sexta-feira, 15 de junho de 2012

[1505.] Veneris dies, com Ella

Há quem diga que é a maior cantora do século XX. Ela é Ella Fitzgerald. Morreu há 16 anos. Feitos hoje. Menos palavras, oiça-se a First Lady of Song.



Summertime

Summertime é uma aria da opera 'Porgy and Bess', de 1935, composta por Gershwin, com letra de Heyward. É uma dos mais populares de jazz com mais de 33 mil covers de grupos e performances a solo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

[1504.] Iovis dies, com Immendorff, no Elogio da Esperança.

Tudo está bem, quando acaba bem.
É este o título (Ende gut, alles gut) deste quadro (óleo sobre tela) do pintor alemão Jörg Immendorff, que faria hoje 67 anos, se não tivesse morrido em 2007.

As águias que preenchem este quadro - vendido em fevereiro de 2007 por 250.000 libras - fazem-me lembrar o galinheiro em que se tornou o mundo, em véspera de eleições na Grécia, e da Cimeira Rio+20, em dias de colapso espanhol, em tempos de cólera futebolística... 
Só Esperança é que parece não haver em lado nenhum. "Tudo está bem, quando acaba bem". Quem dera que acabe, que acabe depressa e que acabe em bem, para que se possa dizer que, então, "tudo está bem!"
Resta a Esperança.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

[1503.] Mercurii dies em luto por um assassinato político

Ontem (12 de junho de 2012) foi um dia muito triste para a História da Democracia Portuguesa, do Poder Local e do país enquanto Nação soberana e independente. O assassinato de Maria de Lurdes Sobreiro - a presidente da Junta de Freguesia de Segura, no concelho de Idanha-a-Nova foi um assassinato político, feito por razões políticas e por isso merece a nossa homenagem. Na minha opinião, como Homem, como Democrata e como Português, não consigo perceber as razões pelas quais não foi determinado que hoje fosse Dia de Luto Nacional. Pelas mesmas razões, é, para mim, incompreensível, que o Chefe do Estado não tenha tornado público o eventual envio de condolências à população de Segura e aos familiares de Maria de Lurdes Sobreiro e do marido. Espero que o Presidente da República envie alguém em sua representação às exéquias fúnebres.

Esta mulher, uma autarca, disponibilizou-se, perante a sua população - e quem conhece Segura, como eu conheço, e o concelho de Idanha-a-Nova, que é para mim uma segunda terra natal, compreende o alcance dessa disponibilidade - para a Servir. Maria de Lurdes Sobreiro teria, certamente, como todas as pessoas, defeitos e virtudes, estaria sujeita a críticas, a falhanços, a momentos menos felizes. Mas é uma autarca portuguesa.
Segundo informações divulgadas pela comunicação social, assentes no testemunho da população e dos seus colegas eleitos na freguesia, foi assassinada por ter - no âmbito das suas funções de defesa da população e do território - denunciado o gesto criminoso de um empreiteiro sem escrúpulos que faria descargas ilegais de entulho em áreas ambientalmente protegidas. Um criminoso sem escrúpulos que assassinou esta mulher e o seu marido (fica por saber o que teria acontecido se mais pessoas estivessem no edificio da Junta de Freguesia de Segura) porque foi denunciado.

Esta situação não terá paralelismo em Portugal. A única situação de que me lembro de crimes desta natureza - para além do assassinato de membros do Governo, em 1980 e do caso das FP25 de Abril - é do caso do candidato a uma junta de freguesia que assassinou a sua oponente às eleições.

Este é o resultado de uma alma tresloucada, mas que demonstra a fragilidade das pessoas que se tornam figuras públicas e destacadas nas suas comunidades pelo facto de se disponibilizarem a Servir o Bem-Comum e as Comunidades. E por isso, Lurdes Sobreiro merece o nosso respeito, o nosso luto e a nossa homenagem.


Que Descanse em Paz.
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terça-feira, 12 de junho de 2012

[1502.] Marti dies

Há perguntas que têm de ser feitas, para que as respostas sejam encontradas.
Será impossível encontrar as respostas se não se fizerem as perguntas. Se não houver coragem e discernimento para as fazer.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

[1501.] A idade do Espírito Santo

Ontem foi Domingo de Pentecostes. Ou seja, o dia da ancestral festa portuguesa do DIVINO ESPÍRITO SANTO, introduzida a partir da Igreja de São Francisco, em Alenquer, pela Rainha Santa Isabel, e depois transportada para os Açores, para o Brasil e pelo Mundo Português, assumindo-se como uma festa profundamente portuguesa.

Mas esta temática é muito mais do que uma Festa... Religiosa.
Desde os tempos medievais que se fala em teorias da Idade do Pai, da Idade do Filho e da Idade do Espírito Santo.

Fica a sugestão de leitura de um dos maiores filosofos portugueses do nosso tempo, o professor Agostinho da Silva, e a sua teoria do Quinto Império Português e da chamada Idade do Espírito Santo, e da Festa do Espirito Santo como uma festa do Futuro e não do passado.

Leia-se aqui:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/Leiturasociopolitica.pdf

Mas se não houver paciência... Veja-se aqui:



quinta-feira, 24 de maio de 2012

[1500.] Iovis dies... Mudar é preciso


Às vezes é preciso mudar... abrir, aligeirar, dar espaço para que as coisa boas possam acontecer livremente. Ou como dizia o Lampedusa no "Leopardo"... às vezes "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma!"

O fio dos dias hoje mudou qualquer coisa... De imagem, pelo menos... e como não queremos problemas com Direitos de Autor aqui ficam os registos:

A imagem do cabeçalho é um pormenor do quadro "Dois Sátiros", do pintor flamenco Peter Paul Rubens (1577-1640). Esta obra foi pintada em 1618/19 e está no
Alte Pinakothek, em Munique, na Alemanha.

Gosto do olhar do sátiro do primeiro plano... parece malandro e afável... ou não...
Espero que gostem.

terça-feira, 1 de maio de 2012

[1498.] Marti dies... vendo aviões do sofá



ANDA COMIGO VER OS AVIÕES

"(...) Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti"

Azeitonas, 2009

Os feriados são românticos. No aconchego do lar. Os meus, pelo menos... os de 2012... apenas esses... Longe de confusões, das aritméticas de metades à borla, quando a metade já é demais e não fica menos por ser, apenas, metade do que não precisamos!

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quarta-feira, 21 de março de 2012

[1497.] Lunae dies

Pormenor da frontaria da Capela de N.ª Sr.ª das Candeias, em Mala
(freguesia de Casal Comba, concelho da Mealhada)


A Capela de Mala é das mais bonitas do concelho da Mealhada. É um edificio do século XVIII (que segundo a memória paroquial do pároco, em 1758, tinha como orago N.ª Sr.ª da Purificação).
No sábado, com os meus escuteiros, fizemos o percurso do Caminho de Santiago no concelho da ealhada (Adões-Mealhada) e pude deter-me a observar a frontaria da capela que é muito trabalhada e muito linda.
Detive-me a ver três anjos, que decoram a base do campanário, os três feínhos que Deus-me-Livre, nenhum com cara de criança e todos homens feitos (não estivessem eles ali especados há séculos). Dá-me a impressão que antes de ali estarem terão estado noutra capela - nos tempos em que se desmantelavam capelas em Coimbra e as peças eram espalhadas pela diocese... (Agora dá a sensação que é ao contrário...).
Fica aqui o pormenor de um desses anjos... o menos senior dos três...

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sexta-feira, 16 de março de 2012

[1496.] Caminho

Caminhos de Santiago: Em 2011, passaram pela Mealhada, pelo menos, 647 peregrinos

