quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

[1274.] A Escola Livre, a Ilha de "O Deus das Moscas" ou SOS de Salve-se O Social estado

Está mais que identificado que o sucesso da economia e da prosperidade da Suécia reside no seu modelo de gestão escolar. Um modelo, criado em 1992, que passa pelo financiamento dos alunos, através de um ‘voucher’ e, consequentemente pela introdução da possibilidade de escolha da escola e da posterior concorrência entre escolas. O Estado entrega a sua comparticipação através de uma espécie de cheque que a família recebe como contrapartida da condição de cidadão do estudante com direito a uma educação gratuita.

Este modelo é sueco - o mais social-democrata (leia-se do socialismo democrático da Internacional Socialista) dos países europeus -, mas também David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, eleito pelo Partido Conservador já anunciou que, sendo apoiante do modelo, o pensa implementar.

A propósito deste tema escrevi em 24 de Março de 2010 - Dia do Estudante - um editorial que pode ser lido em [960.] A escola livre ou a ilha de ‘O Deus das Moscas’?

Em Portugal as coisas parece que funcionam ao contrário. Diaboliza-se a escola privada - porque há algumas sociedades proprietárias de escolas que só pensam no lucro sem pensar na qualidade! Então, inviabiliza-se a subsistência de todas as escolas privadas, apesar de no ranking das escolas serem estas as que apresentam melhores resultados em exames nacionais! Curioso, não?

Toda a vida frequentei o ensino público. Não sou filho de nenhum politico ou professor que - mesmo trabalhando ou tutelando o setor - coloca os filhos no privado! Nada me move contra o público, nem contra o privado! Mas também sei analisar resultados e a escolha dos professores e o funcionamento em economia de mercado tem trazido grandes vantagens aos alunos que frequentam uma escola - em geral - mais rigorosa. Como liberal que sou, não posso deixar de condenar as atitudes totalitárias de um Estado Social que aniquila tudo o que pode em nome de uma estupida vontade de nivelar por baixo!

















[960.] A escola livre ou a ilha de ‘O Deus das Moscas’?:

(...) Serve a escola para educar as crianças, os adolescentes e os jovens?
Ou serve, principalmente, para empregar professores? Da resposta a estas perguntas se depreenderá que se o objectivo fosse centrar a escola no aluno, seria mais fácil financiar o aluno – que poderia escolher livremente a sua escola, pública ou privada – do que financiar o edifício burocrático que é hoje a escola pública portuguesa. Não deixa de ser curioso que a maior parte dos políticos portugueses – nas cúpulas do Estado mas também ao nível das autarquias locais –, mesmo os que têm responsabilidades na educação, prefiram colocar os seus filhos a estudar em colégios privados do que na escola pública que tantas vezes tutelam.
David Cameron é o líder do Partido Conservador britânico. Em Maio poderá vir a ser primeiro-ministro. No Outono passado, não teve nenhum pudor em afirmar que tinha uma equipa a estudar o modelo sueco de gestão escolar, conhecido como ‘da liberdade de escolha da escola’. A Suécia é, talvez, o mais social-democrata – o que no panorama português equivale ao socialismo democrático maioritariamente representado pelo PS – dos países europeus. Este modelo nasce com um governo liberal-conservador, é certo, e é mantido e melhorado nos governos social-democratas seguintes – seria impensável em Portugal?
O elemento fundamental do modelo sueco, criado em 1992, passa pelo financiamento dos alunos, através de um ‘voucher’ e, consequentemente pela introdução da possibilidade de escolha da escola e da posterior concorrência entre escolas. A criança tem direito à Educação gratuita. Tem a criança sueca, como tem a criança portuguesa. A diferença é que o Estado entrega a sua comparticipação através de um voucher, uma espécie de cheque que a família recebe como contrapartida da condição de cidadão do estudante com direito a uma educação gratuita. “Quando os vouchers foram lançados, em 1992, já existiam algumas escolas privadas, em regra muitíssimo boas e muito procuradas pelas famílias. Mas eram todas pertencentes a instituições sem fins lucrativos, o que era imposto por lei. A consequência desta restrição era muito curiosa. As poucas e excelentes escolas privadas não tinham incentivos nem meios para se expandirem. Criavam então enormíssimas listas de espera em que os pais inscreviam os filhos à nascença. Esse era o seu distintivo de qualidade. Mas só um número muito limitado de crianças tinha realmente acesso à escola de qualidade”, narra João Carlos Espada, politólogo da Universidade Católica, num
ensaio publicado no jornal i, em 24 de Outubro de 2009. “A partir de 1992, duas coisas aconteceram. Todas as escolas, estatais ou privadas, passaram a receber por aluno o mesmo montante pago pelo Estado. Em segundo lugar, a criação de novas escolas foi remendamente facilitada, requerendo apenas garantias de qualidade. As instituições com fins lucrativos foram autorizadas a entrar no novo mercado de educação”, descreve, ainda, João Carlos Espada. Hoje a escola sueca é um modelo de qualidade, melhorou a educação dos alunos, mas também melhorou a escola pública.“Talvez a liberdade de escolha da escola seja a solução para a quadratura do círculo. Pelo menos funcionou na Suécia, o mais social-democrata país europeu. E é bem possível que venha a dominar o futuro próximo do debate político europeu”, assevera João Carlos Espada. Porque não?

[1273.] Cidadania encartada...

