quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

[1261.] Mercurii dies

Eleições para quê?

No próximo domingo, 23 de janeiro, realiza-se a primeira volta das eleições que escolherão o Presidente da República Portuguesa, o Chefe de Estado. Antevê-se – pelo que se pode apurar dos estudos de opinião – um ato eleitoral pouco participado, apesar de todas as candidaturas garantirem um aumento progressivo da base de apoiantes.
Não deixa de ser curioso – se tal facto se vier a verificar – que no meio de uma crise tão grave como a que hoje vivemos, que já alastrou para uma crise financeira, económica e social – com o aumento inquietante da criminalidade violenta, por exemplo –, os portugueses demonstrem claramente que não é através de eleições que os problemas do país se resolvem.
É certo que a maturidade politica deste Portugal do século XXI – que muitos gostam de menorizar – já permite reconhecer que não é o Chefe de Estado que governa, apesar de poder determinar o rumo da governação. Mas também se reconhece que o Presidente da República não é um ‘verbo de encher’ e que a sua ação é determinante no passado – com todas as ações, omissões ou cumplicidades –, no presente e no futuro do País.
O que não deixa de ser extraordinário é que, mesmo assim, os portugueses considerem que não é no poder político que reside a solução para a resolução dos seus problemas. E isso é, de facto, dramático.
Em 1991, na eleição que reelegeu Mário Soares para o segundo mandato presidencial, a abstenção foi de 37,84 por cento. Em 1996, na eleição de Jorge Sampaio, a abstenção desceu e cifrou-se nos 33,71 por cento. Em contrapartida, em 2001, na reeleição de Sampaio, mais de metade dos eleitores preferiram ficar em casa e não votar: 50,29 por cento. Nas últimas eleições presidenciais, 38,47 dos eleitores não votaram. Ou seja, nos actos eleitorais em que todos os candidatos se apresentam pela primeira vez, a abstenção é menor do que nas eleições onde há recandidatura. Está desenhada a tendência para o que poderá esperar do próximo ato eleitoral.
No próximo domingo realiza-se mais um teste à Democracia portuguesa. Não queremos com isto dizer que a escolha do candidato A ou B coloca em causa o normal funcionamento das instituições. Seja quem for o eleito, comprometer-se-á em cumprir a Constituição e fá-lo-á com zelo e honestidade. O que consideramos é que será inevitável um debate profundo e uma reflexão aturada se, num ambiente de crise política como a que vivemos, a abstenção atingir valores que superem os cinquenta por cento. Se na noite de 23 de janeiro chegarmos à conclusão de que mais de metade dos portugueses preferiram não votar, então será inevitável a conclusão de que a maior parte dos portugueses não se revê neste sistema político.
E isso é grave. É muito grave. Porque alguma coisa vai ter de mudar. Porque a Democracia não pode ignorar o que é a expressão da maioria.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

[1260.] Notas Presidenciais 2011_1


"Durante a campanha para as Presidenciais 2011, a TSF abre espaço para a opinião dos directores dos principais órgãos de comunicação social. Bárbara Reis, directora do jornal «Público», fala do fosso que existe entre os cidadãos e os políticos."


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

[1259.]

João Armando foi eleito para o Comité Mundial do Escutismo

O João Armando foi eleito, há poucos minutos, para o Comité Mundial do Escutismo. Isso torna hoje um dia importante para o Corpo Nacional de Escutas e para o Esutismo Português.

O João Armando é uma personalidade marcante para uma geração de jovens portugueses e uma inspiração para muitas pessoas.
Ele personifica uma maneira de estar na vida marcada pela ousadia, pela vontade de fazer diferente, de tornar possível. Um modo de estar e de ser nem sempre compreendido, quase nunca consensual, mas sempre marcado pela justiça, pela clareza de opções, pelo esforço de serviço, de facilitar, de ajudar, de melhorar.
O João Armando é um guru. Para uma geração de dirigentes do CNE (onde me incluo), e especialmente na Região de Coimbra, o João Armando é alguém que nos apresenta um modelo de liderança carismática, uma liderança com propósito, uma liderança ao serviço dos outros.
E só assim se pode ser dirigente de uma associação como o CNE. Uma associação de serviço aos jovens. Só a inspiração dos jovens pode fazer mudar o mundo. E o João Armando é assim. Muito do que o CNE tem de inovador, de pioneiro, deve-se - directa ou indirectamente - a um homem que é, também, um pai dedicado, um bom amigo, um professor carismático, uma pessoa serena e incisiva, uma personalidade ousada e jamais resignada.
O João Armando é um Mourinho que ousou - não treinar jogadores de futebol - ...mas ajudar os jovens portugueses e do mundo a fazerem do mundo um lugar melhor!



