu a sua vida depois de ter fundado o escutismo, 'Colina da Paz' - procurou ser a cidade de lona, perfeita e de acordo com o sonho do fundador.
Ainda não tenho uma visão completa da avaliação da actividade. Mas há generalidades, comummente aceites (digo eu), que me enchem de orgulho em mais esta realização de uma equipa esforçada e que, genericamente, trabalha com eficiência e eficácia. O imaginário revelou-se uma mais-valia, as actividades foram arrojadas quanto-baste, não se registaram problemas de saúde ou conforto dignos de registo, a postura pública dos dirigentes foi muito positiva, o impacto na comunidade de Penacova e Lorvão foi extraordinariamente positivo.

Há, portanto, e para já, razões para considerar esta actividade como um sucesso!



Este é o momento em que, na Cerimónia de Abertura, os escuteiros passam o Pórtico (simbolo do 2.º ano do triénio e do 'Ser Construindo'), e são 'transportados' para 1386, e para o tempo da cidade medieval de Pax Hill. Foi uma imagem que os escuteiros apreenderam com muita facilidade, assim me parece.

Este é o brasão, as armas, de Pax Hill. A Pomba, simbolo da Paz, de Pax, ao centro a Flor-de-Lis, simbolo da fraternidade escutista. Sob o fundo amarelo, a cruz castanha, dos monges - imaginário especifico dos Lobitos. Sob o fundo verde, a balança, simbolo da justiça e do equilibrio e do comércio dos mercadores - imaginário da II Secção. O compasso e o esquadro, amarelos sob o fundo azul representam os construtores - imaginário especifico dos Pioneiros. Por fim, as duas espadas cruzadas, simbolos dos cruzados, simbolizava o imaginário especificos dos caminheiros.


[1118.] Hoje

Faz hoje seis anos que me tornei Chefe de Agrupamento do 1037 Mealhada.
Seis anos... como o tempo passa!

domingo, 25 de julho de 2010

[1111.] Hoje

é dia de São Tiago, Maior
Hoje é dia de São Tiago Maior. São Tiago de Compostela. Dia de São Tiago em ano Jacobeu (sempre que 25 de Julho calha a um domingo). Infelizmente não estou em Santiago de Compostela hoje, com muita pena minha, diga-se de passagem - até porque o próximo ano Jacobeu é em 2021...
Para quem, como eu, já tem duas compostelas (fiz duas vezes o Caminho de Santiago, a pé, numa distância superior a 120 quilómetros) o dia de São Tiago é um dia especial. É um dia admirável.
Farei a terceira compostela ainda este ano - Se Deus Quiser! - e nessa altura espero poder compensar esta minha falta para comigo próprio!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

[1109.] Dia vencido 22.07.10

Na minha vida (até ver, claro está) tive quatro grandes mestres. O Professor Armindo Pega deu-me atenção e paciência, o Padre Abílio Simões mostrou-me o orgulho da perfeição, o Professor Manuel Santos ensinou-me a usar da auto-estima e o Professor Pedro Semedo mostrou-me mundo! Aos quatro SOU muito grato!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

[1094.] Mercurii dies

Pampilhosa: “Farol de cultura”

Vítor Matos, presidente da Junta de Freguesia da Pampilhosa, afirmou, um dia, numa sessão de inauguração de uma qualquer iniciativa na vila, que a Pampilhosa era “um farol de cultura no concelho da Mealhada”. A imagem é humorada, mas é, também, muito interessante. Também de Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada e pampilhosense, é conhecida a declaração de que a Pampilhosa é uma terra de associações onde sempre se praticou a democracia, mesmo quando o país vivia em ditadura. Estas duas ideias, intimamente ligadas, não podem deixar de ser citadas quando se vive um mês em que a Pampilhosa marca, de forma total e notória, o panorama cultural do concelho da Mealhada.
A PampiArte, a exposição com vinte cinco artistas plásticos, a exposição dos trabalhos das crianças sobre a “Pampilhosa do Futuro”, a edição de quatro selos alusivos aos 25 anos da elevação da Pampilhosa à categoria de vila, a actuação de um grupo folclórico cossaco, as actuações, o intercâmbio e a recepção da Filarmónica Pampilhosense à Real Filarmónica de Hendersem, na Bélgica, e o XXIII Festival Internacional de Folclore da vila da Pampilhosa – promovido pelo Grupo Regional da Pampilhosa do Botão –, a 31 de Julho, são iniciativas que, individualmente, numa qualquer localidade do concelho – em Luso ou na Mealhada, nomeadamente, mereceriam atenção por serem feito assinalável. Acontece que estas iniciativas, promovidas pela Junta de Freguesia e pelas associações, e não pela Câmara Municipal, acontecem ao mesmo tempo e num período de quinze dias, enquanto decorrem as festas em honra de Santa Marinha, padroeira da Pampilhosa.
A Pampilhosa é, de facto, um caso de estudo num concelho em que o movimento associativo parece estar excessivamente dependente da Câmara e onde o ritmo das iniciativas é muito diferente. Não dizemos que não haja actividades de grande valor nas outras freguesias. Mas temos de reconhecer que o volume de iniciativas de qualidade, ao mesmo tempo, na Pampilhosa, é facto digno de registo e de elogio.
Fruto de uma tradição proletária, mais comunitária, de envolvimento nas associações locais. Fruto de uma herança de vivência de valores de Igualdade, Liberdade e Fraternidade – de tradição maçónica – em muitas das colectividades da vila ferroviária. Fruto de um bairrismo, muitas vezes mal entendido, de auto-determinação e de vivência numa cultura de marcar pela diferença e pelo arrojo. Fruto de um ambiente de caldo de culturas que o mais importante entreposto ferroviário com a Europa proporcionou durante décadas. Todas estas podiam ser razões alvitradas para justificar a nossa concordância com a declaração de Vítor Matos: “A Pampilhosa é o farol de cultura do concelho da Mealhada”.
Há vinte e cinco anos, em 9 de Julho, por iniciativa da deputada do PCP pelo círculo eleitoral de Aveiro, Zita Seabra, a Assembleia da República votava, por unanimidade, a elevação da Pampilhosa à categoria de vila. Em 25 de Setembro seguinte, a Lei n.º67/85 promulgava a deliberação e tornava-a oficial e definitiva. Vinte e cinco anos passados, não há dúvida de que a Pampilhosa – a Junta e as suas colectividades – soube assinalar o aniversário com vitalidade e arrojo, mostrando que se trata de uma grande vila, digna desse nome e capaz de brilhar na região.

Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de Julho de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

[1093.] Lunae dies... porque "recordar é viver"

A malta que foi a Macau - ao abrigo do Concurso Nacional de Jornalismo Juvenil - em Agosto de 1997 tem um grupo no Facebook com muitas fotografias fantásticas!

[1092.] Lunae dies...

"Senhor, Dai-me paciência... porque se me Dais Força, parto-lhes a tromba"
Podia ser uma boa legenda para esta foto tirada pelo Frederico Santos no Acampamento Regional de Coimbra - Jambeiras - em Agosto de 2009.

domingo, 18 de julho de 2010

[1108.] Hoje

é o
"Nelson Mandela Day",
data estabelecida pela ONU.

A ONU exorta os Homens a dedicarem, neste dia, 67 minutos a trabalho voluntário de servico aos outros!

É isso q vou fazer agora! Talvez um pouco mais!



What is Mandela Day?
- Mandela Day is an annual celebration of Nelson Mandela’s life and a global call to action for people to recognize their individual ability to make an imprint and change the world around them.
- Mandela Day has been created to inspire people from every corner of the world to embrace the values that have embodied Nelson Mandela’s life – democracy; equality; reconciliation; diversity; responsibility; respect and freedom – for these are the values of Nelson Mandela and they are his legacy to the world.
- Mandela Day aims to showcase the work of the Nelson Mandela charitable organisations (Nelson Mandela Foundation; Nelson Mandela Children’s Fund; Mandela Rhodes Foundation) and raise monies to support their continuing work.
- By connecting people with ways to act on Nelson Mandela’s values, we aim to empower every individual to make an imprint on the world.
- The Mandela Day campaign message is simple: Nelson Mandela has given 67 years of his life fighting for the rights of humanity. All we are asking is that everyone gives 67 minutes of their time, whether it’s supporting your chosen charity or serving your local community.
- Mandela Day is a global social movement – an umbrella idea – that does not discriminate, it’s open and lets in and embraces every organization that does good, whilst enabling people to serve their community and improve their lives.
- The Mandela Day brand icon represents Mr Mandela’s hand and the passing of the torch to each of us and our individual ability to make an imprint on the
world.

- Mandela Day is not a holiday – it is a day for all of us to option and show that we can all make an impact.

[1110.] Hoje

é dia de
SANTA MARINHA
Padroeira da Pampilhosa
Santa Marinha (virgem e mártir) diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória. A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as baptizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade. Por esse tempo, o César romano ordenou aos delegados imperiais para activarem a perseguição aos cristãos na Península Ibérica. Nessa perseguição, os soldados viriam a descobrir as gémeas, que foram detidas mercê das suas crenças, sendo levadas à presença do régulo. Este, acabou por constatar que elas, afinal, eram suas filhas. Quis convencê-las a renunciar à sua fé e a abraçar o paganismo. Porém, em face da sua resistência, mandou detê-las e enclausurá-las no Palácio. Sucedeu que as prisioneiras durante a noite, por intervenção sobrenatural ou com a ajuda da própria mãe, lograram alcançar a liberdade. Correndo em várias direcções chegaram a províncias espanholas, donde se dispersaram. Todavia, Santa Marinha, teria sido apanhada nas proximidades de Orense, em Águas Santas, e condenada à morte, sendo aí degolada em 18 de Julho do ano 130, vindo as suas irmãs a ser também martirizadas. Diz-se que Santa Liberata, que tem uma bela imagem na Capela de Gaia, teria sido crucificada junto do Castelo.

sábado, 17 de julho de 2010

[1107.] Hoje

é dia do 144.º aniversário do nascimento de

António José de Almeida,

sexto presidente da República Portuguesa.
É, ainda, Feriado Municipal em Penacova.

