sábado, 25 de agosto de 2012
[1519.] Uma reflexão, um desafio, uma sugestão
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
[1518.] A tradição na Arte de Bem Servir...
HILÁRIO RODRIGUES CASTELA nasceu em Sernadelo, em
12 de fevereiro de 1905, filho, o segundo de cinco, de um carpinteiro do Palace
Hotel do Bussaco.
Muito jovem, seguiu para Coimbra, para fazer estudo na Escola Comercial da cidade. Empregou-se como caixeiro e ali viveu até à decada de 1940, altura em que regressou a Sernadelo para ajudar o cunhado - Álvaro Pedro - a abrir um novo estabelecimento - o que viria a transformar-se no "Pedro dos Leitões".
Em 1 de janeiro de 1973, Hilário Rodrigues Castela, com a esposa e a filha, estabelece-se por conta própria. Abre o "Restaurante HILÁRIO", e na retaguarda um conjunto de quatro quartos que aluga como residencial. Durante aproximadamente dez anos fará a exploração dos dois estabelecimentos.
A experiência como comercial em Coimbra e o trabalho no restaurante do cunhado tornaram Hilário Rodrigues Castela num especialista na Arte de Bem Receber e Servir. Simpatia, delicadeza e atenção marcam um estilo que fez escola na região e deixou como seguidores todos os que com ele trabalharam ao longo de décadas de serviço à Mealhada, à Bairrada e à sua gastronomia.
Muito jovem, seguiu para Coimbra, para fazer estudo na Escola Comercial da cidade. Empregou-se como caixeiro e ali viveu até à decada de 1940, altura em que regressou a Sernadelo para ajudar o cunhado - Álvaro Pedro - a abrir um novo estabelecimento - o que viria a transformar-se no "Pedro dos Leitões".
Em 1956 casa-se com MARIA DA SILVA GUARDA, ganha a lotaria por duas vezes, é pai, e investe o que ganhou numa vivenda na terra natal.
A primeira equipa do Restaurante Hilário, em 1973.
Em 1 de janeiro de 1973, Hilário Rodrigues Castela, com a esposa e a filha, estabelece-se por conta própria. Abre o "Restaurante HILÁRIO", e na retaguarda um conjunto de quatro quartos que aluga como residencial. Durante aproximadamente dez anos fará a exploração dos dois estabelecimentos.
No inicio da década de 1980 cede a exploração do restaurante, e é Mariazinha, a esposa, que fica a gerir a residencial, que expande de maneira muito significativa, primeiro juntando mais seis aos quartos que tinham, e mais tarde, em 1987, mais quinze.
A Residencial Hilário tornou-se, então, num espaço de paragem obrigatória de viajantes e especialmente de peregrinos a caminho de Fátima, que ali encontravam todo o conforto - em ambiente acolhedor e familiar - a um preço extraordinariamente económico.
A Residencial Hilário tornou-se, então, num espaço de paragem obrigatória de viajantes e especialmente de peregrinos a caminho de Fátima, que ali encontravam todo o conforto - em ambiente acolhedor e familiar - a um preço extraordinariamente económico.
No inicio do ano de 2005, Mariazinha, já com 80 anos, começa a transferir a gestão do espaço e do património que foi construindo aos netos, e em finais de 2008 começa uma nova fase do complexo Restaurante e Residencial Hilário. Filha, genro e netos encetam um processo de ampla reconversão do espaço, com a renovação completa da residencial, com a conversão de alguns espaços em apartamentos T0 e T1 e com a construção de um Albergue de Peregrinos - de inspiração jacobeia com lotação para mais dezasseis pessoas. Numa terceira fase, procedem, ainda, a uma requalificação profunda do espaço do restaurante - incluindo a sala de jantar, a cozinha, espaços de apoio e um lounge.
Em 9
de julho de 2012, filha, genro e netos de Hilário Rodrigues Castela e Mariazinha reabrem o "HILÁRIO", procurando recuperar
a tradição e o estilo da Arte de Bem Servir.
A experiência como comercial em Coimbra e o trabalho no restaurante do cunhado tornaram Hilário Rodrigues Castela num especialista na Arte de Bem Receber e Servir. Simpatia, delicadeza e atenção marcam um estilo que fez escola na região e deixou como seguidores todos os que com ele trabalharam ao longo de décadas de serviço à Mealhada, à Bairrada e à sua gastronomia.
Hilário Rodrigues Castela faleceu em 1991, três dias antes de completar 86 anos. Maria da Silva Guarda Castela faleceu em 21 de junho de 2009.
Hoje, com o genro a filha e os netos, a tradição continua viva.
Hoje, com o genro a filha e os netos, a tradição continua viva.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
[1517.] A caminho... em marti dies
Diz-se que o Caminho se faz caminhando... mas é em casa que começa. Sempre em casa.
No sábado acertámos a primeira decisão de mais um Caminho. Acertámos datas e é tempo de escolher o Caminho, ou escolher o percurso, bem entendido.
É como se já estivessemos a caminhar... em mais um roteiro de encontro com nós próprios. Anseia-se, antes do nervoso miudinho... prepara-se, para que só o inevitável falte...
Porque hoje é Marti Dies, terça-feira, fica uma das músicas - Santiago de Compostela - do filme "The Way", de Emilio Estevez, com Martin Sheen. Um tema com letra de Tyler Bates.
[1516.] "O que dizem os outros que Eu Sou?"
[1515.] O que é ser bom escuteiro?
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
[1514.] Solis dies... à sexta... sobre a lua?
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
[1513.] 44 por cento do nossos descontentamento!
Governo da República - dando cumprimento a uma estratégia de
"limpeza" dos sorvedouros do Estado - divulgou, no dia 2 de agosto, o
relatório de avaliação das fundações "nacionais ou estrangeiras, que prossigam os seus fins em território nacional, com vista a avaliar o respetivo custo/benefício e viabilidade financeira e decidir sobre a sua manutenção ou extinção, sobre a continuação, redução ou cessação dos apoios financeiros concedidos, bem como sobre a manutenção ou cancelamento do estatuto de utilidade pública". Era uma avaliação aguardada e, assim nos parece, importante.
Os resultados relativos à Fundação Mata do Bussaco é que não foram nada animadores. A Fundação criada em 2009 para gerir a Mata Nacional do Bussaco foi classificada com a nota de 44 pontos, numa escala de 1 a 100.
A nota - os 44 por cento - é baixa. É, naturalmente, negativa. E seria desonesto dizer ou tentar demonstrar o contrário.
Naturalmente que há atenuantes, que, de certa maneira, relativizam este valor. A Fundação Mata do Bussaco (FMB) começou a trabalhar em 2010 e a avaliação do Governo ponderou o trabalho realizado em 2008, 2009 e 2010. Ou seja, o trabalho de arranque de um ano da instituição foi avaliado como o de três anos de pleno funcionamento.
Como já se disse, a nota é baixa. Mas também não fará sentido colocar agora em causa o trabalho feito pela FMB nos últimos três anos e resumi-lo a este valor. Esta solução - a da fundação - pode ter problemas, que os tem, pode ter deficiências, que as tem, pode estar a ser monopolizada por um setor, a sua ação e alegados feitos quotidianos pode estar a ser sobrevalorizada, mas que não restem dúvidas de que é a melhor solução até agora apresentada e posta em prática para a gestão de um património que estava a degradar-se, que estava abandonado pelo Estado, que estava refém da burocracia e do nepotismo incompetente da administração central sem rosto. Uma entidade gestora com uma avaliação de 44 por cento é negativa, mas é muitissimo melhor do que a gestão que existia antes.
A avaliação do Governo, considera que, até 2010, ao nível da "Eficácia" (especialmente no "custo eficácia das principais actividades e produtos e/ou serviços prestados" a avaliação é muito má. E que quanto a "Sustentabilidade", o resultado não é nada famoso. Mas quanto a "Pertinência/Relevância", ou seja, quanto à necessidade desta estrutura, o resultado é óptimo, situando-se na casa dos 70 por cento.
O "estado de graça" da FMB pode ter acabado, e é tempo de terminar com os elogios rasgados e acríticos, que misturam a exaltação da necessidade da instituição com o mérito pessoal dos gestores e técnicos - até porque não há só bestiais e bestas. Mas é exagerado colocar, agora, tudo em causa. Sem dramatismos, mas com muita humildade por parte de quem está à frente da FMB, com honestidade intelectual, com sentido de responsabilidade e de Serviço fará sentido avaliar o que está a correr menos bem, congregar sociedade civil e a comunidade na definição de rumos, despolitizar e despartidarizar e, acima de tudo, congregar esforços para evitar que algum iluminado se lembre de extinguir a Fundação Mata do Bussaco, especialmente em nome de uma avaliação que embora necessária, menoriza um aspecto essencial que é o de que pode ter problemas, mas é a melhor forma encontrada e aplicada de gerir aquele Património.
Saibamos todos ser críticos, mas honestos, austeros, mas eficazes, retos, mas muito práticos!
Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de agosto de 2012
[1512.] Como se mede o Escutismo?
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
[1511.] ACANAC de 2012 e o Escuteirar em "obrigadês"!
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
[1510.] Mercurii dies em dia de homenagear os Avós
A Idade dos Avós
Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de agosto de 2012
Há quarenta anos, era expectável que um português, em média, vivesse até aos
60 anos. Hoje, essa Esperança está nos 79 anos, sendo de 82 para as portuguesas.
Para além destes números serem indicadores de progresso científico, de melhoria das condições de vida das pessoas, no fundo, de desenvolvimento, são, também, motivos para uma ampla reflexão, dado o impacto que têm sobre a sociedade e sobre o chamado Estado Social. Não valerá a pena estar a ilustrar a consequência destes dados no Sistema Nacional de Saúde, na Segurança Social, ou nas respostas sociais de terceira idade, cuidados continuados ou paliativos.
Os portugueses que entraram agora na vida ativa, que estarão na casa dos 20/30 anos, trabalharão até aos 60 ou 70 anos e viverão até aos 90 ou 100 anos. Ou seja, por exemplo, estarão reformados quase tanto tempo quanto o que trabalharam.
Na verdade, temos, agora e daqui para a frente, uma verdadeira Terceira Idade. Depois da Idade do Crescimento, e da Idade do Trabalho, há a Terceira Idade, a da reforma, que nem por isso deve ser menos produtiva e frutífera. Antes pelo contrário.