Discurso de apresentação da candidatura, ontem, em Curitiba, no Brasil,
na 39.ª Conferência Mundial do Escutismo.

[1258.] Mercurii dies

A tentação do abismo ou a profilaxia da catástrofe?

Teodora Cardoso, prestigiada economista portuguesa, e administradora do Banco de Portugal, declarou, no início desta semana, que entendia ser preferível que o pedido de ajuda externa por parte do Governo português fosse feito quanto antes. Na sua opinião, a antecipação do recurso ao Fundo Europeu e, em consequência, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no atual contexto, traria vantagens.
Ao Diário Económico, Teodora Cardoso garantiu: “É mais fácil se tivermos um apoio externo, desde logo porque isso permite que o ajustamento não seja tão abrupto. Feito sozinho, para os mercados acreditarem nele, o tal ajustamento teria de ser brutal. Com o apoio de uma dessas instituições (FMI ou Fundo Europeu) poderá ser menos abrupto”.
A ‘entrada’ do FMI em Portugal é, em tese, algo que ninguém deseja. Para além da questão subjetiva relacionada com o reconhecimento de que precisamos de alguém de fora para nos governar, é particularmente violenta a ideia de que poderemos ter de ser sujeitos a medidas tomadas sob a forma de terapia de choque, por parte de tecnocratas sem rosto e sem pátria.
O Governo garante que não vai ser preciso recorrer à ajuda externa. A comunicação social estrangeira informa que os governos francês e alemão estão a pressionar para atirarmos a toalha ao chão. Ao mesmo tempo, são estas chancelarias europeias que desmentem a informação. A oposição – na sua diversidade partidária – oscila entre a crítica ao Governo e a critica aos mercados que, entretanto, nos vendem dinheiro a um preço exorbitante.
O período de campanha eleitoral para as presidenciais, que quase nem se nota, parece refrear a discussão do problema, com os candidatos a utilizarem o assunto para criticar o Estado e o estado a que as coisas chegaram. O ano de 2011 entrou a cambalear…
Os portugueses têm uma espécie de tentação para o abismo. É o fado. E essa portugalidade começa a fazer-se sentir nalguns sectores importantes da sociedade. Nos Zés e nas Marias, que ainda trabalham, que já se mostram cansados de atravessar um túnel num comboio que é dirigido por alguém em quem já não se confia, numa carruagem em que ninguém se cala, com todos os viajantes a darem palpites e a fazerem acusações – umas de carácter, outras de competência – num ambiente caótico, quase paranóico.
Hoje, como nunca antes, questão parece impôr-se: Finda a campanha eleitoral presidencial, não será preferível, de uma vez por todas, pedir a ajuda externa e antecipar o que pode ser a resolução do problema? Antes de atingirmos o abismo… o verdadeiro abismo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

[1256.]

Nas vésperas de Natal andei numa azáfama louca - para concluir uma edição do FRONTAL (com respectiva distribuição) a 23 -, passei o Natal em Medelim (que tem pouquissima rede telemóvel), com a familia toda, e a 26, de manhã, parti para Ferrol - para fazer o camiño de Santiago, e percebi que me esqueci de ativar o roaming...

OU SEJA... não mandei uma série de e-mails, nem respondi a SMS, nem telefonei a desejar (e retribuir) as BOAS FESTAS a um número assinalável de pessoas.

Peço desculpa, e por isso cá vai: Bom Ano de 2011!

