quinta-feira, 18 de novembro de 2010
[1221.] Hoje
[1218.] Iovis dies
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
[1217.] Mercurii dies
A Comissão Europeia declarou o ano de 2011 como Ano Europeu do Voluntariado. As actividades decorrentes desta iniciativa estarão subordinadas ao lema: “Voluntário, Faz a Diferença!”.Estima a União Europeia que sejam mais de cem milhões os cidadãos europeus que estão envolvidos, de forma voluntária – livremente e sem qualquer espécie de remuneração ou contrapartida económica – em acções de solidariedade e de promoção do bem-comum. Cem milhões de europeus são vinte por cento da população residente no Velho Continente. Dito de outra forma: Em média, um em cada cinco europeus está envolvido em acções de voluntariado de forma organizada e constante. E mais: Oitenta por cento dos europeus – assim revela um estudo do Eurobarómetro – consideram o voluntariado como parte importante da característica democrática das sociedades europeias. Trata-se de um enorme exército de boa-vontade e altruísmo que urge valorizar, compreender e estimular.
A definição do que é um voluntário não é unânime na heterogeneidade da cultura europeia. Comummente considera-se que há voluntariado “sempre que as pessoas se envolvem em actividades de entreajuda, de apoio àqueles que necessitam, na protecção do ambiente, em campanhas de direitos humanos, ou em acções que visam contribuir para que todos usufruam de um nível de vida decente”. “A sociedade como um todo, assim como os voluntários de um ponto de vista individual, saem beneficiados e a coesão social é significativamente fortalecida”, considera a União Europeia no texto que sustenta a opção pela declaração de 2011 – Ano Europeu do Voluntariado.
Não se conhecem, completamente, os números do Voluntariado em Portugal. Mas conhecemos – em acções como as campanhas semestrais do Banco Alimentar Contra a Fome ou como a campanha Limpar Portugal – que é crescente e cada vez mais qualificado o sentido de acção voluntária dos portugueses. Em Agosto de 2010 foi criada em Portugal a Confederação Portuguesa do Voluntariado que congrega já instituições como a Caritas Portuguesa, o Corpo Nacional de Escutas, a Liga dos Bombeiros Portugueses, a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, a Federação das Associações de Dadores de Sangue, a União das Misericórdias Portuguesas ou a Confederação Nacional das Associações de Pais, entre muitas outras.
A primeira iniciativa desta Confederação – que será também, e por antecipação a primeira do Ano Europeu do Voluntariado – é a realização do Congresso Português do Voluntariado, que se realiza a 4 e 5 de Dezembro, em Lisboa, subordinado ao tema: “Voluntariado: Força de Mudança!”. O congresso procurará debater questões tão práticas como o recrutamento, fidelização e compromisso, qualificação, visão ética e enquadramento jurídico do cidadão voluntário, bem como o marketing, o mecenato e o reconhecimento social da acção voluntária.
Também no concelho da Mealhada há considerável número de pessoas que se prestam ou já se prestaram à acção voluntária. São mesmo significativas as instituições que se dedicam à promoção cívica da comunidade através do voluntariado. Será de todo descabido perguntar – e aproveitando para lançar o desafio –: Porque não se associam neste Ano Europeu do Voluntariado para congregar esforços, estabelecer laços, debater problemáticas e, acima de tudo, Dar Testemunho?
Fica o desafio lançado! A oportunidade é de ouro!
Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
[1216.] Marti dies
Ruppert and the Frog Song - 'We all stand together'
Paul MacCartney
Uma das músicas da minha infância. Sem dúvida um tema da minha 'playlist'!
domingo, 14 de novembro de 2010
[1215.] Solis dies
Hoje foi um dia dificil. Não interessa porquê. Mas hoje foi um dia dificil. Foi um daqueles dias em que me pergunto porque razão me gasto tanto no que deviam ser os meus hobbies, as minhas distracções, o que muitos chamariam lazer.
Tenho prazer no meu trabalho. Tenho prazer nos meus hobbies. Mas os meus hobbies causam-me cansaço. Trazem-me uma frustração que o trabalho nunca me trouxe. Fico triste, destroçado com o sabor da adrenalina da boca quando venho de um dia dificil como o de hoje. Fiz o que me competia. Mas terá sido no sítio certo? Procurei não cometer os erros do passado. Mas terá valido a pena? Terei construído alguma coisa?
Sinto-me esmagado por este esforço constante de ter de ser coerente.
Deito-me exausto. Deito-me lixado porque é domingo e precisava de descansar do meu domingo.
Sinto-me tranquilo. Pelo menos isso. O meu exame de consciência absolve-me. Mas terei conseguido fugir às armadilhas que eu proprio me coloco? Sinto que "Vivi comunhão", e que "Estou em comunhão". E, alías, é por estar em Comunhão - de corpo e alma - que disse o que disse e fiz o que fiz. Porque a Comunhão não é a negligência, o desleixo, o desinteresse, a insipidez. A Comunhão é a entrega, é o interesse, é a dedicação e o empenho. É "ser com". Mas é "ser mesmo com". Não é declarar que se "é com" sem "estar mesmo com".
Porque não procurei destruir, nem procurei rebaixar. Procurei ser com a vontade de saber, querer e agir que exijo aos outros e a que me sujeito que me seja exigido.
Eu amo o próximo. Porque procuro encontrar no próximo a minha própria felicidade. Não odeio ninguém. Mas há coisas que desprezo completamente. E com o que desprezo não tenho qualquer espécie de comunhão: Não existe para mim.
Se faço mal, ou se fiz mal, se magoo ou se magoei repetidamente, foi sem intenção. Nunca matei, apesar de em muitos momentos não me faltar a vontade de matar quem já me matou. Mas magoar, fazer mal, matar é agir sobre. E eu não ajo sobre nada do que abomino. Vivo uma fase da minha vida em que me sinto superior a isso. Logo, tudo o que merece a minha acção, a minha intervenção mereceu o meu amor. Todo este meu cansaço é por amor. Um amor divino, um amor de caridade concreta, um amor a um modelo de vida, um amor a um estilo de ser pessoa, um amor aos outros.
Hoje, pela voz de Lucas, se mostrava que as dificuldades são a "ocasião de dar testemunho" e que é pela perseverança que se salvam as almas!
Mas já é só o teu sorriso que me faz adormecer. Porque "um sorriso basta para mudar o mundo", e o meu mundo só existe por causa do teu Amor.
sábado, 13 de novembro de 2010
[1214.] Saturni dies
Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.
Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!
Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
[1213.] Veneris dies
Suu Kyi é filha de um heroi da independência birmanesa e foi a vencedora das últimas eleições livres da Birmânia, em 1990. Nunca chegou a tomar posse porque foi presa.
Suu Kyi é hoje libertada. Vejamos por quanto tempo!
A música "Walk On", dos U2, do ano 2000, foi feita em sua homenagem. Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano"em sua honra e tocaram-na ao vivo no "Nobel Peace Prize Concert" em Oslo, Noruega.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
[1212.] Obrigado Zé Domingos!
