quarta-feira, 12 de setembro de 2012

[1527.] Mercurii dies tomando posição pública

Opinião sobre a Reforma da Administração Autárquica
 
A inevitabilidade de um "nem pensar!"
 

Portugal precisa, urgentemente, de uma Reforma da Administração Autárquica. Não o dizemos por questões meramente economicistas, ou por qualquer espécie de preconceito. As autarquias portuguesas precisam de um novo enquadramento legal, no âmbito das suas atribuições e competências, da clareza do seu exercício, da sua forma de eleição, das relações entre os vários níveis da administração local. Precisam, também, de uma revisão do seu mapa territorial e, ainda, do completar do edificio jurídico, com a criação das regiões administrativas, prevista na Constituição democrática.

O XIX Governo Constitucional decidiu - e bem - abalançar-se nesta demanda. No entanto, optou pelo caminho errado, cedeu onde não se admitiria que o fizesse e, portanto, falhou redonda e categoricamente nesse imperioso desígnio nacional.

A poucos dias de terminar o prazo para a pronúncia dos municípios relativamente ao primeiro eixo da alegada Reforma - o da reformulação do mapa territorial - e quando se sabe que os partidos do Governo não se entenderam quanto à elaboração de um projecto de Lei Eleitoral - que seria o segundo eixo da reforma -, é inevitável uma recusa veemente da alegada Reforma Administrativa e a exigência da interrupção imediata do processo legislativo, sob pena da implementação de um sistema perfeitamente atentatório dos preceitos mais importantes do Poder Local Democrático.
 
1 - O processo de elaboração desta alegada reforma começou de forma salutar, com a elaboração de um documento - "verde" - submetido a uma discussão pública. Nesse documento - mal ou bem - era defendida uma categorização das freguesias e definido um limite populacional mínimo por tipo de freguesias. Na nossa opinião, falhava nesse enquadramento inicial a visão reformista global que deveria analisar - a extinção, mas também a criação de - freguesias, mas também de municípios e círculos eleitorais uninominais. Faltava, ainda, uma definição concreta do conceito de freguesia - com a inevitável fixação de um limite populacional máximo -.

2 - O Governo ficou completamente aterrorizado com a vozearia que se fez sentir por parte de alguns autarcas e, em vez de melhorar o "documento verde", decidiu correr para a frente. Numa suposta posição de força meteu o "documento verde" na gaveta (antes mesmo de terminar o período de discussão pública) e construiu uma reforma completamente diferente. Para que não se verificasse mais gritaria, alegando falta de tempo, o projeto da reforma não chegou a ser discutido e só foi conhecido depois de aprovado pelo Conselho de Ministros, com o nome de Lei n.º22/2012 de 30 de maio.

3 - Esta reforma, entre outros absurdos, determina, então, que todos os municípios – a bem ou a mal - diminuam o número de freguesias (excepto para os que tiverem menos de quatro), independentemente seja do que for. Esta universalidade - qual solidariedade do "comem todos" - acaba por ser, então, um exemplo magnífico do absurdo que é a chamada igualdade formal, que não olha ao que é diferente para um tratamento comum, mas cego e nefasto.
Em hipótese académica, o município perfeito, com sete ou oito freguesias de população equilibrada e com características semelhantes é obrigado a agregar freguesias, criando, então, inevitavelmente, um desequilíbrio completo na organização destas comunidades.

4 - Se nalguns municípios bem próximos - como os de Mortágua e Penacova, por exemplo - poderá advir desta reforma alguns aspectos positivos (como o da agregação de freguesias com um número diminuto de pessoas), noutros, também próximos, persistem outros problemas (como o da freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, que tem muito mais pessoas do que todo o concelho da Mealhada).

5 - No caso concreto do concelho da Mealhada não se vislumbra qualquer benefício ou resolução de problemas, antes pelo contrário.
No concelho não há nenhuma freguesia com menos de mil habitantes - que era critério no "documento verde" -, ou seja, segundo a primeira fase desta alegada reforma, não careceria de qualquer "intervenção reformadora".  Com a nova lei do "comem todos", o concelho tem de reduzir de 8 para 6 as suas freguesias. Não pode unir a Mealhada com a Pampilhosa e as novas freguesias agregadas terão de ter continuidade territorial. São estes, à partida, os únicos critérios.
Se, de certa forma, seria entendível voltar a juntar Ventosa do Bairro e Antes - que até 1963 era uma só freguesia e são, ainda hoje, uma só paróquia religiosa -, dado que são as duas freguesias menos populosas (2003 habitantes) e com uma contiguidade quase perfeita (em 1104 ha), tudo o que vá para além disso já é praticamente impossível. Unir Ventosa do Bairro e Antes - mesmo que as duas freguesias, com um governo conjunto, mantivessem a identidade e fossem tratadas como duas freguesias conjunturalmente unidas - não seria fácil gerir as suas populações e criar-se-iam problemas sociais completamente desnecessários. Mas proceder à agregação de qualquer outro par de freguesias no concelho é uma asneira.
Agregar Antes e Casal Comba (uma das maiores freguesias em extensão territorial) e deixar Ventosa do Bairro isolada seria acentuar as desigualdades. Juntar Antes, Ventosa do Bairro e Casal Comba seria criar uma desmesurada extensão territorial que ia da Póvoa do Garção a Santa Luzia (seriam 3024 ha, quase trinta por cento do território). Juntar Casal Comba e Barcouço, ou Casal Comba e Pampilhosa, ou ainda Mealhada e Casal Comba seria criar uma freguesia populosa de mais, face às restantes. Por outro lado, juntar Vacariça e Luso, ou Vacariça e Pampilhosa, ou Vacariça e Mealhada (que foram uma mesma freguesia até 1944 e uma mesma paróquia até 1992), ou, até mesmo que artificialmente, Luso e Mealhada, seria criar extensões de território descomensuradamente ingovernáveis do ponto de vista da gestão dos recursos.