[1255.] Mercurii dies

Desafios de um novo ano

Decidimos, com o início de um novo ano, adotar a nova grafia da Língua Portuguesa nas páginas do Jornal da Mealhada – o que, vulgarmente, se tem chamado Novo Acordo Ortográfico. Na presente edição a maior parte dos textos já respeita as orientações que, a partir de janeiro de 2009, foram assumidas como norma da língua portuguesa.
Não está em causa uma posição pessoal ou colectiva sobre o assunto, mas, simplesmente, a assunção da irreversibilidade do processo e da nossa própria adequação a uma nova realidade. O número mínimo de adesões de países de expressão portuguesa já foi alcançado, as escolas adotarão a nova grafia no início do ano lectivo 2011/2012, a administração pública adotá-la-á daqui a um ano e é já considerável o número de órgãos de comunicação social – escrita e televisão – que passaram a usar a nova grafia. De qualquer forma, o período de transição – durante o qual se aceitam as duas grafias – só termina em janeiro de 2015, o que permite uma adaptação progressiva da parte de todos.
Esta nossa posição, numa primeira fase, apenas se aplica aos textos escritos pelos redactores do Jornal da Mealhada. Os textos produzidos pelos nossos colaboradores – nomeadamente os de Opinião – serão publicados com a grafia que o próprio autor preferir. Mantém-se, tal como no que respeita aos conteúdos, total respeito e total liberdade.
A nova grafia não traz mudanças significativas – convenhamos. A supressão das letras que não se leem, a acentuação gráfica, a hifenização, o uso de maiúsculas e minúsculas serão regras que, dentro de pouco tempo, assumiremos como normais.
Acontece que nem sempre a pressa é aliada da perfeição e acontecerá que nem nós próprios nos damos conta de que não estamos a observar a nova regra. Desde já, pedimos desculpa ao leitor, solicitando a melhor compreensão.
Será mais um desafio, como outros que, certamente, nos aparecerão no caminho.
Bom ano!


Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de Janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

[1254.] Aniversário

O Agrupamento de Escuteiros da Mealhada - o 1037 do Corpo Nacional de Escutas - assinala hoje, 1 de Janeiro de 2011, o seu 19.º aniversário.
Quase duas décadas de serviço à Juventude da freguesia da Mealhada, ao serviço da cidadania e da formação integral de várias centenas de crianças e jovens que ao longo deste tempo passaram por esta associação que é, acima de tudo, um movimento, dinâmico e em eterna mudança!
Parabéns a todos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

[1253.] O Natal, segundo Calvin



Na sexta-feira, 17 de Dezembro, participei, como orador, numa palestra - estava para ser um debate - sobre o 'Natal Capitalista', na Escola Secundária da Mealhada (falarei sobre o assunto em post colocado nesse dia). Ao falar com os jovens que participavam na sessão - a maior parte deles do 9.º ano - percebia-se bem este pragmatismo que nesta ilustração do Calvin se revela.
Eu procurei demonstrar que o Natal era mais do que uma experiência religiosa, era uma vivência civilizacional, e, assumindo-me como um liberal, reconheci a rendição de um certo Natal ao capitalismo. Rendição essa que é fundamental para que a Economia não estagne, e para que consigamos revitalizar e voltar a criar riqueza.

Para os míudos o problema é muito mais simples!

[EST. 21.12.10, às 14h17m]

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

[1252.] Defendat me Deus a me! *

As crianças são poderosas 'esponjas' que absorvem tudo o que passa à sua volta - sejam palavras, acções, gestos, omissões. Fazem-no de tal forma que quando nos apercebemos do que 'lhes' mostrámos, temos (tantas vezes) razões para nos arrependermos.
*
* ** *
Este fim-de-semana fui 'acampar' com os meus exploradores. Não foi um acampamento, foi um acantonamento, mas o principio activo é o mesmo: Fomos em actividade de escuteiros, clássica!
Como em todas as actividades escutistas clássicas, na última noite, fazemos o Fogo Conselho, um espaço destinado a dar aos jovens asas na criatividade e na expressão artística, especialmente na música, na expressão dramática, por aí.
As Raposas - a patrulha Raposa só tem raparigas - apresentaram dois momentos teatrais (um sério e um cómico) inspirados nos Ídolos, o programa de televisão da SIC. Apresentaram duas peças com piada e com uma mensagem fácil de percepcionar. Não muito elaborada, mas reveladora.
Já os Lobos - a patrulha Lobo é a mais heterogénea - representaram um primeiro momento, banal, que disseram ser cómico, e depois, um segundo, que disseram ser sério, verdadeiramente desconcertante. Eu pelo menos dei por mim absorto com o que estava a ver.
O tema da Aventura anual é o 'Astérix'. Então a peça séria dos Lobos passava-se na aldeia gaulesa do Astérix. O personagem principal é um jovem que tem uma característica: É muito mentiroso. Para se safar das responsabilidades, das tarefas e das culpas, inventa sempre elaboradas mentiras que, quase todas, acabam por tramar a irmã mais nova. Irmã essa que acaba por ser uma vítima nas mãos do protagonista, ora porque é castigada pela mãe que acredita sempre no irmão, ou pelos professores que aceitam as mentiras em que ela acaba por ser sempre a culpada de tudo o que acontece ao irmão, etc. etc. etc. Chega a ser agredida pelo próprio protagonista quando esta ameaça que o vai desmascarar.

