terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

[1277.] Do Alto de Penacova

Valeu a pena Manuel Alegre ter ido a Penacova em campanha eleitoral. Pelo menos para mim... fiquei a conhecer um poema seu de que não sabia existência: «Do Alto de Penacova».

Não porque seja um poema especialmente estimulante... nem me parece que o seja. Mas porque se refere a uma personagem da história de Portugal de que gosto especialmente - Pedro, duque de Coimbra (1392-1449).




Dom Pedro, ou o regente D.Pedro, é, provavelmente, o meu personagem medieval português preferido. Por ter sido alguém que marcou de modo profundissimo Portugal do seu tempo e do futuro. Por ter sido alguém que teve razão antes do tempo. Por ter sido um herói da convicção, da resistência, do que acreditava ser justo e certo, contra um modo tacanho de ser e de ver Portugal.


Este poema é bonito por isso. Especialmente por isso.


Do alto de Penacova

Do alto de Penacova D. Pedro observa
lá em baixo as tropas de Bragança o irmão
bastardo. Vêm cansados sujos desprevenidos.
Pode escrever-se um poema nesse momento

não haverá outro assim para o Infante
acabar com boatos e depois tranquilamente
dizer ao jovem rei que não pretende a coroa
mas apenas respeito pelo modo

como regente serviu sem ambição o reino.
Pode escrever-se um poema nessa hora
com D. Pedro pôr fim à intriga e derrotar a inveja
o mal dizer a mesquinhez e a mentira

essas velhas doenças que são o cancro
de Portugal. Mas de súbito por um escrúpulo moral
um supremo desprendimento que será talvez
um narcisismo do avesso ou (o que é o mesmo)

um excesso de confiança um desinteresse
ou uma incontrolável melancolia
D. Pedro não segue o impulso inicial
nem ouve os que lhe dizem que é preciso

atacar sem demora. O poema escreve-se
nessa razão misteriosa que leva o Infante a retirar-se
sem saber ou talvez sabendo que ao fazê-lo está
a retirar-se da própria História e a permitir

que sejam outros a fazê-la e a escrevê-la. Ninguém
saberá nunca porque hesitou naquela hora. O poema
escreve-se do alto de Penacova e nessa
hesitação fatal em que D. Pedro

inverteu o sentido do futuro. O seu e o nosso.
Talvez acima de tudo ele gostasse
não propriamente do poder mas de
podê-lo ter e não o querer. O poema escreve-se

com D. Pedro no alto de Penacova
nesse instante de renúncia em que ele diz
que mais do que poder o que é preciso
é outro modo de ser
e outro país.

[Segunda das Sete Partidas de Manuel Alegre, Edições Nelson de Matos, 2008]

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

[1276.] Da Memória
















Ainda não li o "Uma Pequena História do Mundo", de Sir Ernst Hans Gombrich. Mas estou muito curioso! Parece ser uma obra interessante.

Gombrich 'apareceu-me' a semana passada, através de uma citação desse livro - que terá escrito em 1936, na Alemanha, e que foi revisto e traduzido e republicado em 2005.

Na citação a que tive acesso, Gombrich usava a imagem de um poço sem fundo para ilustrar a história do mundo. Comparava, então, a nossa memória pessoal a um pequeno papel a arder deixado cair nesse poço. O papel vai caindo devagar e vai iluminando as paredes do poço, até desaparecer. Quando desaparece deixamos de ver as paredes do poço.


"A nossa memória é como este bocado de papel. É com ela que nós iluminamos o passado! Primeiro, o nosso próprio passado e depois temos de pedir a pessoas mais velhas para nos contarem aquilo de que se lembram [e nos transmitam o que viram nas paredes do poço] (...) Dessa maneira [Só dessa maneira] conseguimos iluminar o poço mais fundo".




Gosto muito desta imagem. Acho-a muito interessante.

Até porque vai ao encontro de uma conversa que tive há umas duas semanas com uma pessoa que muito estimo e de quem gosto muito - o professor Manuel Santos -, a quem pedi que me contasse as memórias que tem do espaço onde existe hoje o Parque da Cidade (para um trabalho que me foi solicitado por uma personalidade local, com quem estou a falhar). A conversa descambou - como sempre... - e foi parar ao reconhecimento da necessidade que temos (ou da preocupação que deviamos ter) com o registo do que nos vai acontecendo e do que vamos conhecendo/descobrindo através do testemunho que nos transmitem pessoas mais velhas acerca de acontecimentos passados. Concluímos, irremediavelmente, que no dia em que essas pessoas desaparecerem, se não houver registo, a memória coletiva perde-se para todo o sempre, porque a memória das paredes de um poço que não vimos morre com elas. E essa é uma perda irrepararável.

Para além da perda, ao professor, como a mim, frustra muito o facto de termos consciência de que o devíamos fazer - registar essa memória alheia - e não o estamos a fazer de modo suficiente. Estamos a fazê-lo - através das noticias do dia-a-dia que registamos no jornal, dos artigos historiográficos que aqui publicamos (tanto no JM como no FRONTAL) na criação e publicação da revista VIA, etc. etc. etc...
Mas mesmo assim não chega, porque todos os dias desaparecem olhos que viram - através do pedacinho de papel - bocados da parede do poço que mais ninguém viu!

Chega a ser doloroso, pensar que nunca conseguiremos abarcar todas essas memórias dos outros!
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

[1275.] Desculpem, mas não percebo...

Quantas vezes é que um gajo tem de dizer ao Estado, que morreu?


Hoje continuou na ordem do dia a discussão do problema da bronca dos eleitores que não conseguiram votar no domingo...
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É incrivel como é que ontem, duas pessoas - eu e a minha esposa -, em vinte minutos - na viagem Coimbra-Mealhada -, conseguimos ponderar todos os prós e contras de várias medidas para resolver o problema... enfim!
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Mas hoje, o Correio da Manhã - citado, depois, pelo Jornal de Negócios - garante que há 1.250.000 eleitores fantasmas nos nossos cadernos eleitorais! Nada mais, nada menos do que 13 por cento do número que consta dos dados oficiais! Bolas!
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Entenda-se que eleitores fantasmas são "as pessoas falecidas que ainda não foram eliminadas nas listas das freguesias" ou, ainda, "os emigrantes que mantêm o local de voto em Portugal, apesar de se encontrarem no estrangeiro", escreve o Correio da Manhã, tendo como base a informação de uma empresa chamada Aximage.
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Ou seja, o número de eleitores será de cerca de 8.38o.000, em todo o país e não os 9.629.630 que constam dos cadernos. O mesmo é dizer que no passado domingo a abstenção não foi de 53,4 por cento, mas de 46,4 por cento, o que, não sendo positivo, é abaixo da barreira psicológica da metade e bastante inferior!

À Rádio Renascença, às 11h 36m, poucas horas antes de se demitir - e de dizer que só punha isso em causa depois do Inquérito da Universidade do Minho - Jorge Miguéis, o diretor da administração eleitoral da Direção-geral da Administração Interna, garantia que era "irresponsável", a informação do Correio da Manhã! Olha quem podia falar de responsabilidade. Garante Jorge Migueis, que é “temerário avançar com um número concreto” de eleitores fantasma, “porque não se sabe”. Resposta tranquilizadora!
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“Efectivamente, não há nenhum cálculo”, afirma à Rádio Renascença. “É indubitável que, se compararmos os censos da população [que em Portugal se fazem de 10 em 10 anos], ainda que através de projecções, o eleitorado aparece algo inflacionado, mas se é 800 mil, se é 400 mil” não se pode dizer, acrescenta.
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Garante o diretor, entretanto demissionário, que "O recenseamento eleitoral é um filme" [CONCORDAMOS], "porque tem uma evolução diária".
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E foi um filme muito grande para se conseguir que o recenseamento eleitoral em Portugal fosse automático - para todos os cidadãos que completassem 18 anos - foi uma luta, que se revelou profícua, da JSD que demorou anos e anos.
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A pergunta que se impõe, agora, é saber quantas vezes é que um cidadão português "tem de dizer" ao Estado, que morreu para que seja dado como morto para efeitos eleitorais.
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Ora se a morte de alguém tem de ser averbada no Registo Civil - que é parte fundamental da Administração Pública Portuguesa, e uma função de Soberania - porque é que essa informação não é espalhada por todos os setores da mesma Administração Pública? Porque é que têm de ser os cidadãos a ir às Finanças com a Certidão de Óbito por causa de assuntos fiscais, e têm de ir à Junta de Freguesia para a questão eleitoral, e têm de ir à Segurança Social para mais não sei o quê?
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Não percebo... Desculpem, mas não percebo!
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Não posso acreditar que as coisas só funcionem assim para que o Estado possa cobrar taxas por cada serviço e por cada certidão e mais cada impressozinho...
Nem posso acreditar que as juntas de freguesia não retirem os nomes dos mortos dos cadernos para poderem ter - artificialmente - um maior número de eleitores, facto que lhes permite ter um resultado melhorzinho na equação do financiamento das freguesias da parte do Orçamento do Estado, em cada ano!
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

[1274.] A Escola Livre, a Ilha de "O Deus das Moscas" ou SOS de Salve-se O Social estado

Está mais que identificado que o sucesso da economia e da prosperidade da Suécia reside no seu modelo de gestão escolar. Um modelo, criado em 1992, que passa pelo financiamento dos alunos, através de um ‘voucher’ e, consequentemente pela introdução da possibilidade de escolha da escola e da posterior concorrência entre escolas. O Estado entrega a sua comparticipação através de uma espécie de cheque que a família recebe como contrapartida da condição de cidadão do estudante com direito a uma educação gratuita.

Este modelo é sueco - o mais social-democrata (leia-se do socialismo democrático da Internacional Socialista) dos países europeus -, mas também David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, eleito pelo Partido Conservador já anunciou que, sendo apoiante do modelo, o pensa implementar.