6 - Poderia restar uma solução menos má, a de agregar Ventosa do Bairro, Antes e Mealhada. Uniam-se, assim, as duas mais pequenas freguesias à maior, mas, por outro lado, àquela que na opinião de muitos, por ser a da sede do concelho e a mais urbana, é a que menos se justifica. Não é essa a nossa opinião, mas respeitamos o argumento.
Agregar estas três freguesias seria criar uma entidade que ficaria com, aproximadamente, um terço da população do concelho - cerca de 6500 habitantes - e uma extensão territorial assinalável - 2132 ha, ainda assim menor que a freguesia de Barcouço -. A questão é que a sede teria de ser recomendavelmente na freguesia urbana - por imperativo legal -, ou seja na Mealhada, pelo que só uma estratégia de desconcentração de serviços evitaria que estas populações perdessem, de facto, proximidade com a autarquia.

7 - Resulta claro - assim nos parece - que um novo mapa administrativo no concelho da Mealhada, com a obrigatória redução para seis freguesias só trará novos problemas e não resolverá nenhum dos existentes. Porque também há problemas.
Diferente seria se, de facto, houvesse uma verdadeira reforma administrativa, com a alteração, de facto, das freguesias e a resolução de problemas - como o de parte de Santa Luzia ser da freguesia de Casal Comba e de Souselas, ou as Lameiras - de São Pedro e São Geraldo, que têm contiguidade - serem ambas de Luso ou ambas da Vacariça - e nessa solução juntar, também, a Lameira de Santa Eufémia a esse consenso, ou colocar a Quinta do Valongo e Santa Cristina na freguesia da Pampilhosa, ou resolver os imbróglios administrativos de Adões e Sargento-Mor, entre muitas outras soluções que carecem de uma resposta verdadeira. Resposta que esta alegada reforma nem sequer tenta dar.

8 - Vimo-nos obrigados, então, a considerar que esta reforma, em vez de resolver os problemas da administração autárquica visa, única e exclusivamente, diminuir cegamente o número de freguesias. Pode dizer-se que é uma imposição do memorando da troika. No entanto, da leitura do referido memorando, resulta o compromisso de "reduzir significativamente o número de autarquias locais". Mas o que é, afinal, "significativamente"? Dez por cento é significativamente? Metade é significativamente? Em lado nenhum se determina o que se entende por "significativamente", e essa apreciação ficou ao critério zeloso de um qualquer funcionário, armado em legislador que entendeu ordenar a redução percentual de freguesias, e ignorando o conceito do que são autarquias locais (onde estão, também os municípios).

9 - Distanciamo-nos da ideia de que esta reforma sofre de inconstitucionalidade pelo facto de ser a Assembleia Municipal a determinar o mapa administrativo local, quando essa é uma competência exclusiva do Parlamento. A decisão final caberá, sempre, ao Parlamento que, para aferir da regularidade e decidir quando houver abstinência municipal, nomeou uma comissão técnica - presidida pelo académico coimbrão Lopes Porto. Recorde-se que, essa ideia de ser a assembleia municipal a definir que freguesias vai agregar, foi uma cedência do Governo à acusação de que os municípios estavam a ser desrespeitados por não terem "voto na matéria". A haver inconstitucionalidade esta seria, então, por excesso de participação, por excesso de democracia, o que não nos parece ser defeito.

10 - O Governo - nomeadamente quando confrontado pelo principal partido da oposição (que teve um comportamento perfeitamente deplorável em todo este processo) - sempre afirmou que a par desta reforma territorial apresentaria uma reforma da lei eleitoral autárquica e do quadro de competências das autarquias. Soube-se, há poucos dias, que os partidos que sustentam o Governo não conseguiram chegar a acordo quanto a uma proposta a negociar com o PS. Ou seja, não há lei. Usando o raciocínio do próprio Governo, se não há nova lei, não há reforma completa e, sem isso, um novo mapa autárquico é uma excreção.

Em suma, a reforma publicada na Lei n.º22/2012 de 30 de maio não é uma reforma, não resolve problemas, cria novos problemas, não é uma obrigação da troika e não há condições para ser completada - porque falta de consenso para a lei eleitoral. Ou seja, não resta outra alternativa ao Governo e aos partidos que o sustentam senão a sua suspensão imediata e de todos os seus procedimentos acessórios.
Os municípios que entendam ser benéfica uma alteração do seu mapa autárquico - se para isso chegaram a consenso e encontraram boas soluções - que a implementem, mas não há condições para ir além disso. Preocupe-se o Governo em regressar ao debate do Documento Verde - e melhore-o - e em fazer uma verdadeira e inteligente reforma administrativa do país. Indiferente ao desejo de ficar, na História de Portugal, ao lado de reformadores como Rodrigo da Fonseca ou Mouzinho da Silveira. Indiferente a vozearias que vão sempre ouvir-se da parte de quem quer que tudo fique na mesma - mesmo que esteja sempre a criticar o que está e passe a vida a desrespeitar as autarquias mais pequenas. Porque a reforma da administração local é imprescindível para o futuro de Portugal.
Entretanto a solução, na Assembleia Municipal da Mealhada, é, assim nos parece, aprovar, por unanimidade e aclamação, um rotundo "Nem pensar!". Mas não deve deixar de dar a sua opinião e de emitir parecer de forma a, em todas as fases de discussão, ter autoridade para se fazer ouvir sobre o que é melhor para a sua população.
 
Artigo publicado na página 20 da edição de 12 de setembro de 2012 do Jornal da Mealhada. Escrevi este texto na qualidade de cidadão que não quer ficar com o peso de consciência de que não fez nada, só porque o que podia fazer era pouco". Assinei-o, como licenciado em Direito, mestrando em Administração Pública e antigo autarca de freguesia e municipio de 2002 a 2005, eleito pelas listas do PSD.

