quinta-feira, 16 de agosto de 2012

[1513.] 44 por cento do nossos descontentamento!

Governo da República - dando cumprimento a uma estratégia de "limpeza" dos sorvedouros do Estado - divulgou, no dia 2 de agosto, o relatório de avaliação das fundações "nacionais ou estrangeiras, que prossigam os seus fins em território nacional, com vista a avaliar o respetivo custo/benefício e viabilidade financeira e decidir sobre a sua manutenção ou extinção, sobre a continuação, redução ou cessação dos apoios financeiros concedidos, bem como sobre a manutenção ou cancelamento do estatuto de utilidade pública". Era uma avaliação aguardada e, assim nos parece, importante.
 
Os resultados relativos à Fundação Mata do Bussaco é que não foram nada animadores. A Fundação criada em 2009 para gerir a Mata Nacional do Bussaco foi classificada com a nota de 44 pontos, numa escala de 1 a 100.
A nota - os 44 por cento - é baixa. É, naturalmente, negativa. E seria desonesto dizer ou tentar demonstrar o contrário.
Naturalmente que há atenuantes, que, de certa maneira, relativizam este valor. A Fundação Mata do Bussaco (FMB) começou a trabalhar em 2010 e a avaliação do Governo ponderou o trabalho realizado em 2008, 2009 e 2010. Ou seja, o trabalho de arranque de um ano da instituição foi avaliado como o de três anos de pleno funcionamento.
Como já se disse, a nota é baixa. Mas também não fará sentido colocar agora em causa o trabalho feito pela FMB nos últimos três anos e resumi-lo a este valor. Esta solução - a da fundação - pode ter problemas, que os tem, pode ter deficiências, que as tem, pode estar a ser monopolizada por um setor, a sua ação e alegados feitos quotidianos pode estar a ser sobrevalorizada, mas que não restem dúvidas de que é a melhor solução até agora apresentada e posta em prática para a gestão de um património que estava a degradar-se, que estava abandonado pelo Estado, que estava refém da burocracia e do nepotismo incompetente da administração central sem rosto. Uma entidade gestora com uma avaliação de 44 por cento é negativa, mas é muitissimo melhor do que a gestão que existia antes.
A avaliação do Governo, considera que, até 2010, ao nível da "Eficácia" (especialmente no "custo eficácia das principais actividades e produtos e/ou serviços prestados" a avaliação é muito má. E que quanto a "Sustentabilidade", o resultado não é nada famoso. Mas quanto a "Pertinência/Relevância", ou seja, quanto à necessidade desta estrutura, o resultado é óptimo, situando-se na casa dos 70 por cento.
O "estado de graça" da FMB pode ter acabado, e é tempo de terminar com os elogios rasgados e acríticos, que misturam a exaltação da necessidade da instituição com o mérito pessoal dos gestores e técnicos - até porque não há só bestiais e bestas. Mas é exagerado colocar, agora, tudo em causa. Sem dramatismos, mas com muita humildade por parte de quem está à frente da FMB, com honestidade intelectual, com sentido de responsabilidade e de Serviço fará sentido avaliar o que está a correr menos bem, congregar sociedade civil e a comunidade na definição de rumos, despolitizar e despartidarizar e, acima de tudo, congregar esforços para evitar que algum iluminado se lembre de extinguir a Fundação Mata do Bussaco, especialmente em nome de uma avaliação que embora necessária, menoriza um aspecto essencial que é o de que pode ter problemas, mas é a melhor forma encontrada e aplicada de gerir aquele Património.
Saibamos todos ser críticos, mas honestos, austeros, mas eficazes, retos, mas muito práticos!

Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de agosto de 2012

[1512.] Como se mede o Escutismo?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