Número de peregrinos a passar na Mealhada é onze vezes maior do que há 8 anos


Foi recentemente publicado - pela Oficina do Peregrino de Santiago, em Compostela - a estatística da peregrinação do ano de 2011 (de janeiro a dezembro). Da leitura do documento - disponível em http://www.peregrinossantiago.es/ - pode registar-se o aumento exponencial do número de peregrinos de todas as nacionalidades que faz o Caminho Português e os que, começando em Lisboa, passam, obrigatoriamente, pelo concelho da Mealhada.
A Oficina do Peregrino de Compostela não disponibiliza a informação de quantos peregrinos começam a sua peregrinação em qualquer ponto intermédio entre Lisboa e Porto. Assim, podendo ser uma estimativa por defeito, e sendo certo que todos os peregrinos de Santiago que partem de Lisboa e chegam a Compostela passam pela Mealhada, pode afirmar-se que no ano de 2011 passaram pelo concelho 647 peregrinos. Este número é inferior ao número de peregrinos que passaram em 2010 - foram 718 -, mas é importante salientar que o ano de 2010 foi Ano Santo Jacobeu, ou seja uma época em que o número total de peregrinos é, sempre, muito maior. Registe-se que em 2010 registaram-se 272 mil peregrinos a entrar na cidade galega de Santiago, enquanto que em 2011 o número total foi de cerca de 183 mil peregrinos.
Analisando os dados dos últimos oito anos - desde que há estatísticas publicadas - regista-se um aumento exponencial de peregrinos a passar pela Mealhada. Em 2004 foram apenas 57 os peregrinos a rumar no sentido sul-norte. No ano seguinte o aumento não foi significativo - apenas mais um. A viragem dá-se depois de em julho de 2006 o francês Alain Bezard ter feito a marcação do caminho português desde Lisboa com setas amarelas. Em 2006 passaram 72 peregrinos, mas em 2007 já passaram 219 - um aumento de 300 por cento. E a partir daí foi sempre a aumentar: Em 2008 o número de peregrinos a passar na Mealhada foi de, pelo menos, 357, de 449 no ano seguinte e, como já se disse, de 718 em 2010.
"Para este aumento terá contribuído a divulgação do Caminho Português junto das comunidades de aficionados do norte da Europa, mas, também, a melhoria das condições dadas ao peregrino para fazer o Caminho", declara o mealhadense Nuno Castela Canilho, peregrino, chefe dos escuteiros da Mealhada e membro da Archiconfradia Universal do Apotol Santiago. "Falamos, naturalmente, da marcação da rota fora das estradas nacionais e alcatroadas (trabalho e manutenção da sinalética que, no percurso Coimbra-Anadia, tem sido feito por voluntários e pelos escuteiros da Mealhada), do aumento de hospedarias e locais para os peregrinos dormirem - como a abertura de um Albergue de Peregrinos, privado, na Mealhada, ou do anuncio da construção de um albergue público em Coimbra - e, acima de tudo, da gentileza e abordagem das populações à passagem dos peregrinos", acrescenta Nuno Canilho, que exemplifica: "Se em 2006, quando passou Alain Bezard, o peregrino de Santiago era visto com estranheza e algum receio pelas pessoas, em 2011 a postura dos populares é completamente diferente".
"O Caminho Português de Santiago é uma oportunidade de negócio, para muitos dos cafés, mercearias, padarias, farmácias e outros comércios que estão espalhadas pelas aldeias que são cruzadas pelo caminho. Uma oportunidade que, nos dias de hoje, não faz sentido alguém se dar ao luxo de perder!", assevera Nuno Canilho, que estende a sentença, também, a residenciais e hoteis da Mealhada: "A rota está desenhada para ser conveniente ao peregrino a dormida na Mealhada, depois de na noite anterior ter dormido em Coimbra. Dormida que implica, para um peregrino jacobeu, o jantar de gastronomia local e substancial - no comer e no beber -".

A estatística completa do Caminho Português, em 2011
Analisando os dados estatísticos referentes ao ano de 2011, e comparando-os com o ano de 2009 (não sendo possível a comparação com o ano de 2010, por este último ter sido Ano Santo), os Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela, continuam a crescer, sendo - em 2011 - o itinerário que regista o maior crescimento, quase duplicando o número de peregrinos.
O Caminho de Santiago continua a atrair cada vez mais pessoas de todo o mundo. Sendo que este crescimento mantêm-se desde do Ano Santo de 1993. Em 2011 o número total de peregrinos que solicitaram a “Compostela” (diploma para quem efetuou a tradicional peregrinação jacobeia) foi de 183.366 peregrinos (+ 37.489 do que em 2009), de um total de 126 países (em 2009 foram 111 países).
Os Caminhos Portugueses quase duplicam o número de peregrinos, sendo o itinerário que regista o maior aumento. Em 2011 foram 22.062 os peregrinos que seguiram este itinerário.
Interessante é conhecer quem são estes peregrinos que escolhem os Caminhos Portugueses para realizar a sua tradicional peregrinação ao sepulcro do Apóstolo São Tiago Maior, em Compostela. Assim, dos 22.062 peregrinos registados neste itinerário, apenas 6.498 eram cidadãos portugueses. A maioria foi espanhola (com 8.196 peregrinos), sendo a Alemanha o único país a ultrapassar a barreira dos mil peregrinos neste itinerário (com 2.557 peregrinos). Este é um dado muito curioso já que em 2011 quase duplica (em comparação com 2009) o número de portugueses que peregrinam a Santiago de Compostela.
Em 2011 realizaram a tradicional peregrinação jacobeia um total de 8.649 portugueses (registando-se mais 3795 pere­grinos do que em 2009). Note-se que Portugal é o único país (dos 5 que mais contribuem com peregrinos) a registar um crescimento em relação ao Ano Santo de 2010 (com mais 863 peregrinos). Note-se também que o número de peregrinos portugueses ultrapassa pela primeira vez (desde 1992) o número de peregrinos franceses.
Outro dado interessante é saber onde estes peregrinos iniciam a sua peregrinação. Assim, dos 22.062 peregrinos registados nos Caminhos Portugueses, 7.720 começaram a peregrinar em Tui [na fronteira com Portugal, a 3km de Valença do Minho e a 117 km de Compostela] (destes apenas 213 são de nacionalidade portuguesa). Já desde Valença do Minho foram 2.815 peregrinos (dos quais 1466 – mais de metade portanto – são portugueses).
Mas é a cidade do Porto o ponto de partida mais escolhido dos itinerários portugueses (colocando-se no 8º lugar dos pontos de partida mais escolhidos de entre todos os Caminhos/ Itinerários). Foram 6.539 os peregrinos que iniciaram a sua peregrinação na Invicta (dos quais “apenas” 1.924 são portugueses). A partir de Lisboa foram 647 peregrinos a dar o primeiro passo rumo a Compostela e Ponte de Lima, Braga e Chaves são as demais cidades preferidas para se iniciar a peregrinação a Compostela (sendo que os portugueses preferem o Porto, Valença do Minho e Ponte de Lima).
A tradicional peregrinação jacobeia continua claramente a se fazer a pé (153.065 peregrinos escolheram esta modalidade no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 18.155. No entanto os cidadãos portugueses estão divididos! Foram 4.618 que peregrinaram a pé, e 4.026 os que peregrinaram em bicicleta!), e por motivos religiosos ou religiosos e outros (172.116 peregrinos deram esta resposta no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 20.799. Esta também foi a resposta da maioria dos portugueses, com 8.259 peregrinos a peregrinarem por estes motivos).
Verifica-se um claro aumento do número de peregrinos nos Caminhos Portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela, bem como do número de peregrinos lusos, isto apesar da contínua indiferença do estado português para com este Grande Itinerário Cultural Europeu.
O Caminho de Santiago é o primeiro e o principal Itinerário Cultural Europeu e um modelo de relação transnacional pan-europeu, com grande biodiversidade e diversidade cultural refletida nas suas paisagens e no seu rico património cultural.
A desarticulação existente na atualidade entre as iniciativas de promoção local e a inexistência de uma estrutura de gestão global deste itinerário em Portugal, num momento em que o nosso país atravessa uma grave crise financeira, é uma oportunidade perdida para o desenvolvimento sustentável, para contrariar a debilidade do sistema demográfico e a escassa densidade populacional e o reequilíbrio do sistema rural-urbano.
Em Dezembro de 2010, o Comité de Ministros do Conselho Europeu, aprovou a Resolução CM/ Res (2010) 53, mediante a qual se estabelece um Acordo Parcial Ampliado (EPA) sobre os Itinerários Culturais, ao mesmo tempo que propõe uma nova regulação para os Itinerários Culturais Europeus, de entre os quais se destaca o Caminho de Santiago, como o Primeiro aprovado.
Durante o ano de 2011, o Conselho de Europa, conjuntamente com a Comissão Europeia, realizaram um estudo sobre a importância destes itinerários para o desenvolvimento, competiti­vidade e inovação das PME’s, concluindo-se da necessidade de articular estratégias conjuntas de I+D entre as universidades e centros de investigação com as associações empresariais (sobretudo representando PME’s).
JM/AEJ

http://www.jornaldamealhada.com/noticias/show.aspx?idioma=pt&idcont=457&title=caminhos-de-santiago-em-2011-passaram-pela-mealhada-pelo-menos-647-peregrinos

terça-feira, 13 de março de 2012

[1495.] Desnorteio


A Vida tem ritmos que nem sempre conseguimos compreender. Seja o destino, seja o teste de Job em cada um de nós na nossa passagem (peregrina) pela terra dos vivos, a verdade é que nem sempre estamos onde queremos, ou estamos a fazer o que gostariamos, ou estamos como gostaríamos. Quando temos consciência disso, vivemos o que se pode chamar um desnorteio...

Sinto-me um bocado desnorteado... Tenho dito aos meus amigos que estou em suspenso... Ou estou mesmo suspenso... Se calhar estou demasiado ligado ao projecto que abracei a 05.01.2005 e estou solidário... até na suspensão.

Acredto que melhores dias virão. Acredito que estou (estamos?) a um passo de sair deste estado de letargia terrível e que voltaremos a ser o que éramos... Ou talvez melhores!

Tenho vivido segundo a máxima: Se o que tens para dizer não é bom... Não digas nada! 
E por isso não há fio nem dias desde 26 de janeiro...

