O nome do próximo
primeiro-ministro grego terá sido conhecido ontem, terça-feira, já depois do
fecho da nossa edição. À hora que escrevíamos este texto eram já duas as negas
– especialmente a de Lucas Papademos, antigo vice-presidente do Banco Central
Europeu, que justificou a recusa declarando que em três meses não consegue
fazer nada –.quarta-feira, 9 de novembro de 2011
[1475.] Mercurii dies
O nome do próximo
primeiro-ministro grego terá sido conhecido ontem, terça-feira, já depois do
fecho da nossa edição. À hora que escrevíamos este texto eram já duas as negas
– especialmente a de Lucas Papademos, antigo vice-presidente do Banco Central
Europeu, que justificou a recusa declarando que em três meses não consegue
fazer nada –.domingo, 6 de novembro de 2011
[1473.] Hoje
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
[1472.] Mercurii dies
Há 175 anos Portugal vivia uma situação política muito complexa. A Guerra Civil – entre Liberais e Absolutistas – havia acabado há dois anos e, mesmo entre os vencedores, os Liberais de D.Pedro IV e D.Maria II, não se verificava entendimento sobre que Constituição devia o país obedecer, se à Carta de 1826 – como entendiam os “Cartistas” –, se à Constituição de 1822 – como preferiam os “Setembristas”. Mesmo assim foi possível a Governos diferentes e sucessivos – liderados pelo Duque de Saldanha, cartista, por José Jorge Loureiro, pelo Duque da Terceira, cartista, pelo Conde de Lumiares, setembrista, pelo Conde do Vimioso, cartista, e pelo Marquês de Sá da Bandeira, setembrista – levar a cabo uma reforma administrativa profunda e intensíssima que, 175 anos depois, de um modo geral, ainda perdura.
O pai da criança, por assim dizer, será Rodrigo Fonseca Magalhães, cartista, que, como Ministro dos Negócios do Reino, no governo do Duque de Saldanha, consegue aprovar a Reforma Administrativa de 18 de julho de 1835 – que converteu o mapa das paróquias religiosas em estruturas civis e políticas também conhecidas como freguesias. O mapa administrativo dos concelhos – com as referidas extinções maciças – decorre desta reforma, mas já é assinado por Mouzinho da Silveira, que sucede a Rodrigo Fonseca Magalhães na pasta dos Negócios do Reino, já no Governo do Marquês de Sá da Bandeira.
Como terão os nossos antepassados convivido com semelhantes transformações e num ambiente de crise económica, financeira e principalmente política, como na altura se vivia?
Permanecendo no encalço da História, interessa reter que só em 24 de junho de 1944 é que é criada a freguesia da Mealhada – que se descola da freguesia da Vacariça –, e em 23 de abril de 1964 é criada a freguesia da Antes, que se desagrega da freguesia de Ventosa do Bairro.
Cento e setenta e cinco anos de vida é um acontecimento. Assim nos parece. Uma vida com alguma demora na consolidação administrativo-politica (que tem, apenas, 158 anos). Uma vida que sofreu influências significativas no sentido de serem acentuadas diferenças – entre monárquicos e republicanos, entre conservadores e progressistas, entre isto e aquilo…
Mas que é hoje o concelho da Mealhada? Será que interessa a alguém saber responder a esta questão? Para além de uma estrutura administrativa, é uma comunidade? Há elementos agregadores entre os que são naturais ou os que não o sendo residem neste torrão “de verde e ouro”? Há espaços de identificação coletiva? Há sinais de identificação comunitária? Por quantas gerações continuará a custar a tantos assumirem o gentílico ‘mealhadense’, mesmo sendo naturais de Luso ou da Pampilhosa? Quantas mais eleições serão precisas para na Assembleia Municipal da Mealhada alguém deixar de pensar e de falar no seu Luso, na sua Pampilhosa, na sua Antes, para passar a defender, intransigentemente, como lhe compete, os interesses coletivos, comuns e gerais do nosso concelho, globalmente?
Por outro lado, quais são as nossas principais riquezas, os nossos motivos de orgulho, as nossas potencialidades? Será que as conhecemos? Será que as valorizamos? Será que estamos dispostos a pensar nelas para além do nosso quintalinho?
Não temos conhecimento da preparação de nenhuma comemoração especial dos 175 anos do concelho da Mealhada. Lamentamos, mas não estranhamos. No Jornal da Mealhada procuraremos abordar neste mês de novembro esta temática, estes propósitos, esta comemoração. Como sempre, estamos recetivos aos contributos dos nossos leitores: Com um desejo de “Parabéns!” ou com a sua própria visão do que somos e do que deveremos ser no futuro.
Nota sobre a questão da freguesia da Antes
No nosso entender – e assim fica dado o nosso primeiro contributo – o busílis da questão passa pela procura de argumentos no sentido de conseguir demonstrar que a freguesia da Antes é uma freguesia rural e não uma freguesia urbana, ou moderadamente urbana. Se a classificação da freguesia for, novamente, a de Rural, a Antes preenche os requisitos para continuar.
Assim – para além da recolha dos ecos da voz e dos sentimentos do Povo – devemos concentrar-nos na análise dos principais indicadores que possam ajudar a provar a ideia de que a freguesia da Antes é Rural. Sentimos, portanto, dever sugerir o estudo e análise critica dos dados relativamente aos tipos de atividade profissional instalados na freguesia, aos índices e tipo de ocupação dos solos, entre outros.
Editorial do Jornal da Mealhada de 2 de novembro de 2011
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
[1471.] Parabéns a você... um quinquénio
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
[1469.] Mercurii dies
Poucas horas depois de ter sido entregue no Parlamento nacional o Orçamento do Estado de 2012 para debate e aprovação, todos confirmaram o que já se sabia há muito tempo: Quem vai pagar a conta de uma situação financeira altamente deficitária são os portugueses! Mas também quem poderia ser?

Ninguém acha que deveria pagar os desmandos da administração central. É normal pensar que devem ser sempre os outros a sofrer o sacrifício. Os pobres acham que quem deve pagar são os ricos, os ricos acham que quem deve pagar é quem usufruiu dos serviços e prestações sociais. Os Municípios acham que não devem pagar e os funcionários públicos consideram que andam há muito a ser sobrecarregados. Os empresários queixam-se que se forem sacrificados aumenta o desemprego e os desempregados, que contribuíram, consideram não ter culpa da sua situação.
A todos assistirá alguma razão. Mas a verdade é que alguém tem de pagar e é natural que o Estado consiga arrecadar mais receitas nos setores que controla e não onde não consegue chegar.
Importa, no entanto, talvez refletir um pouco sobre a questão mais importante de toda a problemática que é: Onde é que o Estado gasta o dinheiro? Se os portugueses pagam, então quem é que recebe a conta?
Sem procurar ser exaustivo interessará analisar alguns dados. Em 2012, o Estado prevê receber 72 mil milhões de euros. No entanto, prevê gastar 79,6 mil milhões de euros. Não é preciso ser doutorado em finanças para perceber que há, logo aqui, um problema. Gastamos quase 10 por cento mais do que recebemos.
E onde é que gastamos? A verdade é que 49,5 por cento do que prevemos receber vamos gastar em prestações sociais – reformas e subsídios, por exemplo. É muito dinheiro. Mas há mais: 26,9 por cento do que prevemos receber vamos gastar em salários dos funcionários do Estado, e a terceira maior fatia do que gastamos é em juros… 12,3 por cento. Dez por cento do que recebemos vamos gastar em consumos do Estado – onde está tudo o que a administração precisa de comprar e, também, algumas das mordomias que muitos insistem em considerar como o grande buraco do Estado português. Apenas 7,2 por cento é investimento público e despesas de capital…
Qual será, então, a resposta à pergunta: Perante este panorama, onde vamos cortar? Podemos cortar nas prestações sociais? Não. Podemos cortar nos salários? Não. Podemos cortar nos juros? Dificilmente. Podemos cortar nos consumos? É complicado. Podemos cortar no investimento? Pára a economia. No Orçamento do Estado para 2012, o Estado prevê reduzir 4,3 por cento nas prestações sociais. Podia ser mais? Vai cortar 14,8 por cento nos salários. Podia ser mais? Vai cortar 20,9 por cento nos juros. Podia ser mais? Vai cortar 1,8 nos consumos. Podia ser mais? Vai cortar 0,9 por cento nos investimentos. Podia ser mais?
