sábado, 14 de agosto de 2010
[1129.] Saturni dies
Açoute de soberbos Castelhanos
Como já o fero Huno o foi primeiro
Para Franceses, para Italianos.
Outro também famoso cavaleiro,
Que a ala direita tem dos Lusitanos,
Apto para mandá-los, e regê-los,
Mem Rodrigues se diz de Vasconcelos.
"E da outra ala, que a esta corresponde,
Antão Vasques de Almada é capitão,
Que depois foi de Abranches nobre Conde,
Das gentes vai regendo a sestra mão.
Logo na retaguarda não se esconde
Das quinas e castelos o pendão,
Com Joane, Rei forte em toda parte,
Que escurecendo o preço vai de Alarte.
"Estavam pelos muros, temerosas,
E de um alegre medo quase frias,
Rezando as mães, irmãs, damas e esposas,
Prometendo jejuns e romarias.
Já chegam as esquadras belicosas
Defronte das amigas companhias,
Que com grita grandíssima os recebem,
E todas grande dúvida concebem.
"Respondem as trombetas mensageiras,
Pífaros sibilantes e atambores;
Alférezes volteam as bandeiras,
Que variadas são de muitas cores.
Era no seco tempo, que nas eiras
Ceres o fruto deixa aos lavradores,
Entra em Astreia o Sol, no mês de Agosto,
Baco das uvas tira o doce mosto.
"Deu sinal a trombeta Castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escutaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.
"Quantos rostos ali se vêem sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo;
E se o não é, parece-o; que o furor
De ofender ou vencer o duro amigo
Faz não sentir que é perda grande e rara,
Dos membros corporais, da vida cara.
"Começa-se a travar a incerta guerra;
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la;
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba, e encontra, e a terra enfim semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.
"Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças; e as frequentes
Quedas coas duras armas, tudo atroam;
Recrescem os amigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.
"Eis ali seus irmãos contra ele vão,
(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!)
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.
"Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos,
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos,
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns tredores houve algumas vezes.
"Rompem-se aqui dos nossos os primeiros,
Tantos dos inimigos a eles vão!
Está ali Nuno, qual pelos outeiros
De Ceita está o fortíssimo leão,
Que cercado se vê dos cavaleiros
Que os campos vão correr de Tetuão:
Perseguem-no com as lanças, e ele iroso,
Torvado um pouco está, mas não medroso.
"Com torva vista os vê, mas a natura
Ferina e a ira não lhe compadecem
Que as costas dê, mas antes na espessura
Das lanças se arremessa, que recrescem.
Tal está o cavaleiro, que a verdura
Tinge co'o sangue alheio; ali perecem
Alguns dos seus, que o ânimo valente
Perde a virtude contra tanta gente.
"Sentiu Joane a afronta que passava
Nuno, que, como sábio capitão,
Tudo corria e via, e a todos dava,
Com presença e palavras, coração.
Qual parida leoa, fera e brava,
Que os filhos que no ninho sós estão,
Sentiu que, enquanto pasto lhe buscara,
O pastor de Massília lhos furtara;
"Corre raivosa, e freme, e com bramidos
Os montes Sete Irmãos atroa e abala:
Tal Joane, com outros escolhidos
Dos seus, correndo acode à primeira ala:
-"Ó fortes companheiros, ó subidos
Cavaleiros, a quem nenhum se iguala,
Defendei vossas terras, que a esperança
Da liberdade está na vossa lança.
-"Vedes-me aqui, Rei vosso, e companheiro,
Que entre as lanças, e setas, e os arneses
Dos inimigos corro e vou primeiro:
Pelejai, verdadeiros Portugueses!"-
Isto disse o magnânimo guerreiro,
E, sopesando a lança quatro vezes,
Com força tira; e, deste único tiro,
Muitos lançaram o último suspiro.
"Porque eis os seus acesos novamente
Duma nobre vergonha e honroso fogo,
Sobre qual mais com ânimo valente
Perigos vencerá do Márcio jogo,
Porfiam: tinge o ferro o sangue ardente;
Rompem malhas primeiro, e peitos logo:
Assim recebem junto e dão feridas,
Como a quem já não dói perder as vidas.
"A muitos mandam ver o Estígio lago,
Em cujo corpo a morte e o ferro entrava:
O Mestre morre ali de Santiago,
Que fortíssimamente pelejava;
Morre também, fazendo grande estrago,
Outro Mestre cruel de Calatrava;
Os Pereiras também arrenegados
Morrem, arrenegando o Céu e os fados.
"Muitos também do vulgo vil sem nome
Vão, e também dos nobres, ao profundo,
Onde o trifauce Cão perpétua fome
Tem das almas que passam deste mundo.
E porque mais aqui se amanse e dome
A soberba do amigo furibundo,
A sublime bandeira Castelhana
Foi derribada aos pés da Lusitana.
"Aqui a fera batalha se encruece
Com mortes, gritos, sangue e cutiladas;
A multidão da gente que perece
Tem as flores da própria cor mudadas;
Já as costas dão e as vidas; já falece
O furor e sobejam as lançadas;
Já de Castela o Rei desbaratado
Se vê, e de seu propósito mudado.
"O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida.
Seguem-no os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida.
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da desonra, e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.
"Alguns vão maldizendo e blasfemando
Do primeiro que guerra fez no mundo;
Outros a sede dura vão culpando
Do peito cobiçoso e sitibundo,
Que, por tomar o alheio, o miserando
Povo aventura às penas do profundo,
Deixando tantas mães, tantas esposas
Sem filhos, sem maridos, desditosas.
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões
Canto IV - Estrofes 24 a 44 (narração da Batalha de Aljubarrota)
Hoje é o 625.º aniversário da Batalha de Aljubarrota.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
[1128.] Veneris dies
Florence NightingaleFlorence Nightingale foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia. Ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lâmpada", pelo fato de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo "pizza") criado inicialmente por William Playfair.
Florence Nightingale faleceu em 13 de agosto de 1910, deixando legado de persistência, capacidade, compaixão e dedicação ao próximo, estabeleceu as diretrizes e caminho para enfermagem moderna.
(Wikipédia)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
[1127.] Iovis dies
*
Hoje é Dia Internacional da Juventude
e os dados do Eurostat garantem:
«O desemprego entre os jovens na zona do Euro é mais de duas vezes o número de adultos trabalhadores e situa-se em 19,5 por cento.»
*
A Juventude de Baco sempre parece ser a melhor forma de não termos uma juventude completamente deprimida.
E como alguém disse esta semana, a Juventude é o motor da economia.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010
[1126.] Dia vencido 11.08.10
O Estado é o pior proprietário florestal do país. Em muitas regiões, foi por culpa do Estado - na sua qualidade de proprietário negligente - que os fogos ganharam dimensões consideráveis.
O Estado não limpa os seus terrenos, não os explora e, acima de tudo, não respeita o que obriga os proprietários privados a fazer!