[1526.] Mercurii dies em submersas divagações de Esperança

D'existir
 
Na mesma semana, Adriano Moreira - histórico e nonagenário senador da República - enunciou o perigo de uma "fadiga fiscal" nos cidadãos contribuintes, e o chefe do Governo, Pedro Passos Coelho, no epílogo da quinta avaliação da troika, anunciou as medidas que visam compensar o chumbo do Tribunal Constitucional quanto aos cortes de subsídios de Natal e de Férias. A contradição entre os dois discursos é total e absoluta. Entre outras medidas, o primeiro-ministro informou que os portugueses vão passar a descontar do seu salário uma maior fatia para a Segurança Social. Ou seja, vão ter menos dinheiro disponível no seu rendimento efectivo.

O discurso do chefe do Governo foi pelo próprio "esmiuçado" no Facebook... e confessada a alegada "tristeza" que sentiu ao proferi-lo.

A crise económica e financeira que a Europa atravessa está a ensinar-nos que é grande a distância entre os discursos políticos que se proferem e os discursos que os políticos gostariam de proferir. A verdade não pode ser toda dita, por que se não os mercados reagem e as pessoas entram em colapso, em desespero. Mas não se pode mentir, porque isso traz problemas de credibilidade perante os financiadores. O dilema não podem deixar de ser visto como terrível. Não acreditamos que os políticos gostem de dar más notícias, antes pelo contrário, pelo que, com mais ou menos sinceridade, não consta que masoquismo seja característica dos políticos hodiernos.


Vivemos tempos complexos, e estamos enleados numa teia de que não nos apercebemos. Como um nadador inconsciente, estamos no meio do canal e não nos resta mais nada senão nadar. Podemos nadar para a frente, ou nadar para trás. É exactamente a mesma coisa... Achamos que já não temos mais forças, mas não temos alternativa. Estamos convencidos de que não vamos aguentar mais, mas só nos resta nadar. Não há ajudas, não há salva-vidas, podemos parar e boiar durante um bocado para descansar, mas não dá para sair dali.

Não vale a pena pensar no que poderia ser diferente. Portugal, neste momento, não tem outra solução se não continuar a nadar. Nestes momentos pode pensar-se em desistir. E afogarmo-nos. Mas nem isso resolve nada, porque continuaremos cada vez pior. Podemos gritar por ajuda, e fazer chantagens... mas isso só nos faz perder energias.

Não sabemos se falta muito para chegar a terra, falta o que faltar. Não há hipótese de desistir, só uma alternativa nos resta e essa é a de existir. Continuaremos a existir. Teremos de continuar a lutar, teremos de continuar a fazer sacríficios, teremos de continuar a sofrer e a prescindir dos sonhos mais ambiciosos. Temos maus políticos? Temos. Fizemos más opções? Fizemos! Falhámos em muitas escolhas? Claramente. Mas não há hipótese de sair daqui. Podemos emigrar, mas o mundo todo está em crise. Podemo-nos revoltar e linchar os responsáveis, mas não vai ser esse sangue que nos vai alimentar e saciar a fome que já se vive.

No final fazemos contas.

No final faremos os julgamentos e condenaremos os responsáveis.

É escuro o cenário? É, de facto. Estaremos a ser pessismistas? Não, antes peloc ontrário: Não é pessimismo reconhecer que estamos mal. Não é pessimismo observar que não temos outra alternativa. É clarividência. E muita esperança. Muita Esperança no futuro, muita esperança nos que virão depois de nós e com o nosso testemunho e a nossa memória não repetirão os erros do passado e não se abalançarão a atravessar o canal sem pensar no que vai custar.

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de setembro de 2012
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

[1524.] História dos escutismos portugueses

INTRODUÇÃO DO ESCUTISMO EM PORTUGAL



www.loboirmao.blogspot.com

[1523.] Idos de março

Romae, in Foro Caesaris, a.d. VII Id. Mart., hora undecima

Sentou-se nos degraus do templo a observar as obras na Cúria e, de vez em quando, levantava os olhos para as nuvens cinzentas e desfiadas que pairavam sobre a cidade.
- Não vejo hora de partir. A política romana oprime-me.
- A expedição terá os seus riscos - replicou Cílio.
- Pelo menos, estarei frente a frente com o inimigo, no campo de batalha, e terei homens em quem posso confiar ao meu lado. Aqui não sei em quem posso confiar.
- É verdade, no campo de batalha todos devem confiar uns nos outros, a vida de cada um depende disso.
- Vês esta arcada? Uma delegação do Senado encontrou-se comigo aqui há algum tempo. Para me enumerarem todas as honras que, numa só sessão, me haviam decretado. Respondi que não deviam dar-me mais honras e cargos, mas tirar-mos.
Cílio sorriu.
- Sabes o que me responderam? Que eu era um ingrato.Que não me levantara quandos eles haviam chegado, comportando-me, assim, como um deus, dado o lugar, ou como um rei. Sentado no trono sob a arcada de um templo.
- Sim ouvi dizer. Mas são coisas que não se podem evitar: qualquer gesto teu, o menor deles, mesmo que insignificante, é amplificado, é-lhe atribuído uma enorme importância. Uma importância fulcral! É o preço que qualquer homem tem de pagar pelo poder.
- Bem, a verdade é que até César tem a sua dose de misérias humanas. Sabes porque é que não me levantei? - disse num esgar. - Porque estava com diarreia. E as consequências poderiam ter sido embaraçantes.
- Ninguém acreditaria, bem sabes. De todos os modos, é com estes boatos que tentam destruir a tua imagem junto do povo, convencer toda a gente de que queres tornar-te rei.
César inclinou a cabeça e suspirou. Tinha os braços apoiados nos joelhos como um trabalhador cansado. Depois, ergueu a cabeça, fitou-o com uma expressão enigmática e disse:
- E tu acreditas nisso?
- Em quê, que queres ser rei?
- Sim. Que mais havia de ser?
Cílio, perplexo, também o fitou.