Para terminar, até porque não queremos dar a ideia de que achamos este Orçamento positivo – porque não é essa a nossa opinião –, importa concluir o raciocínio com uma última pergunta: Onde é que, na carteira dos contribuintes, vamos, mesmo, buscar o dinheiro para o Estado gastar?
A resposta não é difícil de encontrar. A maior fatia de receita do Estado é a fiscal, mas não chega a ser metade do que o Estado arrecada, são 45,2 por cento. E da receita fiscal, a maior fatia é, naturalmente, o IVA, com 20 por cento da receita total. Daí que seja muito mais fácil procurar arrecadar no consumo, aumentando o IVA. Segue-se a receita em sede de IRS, de IRC e do Petróleo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de outubro de 2011
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
[1468.] Marti dies
Himno al Apóstol Santiago
Santo Adalid, Patrón de las Españas,
Amigo del Señor;
defiende a tus discípulos queridos,
protege a tu nación.
Las armas victoriosas del cristiano
venimos a templar
en el sagrado y encendido fuego
de tu devoto altar.
Firme y segura
como aquella Columna
que te entregó la Madre de Jesús
será en España
la santa Fe cristiana,
bien celestial que nos legaste Tú.
Bis.
¡Gloria a Santiago,
Patrón insigne!
Gratos, tus hijos,
hoy te bendicen.
A tus plantas postrados te ofrecemos
la prenda más cordial de nuestro amor.
¡Defiende a tus discípulos queridos!
¡Protege a tu nación!
Este é o Hino Oficial ao Apóstolo Santiago, uma composição que é tocada e cantada na Catedral de Santiago de Compostela, habitualmente enquanto o "botafumeiro" (desinfeta)e abençoa os peregrinos. É um tema lindo, que ouvido naquela casa, depois de uma peregrinação, é uma experiência sobrenatural. O tema tem letra de Don Juan Barcia Caballero e de Don Manuel Soler Palmer.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
[1466.] Dia Vencido e Regressado

Hoje regressei à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Cerca de cinco anos depois do último exame... regressei. Novamente como estudante, desta vez no Mestrado. Desta vez em Administração Pública.
Não notei grandes diferenças... Encontrei velhos amigos - refiro-me a pessoas - encontrei o mesmo ambiente, velhas curiosidades, velhos personagens, os mesmos cheiros, as mesma pronuncias - de norte e de fora -, os mesmo movimentos. Lembrei-me das minhas velhas angustias... E do sofrimento... e dos medos... e das expectativas... das tristezas... e das alegrias à saída de uma oral que correu bem ou de uma boa nota... ou até só da passagem com 10!
E se não devemos voltar ao sitio onde fomos felizes, à contrario sensu faz sentido regressar aos Gerais, ao olhar do Sá pinto, aos velhos ramos de flores azuis dos azulejos, à história inenarrável dos azulejos do andar de baixo dos gerais...
Fez sentido voltar.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
[1465.] Virgilio dixit
Há um número muito significativo de leitores deste blogue que são católicos. Textos meus sobre a Igreja são dos mais lidos de O fio dos Dias, curiosamente.Assim, e sem fazer análises sobre o assunto - pelo menos para já - sinto-me na obrigação de partilhar aqui o primeiro texto doutrinário do Bispo de Coimbra, D.Virgilio Antunes, intitulado “Possíveis caminhos para uma Nova Pastoral”, que proferiu nas "Jornadas do Clero", em Mira, para 90 padres da diocese de Coimbra, em 29 de setembro.
Trata-se de um texto profundo, de alguém que já conhece a diocese, que procurou conhecê-la profundamente e que aponta, já, caminhos de mudança e de transformação. Há aspectos que me suscitam grande reflexão e para os quais não sou capaz de ter opinião formada, mas parece-me ser de leitura obrigatória para todos os leigos, mas também para os que pensam que a Igreja Portuguesa, hoje, é de acéfalos sem espírito critico.
Sugiro a leitura AQUI ou AQUI (que foi onde li, depois do alerta do Padre Carlos Godinho)
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
[1462.] Lunae dies
Alberto João Jardim foi reeleito presidente do Governo Regional da Madeira. Ocupa o cargo desde 17 de março de 1978 e foi eleito, com 48,6 por cento dos votos expressos, elegendo 25 dos 47 deputados da Assembleia Legislativa Regional.
Teve menos votos (muito menos, aliás) do que na eleição de 2007, quando antecipou eleições para poder mostrar a Sócrates quem mandava. Foi, agora, reeleito depois de uma campanha eleitoral que lhe foi - a partir do continente, convenhamos - completamente desfavorável.
Não nutrimos por AJJ maior simpatia do que lhe advirá de ser um líder eleito pelo povo. Basta isso para ter de ser considerado. Acreditamos que o Povo não é burro, nem acéfalo, e terá escolhido, uma vez mais, quem - na sua opinião - melhor o serve. Não nos parece, no entanto, que a eleição de AJJ tenha sido o melhor para o futuro da Madeira. AJJ portou-se mal para com os madeirenses ao endividar-se de uma maneira quase sobrenatural, sabendo que não teria - nas próximas décadas - dinheiro suficiente para cumprir compromissos. Mas como não somos eleitores na Madeira, mais não podemos que mandar bitaites.
O que precisamos de ter em conta, no entanto, é que AJJ é um líder regional e não lhe cabe a ele defender outros interesses que não sejam os egoísticamente considerados para a sua população. Infelizmente, esse é o protótipo que se espera de um líder regional. Uma liderança que precisa de inimigos externos para se afirmar - coisa que nós os cubanos do continente continuamos a ajudar. Uma liderança que precisa de protagonismo externo. Uma liderança que precisa de o ser, de facto, na tal defesa intransigente dos alegados interesses das pessoas.
Os madeirenses têm melhores condições de vida que os continentais. É verdade. E de quem é a culpa?
A única diferença entre AJJ e Fraga Iribarne - antigo líder regional da Galiza - ou de Manuel Chavez - antigo líder regional da Andalucia -, é que não consegue deixar o poder. Está demasiado agarrado a ele, e vai ser isso que vai condenar o PSD/Madeira no futuro. Tudo o resto é igual: A truculência, a verborreia, a energia em campanha, o amor do Povo. AJJ não é diferente que qualquer outro líder autonómico. Nem se pretenderia que o fosse. A cada um o seu lugar, poderia dizer-se.
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sábado, 8 de outubro de 2011
[1464.] Saturni dies

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.
“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.
Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
[1463.] Veneris dies
De todos os "Nobel Prize", os da Literatura e da Paz são os que mais curiosidade me despertam, confesso. Quanto aos restantes sou relativamente indiferente. E, honestamente, nem sei muito bem porque é que tenho essa curiosidade porque a verdade é que são prémios importantes, de prestígio, mas cuja autoridade moral me parece posta em causa há muitos anos.
Já aqui referi, acho eu, o episódio da atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Winston Churchill, em 1953, porque não havia condições políticas para lhe atribuir o da Paz. Ou o facto de Barack Obama ser Nobel da Paz no ano em que tomou posse do Governo da Nação mais beligerante desde o Império Romano. Já para não falar das falhas graves como a não correção do erro de não terem atribuído o Nobel da Paz de 1923 a Baden-Powell, fundador do Movimento Escutista.
Mas desta vez, a de 2011, o Nobel da Paz parece-me bem atribuído: "Por sua luta não-violenta para a segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres à sua plena participação na construção da paz e trabalho".
E parece-me importante ter sido entregue a três pacifistas mulheres. Uma da oposição política recente, da Primavera Arabe - a jornalista Tawakkul Karman -, outra no poder instituído - Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria, a primeira em Africa, desde 2006 - e a terceira no combate no terreno, com as mãos na massa, pelo fim da guerra na Libéria, em 2003 - Leymah Gbowee.
Desta vez os noruegueses do Nobel da Paz safaram-se...