Espero voltar! - Eis a frase que m acompanha desde janeiro!
Tenho, de facto, essa Esperança.
Até lá!
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

[1494.] O Estado da União (EUA, em 24 de janeiro de 2012)

O Presidente Obama, dirigiu-se à nação, em mais um aniversário da sua tomada de posse, a 24 de janeiro de 2012, naquele que é conhecido como o dscurso do "Estado da União". É um discurso importante, que a Nação e o Mundo ouvem atentamente, até porque - por ser uma tradição e anual - é o balanço da actividade do governo durante o último ano. Em 2012, para Obama, este é, também, o discurso de balanço do mandato que prometeu ser capaz de mudar a América... mesmo em tempo de crise.

Repare-se no video interno da Casa Branca em que é explicado como é escrito o discurso presencial (o primeiro video), e veja-se o discurso a ser proferido... (o segundo video). Disse bem: veja-se! Porque o discurso é proferido com convição, com enfase, com paragens e suspenses, mas leva uma caixinha ao lado, a ilustrar o que o presidente vai dizendo, com fotos, gráficos e esquemas...

É esquisito? É Politica no século XXI!
Um case-study, reconheçamos!



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

[1493.] Dia vencido 16.01.12


No domingo, 15 de janeiro, Dia de Santo Amaro, morreu Manuel Fraga Iribarne. Dom Manuel Fraga Iribarne. Ou simplesmente: Fraga. Presidente da Xunta da Galiza durante 15 anos (1990 a 2005), cargo que abandonou em junho de 2005 depois de ter ganho as eleições para a Xunta, aos 82 anos, perdendo a maioria absoluta por um deputado.

Manuel Fraga Iribarne é uma personagem que sempre me motivou uma grande curiosidade, na procura a algumas respostas.

A principal das questões que me suscita a vida política de Fraga tem a ver com o seguinte: O espirito democrata das pessoas está nas pessoas ou na sua circunstância? Ou seja, um responsável político é democrata ou está democrata numa determinada altura?
Fraga Iribarne foi ministro de Francisco Franco, o Generalíssimo ditador das Espanhas. Foi, de 1962 a 1969 ministro do Turismo e da Informação. Em boa verdade, foi Fraga Iribarne o pai do Turismo Espanhol, da afirmação da Espanha como destino turistico mundial de sol e praia, dos Paradores em luagres históricos. Isto na década de 60 do século passado. Em 1966, foi o pai de uma nova Lei de Imprensa - tema relevante numa ditadura, convenhamos.
Em 1973 tornou-se embaixador de Espanha no Reino Unido, numa espécie de prateleira dourada, depois de se ter incompatibilizado com alguns dos ministros do Governo Carrero Blanco.

Em 1975, com a morte do Caudilho, Fraga regressa a Espanha, para assumir funções no Governo de Transição e da Monarquia Restaurada, como segundo vice-presidente para os Assuntos Interiores e para a Governação, executivo chefiado por Arias Navarro. Ao longo dos dois anos da transição, o ministro o Interior soube segurar o país na transição suave e democrática, apesar de nesta altura de manifestações que acabavam com mortos - nomeadamente dois militantes das comissiones obreras - Fraga atreveu-se a dizer "La calle es mia!" A Rua é minha!.
Fraga foi um dos pais da Constituição Democrática - aprovada em 1978 - e fundou o partido da direita democrática, a Aliança Popular, que mais tarde se tornaria o Partido Popular.
Fraga não voltaria a ocupar lugares governamentais. Sucedeu-lhe na liderança do partido um seu protegido - José Maria Aznar, que viria a chefiar o Governo de Espanha de 1996 a 2004. Foi o mentor de outro galego - Mariano Rajoy - que é primeiro-ministro de Espanha desde 20 de novembro de 2011. Fraga foi o único espanhol a candidatar-se a todas as eleições democráticas em Espanha. Foi deputado, eurodeputado, senador.

Em 1990 este galeo de Villalba, mas que há muitas décadas se perdera por Madrid, regressa para ser presidente da Xunta da Galicia - Presidente do Governo Autonómico da Galiza. Durante os 15 anos do seu madato, a Galiza tornou-se um ponto de interesse turistico global - graças ao apoio que deu Fraga aos Caminhos de Santiago e ao turismo jacobeu. Cidades como Vigo e Corunha tornaram-se importantes polos industriais. A Galiza mostrou à Espanha que não é uma coutada de analfabetos e rurais!

Ontem morreu Dom Manuel Fraga Iribarne. Uma personalidade incontornável da história da Espanha na segunda metade do século XX e na transição democrática (com boas e más razões a justificá-lo!). Um homem igual a si próprio!

domingo, 8 de janeiro de 2012

[1492.] Dia vencido 07.01.12


Não sou maçon. Talvez por ainda ser novo. Talvez porque ainda não tenho estatuto ou percurso para isso. Talvez porque seja, aos olhos dos outros, demasiado católico…
A verdade é que não sou maçon. Provavelmente porque nunca fui convidado para integrar a obediência. Se o fosse, confesso que não diria imediatamente que não. Confesso que refletiria sobre o assunto. Não porque ache que da fraternidade maçónica possa tirar algum benefício próprio, mas porque, honestamente, não sou avesso à espiritualidade que promove a perfeição humana, não sou aziago à prossecução da construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais fraterna e mais solidária. Tenho esses princípios da minha formação espiritual religiosa e ideológica e política.
Mas como já disse, não sou maçon. Sou um curioso, procuro estudar o tema e perceber os seus valores e objetivos que, como já disse, não me merecem hostilidade.
Conheço alguns maçons e quase todos (na minha lista retiraria apenas um) são pessoas integras, com provas dadas na promoção do Bem-Comum, com uma ação honesta e altruísta na sua vida pessoal e na sua vida pública.
Talvez seja pelo facto de reconhecer nos que conheço – uns porque se me revelaram, direta ou indiretamente, outros porque o assumiram publicamente, ou ainda os que, notoriamente, o demonstram ser – essas caraterísticas humanas exemplares que não sou um anti-maçon. O padre Abílio Duarte Simões dizia, muitas vezes, que eu acabaria, na velhice, por ser monárquico e maçon… não sei se poderia coexistir em coerência…
E é talvez, ou também, por isso que me parece completamente obscurantista esta perseguição à maçonaria que durante esta semana se tem avolumado. Como em tudo na vida, há pessoas boas e pessoas más. Haverá, naturalmente, maçons maus, corruptos, mal-formados, ambiciosos e sem pinga de altruísmo. É natural, ou não?
O secretismo da obediência maçónica é criticada, mas pode ser justificável se analisarmos o que tem sido dito da maçonaria e do facto de algumas pessoas serem maçons, como se isso significasse fazerem parte de um grupo de terroristas ou malfeitores fora-da-lei. Aliás, há terroristas que não são tão criticados como os maçons...
Parece-me completamente ultrapassada, obscurantista e até anti-democrática esta perseguição que está a ser feita à maçonaria e a algumas lojas e obediências maçónicas. Uma perseguição que está a ser feita com base na ignorância, na especulação, e, acima de tudo, que é o que mais me revolta, patrocinada por maçons que estão a procurar fragilizar as posições de obediências maçónicas que lhe são adversas e até adversárias, numa luta intestina e autofágica que nos últimos anos tem pontificado sobre a Maçonaria Portuguesa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

[1491.] Dia vencido 02.01.12



A apresentação do Livro da (minha querida amiga e colaboradora - acho que o posso dizer) Dr.ª Alice Correia Godinho foi na sexta-feira, 30 de dezembro, mas por estar ausente só neste dia. 2 de janeiro, é que tive acesso ao exemplar que a Mónica teve a gentileza de me comprar e a autora a gentileza de autografar.
Só hoje, portanto, é que pude folhear um texto que, para além de um interessante documento sobre a História da Educação (o professor Santos preferia dizer Primária e do que Básica) do primeiro nível, é, ainda, um excelente contributo para a compreensão da história da Pampilhosa nas primeiras décadas do século XX - que são de certa maneira as fundacionais - e do contributo que permanece, ainda, hoje, resultante do esforço de empresários, ferroviários, empresários, artistas, estetas, maçons e muitas outras pessoas qu fazem daquela terra o farol de cultura que, de facto é.
Interpelado pelo texto, que ainda não li integralmente, sinto-me obrigado pensar que fará sentido a pesquisa histórica e a edição de uma espécie de história da Educação no concelho da Mealhada, de modo a compilar os contributos dos Cerveira de Melo, que fundaram a Escola de Sernadelo, inaugurada em 1910, do Grandela, que construiu a Escola da Lameira de São Pedro, inaugurada em 1918, do Padre Antunes Breda e dos seus colaboradores, que criaram os Colégios da Mealhada, dos Dominicanos que criaram o Colégio do Luso e do casal que, depois, criou o Externato frei Luís de Sousa, de Joaquim da Cruz, que apoiou a Escola Democrática da Pampilhosa (de que trata o livro) e, mais recentemente, do trabalho de João Pega, na edificação (real e abstrata) da Escola Profissional da Mealhada.
Talvez um dia destes me dedique a este trabalho. Por que não?   
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

[1490.] Lunae dies

Uma imagem para 2012... feita por nós... para lembrar o que vai ser e o ritmo do fio dos dias.