IDOS DE MARÇO
Valerio Massimo Manfredi
Porto Editora, 2011
Páginas 76 e 77, capítulo VII

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

[1522.] Mapa de peregrinar



Já consultei muitos mapas de "caminhos de Santiago". Alguns deles já aqui os postei... No entanto, nenhum me parece tão inteligente como este, do site www.campus-stellae.org, da Universidade de Navarra para a acreditação universitária jacobeia. Apesar de a quilometragem poder não estar exacta (nomeadamente em relação ao Caminho Central Português) parece-me muito bom. Aqui fica para download dos interessados.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

[1521.] Nove anos

No passado domingo, 26 de agosto, passaram nove anos sobre a publicação, em Diário da República, da Lei que elevou a, até essa altura, vila da Mealhada à categoria de cidade. A decisão havia sido aprovada pelo plenário da Assembleia da República em 1 de julho e com a publicação tornava-se definitiva. No mesmo dia, idêntica decisão e publicação em relação a Oliveira do Bairro deu direito - durante breve trecho, é certo -, a Feriado Municipal nesse dia de solenidade. Mas na Mealhada não. Aliás, tirando meia dúzia de foguetes lançados pelo executivo da Junta de Freguesia da novel cidade, nesse dia 1 de julho, nunca houve sequer um simples assinalar da data.
 
Não fosse a tradicional aversão dos órgãos autárquicos às comemorações civis da nossa comunidade - de que é exemplo o Feriado Municipal, anual, (nunca assinalado) ou o 175.º aniversário da elevação a concelho, que aconteceu em novembro de 2011 - e poderia dizer-se que há uma espécie de vergonha em festejar a elevação à categoria de cidade. Não há vergonha nenhuma, reconheçamos isso. Há, pelo contrário, uma tradicional negligência neste domínio. E é pena, pensamos nós (naturalmente), que até nem somos muito festeiros... Justificava-se a comemoração - qualquer uma das três referidas - como se justifica o assinalar (por mais simples que seja) da Batalha do Bussaco, ou do 25 de Abril. São datas que fazem parte do nosso património coletivo e que nos distinguem como comunidade.
 
O processo de elevação da Mealhada a cidade foi doloroso, mas, nove anos passados, as feridas deveriam estar saradas. Será cedo para fazer um balanço de nove anos de cidade? Será que essa decisão influenciou alguma coisa o desenvolvimento do concelho? Estas e outras perguntas não precisariam de ser nesta altura respondidas, assim pudessemos nós, como comunidade, ter a maturidade suficiente para as fazer.

Talvez para o ano... Não será, certamente, tarde de mais.

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Às vezes, somos enganados pelo nosso cérebro (ou será pelos nossos medos) e, perante palavras escritas, não lemos o que elas encarreiradas dizem, mas pomo-nos a congeminar sobre as intenções escondidas de quem as terá escrito, recusando-nos a ler, de facto, e caindo na especulação pura. Diz o sábio povo que "bom julgador a si se julga". Pelo que quase sempre vemos no maquiavelismo dos outros o nosso próprio reflexo. Manda a honestidade que cada um seja julgado pelo que fez (ou escreveu) e não pelo que o que os outros teriam querido ler...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

[1518.] A tradição na Arte de Bem Servir...


HILÁRIO RODRIGUES CASTELA nasceu em Sernadelo, em 12 de fevereiro de 1905, filho, o segundo de cinco, de um carpinteiro do Palace Hotel do Bussaco.
Muito jovem, seguiu para Coimbra, para fazer estudo na Escola Comercial da cidade. Empregou-se como caixeiro e ali viveu até à decada de 1940, altura em que regressou a Sernadelo para ajudar o cunhado - Álvaro Pedro - a abrir um novo estabelecimento - o que viria a transformar-se no "Pedro dos Leitões".
Em 1956 casa-se com MARIA DA SILVA GUARDA, ganha a lotaria por duas vezes, é pai, e investe o que ganhou numa vivenda na terra natal.
 
 
A primeira equipa do Restaurante Hilário, em 1973.

Em 1 de janeiro de 1973, Hilário Rodrigues Castela, com a esposa e a filha, estabelece-se por conta própria. Abre o "Restaurante HILÁRIO", e na retaguarda um conjunto de quatro quartos que aluga como residencial. Durante aproximadamente dez anos fará a exploração dos dois estabelecimentos. 
No inicio da década de 1980 cede a exploração do restaurante, e é Mariazinha, a esposa, que fica a gerir a residencial, que expande de maneira muito significativa, primeiro juntando mais seis aos quartos que tinham, e mais tarde, em 1987, mais quinze.

A Residencial Hilário tornou-se, então, num espaço de paragem obrigatória de viajantes e especialmente de peregrinos a caminho de Fátima, que ali encontravam todo o conforto - em ambiente acolhedor e familiar - a um preço extraordinariamente económico.
 
No inicio do ano de 2005, Mariazinha, já com 80 anos, começa a transferir a gestão do espaço e do património que foi construindo aos netos, e em finais de 2008 começa uma nova fase do complexo Restaurante e Residencial Hilário. Filha, genro e netos encetam um processo de ampla reconversão do espaço, com a renovação completa da residencial, com a conversão de alguns espaços em apartamentos T0 e T1 e com a construção de um Albergue de Peregrinos - de inspiração jacobeia com lotação para mais dezasseis pessoas. Numa terceira fase, procedem, ainda, a uma requalificação profunda do espaço do restaurante - incluindo a sala de jantar, a cozinha, espaços de apoio e um lounge.
Em 9 de julho de 2012, filha, genro e netos de Hilário Rodrigues Castela e Mariazinha reabrem o "HILÁRIO", procurando recuperar a tradição e o estilo da Arte de Bem Servir.

