segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

[1252.] Defendat me Deus a me! *

As crianças são poderosas 'esponjas' que absorvem tudo o que passa à sua volta - sejam palavras, acções, gestos, omissões. Fazem-no de tal forma que quando nos apercebemos do que 'lhes' mostrámos, temos (tantas vezes) razões para nos arrependermos.
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Este fim-de-semana fui 'acampar' com os meus exploradores. Não foi um acampamento, foi um acantonamento, mas o principio activo é o mesmo: Fomos em actividade de escuteiros, clássica!
Como em todas as actividades escutistas clássicas, na última noite, fazemos o Fogo Conselho, um espaço destinado a dar aos jovens asas na criatividade e na expressão artística, especialmente na música, na expressão dramática, por aí.
As Raposas - a patrulha Raposa só tem raparigas - apresentaram dois momentos teatrais (um sério e um cómico) inspirados nos Ídolos, o programa de televisão da SIC. Apresentaram duas peças com piada e com uma mensagem fácil de percepcionar. Não muito elaborada, mas reveladora.
Já os Lobos - a patrulha Lobo é a mais heterogénea - representaram um primeiro momento, banal, que disseram ser cómico, e depois, um segundo, que disseram ser sério, verdadeiramente desconcertante. Eu pelo menos dei por mim absorto com o que estava a ver.
O tema da Aventura anual é o 'Astérix'. Então a peça séria dos Lobos passava-se na aldeia gaulesa do Astérix. O personagem principal é um jovem que tem uma característica: É muito mentiroso. Para se safar das responsabilidades, das tarefas e das culpas, inventa sempre elaboradas mentiras que, quase todas, acabam por tramar a irmã mais nova. Irmã essa que acaba por ser uma vítima nas mãos do protagonista, ora porque é castigada pela mãe que acredita sempre no irmão, ou pelos professores que aceitam as mentiras em que ela acaba por ser sempre a culpada de tudo o que acontece ao irmão, etc. etc. etc. Chega a ser agredida pelo próprio protagonista quando esta ameaça que o vai desmascarar.

O protagonista cedo se apercebe que se as mentiritas que prega à mãe, aos vizinhos e professores 'colam', não haverá mal em avançar nessa escalada... O tempo passa e o protagonista torna-se um salteador, enriquece com o proveito dos roubos e safa-se sempre.
Portador da informação de que é avultada a maquia que se encontra nos cofres públicos da aldeia, com o dinheiro que roubou, ele acaba por ter condições para apresentar uma candidatura a chefe da aldeia dos gauleses. Candidata-se e ganha.
Consegue roubar o dinheiro todo dos cofres, deixando a aldeia na miséria, e no dia seguinte à tomada de posse foge. Nesse mesmo dia, a aldeia é invadida pelo exército romano, e acaba a aldeia dos gauleses irredutíveis.
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A história tem moral? Tem! É reveladora de um código de valores valorizado? É!
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Pois... mas sabem que nome é que tinha o protagonista?
Sócratix, precisamente!
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Procurei fazer um pouco de pedagogia junto dos miudos, fazendo-lhes perceber que se tratava do primeiro-ministro, uma pessoa que ocupa uma determinada responsabilidade e que teria de ser respeitada por isso. Que não deveríamos classificá-lo assim, como um mentiroso que se deu bem, só porque não concordamos com algumas das medidas que empreendeu.
E quem nem tudo o que ouvimos na televisão justifica que insultemos as pessoas - mesmos as que não conhecemos - desta maneira.
Dei por mim a fazer de advogado do Diabo - bastar-me-ia estar calado, fingir que não percebi, elogiar a criatividade... Mas chocou-me a forma como, hoje, informações depreciativas dos protagonistas, como a própria informação chega aos ouvidos dos nossos jovens.
Note-se que os meus exploradores têm entre 10 e 12 anos!
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Temos que pensar muito nisto!

* Que Deus me proteja de mim mesmo.
[EST. 21.12.10, às 00h20m]
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

[1251.] Natal_6

Antoni Gaudi
(1852 - 1926)
Pormenor da Árvore da Vida, na Fachada da Natividade,
na Sagrada da Família, em Barcelona

domingo, 5 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

[1245.] 4 de Dezembro de 1980. E se o avião tivesse chegado ao Porto?



E se o avião tivesse chegado ao Porto?

O blogue '31 da Armada' publica este documentário que resultou da parceria entre o Instituto Francisco Sá Carneiro e o IDL - Instituto Amaro da Costa. "Sem constrangimentos políticos ou preconceitos ideológicos", dizem. e eu subscrevo.

[1249.] Natal_4

Giotto di Bondone
(1266-1337)
Adoração dos Magos
(na Capela degli Scrovegni, em Pádua)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

[1244.] Pedido de rectificação enviado ao Semanário Mealhada Moderna

Exma Sr.ª Dr.ª Isabel Moreira, directora do Semanário Mealhada Moderna

Cordiais saudações,

Venho, por este meio, e ao abrigo da Lei da Imprensa, solicitar a V.Excia a amabilidade de, na próxima edição do semanário que superiormente dirige, rectificar a informação de que eu sou candidato ao Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro do Partido Social-Democrata. A informação consta de uma noticia na página 6 - com o título "Eleições para a Distrital do PSD - Concelhia "ratifica" escolhas para a distrital", e é comentada num artigo de opinião na página 25.

Tal informação não é verdadeira, ou seja, eu não sou candidato ao Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro do Partido Social-Democrata nem a nenhum outro orgão distrital nas eleições que se realizam hoje, 3 de Dezembro. Posso confirmar que tenho informação de que o meu nome foi indicado pelo PSD da Mealhada à candidatura do Engenheiro António Topa, posso confirmar que fui convidado, mas que recusei o convite, como aliás tenho feito a todos os convites de natureza politico-partidária que me têm sido dirigidos desde Janeiro de 2005.

Tenho conhecimento de que a informação que V.Excia publica consta de um comunicado enviado à imprensa pelo PSD da Mealhada em 26 de Novembro, mas tal informação não veio a confirmar-se. As listas terão dado entrada até às 24h de terça-feira, 30 de Novembro, e nela não constam o meu nome.

Muito me espanta o facto de o autor do texto "As escolhas do PSD Mealhada", publicado na página 25 do Semanário Mealhada Moderna, e no qual zurze um conjunto de considerações sobre a minha "coerência e isenção" como director de um jornal, ter tido acesso à informação do comunicado do PSD antes de ele ser publicado nos dois unicos jornais para onde foi enviado (facto estranho, sendo certo que não pertence ao corpo redactorial de nenhum dos orgãos de comunicação social em causa). O autor desse texto lavra e tece considerações sobre um facto que não existe, pelo que fico à espera que, perante a verdade dos factos, se retrate e retire as considerações que promove - ficando a sugestão para que para a próxima tenha mais cuidado.

Para que não surjam dúvidas sobre o que afirmo, envio material promocional das candidaturas - a que tive acesso no facebook de um dos candidatos - e no qual, como se pode ver, não consta o meu nome.

Agradecia, então, que pudesse rectificar a informação.

Com os melhores cumprimentos,
Nuno Castela Canilho

[1248.] Natal_3

Giotto di Bondone
(1266-1337)
Natividade
(na Capela degli Scrovegni, em Pádua)
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

[1247.] Natal_2

Leonardo daVinci
(1452 - 1519)
Estudos para Presépio

[1243.] 'Como foi?'

Na sequência do post [1234.] sobre o '25 de Novembro de 1975' recebi o pedido para publicar aqui, em género de Adenda ou continuação, uma narrativa do que foram os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. Queixava-se quem me pediu que os dados que há na Internet parecem parcos e tendenciosos.
Mesmo correndo o risco de ser, também eu, tendencioso, uma vez que a minha posição sobre os acontecimentos está mais do que assumida e não é imparcial, procurarei usar de alguma imparcialidade e fazer uma narrativa do que me parece mais relevante da história desse dia, que, repito, os historiadores oficiais insistem em ignorar.

Contando, então, a história...