A propósito deste tema escrevi em 24 de Março de 2010 - Dia do Estudante - um editorial que pode ser lido em [960.] A escola livre ou a ilha de ‘O Deus das Moscas’?

Em Portugal as coisas parece que funcionam ao contrário. Diaboliza-se a escola privada - porque há algumas sociedades proprietárias de escolas que só pensam no lucro sem pensar na qualidade! Então, inviabiliza-se a subsistência de todas as escolas privadas, apesar de no ranking das escolas serem estas as que apresentam melhores resultados em exames nacionais! Curioso, não?

Toda a vida frequentei o ensino público. Não sou filho de nenhum politico ou professor que - mesmo trabalhando ou tutelando o setor - coloca os filhos no privado! Nada me move contra o público, nem contra o privado! Mas também sei analisar resultados e a escolha dos professores e o funcionamento em economia de mercado tem trazido grandes vantagens aos alunos que frequentam uma escola - em geral - mais rigorosa. Como liberal que sou, não posso deixar de condenar as atitudes totalitárias de um Estado Social que aniquila tudo o que pode em nome de uma estupida vontade de nivelar por baixo!

















[960.] A escola livre ou a ilha de ‘O Deus das Moscas’?:

(...) Serve a escola para educar as crianças, os adolescentes e os jovens?
Ou serve, principalmente, para empregar professores? Da resposta a estas perguntas se depreenderá que se o objectivo fosse centrar a escola no aluno, seria mais fácil financiar o aluno – que poderia escolher livremente a sua escola, pública ou privada – do que financiar o edifício burocrático que é hoje a escola pública portuguesa. Não deixa de ser curioso que a maior parte dos políticos portugueses – nas cúpulas do Estado mas também ao nível das autarquias locais –, mesmo os que têm responsabilidades na educação, prefiram colocar os seus filhos a estudar em colégios privados do que na escola pública que tantas vezes tutelam.
David Cameron é o líder do Partido Conservador britânico. Em Maio poderá vir a ser primeiro-ministro. No Outono passado, não teve nenhum pudor em afirmar que tinha uma equipa a estudar o modelo sueco de gestão escolar, conhecido como ‘da liberdade de escolha da escola’. A Suécia é, talvez, o mais social-democrata – o que no panorama português equivale ao socialismo democrático maioritariamente representado pelo PS – dos países europeus. Este modelo nasce com um governo liberal-conservador, é certo, e é mantido e melhorado nos governos social-democratas seguintes – seria impensável em Portugal?
O elemento fundamental do modelo sueco, criado em 1992, passa pelo financiamento dos alunos, através de um ‘voucher’ e, consequentemente pela introdução da possibilidade de escolha da escola e da posterior concorrência entre escolas. A criança tem direito à Educação gratuita. Tem a criança sueca, como tem a criança portuguesa. A diferença é que o Estado entrega a sua comparticipação através de um voucher, uma espécie de cheque que a família recebe como contrapartida da condição de cidadão do estudante com direito a uma educação gratuita. “Quando os vouchers foram lançados, em 1992, já existiam algumas escolas privadas, em regra muitíssimo boas e muito procuradas pelas famílias. Mas eram todas pertencentes a instituições sem fins lucrativos, o que era imposto por lei. A consequência desta restrição era muito curiosa. As poucas e excelentes escolas privadas não tinham incentivos nem meios para se expandirem. Criavam então enormíssimas listas de espera em que os pais inscreviam os filhos à nascença. Esse era o seu distintivo de qualidade. Mas só um número muito limitado de crianças tinha realmente acesso à escola de qualidade”, narra João Carlos Espada, politólogo da Universidade Católica, num
ensaio publicado no jornal i, em 24 de Outubro de 2009. “A partir de 1992, duas coisas aconteceram. Todas as escolas, estatais ou privadas, passaram a receber por aluno o mesmo montante pago pelo Estado. Em segundo lugar, a criação de novas escolas foi remendamente facilitada, requerendo apenas garantias de qualidade. As instituições com fins lucrativos foram autorizadas a entrar no novo mercado de educação”, descreve, ainda, João Carlos Espada. Hoje a escola sueca é um modelo de qualidade, melhorou a educação dos alunos, mas também melhorou a escola pública.“Talvez a liberdade de escolha da escola seja a solução para a quadratura do círculo. Pelo menos funcionou na Suécia, o mais social-democrata país europeu. E é bem possível que venha a dominar o futuro próximo do debate político europeu”, assevera João Carlos Espada. Porque não?

[1273.] Cidadania encartada...

Viu-se que CU de Sócrates não serve para coisa nenhuma


Começou por chamar-se Cartão Único, mas cedo se percebeu que a sigla ia dar raia... Lá decidiram que o melhor era chamar-se Cartão do Cidadão, mantendo-se o pressuposto de ser um único cartão perante toda a administração pública portuguesa.

Para um português, um 'bilhete de identidade' é algo de fundamental. Para ingleses, por exemplo, é um disparate, um desperdicio - como se concluiu do debate político que o Governo de Sua Majestade promoveu há relativamente pouco tempo. Num país de burocratas - em que há cartões para tudo e para mais alguma coisa, e no qual até para um grupo recreativo é preciso fazer cartões - é coisa relevante.

A ideia de unificar, então, não seria disparatada.

Na consequência de ter mudado de estado civil, precisei de alterar a minha documentação - nomeadamente no âmbito do registo civil. Fui tirar - pese embora tardiamente - o Cartão do Cidadão. Fiz os proformas todos - com fotografias sem sorrisos, impressões digitais, assinatura digital e etc. Quando foi a altura de deitar para o lixo os cartões todos, entreguei o Bilhete de Identidade, o Cartão de Saúde... e fiquei com o Cartão de Eleitor na mão. Ainda insisti com a funcionária para lho entregar, eis senão quando sou informado que o Cartão de Eleitor não é substituído pelo Cartão do Cidadão.

Fiquei muito admirado.
Por ser o cartão que um cidadão menos usa - de quando em vez, por breves segundos, e para certificar, apenas, um número - achava eu, que seria logo o primeiro a 'abater'. Mas não. O Cartão do Cidadão não tem número de Eleitor.

Não deixa de ser curioso que para fazer CC tenhamos de registar uma morada completa - o que obriga a que uma pessoa (um estudante numa outra cidade, por exemplo) tenha de ir ao Registo Civil cada vez que muda de casa - mas não tem o registo do número de eleitor. Ou seja, é uma palermice!
Palermice essa, agravada pelo facto de, com a mudança de morada, ser o próprio sistema a mudar o local do recenseamento eleitoral. O sistema muda-nos o local de voto, em função do código postal da nossa morada, mas não nos indica no cartão - nem sequer nos informa, por carta, posteriormente - do nosso número de eleitor. Ou seja é uma barbaridade!

Aquilo que aconteceu no domingo, e que impediu que pessoas que queriam votar não o tenham podido fazer, é um escândalo. É certo que as pessoas foram avisadas (até na carta que recebem com os códigos de ativação do cartão) que pode ter acontecido terem mudado de local de voto - o sistema manda-as mandar uma SMS ou ir à net -, mas o bloqueio do sistema é coisinha de amadores.

No domingo lá fui votar... sem problemas... na freguesia de sempre... com o cartão do cidadão, que não tem o meu número de eleitor, e com o cartão de eleitor que não tem qualquer elemento que me identifique...

Quando fui ao Registo Civil da Mealhada para ativar o CC pedi à senhora para me colocar no chip a informação do meu número de eleitor... mas também já percebi que não serve de nada, porque não há na administração eleitoral lado nenhum onde me possam ler o chip... Ou seja, ficamos na mesma!

Já se viu que CU - leia-se Cartão Único - do Sócrates não serve para coisa nenhuma. Tem um chip que não dá para ler em lado nenhum, não nos susbstitui o único cartão que precisava de ser banido... e lendo o novo e simplex documento se percebe que não tem Naturalidade, não tem indicação da Morada (nem sequer freguesia-concelho), não tem Estado Civil... não tem ponta por onde se lhe pegue!

Modernices de um novo-riquismo absurdo!
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[1272.] Mercurii dies

Notas presidenciais 2011_7

Eleições para quê?
No rescaldo

Não há muito a dizer relativamente às eleições do passado domingo, que reelegeram Cavaco Silva para o seu segundo mandato como Presidente da República. Duas horas e meia depois de terem fechado as urnas no arquipélago dos Açores, já se conhecia o vencedor, já estavam apuradas quase todas as freguesias – faltando apenas as que boicotaram o acto eleitoral –, já tinham discursado os derrotados, os vencedores, e os principais líderes partidários. Uma noite sem história, portanto.
Ficou uma vez mais provado que os portugueses não arriscam na escolha de quem os governa, mesmo que a análise global de avaliação do sistema político não seja nada positiva. Como sublinharam vários comentadores na noite eleitoral (não sabemos se pode chamar-se noite a pouco mais de duas horas de apuramento de resultados), com a exceção da primeira eleição de José Sócrates, que derrotou Pedro Santana Lopes – que não havia sido eleito, mas nomeado –, nunca os portugueses deixaram de reeleger um primeiro-ministro ou um presidente da República que se recandidatasse.
Mas como dissemos no Editorial da semana passada, no domingo, 23 de janeiro, realizou-se “um teste à Democracia portuguesa”. Como referimos, antes de conhecer os resultados eleitorais: “Será inevitável um debate profundo e uma reflexão aturada se, num ambiente de crise política como a que vivemos, a abstenção atingir valores que superem os cinquenta por cento”. Assim aconteceu. Mais de 53 por cento dos eleitores preferiram não votar – na Mealhada foram mais de 55 por cento – cerca de dois e meio por cento a mais do que nas eleições de 2001, que reelegeram Jorge Sampaio.
Acontece que em 2001, era muito significativa a abstenção técnica – nomes de pessoas falecidas nos cadernos eleitorais que contavam como eleitores e inflacionavam a abstenção. Com a actualização dos cadernos, o número de eleitores aproximou-se mais da realidade, o que nos faz acreditar que o aumento do número de abstencionistas não foi de apenas dois e meio por cento, mas de duas ou três vezes mais.
No número de pessoas que não votaram parece existir um valor significativo dos que não o fizeram porque, por causa do cartão do cidadão, não o puderam fazer.
De qualquer modo, sendo impossível determinar a razão pela qual não votam mais de metade dos portugueses em condições para o fazer – haverá razões de muita natureza –, dúvidas não existirão acerca dos que foram votar e deixaram os seus votos em branco, ou os anularam. Essas pessoas, definitivamente, demonstraram uma clara objeção ao sistema político português – seja na sua organização, seja relativamente aos resultados da ação dos seus protagonistas, seja porque não se revêm em nenhum dos candidatos que se apresentaram. Quase trezentas mil pessoas – cerca de seis por cento dos que efetivamente votaram – mostraram esse seu descontentamento, no passado domingo.
Um descontentamento que não pode ser ignorado – como referimos há uma semana. “E isso é grave. É muito grave. Porque alguma coisa vai ter de mudar. Porque a Democracia não pode ignorar o que é a expressão da maioria”, repetimos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de janeiro de 2011
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[1271.] Notas presidenciais 2011_6

