domingo, 3 de abril de 2011
[1322.] Solis dies
Fomos esta tarde ao cinema - com os amigos do costume -, ver o filme "O Ritual" - «The Rite» - do realizador Mikael Håfström, com Sir Anthony Hopkins, como o padre jesuíta e exorcista Lucas, e Colin O'Donoghue, como protagonista, no papel do seminarista americano aparentemente céptico. A brasileira Alice Braga constitui, ainda, o elenco de um filme muito interessante.
É um filme muito interessante, repito, sobre um tema igualmente interessante. A narrativa é feita de uma forma agradável e faz do filme não um thriller de terror, mas uma obra de convite ao pensamento. Não de convite à conversão - nem a favor, nem contra, a Igreja Católica ou a prática exorcista -, mas de convite ao pensamento.
No filme, é notório o dilema da Igreja que pensa, no debate entre a Ciência e a Fé. E a dialética do Bem e do Mal. É um filme muito bom, que merece uma segunda vista!
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sábado, 2 de abril de 2011
[1321.] Serenidade_2
ORAÇÃO DA SERENIDADE
Reinhold Niebuhr, em 1943.
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Dia esquisito. Apesar de não haver fortes razões para melancolias, reconheçamos, o sol não amanheceu para estes lados.
A pressa, o trabalho em várias e distintas frentes... um estranho sentimento de solidão, arrefeceu um dia diferente dos meus dias de optimismo!
Entre a melancolia da serra que se sobe e desce para distribuir o FRONTAL, a tristeza de um encontro de antigos combatentes da Guerra Colonial que já não se recordam dos nomes dos que tombaram pela Pátria, e a apatia dos miudos que parecem abster-se de viver... Valeu a Promessa do Trindade, num dia em que mais um dos "irredutíveis" vestiu a camisola e impôs o lenço verde do Serviço!
Foi com muita alegria que foi ao Trindade que, pela primeira vez, aceitei uma promessa de dirigente do CNE.
A noite no meu Castelo, aqueceu o coração. E a certeza de que somos mais felizes ao lado dos que mais amamos - mesmo que durmam deliciosamente aqui ao lado sem dar conta de nada...
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[1320.] Serenidade_1
"Um Poema por Semana", da RTP2, é uma ideia de Paula Moura Pinheiro.
Numa mesma semana, o mesmo poema dito por seis pessoas diferentes.
São 15 poemas em 75 dias, ditos por 75 pessoas.
Poema "Portugal", de Alexandre O'Neill
Dito por Rui Spranger
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quinta-feira, 31 de março de 2011
[1319.] Lido 31.03.11 - 2.ª parte
Na citação de Matim Avillez de Figueiredo, o anterior diretor do jornal i traduz o título da notícia como "Um País de Burros...". Parece-me abusivo... a tradução mais próxima será "Um País de Desistentes Agita a Europa". Sejam burros ou desistentes, a verdade é que o autor do texto, Charles Forelle, considera Portugal como "uma terra de atrasados".
Num texto bem ilustrado com vários gráficos interativos, o autor fala de um país onde os alunos chumbam repetidamente a escolaridade básica, desistem de estudar, onde o sistema de educação é fraco. Ou seja, o americano Charles Forelle considera que o sistema de educação ilustra bem a economia portuguesa, que nunca poderá sair da recessão com gente tão mal preparada.
"Apenas 28% da população portuguesa entre os 25 e os 64 anos completou o Ensino Secundário. Na Alemanha completaram 85%, 91% na República Checa e 89% nos Estados Unidos da América", refere o autor. A taxa de desistência do ensino secundário é, em Portugal de 37,1%. A da Alemanha é de 2,8%. Nos países da OCDE só o México e a Turquia têm taxas mais elevadas, garante ainda, o autor.
Nunca me habituei a ouvir com especial atenção os americanos a falarem de escolaridade e de conhecimento. É verdade. Mas se os dados apresentados por Charles Forelle forem verdadeiros, então é de ir às lágrimas. Mesmo.
Não é um problema deste Governo, reconheça-se. É um problema deste país!
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[1318.] Lido 31.03.11
quarta-feira, 30 de março de 2011
[1317.] De metalurgico a presidente
A Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra entendeu atribuir a Luiz Ignácio da Silva, antigo presidente da República Federativa do Brasil, o título de Doutor Honoris Causa. O Doutor Seabra Santos, antigo reitor, foi o apresentante do candidato e o Doutor Gomes Canotilho proferiu os elogios.
Lula da Silva - assim garante o DN - disse que o seu doutoramento "honoris causa" é uma "homenagem ao povo brasileiro" pela "revolução económica e social" realizada no Brasil nos últimos oito anos. "Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que esta láurea é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução económica e social", afirmou o ex-presidente do Brasil, ao intervir na cerimónia do seu doutoramento "honoris causa" na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra. Na sua opinião, o Brasil "deu um enorme salto qualitativo no rumo da prosperidade e da justiça", deixando "para trás um passado de frustrações e ceticismo". "Após uma prolongada estagnação, o Brasil voltou a crescer de modo vigoroso e continuado, gerando empregos, distribuindo renda e promovendo vasta inclusão social", acrescentou Lula da Silva.
A Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra é, provavelmente, a mais elitista escola universitária portuguesa. Digo-o por experiência própria, sou um antigo aluno. Mas reina entre os sábios mestres a doutrina do self-made man.
Ou seja, não é uma escola elitista por admitir uma determinada classe de alunos, não o faz, mas porque entende receber os alunos mais brilhantes e deles fazer os melhores cidadãos da Pátria. [Lembro-me de no dia em que como caloiro fui apresentado à Academia, me ter sido dito que, como aluno da FDUC, eu passava a ser um dos garantes da Democracia em Portugal].
A maior parte dos professores da Faculdade e dos seus alunos mais brilhantes foram alunos provenientes de famílias pobres ou muito modestas do interior do País. Alunos que com o trabalho e o estudo singraram na vida académica e se tornaram homens excepcionais. Lula da Silva, o metalúrgico que "virou" presidente de um país com 190 milhões de habitantes, acaba por ser o protótipo de um tipo de Homem que a FDUC procura produzir e elogia de sobremaneira. Lula é o presidente que muitos dos alunos e docentes da FDUC, ao longo de muitos séculos, poderiam ter sido ou sonham ser. Alguém que pelo mérito e pelo trabalho sobe a pulso a escadaria da glória.
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[1315.] Mercurii dies
Quando um dia – daqui a algumas décadas – se escrever a história da contemporaneidade no concelho da Mealhada, dos primeiros anos do século XXI, sobressairão – na nossa opinião, claro está – duas obras fundamentais. A primeira é a Escola Profissional Vasconcellos Lebre e a segunda é o Hospital da Misericórdia da Mealhada. Pouco mais haverá a salientar de um período em que outras obras tomaram corpo – como o Parque Urbano da Cidade –, mas nenhumas tão relevantes para o desenvolvimento económico, social e da qualidade de vida das pessoas do concelho da Mealhada como estas duas.
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A história é e será sempre feita destas coisas: de vitórias e derrotas de uma luta que no dia-a-dia nem sempre é visível e que só a distância dos tempos consegue, de facto, avaliar. É curioso que no século XXI estejamos a perspectivar sublinhar exactamente o que cem anos antes marcou a história da nossa comunidade. No inicio do século XX, o concelho ficou indelevelmente marcado pela criação do Hospital de Santa Maria, antecessor do actual Hospital da Misericórdia, pela fundação do Colégio da Mealhada, ascendente do espírito da escola profissional. E o mesmo acontecerá quando as novas estradas que o concelho verá atravessar – como o IP3/IC2, o IC12 e o IC3 – influenciarem da mesma forma como o desvio da EN1, há 70 anos, influenciou o desenvolvimento das nossas localidades e da nossa centralidade.