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
[1461.] JORNAL DA MEALHADA
Nota do diretor do Jornal da Mealhada
A PROPÓSITO DA NOTICIA DA EDIÇÃO IMPRESSA DE 6 DE OUTUBRO
O Governo apresentou na passada semana, a 26 de setembro, o Documento Verde da Reforma da Administração Local. O texto, que foi apresentado pelo primeiro-ministro, apresenta um novo modelo de classificação dos municípios e, de acordo com isso, prevê a agregação – o ministro não assume a palavra extinção – de mais de mil das 4259 freguesias atualmente existentes.
Relativamente ao concelho da Mealhada muitas têm sido as informações descritas na imprensa locai - contraditórias - facto que motivou na manhã de hoje, 6 de outubro, vários telefonemas para a redacção do JM, pedindo esclarecimentos.. Assim, na impossibilidade de, antes da próxima quarta-feira, poder esclarecer os leitores do Jornal da Mealhada, informo que é fidedigna a informação por nós noticiada, com uma única retificação eventual.
1. Em primeiro lugar, o concelho da Mealhada é de nível 3, e não de nível 2. Apesar de ter uma densidade populacional enquadrada no nível 2, ou seja, superior a 100 habitantes por Km2 (temos cerca de 180h/km2), o concelho tem menos de 25 mil habitantes. Ou seja, conforme a exceção descrita na página 25 do Documento Verde da Administração Local, a classificação da Mealhada é Nível 3. O mesmo está patente e claramente explicito na página 39 dos anexos do Documento Verde da Administração Local. Ambos os doumentos estão publicados na página da internet do Governo.
2. As freguesias, com a presente reforma são, também, classificadas entre Rurais, Mistas ou Urbanas. Para cada um destes tipos há critérios diferentes para a extinção/agregação. Nos concelhos de nível 3, as freguesias rurais com menos de 500 habitantes e as freguesias mistas com menos de 1000 habitantes são extintas/agregadas.
No caso concreto do concelho da Mealhada, na segunda-feira, 3 de outubro (dia em que foi escrito o texto que publicámos na edição de hoje), na página do Governo, na Lista de Municipios, na folha da Mealhada, era consideradas Rurais as freguesias de Antes, Barcouço e Ventosa do Bairro. Assim, e uma vez que todas estas têm mais de 500 habitantes, nenhuma destas freguesias seria extinta/agregada. As restantes freguesias do concelho, todas classificadas como Mistas, todas têm mais de 1000 habitantes, logo, nenhuma delas seria extinta/agregada.
Acontece que, depois de segunda-feira, em data que não podemos precisar, a folha da Mealhada na lista dos Municipios foi alterada e a freguesia de Antes passou a ser classificada como Mista e a de Vacariça passou a ser Rural. Assim, o caso muda de figura e a freguesia de Antes (com 924 habitantes, logo com menos de 1000) será extinta/agregada.
Temos na nossa posse impressões que atestam a veracidade destas nossas declarações. E segundo fonte da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), a que tivemos acesso, Antes continua a constar como freguesia Rural.
Publicámos a noticia com os dados que tinhamos ao dispôr no momento. Fizemo-lo de boa fé. No entanto, no caso de se confirmar a mudança de classificação da freguesia da Antes, o que implica a sua extinção/agregação e, consequentemente, a falsidade da nossa noticia, especialmente nos titulos apostos nas páginas 1 e 3, pedimos desculpa aos nossos leitores.
Mealhada, 6 de outubro de 2011, às 13h 55m.
Nuno Castela Canilho, diretor
PUBLICADO AQUI
[1460.] Mercurii dies
“A imprensa regional é um importante e valiosíssimo repositório histórico, que interessará fomentar e valorizar”, afirmámos na sessão de apresentação do livro “Bussaco: A Batalha e o Convento – 200 anos da Guerra Peninsular”, de Fernando Ferraz da Silva, nosso antecessor nas funções de diretor e colaborador assíduo do Jornal da Mealhada.
Os jornais locais apresentam-se – hoje, como há muitas dezenas de anos – como fontes particulares para o conhecimento dos acontecimentos, mas também, dos valores, das ambições, das preocupações e do pensamento das comunidades ao longo do tempo. Talvez pelo facto de serem escritos com a preocupação do informar para a actualidade, para a contemporaneidade, de procurarem provocar um efeito imediato nos leitores, os artigos jornalísticos – noticias, reportagens e crónicas de opinião – acabam por ser um retrato genuíno da estória, ou da história que ainda não é História, de facto. Não é, ainda, mas pode vir a ser.
A imprensa local regista um valioso fio dos dias que é condutor direto à história e à memória que nem ao tempo resiste.
Talvez sensibilizados pela edição – que teve lugar ontem, 5 de outubro, em Penacova – do livro “Penacova e a República na Imprensa Local”, do nosso amigo e colaborador David Almeida, e da publicação do mais recente livro de Fernando Ferraz da Silva, que o Jornal da Mealhada apoia, sentimo-nos na obrigação de sublinhar a necessidade de valorizar esta santa aliança que é preciso continuar a estabelecer entre a imprensa local e a investigação histórica.
Nos jornais de época vamos encontrar – as palavras são de David Almeida na nota introdutória da sua obra – “textos jornalísticos que, temos consciência disso, se revelam, por vezes, sectários, partidarizados, transmitindo-nos, desse modo, uma visão parcelar e fragmentada da realidade, em especial das situações ideologicamente mais conotadas”. Mas tem consciência disso o investigador avisado.
“Os periódicos locais, são, deste modo, fontes privilegiadas de informação. Em Penacova, são mesmo, em muitas situações, registo único das vivências de muitos dos nossos antepassados que, um pouco por todo o concelho, participaram, já lá vão cem anos, na mudança do regime político que determinou o curso da nossa história recente”, assevera o autor de “Penacova e a República na Imprensa Local”.
“É possível traçar um fio condutor e credível que pode ser o ponto de partida para outros estudos sobre história local de que Penacova não é, infelizmente, pródiga”, afirma David Almeida.
Com tudo isto queremos apenas, sublinhar, a importância que tem investigarmos os nossos jornais – quando existem – e colaborarmos hoje, com os jornais, para que mais tarde, os vindouros – entre o papel delicado ou as encadernações de livros, possam conhecer o hoje, amanhã.
O livro “Bussaco: A Batalha e o Convento – 200 anos da Guerra Peninsular”, que foi escrito com uma tão forte preocupação local, pedagógica e de registo dos testemunhos possíveis das pessoas que viveram a batalha, é o exemplo cabal e valioso da aliança que a história e a imprensa local têm como missão fomentar!
Editorial do Jornal da Mealhada de 6 de outubro de 2011
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domingo, 2 de outubro de 2011
[1459.] Dia vencido

Começou mais um ano escutista. O vigésimo do agrupamento 1037 da Mealhada. Vinte anos ininterruptos a fazer crescer rapazes e raparigas desta terra.
Apesar de não o ter partilhado com ninguém, partilho-o aqui, com toda a gente, dois aspetos que me alegram particularmente no dia de hoje, domingo, em que me sinto especialmente cansado, depois de ter dormido a primeira noite de campo do ano escutista 2011/12.
1. Primeiramente estou muito contente com o facto de, neste ano, continuar a trabalhar com os exploradores. São a secção que, neste momento, mais garra me dá e mais vontade me dá de trabalhar, de fazer coisas, de investir nestes miudos. Agrada-me, também, que a expedição esteja a crescer. São já 12 com a promessa de mais virem e os miudos parece-me especialmente motivados - apesar das choraminguices lamúrias do costume perante o cansaço físico. Os miudos parece-me particularmente empenhados e até já se arriscam a travessuras - o que até me agrada se fizerem uso da inteligência. Agrada-me, ainda, o facto de este ano ter na minha equipa duas pessoas de quem gosto muito: O João Ricardo que foi meu lobito e que daqui a uns meses será chefe e que eu vi crescer e fazer-se homem - é alguém com um apurado sentido de Serviço, de disponibilidade e entrega-; e o Fred, com quem ajudei a moldar das melhores gerações de escuteiros que passaram pelo agrupamento. Eu e o Fred temos feitios antagónicos, temos gostos muito diferentes, mas de certa maneira complementamo-nos... unindo o meu lirismo ao pragmatismo dele, a minha capacidade de ver o castelos no ar e ele de os construir, de facto. A coisa promete!