Em ano de centenário da República foi particularmente interessante a homenagem do Municipio de Penacova à sua figura mais importante. António José de Almeida, o sexto presidente da República Portuguesa e o único a levar o seu mandato até ao fim, nasceu em Vale da Vinha, na freguesia de Farinha Podre - que hoje se chama São Pedro de Alva - em 17 de Julho de 1866.
O professor Reis Torgal, que participou nas homenagens não teve pudor em dizer que António José de Almeida foi o presidente, o melhor presidente da Primeira República. E eu acredito que seja verdade.
O homem teve um percurso de vida muito interessante, antes de chegar ao lugar de ministro, de primeiro-ministro e, depois, de Presidente da República. Foi um cidadão exemplar e levou a cruz a bom porto.
A tónica dos discursos dos autarcas penacovenses foi dada no sentido de a casa onde nasceu (nas fotos), hoje praticamente em ruína, ser recuperada e transformada em Casa Museu. A ideia parece ser optima, e o problema é muito mais de entendimento entre os herdeiros do que de dinheiro para o projecto se concretizar.
Manuel Teixeira Gomes, em Faro, e Teofilo Braga, no Minho, já têm casas-museu. António José de Almeida, em Vale da Vinha, e pelo que disse Reis Torgal, por maioria de razão, também merecia. Que maneira extraordinária essa de celebrar o centenário da República.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

[1106.] Visto isto

«O Verão é a única estação e, nos seus movimentos, acaba por ser uma metáfora da vida espiritual".

Rainer Maria Rilke, recordado por Tolentino Mendonça, no Público.

[1104.] Dia vencido 16.07.10

Notas sobre o DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO

1. - Eu até sou apologista do uso do termo Nação (não tenho medo nenhum da palavra), mas estes debates são muito mais sobre o Estado da REPÚBLICA sobre o Estado da Nação. A Nação é muito mais do que a República e nestes debates nem da República se fala em condições, quanto mais da Nação...
2. - Sócrates, o inveterável optimista, está completamente alheado da realidade da República. Os portugueses não precisam de CONFIANÇA, PRECISAM DE VERDADE
3. - Sócrates ataca a mão que lhe tem dado de comer, a do PSD. A ingratidão paga-se cara, com descrédito e com alheamento completo por parte das pessoas.
4. - Depois de Cavaco Silva e de Mário Soares (por esta ordem) Paulo Portas é o melhor político português eleito depois do 25 de Abril. Hoje esteve brilhante.

[1103.] Hoje

é dia de
NOSSA SENHORA DO CARMO

A história da Ordem Carmelita é muito interessante. Reza a tradição que o Profeta Elias fundou no Monte Carmelo, no Líbano, num jardim, um local onde esteve o resto da sua vida eremítica. O Profeta Elias foi um precursor do anúncio da vinda do Messias. Mais tarde, nesse mesmo monte, os cruzados decidiram criar ali um mosteiro e dar inicio à ordem carmelita, sempre declarando que a ordem teria tido origem em Elias. Seria, portanto, uma ordem cristã, nascida antes de Cristo. Esse primeiro mosteiro foi dedicado à Virgem Maria, tomando o nome de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou do Carmo.

Na iconografia, Nossa Senhora do Carmo é retratada como uma mulher, coroada, vestida com o hábito castanho, com o Menino Jesus, coroado, ao colo. Na mão tem vários escapulários (o pedaço de pano que os monges e as monjas têm sobre os ombros), sinal da obediência monástica.

No Bussaco, no concelho da Mealhada, no século XVI, os carmelitas fundaram um deserto ermitico com um Convento. Como não podia deixar de ser Nossa Senhora do Carmo tem lá uma imagem, venerada, em lugar de destaque.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

[1105.] Dia vencido 15.07.10

O professor Manuel Santos considera que devia haver uma placa na porta do Jornal com a seguinte inscrição:

«Deixai toda a esperança, vós que aqui entrais».

Um dia vou colocá-la.

A frase - "Lasciate ogne speranza voi che'intrate" - está, segundo Dante, "num letreiro escuro, escrita por cima de uma porta". A Porta é a do Inferno... [Divina Comédia, Canto III, 9]

quarta-feira, 14 de julho de 2010

[1091.] Mercurii dies em jeito de avaliação do Carnaval de Verão

O Verão dura até Setembro...


É uma pena que o Carnaval de Verão na Mealhada, no passado domingo, 11 de Julho, não tenha merecido a adesão do público e, lamentavelmente, a presença de grande parte dos que, em Fevereiro, desfilam no corso no sambódromo Luís Marques. Dizemo-lo, porque consideramos que a ideia tem mérito, tinha justificação e, aparentemente, deveria ter tido adesão. Assim não foi, interessa pois avaliar as razões para que tal não tenha acontecido.


Somos dos que consideram o Carnaval como um espectáculo completo. Trabalhamos para que o evento possa considerar-se, e seja realmente, como a mais grandiosa e qualificada oferta cultural do concelho da Mealhada. Para isso, e por isso, organizamos o Concurso de Escolas de Samba. Por isso e para isso sentimos que temos a obrigação de incentivar a avaliação de tudo o que – tendo impacto público – possa estar relacionado com o Carnaval Luso-brasileiro da Bairrada. Temos de reconhecer que se o que o publico vê for bom – seja quando for –, então, isso é positivo para o Carnaval na Mealhada.
O espectáculo não começou a horas. Fez-se tempo para que chegasse mais gente... mas não começou a horas e isso é, neste ano especialmente, relevante. Houve a tentativa de homenagear os fundadores do Carnaval Luso-brasileiro, há 40 anos. Não resultou. Os fundadores não aderiram e a forma encontrada – associada, talvez, ao medo de esquecer alguém – mostrou-se fracassada. Em 2008, a alegoria dos "30 anos de Carnaval", e a imagem de alguns dos fundadores impressa em vinil, revelou-se muito melhor.
As escolas – genericamente – não se conseguiram mobilizar. Algumas nem sequer conseguiram ter figurantes para que desfilassem todas as alas que integravam o enredo apresentado em Fevereiro. Acreditamos que esse – a sazonalidade da mobilização – possa ser um problema das escolas mealhadenses, mas os seus dirigentes deveriam ter consciência disso. Algumas escolas – da Mealhada e não só – apresentaram um espectáculo paupérrimo que, infelizmente, não dignifica o carnaval luso-brasileiro. Se o nosso corpo de jurados tivesse sido convovado, certamente, atribuiria muitas notas cinco – o mínimo previsto no regulamento (que pode ser consultado no nosso sitio na internet – e algumas notas zero.
Houve aspectos positivos, o espectáculo proporcionado pelo grupo de Válega, em estilo "parada musical Disney", pode ser inspirador – porque enriquece o espectáculo e e faz diminuir a dependência das escolas de samba.
Fará sentido repensar o conceito de Carnaval de Verão, sem o abandonar totalmente, pensando que em Setembro – quando há o Festival de Samba que já é evento enraízado – também é Verão. Valerá a pena arriscar, novamente. Assim pensamos.

Opinião de Nuno Castela Canilho (Director do Jornal da Mealhada),
in Jornal da Mealhada de 14 de Julho

[1090.] Mercurii dies em dia de 'milestone'

Oitocentos números depois

O Jornal da Mealhada publica hoje a edição 800 da terceira série – nascida em 1987. É mais um marco num ano em que a empresa proprietária do jornal assinala o seu 25.º aniversário. O número 800 do JM chega a casa das pessoas numa altura em que se vive uma grave crise económica que, como todos já ouvimos falar, já chegou aos jornais. Nos últimos quinze dias encerrou o jornal diário ‘24 horas’, encerrou o jornal gratuito ‘Global’ e, no passado domingo, fez-se silêncio na frequência da estação do Rádio Clube Português.
Não valerá a pena estar a explicar as razões pelas quais estes órgãos de comunicação social deixaram de ser editados. Todos vivemos na pele constrangimentos e receios quanto ao futuro que facilmente farão compreender a medida. Compreensão que – não somos ingénuos – pode até ter antecipado despedimentos colectivos, mais ou menos justificáveis. Mesmo que com os referidos órgãos de comunicação social não tivéssemos qualquer proximidade, fizessem ou não o nosso estilo, fossemos ou não leitores ou ouvintes, todos devemos lamentar o calar de uma voz.
Quando um jornal acaba, abre-se um vazio no nosso espírito colectivo e comunitário. Os vespertinos Diário Popular e o Diário de Lisboa acabaram há vinte anos – em tempo de vacas muito mais saudáveis – e continuam a fazer parte do nosso imaginário social.
O tempo não é de grandes festejos, mas importa sublinhar, mesmo que sujeitos à crítica do auto-elogio (que José Estêvão dizia ser como cuspir na sopa que se come), a sobrevivência do Jornal da Mealhada apesar de tantas vicissitudes sociais, económicas e financeiras que o país atravessa.
Vicissitudes que têm sido ultrapassadas, em larga medida, pelo facto de o Jornal da Mealhada ter uma implantação radicada em assinaturas pagas de leitores que quiseram usufruir de um serviço cómodo alicerçado numa componente de responsabilidade social muito forte. Num tempo de dificuldades – que se reflectem, naturalmente, na angariação e no preço da publicidade, e na redução da comparticipação do Estado no envio postal, o chamado ‘Porte Pago’ – é, uma vez mais, nos assinantes que se sustenta a sobrevivência de órgãos de comunicação social de interacção local e comunitária. Sobrevivência que, muitas vezes, obriga a que o preço da assinatura fique abaixo do preço do custo da própria publicação do jornal e que necessárias actualizações fiquem adiadas para melhores dias.
Apesar de compreendermos que é nas famílias, na casa de cada um, que as dificuldades mais severamente se fazem sentir, apelamos a todos os nossos assinantes para que regularizem a sua assinatura – dentro do que for razoável e exigível – e possam solidariamente contribuir para que, associada a esta crise económica e financeira não se somem crises de valores, de cultura, de interacção, e de informação – logo de democracia e de sentido cívico – que o encerramento de jornais e rádios necessariamente produz.

Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

[1102.] Dia vencido 11.07.10

Hoje é Dia de São Bento.
Curiosamente, é o XV Domingo do Tempo Comum, Ano C.

No Evangelho deste domingo, recita-se o evangelista Lucas - Lc 10, 25-37.

Precisamente no versículo 37, é dito:

"Disse, pois, Jesus: VAI E FAZ DA MESMA MANEIRA!"

[1101.] Hoje

é dia de
SÃO BENTO

Foi decretado Padroeiro da Europa em 1964. Bento de Núrsia no século V foi o fundador das Ordem dos monges Beneditinos, e o redactor da ordem de são Bento que, depois, servirá de base a todas as ordens monásticas. Os mosteiros, e os dos beneditinos em especial, acabaram por ser um elemento fundamental e fundador daquilo que hoje consideramos Europa. Centros de cultura, de conhecimento, de culto do saber, os mosteiros foram pilares do porto seguro que a tradição judaico-cristã conseguiu consolidar na Europa.

Na iconografia, São Bento é retratado como um homem velho, vestido de negro (o hábito beneditino) com um báculo (sinal do poder do pastor), com uma mitra na cabeça (sinal do poder episcopal), com um livro e um cálice. Nalgumas representações tem também junto a ele um corvo ou uma serpente.

Na Vacariça, no concelho da Mealhada, no século X, há mais de mil anos, existia um Mosteiro de São Vicente da Vacariça, bubulense e de obediência beneditina. São Bento é, ainda hoje, orago na freguesia da Vacariça.

sábado, 10 de julho de 2010

[1100.] Dia vencido 10.07.10

É com muito gosto que me dedico à promoção, organização e realização de actividades de média e grande dimensão para escuteiros. É um exercício, fazer coisas em grande escala, que me dá adrenlina e me satisfaz de sobremaneira.
Há momentos de impasse e frustração e, depois, sempre, há momentos de grande alegria. A gestão da ansiedade, o deleite do saborear a adrenalina é viciante e extraordinário. Ver gente, à nossa volta, a dar o litro, mesmo sem ver nem dar conta, é animador. Quando desanimam parece que me injectam nova dose de energia e dão-me ainda mais força que normalmente canalizo para lhes dar alento.
Será doentio?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

[1099.] Dia vencido 09.07.10

O projecto das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada foi a melhor ideia da Câmara da Mealhada no mandato anterior. Não tenho dúvidas nenhumas disso. A ideia cresceu e está a ganhar maturidade. Com o nascimento da Associação 4 Maravilhas ganhou estabilidade e perenidade. Precisa, agora, de ser avaliado - já passaram 4 anos desde que o projecto foi lançado - e de receber inputs externos de forma descomplexada e longe de mesquinhez política, partidária ou corporativa.
A Gala das 4 Maravilhas que se realizou hoje mostra isso mesmo. Mostra que é preciso um upgradezinho. O João Baião portou-se bem, foi interessante o serão, mas houve um conjunto de pormenores que falharam. Falo só de referências, explicações, agradecimentos que deviam ter sido feitos e não foram.

[1098.] Hoje


Faz hoje precisamente 25 anos que foi aprovado na Assembleia da República o projecto de lei n.º 123/III, assinado pelos deputados do PCP Zita Seabra e Anselmo Aníbal que propunha a elevação da Pampilhosa à categoria de vila.

O projecto foi aprovado e deu origem à Lei n.º 67/85 de 25 de Setembro.

A este propósito:
http://ncastelacanilho.blogspot.com/2008/09/612-iovis-dies.html

http://ncastelacanilho.blogspot.com/2010/07/1094-mercurii-dies.html

[1089.] Veneris dies

Hoje faz anos uma escuteira, aliás uma dirigente do Corpo Nacional de Escutas.
É, portanto, um bom dia para, através dela, deixar uma palavra de homenagem a todas as mulheres que se envolveram e se envolvem diariamente no Escutismo em todo o planeta.
Esta homenagem começa por fazer sentido pelo facto de o Escutismo, quando foi fundado, o ter sido exclusivamente para rapazes. Só mais tarde, e por exigência das raparigas, é que surgiu uma variante do método, o Guidismo, criado pelo fundador, mas implementado pela sua mulher, irmãs e filhas. O Escutismo propriamente dito só quando foi alargado às crianças de seis anos é que começou a receber o apoio das mulheres. Elas eram as educadoras perfeitas para as crianças do sexo masculino.
A admissão das mulheres como escuteiras e dirigentes só se dá muitissimo mais tarde, em Portugal isso só aconteceu na década de setenta do seculo passado, quase cinquenta anos depois do Corpo Nacional de Escutas ter sido fundado.
E tanta falta que as mulheres, pela sua sensibilidade, pela maneira como vêem e resolvem os problemas, fazem ao movimento e à sociedade civil.
Obrigado a todas elas.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

[1087.] Hoje... a Rainha desceu à cidade




Há tradições bonitas. Tradições que têm, na minha opinião, até muito pouco de religioso, para além da espiritualidade um pouco mercantilista do "é pagando que se recebe". Mas é bonita a tradição (até pagã) da santa que desce à cidade nos anos pares, onde permanece a dar Graças as Crentes até regressar a casa onde repousará vigilante por mais vinte e quatro meses.
Na minha espiritualidade pessoal, não me entram na cabeça as 'imagens venerandas', mas aprecio o que está para além do óbvio e a cidade que faz ressuscitar uma figura histórica da sua cultura e ver naquele pedaço de argila ou madeira (não sei bem) feito santa veneranda mostra muito de místico, muito de espiritual. Não pelo que a imagem é - que não é nada - mas por tudo aquilo que os homens, capazes de ver o abstracto, vêem nela. E pela necessidade que têm de estar frente-a-frente e de tocarem no transcendente.
Fui hoje à procissão nocturna da Rainha Santa Isabel. Ouvi, atentamente, a saudação feita por um padre à imagem da santa em nome dos conimbricenses. Gosto de sublinhar gestos feitos tradições porque repetidos ano após ano, mesmo que me sejam dificeis de entender. Gosto de ver que os homens se ligam, se religam, à espera do transcendente.
Isabel de Aragão foi esposa de um grande rei, "um poeta plantador de caravelas", que, ao que parece só para ela era bruto. Foi mãe de um outro bruto rei, que com o pai nunca se deu, assassino da nora, mas talvez por isso estadista e patriota. Foi avó de um rei ainda mais bruto, enraivecido de amor e chamado de justo. Do seu utero nasceu o que teria sido uma geração gloriosa de reis medievais portugueses, brutos, não tivesse sido ofuscada pela do bisneto João de Avis e sua inclita geração. Não sei se foi esposa dedicada, mãe exemplar ou avó extremosa. Não sei se fosse essa mulher que ontem ouvi descrever. Não sei, nem acho que isso seja importante. Está nos altares dos santos por ter fama de caridosa, de humilde, de "política" preocupada com os mais desfavorecidos.
Era a santa preferida do meu avô Hilário que deu o seu nome à unica e tardia filha. É padroeira de Coimbra, e é dela para sempre.
Que se sinta bem na cidade enquanto lá estiver. E regresse em paz.

[1097.] Hoje

Numa altura em que se discute a construção de um novo edificio para a Câmara Municipal da Mealhada, faz sentido lembrar que o actual edificio, que o novo projecto vai aproveitar, começou a ser construído faz hoje, precisamente, 115 anos.
115 anos é muita fruta, mesmo num edificio público de um pequeno municipio.
A história deste edificio, e, especialmente, o debate da sua localização são apontamentos deliciosos da história deste concelho e uma verdade fantástica que prova que a História repete-se, ciclicamente, quando os protagonistas são feitos da mesma cêpa.

[1096.] Visto isto 08.07.2010

«Deus permite o mal.
O sofrimento às vezes faz muito bem à alma.
Deus nunca nos dá uma cruz maior do que aquela que podemos suportar e
permite o mal neste mundo porque, quando um ser humano nasce, a linha de saída
não tem nenhum mérito.
Mérito é gerir o bem e o mal até ao fim!»