O protagonista cedo se apercebe que se as mentiritas que prega à mãe, aos vizinhos e professores 'colam', não haverá mal em avançar nessa escalada... O tempo passa e o protagonista torna-se um salteador, enriquece com o proveito dos roubos e safa-se sempre.
Portador da informação de que é avultada a maquia que se encontra nos cofres públicos da aldeia, com o dinheiro que roubou, ele acaba por ter condições para apresentar uma candidatura a chefe da aldeia dos gauleses. Candidata-se e ganha.
Consegue roubar o dinheiro todo dos cofres, deixando a aldeia na miséria, e no dia seguinte à tomada de posse foge. Nesse mesmo dia, a aldeia é invadida pelo exército romano, e acaba a aldeia dos gauleses irredutíveis.
+
A história tem moral? Tem! É reveladora de um código de valores valorizado? É!
+
Pois... mas sabem que nome é que tinha o protagonista?
Sócratix, precisamente!
+
Procurei fazer um pouco de pedagogia junto dos miudos, fazendo-lhes perceber que se tratava do primeiro-ministro, uma pessoa que ocupa uma determinada responsabilidade e que teria de ser respeitada por isso. Que não deveríamos classificá-lo assim, como um mentiroso que se deu bem, só porque não concordamos com algumas das medidas que empreendeu.
E quem nem tudo o que ouvimos na televisão justifica que insultemos as pessoas - mesmos as que não conhecemos - desta maneira.
Dei por mim a fazer de advogado do Diabo - bastar-me-ia estar calado, fingir que não percebi, elogiar a criatividade... Mas chocou-me a forma como, hoje, informações depreciativas dos protagonistas, como a própria informação chega aos ouvidos dos nossos jovens.
Note-se que os meus exploradores têm entre 10 e 12 anos!
+
Temos que pensar muito nisto!

* Que Deus me proteja de mim mesmo.
[EST. 21.12.10, às 00h20m]
__________________

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

[1251.] Natal_6

Antoni Gaudi
(1852 - 1926)
Pormenor da Árvore da Vida, na Fachada da Natividade,
na Sagrada da Família, em Barcelona

domingo, 5 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

[1245.] 4 de Dezembro de 1980. E se o avião tivesse chegado ao Porto?



E se o avião tivesse chegado ao Porto?

O blogue '31 da Armada' publica este documentário que resultou da parceria entre o Instituto Francisco Sá Carneiro e o IDL - Instituto Amaro da Costa. "Sem constrangimentos políticos ou preconceitos ideológicos", dizem. e eu subscrevo.

[1249.] Natal_4

Giotto di Bondone
(1266-1337)
Adoração dos Magos
(na Capela degli Scrovegni, em Pádua)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

[1244.] Pedido de rectificação enviado ao Semanário Mealhada Moderna

Exma Sr.ª Dr.ª Isabel Moreira, directora do Semanário Mealhada Moderna

Cordiais saudações,

Venho, por este meio, e ao abrigo da Lei da Imprensa, solicitar a V.Excia a amabilidade de, na próxima edição do semanário que superiormente dirige, rectificar a informação de que eu sou candidato ao Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro do Partido Social-Democrata. A informação consta de uma noticia na página 6 - com o título "Eleições para a Distrital do PSD - Concelhia "ratifica" escolhas para a distrital", e é comentada num artigo de opinião na página 25.