Em 25 de Abril de 1974 só o Partido Comunista Português estava verdadeiramente organizado. E com muito mérito. O Movimento das Forças Armadas (MFA) determina um "rumo para o socialismo" no novo regime político português, apesar de a chefia do Estado ter sido entregue a António de Spínola, um general do exército, conservador e dissidente do antigo regime muito mais por causa do protagonismo do que por diferenças ideológicas. O MFA está organizado tendo os militares - nomeadamente os capitães e os oficiais mais jovens - como o cérebro e os braços da revolução, e os militares de carreira, os mais graduados, sem grande espaço de manobra.
Depois da Revolução, os problemas do país agravam-se, há pressão política da parte dos mais desfavorecidos para que sejam tomadas medidas rápidas, há pressão internacional para resolver o problema colonial...
O primeiro governo provisório (Maio a Julho de 1974) é chefiado por um intelectual moderado - Adelino da Palma Carlos -, mas logo a 18 de Julho toma posse um militar, Vasco Gonçalves, um intelectual comunista radical, ansioso pela expurgação de todos os elementos reaccionários que eventualmente subsistiriam na vida política e económica portuguesa. O 'Companheiro Vasco' cedo entra em conflito com o Presidente da República - que acusa o Governo e o MFA de agir segundo a "política da Terra Queimada". Em Setembro de 1974, António de Spínola estica a corda, mede o pulso ao seu apoio popular e, sem a manifestação da 'maioria silenciosa', demite-se e entrega o cargo ao General Costa Gomes.
A partir de Outubro de 1974, Vasco Gonçalves fica à vontadinha! Intensificam-se as acções de ocupação de terras, de nacionalização de sectores fundamentais da vida económica e as forças da extrema-esquerda começam 'a ganhar asas'.
Em Fevereiro de 1975 começa a circular a informação (ou o boato?) de que, pela Páscoa, todos os militares reaccionários - próximos de Spínola - iam ser eliminados. Chamou-se a isso 'A Matança da Páscoa'. O clima aquece e, em 11 de Março de 1975, os spinolistas - com o próprio general a partir de Espanha - pegam em armas e procuram fazer um golpe militar. Sem sucesso.
A intentona reaccionária acaba por dar espaço a Vasco Gonçalves para radicalizar a acção socialista do seu governo e dar novo ânimo ao Processo Revolucionário Em Curso (PREC), a todo o gás. Para ajudar, vai aliar-se a Otelo Saraiva de Carvalho, que havia sido um dos operacionais do 25 de Abril, e, antes disso, durante a Guerra Colonial, havia sido elemento da Acção Psicológica na Guiné, que ocupava, agora, o cargo de chefe do COPCON - Comando Operacional do Continente, uma estrutura proto-policial militarizada.
Então, fruto desta aliança Otelo-Vasco, o COPCON, depois de 11 de Março, passa a ter autorização para perseguir e prender todos os que se manifestassem de forma anti-revolucionária. Reza a lenda de que o próprio Otelo deixava assinadas folhas em branco na sua secretária para que qualquer elemento do COPCON pudesse preencher em caso "de necessidade", com a sua própria discricionaridade.
Nacionalizam-se bancos, seguradoras, a tabaqueira, grandes empresas como a CUF e a Lisnave... E em Março-Abril, o pacto MFA-Partidos funda o Conselho da Revolução, uma assembleia militar com a missão de aconselhamento do Chefe de Estado e garante do rumo socializante do novo regime.
É neste ambiente que, em 25 de Abril de 1975 os portugueses vão pela primeira vez a votos para escolher a Assembleia Constituinte. O PS ganha a eleição, com 37,9 por cento, 116 deputados, o segundo partido é o PPD, com 26,4 por cento dos votos, 81 deputados, e o PCP alcança, apenas, 12,5 por cento dos votos, 30 deputados. Uma clara demonstração de que "A Força do PC" era muito mais 'vozes que as nozes'.
Percebe-se, então, que a legitimidade de Vasco Gonçalves e da sua politica provinha muito mais do Conselho da Revolução do que dos portugueses. E a clivagem começa a mostrar-se. E começa a antever-se um Verão Quente com ataques às sedes dos partidos, com manipulação da comunicação social, com assassinatos (Padre Max, Ferreira Torres, por exemplo), com ocupações de terras e fábricas - com acções radicais contra a Igreja e contra os católicos! Tudo se prepara para uma guerra civil.
Otelo e Vasco Gonçalves chateiam-se em Agosto e o primeiro-ministro demite-se. Em Setembro é nomeado o VI Governo Provisório chefiado pelo Almirante Pinheiro de Azevedo, um militar de topo que tinha feito parte da Junta de Salvação Nacional, muito mais moderado, muito mais próximo da Democracia-Cristã do que do Comunismo. A ideia era acalmar o Conselho da Revolução, mas a coisa não resulta. Pinheiro de Azevedo acaba por viver um conjunto vário de peripécias engraçadas... com frases que ficaram para a história do humor em Portugal - o Governo chegou a estar em GREVE!
Em meados de Novembro, Melo Antunes, um militar, intelectual de excepção, e mais oito moderadas figuras proeminentes do Conselho da Revolução, publicam o Documento do Grupo dos Nove, que procura exortar no caminho da moderação e põe a hipótese do afastamento de Otelo (o paladino da esquerda radical) e a dissolução do COPCON.
Revoltado com a ideia de perder o poder, ao ver-se sem o apoio que no Governo Vasco Gonçalves lhe proporcionava, e ao observar que as forças da esquerda radical não tinham grande aceitação popular, Otelo Saraiva de Carvalho distribuiu armas pelos amigos e esconde a mão.
Em 25 de Novembro de 1975 as forças da esquerda radical leais a Otelo, e com o apoio do PCP, avançam para um golpe militar, para implementar, de uma vez por todas a Ditadura do Proletariado.
Acontece que Otelo, o grande heroi do 25 de Abril, finge não liderar o golpe e o Grupo dos Nove reage. Sob a liderança de Ramalho Eanes, as forças militares moderadas saem à rua e dá-se um contra-golpe que neutraliza as forças da esquerda radical. O presidente da República chama Otelo, Rosa Coutinho, o PCP, por um lado, e o Grupo dos Nove e os outros partidos, por outro, e o PCP finge que não tem nada a ver com o golpe de esquerda e acaba tudo em bem... Os tristes dos revoltosos, enganados, sem liderança e sem apoio, entregam as armas.
O PREC acaba nesse dia! E ainda bem! Otelo abandona o COPCON foi preso (e solto três meses depois) e a Democracia recomeça, depois da deriva...
O país acalma e o VI Governo termina o mandato - apesar de Pinheiro de Azevedo ter sofrido um ataque cardiaco um mês antes de ser empossado o primeiro Governo Constitucional, em 23 de Setembro de 1976, chefiado por Mário Soares.

Otelo Saraiva de Carvalho nunca se conformaria com a situação e em 1980 é o principal mentor das FP 25 de Abril, um grupo terrorista de extrema-esquerda, inoperacionalizado apenas em 1987 e que assassinou 13 pessoas, promoveu 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos e viaturas de transporte de valores. Otelo foi condenado em 1985 e indultado em 1996 por Mário Soares, por todos os crimes de sangue.

[1242.] Intêndência

Às muitas pessoas que têm deixado comentários neste blogue, queixando-se que, num determinado blogue mealhadense, o seu autor censura comentários que contradizem e se indignam com a forma acintosa como se refere à minha pessoa, eu agradeço a solidariedade.
Infelizmente, não vou publicar esses comentários neste blogue porque, dessa forma estaria a promover a ofensa a essa pessoa, apesar de ela insistir em, de forma unilateral, persecutória e em desigualdade de meios, denegrir-me a mim e ao meu trabalho.
Para além disso, alguns desses comentários são anónimos e eu tenho por principio não publicar comentários que não sei de quem são. (Há alguns que desconfio de quem sejam, mas a menos que o seu autor se identifique perante mim, não os publicarei).

Agradeço e Lamento.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

[1241.] Mercurii dies

MSNMais Sobre Nós!