José Fortea, padre exorcista espanhol, em entrevista ao jornal i

[1088.] Iovis dies

Kim il Sung e o seu filho, Kim Jong il, líderes da Coreia do Norte
Há um país na Asia do qual só Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, tem dúvidas de que não seja uma democracia. Este parlamentar português terá sido o unico tuga a lamentar a goelada que Portugal proporcionou aos norte-coreanos.
Kim il Sung, era o ditador do país desde 1948, reponsável pela Guerra das Coreias - liderava a facção comunista vitoriosa acima do paralelo 48. Morreu faz hoje 16 anos o que quer dizer que desde esse dia, o ditador é o seu filho, Kim Jong il, uma espécie de Mr.Evil do mundo contemporâneo.
Em Iovis dies apresentamos uma pintura que mostra muito do que é a Coreia do Norte. Os dois líderes brincam com as criancinhas... e aos seus pés estão milhões de pequenos seres que esbracejam alegres e pequeninos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

[1086.] Mercurii dies

«Cada geração precisa de uma nova revolução»

Carlos Jalali, docente da secção autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas da Universidade de Aveiro, escreveu, recentemente, um artigo, intitulado “Os Cidadãos e a Politica em Portugal: um divórcio por mutuo consentimento?” – acessível em http://uaonline.ua.pt/detail.asp?lg=pt&c=17980 – que, para além de ser muito interessante ajudará a compreender o fenómeno social do desinteresse pela Política, que a todos deve preocupar, pese embora o autor defenda que serão os políticos os menos interessados em voltar a juntar eleitos e eleitores.
Olhar com pessimismo para o futuro da democracia não é coisa recente. Jalali lembra comentários do antigo chanceler alemão Willy Brandt, um dos pais da União Europeia, em meados da década de setenta do século passado para ilustrar esta ideia. O docente da Universidade de Aveiro considera, até, que o 25 de Abril de 1974, em Portugal, terá contribuído para contrariar as perspectivas dos que comungavam do pessimismo de Brandt. Carlos Jalali cita Samuel Huntington para sugerir que “a revolução portuguesa assinalou também o início da chamada «terceira vaga de democratização» – um período da história do planeta em que a democracia tem progredido significativamente”.
Esta terceira vaga de democratização terá permitido que nos últimos trinta e cinco anos o número de democracias tenha triplicado e que o “debate tenha deixado de ser sobre os méritos da democracia liberal (em oposição a outros regimes) para se centrar na qualidade da democracia”.
Esta qualidade da democracia, num modelo de Diamond e Morlino, já neste século, ocorrerá segundo uma avaliação em três níveis distintos: “o dos procedimentos democráticos (que reflectem inter alia a competição eleitoral, o enquadramento legal e o accountability vertical e horizontal dentro do sistema político); o conteúdo da democracia (i.e., se garante efectivamente a liberdade e igualdade – política, social e civil – dos seus cidadãos); e os seus resultados – a avaliação que os cidadãos fazem do seu funcionamento, e se esta se mostra capaz de formular e executar políticas públicas que reconheçam e satisfaçam as exigências dos cidadãos e do interesse público”.
A verdade é que ao nível dos resultados, a avaliação da qualidade das democracias, e especialmente da portuguesa, parece não ser muito positiva. O politólogo Pedro Magalhães, também citado por Jalali, fala-nos, novamente em três D da actualidade. Se em Abril de 1974 queríamos Descolonizar, Democratizar e Desenvolver, hoje os portugueses serão Democratas, é certo, mas Descontentes com o desempenho das instituições políticas e Desafectos – um sentimento algures entre o Desinteresse e o Distanciado.
Jalali remata o seu texto com uma ideia de certo modo inquietante: “O distanciamento entre cidadãos e a política não é necessariamente negativo para governantes – pelo menos a curto prazo. Como refere Martin Wattenberg (2000), obter mandatos com menos votos ‘é o equivalente da General Motors obter os mesmos lucros com menos carros vendidos’”. E lança a questão: “Como então ultrapassar os desafios contemporâneos da democracia?”. “Tal como em 1974, a resposta talvez resida numa revolução – embora desta feita uma «revolução» sem armas, que se baseie antes na participação política dos cidadãos, na transparência de governantes e na dimensão ética de uns e de outros. Afi nal, como Thomas Jefferson afirmou um dia, ‘Cada geração precisa de uma nova revolução’”, rematou. E nós aplaudimos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 7 de Julho de 2010

[1077.] Dia vencido 30.06.10

terça-feira, 6 de julho de 2010

[1085.] Dia vencido 06.07.10

Hoje ouvi uma entrevista interessantissima do Miguel Esteves Cardoso (MEC) ao Carlos Vaz Marques, no «Pessoal e Transmissível» do Carlos Vaz Marques.
O MEC está maduro, está sábio, como ele próprio no final propunha e a verdade é que está, ainda, mais interessante. Fiquei especialmente entusiasmado com o que disse sobre (os tempos d') "O Independente", sobre o projecto politico que encerrava, sobre Cavaco, e, acima de tudo, sobre o ser Conservador.
MEC explicou, de uma forma extraordinariamente inteligente - como é seu timbre -, o que é um conservador, o que é ser e pensar de acordo com uma filosofia política que é, também, uma corrente de sentido de vida.
Eu, que me sinto cada vez menos Conservador, gostei de ouvir MEC. Espero voltar a ele, mais vezes, e tornar-me, eu próprio, mais sábio, mais tranquilo e mais conservador.
MEC, que nunca ganhou nada em nenhuma disputa politica, percebeu, por fim, que os portugueses não o querem no poder, querem-no a seu lado, analisando o fio dos dias!

[1084.] Marti dies... aqui, dentro de casa



AQUI DENTRO DE CASA

Música de José Mário Branco

Encontrei esta música no meu ipod, um destes dias. Já a devo ter ouvido milhares de vezes, pelas vozes de Mafalda Veiga e João Pedro Pais. Um destes dias, noite fora, as palavras parece que fizeram mais sentido e apreciei de outra forma o que ouvia.

Descobri, entretanto, que a música é do José Mário Branco, o que a torna, até, mais interessante - tendo em conta o que é cantando, bem se perceba.

Hoje encontrei a música cantada pelo autor, e pelos dois interpretes que ma mostraram... ao vivo no concerto do 36.º aniversário do 25 de Abril, em 2010.

Muito interessante!

«Meus olhos fechados, mudos, espantados/Te ouviram como se apagasses/A luz do dia ou a luta de classes»

domingo, 4 de julho de 2010

[1083.] Hoje

4 de Julho
Dia da Rainha Santa Isabel
Padroeira de Coimbra
A cidade está em festa, é ano par, a Santa atravessa a ponte

sábado, 3 de julho de 2010

[1095.] Hoje

é dia de
SÃO TOMÉ

Padroeiro dos pedreiros, da India e do Paquistão, o apóstolo incrédulo só reconheceu a ressureição de Cristo depois de ter colocado os seus dedos nas feridas. "Ver para crer" é dito antigo e facilmente ligado a São Tomé.

Depois do Pentecostes os apóstolos partiram para os quatro cantos do mundo para evangelizar. São Tomé foi para a India e lá foi martirizado. Segundo algumas teses Tomé significa gémeo, pelo que este apóstolo seria irmão de outro dos apostolos. Outra tese muito mais polémica, garante que Jesus Cristo, depois de ter ressuscitado, nunca terá "ascendido" aos Céus, pelo que teria acompanhado Tomé na evangelização à India.

Na iconografia, São Tomé é retratado como um homem (os ortodoxos representam-no sempre jovem) com um rolo de pergaminho - sinal do apostulado (quando aberto tem as palavras "Meu Senhor e Meu Deus" - que terão sido as palavras que disse depois de confirmar e enfiar o dedo nas feridas de Jesus). Tem também uma lança, sinal do seu martirio, um esquadro, por ter sido pedreiro e o dedo erecto - o indicador com que penetrou nas feridas de Cristo.

São Tomé é orago na aldeia de Barcouço, no concelho da Mealhada. E tem a ele dedicada uma capela, na entrada nascente da localidade, próximo do cemitério.

O mês de Julho é rico nas solenidades de figuras importantes do Cristianismo. São Tomé é o primeiro destas referências em Julho.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

[1082.] Veneris dies

Amélia de Orleães
(1865 - 1951)
Ultima rainha de Portugal

Uma grande mulher. Provavelmente a principal figura da última corte portuguesa. Sublinhamos, hoje, a coragem de uma mãe que sobreviveu aos filhos. Ao filho nascido para ser rei, Luís Filipe, e ao filho que não nascendo para isso foi o último rei de Portugal.
Manuel de Bragança morreu faz hoje 78 anos. E como deve ter sido dificil para esta mulher aguentar essa finalissima perda.

A Rainha Dona Amélia é uma espécie de mãe do Bussaco, na terceira idade deste espaço. Ela sim devia ser homenageada no Bussaco - a 28 de Setembro, dia em que nasceu, ou a 25 de Outubro, data da sua morte -, mesmo em aniversário da República. Porque também se elogia a República quando se compreende e homenageia os que a antecederam, porque ser republicano é ser justo, fraterno, solidário e igualitarista.
O Bussaco foi um dos locais que exigiu visitar na última visita que fez a Portugal, em 1945. Pediu algumas das pessoas que viviam em Luso, e das quais se recordava, que a fossem visitar ao Palace, onde as homenageou com a sua simpatia.
ADENDA A 03.07.10
Uma das homenagens interessantes que podia ser prestada a Dona Amélia de Orleães era dar o seu nome ao prémio de poesia que a Fundação Mata do Bussaco e a Câmara Municipal da Mealhada criaram recentemente. A Rainha era uma mulher de cultura e certamente enobreceria o prémio com a sua evocação.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

[1081.] Dia vencido 01.07.10

«A estupidez intelectual ainda não morreu»

A frase do Financial Times, um jornal inglês, do país mais colonialista do mundo.
O jornal inglês, que acusa o Governo português de colonialista por ter usado a goldenshare para impedir a venda da Vivo à Telefónica, até pode ter razão, mas eu, como português não aceito ingerências. Pode ser feitio, pode ser estupidez, mas para cá do Marão mandam os que cá estão!

