Hoje escrevi o meu último Editorial, para a edição de amanhã do Jornal da Mealhada - a última que assinarei como diretor. Ao longo de, aproximadamente, 2890 dias, dirigi a publicação que tinha dezanove anos quando assumi a sua direção editorial e deixo, agora, com 27 anos. Ao longo deste tempo procurei sempre dar ao jornal uma assinatura, sem com isso querer fazer do jornal um aeropago das ideias de quem o dirige. Contrariamente ao que acontece com a maior parte dos jornais regionais, procurei que o Jornal da Mealhada tivesse, sempre, Editorial. Só no último ano, em 2011, é que fui menos profícuo na produção de editoriais semanais, sem ser repetitivo. Provavelmente, um dos sinais visiveis do meu cansaço poderá consubstanciar-se neste facto, que é, para mim, uma falha.
Nos primeiros tempos, em 2005 e até fevereiro de 2007, eu escrevia os editoriais e dava a lê-los ao Padre Abílio Simões, que o discutia comigo o seu conteúdo e clareza. Mais tarde, depois do falecimento deste, fui ajudado na mesma tarefa - com menos discussão, no entanto, pelo professor Manuel Santos. Depois da descoberta da doença do professor Santos, passei a fazer esse trabalho sozinho, sem rede.
O editorial não deve ser sentido como um texto de opinião do autor. Isso seria, tão só, uma mera opinião. Também não pode ser uma posição oficial da redacção, pois isso obrigaria a uma tomada de posição unanime ou pelo menos generalizada. Ou seja, trata-se de uma peça redactorial importante que não pode ser banalizada nem comprometer demasiado. Acho que consegui, na maior parte das vezes.
Hoje foi o ultimo. procurei não ser demasiado lamechas, mas não perder a sensibilidade de uma despedida de 8 anos...
A ver vamos.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
[1541.] Dia vencido - 4 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
[1540.] Dia vencido - 3 de dezembro de 2012
O Senhor ajuntou:
"É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra,
e o seu pecado é muito grande".
Génesis 18,21
domingo, 2 de dezembro de 2012
[1539.] Dia vencido - 2 de dezembro de 2012
Uma das principais frustrações de ser adulto no Escutismo é a dupla obrigação de ser testemunho e de estar presente.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.
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sábado, 1 de dezembro de 2012
[1538.] Dia vencido - 1 de dezembro de 2012
O estigma do dia passava por ser o do último feriado da "Restauração da Independência". Depois de um ano a discutir feriados e a ouvir argumentos e contra-argumentos para acabarem todos menos o preferido de cada um, chegámos, finalmente, à vaca-fria... que este ano nem se sentiria (porque calhou a um sábado) e para o ano também não se vai sentir (por ser domingo)... Provavelmente quando chegarmos a 2014 já ninguém se lembra deste feriado... até porque poucos eram os que sabiam o significado deste e de qualquer outro.
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.
Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.
Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...
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sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
[1535.] Mercurii dies
O dilema, no esplendor do caos
Do
confronto político em Portugal, dos pseudodebates entre partes organizadas na dialéctica
democrática, chegamos à conclusão de que é completamente estéril o formalismo
que a Constituição estabelece como forma de organização dos cidadãos.
Contrariamente ao que asseveram senadores (no caso senadora) da
Economia-que-só-acerta-quando-está-fora, não queremos com isto dizer que
"os problemas complexos não se conseguem resolver em democracia". Não,
nada disso!
O que nos parece
é que o sistema partidário em Portugal está completamente falido. Os partidos
políticos estão completamente focados na transmissão da sua cassete, que só
eles ouvem — como se discursassem para se ouvir a si próprios — e não na
resolução concreta de problemas reais das pessoas. Os partidos portugueses são
hoje parte do problema, e não parte de qualquer solução.