[1489.] Dia vencido 01.01.12

O ano de 2012 começou melhor do que o ano de 2011... Reconheça-se que também não seria dificil... O ano 2011 começou com dois pés esquerdos... a verdade é essa.
Um espirito de nostalgia faz lembrar Dias-de-Ano-Novo passados e a verdade é que... tirando o travo de sabor a papel de música, que insiste em persistir no palato de ano para ano, as diferenças, sendo algumas, não são piores, e o primeiro dia de 2012 pode ser de alguma nostalgia, mas com muito conforto e muita amizade, carinho e amor. Amor verdadeiro e real. 
Todos dizem que o ano de 2012 vai ser mau. A criança mal nasceu e já tem o (triste) destino traçado. Mas se é verdade que esse baixar da fasquia vai potenciar as coisas boas que vão, certamente, acontecer, por outro lado entramos num novo ano com medo e com muita angústia.
O discurso político é estranho. Convenhamos. Por um lado cabe ao político dizer a verdade, mas por outro lado a verdade final das coisas vai depender, de certa forma, do próprio discurso que for usado. O discurso do Chefe de Estado no dia de ano novo é um desses exemplos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

[1488.] Mercurii dies

Parar para recuperar!
A edição impressa do Jornal da Mealhada estará interrompida no próximo mês de janeiro. Continuaremos no contacto direto com os nossos leitores através da edição on-line, na internet, com atualizações diárias e em tempo real, mas a edição impressa regressará, apenas, nos primeiros dias de fevereiro de 2012. Os nossos estimados assinantes e anunciantes não serão prejudicados com a medida, que foi tomada pela gerência com o apoio da direção e da redação, e todos os compromissos estão assegurados, considerando poder ser recíproca a confiança e a honestidade de quem faz da credibilidade e da verdade a sua missão diária, há 26 anos.

A medida resulta da necessidade de refletir e repensar o projeto, de modo a garantir um futuro saudável e sustentável, num momento particularmente difícil para todos, e especialmente no setor tão vulnerável às quebras de investimento, de empresas e cidadãos, às prioridades utilitaristas da vida das pessoas comuns e à saúde financeira das instituições – públicas e privadas.

O mercado editorial está extraordinariamente dependente do investimento das empresas e dos empresários em publicidade e, nos tempos que correm, não é prioritário esse gasto por parte de quem sente tantos constrangimentos na sobrevivência de cada dia. Acrescem as atitudes conservadoras da parte de quem até poderia ajudar, mas prefere obstaculizar em nome de valores alegadamente simpáticos e igualitaristas, mas na verdade nefastos e epidémicos. Como aditam os esforços maníacos concorrenciais apostados na destruição de preços e mercados, no elogio do quanto pior, melhor e do “teu mal faz-me tão bem”.

Por outro lado, uma publicação como o Jornal da Mealhada – local, com milhares de assinantes em Portugal e no estrangeiro – ressente-se, necessariamente, com a redução de apoios estatais – como o chamado Porte Pago, o único instituto real e decente de promoção da Língua Portuguesa junto da comunidade emigrante – e com a retração do consumo das pessoas, com o enaltecer do discurso da poupança em bens culturais, sociais, com o estímulo e o elogio ao utilitarismo serôdio – que faz a apologia da economia parada e do dinheiro debaixo do colchão.

Sentimos necessidade de fazer uma paragem – por um período não superior ao legal e normal usufruto de férias – para pensar o projeto, avaliar o que tem resultado das prioridades estabelecidas, refletir sobre o presente e o futuro dos nossos produtos (todos eles) num mercado muito difícil, vulnerável – a fatores de toda a ordem – e que está a passar por sérias dificuldades em todo o planeta.

Parar para refletir não é o mesmo que parar definitivamente – antes pelo contrário. Paramos porque queremos continuar a prestar um serviço, que outros, antes de nós, assumiram e do qual nos sentimos herdeiros e, acima de tudo, legatários. Um serviço que se quer cada vez melhor, cada vez mais próximo das pessoas, um serviço que o seja verdadeiramente e cada vez mais cuidado.

Queremos indagar, procurar saber de forma ainda mais rigorosa e determinada para onde vamos, o que poderemos dar e, também – porque não reconhece-lo com toda a frontalidade – o que poderemos esperar da comunidade que servimos.

Essa poderá ser, de facto, a ideia que mais precisa de debate e de reflexão. De quem é e para quem é um serviço como o que é prestado, há 26 anos, pelo Jornal da Mealhada?

O Jornal da Mealhada foi fundado em 1985 por Fernando Queirós, um homem dos jornais, do norte do país, que, sem fortes ligações à terra, promoveu a fundação do título que viria a ser editado, pela primeira vez, a 10 de dezembro desse ano. Depois da experimentação de vários modelos de organização, em julho de 1987, constituir-se-ia uma sociedade por quotas – com quase duas dezenas de sócios – que, desde aí, sem nunca ter tido qualquer propósito lucrativo – o título, que, desde cedo, e de modo muito rápido, entrou no coração de uma comunidade que, nesse longínquo ano de 1987, não tinha um jornal local seu há mais de uma década.

Mas, verdade seja dita, o Jornal da Mealhada nunca foi, verdadeiramente, destas mais de duas dezenas de pessoas, que também nunca se quiseram assumir como donos de um jornal, na verdadeira acepção do termo. Nenhum deles – não que alguma vez o tivessem tentado – conseguiu encarreirar ou condicionar o jornal a pretensões pessoais fosse de que natureza fosse. A verdade que sempre se sobrepôs a isso é simples: O Jornal da Mealhada desde cedo se tornou uma património da comunidade, um valor acima da personalidade, do estilo ou das preferências – estéticas ou até mesmo ideológicas – de quem exercia, por exemplo, o cargo de diretor.

Dito de uma forma mais simples: O Jornal é, desde há muito, dos mealhadenses – na acepção latíssima, e mesmo mais do que concelhia, do termo.

Acontece que um jornal tem custos, de produção (a gráfica que o imprime, por exemplo) e de expedição, nomeadamente. E os preços de venda ao público e das assinaturas não cobrem esses custos. Sendo propriedade dos mealhadenses, interessa, então, refletir sobre o papel de quem se tem empenhado – nomeadamente financeiramente – para que o jornal continue a ser editado. Um esforço que não pode ser inglório, que é naturalmente cívico e voluntário, mas que é – especialmente em ambiente de retração económica – real, concreto e que acarreta consequências pessoais, familiares, económicas e, até, jurídicas.

Até porque, convenhamos, a independência de um órgão de comunicação social é, em larga escala, de natureza económica, pela via da sustentabilidade. Ou seja, todo o jornal que é sustentado em grande medida pelos seus proprietários – sejam eles chamados de mecenas ou de investidores – acabará por ser, mais tarde ou mais cedo, um meio para chegar a um fim, que colocará, irremediavelmente, em causa a credibilidade e a verdade do que é feito e transmitido. Como é costume dizer-se agora: “Não há” – infelizmente, pensamos nós – “almoços grátis!”.

Os nossos assinantes e anunciantes responderam de uma forma espantosa ao apelo que recentemente lhes foi feito no sentido de ajudar o projeto Jornal da Mealhada. De uma forma generalizada souberam dizer sim, foram capazes de estimular, regularizando a situação das assinaturas – que, sendo uma obrigação simples não terá sido fácil para muitos – e participando na campanha de Natal de 2011, que se revelou acima do que estaríamos à espera, dadas as condicionantes da época. Os nossos milhares de assinantes e os nossos muitos anunciantes foram um forte apoio para que, neste momento, informemos os nossos leitores de uma paragem (que não deixa de ser forçada, entenda-se) por um período de um mês, e não de um final ou de uma suspensão definitiva.

Não desistimos, nem vamos desistir, enquanto nos for demonstrado – como tem sido nas últimas semanas e meses – que o Jornal da Mealhada é querido e estimado, aguardado e considerado, valorizado e determinante para o progresso coletivo das gentes do concelho da Mealhada – os naturais deste torrão de verde e ouro no sopé do Bussaco, ou nele residentes.

Nos primeiros dias de fevereiro de 2012, voltaremos ao seu contacto, através da edição impressa (porque continuaremos até lá na edição on-line). Frescos e preparados para o futuro. Com novos produtos, novas formas de divulgação da informação e, também, com novas ferramentas de intervenção. Mais fortes do que nunca, estimulados e conscientes de que, enquanto houver estrada para andar, é nossa obrigação, é nossa missão, continuar. Não por nós, mas por todos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de dezembro de 2011
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sábado, 24 de dezembro de 2011

[1484.] Bom Natal



Costuma dizer-se que a beleza verdadeira está nas coisas simples. Este é um video que conta uma história gira, divertida e cheia de sentido - especialmente para quem Acredita, convenhamos.