[1080.] Hoje: Parabéns Mealhada!

Mealhada, cidade há sete anos!
Parabéns!
Faz hoje sete anos que o Plenário da Assembleia da República aprovou a proposta de elevação à categoria de cidade da vila da Mealhada. Hoje é o dia do nascimento. 26 de Agosto é o dia do registo!
+
*******************************
Já terei dito TUDO a este propósito?
Talvez não, mas hoje é dia de festa! É Dia Nacional do Vinho!

[1079.] Iovis dies, no Dia Nacional do Vinho

Os Bêbados ou Festejando o São Martinho
é um quadro do pintor português José Malhoa, pintado em 1907.
Pintura a óleo sobre tela, mede 150 cm de altura e 200 cm de largura.
O quadro está no Museu de José Malhoa das Caldas da Rainha.

Wikipédia

Hoje é

Dia Nacional do Vinho

Saúde!

[1078.] Dia vencido 30.06.10

- Hoje houve Assembleia Municipal na Mealhada.

Afinal neste mandato não ficaram sanados todos os defeitos que tinha o anterior. É pena. Não é alvo de critica quem possa pensar que o presidente da Assembleia Municipal, Miguel Felgueiras, depois do penacho da eleição e da linha no seu currículo se está a marimbar para a maçada de ter de ir às reuniões maçadoras da Assembleia. Afinal o presidente da Assembleia é o único que não se pode desculpar com as datas agendadas... O Miguel - grande democrata - não se vai chatear com esta critica, assim espero...

Mas o que me chateou mais na reunião foi o preconceito prévio de resistência à mudança, da parte de toda a Assembleia, genericamente, a propósito do projecto dos novos Paços do Concelho. Um conservadorismo reaccionário que contrastou com o espírito revolucionário a que recorreram para repudiar o facto de o Presidente da República por não ter ido - mesmo que o fizesse hipocrita e cinicamente - ao funeral de um homem que não o respeitava nem a ele nem ao cargo. Aí a assembleia já foi ultra-progressista, revolucionária como não terá sido Cuba do Alentejo.

Mas fiquei incomodado com o grau de conservadorismo dos eleitos - dos que emitiram opinião, claro está - de forma generalizada. Apenas um se mostrou entusiasmado com o projecto apresentado.

Foi apresentado um projecto de um edificio municipal arrojado, que apesar de não ter uma arquitectura esteticamente inovadora procura ser - assim o disseram - um exemplo de boas práticas do ponto de vista da eficiência energética. O plano apresentado - uma proposta, apenas -, segundo o que foi ali referido, insere-se numa lógica estrutural que, de facto, procura resolver um conjunto de problemas do centro da Mealhada. Não resolve os problemas fundamentais do centro histórico - mas também não seria possível ser ESTE projecto a fazê-lo.

Mas teve logo ali um conjunto de criticas imediatas que fazem desmoralizar e que mais não são do que grandes entraves, reticências e grande resistência à mudança, por si só.

É tipico dos portugueses, mas era escusado.


Há coisas ali com as quais não concordo. Há coisas que acho impossiveis ou de muita dificil concretização, mas aquilo é um grande projecto e um projecto de excelência que - a confirmar os pressupostos "vendidos" - põe a Mealhada no mapa da inovação.

Eu sou o autor de uma frase ainda hoje citada quando se fala deste dossiê. Eu disse, um dia, que até me dava "brotoejas" pensar que o novo edificio dos Paços do Concelho poderia ser ali construído. Arminda Martins, na Assembleia Municipal, aconselhou-me a comprar uma pomada porque era mesmo ali que ele ia ser feito. Essa arrogância toda em 2001-2004 (não sei precisar a data) está a revelar que afinal a ideia do PS era muito mais contrariar o PSD do que acreditar que a solução era a ideal.

Mantenho a discordância relativamente à localização do edificio dos Paços do Concelho - essa sim é a questão de fundo. Agora, se é para ser ali, como o PS teimosamente quis, então, que seja uma solução de futuro, eficiente, arrojada e responsável pela recuperação e solução integrada de toda a zona.

Se é muito grande, se a cor é feia, se tem análise disto ou daquilo, se os interruptores são manuais ou se tem fotovoltaico é pensar pequenino.

Porque a verdade é que a população da Mealhada precisa de um espaço de grande qualidade, do melhor que houver. Assim haja dinheiro, o dinheiro que tanto se poupa que se gaste em dar melhores condições aos cidadãos e aos funcionários municipais - que têm sido os grandes prejudicados no prolongamento da situação.

Há coisas a melhorar, tirar a Esplanada para pôr outro bar, em melhores condições, mais acima ou mais abaixo, mudar aqui ou ali, se há estratégias para o comércio tradicional são aspectos a melhorar em debate público. Agora ser do contra com medo da mudança e de gastar muito, é pensar pequenino.

Assim haja dinheiro, porque os mealhadenses merecem o melhor que houver para dar!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

[1077.] Dia vencido 30.06.10

- Li um artigo muitíssimo interessante de Carlos Jalali (Docente da Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas da Universidade de Aveiro - o coordenador daquele mestrado a que me candidatei, entrei, paguei e não cheguei a frequentar). «Os cidadãos e a política em Portugal: um divórcio por mútuo consentimento?», um texto fantástico daqueles que só se pode guardar (a menos que alguém ponha a revista no lixo...)
O autor fala de um conjunto de questões sobre a "Crise das Democracias", nomeadamente dos novos 3 D's da Democracia em Portugal - usados por Pedro Magalhães em 2004. É um daqueles textos que todos os que gostam de politica deviam ler.

Cito uma ideia que, mesmo não sendo inovadora, dá que pensar e explica tanta coisa...
«Ao mesmo tempo, este [o] distanciamento entre cidadãos e a política não é necessariamente negativo para governantes – pelo menos a curto prazo. Como refere Martin Wattenberg (2000), obter mandatos com menos votos “é o equivalente da General Motors obter os mesmos lucros com menos carros vendidos”. O afastamento entre cidadãos e política leva a menor accountability (ou, pelo menos, accountability perante menos cidadãos) e, consequentemente, maior autonomia e liberdade de acção para os agentes políticos. O argumento de Wattenberg sugere assim um «mútuo consentimento» neste aparente divórcio entre cidadãos e política. Inevitavelmente a história do nosso país ajuda a explicar este distanciamento.»

A não perder.

[1076.] Mercurii dies

O futuro do país no verbo ‘Educar’

Já manifestámos a nossa opinião de que a Justiça foi a área que se constitui como o maior fracasso do Portugal Democrático, o país do ‘depois do vinte e cinco de Abril’. Acontecimentos continuados no tempo, analisadas as evoluções do que tem sido o esforço do país na área da Educação nas últimas décadas e aferidos resultados, chegamos à conclusão de que há razões para considerarmos esta como a nossa maior frustração. Foi a área em que mais investimos (ou julgámos investir), em que mais energias despendemos (ou dissemos despender) e, infelizmente, é a lacuna maior que nos põe em causa enquanto Estado-Nação.
Um país que ‘já tantos mundos deu ao Mundo’, uma pátria de gente que se espalhou pelos cantos de todo o globo, não é capaz de procurar nos outros países o que melhor fazem pela sua Educação? Porque procura, a cada momento, reinventar a roda, para rebolar até lado nenhum?
Insiste-se em conjugar o verbo ‘Educar’ sempre no presente e nunca no futuro. Insiste-se em conjugar o verbo ‘Educar’, às escondidas dos verbos ‘Instruir’, ‘Disciplinar’, ‘Aprender’, ‘Apreender’, ‘Formar’, ‘Empreender’, ‘Fazer’, ‘Ser’. Por outro lado, tudo indica que a conjugação preferida se faz de mão dada com os verbos ‘Domesticar’, ‘Desautorizar’, ‘Brincar’, ‘Distrair’…
A resolução que antecipa a fusão dos agrupamentos de escolas até agora existentes em unidades de gestão com a inclusão dos estabelecimentos de ensino secundário faz todo o sentido. Bastaria lembrar o facto de a escolaridade obrigatória ter passado de nove para doze anos (do final do 3.º ciclo para o final do secundário), bastaria lembrar o facto de todas ou quase todas as escolas secundárias terem, também, alunos do 3.º ciclo que estavam fora dos agrupamentos de escolas para justificar essa medida. Medida que está prevista desde 2003, nos tempos em que o Governo era de outro partido – no caso de uma coligação de partidos. O que não se compreende nesta decisão é – onde é que já ouvimos isto? – o tempo e o modo.
Fundir agrupamentos – acabando com equipas de gestão –, um ano depois de ter sido decretada a eleição de directores e, em consequência disso, delineadas estratégias para uma coisa chamada ‘cultura de escola’ e projectos educativos para três anos, será correcto? Dar a estes directores, a cumprirem o primeiro terço do mandato, em Junho, informação de que cessam o trabalho para que foram eleitos, daí a três meses, e naquela altura do ano em que há, ao mesmo tempo, exames, avaliações para fazer e preparações para o próximo ano lectivo, será honesto?
Este exemplo, a par de outros, que não são, não foram, nem serão avaliados e, por isso, muitas vezes, tornam a escola ideal para os pais na escola surreal para os filhos está a embrutecer as nossas crianças e os nossos jovens e a torná-los seres deprimidos, frustrados, infelizes, amorfos e flácidos. Por um lado, tomamos medidas para aumentar a exigência, por outro facilitamos. Por um lado tornamos a escola mais agradável com outras condições logísticas, por outro tornamo-la insuportável limitando as crianças a lugares confinados e a horários que uma centena de anos de luta proletária contesta para fábricas, mas não despreza para escolas.
É preciso tomar uma opção drástica e essencial sobre o que queremos para os nossos jovens. Que Capacidades, Competências e Atitudes queremos que tenham em cada momento da sua vida escolar. Que definamos o tipo de escolas para cada tipo de formação (tecnológica, profissional, para prosseguimento de estudo, etc.).
Seria pedir muito a um Governo que definisse, gerando consenso alargado no Parlamento, o que quer Portugal para a Educação Nacional na próxima década? Faltarão razões para os estadistas do Portugal Democrático perceberem que é essencial que se faça um Pacto de Regime (com partidos, Presidente da República, Conselho de Estado, Parceiros Sociais, Pais, Funcionários e Estudantes) para que se estabeleça, até 2020, seja qual for o partido a formar Governo, um rumo, um conjunto de medidas e objectivos a estarem satisfeitos no final dessa década? Seria contrário ao respeito pelas diferenças de opinião e criatividade dos governos? Seria algo ideologicamente amorfo? Que interessará isso quando os portugueses forem a terra de cegos onde quem tem um olho emigra? Nos últimos anos, cem mil já o fizeram…