Iniciamos na presente edição uma nova parceria, desta feita com a Escola Secundária da Mealhada, mais especificamente com os alunos do 12.º ano, da turma cientifico-humanistica de Ciências e Tecnologias, que, no âmbito da disciplina de Área-projecto, decidiram lançar-se na área do jornalismo escolar. Nasce assim o MSN, o jornal da Escola Secundária da Mealhada que vai à estampa integrado na presente edição impressa do Jornal da Mealhada, na página 12.
O MSN é uma popular forma de comunicação na internet, mas é, também, a sigla para ‘Mealhada School News’ ou para ‘Mais Sobre Nós’. MSN passa a ser, agora, o espaço da Escola Secundária da Mealhada no Jornal da Mealhada.
Mensalmente, Hugo Mateus, Kevin Bastos, Pedro Santos e Valter Müller coordenarão a produção de conteúdos – textos e imagens – e farão a cobertura noticiosa da realidade da sua comunidade escolar. Propõem-se – tal como asseveram no texto em que apresentam – a fazer tratamento jornalístico a actividades “como eventos desportivos, competições inter-escolares, actividades desenvolvidas pelos finalistas do ano corrente, actividades no âmbito do Plano Anual de Actividades, actividades desenvolvidas pelas turmas no âmbito das mais variadas disciplinas, artigos de opinião e entrevistas com membros da comunidade”.
Ao longo deste tempo, o Jornal da Mealhada, para além do apoio e da edição – na sua publicação impressa – dos conteúdos produzidos, proporcionará aos jovens contacto com a realidade do jornalismo local, através de acções no terreno, reflexão sobre aspectos éticos e de deontologia da profissão, experiências de paginação e tratamento de imagem, bem como de outros meios tecnológicos usados na área jornalística.
Este tipo de parcerias, já há muito ambicionada por nós, já foi testado no jornal FRONTAL – outra publicação do nosso grupo, dos concelhos de Mortágua e Penacova – com a Escola Secundária de Mortágua, e com grande sucesso. É, por isso, com expectativa que nos abalançamos nesta parceria.
Num jornal com 25 anos, como tem o Jornal da Mealhada, o contacto com os jovens é de primordial importância. A história desta publicação demonstra bem o papel que os jovens sempre tiveram no Jornal da Mealhada. Um papel de colaboração, de fomento, de inter-ajuda e de grande dinamismo. Este é, apenas, mais um passo na prossecução desse legado. O tempo ajudará a determinar até que ponto a parceria se pode intensificar e, de que modo se poderá estender a outras escolas e ao próprio agrupamento de escolas.
Tal como é definido por Hugo Mateus, Kevin Bastos, Pedro Santos e Valter Müller, sempre auxiliados pela professora Branca Azevedo, “o principal objectivo do nosso projecto é divulgar mensalmente as notícias relacionadas com a comunidade escolar” – daí a escolha do nome MSN - Mais Sobre Nós. Trata-se de um desafio arrojado que merece todo o nosso elogio e apoio. Ajudar a Escola e a Comunidade que a envolve a conhecerem-se melhor é uma obrigação cívica e, por maioria de razão, um desígnio muito estimulante para um jornal local, com as características do Jornal da Mealhada.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Dezembro de 2010

[1236.] Natal_1

O Presépio é, naturalmente, para os cristãos e para a tradição ocidental, o símbolo fundamental do Natal - tempo para o qual caminhamos, especialmente e em Advento, desde o passado domingo.


A palavra “presépio” é de origem hebraica e é o nome do curral, do estábulo, do sitio onde se recolhem os animais à noite. O tempo e a tradição cristã deu novo significado e novo alcance à palavra que nos dias de hoje é a representação artística de Jesus deitado na manjedoura dos animais, com a Mãe, Maria, com José, num estábulo, com uma vaca e um burro, e, por vezes, também com os Magos, com pastores, ovelhas e anjos.

Sobre a origem do presépio enquanto representação há um aspecto que é unânime: a 'democratização' do presépio dá-se com São Francisco de Assis, e mais tarde com os franciscanos - que dão seguimento à tradição - que na véspera de Natal de 1223, em Grezzio, promoveu uma representação teatral dos acontecimentos que envolveram o nascimento de Jesus e que estão descritos pelos evangelistas e alguns autores apócrifos.


Há quem entenda, no entanto, que antes de Franscisco de Assis, já Santa Helena, a mãe do imperador Constantino - o homem que tornou a religião cristã como a oficial do Império Romano e lhe deu o expansionismo inicial - fizera, no final do século IV, a primeira representação plástica do Presépio.


Sendo certo que, como já disse, é depois de Franscisco de Assis que a tradição dos Autos de Natal e dos Presépios começa a florescer - com o seu apogeu no século XVI em Itália - faz sentido que Santa Helena tenha sido a pioneira na explicação da narrativa do nascimento de Jesus, por meio de representações plásticas. É preciso ter em conta que a Festa do Natal, em 25 de Dezembro, como nascimento de Cristo, só se dá a partir de 336. Helena de Constantinopla terá morrido em 330, tudo no século IV, portanto.




Em 24 de Dezembro de 1223, Franscisco de Assis, depois de 16 anos de disputa com o Papa, conseguiu, por fim, celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio, nos arredores da cidade. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro, reais, e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens de um bebé, Jesus, de uma mãe e de um pai. O objectivo passava por tornar de mais acessível entendimento para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal. Estava a fazer Catequese, mostrando o que a narrativa demonstra do que se terá passado em Belém durante o nascimento de Jesus.


Com a morte de Francisco, três anos mais tarde, em 1226, os seus Irmãos e seguidores deram continuidade a esta forma de catequizar e repetiram o modelo, muitas vezes até, em sua homenagem.

Nos séculos seguintes as representações do nascimento de Cristo vão-se democratizando. Começam com representações em frescos, em pinturas, depois em esculturas com o conjunto completo e mais tarde com peças independentes e modificáveis.
Assim, e quase como se fosse um CALENDÁRIO DO ADVENTO, vamos tentar, n' o fio dos dias, apresentar imagens de Presépios, até ao Nascimento do Salvador, do Sol Invictus!

Giotto di Bondone

(1266-1337)

Grezzio - São Francisco de Assis e a Instituição do Presépio

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

[1239.] Ser Sal da Terra e Luz do Mundo?

Realizámos [o Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra do CNE] no fim-de-semana de 26 a 28 de Novembro, em Mortágua, mais uma edição do ACARADNUC. Trata-se de uma actividade exclusivamente para adultos - caminheiros e dirigentes do CNE - vocacionada para a realização de acções concretas de vida ao ar livre no que vulgarmente se chamam actividades radicais ou de desporto aventura.

Esta actividade tem uma rica tradição no nosso Núcleo apesar de, nos últimos mandatos ter sido por várias vezes agendada e, depois, cancelada por falta de inscrições.


Quando delineámos o plano trienal do Núcleo não quisemos deixar de agendar esta actividade, uma actividade que se realizaria apenas um vez no triénio, na recta final, no primeiro trimeste do último ano do mandato.

Honestamente - e agora acho que o posso assumir - nunca pensei que a actividade viesse a ter grande adesão. Ainda há poucos meses tinhamos realizado o ACANUC, estavam marcadas para a mesma data cursos regionais de formação, havia actividades emblemáticas de caminheiros agendadas para a mesma data... Frio, chuva... Foi com satisfação, alegria, e até admiração que eu vi as cinquenta inscrições!


Com a aproximação do Natal - a Festa da Luz - (a actividade coincidiu com o primeiro Domingo do Advento), e com o tema do ano no plano trienal - "Para além da linha do horizonte" - procurámos valorizar o papel do adulto, na nossa associação, como testemunho de vida e de acção concreta, como promotor de esperança e de verdade junto dos jovens. Para isso, não podíamos deixar de usar a metáfora do próprio Cristo: "Ser Luz do Mundo e Sal da Terra".


A Luz, a Chama, o Fogo estiveram sempre presentes, a par da adrenalina e do sacrificio. Uma Luz que precisou de atenção, de dedicação, de zelo, de cuidado. Uma Luz que por vezes incomodava, limitava, tolhia. Mas que depressa se tornou 'sal', e passou a dar gosto ao caminho.




Num momento de reflexão mais ou menos natural apresentámos os seguinte silogismo. Se o Escutismo é para rapazes e para raparigas, se o ACARADNUC é para adultos, então: Será que o ACARADNUC - as actividades para adultos - são escutismo? Podemos nós adultos proporcionar escutismo aos miudos se não o vivermos? O escutismo não é uma teoria, é um método de acção, de aprender fazendo. Logo, estamos - mesmo como adultos - sempre a viver Escutismo!

Outro aspecto que me pareceu importante na actividade foi para os noviços a caminheiro. Jovens que há três meses eram miudos e que se viram nesta actividade, como adultos - a serem tratados e responsabilizados como adultos. Alguns confessaram-me que lhes fez confusão a proximidade com os dirigentes! Não deixa de ser engraçado.