Falo de propriedades que arderam e cujas árvores não são abatidas. Falo da campanha de combate ao nemátodo do pinheiro. Para me bastar de dois exemplos.
O que se passou no perímetro florestal do Bussaco, durante anos e ainda hoje, obrigaria esse Estado-Estado a começar estas nacionalizações por negligência por castigar o Estado-Proprietário que assume, tantas vezes um comportamento perfeitamento criminoso.
[Adenda 13.08.10]
«Comportamentos dolosos, e às vezes é difícil encontrar a margem entre negligência e dolo, devem ser punidos»: dixit Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa.
«O comportamento negligente de um proprietário pode pôr em causa a segurança dos bens dos proprietários vizinhos e isso deve estar reflectido também na lei e na capacidade de aquilo que são os interesses públicos e colectivos»: dixit José Sócrates Pinto de Sousa, primeiro-ministro de Portugal.
[1125.] Visto isto... Hoje começa o Ramadão

Com uma data móvel, que recua todos os anos no calendário e que é anunciada com precisão à roda do mundo consoante a hora do primeiro avistamento da Lua após a Lua Nova, chega para os crentes do Islão o mês sagrado.
Em todo o mundo, serão actualmente 1, 57 mil milhões (cerca de 23% da humanidade). Portugal tem uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas integradas nesta fé, a maior parte vivendo na região da Grande Lisboa.
Por estes dias, até 9 de Setembro, aumenta a afluência à Mesquita de Lisboa: não são apenas as cinco orações diárias que ali levam os praticantes do Islão, é também uma oração especial que àquelas é acrescentada e que consiste na recitação, de cor, de uma das 30 partes do Alcorão.
Antes dessa oração especial, os crentes podem quebrar o jejum com uma tâmara. Só mais tarde, com o ocaso, será tempo de uma refeição. A Mesquita de Lisboa está preparada para servir 800 refeições gratuitas.
O mês sagrado coincidindo com tempo de férias laborais ou escolares permite maior afluência às orações, que podem também ser feitas em casa ou noutro lugar conveniente.
No próximo ano, o Ramadão vai começar recuando cerca de dez dias no calendário e assim será sempre, obedecendo ao ano lunar, que tem a duração de 355 ou 356 dias, menos dez que o calendário gregoriano.
Das cinco horas da manhã até às 20.39, assim será hoje a duração do jejum, a decrescer conforme Setembro venha chegando. Estas cerca de 16 horas de privação voluntária de comida ou bebida são encurtadas quando o mês do Ramadão recai nos meses de Inverno das regiões mais afastadas dos trópicos.
Em cada ano, a Mesquita de Lisboa passou a facultar aos crentes pela Internet os horários de fazer jejum, tendo como ponto de orientação as principais cidades do país. Para o crente tem significado a orientação mesmo ao minuto e o pormenor do nascer e pôr do sol varia não só de dia para dia, como consoante a zona do país.
Na Alemanha, que já conta com quatro milhões de muçulmanos, um canal de televisão anunciou que todos os dias vai anunciar a hora do começo e fim do jejum.
Segundo explicou ao JN o imã, no Ramadão “há uma intensidade maior” nas práticas por parte dos fiéis. Afirma o “sheik” David Munir que “este é o único mês em que é possível praticar quatro dos cinco pilares”. A crença, as cinco orações diárias, a caridade e o jejum. A peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida, deve ser feita no 12º mês do calendário muçulmano.
Diz o imã Munir que, no que toca ao exercício obrigatório da caridade, ele se concentra no mês do Ramadão em 99% das opções tomadas pelos muçulmanos.
Se este mês é assumido como sagrado isso deve-se “ao início da revelação do Alcorão ao Profeta Maomé”. Daí a espiritualidade que deve ser conferida à vivência desse tempo, refere também o mesmo teólogo, há já 25 anos na Mesquita de Lisboa.
A comunidade muçulmana em Portugal tem sobretudo como raízes os crentes vindos de Moçambique, a que se juntaram outros da Guiné-Bissau e de pessoas trazidas por outras origens da corrente migratória.
“A prática do Islão”, assegura o teólogo, “é muito pessoal. Vir à mesquita não é sinónimo de ser muçulmano”.
[1124.] Mercurii dies
Primeira parte
Olhar apenas para o nosso umbigo, também neste tema é ridículo e fará sentido observar debates que se fazem noutros países e com os quais – referimo-nos aos debates, entenda-se – alguma coisa podemos aprender. A Rússia viveu, neste verão de 2010, a maior onde de calor dos últimos mil anos – assim asseveram as entidades oficiais. Já se registaram 26 mil fogos florestais, numa área de 750 mil hectares. No combate às chamas já participam mais de 160 mil bombeiros, apoiados por 26 meios técnicos, incluindo 42 aviões e helicópteros.
O presidente Medvedev já demitiu altas patentes militares, o primeiro-ministro Putin já proibiu a exportação de cereais nos próximos sete anos e o país – (ainda) uma das grandes potências mundiais – está em estado de emergência. Nessa Rússia em chamas, os políticos estão a ser acusados de terem permitido esta situação com a aprovação de uma nova lei de prevenção florestal, em 2007. “Praticamente não existe um serviço responsável pela segurança das florestas em nível federal. Antes da entrada em vigor em 2007 da nova lei florestal, a prevenção de incêndios era feita pelos guardas florestais. Acontece que mais de 70 mil postos de guardas florestais foram eliminados. Agora, não há ninguém encarregada da vigilância das florestas, só funcionários em seus escritórios", disse, à agência noticiosa EFE, Alexei Yaroshenko, analista do Greenpeace.
Os russos poderão ter encontrado uma ligação directa entre uma onda de calor sem precedentes, o desmantelamento da rede de guardas florestais e uma catástrofe de fogos florestais.
Em Portugal, onde praticamente não há guardas florestais onde as áreas florestais do Estado são as mais sujas e perigosas, onde se têm vivido sucessivas ondas de calor, o pior só pode estar a ser evitado ou por providência divina ou pelo facto de termos, provavelmente, os mais destemidos e heróicos (quiçá inconscientes) bombeiros do mundo.
Editorial do jornal FRONTAL de 10 de Agosto
Editorial do Jornal da Mealhada de 11 de Agosto
terça-feira, 10 de agosto de 2010
[1122.] Lunae dies
O Corpo Nacional de Escutas é a maior associação de jovens de Portugal. É um facto. Sendo portuguesa - e "0 Escuta é filho de Portugal e bom cidadão" - tem todas as características de uma instituição portuguesa. É conservadora, é resistente à mudança, prefere a estabilidade do que está comprovadamente certo à incerteza do que pode correr bem... ou não.
[1123.] Marti dies
Estrela do Mar
Jorge Palma
in 'Asas e Penas', de 1984, e 'Só', de 1991.