[1510.] Mercurii dies em dia de homenagear os Avós

A Idade dos Avós

Há quarenta anos, era expectável que um português, em média, vivesse até aos 60 anos. Hoje, essa Esperança está nos 79 anos, sendo de 82 para as portuguesas.
Para além destes números serem indicadores de progresso científico, de melhoria das condições de vida das pessoas, no fundo, de desenvolvimento, são, também, motivos para uma ampla reflexão, dado o impacto que têm sobre a sociedade e sobre o chamado Estado Social. Não valerá a pena estar a ilustrar a consequência destes dados no Sistema Nacional de Saúde, na Segurança Social, ou nas respostas sociais de terceira idade, cuidados continuados ou paliativos.
Os portugueses que entraram agora na vida ativa, que estarão na casa dos 20/30 anos, trabalharão até aos 60 ou 70 anos e viverão até aos 90 ou 100 anos. Ou seja, por exemplo, estarão reformados quase tanto tempo quanto o que trabalharam.
Na verdade, temos, agora e daqui para a frente, uma verdadeira Terceira Idade. Depois da Idade do Crescimento, e da Idade do Trabalho, há a Terceira Idade, a da reforma, que nem por isso deve ser menos produtiva e frutífera. Antes pelo contrário.
Formas para os nossos seniores continuarem a dar o seu contributo à sociedade são mais do que muitas. O serviço em instituições de voluntariado, de associações e IPSS, nas escolas e na formação de jovens, em grupos de ação e divulgação cultural ou de formação desportiva, etc.. Há, também, as Universidades Seniores, como a que a CADES abrirá na Mealhada e em Luso, em setembro próximo, ou a ação política nas autarquias locais, por exemplo.
Mas de todas estas ocupações há uma, especialmente altruísta e notoriamente de Serviço que é a ocupação de ser avô e avó. Os jovens e as crianças de hoje têm uma oportunidade que muitos dos seus antepassados não tiveram, a de poder conviver e receber instrução e educação dos seus avós.
Hoje, os avós, através dos seus cuidados, do carinho, do apoio e do serviço é uma instituição que beneficia novos e idosos e se reveste de particular importância, num tempo em que pai e mãe trabalham fora e têm uma carreira, em que a escola dura tempo de mais e as crianças chegam a ficar esgotadas com tanta ocupação e tão pouco tempo livre.
Na passada quinta-feira, Dia de Sant’Ana e de São Joaquim - segundo a tradição, os pais de Maria, logo avós de Jesus -, assinalou-se mais um Dia Nacional dos Avós. Dia festivo, de reflexão e homenagem, no Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade Entre gerações.
Valerá a pena pensar de que forma estamos nós, enquanto comunidade, a aproveitar esta dádiva e este potencial, que são os nossos seniores. Potencial que pode ter aproveitamento cultural, social, económico, mas, acima de tudo, cívico e de desenvolvimento humano.
Era bom que o aumento da esperança média de vida significasse, também, um crescimento de Esperança, um crescimento de Vida de Qualidade e, principalmente, de Felicidade.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de agosto de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

[1509.] Mercurii dies em dia de citar Rosália de Castro


«Este parte/ aquele parte/E todos, todos se vão»?

Há poucos dias, a catadupa de uma conversa, daquelas que começam num "por acaso" e não se sabe como terminam, aportámos na filosofia de Jaime Cortesão - quase um conterrâneo, aqui de Ançã - e sobrevoámos as teorias de Agostinho da Silva, a propósito do determinismo de "ser português". Defendia Cortesão que há um "humanismo universalista" no "ser português", uma espécie de característica genética da portugalidade, que nos condiciona em quase tudo, que nos refrata a forma como vemos o mundo, e, especialmente, na relação que temos com os outros. Cortesão fala de um humanismo prático, pragmático, que está na essência do português e, acima de tudo, um papel especial dos portugueses na história da civilização: o descobrimento e a unificação do Mundo pelo conhecimento.


Vem isto a propósito do aparente paradoxo destas teorias com a prática da nossa atitude coletiva perante a emigração portuguesa - a Diáspora - que insistimos em desvalorizar, em menorizar, em ridicularizar, quase como se nos sentissemos traídos por eles terem saído do país e nós não. O emigrante de regresso a casa é sempre o francês... ou o americano...

O anúncio televisivo da criança que dizia aos jogadores da Seleção Nacional de Futebol que não queria sair do país, mas se eles não ganhassem "ia ter de ser", aliado à onde de protestos sobre as declarações do Governo sobre a emigração de jovens quadros, é, apenas, a espuma mais recente de uma ideia que nos está enraizada desde os "vapores para o Brasil".

Aos jovens de hoje - a todos os que têm hoje menos de 40 anos, talvez - impingimos, depois da adesão à CEE, em 1986, a ideia de que eram uma geração europeia, que tinhamos de conhecer o mundo. Para isso aproveitaram-se e divulgaram-se Interrails, Erasmus, intercâmbios escolares, viagens de estudo e afins. Quando os frutos se começam a ver e os portugueses são requisitados para trabalhar na tal Europa onde nos devíamos mostrar, aqui del-Rei que ficamos sem gente. Volta-se a cantar o poema de Rosália de Castro sobre os "campos de solidão". Disparate.