Formas para os nossos seniores continuarem a dar o seu contributo à sociedade são mais do que muitas. O serviço em instituições de voluntariado, de associações e IPSS, nas escolas e na formação de jovens, em grupos de ação e divulgação cultural ou de formação desportiva, etc.. Há, também, as Universidades Seniores, como a que a CADES abrirá na Mealhada e em Luso, em setembro próximo, ou a ação política nas autarquias locais, por exemplo.
Mas de todas estas ocupações há uma, especialmente altruísta e notoriamente de Serviço que é a ocupação de ser avô e avó. Os jovens e as crianças de hoje têm uma oportunidade que muitos dos seus antepassados não tiveram, a de poder conviver e receber instrução e educação dos seus avós.
Hoje, os avós, através dos seus cuidados, do carinho, do apoio e do serviço é uma instituição que beneficia novos e idosos e se reveste de particular importância, num tempo em que pai e mãe trabalham fora e têm uma carreira, em que a escola dura tempo de mais e as crianças chegam a ficar esgotadas com tanta ocupação e tão pouco tempo livre.
Na passada quinta-feira, Dia de Sant’Ana e de São Joaquim - segundo a tradição, os pais de Maria, logo avós de Jesus -, assinalou-se mais um Dia Nacional dos Avós. Dia festivo, de reflexão e homenagem, no Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade Entre gerações.
Valerá a pena pensar de que forma estamos nós, enquanto comunidade, a aproveitar esta dádiva e este potencial, que são os nossos seniores. Potencial que pode ter aproveitamento cultural, social, económico, mas, acima de tudo, cívico e de desenvolvimento humano.
Era bom que o aumento da esperança média de vida significasse, também, um crescimento de Esperança, um crescimento de Vida de Qualidade e, principalmente, de Felicidade.
Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de agosto de 2012
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
[1509.] Mercurii dies em dia de citar Rosália de Castro
«Este parte/ aquele parte/E todos, todos se vão»?
Há poucos dias, a catadupa de uma conversa, daquelas que começam num "por acaso" e não se
sabe como terminam, aportámos na filosofia de Jaime Cortesão - quase um conterrâneo, aqui
de Ançã - e sobrevoámos as teorias de Agostinho da Silva, a propósito do determinismo de "ser português". Defendia Cortesão que há um "humanismo universalista" no "ser português", uma espécie de característica genética da portugalidade, que nos condiciona em quase tudo, que nos refrata a forma como vemos o mundo, e, especialmente, na relação que temos com os outros. Cortesão fala de um humanismo prático, pragmático, que está na essência do português e, acima de tudo, um papel especial dos portugueses na história da civilização: o descobrimento e a unificação do Mundo pelo conhecimento.
Vem isto a propósito do aparente paradoxo destas teorias com a prática da nossa atitude coletiva perante a emigração portuguesa - a Diáspora - que insistimos em desvalorizar, em menorizar, em ridicularizar, quase como se nos sentissemos traídos por eles terem saído do país e nós não. O emigrante de regresso a casa é sempre o francês... ou o americano...
O anúncio televisivo da criança que dizia aos jogadores da Seleção Nacional de Futebol que não queria sair do país, mas se eles não ganhassem "ia ter de ser", aliado à onde de protestos sobre as declarações do Governo sobre a emigração de jovens quadros, é, apenas, a espuma mais recente de uma ideia que nos está enraizada desde os "vapores para o Brasil".
Aos jovens de hoje - a todos os que têm hoje menos de 40 anos, talvez - impingimos, depois da adesão à CEE, em 1986, a ideia de que eram uma geração europeia, que tinhamos de conhecer o mundo. Para isso aproveitaram-se e divulgaram-se Interrails, Erasmus, intercâmbios escolares, viagens de estudo e afins. Quando os frutos se começam a ver e os portugueses são requisitados para trabalhar na tal Europa onde nos devíamos mostrar, aqui del-Rei que ficamos sem gente. Volta-se a cantar o poema de Rosália de Castro sobre os "campos de solidão". Disparate.
Os emigrantes portugueses são uma das mais-valias que temos. Em termos de projeção, em termos económicos, em termos culturais. Ativos que precisam de ser colocados ao serviço do coletivo.
Evocando Cortesão, parece-nos que ser emigrante é ser um português completo.
Editorial do Jornal da Mealhada de 18 de julho de 2012
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segunda-feira, 9 de julho de 2012
[1508.] Lunae dies em dia de regressar ao legado
O meu amigo NJ costumava dizer (terei conjugado bem o verbo?) que eu sou irritantemente optimista. E é verdade que o sou... mais com os outros do que comigo... mas é verdade que sou muito optimista. Quem me conhece bem sabe porquê... e sabe o que seria se assim não fosse... mas adiante!
Nem sempre fazemos o que nos apetece... e nem sempre o que nos sabe bem pode ser feito... depois de oito meses de espera e grande angústia... a vida começa a encarreirar. O jornal voltou às bancas e sinto que já posso levantar a cabeça, porque consegui cumprir a minha palavra. E novas oportunidades se abrem, agora, com a conjugação possível entre o que "quero fazer" com o que "devo fazer" e com o que "tem de ser feito".
Do mesmo modo que eu, no meu intimo, sabia que um dia trabalharia num jornal - porque a minha mãe tinha uma quota no JM, porque eu gostava do jornalismo e porque o queria fazer - também sabia que um dia trabalharia num restaurante - porque os meus avós eram proprietários de um restaurante, porque eu gostava do negócio e porque o queria fazer. Confesso que, tanto num caso como no outro, não imaginava que o fizesse tão cedo (aos 25 anos no primeiro caso e aos 33 no segundo). Mas a verdade é que eu sabia que isto ia acontecer.
Desafiei a minha família a lançar-se nesta aventura, aceitaram e na segunda-feira, 9 de julho, começou uma nova etapa da minha vida: A de dar seguimento à obra dos que me antecederam, no caso concreto do meu avô Hilário e da minha avó Maria, que em 1 de janeiro de 1973 abriram um restaurante com serviço de residencial.
ESPERO ESTAR À ALTURA DO LEGADO!
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
[1507.] Mercurii dies em dia de regressar a respirar
Voltar para cumprir
Regressámos. A edição impressa do Jornal da Mealhada
voltou às bancas, às mãos dos nossos assinantes e ao
convívio dos nossos leitores mais tradicionais. Demorámos mais do que esperávamos. Tardámos mais do que desejámos. Mas aqui estamos: Renovados, fortalecidos e cheios de energia para regressar ao nosso lugar, na promoção do Direito à Informação, através de um jornalismo sério, honesto, independente e livre. Voltámos para cumprir.
A empresa JM – Jornal da Mealhada Lda, a detentora do Jornal da Mealhada desde julho de 1987, foi liquidada. Os activos e o passivo da empresa foram adquiridos pelos principais credores, nós próprios, que, depois de várias tentativas e uma profunda maturação, decidimos doar os títulos de comunicação social – o Jornal da Mealhada, o FRONTAL e a revista VIA – à Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
A Santa Casa da Misericórdia da Mealhada é uma instituição centenária – o que é garante da sua perenidade e da perpetuidade dos seus valores intangíveis –, a mais antiga das não-públicas no concelho da Mealhada, com um forte enraizamento nas comunidades da região, com a alma cheia dos ideais que se esperam de um jornal regional que, como dissemos em dezembro, é, acima de tudo, das pessoas e das comunidades. Dito de outra forma, consideramos que a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada acaba por ser a instituição ideal para, na garantia da continuidade, como legado da comunidade, receber a propriedade do Jornal da Mealhada.
Mesmo assim, os dirigentes da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, na humildade de quem recebe um legado naturalmente oneroso, obviamente sensível, especialmente sujeito ao escrutínio público, e ciente de que para além de ser é preciso demonstrar credibilidade, aceitou o ónus da constituição de um Conselho Editorial, composto por três personalidades, e a quem caberá manter os valores intangíveis da publicação, tais como a independência, a objectividade, o rigor e a defesa intransigente das comunidades onde se insere, garantindo a total Liberdade, de expressão e de pensamento, e a Independência da publicação.
Nos próximos meses, que são tempos estivais e de férias, a edição impressa do Jornal da Mealhada será quinzenal. Depois disso, reavaliar-se-á a questão no sentido de, com sustentabilidade, regressarmos ao contacto semanal.
O contacto direto e imediato com os nossos leitores através da edição on-line, na internet, com atualizações diárias e em tempo real, manter-se-á. Ficou demonstrada a relevância da ferramenta, a utilidade deste novo instrumento de informação e de comunicação comunitária.
O tempo de paragem serviu, como no propusemos, para refletir, para garantir que é prestado, com qualidade, um serviço, que outros, antes de nós, assumiram e do qual nos sentimos herdeiros e, acima de tudo, legatários. Um serviço que se quer cada vez melhor, cada vez mais próximo das pessoas, um serviço que o seja verdadeiramente e cada vez mais cuidado.
Os seis meses em que estivemos sem edição impressa foram penosos, difíceis e duros. Mas foi muito importante e gratificante a confiança, que, quase todos, demonstraram na nossa palavra, na promessa de que voltaríamos. A eles – assinantes e anunciantes, especialmente – o nosso agradecimento.
Prometemos e cumprimos. Voltamos ao seu contacto, através da edição impressa. "Frescos e preparados para o futuro". Nos próximos meses contamos apresentar uma nova imagem, uma nova apresentação. Trabalharemos ainda no desenvolvimento de novos produtos, novas formas de divulgação da informação e, também, novas ferramentas de intervenção. Mais fortes do que nunca, com o rigor e seriedade de sempre, estimulados e conscientes de que, enquanto houver estrada para andar, é nossa obrigação, é nossa missão, continuar. Não por nós, mas por todos.
Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de julho de 2012
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
[1506.] Mercurii dies, entre a Justiça, a Sabedoria e o Amor
«Trouxeram ao rei uma espada. "Cortai pelo meio o menino vivo", disse ele, "e dai metade a uma e metade à outra". Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: "Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis". A outra, porém, dizia: "Ele não será nem teu, nem meu. Seja dividido!".
Então o rei pronunciou o seu julgamento: "Dai", disse ele, "o menino vivo a essa mulher. Não o mateis, pois é ela a sua mãe".»
I Reis, 3, 24-27
O episódio bíblico, conhecido como a Justiça de Salomão, serviu de mote à maior parte das decorações em tribunais - pelo menos em tribunais portugueses. É, normalmente, visto como uma alegoria à Justiça e à Sabedoria do julgador. Salomão conseguiu, através de uma artifício simples descobrir - ou apurar? - a Verdade e, assim, conseguir produzir uma decisão justa.