«Não sei se era maior o desejo ou o espanto
mas sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar».
domingo, 8 de agosto de 2010
[1121.] Visto isto
*Em cada dia, deixamos uma parte de nós mesmos no/pelo caminho
Tradução livre
Numa peregrinação ao 'templo', desta vez em domingo abafado e triste, esbarrei com a reedição dos dois primeiros volumes dos 'Diários' de Miguel Torga - I a IV volume e V a VIII volume. Prenda que a Dom Quixote decidiu proporcionar aos aficionados do médico da Portagem com novas capas - um de amarelo e outro de verde - desde Julho de 2010.
Já li 'Bichos', passei olhos pelos 'Contos da Montanha' (não recordo se os Novos se os "velhos") e já me ri com 'O Senhor Ventura'. Nunca li os 'Diário's, confesso.
(Mais uma linha para a lista do contributo dos que não sabem o que me oferecer pelas Festas...)
sábado, 7 de agosto de 2010
[1120.] Saturni dies
Hinos aos deuses, não.
Os homens é que merecem
Que se lhes cante a virtude.
Bichos que lavram no chão,
Actuam como parecem,
Sem um disfarce que os mude.
Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos.
E à soga do mesmo carro,
Com os aguilhões que nos ferem,
Nós também lhes demonstremos
Que são mortais e de barro.
Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'
Este poema de Miguel Torga - que conheci há poucos dias - faz-me lembrar, imediatamente, o poema (poderei chamá-lo assim?) - uma espécie de Hino ao Homem - inserido na peça 'Antígona', de Sófocles. Pela voz do coro ouve-se: «Numerosas são as maravilhas da natureza, mas de todas a maior é o Homem!».
Por sua vez, esta frase faz-me lembrar um outro momento - desta vez uma oração - exactamente com esta mesma ideia, mas citada da boca de São Paulo. Recordo que fazia parte - seria a primeira frase - da oração que nos foi proposta na actividade nacional de caminheiros - Trilhos 2002 - no fim do raid já em Santa Comba Dão.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
[1119.] Veneris dies
A Modern Romance - Lado AA Procuradoria de Lisboa abriu 10.861 inquéritos no ano passado (Manuel Roberto/PÚBLICO)
Foram abertos em média 25 inquéritos de violência doméstica por dia no distrito judicial de Lisboa no primeiro semestre deste ano. O número retira-se do recém-divulgado memorando de actividades da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa sobre os primeiros seis meses do ano, que adianta terem sido registados neste período 4546 novos inquéritos. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) é uma das quatro procuradorias distritais do país e compreende 42 comarcas, abarcando 32 por cento da população recenseada em Portugal. A comarca de Lisboa foi a que registou maior número de inquéritos abertos, com 920 do total, seguida pela nova comarca da Grande Lisboa Noroeste, que inclui os concelhos de Amadora, de Mafra e de Sintra, com 681."Pese embora a necessidade de confirmação dos registos (uma vez que haverá situações como tal registadas que poderão não configurar crime de violência doméstica), aquele número é significativo", lê-se no documento. O relatório divulgado no mesmo período do ano passado não divulgava os inquéritos relativos a violência doméstica, mas o memorando relativo a 2009 dava conta da abertura de 10.861 inquéritos pelo crime de violência doméstica ao longo dos 12 meses. Metade são 5430, o que pode significar que, apesar de esta criminalidade se manter elevada, houve uma diminuição face ao ano anterior. "Em matéria de violência doméstica, têm sido desenvolvidos no distrito modelos de intervenção diferenciada, envolvendo a articulação com estruturas comunitárias e instituições públicas e privadas vocacionadas para a detecção, o estudo, o acompanhamento do fenómeno e para o apoio às vítimas", adianta ainda a procuradora-geral distrital, Francisca Van Dunem, que assina o documento.Este ano já morreram 14 mulheres vítimas de violência doméstica. O Observatório das Mulheres Assassinadas, da UMAR, contabilizou 29 homicídios em 2009, menos 14 por cento do que no ano anterior. Um processo destes tem sido alvo de inúmero interesse nos últimos dias. Trata-se da queixa apresentada pela presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais, que decidiu denunciar a violência de anos por parte do seu último companheiro, que, quando esta lhe anunciou o fim da relação, a ameaçou de morte.Também significativa foi a criminalidade juvenil registada no primeiro semestre no distrito judicial de Lisboa. Por terem tido comportamentos qualificados como crimes, mas ainda não terem atingido os 16 anos necessários para responderem penalmente, foram abertos 2474 inquéritos tutelares educativos. A maioria encontra-se nos tribunais de família e menores de Lisboa (591) e Sintra (432). Em 135 casos, o Ministério Público requereu uma medida de internamento e em 289 outras medidas que não implicavam a institucionalização do menor.

Meya Culpa
de José de Almeida & Maria Flores
in http://www.olhares.com/
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
[1117.] Iovis dies
[1116.] Visto isto
«Um amigo que ainda fez o serviço militar obrigatório contou-me um episódio curioso: os recrutas estavam na parada a serem ritualmente insultados por um sargento. O bruto inquiria-os acerca das suas qualificações e profissões para, logo de seguida, os vilipendiar acerca disso. A dado passo, berrou a um magala com ar assustadiço: "O que é que tu fazes?" O rapaz balbuciou um elucidativo pedido de esclarecimento: "Aqui ou na vida real?"»
Carlos Abreu Amorim in 'Aqui ou na vida real?', na rúbrica 'É dificil ser liberal em Portugal', no Diário de Notícias de ontem, 4 de Agosto.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
[1114.] Mercurii dies
Quando se faz o balanço da 20.ª edição da Expofacic – Exposição, Feira Agrícola e Industrial e Festas do Concelho de Cantanhede –, é com nostalgia que recordamos os meses de Julho de 2005 e de 2006, quando a Associação Comercial e Industrial da Mealhada (ACIM) e a Câmara da Mealhada decidiram associar-se e organizar a ExpoMealhada.
Nunca se percebeu, realmente – isto para além do conflito de personalidades –, porque razão fracassou o evento. Bem se sabe que era uma realização cara, bem se sabe que dos cofres da Câmara não teria de sair todo o investimento, bem se sabe que uma criança dá muitas quedas antes de começar a andar. A ExpoMealhada morreu na praia e (quase?) todos os protagonistas políticos lamentam esse facto, sem, no entanto, terem tido a coragem de o fazer ressuscitar.
Segundo dados divulgados pela organização da Expofacic, serão fiáveis ou não, visitaram a feira 416 mil pessoas. Destas, 73 mil fizeram-no no último dia. Se tivermos em atenção que o concelho de Cantanhede tem cerca de quarenta mil residentes, facilmente chegamos à conclusão de que se trata de um evento aglutinador na região. A animação chama pessoas que são impelidas a visitar os expositores comerciais e a apoiar as associações culturais que fazem a exploração de espaços gastronómicos, vulgarmente chamados de ‘tasquinhas’. Há, notoriamente, uma distribuição da riqueza, um fluxo financeiro que, inegavelmente, apoiará a economia local mesmo que em pequena escala, mesmo em época de crise.