Análise dos resultados eleitorais das presidenciais no concelho da Mealhada

Reportagem publicada no Jornal da Mealhada de 26.01.11

No contexto distrital, Mealhada foi o pior para Cavaco e o melhor para Alegre
7,5 dos eleitores do concelho votaram brancos ou nulo
Abstenção aumentou 15 por cento


O concelho da Mealhada não foi excepção à preferência que os portugueses deram à reeleição de Cavaco Silva, à primeira volta, para a presidência da República. No entanto, foi no município mealhadense que Cavaco Silva obteve o pior resultado no distrito de Aveiro. Em contrapartida, Manuel Alegre acabou por conquistar no concelho da Mealhada o melhor resultado do distrito de que é natural – significativamente mais do que no de Águeda, onde nasceu. Apesar de o número de eleitores ter aumentado face às últimas presidenciais, o número de votantes foi muito menor do que há cinco anos. A abstenção no concelho da Mealhada foi de 55,7 por cento – tendo ido além dos 57 por cento em metade das freguesias do concelho. Digno de registo é, também, o número de votos brancos ou nulos – 624, sete e meio por cento da votação, resultado três vezes maior do que há cinco anos.

No distrito de Aveiro, Cavaco Silva obteve mais de 60 por cento dos votos. O concelho da Mealhada foi o único em que a votação de Cavaco não chegou aos 50 por cento dos votos validamente expressos – por 1,2 por cento. Só na freguesia de Antes é que Cavaco teve mais de metade dos votos válidos – curiosamente foi a única freguesia em que a abstenção foi inferior aos 50 por cento.
Mesmo assim, Cavaco – com menos 800 votos do que há 5 anos – conseguiu ter uma percentagem 4,7 por cento superior à das presidenciais de 2006, o dobro do valor do total nacional. Manuel Alegre foi quem mais perdeu, 970 votos e três por cento, face à última eleição presidencial. Tudo leva a crer que muitos dos eleitores que normalmente votam no Partido Socialista – que se mostrou completamente desmobilizado nesta campanha – tenham engrossado a percentagem de votos Brancos e Nulos, que triplicou face a 2006.
O terceiro candidato, Fernando Nobre, teve na Mealhada 14,7 por cento dos votos – um resultado próximo do total nacional – e o quarto melhor do distrito de Aveiro. O resultado de Nobre ficou próximo do resultado obtido por Mário Soares em 2006 – teve menos 600 votos que o antigo presidente. Nalgumas mesas de votos – como as mesas números 2 e 3 da freguesia da Mealhada, por exemplo – a votação em Fernando Nobre foi superior à de Manuel Alegre.
O somatório dos votos brancos e nulos foi, em quase todas as freguesias (com a excepção da Pampilhosa, por um voto), o quarto maior valor verificado. Um valor 1,3 por cento superior ao total nacional e próximo do total distrital.
Francisco Lopes, o candidato apoiado pelo PCP, o único a visitar em campanha eleitoral o concelho da Mealhada, teve 5,7 por cento dos votos, o terceiro melhor do distrito de Aveiro – uma percentagem maior do que a que foi conquistada por Jerónimo de Sousa, em 2006.
O madeirense José Manuel Coelho conquistou 3,5 por cento dos votos, tendo tido resultados significativos nas maiores freguesias. Defensor de Moura não foi além do 1 por cento. No entanto, conseguiu obter mais votos e o dobro da percentagem que Garcia Pereira –, o último dos candidatos em 2006, conseguiu na Mealhada.

O concelho da Mealhada mantém o título: Em 26 anos e em 7 actos eleitorais, nunca deu uma maioria absoluta a Cavaco Silva!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

[1270.] Lido na C_3

O Pinóquio que se tornou um Homem



Sandro Alves foi uma das estreias da Revista C. O mealhadense foi entrevistado no número zero desta publicação, na secção "Cérebros - Seleção de Esperanças". Para mim, como mealhadense e como amigo do Sandro, é um orgulho. Por ele, principalmente.

Com o distanciamento que pode ter alguém que conhece o Sandro desde sempre. Desde o ciclo preparatório (a primária eu fi-la em Sernadelo, o Sandro fez na Mealhada) que nos conhecemos. Desde o tempo em que o Sandro era "um crânio" - como na altura se dizia -, ou o Pinóquio (não sei precisar se a razão é exclusiva pelo facto de sempre ter sido um magricela de nariz adunco), passando pelo tempo em que integrou a minha equipa na Associação de Estudantes da Escola Secundária da Mealhada, a tempos menos positivos e outros bem melhores.

O Sandro sempre foi um rapaz especial - com tudo o que isso tem de bom e de mau (chegou a ter os dois braços partidos e engessados ao mesmo tempo) - numa demonstração de que só o querer é limitativo à felicidade plena e ao tamanho dos nossos sonhos.

Num tempo em que eu vejo os miudos a desistir de tudo, a terem medo de sonhar, o exemplo do Sandro não pode deixar de ser uma grande incentivo à busca da felicidade. Ao Saber, Querer e Agir que deve estar sempre presente na Vontade de quem quer ir mais além e fazer a diferença!

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[1269.] Lido na C_2

O ministério do Presidente da República, segundo António Arnaut.


A revista C perguntou a António Arnaut - advogado, coimbrão, antigo ministro dos Assuntos Sociais, ilustre socialista e antigo grão mestre do Grande Oriente Lusitano, ah! e apoiante da candidatura de Manuel Alegre a Presidente da República - "Para que serve o Presidente da República?".
O ilustre jurisconsulto deu uma resposta que não resisto a reproduzir. Não só por subscrever o seu conteúdo, como porque me parece uma declaração quase poética:
«Incumbe-lhe, na sua qualidade de representante do país e da unidade nacional, identificar-se com os profundos anseios do povo e pugnar pelo prestígio de Portugal. Como símbolo da Pátria, impõe-se-lhe a defesa da História, da Língua e da Cultura nacionais e a ligação entre o passado e o futuro. Outra das suas funções essenciais é de domínio prático – a de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, o que significa, no contexto actual, que terá de pugnar pela construção da democracia política, social e económica, ou seja, pela construção do Estado social, defendendo a coesão entre todos os portugueses. O seu mandato deverá ser, em suma, parafraseando Sampaio Bruno, o de garante de um país como “comunhão de solidariedades”.»

[1268.] Lido na C_1




















Marcelo Nuno é uma personalidade conhecida da vida política de Coimbra. Eu, pessoalmente, não o conhecia. Fomos apresentados no inicio de Dezembro em Penacova, num jantar do PSD local. Marcelo Nuno pareceu-me uma pessoa simpática e interessante - o que, permita-se a franqueza, era bastante diferente da ideia que eu tinha dele.

Hoje, ao folhear a C, a nova revista de Coimbra, reparo que o candidato à distrital de Coimbra do PSD tem uma ideia muito próxima daquilo que procuro dar testemunho junto de muitos jovens com quem trabalho: O Escutismo é uma escola de cidadania, que impele o jovem-cidadão para a liderança cívica na própria sociedade. Dito de outra forma, o escutismo forma lideres políticos de uma forma muito própria e singular.

"Interessei-me pela política por ser escuteiro", afirmou Marcelo Nuno. Parece-me muito bem!

[1267.] Parabéns à C

Chegou-me hoje às mãos - através da Marta Varandas, e da diligência sempre sagaz da MSL - a novel revista C.
Trata-se de um interessante produto editorial - da cidade de Coimbra com pretensões regionais - da BeirasTexto, de António Abrantes, fundador e até há pouco tempo detentor do Diário As Beiras.
É um produto interessante - como já disse. O formato revista acaba por ter atrativos que estimulam o leitor. Torna-se um objecto mais perene, mais valioso do que o jornal, que amarelece e apodrece. Eu sou fã de revistas - confesso.
Nesta primeira edição - o número zero - chamaram-me a atenção um conjunto vasto de artigos (não resisto a citar alguns seguidamente)que me fazem augurar um bom percurso para a C. Vou esperar pela próxima edição - a 3 de Fevereiro.
O corpo editorial conta com Fernando Moura - o blogger coimbrão (ou coimbrinha?), do 'Sexo e a Cidade', detentor de um perfil arrojado e inovador -, ele próprio um guru do i-jornalismo regional.
Esta revista - chamada de uma letra só - que nasce depois de Abrantes ter vendido o Diário das Beiras à Fapricela e ao grupo Lena, que por sua vez é o dono do jornal i - não deixa de ser um interessante reflexo de uma revolução que estamos a viver na imprensa portuguesa. Uma revolução feita de guerras que tem estimulado a criatividade e a inovação. Uma revolução que - assim esperamos - o mercado vai premiando e punindo.
Mantenhamo-nos atentos...
Na sexta-feira é o Diário As Beiras que se revoluciona graficamente, depois de o ter feito à relativamente pouco tempo. Numa publicidade publicada na edição de ontem era garantido que ia ser "mais prático e moderno, formato reduzido e agrafado" - mais próximo do jornal i, entenda-se. São profícuos os tempos que correm!