Assinalou-se hoje, um pouco por todo o 'Mundo Ocidental', o Dia do Veterano. Um dia destinado a lembrar os homens que, no passado, combateram em nome do Estado nacional.Antepassados, todos, uns ainda vivos, outros já mortos, e muitos deles em combate, que deram testemunho e realizaram um serviço, muitas vezes em nome de ideais nos quais nem sequer acreditavam, com os quais nem sequer concordavam, mas que não deixaram de o fazer. Antepassados que não desertaram.
Já aqui o referi, várias vezes, que me enoja a forma como Portugal, os portugueses e, acima de tudo, o Estado Português trata os seus Veteranos. Nos último 10 de Junho - primeira vez em que os veteranos de guerra marcharam no desfile oficial do Dia de Portugal - escrevi AQUI sobre o assunto e citei AQUI as palavras de António Barreto - presidente da Comissão das Comemorações do Dia de Portugal - sobre a temática.
E há os que não regressaram, ESTES, que estão enterrados no capim denso do cemitério 'dos colonialistas' de Mueda, em Moçambique. E dos quais já nem nos lembramos de reconhecer a justiça de obrigar o Estado que os levou vivos a trazê-los mortos.[1211.] Iovis dies
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
[1209.] Mercurii dies
O líder do maior partido da oposição, Pedro Passos Coelho, na passada sexta-feira, 5 de Novembro, em Viana do Castelo, (num entusiasmo pré-eleitoral?) defendeu que “aqueles que conduzem a maus resultados e a incumprimentos” – agentes políticos enquadre-se – “devem ser responsabilizados civil e criminalmente”. Estas declarações surgem como corolário de uma semana marcada pela viabilização do orçamento de Estado para 2011, com a abstenção do PSD, e ao mesmo tempo, e estranhamente, na opinião dos especialistas, marcada pelo aumento do juro da dívida soberana portuguesa e pela agressividade discursiva do PSD no debate do orçamento… que viabilizou.As declarações de Pedro Passos Coelho foram imediatamente contestadas pelo porta-voz do Partido Socialista, que as classificou como “indignas e irreflectidas”. Também Vieira da Silva, ministro da Economia, se apressou a acusar Pedro Passos Coelho de falta de conhecimento das regras do Estado de Direito, “onde todos, sem excepção, estão sujeitos à lei”.
Se as declarações de Passos Coelho são incendiárias, as dos representantes do PS e do Governo são incompreensíveis. Passos Coelho terá usado de uma demagogia primária, ao dizer o que o povão há muito sussurra, e terá recorrido a um argumentário populista – esquecendo (ou procurando fazer esquecer?) que a cumplicidade também é criminalmente punível. Mas não será a ideia descabida, apenas, a quem tem alguma coisa a temer?
Marcelo Rebelo de Sousa criticou o momento escolhido pelo líder dos social-democratas para proferir este tipo de considerações, mas – talvez colocando a borla de académico constitucionalista – não deixa de salientar que já há institutos jurídicos que responsabilizam criminalmente os políticos. “Há mesmo um crime de violação das normas de execução orçamental” terá dito o constitucionalista no seu programa televisivo de comentário politico, acrescentando: “pode alargar-se os crimes de gestão danosa”. Para logo acrescentar: “Eles existem na lei, a aplicação na prática é que tem sido muito discutível!”.
Uma ética de responsabilidade – na actual conjuntura sociológica da realidade ocidental de esgotamento e falência do conceito de autoridade – só se consegue imprimir pela força e pela criminalização. A lógica da imunidade parlamentar para uso livre de uma retórica exacerbada devia ter acabado com a falência do parlamentarismo rotativista do fim da Monarquia e da Primeira República. O dolo e a negligência, na gestão da res publica devem ser tão censuráveis como em qualquer outra dimensão social do homem que vive em comunidades. E é por aí que segue o primado da lei e a igualdade formal dos homens perante a lei. Porque razão é punido um profissional que agiu com negligência na sua acção laboral e não é punido um deputado que produziu uma lei danosa para a comunidade? Dirão sempre alguns que a urna eleitoral julga os maus políticos. Julgará? Será isso verdade? Será o direito plebiscitário da simpatia eleitoral justo? Será sequer direito?
A maioria de esquerda do Parlamento da Islândia, em 28 de Setembro de 2010, aprovou uma moção que determinava a apresentação a tribunal especial do primeiro-ministro que levou o país à bancarrota, o conservador Geir Haarde, por alegada negligência no que resultou no colapso bancário de Outubro de 2008. Dias antes foi tomada idêntica medida relativamente a três outros dignitários do Governo de Haarde – o ministro das Finanças, do mesmo Partido da Independência que o chefe do Governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do partido social-democrata, e o ministro do Comércio.
A responsabilização – seja criminal ou meramente civil – dos políticos, como se vê, não é um exclusivo da Direita ou da Esquerda. Trata-se, acima de tudo, de um sinal dado à classe política – islandesa, portuguesa, ou outra qualquer – “de que a imunidade política pouco vale quando o interesse nacional está em jogo”. Se até um voluntário pode ser responsabilizado criminalmente pelos seus actos, porque razão não o é um politico? A quem, tantas e tantas vezes – apesar das excepções – falta sentido de Serviço e sobeja ganância?
Por questões de espaço, a versão impressa do Editorial do Jornal da Mealhada de 10.11.10 foi (consideravelmente) adaptada relativamente a este texto.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
[1208.] Marti dies
I Have a Dream, Martin Luther King
by Will.I.Am
Hoje, Dia Mundial Contra o Racismo!
domingo, 7 de novembro de 2010
[1207.] Solis dies
OS PILARES DA TERRA
A adaptação do best-seller de Ken Follet por Ridley Scot
A TVI está a divulgar a informação de que a série "Os Pilares da Terra", realizada por Ridley Scot, estreia amanhã. A informação está no site, mas não está na programação... Em noite de Futebol, espero que não haja confusões.
Trata-se de uma estreia pela qual aguardo há vários meses. O tema interessa e até deu para imaginário do V. ACANUC, na Rebordosa em Julho passado. Uma série (em 8 episódios?) a não perder. Infelizmente marcada para as segundas-feiras!
[ADENDA - 08.11.10] - Aconteceu o que se temia. A série, apesar de anunciada, no próprio anuncio da TVI como "faz-se história em televisão", não foi para o ar. A TVI faz história não cumprindo o que promete, se calhar é isso! Palhaços!
sábado, 6 de novembro de 2010
[1206.] Saturni dies

Hoje, dia 6 de Novembro, assinala-se, pela segunda vez desde a sua canonização, em 26 de Abril de 2009, pelo Papa Bento XVI, a solenidade de São Nuno de Santa Maria, o Santo Condestável.