Tal informação não é verdadeira, ou seja, eu não sou candidato ao Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro do Partido Social-Democrata nem a nenhum outro orgão distrital nas eleições que se realizam hoje, 3 de Dezembro. Posso confirmar que tenho informação de que o meu nome foi indicado pelo PSD da Mealhada à candidatura do Engenheiro António Topa, posso confirmar que fui convidado, mas que recusei o convite, como aliás tenho feito a todos os convites de natureza politico-partidária que me têm sido dirigidos desde Janeiro de 2005.

Tenho conhecimento de que a informação que V.Excia publica consta de um comunicado enviado à imprensa pelo PSD da Mealhada em 26 de Novembro, mas tal informação não veio a confirmar-se. As listas terão dado entrada até às 24h de terça-feira, 30 de Novembro, e nela não constam o meu nome.

Muito me espanta o facto de o autor do texto "As escolhas do PSD Mealhada", publicado na página 25 do Semanário Mealhada Moderna, e no qual zurze um conjunto de considerações sobre a minha "coerência e isenção" como director de um jornal, ter tido acesso à informação do comunicado do PSD antes de ele ser publicado nos dois unicos jornais para onde foi enviado (facto estranho, sendo certo que não pertence ao corpo redactorial de nenhum dos orgãos de comunicação social em causa). O autor desse texto lavra e tece considerações sobre um facto que não existe, pelo que fico à espera que, perante a verdade dos factos, se retrate e retire as considerações que promove - ficando a sugestão para que para a próxima tenha mais cuidado.

Para que não surjam dúvidas sobre o que afirmo, envio material promocional das candidaturas - a que tive acesso no facebook de um dos candidatos - e no qual, como se pode ver, não consta o meu nome.

Agradecia, então, que pudesse rectificar a informação.

Com os melhores cumprimentos,
Nuno Castela Canilho

[1248.] Natal_3

Giotto di Bondone
(1266-1337)
Natividade
(na Capela degli Scrovegni, em Pádua)
________

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

[1247.] Natal_2

Leonardo daVinci
(1452 - 1519)
Estudos para Presépio

[1243.] 'Como foi?'

Na sequência do post [1234.] sobre o '25 de Novembro de 1975' recebi o pedido para publicar aqui, em género de Adenda ou continuação, uma narrativa do que foram os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. Queixava-se quem me pediu que os dados que há na Internet parecem parcos e tendenciosos.
Mesmo correndo o risco de ser, também eu, tendencioso, uma vez que a minha posição sobre os acontecimentos está mais do que assumida e não é imparcial, procurarei usar de alguma imparcialidade e fazer uma narrativa do que me parece mais relevante da história desse dia, que, repito, os historiadores oficiais insistem em ignorar.

Contando, então, a história...