Mas esta é, também, uma alegoria ao Amor Verdadeiro. Ao Amor que prefere doar e persistir do que possuir e matar ou impedir que outros possuam o que não pode ter.
A mãe verdadeira, porque ama realmente, prefere que a falsa mãe, rancorosa, invejosa e má, tenha o que não é seu a ver o seu filho morto. Antes vivo e longe do que morto.
Se centramos a nossa atenção na mãe verdadeira e não tanto em Salomão, percebemos melhor a lição que um outro ponto de vista nos pode proporcionar. E até nisso sobressai a sabedoria divina dada ao rei de Israel. A de saber avaliar e perceber a Verdade no Amor demonstrado, que muitas vezes é, exactamente, um acto de renuncia ou despojamento completo.
Então o rei pronunciou o seu julgamento: "Dai", disse ele, "o menino vivo a essa mulher. Não o mateis, pois é ela a sua mãe".»
I Reis, 3, 24-27
O episódio bíblico, conhecido como a Justiça de Salomão, serviu de mote à maior parte das decorações em tribunais - pelo menos em tribunais portugueses. É, normalmente, visto como uma alegoria à Justiça e à Sabedoria do julgador. Salomão conseguiu, através de uma artifício simples descobrir - ou apurar? - a Verdade e, assim, conseguir produzir uma decisão justa.
Mas esta é, também, uma alegoria ao Amor Verdadeiro. Ao Amor que prefere doar e persistir do que possuir e matar ou impedir que outros possuam o que não pode ter.
A mãe verdadeira, porque ama realmente, prefere que a falsa mãe, rancorosa, invejosa e má, tenha o que não é seu a ver o seu filho morto. Antes vivo e longe do que morto.
Se centramos a nossa atenção na mãe verdadeira e não tanto em Salomão, percebemos melhor a lição que um outro ponto de vista nos pode proporcionar. E até nisso sobressai a sabedoria divina dada ao rei de Israel. A de saber avaliar e perceber a Verdade no Amor demonstrado, que muitas vezes é, exactamente, um acto de renuncia ou despojamento completo.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
[1505.] Veneris dies, com Ella
Há quem diga que é a maior cantora do século XX. Ela é Ella Fitzgerald. Morreu há 16 anos. Feitos hoje. Menos palavras, oiça-se a First Lady of Song.
Summertime
Summertime é uma aria da opera 'Porgy and Bess', de 1935, composta por Gershwin, com letra de Heyward. É uma dos mais populares de jazz com mais de 33 mil covers de grupos e performances a solo.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
[1504.] Iovis dies, com Immendorff, no Elogio da Esperança.
Tudo está bem, quando acaba bem.
É este o título (Ende gut, alles gut) deste quadro (óleo sobre tela) do pintor alemão Jörg Immendorff, que faria hoje 67 anos, se não tivesse morrido em 2007.
As águias que preenchem este quadro - vendido em fevereiro de 2007 por 250.000 libras - fazem-me lembrar o galinheiro em que se tornou o mundo, em véspera de eleições na Grécia, e da Cimeira Rio+20, em dias de colapso espanhol, em tempos de cólera futebolística...
Só Esperança é que parece não haver em lado nenhum. "Tudo está bem, quando acaba bem". Quem dera que acabe, que acabe depressa e que acabe em bem, para que se possa dizer que, então, "tudo está bem!"
Resta a Esperança.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
[1503.] Mercurii dies em luto por um assassinato político
Ontem (12 de junho de 2012) foi um dia muito triste
para a História da Democracia Portuguesa, do Poder Local e do país
enquanto Nação soberana e independente. O assassinato de Maria de
Lurdes Sobreiro - a presidente da Junta de Freguesia de Segura, no
concelho de Idanha-a-Nova foi um assassinato político, feito por
razões políticas e por isso merece a nossa homenagem. Na minha
opinião, como Homem, como Democrata e como Português, não consigo
perceber as razões pelas quais não foi determinado que hoje fosse
Dia de Luto Nacional. Pelas mesmas razões, é, para mim,
incompreensível, que o Chefe do Estado não tenha tornado público o
eventual envio de condolências à população de Segura e aos
familiares de Maria de Lurdes Sobreiro e do marido. Espero que o
Presidente da República envie alguém em sua representação às
exéquias fúnebres.
Segundo informações divulgadas pela comunicação social, assentes no testemunho da população e dos seus colegas eleitos na freguesia, foi assassinada por ter - no âmbito das suas funções de defesa da população e do território - denunciado o gesto criminoso de um empreiteiro sem escrúpulos que faria descargas ilegais de entulho em áreas ambientalmente protegidas. Um criminoso sem escrúpulos que assassinou esta mulher e o seu marido (fica por saber o que teria acontecido se mais pessoas estivessem no edificio da Junta de Freguesia de Segura) porque foi denunciado.
Esta situação não terá paralelismo em Portugal. A única situação de que me lembro de crimes desta natureza - para além do assassinato de membros do Governo, em 1980 e do caso das FP25 de Abril - é do caso do candidato a uma junta de freguesia que assassinou a sua oponente às eleições.
Este é o resultado de uma alma tresloucada, mas que demonstra a fragilidade das pessoas que se tornam figuras públicas e destacadas nas suas comunidades pelo facto de se disponibilizarem a Servir o Bem-Comum e as Comunidades. E por isso, Lurdes Sobreiro merece o nosso respeito, o nosso luto e a nossa homenagem.
Que Descanse em Paz.
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terça-feira, 12 de junho de 2012
[1502.] Marti dies
Há perguntas que têm de ser feitas, para que as respostas sejam encontradas.
Será impossível encontrar as respostas se não se fizerem as perguntas. Se não houver coragem e discernimento para as fazer.
Será impossível encontrar as respostas se não se fizerem as perguntas. Se não houver coragem e discernimento para as fazer.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
[1501.] A idade do Espírito Santo
Ontem foi Domingo de Pentecostes. Ou seja, o dia da ancestral festa portuguesa do DIVINO ESPÍRITO SANTO, introduzida a partir da Igreja de São Francisco, em Alenquer, pela Rainha Santa Isabel, e depois transportada para os Açores, para o Brasil e pelo Mundo Português, assumindo-se como uma festa profundamente portuguesa.
Mas esta temática é muito mais do que uma Festa... Religiosa.
Desde os tempos medievais que se fala em teorias da Idade do Pai, da Idade do Filho e da Idade do Espírito Santo.
Fica a sugestão de leitura de um dos maiores filosofos portugueses do nosso tempo, o professor Agostinho da Silva, e a sua teoria do Quinto Império Português e da chamada Idade do Espírito Santo, e da Festa do Espirito Santo como uma festa do Futuro e não do passado.
Mas esta temática é muito mais do que uma Festa... Religiosa.
Desde os tempos medievais que se fala em teorias da Idade do Pai, da Idade do Filho e da Idade do Espírito Santo.
Fica a sugestão de leitura de um dos maiores filosofos portugueses do nosso tempo, o professor Agostinho da Silva, e a sua teoria do Quinto Império Português e da chamada Idade do Espírito Santo, e da Festa do Espirito Santo como uma festa do Futuro e não do passado.
Leia-se aqui:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/Leiturasociopolitica.pdf
Mas se não houver paciência... Veja-se aqui:
quinta-feira, 24 de maio de 2012
[1500.] Iovis dies... Mudar é preciso
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Às vezes é preciso mudar... abrir, aligeirar, dar espaço para que as coisa boas possam acontecer livremente. Ou como dizia o Lampedusa no "Leopardo"... às vezes "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma!" O fio dos dias hoje mudou qualquer coisa... De imagem, pelo menos... e como não queremos problemas com Direitos de Autor aqui ficam os registos: A imagem do cabeçalho é um pormenor do quadro "Dois Sátiros", do pintor flamenco Peter Paul Rubens (1577-1640). Esta obra foi pintada em 1618/19 e está no Alte Pinakothek, em Munique, na Alemanha. Gosto do olhar do sátiro do primeiro plano... parece malandro e afável... ou não... | |
| Espero que gostem. | |
terça-feira, 15 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
[1498.] Marti dies... vendo aviões do sofá
ANDA COMIGO VER OS AVIÕES
"(...) Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti"
Azeitonas, 2009
Os feriados são românticos. No aconchego do lar. Os meus, pelo menos... os de 2012... apenas esses... Longe de confusões, das aritméticas de metades à borla, quando a metade já é demais e não fica menos por ser, apenas, metade do que não precisamos!
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quarta-feira, 21 de março de 2012
[1497.] Lunae dies
Pormenor da frontaria da Capela de N.ª Sr.ª das Candeias, em Mala
(freguesia de Casal Comba, concelho da Mealhada)
A Capela de Mala é das mais bonitas do concelho da Mealhada. É um edificio do século XVIII (que segundo a memória paroquial do pároco, em 1758, tinha como orago N.ª Sr.ª da Purificação).
No sábado, com os meus escuteiros, fizemos o percurso do Caminho de Santiago no concelho da ealhada (Adões-Mealhada) e pude deter-me a observar a frontaria da capela que é muito trabalhada e muito linda.
Detive-me a ver três anjos, que decoram a base do campanário, os três feínhos que Deus-me-Livre, nenhum com cara de criança e todos homens feitos (não estivessem eles ali especados há séculos). Dá-me a impressão que antes de ali estarem terão estado noutra capela - nos tempos em que se desmantelavam capelas em Coimbra e as peças eram espalhadas pela diocese... (Agora dá a sensação que é ao contrário...).
Fica aqui o pormenor de um desses anjos... o menos senior dos três...
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sexta-feira, 16 de março de 2012
[1496.] Caminho
Caminhos de Santiago: Em 2011, passaram pela Mealhada,
pelo menos, 647 peregrinos
Número de peregrinos a passar na Mealhada é onze vezes maior do que há 8 anos
Foi recentemente publicado - pela Oficina do Peregrino de Santiago, em Compostela - a estatística da peregrinação do ano de 2011 (de janeiro a dezembro). Da leitura do documento - disponível em http://www.peregrinossantiago.es/ - pode registar-se o aumento exponencial do número de peregrinos de todas as nacionalidades que faz o Caminho Português e os que, começando em Lisboa, passam, obrigatoriamente, pelo concelho da Mealhada.