Em Saturni dies, dia de poesia, fica o poema ‘Nuno Alvares Pereira’, inscrito na Mensagem, de Fernando Pessoa. Um poema bonito, forte e muito encorajador, que remata com uma imagem muito bonita e especialmente inspiradora em momentos de crise e desalento nacional: «Ergue a luz da tua espada, para a estrada se ver!».
Nuno Alvares Pereira
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!
MENSAGEM, de Fernando Pessoa
Não vivemos uma crise tão severa e tão brutal como a de 1383-1385, na qual Nuno Alvares Pereira teve um papel importante e, também ele, foco de esperança, de alento e de santidade. Mas faz sentido lembrarmos o seu testemunho de bravura, de coragem, de clareza, de determinação, de ambição, de santidade e de não-resignação perante as agruras do caminho.
Ala Arriba!
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
[1205.] Veneris dies
Odete Isabel
Amanhã, 6 de Novembro, passam 174 anos sobre a criação, por decreto de Mouzinho de Albuquerque, assinado pela Rainha D.Maria II de Portugal, do concelho da Mealhada. Ao longo destes quase dois séculos, e acompanhando os rebuliços da história de Portugal foram alguns os homens que dirigiram os destinos deste Município, certamente sempre imbuídos do espírito de serviço público, de promoção da qualidade de vida e de bem-estar dos seus concidadãos. Não são do domínio público generalizado o nome de todos eles uma vez que, em 8 de Novembro de 1880 um incêndio na Câmara destruiu 44 anos de registos históricos municipais.A primeira vez em que todos os mealhadenses puderam votar e escolher um presidente da Câmara, nas primeiras eleições democráticas para o poder local, em 1976, escolheram uma mulher, a lista mais votada foi a do Partido Socialista, encabeçada por Maria Odete dos Santos da Isabel.
Odete Isabel, mealhadense da Póvoa, licenciada em Ciências Farmacêuticas e a trabalhar nos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi a primeira presidente da Câmara da Mealhada eleita democraticamente. Foi, também, a única. Cumpriu apenas um mandato e só mais tarde, em 1999, é que outra mulher tomaria o lugar de vereadora na Câmara da Mealhada.
Reza a lenda que dirigiu a autarquia numa altura conturbada. Para além do Processo Revolucionário Em Curso ela e a sua equipa acabaram por ensaiar um modelo de gestão descentralizada do Estado que até essa altura era completamente incipiente. Terão tomado nas mãos um concelho – como quase todos os do país, nessa altura – onde a luz eléctrica não estava generalizada, com uma rede viária municipal precária, com problemas de coesão, entre muitos outros que pessoalmente não consigo já identificar.
Uma grande senhora da Democracia, que hoje saudamos e homenageamos!
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
[1204.] Iovis dies
"A Morte de Sócrates"[1203.] Dia Vencido 03.11.10

Depois de uma longa novela política, o Orçamento Geral do Estado foi ontem aprovado, na generalidade, com os votos a favor do PS, os votos contra do PCP, BE, CDS e PEV, e a abstenção do PSD.
Apesar de viabilizar o Orçamento, com a abstenção, o PSD foi duro nas criticas e chegou mesmo a falar-se que as informações dadas aos mercados estavam a ser contraditórias.
Uma coisa resulta de todo este processo: Já é só o pragmatismo que governa Portugal. Os partidos políticos, mesmo a oposição, resignaram-se ao pragmatismo de fazer o que tem de ser feito, independentemente do que poderia considerar-se correcto.
E o pragmatismo é coisa perigosa. Porque, em última análise, a suspensão da Democracia, em nome do pragmatismo resulta na mais descaracterizada das ditaduras, a do pragmatismo, ele mesmo!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
[1201.] Americana

Dos resultados de ontem pode dizer-se que o estado de graça de Obama acabou. Os republicanos venceram as eleições intercalares, conquistaram a câmara baixa do Congresso - a Câmara dos Representantes - e por pouco não conseguiam garantir uma maioria no Senado. O Partido Democrata, no entanto, conseguiu manter a maioria no Senado com 51 senadores democratas, face a 47 republicanos.
O mandato de Obama até aqui está, segundo alguns garantem, aquém das expectativas que os americanos formularam, e que, desde sempre, se percebeu que era exageradas. Houve problemas que não conseguiu resolver e a sensação que dá - pelo menos a nós europeus - é que a sua grande obra até agora, o Sistema Nacional de Saúde, não agradou tanto aos americanos como seria de esperar. Daqui para a frente a coisa não vai melhorar, até porque Obama vai estar condicionado pela necessária negociação que vai ter de fazer com os Representantes republicanos.
Acontece que estes republicanos já não são os de John McCain, que apesar de ter Sarah Pallin como vice-presidente, era um moderado. Os republicanos, agora, têm ao seu lado o 'Tea Party Movement' - uma facção demagógica, populista, ultra-conservadora de contestação generalizada a impostos, ao governo federal, é anti-capitalista, isolacionista e anti-imigração, com certas franjas de apoiantes completamente lunáticas, mas genuinamente americanos e populares.
Luís Naves, no blogue Albergue Espanhol, afirma o seguinte:
«A política americana deverá mudar nos próximos dois anos, embora com esta vitória mitigada seja difícil perceber para onde irá o país. A América será talvez uma nação mais impaciente e dividida; menos interventiva no mundo, apesar de não se poder dar a esse luxo; mais fechada e intolerante; mais desigual. Podemos esperar dois anos de impasse e talvez até de paralisia.
O Tea Party é também um movimento baseado num novo tipo de comunicação. Os media tradicionais deixaram de controlar a sociedade e a fragmentação criou um tipo de especialista que pode transmitir as mensagens mais alucinadas a uma audiência limitada, mas com uma força que os meios tradicionais não tinham.
As milhares de organizações locais funcionam em rede e de forma descentralizada. Parece cacofonia, mas é na realidade um mecanismo inovador, barato e altamente eficaz, embora só possa ser mantido por escasso tempo e para conseguir um determinado efeito com base numa ideia simples. Neste caso, os eleitores querem que os políticos funcionem de outra maneira, querem "mudanças em Washington". E, não tarda muito, acho que vamos começar a ver estas ideias também por aqui, só que em vez de Washington os protestos vão referir Lisboa ou Bruxelas.»
A ver vamos...
A Campanha das Mid-terms não teve o impacto e o brilhantismo da de 2008. Mas de qualquer forma está aqui um exemplo de um anuncio do Partido Democrata, apelando ao 'Não Voto' Republicano. Ao dar com isto lembrei-me que seria fácil os estrategas do PSD copiarem o modelo para as hipotéticas eleições legislativas da Primavera de 2011. Mas depois, dei por mim a pensar que, em Portugal, mesmo com o tom ácido com que tem sido vivida a política nacional e recitado o discurso parlamentar, provavelmente nunca o nosso pudor daria azo a este tipo de campanha. Mesmo que fosse merecida e justa!
