sábado, 8 de dezembro de 2012
[1546.] Dia vencido - 8 de dezembro de 2012
O amor e os laços II
O olhar de um bebé, mesmo que vago e espantado, com a nossa consciência de que não está a ver, realmente nada, parece sintetizar toda a Esperança no mundo. É quase mágico.
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
[1545.] Dia vencido - 7 de dezembro de 2012
O amor e os laços I
Que nome se dá a um laço completo e riquissimo, ao amor, que sentimos por uma criança que não sendo nossa filha nos parece que, mesmo assim, estabelece connosco, na primeira troca de olhares, uma ligação perpétua?
Socorri-me da primeira carta Enciclica de Bento XVI - Deus é Amor - para encontrar uma definição simples e precisa das diferenças de Amor, ou dos diferentes "amores" que aos homens o sentimento permite. Tinha ideia de lá ter essa definição. Não me satisfez... Socorri-me da Wikipédia... mas também ficou aquém do pretendido...
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
[1543.] Dia vencido - 6 de dezembro de 2012
Ter um blogue...
Um professor universitário, há uns dias, sugeria aos novos estudantes de jornalismo e comunicação social de uma escola superior de Coimbra (das muitas com estes cursos), que os alunos expressassem a sua opinião, mantivessem blogues actualizados onde pudessem, amplamente, divulgar os seus estados de alma.
O professor terá razão, certamente, no sentido da importância de os alunos conseguirem demonstrar, clara e inequivvocamente, que sabem escrever correctamente, que conseguem apresentar um raciocicio coerente e eficaz aos olhos do receptor de uma determinada mensagem. Não tenho a mesma certeza da razão do professor relativamente à questão da opinião amplamente divulgada...
Parece-me importante que o jornalista tenha uma visão do mundo, tenha cultura geral suficiente para ser versátil e eficaz no tratamento de mensagens que podem, num mesmo dia, ir da astronomia, à política, passando pela religião ou pela medicina ou futebol... Mas daí a apresentar a sua opinião não como transmissor, mas como emissor de ideias pessoais parece-me arriscado. Ao jornalista exige-se que seja imparcial, que consiga transmitir uma informação sem se perceber, claramente, se discorda ou concorda com o conteúdo, ou se gosta ou não gosta do emissor.
Ter um blogue, nesse sentido, é perigoso. Falo, naturalmente, por experiência própria, apesar de quando assumi as funções de direção do Jornal da Mealhada ter assumida uma identidade politica e ideologicamente conhecida pela comunidade. Muitas vezes limitei a minha opinião aqui n' o fio dos dias para que na minha função profissional não fossem deturpadas as informações sobre um determinado tema.
Agora mais liberto destes algozes e auto-censuras, talvez o fio dos dias ganhe alguma vitalidade e não seja, apenas, um repositório.
Um professor universitário, há uns dias, sugeria aos novos estudantes de jornalismo e comunicação social de uma escola superior de Coimbra (das muitas com estes cursos), que os alunos expressassem a sua opinião, mantivessem blogues actualizados onde pudessem, amplamente, divulgar os seus estados de alma.
O professor terá razão, certamente, no sentido da importância de os alunos conseguirem demonstrar, clara e inequivvocamente, que sabem escrever correctamente, que conseguem apresentar um raciocicio coerente e eficaz aos olhos do receptor de uma determinada mensagem. Não tenho a mesma certeza da razão do professor relativamente à questão da opinião amplamente divulgada...
Parece-me importante que o jornalista tenha uma visão do mundo, tenha cultura geral suficiente para ser versátil e eficaz no tratamento de mensagens que podem, num mesmo dia, ir da astronomia, à política, passando pela religião ou pela medicina ou futebol... Mas daí a apresentar a sua opinião não como transmissor, mas como emissor de ideias pessoais parece-me arriscado. Ao jornalista exige-se que seja imparcial, que consiga transmitir uma informação sem se perceber, claramente, se discorda ou concorda com o conteúdo, ou se gosta ou não gosta do emissor.
Ter um blogue, nesse sentido, é perigoso. Falo, naturalmente, por experiência própria, apesar de quando assumi as funções de direção do Jornal da Mealhada ter assumida uma identidade politica e ideologicamente conhecida pela comunidade. Muitas vezes limitei a minha opinião aqui n' o fio dos dias para que na minha função profissional não fossem deturpadas as informações sobre um determinado tema.
Agora mais liberto destes algozes e auto-censuras, talvez o fio dos dias ganhe alguma vitalidade e não seja, apenas, um repositório.