A Oficina do Peregrino de Compostela não disponibiliza a informação de quantos peregrinos começam a sua peregrinação em qualquer ponto intermédio entre Lisboa e Porto. Assim, podendo ser uma estimativa por defeito, e sendo certo que todos os peregrinos de Santiago que partem de Lisboa e chegam a Compostela passam pela Mealhada, pode afirmar-se que no ano de 2011 passaram pelo concelho 647 peregrinos. Este número é inferior ao número de peregrinos que passaram em 2010 - foram 718 -, mas é importante salientar que o ano de 2010 foi Ano Santo Jacobeu, ou seja uma época em que o número total de peregrinos é, sempre, muito maior. Registe-se que em 2010 registaram-se 272 mil peregrinos a entrar na cidade galega de Santiago, enquanto que em 2011 o número total foi de cerca de 183 mil peregrinos.
Analisando os dados dos últimos oito anos - desde que há estatísticas publicadas - regista-se um aumento exponencial de peregrinos a passar pela Mealhada. Em 2004 foram apenas 57 os peregrinos a rumar no sentido sul-norte. No ano seguinte o aumento não foi significativo - apenas mais um. A viragem dá-se depois de em julho de 2006 o francês Alain Bezard ter feito a marcação do caminho português desde Lisboa com setas amarelas. Em 2006 passaram 72 peregrinos, mas em 2007 já passaram 219 - um aumento de 300 por cento. E a partir daí foi sempre a aumentar: Em 2008 o número de peregrinos a passar na Mealhada foi de, pelo menos, 357, de 449 no ano seguinte e, como já se disse, de 718 em 2010.
"Para este aumento terá contribuído a divulgação do Caminho Português junto das comunidades de aficionados do norte da Europa, mas, também, a melhoria das condições dadas ao peregrino para fazer o Caminho", declara o mealhadense Nuno Castela Canilho, peregrino, chefe dos escuteiros da Mealhada e membro da Archiconfradia Universal do Apotol Santiago. "Falamos, naturalmente, da marcação da rota fora das estradas nacionais e alcatroadas (trabalho e manutenção da sinalética que, no percurso Coimbra-Anadia, tem sido feito por voluntários e pelos escuteiros da Mealhada), do aumento de hospedarias e locais para os peregrinos dormirem - como a abertura de um Albergue de Peregrinos, privado, na Mealhada, ou do anuncio da construção de um albergue público em Coimbra - e, acima de tudo, da gentileza e abordagem das populações à passagem dos peregrinos", acrescenta Nuno Canilho, que exemplifica: "Se em 2006, quando passou Alain Bezard, o peregrino de Santiago era visto com estranheza e algum receio pelas pessoas, em 2011 a postura dos populares é completamente diferente".
"O Caminho Português de Santiago é uma oportunidade de negócio, para muitos dos cafés, mercearias, padarias, farmácias e outros comércios que estão espalhadas pelas aldeias que são cruzadas pelo caminho. Uma oportunidade que, nos dias de hoje, não faz sentido alguém se dar ao luxo de perder!", assevera Nuno Canilho, que estende a sentença, também, a residenciais e hoteis da Mealhada: "A rota está desenhada para ser conveniente ao peregrino a dormida na Mealhada, depois de na noite anterior ter dormido em Coimbra. Dormida que implica, para um peregrino jacobeu, o jantar de gastronomia local e substancial - no comer e no beber -".
A estatística completa do Caminho Português, em 2011
Analisando os dados estatísticos referentes ao ano de 2011, e comparando-os com o ano de 2009 (não sendo possível a comparação com o ano de 2010, por este último ter sido Ano Santo), os Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela, continuam a crescer, sendo - em 2011 - o itinerário que regista o maior crescimento, quase duplicando o número de peregrinos.
O Caminho de Santiago continua a atrair cada vez mais pessoas de todo o mundo. Sendo que este crescimento mantêm-se desde do Ano Santo de 1993. Em 2011 o número total de peregrinos que solicitaram a “Compostela” (diploma para quem efetuou a tradicional peregrinação jacobeia) foi de 183.366 peregrinos (+ 37.489 do que em 2009), de um total de 126 países (em 2009 foram 111 países).
Os Caminhos Portugueses quase duplicam o número de peregrinos, sendo o itinerário que regista o maior aumento. Em 2011 foram 22.062 os peregrinos que seguiram este itinerário.
Interessante é conhecer quem são estes peregrinos que escolhem os Caminhos Portugueses para realizar a sua tradicional peregrinação ao sepulcro do Apóstolo São Tiago Maior, em Compostela. Assim, dos 22.062 peregrinos registados neste itinerário, apenas 6.498 eram cidadãos portugueses. A maioria foi espanhola (com 8.196 peregrinos), sendo a Alemanha o único país a ultrapassar a barreira dos mil peregrinos neste itinerário (com 2.557 peregrinos). Este é um dado muito curioso já que em 2011 quase duplica (em comparação com 2009) o número de portugueses que peregrinam a Santiago de Compostela.
Em 2011 realizaram a tradicional peregrinação jacobeia um total de 8.649 portugueses (registando-se mais 3795 peregrinos do que em 2009). Note-se que Portugal é o único país (dos 5 que mais contribuem com peregrinos) a registar um crescimento em relação ao Ano Santo de 2010 (com mais 863 peregrinos). Note-se também que o número de peregrinos portugueses ultrapassa pela primeira vez (desde 1992) o número de peregrinos franceses.
Outro dado interessante é saber onde estes peregrinos iniciam a sua peregrinação. Assim, dos 22.062 peregrinos registados nos Caminhos Portugueses, 7.720 começaram a peregrinar em Tui [na fronteira com Portugal, a 3km de Valença do Minho e a 117 km de Compostela] (destes apenas 213 são de nacionalidade portuguesa). Já desde Valença do Minho foram 2.815 peregrinos (dos quais 1466 – mais de metade portanto – são portugueses).
Mas é a cidade do Porto o ponto de partida mais escolhido dos itinerários portugueses (colocando-se no 8º lugar dos pontos de partida mais escolhidos de entre todos os Caminhos/ Itinerários). Foram 6.539 os peregrinos que iniciaram a sua peregrinação na Invicta (dos quais “apenas” 1.924 são portugueses). A partir de Lisboa foram 647 peregrinos a dar o primeiro passo rumo a Compostela e Ponte de Lima, Braga e Chaves são as demais cidades preferidas para se iniciar a peregrinação a Compostela (sendo que os portugueses preferem o Porto, Valença do Minho e Ponte de Lima).
A tradicional peregrinação jacobeia continua claramente a se fazer a pé (153.065 peregrinos escolheram esta modalidade no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 18.155. No entanto os cidadãos portugueses estão divididos! Foram 4.618 que peregrinaram a pé, e 4.026 os que peregrinaram em bicicleta!), e por motivos religiosos ou religiosos e outros (172.116 peregrinos deram esta resposta no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 20.799. Esta também foi a resposta da maioria dos portugueses, com 8.259 peregrinos a peregrinarem por estes motivos).
Verifica-se um claro aumento do número de peregrinos nos Caminhos Portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela, bem como do número de peregrinos lusos, isto apesar da contínua indiferença do estado português para com este Grande Itinerário Cultural Europeu.
O Caminho de Santiago é o primeiro e o principal Itinerário Cultural Europeu e um modelo de relação transnacional pan-europeu, com grande biodiversidade e diversidade cultural refletida nas suas paisagens e no seu rico património cultural.
A desarticulação existente na atualidade entre as iniciativas de promoção local e a inexistência de uma estrutura de gestão global deste itinerário em Portugal, num momento em que o nosso país atravessa uma grave crise financeira, é uma oportunidade perdida para o desenvolvimento sustentável, para contrariar a debilidade do sistema demográfico e a escassa densidade populacional e o reequilíbrio do sistema rural-urbano.
Em Dezembro de 2010, o Comité de Ministros do Conselho Europeu, aprovou a Resolução CM/ Res (2010) 53, mediante a qual se estabelece um Acordo Parcial Ampliado (EPA) sobre os Itinerários Culturais, ao mesmo tempo que propõe uma nova regulação para os Itinerários Culturais Europeus, de entre os quais se destaca o Caminho de Santiago, como o Primeiro aprovado.
Durante o ano de 2011, o Conselho de Europa, conjuntamente com a Comissão Europeia, realizaram um estudo sobre a importância destes itinerários para o desenvolvimento, competitividade e inovação das PME’s, concluindo-se da necessidade de articular estratégias conjuntas de I+D entre as universidades e centros de investigação com as associações empresariais (sobretudo representando PME’s).
JM/AEJ
http://www.jornaldamealhada.com/noticias/show.aspx?idioma=pt&idcont=457&title=caminhos-de-santiago-em-2011-passaram-pela-mealhada-pelo-menos-647-peregrinos
Número de peregrinos a passar na Mealhada é onze vezes maior do que há 8 anos
Foi recentemente publicado - pela Oficina do Peregrino de Santiago, em Compostela - a estatística da peregrinação do ano de 2011 (de janeiro a dezembro). Da leitura do documento - disponível em http://www.peregrinossantiago.es/ - pode registar-se o aumento exponencial do número de peregrinos de todas as nacionalidades que faz o Caminho Português e os que, começando em Lisboa, passam, obrigatoriamente, pelo concelho da Mealhada.
A Oficina do Peregrino de Compostela não disponibiliza a informação de quantos peregrinos começam a sua peregrinação em qualquer ponto intermédio entre Lisboa e Porto. Assim, podendo ser uma estimativa por defeito, e sendo certo que todos os peregrinos de Santiago que partem de Lisboa e chegam a Compostela passam pela Mealhada, pode afirmar-se que no ano de 2011 passaram pelo concelho 647 peregrinos. Este número é inferior ao número de peregrinos que passaram em 2010 - foram 718 -, mas é importante salientar que o ano de 2010 foi Ano Santo Jacobeu, ou seja uma época em que o número total de peregrinos é, sempre, muito maior. Registe-se que em 2010 registaram-se 272 mil peregrinos a entrar na cidade galega de Santiago, enquanto que em 2011 o número total foi de cerca de 183 mil peregrinos.
Analisando os dados dos últimos oito anos - desde que há estatísticas publicadas - regista-se um aumento exponencial de peregrinos a passar pela Mealhada. Em 2004 foram apenas 57 os peregrinos a rumar no sentido sul-norte. No ano seguinte o aumento não foi significativo - apenas mais um. A viragem dá-se depois de em julho de 2006 o francês Alain Bezard ter feito a marcação do caminho português desde Lisboa com setas amarelas. Em 2006 passaram 72 peregrinos, mas em 2007 já passaram 219 - um aumento de 300 por cento. E a partir daí foi sempre a aumentar: Em 2008 o número de peregrinos a passar na Mealhada foi de, pelo menos, 357, de 449 no ano seguinte e, como já se disse, de 718 em 2010.