Bem pode dizer-se que a existência de uma feira desta dimensão num concelho vizinho – a que se juntará a Feira da Vinha e do Vinho, em Anadia, em Junho – inviabiliza a realização de um certame similar no concelho da Mealhada. É provável que isso seja verdadeiro, mas não é exigível que um certame como a ExpoMealhada fosse criado para destronar um peso pesado como é a Expofacic, logo nas primeiras edições.
Bem pode dizer-se que o concelho da Mealhada já tem a sua Feira Gastronómica e a sua oportunidade de incremento da auto-estima e do sentimento colectivo e identitário. É um facto. Mas não é menos verdade que essa realização – exclusivamente camarária – é iminentemente de promoção do artesanato e da gastronomia sem qualquer carácter de natureza comercial, pelo que Feira de Artesanato e Gastronomia e ExpoMealhada são eventos que não se imiscuiriam – apesar de poderem ser complementares.
Carlos Pinheiro, presidente da direcção da ACIM, já reconheceu que há necessidade de reequacionar os modelos utilizados para realizações como as Feiras de Stocks ou as Feiras do Emprego, promovidas pela associação comercial mealhadense. Esse reequacionar bem podia começar por colocar em cima da mesa a reedição da ExpoMealhada, alicerçada numa estratégia de parceria cooperativa entre a ACIM, a Câmara e empresas de referência do concelho da Mealhada. Estratégia essa de crescimento gradual, a cinco anos, por exemplo, no caminho da promoção de uma auto-sustentabilidade financeira a longo prazo. A reedição de uma feira comercial que procurasse, antes de imitar, pura e simplesmente, modelos, como os citados, fosse ao encontro da satisfação de necessidades locais e regionais específicas como a da promoção turística, a da divulgação e exaltação do património gastronómico, como a afirmação do concelho da Mealhada como possuidor de uma centralidade e de uma infraestruturação logística espectacular. Para além de todas as outras questões óbvias e decorrentes como a promoção da economia local (e aqui o escoar das mercadorias como é objectivo das Feiras de Stocks) e de novas oportunidades de emprego, por exemplo.
Depois do fracasso resultante da não continuidade da ExpoMealhada, após as edições de 2005 e de 2006, é bem verdade que o concelho da Mealhada pode ter perdido, definitivamente, a carruagem da chance de realizar um evento similar, à sua escala. Não nos parece de todo razoável é que o assunto seja mantido em suspenso – com a maior parte dos protagonistas políticos do concelho a fazer a apologia das virtualidades da ExpoMealhada – pelo simples facto de não haver a coragem de reconhecer que foi um conflito de personalidades (de personalidades e não de instituições) que provocou a morte prematura do certame.
Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de Agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
[1115.] Marti dies
Canção do Tempo
De José Carlos Ary dos Santos
Por 'Rua da Saudade'
quinta-feira, 29 de julho de 2010
[1113.] Visto isto
«Depois acrescenta-se que a nossa Constituição ter os donos vivos e os donos não gostam que se lhes mexa na propriedade e querem tudo no sítio onde o colocaram há 35 anos. E há também, numa Constituição que já foi remexida dezenas de vezes, muitas vezes inutilmente por causa da Europa, o facto de ela ser simbólica à esquerda, sacrossanta e até um pouco de fetiche, o que em tempo de vacas magras ideológicas conta.»
José Pacheco Pereira, 'A querela constitucional', na rubrica 'A Lagartixa e o Jacaré', na Revista Sábado de 22 de Julho
quarta-feira, 28 de julho de 2010
[1112.] Dias vencidos 24 a 28.07.10
Eu tinha começado a trabalhar com o Núcleo em 2004, com a organização de um mítico Curso de Guias em Cernache, e fui prosseguindo na chefia da equipa do campo da III que organizou o AEP em Quiaios, e depois mais dois Cursos de Guias... até ser cooptado para a Junta de Núcleo em Dezembro de 2006.
Ao assumir as responsabilidades pedagógicas do Núcleo estabeleci, imediatamente, duas prioridades: - a de encontrar uma equipa alargada e versátil; - e a de apresentar um plano trienal de actividades com objectivos claros de enquadramento, de crescimento e de melhoria da qualidade da oferta pedagógica.
A primeira prioridade, que o Núcleo já havia assinalado como importante na avaliação do ACANUC de N.ª Sr.ª do Chão de Calvos, foi concretizada imediatamente (apesar de eu ser uma nódoa a fazer equipas). A segunda conseguiria fazê-la aprovar por unanimidade alguns meses depois, no Conselho de Núcleo.
«Crescer passo a passo» foi o tema trienal para um mandato que se pretendia de pedagogia da preparação, da vivência e da avaliação da actividade maior que o método escutista proporciona: o Acampamento.
No primeiro ano do triénio - "O Primeiro Passo" -, em Novembro de 2008, fizemos um acampamento em Seixo de Mira onde choveu terrivelmente, que ajudou a trabalhar a dimensão da preparação que, em casa, temos de ter para que o acampamento corra bem. No segundo ano do triénio - "Ser Construindo" - , em Novembro de 2009, demos inicio ao trabalho da dimensão da realização e da vivência do acampamento. Começámos com a utilização do Método do Projecto - e o consequente envolvimento dos escuteiros - no Curso de Guias de Cernache. Trabalhámos a coisa durante largos meses e o acampamento - o 5.º ACANUC - começou a 24 de Julho, em Penacova.
"Ser Construindo" era o grande tema do ano. Para isso, a ideia da CONSTRUÇÃO de uma catedral - como imagem da construção pessoal que o acampamento e a vivência em ambiente escutista (com os valores, a Lei do Escuta, o sistema de patrulhas levado ao expoenete máximo, e o aprender fazendo) proporciona - pareceu-nos adequado. Baseados na história narrada por Ken Follet no romance histórico "Os Pilares da Terra", recriámos uma cidade medieval. Procurámos, ainda, recriar não só uma mera cidade, mas a Civitas ideal idealizada por B.-P., que ao fundar o escutismo buscou formar "a próxima geração de líderes" comunitários. Esta cidade - Pax Hill, o nome da emblemática propriedade onde B.-P. viveu a sua vida depois de ter fundado o escutismo, 'Colina da Paz' - procurou ser a cidade de lona, perfeita e de acordo com o sonho do fundador.
Ainda não tenho uma visão completa da avaliação da actividade. Mas há generalidades, comummente aceites (digo eu), que me enchem de orgulho em mais esta realização de uma equipa esforçada e que, genericamente, trabalha com eficiência e eficácia. O imaginário revelou-se uma mais-valia, as actividades foram arrojadas quanto-baste, não se registaram problemas de saúde ou conforto dignos de registo, a postura pública dos dirigentes foi muito positiva, o impacto na comunidade de Penacova e Lorvão foi extraordinariamente positivo.
Há, portanto, e para já, razões para considerar esta actividade como um sucesso!
[1118.] Hoje
Seis anos... como o tempo passa!
domingo, 25 de julho de 2010
[1111.] Hoje
quinta-feira, 22 de julho de 2010
[1109.] Dia vencido 22.07.10
quarta-feira, 21 de julho de 2010
[1094.] Mercurii dies
Vítor Matos, presidente da Junta de Freguesia da Pampilhosa, afirmou, um dia, numa sessão de inauguração de uma qualquer iniciativa na vila, que a Pampilhosa era “um farol de cultura no concelho da Mealhada”. A imagem é humorada, mas é, também, muito interessante. Também de Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada e pampilhosense, é conhecida a declaração de que a Pampilhosa é uma terra de associações onde sempre se praticou a democracia, mesmo quando o país vivia em ditadura. Estas duas ideias, intimamente ligadas, não podem deixar de ser citadas quando se vive um mês em que a Pampilhosa marca, de forma total e notória, o panorama cultural do concelho da Mealhada.
A PampiArte, a exposição com vinte cinco artistas plásticos, a exposição dos trabalhos das crianças sobre a “Pampilhosa do Futuro”, a edição de quatro selos alusivos aos 25 anos da elevação da Pampilhosa à categoria de vila, a actuação de um grupo folclórico cossaco, as actuações, o intercâmbio e a recepção da Filarmónica Pampilhosense à Real Filarmónica de Hendersem, na Bélgica, e o XXIII Festival Internacional de Folclore da vila da Pampilhosa – promovido pelo Grupo Regional da Pampilhosa do Botão –, a 31 de Julho, são iniciativas que, individualmente, numa qualquer localidade do concelho – em Luso ou na Mealhada, nomeadamente, mereceriam atenção por serem feito assinalável. Acontece que estas iniciativas, promovidas pela Junta de Freguesia e pelas associações, e não pela Câmara Municipal, acontecem ao mesmo tempo e num período de quinze dias, enquanto decorrem as festas em honra de Santa Marinha, padroeira da Pampilhosa.
A Pampilhosa é, de facto, um caso de estudo num concelho em que o movimento associativo parece estar excessivamente dependente da Câmara e onde o ritmo das iniciativas é muito diferente. Não dizemos que não haja actividades de grande valor nas outras freguesias. Mas temos de reconhecer que o volume de iniciativas de qualidade, ao mesmo tempo, na Pampilhosa, é facto digno de registo e de elogio.
Fruto de uma tradição proletária, mais comunitária, de envolvimento nas associações locais. Fruto de uma herança de vivência de valores de Igualdade, Liberdade e Fraternidade – de tradição maçónica – em muitas das colectividades da vila ferroviária. Fruto de um bairrismo, muitas vezes mal entendido, de auto-determinação e de vivência numa cultura de marcar pela diferença e pelo arrojo. Fruto de um ambiente de caldo de culturas que o mais importante entreposto ferroviário com a Europa proporcionou durante décadas. Todas estas podiam ser razões alvitradas para justificar a nossa concordância com a declaração de Vítor Matos: “A Pampilhosa é o farol de cultura do concelho da Mealhada”.
Há vinte e cinco anos, em 9 de Julho, por iniciativa da deputada do PCP pelo círculo eleitoral de Aveiro, Zita Seabra, a Assembleia da República votava, por unanimidade, a elevação da Pampilhosa à categoria de vila. Em 25 de Setembro seguinte, a Lei n.º67/85 promulgava a deliberação e tornava-a oficial e definitiva. Vinte e cinco anos passados, não há dúvida de que a Pampilhosa – a Junta e as suas colectividades – soube assinalar o aniversário com vitalidade e arrojo, mostrando que se trata de uma grande vila, digna desse nome e capaz de brilhar na região.
Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de Julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
[1093.] Lunae dies... porque "recordar é viver"
A malta que foi a Macau - ao abrigo do Concurso Nacional de Jornalismo Juvenil - em Agosto de 1997 tem um grupo no Facebook com muitas fotografias fantásticas![1092.] Lunae dies...
domingo, 18 de julho de 2010
[1108.] Hoje
A ONU exorta os Homens a dedicarem, neste dia, 67 minutos a trabalho voluntário de servico aos outros!
É isso q vou fazer agora! Talvez um pouco mais!
What is Mandela Day?
- Mandela Day is an annual celebration of Nelson Mandela’s life and a global call to action for people to recognize their individual ability to make an imprint and change the world around them.
- Mandela Day has been created to inspire people from every corner of the world to embrace the values that have embodied Nelson Mandela’s life – democracy; equality; reconciliation; diversity; responsibility; respect and freedom – for these are the values of Nelson Mandela and they are his legacy to the world.
- Mandela Day aims to showcase the work of the Nelson Mandela charitable organisations (Nelson Mandela Foundation; Nelson Mandela Children’s Fund; Mandela Rhodes Foundation) and raise monies to support their continuing work.
- By connecting people with ways to act on Nelson Mandela’s values, we aim to empower every individual to make an imprint on the world.
- The Mandela Day campaign message is simple: Nelson Mandela has given 67 years of his life fighting for the rights of humanity. All we are asking is that everyone gives 67 minutes of their time, whether it’s supporting your chosen charity or serving your local community.
- Mandela Day is a global social movement – an umbrella idea – that does not discriminate, it’s open and lets in and embraces every organization that does good, whilst enabling people to serve their community and improve their lives.
- The Mandela Day brand icon represents Mr Mandela’s hand and the passing of the torch to each of us and our individual ability to make an imprint on the
world.- Mandela Day is not a holiday – it is a day for all of us to option and show that we can all make an impact.
[1110.] Hoje
sábado, 17 de julho de 2010
[1107.] Hoje
sexta-feira, 16 de julho de 2010
[1106.] Visto isto
«O Verão é a única estação e, nos seus movimentos, acaba por ser uma metáfora da vida espiritual".
Rainer Maria Rilke, recordado por Tolentino Mendonça, no Público.
[1104.] Dia vencido 16.07.10
1. - Eu até sou apologista do uso do termo Nação (não tenho medo nenhum da palavra), mas estes debates são muito mais sobre o Estado da REPÚBLICA sobre o Estado da Nação. A Nação é muito mais do que a República e nestes debates nem da República se fala em condições, quanto mais da Nação...
2. - Sócrates, o inveterável optimista, está completamente alheado da realidade da República. Os portugueses não precisam de CONFIANÇA, PRECISAM DE VERDADE
3. - Sócrates ataca a mão que lhe tem dado de comer, a do PSD. A ingratidão paga-se cara, com descrédito e com alheamento completo por parte das pessoas.
4. - Depois de Cavaco Silva e de Mário Soares (por esta ordem) Paulo Portas é o melhor político português eleito depois do 25 de Abril. Hoje esteve brilhante.