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
[1542.] Dia vencido - 5 de dezembro de 2012
Alguma nostalgia, alguns telefonemas, alguns mails, algumas mensagens no facebook. Em muitos a pergunta: Porquê? E a resposta na ponta da lingua: Oito anos não serão tempo mais do que suficiente?
Na minha cabeça apenas uma pergunta. Apenas uma. Será que algum dia vou ser tão feliz a trabalhar como fui no Jornal da Mealhada?
A resposta virá no fim, apenas no fim.
Na minha cabeça apenas uma pergunta. Apenas uma. Será que algum dia vou ser tão feliz a trabalhar como fui no Jornal da Mealhada?
A resposta virá no fim, apenas no fim.
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[1536.] Mercurii dies... o último editorial
Missão cumprida.
Ao longo de oito anos, procurei dirigir o Jornal da Mealhada com inteligência e imparcialidade. Nunca impus as minhas ideias ou idiossincrasias ideológicas aos leitores. Muitas coisas que não corroboro foram publicadas, ao abrigo do Direito à Opinião de cada um dos colaboradores e dos protagonistas, cumprindo a máxima de Voltaire: “Não gosto de nada do que diz, mas seria capaz de dar a vida para que continuasse a poder dizê-lo!”. Procurei, sem pôr em causa a herança, desenvolver, procurei inovar, procurei ir mais além no serviço público de informar, intervir e dar opinião na comunidade em que o Jornal da Mealhada, há 27 anos, se insere. Não terei conseguido totalmente, não terei conseguido sempre, mas acredito que a minha missão foi amplamente cumprida.
Não é um momento de despedida, até porque continuarei a colaborar com o Jornal da Mealhada, que foi a casa onde desde os meus oito anos – desde logo com a paciência do professor Armindo Pega – aprendi a ler, a escrever, a contar, a manusear um computador, a colar etiquetas, a gostar de jornais, a conhecer o mundo e, principalmente, a comunidade que me comprometi servir. Nos primeiros meses em que dirigi o Jornal da Mealhada, era recorrente dizer que nem me parecia justo receber remuneração para fazer algo que me dava muito prazer. Nos últimos quarenta meses, quando a remuneração não existia, continuei com a mesma alegria e prazer, até à inevitabilidade da paragem.
Neste fim de ciclo, cumpre-me agradecer. Um primeiro agradecimento para Isabel Canilho – que soube ser colaboradora sem deixar de ser mãe –, para Afonso Simões – que foi sempre inexcedivelmente solidário e amigo –, para Mónica Sofia Lopes – que foi de uma dedicação e resistência inauditas –, e, de modo muito especial, para Bruno Peres – que conseguiu sempre ser cúmplice, especialmente nos maus momentos. Um agradecimento especial, também, para os sócios da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, que nunca deixaram de dar apoio ao director, e especialmente aos gerentes que comigo trabalharam – César Carvalheira, Hélder Xabregas, António Lucas, Edmundo Carvalho, Carla Carvalheira e João Pega – que foram sempre solidários e nunca admitiram que faltasse fosse o que fosse aos que ao Jornal dedicavam o seu esforço. Não menos importante, o agradecimento a todos os colaboradores que escreveram, deram opinião, análise e trabalho, tornando este jornal numa publicação de referência. E a todos os protagonistas desta comunidade – autarcas, dirigentes, entre outros – que sempre trataram o Jornal da Mealhada com respeito e sentido de colaboração.
Os últimos agradecimentos ficam para a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, para os leitores, e especialmente aos assinantes, e aos anunciantes, pela confiança, e para os dois maiores responsáveis pelo sucesso desta demanda: Abílio Duarte Simões e Manuel Almeida dos Santos. Estejam onde estiverem, aceitem o meu humilde obrigado pelos ensinamentos, pela solidariedade, pela cumplicidade, pela paciência, e pelo enorme sacrifício.
Ao professor Braga da Cruz, que me sucederá nesta missão, tornando-se o oitavo director do Jornal da Mealhada, fica a minha disponibilidade para colaborar e ajudar no que considerar necessário e os votos de grande felicidade – pelo menos tão grande como a minha.
Até sempre.
Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de dezembro de 2012
Até sempre.
A presente edição
do Jornal da Mealhada, em vésperas do 27.º aniversário da publicação, é a
última em que exerço as funções de director. Oito anos depois de ter aceite o
desafio de dirigir a mais antiga publicação do concelho da Mealhada, sinto que cumpri
a minha missão e é com muita satisfação e alegria que a dou por terminada e me
dirijo aos seus leitores na primeira pessoa.