A experiência como comercial em Coimbra e o trabalho no restaurante do cunhado tornaram Hilário Rodrigues Castela num especialista na Arte de Bem Receber e Servir. Simpatia, delicadeza e atenção marcam um estilo que fez escola na região e deixou como seguidores todos os que com ele trabalharam ao longo de décadas de serviço à Mealhada, à Bairrada e à sua gastronomia.

Hilário Rodrigues Castela faleceu em 1991, três dias antes de completar 86 anos. Maria da Silva Guarda Castela faleceu em 21 de junho de 2009.

Hoje, com o genro a filha e os netos, a tradição continua viva.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

[1517.] A caminho... em marti dies


Diz-se que o Caminho se faz caminhando... mas é em casa que começa. Sempre em casa.
No sábado acertámos a primeira decisão de mais um Caminho. Acertámos datas e é tempo de escolher o Caminho, ou escolher o percurso, bem entendido.
É como se já estivessemos a caminhar... em mais um roteiro de encontro com nós próprios. Anseia-se, antes do nervoso miudinho... prepara-se, para que só o inevitável falte...


Porque hoje é Marti Dies, terça-feira, fica uma das músicas - Santiago de Compostela - do filme "The Way", de Emilio Estevez, com Martin Sheen. Um tema com letra de Tyler Bates.

[1516.] "O que dizem os outros que Eu Sou?"

"O que dizem os outros que Eu Sou?"


[1515.] O que é ser bom escuteiro?


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

[1513.] 44 por cento do nossos descontentamento!

Governo da República - dando cumprimento a uma estratégia de "limpeza" dos sorvedouros do Estado - divulgou, no dia 2 de agosto, o relatório de avaliação das fundações "nacionais ou estrangeiras, que prossigam os seus fins em território nacional, com vista a avaliar o respetivo custo/benefício e viabilidade financeira e decidir sobre a sua manutenção ou extinção, sobre a continuação, redução ou cessação dos apoios financeiros concedidos, bem como sobre a manutenção ou cancelamento do estatuto de utilidade pública". Era uma avaliação aguardada e, assim nos parece, importante.
 
Os resultados relativos à Fundação Mata do Bussaco é que não foram nada animadores. A Fundação criada em 2009 para gerir a Mata Nacional do Bussaco foi classificada com a nota de 44 pontos, numa escala de 1 a 100.
A nota - os 44 por cento - é baixa. É, naturalmente, negativa. E seria desonesto dizer ou tentar demonstrar o contrário.
Naturalmente que há atenuantes, que, de certa maneira, relativizam este valor. A Fundação Mata do Bussaco (FMB) começou a trabalhar em 2010 e a avaliação do Governo ponderou o trabalho realizado em 2008, 2009 e 2010. Ou seja, o trabalho de arranque de um ano da instituição foi avaliado como o de três anos de pleno funcionamento.
Como já se disse, a nota é baixa. Mas também não fará sentido colocar agora em causa o trabalho feito pela FMB nos últimos três anos e resumi-lo a este valor. Esta solução - a da fundação - pode ter problemas, que os tem, pode ter deficiências, que as tem, pode estar a ser monopolizada por um setor, a sua ação e alegados feitos quotidianos pode estar a ser sobrevalorizada, mas que não restem dúvidas de que é a melhor solução até agora apresentada e posta em prática para a gestão de um património que estava a degradar-se, que estava abandonado pelo Estado, que estava refém da burocracia e do nepotismo incompetente da administração central sem rosto. Uma entidade gestora com uma avaliação de 44 por cento é negativa, mas é muitissimo melhor do que a gestão que existia antes.
A avaliação do Governo, considera que, até 2010, ao nível da "Eficácia" (especialmente no "custo eficácia das principais actividades e produtos e/ou serviços prestados" a avaliação é muito má. E que quanto a "Sustentabilidade", o resultado não é nada famoso. Mas quanto a "Pertinência/Relevância", ou seja, quanto à necessidade desta estrutura, o resultado é óptimo, situando-se na casa dos 70 por cento.
O "estado de graça" da FMB pode ter acabado, e é tempo de terminar com os elogios rasgados e acríticos, que misturam a exaltação da necessidade da instituição com o mérito pessoal dos gestores e técnicos - até porque não há só bestiais e bestas. Mas é exagerado colocar, agora, tudo em causa. Sem dramatismos, mas com muita humildade por parte de quem está à frente da FMB, com honestidade intelectual, com sentido de responsabilidade e de Serviço fará sentido avaliar o que está a correr menos bem, congregar sociedade civil e a comunidade na definição de rumos, despolitizar e despartidarizar e, acima de tudo, congregar esforços para evitar que algum iluminado se lembre de extinguir a Fundação Mata do Bussaco, especialmente em nome de uma avaliação que embora necessária, menoriza um aspecto essencial que é o de que pode ter problemas, mas é a melhor forma encontrada e aplicada de gerir aquele Património.
Saibamos todos ser críticos, mas honestos, austeros, mas eficazes, retos, mas muito práticos!

Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de agosto de 2012

[1512.] Como se mede o Escutismo?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

[1510.] Mercurii dies em dia de homenagear os Avós

A Idade dos Avós

Há quarenta anos, era expectável que um português, em média, vivesse até aos 60 anos. Hoje, essa Esperança está nos 79 anos, sendo de 82 para as portuguesas.
Para além destes números serem indicadores de progresso científico, de melhoria das condições de vida das pessoas, no fundo, de desenvolvimento, são, também, motivos para uma ampla reflexão, dado o impacto que têm sobre a sociedade e sobre o chamado Estado Social. Não valerá a pena estar a ilustrar a consequência destes dados no Sistema Nacional de Saúde, na Segurança Social, ou nas respostas sociais de terceira idade, cuidados continuados ou paliativos.
Os portugueses que entraram agora na vida ativa, que estarão na casa dos 20/30 anos, trabalharão até aos 60 ou 70 anos e viverão até aos 90 ou 100 anos. Ou seja, por exemplo, estarão reformados quase tanto tempo quanto o que trabalharam.
Na verdade, temos, agora e daqui para a frente, uma verdadeira Terceira Idade. Depois da Idade do Crescimento, e da Idade do Trabalho, há a Terceira Idade, a da reforma, que nem por isso deve ser menos produtiva e frutífera. Antes pelo contrário.
Formas para os nossos seniores continuarem a dar o seu contributo à sociedade são mais do que muitas. O serviço em instituições de voluntariado, de associações e IPSS, nas escolas e na formação de jovens, em grupos de ação e divulgação cultural ou de formação desportiva, etc.. Há, também, as Universidades Seniores, como a que a CADES abrirá na Mealhada e em Luso, em setembro próximo, ou a ação política nas autarquias locais, por exemplo.
Mas de todas estas ocupações há uma, especialmente altruísta e notoriamente de Serviço que é a ocupação de ser avô e avó. Os jovens e as crianças de hoje têm uma oportunidade que muitos dos seus antepassados não tiveram, a de poder conviver e receber instrução e educação dos seus avós.
Hoje, os avós, através dos seus cuidados, do carinho, do apoio e do serviço é uma instituição que beneficia novos e idosos e se reveste de particular importância, num tempo em que pai e mãe trabalham fora e têm uma carreira, em que a escola dura tempo de mais e as crianças chegam a ficar esgotadas com tanta ocupação e tão pouco tempo livre.
Na passada quinta-feira, Dia de Sant’Ana e de São Joaquim - segundo a tradição, os pais de Maria, logo avós de Jesus -, assinalou-se mais um Dia Nacional dos Avós. Dia festivo, de reflexão e homenagem, no Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade Entre gerações.
Valerá a pena pensar de que forma estamos nós, enquanto comunidade, a aproveitar esta dádiva e este potencial, que são os nossos seniores. Potencial que pode ter aproveitamento cultural, social, económico, mas, acima de tudo, cívico e de desenvolvimento humano.
Era bom que o aumento da esperança média de vida significasse, também, um crescimento de Esperança, um crescimento de Vida de Qualidade e, principalmente, de Felicidade.

Editorial do Jornal da Mealhada de 1 de agosto de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

[1509.] Mercurii dies em dia de citar Rosália de Castro


«Este parte/ aquele parte/E todos, todos se vão»?

Há poucos dias, a catadupa de uma conversa, daquelas que começam num "por acaso" e não se sabe como terminam, aportámos na filosofia de Jaime Cortesão - quase um conterrâneo, aqui de Ançã - e sobrevoámos as teorias de Agostinho da Silva, a propósito do determinismo de "ser português". Defendia Cortesão que há um "humanismo universalista" no "ser português", uma espécie de característica genética da portugalidade, que nos condiciona em quase tudo, que nos refrata a forma como vemos o mundo, e, especialmente, na relação que temos com os outros. Cortesão fala de um humanismo prático, pragmático, que está na essência do português e, acima de tudo, um papel especial dos portugueses na história da civilização: o descobrimento e a unificação do Mundo pelo conhecimento.


Vem isto a propósito do aparente paradoxo destas teorias com a prática da nossa atitude coletiva perante a emigração portuguesa - a Diáspora - que insistimos em desvalorizar, em menorizar, em ridicularizar, quase como se nos sentissemos traídos por eles terem saído do país e nós não. O emigrante de regresso a casa é sempre o francês... ou o americano...

O anúncio televisivo da criança que dizia aos jogadores da Seleção Nacional de Futebol que não queria sair do país, mas se eles não ganhassem "ia ter de ser", aliado à onde de protestos sobre as declarações do Governo sobre a emigração de jovens quadros, é, apenas, a espuma mais recente de uma ideia que nos está enraizada desde os "vapores para o Brasil".

Aos jovens de hoje - a todos os que têm hoje menos de 40 anos, talvez - impingimos, depois da adesão à CEE, em 1986, a ideia de que eram uma geração europeia, que tinhamos de conhecer o mundo. Para isso aproveitaram-se e divulgaram-se Interrails, Erasmus, intercâmbios escolares, viagens de estudo e afins. Quando os frutos se começam a ver e os portugueses são requisitados para trabalhar na tal Europa onde nos devíamos mostrar, aqui del-Rei que ficamos sem gente. Volta-se a cantar o poema de Rosália de Castro sobre os "campos de solidão". Disparate.

Os emigrantes portugueses são uma das mais-valias que temos. Em termos de projeção, em termos económicos, em termos culturais. Ativos que precisam de ser colocados ao serviço do coletivo.

Evocando Cortesão, parece-nos que ser emigrante é ser um português completo.

Editorial do Jornal da Mealhada de 18 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

[1508.] Lunae dies em dia de regressar ao legado


O meu amigo NJ costumava dizer (terei conjugado bem o verbo?) que eu sou irritantemente optimista. E é verdade que o sou... mais com os outros do que comigo... mas é verdade que sou muito optimista. Quem me conhece bem sabe porquê... e sabe o que seria se assim não fosse... mas adiante!

Nem sempre fazemos o que nos apetece... e nem sempre o que nos sabe bem pode ser feito... depois de oito meses de espera e grande angústia... a vida começa a encarreirar. O jornal voltou às bancas e sinto que já posso levantar a cabeça, porque consegui cumprir a minha palavra. E novas oportunidades se abrem, agora, com a conjugação possível entre o que "quero fazer" com o que "devo fazer" e com o que "tem de ser feito".