Os emigrantes portugueses são uma das mais-valias que temos. Em termos de projeção, em termos económicos, em termos culturais. Ativos que precisam de ser colocados ao serviço do coletivo.

Evocando Cortesão, parece-nos que ser emigrante é ser um português completo.

Editorial do Jornal da Mealhada de 18 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

[1508.] Lunae dies em dia de regressar ao legado


O meu amigo NJ costumava dizer (terei conjugado bem o verbo?) que eu sou irritantemente optimista. E é verdade que o sou... mais com os outros do que comigo... mas é verdade que sou muito optimista. Quem me conhece bem sabe porquê... e sabe o que seria se assim não fosse... mas adiante!

Nem sempre fazemos o que nos apetece... e nem sempre o que nos sabe bem pode ser feito... depois de oito meses de espera e grande angústia... a vida começa a encarreirar. O jornal voltou às bancas e sinto que já posso levantar a cabeça, porque consegui cumprir a minha palavra. E novas oportunidades se abrem, agora, com a conjugação possível entre o que "quero fazer" com o que "devo fazer" e com o que "tem de ser feito".

Do mesmo modo que eu, no meu intimo, sabia que um dia trabalharia num jornal - porque a minha mãe tinha uma quota no JM, porque eu gostava do jornalismo e porque o queria fazer - também sabia que um dia trabalharia num restaurante - porque os meus avós eram proprietários de um restaurante, porque eu gostava do negócio e porque o queria fazer. Confesso que, tanto num caso como no outro, não imaginava que o fizesse tão cedo (aos 25 anos no primeiro caso e aos 33 no segundo). Mas a verdade é que eu sabia que isto ia acontecer.

Desafiei a minha família a lançar-se nesta aventura, aceitaram e na segunda-feira, 9 de julho, começou uma nova etapa da minha vida: A de dar seguimento à obra dos que me antecederam, no caso concreto do meu avô Hilário e da minha avó Maria, que em 1 de janeiro de 1973 abriram um restaurante com serviço de residencial.

 ESPERO ESTAR À ALTURA DO LEGADO!
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

[1507.] Mercurii dies em dia de regressar a respirar


Voltar para cumprir

Regressámos. A edição impressa do Jornal da Mealhada voltou às bancas, às mãos dos nossos assinantes e ao convívio dos nossos leitores mais tradicionais. Demorámos mais do que esperávamos. Tardámos mais do que desejámos. Mas aqui estamos: Renovados, fortalecidos e cheios de energia para regressar ao nosso lugar, na promoção do Direito à Informação, através de um jornalismo sério, honesto, independente e livre. Voltámos para cumprir.
A empresa JM – Jornal da Mealhada Lda, a detentora do Jornal da Mealhada desde julho de 1987, foi liquidada. Os activos e o passivo da empresa foram adquiridos pelos principais credores, nós próprios, que, depois de várias tentativas e uma profunda maturação, decidimos doar os títulos de comunicação social – o Jornal da Mealhada, o FRONTAL e a revista VIA – à Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
A Santa Casa da Misericórdia da Mealhada é uma instituição centenária – o que é garante da sua perenidade e da perpetuidade dos seus valores intangíveis –, a mais antiga das não-públicas no concelho da Mealhada, com um forte enraizamento nas comunidades da região, com a alma cheia dos ideais que se esperam de um jornal regional que, como dissemos em dezembro, é, acima de tudo, das pessoas e das comunidades. Dito de outra forma, consideramos que a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada acaba por ser a instituição ideal para, na garantia da continuidade, como legado da comunidade, receber a propriedade do Jornal da Mealhada.
Mesmo assim, os dirigentes da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, na humildade de quem recebe um legado naturalmente oneroso, obviamente sensível, especialmente sujeito ao escrutínio público, e ciente de que para além de ser é preciso demonstrar credibilidade, aceitou o ónus da constituição de um Conselho Editorial, composto por três personalidades, e a quem caberá manter os valores intangíveis da publicação, tais como a independência, a objectividade, o rigor e a defesa intransigente das comunidades onde se insere, garantindo a total Liberdade, de expressão e de pensamento, e a Independência da publicação.
Nos próximos meses, que são tempos estivais e de férias, a edição impressa do Jornal da Mealhada será quinzenal. Depois disso, reavaliar-se-á a questão no sentido de, com sustentabilidade, regressarmos ao contacto semanal.
O contacto direto e imediato com os nossos leitores através da edição on-line, na internet, com atualizações diárias e em tempo real, manter-se-á. Ficou demonstrada a relevância da ferramenta, a utilidade deste novo instrumento de informação e de comunicação comunitária.
O tempo de paragem serviu, como no propusemos, para refletir, para garantir que é prestado, com qualidade, um serviço, que outros, antes de nós, assumiram e do qual nos sentimos herdeiros e, acima de tudo, legatários. Um serviço que se quer cada vez melhor, cada vez mais próximo das pessoas, um serviço que o seja verdadeiramente e cada vez mais cuidado.
Os seis meses em que estivemos sem edição impressa foram penosos, difíceis e duros. Mas foi muito importante e gratificante a confiança, que, quase todos, demonstraram na nossa palavra, na promessa de que voltaríamos. A eles – assinantes e anunciantes, especialmente – o nosso agradecimento.
Prometemos e cumprimos. Voltamos ao seu contacto, através da edição impressa. "Frescos e preparados para o futuro". Nos próximos meses contamos apresentar uma nova imagem, uma nova apresentação. Trabalharemos ainda no desenvolvimento de novos produtos, novas formas de divulgação da informação e, também, novas ferramentas de intervenção. Mais fortes do que nunca, com o rigor e seriedade de sempre, estimulados e conscientes de que, enquanto houver estrada para andar, é nossa obrigação, é nossa missão, continuar. Não por nós, mas por todos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de julho de 2012
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quarta-feira, 20 de junho de 2012