Em 25 de Abril de 1974 só o Partido Comunista Português estava verdadeiramente organizado. E com muito mérito. O Movimento das Forças Armadas (MFA) determina um "rumo para o socialismo" no novo regime político português, apesar de a chefia do Estado ter sido entregue a António de Spínola, um general do exército, conservador e dissidente do antigo regime muito mais por causa do protagonismo do que por diferenças ideológicas. O MFA está organizado tendo os militares - nomeadamente os capitães e os oficiais mais jovens - como o cérebro e os braços da revolução, e os militares de carreira, os mais graduados, sem grande espaço de manobra.
Depois da Revolução, os problemas do país agravam-se, há pressão política da parte dos mais desfavorecidos para que sejam tomadas medidas rápidas, há pressão internacional para resolver o problema colonial...
O primeiro governo provisório (Maio a Julho de 1974) é chefiado por um intelectual moderado - Adelino da Palma Carlos -, mas logo a 18 de Julho toma posse um militar, Vasco Gonçalves, um intelectual comunista radical, ansioso pela expurgação de todos os elementos reaccionários que eventualmente subsistiriam na vida política e económica portuguesa. O 'Companheiro Vasco' cedo entra em conflito com o Presidente da República - que acusa o Governo e o MFA de agir segundo a "política da Terra Queimada". Em Setembro de 1974, António de Spínola estica a corda, mede o pulso ao seu apoio popular e, sem a manifestação da 'maioria silenciosa', demite-se e entrega o cargo ao General Costa Gomes.
A partir de Outubro de 1974, Vasco Gonçalves fica à vontadinha! Intensificam-se as acções de ocupação de terras, de nacionalização de sectores fundamentais da vida económica e as forças da extrema-esquerda começam 'a ganhar asas'.
Em Fevereiro de 1975 começa a circular a informação (ou o boato?) de que, pela Páscoa, todos os militares reaccionários - próximos de Spínola - iam ser eliminados. Chamou-se a isso 'A Matança da Páscoa'. O clima aquece e, em 11 de Março de 1975, os spinolistas - com o próprio general a partir de Espanha - pegam em armas e procuram fazer um golpe militar. Sem sucesso.
A intentona reaccionária acaba por dar espaço a Vasco Gonçalves para radicalizar a acção socialista do seu governo e dar novo ânimo ao Processo Revolucionário Em Curso (PREC), a todo o gás. Para ajudar, vai aliar-se a Otelo Saraiva de Carvalho, que havia sido um dos operacionais do 25 de Abril, e, antes disso, durante a Guerra Colonial, havia sido elemento da Acção Psicológica na Guiné, que ocupava, agora, o cargo de chefe do COPCON - Comando Operacional do Continente, uma estrutura proto-policial militarizada.
Então, fruto desta aliança Otelo-Vasco, o COPCON, depois de 11 de Março, passa a ter autorização para perseguir e prender todos os que se manifestassem de forma anti-revolucionária. Reza a lenda de que o próprio Otelo deixava assinadas folhas em branco na sua secretária para que qualquer elemento do COPCON pudesse preencher em caso "de necessidade", com a sua própria discricionaridade.
Nacionalizam-se bancos, seguradoras, a tabaqueira, grandes empresas como a CUF e a Lisnave... E em Março-Abril, o pacto MFA-Partidos funda o Conselho da Revolução, uma assembleia militar com a missão de aconselhamento do Chefe de Estado e garante do rumo socializante do novo regime.
É neste ambiente que, em 25 de Abril de 1975 os portugueses vão pela primeira vez a votos para escolher a Assembleia Constituinte. O PS ganha a eleição, com 37,9 por cento, 116 deputados, o segundo partido é o PPD, com 26,4 por cento dos votos, 81 deputados, e o PCP alcança, apenas, 12,5 por cento dos votos, 30 deputados. Uma clara demonstração de que "A Força do PC" era muito mais 'vozes que as nozes'.
Percebe-se, então, que a legitimidade de Vasco Gonçalves e da sua politica provinha muito mais do Conselho da Revolução do que dos portugueses. E a clivagem começa a mostrar-se. E começa a antever-se um Verão Quente com ataques às sedes dos partidos, com manipulação da comunicação social, com assassinatos (Padre Max, Ferreira Torres, por exemplo), com ocupações de terras e fábricas - com acções radicais contra a Igreja e contra os católicos! Tudo se prepara para uma guerra civil.
Otelo e Vasco Gonçalves chateiam-se em Agosto e o primeiro-ministro demite-se. Em Setembro é nomeado o VI Governo Provisório chefiado pelo Almirante Pinheiro de Azevedo, um militar de topo que tinha feito parte da Junta de Salvação Nacional, muito mais moderado, muito mais próximo da Democracia-Cristã do que do Comunismo. A ideia era acalmar o Conselho da Revolução, mas a coisa não resulta. Pinheiro de Azevedo acaba por viver um conjunto vário de peripécias engraçadas... com frases que ficaram para a história do humor em Portugal - o Governo chegou a estar em GREVE!
Em meados de Novembro, Melo Antunes, um militar, intelectual de excepção, e mais oito moderadas figuras proeminentes do Conselho da Revolução, publicam o Documento do Grupo dos Nove, que procura exortar no caminho da moderação e põe a hipótese do afastamento de Otelo (o paladino da esquerda radical) e a dissolução do COPCON.
Revoltado com a ideia de perder o poder, ao ver-se sem o apoio que no Governo Vasco Gonçalves lhe proporcionava, e ao observar que as forças da esquerda radical não tinham grande aceitação popular, Otelo Saraiva de Carvalho distribuiu armas pelos amigos e esconde a mão.
Em 25 de Novembro de 1975 as forças da esquerda radical leais a Otelo, e com o apoio do PCP, avançam para um golpe militar, para implementar, de uma vez por todas a Ditadura do Proletariado.
Acontece que Otelo, o grande heroi do 25 de Abril, finge não liderar o golpe e o Grupo dos Nove reage. Sob a liderança de Ramalho Eanes, as forças militares moderadas saem à rua e dá-se um contra-golpe que neutraliza as forças da esquerda radical. O presidente da República chama Otelo, Rosa Coutinho, o PCP, por um lado, e o Grupo dos Nove e os outros partidos, por outro, e o PCP finge que não tem nada a ver com o golpe de esquerda e acaba tudo em bem... Os tristes dos revoltosos, enganados, sem liderança e sem apoio, entregam as armas.
O PREC acaba nesse dia! E ainda bem! Otelo abandona o COPCON foi preso (e solto três meses depois) e a Democracia recomeça, depois da deriva...
O país acalma e o VI Governo termina o mandato - apesar de Pinheiro de Azevedo ter sofrido um ataque cardiaco um mês antes de ser empossado o primeiro Governo Constitucional, em 23 de Setembro de 1976, chefiado por Mário Soares.