Uma lição resulta desta, como de muitas outras actividades que o Núcleo tem proporcionado. Sem a vivência em Núcleo, os nossos jovens, a nossa acção, seriam muito prejudicados. O que vivemos em Comunidade - os dezanove agrupamentos, ou destes os que participam - é muito importante para o que fazemos com os escuteiros. Muito mesmo!

É o que se poderia chamar COMUNHÃO?

Uma música que não conseguimos cantar, mas que teria servido (bem) para hino desta actividade é:


Tu, Vem e Segue-me!

Deixa que o mundo siga a sua aventurar
Deixa que o homem retome à sua casa
Deixa que a gente se entregue à sua riqueza
Mas tu, tu vem e segue-me,
Tu, vem e segue-me

Deixa que o barco erga as velas ao vento
Deixa que encontre o afecto que está preso a si
Deixa que da árvore caiam os frutos maduros

Mas tu, tu vem e segue-me,
Tu, vem e segue-me

E serás luz para os homens,
e serás o sal da terra
E num mundo deserto abrirás um caminho novo.
E por este caminho vai,
vai... e não olhes mais para trás...

domingo, 28 de novembro de 2010

[1240.] Adventus

I DOMINGO DO ADVENTO
28.XI.2010
«Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós, também, preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem».
Mateus 24, 37-44

Hoje é o I Domingo do Advento, começa hoje o tempo litúrgico de preparação do Natal. O mesmo é dizer que começa hoje um Novo Ano Litúrgico. O Advento de 2010 abre o Ano A, um eterno retorno. O Advento é o tempo de espera, mas uma espera de quase chegada. É o tempo da sensação de estarmos a ver a meta e o nosso coração começar a agitar-se, ainda mais, com a ânsia de chegar. Para os cristãos, o Advento é tempo de alegria, de expectativa e, naturalmente, de preparação.

Essa meta que já vemos ao fundo é uma Luz de Esperança. É a Esperança absoluta e materializada na encarnação de um Deus-menino criado, à nossa imagem e semelhança, para nos salvar.

No Ano A da Liturgia, são as narrativas do evangelista Mateus que nos guiam. Neste I Domingo do Advento é o próprio Cristo que narra a necessidade de estarmos atentos, de estarmos sempre alerta para os sinais de Deus no Mundo. Sinais de espera do encontro com Deus, mas também sinais de avanço e de encontro real e concreto com os outros. Um encontro que pode ser feito num gesto de altruísmo, como a participação na campanha semestral do Banco Alimentar Contra a Fome. Um encontro com Deus que pode ser feito na partilha do que temos e do que precisamos numa actividade de convivio e fraternidade.

Deus está connosco e os seus gestos nem sempre são perceptíveis. É por isso importante estar Alerta. Alerta para observar, para vigiar, para esperar com esperança. Estar Sempre Alerta para Servir.

[1238.] Hoje

é o DIA NACIONAL DE

TIMOR-LESTE
+
Em Agosto de 1975 o exército português abandonou a ilha de Timor-Leste, passando o poder à FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor-Leste), cujos dirigentes proclamaram a independência e a República Democrática de Timor-Leste, em 28 de Novembro de 1975.
Em 7 de Dezembro, o general Suharto, presidente da Indonésia, mandou tropas do exército invadirem a ilha. Só em 20 de Maio de 2002 é que Timor voltaria a ser uma Nação independente.
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é o DIA NACIONAL DO

PANAMÁ
+
A região onde hoje é Panamá (América Central Continental) declarou a sua independência da Espanha em 28 de Novembro de 1821, como 'Grã-Colômbia'. O dia ficou conhecido como 'Dia da Inauguração'. O Estado do Panamá tornar-se-ia uma república independente apenas em 1903, altura em que se torna um protectorado americano. O país sempre viveu com ditaduras e ocupações americanas, sendo dos mais instáveis do mundo.


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é o DIA NACIONAL DA


MAURITÂNIA
+
A Mauritânia (África) tornou-se um país independente da França, em 28 de Novembro de 1960, apesar da oposição da Liga Arabe e dos seus vizinhos marroquinos.
O país é hoje uma República Islâmica pertencente à Liga Arabe.


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é o DIA NACIONAL DA
ALBÂNIA
+
Em 28 de Novembro de 1912 foi proclamada a independência da Albânia (Europa). Esta independência põe um ponto final na dominação turca, do Império Otomano, desde 1478, concluída a Primeira Guerra dos Balcânica. A Albânia ainda viria a ser ocupada pela Itália, na II Guerra Mundial.

[1237.] Solis dies


GREAT EVASION POPULATION LUENA EAST ANGOLA 1975
Enviado por kutemba. - Assista os últimos vídeos de notícias.

A capital da provincia do Moxico, no centro de leste de Angola, chamou-se até 1975, Vila Luso. A partir dessa altura passou-se a chamar Luena, adoptando o rio que banha a cidade capital da maior provincia de Angola. Na mesma provincia, a algumas centenas de quilómetros de Luso há o Buçaco... que não é um monte... é um planalto.
O professor Alberto Melo, da Vacariça, foi Delegado escolar na Vila Luso. E a D.Vera, a sua esposa, ensinou 'Portugalidade' às crianças da vila.
Todos os anos, no Domingo de Pentecostes, os luenas (os naturais da Vila Luso) encontram-se em Luso metropolitano para recordar tempos antigos.

Encontrei hoje, no blogue retornadosdafrica.blogspot.com um filme com a "FUGA DE LUSO (Luena)", aquando do processo de descolonização.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

[1235.] Hoje

Em 26 de Novembro de 1974 dá-se a assinatura do 'Acordo de Argel' que conclui as negociações entre o Governo provisório Português e o Movimento de Libertação de São Tomé e Principe com vista à independência do arquipelago, em 12 de Julho de 1975.

Representantes do MLSTP, liderados por Miguel Trovoada, secretário para as Relações Exteriores do movimento, e do Governo Português, comitiva chefiada por Almeida Santos, Ministro de Administração Interna, reuniram-se na capital da Argélia, no norte de Africa, de 23 a 26 de Novembro, com vista a ultimar as negociações sobre o futuro de São Tomé.

Em consequência do Acordo de Argel foi estabelecido em S.Tomé e Príncipe um Governo de Transição, que deveria assegurar a direcção do país até 12 de Julho de 1975, data estabelecida no acordo de Argel para a Independência Nacional. O Governo de Transição iniciou as suas actividades em 21 de Dezembro de 1974 e dele faziam parte santomenses e portugueses. Terminado o período de transição todos os poderes seriam transferidos ao MLSTP.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

[1233.] Hoje

Eça de Queirós
165.º Aniversário do seu Nascimento
No tempo particularmente dificil como o que vivemos, é impossível não elogiar o génio que, há quase 150 anos, nos mostrou e baptizou os Condes de Abranhos, os Conselheiros Acácios e os Dâmasos Salcedes que ainda hoje nos governam!

[1234.] Hoje é o dia 25 de Novembro!

Eu teria 16 anos quando, numa reunião do Conselho Pedagógico da Escola Secundária da Mealhada, na dupla qualidade de representante dos alunos e presidente da direcção da Associação de Estudantes, tomei a palavra para apresentar aos conselheiros o plano de actividades da associação a cuja direcção presidia, para o ano lectivo 1995/1996.

Nessa ocasião, e no quadro de um conjunto de iniciativas de promoção à cidadania, informei que a associação colocaria no átrio, durante um determinado dia, uma aparelhagem que passaria música de intervenção "do saudoso tempo do PREC". A frase que proferi, "saudoso tempo do PREC", estava, também, escrita no próprio plano que havia sido distribuído a todos os conselheiros.

Eu tinha ouvido esta frase numa gravação de um concerto de Zeca Afonso, dita pelo próprio, sem nunca me ter preocupado, verdadeiramente, em perceber o seu verdadeiro alcance! Note-se que, apesar do que acabava de dizer, eu era, nesta altura, um anti-comunista primário, completamente reaccionário.

Assim que a frase me saiu da boca, logo um dos professores presentes na reunião - um dos professores que eu mais respeitava e ainda hoje admiro (que não identifico para não causar melindre) - faz lavrar um veemente protesto pelo que acabava de ser dito, vincando, absolutamente, que o que eu acabava de dizer era um ataque sério à sua pessoa, na medida em que fora vitima de perseguições durante o PREC e que não admitia que semelhante adjectivação fosse feita na sua presença sem o seu protesto. Eu fiquei atónito, esboçaram-se alguns sorrisos entre os presentes e logo outra professora subscreve as palavras do primeiro professor.