Editorial do Jornal da Mealhada de 30 de Junho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

[1075.] Dia vencido 29.06.10

- Hoje foi publicado o último número do jornal '24 horas'.
Nunca fui fã, confesso.
Não farei parte dos herdeiros deprimidos, mas fui ensinado que nunca deve deixar de se lamentar a morte de alguém.
Como diria Ernest Hemingway, os sinos dobram sempre por nós!
Como diria hoje Fernando Moura, o jornal hoje esgotou porque as pessoas adoram homenagear os mortos que não valorizaram em vida. E, também eu, comprei a última edição do '24 horas'
“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

- Perguntaram-me um dia que noticia gostava de publicar um dia.
Tenho ideia que respondi na altura que sonhava um dia escrever no jornal que dirijo a noticia da resolução do problema da gestão da Mata Nacional do Bussaco. Felizmente esse dia chegou. E vivi-o com a mesma intensidade com que publiquei, hoje, a noticia do inicio das obras da Extensão de Saúde de Barcouço.
Para quem esteve envolvido em tarefas politico partidárias e viveu o ambiente e as guerras criadas a propósito deste e de outros temas, e para quem, ao mesmo tempo, gosta tanto desta terra e tem pelos seus conterrâneos tanto respeito e admiração como eu tenho, não pode ser indiferente ver que, finalmente, e materialmente, o problema está a resolver-se e a nova Extensão de Saúde vai ser mesmo contruída.
É me realmente indiferente que seja construída por um governo do partido A ou B. Está a ser construída e isso é motivo de grande alegria, mesmo que tenha tantos anos de atraso.

[1074.] Marti dies... em dia de duelo ibérico

Poderíamos exortar Afonso Henriques, Nuno Alvares Pereira?
Prefiro - hoje, só hoje - Amália Rodrigues e o «Fados dos Caracóis»



E que logo à noite nos possamos sentir vingados de nos terem roubado Ceuta e Olivença!

[1073.] Hoje...

Hoje
a Igreja Católica assinalada a solenidade de
São Pedro e São Paulo
dois discipulos de Cristo (Paulo não o terá chegado a conhecer) considerados como as colunas da Igreja, os fundadores da Cristandade. Conheciam-se bem, e consta que não se gramavam. Acabaram por morrer em Roma, os dois, em martírio, com três anos de diferença. Os seus cadáveres foram escondidos juntose são os pais da Igreja.
Simão Pedro, o pescador que se tornou pescador de homens e pedra da Igreja. Saulo de Tarso, o perseguidor de cristão que se converte pela Luz e se torna no mais fervoroso dos discipulos de Cristo.
Duas personagens muito interessantes.
*
* ** *
O Papa Bento XVI, sempre atento a estas solenidades, comunicou ontem, nas vésperas da solenidade, que ia criar um novo 'ministério' na Cúria Romana - o Governo da Santa Sé.
O Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, "com a tarefa principal de promover a renovada evangelização nos Países onde já ressoou o primeiro anuncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão a viver uma progressiva secularização da sociedade e uma espécie de eclipse do sentido de Deus”.
Dito de outra forma, criou um organismo para olhar e atender às necessidades espirituais (e da Igreja) naqueles países que, sendo maioritariamente católicos, começam a fazer dissipar essa missão. O Papa refere-se, naturalmente, a nações fidelíssimas como Portugal e Espanha, por exemplo, onde já foram aprovadas leis que contrariam o que o Papa já chamou de 'Ecologia do Homem', como o Aborto, o Casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre outras.
O objectivo é
«combater um eclipse do sentido de Deus que está a atingir a sociedade,
em particular no mundo ocidental»,
disse o Papa.
Uma vez mais, a Igreja manifesta-se atenta.
Espero que o Papa e este novo Conselho saibam ajudar a Igreja a estar mais presente na vida das pessoas, a fazer esta Nova Evangelização com os leigos e de forma inteligente.

[1072.] Hoje...


Antoine de Saint-Exupery,
o homem que conheceu o Principezinho
fez hoje 110 anos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

[1071.] Dia vencido 28.06.10

Tem vinte e poucos anos.
É licenciada já depois de Bolonha.
Talvez prefira ser caixa no Intermarché a trabalhar no curso que tirou.
Candidatou-se a um programa de estágios na adminsitração central.
Estágios esses que começam na quinta-feira, 1 de Julho.
Fez testes, exames, entrevistas e tudo indica que será admitida.
Esses estágios começam na quinta-feira, 1 de Julho, daqui a dois dias.
Já ligou dezenas de vezes, mandou mail a perguntar, mas a resposta oficial, a lista a dizer se foi admitida ao estágio ou não, não saiu.
Estágio que começa na quinta-feira, 1 de Julho.
Se for admitida terá de ir para Lisboa viver.
E apresentar-se a 1 de Julho.
Daqui a dois dias.
Tem um emprego.
Se for admitida tem de avisar o patrão de que vai sair daqui a dois dias.
Ninguém lhe dá uma resposta, e o tempo esgota-se.

Hoje ouviu na televisão que o Governo adiou, hoje, a entrada em vigor do pagamento das SCUTS do norte para daqui a um mês.
Entrada em vigor que estava marcada para 1 de Julho, daqui a dois dias.
Estava no emprego.
Começou a chorar.
Se o Governo adia as portagens nas SCUTS, também pode adiar a entrada em vigor dos estágios, de que ainda não há, sequer registo de colocação.
E pode adiar uma semana, um mês, um ano... Com a mesma falta de escrupulos com que antecipa para anular logo a seguir.

Mas que merda de país é este?
Em que não posso confiar é no Estado que me governa!

E entretanto 1 de Julho é já depois de amanhã!

Infelizmente esta não é uma história ficcionada!
É real!
É do Portugal de hoje!

https://www.bep.gov.pt/pages/estagios/default.aspx

Às duas da manhã de 29 de Junho, com quarenta e seis horas de antecedência, ela descobre que foi colocada.
Que tem de estar no Instituto da Segurança Social, IP na manhã de quinta-feira, 1 de Julho...

[1070.] Lunae dies... e o Deus que não dorme

Em 1966, no final do Campeonato do Mundo de Futebol, o golo do inglês Geoff Hurst, que não era, foi, e os bifes conquistaram o caneco aos alemães.

Ontem, no Campeonato do Mundo da Africa do Sul, em Futebol, o golo do inglês Frank Lampard, que era, não foi, e os alemães mandaram os bifes para casa.

Agora, digam lá que Deus não existe, que não há justiça, que não sei quê, não sei que mais!
Afinal, quem com ferros mata, com ferros morre!

Ehehehe!

domingo, 27 de junho de 2010

[1069.] Dia vencido 27.06.10

O Dr. Soares, hoje, em Arcos de Valdevez voltou a marcar a agenda política. Foi homenageado e consigo as suas teses proféticas sobre o País, a Ibéria, a Europa e o Mundo. Está encontrado o novo Elias depois da morte de José Saramago. Mostrando que não é político distraído, nem estratega de trazer por casa, deu palco ao seu candidato presidencial, Fernando Nobre - sem lhe declarar o apoio que implicaria dissidência do PS e que vai guardar para uma inevitabilidade mais tardia -, mandou farpas a Cavaco e escreveu num barquinho de papel três ideias que considera importantes (fundamentais) para Portugal.

O que eu não percebo é por que é que tendo acesso tão facilitado ao Chefe do Governo, não lhas dá directamente e as deita ao rio...