Os
primeiros seis meses deste ano de 2012 foram, para mim, extraordinariamente dolorosos
e exigentes na procura de uma solução económico-financeira que permitisse a
subsistência de uma publicação que é, para mim, mais do que uma casa. Tenho a
consciência de que fui criticado, censurado e, tantas vezes, ridicularizado por
manter nos lábios a garantia de que o Jornal da Mealhada não iria acabar, iria
“regressar”, iria resistir a um momento difícil que infelizmente está a destruir
milhares de pequenas e médias empresas em toda a Europa. Não será falsa
modéstia asseverar que a minha teimosia, aliada a uma forte convicção e
esperança – quando mesmo no meu círculo mais próximo já não se acreditava –,
confederada no apoio de Bruno Peres, da minha família, e, mais tarde, na
aceitação da parte da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, e do seu
provedor, permitiram que em 4 de julho de 2012, cento e oitenta e sete dias
depois de termos anunciado a suspensão, o Jornal da Mealhada voltasse às bancas
e os delatores tivessem de se reduzir ao embaraço de engolir o muito que expeliram.
Ficaram, para trás, nessa altura, cento e oitenta e sete dias de grande esgotamento
psicológico e emocional, mas, também aqui, a convicção da missão cumprida.Ao longo de oito anos, procurei dirigir o Jornal da Mealhada com inteligência e imparcialidade. Nunca impus as minhas ideias ou idiossincrasias ideológicas aos leitores. Muitas coisas que não corroboro foram publicadas, ao abrigo do Direito à Opinião de cada um dos colaboradores e dos protagonistas, cumprindo a máxima de Voltaire: “Não gosto de nada do que diz, mas seria capaz de dar a vida para que continuasse a poder dizê-lo!”. Procurei, sem pôr em causa a herança, desenvolver, procurei inovar, procurei ir mais além no serviço público de informar, intervir e dar opinião na comunidade em que o Jornal da Mealhada, há 27 anos, se insere. Não terei conseguido totalmente, não terei conseguido sempre, mas acredito que a minha missão foi amplamente cumprida.
Não é um momento de despedida, até porque continuarei a colaborar com o Jornal da Mealhada, que foi a casa onde desde os meus oito anos – desde logo com a paciência do professor Armindo Pega – aprendi a ler, a escrever, a contar, a manusear um computador, a colar etiquetas, a gostar de jornais, a conhecer o mundo e, principalmente, a comunidade que me comprometi servir. Nos primeiros meses em que dirigi o Jornal da Mealhada, era recorrente dizer que nem me parecia justo receber remuneração para fazer algo que me dava muito prazer. Nos últimos quarenta meses, quando a remuneração não existia, continuei com a mesma alegria e prazer, até à inevitabilidade da paragem.
Neste fim de ciclo, cumpre-me agradecer. Um primeiro agradecimento para Isabel Canilho – que soube ser colaboradora sem deixar de ser mãe –, para Afonso Simões – que foi sempre inexcedivelmente solidário e amigo –, para Mónica Sofia Lopes – que foi de uma dedicação e resistência inauditas –, e, de modo muito especial, para Bruno Peres – que conseguiu sempre ser cúmplice, especialmente nos maus momentos. Um agradecimento especial, também, para os sócios da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, que nunca deixaram de dar apoio ao director, e especialmente aos gerentes que comigo trabalharam – César Carvalheira, Hélder Xabregas, António Lucas, Edmundo Carvalho, Carla Carvalheira e João Pega – que foram sempre solidários e nunca admitiram que faltasse fosse o que fosse aos que ao Jornal dedicavam o seu esforço. Não menos importante, o agradecimento a todos os colaboradores que escreveram, deram opinião, análise e trabalho, tornando este jornal numa publicação de referência. E a todos os protagonistas desta comunidade – autarcas, dirigentes, entre outros – que sempre trataram o Jornal da Mealhada com respeito e sentido de colaboração.
Os últimos agradecimentos ficam para a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, para os leitores, e especialmente aos assinantes, e aos anunciantes, pela confiança, e para os dois maiores responsáveis pelo sucesso desta demanda: Abílio Duarte Simões e Manuel Almeida dos Santos. Estejam onde estiverem, aceitem o meu humilde obrigado pelos ensinamentos, pela solidariedade, pela cumplicidade, pela paciência, e pelo enorme sacrifício.
Ao professor Braga da Cruz, que me sucederá nesta missão, tornando-se o oitavo director do Jornal da Mealhada, fica a minha disponibilidade para colaborar e ajudar no que considerar necessário e os votos de grande felicidade – pelo menos tão grande como a minha.