A contestação ao que eu acabara de dizer continuou com a ameaça de que se ausentariam da sessão se eu repetisse a mesma ideia. Retomei a minha intervenção, retirando o que acabara de dizer, pedindo desculpa pelo melindre. Fi-lo, apenas, por respeito ao professor que se manifestou ofendido.


Quando a reunião terminou, eram normalmente às quartas à tarde, saí da sala e fui abordado pelo professor a quem prometi que procuraria no dia seguinte. Saí da escola e fui para casa procurar na Enciclopédia o que era, então, o PREC. Não encontrei nada de esclarecedor, para além da descodificação da sigla: Processo Revolucionário Em Curso. Precisei de ir à Biblioteca Gulbenkian - na Rua Branquinho de Carvalho -, onde o Sr. José, pacientemente, me recomendou onde procurar. Como na altura não havia internet, tive ainda necessidade de ir ao jornal procurar alguém que me pudesse ajudar e falar com o meu avô António, sempre no sentido de perceber onde é que estava a origem do melindre.


Depois de ouvir algumas pessoas, percebi rapidamente, onde é que eu falhara. No dia seguinte, dirigi-me ao referido professor, a quem pedi desculpa, sem querer aprofundar o assunto. Na associação retirámos a expressão da versão impressa e por mim o assunto estava terminado.

Nunca deixei, no entanto, de procurar saber mais sobre esse período da História de Portugal. Um período pelo qual tenho curiosidade e o respeito a que obriga o facto de ser uma fase relativamente recente da nossa vida colectiva e por causa da qual ainda haverá algumas feridas.

Para algumas pessoas, haver alguém, como eu, que nasci depois de 1975, a criticar tão severamente o PREC e a elogiar, de forma tão categórica, o fim do PREC, pode ser insultuoso. Acredito e respeito todos aqueles que acreditaram que esse processo levaria à criação de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais livre. Eu respeito, os que acreditaram que o PREC poderia dar origem aos "amanhãs que cantam!". Respeito. E por isso a minha critica ao PREC, e o meu elogio ao 25 de Novembro não são insultos, são opiniões.

Insulto é o facto de, nos dias de hoje, alguém tentar procurar na Internet alguma informações sobre o que foi o 25 de Novembro e não encontrar. Insulto é o facto de, nos dias da sociedade de informação, não haver um banco de imagens - nem fotográficas nem em video - dos acontecimentos de 25 de Novembro, nem do Grupo dos Nove! A esquerda intelectualoide orfã do PREC tratou de apagar esse dia 'dos compêndios' e da nossa história. A inteligentzia dos politburos da história oficial mostra-se diligente em tratar o 25 de Novembro como um acontecimento menor da história da democracia em Portugal.

Mesmo arriscando o rótulo de reaccionário, considero que o 25 de Novembro foi o momento refundador da Democracia Portuguesa. Não se está com isto a menosprezar o 25 de Abril, está a garantir-se que o sonho de uma Democracia verdadeira se concretizou graças ao 25 de Novembro. E que se não fosse o 25 de Novembro Portugal teria sido, em 1975, a Cuba da Europa e (mais uma) Ditadura do Proletariado.

Para que cada um faça a sua própria análise e leitiura, ficam aqui dois videos que o blogue 31 da Armada produziu sobre o 25 de Novembro de 1975. O blogue 31 da armada é, provavelmente, o único espaço na blogosfera portuguesa a preocupar-se e onde é possivel encontrar dados sobre esta temática.

No primeiro video estão os depoimentos de Rui Ramos - historiador ideologicamente distante da inteligentzia do politburo que determina a história oficial - e de Mário Tomé - um dirigente da UDP, da esquerda radical (hoje no Bloco de Esquerda - ele e a UDP entenda-se), que na minha cabeça é, apenas, o único deputado que se recusou a votar um voto de pesar pela morte do primeiro-ministro e do ministro da defesa (Sá Carneiro e Amaro da Costa) em 7 de Dezembro de 1980 (declarou, para a acta da Assembleia da República que não lamentava as suas mortes).







Este segundo video é de Zita Seabra, dissidente do PCP, que testemunha, na primeira pessoa, o que ia na cabeça do Comité Central com as movimentações de 25 de Novembro de 1975.




O Comunismo até pode ser um bom sistema politico. Mas eu prefiro a Democracia!

[1232.] Hoje

é o DIA NACIONAL DO

SURINAME

Em 25 de Novembro de 1975 o Suriname (América do Sul) torna-se independente dos Países Baixos, que tomavam posse daquele território desde o Tratado de Breda de 1667. O país viveu sob ditadura militar entre 1980 e 1988.

[1231.] Hoje

Hoje é o DIA NACIONAL DA
+
BÓSNIA-HERZEGOVINA
+
Em 25 de Novembro de 1943, a nacionalidade e auto-determinação da Bósnia-Herzegovina foi restabelecida pelo Conselho de anti-fascismo para a Libertação Nacional da Jugoslávia

[1230.] Iovis dies... A Cultura No Dizer Obrigado!

The first thanksgiving
1912-1915

Jean Leon Gerome Ferris (1863 - 1930)
Óleo sobre tela, Colecção Privada

Hoje, por ser a quarta quinta-feira de Novembro é feriado dos Estados Unidos da América. É Dia de Acção de Graças! Dia de Agradecer! Bonita ideia, não?
«O costume do "Dia de Acção de Graças" vem dos Estados Unidos. Em 1620, saindo da Inglaterra, singra os mares o "Mayflower", levando a bordo muitas famílias. São peregrinos puritanos que, fugindo da perseguição religiosa, vão buscar a terra da liberdade. Chegando ao continente americano, fundam treze colónias, semente e raiz dos Estados Unidos da América do Norte.
O primeiro ano foi doloroso e difícil para aquelas famílias. O frio e as feras eram factores adversos. Não desanimaram. Todos tinham fé em Deus e nas suas promessas. Cortaram árvores, fizeram cabanas de madeira, e semearam o solo, confiantes. Os índios, conhecedores do lugar, ensinaram a melhorar a produção. E Deus os abençoou. No outono de 1621, tiveram uma colheita tão abençoada quanto abundante. Emocionados e sinceramente agradecidos, reuniram os melhores frutos, e convidaram os índios, para juntos celebrarem uma grande festa de louvor e gratidão a Deus. Nascia o "Thanksgiving Day", celebrado até hoje nos Estados Unidos, na quarta quinta-feira de novembro, data estabelecida pelo Presidente Franklin D. Roosevelt, em 1939, e aprovada pelo Congresso em 1941.»

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

[1229.] Estou (solidário com quem está) em Greve!


Quem me conhece sabe a forma como sou contestatário em relação ao sindicalismo em Portugal. O conhecimento que tenho sobre as realidades sindicais de outros países - como a Grâ-Bretanha, por exemplo - faz-me abominar a forma como, em Portugal, os sindicatos estão organizados, são geridos, são eleitos e as formas de representação/relação com os trabalhadores.
No entanto, hoje, sou obrigado a tirar o chapéu à CGTP e à UGT pelo facto de terem sido as únicas forças políticas portuguesas a organizar um movimento global de contestação ao Governo. Saúdo o facto de terem, vinte e oito anos depois, se terem unido novamente. Saúdo o facto de terem convocado uma Greve Geral. Saúdo o facto de a terem marcado a uma quarta-feira (e não para uma sexta ou para uma segunda, como tantas vezes caem na tentação de fazer!).

Infelizmente, uma vez que sou sócio-gerente da empresa onde trabalho, não posso fazer Greve. Mas sou solidário com quem faz Greve no dia de hoje! Pelo mesmo facto, apesar de fazer todas as deduções para a Segurança Social, não tenho possibilidade de acesso ao Subsidio de Desemprego - porque, em Portugal, todas as pessoas que procuram criar e fomentar o seu próprio emprego são corruptos e ladrões.

Estou solidário com todos os que contestam o aumento de impostos sobre o consumo. Estou solidário com todos os que contestam a redução de salários da função pública. Estou solidário com todos os que contestam medidas cegas de austeridade.

Acima de tudo, estou enojado com um país em que "A Assembleia da República aprovou o corte de salários para a Função Pública, que vai incluir um regime de excepção as empresas públicas e as com capitais maioritariamente públicos (como a Caixa Geral de Depósitos)".