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[1202.] Mercurii dies
1. Orçamento do Estado para 2011
A análise sobre o que se passa na cabeça dos dignitários do Estado nem sempre é de fácil compreensão para os cidadãos. Dificilmente algum dia perceberemos – mesmo que os protagonistas um dia o procurem explicar – o que se passou verdadeiramente nas últimas duas semanas no âmbito da negociação entre Governo e PSD para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011.
A forma como os partidos da oposição foram pressionados para aprovar o documento antes mesmo de o conhecerem, a forma como o documento foi apresentado, a forma como decorreram as primeiras negociações e de como acabaram sem acordo, o conteúdo da reunião do Conselho de Estado de 29 de Outubro, as pressões do Conselho Europeu, as reuniões secretas em casa de Catroga, tudo isso, situado na estratosfera da Alta Política nos faz pensar, eventualmente até especular sobre o que se passou na verdade, que pressões foram realmente valorizadas, quem ganhou e quem perdeu, de facto. Provavelmente teremos de esperar pelas biografias política de alguns dos protagonistas, eventualmente por alguma entrevista. De qualquer forma há curiosidade em perceber “o que foi isto!”.
2. Política no feminino
Dilma Roussef, candidata do Partido dos Trabalhadores à presidência da República Federativa do Brasil é a primeira mulher eleita para a Chefia do Estado do maior país da América Latina, uma República com 121 anos. A antiga guerrilheira marxista, antiga ministra das Minas e Energia de Lula da Silva, e, mais tarde, sua ministra da Casa Civil e braço direito do presidente metalúrgico torna-se a 17.ª mulher no mundo – na actualidade – a exercer o cargo de Chefe de Estado ou de Governo. Em 192 países da ONU, hoje, apenas 16 são governados por mulheres ou têm mulheres na chefia do Estado.
O que não deixa de ser curioso é que Dilma Roussef tornar-se-á, a partir de 1 de Janeiro de 2011, na líder do maior país da América Latina e na 11.ª mulher a ocupar um lugar na chefia do Estado de um dos 33 países deste subcontinente. Desde 1974, altura em que na Argentina Isabel Peron sucedeu ao marido, já mais dez mulheres ocuparam cargos de chefia de Estado. No caso da Argentina, até mais do que uma vez.
Também na Europa há casos dignos de registo como na Finlândia e na Irlanda – em que mulheres já sucederam a mulheres e em que Chefe de Estado e Chefe de Governo eram, igualmente, mulheres. Seria desonesto não lembrar, ainda, que no Reino Unido, na Holanda e na Dinamarca, a Chefia de Estado cabe uma rainha. Registo também para os poucos casos na Europa em que as mulheres ocuparam chefia de Governo pelo menos uma vez (Ângela Merkel, na Alemanha, Edit Cresson, em França, e Margaret Thatcher, no Reino Unido).
E a análise remete-nos, então, para Portugal. Portugal que nunca teve uma Presidente da República. Que em quarenta anos de igualdade formal de género teve apenas uma candidata a Presidente da República, Maria de Lurdes Pintassilgo, que, por sua vez, havia sido a única portuguesa a exercer o cargo de primeira-ministra (apesar de ter sido nomeada num Governo de iniciativa presidencial). Portugal que em trinta e seis anos de democracia teve apenas duas mulheres na liderança de partidos políticos, Maria José Nogueira Pinto e Manuela Ferreira Leite, sendo esta a única a, em tese, poder considerar-se candidata a primeira-ministra.
Quatro anos depois da Lei das Quotas para o exercício de cargos políticos, o que é que mudou em Portugal.
3. Festas e aniversários
As medidas de austeridade não nos obrigam a deixar de festejar e de assinalar com expressividade as datas que fazem parte do nosso património identitário. Mais importante do que o gasto que se faz é o valor pedagógico, intrínseco e comunitário que as acções comemorativas preconizam.
Na semana em que com o Congresso Internacional sobre a Batalha do Bussaco terminam as comemorações dos duzentos anos do 27 de Setembro de 1810, e termina o mês de Outubro, o das comemorações do Centenário da República é tempo de pensar nas próximas festividades – mesmo que feitas em clima de austeridade.
No próximo sábado, 6 de Novembro, assinala-se o 174.º aniversário da criação do concelho da Mealhada. Ou seja, dentro de um ano, observar-se-á o seu 175.º aniversário, uma data “redonda” e propícia à evocação do melhor do nosso espírito identitário. A um ano de distância fica a sugestão, para que alguém vá pensando no assunto sem ter o argumento de que ninguém tinha avisado.
Editorial do Jornal da Mealhada de 3 de Novembro de 2010
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terça-feira, 2 de novembro de 2010
[1197.] Hoje
[1200.] Marti dies
«A Mi Manera»
Gipsy Kings cantam «A Mi Manera», uma adaptação do My Way, tema celebrizado por Frank Sinatra.
Ofereceram-me um CD com esta música em 1996/1997, por aí, e ouvi este tema centenas de vezes. No outro dia senti saudades. Aqui está!
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[1199.] Imagens à minha volta
I.
Há mais de um ano que periodicamente vou a Cercosa, uma freguesia no sudeste do concelho de Mortágua. E desde a primeira ou segunda vez que lá fui, vindo do Vale de Ana Justa, reparei na inscrição que está colocada no portão do cemitério: «Aqui te espero».
A informação é arrepiantemente engraçada! E digna de resgisto, hoje, Dia dos Fieis Defuntos.
No cemitério da Marmeleira, a localidade fronteiriça a norte, também lá há uma inscrições engraçadas e no cemitério de Vilarinho do Bairro, a informação de que os cavalheiros devem tirar o chapéu antes de entrar também é digna de resgisto. Lá passando, com tempo, a ver se registo a imagem. Para já fica esta.Também em Cercosa, no centro da localidade, o Largo onde está o minimercado e uma taberna tem um nome curioso! «Largo do Senhor da Paciência»! Eu nem sabia que havia um 'Senhor da Paciência'... Mas até que fazia falta, porque a Paciência é uma das Sete Virtudes e faz sentido preservá-la. Não sei se é o patrono de Cercosa, mas bem podia ser!
Cercosa
Concelho de Mortágua
[1196.] Hoje

Confesso que fiquei completamente escandalizado com a Grande Reportagem que a SIC passou ontem à noite. O cemitério onde estão os soldados portugueses mortos na Guerra do Ultramar, em Mueda - no norte de Moçambique -, está completamente abandonado, cheio de capim e árvores.
Fiquei horrorizado com a informação e completamente solidário com a estupefacção dos familiares dos três soldados citados ao verem o local onde estão os seus entes queridos sepultados (abanonados).
Na nossa cultura ocidental, o culto dos mortos é muito importante. Acima de tudo para os vivos que têm de prosseguir a sua vida, fazendo o seu luto para que tudo regresse à normalidade. Saber que os seus familiares estão sepultados naquelas condições é dramático, mesmo que já tenham passado quatro décadas.