+ O acordo ontem assinado entre o Governo e as misericórdias portuguesas e que permite aos médicos de família o direcionamento imediato dos doentes para consultas de especialidade e cirurgias em hospitais das misericórdias é um passo determinante na prossecução do objetivo do Hospital da Mealhada – presente desde a génese desta segunda fase –, de proporcionar aos seus utentes as mesmas condições, ao nível da gratuitidade, do Serviço Nacional de Saúde.
+ Os utentes poderão passar a ser consultados na Mealhada, e, em caso de necessidade, serem submetidos a intervenções cirúrgicas, pagando o mesmo que pagariam se o tivessem sido num hospital público. Sem, no entanto, terem passado meses à espera.
+ O processo de construção do Hospital da Mealhada – do edifício e do serviço – tem sido complexo e tem implicado um esforço sobre-humano para os principais implicados. Ao longo de todo este tempo, para além da real viabilidade do projecto, que tem sido feita ao ritmo de mudanças de governos e de vontades políticas, tem sido necessário alimentar um capital de esperança na comunidade que vai tendo oscilações conforme as coisas vão correndo melhor ou pior. Infelizmente, já vimos sorrisos em algumas caras quando as coisas correram efetivamente mal, como foi o caso do episódio da demissão do anterior diretor clínico, que acabou por se traduzir num grande serviço à palermice e à instabilização gratuita.
+ Sinais como o da assinatura deste acordo com o Governo são alicerces importantes para consubstanciar a relevância e a importância do hospital da Mealhada. São a prova de que o sonho é de bem-comum e de altruísmo e que a ambição de quem ousou arriscar em edificar este projecto é pensada nos outros e na qualidade de vida de uma comunidade. Uma comunidade que preventivamente olha para a qualidade da saúde como uma garantia, mas também da comunidade que vê os cuidados de saúde como uma necessidade fundamental.
+ Felizes os que acreditam!
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Editorial do Jornal da Mealhada de 30 de março de 2011 +
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terça-feira, 29 de março de 2011
[1316.] Paradoxos
Carlos de Windsor, o príncipe-herdeiro da coroa britânica, Príncipe de Gales está, com a esposa, a Duquesa da Cornualha, em visita oficial a Portugal. Daqui a precisamente um mês, casa-se o seu primógénito, Guilherme de Windsor, o que, em todas as monarquias, acaba por ser um sinal de preparação para a sucessão real. Não haveria muito a dizer a propósito da visita de Carlos, e da própria vida de Carlos, não fossem dois aparentes paradoxos, que, consequentemente, parecem estar a ser determinantes para que mesmo os mais realistas (no âmbito de adeptos da causa real) temam uma eventual coroação de Carlos de Windsor, como Rei do Reino Unido e da Commonwealth.
Carlos de Windsor é filho da monarca britânica que há mais tempo foi coroada. Uma senhora respeitada e com uma notoriedade invejável, mesmo entre as cabeças coroadas europeias, e apesar dos frequentes escândalos da sua enorme prole e afins. Isabel II é uma mulher conservadora e muitas vezes acusada de levar a instituição mais a sério do que a própria família. Foi acusada de insensibilidade aquando da morte de Diana Spencer. E notoriamente leva muito a sério o cargo que ocupa. O primeiro paradoxo da vida de Carlos surge com o facto ser um homem moderno, aparentemente mais emotivo e solto. Seria de esperar que os britânicos preferissem uma pessoa mais jovem (mesmo que já maduro) do que uma octogenária.
A Rainha de Inglaterra é uma imagem que ilustra a pessoa que detém o poder mas não governa. Mais chique do que a imagem do 'testa-de-ferro', mas com o mesmo significado. É uma imagem pejorativa, diga-se de passagem. O segundo paradoxo de Carlos de Windsor reside no facto de ser criticado por ser, alegadamente, demasiado opinativo. O Principe de Gales tem apresentado contundentes posições contra alimentos trangénicos, contra a arquitetura que foge do conceito tradicional e local e, ao mesmo tempo, contra a auto-sustentabilidade, contra a desflorestação, a favor das energias renováveis. Trata-se mesmo de um ativista da chamada Economia Verde e Limpa. Carlos de Windsor criou urbanizações em propriedades suas - como Poundbury - baseadas neste sistema e até tem produções agrícolas baseadas nos mesmos principios.
Carlos de Windsor poderá nunca vir a ser Rei, esse parece ser o desejo de muitos britânicos, mas poderá não o ser por ter consciência social e ambiental. Por defender o que acredita e ter um modelo de desenvolvimento económico. E isso é, reconheça-se, um paradoxo importante na sociedade ocidental.
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segunda-feira, 28 de março de 2011
[1314.] Vozes insuspeitas clarificam...
domingo, 27 de março de 2011
[1313.] Baralhado!
- Um artigo publicado este fim-de-semana pelo jornal britânico de economia "Financial Times" fez uma sugestão que o Portugal fosse anexado pelo Brasil para solucionar a crise político-financeira que culminou com a demissão do primeiro-ministro José Sócrates na última quarta-feira. No texto, a publicação cita os bons resultados económicos obtidos pelo Brasil nos últimos anos: "Aqui vai uma maneira 'out-of-the-box' para lidar com o problema: anexação pelo Brasil (uma década de 4% de crescimento anual do PIB, muito mais elevado recentemente). Portugal seria uma grande província, mas longe de ser dominante: 5% da população e 10% do PIB".O "Financial Times" frisa que os portugueses saíriam no lucro, mesmo com uma possível perda de status: "A antiga colónia tem algo a oferecer, mesmo para além da diminuição dos 'spreads' de crédito e, proporcionalmente, déficits e contas correntes governamentais muito mais baixos. O Brasil é um dos BRIC, o centro emergente do poder mundial. Isto soa melhor lar que uma cansada e velha União Europeia".
sábado, 26 de março de 2011
[1312.] Hoje fiz 32 anos...
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vivi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
[1311.] In hoc non laudo te*
- A austeridade política também se reflete na austeridade das palavras e na contenção de barões e baronetes emitirem opinião - algumas das quais só prejudicam o trabalho da liderança que depois tem de as andar a desmentir ou a distanciar do que são opiniões de amigos e companheiro e, nem por isso, opiniões ou tomadas de posição da liderança ou do próprio partido. Foi isso que aconteceu ontem com António Carrapatoso, que foi convidado para colaborar com a liderança do PSD. Depois de Miguel Relvas e Passos Coelho ter dito que prefeririam aumentar impostos a baixar salários e prestações sociais, o gestor da Vodafone declarou à Lusa que achava precisamente o contrário. A cortar era na despesa e não aumentar a receita. Resultado: ajudou o pagode a criticar a liderança que visava ajudar. Teve de vir à Lusa dar o dito pelo não dito e emendar à mão. Um pedido contra estas diarreias opiniativas: Por favor calem-se! Guardem para vocês e para as conversas intimas com o líder essas opiniões.
* Nisto não vos saúdo
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sexta-feira, 25 de março de 2011
[1310.] Manual de Velhacaria
Apesar dos insistentes pedidos das forças partidárias da Direita política - nomeadamente junto do Presidente da República -, hoje, para que a campanha eleitoral, que se prevê, se realize com dignidade e elevação, os sinais dados pelos principais acossados da demissão política fazem antever precisamente o contrário.E isso, o país - parece-me - não vai aguentar.
Em primeiro lugar, o Governo demitiu-se. Não foi demitido. É certo que Sócrates tinha ameaçado... e cumpriu, mas o ónus da demissão é seu, não é da oposição. Até porque há quem ache - como eu - que tudo isto foi organizado pelos senhores do Rato para ter precisamente este fim. Um fim honroso da vítima.
Em segundo lugar, a realização de eleições é um acto democrático normal e já vimos as consequências da posse de um novo primeiro-ministro sem ter ido a eleições.