Viu-se que CU de Sócrates não serve para coisa nenhuma


Começou por chamar-se Cartão Único, mas cedo se percebeu que a sigla ia dar raia... Lá decidiram que o melhor era chamar-se Cartão do Cidadão, mantendo-se o pressuposto de ser um único cartão perante toda a administração pública portuguesa.

Para um português, um 'bilhete de identidade' é algo de fundamental. Para ingleses, por exemplo, é um disparate, um desperdicio - como se concluiu do debate político que o Governo de Sua Majestade promoveu há relativamente pouco tempo. Num país de burocratas - em que há cartões para tudo e para mais alguma coisa, e no qual até para um grupo recreativo é preciso fazer cartões - é coisa relevante.

A ideia de unificar, então, não seria disparatada.

Na consequência de ter mudado de estado civil, precisei de alterar a minha documentação - nomeadamente no âmbito do registo civil. Fui tirar - pese embora tardiamente - o Cartão do Cidadão. Fiz os proformas todos - com fotografias sem sorrisos, impressões digitais, assinatura digital e etc. Quando foi a altura de deitar para o lixo os cartões todos, entreguei o Bilhete de Identidade, o Cartão de Saúde... e fiquei com o Cartão de Eleitor na mão. Ainda insisti com a funcionária para lho entregar, eis senão quando sou informado que o Cartão de Eleitor não é substituído pelo Cartão do Cidadão.

Fiquei muito admirado.
Por ser o cartão que um cidadão menos usa - de quando em vez, por breves segundos, e para certificar, apenas, um número - achava eu, que seria logo o primeiro a 'abater'. Mas não. O Cartão do Cidadão não tem número de Eleitor.

Não deixa de ser curioso que para fazer CC tenhamos de registar uma morada completa - o que obriga a que uma pessoa (um estudante numa outra cidade, por exemplo) tenha de ir ao Registo Civil cada vez que muda de casa - mas não tem o registo do número de eleitor. Ou seja, é uma palermice!
Palermice essa, agravada pelo facto de, com a mudança de morada, ser o próprio sistema a mudar o local do recenseamento eleitoral. O sistema muda-nos o local de voto, em função do código postal da nossa morada, mas não nos indica no cartão - nem sequer nos informa, por carta, posteriormente - do nosso número de eleitor. Ou seja é uma barbaridade!

Aquilo que aconteceu no domingo, e que impediu que pessoas que queriam votar não o tenham podido fazer, é um escândalo. É certo que as pessoas foram avisadas (até na carta que recebem com os códigos de ativação do cartão) que pode ter acontecido terem mudado de local de voto - o sistema manda-as mandar uma SMS ou ir à net -, mas o bloqueio do sistema é coisinha de amadores.

No domingo lá fui votar... sem problemas... na freguesia de sempre... com o cartão do cidadão, que não tem o meu número de eleitor, e com o cartão de eleitor que não tem qualquer elemento que me identifique...

Quando fui ao Registo Civil da Mealhada para ativar o CC pedi à senhora para me colocar no chip a informação do meu número de eleitor... mas também já percebi que não serve de nada, porque não há na administração eleitoral lado nenhum onde me possam ler o chip... Ou seja, ficamos na mesma!

Já se viu que CU - leia-se Cartão Único - do Sócrates não serve para coisa nenhuma. Tem um chip que não dá para ler em lado nenhum, não nos susbstitui o único cartão que precisava de ser banido... e lendo o novo e simplex documento se percebe que não tem Naturalidade, não tem indicação da Morada (nem sequer freguesia-concelho), não tem Estado Civil... não tem ponta por onde se lhe pegue!

Modernices de um novo-riquismo absurdo!
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[1272.] Mercurii dies

Notas presidenciais 2011_7

Eleições para quê?
No rescaldo

Não há muito a dizer relativamente às eleições do passado domingo, que reelegeram Cavaco Silva para o seu segundo mandato como Presidente da República. Duas horas e meia depois de terem fechado as urnas no arquipélago dos Açores, já se conhecia o vencedor, já estavam apuradas quase todas as freguesias – faltando apenas as que boicotaram o acto eleitoral –, já tinham discursado os derrotados, os vencedores, e os principais líderes partidários. Uma noite sem história, portanto.
Ficou uma vez mais provado que os portugueses não arriscam na escolha de quem os governa, mesmo que a análise global de avaliação do sistema político não seja nada positiva. Como sublinharam vários comentadores na noite eleitoral (não sabemos se pode chamar-se noite a pouco mais de duas horas de apuramento de resultados), com a exceção da primeira eleição de José Sócrates, que derrotou Pedro Santana Lopes – que não havia sido eleito, mas nomeado –, nunca os portugueses deixaram de reeleger um primeiro-ministro ou um presidente da República que se recandidatasse.
Mas como dissemos no Editorial da semana passada, no domingo, 23 de janeiro, realizou-se “um teste à Democracia portuguesa”. Como referimos, antes de conhecer os resultados eleitorais: “Será inevitável um debate profundo e uma reflexão aturada se, num ambiente de crise política como a que vivemos, a abstenção atingir valores que superem os cinquenta por cento”. Assim aconteceu. Mais de 53 por cento dos eleitores preferiram não votar – na Mealhada foram mais de 55 por cento – cerca de dois e meio por cento a mais do que nas eleições de 2001, que reelegeram Jorge Sampaio.
Acontece que em 2001, era muito significativa a abstenção técnica – nomes de pessoas falecidas nos cadernos eleitorais que contavam como eleitores e inflacionavam a abstenção. Com a actualização dos cadernos, o número de eleitores aproximou-se mais da realidade, o que nos faz acreditar que o aumento do número de abstencionistas não foi de apenas dois e meio por cento, mas de duas ou três vezes mais.
No número de pessoas que não votaram parece existir um valor significativo dos que não o fizeram porque, por causa do cartão do cidadão, não o puderam fazer.
De qualquer modo, sendo impossível determinar a razão pela qual não votam mais de metade dos portugueses em condições para o fazer – haverá razões de muita natureza –, dúvidas não existirão acerca dos que foram votar e deixaram os seus votos em branco, ou os anularam. Essas pessoas, definitivamente, demonstraram uma clara objeção ao sistema político português – seja na sua organização, seja relativamente aos resultados da ação dos seus protagonistas, seja porque não se revêm em nenhum dos candidatos que se apresentaram. Quase trezentas mil pessoas – cerca de seis por cento dos que efetivamente votaram – mostraram esse seu descontentamento, no passado domingo.
Um descontentamento que não pode ser ignorado – como referimos há uma semana. “E isso é grave. É muito grave. Porque alguma coisa vai ter de mudar. Porque a Democracia não pode ignorar o que é a expressão da maioria”, repetimos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de janeiro de 2011
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[1271.] Notas presidenciais 2011_6