Até sempre.
Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de dezembro de 2012
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
[1541.] Dia vencido - 4 de dezembro de 2012
Hoje escrevi o meu último Editorial, para a edição de amanhã do Jornal da Mealhada - a última que assinarei como diretor. Ao longo de, aproximadamente, 2890 dias, dirigi a publicação que tinha dezanove anos quando assumi a sua direção editorial e deixo, agora, com 27 anos. Ao longo deste tempo procurei sempre dar ao jornal uma assinatura, sem com isso querer fazer do jornal um aeropago das ideias de quem o dirige. Contrariamente ao que acontece com a maior parte dos jornais regionais, procurei que o Jornal da Mealhada tivesse, sempre, Editorial. Só no último ano, em 2011, é que fui menos profícuo na produção de editoriais semanais, sem ser repetitivo. Provavelmente, um dos sinais visiveis do meu cansaço poderá consubstanciar-se neste facto, que é, para mim, uma falha.
Nos primeiros tempos, em 2005 e até fevereiro de 2007, eu escrevia os editoriais e dava a lê-los ao Padre Abílio Simões, que o discutia comigo o seu conteúdo e clareza. Mais tarde, depois do falecimento deste, fui ajudado na mesma tarefa - com menos discussão, no entanto, pelo professor Manuel Santos. Depois da descoberta da doença do professor Santos, passei a fazer esse trabalho sozinho, sem rede.
O editorial não deve ser sentido como um texto de opinião do autor. Isso seria, tão só, uma mera opinião. Também não pode ser uma posição oficial da redacção, pois isso obrigaria a uma tomada de posição unanime ou pelo menos generalizada. Ou seja, trata-se de uma peça redactorial importante que não pode ser banalizada nem comprometer demasiado. Acho que consegui, na maior parte das vezes.
Hoje foi o ultimo. procurei não ser demasiado lamechas, mas não perder a sensibilidade de uma despedida de 8 anos...
A ver vamos.
Nos primeiros tempos, em 2005 e até fevereiro de 2007, eu escrevia os editoriais e dava a lê-los ao Padre Abílio Simões, que o discutia comigo o seu conteúdo e clareza. Mais tarde, depois do falecimento deste, fui ajudado na mesma tarefa - com menos discussão, no entanto, pelo professor Manuel Santos. Depois da descoberta da doença do professor Santos, passei a fazer esse trabalho sozinho, sem rede.
O editorial não deve ser sentido como um texto de opinião do autor. Isso seria, tão só, uma mera opinião. Também não pode ser uma posição oficial da redacção, pois isso obrigaria a uma tomada de posição unanime ou pelo menos generalizada. Ou seja, trata-se de uma peça redactorial importante que não pode ser banalizada nem comprometer demasiado. Acho que consegui, na maior parte das vezes.
Hoje foi o ultimo. procurei não ser demasiado lamechas, mas não perder a sensibilidade de uma despedida de 8 anos...
A ver vamos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
[1540.] Dia vencido - 3 de dezembro de 2012
O Senhor ajuntou:
"É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra,
e o seu pecado é muito grande".
Génesis 18,21
domingo, 2 de dezembro de 2012
[1539.] Dia vencido - 2 de dezembro de 2012
Uma das principais frustrações de ser adulto no Escutismo é a dupla obrigação de ser testemunho e de estar presente.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.
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sábado, 1 de dezembro de 2012
[1538.] Dia vencido - 1 de dezembro de 2012
O estigma do dia passava por ser o do último feriado da "Restauração da Independência". Depois de um ano a discutir feriados e a ouvir argumentos e contra-argumentos para acabarem todos menos o preferido de cada um, chegámos, finalmente, à vaca-fria... que este ano nem se sentiria (porque calhou a um sábado) e para o ano também não se vai sentir (por ser domingo)... Provavelmente quando chegarmos a 2014 já ninguém se lembra deste feriado... até porque poucos eram os que sabiam o significado deste e de qualquer outro.
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.
Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.
Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...
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sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
[1535.] Mercurii dies
O dilema, no esplendor do caos
Do
confronto político em Portugal, dos pseudodebates entre partes organizadas na dialéctica
democrática, chegamos à conclusão de que é completamente estéril o formalismo
que a Constituição estabelece como forma de organização dos cidadãos.
Contrariamente ao que asseveram senadores (no caso senadora) da
Economia-que-só-acerta-quando-está-fora, não queremos com isto dizer que
"os problemas complexos não se conseguem resolver em democracia". Não,
nada disso!