A avaliar pela forma como o Partido Socialista em gestão se organiza para responder ao que alegadamente é anunciado pelo PSD, a campanha eleitoral que se aproxima vai ser optima para a redacção de um verdadeiro "Manual da Velhacaria".
Miguel Relvas, na quinta-feira, disse que entre cortar no rendimento - salários ou prestações sociais - ou subir impostos, o PSD preferiria subir impostos. E entre subir impostos sobre o rendimento e subir impostos sobre o consumo, preferiria o aumento dos impostos sobre o consumo. A ideia não é nova. Já Manuel Ferreira Leite defendia a criação de um novo escalão do IVA para produtos de luxo.
Logo o ministro caceiteiro - Augusto Santos Silva - veio declarar que o PSD ia subir o IVA de 23 para 25 por cento. Trata-se de uma afirmação demagógica e velhaca, que o PSD, por muito que desminta, já não consegue apagar.
E parece-me que vai ser assim até depois das eleições de maio ou junho...
Faz sentido joias e iates, ou até mesmo carros topo de gama serem comparadas a bens do cabaz essencial? Ou pagarem de IVA 23 por cento, o mesmo que outros bens proto-essenciais?
Eu acho que não.
A campanha eleitoral vai ser sujinha... e é pena, porque vai ajudar à dispersão da atenção e vai contribuir para a radicalização de um discurso esquisito. A ver vamos!
Depois queixem-se que os portugueses estão desinteressados e não foram votar!
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quinta-feira, 24 de março de 2011
[1309.] Realidades (para além dos cenários) de crise V
A reflexão foi-me suscitada por uma conversa tida ontem - poucas horas antes da demissão do PM - com um dirigente local do Partido Socialista.Confessava-lhe eu que me sentia assustado pelo facto de nos últimos meses, em que era já notório o estertor do Governo, não ter surgido de entre os militantes mais notáveis do Partido Socialista, uma voz de alternativa relativamente a José Sócrates. Surgiram vozes criticas - como a de Carrilho e, conforme a semana, a de Mário Soares -, mas nenhuma de verdadeira alternativa.
Disse-lhe eu que o PSD, por exemplo, os abutres mal vêem um lider a cambalear começam, imediatamente, a sobrevoar o corpo. E que noutras circunstâncias coisa idêntica tinha acontecido com o PS e com Sócrates.
Respondeu-me o meu interlocutor que com a "morte partidária" de Alegre, Sócrates tinha eliminado todas as possibilidades de contestação interna no PS. Acrescentou que, ao contrário de Guterres que tinha descentralizada em Jorge Coelho a liderança da máquina partidária, Sócrates nunca o tinha feito e que ele próprio tinha reduzido o PS à máquina do Governo. Lembrei-me, imediatamente do PSD pós-Cavaco...
Eu ainda confessei a minha decepção relativamente à ausência de voz de António José Seguro, mas foi-me dito que por tacticismo, ainda não é o tempo de falar.
É pena. O país perde com isso. Porque o problema está em Sócrates e não no PS. E o PS, no poder ou na oposição, será sempre parte da solução... e Sócrates já não.
Entretanto, amanhã e depois (25 e 26 de março), apesar de tudo o que aconteceu na última semana, José Sócrates será o único candidato a secretário-geral do Partido Socialista. O único...
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quarta-feira, 23 de março de 2011
[1308.] Realidades (para além dos cenários) de crise IV
Várias pessoas me perguntaram hoje, ao longo do dia, qual era a minha opinião sobre a demissão (esperada, mas na altura tão só eventual) do primeiro-ministro. Facto que me obrigou a pensar no assunto...É óbvio que não é bom para ninguém - especialmente para o país - que o Chefe do Governo se demita antes de terminar o mandato para o qual foi investido. Resulta claro que não é bom que o Chefe do Executivo saia do leme, num momento em que o país atravessa uma crise financeira e económica muito séria. É liquido que não é positivo ter um Governo de gestão num momento em que o executivo tem previsto pôr no mercado 9,5 mil milhões de euros de dívida pública, um PEC para apresentar aos parceiros europeus até Abril e, eventualmente, pedir a intervenção do Fundo Europeu de Estabilização e do FMI.
Acontece que o Governo Sócrates e o seu primeiro-ministro davam sinais de um desgaste profundo, de uma falta de respeito total por órgãos de soberania e parceiros sociais, uma total desconsideração pelos portugueses. Ou seja, notava-se já, desde a alguns meses - não sou tão radical a ponto de dizer que desde a tomada de posse - que o Governo estava desnorteado e sem solução possível para a maior parte dos problemas do país.
Ao mesmo tempo, percebeu-se (com as declarações de alguns ministros) que Sócrates não conseguia remodelar o Governo, porque, possivelmente, não conseguiria arranjar ninguém para ocupar os lugares e trabalhar a seu lado. E este sinal é péssimo para um Governo.
A necessidade que o primeiro-ministro tinha (como têm e terão todos) de dar aos mercados sinais de confiança obrigou-o a proferir discursos de uma quase esquizofrenia, em que às segundas, quartas e sextas dizia que o país estava óptimo, com sinais de recuperação e execução orçamental notáveis, que era o campeão disto e daquilo, e às terças, quintas e sábados anunciava ao país a necessidade de mais medidas de auteridade. Ninguém aguentava mais esta bipolaridade.
A demissão de Sócrates foi, portanto uma benção. Porque neste momento, José Sócrates era parte do problema, e não parte da solução. Ou seja, qualquer outra pessoa seria capaz de convencer os portugueses e os mercados a aceitarem uma determinada medida - mesmo que dificil. Mas Sócrates já não é capaz de o fazer.
O problema não é o Governo, nem o Partido Socialista - outro primeiro-ministro deste partido fá-lo-ia, tenho a certeza. O problema é José Sócrates que já não conseguia mobilizar as pessoas, ser levado a sério.
Cavaco aceitará na sexta-feira o pedido de demissão do primeiro-ministro. Todos os partidos sugerirão que dissolva o parlamento e marque eleições. Cavaco poderia pedir ao PS que formasse novo Governo, não esqueçamos. Mas todos vão pedir eleições.
Eleições que trarão novos problemas e novas dificuldades, mas digamos que podem bem ser os dois passos que se dão atrás, para que, com um novo primeiro-ministro, possamos dar três em frente! Um novo primeiro-ministro que, eventualmente, até anunciará ao país as mesmas medidas que o parlamento agora vedou a Sócrates. Mas será outra pessoa, e isso, agora, é relevante.
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[1307.] Mercurii dies
Assinalou-se no dia 15 de março – com sessão presidida pelo Chefe de Estado –, o 50.º aniversário da Guerra, conhecida em Portugal como "do Ultramar" ou "Colonial", conhecida nas antigas colónias do Império Português como "da Libertação". Na comunicação social portuguesa, o aniversário foi amplamente assinalado por alturas do 4 de fevereiro – dia em que se assinalou a "Revolta de Luanda", com ataques à Casa de Reclusão, ao quartel da PSP e à Emissora Nacional, acção considerada como o início da luta armada em Angola. O Presidente da República e o Chefe do Estado-maior das Forças Armadas entenderam assinalar o acontecimento no dia em que o primeiro reforço militar embarcou de Lisboa para Luanda, e, curiosamente, se deu o ataque das UPA a civis no norte de Angola.
Em abril de 2008, em dois editoriais em que lembrámos os 90 anos da Batalha de La Lys, durante a Primeira Guerra Mundial, na região da Flandres, na Bélgica, e onde se integraram vinte mil soldados do Corpo Expedicionário Português – a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578 – assinalámos a necessidade de se implantar na cidade da Mealhada um monumento especialmente erigido para homenagear os combatentes na Guerra Colonial portuguesa (1961-1974).