"Para este aumento terá contribuído a divulgação do Caminho Português junto das comunidades de aficionados do norte da Europa, mas, também, a melhoria das condições dadas ao peregrino para fazer o Caminho", declara o mealhadense Nuno Castela Canilho, peregrino, chefe dos escuteiros da Mealhada e membro da Archiconfradia Universal do Apotol Santiago. "Falamos, naturalmente, da marcação da rota fora das estradas nacionais e alcatroadas (trabalho e manutenção da sinalética que, no percurso Coimbra-Anadia, tem sido feito por voluntários e pelos escuteiros da Mealhada), do aumento de hospedarias e locais para os peregrinos dormirem - como a abertura de um Albergue de Peregrinos, privado, na Mealhada, ou do anuncio da construção de um albergue público em Coimbra - e, acima de tudo, da gentileza e abordagem das populações à passagem dos peregrinos", acrescenta Nuno Canilho, que exemplifica: "Se em 2006, quando passou Alain Bezard, o peregrino de Santiago era visto com estranheza e algum receio pelas pessoas, em 2011 a postura dos populares é completamente diferente".
"O Caminho Português de Santiago é uma oportunidade de negócio, para muitos dos cafés, mercearias, padarias, farmácias e outros comércios que estão espalhadas pelas aldeias que são cruzadas pelo caminho. Uma oportunidade que, nos dias de hoje, não faz sentido alguém se dar ao luxo de perder!", assevera Nuno Canilho, que estende a sentença, também, a residenciais e hoteis da Mealhada: "A rota está desenhada para ser conveniente ao peregrino a dormida na Mealhada, depois de na noite anterior ter dormido em Coimbra. Dormida que implica, para um peregrino jacobeu, o jantar de gastronomia local e substancial - no comer e no beber -".
A estatística completa do Caminho Português, em 2011
Analisando os dados estatísticos referentes ao ano de 2011, e comparando-os com o ano de 2009 (não sendo possível a comparação com o ano de 2010, por este último ter sido Ano Santo), os Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela, continuam a crescer, sendo - em 2011 - o itinerário que regista o maior crescimento, quase duplicando o número de peregrinos.
O Caminho de Santiago continua a atrair cada vez mais pessoas de todo o mundo. Sendo que este crescimento mantêm-se desde do Ano Santo de 1993. Em 2011 o número total de peregrinos que solicitaram a “Compostela” (diploma para quem efetuou a tradicional peregrinação jacobeia) foi de 183.366 peregrinos (+ 37.489 do que em 2009), de um total de 126 países (em 2009 foram 111 países).
Os Caminhos Portugueses quase duplicam o número de peregrinos, sendo o itinerário que regista o maior aumento. Em 2011 foram 22.062 os peregrinos que seguiram este itinerário.
Interessante é conhecer quem são estes peregrinos que escolhem os Caminhos Portugueses para realizar a sua tradicional peregrinação ao sepulcro do Apóstolo São Tiago Maior, em Compostela. Assim, dos 22.062 peregrinos registados neste itinerário, apenas 6.498 eram cidadãos portugueses. A maioria foi espanhola (com 8.196 peregrinos), sendo a Alemanha o único país a ultrapassar a barreira dos mil peregrinos neste itinerário (com 2.557 peregrinos). Este é um dado muito curioso já que em 2011 quase duplica (em comparação com 2009) o número de portugueses que peregrinam a Santiago de Compostela.
Em 2011 realizaram a tradicional peregrinação jacobeia um total de 8.649 portugueses (registando-se mais 3795 peregrinos do que em 2009). Note-se que Portugal é o único país (dos 5 que mais contribuem com peregrinos) a registar um crescimento em relação ao Ano Santo de 2010 (com mais 863 peregrinos). Note-se também que o número de peregrinos portugueses ultrapassa pela primeira vez (desde 1992) o número de peregrinos franceses.
Outro dado interessante é saber onde estes peregrinos iniciam a sua peregrinação. Assim, dos 22.062 peregrinos registados nos Caminhos Portugueses, 7.720 começaram a peregrinar em Tui [na fronteira com Portugal, a 3km de Valença do Minho e a 117 km de Compostela] (destes apenas 213 são de nacionalidade portuguesa). Já desde Valença do Minho foram 2.815 peregrinos (dos quais 1466 – mais de metade portanto – são portugueses).
Mas é a cidade do Porto o ponto de partida mais escolhido dos itinerários portugueses (colocando-se no 8º lugar dos pontos de partida mais escolhidos de entre todos os Caminhos/ Itinerários). Foram 6.539 os peregrinos que iniciaram a sua peregrinação na Invicta (dos quais “apenas” 1.924 são portugueses). A partir de Lisboa foram 647 peregrinos a dar o primeiro passo rumo a Compostela e Ponte de Lima, Braga e Chaves são as demais cidades preferidas para se iniciar a peregrinação a Compostela (sendo que os portugueses preferem o Porto, Valença do Minho e Ponte de Lima).
A tradicional peregrinação jacobeia continua claramente a se fazer a pé (153.065 peregrinos escolheram esta modalidade no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 18.155. No entanto os cidadãos portugueses estão divididos! Foram 4.618 que peregrinaram a pé, e 4.026 os que peregrinaram em bicicleta!), e por motivos religiosos ou religiosos e outros (172.116 peregrinos deram esta resposta no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 20.799. Esta também foi a resposta da maioria dos portugueses, com 8.259 peregrinos a peregrinarem por estes motivos).
Verifica-se um claro aumento do número de peregrinos nos Caminhos Portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela, bem como do número de peregrinos lusos, isto apesar da contínua indiferença do estado português para com este Grande Itinerário Cultural Europeu.
O Caminho de Santiago é o primeiro e o principal Itinerário Cultural Europeu e um modelo de relação transnacional pan-europeu, com grande biodiversidade e diversidade cultural refletida nas suas paisagens e no seu rico património cultural.
A desarticulação existente na atualidade entre as iniciativas de promoção local e a inexistência de uma estrutura de gestão global deste itinerário em Portugal, num momento em que o nosso país atravessa uma grave crise financeira, é uma oportunidade perdida para o desenvolvimento sustentável, para contrariar a debilidade do sistema demográfico e a escassa densidade populacional e o reequilíbrio do sistema rural-urbano.
Em Dezembro de 2010, o Comité de Ministros do Conselho Europeu, aprovou a Resolução CM/ Res (2010) 53, mediante a qual se estabelece um Acordo Parcial Ampliado (EPA) sobre os Itinerários Culturais, ao mesmo tempo que propõe uma nova regulação para os Itinerários Culturais Europeus, de entre os quais se destaca o Caminho de Santiago, como o Primeiro aprovado.
Durante o ano de 2011, o Conselho de Europa, conjuntamente com a Comissão Europeia, realizaram um estudo sobre a importância destes itinerários para o desenvolvimento, competitividade e inovação das PME’s, concluindo-se da necessidade de articular estratégias conjuntas de I+D entre as universidades e centros de investigação com as associações empresariais (sobretudo representando PME’s).
JM/AEJ
http://www.jornaldamealhada.com/noticias/show.aspx?idioma=pt&idcont=457&title=caminhos-de-santiago-em-2011-passaram-pela-mealhada-pelo-menos-647-peregrinos
terça-feira, 13 de março de 2012
[1495.] Desnorteio
A Vida tem ritmos que nem sempre conseguimos compreender. Seja o destino, seja o teste de Job em cada um de nós na nossa passagem (peregrina) pela terra dos vivos, a verdade é que nem sempre estamos onde queremos, ou estamos a fazer o que gostariamos, ou estamos como gostaríamos. Quando temos consciência disso, vivemos o que se pode chamar um desnorteio...
Sinto-me um bocado desnorteado... Tenho dito aos meus amigos que estou em suspenso... Ou estou mesmo suspenso... Se calhar estou demasiado ligado ao projecto que abracei a 05.01.2005 e estou solidário... até na suspensão.
Acredto que melhores dias virão. Acredito que estou (estamos?) a um passo de sair deste estado de letargia terrível e que voltaremos a ser o que éramos... Ou talvez melhores!
Tenho vivido segundo a máxima: Se o que tens para dizer não é bom... Não digas nada!
E por isso não há fio nem dias desde 26 de janeiro...
Espero voltar! - Eis a frase que m acompanha desde janeiro!
Tenho, de facto, essa Esperança.
Até lá!
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
[1494.] O Estado da União (EUA, em 24 de janeiro de 2012)
O Presidente Obama, dirigiu-se à nação, em mais um aniversário da sua tomada de posse, a 24 de janeiro de 2012, naquele que é conhecido como o dscurso do "Estado da União". É um discurso importante, que a Nação e o Mundo ouvem atentamente, até porque - por ser uma tradição e anual - é o balanço da actividade do governo durante o último ano. Em 2012, para Obama, este é, também, o discurso de balanço do mandato que prometeu ser capaz de mudar a América... mesmo em tempo de crise.
Repare-se no video interno da Casa Branca em que é explicado como é escrito o discurso presencial (o primeiro video), e veja-se o discurso a ser proferido... (o segundo video). Disse bem: veja-se! Porque o discurso é proferido com convição, com enfase, com paragens e suspenses, mas leva uma caixinha ao lado, a ilustrar o que o presidente vai dizendo, com fotos, gráficos e esquemas...
É esquisito? É Politica no século XXI!
Um case-study, reconheçamos!
Repare-se no video interno da Casa Branca em que é explicado como é escrito o discurso presencial (o primeiro video), e veja-se o discurso a ser proferido... (o segundo video). Disse bem: veja-se! Porque o discurso é proferido com convição, com enfase, com paragens e suspenses, mas leva uma caixinha ao lado, a ilustrar o que o presidente vai dizendo, com fotos, gráficos e esquemas...
É esquisito? É Politica no século XXI!
Um case-study, reconheçamos!
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
[1493.] Dia vencido 16.01.12
No domingo, 15 de janeiro, Dia de Santo Amaro, morreu Manuel Fraga Iribarne. Dom Manuel Fraga Iribarne. Ou simplesmente: Fraga. Presidente da Xunta da Galiza durante 15 anos (1990 a 2005), cargo que abandonou em junho de 2005 depois de ter ganho as eleições para a Xunta, aos 82 anos, perdendo a maioria absoluta por um deputado.
Manuel Fraga Iribarne é uma personagem que sempre me motivou uma grande curiosidade, na procura a algumas respostas.
A principal das questões que me suscita a vida política de Fraga tem a ver com o seguinte: O espirito democrata das pessoas está nas pessoas ou na sua circunstância? Ou seja, um responsável político é democrata ou está democrata numa determinada altura?