[1506.] Mercurii dies, entre a Justiça, a Sabedoria e o Amor

«Trouxeram ao rei uma espada. "Cortai pelo meio o menino vivo", disse ele, "e dai metade a uma e metade à outra". Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: "Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis". A outra, porém, dizia: "Ele não será nem teu, nem meu. Seja dividido!".
Então o rei pronunciou o seu julgamento: "Dai", disse ele, "o menino vivo a essa mulher. Não o mateis, pois é ela a sua mãe".»
I Reis, 3, 24-27

O episódio bíblico, conhecido como a Justiça de Salomão, serviu de mote à maior parte das decorações em tribunais - pelo menos em tribunais portugueses. É, normalmente, visto como uma alegoria à Justiça e à Sabedoria do julgador. Salomão conseguiu, através de uma artifício simples descobrir - ou apurar? - a Verdade e, assim, conseguir produzir uma decisão justa.
Mas esta é, também, uma alegoria ao Amor Verdadeiro. Ao Amor que prefere doar e persistir do que possuir e matar ou impedir que outros possuam o que não pode ter.
A mãe verdadeira, porque ama realmente, prefere que a falsa mãe, rancorosa, invejosa e má, tenha o que não é seu a ver o seu filho morto. Antes vivo e longe do que morto.
Se centramos a nossa atenção na mãe verdadeira e não tanto em Salomão, percebemos melhor a lição que um outro ponto de vista nos pode proporcionar. E até nisso sobressai a sabedoria divina dada ao rei de Israel. A de saber avaliar e perceber a Verdade no Amor demonstrado, que muitas vezes é, exactamente, um acto de renuncia ou despojamento completo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

[1505.] Veneris dies, com Ella

Há quem diga que é a maior cantora do século XX. Ela é Ella Fitzgerald. Morreu há 16 anos. Feitos hoje. Menos palavras, oiça-se a First Lady of Song.



Summertime

Summertime é uma aria da opera 'Porgy and Bess', de 1935, composta por Gershwin, com letra de Heyward. É uma dos mais populares de jazz com mais de 33 mil covers de grupos e performances a solo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

[1504.] Iovis dies, com Immendorff, no Elogio da Esperança.

Tudo está bem, quando acaba bem.
É este o título (Ende gut, alles gut) deste quadro (óleo sobre tela) do pintor alemão Jörg Immendorff, que faria hoje 67 anos, se não tivesse morrido em 2007.