Não me sai da cabeça a interrogação dos irmãos de um deles: "O nosso irmão está nesse sítio?". "Se o levaram para lá, tinham obrigação de o ter trazido!", responde outro.
E é verdade! Seja o Estado, seja a Liga dos Combatentes tem obrigação de os trazer para cá ou comprar o terreno onde está o cemitério e tratá-lo com a dignidade que merece quem morreu pelo que a Pátria o obrigou a defender.
Um país que não honra os seus mortos, não merece ser respeitado!
Grande Reportagem SIC
«Esquecidos», exibido em 01.11.10
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[1195.] Hoje e ontem...
As palavras têm os seus significados e os dias também.É, aliás, esta máxima que procura ser sublinhada neste blogue.
O dia 1 de Novembro é, para os católicos (apostólicos romanos) o 'Dia de Todos os Santos'. Por sua vez, o dia 2 de Novembro é o 'Dia dos Fiéis Defuntos'.
São dias distintos. E com missões 'catequéticas' diferentes. Como o primeiro é feriado e o segundo é o mais querido pelas pessoas que não esquecem os seus entes queridos, quase todos fazem no feriado o que deviam fazer no dia 2. E faz sentido, mas a utilidade não deve, no entanto, suplantar a intenção que preside à criação destas duas solenidades.
«A festa do dia de Todos-os-Santos [1 de Novembro] é celebrada em honra de todos os santos e mártires, [re]conhecidos ou não. A Igreja Católica celebra a Festum omnium sanctorum a 1 de novembro. A Igreja Ortodoxa, por exemplo, celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa. Na Igreja Luterana o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou.»
«Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apóia em uma prática de quase dois mil anos.»
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
[1194.] Lunae dies
domingo, 31 de outubro de 2010
[1198.] Hoje
A primeira vez que eu vi esta coisa dos 'Bolinhos e bolinhós' foi em Coimbra, ali à volta do 31 de Outubro, algures entre as Amarelas e o Moçambique - essa saudosa casa de jogos onde hoje se come uma pizza fantástica da Diana e do Ovelha. Eram uns putos com umas caixas de papelão recortada com uma carantonha com uma vela lá dentro... Nunca achei grande piada áquilo... Os miudos pediam moedas ou doces, não sei bem.
No outro dia, enquanto investigava na wikipédia - será possível? - por causa da tradição dos 'Fiéis Defuntos' descobri que essa tradição dos 'bolinhos e bolinhós' apesar de menos popular é mais antiga do que o Halloween que a tradição anglo-saxónica e o espirito consumista nos fez exultar.
Aqui está o que pude ler, a fonte vale o que vale:
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
[1192.] Mercurii dies
A frase é atribuída a John F. Kennedy, presidente-mártir dos Estados Unidos da América, que ocupou a Casa Branca de 1961 a 1963: “Não perguntes o que pode o teu país fazer por ti, mas o que podes fazer tu pelo teu país!”. A expressão está a completar meio século desde que foi proferida pela primeira vez e é especialmente citada em fases complicadas da vida das sociedades ocidentais, desde então.
O dito serve, desde há poucas semanas, sob a forma de desafio, para os jornalistas da emissora TSF ajudarem na exortação à resiliência e à esperança e dos portugueses. Para tal, têm perguntado a figuras públicas nacionais – na maior parte dos casos ligadas à acção política e cívica – “o que pode cada um fazer pelo país?”.
As respostas só surpreendem por serem quase todas iguais… Os entrevistados, por norma, começam por dizer que o que podem fazer é o que já fazem. E começar com um auto-elogio quase nunca é bom sinal – até porque, pelo que se tem visto, o que tem sido feito, sendo bom estará longe de ser o necessário e o adequado para que vivamos a nossa vida colectiva com tranquilidade e prosperidade.
Ao ouvir estes depoimentos no rádio, várias conclusões – quase todas negras, ou pelo menos cinzentas – nos assolam. Em primeiro lugar os nossos lideres estão auto-satisfeitos e isso é meio caminho andado para a resignação. Em segundo lugar, reconheça-se que os efeitos não serão todos positivos e que se calhar ou estamos a fazer pouco pelo país, ou estamos a fazer mal, ou então não estamos a fazer o que devia ser feito.
As épocas de crise são óptimas oportunidades de mudança – mudança de comportamento, mudança de atitudes, mudança de vida. Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, especialmente em períodos críticos da vida do seu país, terá dito que as catástrofes, para um optimista, eram sempre grandes oportunidades e factores de esperança. Mas também não interessa mudar só por mudar – e como estamos em maré de citações – nem “mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma”, como escreveu Tomás de Lampedusa em ‘O Leopardo’.
É esse novo rumo que nos falta descobrir. Um novo rumo que poderá não ser necessariamente ou estritamente político. Um novo rumo que nos faça sermos, individualmente, promotores de esperança junto dos que nos rodeiam. Um novo rumo que nos faça ser bons cidadãos, bons pais e mães, bons filhos, bons amigos, bons profissionais, bons vizinhos, bons colegas, bons ouvintes, sermos simplesmente bons. Um novo rumo que nos faça acatar a autoridade dos mais velhos, dos professores, dos mais sábios, sem subserviências nem autoritarismos. E acima de tudo um novo rumo cheio de sentido de acção, de intervenção, de militância, de luta e defesa dos valores que acreditamos, pelo incentivo ou pelo exemplo "desse serviço".
Editorial do Jornal da Mealhada de 27 de Outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
[1191.] Marti dies
Fado Notário
Deolinda
Para ver se o dia anima!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
[1190.] Lunae dies
Gostava que a acção política, tal como a conhecíamos, tivesse acabado com este momento...
Parece-me que, para além de PSD e de Governo, à mesa das negociações está... Água de Luso... mas parece que tiraram os rótulos das garrafas... Terão sido nervos, ou o medo de má publicidade?
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
[1189.] Reflexões Peregrinas #7
[1187.] Iovis dies
Joaquim Rodrigues Braga (1793 - 1853)
Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Portugal
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
[1188.] Reflexões Peregrinas #6
Há Missão no Caminhar!
Uma missão que não é de super-heróis, mas uma missão de quem caminha consigo próprio. 'Fazer o caminho' é uma expressão interessante que une as ideias de que "O mais importante não é chegar, é fazer o caminho!" com a uma outra ideia de que o "caminho se faz caminhando".
Mas é possível fazer o Caminho e não chegar?
Chegar é parte essencial da Missão. A vontade de chegar é o que faz caminhar, é o que faz resistir às advertências do corpo, à dor, a um sofrimento físico que é intenso. A Missão reside no facto de ter conseguido provar a si próprio que era capaz, que o adiar da desistência foi a escolha acertada.
E quando chegar, sentir o prazer de se sentir completo e pensar consegui cumprir esta missão.
Esta. Apenas esta. Porque há muitas outras e a maior parte das quais ainda nem descobrimos.