[1266.] Notas hagiológicas

No sábado da semana passada, dia 15 de janeiro, foi dia de Santo Amaro, e no dia seguinte foi preciso ir 'bater foto' à Romaria na capela privada da propriedade (já decrépita) dos Valdoeiro, junto do Travasso.

Cinco dias depois, na quinta-feira, 20 de janeiro, foi dia de São Sebastião. O Mártir que os homens portugueses tanto veneram e que na Mealhada já tem capela a si dedicada há mais de trezentos anos. Antes de ontem, domingo, apoiámos a Irmandade na saída à rua de uma procissão que vai tendo muito fieis, mas que a Mealhada já não saúda. Depois de recuperada a capela seiscentista do mártir no casco velho da Mealhada, a irmandade comprou um rancho de santas que gosta de levar à rua... Faltam, no entanto, os mártires da boa vontade para as carregar aos ombros pelo percurso mais comprido da freguesia. Cumpriu-se, novamente, a tradição, num dia solarengo - mesmo que frio.

No sábado, dia 22, foi dia de São Vicente, o padroeiro da Vacariça - a nossa Guimarães. Ainda não foi este ano que por lá passei, para apreciar o culto ancestral, que remonta a tantos séculos... também ninguém se ofereceu para pagar um copo... Quem sabe para o ano.

Já ontem, segunda-feira, foi dia de São Francisco de Sales, o padroeiro dos escritores e dos jornalistas, e o patrono da família salesiana. O trabalho não foi aliviado na solenidade do padroeiro e só as boas noticias fizeram aliviar o atraso que 'o comboio' leva noite dentro.

Hoje é dia da Conversão de São Paulo, o apóstolo de Cristo que passou de perseguidor a perseguido e é o padroeiro dos caminheiros do CNE. Uma data que traz grandes memórias em memória de Paulo de Tarso, é certo, e de muitas coisas bonitas que em seu nome se fizeram na região de Coimbra do CNE. Dias de São Paulo que eram festas de convivio e, acima de tudo, de conversão profunda! Conversão depois de encontrada a resposta porque fora colocada a dúvida. Conversão depois de uma luz que cegava pelo óbvio e pelo simples. Conversão a um Amor verdadeiro e completo de nos encontrarmos no coração dos outros!
E uma pergunta: "Porque é que me fazes isto?"
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[1265.] Notas Presidenciais 2011_5

Não tenho problemas nem constrangimentos em declarar o que gosto e o que não gosto.
Nunca escondi preferências, simpatias e antipatias.
Felizmente nunca precisei de me mascarar.

Há coisas que digo (publicamente) que muitos (alguns meus amigos) consideram que não devia tornar tão claras, seja pela minha profissão, seja pelos meios onde faço o meu quotidiano, seja porque causam invejas, sejam porque me tornam demasiado saliente, sejam porque me podem ser assacadas no futuro.

Mesmo assim vou arriscando... É uma mania... talvez...

Sou cavaquista. Nunca o escondi.
Sou liberal. Já o divulguei várias vezes.
Mas nem por isso aprecio todos os cavaquistas, nem todos os liberais. E nem todos os social-democratas, e nem todas as pessoas que comigo poderão ter um elo de proximidade ideológica.
E se sou cavaquista, liberal (não sou de todo um social-democrata no sentido puro e ideológico do termo) ou católico não é porque alguém me tenha arrebanhado para o ser, mas porque refleti sobre o assunto e reconheci que o era. Quando sentir que não o sou, deixarei de o ser, de facto.

Tudo isto para dizer que no domingo votei Cavaco Silva.

Mas, se por hipótese Cavaco Silva não fosse candidato - ou se a direita estivesse representada por outra pessoa qualquer [Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Ferreira Leite, Rui Rio ou outro qualquer] provavelmente o meu voto iria noutro sentido.

O meu perfil ideológico está muito mais próximo de Fernando Nobre do que qualquer outro candidato ou referência política atual (extra-Cavaco). Fernando Nobre é, em tese, alguém muito mais próximo do meu estilo de ver a república do que o são outras individualidades política mais próximas de mim.

Fernando Nobre é o protótipo do português que todos os jovens da minha geração gostariam de ser um dia. Um homem que correu mundo, que colocou os seus talentos ao serviço dos outros, que conseguiu vencer e dar testemunho de uma forma diferente de estar na vida e de marcar o presente a caminho do futuro. Apesar do sotaque afrancesado, Nobre é um português dos bons.

Assim que apresentou a sua candidatura, Nobre recolheu a minha simpatia.

Até começar a fazer campanha!

A campanha de Fernando Nobre foi desastrosa. Numa primeira fase, especialmente na fase de debates, demonstrou uma ignorância completa sobre o cargo a que se candidatava. Mostrou não conhecer os poderes do PR, mostrou não dominar conceitos básicos fundamentais do sistema político português e da Constituição, mostrou que se sentia completamente desamparado perante a realidade do país.

Depois, Nobre preferiu seguir o exemplo e o aspecto menos positivo da campanha de Cavaco: o auto-elogio. E então foi desastroso. Como não tinha quem o elogiasse - o patriarca Soares nunca deu a cara no que poderia constituir-se como uma traição a Sócrates - Nobre 'escarrou' na sopa, para usar a imagem de José Estevão. Há poucas coisas tão decadentes como alguém necessitar e exercitar o auto-elogio. Nobre acabou por demonstrar que se candidatou (apenas) por vaidade, e deitou por terra muita da simpatia que por ele se poderia nutrir.

Esgotada essa fase, num terceiro momento, Nobre pensou que tinha de seguir o exemplo de Alegre e passou a insultar Cavaco e o próprio Alegre, e o primeiro-ministro, e a classe política de uma forma generalizada. Entusiasmou-se e em vários momentos fez-me lembrar aqueles amigos estrangeiros a quem ensinamos uma asneira, que eles, por não dominarem o vocabulário, passam a usar normalmente e sem pudor, nas situações mais desapropriadas possível, mostrando enorme rudeza.

Na última fase, o homem ensandeceu... Aquele número dos telefonemas anónimos com ameaças e a declaração de que só se lhe dessem um tiro na cabeça o impediriam de ir à segunda volta - aliada à exortação para que Alegre desistisse a seu favor - mostrou um personalidade tresloucada e completamente desajustada da realidade de uma democracia moderna e madura como a nossa.

Ou seja: Fernando Nobre foi uma enorme desilusão.

Não me parece mal que se candidate daqui a 5 anos, mas ainda tem um longo caminho a percorrer. Tem de aprender muita coisa, tem de se rodear de pessoas que o possam ajudar, e tem de perceber que o povo português gosta de humildade!
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

[1264.] Notas Presidenciais 2011_4

Vale a pena lembrar a máxima clássica, romana, que é tão grata aos republicanos portugueses, numa leitura por analogia ao resultado eleitoral de Manuel Alegre:

Roma não paga a traidores!

(Mesmo aos que servem Roma!)

Os socialistas portugueses não perdoaram a Manuel Alegre a candidatura contra o PS em 2006, e não perdoaram a sua ação como deputado nos últimos anos na Assembleia da República, e não perdoaram a aliança com o Bloco de Esquerda, e não perdoaram que tenha exposto Sócrates ao ridículo com o embaraço no seu apoio, e não perdoaram que tivesse permitido que fosse o BE a gerir e a mandar na sua campanha eleitoral...

Os socialistas portugueses, de uma maneira geral, ontem, em largo número, decidiram não ir votar, outros (MESMO MUITOS) decidiram votar em Branco ou anular o voto, outros preferiram ignorar as criticas de Nobre ao Governo e apoiar o candidato, outros (poucos) escolheram votar Cavaco... Eu falei com muitos que me deram o seu testemunho!
Os socialistas portugueses - muitos deles republicanos dos quatro costados -, geralmente, não 'pagam' a traidores!
Só isso explica que o candidato Manuel Alegre - com o apoio do PS e do BE - tenha tido menos votos (menos 200 mil) do que há 5 anos, altura em que, assumidamente, se apresentou como um candidato sem a força da maquinaria partidária, contra o patriarca Soares e Francisco Louçã!

domingo, 23 de janeiro de 2011

[1263.] Eleições presidenciais 2011

Aníbal Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República, no ato eleitoral de hoje, 23 de janeiro, à primeira volta, com 52,9 por cento dos votos.
Numa nota muito pessoal, permitam-me o registo para o número de votos em branco - absolutamente recorde e ignorado pela comunicação social televisiva -, enquanto rotundo protesto ao sistema politico vigente.
A abstenção esteve a par do que já se registara em 2001, na reeleição de Jorge Sampaio. Registe-se, no entanto, que nessa altura o número de cidadãos já falecidos nos cadernos eleitorais era muitissimo significativo, o que nos leva a crer que a abstenção real em 2011 tenha sido cerca de três a quatro pontos superior à de há 10 anos.
Relativamente aos resultados de cada uma das candidaturas, surpreendeu-me a votação em José Manuel Coelho, o 'Tiririca' como muitos lhe chamaram... Nos últimos dias ouvi muita gente dizer que ia votar nele, mas nunca pensei que essa expressão eleitoral global tivesse tão perto de candidaturas como a de Franscisco Lopes - que tem o eleitorado fiel do PCP - ou tão acima de um homem que é deputado nacional (sem sintomas relevantes de patologia psiquiátrica - como são os visiveis no candidato madeirense).