Análise dos resultados eleitorais das presidenciais no concelho da Mealhada

Reportagem publicada no Jornal da Mealhada de 26.01.11

No contexto distrital, Mealhada foi o pior para Cavaco e o melhor para Alegre
7,5 dos eleitores do concelho votaram brancos ou nulo
Abstenção aumentou 15 por cento


O concelho da Mealhada não foi excepção à preferência que os portugueses deram à reeleição de Cavaco Silva, à primeira volta, para a presidência da República. No entanto, foi no município mealhadense que Cavaco Silva obteve o pior resultado no distrito de Aveiro. Em contrapartida, Manuel Alegre acabou por conquistar no concelho da Mealhada o melhor resultado do distrito de que é natural – significativamente mais do que no de Águeda, onde nasceu. Apesar de o número de eleitores ter aumentado face às últimas presidenciais, o número de votantes foi muito menor do que há cinco anos. A abstenção no concelho da Mealhada foi de 55,7 por cento – tendo ido além dos 57 por cento em metade das freguesias do concelho. Digno de registo é, também, o número de votos brancos ou nulos – 624, sete e meio por cento da votação, resultado três vezes maior do que há cinco anos.

No distrito de Aveiro, Cavaco Silva obteve mais de 60 por cento dos votos. O concelho da Mealhada foi o único em que a votação de Cavaco não chegou aos 50 por cento dos votos validamente expressos – por 1,2 por cento. Só na freguesia de Antes é que Cavaco teve mais de metade dos votos válidos – curiosamente foi a única freguesia em que a abstenção foi inferior aos 50 por cento.
Mesmo assim, Cavaco – com menos 800 votos do que há 5 anos – conseguiu ter uma percentagem 4,7 por cento superior à das presidenciais de 2006, o dobro do valor do total nacional. Manuel Alegre foi quem mais perdeu, 970 votos e três por cento, face à última eleição presidencial. Tudo leva a crer que muitos dos eleitores que normalmente votam no Partido Socialista – que se mostrou completamente desmobilizado nesta campanha – tenham engrossado a percentagem de votos Brancos e Nulos, que triplicou face a 2006.
O terceiro candidato, Fernando Nobre, teve na Mealhada 14,7 por cento dos votos – um resultado próximo do total nacional – e o quarto melhor do distrito de Aveiro. O resultado de Nobre ficou próximo do resultado obtido por Mário Soares em 2006 – teve menos 600 votos que o antigo presidente. Nalgumas mesas de votos – como as mesas números 2 e 3 da freguesia da Mealhada, por exemplo – a votação em Fernando Nobre foi superior à de Manuel Alegre.
O somatório dos votos brancos e nulos foi, em quase todas as freguesias (com a excepção da Pampilhosa, por um voto), o quarto maior valor verificado. Um valor 1,3 por cento superior ao total nacional e próximo do total distrital.
Francisco Lopes, o candidato apoiado pelo PCP, o único a visitar em campanha eleitoral o concelho da Mealhada, teve 5,7 por cento dos votos, o terceiro melhor do distrito de Aveiro – uma percentagem maior do que a que foi conquistada por Jerónimo de Sousa, em 2006.
O madeirense José Manuel Coelho conquistou 3,5 por cento dos votos, tendo tido resultados significativos nas maiores freguesias. Defensor de Moura não foi além do 1 por cento. No entanto, conseguiu obter mais votos e o dobro da percentagem que Garcia Pereira –, o último dos candidatos em 2006, conseguiu na Mealhada.

O concelho da Mealhada mantém o título: Em 26 anos e em 7 actos eleitorais, nunca deu uma maioria absoluta a Cavaco Silva!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

[1270.] Lido na C_3

O Pinóquio que se tornou um Homem



Sandro Alves foi uma das estreias da Revista C. O mealhadense foi entrevistado no número zero desta publicação, na secção "Cérebros - Seleção de Esperanças". Para mim, como mealhadense e como amigo do Sandro, é um orgulho. Por ele, principalmente.