Desde 2007 que um grupo de antigos militares mealhadenses – que fizeram comissão na Guiné – se reúne anualmente e tem promovido a homenagem aos militares da Guerra Colonial em cada uma das freguesias do concelho. Em cada um delas tem sido erigido um monumento cuja edificação tem sido apoiada pelas juntas de freguesia. Uma iniciativa que nos parece muito salutar e digna do maior elogio.
Este grupo voltará a reunir-se no sábado, dia 2 de abril, desta feita em Casal Comba, e a eles, especialmente, renovamos o desafio que já aqui alvitrámos em 2008: o da construção de um monumento na sede do concelho com dignidade suficiente para nele se reverem não só os antigos militares mealhadenses, não só os familiares dos dezassete jovens do concelho que tombaram em África – que regularmente depositam flores nas lápides que se encontram anexas ao monumento aos mortos na Primeira Grande Guerra, no jardim municipal –, mas todos os portugueses que necessitam de assumir a Guerra Colonial como parte do nosso passado coletivo recente, com fortíssimas implicações no presente.
No decorrer da semana passada, um colaborador do Jornal da Mealhada, bom amigo desta casa, buscando uma edição antiga onde dera a mesmíssima sugestão – no Jornal da Mealhada de 10 de setembro de 2003 – disponibilizava-se para ajudar nessa demanda, a da construção de um monumento próprio para homenagear os combatentes da Guerra Colonial na sede do concelho. Disponibilidade essa a que o Jornal da Mealhada – a redação e a gerência da empresa proprietária – se associam.
Fará sentido que este monumento nasça, em primeiro lugar, da vontade e do esforço das pessoas, do grupo dos antigos militares da Guiné que já está organizado, e que só mais tarde se associem as autarquias locais – porque temos a certeza que se associarão. Há gestos que ganham significado se resultarem da vontade e do gesto dos homens, antes de o serem pela ação do Estado.
São muitas as dezenas de convívios de militares participantes na Guerra Colonial, que se realizam na Mealhada. Na Internet há vários sítios que divulgam esses encontros. Eles, de certo modo, funcionam como meio de exorcizar angústias, medos e frustrações, por meio do convívio entre pessoas que, juntas, ultrapassaram dificuldades, presenciaram coisas e factos muitos dos quais traumatizantes e, porventura, inimagináveis para tantos de nós. Pessoas que criaram, entre si, laços de cumplicidade, de solidariedade, de amizade. Reúnem-se na Mealhada, acreditamos, por uma questão de centralidade geográfica e de oferta de restauração.
A construção de um monumento na cidade da Mealhada, no jardim ou no Parque da Cidade, por exemplo, em homenagem aos combatentes da Guerra Colonial — a todos eles —, constituiria, também, uma forma de reconhecimento nacional e de referência para todos estes grupos de antigos militares que aqui se reúnem. Como aqui se concentram, aqui teriam um lugar digno, especial, para homenagear os que, como eles, estiveram envolvidos em conflitos militares pela pátria. Uma iniciativa que, certamente, teria o apoio das associações de veteranos de guerra e constituiria um gesto de justiça.
Fica, de novo, a sugestão.
Editorial do Jornal da Mealhada de 23 de março de 2011
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[1306.] "Pedro dos Leitões" - II
terça-feira, 22 de março de 2011
[1305.] Realidades (para além dos cenários) de crise III
O "Apelo Angustiado" de Mário Soares, publicado hoje no Diário de Notícias, procura pressionar o Presidente da República. Soares considera que o Chefe do Estado é o único que "tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada". Para Mário Soares, a catástrofe anunciada é a demissão do Governo e a marcação de eleições legislativas.+
Curiosamente, há precisamente uma semana, a 15 de março, o carismático fundador do Partido Socialista, no mesmo Diário de Notícias, juntava-se às vozes criticas em relação à ação do primeiro-ministro. Acusou Sócrates de cometer "erros graves" que "irão custar caro" ao primeiro-ministro. E, nessa altura, não afastava o cenário de eleições antecipadas no imediato.
Entre os erros de Sócrates, Soares dizia estarem os factos de não ter "informado, pedagogicamente, os portugueses, quanto às medidas tomadas e à situação real do País" e de, "nos últimos dias", ter negociado "o PEC IV sem informar o Presidente da República, o Parlamento e os Parceiros Sociais". Para Soares, estes erros "foram esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis, que irão custar-lhe caro".
Perante este cenário, o antigo Chefe de Estado não excluia, há uma semana, a possibilidade de eleições no imediato e colocava dois cenários ao Presidente da República. Soares criticava os dois cenários que identificava: o de Cavaco marcar eleições e o de Cavaco não marcar eleições. Dizia Soares que não marcar eleições seria "deixar que o Governo - e o PS, o que é mais grave - fiquem a fritar em lume brando? Com que vantagem para o futuro?".
É engraçado como é que Soares mudou de ideias numa semana. Há uma semana não demitir o Governo era "uma fritura em lume brando sem vantagens para o futuro". Agora, é uma "catástrofe anunciada". Estranho...
Talvez o antigo timoneiro do socialismo democrático tenha percebido que, agora, é a sério! Ou procure emendar a mão, fazendo esquecer que tem sido um dos coveiros de Sócrates e uma voz critica que tem ajudado ao avolumar da contestação ao primeiro-ministro.
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[1304.] Realidades (para além dos cenários) de crise II
No estertor do Socratismo, sobressaem hoje três ministros que são exemplo absoluto do desnorte da liderança política do primeiro-ministro e do que tem sido o rumo do país, pelo menos desde Setembro de 2009.
PEDRO SILVA PEREIRA, o trauliteiro, elogia a orquestra do Titanic. Insiste naquela arrogância completamente descabida, de quem insiste em ditar chavões em que nem ele próprio acredita, para que conste da memorabilia de um tempo estranho. Há momentos, na SIC Noticias, estava a ouvir o Ministro da Presidência - sem ver a imagem - e na minha cabeça "vi" aquele ministro do Saddam Hussein, o ministro da informação Muhammed Saeed al-Sahaf, que insistia em desmentir o óbvio e o que já era vísivel por todos. Este ficará, certamente, como o fulano mais low profile e sórdido do socratismo.+
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AUGUSTO SANTOS SILVA, o caceteiro. O autor (material) da célebre frase: Quem se mete com o PS leva!
Como ministro da Defesa que se preze, leva a defesa do Governo ao extremo de criticar o Chefe de Estado, e comandante supremo das Forças Armadas e, cinco minutos depois, estar a trabalhar com o homem cheio de salamaleques e atenções.
O ministro Santos Silva mostrou, nos últimos meses, a fase de um poder que persegue, que não perdoa, que intimida, que por muito libertário que seja, não entende outra linguagem que não seja a Lei de Talião e a velha máxima jacobita do "quem não é por mim, é contra mim!".
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LUÍS AMADO, o sensato. É, provavelmente, o melhor ministro do Governo. Apesar de algumas vezes na arte da diplomacia a história - essa sacana - lhe tirar razão, a verdade é que foi alguém que sempre deu a cara pela verdade, sem o discurso maldoso e da maldade.
Alguém que há meses pede para ser substituído e que Sócrates não se pode dar ao luxo de perder. Hoje Amado garantiu: "Estamos há demasiado tempo a jogar aos dados com o destino da economia portuguesa e dos portugueses".
E hoje mesmo, um jornalista perguntou: "Não é do Governo a responsabilidade da abertura da crise política, por se ter comprometido com a União Europeia antes de apresentar o PEC ao País?". O sensato ministro Amado respondeu: "Eventualmente, esse juízo já foi feito, tem havido muitas leituras sobre isso, como lhe disse gostaria que isso não se tivesse passado, passou-se..."