Fraga Iribarne foi ministro de Francisco Franco, o Generalíssimo ditador das Espanhas. Foi, de 1962 a 1969 ministro do Turismo e da Informação. Em boa verdade, foi Fraga Iribarne o pai do Turismo Espanhol, da afirmação da Espanha como destino turistico mundial de sol e praia, dos Paradores em luagres históricos. Isto na década de 60 do século passado. Em 1966, foi o pai de uma nova Lei de Imprensa - tema relevante numa ditadura, convenhamos.
Em 1973 tornou-se embaixador de Espanha no Reino Unido, numa espécie de prateleira dourada, depois de se ter incompatibilizado com alguns dos ministros do Governo Carrero Blanco.
Em 1975, com a morte do Caudilho, Fraga regressa a Espanha, para assumir funções no Governo de Transição e da Monarquia Restaurada, como segundo vice-presidente para os Assuntos Interiores e para a Governação, executivo chefiado por Arias Navarro. Ao longo dos dois anos da transição, o ministro o Interior soube segurar o país na transição suave e democrática, apesar de nesta altura de manifestações que acabavam com mortos - nomeadamente dois militantes das comissiones obreras - Fraga atreveu-se a dizer "La calle es mia!" A Rua é minha!.
Fraga foi um dos pais da Constituição Democrática - aprovada em 1978 - e fundou o partido da direita democrática, a Aliança Popular, que mais tarde se tornaria o Partido Popular.
Fraga não voltaria a ocupar lugares governamentais. Sucedeu-lhe na liderança do partido um seu protegido - José Maria Aznar, que viria a chefiar o Governo de Espanha de 1996 a 2004. Foi o mentor de outro galego - Mariano Rajoy - que é primeiro-ministro de Espanha desde 20 de novembro de 2011. Fraga foi o único espanhol a candidatar-se a todas as eleições democráticas em Espanha. Foi deputado, eurodeputado, senador.
Em 1990 este galeo de Villalba, mas que há muitas décadas se perdera por Madrid, regressa para ser presidente da Xunta da Galicia - Presidente do Governo Autonómico da Galiza. Durante os 15 anos do seu madato, a Galiza tornou-se um ponto de interesse turistico global - graças ao apoio que deu Fraga aos Caminhos de Santiago e ao turismo jacobeu. Cidades como Vigo e Corunha tornaram-se importantes polos industriais. A Galiza mostrou à Espanha que não é uma coutada de analfabetos e rurais!
Ontem morreu Dom Manuel Fraga Iribarne. Uma personalidade incontornável da história da Espanha na segunda metade do século XX e na transição democrática (com boas e más razões a justificá-lo!). Um homem igual a si próprio!
domingo, 8 de janeiro de 2012
[1492.] Dia vencido 07.01.12
Não sou maçon. Talvez por ainda ser novo. Talvez porque ainda não tenho estatuto ou percurso para isso. Talvez porque seja, aos olhos dos outros, demasiado católico…
A verdade é que não sou maçon. Provavelmente porque nunca fui convidado para integrar a obediência. Se o fosse, confesso que não diria imediatamente que não. Confesso que refletiria sobre o assunto. Não porque ache que da fraternidade maçónica possa tirar algum benefício próprio, mas porque, honestamente, não sou avesso à espiritualidade que promove a perfeição humana, não sou aziago à prossecução da construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais fraterna e mais solidária. Tenho esses princípios da minha formação espiritual religiosa e ideológica e política.
Mas como já disse, não sou maçon. Sou um curioso, procuro estudar o tema e perceber os seus valores e objetivos que, como já disse, não me merecem hostilidade.
Conheço alguns maçons e quase todos (na minha lista retiraria apenas um) são pessoas integras, com provas dadas na promoção do Bem-Comum, com uma ação honesta e altruísta na sua vida pessoal e na sua vida pública.
Talvez seja pelo facto de reconhecer nos que conheço – uns porque se me revelaram, direta ou indiretamente, outros porque o assumiram publicamente, ou ainda os que, notoriamente, o demonstram ser – essas caraterísticas humanas exemplares que não sou um anti-maçon. O padre Abílio Duarte Simões dizia, muitas vezes, que eu acabaria, na velhice, por ser monárquico e maçon… não sei se poderia coexistir em coerência…
E é talvez, ou também, por isso que me parece completamente obscurantista esta perseguição à maçonaria que durante esta semana se tem avolumado. Como em tudo na vida, há pessoas boas e pessoas más. Haverá, naturalmente, maçons maus, corruptos, mal-formados, ambiciosos e sem pinga de altruísmo. É natural, ou não?
O secretismo da obediência maçónica é criticada, mas pode ser justificável se analisarmos o que tem sido dito da maçonaria e do facto de algumas pessoas serem maçons, como se isso significasse fazerem parte de um grupo de terroristas ou malfeitores fora-da-lei. Aliás, há terroristas que não são tão criticados como os maçons...
Parece-me completamente ultrapassada, obscurantista e até anti-democrática esta perseguição que está a ser feita à maçonaria e a algumas lojas e obediências maçónicas. Uma perseguição que está a ser feita com base na ignorância, na especulação, e, acima de tudo, que é o que mais me revolta, patrocinada por maçons que estão a procurar fragilizar as posições de obediências maçónicas que lhe são adversas e até adversárias, numa luta intestina e autofágica que nos últimos anos tem pontificado sobre a Maçonaria Portuguesa.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
[1491.] Dia vencido 02.01.12
A apresentação do Livro da (minha querida amiga e colaboradora - acho que o posso dizer) Dr.ª Alice Correia Godinho foi na sexta-feira, 30 de dezembro, mas por estar ausente só neste dia. 2 de janeiro, é que tive acesso ao exemplar que a Mónica teve a gentileza de me comprar e a autora a gentileza de autografar.
Só hoje, portanto, é que pude folhear um texto que, para além de um interessante documento sobre a História da Educação (o professor Santos preferia dizer Primária e do que Básica) do primeiro nível, é, ainda, um excelente contributo para a compreensão da história da Pampilhosa nas primeiras décadas do século XX - que são de certa maneira as fundacionais - e do contributo que permanece, ainda, hoje, resultante do esforço de empresários, ferroviários, empresários, artistas, estetas, maçons e muitas outras pessoas qu fazem daquela terra o farol de cultura que, de facto é.
Interpelado pelo texto, que ainda não li integralmente, sinto-me obrigado pensar que fará sentido a pesquisa histórica e a edição de uma espécie de história da Educação no concelho da Mealhada, de modo a compilar os contributos dos Cerveira de Melo, que fundaram a Escola de Sernadelo, inaugurada em 1910, do Grandela, que construiu a Escola da Lameira de São Pedro, inaugurada em 1918, do Padre Antunes Breda e dos seus colaboradores, que criaram os Colégios da Mealhada, dos Dominicanos que criaram o Colégio do Luso e do casal que, depois, criou o Externato frei Luís de Sousa, de Joaquim da Cruz, que apoiou a Escola Democrática da Pampilhosa (de que trata o livro) e, mais recentemente, do trabalho de João Pega, na edificação (real e abstrata) da Escola Profissional da Mealhada.
Talvez um dia destes me dedique a este trabalho. Por que não?
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
[1490.] Lunae dies
[1489.] Dia vencido 01.01.12
O ano de 2012 começou melhor do que o ano de 2011... Reconheça-se que também não seria dificil... O ano 2011 começou com dois pés esquerdos... a verdade é essa.
Um espirito de nostalgia faz lembrar Dias-de-Ano-Novo passados e a verdade é que... tirando o travo de sabor a papel de música, que insiste em persistir no palato de ano para ano, as diferenças, sendo algumas, não são piores, e o primeiro dia de 2012 pode ser de alguma nostalgia, mas com muito conforto e muita amizade, carinho e amor. Amor verdadeiro e real.
Todos dizem que o ano de 2012 vai ser mau. A criança mal nasceu e já tem o (triste) destino traçado. Mas se é verdade que esse baixar da fasquia vai potenciar as coisas boas que vão, certamente, acontecer, por outro lado entramos num novo ano com medo e com muita angústia.
O discurso político é estranho. Convenhamos. Por um lado cabe ao político dizer a verdade, mas por outro lado a verdade final das coisas vai depender, de certa forma, do próprio discurso que for usado. O discurso do Chefe de Estado no dia de ano novo é um desses exemplos.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
[1488.] Mercurii dies
Parar para recuperar!
O mercado editorial está extraordinariamente dependente do investimento das empresas e dos empresários em publicidade e, nos tempos que correm, não é prioritário esse gasto por parte de quem sente tantos constrangimentos na sobrevivência de cada dia. Acrescem as atitudes conservadoras da parte de quem até poderia ajudar, mas prefere obstaculizar em nome de valores alegadamente simpáticos e igualitaristas, mas na verdade nefastos e epidémicos. Como aditam os esforços maníacos concorrenciais apostados na destruição de preços e mercados, no elogio do quanto pior, melhor e do “teu mal faz-me tão bem”.
Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de dezembro de 2011
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A edição impressa do Jornal da
Mealhada estará interrompida no próximo mês de janeiro. Continuaremos no
contacto direto com os nossos leitores através da edição on-line, na internet,
com atualizações diárias e em tempo real, mas a edição impressa regressará,
apenas, nos primeiros dias de fevereiro de 2012. Os nossos estimados assinantes
e anunciantes não serão prejudicados com a medida, que foi tomada pela gerência
com o apoio da direção e da redação, e todos os compromissos estão assegurados,
considerando poder ser recíproca a confiança e a honestidade de quem faz da
credibilidade e da verdade a sua missão diária, há 26 anos.
A medida resulta da necessidade de refletir e repensar o projeto, de
modo a garantir um futuro saudável e sustentável, num momento particularmente
difícil para todos, e especialmente no setor tão vulnerável às quebras de
investimento, de empresas e cidadãos, às prioridades utilitaristas da vida das
pessoas comuns e à saúde financeira das instituições – públicas e privadas.
O mercado editorial está extraordinariamente dependente do investimento das empresas e dos empresários em publicidade e, nos tempos que correm, não é prioritário esse gasto por parte de quem sente tantos constrangimentos na sobrevivência de cada dia. Acrescem as atitudes conservadoras da parte de quem até poderia ajudar, mas prefere obstaculizar em nome de valores alegadamente simpáticos e igualitaristas, mas na verdade nefastos e epidémicos. Como aditam os esforços maníacos concorrenciais apostados na destruição de preços e mercados, no elogio do quanto pior, melhor e do “teu mal faz-me tão bem”.