Relativamente aos concelhos onde acompanho a realidade política, permitam-me, também, algumas notas.

No concelho da Mealhada, Cavaco Silva ganhou em todas as freguesias. O que não deixa de ser histórico. Apesar de ser apelidado de o mais socialista dos municipios do distrito de Aveiro, o candidato do centro-direita foi o mais votado, com 48,84 por cento dos votos (3758 votos).O candidato Manuel Alegre, apoiado pelo PS e pelo BE, ficou em segundo lugar com 26,21 por cento (2017 votos). Fernando Nobre obteve 1133 votos - 14,72 por cento dos votos.
Em mesas como as mais jovens (a 2 e 3) da freguesia da Mealhada, por exemplo, Fernando Nobre teve uma votação muito maior do que Manuel Alegre, o que não deixa de ser muito relevante numa análise politica concelhia.
O número de votos em branco, no concelho da Mealhada, foi absolutamente recorde, o que não deixa de ser digno de reflexão!

No concelho de Mortágua, um bastião socialista do poder local, o resultado em Cavaco Silva é arrasador. O eleitorado é conservador e em eleições nacionais vota de acordo com o que é a tendência no seu distrito, o de Viseu, o Cavaquistão. Mesmo assim, não deixa de ser relevante o facto de Manuel Alegre ter obtido menos de um terço dos votos conquistados por Cavaco.

O concelho de Penacova tem sido um olhado pelo Partido Socialista como um novo bastião, graças à vitória do PS nas últimas autárquicas. Manuel Alegre esteve em campanha em Penacova e o seu mandatário concelhio era o antigo presidente da Câmara, Artur Coimbra. Mesmo assim, o eleitorado deu um resultado extraordinariamente expressivo a Cavaco, o que não deixa de ser um incentivo relevante aos social-democratas penacovenses que ainda lambem as feridas de uma derrota eleitoral inesperada.

Mais informações e análise nas edições impressas do JORNAL DA MEALHADA e do jornal FRONTAL da próxima semana!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

[1262.] Marti dies

[1261.] Mercurii dies

Eleições para quê?

No próximo domingo, 23 de janeiro, realiza-se a primeira volta das eleições que escolherão o Presidente da República Portuguesa, o Chefe de Estado. Antevê-se – pelo que se pode apurar dos estudos de opinião – um ato eleitoral pouco participado, apesar de todas as candidaturas garantirem um aumento progressivo da base de apoiantes.
Não deixa de ser curioso – se tal facto se vier a verificar – que no meio de uma crise tão grave como a que hoje vivemos, que já alastrou para uma crise financeira, económica e social – com o aumento inquietante da criminalidade violenta, por exemplo –, os portugueses demonstrem claramente que não é através de eleições que os problemas do país se resolvem.
É certo que a maturidade politica deste Portugal do século XXI – que muitos gostam de menorizar – já permite reconhecer que não é o Chefe de Estado que governa, apesar de poder determinar o rumo da governação. Mas também se reconhece que o Presidente da República não é um ‘verbo de encher’ e que a sua ação é determinante no passado – com todas as ações, omissões ou cumplicidades –, no presente e no futuro do País.
O que não deixa de ser extraordinário é que, mesmo assim, os portugueses considerem que não é no poder político que reside a solução para a resolução dos seus problemas. E isso é, de facto, dramático.
Em 1991, na eleição que reelegeu Mário Soares para o segundo mandato presidencial, a abstenção foi de 37,84 por cento. Em 1996, na eleição de Jorge Sampaio, a abstenção desceu e cifrou-se nos 33,71 por cento. Em contrapartida, em 2001, na reeleição de Sampaio, mais de metade dos eleitores preferiram ficar em casa e não votar: 50,29 por cento. Nas últimas eleições presidenciais, 38,47 dos eleitores não votaram. Ou seja, nos actos eleitorais em que todos os candidatos se apresentam pela primeira vez, a abstenção é menor do que nas eleições onde há recandidatura. Está desenhada a tendência para o que poderá esperar do próximo ato eleitoral.
No próximo domingo realiza-se mais um teste à Democracia portuguesa. Não queremos com isto dizer que a escolha do candidato A ou B coloca em causa o normal funcionamento das instituições. Seja quem for o eleito, comprometer-se-á em cumprir a Constituição e fá-lo-á com zelo e honestidade. O que consideramos é que será inevitável um debate profundo e uma reflexão aturada se, num ambiente de crise política como a que vivemos, a abstenção atingir valores que superem os cinquenta por cento. Se na noite de 23 de janeiro chegarmos à conclusão de que mais de metade dos portugueses preferiram não votar, então será inevitável a conclusão de que a maior parte dos portugueses não se revê neste sistema político.
E isso é grave. É muito grave. Porque alguma coisa vai ter de mudar. Porque a Democracia não pode ignorar o que é a expressão da maioria.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

[1260.] Notas Presidenciais 2011_1


"Durante a campanha para as Presidenciais 2011, a TSF abre espaço para a opinião dos directores dos principais órgãos de comunicação social. Bárbara Reis, directora do jornal «Público», fala do fosso que existe entre os cidadãos e os políticos."


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

[1259.]

João Armando foi eleito para o Comité Mundial do Escutismo

O João Armando foi eleito, há poucos minutos, para o Comité Mundial do Escutismo. Isso torna hoje um dia importante para o Corpo Nacional de Escutas e para o Esutismo Português.

O João Armando é uma personalidade marcante para uma geração de jovens portugueses e uma inspiração para muitas pessoas.
Ele personifica uma maneira de estar na vida marcada pela ousadia, pela vontade de fazer diferente, de tornar possível. Um modo de estar e de ser nem sempre compreendido, quase nunca consensual, mas sempre marcado pela justiça, pela clareza de opções, pelo esforço de serviço, de facilitar, de ajudar, de melhorar.
O João Armando é um guru. Para uma geração de dirigentes do CNE (onde me incluo), e especialmente na Região de Coimbra, o João Armando é alguém que nos apresenta um modelo de liderança carismática, uma liderança com propósito, uma liderança ao serviço dos outros.
E só assim se pode ser dirigente de uma associação como o CNE. Uma associação de serviço aos jovens. Só a inspiração dos jovens pode fazer mudar o mundo. E o João Armando é assim. Muito do que o CNE tem de inovador, de pioneiro, deve-se - directa ou indirectamente - a um homem que é, também, um pai dedicado, um bom amigo, um professor carismático, uma pessoa serena e incisiva, uma personalidade ousada e jamais resignada.
O João Armando é um Mourinho que ousou - não treinar jogadores de futebol - ...mas ajudar os jovens portugueses e do mundo a fazerem do mundo um lugar melhor!



Discurso de apresentação da candidatura, ontem, em Curitiba, no Brasil,
na 39.ª Conferência Mundial do Escutismo.

[1258.] Mercurii dies

A tentação do abismo ou a profilaxia da catástrofe?

Teodora Cardoso, prestigiada economista portuguesa, e administradora do Banco de Portugal, declarou, no início desta semana, que entendia ser preferível que o pedido de ajuda externa por parte do Governo português fosse feito quanto antes. Na sua opinião, a antecipação do recurso ao Fundo Europeu e, em consequência, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no atual contexto, traria vantagens.
Ao Diário Económico, Teodora Cardoso garantiu: “É mais fácil se tivermos um apoio externo, desde logo porque isso permite que o ajustamento não seja tão abrupto. Feito sozinho, para os mercados acreditarem nele, o tal ajustamento teria de ser brutal. Com o apoio de uma dessas instituições (FMI ou Fundo Europeu) poderá ser menos abrupto”.
A ‘entrada’ do FMI em Portugal é, em tese, algo que ninguém deseja. Para além da questão subjetiva relacionada com o reconhecimento de que precisamos de alguém de fora para nos governar, é particularmente violenta a ideia de que poderemos ter de ser sujeitos a medidas tomadas sob a forma de terapia de choque, por parte de tecnocratas sem rosto e sem pátria.
O Governo garante que não vai ser preciso recorrer à ajuda externa. A comunicação social estrangeira informa que os governos francês e alemão estão a pressionar para atirarmos a toalha ao chão. Ao mesmo tempo, são estas chancelarias europeias que desmentem a informação. A oposição – na sua diversidade partidária – oscila entre a crítica ao Governo e a critica aos mercados que, entretanto, nos vendem dinheiro a um preço exorbitante.
O período de campanha eleitoral para as presidenciais, que quase nem se nota, parece refrear a discussão do problema, com os candidatos a utilizarem o assunto para criticar o Estado e o estado a que as coisas chegaram. O ano de 2011 entrou a cambalear…
Os portugueses têm uma espécie de tentação para o abismo. É o fado. E essa portugalidade começa a fazer-se sentir nalguns sectores importantes da sociedade. Nos Zés e nas Marias, que ainda trabalham, que já se mostram cansados de atravessar um túnel num comboio que é dirigido por alguém em quem já não se confia, numa carruagem em que ninguém se cala, com todos os viajantes a darem palpites e a fazerem acusações – umas de carácter, outras de competência – num ambiente caótico, quase paranóico.
Hoje, como nunca antes, questão parece impôr-se: Finda a campanha eleitoral presidencial, não será preferível, de uma vez por todas, pedir a ajuda externa e antecipar o que pode ser a resolução do problema? Antes de atingirmos o abismo… o verdadeiro abismo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

[1256.]

Nas vésperas de Natal andei numa azáfama louca - para concluir uma edição do FRONTAL (com respectiva distribuição) a 23 -, passei o Natal em Medelim (que tem pouquissima rede telemóvel), com a familia toda, e a 26, de manhã, parti para Ferrol - para fazer o camiño de Santiago, e percebi que me esqueci de ativar o roaming...

OU SEJA... não mandei uma série de e-mails, nem respondi a SMS, nem telefonei a desejar (e retribuir) as BOAS FESTAS a um número assinalável de pessoas.