Não se reduz o
número de deputados, porque os partidos mais pequenos não deixam. Não se mudam
leis eleitorais porque os partidos da coligação do Governo não se entendem. Não
conversam os líderes dos principais partidos porque um acha que foi
desrespeitado e o outro não disse sobre o que queria falar. Não se tolera que
se altere a constituição porque cada partido acha que o outro a quer subverter
ideologicamente...
Portugal precisa
de uma refundação? Claro que sim. Precisa de reajustar o Estado Social? Claro
que sim. Mas só depois de os partidos políticos se refundarem, se
democratizarem e se reajustarem ao mundo. Primeiro salvem-se, e depois queiram
ajudar a salvar o país!
Como
diz Eduardo Lourenço: "Pode discutir-se se a desordem em que estamos
mergulhados — desde a económica até à da legalidade e da ética — releva ou não,
em sentido próprio, do conceito de caos. Do que não há dúvidas é de que o
habitamos como se fosse o próprio esplendor".
Editorial do Jornal da Mealhada de 7 de novembro de 2012
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
[1534.] Hoje... é dia de São Nuno de Santa Maria
[1533.] Hoje... é dia de Marte
Hoje, dia 6 de novembro é Dia Grande.
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...
[1532.] Mesmo desiludido, eu votaria Obama.
Se eu visse um americano a dizer-me em que eu deveria votar, eu, provavelmente, faria exactamente o contrário... porque sei que os americanos são completamente indiferentes ao que se passa no meu país e o seu envolvimento não seria inocente, nem a pensar no bem-comum de Portugal. Mas o que se passa na América não é indiferente ao resto do mundo, e por isso a minha opinião não é indiferente, porque o mal da América é o mal do mundo.
Eu votaria Obama. Não porque tenha feito um bom mandato, ou porque tenha estado de acordo com as expetativas que o mundo criou com ele. Não. Antes pelo contrário. Relativamente à política externa, esteve muito manso para alguém que em menos de um ano na Casa Branca foi Prémio Nobel da Paz.
Eu votaria Obama porque a alternativa é muito pior do que o que nele podemos criticar. Eu, hoje, votaria Obama, porque votar noutra solução é apoiar novas guerras, mais mortes, mais desnorte, mais crise e mais marasmo. E disso prescindo eu, e prescinde o mundo. Todo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
[1530.] Lunae dies no Camiño (da vida)
Regressar a Santiago é uma experiência espiritual.
Regressei a Santiago, como peregrino, na quinta-feira, 1 de novembro, pela quinta vez. Desta vez pelo Camiño "dos mil nomes" - Sudeste, Via da Prata, Sanabrês, da Fonseca, Mozárabe... seja o que for.
Graças a Deus, cada regresso é feito na companhia de amigos e companheiros de viagem. "Nunquam solo ambulanbatis", ou "Nunca Caminharás Sozinho", para não cantarolar o "You'll never walk alone!". Em 2007 fomos quatro, o mesmo número em 2009 e 2010, sete em 2011 e, agora, dez.
Em cada uma das experiências a companhia é relevante. Os fidelíssimos, os que caminham em espírito em cada jornada, os que repetem, os que ensinam, os que amam, os que são, e os novos aventureiros, todos alinham numa experiência que é, ao mesmo tempo, comunitária - entre nós e entre os peregrinos que encontramos no caminho - mas, também, muito solitária.
Em 2009, eu e a Inês eramos namorados. Noivos, mas (apenas) namorados. A experiência não foi fácil para nenhum dos dois, deixou mazelas durante e depois do Camiño, e a repetição da experiência seria uma coisa a fazer, mas com conta, peso e medida. Já casados, repetimos a experiência, mais maduros, mais avisados, mais conscientes, mais cúmplices. E porque mais apaixonados, fizemo-lo mais autónomos. Contradição? "Assim como as cordas do alaúde são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia, também as colunas do templo erguem-se separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro".
Foi uma experiência transcendente e muito importante para um caminho entre duas pessoas que querem ser felizes até à eternidade. Porque o Camiño recomeça em cada regresso a casa.