Com o distanciamento que pode ter alguém que conhece o Sandro desde sempre. Desde o ciclo preparatório (a primária eu fi-la em Sernadelo, o Sandro fez na Mealhada) que nos conhecemos. Desde o tempo em que o Sandro era "um crânio" - como na altura se dizia -, ou o Pinóquio (não sei precisar se a razão é exclusiva pelo facto de sempre ter sido um magricela de nariz adunco), passando pelo tempo em que integrou a minha equipa na Associação de Estudantes da Escola Secundária da Mealhada, a tempos menos positivos e outros bem melhores.

O Sandro sempre foi um rapaz especial - com tudo o que isso tem de bom e de mau (chegou a ter os dois braços partidos e engessados ao mesmo tempo) - numa demonstração de que só o querer é limitativo à felicidade plena e ao tamanho dos nossos sonhos.

Num tempo em que eu vejo os miudos a desistir de tudo, a terem medo de sonhar, o exemplo do Sandro não pode deixar de ser uma grande incentivo à busca da felicidade. Ao Saber, Querer e Agir que deve estar sempre presente na Vontade de quem quer ir mais além e fazer a diferença!

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[1269.] Lido na C_2

O ministério do Presidente da República, segundo António Arnaut.


A revista C perguntou a António Arnaut - advogado, coimbrão, antigo ministro dos Assuntos Sociais, ilustre socialista e antigo grão mestre do Grande Oriente Lusitano, ah! e apoiante da candidatura de Manuel Alegre a Presidente da República - "Para que serve o Presidente da República?".
O ilustre jurisconsulto deu uma resposta que não resisto a reproduzir. Não só por subscrever o seu conteúdo, como porque me parece uma declaração quase poética:
«Incumbe-lhe, na sua qualidade de representante do país e da unidade nacional, identificar-se com os profundos anseios do povo e pugnar pelo prestígio de Portugal. Como símbolo da Pátria, impõe-se-lhe a defesa da História, da Língua e da Cultura nacionais e a ligação entre o passado e o futuro. Outra das suas funções essenciais é de domínio prático – a de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, o que significa, no contexto actual, que terá de pugnar pela construção da democracia política, social e económica, ou seja, pela construção do Estado social, defendendo a coesão entre todos os portugueses. O seu mandato deverá ser, em suma, parafraseando Sampaio Bruno, o de garante de um país como “comunhão de solidariedades”.»

[1268.] Lido na C_1




















Marcelo Nuno é uma personalidade conhecida da vida política de Coimbra. Eu, pessoalmente, não o conhecia. Fomos apresentados no inicio de Dezembro em Penacova, num jantar do PSD local. Marcelo Nuno pareceu-me uma pessoa simpática e interessante - o que, permita-se a franqueza, era bastante diferente da ideia que eu tinha dele.

Hoje, ao folhear a C, a nova revista de Coimbra, reparo que o candidato à distrital de Coimbra do PSD tem uma ideia muito próxima daquilo que procuro dar testemunho junto de muitos jovens com quem trabalho: O Escutismo é uma escola de cidadania, que impele o jovem-cidadão para a liderança cívica na própria sociedade. Dito de outra forma, o escutismo forma lideres políticos de uma forma muito própria e singular.

"Interessei-me pela política por ser escuteiro", afirmou Marcelo Nuno. Parece-me muito bem!

[1267.] Parabéns à C

Chegou-me hoje às mãos - através da Marta Varandas, e da diligência sempre sagaz da MSL - a novel revista C.
Trata-se de um interessante produto editorial - da cidade de Coimbra com pretensões regionais - da BeirasTexto, de António Abrantes, fundador e até há pouco tempo detentor do Diário As Beiras.
É um produto interessante - como já disse. O formato revista acaba por ter atrativos que estimulam o leitor. Torna-se um objecto mais perene, mais valioso do que o jornal, que amarelece e apodrece. Eu sou fã de revistas - confesso.
Nesta primeira edição - o número zero - chamaram-me a atenção um conjunto vasto de artigos (não resisto a citar alguns seguidamente)que me fazem augurar um bom percurso para a C. Vou esperar pela próxima edição - a 3 de Fevereiro.
O corpo editorial conta com Fernando Moura - o blogger coimbrão (ou coimbrinha?), do 'Sexo e a Cidade', detentor de um perfil arrojado e inovador -, ele próprio um guru do i-jornalismo regional.
Esta revista - chamada de uma letra só - que nasce depois de Abrantes ter vendido o Diário das Beiras à Fapricela e ao grupo Lena, que por sua vez é o dono do jornal i - não deixa de ser um interessante reflexo de uma revolução que estamos a viver na imprensa portuguesa. Uma revolução feita de guerras que tem estimulado a criatividade e a inovação. Uma revolução que - assim esperamos - o mercado vai premiando e punindo.
Mantenhamo-nos atentos...
Na sexta-feira é o Diário As Beiras que se revoluciona graficamente, depois de o ter feito à relativamente pouco tempo. Numa publicidade publicada na edição de ontem era garantido que ia ser "mais prático e moderno, formato reduzido e agrafado" - mais próximo do jornal i, entenda-se. São profícuos os tempos que correm!

[1266.] Notas hagiológicas

No sábado da semana passada, dia 15 de janeiro, foi dia de Santo Amaro, e no dia seguinte foi preciso ir 'bater foto' à Romaria na capela privada da propriedade (já decrépita) dos Valdoeiro, junto do Travasso.