[1185.] Mercurii dies
O Orçamento do Estado português para 2011 parece estar mais próximo dos tratados de paz do conflito israelo-palestiniano do que de um instrumento de gestão e organização financeira e económica de uma República democrática europeia. Toda a comunidade exige aos beligerantes que cheguem a acordo e estabeleçam a Paz, mas nenhum deles estaria interessado em fazê-la não fossem as pressões e consequências internacionais da birra. Aliás, ambos declararam a Intifada, ambos falam de necessidade vital, ambos prefeririam e estão preparados para a guerra.
No caso, e perdoe-se a metáfora, os beligerantes são os dois maiores partidos políticos portugueses que, para usar uma imagem da história política portuguesa, estão “num pântano”, que é hoje a situação política nacional e entre “a espada e a parede”. Para o Governo o único aspecto interessante do Orçamento parece ser a oportunidade que este lhe está a proporcionar de ver os partidos da oposição a desdizerem tudo o que têm dito e, no fim, aprovarem, contrariados, um documento que classificaram de nefasto para o país. Para o principal partido da Oposição fazer cair o Governo poderia ser a oportunidade para chegar ao poder, numa altura em que já se começam a pressentir contestações internas pela demora do líder em chegar São Bento, com a consequente “partilha dos despojos”.
Não interessa saber qual dos dois protagonistas é a potência ocupante, nem qual é o revoltoso ocupado. A nenhum – do ponto de vista do interesse partidário simples – interessa que o Orçamento passe. Mas a pressão do Presidente da República (do que está em exercício, dos antigos e dos candidatos a futuro), da Comissão Europeia, da Banca, dos investidores estrangeiros, das Agências de Rating, e, pasme-se, até do Embaixador dos Estados Unidos, parece obrigar a que o Tratado de Paz seja mesmo assinado, mesmo que os signatários, contrariados, se olhem de soslaio à espera da desistência, na última hora, do parceiro de tango.
No momento que fechamos a presente edição [manhã de 19.10.10] não se sabe, ainda, qual o sentido de voto que a Comissão Politica Nacional do PSD e o Conselho Nacional do partido vão definir para a votação do Orçamento. Sem querermos ser profetas, antevê-se que os social-democratas apresentem um conjunto de modificações ao documento [20.10.10 - confirma-se!] que, a serem aceites pelo Governo resultem na abstenção do principal partido da oposição. Como a vontade é pouca, as propostas vão ser “puxadas” [20.10.10 - confirma-se! Os radicais do PS criticaram-nas severamente. Vitalino Canas disse que só cortavam na receita, ignorando que a extinção das PPP corta, fortemente, as despesas]. E como a vontade do Governo também é pouca, a negociação vai ser muito difícil [20.10.10 - confirma-se! O porta-voz classificou as propostas do PSD de inaceitáveis] e lenta [20.10.10 - confirma-se! A Conferência de líderes no Parlamento adiou para 2 e 3 de Novembro a votação do documento]. No fim as exigências vão ser, genericamente, aceites. E o tratado de paz vai ser assinado, ou seja, o orçamento passa. Mas será apenas isso, porque esta guerra – como a do Médio Oriente – vai continuar até que um dos beligerantes tombe.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
[1186.] Reflexões Peregrinas #5

Caminhar é desprendimento.
E desprendimento é des-apego. É desagarrar. É um soltar desinteressado, humilde, simples, quase de purificação.
E desprendimento é generosidade, é magnaminidade. É ser maior, por se fazer mais pequeno. É ser mais que a aparência, que o que se vê, para se ser sentindo.
E desprendimento é renuncia. É radicalidade, é acção, é pujança é querer ser como se tem que ser e não ser como impõem os cânones.
Se um estranho me testasse como Cristo testou Pedro e Tiago, que resposta daria eu? Viraria as costas e pensaria "É maluco"? Que outra motivação teria eu para pensar de outra maneira.
Nunca sabemos quando estamos a ser testados. Nunca sabemos o que é teste e o que é provação. Nunca somos verdadeiramente felizes até perder a felicidade que julgávamos não ter?
O Caminho também é assim. O Caminho doi mesmo quando não se pisa. Doi mesmo quando não há bolhas. Doi mesmo quando no conforto da casa vemos os peregrinos passarem à nossa porta, seja para sul seja para norte. E não fazer o caminho também pode ser um teste. Um teste que já falhámos à partida. Uma falha que é castigada, pela ausência de castigo e pela solidão.
O Caminho é uma solidão que doi mais quando não se vive.
Deixaram tudo e seguiram! E terão passado o teste?
[1182.] Reflexões Peregrinas #4
Na Estrada de Santiago
Madredeus
Na Estrada de Santiago
Madredeus
Carreiro
Deserto
Tão longe
E tão perto
Anseio
Secreto
Encontro
Mais certo
Caminha
Na estrada
De Santiago
Na estrada
Marcada
Por tanto passo
Ao longo
Dos séculos
Passaram
Milhões
A vista
Cansada
De tantas
Paixões
Percorre
A estrada
De Santiago
Estrada
Marcada
Por tanto passo
E como
Se sente
Tão Acompanhado
Se não vê
Mais gente
Nem tem
Ninguém ao lado
Caminha
Na estrada
De Santiago
Na estrada
Marcada
Por tanto passo
[1181.] Marti Dies
A Estrada da Montanha
Album 'Metafonia'
Madredeus & A Banda Cósmica
Através de comunicado à imprensa, é hoje divulgada a informação de que o projecto 'Madredeus & A Banda Cósmica' termina a sua existência na próxima segunda-feira, 25 de Outubro, quando for lançado o seu terceiro albúm "Castelo de Areia".
Pelo conteúdo do referido comunicado, percebe-se que o último albúm foi produzido no ano passado e que A Banda Cósmica terminou em Dezembro, por falta de meios. Não conseguiu perceber se Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade terminam, também, e definitivamente com os Madredeus.
Eu sou grande fã dos Madredeus. Deve ser das poucas coisas em que fui mesmo aficionado, de os ir ver a sitios longinquos e esquisitos, de ter os albuns todos, de acompanhar todas as movimentações durante a maior parte da sua vida. Confesso que com a saída de Teresa Salgueiro, Fernando Judice e José Peixoto, a coisa esmoreceu e apesar de gostar da sonoridade deste projecto com a Banda Cósmica - também porque admiro muitissimo Pedro Ayres Magalhães - nunca me mostrei muito disponível para lhes devotar a dedicação de outrora. Não tenho nenhum dos albuns desta segunda vida dos Madredeus que acabaram por ser, se calhar, mais uma estadia nos Cuidados Continuados do que uma vida real e concreta.
Hoje, com esta noticia, sinto um misto de tristeza, porque acabaram os Madredeus, mas também de alivio... porque já não eram os meus Madredeus!