Peço desculpa, e por isso cá vai: Bom Ano de 2011!

[1255.] Mercurii dies

Desafios de um novo ano

Decidimos, com o início de um novo ano, adotar a nova grafia da Língua Portuguesa nas páginas do Jornal da Mealhada – o que, vulgarmente, se tem chamado Novo Acordo Ortográfico. Na presente edição a maior parte dos textos já respeita as orientações que, a partir de janeiro de 2009, foram assumidas como norma da língua portuguesa.
Não está em causa uma posição pessoal ou colectiva sobre o assunto, mas, simplesmente, a assunção da irreversibilidade do processo e da nossa própria adequação a uma nova realidade. O número mínimo de adesões de países de expressão portuguesa já foi alcançado, as escolas adotarão a nova grafia no início do ano lectivo 2011/2012, a administração pública adotá-la-á daqui a um ano e é já considerável o número de órgãos de comunicação social – escrita e televisão – que passaram a usar a nova grafia. De qualquer forma, o período de transição – durante o qual se aceitam as duas grafias – só termina em janeiro de 2015, o que permite uma adaptação progressiva da parte de todos.
Esta nossa posição, numa primeira fase, apenas se aplica aos textos escritos pelos redactores do Jornal da Mealhada. Os textos produzidos pelos nossos colaboradores – nomeadamente os de Opinião – serão publicados com a grafia que o próprio autor preferir. Mantém-se, tal como no que respeita aos conteúdos, total respeito e total liberdade.
A nova grafia não traz mudanças significativas – convenhamos. A supressão das letras que não se leem, a acentuação gráfica, a hifenização, o uso de maiúsculas e minúsculas serão regras que, dentro de pouco tempo, assumiremos como normais.
Acontece que nem sempre a pressa é aliada da perfeição e acontecerá que nem nós próprios nos damos conta de que não estamos a observar a nova regra. Desde já, pedimos desculpa ao leitor, solicitando a melhor compreensão.
Será mais um desafio, como outros que, certamente, nos aparecerão no caminho.
Bom ano!


Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de Janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

[1254.] Aniversário

O Agrupamento de Escuteiros da Mealhada - o 1037 do Corpo Nacional de Escutas - assinala hoje, 1 de Janeiro de 2011, o seu 19.º aniversário.
Quase duas décadas de serviço à Juventude da freguesia da Mealhada, ao serviço da cidadania e da formação integral de várias centenas de crianças e jovens que ao longo deste tempo passaram por esta associação que é, acima de tudo, um movimento, dinâmico e em eterna mudança!
Parabéns a todos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

[1253.] O Natal, segundo Calvin



Na sexta-feira, 17 de Dezembro, participei, como orador, numa palestra - estava para ser um debate - sobre o 'Natal Capitalista', na Escola Secundária da Mealhada (falarei sobre o assunto em post colocado nesse dia). Ao falar com os jovens que participavam na sessão - a maior parte deles do 9.º ano - percebia-se bem este pragmatismo que nesta ilustração do Calvin se revela.
Eu procurei demonstrar que o Natal era mais do que uma experiência religiosa, era uma vivência civilizacional, e, assumindo-me como um liberal, reconheci a rendição de um certo Natal ao capitalismo. Rendição essa que é fundamental para que a Economia não estagne, e para que consigamos revitalizar e voltar a criar riqueza.

Para os míudos o problema é muito mais simples!

[EST. 21.12.10, às 14h17m]

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

[1252.] Defendat me Deus a me! *

As crianças são poderosas 'esponjas' que absorvem tudo o que passa à sua volta - sejam palavras, acções, gestos, omissões. Fazem-no de tal forma que quando nos apercebemos do que 'lhes' mostrámos, temos (tantas vezes) razões para nos arrependermos.
*
* ** *
Este fim-de-semana fui 'acampar' com os meus exploradores. Não foi um acampamento, foi um acantonamento, mas o principio activo é o mesmo: Fomos em actividade de escuteiros, clássica!
Como em todas as actividades escutistas clássicas, na última noite, fazemos o Fogo Conselho, um espaço destinado a dar aos jovens asas na criatividade e na expressão artística, especialmente na música, na expressão dramática, por aí.
As Raposas - a patrulha Raposa só tem raparigas - apresentaram dois momentos teatrais (um sério e um cómico) inspirados nos Ídolos, o programa de televisão da SIC. Apresentaram duas peças com piada e com uma mensagem fácil de percepcionar. Não muito elaborada, mas reveladora.
Já os Lobos - a patrulha Lobo é a mais heterogénea - representaram um primeiro momento, banal, que disseram ser cómico, e depois, um segundo, que disseram ser sério, verdadeiramente desconcertante. Eu pelo menos dei por mim absorto com o que estava a ver.
O tema da Aventura anual é o 'Astérix'. Então a peça séria dos Lobos passava-se na aldeia gaulesa do Astérix. O personagem principal é um jovem que tem uma característica: É muito mentiroso. Para se safar das responsabilidades, das tarefas e das culpas, inventa sempre elaboradas mentiras que, quase todas, acabam por tramar a irmã mais nova. Irmã essa que acaba por ser uma vítima nas mãos do protagonista, ora porque é castigada pela mãe que acredita sempre no irmão, ou pelos professores que aceitam as mentiras em que ela acaba por ser sempre a culpada de tudo o que acontece ao irmão, etc. etc. etc. Chega a ser agredida pelo próprio protagonista quando esta ameaça que o vai desmascarar.

O protagonista cedo se apercebe que se as mentiritas que prega à mãe, aos vizinhos e professores 'colam', não haverá mal em avançar nessa escalada... O tempo passa e o protagonista torna-se um salteador, enriquece com o proveito dos roubos e safa-se sempre.
Portador da informação de que é avultada a maquia que se encontra nos cofres públicos da aldeia, com o dinheiro que roubou, ele acaba por ter condições para apresentar uma candidatura a chefe da aldeia dos gauleses. Candidata-se e ganha.
Consegue roubar o dinheiro todo dos cofres, deixando a aldeia na miséria, e no dia seguinte à tomada de posse foge. Nesse mesmo dia, a aldeia é invadida pelo exército romano, e acaba a aldeia dos gauleses irredutíveis.
+
A história tem moral? Tem! É reveladora de um código de valores valorizado? É!
+
Pois... mas sabem que nome é que tinha o protagonista?
Sócratix, precisamente!
+
Procurei fazer um pouco de pedagogia junto dos miudos, fazendo-lhes perceber que se tratava do primeiro-ministro, uma pessoa que ocupa uma determinada responsabilidade e que teria de ser respeitada por isso. Que não deveríamos classificá-lo assim, como um mentiroso que se deu bem, só porque não concordamos com algumas das medidas que empreendeu.
E quem nem tudo o que ouvimos na televisão justifica que insultemos as pessoas - mesmos as que não conhecemos - desta maneira.
Dei por mim a fazer de advogado do Diabo - bastar-me-ia estar calado, fingir que não percebi, elogiar a criatividade... Mas chocou-me a forma como, hoje, informações depreciativas dos protagonistas, como a própria informação chega aos ouvidos dos nossos jovens.
Note-se que os meus exploradores têm entre 10 e 12 anos!
+
Temos que pensar muito nisto!

* Que Deus me proteja de mim mesmo.
[EST. 21.12.10, às 00h20m]
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

[1251.] Natal_6

Antoni Gaudi
(1852 - 1926)
Pormenor da Árvore da Vida, na Fachada da Natividade,
na Sagrada da Família, em Barcelona

domingo, 5 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

[1245.] 4 de Dezembro de 1980. E se o avião tivesse chegado ao Porto?



E se o avião tivesse chegado ao Porto?

O blogue '31 da Armada' publica este documentário que resultou da parceria entre o Instituto Francisco Sá Carneiro e o IDL - Instituto Amaro da Costa. "Sem constrangimentos políticos ou preconceitos ideológicos", dizem. e eu subscrevo.

[1249.] Natal_4

Giotto di Bondone
(1266-1337)
Adoração dos Magos
(na Capela degli Scrovegni, em Pádua)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

[1244.] Pedido de rectificação enviado ao Semanário Mealhada Moderna

Exma Sr.ª Dr.ª Isabel Moreira, directora do Semanário Mealhada Moderna

Cordiais saudações,

Venho, por este meio, e ao abrigo da Lei da Imprensa, solicitar a V.Excia a amabilidade de, na próxima edição do semanário que superiormente dirige, rectificar a informação de que eu sou candidato ao Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro do Partido Social-Democrata. A informação consta de uma noticia na página 6 - com o título "Eleições para a Distrital do PSD - Concelhia "ratifica" escolhas para a distrital", e é comentada num artigo de opinião na página 25.

Tal informação não é verdadeira, ou seja, eu não sou candidato ao Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro do Partido Social-Democrata nem a nenhum outro orgão distrital nas eleições que se realizam hoje, 3 de Dezembro. Posso confirmar que tenho informação de que o meu nome foi indicado pelo PSD da Mealhada à candidatura do Engenheiro António Topa, posso confirmar que fui convidado, mas que recusei o convite, como aliás tenho feito a todos os convites de natureza politico-partidária que me têm sido dirigidos desde Janeiro de 2005.

Tenho conhecimento de que a informação que V.Excia publica consta de um comunicado enviado à imprensa pelo PSD da Mealhada em 26 de Novembro, mas tal informação não veio a confirmar-se. As listas terão dado entrada até às 24h de terça-feira, 30 de Novembro, e nela não constam o meu nome.