Cinco dias depois, na quinta-feira, 20 de janeiro, foi dia de São Sebastião. O Mártir que os homens portugueses tanto veneram e que na Mealhada já tem capela a si dedicada há mais de trezentos anos. Antes de ontem, domingo, apoiámos a Irmandade na saída à rua de uma procissão que vai tendo muito fieis, mas que a Mealhada já não saúda. Depois de recuperada a capela seiscentista do mártir no casco velho da Mealhada, a irmandade comprou um rancho de santas que gosta de levar à rua... Faltam, no entanto, os mártires da boa vontade para as carregar aos ombros pelo percurso mais comprido da freguesia. Cumpriu-se, novamente, a tradição, num dia solarengo - mesmo que frio.

No sábado, dia 22, foi dia de São Vicente, o padroeiro da Vacariça - a nossa Guimarães. Ainda não foi este ano que por lá passei, para apreciar o culto ancestral, que remonta a tantos séculos... também ninguém se ofereceu para pagar um copo... Quem sabe para o ano.

Já ontem, segunda-feira, foi dia de São Francisco de Sales, o padroeiro dos escritores e dos jornalistas, e o patrono da família salesiana. O trabalho não foi aliviado na solenidade do padroeiro e só as boas noticias fizeram aliviar o atraso que 'o comboio' leva noite dentro.

Hoje é dia da Conversão de São Paulo, o apóstolo de Cristo que passou de perseguidor a perseguido e é o padroeiro dos caminheiros do CNE. Uma data que traz grandes memórias em memória de Paulo de Tarso, é certo, e de muitas coisas bonitas que em seu nome se fizeram na região de Coimbra do CNE. Dias de São Paulo que eram festas de convivio e, acima de tudo, de conversão profunda! Conversão depois de encontrada a resposta porque fora colocada a dúvida. Conversão depois de uma luz que cegava pelo óbvio e pelo simples. Conversão a um Amor verdadeiro e completo de nos encontrarmos no coração dos outros!
E uma pergunta: "Porque é que me fazes isto?"
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[1265.] Notas Presidenciais 2011_5

Não tenho problemas nem constrangimentos em declarar o que gosto e o que não gosto.
Nunca escondi preferências, simpatias e antipatias.
Felizmente nunca precisei de me mascarar.

Há coisas que digo (publicamente) que muitos (alguns meus amigos) consideram que não devia tornar tão claras, seja pela minha profissão, seja pelos meios onde faço o meu quotidiano, seja porque causam invejas, sejam porque me tornam demasiado saliente, sejam porque me podem ser assacadas no futuro.

Mesmo assim vou arriscando... É uma mania... talvez...

Sou cavaquista. Nunca o escondi.
Sou liberal. Já o divulguei várias vezes.
Mas nem por isso aprecio todos os cavaquistas, nem todos os liberais. E nem todos os social-democratas, e nem todas as pessoas que comigo poderão ter um elo de proximidade ideológica.
E se sou cavaquista, liberal (não sou de todo um social-democrata no sentido puro e ideológico do termo) ou católico não é porque alguém me tenha arrebanhado para o ser, mas porque refleti sobre o assunto e reconheci que o era. Quando sentir que não o sou, deixarei de o ser, de facto.

Tudo isto para dizer que no domingo votei Cavaco Silva.

Mas, se por hipótese Cavaco Silva não fosse candidato - ou se a direita estivesse representada por outra pessoa qualquer [Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Ferreira Leite, Rui Rio ou outro qualquer] provavelmente o meu voto iria noutro sentido.

O meu perfil ideológico está muito mais próximo de Fernando Nobre do que qualquer outro candidato ou referência política atual (extra-Cavaco). Fernando Nobre é, em tese, alguém muito mais próximo do meu estilo de ver a república do que o são outras individualidades política mais próximas de mim.

Fernando Nobre é o protótipo do português que todos os jovens da minha geração gostariam de ser um dia. Um homem que correu mundo, que colocou os seus talentos ao serviço dos outros, que conseguiu vencer e dar testemunho de uma forma diferente de estar na vida e de marcar o presente a caminho do futuro. Apesar do sotaque afrancesado, Nobre é um português dos bons.

Assim que apresentou a sua candidatura, Nobre recolheu a minha simpatia.

Até começar a fazer campanha!

A campanha de Fernando Nobre foi desastrosa. Numa primeira fase, especialmente na fase de debates, demonstrou uma ignorância completa sobre o cargo a que se candidatava. Mostrou não conhecer os poderes do PR, mostrou não dominar conceitos básicos fundamentais do sistema político português e da Constituição, mostrou que se sentia completamente desamparado perante a realidade do país.

Depois, Nobre preferiu seguir o exemplo e o aspecto menos positivo da campanha de Cavaco: o auto-elogio. E então foi desastroso. Como não tinha quem o elogiasse - o patriarca Soares nunca deu a cara no que poderia constituir-se como uma traição a Sócrates - Nobre 'escarrou' na sopa, para usar a imagem de José Estevão. Há poucas coisas tão decadentes como alguém necessitar e exercitar o auto-elogio. Nobre acabou por demonstrar que se candidatou (apenas) por vaidade, e deitou por terra muita da simpatia que por ele se poderia nutrir.

Esgotada essa fase, num terceiro momento, Nobre pensou que tinha de seguir o exemplo de Alegre e passou a insultar Cavaco e o próprio Alegre, e o primeiro-ministro, e a classe política de uma forma generalizada. Entusiasmou-se e em vários momentos fez-me lembrar aqueles amigos estrangeiros a quem ensinamos uma asneira, que eles, por não dominarem o vocabulário, passam a usar normalmente e sem pudor, nas situações mais desapropriadas possível, mostrando enorme rudeza.