As águias que preenchem este quadro - vendido em fevereiro de 2007 por 250.000 libras - fazem-me lembrar o galinheiro em que se tornou o mundo, em véspera de eleições na Grécia, e da Cimeira Rio+20, em dias de colapso espanhol, em tempos de cólera futebolística... 
Só Esperança é que parece não haver em lado nenhum. "Tudo está bem, quando acaba bem". Quem dera que acabe, que acabe depressa e que acabe em bem, para que se possa dizer que, então, "tudo está bem!"
Resta a Esperança.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

[1503.] Mercurii dies em luto por um assassinato político

Ontem (12 de junho de 2012) foi um dia muito triste para a História da Democracia Portuguesa, do Poder Local e do país enquanto Nação soberana e independente. O assassinato de Maria de Lurdes Sobreiro - a presidente da Junta de Freguesia de Segura, no concelho de Idanha-a-Nova foi um assassinato político, feito por razões políticas e por isso merece a nossa homenagem. Na minha opinião, como Homem, como Democrata e como Português, não consigo perceber as razões pelas quais não foi determinado que hoje fosse Dia de Luto Nacional. Pelas mesmas razões, é, para mim, incompreensível, que o Chefe do Estado não tenha tornado público o eventual envio de condolências à população de Segura e aos familiares de Maria de Lurdes Sobreiro e do marido. Espero que o Presidente da República envie alguém em sua representação às exéquias fúnebres.

Esta mulher, uma autarca, disponibilizou-se, perante a sua população - e quem conhece Segura, como eu conheço, e o concelho de Idanha-a-Nova, que é para mim uma segunda terra natal, compreende o alcance dessa disponibilidade - para a Servir. Maria de Lurdes Sobreiro teria, certamente, como todas as pessoas, defeitos e virtudes, estaria sujeita a críticas, a falhanços, a momentos menos felizes. Mas é uma autarca portuguesa.
Segundo informações divulgadas pela comunicação social, assentes no testemunho da população e dos seus colegas eleitos na freguesia, foi assassinada por ter - no âmbito das suas funções de defesa da população e do território - denunciado o gesto criminoso de um empreiteiro sem escrúpulos que faria descargas ilegais de entulho em áreas ambientalmente protegidas. Um criminoso sem escrúpulos que assassinou esta mulher e o seu marido (fica por saber o que teria acontecido se mais pessoas estivessem no edificio da Junta de Freguesia de Segura) porque foi denunciado.

Esta situação não terá paralelismo em Portugal. A única situação de que me lembro de crimes desta natureza - para além do assassinato de membros do Governo, em 1980 e do caso das FP25 de Abril - é do caso do candidato a uma junta de freguesia que assassinou a sua oponente às eleições.

Este é o resultado de uma alma tresloucada, mas que demonstra a fragilidade das pessoas que se tornam figuras públicas e destacadas nas suas comunidades pelo facto de se disponibilizarem a Servir o Bem-Comum e as Comunidades. E por isso, Lurdes Sobreiro merece o nosso respeito, o nosso luto e a nossa homenagem.


Que Descanse em Paz.
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terça-feira, 12 de junho de 2012

[1502.] Marti dies

Há perguntas que têm de ser feitas, para que as respostas sejam encontradas.
Será impossível encontrar as respostas se não se fizerem as perguntas. Se não houver coragem e discernimento para as fazer.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

[1501.] A idade do Espírito Santo

Ontem foi Domingo de Pentecostes. Ou seja, o dia da ancestral festa portuguesa do DIVINO ESPÍRITO SANTO, introduzida a partir da Igreja de São Francisco, em Alenquer, pela Rainha Santa Isabel, e depois transportada para os Açores, para o Brasil e pelo Mundo Português, assumindo-se como uma festa profundamente portuguesa.

Mas esta temática é muito mais do que uma Festa... Religiosa.
Desde os tempos medievais que se fala em teorias da Idade do Pai, da Idade do Filho e da Idade do Espírito Santo.

Fica a sugestão de leitura de um dos maiores filosofos portugueses do nosso tempo, o professor Agostinho da Silva, e a sua teoria do Quinto Império Português e da chamada Idade do Espírito Santo, e da Festa do Espirito Santo como uma festa do Futuro e não do passado.

Leia-se aqui:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/Leiturasociopolitica.pdf

Mas se não houver paciência... Veja-se aqui:



quinta-feira, 24 de maio de 2012

[1500.] Iovis dies... Mudar é preciso


Às vezes é preciso mudar... abrir, aligeirar, dar espaço para que as coisa boas possam acontecer livremente. Ou como dizia o Lampedusa no "Leopardo"... às vezes "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma!"