Do mesmo modo que eu, no meu intimo, sabia que um dia trabalharia num jornal - porque a minha mãe tinha uma quota no JM, porque eu gostava do jornalismo e porque o queria fazer - também sabia que um dia trabalharia num restaurante - porque os meus avós eram proprietários de um restaurante, porque eu gostava do negócio e porque o queria fazer. Confesso que, tanto num caso como no outro, não imaginava que o fizesse tão cedo (aos 25 anos no primeiro caso e aos 33 no segundo). Mas a verdade é que eu sabia que isto ia acontecer.

Desafiei a minha família a lançar-se nesta aventura, aceitaram e na segunda-feira, 9 de julho, começou uma nova etapa da minha vida: A de dar seguimento à obra dos que me antecederam, no caso concreto do meu avô Hilário e da minha avó Maria, que em 1 de janeiro de 1973 abriram um restaurante com serviço de residencial.

 ESPERO ESTAR À ALTURA DO LEGADO!
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

[1507.] Mercurii dies em dia de regressar a respirar


Voltar para cumprir

Regressámos. A edição impressa do Jornal da Mealhada voltou às bancas, às mãos dos nossos assinantes e ao convívio dos nossos leitores mais tradicionais. Demorámos mais do que esperávamos. Tardámos mais do que desejámos. Mas aqui estamos: Renovados, fortalecidos e cheios de energia para regressar ao nosso lugar, na promoção do Direito à Informação, através de um jornalismo sério, honesto, independente e livre. Voltámos para cumprir.
A empresa JM – Jornal da Mealhada Lda, a detentora do Jornal da Mealhada desde julho de 1987, foi liquidada. Os activos e o passivo da empresa foram adquiridos pelos principais credores, nós próprios, que, depois de várias tentativas e uma profunda maturação, decidimos doar os títulos de comunicação social – o Jornal da Mealhada, o FRONTAL e a revista VIA – à Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
A Santa Casa da Misericórdia da Mealhada é uma instituição centenária – o que é garante da sua perenidade e da perpetuidade dos seus valores intangíveis –, a mais antiga das não-públicas no concelho da Mealhada, com um forte enraizamento nas comunidades da região, com a alma cheia dos ideais que se esperam de um jornal regional que, como dissemos em dezembro, é, acima de tudo, das pessoas e das comunidades. Dito de outra forma, consideramos que a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada acaba por ser a instituição ideal para, na garantia da continuidade, como legado da comunidade, receber a propriedade do Jornal da Mealhada.
Mesmo assim, os dirigentes da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, na humildade de quem recebe um legado naturalmente oneroso, obviamente sensível, especialmente sujeito ao escrutínio público, e ciente de que para além de ser é preciso demonstrar credibilidade, aceitou o ónus da constituição de um Conselho Editorial, composto por três personalidades, e a quem caberá manter os valores intangíveis da publicação, tais como a independência, a objectividade, o rigor e a defesa intransigente das comunidades onde se insere, garantindo a total Liberdade, de expressão e de pensamento, e a Independência da publicação.
Nos próximos meses, que são tempos estivais e de férias, a edição impressa do Jornal da Mealhada será quinzenal. Depois disso, reavaliar-se-á a questão no sentido de, com sustentabilidade, regressarmos ao contacto semanal.
O contacto direto e imediato com os nossos leitores através da edição on-line, na internet, com atualizações diárias e em tempo real, manter-se-á. Ficou demonstrada a relevância da ferramenta, a utilidade deste novo instrumento de informação e de comunicação comunitária.
O tempo de paragem serviu, como no propusemos, para refletir, para garantir que é prestado, com qualidade, um serviço, que outros, antes de nós, assumiram e do qual nos sentimos herdeiros e, acima de tudo, legatários. Um serviço que se quer cada vez melhor, cada vez mais próximo das pessoas, um serviço que o seja verdadeiramente e cada vez mais cuidado.
Os seis meses em que estivemos sem edição impressa foram penosos, difíceis e duros. Mas foi muito importante e gratificante a confiança, que, quase todos, demonstraram na nossa palavra, na promessa de que voltaríamos. A eles – assinantes e anunciantes, especialmente – o nosso agradecimento.
Prometemos e cumprimos. Voltamos ao seu contacto, através da edição impressa. "Frescos e preparados para o futuro". Nos próximos meses contamos apresentar uma nova imagem, uma nova apresentação. Trabalharemos ainda no desenvolvimento de novos produtos, novas formas de divulgação da informação e, também, novas ferramentas de intervenção. Mais fortes do que nunca, com o rigor e seriedade de sempre, estimulados e conscientes de que, enquanto houver estrada para andar, é nossa obrigação, é nossa missão, continuar. Não por nós, mas por todos.

Editorial do Jornal da Mealhada de 4 de julho de 2012
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quarta-feira, 20 de junho de 2012

[1506.] Mercurii dies, entre a Justiça, a Sabedoria e o Amor

«Trouxeram ao rei uma espada. "Cortai pelo meio o menino vivo", disse ele, "e dai metade a uma e metade à outra". Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: "Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis". A outra, porém, dizia: "Ele não será nem teu, nem meu. Seja dividido!".
Então o rei pronunciou o seu julgamento: "Dai", disse ele, "o menino vivo a essa mulher. Não o mateis, pois é ela a sua mãe".»
I Reis, 3, 24-27