Na última fase, o homem ensandeceu... Aquele número dos telefonemas anónimos com ameaças e a declaração de que só se lhe dessem um tiro na cabeça o impediriam de ir à segunda volta - aliada à exortação para que Alegre desistisse a seu favor - mostrou um personalidade tresloucada e completamente desajustada da realidade de uma democracia moderna e madura como a nossa.

Ou seja: Fernando Nobre foi uma enorme desilusão.

Não me parece mal que se candidate daqui a 5 anos, mas ainda tem um longo caminho a percorrer. Tem de aprender muita coisa, tem de se rodear de pessoas que o possam ajudar, e tem de perceber que o povo português gosta de humildade!
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

[1264.] Notas Presidenciais 2011_4

Vale a pena lembrar a máxima clássica, romana, que é tão grata aos republicanos portugueses, numa leitura por analogia ao resultado eleitoral de Manuel Alegre:

Roma não paga a traidores!

(Mesmo aos que servem Roma!)

Os socialistas portugueses não perdoaram a Manuel Alegre a candidatura contra o PS em 2006, e não perdoaram a sua ação como deputado nos últimos anos na Assembleia da República, e não perdoaram a aliança com o Bloco de Esquerda, e não perdoaram que tenha exposto Sócrates ao ridículo com o embaraço no seu apoio, e não perdoaram que tivesse permitido que fosse o BE a gerir e a mandar na sua campanha eleitoral...

Os socialistas portugueses, de uma maneira geral, ontem, em largo número, decidiram não ir votar, outros (MESMO MUITOS) decidiram votar em Branco ou anular o voto, outros preferiram ignorar as criticas de Nobre ao Governo e apoiar o candidato, outros (poucos) escolheram votar Cavaco... Eu falei com muitos que me deram o seu testemunho!
Os socialistas portugueses - muitos deles republicanos dos quatro costados -, geralmente, não 'pagam' a traidores!
Só isso explica que o candidato Manuel Alegre - com o apoio do PS e do BE - tenha tido menos votos (menos 200 mil) do que há 5 anos, altura em que, assumidamente, se apresentou como um candidato sem a força da maquinaria partidária, contra o patriarca Soares e Francisco Louçã!

domingo, 23 de janeiro de 2011

[1263.] Eleições presidenciais 2011

Aníbal Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República, no ato eleitoral de hoje, 23 de janeiro, à primeira volta, com 52,9 por cento dos votos.
Numa nota muito pessoal, permitam-me o registo para o número de votos em branco - absolutamente recorde e ignorado pela comunicação social televisiva -, enquanto rotundo protesto ao sistema politico vigente.
A abstenção esteve a par do que já se registara em 2001, na reeleição de Jorge Sampaio. Registe-se, no entanto, que nessa altura o número de cidadãos já falecidos nos cadernos eleitorais era muitissimo significativo, o que nos leva a crer que a abstenção real em 2011 tenha sido cerca de três a quatro pontos superior à de há 10 anos.
Relativamente aos resultados de cada uma das candidaturas, surpreendeu-me a votação em José Manuel Coelho, o 'Tiririca' como muitos lhe chamaram... Nos últimos dias ouvi muita gente dizer que ia votar nele, mas nunca pensei que essa expressão eleitoral global tivesse tão perto de candidaturas como a de Franscisco Lopes - que tem o eleitorado fiel do PCP - ou tão acima de um homem que é deputado nacional (sem sintomas relevantes de patologia psiquiátrica - como são os visiveis no candidato madeirense).

Relativamente aos concelhos onde acompanho a realidade política, permitam-me, também, algumas notas.

No concelho da Mealhada, Cavaco Silva ganhou em todas as freguesias. O que não deixa de ser histórico. Apesar de ser apelidado de o mais socialista dos municipios do distrito de Aveiro, o candidato do centro-direita foi o mais votado, com 48,84 por cento dos votos (3758 votos).O candidato Manuel Alegre, apoiado pelo PS e pelo BE, ficou em segundo lugar com 26,21 por cento (2017 votos). Fernando Nobre obteve 1133 votos - 14,72 por cento dos votos.
Em mesas como as mais jovens (a 2 e 3) da freguesia da Mealhada, por exemplo, Fernando Nobre teve uma votação muito maior do que Manuel Alegre, o que não deixa de ser muito relevante numa análise politica concelhia.
O número de votos em branco, no concelho da Mealhada, foi absolutamente recorde, o que não deixa de ser digno de reflexão!

No concelho de Mortágua, um bastião socialista do poder local, o resultado em Cavaco Silva é arrasador. O eleitorado é conservador e em eleições nacionais vota de acordo com o que é a tendência no seu distrito, o de Viseu, o Cavaquistão. Mesmo assim, não deixa de ser relevante o facto de Manuel Alegre ter obtido menos de um terço dos votos conquistados por Cavaco.

O concelho de Penacova tem sido um olhado pelo Partido Socialista como um novo bastião, graças à vitória do PS nas últimas autárquicas. Manuel Alegre esteve em campanha em Penacova e o seu mandatário concelhio era o antigo presidente da Câmara, Artur Coimbra. Mesmo assim, o eleitorado deu um resultado extraordinariamente expressivo a Cavaco, o que não deixa de ser um incentivo relevante aos social-democratas penacovenses que ainda lambem as feridas de uma derrota eleitoral inesperada.