Muito me espanta o facto de o autor do texto "As escolhas do PSD Mealhada", publicado na página 25 do Semanário Mealhada Moderna, e no qual zurze um conjunto de considerações sobre a minha "coerência e isenção" como director de um jornal, ter tido acesso à informação do comunicado do PSD antes de ele ser publicado nos dois unicos jornais para onde foi enviado (facto estranho, sendo certo que não pertence ao corpo redactorial de nenhum dos orgãos de comunicação social em causa). O autor desse texto lavra e tece considerações sobre um facto que não existe, pelo que fico à espera que, perante a verdade dos factos, se retrate e retire as considerações que promove - ficando a sugestão para que para a próxima tenha mais cuidado.

Para que não surjam dúvidas sobre o que afirmo, envio material promocional das candidaturas - a que tive acesso no facebook de um dos candidatos - e no qual, como se pode ver, não consta o meu nome.

Agradecia, então, que pudesse rectificar a informação.

Com os melhores cumprimentos,
Nuno Castela Canilho

[1248.] Natal_3

Giotto di Bondone
(1266-1337)
Natividade
(na Capela degli Scrovegni, em Pádua)
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

[1247.] Natal_2

Leonardo daVinci
(1452 - 1519)
Estudos para Presépio

[1243.] 'Como foi?'

Na sequência do post [1234.] sobre o '25 de Novembro de 1975' recebi o pedido para publicar aqui, em género de Adenda ou continuação, uma narrativa do que foram os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. Queixava-se quem me pediu que os dados que há na Internet parecem parcos e tendenciosos.
Mesmo correndo o risco de ser, também eu, tendencioso, uma vez que a minha posição sobre os acontecimentos está mais do que assumida e não é imparcial, procurarei usar de alguma imparcialidade e fazer uma narrativa do que me parece mais relevante da história desse dia, que, repito, os historiadores oficiais insistem em ignorar.

Contando, então, a história...

Em 25 de Abril de 1974 só o Partido Comunista Português estava verdadeiramente organizado. E com muito mérito. O Movimento das Forças Armadas (MFA) determina um "rumo para o socialismo" no novo regime político português, apesar de a chefia do Estado ter sido entregue a António de Spínola, um general do exército, conservador e dissidente do antigo regime muito mais por causa do protagonismo do que por diferenças ideológicas. O MFA está organizado tendo os militares - nomeadamente os capitães e os oficiais mais jovens - como o cérebro e os braços da revolução, e os militares de carreira, os mais graduados, sem grande espaço de manobra.
Depois da Revolução, os problemas do país agravam-se, há pressão política da parte dos mais desfavorecidos para que sejam tomadas medidas rápidas, há pressão internacional para resolver o problema colonial...
O primeiro governo provisório (Maio a Julho de 1974) é chefiado por um intelectual moderado - Adelino da Palma Carlos -, mas logo a 18 de Julho toma posse um militar, Vasco Gonçalves, um intelectual comunista radical, ansioso pela expurgação de todos os elementos reaccionários que eventualmente subsistiriam na vida política e económica portuguesa. O 'Companheiro Vasco' cedo entra em conflito com o Presidente da República - que acusa o Governo e o MFA de agir segundo a "política da Terra Queimada". Em Setembro de 1974, António de Spínola estica a corda, mede o pulso ao seu apoio popular e, sem a manifestação da 'maioria silenciosa', demite-se e entrega o cargo ao General Costa Gomes.
A partir de Outubro de 1974, Vasco Gonçalves fica à vontadinha! Intensificam-se as acções de ocupação de terras, de nacionalização de sectores fundamentais da vida económica e as forças da extrema-esquerda começam 'a ganhar asas'.
Em Fevereiro de 1975 começa a circular a informação (ou o boato?) de que, pela Páscoa, todos os militares reaccionários - próximos de Spínola - iam ser eliminados. Chamou-se a isso 'A Matança da Páscoa'. O clima aquece e, em 11 de Março de 1975, os spinolistas - com o próprio general a partir de Espanha - pegam em armas e procuram fazer um golpe militar. Sem sucesso.
A intentona reaccionária acaba por dar espaço a Vasco Gonçalves para radicalizar a acção socialista do seu governo e dar novo ânimo ao Processo Revolucionário Em Curso (PREC), a todo o gás. Para ajudar, vai aliar-se a Otelo Saraiva de Carvalho, que havia sido um dos operacionais do 25 de Abril, e, antes disso, durante a Guerra Colonial, havia sido elemento da Acção Psicológica na Guiné, que ocupava, agora, o cargo de chefe do COPCON - Comando Operacional do Continente, uma estrutura proto-policial militarizada.
Então, fruto desta aliança Otelo-Vasco, o COPCON, depois de 11 de Março, passa a ter autorização para perseguir e prender todos os que se manifestassem de forma anti-revolucionária. Reza a lenda de que o próprio Otelo deixava assinadas folhas em branco na sua secretária para que qualquer elemento do COPCON pudesse preencher em caso "de necessidade", com a sua própria discricionaridade.
Nacionalizam-se bancos, seguradoras, a tabaqueira, grandes empresas como a CUF e a Lisnave... E em Março-Abril, o pacto MFA-Partidos funda o Conselho da Revolução, uma assembleia militar com a missão de aconselhamento do Chefe de Estado e garante do rumo socializante do novo regime.
É neste ambiente que, em 25 de Abril de 1975 os portugueses vão pela primeira vez a votos para escolher a Assembleia Constituinte. O PS ganha a eleição, com 37,9 por cento, 116 deputados, o segundo partido é o PPD, com 26,4 por cento dos votos, 81 deputados, e o PCP alcança, apenas, 12,5 por cento dos votos, 30 deputados. Uma clara demonstração de que "A Força do PC" era muito mais 'vozes que as nozes'.
Percebe-se, então, que a legitimidade de Vasco Gonçalves e da sua politica provinha muito mais do Conselho da Revolução do que dos portugueses. E a clivagem começa a mostrar-se. E começa a antever-se um Verão Quente com ataques às sedes dos partidos, com manipulação da comunicação social, com assassinatos (Padre Max, Ferreira Torres, por exemplo), com ocupações de terras e fábricas - com acções radicais contra a Igreja e contra os católicos! Tudo se prepara para uma guerra civil.
Otelo e Vasco Gonçalves chateiam-se em Agosto e o primeiro-ministro demite-se. Em Setembro é nomeado o VI Governo Provisório chefiado pelo Almirante Pinheiro de Azevedo, um militar de topo que tinha feito parte da Junta de Salvação Nacional, muito mais moderado, muito mais próximo da Democracia-Cristã do que do Comunismo. A ideia era acalmar o Conselho da Revolução, mas a coisa não resulta. Pinheiro de Azevedo acaba por viver um conjunto vário de peripécias engraçadas... com frases que ficaram para a história do humor em Portugal - o Governo chegou a estar em GREVE!
Em meados de Novembro, Melo Antunes, um militar, intelectual de excepção, e mais oito moderadas figuras proeminentes do Conselho da Revolução, publicam o Documento do Grupo dos Nove, que procura exortar no caminho da moderação e põe a hipótese do afastamento de Otelo (o paladino da esquerda radical) e a dissolução do COPCON.
Revoltado com a ideia de perder o poder, ao ver-se sem o apoio que no Governo Vasco Gonçalves lhe proporcionava, e ao observar que as forças da esquerda radical não tinham grande aceitação popular, Otelo Saraiva de Carvalho distribuiu armas pelos amigos e esconde a mão.
Em 25 de Novembro de 1975 as forças da esquerda radical leais a Otelo, e com o apoio do PCP, avançam para um golpe militar, para implementar, de uma vez por todas a Ditadura do Proletariado.
Acontece que Otelo, o grande heroi do 25 de Abril, finge não liderar o golpe e o Grupo dos Nove reage. Sob a liderança de Ramalho Eanes, as forças militares moderadas saem à rua e dá-se um contra-golpe que neutraliza as forças da esquerda radical. O presidente da República chama Otelo, Rosa Coutinho, o PCP, por um lado, e o Grupo dos Nove e os outros partidos, por outro, e o PCP finge que não tem nada a ver com o golpe de esquerda e acaba tudo em bem... Os tristes dos revoltosos, enganados, sem liderança e sem apoio, entregam as armas.
O PREC acaba nesse dia! E ainda bem! Otelo abandona o COPCON foi preso (e solto três meses depois) e a Democracia recomeça, depois da deriva...
O país acalma e o VI Governo termina o mandato - apesar de Pinheiro de Azevedo ter sofrido um ataque cardiaco um mês antes de ser empossado o primeiro Governo Constitucional, em 23 de Setembro de 1976, chefiado por Mário Soares.

Otelo Saraiva de Carvalho nunca se conformaria com a situação e em 1980 é o principal mentor das FP 25 de Abril, um grupo terrorista de extrema-esquerda, inoperacionalizado apenas em 1987 e que assassinou 13 pessoas, promoveu 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos e viaturas de transporte de valores. Otelo foi condenado em 1985 e indultado em 1996 por Mário Soares, por todos os crimes de sangue.

[1242.] Intêndência

Às muitas pessoas que têm deixado comentários neste blogue, queixando-se que, num determinado blogue mealhadense, o seu autor censura comentários que contradizem e se indignam com a forma acintosa como se refere à minha pessoa, eu agradeço a solidariedade.
Infelizmente, não vou publicar esses comentários neste blogue porque, dessa forma estaria a promover a ofensa a essa pessoa, apesar de ela insistir em, de forma unilateral, persecutória e em desigualdade de meios, denegrir-me a mim e ao meu trabalho.
Para além disso, alguns desses comentários são anónimos e eu tenho por principio não publicar comentários que não sei de quem são. (Há alguns que desconfio de quem sejam, mas a menos que o seu autor se identifique perante mim, não os publicarei).

Agradeço e Lamento.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

[1241.] Mercurii dies

MSNMais Sobre Nós!