O fio dos dias hoje mudou qualquer coisa... De imagem, pelo menos... e como não queremos problemas com Direitos de Autor aqui ficam os registos:

A imagem do cabeçalho é um pormenor do quadro "Dois Sátiros", do pintor flamenco Peter Paul Rubens (1577-1640). Esta obra foi pintada em 1618/19 e está no
Alte Pinakothek, em Munique, na Alemanha.

Gosto do olhar do sátiro do primeiro plano... parece malandro e afável... ou não...
Espero que gostem.

terça-feira, 1 de maio de 2012

[1498.] Marti dies... vendo aviões do sofá



ANDA COMIGO VER OS AVIÕES

"(...) Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti"

Azeitonas, 2009

Os feriados são românticos. No aconchego do lar. Os meus, pelo menos... os de 2012... apenas esses... Longe de confusões, das aritméticas de metades à borla, quando a metade já é demais e não fica menos por ser, apenas, metade do que não precisamos!

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quarta-feira, 21 de março de 2012

[1497.] Lunae dies

Pormenor da frontaria da Capela de N.ª Sr.ª das Candeias, em Mala
(freguesia de Casal Comba, concelho da Mealhada)


A Capela de Mala é das mais bonitas do concelho da Mealhada. É um edificio do século XVIII (que segundo a memória paroquial do pároco, em 1758, tinha como orago N.ª Sr.ª da Purificação).
No sábado, com os meus escuteiros, fizemos o percurso do Caminho de Santiago no concelho da ealhada (Adões-Mealhada) e pude deter-me a observar a frontaria da capela que é muito trabalhada e muito linda.
Detive-me a ver três anjos, que decoram a base do campanário, os três feínhos que Deus-me-Livre, nenhum com cara de criança e todos homens feitos (não estivessem eles ali especados há séculos). Dá-me a impressão que antes de ali estarem terão estado noutra capela - nos tempos em que se desmantelavam capelas em Coimbra e as peças eram espalhadas pela diocese... (Agora dá a sensação que é ao contrário...).
Fica aqui o pormenor de um desses anjos... o menos senior dos três...

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sexta-feira, 16 de março de 2012

[1496.] Caminho

Caminhos de Santiago: Em 2011, passaram pela Mealhada, pelo menos, 647 peregrinos