Mais informações e análise nas edições impressas do JORNAL DA MEALHADA e do jornal FRONTAL da próxima semana!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

[1262.] Marti dies

[1261.] Mercurii dies

Eleições para quê?

No próximo domingo, 23 de janeiro, realiza-se a primeira volta das eleições que escolherão o Presidente da República Portuguesa, o Chefe de Estado. Antevê-se – pelo que se pode apurar dos estudos de opinião – um ato eleitoral pouco participado, apesar de todas as candidaturas garantirem um aumento progressivo da base de apoiantes.
Não deixa de ser curioso – se tal facto se vier a verificar – que no meio de uma crise tão grave como a que hoje vivemos, que já alastrou para uma crise financeira, económica e social – com o aumento inquietante da criminalidade violenta, por exemplo –, os portugueses demonstrem claramente que não é através de eleições que os problemas do país se resolvem.
É certo que a maturidade politica deste Portugal do século XXI – que muitos gostam de menorizar – já permite reconhecer que não é o Chefe de Estado que governa, apesar de poder determinar o rumo da governação. Mas também se reconhece que o Presidente da República não é um ‘verbo de encher’ e que a sua ação é determinante no passado – com todas as ações, omissões ou cumplicidades –, no presente e no futuro do País.
O que não deixa de ser extraordinário é que, mesmo assim, os portugueses considerem que não é no poder político que reside a solução para a resolução dos seus problemas. E isso é, de facto, dramático.
Em 1991, na eleição que reelegeu Mário Soares para o segundo mandato presidencial, a abstenção foi de 37,84 por cento. Em 1996, na eleição de Jorge Sampaio, a abstenção desceu e cifrou-se nos 33,71 por cento. Em contrapartida, em 2001, na reeleição de Sampaio, mais de metade dos eleitores preferiram ficar em casa e não votar: 50,29 por cento. Nas últimas eleições presidenciais, 38,47 dos eleitores não votaram. Ou seja, nos actos eleitorais em que todos os candidatos se apresentam pela primeira vez, a abstenção é menor do que nas eleições onde há recandidatura. Está desenhada a tendência para o que poderá esperar do próximo ato eleitoral.
No próximo domingo realiza-se mais um teste à Democracia portuguesa. Não queremos com isto dizer que a escolha do candidato A ou B coloca em causa o normal funcionamento das instituições. Seja quem for o eleito, comprometer-se-á em cumprir a Constituição e fá-lo-á com zelo e honestidade. O que consideramos é que será inevitável um debate profundo e uma reflexão aturada se, num ambiente de crise política como a que vivemos, a abstenção atingir valores que superem os cinquenta por cento. Se na noite de 23 de janeiro chegarmos à conclusão de que mais de metade dos portugueses preferiram não votar, então será inevitável a conclusão de que a maior parte dos portugueses não se revê neste sistema político.
E isso é grave. É muito grave. Porque alguma coisa vai ter de mudar. Porque a Democracia não pode ignorar o que é a expressão da maioria.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

[1260.] Notas Presidenciais 2011_1


"Durante a campanha para as Presidenciais 2011, a TSF abre espaço para a opinião dos directores dos principais órgãos de comunicação social. Bárbara Reis, directora do jornal «Público», fala do fosso que existe entre os cidadãos e os políticos."


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

[1259.]

João Armando foi eleito para o Comité Mundial do Escutismo

O João Armando foi eleito, há poucos minutos, para o Comité Mundial do Escutismo. Isso torna hoje um dia importante para o Corpo Nacional de Escutas e para o Esutismo Português.

O João Armando é uma personalidade marcante para uma geração de jovens portugueses e uma inspiração para muitas pessoas.
Ele personifica uma maneira de estar na vida marcada pela ousadia, pela vontade de fazer diferente, de tornar possível. Um modo de estar e de ser nem sempre compreendido, quase nunca consensual, mas sempre marcado pela justiça, pela clareza de opções, pelo esforço de serviço, de facilitar, de ajudar, de melhorar.
O João Armando é um guru. Para uma geração de dirigentes do CNE (onde me incluo), e especialmente na Região de Coimbra, o João Armando é alguém que nos apresenta um modelo de liderança carismática, uma liderança com propósito, uma liderança ao serviço dos outros.
E só assim se pode ser dirigente de uma associação como o CNE. Uma associação de serviço aos jovens. Só a inspiração dos jovens pode fazer mudar o mundo. E o João Armando é assim. Muito do que o CNE tem de inovador, de pioneiro, deve-se - directa ou indirectamente - a um homem que é, também, um pai dedicado, um bom amigo, um professor carismático, uma pessoa serena e incisiva, uma personalidade ousada e jamais resignada.
O João Armando é um Mourinho que ousou - não treinar jogadores de futebol - ...mas ajudar os jovens portugueses e do mundo a fazerem do mundo um lugar melhor!



Discurso de apresentação da candidatura, ontem, em Curitiba, no Brasil,
na 39.ª Conferência Mundial do Escutismo.

[1258.] Mercurii dies

A tentação do abismo ou a profilaxia da catástrofe?