Gosto de pensar sobre as coisas - mesmo sobre os mistérios e os dogmas - e consigo fazer uma perspectiva da tónica que fui dando ao Natal de cada ano, em mensagens de sms a desejar festas felizes, em mails, em cumprimentos pessoais. É bom que os nossos dias tenham um fio, que nos liga aos outros, que nos liga ao sentido das coisas, como se fosse, de facto, uma ligação à realidade que está no abstrato de darmos sentido às nossas heranças e memórias. Ao que é o ritmo da natureza, em ciclos intermináveis de vida e morte, esperança e angustia, alegria e tristeza.
Já houve anos em que o meu Natal era a Luz que iluminava a treva. Outro em que o Natal era a vitória do Dia sobre a Noite, ou do Sol da Esperança...

Este ano - inspirado pelo que me rodeia e me é dado nos circulos por onde passo - gosto de pensar no Natal como a bonita história de um SIM.

Bom Natal para todos e não se esqueçam, da importância que teve para toda a humanidade aquele SIM, que Maria soube dizer ao anjo, quando ele lhe veio dizer que seria a Mãe do Salvador. Um ventre de Esperança e de Alegria feito de Amor e Coragem.

Saibamos nós, também, neste Natal e em cada dia das nossas vidas, dizer SIM aos outros, nas suas necessidades, nas suas desesperanças, aceitando a missão de sermos, nós próprios, instrumentos de Paz, de Força e de Espírito Santo.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

[1487.] Prendas...

Acabei de receber o melhor presente de Natal que poderia esperar... e ainda hoje é só 23... Estou no Jornal, a tratar de umas pendências, e toca o telefone. É um senhor de Luso, que diz ligar para nos desejar um Bom Natal e para dizer que gosta muito dos editoriais que escrevo e dos textos do senhor Hermínio Pires. Depois de eu agradecer e de trocarmos votos de feliz Natal, o senhor diz-me: "Sabe, vivo com muitas dificuldades e tenho de fazer alguns cortes. Estava para deixar de ser assinante do Jornal da Mealhada, porque o dinheiro não chega para tudo... Mas depois de ler o seu texto decidi continuar!..."
                                     Obrigado, disse eu. E pensei: Bolas! Vale a pena!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

[1486.] Mercurii dies

Saudades de um Natal futuro…

Os dias são feitos do que nos rodeia. São as pessoas que nos circundam que marcam o passo dos nossos corações. Não somos, não podemos ser, ilhas no oceano da turbulência que cadencia a multidão a que não podemos ser alheios e na qual não nos podemos perder nem dissolver. É difícil estar contente – para não dizer feliz – nos dias de hoje. Vivemos o “Inverno do nosso descontentamento”, e somos uma espécie de Ethan Hawley – na analogia do romance de Steinbeck – à procura de uma esperança, humilde e simples, que nos traga a alegria e felicidade de outrora.

Não há grandes razões para se estar contente. Haverá, sempre – especialmente para nós que pensamos ser otimistas – razões para ter esperança. Mas a Esperança é sempre amanhã e a dor é sempre o presente.

Dizem os peregrinos de Santiago de Compostela – ou se calhar apenas repetem, nas travessias e nas buscas de sentido – que “sem dor não há Glória”. Será verdade? E será necessária tanta dor? E para que glória? Vivemos uma invernia dormente e são muitas as vezes em que nos sentimos Job no digladiar de testes entre Deus e o diabo. Viveremos nós um teste? Estaremos a ser levados ao limite para o conhecermos? Fará sentido este sacrifício?

A verdadeira Esperança não pode ser a da ilusão de arranjar boas razões para conseguirmos sobreviver a cada pontada. A verdadeira Esperança precisa de ser alimentada de gestos, de sinais, de razões, de objetivos para que consigamos sobreviver. Mas cabe-nos a nós reconhecer esses sinais, esses gestos, e ver neles as razões e os objetivos, sem esperar que vivam por nós ou que nos digam o que fazer, ou como fazer. Não é nos outros que está a Esperança. É em nós mesmos. Não é em sebastiões de nevoeiro que vamos encontrar o futuro. É em nós mesmos. Não é nos governantes que está a culpa como não é neles que está a saída. Nós somos os sebastiões que hão-de de nos tirar do nevoeiro, que hão-de resgatar deste Inverno cortante.

Os dias são feitos do que nos rodeia. E não são felizes os nossos dias se vemos um amigo a sofrer, ou alguém que nos é próximo a chorar de desespero – mesmo que sem lágrimas, mesmo que sem discursos ou lamúrias. É impossível estar alegre quando vemos tantos dos que nos rodeiam sem emprego, sem formas de rendimento, sem ocupação – apenas focados no que não têm ou não podem ter –, sem objetivos de vida ou de esperança.

Sempre a Esperança…

Mas a impossibilidade de estar feliz ou alegre não nos deve desobrigar da missão que temos de dar aos outros o que eles precisam. E não estamos a falar de dinheiro ou apenas de alimento para o corpo. Estamos a falar de aconchego, de atenção, de disponibilidade. Dizia Francisco de Assis – o santo pobrezinho – que “é dando que se recebe”. Porque é dando aos outros que nós vemos e sentimos a Esperança dentro de nós.

Estamos no Natal e os sinais que recolhemos do que nos rodeia é que vai ser um Natal esquisito… e sentimos já as saudades de natais diferentes… longínquos. E já sentimos saudades dos natais futuros, dos que hão-de vir depois deste inverno.

Mas a verdade é que este pode ser o Natal perfeito para vivermos a Esperança maior do Amor pelos outros. A Verdade da entrega aos outros, na disponibilidade, no carinho, nos pequenos gestos. Mesmo para os que acreditam neste tempo como a memória do nascimento do Salvador, é fácil perceber que esse Salvador nasceu uma vez e se renasce todos os anos – como o sol nasce todos os dias – é dentro de nós que isso acontece, é nos nossos corações pelas nossas ações e gestos. Porque afinal a Esperança somos nós que a temos e só a vemos quando a entregamos, quando a doamos a alguém.

Porque nos sentimos rodeados por uma canção simples – do grupo português Deolinda – somos obrigados a perguntar “porque é que só nos lembramos dos outros quando chega o Natal?”, “porque razão é que não damos prendas sem ter um pretexto?”, “o que é que nos move uma vez por ano?”, “que gratidão é que esperamos dos outros apenas por um dia?”.

A verdade, e concluindo com os Deolinda: É a Esperança que temos dentro de nós mas só vemos quando a doamos que “espera o ano inteiro e que tanto anseia a nossa companhia”.

“Um Feliz Natal, não hoje, mas o ano inteiro”. Já há-de faltar pouco para chegar a primavera.

A redação do Jornal da Mealhada deseja a todos os seus leitores, assinantes, anunciantes, colaboradores e amigos um feliz Natal, com abundância, conforto, paz, amor e alegria. Solidariza-se, também, com aqueles que, por qualquer razão, não podem vivê-lo desta maneira

Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de dezembro de 2011
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

[1485.] Mercurii dies

Uma prenda de aniversário:
Novo sítio na internet do Jornal da Mealhada

Apresentamos hoje, 14 de dezembro, aos nossos leitores, a partir das primeiras horas da manhã, uma nova aparência no sítio da Internet do Jornal da Mealhada – em www.jornaldamealhada.com, como sempre. Uma nova aparência que passa pela disponibilização de novas funcionalidades, de novos motivos de interesse, de novos veículos de comunicação, na edição em que assinalamos o 26.º aniversário da primeira edição impressa do Jornal da Mealhada, em 10 de dezembro de 1985.

A nova aparência do nosso sítio da internet – ou do nosso site, se preferirem – é, no entanto, o primeiro passo na demonstração de uma nova abordagem jornalística que procuraremos adotar nos próximos tempos. Um caminho que começou em 28 de junho de 2006, quando iniciámos o site do Jornal da Mealhada, e que agora recebe um novo paradigma.

Já há muitos anos que os especialistas em comunicação e media garantem que o Futuro do jornalismo passa pelas plataformas digitais. A sentença do fim do papel está decretada há muito tempo e a inevitabilidade – para quem trabalha e reflete a problemática do dia-a-dia nesta área – é a de se adequar a uma realidade mista, em que o digital – através da internet em sentido lato, e das redes sociais e dos sites de comunicação em sentido estrito – tem de ser uma preocupação de quem quer “ver mais longe”, e por isso, obrigatoriamente, “voar mais alto”. Assumimos essa preocupação em 2006 e procurámos, com os meios ao nosso dispor, apresentar um serviço público de qualidade. Um serviço que, naturalmente, saía sempre prejudicado pela preocupação de dar o protagonismo à edição impressa. Nos últimos meses, experimentámos diversificar a oferta e dar ao nosso site um novo papel – na promoção da edição impressa, por um lado, mas pela procura do servir a atualidade, com informação de “última hora” e de apresentação do agendamento do que acontece em cada dia.