[1068.] Dia vencido 27.06.10

Já afirmei que a Justiça foi o maior fracasso de Portugal depois do vinte e cinco de Abril. No entanto, estou cada dia mais convencido que a Educação deve ser encarada como a nossa maior frustração. Foi a área em que mais investimos, em que mais energias dispendemos e, infelizmente é a lacuna que nos põe em causa enquanto Estado-Nação.
Esta situação dos agrupamentos fundidos um ano depois de ter sido decretada a eleição de directores a par de outras medidas que, se bem pensadas tornam a escola ideal para os pais na escola surreal para os filhos está a embrutecer as nossas crianças e os nossos jovens e a torná-los seres deprimidos, frustrados, infelizes, amorfos e flácidos.
Por um lado tomamos medidas para aumentar a exigência, por outro facilitamos. Por um lado tornamos a escola mais agradável com outras condições logisticas, por outro tornamo-la insuportável limitando as crianças a lugares confinados.

É preciso tomar uma opção drástica e essencial sobre o que queremos para os nossos jovens. Que Capacidades, Competências e Atitudes queremos que tenham em cada momento da sua vida escolar. Que definamos o tipo de escolas para cada tipo de formação (tecnológica, profissional, para prosseguimento de estudo, etc.).

Eu acredito que no principio de 2011 o Governo de Portugal tenha mudado. Espero que esse Governo defina, gerando consenso alargado no Parlamento, o que quer Portugal para a Educação Nacional na próxima década. Se não tiver mudado o Governo, ou se o novo Governo não tiver maioria absoluta no Parlamento, é essencial que se faça um Pacto de Regime (com partidos, Presidente da República, Conselho de Estado, Parceiros Sociais, Pais, Funcionários e Estudantes)nesse sentido. E que fique estabelecido que até 2020, seja qual for o partido a formar Governo vai prosseguir o conjunto de medidas e objectivos estabelecidos nesse Pacto.

[1064.] Mercurii dies... mesmo ausente

A José Saramago

O Nobel português da Literatura, José Saramago, faleceu na passada sexta-feira, a escassos meses de completar 88 anos. A morte de um homem é sempre de lamentar e por isso se ouviram elogios e o apelo ao esquecer de polémicas, como se ser polémico não fosse a maior qualidade do autor de “Caim” e do “Evangelho segundo Jesus Cristo”. Portaram-se à altura da dignidade que merece um dos maiores escritores portugueses os dignitários do Estado português – porque também aqui a falta de coerência soaria a falso. Três dias de luto nacional e orgulho de saber que apesar de exilado, José Saramago desejou que os seus restos mortais permanecessem em Portugal.
José Saramago foi dos melhores polemistas portugueses. Pôs-nos a discutir, a tomar partido, a amar e a odiar. Pedir que se esqueçam polémicas na hora da sua morte – a morte que ele próprio parodiava – seria diminuir o homem. E isso não fazemos.
Recorremos, por isso, a um texto publicado por outro grande polemista, Abílio Duarte Simões, no Correio de Coimbra, em 15 de Outubro de 1998, dias depois do anúncio de que Saramago receberia o prémio Nobel da Academia Sueca. Um texto provocatório de alguém que respeitamos profundamente. Um texto, “Carta a Saramago”, sem vírgulas, sem pontos, sem medo, sem pudor, com ousadia, com uma pontinha de arrogância, com graça… de alguém que José Saramago não encontrará no Céu, mas que nem por ser padre se dava ao trabalho de se achar incapaz de falar com quem não seria tão tolerante como ele.

Carta a Saramago

Excelentíssimo senhor José Saramago deixe que um pobre proletário lhe dê os parabéns atrasados mas sem culpa depois de tantos já o terem feito desde capitalistas muitos a socialistas alguns comunistas onde é que eles estão parabéns porque não é por acaso que se ganha um prémio de cento e quarenta milhões de escudos que seriam escudos de mais para qualquer internacionalista amigo da classe operária menos para vossa excelência que um comunista também tem o direito de gozar as delícias do ignóbil capitalismo mesmo que o contrário não seja verdadeiro e se essas delícias puderem ser gozadas numa paradisíaca ilha ainda melhor mesmo para quem não acredita no paraíso do além e não consegue criar iguais paraísos para todos os seus semelhantes porque a verdade é que somos todos iguais mas sempre há-de haver uns poucos mais iguais que muitos outros porque assim é que dá luta e se acabassem as desigualdades o que é que se havia de escrever se alguém ler estas minhas palavras é capaz de duvidar da sinceridade dos parabéns mas eles são mesmo a sério também a sério lhe quero dizer que não percebi o seu desagrado pelo que escreveu o jornal do papa quando lhe chamou comunista inveterado eu pensava que dizer isto era um elogio sagrado a um reconhecido laico até fui ver aos dicionários e lá vem que inveterado significa enraizado arreigado arraigado crónico tudo palavras bonitas e elogiosas de modo que como disse não percebi o desencanto pois também não acredito que não querendo ser inveterado seja envergonhado visto que logo no dia seguinte li um artigo de vossa excelência a explicar o que significa ser escritor comunista hoje também não percebi os comentários de alguns senhores professores da faculdade de letras da universidade de coimbra dizendo que as palavras do jornal romano lembravam velhos processos inquisitoriais e assim nos lembraram eles a todos velhas estórias que também aconteceram depois do vinte e cinco de abril transformando jornais em patíbulos coisas que já nem adianta lembrar mas sempre gostava de saber como é que esses senhores professores reagiriam se os alunos lhes apresentassem para avaliação certos textos que só se sabe onde começam e onde acabam “com parábolas esta das parábolas deve ter sido piada dos académicos suecos mas ninguém leva a mal com parábolas transcrevia sustentadas pela imaginação, ironia e compaixão, a permitir captar continuamente uma realidade ilusória” termino com um pedido nunca escreva nada sobre Marx em Staline que possa impressionar os marxistas se os houver nem os estalinistas se tiverem existido mais vale achincalhar aqueles que sabem e praticam o dever de perdoar esses mesmos desgostos sempre compram os livros não interferem nos circuitos de comercialização não montam máquinas publicitárias podem não concordar com o que lêem mas perdoam sempre mesmo aos que sabem o que fazem.

Abílio Duarte Simões

[1063.] Mercurii dies... mesmo ausente

O 10 de Junho e os veteranos
Segunda parte

O discurso, na íntegra, de António Barreto no 10 de Junho de 2010

O Dia dos Portugueses ou, oficialmente, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, comemorado em 2010, tem um significado especial. Na verdade, assistimos esta manhã a um desfile das nossas Forças Armadas precedido de uma extensa delegação de Veteranos, de Antigos Combatentes, mais singelamente de combatentes dos exércitos em todas as guerras e conflitos em que Portugal esteve envolvido desde meados do século XX. Ao ver desfilar umas dezenas de antigos combatentes, de todos os teatros de acção militar em que Portugal participou, não sentimos vontade nem necessidade de lhes perguntar pela guerra, pela crença ou pela época. Sentimos apenas obrigação de, pelo reconhecimento, pagar uma dívida. Sentimos orgulho por saber que é a primeira vez na história que tal acontece e que está aberta a via para a eliminação de uma divisão absurda entre Portugueses. Com efeito, é a primeira vez que, sem distinções políticas, se realiza esta homenagem de Portugal aos seus veteranos. Centenas de milhares de soldados portugueses combateram em nome do seu país, do nosso país, desde os inícios do século XX até à actualidade. Já não há sobreviventes do Corpo Expedicionário Português enviado para Flandres, na 1ª Grande Guerra Mundial, nem das forças que, no mesmo conflito, lutaram em África. O último veterano dessa guerra, José Maria Baptista, morreu a 14 de Dezembro de 2002.