Teodora Cardoso, prestigiada economista portuguesa, e administradora do Banco de Portugal, declarou, no início desta semana, que entendia ser preferível que o pedido de ajuda externa por parte do Governo português fosse feito quanto antes. Na sua opinião, a antecipação do recurso ao Fundo Europeu e, em consequência, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no atual contexto, traria vantagens.
Ao Diário Económico, Teodora Cardoso garantiu: “É mais fácil se tivermos um apoio externo, desde logo porque isso permite que o ajustamento não seja tão abrupto. Feito sozinho, para os mercados acreditarem nele, o tal ajustamento teria de ser brutal. Com o apoio de uma dessas instituições (FMI ou Fundo Europeu) poderá ser menos abrupto”.
A ‘entrada’ do FMI em Portugal é, em tese, algo que ninguém deseja. Para além da questão subjetiva relacionada com o reconhecimento de que precisamos de alguém de fora para nos governar, é particularmente violenta a ideia de que poderemos ter de ser sujeitos a medidas tomadas sob a forma de terapia de choque, por parte de tecnocratas sem rosto e sem pátria.
O Governo garante que não vai ser preciso recorrer à ajuda externa. A comunicação social estrangeira informa que os governos francês e alemão estão a pressionar para atirarmos a toalha ao chão. Ao mesmo tempo, são estas chancelarias europeias que desmentem a informação. A oposição – na sua diversidade partidária – oscila entre a crítica ao Governo e a critica aos mercados que, entretanto, nos vendem dinheiro a um preço exorbitante.
O período de campanha eleitoral para as presidenciais, que quase nem se nota, parece refrear a discussão do problema, com os candidatos a utilizarem o assunto para criticar o Estado e o estado a que as coisas chegaram. O ano de 2011 entrou a cambalear…
Os portugueses têm uma espécie de tentação para o abismo. É o fado. E essa portugalidade começa a fazer-se sentir nalguns sectores importantes da sociedade. Nos Zés e nas Marias, que ainda trabalham, que já se mostram cansados de atravessar um túnel num comboio que é dirigido por alguém em quem já não se confia, numa carruagem em que ninguém se cala, com todos os viajantes a darem palpites e a fazerem acusações – umas de carácter, outras de competência – num ambiente caótico, quase paranóico.
Hoje, como nunca antes, questão parece impôr-se: Finda a campanha eleitoral presidencial, não será preferível, de uma vez por todas, pedir a ajuda externa e antecipar o que pode ser a resolução do problema? Antes de atingirmos o abismo… o verdadeiro abismo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

[1256.]

Nas vésperas de Natal andei numa azáfama louca - para concluir uma edição do FRONTAL (com respectiva distribuição) a 23 -, passei o Natal em Medelim (que tem pouquissima rede telemóvel), com a familia toda, e a 26, de manhã, parti para Ferrol - para fazer o camiño de Santiago, e percebi que me esqueci de ativar o roaming...

OU SEJA... não mandei uma série de e-mails, nem respondi a SMS, nem telefonei a desejar (e retribuir) as BOAS FESTAS a um número assinalável de pessoas.

Peço desculpa, e por isso cá vai: Bom Ano de 2011!

[1255.] Mercurii dies

Desafios de um novo ano

Decidimos, com o início de um novo ano, adotar a nova grafia da Língua Portuguesa nas páginas do Jornal da Mealhada – o que, vulgarmente, se tem chamado Novo Acordo Ortográfico. Na presente edição a maior parte dos textos já respeita as orientações que, a partir de janeiro de 2009, foram assumidas como norma da língua portuguesa.
Não está em causa uma posição pessoal ou colectiva sobre o assunto, mas, simplesmente, a assunção da irreversibilidade do processo e da nossa própria adequação a uma nova realidade. O número mínimo de adesões de países de expressão portuguesa já foi alcançado, as escolas adotarão a nova grafia no início do ano lectivo 2011/2012, a administração pública adotá-la-á daqui a um ano e é já considerável o número de órgãos de comunicação social – escrita e televisão – que passaram a usar a nova grafia. De qualquer forma, o período de transição – durante o qual se aceitam as duas grafias – só termina em janeiro de 2015, o que permite uma adaptação progressiva da parte de todos.
Esta nossa posição, numa primeira fase, apenas se aplica aos textos escritos pelos redactores do Jornal da Mealhada. Os textos produzidos pelos nossos colaboradores – nomeadamente os de Opinião – serão publicados com a grafia que o próprio autor preferir. Mantém-se, tal como no que respeita aos conteúdos, total respeito e total liberdade.
A nova grafia não traz mudanças significativas – convenhamos. A supressão das letras que não se leem, a acentuação gráfica, a hifenização, o uso de maiúsculas e minúsculas serão regras que, dentro de pouco tempo, assumiremos como normais.
Acontece que nem sempre a pressa é aliada da perfeição e acontecerá que nem nós próprios nos damos conta de que não estamos a observar a nova regra. Desde já, pedimos desculpa ao leitor, solicitando a melhor compreensão.
Será mais um desafio, como outros que, certamente, nos aparecerão no caminho.
Bom ano!


Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de Janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

[1254.] Aniversário

O Agrupamento de Escuteiros da Mealhada - o 1037 do Corpo Nacional de Escutas - assinala hoje, 1 de Janeiro de 2011, o seu 19.º aniversário.
Quase duas décadas de serviço à Juventude da freguesia da Mealhada, ao serviço da cidadania e da formação integral de várias centenas de crianças e jovens que ao longo deste tempo passaram por esta associação que é, acima de tudo, um movimento, dinâmico e em eterna mudança!
Parabéns a todos!