2. O segundo aspeto que me traz muita alegria é o facto de o melhor aluno da Escola Secundária da Mealhada, no ensino secundário, no ano letivo passado ter sido Pedro Ferreira. O Pedro foi meu lobito e meu explorador. Ainda passou para os pioneiros e depois saiu do movimento. Mas também ele é um homem que vi crescer, apesar de hoje já lhe ter perdido o rasto, muito provavelmente.
O Pedro é um rapaz especial, tem um jeito para as artes cénicas verdadeiramente notável - a par do Miguel, pouco mais velho do que ele. O Pedro tem um feitio lixado, mas terá razões para ser assim. É resistente e corajoso, apesar de, provavelmente, não ter consciência disso.
Poucas coisas me dariam tanta alegria como a de saber que conseguiu cumprir o sonho e entrar em Medicina, em Lisboa. E a trabalheira que me deu as inumeras conversas que tive com ele a procurar dizer-lhe que ele tinha de cumprir os seus sonhos e não desistir, apesar das dificuldades. Ele conseguiu, e eu estou muito feliz, porque sinto que, num determinado momento, fiz a minha parte - um pequeno contributo, talvez, um gesto de que não preciso que ele se recorde, porque não é esse o meu propósito -, e cumpriu-se o destino e a águia aprendeu a voar, mesmo que toda a vida tenha vivido entre as galinhas.
Ao Pedro fazem jeito os 500 euros do Prémio de Mérito que não recebeu. Eu não os tenho, mas gostava de os ter para lhos entregar, porque ele merece.
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sábado, 1 de outubro de 2011
[1458.] Dia vencido

Provavelmente já não haverá muito mais a dizer sobre a história da Batalha do Bussaco... apesar de eu ainda ter muitas curiosidades relativamente à temática, particularmente nos concelhos de Mortágua e Penacova, mas este livro de Ferraz da Silva vem trazer um acrescento à memória e à herança da Batalha.
Ferraz da Silva apresenta um episódio histórico com gente dentro e isso é uma perspectiva muito importante no contexto da apreensão local da história local - passe a redundância. È diferente perceber a história do que aqui aconteceu, com os nossos antepassados, mesmo, do que aconteceu lá longe, entre quem nada nos diz.
O contributo de Ferraz da Silva é muito importante e interessante. Porque se trata da compilação de textos publicados no Jornal da Mealhada durante quase uma no, marca, acima de tudo, a história da imprensa local, e abre (com a nossa para já adiada experiência da revista VIA) um precedente interessante no valor da historiografia da imprensa mealhadense.
Talvez para breve, a exemplo do que acontecerá em Penacova na próxima quarta-feira, possamos ter a história dos jornais impressa ém livros de História.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
[1457.] Intendência
terça-feira, 6 de setembro de 2011
[1456.] Marti dies... As músicas da minha (curta) vida
The final countdown
Europe
The Final Countdown é um single do terceiro álbum (homónimo) da banda hard rock sueca Europe, lançado a 26 de Maio de 1986, pela editora Epic Records. A canção alcançou o número 1 das tabelas de vendas em 26 países e é também uma presença habitual em compilações musicais alusivas aos anos 80 e um expoente do hard rock. [AQUI]
Se eu tivesse que fazer uma 'playlist' de músicas da minha vida, a "The final Countdown", dos Europe seria, naturalmente, a primeira. A primeira memória que tenho desta música é do verão de 1987 e a proeza do meu irmão Diogo - com quatro anos de idade e remoinho na testa - "cantar" uma especie de refrão deste tema com uma particular habilidade para fazer o solo da viola eletrica... que no original até parece que é um piano.
Com uma máquina de filmar - um maquinão enorme, à profissional, que o meu padrinho oferecera desde Macau - o meu pai registou, para a posteridade, o momento em que o Diogo dava um concerto à porta da casa da Tia Piedade, em Medelim, no fim da tarde de um domingo enovoado da festa do Senhor do Calvário, em Agosto de 1987. Eu e a primalhada compunhamos a banda em que o Diogo era o vocalista e a estrela maior. E a familia toda assistiu ao concerto.
Trata-se de um video fantástico, não fosse a figurinha que, com a puerilidade e parolice da época nos vemos hoje confrontados.
Este tema persegue-nos desde essa altura, na memória de um dia especial (o primeiro e último registo visual de toda a familia materna do meu pai), nas figuras tristes a que nos submetemos, e nos trejeitos de um tempo que já lá vai!
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
[1455.] Lunae dies
O Governo foi empossado há pouco mais de dois meses. No entanto, já se ouvem criticas duras à governação. As criticas vindas da parte dos partidos de oposição são naturais, e até salutares. Estranhas são as criticas de personalidades (antigos líderes, até) vindas do interior dos partidos que suportam o Governo. Nomeadamente do PSD - que tem uma tendência autofágica impressionante...
Mas o que acaba por ser mais estranho (sintomático?) é o facto de algumas dessas criticas mais ferozes surgirem na sequência do anúncio governamental de aumento extraordinário de taxas de IRS para os escalões mais elevados, e de IRC para as empresas que apresentam lucros superiores a 1,5 milhões de euros. Dito de outra forma: As criticas surgem quando se verifica o aumento extraordinário nos impostos dos mais ricos (Coisa que todos os portugueses exigiam na Praça Pública).
Eu não sou dos que acha que os mais ricos devam ser taxados especialmente, como se fossem culpados por terem mais dinheiro. Até porque se taxarmos percentualmente - e por escalões - já estamos a taxar suplementarmente quem mais possui (há malta a entregar ao Estado 42 por cento do que ganha). Mas esta medida compreende-se. Assim como se compreendem as criticas vindas de alguns setores do PSD e do CDS. Em Itália, por exemplo, Berlusconi viu-se mesmo obrigado a voltar atrás com uma medida semelhante, tal foi a pressão interna.
O que fizeram Passos Coelho e Gaspar foi uma medida típica da Terceira Via de Blair: O Governo antecipa-se à oposição e aplica uma medida típica que a oposição defenderia, esvaziando-a. Blair foi o paladino desta estratégia (o New Labour e a Terceira de Via, de Giddens, estabelecem-no) e Sócrates fez a mesma coisa, assim como muitos outros líderes europeus.
E a coisa parece estar a resultar, na semana em que reúne o Congresso do Partido Socialista. Se repararmos, a Esquerda não está a ser capaz de criticar, de modo perentório, a medida. E não está a conseguir ir além da critica do corta e cola. Por outro lado, as criticas internas de alguns notáveis do CDS - como Lobo Xavier e Pires de Lima, que certamente são tocados pela medida - também não deixam de favorecer o parceiro do PSD na coligação (a um mês de eleições regionais na Madeira), que assim se mostra divergente e livre de responsabilização nos insucessos do Governo (numa pasta gerida por um independente).
Mas há criticas ao Governo que são justas! Como a critica de que há uma falha na comunicação pública das medidas do Governo. Na forma (este cartoon de Henrique Monteiro, a esse respeito. é particularmente feliz), e, ainda, no tempo. Já na campanha eleitoral o PSD foi ineficiente na estratégia comunicacional. E a deficiência mantém-se!
Não basta dizer que a despesa pública, em 2012, vai ter o maior corte dos últimos 50 anos. Interessa apresentar essas medidas paralelamente à exigência de maiores sacrifícios dos portugueses. Até porque - se esse corte se verificar realmente - isso vai agradar aos portugueses que estão as sofrer, e poderá servir de estímulo para resistir e agir com resiliência.
Claro que os cortes da despesa pública se vão suportar na diminuição de gastos com responsabilidades sociais do Estado - ordenados da Função Pública, pensões e outras prestações sociais. E vão ser estes os cortes principais porque estas são, também, as despesas principais do Estado. Mesmo que os membros do Governo trabalhassem todos à borla, fosse para Paris de Sud-express ou andassem de papa-reformas em vez de carros de alta cilindrada, a despesa do Estado não desceria significativamente.
Espero que o Governo corte, realmente, nas despesas supérfluas. Como os institutos que não servem para nada, as fundações da treta, os contratos externos de auditoria, aconselhamento e estudos...