Número de peregrinos a passar na Mealhada é onze vezes maior do que há 8 anos


Foi recentemente publicado - pela Oficina do Peregrino de Santiago, em Compostela - a estatística da peregrinação do ano de 2011 (de janeiro a dezembro). Da leitura do documento - disponível em http://www.peregrinossantiago.es/ - pode registar-se o aumento exponencial do número de peregrinos de todas as nacionalidades que faz o Caminho Português e os que, começando em Lisboa, passam, obrigatoriamente, pelo concelho da Mealhada.
A Oficina do Peregrino de Compostela não disponibiliza a informação de quantos peregrinos começam a sua peregrinação em qualquer ponto intermédio entre Lisboa e Porto. Assim, podendo ser uma estimativa por defeito, e sendo certo que todos os peregrinos de Santiago que partem de Lisboa e chegam a Compostela passam pela Mealhada, pode afirmar-se que no ano de 2011 passaram pelo concelho 647 peregrinos. Este número é inferior ao número de peregrinos que passaram em 2010 - foram 718 -, mas é importante salientar que o ano de 2010 foi Ano Santo Jacobeu, ou seja uma época em que o número total de peregrinos é, sempre, muito maior. Registe-se que em 2010 registaram-se 272 mil peregrinos a entrar na cidade galega de Santiago, enquanto que em 2011 o número total foi de cerca de 183 mil peregrinos.
Analisando os dados dos últimos oito anos - desde que há estatísticas publicadas - regista-se um aumento exponencial de peregrinos a passar pela Mealhada. Em 2004 foram apenas 57 os peregrinos a rumar no sentido sul-norte. No ano seguinte o aumento não foi significativo - apenas mais um. A viragem dá-se depois de em julho de 2006 o francês Alain Bezard ter feito a marcação do caminho português desde Lisboa com setas amarelas. Em 2006 passaram 72 peregrinos, mas em 2007 já passaram 219 - um aumento de 300 por cento. E a partir daí foi sempre a aumentar: Em 2008 o número de peregrinos a passar na Mealhada foi de, pelo menos, 357, de 449 no ano seguinte e, como já se disse, de 718 em 2010.
"Para este aumento terá contribuído a divulgação do Caminho Português junto das comunidades de aficionados do norte da Europa, mas, também, a melhoria das condições dadas ao peregrino para fazer o Caminho", declara o mealhadense Nuno Castela Canilho, peregrino, chefe dos escuteiros da Mealhada e membro da Archiconfradia Universal do Apotol Santiago. "Falamos, naturalmente, da marcação da rota fora das estradas nacionais e alcatroadas (trabalho e manutenção da sinalética que, no percurso Coimbra-Anadia, tem sido feito por voluntários e pelos escuteiros da Mealhada), do aumento de hospedarias e locais para os peregrinos dormirem - como a abertura de um Albergue de Peregrinos, privado, na Mealhada, ou do anuncio da construção de um albergue público em Coimbra - e, acima de tudo, da gentileza e abordagem das populações à passagem dos peregrinos", acrescenta Nuno Canilho, que exemplifica: "Se em 2006, quando passou Alain Bezard, o peregrino de Santiago era visto com estranheza e algum receio pelas pessoas, em 2011 a postura dos populares é completamente diferente".
"O Caminho Português de Santiago é uma oportunidade de negócio, para muitos dos cafés, mercearias, padarias, farmácias e outros comércios que estão espalhadas pelas aldeias que são cruzadas pelo caminho. Uma oportunidade que, nos dias de hoje, não faz sentido alguém se dar ao luxo de perder!", assevera Nuno Canilho, que estende a sentença, também, a residenciais e hoteis da Mealhada: "A rota está desenhada para ser conveniente ao peregrino a dormida na Mealhada, depois de na noite anterior ter dormido em Coimbra. Dormida que implica, para um peregrino jacobeu, o jantar de gastronomia local e substancial - no comer e no beber -".