O episódio bíblico, conhecido como a Justiça de Salomão, serviu de mote à maior parte das decorações em tribunais - pelo menos em tribunais portugueses. É, normalmente, visto como uma alegoria à Justiça e à Sabedoria do julgador. Salomão conseguiu, através de uma artifício simples descobrir - ou apurar? - a Verdade e, assim, conseguir produzir uma decisão justa.
Mas esta é, também, uma alegoria ao Amor Verdadeiro. Ao Amor que prefere doar e persistir do que possuir e matar ou impedir que outros possuam o que não pode ter.
A mãe verdadeira, porque ama realmente, prefere que a falsa mãe, rancorosa, invejosa e má, tenha o que não é seu a ver o seu filho morto. Antes vivo e longe do que morto.
Se centramos a nossa atenção na mãe verdadeira e não tanto em Salomão, percebemos melhor a lição que um outro ponto de vista nos pode proporcionar. E até nisso sobressai a sabedoria divina dada ao rei de Israel. A de saber avaliar e perceber a Verdade no Amor demonstrado, que muitas vezes é, exactamente, um acto de renuncia ou despojamento completo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

[1505.] Veneris dies, com Ella

Há quem diga que é a maior cantora do século XX. Ela é Ella Fitzgerald. Morreu há 16 anos. Feitos hoje. Menos palavras, oiça-se a First Lady of Song.



Summertime

Summertime é uma aria da opera 'Porgy and Bess', de 1935, composta por Gershwin, com letra de Heyward. É uma dos mais populares de jazz com mais de 33 mil covers de grupos e performances a solo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

[1504.] Iovis dies, com Immendorff, no Elogio da Esperança.

Tudo está bem, quando acaba bem.
É este o título (Ende gut, alles gut) deste quadro (óleo sobre tela) do pintor alemão Jörg Immendorff, que faria hoje 67 anos, se não tivesse morrido em 2007.

As águias que preenchem este quadro - vendido em fevereiro de 2007 por 250.000 libras - fazem-me lembrar o galinheiro em que se tornou o mundo, em véspera de eleições na Grécia, e da Cimeira Rio+20, em dias de colapso espanhol, em tempos de cólera futebolística... 
Só Esperança é que parece não haver em lado nenhum. "Tudo está bem, quando acaba bem". Quem dera que acabe, que acabe depressa e que acabe em bem, para que se possa dizer que, então, "tudo está bem!"
Resta a Esperança.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

[1503.] Mercurii dies em luto por um assassinato político

Ontem (12 de junho de 2012) foi um dia muito triste para a História da Democracia Portuguesa, do Poder Local e do país enquanto Nação soberana e independente. O assassinato de Maria de Lurdes Sobreiro - a presidente da Junta de Freguesia de Segura, no concelho de Idanha-a-Nova foi um assassinato político, feito por razões políticas e por isso merece a nossa homenagem. Na minha opinião, como Homem, como Democrata e como Português, não consigo perceber as razões pelas quais não foi determinado que hoje fosse Dia de Luto Nacional. Pelas mesmas razões, é, para mim, incompreensível, que o Chefe do Estado não tenha tornado público o eventual envio de condolências à população de Segura e aos familiares de Maria de Lurdes Sobreiro e do marido. Espero que o Presidente da República envie alguém em sua representação às exéquias fúnebres.

Esta mulher, uma autarca, disponibilizou-se, perante a sua população - e quem conhece Segura, como eu conheço, e o concelho de Idanha-a-Nova, que é para mim uma segunda terra natal, compreende o alcance dessa disponibilidade - para a Servir. Maria de Lurdes Sobreiro teria, certamente, como todas as pessoas, defeitos e virtudes, estaria sujeita a críticas, a falhanços, a momentos menos felizes. Mas é uma autarca portuguesa.
Segundo informações divulgadas pela comunicação social, assentes no testemunho da população e dos seus colegas eleitos na freguesia, foi assassinada por ter - no âmbito das suas funções de defesa da população e do território - denunciado o gesto criminoso de um empreiteiro sem escrúpulos que faria descargas ilegais de entulho em áreas ambientalmente protegidas. Um criminoso sem escrúpulos que assassinou esta mulher e o seu marido (fica por saber o que teria acontecido se mais pessoas estivessem no edificio da Junta de Freguesia de Segura) porque foi denunciado.

Esta situação não terá paralelismo em Portugal. A única situação de que me lembro de crimes desta natureza - para além do assassinato de membros do Governo, em 1980 e do caso das FP25 de Abril - é do caso do candidato a uma junta de freguesia que assassinou a sua oponente às eleições.

Este é o resultado de uma alma tresloucada, mas que demonstra a fragilidade das pessoas que se tornam figuras públicas e destacadas nas suas comunidades pelo facto de se disponibilizarem a Servir o Bem-Comum e as Comunidades. E por isso, Lurdes Sobreiro merece o nosso respeito, o nosso luto e a nossa homenagem.


Que Descanse em Paz.
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terça-feira, 12 de junho de 2012

[1502.] Marti dies

Há perguntas que têm de ser feitas, para que as respostas sejam encontradas.
Será impossível encontrar as respostas se não se fizerem as perguntas. Se não houver coragem e discernimento para as fazer.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

[1501.] A idade do Espírito Santo

Ontem foi Domingo de Pentecostes. Ou seja, o dia da ancestral festa portuguesa do DIVINO ESPÍRITO SANTO, introduzida a partir da Igreja de São Francisco, em Alenquer, pela Rainha Santa Isabel, e depois transportada para os Açores, para o Brasil e pelo Mundo Português, assumindo-se como uma festa profundamente portuguesa.

Mas esta temática é muito mais do que uma Festa... Religiosa.
Desde os tempos medievais que se fala em teorias da Idade do Pai, da Idade do Filho e da Idade do Espírito Santo.

Fica a sugestão de leitura de um dos maiores filosofos portugueses do nosso tempo, o professor Agostinho da Silva, e a sua teoria do Quinto Império Português e da chamada Idade do Espírito Santo, e da Festa do Espirito Santo como uma festa do Futuro e não do passado.

Leia-se aqui:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/Leiturasociopolitica.pdf

Mas se não houver paciência... