quinta-feira, 18 de novembro de 2010

[1221.] Hoje

Hoje é o DIA NACIONAL DA
LETÓNIA
Em 18 de Novembro de 1918, com o final da I Grande Guerra, a Letónia tornava-se, pela primeira vez, uma nação independente. No caso tornava-se independente da Rússia.


[1218.] Iovis dies

A Escola de Atenas
[Causarum Cognitio]
Rafael Sanzio (1483-1520)
Fresco, com 5m x 7m, pintado em 1509-1510,
na Stanza della Segnatura, no Vaticano
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Hoje é Dia Mundial da Filosofia. E este fresco, do grande Rafael, é, provavelmente, o melhor tributo à história da Filosofia (pelo menos até ao inicio do século XVI).
A representação vai buscar o ambiente que se teria podido assistir na Academia de Platão (Atenas em 387a.C.), apesar de estarem aqui representados filosofos que não são contemporâneos dessa altura. Em 'A Escola de Atenas', que até ao século XVII se chamou 'Causarum Cognitio', "Rafael pintou os maiores estudiosos antigos como se fossem amigos que discutiam e desenvolviam as formas de pensar e de refletir a filosofia em si".
Nesta pintura, ao centro estão representados Platão e Aristóteles.
Platão, à esquerda, segura o 'Timeu' (um tratado da sua autoria, de 360a.C., que teoriza sobre a natureza do mundo físico). Platão aponta para o alto, numa alusão ao mundo intelegível, ao ideal. A cara de Platão, nesta obra, é a de Leonardo daVinci.
Aristóteles, à direita, segura a sua obra 'Ética a Nicómano' e tem a mão na horizontal, representando o terreste, o mundo sensível.
Rafael representa mais dezanove filósofos neste fresco: Zenão de Cítio, Epicuro, Frederico II duque de Mântua e Montferrat, Anicius Manlius Severinus Boethius, Averroes, Pitágoras, Alcibíades, Xenofonte, Hipátia (cuja cara é a de Margarida a namorada de Rafael), Ésquines, Parménides, Sócrates, Heráclito (que tem a cara do pintor Miguel Ângelo), Diógenes de Sínope, Plotino, Arquimedes acompanhado de estudantes, Estrabão, Ptolomeu, Apeles (que tem um autoretrato do autor Rafael) e Protogenes.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

[1217.] Mercurii dies

Voluntário, faz a diferença!


A Comissão Europeia declarou o ano de 2011 como Ano Europeu do Voluntariado. As actividades decorrentes desta iniciativa estarão subordinadas ao lema: “Voluntário, Faz a Diferença!”.
Estima a União Europeia que sejam mais de cem milhões os cidadãos europeus que estão envolvidos, de forma voluntária – livremente e sem qualquer espécie de remuneração ou contrapartida económica – em acções de solidariedade e de promoção do bem-comum. Cem milhões de europeus são vinte por cento da população residente no Velho Continente. Dito de outra forma: Em média, um em cada cinco europeus está envolvido em acções de voluntariado de forma organizada e constante. E mais: Oitenta por cento dos europeus – assim revela um estudo do Eurobarómetro – consideram o voluntariado como parte importante da característica democrática das sociedades europeias. Trata-se de um enorme exército de boa-vontade e altruísmo que urge valorizar, compreender e estimular.
A definição do que é um voluntário não é unânime na heterogeneidade da cultura europeia. Comummente considera-se que há voluntariado “sempre que as pessoas se envolvem em actividades de entreajuda, de apoio àqueles que necessitam, na protecção do ambiente, em campanhas de direitos humanos, ou em acções que visam contribuir para que todos usufruam de um nível de vida decente”. “A sociedade como um todo, assim como os voluntários de um ponto de vista individual, saem beneficiados e a coesão social é significativamente fortalecida”, considera a União Europeia no texto que sustenta a opção pela declaração de 2011 – Ano Europeu do Voluntariado.
Não se conhecem, completamente, os números do Voluntariado em Portugal. Mas conhecemos – em acções como as campanhas semestrais do Banco Alimentar Contra a Fome ou como a campanha Limpar Portugal – que é crescente e cada vez mais qualificado o sentido de acção voluntária dos portugueses. Em Agosto de 2010 foi criada em Portugal a Confederação Portuguesa do Voluntariado que congrega já instituições como a Caritas Portuguesa, o Corpo Nacional de Escutas, a Liga dos Bombeiros Portugueses, a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, a Federação das Associações de Dadores de Sangue, a União das Misericórdias Portuguesas ou a Confederação Nacional das Associações de Pais, entre muitas outras.
A primeira iniciativa desta Confederação – que será também, e por antecipação a primeira do Ano Europeu do Voluntariado – é a realização do Congresso Português do Voluntariado, que se realiza a 4 e 5 de Dezembro, em Lisboa, subordinado ao tema: “Voluntariado: Força de Mudança!”. O congresso procurará debater questões tão práticas como o recrutamento, fidelização e compromisso, qualificação, visão ética e enquadramento jurídico do cidadão voluntário, bem como o marketing, o mecenato e o reconhecimento social da acção voluntária.

Também no concelho da Mealhada há considerável número de pessoas que se prestam ou já se prestaram à acção voluntária. São mesmo significativas as instituições que se dedicam à promoção cívica da comunidade através do voluntariado. Será de todo descabido perguntar – e aproveitando para lançar o desafio –: Porque não se associam neste Ano Europeu do Voluntariado para congregar esforços, estabelecer laços, debater problemáticas e, acima de tudo, Dar Testemunho?

Fica o desafio lançado! A oportunidade é de ouro!

Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

[1216.] Marti dies



Ruppert and the Frog Song - 'We all stand together'
Paul MacCartney

Uma das músicas da minha infância. Sem dúvida um tema da minha 'playlist'!

domingo, 14 de novembro de 2010

[1215.] Solis dies



Hoje foi um dia dificil. Não interessa porquê. Mas hoje foi um dia dificil. Foi um daqueles dias em que me pergunto porque razão me gasto tanto no que deviam ser os meus hobbies, as minhas distracções, o que muitos chamariam lazer.
Tenho prazer no meu trabalho. Tenho prazer nos meus hobbies. Mas os meus hobbies causam-me cansaço. Trazem-me uma frustração que o trabalho nunca me trouxe. Fico triste, destroçado com o sabor da adrenalina da boca quando venho de um dia dificil como o de hoje. Fiz o que me competia. Mas terá sido no sítio certo? Procurei não cometer os erros do passado. Mas terá valido a pena? Terei construído alguma coisa?
Sinto-me esmagado por este esforço constante de ter de ser coerente.
Deito-me exausto. Deito-me lixado porque é domingo e precisava de descansar do meu domingo.
Sinto-me tranquilo. Pelo menos isso. O meu exame de consciência absolve-me. Mas terei conseguido fugir às armadilhas que eu proprio me coloco? Sinto que "Vivi comunhão", e que "Estou em comunhão". E, alías, é por estar em Comunhão - de corpo e alma - que disse o que disse e fiz o que fiz. Porque a Comunhão não é a negligência, o desleixo, o desinteresse, a insipidez. A Comunhão é a entrega, é o interesse, é a dedicação e o empenho. É "ser com". Mas é "ser mesmo com". Não é declarar que se "é com" sem "estar mesmo com".
Porque não procurei destruir, nem procurei rebaixar. Procurei ser com a vontade de saber, querer e agir que exijo aos outros e a que me sujeito que me seja exigido.
Eu amo o próximo. Porque procuro encontrar no próximo a minha própria felicidade. Não odeio ninguém. Mas há coisas que desprezo completamente. E com o que desprezo não tenho qualquer espécie de comunhão: Não existe para mim.
Se faço mal, ou se fiz mal, se magoo ou se magoei repetidamente, foi sem intenção. Nunca matei, apesar de em muitos momentos não me faltar a vontade de matar quem já me matou. Mas magoar, fazer mal, matar é agir sobre. E eu não ajo sobre nada do que abomino. Vivo uma fase da minha vida em que me sinto superior a isso. Logo, tudo o que merece a minha acção, a minha intervenção mereceu o meu amor. Todo este meu cansaço é por amor. Um amor divino, um amor de caridade concreta, um amor a um modelo de vida, um amor a um estilo de ser pessoa, um amor aos outros.

Hoje, pela voz de Lucas, se mostrava que as dificuldades são a "ocasião de dar testemunho" e que é pela perseverança que se salvam as almas!

Mas já é só o teu sorriso que me faz adormecer. Porque "um sorriso basta para mudar o mundo", e o meu mundo só existe por causa do teu Amor.

sábado, 13 de novembro de 2010

[1214.] Saturni dies

Conquista

Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

[1213.] Veneris dies

Aung San Suu Kyi, a Prémio Nobel da Paz de 1991, líder da oposição na Birmânia e da Liga Nacional para a Democracia, pode sair hoje de casa, pela primeira vez nos últimos sete anos, onde se encontrava em prisão domiciliária. Aung San Suu Kyi esteve 15 dos últimos 21 anos presa em prisão domiciliária - o último período dos quais, dezoito meses, pelo facto de ter recebido um cidadão americano na sua residência.
Suu Kyi é filha de um heroi da independência birmanesa e foi a vencedora das últimas eleições livres da Birmânia, em 1990. Nunca chegou a tomar posse porque foi presa.

Suu Kyi é hoje libertada. Vejamos por quanto tempo!

A música "Walk On", dos U2, do ano 2000, foi feita em sua homenagem. Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano"em sua honra e tocaram-na ao vivo no "Nobel Peace Prize Concert" em Oslo, Noruega.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

[1212.] Obrigado Zé Domingos!

Assinalou-se hoje, um pouco por todo o 'Mundo Ocidental', o Dia do Veterano. Um dia destinado a lembrar os homens que, no passado, combateram em nome do Estado nacional.
Antepassados, todos, uns ainda vivos, outros já mortos, e muitos deles em combate, que deram testemunho e realizaram um serviço, muitas vezes em nome de ideais nos quais nem sequer acreditavam, com os quais nem sequer concordavam, mas que não deixaram de o fazer. Antepassados que não desertaram.

Já aqui o referi, várias vezes, que me enoja a forma como Portugal, os portugueses e, acima de tudo, o Estado Português trata os seus Veteranos. Nos último 10 de Junho - primeira vez em que os veteranos de guerra marcharam no desfile oficial do Dia de Portugal - escrevi AQUI sobre o assunto e citei AQUI as palavras de António Barreto - presidente da Comissão das Comemorações do Dia de Portugal - sobre a temática.

Bem pode dizer-se que não é um Dia do Veterano que vai dar a estes homens a dignidade e o reconhecimento que a Nação lhes deve. Mas se calhar ajudava. Porque enquanto houver alguém que se lembra deles e do seu exemplo eles continuam entre nós.
No tal 'Mundo-Ocidental-que-não-ignora-os-seus-veteranos', naquelas que a linguagem diplomática e os velhos manuais de Direito Internacional Público chamam de 'Nações Polidas e Civilizadas', hoje é Dia do Veterano porque em 11 de Novembro de 1918 se pôs fim e se assinou o Armísticio da Grande Guerra (que até haver uma Segunda era apenas a Grande Guerra). Portugal também esteve na Grande Guerra. Também na Grande Guerra morreram portugueses cujos nomes constam nas várias sedes de concelho do país em 'pelourinhos' a quem hoje já ninguém dá atenção. Esses podem estar longe, mas ainda estão perto e vivem entre nós homens que viveram a Guerra Colonial, alguns deles com fardos pesadissimos às costas, em sofrimento... em muito sofrimento e angustia!

E há os que não regressaram, ESTES, que estão enterrados no capim denso do cemitério 'dos colonialistas' de Mueda, em Moçambique. E dos quais já nem nos lembramos de reconhecer a justiça de obrigar o Estado que os levou vivos a trazê-los mortos.
Quando eu nasci, já o 'Zé Domingos' tinha morrido. O 'Zé Domingos' era primo direito do meu pai, o único filho do padrinho Zé Augusto e da Tia Maria Antónia. Morreu em Angola, já depois do 25 de Abril de 1974, e pouco tempo antes da declaração de independência de Angola, cujos 35 anos se assinalam daqui a 15 dias. Morreu na Guerra, assassinado à queima-roupa, quando a Guerra até já tinha acabado, pelo menos oficialmente. Morreu em Luanda porque era branco e estava fardado com o uniforme do Exército Português.
Na familia o 'Zé Domingos' é um herói. Há fotografias dele em vários locais das casas da minha avó, tanto na Mealhada como em Medelim. Nunca houve pudor em falar dele, excepto em frente aos pais, que ainda hoje sofrem pela morte do filho. Choram - dá-me a impresão que já sem lágrimas - quando olham para os sobrinhos e lembram o filho que não têm, quando olham para os sobrinhos-netos (todos rapazes) e vêm os netos que não puderam ter.
O 'Zé Domingos' está no cemitério de Medelim. Os meus avós ensinaram-me a dirigir-me à campa dele, desde criança, para que não se perca a informação do local onde está e quem é. Procuro repetir o gesto sempre que lá vou, numa rota de avanços e recuos por outras campas que nunca tiveram pedra nem nome e às quais me dirijo, respeitosamente, porque me ensinaram a fazê-lo. Sempre tive muita curiosidade sobre o 'Zé Domingos', do herói e do mito da familia e do homem por trás disso - e dos muitos defeitos que tinha e que muitos dos Canilhos co-herdaram. Mas nunca lhe disse Obrigado! E já devia tê-lo feito. Talvez em breve o deva fazer!
Obrigado Zé Domingos!
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[1211.] Iovis dies

São Martinho e o Pedinte
El Greco, 1597-1599, óleo sobre tela
Widener Collection
National Gallery of Art de Washington

Hoje é Dia de São Martinho.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

[1209.] Mercurii dies

A responsabilidade criminal dos governantes

O líder do maior partido da oposição, Pedro Passos Coelho, na passada sexta-feira, 5 de Novembro, em Viana do Castelo, (num entusiasmo pré-eleitoral?) defendeu que “aqueles que conduzem a maus resultados e a incumprimentos” – agentes políticos enquadre-se – “devem ser responsabilizados civil e criminalmente”. Estas declarações surgem como corolário de uma semana marcada pela viabilização do orçamento de Estado para 2011, com a abstenção do PSD, e ao mesmo tempo, e estranhamente, na opinião dos especialistas, marcada pelo aumento do juro da dívida soberana portuguesa e pela agressividade discursiva do PSD no debate do orçamento… que viabilizou.
As declarações de Pedro Passos Coelho foram imediatamente contestadas pelo porta-voz do Partido Socialista, que as classificou como “indignas e irreflectidas”. Também Vieira da Silva, ministro da Economia, se apressou a acusar Pedro Passos Coelho de falta de conhecimento das regras do Estado de Direito, “onde todos, sem excepção, estão sujeitos à lei”.
Se as declarações de Passos Coelho são incendiárias, as dos representantes do PS e do Governo são incompreensíveis. Passos Coelho terá usado de uma demagogia primária, ao dizer o que o povão há muito sussurra, e terá recorrido a um argumentário populista – esquecendo (ou procurando fazer esquecer?) que a cumplicidade também é criminalmente punível. Mas não será a ideia descabida, apenas, a quem tem alguma coisa a temer?
Marcelo Rebelo de Sousa criticou o momento escolhido pelo líder dos social-democratas para proferir este tipo de considerações, mas – talvez colocando a borla de académico constitucionalista – não deixa de salientar que já há institutos jurídicos que responsabilizam criminalmente os políticos. “Há mesmo um crime de violação das normas de execução orçamental” terá dito o constitucionalista no seu programa televisivo de comentário politico, acrescentando: “pode alargar-se os crimes de gestão danosa”. Para logo acrescentar: “Eles existem na lei, a aplicação na prática é que tem sido muito discutível!”.
Uma ética de responsabilidade – na actual conjuntura sociológica da realidade ocidental de esgotamento e falência do conceito de autoridade – só se consegue imprimir pela força e pela criminalização. A lógica da imunidade parlamentar para uso livre de uma retórica exacerbada devia ter acabado com a falência do parlamentarismo rotativista do fim da Monarquia e da Primeira República. O dolo e a negligência, na gestão da res publica devem ser tão censuráveis como em qualquer outra dimensão social do homem que vive em comunidades. E é por aí que segue o primado da lei e a igualdade formal dos homens perante a lei. Porque razão é punido um profissional que agiu com negligência na sua acção laboral e não é punido um deputado que produziu uma lei danosa para a comunidade? Dirão sempre alguns que a urna eleitoral julga os maus políticos. Julgará? Será isso verdade? Será o direito plebiscitário da simpatia eleitoral justo? Será sequer direito?

A maioria de esquerda do Parlamento da Islândia, em 28 de Setembro de 2010, aprovou uma moção que determinava a apresentação a tribunal especial do primeiro-ministro que levou o país à bancarrota, o conservador Geir Haarde, por alegada negligência no que resultou no colapso bancário de Outubro de 2008. Dias antes foi tomada idêntica medida relativamente a três outros dignitários do Governo de Haarde – o ministro das Finanças, do mesmo Partido da Independência que o chefe do Governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do partido social-democrata, e o ministro do Comércio.
A responsabilização – seja criminal ou meramente civil – dos políticos, como se vê, não é um exclusivo da Direita ou da Esquerda. Trata-se, acima de tudo, de um sinal dado à classe política – islandesa, portuguesa, ou outra qualquer – “de que a imunidade política pouco vale quando o interesse nacional está em jogo”. Se até um voluntário pode ser responsabilizado criminalmente pelos seus actos, porque razão não o é um politico? A quem, tantas e tantas vezes – apesar das excepções – falta sentido de Serviço e sobeja ganância?

Por questões de espaço, a versão impressa do Editorial do Jornal da Mealhada de 10.11.10 foi (consideravelmente) adaptada relativamente a este texto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

[1208.] Marti dies



I Have a Dream, Martin Luther King
by Will.I.Am

Hoje, Dia Mundial Contra o Racismo!

domingo, 7 de novembro de 2010

[1207.] Solis dies



OS PILARES DA TERRA

A adaptação do best-seller de Ken Follet por Ridley Scot

A TVI está a divulgar a informação de que a série "Os Pilares da Terra", realizada por Ridley Scot, estreia amanhã. A informação está no site, mas não está na programação... Em noite de Futebol, espero que não haja confusões.

Trata-se de uma estreia pela qual aguardo há vários meses. O tema interessa e até deu para imaginário do V. ACANUC, na Rebordosa em Julho passado. Uma série (em 8 episódios?) a não perder. Infelizmente marcada para as segundas-feiras!

[ADENDA - 08.11.10] - Aconteceu o que se temia. A série, apesar de anunciada, no próprio anuncio da TVI como "faz-se história em televisão", não foi para o ar. A TVI faz história não cumprindo o que promete, se calhar é isso! Palhaços!

sábado, 6 de novembro de 2010

[1206.] Saturni dies


«Ergue a luz da tua espada, para a estrada se ver!»

Hoje, dia 6 de Novembro, assinala-se, pela segunda vez desde a sua canonização, em 26 de Abril de 2009, pelo Papa Bento XVI, a solenidade de São Nuno de Santa Maria, o Santo Condestável.
Em Saturni dies, dia de poesia, fica o poema ‘Nuno Alvares Pereira’, inscrito na Mensagem, de Fernando Pessoa. Um poema bonito, forte e muito encorajador, que remata com uma imagem muito bonita e especialmente inspiradora em momentos de crise e desalento nacional: «Ergue a luz da tua espada, para a estrada se ver!».


Nuno Alvares Pereira
Primeira Parte - Brasão - IV - A Coroa

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!

MENSAGEM, de Fernando Pessoa

Não vivemos uma crise tão severa e tão brutal como a de 1383-1385, na qual Nuno Alvares Pereira teve um papel importante e, também ele, foco de esperança, de alento e de santidade. Mas faz sentido lembrarmos o seu testemunho de bravura, de coragem, de clareza, de determinação, de ambição, de santidade e de não-resignação perante as agruras do caminho.

Ala Arriba!
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

[1205.] Veneris dies

Ecce mulier

Odete Isabel

Amanhã, 6 de Novembro, passam 174 anos sobre a criação, por decreto de Mouzinho de Albuquerque, assinado pela Rainha D.Maria II de Portugal, do concelho da Mealhada. Ao longo destes quase dois séculos, e acompanhando os rebuliços da história de Portugal foram alguns os homens que dirigiram os destinos deste Município, certamente sempre imbuídos do espírito de serviço público, de promoção da qualidade de vida e de bem-estar dos seus concidadãos. Não são do domínio público generalizado o nome de todos eles uma vez que, em 8 de Novembro de 1880 um incêndio na Câmara destruiu 44 anos de registos históricos municipais.

A primeira vez em que todos os mealhadenses puderam votar e escolher um presidente da Câmara, nas primeiras eleições democráticas para o poder local, em 1976, escolheram uma mulher, a lista mais votada foi a do Partido Socialista, encabeçada por Maria Odete dos Santos da Isabel.

Odete Isabel, mealhadense da Póvoa, licenciada em Ciências Farmacêuticas e a trabalhar nos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi a primeira presidente da Câmara da Mealhada eleita democraticamente. Foi, também, a única. Cumpriu apenas um mandato e só mais tarde, em 1999, é que outra mulher tomaria o lugar de vereadora na Câmara da Mealhada.

Reza a lenda que dirigiu a autarquia numa altura conturbada. Para além do Processo Revolucionário Em Curso ela e a sua equipa acabaram por ensaiar um modelo de gestão descentralizada do Estado que até essa altura era completamente incipiente. Terão tomado nas mãos um concelho – como quase todos os do país, nessa altura – onde a luz eléctrica não estava generalizada, com uma rede viária municipal precária, com problemas de coesão, entre muitos outros que pessoalmente não consigo já identificar.

Uma grande senhora da Democracia, que hoje saudamos e homenageamos!

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

[1204.] Iovis dies

"A Morte de Sócrates"

Jacques-Louis David (França, 1748-1825), em 1787
Metropolitan, Nova Iorque

"A Morte de Sócrates" é um ícone da pintura neoclássica. David, o seu autor, esteve ao serviço de Robespierre e de Napoleão Bonaparte, e procurou mostrar, sempre, que "a arte está acima das ideias". Nesta obra, o pintor retrata Sócrates [Σωκράτης, o filósofo ateniense] teorizando sobre a imortalidade da alma, enquanto procurava justificar a sua escolha pela sentença de morte, ao invés da renúncia às suas teses, mostrando que as ideias estão acima das paixões humanas.
De Σωκράτης nunca se saberá se foi um teimoso, se um cobarde, se um herói. Às vezes tenho medo e pergunto-me a mim mesmo se já não é esta "tentação para o abismo", para o sucidio em vez da renuncia e do reconhecimento do erro que move os nossos politicos e, especialmente, os que não estando a ter resultados parecem procurar representar exactamente o contrário, numa especie de dimensão paralela que procuram 'vender', mas na qual só eles acreditam (ou finjem acreditar).

[1203.] Dia Vencido 03.11.10














Depois de uma longa novela política, o Orçamento Geral do Estado foi ontem aprovado, na generalidade, com os votos a favor do PS, os votos contra do PCP, BE, CDS e PEV, e a abstenção do PSD.

Apesar de viabilizar o Orçamento, com a abstenção, o PSD foi duro nas criticas e chegou mesmo a falar-se que as informações dadas aos mercados estavam a ser contraditórias.

Uma coisa resulta de todo este processo: Já é só o pragmatismo que governa Portugal. Os partidos políticos, mesmo a oposição, resignaram-se ao pragmatismo de fazer o que tem de ser feito, independentemente do que poderia considerar-se correcto.

E o pragmatismo é coisa perigosa. Porque, em última análise, a suspensão da Democracia, em nome do pragmatismo resulta na mais descaracterizada das ditaduras, a do pragmatismo, ele mesmo!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

[1201.] Americana


Os mandatos politicos dos parlamentares americanos - Senadores e Representantes - não começam e terminam todos ao mesmo tempo. São todos de quatro anos, mas desfasados dois anos. Ou seja, de dois em dois anos há eleições e as maiorias podem mudar com a substituição de metade dos lugares. Quando há, também, a eleição do Presidente da União são as 'General Elections', quando não há são as 'Mid-terms Elections'. As eleições nos Estados Unidos da América decorrem à terça-feira, na primeiro terça-feira do mês de Novembro. Ontem houve eleições. Amanhã faz dois anos que Barack Obama foi eleito.

Dos resultados de ontem pode dizer-se que o estado de graça de Obama acabou. Os republicanos venceram as eleições intercalares, conquistaram a câmara baixa do Congresso - a Câmara dos Representantes - e por pouco não conseguiam garantir uma maioria no Senado. O Partido Democrata, no entanto, conseguiu manter a maioria no Senado com 51 senadores democratas, face a 47 republicanos.

O mandato de Obama até aqui está, segundo alguns garantem, aquém das expectativas que os americanos formularam, e que, desde sempre, se percebeu que era exageradas. Houve problemas que não conseguiu resolver e a sensação que dá - pelo menos a nós europeus - é que a sua grande obra até agora, o Sistema Nacional de Saúde, não agradou tanto aos americanos como seria de esperar. Daqui para a frente a coisa não vai melhorar, até porque Obama vai estar condicionado pela necessária negociação que vai ter de fazer com os Representantes republicanos.

Acontece que estes republicanos já não são os de John McCain, que apesar de ter Sarah Pallin como vice-presidente, era um moderado. Os republicanos, agora, têm ao seu lado o 'Tea Party Movement' - uma facção demagógica, populista, ultra-conservadora de contestação generalizada a impostos, ao governo federal, é anti-capitalista, isolacionista e anti-imigração, com certas franjas de apoiantes completamente lunáticas, mas genuinamente americanos e populares.

Luís Naves, no blogue Albergue Espanhol, afirma o seguinte:

«A política americana deverá mudar nos próximos dois anos, embora com esta vitória mitigada seja difícil perceber para onde irá o país. A América será talvez uma nação mais impaciente e dividida; menos interventiva no mundo, apesar de não se poder dar a esse luxo; mais fechada e intolerante; mais desigual. Podemos esperar dois anos de impasse e talvez até de paralisia.
O Tea Party é também um movimento baseado num novo tipo de comunicação. Os media tradicionais deixaram de controlar a sociedade e a fragmentação criou um tipo de especialista que pode transmitir as mensagens mais alucinadas a uma audiência limitada, mas com uma força que os meios tradicionais não tinham.
As milhares de organizações locais funcionam em rede e de forma descentralizada. Parece cacofonia, mas é na realidade um mecanismo inovador, barato e altamente eficaz, embora só possa ser mantido por escasso tempo e para conseguir um determinado efeito com base numa ideia simples. Neste caso, os eleitores querem que os políticos funcionem de outra maneira, querem "mudanças em Washington". E, não tarda muito, acho que vamos começar a ver estas ideias também por aqui, só que em vez de Washington os protestos vão referir Lisboa ou Bruxelas.»

A ver vamos...

A Campanha das Mid-terms não teve o impacto e o brilhantismo da de 2008. Mas de qualquer forma está aqui um exemplo de um anuncio do Partido Democrata, apelando ao 'Não Voto' Republicano. Ao dar com isto lembrei-me que seria fácil os estrategas do PSD copiarem o modelo para as hipotéticas eleições legislativas da Primavera de 2011. Mas depois, dei por mim a pensar que, em Portugal, mesmo com o tom ácido com que tem sido vivida a política nacional e recitado o discurso parlamentar, provavelmente nunca o nosso pudor daria azo a este tipo de campanha. Mesmo que fosse merecida e justa!





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[1202.] Mercurii dies

Notas de actualidade

1. Orçamento do Estado para 2011
A análise sobre o que se passa na cabeça dos dignitários do Estado nem sempre é de fácil compreensão para os cidadãos. Dificilmente algum dia perceberemos – mesmo que os protagonistas um dia o procurem explicar – o que se passou verdadeiramente nas últimas duas semanas no âmbito da negociação entre Governo e PSD para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011.
A forma como os partidos da oposição foram pressionados para aprovar o documento antes mesmo de o conhecerem, a forma como o documento foi apresentado, a forma como decorreram as primeiras negociações e de como acabaram sem acordo, o conteúdo da reunião do Conselho de Estado de 29 de Outubro, as pressões do Conselho Europeu, as reuniões secretas em casa de Catroga, tudo isso, situado na estratosfera da Alta Política nos faz pensar, eventualmente até especular sobre o que se passou na verdade, que pressões foram realmente valorizadas, quem ganhou e quem perdeu, de facto. Provavelmente teremos de esperar pelas biografias política de alguns dos protagonistas, eventualmente por alguma entrevista. De qualquer forma há curiosidade em perceber “o que foi isto!”.

2. Política no feminino
Dilma Roussef, candidata do Partido dos Trabalhadores à presidência da República Federativa do Brasil é a primeira mulher eleita para a Chefia do Estado do maior país da América Latina, uma República com 121 anos. A antiga guerrilheira marxista, antiga ministra das Minas e Energia de Lula da Silva, e, mais tarde, sua ministra da Casa Civil e braço direito do presidente metalúrgico torna-se a 17.ª mulher no mundo – na actualidade – a exercer o cargo de Chefe de Estado ou de Governo. Em 192 países da ONU, hoje, apenas 16 são governados por mulheres ou têm mulheres na chefia do Estado.
O que não deixa de ser curioso é que Dilma Roussef tornar-se-á, a partir de 1 de Janeiro de 2011, na líder do maior país da América Latina e na 11.ª mulher a ocupar um lugar na chefia do Estado de um dos 33 países deste subcontinente. Desde 1974, altura em que na Argentina Isabel Peron sucedeu ao marido, já mais dez mulheres ocuparam cargos de chefia de Estado. No caso da Argentina, até mais do que uma vez.
Também na Europa há casos dignos de registo como na Finlândia e na Irlanda – em que mulheres já sucederam a mulheres e em que Chefe de Estado e Chefe de Governo eram, igualmente, mulheres. Seria desonesto não lembrar, ainda, que no Reino Unido, na Holanda e na Dinamarca, a Chefia de Estado cabe uma rainha. Registo também para os poucos casos na Europa em que as mulheres ocuparam chefia de Governo pelo menos uma vez (Ângela Merkel, na Alemanha, Edit Cresson, em França, e Margaret Thatcher, no Reino Unido).
E a análise remete-nos, então, para Portugal. Portugal que nunca teve uma Presidente da República. Que em quarenta anos de igualdade formal de género teve apenas uma candidata a Presidente da República, Maria de Lurdes Pintassilgo, que, por sua vez, havia sido a única portuguesa a exercer o cargo de primeira-ministra (apesar de ter sido nomeada num Governo de iniciativa presidencial). Portugal que em trinta e seis anos de democracia teve apenas duas mulheres na liderança de partidos políticos, Maria José Nogueira Pinto e Manuela Ferreira Leite, sendo esta a única a, em tese, poder considerar-se candidata a primeira-ministra.
Quatro anos depois da Lei das Quotas para o exercício de cargos políticos, o que é que mudou em Portugal.

3. Festas e aniversários
As medidas de austeridade não nos obrigam a deixar de festejar e de assinalar com expressividade as datas que fazem parte do nosso património identitário. Mais importante do que o gasto que se faz é o valor pedagógico, intrínseco e comunitário que as acções comemorativas preconizam.
Na semana em que com o Congresso Internacional sobre a Batalha do Bussaco terminam as comemorações dos duzentos anos do 27 de Setembro de 1810, e termina o mês de Outubro, o das comemorações do Centenário da República é tempo de pensar nas próximas festividades – mesmo que feitas em clima de austeridade.
No próximo sábado, 6 de Novembro, assinala-se o 174.º aniversário da criação do concelho da Mealhada. Ou seja, dentro de um ano, observar-se-á o seu 175.º aniversário, uma data “redonda” e propícia à evocação do melhor do nosso espírito identitário. A um ano de distância fica a sugestão, para que alguém vá pensando no assunto sem ter o argumento de que ninguém tinha avisado.

Editorial do Jornal da Mealhada de 3 de Novembro de 2010

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

[1197.] Hoje

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Hoje, o fio dos dias faz 4 anos!
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E transforma-se de um blogue numa página pessoal. Nada muda. Apenas o aspecto, e a possibilidade de mais informações serem divulgadas, sem porem em causa o 'blogging'.
Foram quatro anos muito interessantes, com um feedback espectacular. Espero que a mudança não desiluda os fãs.
Na prática, agora como dantes, «Nada nos é indiferente!»
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[1200.] Marti dies



«A Mi Manera»
Gipsy Kings cantam «A Mi Manera», uma adaptação do My Way, tema celebrizado por Frank Sinatra.

Ofereceram-me um CD com esta música em 1996/1997, por aí, e ouvi este tema centenas de vezes. No outro dia senti saudades. Aqui está!

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