Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de dezembro de 2011
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Don Mariano Rajoy será o próximo Presidente do Governo de Espanha. Líder dos conservadores - o Partido Popular - Rajoy sucede a José Luiz Rodrigues Zapatero - ZP - o líder do PSOE que interrompeu a sua entrada na Moncloa a 14 de Março de 2004, como mais uma vitima dos atentados de Atocha que não eram da ETA - como dizia Aznar - mas da Al-Qaeda.
O nome do próximo
primeiro-ministro grego terá sido conhecido ontem, terça-feira, já depois do
fecho da nossa edição. À hora que escrevíamos este texto eram já duas as negas
– especialmente a de Lucas Papademos, antigo vice-presidente do Banco Central
Europeu, que justificou a recusa declarando que em três meses não consegue
fazer nada –.

Há um número muito significativo de leitores deste blogue que são católicos. Textos meus sobre a Igreja são dos mais lidos de O fio dos Dias, curiosamente.Alberto João Jardim foi reeleito presidente do Governo Regional da Madeira. Ocupa o cargo desde 17 de março de 1978 e foi eleito, com 48,6 por cento dos votos expressos, elegendo 25 dos 47 deputados da Assembleia Legislativa Regional.
Teve menos votos (muito menos, aliás) do que na eleição de 2007, quando antecipou eleições para poder mostrar a Sócrates quem mandava. Foi, agora, reeleito depois de uma campanha eleitoral que lhe foi - a partir do continente, convenhamos - completamente desfavorável.
Não nutrimos por AJJ maior simpatia do que lhe advirá de ser um líder eleito pelo povo. Basta isso para ter de ser considerado. Acreditamos que o Povo não é burro, nem acéfalo, e terá escolhido, uma vez mais, quem - na sua opinião - melhor o serve. Não nos parece, no entanto, que a eleição de AJJ tenha sido o melhor para o futuro da Madeira. AJJ portou-se mal para com os madeirenses ao endividar-se de uma maneira quase sobrenatural, sabendo que não teria - nas próximas décadas - dinheiro suficiente para cumprir compromissos. Mas como não somos eleitores na Madeira, mais não podemos que mandar bitaites.
O que precisamos de ter em conta, no entanto, é que AJJ é um líder regional e não lhe cabe a ele defender outros interesses que não sejam os egoísticamente considerados para a sua população. Infelizmente, esse é o protótipo que se espera de um líder regional. Uma liderança que precisa de inimigos externos para se afirmar - coisa que nós os cubanos do continente continuamos a ajudar. Uma liderança que precisa de protagonismo externo. Uma liderança que precisa de o ser, de facto, na tal defesa intransigente dos alegados interesses das pessoas.
Os madeirenses têm melhores condições de vida que os continentais. É verdade. E de quem é a culpa?
A única diferença entre AJJ e Fraga Iribarne - antigo líder regional da Galiza - ou de Manuel Chavez - antigo líder regional da Andalucia -, é que não consegue deixar o poder. Está demasiado agarrado a ele, e vai ser isso que vai condenar o PSD/Madeira no futuro. Tudo o resto é igual: A truculência, a verborreia, a energia em campanha, o amor do Povo. AJJ não é diferente que qualquer outro líder autonómico. Nem se pretenderia que o fosse. A cada um o seu lugar, poderia dizer-se.
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O Governo foi empossado há pouco mais de dois meses. No entanto, já se ouvem criticas duras à governação. As criticas vindas da parte dos partidos de oposição são naturais, e até salutares. Estranhas são as criticas de personalidades (antigos líderes, até) vindas do interior dos partidos que suportam o Governo. Nomeadamente do PSD - que tem uma tendência autofágica impressionante...
Mas o que acaba por ser mais estranho (sintomático?) é o facto de algumas dessas criticas mais ferozes surgirem na sequência do anúncio governamental de aumento extraordinário de taxas de IRS para os escalões mais elevados, e de IRC para as empresas que apresentam lucros superiores a 1,5 milhões de euros. Dito de outra forma: As criticas surgem quando se verifica o aumento extraordinário nos impostos dos mais ricos (Coisa que todos os portugueses exigiam na Praça Pública).
Eu não sou dos que acha que os mais ricos devam ser taxados especialmente, como se fossem culpados por terem mais dinheiro. Até porque se taxarmos percentualmente - e por escalões - já estamos a taxar suplementarmente quem mais possui (há malta a entregar ao Estado 42 por cento do que ganha). Mas esta medida compreende-se. Assim como se compreendem as criticas vindas de alguns setores do PSD e do CDS. Em Itália, por exemplo, Berlusconi viu-se mesmo obrigado a voltar atrás com uma medida semelhante, tal foi a pressão interna.
O que fizeram Passos Coelho e Gaspar foi uma medida típica da Terceira Via de Blair: O Governo antecipa-se à oposição e aplica uma medida típica que a oposição defenderia, esvaziando-a. Blair foi o paladino desta estratégia (o New Labour e a Terceira de Via, de Giddens, estabelecem-no) e Sócrates fez a mesma coisa, assim como muitos outros líderes europeus.
E a coisa parece estar a resultar, na semana em que reúne o Congresso do Partido Socialista. Se repararmos, a Esquerda não está a ser capaz de criticar, de modo perentório, a medida. E não está a conseguir ir além da critica do corta e cola. Por outro lado, as criticas internas de alguns notáveis do CDS - como Lobo Xavier e Pires de Lima, que certamente são tocados pela medida - também não deixam de favorecer o parceiro do PSD na coligação (a um mês de eleições regionais na Madeira), que assim se mostra divergente e livre de responsabilização nos insucessos do Governo (numa pasta gerida por um independente).