Otelo Saraiva de Carvalho nunca se conformaria com a situação e em 1980 é o principal mentor das FP 25 de Abril, um grupo terrorista de extrema-esquerda, inoperacionalizado apenas em 1987 e que assassinou 13 pessoas, promoveu 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos e viaturas de transporte de valores. Otelo foi condenado em 1985 e indultado em 1996 por Mário Soares, por todos os crimes de sangue.

[1242.] Intêndência

Às muitas pessoas que têm deixado comentários neste blogue, queixando-se que, num determinado blogue mealhadense, o seu autor censura comentários que contradizem e se indignam com a forma acintosa como se refere à minha pessoa, eu agradeço a solidariedade.
Infelizmente, não vou publicar esses comentários neste blogue porque, dessa forma estaria a promover a ofensa a essa pessoa, apesar de ela insistir em, de forma unilateral, persecutória e em desigualdade de meios, denegrir-me a mim e ao meu trabalho.
Para além disso, alguns desses comentários são anónimos e eu tenho por principio não publicar comentários que não sei de quem são. (Há alguns que desconfio de quem sejam, mas a menos que o seu autor se identifique perante mim, não os publicarei).

Agradeço e Lamento.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

[1241.] Mercurii dies

MSNMais Sobre Nós!

Iniciamos na presente edição uma nova parceria, desta feita com a Escola Secundária da Mealhada, mais especificamente com os alunos do 12.º ano, da turma cientifico-humanistica de Ciências e Tecnologias, que, no âmbito da disciplina de Área-projecto, decidiram lançar-se na área do jornalismo escolar. Nasce assim o MSN, o jornal da Escola Secundária da Mealhada que vai à estampa integrado na presente edição impressa do Jornal da Mealhada, na página 12.
O MSN é uma popular forma de comunicação na internet, mas é, também, a sigla para ‘Mealhada School News’ ou para ‘Mais Sobre Nós’. MSN passa a ser, agora, o espaço da Escola Secundária da Mealhada no Jornal da Mealhada.
Mensalmente, Hugo Mateus, Kevin Bastos, Pedro Santos e Valter Müller coordenarão a produção de conteúdos – textos e imagens – e farão a cobertura noticiosa da realidade da sua comunidade escolar. Propõem-se – tal como asseveram no texto em que apresentam – a fazer tratamento jornalístico a actividades “como eventos desportivos, competições inter-escolares, actividades desenvolvidas pelos finalistas do ano corrente, actividades no âmbito do Plano Anual de Actividades, actividades desenvolvidas pelas turmas no âmbito das mais variadas disciplinas, artigos de opinião e entrevistas com membros da comunidade”.
Ao longo deste tempo, o Jornal da Mealhada, para além do apoio e da edição – na sua publicação impressa – dos conteúdos produzidos, proporcionará aos jovens contacto com a realidade do jornalismo local, através de acções no terreno, reflexão sobre aspectos éticos e de deontologia da profissão, experiências de paginação e tratamento de imagem, bem como de outros meios tecnológicos usados na área jornalística.
Este tipo de parcerias, já há muito ambicionada por nós, já foi testado no jornal FRONTAL – outra publicação do nosso grupo, dos concelhos de Mortágua e Penacova – com a Escola Secundária de Mortágua, e com grande sucesso. É, por isso, com expectativa que nos abalançamos nesta parceria.
Num jornal com 25 anos, como tem o Jornal da Mealhada, o contacto com os jovens é de primordial importância. A história desta publicação demonstra bem o papel que os jovens sempre tiveram no Jornal da Mealhada. Um papel de colaboração, de fomento, de inter-ajuda e de grande dinamismo. Este é, apenas, mais um passo na prossecução desse legado. O tempo ajudará a determinar até que ponto a parceria se pode intensificar e, de que modo se poderá estender a outras escolas e ao próprio agrupamento de escolas.
Tal como é definido por Hugo Mateus, Kevin Bastos, Pedro Santos e Valter Müller, sempre auxiliados pela professora Branca Azevedo, “o principal objectivo do nosso projecto é divulgar mensalmente as notícias relacionadas com a comunidade escolar” – daí a escolha do nome MSN - Mais Sobre Nós. Trata-se de um desafio arrojado que merece todo o nosso elogio e apoio. Ajudar a Escola e a Comunidade que a envolve a conhecerem-se melhor é uma obrigação cívica e, por maioria de razão, um desígnio muito estimulante para um jornal local, com as características do Jornal da Mealhada.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Dezembro de 2010