O que nos parece
é que o sistema partidário em Portugal está completamente falido. Os partidos
políticos estão completamente focados na transmissão da sua cassete, que só
eles ouvem — como se discursassem para se ouvir a si próprios — e não na
resolução concreta de problemas reais das pessoas. Os partidos portugueses são
hoje parte do problema, e não parte de qualquer solução.
Não se reduz o
número de deputados, porque os partidos mais pequenos não deixam. Não se mudam
leis eleitorais porque os partidos da coligação do Governo não se entendem. Não
conversam os líderes dos principais partidos porque um acha que foi
desrespeitado e o outro não disse sobre o que queria falar. Não se tolera que
se altere a constituição porque cada partido acha que o outro a quer subverter
ideologicamente...
Portugal precisa
de uma refundação? Claro que sim. Precisa de reajustar o Estado Social? Claro
que sim. Mas só depois de os partidos políticos se refundarem, se
democratizarem e se reajustarem ao mundo. Primeiro salvem-se, e depois queiram
ajudar a salvar o país!
Como
diz Eduardo Lourenço: "Pode discutir-se se a desordem em que estamos
mergulhados — desde a económica até à da legalidade e da ética — releva ou não,
em sentido próprio, do conceito de caos. Do que não há dúvidas é de que o
habitamos como se fosse o próprio esplendor".
Editorial do Jornal da Mealhada de 7 de novembro de 2012
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
[1534.] Hoje... é dia de São Nuno de Santa Maria
[1533.] Hoje... é dia de Marte
Hoje, dia 6 de novembro é Dia Grande.
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...
[1532.] Mesmo desiludido, eu votaria Obama.
Se eu visse um americano a dizer-me em que eu deveria votar, eu, provavelmente, faria exactamente o contrário... porque sei que os americanos são completamente indiferentes ao que se passa no meu país e o seu envolvimento não seria inocente, nem a pensar no bem-comum de Portugal. Mas o que se passa na América não é indiferente ao resto do mundo, e por isso a minha opinião não é indiferente, porque o mal da América é o mal do mundo.
Eu votaria Obama. Não porque tenha feito um bom mandato, ou porque tenha estado de acordo com as expetativas que o mundo criou com ele. Não. Antes pelo contrário. Relativamente à política externa, esteve muito manso para alguém que em menos de um ano na Casa Branca foi Prémio Nobel da Paz.
Eu votaria Obama porque a alternativa é muito pior do que o que nele podemos criticar. Eu, hoje, votaria Obama, porque votar noutra solução é apoiar novas guerras, mais mortes, mais desnorte, mais crise e mais marasmo. E disso prescindo eu, e prescinde o mundo. Todo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
[1530.] Lunae dies no Camiño (da vida)
Regressar a Santiago é uma experiência espiritual.
Regressei a Santiago, como peregrino, na quinta-feira, 1 de novembro, pela quinta vez. Desta vez pelo Camiño "dos mil nomes" - Sudeste, Via da Prata, Sanabrês, da Fonseca, Mozárabe... seja o que for.
Graças a Deus, cada regresso é feito na companhia de amigos e companheiros de viagem. "Nunquam solo ambulanbatis", ou "Nunca Caminharás Sozinho", para não cantarolar o "You'll never walk alone!". Em 2007 fomos quatro, o mesmo número em 2009 e 2010, sete em 2011 e, agora, dez.
Em cada uma das experiências a companhia é relevante. Os fidelíssimos, os que caminham em espírito em cada jornada, os que repetem, os que ensinam, os que amam, os que são, e os novos aventureiros, todos alinham numa experiência que é, ao mesmo tempo, comunitária - entre nós e entre os peregrinos que encontramos no caminho - mas, também, muito solitária.
Em 2009, eu e a Inês eramos namorados. Noivos, mas (apenas) namorados. A experiência não foi fácil para nenhum dos dois, deixou mazelas durante e depois do Camiño, e a repetição da experiência seria uma coisa a fazer, mas com conta, peso e medida. Já casados, repetimos a experiência, mais maduros, mais avisados, mais conscientes, mais cúmplices. E porque mais apaixonados, fizemo-lo mais autónomos. Contradição? "Assim como as cordas do alaúde são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia, também as colunas do templo erguem-se separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro".
Foi uma experiência transcendente e muito importante para um caminho entre duas pessoas que querem ser felizes até à eternidade. Porque o Camiño recomeça em cada regresso a casa.
Amo-te muito princesa.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
[1531.] Seis anos
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