A estatística completa do Caminho Português, em 2011
Analisando os dados estatísticos referentes ao ano de 2011, e comparando-os com o ano de 2009 (não sendo possível a comparação com o ano de 2010, por este último ter sido Ano Santo), os Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela, continuam a crescer, sendo - em 2011 - o itinerário que regista o maior crescimento, quase duplicando o número de peregrinos.
O Caminho de Santiago continua a atrair cada vez mais pessoas de todo o mundo. Sendo que este crescimento mantêm-se desde do Ano Santo de 1993. Em 2011 o número total de peregrinos que solicitaram a “Compostela” (diploma para quem efetuou a tradicional peregrinação jacobeia) foi de 183.366 peregrinos (+ 37.489 do que em 2009), de um total de 126 países (em 2009 foram 111 países).
Os Caminhos Portugueses quase duplicam o número de peregrinos, sendo o itinerário que regista o maior aumento. Em 2011 foram 22.062 os peregrinos que seguiram este itinerário.
Interessante é conhecer quem são estes peregrinos que escolhem os Caminhos Portugueses para realizar a sua tradicional peregrinação ao sepulcro do Apóstolo São Tiago Maior, em Compostela. Assim, dos 22.062 peregrinos registados neste itinerário, apenas 6.498 eram cidadãos portugueses. A maioria foi espanhola (com 8.196 peregrinos), sendo a Alemanha o único país a ultrapassar a barreira dos mil peregrinos neste itinerário (com 2.557 peregrinos). Este é um dado muito curioso já que em 2011 quase duplica (em comparação com 2009) o número de portugueses que peregrinam a Santiago de Compostela.
Em 2011 realizaram a tradicional peregrinação jacobeia um total de 8.649 portugueses (registando-se mais 3795 pere­grinos do que em 2009). Note-se que Portugal é o único país (dos 5 que mais contribuem com peregrinos) a registar um crescimento em relação ao Ano Santo de 2010 (com mais 863 peregrinos). Note-se também que o número de peregrinos portugueses ultrapassa pela primeira vez (desde 1992) o número de peregrinos franceses.
Outro dado interessante é saber onde estes peregrinos iniciam a sua peregrinação. Assim, dos 22.062 peregrinos registados nos Caminhos Portugueses, 7.720 começaram a peregrinar em Tui [na fronteira com Portugal, a 3km de Valença do Minho e a 117 km de Compostela] (destes apenas 213 são de nacionalidade portuguesa). Já desde Valença do Minho foram 2.815 peregrinos (dos quais 1466 – mais de metade portanto – são portugueses).
Mas é a cidade do Porto o ponto de partida mais escolhido dos itinerários portugueses (colocando-se no 8º lugar dos pontos de partida mais escolhidos de entre todos os Caminhos/ Itinerários). Foram 6.539 os peregrinos que iniciaram a sua peregrinação na Invicta (dos quais “apenas” 1.924 são portugueses). A partir de Lisboa foram 647 peregrinos a dar o primeiro passo rumo a Compostela e Ponte de Lima, Braga e Chaves são as demais cidades preferidas para se iniciar a peregrinação a Compostela (sendo que os portugueses preferem o Porto, Valença do Minho e Ponte de Lima).
A tradicional peregrinação jacobeia continua claramente a se fazer a pé (153.065 peregrinos escolheram esta modalidade no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 18.155. No entanto os cidadãos portugueses estão divididos! Foram 4.618 que peregrinaram a pé, e 4.026 os que peregrinaram em bicicleta!), e por motivos religiosos ou religiosos e outros (172.116 peregrinos deram esta resposta no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 20.799. Esta também foi a resposta da maioria dos portugueses, com 8.259 peregrinos a peregrinarem por estes motivos).
Verifica-se um claro aumento do número de peregrinos nos Caminhos Portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela, bem como do número de peregrinos lusos, isto apesar da contínua indiferença do estado português para com este Grande Itinerário Cultural Europeu.
O Caminho de Santiago é o primeiro e o principal Itinerário Cultural Europeu e um modelo de relação transnacional pan-europeu, com grande biodiversidade e diversidade cultural refletida nas suas paisagens e no seu rico património cultural.
A desarticulação existente na atualidade entre as iniciativas de promoção local e a inexistência de uma estrutura de gestão global deste itinerário em Portugal, num momento em que o nosso país atravessa uma grave crise financeira, é uma oportunidade perdida para o desenvolvimento sustentável, para contrariar a debilidade do sistema demográfico e a escassa densidade populacional e o reequilíbrio do sistema rural-urbano.
Em Dezembro de 2010, o Comité de Ministros do Conselho Europeu, aprovou a Resolução CM/ Res (2010) 53, mediante a qual se estabelece um Acordo Parcial Ampliado (EPA) sobre os Itinerários Culturais, ao mesmo tempo que propõe uma nova regulação para os Itinerários Culturais Europeus, de entre os quais se destaca o Caminho de Santiago, como o Primeiro aprovado.
Durante o ano de 2011, o Conselho de Europa, conjuntamente com a Comissão Europeia, realizaram um estudo sobre a importância destes itinerários para o desenvolvimento, competiti­vidade e inovação das PME’s, concluindo-se da necessidade de articular estratégias conjuntas de I+D entre as universidades e centros de investigação com as associações empresariais (sobretudo representando PME’s).
JM/AEJ

http://www.jornaldamealhada.com/noticias/show.aspx?idioma=pt&idcont=457&title=caminhos-de-santiago-em-2011-passaram-pela-mealhada-pelo-menos-647-peregrinos

terça-feira, 13 de março de 2012

[1495.] Desnorteio


A Vida tem ritmos que nem sempre conseguimos compreender. Seja o destino, seja o teste de Job em cada um de nós na nossa passagem (peregrina) pela terra dos vivos, a verdade é que nem sempre estamos onde queremos, ou estamos a fazer o que gostariamos, ou estamos como gostaríamos. Quando temos consciência disso, vivemos o que se pode chamar um desnorteio...

Sinto-me um bocado desnorteado... Tenho dito aos meus amigos que estou em suspenso... Ou estou mesmo suspenso... Se calhar estou demasiado ligado ao projecto que abracei a 05.01.2005 e estou solidário... até na suspensão.

Acredto que melhores dias virão. Acredito que estou (estamos?) a um passo de sair deste estado de letargia terrível e que voltaremos a ser o que éramos... Ou talvez melhores!

Tenho vivido segundo a máxima: Se o que tens para dizer não é bom... Não digas nada! 
E por isso não há fio nem dias desde 26 de janeiro...

Espero voltar! - Eis a frase que m acompanha desde janeiro!
Tenho, de facto, essa Esperança.
Até lá!
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