[1236.] Natal_1

O Presépio é, naturalmente, para os cristãos e para a tradição ocidental, o símbolo fundamental do Natal - tempo para o qual caminhamos, especialmente e em Advento, desde o passado domingo.


A palavra “presépio” é de origem hebraica e é o nome do curral, do estábulo, do sitio onde se recolhem os animais à noite. O tempo e a tradição cristã deu novo significado e novo alcance à palavra que nos dias de hoje é a representação artística de Jesus deitado na manjedoura dos animais, com a Mãe, Maria, com José, num estábulo, com uma vaca e um burro, e, por vezes, também com os Magos, com pastores, ovelhas e anjos.

Sobre a origem do presépio enquanto representação há um aspecto que é unânime: a 'democratização' do presépio dá-se com São Francisco de Assis, e mais tarde com os franciscanos - que dão seguimento à tradição - que na véspera de Natal de 1223, em Grezzio, promoveu uma representação teatral dos acontecimentos que envolveram o nascimento de Jesus e que estão descritos pelos evangelistas e alguns autores apócrifos.


Há quem entenda, no entanto, que antes de Franscisco de Assis, já Santa Helena, a mãe do imperador Constantino - o homem que tornou a religião cristã como a oficial do Império Romano e lhe deu o expansionismo inicial - fizera, no final do século IV, a primeira representação plástica do Presépio.


Sendo certo que, como já disse, é depois de Franscisco de Assis que a tradição dos Autos de Natal e dos Presépios começa a florescer - com o seu apogeu no século XVI em Itália - faz sentido que Santa Helena tenha sido a pioneira na explicação da narrativa do nascimento de Jesus, por meio de representações plásticas. É preciso ter em conta que a Festa do Natal, em 25 de Dezembro, como nascimento de Cristo, só se dá a partir de 336. Helena de Constantinopla terá morrido em 330, tudo no século IV, portanto.




Em 24 de Dezembro de 1223, Franscisco de Assis, depois de 16 anos de disputa com o Papa, conseguiu, por fim, celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio, nos arredores da cidade. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro, reais, e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens de um bebé, Jesus, de uma mãe e de um pai. O objectivo passava por tornar de mais acessível entendimento para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal. Estava a fazer Catequese, mostrando o que a narrativa demonstra do que se terá passado em Belém durante o nascimento de Jesus.


Com a morte de Francisco, três anos mais tarde, em 1226, os seus Irmãos e seguidores deram continuidade a esta forma de catequizar e repetiram o modelo, muitas vezes até, em sua homenagem.

Nos séculos seguintes as representações do nascimento de Cristo vão-se democratizando. Começam com representações em frescos, em pinturas, depois em esculturas com o conjunto completo e mais tarde com peças independentes e modificáveis.
Assim, e quase como se fosse um CALENDÁRIO DO ADVENTO, vamos tentar, n' o fio dos dias, apresentar imagens de Presépios, até ao Nascimento do Salvador, do Sol Invictus!

Giotto di Bondone

(1266-1337)

Grezzio - São Francisco de Assis e a Instituição do Presépio