Está, naturalmente, na hora de ir além disso. De passar mais uma fronteira – procuramos fazê-lo há 26 anos – e dar ao nosso site a autonomia que ele merece e que os milhares de visitantes, que em cada semana a ele acedem, exigem. Um trabalho que lhes é oferecido hoje e que resulta da comunhão de esforços da equipa redatorial do Jornal da Mealhada – especialmente da jornalista Mónica Sofia Lopes, que tem sido a grande obreira do site – juntamente com a equipa de criadores e especialistas da empresa Marques Associados, nossos parceiros nesta demanda. 

O site que a partir de hoje é por nós apresentado e dinamizado procurará ter a autonomia de um órgão de comunicação social do futuro.

No encalce de uma maior atualidade. Na procura da notícia que está a acontecer, na apresentação de conteúdos no imediato e em direto, sem esquecer, nunca, a reflexão e a investigação profunda.

No encalce de uma maior proximidade a novos públicos. De contacto direto com os mais jovens, com os que priviligiam o contacto com as redes sociais e as plataformas mais inovadoras de blogging e micro-blogging. Mas, também, de maior contacto com o exterior, com quem tem interesse, curiosidade ou até saudade em saber mais coisas sobre a nossa realidade local e comunitária.

No encalce de um maior serviço público. Com uma maior intervenção – pela rapidez e pela participação – na esfera comunitária de uma região que anseia, assim nos parece, por estímulo e apoio.

No encalce de melhor resposta tecnológica. Com novos mecanismos de presença e participação nas redes sociais, com recurso ao som e à imagem na apresentação de conteúdos – através de utilização de vídeos de acontecimentos, entrevistas e testemunhos.

Mais atualidade, mais proximidade, mais serviço público e mais tecnologia na resposta aos ideiais e aos propósitos de sempre, no caminho de um jornalismo independente, regionalista, assumidamente comunitário e ciente das suas responsabilidades sociais. Na busca do cumprimento integral dos seus objectivos de Informar – agora de forma mais rápida, eficiente e atraente –, de Opinar – sempre no respeito e como forma de fomento do contraditório, do pensamento livre, dos direitos, liberdades e garantias de cada cidadão, da Democracia e da Liberdade –, e, naturalmente, de Intervir – porque tem de ser essa a missão de quem faz do jornalismo a sua missão e até um sacerdócio, procurando dar aos outros diferentes perspectivas do que não viram ou não souberam… e – como todos sabem… – o saber é uma das muitas formas de Poder.

Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de dezembro de 2011    
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terça-feira, 22 de novembro de 2011

[1481.] Lunae dies

Don Mariano Rajoy será o próximo Presidente do Governo de Espanha. Líder dos conservadores - o Partido Popular - Rajoy sucede a José Luiz Rodrigues Zapatero - ZP - o líder do PSOE que interrompeu a sua entrada na Moncloa a 14 de Março de 2004, como mais uma vitima dos atentados de Atocha que não eram da ETA - como dizia Aznar - mas da Al-Qaeda.

Mariano Rajoy é galego - português do norte. Nasceu junto a uma das mais belas praças de Santiago de Compostela, a do Toural e começou a sua carreira política aos 26 anos, no Parlamento Galego, pela mão de Manuel Fraga Iribarne - o antigo ministro da Informação e do Turismo de Franco, fundador da Aliança Popular (predecessora do PP), e presidente da Xunta durante 15 anos, abandonou o cargo quando, aos 82 anos perdeu a maioria absoluta por um deputado. Aos 26 anos, Fraga obrigou Rajoy a arranjar mulher e a falar galego. E o percurso do próximo "Presidente do Gobierno" nunca mais parou. Foi autarca em Pontevedra e entrou para o Governo de Aznar em 1996, como ministro da Administração Pública. Em 2000 já era vice-presidente do Goberno de José Maria Aznar (outro prodigio espanhol) e em 2001 assumiu a pasta de ministro do Interior e a ele lhe coube travar o combate com a ETA. O combate à ETA nesta altura era chamado de terrorismo de Estado. Foi com Rajoy que a ETA assume a escalada de violência de 2001 e 2002, com alguns assassinatos políticos e é com Rajoy que Baltazar Garzon entra no palco do combate jurisdicional aos terroristas.


Em setembro de 2003, Mariano Rajoy torna-se presidente do PP e candidato a primeiro-ministro nas eleições de 14 de Março de 2004.

Apesar de ser o sucessor de um Governo que fora empossado há 8 anos, que fizera a Espanha entrar na Guerra do Iraque, a verdade é que todas as sondagens indicavam, a 10 de março de 2004, que Rajoy ia ser o sucessor de Aznar na Moncloa. Mas os atentados de Atocha, a 11 de março puseram tudo a perder.

Angel Acébes, o ministro do Interior de Aznar e sucessor de Rajoy, imediatamente acusou a ETA da autoria dos atentados e em poucas horas saía desmentido. Afinal a Al-Qaeda chegara a Espanha, vingara-se da entrada do país na Guerra no Afeganistão e no Iraque e punha a estratégia diplomática dos populares nas ruas da amargura.

Num país que chorava, ainda, 191 mortos e 1858 feridos, os espanhois escolheram ZP para governar a Espanha.


E talvez aqui tenha começado a mais importante faceta da vida de Rajoy. Depois de perder as eleições de 2004, Mariano Rajoy continua como presidente do PP e líder da oposição no Congresso dos Deputados. Volta a candidatar-se a presidente do Governo em 2008 e volta a perder, e mesmo assim mantém-se na liderança do partido. Foi vitima de golpes palacianos - o mais duro deles em 2008, pela mão de Acebes que já o tinha tramado em 2004 - e mesmo assim manteve-se na liderança do PP.


Mariano Rajoy já teve dois acidentes graves. Em dezembro de 2005 voava num helicoptero que caiu em Móstoles. Diz-se que usa barba para não se notarem as cicatrizes. É, portanto, um resistente.


Ontem, conseguiu o melhor resultado de sempre da história do Partido Popular espanhol. Elegeu 186 deputados no Congresso - mais um do que Aznar nos tempos aureos - e uma maioria absoluta e inequivoca.

Rajoy será o sexto presidente do Governo da Espanha Democrática - e o segundo conservador.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

[1480.]

Portugal na terra queimada
Narrativas de um país a saque

As comemorações do bicentenário das invasões francesas lembraram histórias de bravura, de coragem e de resistência de um povo pobre ao invasor - o primeiro, o gaulês...
Como forma de proteger os seus haveres, os portugueses queimaram as suas culturas - a estratégia (da cabeça de Wellington) ficou conhecida como a Política da Terra Queimada - e esconderam os seus bens mais valiosos - azeite, legumes secos, pertences vários - para evitar que os franceses os saqueassem.
A mais recente onda de furtos de estátuas e bustos faz lembrar esse tempo e esses episódios. Até porque a estratégia para evitar esses roubos é muito parecida com o que fizeram os nossos antepassados. Entenderam os nossos autarcas que o melhor seria retirar os bustos e estátuas que ainda restam e escondê-los, enquanto não passa esta terrível vaga de furtos. Estou de acordo com a solução encontrada: É sensata. É dolorosa, é frustrante, é revoltante, mas é sensata e inteligente.
A crise pode ajudar a explicar o que se está a passar. Mas não explica tudo. Quem rouba estas peças da memória coletiva de um povo comete um crime. Quem recebe as peças para derreter ou o resultado depois de derretido é criminoso.
Quem assiste e nada faz também está a ajudar o crime e quem sabe informações que ajudem a encontrar os ladrões deve divulgá-las.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

[1479.] Dias vencidos



Hoje chegou-me a mao esta perola: Um cartaz da Comissao Fabriqueira da Mealhada, de maio de 1978, a convidar a populaçao para a bençao e colocaçao da primeira pedra da nova Igreja da Mealhada.

Daqui extrai-o - para ja - duas ideias essenciais:

- A primeira pedra da Igreja da Mealhada foi colocada em 25 de maio de 1978. A Igreja Paroquial da Mealhada foi "sagrada" - o mesmo que dizer inaugurada, mas em linguagem liturgicamente mais apropridada - em 29 de março de 1992. Ou seja, tratou-se de uma obra que - entre a bençao e colocaçao da primeira pedra (que nao tera sido a primeira açao realizada, naturalmente) passaram quase catorze anos.

- O processo de construçao em concreto da Igreja da Mealhada acontece pouco mais de tres anos depois de a reitoria (a Mealhada nem sequer era uma paroquia) ter recebido um padre. Um padre novo, com pouco mais de trinta anos, que aceita abalançar-se num projeto desta envergadura.


Em boa hora, reconheça-se!

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

[1478.] Lunae dies


Santiago de Compostela
Praça do Obradoiro
Outubro de 2011
Mais uma chegada, a quarta, rodeado de gente de quem gosto.
Pelo Caminho do Norte, por terras de bruxos e meigas!
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*     *

Para ver, ouvindo o Hino do Antigo reino da Galiza,
também conhecido como Marcha dos Peregrinos

sábado, 12 de novembro de 2011

[1476.] Saturni dies

ACORDAI

Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!

Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...

Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.

ACORDAI!