Estou, portanto, solidário com todos os que PODENDO fazer Greve a estão a fazer, certamente com prejuízo económico!

[1228.] Mercurii dies

Lisboa, Capital do Império

A cidade de Lisboa acolheu, na passada semana, mais um grande encontro internacional que ficará, certamente, para a história contemporânea. Desta vez, a capital de Portugal recebeu a cimeira bienal dos representantes dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte – a que os portugueses preferem chamar NATO e não OTAN.


A NATO é uma aliança político-militar, criada em 1949, por forma a organizar as forças não-socialistas e anti-soviéticas no contexto da Guerra Fria. Em 1955 seria o próprio bloco soviético a criar a sua própria aliança estratégia e militar, o Pacto de Varsóvia. A NATO e os países do Pacto de Varsóvia acabaram por ser uma forma de dar volume aos dois corpos oponentes na Guerra Fria, que tinham os Estados Unidos da América e a União Soviética como cérebro e braços.
Estes dois blocos foram contemporâneos, durante várias décadas, da Organização das Nações Unidas (ONU), uma instituição promotora do desenvolvimento e da Paz mundial criada em 1945, desde o final da Segunda Guerra Mundial. Pode perguntar-se, porque razão coexistiram NATO e ONU? A ONU, quando foi criada, em 1945, constitui-se como pódio dos vencedores da Grande Guerra e na mesa do Conselho de Segurança tomaram parte os cinco vencedores, com o estatuto de membros permanentes: Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França, mas também a União Soviética e a República Popular da China. Ou seja, na ONU, os dois blocos oponentes (comunista e anti-comunista) tinham de sentar-se à mesma mesa. Talvez por isso o clima de tensão que se criou e que durou de 1945 a 1991, tenha sido sempre morno e nunca tenha passado de uma Guerra Fria.
Com a queda do Muro de Berlim, em Novembro de 1989, e com o desmantelamento da União Soviética, em Dezembro de 1991, a NATO perdeu o seu inimigo vital. Sem o bloco soviético, a NATO deixou de ter razão de existir. Mas a máquina era grande demais e o seu fim acabaria por poder ser tão dramático como foi o do seu oponente. A NATO entendeu, então, tornar-se uma espécie de polícia da Europa, e procurar “chamar” para o “lado bom da Força”, as antigas repúblicas soviéticas – o que desagradou profundamente aos russos.
Em 28 de Fevereiro de 1994, a NATO entra, pela primeira vez na sua história, em guerra, no conflito na Bósnia-Herzegovina, ao abrigo do que chamou “ingerência humanitária” – e que na altura foi severamente criticada. Em 1997, a NATO cria um conselho de parceria estratégia com um conjunto de antigos países soviéticos e, alguns deles, a Hungria, a República Checa e a Polónia, todos em 1999, chegam mesmo a entrar para a organização.
Todas estas movimentações, que, na prática, justificaram a injustificada existência da NATO neste período, não poderão deixar de ser entendidas como uma prolongada missão de humilhação e afrontamento da Rússia. O alargamento a leste em 2004 e em 2009, com nove adesões de antigas repúblicas socialistas e a discussão da instalação de um escudo antimíssil nessa região, intensificou um clima de hostilidade a que as personalidades de George W. Bush e Vladimir Putin não terão sido alheias.
Mas em 2001, com o ataque aos Estados Unidos e às Torres Gémeas, a NATO ganha uma nova razão para existir. A aliança ocidental estava de novo em perigo e houve a necessidade de contra-atacar o ‘agressor’. Em Outubro de 2001, à revelia da ONU, mas com o apoio da NATO, os Estados Unidos da América invadem o Afeganistão para derrubar o regime talibã que fomentava o apoio terrorista anti-ocidental. Uma nova liderança americana, de Barack Obama, mostrou-se peremptória relativamente à urgência da retirada das tropas americanas do Iraque. A retirada do Afeganistão não pode ser feita para já e a luta contra os terroristas anti-ocidentais ainda não está terminada.
A NATO passou, então, a justificar-se não pela ameaça comunista, não (apenas) pela humilhação e afrontamento à Rússia, mas pela ameaça terrorista radical anti-ocidental.


É nesta fase que os representantes da NATO se reuniram em Lisboa. Uma reunião que tinha em cima da mesa a aprovação de um novo conceito estratégico da aliança, a decisão sobre a retirada do Afeganistão e o estreitar de relações com a Rússia. Dizem os especialistas que a reunião foi um sucesso e que todos os objectivos foram largamente alcançados.
Relativamente ao novo conceito estratégico da NATO, os aliados actualizaram um documento que, aprovado em Washington em 1999, estava completamente desajustado face aos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 e da intervenção no Afeganistão. Em Lisboa, a NATO refundou-se não como força anti-comunista, mas como a aliança ocidental que se protege da ameaça radical anti-ocidental – os inimigos ficaram por identificar claramente a pedido da Turquia que não quer hostilizar o Irão. Sobre a retirada do Afeganistão, a decisão foi de a mesma estar completa em 2014.
Foi o encontro com Medvedev, presidente russo, que acabaria por tornar histórica esta cimeira de Lisboa. O inimigo vital – que até uma semana antes repudiava ferozmente a estratégia antimíssil da NATO – apareceu em Lisboa, pronto a enterrar o machado da guerra, e a declarar, até, a hipótese de a própria Rússia poder vir a aderir à NATO.
Em Lisboa, a NATO de 1949 e de 1999 foi completamente sepultada. Nasceu uma nova NATO: “Viemos a Lisboa com uma tarefa chave, que era revitalizar a nossa Aliança para estar ao nível dos desafios dos nossos tempos. Foi isso que fizemos”, declarou Barack Obama, no final da reunião.
Depois da Estratégia de Lisboa para o Emprego, da União Europeia, e do Tratado de Lisboa da União Europeia, o Conceito Estratégico de Lisboa da NATO é mais uma marca importante para o prestígio de Portugal no âmbito das relações internacionais. Portugal tem, sem dúvida, uma vocação especial para as relações diplomáticas e para o ‘concerto das Nações’.
Há coisas em que somos realmente bons. E a arte da Diplomacia é, de facto, uma dessas coisas. Note-se que até os manifestantes anti-NATO e anti-globalização, que normalmente deixam um rasto de destruição, desta vez se portaram decentemente.
Editorial do Jornal da Mealhada de 24 de Novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

[1226.] Hoje

A Morte

A morte é a curva da estrada.
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
+
Fernando Pessoa
+
In memoriam de Fernando Oliveira Várzeas

[1225.] Hoje

Hoje é o DIA NACIONAL DO
LÍBANO
Em 22 de Novembro de 1943 o Líbano torna-se independente da França, que ocupava o país desde o final da Primeira Grande Guerra - com a desagregação do Império Otomano.
O Líbano, dadas as suas riquezas naturais e financeiras era chamado, em 1943, a "Suíça do Oriente".

sábado, 20 de novembro de 2010

[1223.] Saturni dies

Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

Miguel Torga, in 'Diário X'

Realizou-se ontem e hoje mais uma 'Cimeira de Lisboa'. Mais uma vez, Lisboa e Portugal ficam na história da Diplomacia como uma marca importante no que poderia chamar-se 'Comunhão das Nações'.

Como outrora na União Europeia, a capital de Portugal, agora na NATO, torna-se a cidade capital de decisões tão importantes como a aprovação de um novo conceito estratégico da organização, como a decisão sobre a data para o final da retirada das tropas aliadas estrangeiras do Afeganistão, como uma nova etapa nas relações entre a NATO e o inimigo vital, a Rússia - que já põe a hipotese de ela própria aderir à NATO.

«Um período difícil de tensão está passado», proclamou o Presidente russo, Dmitri Medvedev.

Barack Obama, salientou: «Viemos a Lisboa com uma tarefa chave, que era revitalizar a nossa Aliança para estar ao nível dos desafios dos nossos tempos. Foi isso que fizemos».

Uma vez mais, Lisboa mostrou-se como a capital do consenso, o Porto de Abrigo do Mundo. Esta é, de facto, a nossa missão no mundo, a nossa forma de fazer diferente. Lisboa é a capital da Concórdia, renovada numa cimeira onde até os tipo anti-NATO se portaram decentemente!

Estou orgulhoso de ser português!