Ou seja, eu também acho que já vai sendo tempo de se conhecerem os cortes mais corajosos dos últimos 50 anos!
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domingo, 4 de setembro de 2011
[1452.] Solis dies... e se o Facebook fosse na vida real!
sábado, 3 de setembro de 2011
[1453.] Saturni dies... da ilha de São Tomé
As palavras do nosso dia
são palavras simples
claras como a água do regato,
jorrando das encostas ferruginosas
na manhã clara do dia-a-dia.
É assim que eu te falo,
meu irmão contratado numa roça de café
meu irmão que deixas teu sangue numa ponte
ou navegas no mar, num pedaço de ti mesmo em luta com o gandu
Minha irmã, lavando, lavando
p’lo pão dos seus filhos,
minha irmã vendendo caroço
na loja mais próxima
p’lo luto dos seus mortos,
minha irmã conformada
vendendo-se por uma vida mais serena,
aumentando afinal as suas penas…
É para vós, irmãos, companheiros da estrada
o meu grito de esperança
convosco eu me sinto dançando
nas noites de tuna
em qualquer fundão, onde a gente se junta,
convosco, irmãos, na safra do cacau,
convosco ainda na feira,
onde o izaquente e a galinha vão render dinheiro.
Convosco, impelindo a canoa p’la praia
juntando-me convosco
em redor do voador panhá
juntando-me na gamela
vadô tlebessá
a dez tostões.
Mas as nossas mãos milenárias
separam-se na areia imensa
desta praia de S. João
porque eu sei, irmão meu, tisnado como eu p’la vida,
tu pensas irmão da canoa
que nós os dois, carne da mesma carne
batidos p’los vendavais do tornado
não estamos do mesmo lado da canoa.
Escureceu de repente.
Lá longe no outro lado da Praia
na ponta de S. Marçal
há luzes, muitas luzes
nos quixipás sombrios…
O pito dóxi arrepiante, em sinais misteriosos
convida à unção desta noite feiticeira…
Aqui só os iniciados
no ritmo frenético dum batuque de encomendação
aqui os irmão do Santu
requebrando loucamente suas cadeiras
soltando gritos desgarrados,
palavras, gestos,
na loucura dum rito secular.
Neste lado da canoa, eu também estou irmão,
na tua voz agonizante, encomendando preces, juras,maldições.
Estou aqui, sim, irmão
nos nozados sem tréguas
onde a gente joga
a vida dos nossos filhos.
Estou aqui, sim, meu irmão
no mesmo lado da canoa.
Mas nós queremos ainda uma coisa mais bela.
Queremos unir as nossas mãos milenárias,
das docas dos guindastes
das roças, das praias
numa liga grande, comprida
dum pólo a outro da terra
p’los sonhos dos nossos filhos
para nos situarmos todos do mesmo lado da canoa.
E a tarde desce…
A canoa desliza serena,
rumo à Praia Maravilhosa
onde se juntam os nossos braços
e nos sentamos todos, lado a lado,
na canoa das nossas praias.
Poema de Alda do Espirito Santo
in «É nosso o solo sagrado da terra»

Manuel Pinto da Costa foi hoje empossado como 6.º Presidente da República de São Tomé e Principe. Este homem foi o Chefe do Estado do país depois da Independência, tendo exercido o cargo até 1991, de forma autocrática, como lider do partido único, o MLSTP.
Em 1991 realizaram-se eleições livres. Manuel Pinto da Costa candidatou-se ao cargo em 1996 e em 2001, tendo sido derrotado por Miguel Trovada e Fradique de Menezes, respetivamente.
Em 2011 foi a votos numa toada de reconciliação e ganhou a eleição - a 7 de agosto - depois de uma luta verbal aguerrida com Patrice Trovoada, o primeiro-ministro, filho do seu arqui-inimigo Miguel Trovoada.
No discurso da posse, Manuel Pinto da Costa prometeu "cooperação institucional, leal, franca, aberta e baseada no respeito mútuo" - frase que arrancou forte aplauso do público.
Abre-se hoje uma nova página num país que amo muito e que considero já como parte de mim próprio. Que tudo corra bem. Assim espero!
O final do discurso de Pinto da Costa foi de citação da parte a vermelho deste poema de Alda Espírito Santo. No mesmo lado da canoa!
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
[1454.] Veneris dies... Dido de Cartago
Dido consegue fugir com alguns amigos e partidários, levando consigo as riquezas do marido. Chegam ao local onde Dido resolve ficar e formar sua nova pátria, e pedem que os nativos cedam um pedaço de terra cercado por couro de boi. O pedido é aceite e Dido logo manda cortar o couro de um boi em estreitas tiras e cerca uma extensão onde constrói uma cidade com o nome de Birsa (couro). Em torno dessa cidade começa a se formar outra, Cartago, que logo se torna próspera.
Enéias chega a Cartago com seus troianos depois de um naufrágio. Dido recebe-os muito bem, mostra-se muito hospitaleira já que ela mesma passara por um sofrimento parecido. Dido acaba se apaixonando por Eneias, que se mostra feliz ao ter a oportunidade de parar de uma vez por todas com suas aventurosas peregrinações, recebendo um reino e uma esposa. Passam-se meses e os dois vivem apaixonados. Eneias parece esquecido da Itália e do império que estava destinado a fundar em suas terras. Quando Júpiter vê essa situação, manda o mensageiro Mercúrio lembrá-lo de sua missão e ordenar que parta imediatamente. Dido, numa tentativa frustrada de convencê-lo a ficar, acaba se apunhalando e se jogando numa pira funerária.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
[1450.] Lido
- "Uma partida de futebol será um dos primeiros desafios do novo bispo da Diocese de Bragança-Miranda, com um número de interessados em partilhar esta experiência com o mais jovem prelado de Portugal já suficiente para formar várias equipas". O novo bispo angariou a equipa no Facebook, já tem página e um blogue (www.grãodeamendoeira.com) sobre José Cordeiro, o 44.º Bispo de Bragança-Miranda. Em pouco mais de um mês o espaço virtual já foi visitado por mais de 20 mil pessoas. Notam-se tempos novos no episcopado português e também Dom Virgilio Antunes, bispo de Coimbra, já tem página no Facebook. LIDO AQUI
- Será amizade ou completa falta de bom senso? "Afinal José Sócrates não está em retiro ou a estudar Filosofia em Paris. Os seis anos que esteve no poder continuam a marcar a sua vida. O vício da política e de estar no centro das decisões nacionais e europeias levou-o a Berlim e a Madrid, não fosse Passos Coelho pensar que tinha o caminho livre nas suas deslocações pela Europa". LIDO AQUI "As visitas de José Sócrates a Madrid e Berlim não foram nenhuma surpresa para o Governo, afirmou hoje em Paris o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho".
“O meu gabinete teve conhecimento com bastante antecedência de que o engenheiro José Sócrates pretenderia apresentar, digamos, as suas despedidas a vários líderes europeus. Tivemos a informação da parte das autoridades de qualquer destes países, ainda no final de julho e depois pelos meios diplomáticos quando as reuniões ficaram confirmadas”, acrescentou o primeiro-ministro. LIDO AQUI
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[1449.] Iovis dies, Paula Rego
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
[1448.] Lido
- Sazonalmente aparecem noticias como esta que dão conta da necessária reforma na Administração Local do país. Já há poucos dias tivemos oportunidade de refletir sobre o assunto na vertente das freguesias, mas não abordámos, ainda, a questão das mudanças a operar nas Câmaras.
Na minha opinião (e respeito quem pensa de maneira oposta, naturalmente), as Câmaras Municipais - constituídas por 5 ou 7 pessoas (com o presidente) - devem ser entendidas como equipas de trabalho, executivas, operacionais, com reuniões públicas obrigatórias, mas com reuniões de trabalho muito menos formais.
Daí que não nos pareça que faça sentido haver vereadores da oposição na equipa do executivo, nem as reuniões de Câmara serem palco de confronto dialético maioria/oposição. Parece-nos que as oposições têm o lugar de confronto dialético e alternativa nas reuniões das Assembleias Municipais, que devem ser, também elas, mais regulares e com muito maior sentido prático e operacional.
O que acontece hoje (na Mealhada, por exemplo) é que dentro da Câmara Municipal, com 7 elementos, há a necessidade de ser constituída uma equipa mais pequena, operacional, que governa, de facto. Uma equipa que é constituída pelos vereadores com pelouro e pelo presidente.
E essa segunda equipa, a que detêm o poder de facto, não chega a ter uma identidade de facto (nem de iures). Uns chamam-lhe "maioria", outros tratam-na pelo nome do Partido, outros, erradamente, até fazem a diferenciação entre vereadores com pelouro e sem pelouro, e outros até os tratam por "Câmara".
Ou seja, o modelo dos executivos das Juntas de Freguesia acaba por ser muito mais operacional e verdadeiro e nunca foi acusado de anti-democrático...
Parece-me, no entanto, haver aqui uma coisinha pequenina, esquisitinha, no entanto, assessória. Há uns dias, um presidente de Câmara amigo falava-me nesta hipótese que me pareceu, na altura, um pouco inverosímel... Mas, agora, depois do que declarou o ministro Miguel Relvas, já me parece provável.
Do ponto de vista legal, parece-me rebuscado, mas...
Se for implementado o sistema que hoje existe nas freguesias, deixa de haver uma candidatura à Câmara e o presidente da Câmara passa a ser o cabeça-de-lista da lista mais votada para a Assembleia Municipal. Ou seja, deixando de haver candidaturas diretas às Câmaras não se poderá subentender que os atuais presidentes de Câmara com três mandatos (e não se poderiam candidatar em 2013) deixam de ser proibidos de se candidatarem? LIDO AQUI
- O Governo anunciou cortes na bolsa dos ricos... Berlusconi tentou mas voltou atrás... É preciso coragem, é certo, mas vamos lá ver o que dizem os defensores da Esquerda caviar. LIDO AQUI
- O caso do buraco nas contas da Madeira é problemático. Carece de muita reflexão sobre o assunto e o apuramento de responsabilidades. Se for preciso fechar a torneira, feche-se. Não pode haver portugueses de primeira, nem portugueses de segunda. E o complexo de periferia tem limites. LIDO AQUI
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
[1447.] Lido
- Discordo do Presidente da República! O IMPOSTO SUCESSÓRIO É UMA ABERRAÇÃO! Estar a taxar o que as pessoas receberam de herança, depois da morte de um familiar, é uma aberração completa e inadmissivel. LIDO AQUI
- JACOBINISMO DA PIOR ESPÉCIE: «Com a crise que o país está a sofrer, (CATARINA MARTINS) afirma que as pessoas se "viraram mais para a Igreja", o que considera um "retrocesso social". "Quer dizer que o Estado está a falhar", conclui.»Para esta deputada do Bloco de Esquerda ter fé, praticar o culto religioso é ser mentecapto. E, na opinião dela, caberá ao Estado a supremacia espiritual dos Homens. LIDO AQUI
- À primeira vista, a medida de aumentar a oferta pública do pre-escolar aumentando a capacidade por sala, parece ser uma solução disparatada... e que impõe a pergunta: Se é possivel e pedagogicamente aceitável porque é que já não se fazia isso. Mas olhando com cuidado parece-me uma boa medida, em que todos ganham com muito menos investimento público. LIDO AQUI
[1446.] Marti dies
SÉTIMA LEGIÃO
Reconquista
in "Mar D'Outubro"
Dos mares da Irlanda e das costas da Bretanha
vão partir velas ao Sol
Há bandeiras desfraldadas, torres, lanças, brilham espadas
vão reconquistar o Sul
Os Celtas que vão partir
quando o Sol nascer...
Grinaldas nas ameias, ardem as
que não nos podem queimar
Gaiteiros enfeitados, vão tocar cantos passados
por aqui vai começar
e vem dançar, vem dançar
até o sol nascer
Das ribeiras da Galiza, através da Ibéria antiga
em nome dos nossos Reis
retomar as fortalezas, "Sant'Iago e aos Mouros"
para impor as nossas leis
os Celtas que vão partir
quando o mar crescer...
Ignorem-se os presságios que nos falam de naufrágios
vão partir velas ao sol
São guerreiros enfeitados que ao som de cantos passados
vão reconquistar o Sul
Mas vem dançar, vem dançar
até o sol nascer...
Dos mares da Irlanda
Gaiteiros Guerreiros
Bandeiras Fogueiras
Castelos Reconquista
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
[1444.] μακάρων = [makaron]
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sábado, 13 de agosto de 2011
[1442.] Saturni dies, a Sophia
Há um intenso orgulho
Na palavra Açor
E em redor das ilhas
O mar é maior
Como num convés
Respiro ampIidão
No ar brilha a luz
Da navegação
Mas este convés
É de terra escura
É de lés a lés
Prado agricultura
É terra lavrada
Por navegadores
E os que no mar pescam
São agricultores
Por isso há nos homens
Aprumo de proa
E não sei que sonho
Em cada pessoa
As casas são brancas
Em luz de pintor
Quem pintou as barras
Afinou a cor
Aqui o o antigo
Tem o limpo do novo
É o mar que traz
Do largo o renovo
E como num convés
De intensa limpeza
Há no ar um brilho
De bruma e clareza
É convés lavrado
Em plena amplidão
É o mar que traz
As ilhas na mão
Buscámos no mundo
Mar e maravilhas
Deslumbradamente
Surgiram nove ilhas
E foi na Terceira
Com o mar à proa
Que nasceu a mãe
Do poeta Pessoa
Em cujo poema
Respiro amplidão
E me cerca a luz
Da navegação
Em cujo poema
Como num convés
A limpeza extrema
Luz de lés a lés
Poema onde está
A palavra pura
De um povo cindido
Por tanta aventura
Poema onde está
A palavra extrema
Que une e reconhece
Pois só no poema
Um povo amanhece
1976
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
[1443.]

[1441.] Dias vencidos
Não tem regras, não têm hierarquias, não têm líderes. Atacam como as hienas - cada um por si - beneficiando do facto de serem muitos.
Não têm desculpa!
E qualquer desculpabilização - por serem pobres, desempregados, por serem marginalizados, por culpa de Blair, Gordon ou Brown - é tão criticável como a inacção dos milhares que os observam e sorriem!
Este filme é uma ilustração interessante do tipo de gente que é esta. Gente que não anda só em Inglaterra.
Putos desocupados que também andam por Portugal e pela Mealhada!
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
[1440.] Lido
Frei Bento Domingues é uma figura pública. Frade Pregador - Dominicano - o professor de teologia é cronista do jornal Público, aos domingos. É um intelectual interressante, muitissimo culto, dotado de virtudes de sapiência e destreza mental invulgar, como cabe a um bom Dominicano.
«Gosta muito de rezar missa? [Pergunta Anabela Mota
Ribeiro].
Muito. [Responde Frei Bento Rodrigues] Não sou 'misseiro', mas gosto imenso de celebrar a Eucaristia, e com pessoas que também queiram. (Agora andam a dizer que os recasados devem ir à Eucaristia porque são católicos, mas que não devem comungar. Esta enormidade é chamar as pessoas para jantar, "e agora não comes". "É para que sintam que falharam a sua primeira aliança". Deixem esse jogo com Deus).
Há uma frase no Evangelho: "Vinde a mim, vós todos que andais aflitos, cansados, e eu vos aliviarei". Encontro na liturgia um lugar de alívio e de inquietação.»
[1439.] Ano Internacional do Morcego
[1438.] Dias vencidos
Gosto da expressão "Dia Vencido". A primeira imagem que tenho dela é nas agendas Dias Vencidos/Dias por Vencer.terça-feira, 9 de agosto de 2011
[1437.] Sonho Lindo_II
Continuo a ressacar o aniversário da partida do primeiro Camiño... Hoje, talvez, intensificada pelo convite para ir falar aos escuteiros de Mortágua sobre a experiência do Caminho, logo à noite, a poucos dias de, também eles, se iniciarem neste vicio devastador... mas saudável.
Este video tem já quatro anos, e sempre me inibi de o publicar por achar que é demasiado intimista e expõe - não só a mim como quem comigo fez caminho -. Mas um dia não são dias e acho que, tanto tempo passado, não faz mal partilhar o que de tão bom nos vai acontecendo!