Iniciamos na presente edição uma nova parceria, desta feita com a Escola Secundária da Mealhada, mais especificamente com os alunos do 12.º ano, da turma cientifico-humanistica de Ciências e Tecnologias, que, no âmbito da disciplina de Área-projecto, decidiram lançar-se na área do jornalismo escolar. Nasce assim o MSN, o jornal da Escola Secundária da Mealhada que vai à estampa integrado na presente edição impressa do Jornal da Mealhada, na página 12.
O MSN é uma popular forma de comunicação na internet, mas é, também, a sigla para ‘Mealhada School News’ ou para ‘Mais Sobre Nós’. MSN passa a ser, agora, o espaço da Escola Secundária da Mealhada no Jornal da Mealhada.
Mensalmente, Hugo Mateus, Kevin Bastos, Pedro Santos e Valter Müller coordenarão a produção de conteúdos – textos e imagens – e farão a cobertura noticiosa da realidade da sua comunidade escolar. Propõem-se – tal como asseveram no texto em que apresentam – a fazer tratamento jornalístico a actividades “como eventos desportivos, competições inter-escolares, actividades desenvolvidas pelos finalistas do ano corrente, actividades no âmbito do Plano Anual de Actividades, actividades desenvolvidas pelas turmas no âmbito das mais variadas disciplinas, artigos de opinião e entrevistas com membros da comunidade”.
Ao longo deste tempo, o Jornal da Mealhada, para além do apoio e da edição – na sua publicação impressa – dos conteúdos produzidos, proporcionará aos jovens contacto com a realidade do jornalismo local, através de acções no terreno, reflexão sobre aspectos éticos e de deontologia da profissão, experiências de paginação e tratamento de imagem, bem como de outros meios tecnológicos usados na área jornalística.
Este tipo de parcerias, já há muito ambicionada por nós, já foi testado no jornal FRONTAL – outra publicação do nosso grupo, dos concelhos de Mortágua e Penacova – com a Escola Secundária de Mortágua, e com grande sucesso. É, por isso, com expectativa que nos abalançamos nesta parceria.
Num jornal com 25 anos, como tem o Jornal da Mealhada, o contacto com os jovens é de primordial importância. A história desta publicação demonstra bem o papel que os jovens sempre tiveram no Jornal da Mealhada. Um papel de colaboração, de fomento, de inter-ajuda e de grande dinamismo. Este é, apenas, mais um passo na prossecução desse legado. O tempo ajudará a determinar até que ponto a parceria se pode intensificar e, de que modo se poderá estender a outras escolas e ao próprio agrupamento de escolas.
Tal como é definido por Hugo Mateus, Kevin Bastos, Pedro Santos e Valter Müller, sempre auxiliados pela professora Branca Azevedo, “o principal objectivo do nosso projecto é divulgar mensalmente as notícias relacionadas com a comunidade escolar” – daí a escolha do nome MSN - Mais Sobre Nós. Trata-se de um desafio arrojado que merece todo o nosso elogio e apoio. Ajudar a Escola e a Comunidade que a envolve a conhecerem-se melhor é uma obrigação cívica e, por maioria de razão, um desígnio muito estimulante para um jornal local, com as características do Jornal da Mealhada.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de Dezembro de 2010

[1236.] Natal_1

O Presépio é, naturalmente, para os cristãos e para a tradição ocidental, o símbolo fundamental do Natal - tempo para o qual caminhamos, especialmente e em Advento, desde o passado domingo.


A palavra “presépio” é de origem hebraica e é o nome do curral, do estábulo, do sitio onde se recolhem os animais à noite. O tempo e a tradição cristã deu novo significado e novo alcance à palavra que nos dias de hoje é a representação artística de Jesus deitado na manjedoura dos animais, com a Mãe, Maria, com José, num estábulo, com uma vaca e um burro, e, por vezes, também com os Magos, com pastores, ovelhas e anjos.

Sobre a origem do presépio enquanto representação há um aspecto que é unânime: a 'democratização' do presépio dá-se com São Francisco de Assis, e mais tarde com os franciscanos - que dão seguimento à tradição - que na véspera de Natal de 1223, em Grezzio, promoveu uma representação teatral dos acontecimentos que envolveram o nascimento de Jesus e que estão descritos pelos evangelistas e alguns autores apócrifos.


Há quem entenda, no entanto, que antes de Franscisco de Assis, já Santa Helena, a mãe do imperador Constantino - o homem que tornou a religião cristã como a oficial do Império Romano e lhe deu o expansionismo inicial - fizera, no final do século IV, a primeira representação plástica do Presépio.


Sendo certo que, como já disse, é depois de Franscisco de Assis que a tradição dos Autos de Natal e dos Presépios começa a florescer - com o seu apogeu no século XVI em Itália - faz sentido que Santa Helena tenha sido a pioneira na explicação da narrativa do nascimento de Jesus, por meio de representações plásticas. É preciso ter em conta que a Festa do Natal, em 25 de Dezembro, como nascimento de Cristo, só se dá a partir de 336. Helena de Constantinopla terá morrido em 330, tudo no século IV, portanto.




Em 24 de Dezembro de 1223, Franscisco de Assis, depois de 16 anos de disputa com o Papa, conseguiu, por fim, celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio, nos arredores da cidade. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro, reais, e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens de um bebé, Jesus, de uma mãe e de um pai. O objectivo passava por tornar de mais acessível entendimento para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal. Estava a fazer Catequese, mostrando o que a narrativa demonstra do que se terá passado em Belém durante o nascimento de Jesus.


Com a morte de Francisco, três anos mais tarde, em 1226, os seus Irmãos e seguidores deram continuidade a esta forma de catequizar e repetiram o modelo, muitas vezes até, em sua homenagem.

Nos séculos seguintes as representações do nascimento de Cristo vão-se democratizando. Começam com representações em frescos, em pinturas, depois em esculturas com o conjunto completo e mais tarde com peças independentes e modificáveis.
Assim, e quase como se fosse um CALENDÁRIO DO ADVENTO, vamos tentar, n' o fio dos dias, apresentar imagens de Presépios, até ao Nascimento do Salvador, do Sol Invictus!

Giotto di Bondone

(1266-1337)

Grezzio - São Francisco de Assis e a Instituição do Presépio

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

[1239.] Ser Sal da Terra e Luz do Mundo?

Realizámos [o Núcleo Centro-Norte da Região de Coimbra do CNE] no fim-de-semana de 26 a 28 de Novembro, em Mortágua, mais uma edição do ACARADNUC. Trata-se de uma actividade exclusivamente para adultos - caminheiros e dirigentes do CNE - vocacionada para a realização de acções concretas de vida ao ar livre no que vulgarmente se chamam actividades radicais ou de desporto aventura.

Esta actividade tem uma rica tradição no nosso Núcleo apesar de, nos últimos mandatos ter sido por várias vezes agendada e, depois, cancelada por falta de inscrições.


Quando delineámos o plano trienal do Núcleo não quisemos deixar de agendar esta actividade, uma actividade que se realizaria apenas um vez no triénio, na recta final, no primeiro trimeste do último ano do mandato.

Honestamente - e agora acho que o posso assumir - nunca pensei que a actividade viesse a ter grande adesão. Ainda há poucos meses tinhamos realizado o ACANUC, estavam marcadas para a mesma data cursos regionais de formação, havia actividades emblemáticas de caminheiros agendadas para a mesma data... Frio, chuva... Foi com satisfação, alegria, e até admiração que eu vi as cinquenta inscrições!


Com a aproximação do Natal - a Festa da Luz - (a actividade coincidiu com o primeiro Domingo do Advento), e com o tema do ano no plano trienal - "Para além da linha do horizonte" - procurámos valorizar o papel do adulto, na nossa associação, como testemunho de vida e de acção concreta, como promotor de esperança e de verdade junto dos jovens. Para isso, não podíamos deixar de usar a metáfora do próprio Cristo: "Ser Luz do Mundo e Sal da Terra".


A Luz, a Chama, o Fogo estiveram sempre presentes, a par da adrenalina e do sacrificio. Uma Luz que precisou de atenção, de dedicação, de zelo, de cuidado. Uma Luz que por vezes incomodava, limitava, tolhia. Mas que depressa se tornou 'sal', e passou a dar gosto ao caminho.




Num momento de reflexão mais ou menos natural apresentámos os seguinte silogismo. Se o Escutismo é para rapazes e para raparigas, se o ACARADNUC é para adultos, então: Será que o ACARADNUC - as actividades para adultos - são escutismo? Podemos nós adultos proporcionar escutismo aos miudos se não o vivermos? O escutismo não é uma teoria, é um método de acção, de aprender fazendo. Logo, estamos - mesmo como adultos - sempre a viver Escutismo!

Outro aspecto que me pareceu importante na actividade foi para os noviços a caminheiro. Jovens que há três meses eram miudos e que se viram nesta actividade, como adultos - a serem tratados e responsabilizados como adultos. Alguns confessaram-me que lhes fez confusão a proximidade com os dirigentes! Não deixa de ser engraçado.

Uma lição resulta desta, como de muitas outras actividades que o Núcleo tem proporcionado. Sem a vivência em Núcleo, os nossos jovens, a nossa acção, seriam muito prejudicados. O que vivemos em Comunidade - os dezanove agrupamentos, ou destes os que participam - é muito importante para o que fazemos com os escuteiros. Muito mesmo!

É o que se poderia chamar COMUNHÃO?

Uma música que não conseguimos cantar, mas que teria servido (bem) para hino desta actividade é:


Tu, Vem e Segue-me!

Deixa que o mundo siga a sua aventurar
Deixa que o homem retome à sua casa
Deixa que a gente se entregue à sua riqueza
Mas tu, tu vem e segue-me,
Tu, vem e segue-me

Deixa que o barco erga as velas ao vento
Deixa que encontre o afecto que está preso a si
Deixa que da árvore caiam os frutos maduros

Mas tu, tu vem e segue-me,
Tu, vem e segue-me

E serás luz para os homens,
e serás o sal da terra
E num mundo deserto abrirás um caminho novo.
E por este caminho vai,
vai... e não olhes mais para trás...