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segunda-feira, 21 de março de 2011
[1303.] Realidades (para além dos cenários) de crise
O CDS/PP é um partido fundamental no panorama político português. É um partido que, sendo um pequeno partido, se afirmou nos últimos anos como estando preparado para integrar o "arco do poder". Na verdade, no mandato da AD, em 1979, foi do CDS que sairam os dois mais distintos ministros daquele governo, Freitas do Amaral e Amaro da Costa. Nos Governos Durão Barroso e Pedro Santa Lopes, um dos melhores ministros foi, sem sombra de dúvida, António Bagão Félix - ministro do Trabalho e Solidariedade Social no Governo Barroso e ministro das Finanças no Governo Santana Lopes.O CDS tem o problema de ser um partido demasiado dependente do seu líder carismático, é certo. Mas afastou-se do caminho da demagogia política popularucha que o caracterizava antes de 2004, e afirmou-se como um partido de gente eficiente, activa, criativa, corajosa e responsável. A perenidade e estabilidade ideológica do CDS/PP é muito importante para um governo nacional - assim como para governos municipais, por exemplo.
No congresso que acabou ontem, em Viseu, o líder do CDS/PP mostrou-se determinado, mostrou-se responsável e isso é importante. Importante para a “coligação alargada de mudança” que Pedro Passos Coelho hoje enunciou. Faz todo o sentido que CDS/PP, PSD e MEP se apresentem a votos e obtenham os votos dos portugueses, para depois, se coligarem na formação de um Governo estável e credível.
"É Agora ou Nunca", como disse Portas, em Viseu.
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domingo, 20 de março de 2011
[1302.] Fecha-se um ciclo
Foi "decretada" hoje, 20.03.11, a abertura do processo eleitoral para a Junta do Núcleo Centro-Norte da região de Coimbra do CNE. As eleições foram marcadas para 18 de junho, mas ainda há muita coisa para fazer antes de darmos por terminado o mandato. Há, ainda, a reunião de avaliação do AcaSecNuc e do Plano Trienal, marcada para o próximo domingo, 27 de março, há relatórios de contas e de actividades para fazer... mas a verdade é que, com a abertura do processo eleitoral começa aquele sentimento - de que eu gosto particularmente - de avaliação e de fim de ciclo.Ao longo deste mandato - que começou em 8 de junho de 2008 - submetemo-nos a experiências arriscadas, experimentámos métodos de trabalho e de ação que, agora, importa avaliar. Independentemente da avaliação global e institucional, a verdade é que, na minha opinião, conseguimos concretizar todos os objectivos a que nos propusemos e conseguimos testar muitas das coisas em que acreditávamos, mas que nunca haviam visto a luz do dia. Juntámos pessoas diferentes, de sensibilidades distintas, a pensar e a remar na mesma direção, a construir coisas inovadoras, além do que tantas vezes julgávamos ser possível. Manifestámos espirito de corpo, união e muita, muita ação.
Foi um mandato extraordinário. De que me orgulho muitissimo!
Obrigado a todos por esta experiência!
[1301.] Sawa bona
WWF - We Are All Connected from Troublemakers.tv on Vimeo.
Segundo uma ancestral filosofia africana - Ubuntu - "não interessa em que parte do mundo vivemos, todos partilhamos valores e aspirações fundamentais muito semelhantes: prezamos a família, amamos os nossos filhos, queremos aproveitar ao máximo as nossas vidas e fazer diferença no mundo, buscamos uma sensação de segurança e desfrutamos das nossas amizades". Segundo o Ubuntu, a carateristica de sermos humanos obriga-nos à responsabilidade de termos de amar, respeitar e nos entregarmos ao "próximo". Porque ao dar-nos ao próximo estamos a fomentar a retribuição cósmica que nos fortalecerá a nós próprios, num ciclo de bem-estar que não se quebra.
Uma pessoa só é pessoa pela conexão humana. Estamos todos unidos, somos todos irmãos, num mesmo corpo, peregrinos neste planeta que tomámos de arrendamento. Pelo que quando um de nós tem fome, estamos todos mal-nutridos. Quando um homem é maltratado, todos sentimos dor. Quando uma criança sofre, é sobre o rosto de todos nós que correm as lágrimas. "Ao reconhecermos a humanidade uns nos outros, reconhecemos no nosso vínculo inquebrável à nossa condição humana!"
Isto parece filosofia barata, mas é muito reconfortante. Acreditem, mesmo muito reconfortante.
sábado, 19 de março de 2011
[1300.] A perigosa ingerência
Independentemente de Kadafi estar, na realidade, a massacrar civis, a verdade é que na Libia se vive uma guerra civil, com duas frentes bélicas, para a qual as Nações polidas e civilizadas devem contribuir com soluções de Paz e não com a ingerência de quem toma uma posição contra um dos beligerantes.
No caso em concreto, parece estranho que a ação política da coligação internacional se faça sentir - mesmo que com o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas - num momento em que o conflito parecia estar a acabar, verificando-se um controle por parte das forças de Kadafi. É verdade que muitas chancelarias europeias - como a nossa, por exemplo - decretaram o fim do regime de Kadafi cedo de mais, e que agora é preciso que o fim do regime tenha lugar, de modo a que não seja necessário dar uma pirueta e "dar um beijo no próprio rabo".
Tomara que as forças da coligação - com um estranho excesso de zelo de Sarkozy (que Kadafi ameaçara com "revelações escaldantes") e a gratuita beligerância torie de Cameron, bem como a traiçãozinha tímida de Berlusconi e Sócrates, depois das simpáticas visitas à tenda do "líder fraternal e guia da revolução da Líbia" - consigam neutralizar as tropas e armas e o próprio Kadafi, o mais depressa possível. A bem de todos.
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[1299.] O nome das coisas
Crise politica é que vivemos hoje.
A queda do Governo, neste momento, é a única solução para sairmos da crise política.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
[1298.] "Pedro dos Leitões"

Recomeçar, reconstruir, reerguer o sonho antigo de um homem como Alvaro Pedro - que foi um génio e, acima de tudo, um visionário, que certamente teve sucessos e fracassos - é um legado, é a herança. Uma reconstrução que permitirá resolver problemas antigos, inovar, fazer a diferença, ir mais além, construir o futuro.quinta-feira, 17 de março de 2011
[1297.] 6...5...4...3...2...
A situação politica nacional, neste momento, assemelha-se àquele jogo infantil da "bomba". A bomba vai explodir, toda a gente sabe isso, e os jogadores, já em contagem decrescente, fazem passar a bomba de mão em mão, para que exploda em qualquer lado, menos entre os seus dedos. Perde quem tiver o azar de lhe explodir a bomba nas mãos.Toda a gente sabe que o Governo vai cair e que vamos ter de ir para eleições antecipadas. Todos os líderes partidários e o Presidente da República querem ir para eleições o quanto antes. Acontece que nenhum quer ser acusado de ser o responsável pela marcação de eleições. Porque tal facto será relevante na dialética da campanha eleitoral, e principalmente, porque a queda do Governo trará consigo a entrada do FMI e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Nem Sócrates nem Passos Coelho querem ser acusados de abrir a porta às medidas draconianas do Fundo Monetário Internacional.
Este jogo da "bomba" tem estratégias, como tem qualquer jogo. Interessa ter a "bomba" na mão nos momentos finais de modo a lançá-la a quem não tenha hipótese de se libertar dela. É mais ou menos isso que está a fazer o primeiro-ministro. Parece-me.
O PCP, o CDS e o Bloco não têm muito a perder com este jogo. São aqueles jogadores que têm a capacidade de começar a contagem - nomeadamente com a apresentação das moções de censura -, mas sabem que a bomba não rebentará nas suas mãos. Nenhum destes partidos tem capacidade para aprovar uma moção de censura, nem serão determinantes na votação de qualquer documento estratégico que obrigue à demissão do Governo.