[1103.] Hoje
A história da Ordem Carmelita é muito interessante. Reza a tradição que o Profeta Elias fundou no Monte Carmelo, no Líbano, num jardim, um local onde esteve o resto da sua vida eremítica. O Profeta Elias foi um precursor do anúncio da vinda do Messias. Mais tarde, nesse mesmo monte, os cruzados decidiram criar ali um mosteiro e dar inicio à ordem carmelita, sempre declarando que a ordem teria tido origem em Elias. Seria, portanto, uma ordem cristã, nascida antes de Cristo. Esse primeiro mosteiro foi dedicado à Virgem Maria, tomando o nome de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou do Carmo.
No Bussaco, no concelho da Mealhada, no século XVI, os carmelitas fundaram um deserto ermitico com um Convento. Como não podia deixar de ser Nossa Senhora do Carmo tem lá uma imagem, venerada, em lugar de destaque.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
[1105.] Dia vencido 15.07.10
«Deixai toda a esperança, vós que aqui entrais».
Um dia vou colocá-la.
A frase - "Lasciate ogne speranza voi che'intrate" - está, segundo Dante, "num letreiro escuro, escrita por cima de uma porta". A Porta é a do Inferno... [Divina Comédia, Canto III, 9]
quarta-feira, 14 de julho de 2010
[1091.] Mercurii dies em jeito de avaliação do Carnaval de Verão
É uma pena que o Carnaval de Verão na Mealhada, no passado domingo, 11 de Julho, não tenha merecido a adesão do público e, lamentavelmente, a presença de grande parte dos que, em Fevereiro, desfilam no corso no sambódromo Luís Marques. Dizemo-lo, porque consideramos que a ideia tem mérito, tinha justificação e, aparentemente, deveria ter tido adesão. Assim não foi, interessa pois avaliar as razões para que tal não tenha acontecido.
Somos dos que consideram o Carnaval como um espectáculo completo. Trabalhamos para que o evento possa considerar-se, e seja realmente, como a mais grandiosa e qualificada oferta cultural do concelho da Mealhada. Para isso, e por isso, organizamos o Concurso de Escolas de Samba. Por isso e para isso sentimos que temos a obrigação de incentivar a avaliação de tudo o que – tendo impacto público – possa estar relacionado com o Carnaval Luso-brasileiro da Bairrada. Temos de reconhecer que se o que o publico vê for bom – seja quando for –, então, isso é positivo para o Carnaval na Mealhada.
O espectáculo não começou a horas. Fez-se tempo para que chegasse mais gente... mas não começou a horas e isso é, neste ano especialmente, relevante. Houve a tentativa de homenagear os fundadores do Carnaval Luso-brasileiro, há 40 anos. Não resultou. Os fundadores não aderiram e a forma encontrada – associada, talvez, ao medo de esquecer alguém – mostrou-se fracassada. Em 2008, a alegoria dos "30 anos de Carnaval", e a imagem de alguns dos fundadores impressa em vinil, revelou-se muito melhor.
As escolas – genericamente – não se conseguiram mobilizar. Algumas nem sequer conseguiram ter figurantes para que desfilassem todas as alas que integravam o enredo apresentado em Fevereiro. Acreditamos que esse – a sazonalidade da mobilização – possa ser um problema das escolas mealhadenses, mas os seus dirigentes deveriam ter consciência disso. Algumas escolas – da Mealhada e não só – apresentaram um espectáculo paupérrimo que, infelizmente, não dignifica o carnaval luso-brasileiro. Se o nosso corpo de jurados tivesse sido convovado, certamente, atribuiria muitas notas cinco – o mínimo previsto no regulamento (que pode ser consultado no nosso sitio na internet – e algumas notas zero.
Houve aspectos positivos, o espectáculo proporcionado pelo grupo de Válega, em estilo "parada musical Disney", pode ser inspirador – porque enriquece o espectáculo e e faz diminuir a dependência das escolas de samba.
Fará sentido repensar o conceito de Carnaval de Verão, sem o abandonar totalmente, pensando que em Setembro – quando há o Festival de Samba que já é evento enraízado – também é Verão. Valerá a pena arriscar, novamente. Assim pensamos.
Opinião de Nuno Castela Canilho (Director do Jornal da Mealhada),
in Jornal da Mealhada de 14 de Julho
[1090.] Mercurii dies em dia de 'milestone'
O Jornal da Mealhada publica hoje a edição 800 da terceira série – nascida em 1987. É mais um marco num ano em que a empresa proprietária do jornal assinala o seu 25.º aniversário. O número 800 do JM chega a casa das pessoas numa altura em que se vive uma grave crise económica que, como todos já ouvimos falar, já chegou aos jornais. Nos últimos quinze dias encerrou o jornal diário ‘24 horas’, encerrou o jornal gratuito ‘Global’ e, no passado domingo, fez-se silêncio na frequência da estação do Rádio Clube Português.
Quando um jornal acaba, abre-se um vazio no nosso espírito colectivo e comunitário. Os vespertinos Diário Popular e o Diário de Lisboa acabaram há vinte anos – em tempo de vacas muito mais saudáveis – e continuam a fazer parte do nosso imaginário social.
O tempo não é de grandes festejos, mas importa sublinhar, mesmo que sujeitos à crítica do auto-elogio (que José Estêvão dizia ser como cuspir na sopa que se come), a sobrevivência do Jornal da Mealhada apesar de tantas vicissitudes sociais, económicas e financeiras que o país atravessa.
Vicissitudes que têm sido ultrapassadas, em larga medida, pelo facto de o Jornal da Mealhada ter uma implantação radicada em assinaturas pagas de leitores que quiseram usufruir de um serviço cómodo alicerçado numa componente de responsabilidade social muito forte. Num tempo de dificuldades – que se reflectem, naturalmente, na angariação e no preço da publicidade, e na redução da comparticipação do Estado no envio postal, o chamado ‘Porte Pago’ – é, uma vez mais, nos assinantes que se sustenta a sobrevivência de órgãos de comunicação social de interacção local e comunitária. Sobrevivência que, muitas vezes, obriga a que o preço da assinatura fique abaixo do preço do custo da própria publicação do jornal e que necessárias actualizações fiquem adiadas para melhores dias.
Apesar de compreendermos que é nas famílias, na casa de cada um, que as dificuldades mais severamente se fazem sentir, apelamos a todos os nossos assinantes para que regularizem a sua assinatura – dentro do que for razoável e exigível – e possam solidariamente contribuir para que, associada a esta crise económica e financeira não se somem crises de valores, de cultura, de interacção, e de informação – logo de democracia e de sentido cívico – que o encerramento de jornais e rádios necessariamente produz.
Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de Julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
[1102.] Dia vencido 11.07.10
Curiosamente, é o XV Domingo do Tempo Comum, Ano C.
No Evangelho deste domingo, recita-se o evangelista Lucas - Lc 10, 25-37.
Precisamente no versículo 37, é dito:
"Disse, pois, Jesus: VAI E FAZ DA MESMA MANEIRA!"
[1101.] Hoje
Na iconografia, São Bento é retratado como um homem velho, vestido de negro (o hábito beneditino) com um báculo (sinal do poder do pastor), com uma mitra na cabeça (sinal do poder episcopal), com um livro e um cálice. Nalgumas representações tem também junto a ele um corvo ou uma serpente.