José Gomes Ferreira

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=45#ixzz1dnlNqQjw
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

[1477.] Dia vencido

Hoje,
Ao assistir à palestra doos missionários no Centro Paroquial de Luso tive uma saudade imensa de São Tomé e Principe.
Chegou a angustiar-me, confesso!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

[1475.] Mercurii dies

Duas notas de atualidade

A Falência da Democracia

Vivemos os acontecimentos históricos sem ter a concreta noção de que estamos a presenciar algo de verdadeiramente transformador. Sugerimos que se olhe para o que se está a passar na Grécia como se de uma cronologia de guerra se tratasse.

Giorgos Papandreou, o primeiro-ministro grego, foi a Bruxelas negociar um pacote extraordinário de medidas para que a República pudesse receber o financiamento previsto até ao fim do ano. No sentido de serenar os ânimos – nomeadamente os radicalismos da oposição de direita, liderada por Antonis Samaras – Papandreou, chegado a Atenas, sugere a realização de um referendo aos helénicos.

A medida revelou-se, naturalmente, disparatada. Não faz sentido perguntar aos gregos se querem embarcar quando a canoa já vai no mar alto e sem terra à vista… E também não se conseguem acordos com os alemães sem lhes dar garantias, não só de pagamento como de empenho extremo. Papandreou ainda conseguiu uma moção de confiança no Parlamento, no domingo, mas na segunda-feira teve de se demitir.

Papandreou e Samaras decidiram, então, negociar a constituição de um governo de unidade nacional. Mas impuseram a realização de eleições a 19 de fevereiro e a nomeação de um primeiro-ministro independente. Os dois líderes políticos gregos decidiram, então, suspender a Democracia por três meses. Nomeiam um chefe de Governo a prazo, incumbido de tomar as medidas difíceis, de fazer o trabalho sujo, para depois, a 19 de fevereiro, os partidos voltarem ao leme de um barco que hoje, notoriamente, reconhecem não conseguir dominar.

O nome do próximo primeiro-ministro grego terá sido conhecido ontem, terça-feira, já depois do fecho da nossa edição. À hora que escrevíamos este texto eram já duas as negas – especialmente a de Lucas Papademos, antigo vice-presidente do Banco Central Europeu, que justificou a recusa declarando que em três meses não consegue fazer nada –.

Se na passada semana os analistas garantiam que Papandreou ou era muito esperto ou um tonto – provou-se a segunda hipótese –, a verdade é que Samaras parece ser um hipócrita e os gregos não têm alternativas… Não voltará a Ditadura Militar que governou a Grécia de 1967 a 1974, mas os pais da Democracia já viram que, perante a sua incapacidade, não há alternativa a suspender a Democracia. Os Gregos adoptaram uma velha medida da República Romana: Nomeiam um Tirano por tempo determinado.

175 anos de concelho da Mealhada:
Faltam razões para comemorar?

Na maior parte das vezes, as ideias até nem são más… O problema está em quem as sugere!

Na passada semana lembrámos os nossos leitores – e entre estes os que são nossos autarcas – de que no domingo o concelho da Mealhada fazia 175 anos desde a sua criação. Apesar do desafio lançado para, nem que fosse através das nossas páginas, se recolherem testemunhos da efeméride, a verdade é que caiu tudo em saco roto…

Se calhar faltarão razões para comemorar 175 anos de concelho da Mealhada…

A Assembleia Municipal da Mealhada procura, entusiasticamente, comemorar os 33 anos do 25 de Abril… E os 34 anos, e 35 anos…, anualmente, mesmo que se repitam as queixas de que “são sempre os mesmos na mesma sala vazia!”, mas entende não ser necessário assinalar os 175 anos da criação do Município da Mealhada. Lamentamos, mas não estranhamos.

Será que os líderes políticos de hoje estão a guardar-se para comemorar o bicentenário? Interessa lembrar que faltam 25 anos… E pode ser tarde de mais…

O concelho do Carregal do Sal foi criado no mesmo Decreto que o da Mealhada. Fez no domingo, portanto, 175 anos (que engraçado...). No Carregal houve festa com sessão solene comemorativa e com a presença do Presidente da República (que curioso...).

É bem verdade que procuramos ser sempre os mais poupados e dispensamos as festas… e o Chefe de Estado até nos merece voto de repúdio pelas suas prioridades nas funéreas participações… Mas insistimos na pergunta:

Faltarão razões para comemorar 175 anos de concelho da Mealhada?

Editorial do Jornal da Mealhada de 9 de novembro de 2011
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domingo, 6 de novembro de 2011

[1473.] Hoje

HOJE...
 
É dia de SÃO NUNO DE SANTA MARIA. Que é um dos maiores portugueses de sempre: o Condestável de Dom João I, Nuno Alvares Pereira - avô dos Braganças que reinaram em Portugal de 1640 a 1910.
 
Nuno Alvares Pereira foi um líder político de exceção. Para além do estratega e do grande obreiro da vitória de Aljubarrota apoiou João, rei "de Boa Memória", na consolidação de uma Nação em afirmação, com a assinatura de alianças estratégicas fundamentais - como a primeira de todas, a mais antiga, a luso-britânica - e a demarcação política face aos castelhanos e leoneses, nossos vizinhos e arqui-inimigos.
 
Nuno é nome português, não há tradução deste nome para outras línguas. Discute-se se a palavra deriva da palavra grega nuonu (dado ao escravo responsável pela pedagogia das crianças filhas dos cidadãos), se do hebraico nun, que significa "peixe", se do latim nunnus (avô) ou nonnus (aio). Mas isso pouco interessa.
 
Tentámos, este ano, realizar um jantar de Nunos, para celebrar o nome e homenagear o Santo Condestável. Não foi possível. Provavelmente não encetámos os esforços necessários em tempo útil. Para o ano, já o prometemos, começaremos mais cedo e procuraremos fazer da data um acontecimento a repetir-se daí para a frente.
 
Mas no dia de hoje - para quem, como eu, acredita na convivência dos santos com o divino superior - interessa apelar a São Nuno de Santa Maria, pedindo-lhe a intercessão em dois sentidos:
- O primeiro no sentido de inspirar as nossas classes dirigentes na prossecução do bem-comum dos portugueses;
- O segundo no sentido de nos inspirar a todos na resistência e na coragem para aguentar o hoje e ter forças para acordar amanhã. 
 
 
 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

[1472.] Mercurii dies

Mealhada é concelho há 175 anos

No próximo domingo, 6 de novembro, o Município da Mealhada assinala o 175.º aniversário da sua criação. A Rainha de Portugal, D.Maria II, assinava, a 6 de novembro de 1836, o Decreto que reduzia de 871 para 351 os concelhos do país. Extinguindo a 541 municípios e criando 21. O concelho da Mealhada faz parte desses concelhos criados, enquanto que o concelho de Casal Comba, por exemplo, fazia parte dos extintos. O concelho da Vacariça – de que fazia parte a Mealhada – só viria a ser extinto em julho de 1837.
Há 175 anos Portugal vivia uma situação política muito complexa. A Guerra Civil – entre Liberais e Absolutistas – havia acabado há dois anos e, mesmo entre os vencedores, os Liberais de D.Pedro IV e D.Maria II, não se verificava entendimento sobre que Constituição devia o país obedecer, se à Carta de 1826 – como entendiam os “Cartistas” –, se à Constituição de 1822 – como preferiam os “Setembristas”. Mesmo assim foi possível a Governos diferentes e sucessivos – liderados pelo Duque de Saldanha, cartista, por José Jorge Loureiro, pelo Duque da Terceira, cartista, pelo Conde de Lumiares, setembrista, pelo Conde do Vimioso, cartista, e pelo Marquês de Sá da Bandeira, setembrista – levar a cabo uma reforma administrativa profunda e intensíssima que, 175 anos depois, de um modo geral, ainda perdura.
O pai da criança, por assim dizer, será Rodrigo Fonseca Magalhães, cartista, que, como Ministro dos Negócios do Reino, no governo do Duque de Saldanha, consegue aprovar a Reforma Administrativa de 18 de julho de 1835 – que converteu o mapa das paróquias religiosas em estruturas civis e políticas também conhecidas como freguesias. O mapa administrativo dos concelhos – com as referidas extinções maciças – decorre desta reforma, mas já é assinado por Mouzinho da Silveira, que sucede a Rodrigo Fonseca Magalhães na pasta dos Negócios do Reino, já no Governo do Marquês de Sá da Bandeira.
Como terão os nossos antepassados convivido com semelhantes transformações e num ambiente de crise económica, financeira e principalmente política, como na altura se vivia?
Foi criado o concelho da Mealhada em 1836, mas só em 1853 é que o concelho – tal como o conhecemos hoje – se constituiu verdadeiramente. Em 1836, o concelho da Mealhada constituía-se com as freguesias de Casal Comba, de Ventosa do Bairro, de Tamengos e de Aguim, e, ainda, com o lugar da Mealhada. Nessa mesma altura, continuava a existir o concelho da Vacariça, que congregava as freguesias da Vacariça – mas sem a Mealhada –, de Luso e de Vila Nova de Monsarros. A freguesia da Pampilhosa fazia parte do concelho de Coimbra e a freguesia de Barcouço fazia parte do concelho de Ançã. Em 1837, extingue-se o concelho da Vacariça e as freguesias da Vacariça e de Luso são incorporadas no concelho da Mealhada. A freguesia de Vila Nova de Monsarros vai para o concelho de Anadia. Só a 31 de Dezembro de 1853 é que Aguim e Tamengos passam para Anadia e Pampilhosa e Barcouço são incorporados no concelho da Mealhada. Em 1855, a 24 de outubro, Mealhada troca com Mira e passa do distrito de Coimbra para o de Aveiro.
Permanecendo no encalço da História, interessa reter que só em 24 de junho de 1944 é que é criada a freguesia da Mealhada – que se descola da freguesia da Vacariça –, e em 23 de abril de 1964 é criada a freguesia da Antes, que se desagrega da freguesia de Ventosa do Bairro.