O Bloco apresentou uma moção para se antecipar ao PCP, e não teve qualquer cuidado em redigir um texto que permitisse a adesão do CDS ou do PSD.
O PCP pode vir a ser o censor que se segue, e também não deve dar-se ao trabalho de fazer com que o texto possa ser aprovado pela direita.
O Bloco e o PCP serão os partidos que menos interesse têm em eleições. O primeiro porque teve um resultado extraordinário em 2009, e dificilmente aumentará o número de deputados - até porque os problemas internos estão a agudizar-se no Consórcio das Esquerdas. E o PCP há anos que cada vez que vai a votos perde deputados e isso não lhe interessa nada.
O CDS, no entanto, não apresentará uma moção que não tenha o apoio implicito do PSD. No próximo fim-de-semana o partido de Portas reúne em Congresso, e cheira-me que para marcar a agenda politica, anuncie a apresentação de uma moção de censura.
Pedro Passos Coelho está a ser pressionado para fazer cair o Governo. Passadas as eleições presidenciais, e eleito Cavaco, não há o medo de o PSD contribuir para a não reeleição do presidente, e os barões estão ansiosos por ir a votos e voltar ao poder. O líder não quer o poder a qualquer preço, quando ainda não conseguiu munir-se de todas as ferramentas - pessoas e estratégias - para ser primeiro-ministro com tranquilidade. Acontece que o PSD é um partido que não aguenta a ausência de poder durante muito tempo, e essa turbulência política está a mexer com os social-democratas. Se não houver eleições dentro de poucos meses, as vozes vão começar a pedir a cabeça de Coelho... e Rio está à espreita! Até porque a manutenção do PS no Governo só se faz se este tiver o apoio do PSD.
O líder da oposição recebeu a bomba com o anuncio do PEC4, devolveu a bomba a Sócrates no sábado, e o PS voltou a devolver-lha com a declaração de Sócrates a dramatizar. Passos hoje manda a bomba para Cavaco, que por sua vez a mandou para o PS, que hoje já diz que o PEC4 é negociável se o PSD quiser... e se não quiser perde o jogo. E a bomba está, de novo, nas mãos de Coelho.
José Sócrates armou uma ratoeira ao PSD com este PEC4. Anunciou as medidas de austeridade no dia em que tinha de as levar a Bruxelas, tendo-as mantido escondidas no debate da moção de censura do BE. O primeiro-ministro sabia que o PSD não está em condições de chumbar a substância das medidas, porque, aparentemente, elas são necessárias e porque foram impostas por Bruxelas. Mas Sócrates sabia que o PSD não podia aceitar a forma como as medidas foram tomadas - sem aprovação no Conselho de Ministros, às escondidas, sem informação ao Presidente, sem informação à concertação social e, acima de tudo, sem negociação prévia com a oposição. Ou seja, para que eles não possam aprovar estas medidas - e lhes exploda a bomba na mão - temos de viciar a forma. E foi isso que Sócrates fez. Fez o pior possível, para ter a certeza de que o PSD não aprove estas medidas.
Pode perguntar-se: Mas que interesse tem Sócrates em sair do poder, neste momento? A resposta é simples, Sócrates, de facto, não está agarrado ao poder, mas percebeu que está num pântano, que já não pode fazer muito mais pela confiança dos mercados e dos portugueses, que não consegue remodelar o Governo, que tem ministros exaustos a pedir para sair por Amor de Deus - como o Amado. Sócrates tem o partido a minar a sua liderança e já percebeu que tem de sair. Não acredito que esteja a promover uma politica da terra queimada, até porque quer regressar, mas quer ver-se livre deste problema o quanto antes.
Resta Cavaco. O presidente não quer ser o agente da queda do Governo. Vai fazer o tudo por tudo para que o Governo caia no Parlamento, mas a coisa não está fácil. Cavaco não quer ser acusado de estar a favorecer a Direita, e sabe que tem a Esquerda à perna - uma esquerda que se recusa a aplaudir um discurso de um Chefe de Estado eleito por 53 por cento dos portugueses votantes.
Cavaco tem a perfeita noção de que a queda do Governo será o caos económico, que ele sabe ser inevitável, mas não quer ser ele a ter a bomba na mão quando rebentar.
Os tempos não são nada fáceis! E a contagem continua... e continuará
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quarta-feira, 16 de março de 2011
[1296.] 50 anos da Guerra Colonial... ou da Libertação?
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+Foi a capacidade de sofrimento e o exemplo de coragem das mulheres de Portugal, a quem tantos sacrifícios foram pedidos, pela ausência ou perda dos seus, e que tudo suportaram na sua solidão e nos seus silêncios, tantas vezes esquecidas.
Foi o enorme desafio vencido por aqueles que, regressados de África, tiveram que refazer as suas vidas, começando tudo de novo, fazendo apelo ao espírito empreendedor e à capacidade de lutar que sempre os caracterizaram. Foi toda uma rede de apoios e de afectos criada no seio das famílias e do País, que facilitaram a sua integração no tecido laboral e social, ultrapassando as muitas dificuldades criadas pelo ambiente instável que se vivia.
(...)
País que será mais bem defendido se contar com a mais-valia da vossa experiência e da vossa participação activa, como exemplo e fonte de motivação para os mais jovens que, tendo crescido num ambiente de maior conforto e de paz, enfrentam o futuro num Mundo incerto, onde as crises e o conflito não deixam de ser uma constante.
Combatentes,
A vossa geração criou, também, as condições para que Portugal seja um País democrático, mais livre, mais solidário e mais aberto ao Mundo. Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do País com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar.
Como Portugueses, não haverá causa maior do que dedicarmos o nosso esforço e a nossa iniciativa ao serviço da Nação e dos combates que é necessário continuar a vencer, para promover um futuro mais justo, mais seguro e mais próspero para todos. Juntos, continuaremos a afirmar Portugal.
(...)
Viva Portugal.»
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[1295.] Mercurii dies
O Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada de 2011 poderá ter sido o melhor de que há memória no sambódromo Luís Marques, na zona desportiva da Mealhada. Felizmente, já no ano passado tivemos a mesma afirmação, o que revela que o progresso qualitativo no maior evento cultural do concelho da Mealhada está em crescendo. As ameaças de mau tempo, de algum frio – especialmente na terça-feira – poderão, em parte, justificar a fraca participação de público, a que acrescentamos um patente desinvestimento na promoção externa do evento, por parte da organização.De qualquer forma, a verdade é que as escolas se apresentaram melhor e de forma relativamente homogénea – como se viu nos resultados do Concurso de Escolas de Samba do Jornal da Mealhada –, na qualidade das fantasias, na exuberância da apresentação dos enredos, no cuidado com coreografias e musicalidade.
O Carnaval na Mealhada está cada vez melhor, é certo, e afirma-se como a referência nacional relativamente à vertente brasileira do carnaval português. Num tempo de crise financeira, em que aos promotores de marcas fortes se exige que primem pela diferenciação, através de uma especialização de alta qualidade, o Carnaval Luso-brasileiro da Bairrada é, de facto, o mais brasileiro de Portugal.
Tal como temos feito em anos anteriores, investimo-nos do direito de chamar a nós, também, de emitir a nossa opinião sobre a organização do cortejo.
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O percurso do sambódromo
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O percurso do desfile no sambódromo continua a ser um factor negativo no carnaval mealhadense. No final do Carnaval de 2009, apelámos à necessidade de serem tomadas medidas no sentido de ser alterado o percurso – eventualmente mudada a localização, e os dirigentes da Associação do Carnaval da Bairrada foram sensíveis ao apelo e à necessidade, e o percurso em 2010 teve um novo local de dispersão, o que se revelou como um aspecto positivo.