[ADENDA]

Oiço na SIC expressões como "Lisboa, Capital do Império!" e "Enterrado o machado da Guerra Fria". Gosto!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

[1224.] Veneris dies

28 Chefes de Estado e de Governo da Organização do Tratado do Atlântico Norte
Três mulheres...

[1222.] Hoje

Hoje é o DIA NACIONAL DO
MÓNACO
Em 19 de Novembro de 1949 foi coroado Rainer III como Príncipe (Chefe de Estado) do Mónaco. No mesmo dia, em 2005, foi coroado Alberto III, sucedendo ao seu pai na chefia do Estado do pequeno principado.
[Estive no Mónaco em 1987 e em 1997]

[1220.] Ano de 2011

Tendo reparado que os meus posts sobre o Ano Europeu do Voluntariado têm sido os mais lidos aqui do blogue, acredito que esta informação possa ser util a várias pessoas:

-------------- 2011 --------------

Ano Internacional da Juventude e promoção do diálogo e compreensão entre gerações

(de 12 de Agosto de 2010 a 11 de Agosto de 2011)

Declarado pela ONU
Mais informações AQUI e AQUI

"Youth should be given a chance to take an active part in the decision-making of local, national and global levels." - Ban Ki-moon, SG da ONU.

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Ano Internacional das Florestas

Declarado pela UNESCO

Mais informações AQUI

"Celebrating forests for people"




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Ano Internacional da Química

Declarado pela UNESCO

Mais informações aqui

“Chemistry—our life, our future”




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Ano Internacional das Pessoas de Descendência Africana

Declarado pela UNESCO

Mais informações AQUI
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Ano Europeu do Voluntariado

Declarado pela Comissão Europeia

Mais informações AQUI

[1219.] Regresso aos clássicos

Ando numa espécie de 'Regresso aos clássicos'. Não no sentido literário do termo, mas no sentido de passar a dar mais atenção ao que dizem os anciãos, os sábios da nossa praça.
Já aqui o referi uma vez, a propósito de Mário Soares: A idade dá às pessoas uma visão quase profética do mundo, baseada não apenas no que viveram, perspectiva, mas no que vamos viver colectivamente, prospectiva.

É interessante.

A entrevista que José Mattoso deu ao PÚBLICO - AQUI -, a 25 de Outubro, que li na altura e que hoje reli, mostra isso mesmo: Um profeta. Não mostra um génio, mostra um profeta. Não porque faça qualquer vaticinio, mas porque simplesmente parece ver mais além.

Ao mesmo tempo tenho andado a ler Agostinho da Silva sobre a Idade do Espírito Santo. Tenho conciliado essa leitura com algumas das suas entrevistas à RTP - nomeadamente a Baptista Bastos - e que agora estão no Youtube. Esta temática da Idade do Espirito Santo é muito interessante, chega a ser, também ela estimulante.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

[1221.] Hoje

Hoje é o DIA NACIONAL DA
LETÓNIA
Em 18 de Novembro de 1918, com o final da I Grande Guerra, a Letónia tornava-se, pela primeira vez, uma nação independente. No caso tornava-se independente da Rússia.


[1218.] Iovis dies

A Escola de Atenas
[Causarum Cognitio]
Rafael Sanzio (1483-1520)
Fresco, com 5m x 7m, pintado em 1509-1510,
na Stanza della Segnatura, no Vaticano
+
Hoje é Dia Mundial da Filosofia. E este fresco, do grande Rafael, é, provavelmente, o melhor tributo à história da Filosofia (pelo menos até ao inicio do século XVI).
A representação vai buscar o ambiente que se teria podido assistir na Academia de Platão (Atenas em 387a.C.), apesar de estarem aqui representados filosofos que não são contemporâneos dessa altura. Em 'A Escola de Atenas', que até ao século XVII se chamou 'Causarum Cognitio', "Rafael pintou os maiores estudiosos antigos como se fossem amigos que discutiam e desenvolviam as formas de pensar e de refletir a filosofia em si".
Nesta pintura, ao centro estão representados Platão e Aristóteles.
Platão, à esquerda, segura o 'Timeu' (um tratado da sua autoria, de 360a.C., que teoriza sobre a natureza do mundo físico). Platão aponta para o alto, numa alusão ao mundo intelegível, ao ideal. A cara de Platão, nesta obra, é a de Leonardo daVinci.
Aristóteles, à direita, segura a sua obra 'Ética a Nicómano' e tem a mão na horizontal, representando o terreste, o mundo sensível.
Rafael representa mais dezanove filósofos neste fresco: Zenão de Cítio, Epicuro, Frederico II duque de Mântua e Montferrat, Anicius Manlius Severinus Boethius, Averroes, Pitágoras, Alcibíades, Xenofonte, Hipátia (cuja cara é a de Margarida a namorada de Rafael), Ésquines, Parménides, Sócrates, Heráclito (que tem a cara do pintor Miguel Ângelo), Diógenes de Sínope, Plotino, Arquimedes acompanhado de estudantes, Estrabão, Ptolomeu, Apeles (que tem um autoretrato do autor Rafael) e Protogenes.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

[1217.] Mercurii dies

Voluntário, faz a diferença!


A Comissão Europeia declarou o ano de 2011 como Ano Europeu do Voluntariado. As actividades decorrentes desta iniciativa estarão subordinadas ao lema: “Voluntário, Faz a Diferença!”.
Estima a União Europeia que sejam mais de cem milhões os cidadãos europeus que estão envolvidos, de forma voluntária – livremente e sem qualquer espécie de remuneração ou contrapartida económica – em acções de solidariedade e de promoção do bem-comum. Cem milhões de europeus são vinte por cento da população residente no Velho Continente. Dito de outra forma: Em média, um em cada cinco europeus está envolvido em acções de voluntariado de forma organizada e constante. E mais: Oitenta por cento dos europeus – assim revela um estudo do Eurobarómetro – consideram o voluntariado como parte importante da característica democrática das sociedades europeias. Trata-se de um enorme exército de boa-vontade e altruísmo que urge valorizar, compreender e estimular.
A definição do que é um voluntário não é unânime na heterogeneidade da cultura europeia. Comummente considera-se que há voluntariado “sempre que as pessoas se envolvem em actividades de entreajuda, de apoio àqueles que necessitam, na protecção do ambiente, em campanhas de direitos humanos, ou em acções que visam contribuir para que todos usufruam de um nível de vida decente”. “A sociedade como um todo, assim como os voluntários de um ponto de vista individual, saem beneficiados e a coesão social é significativamente fortalecida”, considera a União Europeia no texto que sustenta a opção pela declaração de 2011 – Ano Europeu do Voluntariado.
Não se conhecem, completamente, os números do Voluntariado em Portugal. Mas conhecemos – em acções como as campanhas semestrais do Banco Alimentar Contra a Fome ou como a campanha Limpar Portugal – que é crescente e cada vez mais qualificado o sentido de acção voluntária dos portugueses. Em Agosto de 2010 foi criada em Portugal a Confederação Portuguesa do Voluntariado que congrega já instituições como a Caritas Portuguesa, o Corpo Nacional de Escutas, a Liga dos Bombeiros Portugueses, a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, a Federação das Associações de Dadores de Sangue, a União das Misericórdias Portuguesas ou a Confederação Nacional das Associações de Pais, entre muitas outras.
A primeira iniciativa desta Confederação – que será também, e por antecipação a primeira do Ano Europeu do Voluntariado – é a realização do Congresso Português do Voluntariado, que se realiza a 4 e 5 de Dezembro, em Lisboa, subordinado ao tema: “Voluntariado: Força de Mudança!”. O congresso procurará debater questões tão práticas como o recrutamento, fidelização e compromisso, qualificação, visão ética e enquadramento jurídico do cidadão voluntário, bem como o marketing, o mecenato e o reconhecimento social da acção voluntária.

Também no concelho da Mealhada há considerável número de pessoas que se prestam ou já se prestaram à acção voluntária. São mesmo significativas as instituições que se dedicam à promoção cívica da comunidade através do voluntariado. Será de todo descabido perguntar – e aproveitando para lançar o desafio –: Porque não se associam neste Ano Europeu do Voluntariado para congregar esforços, estabelecer laços, debater problemáticas e, acima de tudo, Dar Testemunho?

Fica o desafio lançado! A oportunidade é de ouro!