Cento e setenta e cinco anos de vida é um acontecimento. Assim nos parece. Uma vida com alguma demora na consolidação administrativo-politica (que tem, apenas, 158 anos). Uma vida que sofreu influências significativas no sentido de serem acentuadas diferenças – entre monárquicos e republicanos, entre conservadores e progressistas, entre isto e aquilo…
Mas que é hoje o concelho da Mealhada? Será que interessa a alguém saber responder a esta questão? Para além de uma estrutura administrativa, é uma comunidade? Há elementos agregadores entre os que são naturais ou os que não o sendo residem neste torrão “de verde e ouro”? Há espaços de identificação coletiva? Há sinais de identificação comunitária? Por quantas gerações continuará a custar a tantos assumirem o gentílico ‘mealhadense’, mesmo sendo naturais de Luso ou da Pampilhosa? Quantas mais eleições serão precisas para na Assembleia Municipal da Mealhada alguém deixar de pensar e de falar no seu Luso, na sua Pampilhosa, na sua Antes, para passar a defender, intransigentemente, como lhe compete, os interesses coletivos, comuns e gerais do nosso concelho, globalmente?
Por outro lado, quais são as nossas principais riquezas, os nossos motivos de orgulho, as nossas potencialidades? Será que as conhecemos? Será que as valorizamos? Será que estamos dispostos a pensar nelas para além do nosso quintalinho?
Não temos conhecimento da preparação de nenhuma comemoração especial dos 175 anos do concelho da Mealhada. Lamentamos, mas não estranhamos. No Jornal da Mealhada procuraremos abordar neste mês de novembro esta temática, estes propósitos, esta comemoração. Como sempre, estamos recetivos aos contributos dos nossos leitores: Com um desejo de “Parabéns!” ou com a sua própria visão do que somos e do que deveremos ser no futuro.

Nota sobre a questão da freguesia da Antes

Comemorar 175 anos de concelho é refletir sobre o nosso mapa politico-administrativo. Passado, presente e futuro devem andar de braços dados, especialmente naqueles momentos em que interessa saber quem somos para podermos fazer valer os nossos pontos de vista. Sentimo-nos, naturalmente, obrigados a falar na questão da continuidade da freguesia da Antes e a declararmo-nos – pessoal e institucionalmente – ao lado dos que pretendem lutar, de modo inteligente e racional, para a criação de um argumentário sério para a demonstração do interesse da viabilidade da autarquia.
No nosso entender – e assim fica dado o nosso primeiro contributo – o busílis da questão passa pela procura de argumentos no sentido de conseguir demonstrar que a freguesia da Antes é uma freguesia rural e não uma freguesia urbana, ou moderadamente urbana. Se a classificação da freguesia for, novamente, a de Rural, a Antes preenche os requisitos para continuar.
Assim – para além da recolha dos ecos da voz e dos sentimentos do Povo – devemos concentrar-nos na análise dos principais indicadores que possam ajudar a provar a ideia de que a freguesia da Antes é Rural. Sentimos, portanto, dever sugerir o estudo e análise critica dos dados relativamente aos tipos de atividade profissional instalados na freguesia, aos índices e tipo de ocupação dos solos, entre outros.

Editorial do Jornal da Mealhada de 2 de novembro de 2011
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

[1471.] Parabéns a você... um quinquénio



O fio dos dias faz hoje cinco anos.


Uma data interessante que interessa lembrar!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

[1469.] Mercurii dies

Quem recebe a conta?

Poucas horas depois de ter sido entregue no Parlamento nacional o Orçamento do Estado de 2012 para debate e aprovação, todos confirmaram o que já se sabia há muito tempo: Quem vai pagar a conta de uma situação financeira altamente deficitária são os portugueses! Mas também quem poderia ser?


Ninguém acha que deveria pagar os desmandos da administração central. É normal pensar que devem ser sempre os outros a sofrer o sacrifício. Os pobres acham que quem deve pagar são os ricos, os ricos acham que quem deve pagar é quem usufruiu dos serviços e prestações sociais. Os Municípios acham que não devem pagar e os funcionários públicos consideram que andam há muito a ser sobrecarregados. Os empresários queixam-se que se forem sacrificados aumenta o desemprego e os desempregados, que contribuíram, consideram não ter culpa da sua situação.
A todos assistirá alguma razão. Mas a verdade é que alguém tem de pagar e é natural que o Estado consiga arrecadar mais receitas nos setores que controla e não onde não consegue chegar.
Importa, no entanto, talvez refletir um pouco sobre a questão mais importante de toda a problemática que é: Onde é que o Estado gasta o dinheiro? Se os portugueses pagam, então quem é que recebe a conta?
Sem procurar ser exaustivo interessará analisar alguns dados. Em 2012, o Estado prevê receber 72 mil milhões de euros. No entanto, prevê gastar 79,6 mil milhões de euros. Não é preciso ser doutorado em finanças para perceber que há, logo aqui, um problema. Gastamos quase 10 por cento mais do que recebemos.
E onde é que gastamos? A verdade é que 49,5 por cento do que prevemos receber vamos gastar em prestações sociais – reformas e subsídios, por exemplo. É muito dinheiro. Mas há mais: 26,9 por cento do que prevemos receber vamos gastar em salários dos funcionários do Estado, e a terceira maior fatia do que gastamos é em juros… 12,3 por cento. Dez por cento do que recebemos vamos gastar em consumos do Estado – onde está tudo o que a administração precisa de comprar e, também, algumas das mordomias que muitos insistem em considerar como o grande buraco do Estado português. Apenas 7,2 por cento é investimento público e despesas de capital…
Qual será, então, a resposta à pergunta: Perante este panorama, onde vamos cortar? Podemos cortar nas prestações sociais? Não. Podemos cortar nos salários? Não. Podemos cortar nos juros? Dificilmente. Podemos cortar nos consumos? É complicado. Podemos cortar no investimento? Pára a economia. No Orçamento do Estado para 2012, o Estado prevê reduzir 4,3 por cento nas prestações sociais. Podia ser mais? Vai cortar 14,8 por cento nos salários. Podia ser mais? Vai cortar 20,9 por cento nos juros. Podia ser mais? Vai cortar 1,8 nos consumos. Podia ser mais? Vai cortar 0,9 por cento nos investimentos. Podia ser mais?
Para terminar, até porque não queremos dar a ideia de que achamos este Orçamento positivo – porque não é essa a nossa opinião –, importa concluir o raciocínio com uma última pergunta: Onde é que, na carteira dos contribuintes, vamos, mesmo, buscar o dinheiro para o Estado gastar?
A resposta não é difícil de encontrar. A maior fatia de receita do Estado é a fiscal, mas não chega a ser metade do que o Estado arrecada, são 45,2 por cento. E da receita fiscal, a maior fatia é, naturalmente, o IVA, com 20 por cento da receita total. Daí que seja muito mais fácil procurar arrecadar no consumo, aumentando o IVA. Segue-se a receita em sede de IRS, de IRC e do Petróleo.

Editorial do Jornal da Mealhada de 19 de outubro de 2011
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

[1468.] Marti dies




Himno al Apóstol Santiago

Santo Adalid, Patrón de las Españas,
Amigo del Señor;
defiende a tus discípulos queridos,
protege a tu nación.

Las armas victoriosas del cristiano
venimos a templar
en el sagrado y encendido fuego
de tu devoto altar.

Firme y segura
como aquella Columna
que te entregó la Madre de Jesús
será en España
la santa Fe cristiana,
bien celestial que nos legaste Tú.

Bis.

¡Gloria a Santiago,
Patrón insigne!
Gratos, tus hijos,
hoy te bendicen.

A tus plantas postrados te ofrecemos
la prenda más cordial de nuestro amor.
¡Defiende a tus discípulos queridos!
¡Protege a tu nación!

Este é o Hino Oficial ao Apóstolo Santiago, uma composição que é tocada e cantada na Catedral de Santiago de Compostela, habitualmente enquanto o "botafumeiro" (desinfeta)e abençoa os peregrinos. É um tema lindo, que ouvido naquela casa, depois de uma peregrinação, é uma experiência sobrenatural. O tema tem letra de Don Juan Barcia Caballero e de Don Manuel Soler Palmer.
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