Em 2011 manteve-se o percurso, mas o esforço de melhoria deve continuar a ser implementado. Seria interessante que os organizadores do desfile e as escolas de samba ponderassem a possibilidade de encurtar o percurso, de o limitar a uma das retas do complexo – com notórias melhorias ao nível da propagação do som – e experimentassem fazer um “recuo da bateria”. Este sistema – possível no sambódromo mealhadense –, usado no Rio de Janeiro, permite que a bateria, a componente musical da escola, que lhe dá mais alegria, possa apresentar-se no primeiro quarto da escola, estacione numa reentrância do percurso, faça passar à sua frente toda a escola e se reintegre no cortejo à frente da alegoria.
Fica o contributo.
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O som e o atraso
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Em 2011, voltaram a não ser significativos os problemas com o som e com o atraso no início do desfile. Já havíamos verificado esta situação em 2009 e em 2010, e registámo-lo também este ano. Fazemos referência a este aspecto porque entendemos que, no que respeita à hora de início dos cortejos, se tratou, durante muitos e muitos anos, de um defeito crónico do Carnaval na Mealhada.
No domingo, no entanto, voltou a registar-se um longo tempo de intervalo entre a quarta e a quinta escola a desfilar, especialmente, na parte final do percurso. O problema poderá ter resultado da aliança de questões técnicas com a evolução da própria escola. A forma como cada escola se apresenta no desfile, e progride na avenida é uma questão técnica e é uma componente do espetáculo. Mas a espera não beneficia a apreciação do espetador, pelo que acreditamos que uma mudança nas características do próprio percurso – com a limitação a uma reta – beneficiaria, também, esta componente.
De qualquer forma, e sublinhamos, reconheça-se a capacidade de eliminar – esperamos que de vez – o problema do atraso no inicio do cortejo.
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Revista Abre-alas
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Enriqueceu, de sobremaneira, o espectáculo apresentado pelas escolas de samba – assim o garante o público espetador – o facto de existir um roteiro, um libretto, se se preferir, com a explicação do enredo e com uma breve apresentação do significado de cada uma das alas, destaques e diferentes figurantes de cada uma das escolas que desfilou. Essa publicação foi editada pelo Jornal da Mealhada, com o Alto Patrocínio da Associação de Carnaval da Bairrada e com a ajuda preciosa de todas as escolas de samba. O espectador teve uma melhor percepção do que estava a ver, valorizou o trabalho das escolas, e criou-se uma publicação que servirá de acervo histórico para a posteridade.
A revista Abre-alas é mais uma publicação da JM – Jornal da Mealhada, Lda, que procuraremos ir melhorando e desenvolvendo nas próximas edições do carnaval.
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A avaliação das escolas de samba
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A avaliação feita pelo Jornal da Mealhada continua como um dado adquirido. E ainda bem – assim pensamos. Uma vez mais, todas as escolas colaboraram, com a entrega de todas as informações relativas ao que iam apresentar no sambódromo, mas, também, com contributos relativos à própria organização da avaliação. Colaborações que se revelaram, uma vez mais, muito positivas. Em 2011 os resultados globais das escolas foram muito superiores aos de 2010, já assim tinha sido no ano passado. Fica demonstrada a preocupação das escolas em melhorar e em procurar superar deficiências. Essa é a grande vitória da avaliação.
As justificações dos jurados estão publicadas no sítio oficial da Internet do Jornal da Mealhada – uma inovação de 2011 –, em nome do esforço de melhoria coletiva do espetáculo e do concurso.
Ao nível da organização do concurso registaram-se dificuldades este ano, imponderáveis, que com a compreensão de todos, com a colaboração de todos e com os sacrifícios de alguns foram ultrapassados. A JM – Jornal da Mealhada, Lda agradece, de forma penhorada, a disponibilidade e colaboração muito empenhada de Ana Filipa Pereira, de Nuno Semedo, que, com Carla Carvalheira, compuseram a Comissão Técnica do Concurso.
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O Carnaval e as crianças
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No final do Carnaval de 2009, lembrámos que nesse mesmo ano se havia completado trinta anos desde o primeiro Carnaval da Criança, festa infantil que, durante duas décadas se realizou no Domingo Magro. Na altura interpelámos a Associação do Carnaval da Bairrada e, até, a Câmara Municipal da Mealhada – entidade que de ano para ano ganhou preponderância em termos de politica educativa – sobre o assunto. Não obtivemos respostas.
O Carnaval da Criança acabou porque, de certa forma, a organização de um desfile infantil escolar implica um trabalho suplementar da parte de professores, que sobrecarregava os docentes de sobremaneira. A verdade é que nos últimos anos – especialmente na Mealhada e em Luso – os desfiles infantis de Carnaval estão a reaparecer, o que revela que está a ser recuperada a dimensão e a oportunidade pedagógica que o Carnaval pode proporcionar às crianças. Ora se os desfiles estão a regressar, porque não voltar a organizar um desfile grande – com dimensão e notoriedade – ao nível concelhio? Deixámos este desafio em 2009, em 2010, e atrevemo-nos a repeti-lo agora, uma vez que consideramos que estão mais que reunidas as condições para fazer renascer o Carnaval Infantil da Bairrada.
“Trata-se, afinal, do futuro”, repetimos.
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O Carnaval e o orçamento
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O Carnaval na Mealhada é o maior evento cultural do município. Dizemo-lo sem pudor. É um disparate pensar que se trata de um fenómeno exclusivo das freguesias da Mealhada e de Casal Comba. Abarca energias de pessoas de todo o concelho e de freguesias limítrofes no concelho de Cantanhede. É um disparate afirmar que se trata de um evento que dura algumas horas durante dois dias num ano. O Carnaval é um espetáculo efémero, é certo, mas que envolve pessoas durante quase todo o ano.
O Carnaval é cultura, e requer um investimento considerável. Trata-se de um espetáculo efémero e dispendioso – há que reconhecê-lo sem complexos. O investimento em Cultura – assim como em Educação – é contabilisticamente complexo, especialmente quando estamos a falar de artes efémeras, mas nem por isso deixa de ser importante numa sociedade que se quer cada vez mais evoluída e desenvolvida.
O Carnaval Luso-brasileiro terá tido em 2011 – dados nunca facilmente acessíveis – um orçamento de 180 mil euros. A Câmara da Mealhada proporciona um apoio financeiro de 90 mil euros (menos dez por cento do que em 2010) e um apoio logístico muito considerável e – pelo menos para nós – dificilmente contabilizável. A entidade promotora – a Associação do Carnaval da Bairrada – terá ainda outras receitas, nomeadamente, de bilheteira, de exploração da tenda gigante e de patrocinadores.
Para muitos pode considerar-se um investimento supérfluo, e a opinião pública concelhia facilmente determinaria que seria uma despesa a abolir no orçamento municipal. Não integramos esse grupo. Ao contrário, pensamos que o orçamento do Carnaval da Bairrada deve ser aumentado com o incremento de receitas próprias, e que, gradualmente, fará sentido aumentar o investimento público (não só municipal).
A análise comparativa com outros carnavais portugueses – muitos deles de qualidade muito inferior ao da Mealhada – deve servir-nos de referência neste exercício.
Se é certo que carnavais como o de Estarreja, da Figueira da Foz e de Sines têm orçamentos próximos do da Mealhada – na maior parte com menos investimento municipal –, a verdade é que há cortejos em que o investimento é multiplicado por dois ou por três. Os carnavais de Torres Vedras e de Ovar, por exemplo, têm orçamentos na casa do meio milhão de euros – com a Câmara a pagar quase tudo. Os carnavais de Loulé e da Madeira custam 350 mil euros, e o da Nazaré 210 mil euros.
É certo que, na nossa óptica são gastos que consideramos exagerados, mas fará sentido pensar que sem investimento – nomeadamente na promoção do evento enquanto marca nacional da cultura e do turismo – dificilmente haverá retorno.