Por outro lado, uma publicação
como o Jornal da Mealhada – local, com milhares de assinantes em Portugal e no
estrangeiro – ressente-se, necessariamente, com a redução de apoios estatais –
como o chamado Porte Pago, o único instituto real e decente de promoção da
Língua Portuguesa junto da comunidade emigrante – e com a retração do consumo
das pessoas, com o enaltecer do discurso da poupança em bens culturais,
sociais, com o estímulo e o elogio ao utilitarismo serôdio – que faz a apologia
da economia parada e do dinheiro debaixo do colchão.
Sentimos necessidade de fazer uma
paragem – por um período não superior ao legal e normal usufruto de férias –
para pensar o projeto, avaliar o que tem resultado das prioridades
estabelecidas, refletir sobre o presente e o futuro dos nossos produtos (todos
eles) num mercado muito difícil, vulnerável – a fatores de toda a ordem – e que
está a passar por sérias dificuldades em todo o planeta.
Parar para refletir não é o mesmo
que parar definitivamente – antes pelo contrário. Paramos porque queremos
continuar a prestar um serviço, que outros, antes de nós, assumiram e do qual
nos sentimos herdeiros e, acima de tudo, legatários. Um serviço que se quer cada
vez melhor, cada vez mais próximo das pessoas, um serviço que o seja
verdadeiramente e cada vez mais cuidado.
Queremos indagar, procurar saber
de forma ainda mais rigorosa e determinada para onde vamos, o que poderemos dar
e, também – porque não reconhece-lo com toda a frontalidade – o que poderemos
esperar da comunidade que servimos.
Essa poderá ser, de facto, a
ideia que mais precisa de debate e de reflexão. De quem é e para quem é um serviço como o que é prestado, há 26 anos,
pelo Jornal da Mealhada?
O Jornal da Mealhada foi fundado
em 1985 por Fernando Queirós, um homem dos jornais, do norte do país, que, sem
fortes ligações à terra, promoveu a fundação do título que viria a ser editado,
pela primeira vez, a 10 de dezembro desse ano. Depois da experimentação de
vários modelos de organização, em julho de 1987, constituir-se-ia uma sociedade
por quotas – com quase duas dezenas de sócios – que, desde aí, sem nunca ter
tido qualquer propósito lucrativo – o título, que, desde cedo, e de modo muito
rápido, entrou no coração de uma comunidade que, nesse longínquo ano de 1987,
não tinha um jornal local seu há mais de uma década.
Mas, verdade seja dita, o Jornal
da Mealhada nunca foi, verdadeiramente, destas mais de duas dezenas de pessoas,
que também nunca se quiseram assumir como donos de um jornal, na verdadeira acepção
do termo. Nenhum deles – não que alguma vez o tivessem tentado – conseguiu
encarreirar ou condicionar o jornal a pretensões pessoais fosse de que natureza
fosse. A verdade que sempre se sobrepôs a isso é simples: O Jornal da Mealhada desde cedo se tornou uma património da comunidade,
um valor acima da personalidade, do estilo ou das preferências – estéticas ou
até mesmo ideológicas – de quem exercia, por exemplo, o cargo de diretor.
Dito de uma forma mais simples: O
Jornal é, desde há muito, dos mealhadenses – na acepção latíssima, e mesmo mais
do que concelhia, do termo.
Acontece que um jornal tem
custos, de produção (a gráfica que o imprime, por exemplo) e de expedição,
nomeadamente. E os preços de venda ao público e das assinaturas não cobrem
esses custos. Sendo propriedade dos
mealhadenses, interessa, então, refletir sobre o papel de quem se tem empenhado
– nomeadamente financeiramente – para que o jornal continue a ser editado.
Um esforço que não pode ser inglório, que é naturalmente cívico e voluntário,
mas que é – especialmente em ambiente de retração económica – real, concreto e
que acarreta consequências pessoais, familiares, económicas e, até, jurídicas.
Até porque, convenhamos, a independência de um órgão de comunicação
social é, em larga escala, de natureza económica, pela via da sustentabilidade.
Ou seja, todo o jornal que é sustentado em grande medida pelos seus
proprietários – sejam eles chamados de mecenas ou de investidores – acabará por ser, mais tarde ou mais cedo,
um meio para chegar a um fim, que colocará, irremediavelmente, em causa a
credibilidade e a verdade do que é feito e transmitido. Como é costume dizer-se
agora: “Não há” – infelizmente, pensamos nós – “almoços grátis!”.
Os nossos assinantes e
anunciantes responderam de uma forma espantosa ao apelo que recentemente lhes
foi feito no sentido de ajudar o projeto Jornal da Mealhada. De uma forma
generalizada souberam dizer sim, foram capazes de estimular, regularizando a
situação das assinaturas – que, sendo uma obrigação simples não terá sido fácil
para muitos – e participando na campanha de Natal de 2011, que se revelou acima
do que estaríamos à espera, dadas as condicionantes da época. Os nossos
milhares de assinantes e os nossos muitos anunciantes foram um forte apoio para
que, neste momento, informemos os nossos leitores de uma paragem (que não deixa
de ser forçada, entenda-se) por um período de um mês, e não de um final ou de
uma suspensão definitiva.
Não desistimos, nem vamos desistir, enquanto nos for demonstrado –
como tem sido nas últimas semanas e meses – que o Jornal da Mealhada é querido e estimado, aguardado e considerado,
valorizado e determinante para o progresso coletivo das gentes do concelho da
Mealhada – os naturais deste torrão de verde e ouro no sopé do Bussaco, ou
nele residentes.
Nos primeiros dias de fevereiro
de 2012, voltaremos ao seu contacto, através da edição impressa (porque
continuaremos até lá na edição on-line). Frescos e preparados para o futuro.
Com novos produtos, novas formas de divulgação da informação e, também, com
novas ferramentas de intervenção. Mais fortes do que nunca, estimulados e conscientes de que, enquanto houver estrada
para andar, é nossa obrigação, é nossa missão, continuar. Não por nós, mas por
todos.
Editorial do Jornal da Mealhada de 28 de dezembro de 2011
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sábado, 24 de dezembro de 2011
[1484.] Bom Natal
Costuma dizer-se que a beleza verdadeira está nas coisas simples. Este é um video que conta uma história gira, divertida e cheia de sentido - especialmente para quem Acredita, convenhamos.
Gosto de pensar sobre as coisas - mesmo sobre os mistérios e os dogmas - e consigo fazer uma perspectiva da tónica que fui dando ao Natal de cada ano, em mensagens de sms a desejar festas felizes, em mails, em cumprimentos pessoais. É bom que os nossos dias tenham um fio, que nos liga aos outros, que nos liga ao sentido das coisas, como se fosse, de facto, uma ligação à realidade que está no abstrato de darmos sentido às nossas heranças e memórias. Ao que é o ritmo da natureza, em ciclos intermináveis de vida e morte, esperança e angustia, alegria e tristeza.
Já houve anos em que o meu Natal era a Luz que iluminava a treva. Outro em que o Natal era a vitória do Dia sobre a Noite, ou do Sol da Esperança...
Este ano - inspirado pelo que me rodeia e me é dado nos circulos por onde passo - gosto de pensar no Natal como a bonita história de um SIM.
Bom Natal para todos e não se esqueçam, da importância que teve para toda a humanidade aquele SIM, que Maria soube dizer ao anjo, quando ele lhe veio dizer que seria a Mãe do Salvador. Um ventre de Esperança e de Alegria feito de Amor e Coragem.
Saibamos nós, também, neste Natal e em cada dia das nossas vidas, dizer SIM aos outros, nas suas necessidades, nas suas desesperanças, aceitando a missão de sermos, nós próprios, instrumentos de Paz, de Força e de Espírito Santo.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
[1487.] Prendas...
Obrigado, disse eu. E pensei: Bolas! Vale a pena!
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
[1486.] Mercurii dies
Saudades de um Natal futuro…
Os dias são feitos do que nos
rodeia. São as pessoas que nos circundam que marcam o passo dos nossos
corações. Não somos, não podemos ser, ilhas no oceano da turbulência que
cadencia a multidão a que não podemos ser alheios e na qual não nos podemos
perder nem dissolver. É difícil estar contente – para não dizer feliz – nos
dias de hoje. Vivemos o “Inverno do nosso descontentamento”, e somos uma
espécie de Ethan Hawley – na analogia do romance de Steinbeck – à procura de
uma esperança, humilde e simples, que nos traga a alegria e felicidade de
outrora.
Não há grandes razões para se
estar contente. Haverá, sempre – especialmente para nós que pensamos ser
otimistas – razões para ter esperança. Mas a Esperança é sempre amanhã e a dor
é sempre o presente.
Dizem os peregrinos de Santiago
de Compostela – ou se calhar apenas repetem, nas travessias e nas buscas de
sentido – que “sem dor não há Glória”. Será verdade? E será necessária tanta
dor? E para que glória? Vivemos uma invernia dormente e são muitas as vezes em
que nos sentimos Job no digladiar de testes entre Deus e o diabo. Viveremos nós
um teste? Estaremos a ser levados ao limite para o conhecermos? Fará sentido
este sacrifício?
A verdadeira Esperança não pode
ser a da ilusão de arranjar boas razões para conseguirmos sobreviver a cada
pontada. A verdadeira Esperança precisa de ser alimentada de gestos, de sinais,
de razões, de objetivos para que consigamos sobreviver. Mas cabe-nos a nós
reconhecer esses sinais, esses gestos, e ver neles as razões e os objetivos,
sem esperar que vivam por nós ou que nos digam o que fazer, ou como fazer. Não
é nos outros que está a Esperança. É em nós mesmos. Não é em sebastiões de
nevoeiro que vamos encontrar o futuro. É em nós mesmos. Não é nos governantes
que está a culpa como não é neles que está a saída. Nós somos os sebastiões que
hão-de de nos tirar do nevoeiro, que hão-de resgatar deste Inverno cortante.
Os dias são feitos do que nos
rodeia. E não são felizes os nossos dias se vemos um amigo a sofrer, ou alguém
que nos é próximo a chorar de desespero – mesmo que sem lágrimas, mesmo que sem
discursos ou lamúrias. É impossível estar alegre quando vemos tantos dos que
nos rodeiam sem emprego, sem formas de rendimento, sem ocupação – apenas
focados no que não têm ou não podem ter –, sem objetivos de vida ou de
esperança.