Estes Madredeus:
A Estrada do Monte
Album Lisboa (ao vivo no Coliseu dos Recreios) de 1992
Madredeus
Uma das minhas músicas preferidas.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
[1180.] Hoje
Na vertente Britânia Continental da Tradicão Céltica, Cernunnos também assumia um importante papel como Consorte da Deusa Tríplice. O deus é também gentil com os animais silvestres. Na forma do Deus Cornudo, ele é por vezes representados por chifres em sua cabeça, que simbolizam sua conexão com tais bestas. Em tempos mais antigos, acreditava-se que a caça era uma das atividades regidas pelo deus, enquanto a domesticação dos animais era vista como voltada à deusa.
Os domínios do deus incluíam as florestas intocadas pelas mãos humanas, os desertos escaldantes e as altas montanhas. As estrelas, por serem na verdade sóis distantes, são por vezes associadas a seu domínio.
Símbolos normalmente utilizados para representá-lo ou cultuá-lo incluem a espada, chifres, a lança, a vela, ouro, bronze, diamante, a foice, a flecha, o bastão mágico, o tridente, facas e outros. Criaturas a ele sagradas incluem o touro ,o cão, a cobra, o peixe, o dragão, o lobo, o javali, a águia, o falcão ,o tubarão, os lagartos e muitos mais.
[1183.] Reflexões Peregrinas #3

Caminhar é encontrar. Mas num acto em que só encontra quem procura. Dificilmente aquele que não se dispõe a procurar encontrará seja o que for.
Tal como estes dois caminhantes de Emaús se cruzaram com Cristo, falaram com Ele, responderam a perguntas que Ele lhes colocou e não o conseguiram reconhecer.
O Caminho também é assim. O Caminho dá-nos respostas, assim saibamos nós saber fazer as perguntas.
O Caminho encontra-nos, se nos tivermos predisposto a procurar!
Se tivermos deixado tudo para o Seguir!
[1184.] What can you do for your country...
- Serem promotores de esperança junto dos que os rodeiam;
- Serem portadores de sentido de acção, de intervenção, de militância, de luta e defesa dos valores que acreditam, pelo incentivo ou pelo exemplo "desse serviço" de intervenção, de acção pelo que acreditamos;
- Serem bons cidadãos, bons pais e mães, bons filhos, bons amigos, bons profissionais, bons vizinhos, bons colegas, bons ouvintes, serem simplesmente bons.
domingo, 17 de outubro de 2010
[1179.] Reflexões Peregrinas # 1
(Gen 12, 1-2)
sábado, 16 de outubro de 2010
[1178.] O Orçamento
«Não há quem perceba! Fazem-se apostas: O que é que o PSD vai fazer? Vai votar a favor? Vai abster-se? Vai votar contra?
Ó senhor deputado: O que lhe quero dizer é que esta incerteza é negativa para o país. E, portanto, se lhe posso dizer alguma coisa neste momento, é que é momento de o PSD terminar com o tabu! Terminem com o tabu!»
Miguel Macedo ainda respondeu ao primeiro-ministro dizendo-lhe que se tinha pressa que apresentasse o orçamento mais cedo e que o PSD não iria pronunciar-se sobre um documento que não conhecia.
O dia 15 de Outubro é o último dia do prazo que o Governo dispõe para apresentar o Orçamento de Estado na Assembleia da República. Durante a manhã, José Sócrates insurgia-se pelo facto de o PSD ainda não ter dito de que forma iria votar o documento que ainda não conhecia, mas só às 23h 25m ( 35 minutos antes de o prazo terminar) é que o Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, entregava duas pens, supostamente, com o Orçamento de Estado para 2011. Isto depois de sucessivos adiamentos e dos representantes dos partidos andarem a tarde toda à espera do documento.
Afinal as pens não traziam o Orçamento, traziam o articulado da Proposta de Lei do Orçamento, mas os Mapas e os documentos de apoio, os numerozinhos que são o Orçamento... nada, nem vê-los. Só no dia seguinte (hoje, portanto) de manhã é que os tais mapas seriam entregues e só hoje, às 15 horas é que o Ministro das Finanças fazia uma apresentação pública - aos portugueses, "aos mercados" e às "agências de rating" - do documento..
Está bom de ver que, na manhã de sexta-feira, 15 de Outubro, não só o PSD não conhecia o documento sobre o qual o Primeiro-ministro exigia que se pronunciasse, como o próprio Primeiro-ministro não o conheceria, por que o documento, pura e simplesmente, na manhã de sexta-feira ainda não estava pronto!
É preciso ter muita lata!
ADENDA!
18.10.10 - 11h
O CDS denuncia que falta pelo menos um Mapa no Orçamento... Quer dizer, faltar não falta... O Governo repetiu o Mapa do ano passado referente às transferências para as Empresas Públicas... e logo este mapa! Talvez colasse... se os partidos não precisam de ler o documento para definirem se o aprovam ou não aprovam - como sugeria o PM na sexta-feira de manhã, também nem vão notar que o mapa das transferências para as empresas públicas é o do ano passado!
18.10.10 - 17h 20m
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (não é o Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, é mesmo o dos Assuntos Fiscais), Sérgio Vasques, reconhece ao Jornal de Negócios que o Orçamento tem erros que vão ser corrigidos.
Um quarto de hora antes, era a Ascendi, da Mota Engil, um fornecedor, portanto, que informava o Jornal de Négócios que o quadro da "reposição do equilibrio financeiro da empresa" também estava errado!
19.10.10 - 16h 50m
Hoje de manhã, quando estava a escrever isto, tendo-me informado com um Deputado da Nação, percebi que "o Mapa que elenca as transferências do Estado, através do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, para despesas de funcionamento de estruturas autónomas como a Fundação Mata do Bussaco – à hora do fecho desta edição, na manhã de terça-feira, 19 de Outubro – não tinha ainda dado entrada na Assembleia da República, nem, por maioria de razão, havia sido distribuído aos deputados da Comissão de Agricultura. Pelo que, não é, ainda, conhecido o valor que o Estado entregará à Fundação responsável pela Mata Nacional do Bussaco para as suas despesas de funcionamento na missão que, o próprio Estado, legalmente lhe conferiu".
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
[1176.] Marcha dos Combatentes da Rotunda
Marcha dos Combatentes da Rotunda
O Vitorino é, provavelmente, um dos mais interessantes e bem-sucedido poetas, compositores e cantores de pendão nacionalista. O que prova aos ignorantes que o Nacionalismo não é um exclusivo da Direita e que na Esquerda também há uma forte corrente nacionalista, acima de tudo, em Portugal, sempre defendida pelo PCP.
Não sei se Vitorino é o autor da letra, mas "Queda do Império" é um tema lindissimo. A forma como tem celebrizado a "Maria da Fonte" - uma marcha proto-revolucionária contra o cabralismo - é extraordinária. Agora, talvez com a comemoração do centenário da República, apareceu com a "Marcha dos Combatentes da Rotunda". Também não conheço o autor da letra, nem se é inédita ou não, a internet também ainda não parece dispor dessa informação... Mas que é bonita é. O videoclip, aqui publicado, também está muito inteligente.