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Editorial do Jornal da Mealhada de 16 de março de 2011
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terça-feira, 15 de março de 2011
[1294.] A Luta É Alegria!

[1293.] Elogio ao Afonso Costa?
E demos por nós a pensar no assunto, num momento em que a GNR tem de proteger camionistas de serem apedrejados por colegas de profissão, em que o direito a não fazer greve é retribuído com uma pedra na testa. Em que se multiplicam piquetes não para fazer valer direitos ou pontos de vista, mas para combater - ferozmente - os "fura-greves".
E demos por nós a pensar no assunto, num dia em que os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa decidiram fazer uma paragem a uma terça-feira entre as 6h30m e as 10 horas da manhã. Precisamente a hora em que cerca de dois milhões de portugueses precisam de transporte para ir de suas casas para o trabalho. Portugueses que chegaram atrasados ao emprego porque os senhores grevistas entenderam que era precisamente na hora de ponta que haviam de manifestar os seus direitos. Assim se mostra que o sindicalismo português acha que só prejudicando as pessoas, causando alarme social e rebuliço é que faz ouvir a sua voz, como se o Governo estivesse preocupado com isso!
Não entendemos este tipo de sindicalismo!
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sexta-feira, 11 de março de 2011
[1292.] de regresso
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
[1291.] Mercurii dies
Onde para ser escravo é preciso estudar”
A música está a causar sensação em blogues e em jornais nacionais. O grupo musical Deolinda – grupo de música popular portuguesa, inspirado pelo fado e pelas suas origens tradicionais – deu dois concertos nos coliseus e, no do Porto, apresentou o tema “Que Parva Que Eu Sou” – uma espécie de narrativa dos jovens portugueses, na casa dos vinte-trinta anos, “da geração sem remuneração”, “casinha dos pais” ou “nem-nem” (nem trabalha, nem estuda).
O grupo já havia apresentado, em álbuns anteriores, temas “de intervenção”, como “Movimento Perpétuo Associativo” – no primeiro albúm, que carateriza tão bem o cidadão português –, depois o “Fado Notário” – sobre a legalização do casamento gay – ou depois “Garçonete Da Casa De Fado” – sobre a emigração de brasileiros –, e depois 'A Problemática Colocação de Mastro' – sobre o mastro milionário de Paredes para comemorar o centenário da República.
“Que Parva que Eu Sou” está a promover debate pela avaliação feita pelo autor da letra de uma geração de portugueses que se mostra muito frustrada. Uns estão a usar a música para criticar o Governo Sócrates, outros procuram ir mais longe.
Na verdade, e temos de reconhecer isso mesmo, estas pessoas que hoje têm entre 25 e 35 anos, são as que estavam na escola no início da década de 90 do século passado, quando se implementaram as reformas da Educação do Governo Cavaco.
Esta geração de que fala a Deolinda é a primeira geração europeia – do Erasmus, da cidadania europeia e global. Esta geração é a filha da dos que implementaram a democracia em Portugal, da dos que terminaram com a Guerra Colonial. Interessará avaliar porque razão esta geração se mostra tão deprimida, tão tristonha? Interessará avaliar porque razão os mais brilhantes desta geração sentem necessidade de sair do seu país e da sua comunidade, para irem trabalhar para o estrangeiro, ou para Lisboa?
Editorial de 23 de fevereiro de 2011 do Jornal da Mealhada

[1281.] Hymno
Melhor versão no Youtube
Terei que voltar ao tema, quanto mais não seja por causa DISTO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
[1290.] Mercurii dies
Caríssimos irmãos em Cristo,Assinalamos hoje o Dia de B.-P., altura em que procuramos homenagear o fundador do movimento escutista no dia do seu nascimento. Desde 1926 que este é, também, para os escuteiros e guias de todo o mundo, o Dia do Pensamento.
E o Dia do Pensamento deve ser encarado como uma oportunidade, estabelecida no nosso calendário, para pensarmos na nossa acção como escuteiros, no que são os nossos deveres e obrigações, no que são os nossos sonhos e desafios, “onde estamos” e “para onde queremos ir” como pessoas, como membros da comunidade, como membros de uma fraternidade universal. Ao fazermos essa reflexão estaremos a homenagear os irmãos escuteiros do nosso agrupamento, os chefes que nos ajudaram ao longo de todo o nosso percurso e, sempre, estaremos a homenagear o génio de B.-P., a dedicação de Olave Baden-Powell, dos fundadores das nossas associações escutistas e todos os que deram o seu contributo para que o movimento que nasceu em Brownsea seja hoje o maior movimento de pessoas do mundo – congregando 28 milhões seres humanos.
O génio de B.-P. é, de facto, algo extraordinário. A capacidade que teve para prever que o método baseado numa fraternidade de ar livre e de serviço seria capaz de transformar a vida de tantas pessoas é algo que poucos imaginaríamos possível. B.-P. teve uma capacidade de ver o amanhã, de conhecer a realidade do seu tempo para a poder transformar no futuro, que é admirável. B.-P. conseguiu fitar além do óbvio, ir além do seguro, no fundo, ver “Para além da Linha do Horizonte”.
“Para além da Linha do Horizonte” é o mote do nosso último ano do triénio que começou em Junho de 2008. É o tema geral desta última actividade deste mandato, o ACASECNUC. Ao longo deste triénio procurámos apresentar ao Núcleo uma linha de coerência – nos gestos e na acção pedagógica –, uma proposta de continuidade, um projecto com princípio, meio e fim. E chegámos ao fim. A avaliação será feita depois, mas a verdade é que encontramos aqui, nestes dias – com a comemoração do Dia de B.-P. – o sinal do fim da pista, do regresso a casa.Um tema não pode ser, apenas, um enredo para ilustrar uma brincadeira. Um tema de uma actividade de escuteiros tem de servir para muito mais do que para a escolha de umas máscaras, ou para as peças à volta do fogo-de-conselho. O tema tem de ser um desafio, uma oportunidade de crescimento, a proposta para mais uma superação pessoal e colectiva. É isso que pretendemos fazer ao longo destes três anos e é isso que procuramos fazer no nosso II ACASECNUC.
O tema geral é “Para além da Linha do Horizonte”, e os imaginários de cada uma das quatro secções têm como ponto-comum: “o Futuro”. O Futuro como o que garantidamente está para além daquilo que somos capazes de ver – a linha do horizonte. Porque o que vemos é fácil de entrar nas nossas vidas, diferente é o que sabemos que pode vir a acontecer, mas que é sempre uma hipótese até acontecer de facto, ou não.
E a vivência deste ACASECNUC obrigar-nos-á a pensar no futuro. Naquilo que poderão vir a ser as nossas limitações enquanto seres humanos num planeta que Deus nos “arrendou” por tempo determinado. Um planeta cujos recursos se estão a esgotar, recursos como a água potável, os combustíveis, os alimentos. Um planeta que está a sofrer transformações de forma extremamente rápida – como o degelo, as condições e os fenómenos climatéricos extremos, a poluição do ar e da água. Dificuldades que hoje são, ainda, uma miragem, mas que um dia poderão ser reais. Nas nossas mãos está o exemplo de B.-P., há cem anos: Ter a capacidade de ver o amanhã, conhecendo a realidade do tempo para a poder transformar no futuro.
Peço-te – a ti, lobito, explorador, pioneiro e caminheiro, e ao dirigente de modo muito especial – que aceites este desafio que te lançamos, e aceites viver num futuro com características muito especiais. Um desafio que não é fácil, um desafio que requer paciência, caridade, sacrifícios e mudança de hábitos, mas um desafio cuja superação um dia poderá vir a ser muito importante.
Ser capaz de ver “Para Além da Linha do Horizonte” é o tal desafio.
Quinta do Valongo, 22 de Fevereiro de 2011
Lobo Irmão
Secretário Pedagógico da JN Centro-Norte - Coimbra