Sempre a Esperança…
Mas a impossibilidade de estar
feliz ou alegre não nos deve desobrigar da missão que temos de dar aos outros o
que eles precisam. E não estamos a falar de dinheiro ou apenas de alimento para
o corpo. Estamos a falar de aconchego, de atenção, de disponibilidade. Dizia
Francisco de Assis – o santo pobrezinho – que “é dando que se recebe”. Porque é
dando aos outros que nós vemos e sentimos a Esperança dentro de nós.
Estamos no Natal e os sinais que
recolhemos do que nos rodeia é que vai ser um Natal esquisito… e sentimos já as
saudades de natais diferentes… longínquos. E já sentimos saudades dos natais
futuros, dos que hão-de vir depois deste inverno.
Mas a verdade é que este pode ser
o Natal perfeito para vivermos a Esperança maior do Amor pelos outros. A
Verdade da entrega aos outros, na disponibilidade, no carinho, nos pequenos
gestos. Mesmo para os que acreditam neste tempo como a memória do nascimento do
Salvador, é fácil perceber que esse Salvador nasceu uma vez e se renasce todos
os anos – como o sol nasce todos os dias – é dentro de nós que isso acontece, é
nos nossos corações pelas nossas ações e gestos. Porque afinal a Esperança
somos nós que a temos e só a vemos quando a entregamos, quando a doamos a
alguém.
Porque nos sentimos rodeados por
uma canção simples – do grupo português Deolinda – somos obrigados a perguntar
“porque é que só nos lembramos dos outros quando chega o Natal?”, “porque razão
é que não damos prendas sem ter um pretexto?”, “o que é que nos move uma vez
por ano?”, “que gratidão é que esperamos dos outros apenas por um dia?”.
A verdade, e concluindo com os
Deolinda: É a Esperança que temos dentro de nós mas só vemos quando a doamos
que “espera o ano inteiro e que tanto anseia a nossa companhia”.
“Um Feliz Natal, não hoje, mas o
ano inteiro”. Já há-de faltar pouco para chegar a primavera.
A redação do Jornal da
Mealhada deseja a todos os seus leitores, assinantes, anunciantes, colaboradores
e amigos um feliz Natal, com abundância, conforto, paz, amor e alegria.
Solidariza-se, também, com aqueles que, por qualquer razão, não podem vivê-lo
desta maneira
Editorial do Jornal da Mealhada de 21 de dezembro de 2011
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
[1485.] Mercurii dies
Uma prenda de aniversário:
Novo sítio na internet do Jornal da Mealhada
Novo sítio na internet do Jornal da Mealhada
Apresentamos hoje, 14 de
dezembro, aos nossos leitores, a partir das primeiras horas da manhã, uma nova
aparência no sítio da Internet do Jornal da Mealhada – em www.jornaldamealhada.com,
como sempre. Uma nova aparência que passa pela disponibilização de novas
funcionalidades, de novos motivos de interesse, de novos veículos de
comunicação, na edição em que assinalamos o 26.º aniversário da primeira edição
impressa do Jornal da Mealhada, em 10 de dezembro de 1985.
A nova aparência do nosso sítio
da internet – ou do nosso site, se
preferirem – é, no entanto, o primeiro passo na demonstração de uma nova
abordagem jornalística que procuraremos adotar nos próximos tempos. Um caminho
que começou em 28 de junho de 2006, quando iniciámos o site do Jornal da
Mealhada, e que agora recebe um novo paradigma.
Já há muitos anos que os
especialistas em comunicação e media garantem que o Futuro do jornalismo passa
pelas plataformas digitais. A sentença do fim do papel está decretada há muito
tempo e a inevitabilidade – para quem trabalha e reflete a problemática do
dia-a-dia nesta área – é a de se adequar a uma realidade mista, em que o
digital – através da internet em sentido lato, e das redes sociais e dos sites
de comunicação em sentido estrito – tem de ser uma preocupação de quem quer
“ver mais longe”, e por isso, obrigatoriamente, “voar mais alto”. Assumimos
essa preocupação em 2006 e procurámos, com os meios ao nosso dispor, apresentar
um serviço público de qualidade. Um serviço que, naturalmente, saía sempre
prejudicado pela preocupação de dar o protagonismo à edição impressa. Nos
últimos meses, experimentámos diversificar a oferta e dar ao nosso site um novo
papel – na promoção da edição impressa, por um lado, mas pela procura do servir
a atualidade, com informação de “última hora” e de apresentação do agendamento
do que acontece em cada dia.
Está, naturalmente, na hora de ir
além disso. De passar mais uma fronteira – procuramos fazê-lo há 26 anos – e
dar ao nosso site a autonomia que ele merece e que os milhares de visitantes,
que em cada semana a ele acedem, exigem. Um trabalho que lhes é oferecido hoje
e que resulta da comunhão de esforços da equipa redatorial do Jornal da
Mealhada – especialmente da jornalista Mónica Sofia Lopes, que tem sido a
grande obreira do site – juntamente com a equipa de criadores e especialistas
da empresa Marques Associados, nossos parceiros nesta demanda.
O site que a partir de hoje é por
nós apresentado e dinamizado procurará ter a autonomia de um órgão de
comunicação social do futuro.
No encalce de uma maior
atualidade. Na procura da notícia que está a acontecer, na apresentação de
conteúdos no imediato e em direto, sem esquecer, nunca, a reflexão e a investigação
profunda.
No encalce de uma maior
proximidade a novos públicos. De contacto direto com os mais jovens, com os que
priviligiam o contacto com as redes sociais e as plataformas mais inovadoras de
blogging e micro-blogging. Mas, também, de maior contacto com o exterior, com
quem tem interesse, curiosidade ou até saudade em saber mais coisas sobre a
nossa realidade local e comunitária.
No encalce de um maior serviço
público. Com uma maior intervenção – pela rapidez e pela participação – na
esfera comunitária de uma região que anseia, assim nos parece, por estímulo e
apoio.
No encalce de melhor resposta
tecnológica. Com novos mecanismos de presença e participação nas redes sociais,
com recurso ao som e à imagem na apresentação de conteúdos – através de
utilização de vídeos de acontecimentos, entrevistas e testemunhos.
Mais atualidade, mais
proximidade, mais serviço público e mais tecnologia na resposta aos ideiais e
aos propósitos de sempre, no caminho de um jornalismo independente,
regionalista, assumidamente comunitário e ciente das suas responsabilidades
sociais. Na busca do cumprimento integral dos seus objectivos de Informar –
agora de forma mais rápida, eficiente e atraente –, de Opinar – sempre no
respeito e como forma de fomento do contraditório, do pensamento livre, dos
direitos, liberdades e garantias de cada cidadão, da Democracia e da Liberdade
–, e, naturalmente, de Intervir – porque tem de ser essa a missão de quem faz
do jornalismo a sua missão e até um sacerdócio, procurando dar aos outros
diferentes perspectivas do que não viram ou não souberam… e – como todos sabem…
– o saber é uma das muitas formas de Poder.
Editorial do Jornal da Mealhada de 14 de dezembro de 2011
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
[1481.] Lunae dies
Don Mariano Rajoy será o próximo Presidente do Governo de Espanha. Líder dos conservadores - o Partido Popular - Rajoy sucede a José Luiz Rodrigues Zapatero - ZP - o líder do PSOE que interrompeu a sua entrada na Moncloa a 14 de Março de 2004, como mais uma vitima dos atentados de Atocha que não eram da ETA - como dizia Aznar - mas da Al-Qaeda.Mariano Rajoy é galego - português do norte. Nasceu junto a uma das mais belas praças de Santiago de Compostela, a do Toural e começou a sua carreira política aos 26 anos, no Parlamento Galego, pela mão de Manuel Fraga Iribarne - o antigo ministro da Informação e do Turismo de Franco, fundador da Aliança Popular (predecessora do PP), e presidente da Xunta durante 15 anos, abandonou o cargo quando, aos 82 anos perdeu a maioria absoluta por um deputado. Aos 26 anos, Fraga obrigou Rajoy a arranjar mulher e a falar galego. E o percurso do próximo "Presidente do Gobierno" nunca mais parou. Foi autarca em Pontevedra e entrou para o Governo de Aznar em 1996, como ministro da Administração Pública. Em 2000 já era vice-presidente do Goberno de José Maria Aznar (outro prodigio espanhol) e em 2001 assumiu a pasta de ministro do Interior e a ele lhe coube travar o combate com a ETA. O combate à ETA nesta altura era chamado de terrorismo de Estado. Foi com Rajoy que a ETA assume a escalada de violência de 2001 e 2002, com alguns assassinatos políticos e é com Rajoy que Baltazar Garzon entra no palco do combate jurisdicional aos terroristas.
Em setembro de 2003, Mariano Rajoy torna-se presidente do PP e candidato a primeiro-ministro nas eleições de 14 de Março de 2004.
Apesar de ser o sucessor de um Governo que fora empossado há 8 anos, que fizera a Espanha entrar na Guerra do Iraque, a verdade é que todas as sondagens indicavam, a 10 de março de 2004, que Rajoy ia ser o sucessor de Aznar na Moncloa. Mas os atentados de Atocha, a 11 de março puseram tudo a perder.
Angel Acébes, o ministro do Interior de Aznar e sucessor de Rajoy, imediatamente acusou a ETA da autoria dos atentados e em poucas horas saía desmentido. Afinal a Al-Qaeda chegara a Espanha, vingara-se da entrada do país na Guerra no Afeganistão e no Iraque e punha a estratégia diplomática dos populares nas ruas da amargura.
Num país que chorava, ainda, 191 mortos e 1858 feridos, os espanhois escolheram ZP para governar a Espanha.
E talvez aqui tenha começado a mais importante faceta da vida de Rajoy. Depois de perder as eleições de 2004, Mariano Rajoy continua como presidente do PP e líder da oposição no Congresso dos Deputados. Volta a candidatar-se a presidente do Governo em 2008 e volta a perder, e mesmo assim mantém-se na liderança do partido. Foi vitima de golpes palacianos - o mais duro deles em 2008, pela mão de Acebes que já o tinha tramado em 2004 - e mesmo assim manteve-se na liderança do PP.
Mariano Rajoy já teve dois acidentes graves. Em dezembro de 2005 voava num helicoptero que caiu em Móstoles. Diz-se que usa barba para não se notarem as cicatrizes. É, portanto, um resistente.
Ontem, conseguiu o melhor resultado de sempre da história do Partido Popular espanhol. Elegeu 186 deputados no Congresso - mais um do que Aznar nos tempos aureos - e uma maioria absoluta e inequivoca.
Rajoy será o sexto presidente do Governo da Espanha Democrática - e o segundo conservador.
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