Depois daquele conflito, as guerras foram, durante décadas, poupadas aos Portugueses. Só a partir de finais dos anos 1950 os soldados e outras forças militarizadas voltaram a encontrar-se em situações de combate aberto, primeiro no então Ultramar português, depois em múltiplos teatros de guerra, em associação com forças armadas dos nossos aliados da NATO e da União Europeia e em missões organizadas sob a égide das Nações Unidas. Independentemente das opiniões de cada um, para o Estado português todos estes soldados foram Combatentes, são hoje Antigos Combatentes ou Veteranos, mas, sobretudo, são iguais. Não há, entre eles, diferenças de género, de missão ou de função. São Veteranos e foram soldados de Portugal. É assim que deve ser. Em Portugal ou no estrangeiro, no Continente ou no Ultramar, na Metrópole ou nas Colónias, as Forças Armadas portuguesas marcaram presença em vários teatros de guerra e em diversas circunstâncias. Militares portugueses lutaram em terra, no mar ou no ar, cumpriram os seus deveres e executaram as suas missões. Em Goa, em Angola, em Moçambique, na Guiné, no Kosovo, em Timor ou no Iraque. Todos fizeram o seu esforço e ofereceram o seu sacrifício, seguindo determinações políticas superiores. As decisões foram, como deve ser, as do Estado português e do poder político do dia. Mas há sempre algo que ultrapassa esse poder. O sacrifício da vida implica algo mais que essa circunstância: é, para além das vicissitudes históricas e dos ciclos de vida política, a permanência do Estado. Os soldados cumprem as suas missões por diversos motivos. Por dever. Por convicção. Por obrigação inescapável. Por desempenho profissional. Por sentido patriótico, político ou moral. Só cada um, em sua consciência, conhece as razões verdadeiras. Mas há sempre um vínculo, invisível seja ele, que o liga aos outros, à comunidade local ou nacional, ao Estado. É sempre em nome dessa comunidade que o soldado combate. Na verdade, em todos os episódios de guerra referidos e noutros mais, há fenómenos de natureza diversa. Houve decisões políticas de carácter exclusivamente nacional, mas também houve actos de colaboração em missões multinacionais, como houve decisões estratégicas colectivas das alianças de que Portugal é membro. Também conhecemos decisões políticas tomadas em vários quadros: com e sem legitimidade democráticas, com e sem referenda parlamentar. E até, finalmente, situações em que o Parlamento fica aquém daquela que deveria ser a sua função. Com efeito, a Constituição e as leis não obrigam, infelizmente, a que as missões no estrangeiro sejam aprovadas pelo Parlamento. Apenas admitem o “acompanhamento do envolvimento” militar no estrangeiro, o que nem sempre é rigorosamente cumprido. A análise destas diferenças pode ser importante do ponto de vista político, histórico e intelectual. Mas, no plano do reconhecimento de um povo, do respeito devido e do esforço do soldado, essas distinções são secundárias ou inúteis. Foram, simplesmente, militares portugueses que tudo deram ou tudo arriscaram. É esse o reconhecimento devido. Um antigo combatente não pode nem deve ser tratado de colonialista, fascista, democrata ou revolucionário de acordo com conveniências ou interesses menores. A sua origem, a sua classe social, a sua etnia, as suas crenças ou a sua forma de vínculo às Forças Armadas são, a este propósito, indiferentes: foram, simplesmente, soldados portugueses. Pelo sacrifício, pela duração e pelas implicações políticas, as guerras do Ultramar foram evidentemente as que mais marcaram as gerações das últimas décadas. Mas, ao longo dos trinta anos de democracia e de compromissos internacionais, muitas centenas ou milhares de cidadãos portugueses estiveram presentes em teatros de guerra e em missões de protecção da paz ou de mediação. Novos sacrifícios foram feitos, vidas foram interrompidas, carreiras e famílias suspensas. Todos esses militares, os de Luanda ou do Líbano, os da Guiné ou da Bósnia, merecem o nosso respeito. São antigos combatentes. São Veteranos. São soldados que cumpriram os seus deveres e que, com excepção dos que tenham moralmente abusado das suas funções, merecem a nossa homenagem. Não há lugar, não deve haver lugar para diferenças entre esses Veteranos. Não há Veteranos melhores ou piores do que outros. Não há Veteranos que mereçam aplauso e Veteranos a quem se reserve o esquecimento. Não há Veteranos ou Antigos Combatentes fascistas ou democráticos, socialistas ou comunistas, reaccionários ou revolucionários. Não há Veteranos de antes ou de depois do 25 de Abril. Não há Antigos Combatentes milicianos ou de carreira ou contratados. Há Veteranos e Antigos Combatentes, ponto final! É o que nós lhes devemos. Nós, todos, os que fizeram ou não, os que concordaram ou não com as guerras, sem distinção de época, de governo ou de cor política. Portugal não trata bem os seus antigos combatentes, sobreviventes, feridos ou mortos. É certo que há, aqui e ali, expressão de gratidão ou respeito, numa unidade, numa autarquia, numa instituição, numa lei ou numa localidade. Mas, em termos gerais e permanentes, o esquecimento ou a indiferença são superiores. Sobretudo por omissão do Estado. Dos aspectos materiais aos familiares, passando pelos espirituais e políticos, o Estado cumpre mal o seu dever de respeito perante aqueles a quem tudo se exigiu. Em cada momento, em cada conflito, houve quem tivesse ideias diferentes e se opusesse à intervenção militar. Uns, mesmo nessas condições, cumpriram as ordens oficiais, outros recusaram-se. Por oportunidade, por convicção política, por uma interpretação diferente do interesse nacional, houve refracção e objecção. Em certos casos, pensava-se que as operações militares não tinham sido referendadas pelo povo soberano ou eram contrárias à ética e ao interesse nacional. Noutros casos, faltava o assentimento parlamentar. Aliás, o acompanhamento parlamentar do envolvimento militar é deficiente, apesar de estatuído pela Constituição. Houve soldados que combateram sob um regime autoritário, outros em regime democrático. Houve soldados que combateram integrados em forças nacionais, outros em forças aliadas ou internacionais. Como houve soldados que, de outras origens étnicas então e tendo hoje nacionalidade diferente, serviram nas Forças Armadas portuguesas. Em 1974, jovens militares decidiram derrubar o regime autoritário e dar uma oportunidade à democracia. Outros tentaram estabelecer um novo regime político que eventualmente limitaria as liberdades. Outros ainda ficaram independentes e equidistantes. Enquanto outros, finalmente, teriam preferido continuar sob o regime anterior. Prefiro os primeiros, os que ajudaram a fundar o Estado democrático. Mas, pelo sacrifício das suas vidas e pelo cumprimento dos seus deveres, respeito-os todos. Qualquer guerra ou envolvimento militar é controverso e suscita opiniões diversas e contraditórias. É assim no Afeganistão ou no Iraque. Foi assim no Ultramar. Como também na Flandres, nas Linhas de Torres ou em Aljubarrota. Essas divergências podem ser legítimas e compreensíveis. Traduzem ideias, interesses, convicções e doutrinas diferentes. Assim como versões diversas do interesse nacional. Mas isso não justifica a ausência de respeito por aqueles que combateram, que correram riscos, que ficaram feridos ou deram a sua vida. As diferenças de opinião e de crença não devem impedir de respeitar todos os que fizeram a guerra, com convicção ou por obediência ao poder político, desde que, evidentemente, o tenham feito sem abuso. Merecem as pensões que lhes são devidas. Merecem atenção e cuidado. Merecem um Dia do Combatente oficialmente estabelecido. Merecem que as suas associações sejam consideradas de utilidade pública. Merecem estar presentes nas cerimónias públicas e oficiais. Mas sobretudo merecem respeito. Os Portugueses são parcos em respeito pelos seus mortos e até o Estado não é muito explícito no cumprimento desse dever. Pois bem: está chegada a altura de eliminar as diferenças entre bons e maus soldados, entre Veteranos de nome e Veteranos anónimos, entre recordados e esquecidos. Pela Pátria ou pelo seu País, pelo Estado ou pela sua profissão, foi pela sua comunidade nacional que todos eles combateram e se sacrificaram. É possível que o comportamento do Estado, a atitude de políticos e os sentimentos de cidadãos para com os militares sejam determinados, em parte, pela avaliação que se faz do modo como deram ou retiraram apoio a certos dirigentes e a certas formas de regime. Não se nega o facto. Mas, perante o antigo combatente, recusa-se o juízo de valor. Aos Veteranos e antigos Combatentes que hoje estiveram connosco pela primeira vez, nada se lhes pede. Nada devem aos seus contemporâneos. Nós é que estamos em dívida para com eles. São o Estado e a sociedade que lhes devem algo. O que lhes pedimos hoje foi muito simples: aceitem a homenagem que o Estado e os Portugueses vos prestaram! Não estamos aqui a festejar a guerra, mas sim os soldados! E não há melhor dia, do que o Dia de Portugal, para o fazer.

[1062.] Mercurii dies... mesmo ausente

O 10 de Junho e os veteranos

O discurso mais marcante do último 10 de Junho – no que às comemorações oficiais promovidas pela presidência da República diz respeito – foi, na nossa opinião, o do presidente da comissão organizadora, o sociólogo, académico e antigo político, António Barreto. O autor do extraordinário trabalho ‘Portugal, um Retrato Social’ abordou uma temática que consideramos importante e do foro patriótico: O respeito que o Estado e a Nação devem aos seus veteranos de guerra.



Já por várias vezes falámos no assunto neste espaço. Trata-se de uma questão de respeito pelos que se sacrificaram pelo Estado – sem o discutir ou com ele concordar –, pelos que, em nome desse mesmo Estado, representaram Portugal em responsabilidades limite para o género humano, a de matar e de sobreviver. “Há sempre um vínculo, invisível seja ele, que o liga aos outros, à comunidade local ou nacional, ao Estado. É sempre em nome dessa comunidade que o soldado combate”, afirmou António Barreto no discurso que elogiamos.

Pela primeira vez na história da democracia portuguesa, os veteranos de guerra portugueses participaram – e abriram – o desfile militar das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas de 2010. Foi um gesto da presidência da República que ganha sentido com o discurso de António Barreto. “São antigos combatentes. São Veteranos. São soldados que cumpriram os seus deveres e que, com excepção dos que tenham moralmente abusado das suas funções, merecem a nossa homenagem. Não há lugar, não deve haver lugar para diferenças entre esses Veteranos. Não há Veteranos melhores ou piores do que outros. Não há Veteranos que mereçam aplauso e Veteranos a quem se reserve o esquecimento. Não há Veteranos ou Antigos Combatentes fascistas ou democráticos, socialistas ou comunistas, reaccionários ou revolucionários. Não há Veteranos de antes ou de depois do 25 de Abril. Não há Antigos Combatentes milicianos ou de carreira ou contratados. Há Veteranos e Antigos Combatentes, ponto final! É o que nós lhes devemos”, afirmou António Barreto no discurso que proferiu, perante o Chefe de Estado, enquanto presidente da comissão organizadora das comemorações.
E António Barreto tem razão. E quando comparamos as formas como ingleses, americanos e franceses, por exemplo, acarinham os seus veteranos de guerra – em Inglaterra as pessoas usam uma papoila na lapela de 1 a 11 de Novembro de cada ano em sua homenagem, por exemplo – somos obrigados a reconhecer que muito há, ainda por fazer para que justiça seja feita.

Editorial do Jornal da Mealhada de 16 de Junho de 2010