Talvez um dia se acabe... esta loucura!
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
[1436.] Sonho Lindo
Faz hoje precisamente 4 anos, saimos de Coimbra a caminho de Valença para "empezar", pela primeira vez, uma das mais viciantes aventuras da minha existência - O Caminho de Santiago!
Comecei nesse dia... e ainda não cheguei completamente!
Chegámos a Compostela, os quatro, depois de muito sofrimento, a 12 de agosto de 2007. Regressaríamos em Dezembro de 2009 (pelo Caminho Francês) e em Dezembro de 2010 (pelo Caminho Inglês). Uma viagem gloriosa ao interior de nós próprios.
E "volveremos", em Outubro de 2011, pelo caminho primitivo!
Um obrigado ao Simão Pedro (que nos acompanhou no Caminho Português, em 2007), ao Nuno Cruz (que nos acompanhou no Caminho Inglês, em 2010), ao Nuno Joao, à Rita João (a quem sou eu que acompanho) e, à minha companheira de todas as peregrinações, a Inês, por me deixarem sonhar, por me ajudarem a caminhar, por contribuirem ou terem contribuído para o facto de eu ser o homem mais feliz do planeta!
Ultreia y Suseia
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[1435.] Nostalgia
Há muitos anos que não me lembro de estar a trabalhar neste dia. É esquisito estar a trabalhar a 8 de agosto. Consigo fazer uma lista espetacular de coisas que fiz nos 8 de agosto da minha vida. A maior parte delas em ambiente escutista, é certo, mas todas elas espetaculares.
O facto de nos ultimos antos ter tido um 8 de agosto com o meu não-amigo NJ (que faz anos hoje) tem feito com que haja jantarada pela certa, nos sitios mais marcantes do planeta.
Na lista dos meus 8 de agosto especiais posso - de memória (porque tenho uma edição do JM para terminar) - lembrar um magote deles.
Em 8 de agosto de 1987, tinha 8 anos, andava a atravessar a Europa numa Hiace com os meus pais. Não tenho memória para saber onde estaria exactamente neste dia.
Eu nasci para a vida em setembro de 1996... Só a partir daí comecei a viajar em autonomia.
Em 8 de agosto de 1997 estava a preparar-me para a viagem a Macau. Uns dias antes tinha-me candidatado ao Ensino Superior... Devia andar por aí... acho que na Figueira da Foz, com o meu mano Nuno Cruz.
Em 8 de agosto de 1998 também com o Nuno Cruz, mas em pescarias tardias na zona de Idanha. Por aí, certamente.
Em 8 de agosto de 1999 estava a fazer o Interail com o meu irmão Diogo. Estavamos em Barcelona, numa pousada da juventude espetacular, em Monserrate.
Em 8 de agosto de 2000 estava de regresso à Figueira.
Em 8 de agosto de 2001 estava no Jambeiras, a fazer caminheirismo... na Praia do Palheirão.
Em 8 de agosto de 2002 estava a fazer uma viagem à Grã-Bretanha, com o Núcleo Centro-Norte, do CNE. Acho que jantámos em Liverpool, para, nas próximas horas, acordarmos já na velha Escócia.
Em 8 de agosto de 2003 estava na Lagoa da Ervideira, na Zona de Leiria, no Roverway 2003, uma actividade escutista de topo e eu a conhecer o guru João Armando.
Em 8 de agosto de 2004 estava em Budapeste, na Hungria, em Godolo.
Em 8 de agosto de 2005 estava no Jambeiras, no Choupal, o meu primeiro teste de fogo como dirigente do CNE!
Em 8 de agosto de 2006 jantava na cidade do Mindelo, na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, trajado a verdadeiro africano e a ouvir a Internacional num velho liceu colonial.
Em 8 de agosto de 2007 almoçava em Valença, para começar o meu primeiro Caminho de Santiago, primeira noite dormida em Porriño, antes do estoira-vergas!
Em 8 de agosto de 2008 (08.08.08) acordava na Roça de Agua Izé para seguir para São Tomé cidade capital, onde iria jantar na zona de Pantufo, com camisinha a condizer.
Em 8 de agosto de 2009 estava no Jambeiras, em Arganil.
Em 8 de agosto de 2010, era domingo, jantava no Giuseppe e Joaquim, em Coimbra, uma açorda de marisco de ir às lágrimas.
E hoje, 8 de agosto de 2011, aqui estou, a trabalhar!
Vou jantar com a minha esposa, porque tristezas não nos levam a lado nenhum!
Um sms de obrigado - daqui a nada - a todos os que deram 8s de agosto espetaculares!
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
[1433.] Mercurii dies

Em memória de Sérgio Jesus Ferreira
A morte de um ente querido é, sempre, uma experiência dolorosa. Experiência que é sempre intensificada se – mesmo não conhecendo a pessoa – sentimos que essa morte aconteceu por nós. E a morte em serviço de um bombeiro voluntário acontece, sempre, pelos outros, por nós.
Está gasto o discurso de grande elogio aos bombeiros voluntários portugueses que – sem qualquer recompensa ou compensação – se entregam em esforço de “Vida por Vida”. E está consumida essa retórica de auto-comiseração se, acima de tudo, ela for cheia de boas intenções, mas vazia de conteúdo.
Sérgio Miguel de Jesus Ferreira tinha 28 anos e faleceu a caminho de um fogo florestal, num acidente de viação. Era bombeiro voluntário, tinha interrompido a sua ação durante dois anos e regressara há pouco tempo à ação humanitária, altruísta e filantrópica de emprestar a sua vida em proteção da vida – no socorro e na doença – e dos bens das outras pessoas, já não só da sua comunidade, mas, também, do seu país. Sérgio emprestou a sua vida aos outros, emprestou a sua vida a nós, e nós não lha poderemos devolver.
Teremos de nos conformar com isso. Os seus familiares, a sua namorada, os seus amigos vão ter se conformar com isso… Mas ainda vamos a tempo de exigir que a vida de Sérgio Ferreira não tenha sido em vão.
A vida de Sérgio Ferreira não terá sido em vão se cada um de nós continuar a apoiar as corporações de bombeiros como associados, como donatários beneméritos, como dirigentes e colaboradores das associações que sustentam os corpos ativos.
A vida de Sérgio Ferreira não terá sido em vão se cada um de nós, cidadãos, exigir que os autarcas e governantes assumam que os bombeiros voluntários portugueses desempenham uma responsabilidade de soberania nacional e por causa disso merecem ser reconhecidos. Um reconhecimento que deve ser feito através de um Estatuto do Bombeiro que não prejudica o cidadão bombeiro por ele ser voluntário e altruísta. Um reconhecimento que deve ser feito através do apoio efetivo e financeiro do próprio Estado às corporações de bombeiros para que elas adquiram material de proteção individual de qualidade, veículos e ferramentas. Um reconhecimento que deve ser feito através da não obstaculização às fontes de receita das associações, como é este sistema integrado de gestão de transporte programado de doentes que está a levar as nossas associações à bancarrota em beneficio de não se percebe bem quem. Um reconhecimento que deve ser feito através da não obstaculização pelos serviços da administração central por causa de regras burocráticas e mesquinhas do carimbo e do papel de vinte e cinco linhas.
A vida de Sérgio Ferreira não terá sido em vão se cada um de nós, cidadãos, nos manifestarmos contra o esbanjamento de recursos à conta de meia dúzia de generais das estruturas nacionais de Protecção Civil que se dão ao luxo de pagar a empresas privadas dezenas de milhares de euros por três meses, no Verão, por tarefas que os bombeiros voluntários – que têm de andar de mão estendida para ter dinheiro para socorrer os outros – desempenham de forma muito mais qualificada e eficiente.
A vida de Sérgio Ferreira não terá sido em vão se cada um de nós, pais, filhos e educadores, incentivarmos os nossos jovens ao serviço voluntário, nos Bombeiros, colocando a sua energia vital ao serviço dos outros. Se passarmos a olhar para os bombeiros com respeito, como gente garbosa e dedicada, que gosta da adrenalina, de algum perigo, mas do Serviço e da entrega ao próximo.