Editorial do Jornal da Mealhada de 17 de Novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

[1216.] Marti dies



Ruppert and the Frog Song - 'We all stand together'
Paul MacCartney

Uma das músicas da minha infância. Sem dúvida um tema da minha 'playlist'!

domingo, 14 de novembro de 2010

[1215.] Solis dies



Hoje foi um dia dificil. Não interessa porquê. Mas hoje foi um dia dificil. Foi um daqueles dias em que me pergunto porque razão me gasto tanto no que deviam ser os meus hobbies, as minhas distracções, o que muitos chamariam lazer.
Tenho prazer no meu trabalho. Tenho prazer nos meus hobbies. Mas os meus hobbies causam-me cansaço. Trazem-me uma frustração que o trabalho nunca me trouxe. Fico triste, destroçado com o sabor da adrenalina da boca quando venho de um dia dificil como o de hoje. Fiz o que me competia. Mas terá sido no sítio certo? Procurei não cometer os erros do passado. Mas terá valido a pena? Terei construído alguma coisa?
Sinto-me esmagado por este esforço constante de ter de ser coerente.
Deito-me exausto. Deito-me lixado porque é domingo e precisava de descansar do meu domingo.
Sinto-me tranquilo. Pelo menos isso. O meu exame de consciência absolve-me. Mas terei conseguido fugir às armadilhas que eu proprio me coloco? Sinto que "Vivi comunhão", e que "Estou em comunhão". E, alías, é por estar em Comunhão - de corpo e alma - que disse o que disse e fiz o que fiz. Porque a Comunhão não é a negligência, o desleixo, o desinteresse, a insipidez. A Comunhão é a entrega, é o interesse, é a dedicação e o empenho. É "ser com". Mas é "ser mesmo com". Não é declarar que se "é com" sem "estar mesmo com".
Porque não procurei destruir, nem procurei rebaixar. Procurei ser com a vontade de saber, querer e agir que exijo aos outros e a que me sujeito que me seja exigido.
Eu amo o próximo. Porque procuro encontrar no próximo a minha própria felicidade. Não odeio ninguém. Mas há coisas que desprezo completamente. E com o que desprezo não tenho qualquer espécie de comunhão: Não existe para mim.
Se faço mal, ou se fiz mal, se magoo ou se magoei repetidamente, foi sem intenção. Nunca matei, apesar de em muitos momentos não me faltar a vontade de matar quem já me matou. Mas magoar, fazer mal, matar é agir sobre. E eu não ajo sobre nada do que abomino. Vivo uma fase da minha vida em que me sinto superior a isso. Logo, tudo o que merece a minha acção, a minha intervenção mereceu o meu amor. Todo este meu cansaço é por amor. Um amor divino, um amor de caridade concreta, um amor a um modelo de vida, um amor a um estilo de ser pessoa, um amor aos outros.

Hoje, pela voz de Lucas, se mostrava que as dificuldades são a "ocasião de dar testemunho" e que é pela perseverança que se salvam as almas!

Mas já é só o teu sorriso que me faz adormecer. Porque "um sorriso basta para mudar o mundo", e o meu mundo só existe por causa do teu Amor.

sábado, 13 de novembro de 2010

[1214.] Saturni dies

Conquista

Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

[1213.] Veneris dies

Aung San Suu Kyi, a Prémio Nobel da Paz de 1991, líder da oposição na Birmânia e da Liga Nacional para a Democracia, pode sair hoje de casa, pela primeira vez nos últimos sete anos, onde se encontrava em prisão domiciliária. Aung San Suu Kyi esteve 15 dos últimos 21 anos presa em prisão domiciliária - o último período dos quais, dezoito meses, pelo facto de ter recebido um cidadão americano na sua residência.
Suu Kyi é filha de um heroi da independência birmanesa e foi a vencedora das últimas eleições livres da Birmânia, em 1990. Nunca chegou a tomar posse porque foi presa.

Suu Kyi é hoje libertada. Vejamos por quanto tempo!

A música "Walk On", dos U2, do ano 2000, foi feita em sua homenagem. Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano"em sua honra e tocaram-na ao vivo no "Nobel Peace Prize Concert" em Oslo, Noruega.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

[1212.] Obrigado Zé Domingos!

Assinalou-se hoje, um pouco por todo o 'Mundo Ocidental', o Dia do Veterano. Um dia destinado a lembrar os homens que, no passado, combateram em nome do Estado nacional.
Antepassados, todos, uns ainda vivos, outros já mortos, e muitos deles em combate, que deram testemunho e realizaram um serviço, muitas vezes em nome de ideais nos quais nem sequer acreditavam, com os quais nem sequer concordavam, mas que não deixaram de o fazer. Antepassados que não desertaram.

Já aqui o referi, várias vezes, que me enoja a forma como Portugal, os portugueses e, acima de tudo, o Estado Português trata os seus Veteranos. Nos último 10 de Junho - primeira vez em que os veteranos de guerra marcharam no desfile oficial do Dia de Portugal - escrevi AQUI sobre o assunto e citei AQUI as palavras de António Barreto - presidente da Comissão das Comemorações do Dia de Portugal - sobre a temática.

Bem pode dizer-se que não é um Dia do Veterano que vai dar a estes homens a dignidade e o reconhecimento que a Nação lhes deve. Mas se calhar ajudava. Porque enquanto houver alguém que se lembra deles e do seu exemplo eles continuam entre nós.
No tal 'Mundo-Ocidental-que-não-ignora-os-seus-veteranos', naquelas que a linguagem diplomática e os velhos manuais de Direito Internacional Público chamam de 'Nações Polidas e Civilizadas', hoje é Dia do Veterano porque em 11 de Novembro de 1918 se pôs fim e se assinou o Armísticio da Grande Guerra (que até haver uma Segunda era apenas a Grande Guerra). Portugal também esteve na Grande Guerra. Também na Grande Guerra morreram portugueses cujos nomes constam nas várias sedes de concelho do país em 'pelourinhos' a quem hoje já ninguém dá atenção. Esses podem estar longe, mas ainda estão perto e vivem entre nós homens que viveram a Guerra Colonial, alguns deles com fardos pesadissimos às costas, em sofrimento... em muito sofrimento e angustia!

E há os que não regressaram, ESTES, que estão enterrados no capim denso do cemitério 'dos colonialistas' de Mueda, em Moçambique. E dos quais já nem nos lembramos de reconhecer a justiça de obrigar o Estado que os levou vivos a trazê-los mortos.
Quando eu nasci, já o 'Zé Domingos' tinha morrido. O 'Zé Domingos' era primo direito do meu pai, o único filho do padrinho Zé Augusto e da Tia Maria Antónia. Morreu em Angola, já depois do 25 de Abril de 1974, e pouco tempo antes da declaração de independência de Angola, cujos 35 anos se assinalam daqui a 15 dias. Morreu na Guerra, assassinado à queima-roupa, quando a Guerra até já tinha acabado, pelo menos oficialmente. Morreu em Luanda porque era branco e estava fardado com o uniforme do Exército Português.
Na familia o 'Zé Domingos' é um herói. Há fotografias dele em vários locais das casas da minha avó, tanto na Mealhada como em Medelim. Nunca houve pudor em falar dele, excepto em frente aos pais, que ainda hoje sofrem pela morte do filho. Choram - dá-me a impresão que já sem lágrimas - quando olham para os sobrinhos e lembram o filho que não têm, quando olham para os sobrinhos-netos (todos rapazes) e vêm os netos que não puderam ter.
O 'Zé Domingos' está no cemitério de Medelim. Os meus avós ensinaram-me a dirigir-me à campa dele, desde criança, para que não se perca a informação do local onde está e quem é. Procuro repetir o gesto sempre que lá vou, numa rota de avanços e recuos por outras campas que nunca tiveram pedra nem nome e às quais me dirijo, respeitosamente, porque me ensinaram a fazê-lo. Sempre tive muita curiosidade sobre o 'Zé Domingos', do herói e do mito da familia e do homem por trás disso - e dos muitos defeitos que tinha e que muitos dos Canilhos co-herdaram. Mas nunca lhe disse Obrigado! E já devia tê-lo feito. Talvez em breve o deva fazer!
Obrigado Zé Domingos!
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[1211.] Iovis dies

São Martinho e o Pedinte
El Greco, 1597-1599, óleo sobre tela
Widener Collection
National Gallery of Art de Washington

Hoje é Dia de São Martinho.