Manuel Pinto da Costa foi hoje empossado como 6.º Presidente da República de São Tomé e Principe. Este homem foi o Chefe do Estado do país depois da Independência, tendo exercido o cargo até 1991, de forma autocrática, como lider do partido único, o MLSTP.
Em 1991 realizaram-se eleições livres. Manuel Pinto da Costa candidatou-se ao cargo em 1996 e em 2001, tendo sido derrotado por Miguel Trovada e Fradique de Menezes, respetivamente.
Em 2011 foi a votos numa toada de reconciliação e ganhou a eleição - a 7 de agosto - depois de uma luta verbal aguerrida com Patrice Trovoada, o primeiro-ministro, filho do seu arqui-inimigo Miguel Trovoada.
No discurso da posse, Manuel Pinto da Costa prometeu "cooperação institucional, leal, franca, aberta e baseada no respeito mútuo" - frase que arrancou forte aplauso do público.
Abre-se hoje uma nova página num país que amo muito e que considero já como parte de mim próprio. Que tudo corra bem. Assim espero!
O final do discurso de Pinto da Costa foi de citação da parte a vermelho deste poema de Alda Espírito Santo. No mesmo lado da canoa!

Frei Bento Domingues é uma figura pública. Frade Pregador - Dominicano - o professor de teologia é cronista do jornal Público, aos domingos. É um intelectual interressante, muitissimo culto, dotado de virtudes de sapiência e destreza mental invulgar, como cabe a um bom Dominicano.
«Gosta muito de rezar missa? [Pergunta Anabela Mota
Ribeiro].
Muito. [Responde Frei Bento Rodrigues] Não sou 'misseiro', mas gosto imenso de celebrar a Eucaristia, e com pessoas que também queiram. (Agora andam a dizer que os recasados devem ir à Eucaristia porque são católicos, mas que não devem comungar. Esta enormidade é chamar as pessoas para jantar, "e agora não comes". "É para que sintam que falharam a sua primeira aliança". Deixem esse jogo com Deus).
Há uma frase no Evangelho: "Vinde a mim, vós todos que andais aflitos, cansados, e eu vos aliviarei". Encontro na liturgia um lugar de alívio e de inquietação.»