A vida de Sérgio Ferreira não terá sido em vão se cada bombeiro perceber, também, que é preciso ter sempre em mente que a segurança é o seu maior aliado. Que não vale a pena ir a correr para um fogo, por causa de menos um metro quadrado ou três eucaliptos ardidos. Que não vale a pena deixar de colocar o equipamento de protecção individual só porque o tempo escasseia ou porque um acidentado chora por ajuda. Que não vale a pena poupar um minuto se a sua vida pode ser destruída num minuto. Que não vale a pena atingir estados de exaustão completa se isso significar perigo para si próprio.
No dia 24 de julho de 1989, noite fatídica, há precisamente 22 anos, a caminho de um incêndio em Enxofães, José António Martins Andrade, bombeiro dos Voluntários da Mealhada, falecia, na estrada junto ao entroncamento que dá acesso à Antes. José Andrade faleceu, quatro dos seus colegas ficaram feridos, depois de ter sido cuspido da viatura que se despistava. Não foi queimado, nem atraiçoado pelo fogo ou pela escassez de meios. Foi atraiçoado pela pressa, a caminho de um fogo.
Quando isto aconteceu, há vinte e dois anos, Sérgio Miguel de Jesus Ferreira tinha seis anos. Era uma criança. Se calhar já sonhava ser bombeiro e provavelmente nunca ouviu falar de José Andrade. Viria a falecer da mesma maneira, nas mesmas circunstâncias.
E quantas vezes a história se vai repetir?
Que a vida de um bombeiro nunca seja em vão, porque se todos os humanos nos fazem falta, o coração de um bombeiro faz ainda mais falta.
Editorial do Jornal da Mealhada de 3 de agosto de 2011
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
[1432.] Marti dies co' fado de "Lesboa"
Rosa da Madragoa
Fado Lisboeta
domingo, 31 de julho de 2011
[1431.] Solis dies e O Bem-Amado
Odorico Paraguaçu é um icone absoluto da política autárquica... É brasileiro, é certo. É um daqueles "coroneis" do interior brasileiro ou da Bahia com um discurso redondo e hiperadjetivado... Um brasileiro que tem tantos e tantos e tantos irmãos portugueses nas Câmaras, nas juntas, e, acima de tudo, em tantas Assembleias Municipais e de Freguesia deste país à beira-mar plantado.
Para quem gosta de política, Odorico Paraguaçu é mais do que uma personalidade, é um elogio profundo ao parolo, ao serôdio e ao bacoco da Politica. É uma metáfora absoluta e fantástica.
Sucupira é uma criação de Dias Gomes e Paulo Gracindo foi o corpo e a voz de Odorico ao longo de vários anos. A obra transformou-se em telenovela na década de 70, e depois em série, na década de 80, no Brasil e em Portugal...
No ano de 2010, Guel Arraes reeditou numa longa metragem, que depois foi levada à televisão em quatro episódios em janeiro de 2011. Espero que em breve seja exibido, também, em Portugal.
Para quem, como eu, não foi capaz de esperar pela vontade das televisões portuguesas em comprar a série, aqui estão os episódios no Youtube!
Digam lá que não é fantástico?
Em episódios:
Capítulo 1
1/3 - AQUI
2/3 - AQUI
3/3 - AQUI
Capítulo 2
1/2 - AQUI
2/2 - AQUI
Capítulo 3
1/3 - AQUI
2/3 - AQUI
3/3 - AQUI
Capítulo 4
1/3 - AQUI
2/3 - AQUI
3/3 - AQUI
Banda sonora fantástica:
ESTA TERRA - De Caetano Veloso sob um poema de
Jingle eleitoral de ODORICO PARAGUAÇU
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
[1430.] Mercurii dies sobre o mapa das freguesias
A forma categórica como o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, em 16 de julho, na Pampilhosa, apelou à mobilização popular contra o que chamou de ataque “furtivo” às freguesias, por parte “do Governo” e do “ocupante”, é sintomático da sensibilidade de um assunto que parece estar a marcar a agenda política portuguesa e que promete grave discussão, se não for tratado com honestidade e, acima de tudo, com muita sensibilidade.
É, de facto, um disparate associar a redução do número de freguesias a uma redução “na gordura” do Estado. É um disparate porque as 4260 freguesias do país em nada contribuem para o défice do Estado, e injetam capital na economia real com muito mais facilidade do que qualquer outra estrutura da Administração Central. Por outro lado, o encargo dos dirigentes – dos autarcas – no Orçamento do Estado é nulo, uma vez que as ajudas de custo que lhes são assistidas saem direta e exclusivamente dos orçamentos das freguesias. É fácil de perceber que a maior parte dos autarcas de freguesia acaba por não receber qualquer compensação – porque gasta muito mais do que recebe e porque prefere que o orçamento da sua autarquia seja gasto em obra do que na sua compensação que é pouco mais do que simbólica. Dificilmente o Governo, ou a Troika – o ocupante, como lhe chamou Carlos Cabral – conseguirão poupar seja o que for com a extinção de freguesias.
Por outro lado, convenhamos que é necessária uma reforma séria no mapa das freguesias em Portugal. Faz sentido haver mais de sessenta freguesia com menos de 100 eleitores? Faz sentido que haja cerca de 1300 freguesias que têm menos de 500 eleitores? Faz sentido que cerca de 53 por cento das freguesias tenham mil eleitores? Faz sentido uma freguesia com 70 km2 – como a de Escalhão, na Guarda? Faz sentido que o concelho de Barcelos tenha 89 freguesias e o de São João da Madeira tenha apenas uma? Faz sentido uma freguesia, como a de Santo António dos Olivais, em Coimbra, ter quase 40 mil eleitores? A verdade é que nada disto faz sentido, e é necessária uma reforma profunda no mapa das freguesias portuguesas, uma reforma que nunca foi feita, dado que há 190 anos se deu a transposição das paróquias religiosas para as freguesias [na reforma administrativa de 18 de julho de 1835] e nunca mais se mexeu no assunto, para além do crescimento exponencial ao sabor de conveniências e oportunidades políticas.
O condeixense (de Condeixa-a-Nova) foi o Ministro dos Negócios do Reino que assinou o Decreto, apelidado de "Reforma Administrativa de 18 de julho de 1835", que converteu o mapa das paróquias religiosas em estruturas civis e políticas também conhecidas como freguesias (freguesia estava para paróquia como concelho está hoje para munícipio, i.e., a freguesia era o território associado à estrutura institucional paróquia). Com esta reforma - que Rodrigo Fonseca Magalhães assinou apenas três dias depois de ter tomado posse como ministro - os concelhos são divididos em freguesias que "surgem pela primeira vez como órgãos administrativos, tendo como órgãos a Junta de Paróquia, eleita, e o Comissário de Paróquia [que a partir de 1836 e até 1976 passaria a chamar-se Regedor], escolhido pelo administrador de concelho de entre três nomes indicados pela respectiva Junta de Paróquia".
Claro que este tema é mais do que propício ao clima de guerra civil e de espírito de “Maria da Fonte com as pistolas na mão”, porque vai colocar irmãos contra irmãos na célula político-administrativa mais comunitária que existe. E por isso precisa de ser tratado com honestidade intelectual.
Em concelhos como o de Coimbra – por exemplo –, com 31 freguesias, os partidos políticos já começaram a procurar sentar-se à mesma mesa para falar sobre um novo mapa de freguesias. E fazem bem, porque é melhor serem eles a fazê-lo do que um burocrata de Lisboa, de régua e esquadro na mão.
No concelho da Mealhada o problema não é grave. Não há problemas sérios a resolver. Temos oito freguesias e apenas a freguesia de Antes pode levantar algum problema se, e apenas nessa ocasião, for colocada a fasquia da extinção nos 1000 eleitores (a freguesia tem 839 inscritos), o que não parece que seja possível critério cego.
Mas o assunto deve começar a ser debatido internamente, nos fóruns internos locais – nas assembleias de freguesia, na Assembleia Municipal, na Câmara Municipal e nos partidos políticos –, e deve ser gerido, repetimos, com honestidade e sensibilidade.
Esta não é uma reforma necessária por causa da poupança – que não é significativa –, é uma reforma imperiosa por causa da eficiência e da eficácia da resposta politica aos problemas das pessoas e das comunidades.
Editorial do Jornal da Mealhada de 27 de julho de 2011
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