Ouvi esta música como genérico da série "O Segredo de Miguel Zuzarte", exibida na RTP1 em 9 e 10 de Outubro, a adaptação de Pedro Lopes à obra homónima de Mário Ventura. E gostei logo, desde aí!
Parabéns!
Nota histórica: A Rotunda é a actual Praça Marquês de Pombal (cujo monumento só lá está desde 1934). Em 1910 a Rotunda era quase um dos limites da cidade de Lisboa e foi lá que, cerca de duzentos revolucionários republicanos se entricheiraram nas vésperas do 5 de Outubro. Apesar de estarem a ser bombardeados pelas tropas, lideradas por Paiva Couceiro, conseguiram resistir até ao final dos confrontos e à Proclamação da República às 9 horas da manhã de 5 de Outubro. Os revoltosos foram liderados pelo Oficial da Armada António Machado dos Santos, depois do Almirante Cândido dos Reis se ter suicidado. Machado dos Santos, - que viria a ser figura proeminente da I República, foi Ministro do Interior no tempo de Sidónio Pais, pese embora ter sido assassinado em 19.10.1921, na Noite Sangrenta, juntamente com António Granjo (primeiro-ministro) e Carlos da Maia - ficou conhecido como o Herói da Rotunda.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
[1175.] Eu voto CAVACO!
As Eleições Presidenciais estão marcadas. Realizar-se-ão a 23 de Janeiro de 2011. Daqui a 102 dias. Tudo indica que o actual detentor do cargo, Aníbal Cavaco Silva, se recandidate. O professor de Finanças que é, também, o português que mais tempo tem acumulado de exercício de funções políticas - o que lhe confere grande experiência, tem consciência do cargo que exerce e sabe que não pode escolher a data para o anúncio da sua recandidatura de ânimo leve.Cavaco Silva sabe que no dia em que confirmar ao país que é candidato, perante os olhos dos seus adversários e dos seus oponentes, e, também, perante a comunicação social - filtro importante entre ele e os portugueses -, deixará de ser o Chefe de Estado para passar a ser o candidato presidencial e isso vai trazer-lhe dificuldades acrescidas e uma espécie de perda de legitimidade (pelo menos subjectiva).
Compreende-se que não quisesse anunciar a sua candidatua antes das comemorações oficiais do Centenário da República - teria de fazer um discurso de Estado de forma limpa e clara. O que poderia não ser tão fácil de perspectivar é o que hoje se conhece como o tabu do Orçamento. Cavaco tem de apresentar a sua candidatura com alguma urgência, mas sabe que não o pode fazer antes de saber se vai ter de aceitar a demissão do Governo ou não. Como homem de Estado que é sabe que nos procedimentos que vão ter de ser tomados no caso de o Governo se demitir - a auscultação aos partidos politicos, o convite ao partido maioritário para formar novo governo, etc., etc., etc. vai ter de ser feitos sem mácula e na plenitude da legimitimidade objectiva e subjectiva do Chefe de Estado. No caso de o Orçamento não passar e do Governo se demitir, é possível que o processo se arraste pelo menos por mais um mês... Deixando Cavaco Silva com muito pouco tempo para se apresentar, montar e fazer campanha.
Os timmings que se apresentam a Cavaco Silva são muito dificeis, e não se percepciona nenhuma vaga de fundo a pouco mais de três meses das eleições presidenciais. O que não deixa de ser preocupante!
Apresente a sua candidatura quando apresentar, uma coisa parece-me certa: Eu Voto Cavaco!
[1174.] Mercurii dies
A deposição e tratamento dos resíduos sólidos domésticos são problemas sérios das sociedades contemporâneas. As famílias hodiernas produzem quantidades enormes de lixo. Resíduos – em grande parte orgânicos – de que as famílias se querem ver livre, rapidamente. Para isso, tantas e tantas vezes, perante um caixote de lixo cheio – e muitas vezes cheio de caixas de papelão não espalmadas e de outros resíduos que deviam estar noutros locais – chegam a deixar os sacos com restos de comida na via pública, ou a arremessar os referidos sacos com esse material para terrenos baldios.

É fácil atribuir à Câmara Municipal a responsabilidade de, aos domingos à noite, nas ruas da cidade da Mealhada, os espaços que circundam os contentores de lixo doméstico serem autênticas lixeiras a céu aberto. Perante tal evidência, qualquer um seria capaz de decretar que o número de contentores é insuficiente. Então, o problema resolver-se-ia com mais contentores? Não cremos. Poderia também dizer-se que o problema é a falta de recolha de lixo doméstico ao domingo. Mas o problema vai muito para além disso.
Nalgumas regiões da Europa, em França por exemplo, não se vêem caixotes de lixo doméstico nas ruas. Prática que nos parece de aplaudir – os contentores de lixo doméstico são feios e custam dinheiro. Os moradores têm – em casa ou no prédio – um contentor, onde depositam o lixo doméstico, que só é colocado na rua a uma determinada hora – geralmente à noite – e posteriormente retirado, depois da passagem dos camiões de recolha, à hora marcada. Os contentores estão identificados e quem não os retirar é multado. As ruas mantêm-se limpas e, de certa forma, fica salvaguardada a saúde pública.
Se os franceses são capazes de ter o lixo em casa durante um dia inteiro, não são capazes os mealhadenses? O problema é de falta de educação cívica e, acima de tudo, de falta de urbanidade – característica de quem sabe viver em sociedade e em comunidades populacionais de tamanho significativo. E se ensinar os adultos a reciclar foi uma conquista, que surgiu como uma moda, e resultou de uma forte pressão na escola dos filhos, ensinar as famílias a gerir melhor os lixos domésticos vai ter de seguir o mesmo método. E rapidamente.
A rua, o espaço público, não é espaço de ninguém. É espaço de todos, é comum. Também não é espaço da Câmara ou da Junta de Freguesia. É espaço de todos, porque todos o utilizamos e (ainda) não pagamos impostos para isso. Não podemos todos ser prejudicados, na nossa saúde pública, com a falta de urbanidade de alguns (poucos, mas salientes).
Assim, se a situação não se resolver com a educação, resolve-se com a repressão e não se vê outra alternativa senão as entidades autárquicas aprovarem um regulamento através do qual sejam punidas, com multas e contra-ordenações, as pessoas que depositam lixo doméstico no chão, mesmo que ao lado dos caixotes de lixo, as pessoas que não depositarem o lixo doméstico devidamente ensacado, as empresas e estabelecimentos que não colocarem os caixotes de papelão, espalmados, no eco-pontos respectivos, entre outras. É de elementar urbanidade!
Editorial do Jornal da Mealhada de 13 de Outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
[1173.] Marti dies
CANTAR DE EMIGRAÇÃO
Poema de Rosália de Castro. Música de José Niza.
Aqui, pela voz de Adriano Correia de Oliveira
(...)
«Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
Coração
que tens e sofres
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará»