Amo-te muito princesa.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
[1531.] Seis anos
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
[1599.] YPSILÓN_03
YPSILÓN #03
http://www.loboirmao.blogspot.pt/2012/10/ypsilon-03a.html
http://www.loboirmao.blogspot.pt/2012/10/ypsilon-03c.html
http://www.loboirmao.blogspot.pt/2012/10/ypsilon-03d.html
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
[1529.] Mercurii dies em nome da Pátria
"O Último Castelo"
Editorial do Jornal da Mealhada de 10 de outubro de 2012
A República Portuguesa em tempo de resgate viveu mais um dia em que pode "comprovar" a Lei de Murphy: "Se alguma coisa puder correr mal... certamente correrá mal!". Não bastava o pulsar do Povo a gritar, a instabilidade na coligação governamental, as críticas de insensibilidade ao Chefe de Estado, a tensão nas autarquias locais, a certeza de um último feriado em cinco de outubro e alguma coisa tinha de correr mal... a bandeira da República foi hasteada ao contrário. Alguma coisa poderia correr pior? Se podia vai acontecer em breve...
A imagem do próprio Chefe do Estado, ao lado de alguém que se perfila para lhe suceder ou chefiar o Governo, a hastear a bandeira nacional de pernas para o ar, em dia de cerimónia do 102.º aniversário da implantação da República, perante o olhar distante dos portugueses na Praça do Municipio de Lisboa e em casa pela televisão, pode parecer, apenas uma caricatura... mas é mais do que isso... é uma terrível alegoria!
Em linguagem militar, uma bandeira hasteada de pernas para o ar é um sinal, é uma codificação para transmissão de uma mensagem muito precisa. Uma bandeira hasteada ao contrário significa que o território onde ela está foi tomado pelo inimigo. Ao hastear uma bandeira ao contrário, o transmissor pretende pedir ajuda a quem, ao longe, pode observar a bandeira. Trata-se de um pedido de socorro, naturalmente, que se verbaliza na consciência de que quem hasteia a sua bandeira nacional - o símbolo máximo da Pátria - de pernas para o ar está em terrível sofrimento.
No filme "O Último Castelo", de 2001, com Robert Redford e James Gandolfini, de Rod Lurie, o gesto é dissecado e a sua explicação democratizada. Redford faz o papel de um coronel preso por insubordinação, mas que se mantém leal aos valores e à ética militar, consciente de que o que o levou à prisão foi resultado de uma opção de mal menor. Na prisão deve obedecer a alguém arrogante, incompetente e que maltrata e desrespeita os presos. A visão estratégica do preso leva-o a tomar a prisão, desmascarando o mau da fita, e morre agarrado à bandeira que deveria ter sido hasteada ao contrário, mas que não o foi, porque se "castelo estava tomado" pelo lado Bom da Força não valia a pena desrespeitar a bandeira.
Num país tão romântico como o nosso, a passada sexta-feira teria sido um dia simbólico para a ocorrência de um pronunciamento. A 5 de outubro assinala-se o dia da assinatura do Tratado de Zamora, entre o Rei Fundador e Afonso VII de leão e Castela. 5 de outubro de 1143 foi o dia da Fundação de Portugal, é o dia primeiro de quase nove séculos de história. Esta data seria merecedora de feriado nacional, em qualquer país do mundo... Em Portugal é feriado por causa de uma mudança de regime, qual elogio da justiça dos vencedores. Dizem que vai deixar de ser... por cinco anos... nos próximos dois calhará ao fim-de-semana e ninguém dele se lembraria... depois se verá. E quando voltar será o dia da República? Será o dia da Fundação? Será o dia em que o Chefe do Estado mostrou ao mundo que o país foi ocupado e está em sofrimento?
Cavaco poderá perguntar a si próprio: O que mais me poderá acontecer? Um dos seus assessores evitará dizê-lo, mas lembrar-se-á de Edward Murphy...
Editorial do Jornal da Mealhada de 10 de outubro de 2012
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
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