Na Vacariça, no concelho da Mealhada, no século X, há mais de mil anos, existia um Mosteiro de São Vicente da Vacariça, bubulense e de obediência beneditina. São Bento é, ainda hoje, orago na freguesia da Vacariça.
sábado, 10 de julho de 2010
[1100.] Dia vencido 10.07.10
Há momentos de impasse e frustração e, depois, sempre, há momentos de grande alegria. A gestão da ansiedade, o deleite do saborear a adrenalina é viciante e extraordinário. Ver gente, à nossa volta, a dar o litro, mesmo sem ver nem dar conta, é animador. Quando desanimam parece que me injectam nova dose de energia e dão-me ainda mais força que normalmente canalizo para lhes dar alento.
Será doentio?
sexta-feira, 9 de julho de 2010
[1099.] Dia vencido 09.07.10
A Gala das 4 Maravilhas que se realizou hoje mostra isso mesmo. Mostra que é preciso um upgradezinho. O João Baião portou-se bem, foi interessante o serão, mas houve um conjunto de pormenores que falharam. Falo só de referências, explicações, agradecimentos que deviam ter sido feitos e não foram.
[1098.] Hoje

Faz hoje precisamente 25 anos que foi aprovado na Assembleia da República o projecto de lei n.º 123/III, assinado pelos deputados do PCP Zita Seabra e Anselmo Aníbal que propunha a elevação da Pampilhosa à categoria de vila.
O projecto foi aprovado e deu origem à Lei n.º 67/85 de 25 de Setembro.
A este propósito:
http://ncastelacanilho.blogspot.com/2008/09/612-iovis-dies.html
http://ncastelacanilho.blogspot.com/2010/07/1094-mercurii-dies.html
[1089.] Veneris dies
quinta-feira, 8 de julho de 2010
[1087.] Hoje... a Rainha desceu à cidade
[1097.] Hoje
Numa altura em que se discute a construção de um novo edificio para a Câmara Municipal da Mealhada, faz sentido lembrar que o actual edificio, que o novo projecto vai aproveitar, começou a ser construído faz hoje, precisamente, 115 anos.[1096.] Visto isto 08.07.2010
«Deus permite o mal.
O sofrimento às vezes faz muito bem à alma.
Deus nunca nos dá uma cruz maior do que aquela que podemos suportar e
permite o mal neste mundo porque, quando um ser humano nasce, a linha de saída
não tem nenhum mérito.
Mérito é gerir o bem e o mal até ao fim!»
José Fortea, padre exorcista espanhol, em entrevista ao jornal i
[1088.] Iovis dies
quarta-feira, 7 de julho de 2010
[1086.] Mercurii dies
Carlos Jalali, docente da secção autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas da Universidade de Aveiro, escreveu, recentemente, um artigo, intitulado “Os Cidadãos e a Politica em Portugal: um divórcio por mutuo consentimento?” – acessível em http://uaonline.ua.pt/detail.asp?lg=pt&c=17980 – que, para além de ser muito interessante ajudará a compreender o fenómeno social do desinteresse pela Política, que a todos deve preocupar, pese embora o autor defenda que serão os políticos os menos interessados em voltar a juntar eleitos e eleitores.
Olhar com pessimismo para o futuro da democracia não é coisa recente. Jalali lembra comentários do antigo chanceler alemão Willy Brandt, um dos pais da União Europeia, em meados da década de setenta do século passado para ilustrar esta ideia. O docente da Universidade de Aveiro considera, até, que o 25 de Abril de 1974, em Portugal, terá contribuído para contrariar as perspectivas dos que comungavam do pessimismo de Brandt. Carlos Jalali cita Samuel Huntington para sugerir que “a revolução portuguesa assinalou também o início da chamada «terceira vaga de democratização» – um período da história do planeta em que a democracia tem progredido significativamente”.
Esta terceira vaga de democratização terá permitido que nos últimos trinta e cinco anos o número de democracias tenha triplicado e que o “debate tenha deixado de ser sobre os méritos da democracia liberal (em oposição a outros regimes) para se centrar na qualidade da democracia”.
Esta qualidade da democracia, num modelo de Diamond e Morlino, já neste século, ocorrerá segundo uma avaliação em três níveis distintos: “o dos procedimentos democráticos (que reflectem inter alia a competição eleitoral, o enquadramento legal e o accountability vertical e horizontal dentro do sistema político); o conteúdo da democracia (i.e., se garante efectivamente a liberdade e igualdade – política, social e civil – dos seus cidadãos); e os seus resultados – a avaliação que os cidadãos fazem do seu funcionamento, e se esta se mostra capaz de formular e executar políticas públicas que reconheçam e satisfaçam as exigências dos cidadãos e do interesse público”.
A verdade é que ao nível dos resultados, a avaliação da qualidade das democracias, e especialmente da portuguesa, parece não ser muito positiva. O politólogo Pedro Magalhães, também citado por Jalali, fala-nos, novamente em três D da actualidade. Se em Abril de 1974 queríamos Descolonizar, Democratizar e Desenvolver, hoje os portugueses serão Democratas, é certo, mas Descontentes com o desempenho das instituições políticas e Desafectos – um sentimento algures entre o Desinteresse e o Distanciado.
Jalali remata o seu texto com uma ideia de certo modo inquietante: “O distanciamento entre cidadãos e a política não é necessariamente negativo para governantes – pelo menos a curto prazo. Como refere Martin Wattenberg (2000), obter mandatos com menos votos ‘é o equivalente da General Motors obter os mesmos lucros com menos carros vendidos’”. E lança a questão: “Como então ultrapassar os desafios contemporâneos da democracia?”. “Tal como em 1974, a resposta talvez resida numa revolução – embora desta feita uma «revolução» sem armas, que se baseie antes na participação política dos cidadãos, na transparência de governantes e na dimensão ética de uns e de outros. Afi nal, como Thomas Jefferson afirmou um dia, ‘Cada geração precisa de uma nova revolução’”, rematou. E nós aplaudimos.
Editorial do Jornal da Mealhada de 7 de Julho de 2010
[1077.] Dia vencido 30.06.10
terça-feira, 6 de julho de 2010
[1085.] Dia vencido 06.07.10
O MEC está maduro, está sábio, como ele próprio no final propunha e a verdade é que está, ainda, mais interessante. Fiquei especialmente entusiasmado com o que disse sobre (os tempos d') "O Independente", sobre o projecto politico que encerrava, sobre Cavaco, e, acima de tudo, sobre o ser Conservador.
MEC explicou, de uma forma extraordinariamente inteligente - como é seu timbre -, o que é um conservador, o que é ser e pensar de acordo com uma filosofia política que é, também, uma corrente de sentido de vida.
Eu, que me sinto cada vez menos Conservador, gostei de ouvir MEC. Espero voltar a ele, mais vezes, e tornar-me, eu próprio, mais sábio, mais tranquilo e mais conservador.
MEC, que nunca ganhou nada em nenhuma disputa politica, percebeu, por fim, que os portugueses não o querem no poder, querem-no a seu lado, analisando o fio dos dias!
[1084.] Marti dies... aqui, dentro de casa
AQUI DENTRO DE CASA
Música de José Mário Branco
Encontrei esta música no meu ipod, um destes dias. Já a devo ter ouvido milhares de vezes, pelas vozes de Mafalda Veiga e João Pedro Pais. Um destes dias, noite fora, as palavras parece que fizeram mais sentido e apreciei de outra forma o que ouvia.
Descobri, entretanto, que a música é do José Mário Branco, o que a torna, até, mais interessante - tendo em conta o que é cantando, bem se perceba.
Hoje encontrei a música cantada pelo autor, e pelos dois interpretes que ma mostraram... ao vivo no concerto do 36.º aniversário do 25 de Abril, em 2010.
Muito interessante!
«Meus olhos fechados, mudos, espantados/Te ouviram como se apagasses/A luz do dia ou a luta de classes»
domingo, 4 de julho de 2010
[1083.] Hoje
sábado, 3 de julho de 2010
[1095.] Hoje
sexta-feira, 2 de julho de 2010
[1082.] Veneris dies
Uma grande mulher. Provavelmente a principal figura da última corte portuguesa. Sublinhamos, hoje, a coragem de uma mãe que sobreviveu aos filhos. Ao filho nascido para ser rei, Luís Filipe, e ao filho que não nascendo para isso foi o último rei de Portugal.
Manuel de Bragança morreu faz hoje 78 anos. E como deve ter sido dificil para esta mulher aguentar essa finalissima perda.
A Rainha Dona Amélia é uma espécie de mãe do Bussaco, na terceira idade deste espaço. Ela sim devia ser homenageada no Bussaco - a 28 de Setembro, dia em que nasceu, ou a 25 de Outubro, data da sua morte -, mesmo em aniversário da República. Porque também se elogia a República quando se compreende e homenageia os que a antecederam, porque ser republicano é ser justo, fraterno, solidário e igualitarista.
O Bussaco foi um dos locais que exigiu visitar na última visita que fez a Portugal, em 1945. Pediu algumas das pessoas que viviam em Luso, e das quais se recordava, que a fossem visitar ao Palace, onde as homenageou com a sua simpatia.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
[1081.] Dia vencido 01.07.10
A frase do Financial Times, um jornal inglês, do país mais colonialista do mundo.
O jornal inglês, que acusa o Governo português de colonialista por ter usado a goldenshare para impedir a venda da Vivo à Telefónica, até pode ter razão, mas eu, como português não aceito ingerências. Pode ser feitio, pode ser estupidez, mas para cá do Marão mandam os que cá estão!
[1080.] Hoje: Parabéns Mealhada!
[1079.] Iovis dies, no Dia Nacional do Vinho
O quadro está no Museu de José Malhoa das Caldas da Rainha.
[1078.] Dia vencido 30.06.10
Afinal neste mandato não ficaram sanados todos os defeitos que tinha o anterior. É pena. Não é alvo de critica quem possa pensar que o presidente da Assembleia Municipal, Miguel Felgueiras, depois do penacho da eleição e da linha no seu currículo se está a marimbar para a maçada de ter de ir às reuniões maçadoras da Assembleia. Afinal o presidente da Assembleia é o único que não se pode desculpar com as datas agendadas... O Miguel - grande democrata - não se vai chatear com esta critica, assim espero...
Mas o que me chateou mais na reunião foi o preconceito prévio de resistência à mudança, da parte de toda a Assembleia, genericamente, a propósito do projecto dos novos Paços do Concelho. Um conservadorismo reaccionário que contrastou com o espírito revolucionário a que recorreram para repudiar o facto de o Presidente da República por não ter ido - mesmo que o fizesse hipocrita e cinicamente - ao funeral de um homem que não o respeitava nem a ele nem ao cargo. Aí a assembleia já foi ultra-progressista, revolucionária como não terá sido Cuba do Alentejo.
Mas fiquei incomodado com o grau de conservadorismo dos eleitos - dos que emitiram opinião, claro está - de forma generalizada. Apenas um se mostrou entusiasmado com o projecto apresentado.
Foi apresentado um projecto de um edificio municipal arrojado, que apesar de não ter uma arquitectura esteticamente inovadora procura ser - assim o disseram - um exemplo de boas práticas do ponto de vista da eficiência energética. O plano apresentado - uma proposta, apenas -, segundo o que foi ali referido, insere-se numa lógica estrutural que, de facto, procura resolver um conjunto de problemas do centro da Mealhada. Não resolve os problemas fundamentais do centro histórico - mas também não seria possível ser ESTE projecto a fazê-lo.
Mas teve logo ali um conjunto de criticas imediatas que fazem desmoralizar e que mais não são do que grandes entraves, reticências e grande resistência à mudança, por si só.
É tipico dos portugueses, mas era escusado.

Há coisas ali com as quais não concordo. Há coisas que acho impossiveis ou de muita dificil concretização, mas aquilo é um grande projecto e um projecto de excelência que - a confirmar os pressupostos "vendidos" - põe a Mealhada no mapa da inovação.
Eu sou o autor de uma frase ainda hoje citada quando se fala deste dossiê. Eu disse, um dia, que até me dava "brotoejas" pensar que o novo edificio dos Paços do Concelho poderia ser ali construído. Arminda Martins, na Assembleia Municipal, aconselhou-me a comprar uma pomada porque era mesmo ali que ele ia ser feito. Essa arrogância toda em 2001-2004 (não sei precisar a data) está a revelar que afinal a ideia do PS era muito mais contrariar o PSD do que acreditar que a solução era a ideal.
Mantenho a discordância relativamente à localização do edificio dos Paços do Concelho - essa sim é a questão de fundo. Agora, se é para ser ali, como o PS teimosamente quis, então, que seja uma solução de futuro, eficiente, arrojada e responsável pela recuperação e solução integrada de toda a zona.
Se é muito grande, se a cor é feia, se tem análise disto ou daquilo, se os interruptores são manuais ou se tem fotovoltaico é pensar pequenino.
Porque a verdade é que a população da Mealhada precisa de um espaço de grande qualidade, do melhor que houver. Assim haja dinheiro, o dinheiro que tanto se poupa que se gaste em dar melhores condições aos cidadãos e aos funcionários municipais - que têm sido os grandes prejudicados no prolongamento da situação.
Há coisas a melhorar, tirar a Esplanada para pôr outro bar, em melhores condições, mais acima ou mais abaixo, mudar aqui ou ali, se há estratégias para o comércio tradicional são aspectos a melhorar em debate público. Agora ser do contra com medo da mudança e de gastar muito, é pensar pequenino.
Assim haja dinheiro, porque os mealhadenses merecem o melhor que houver para dar!









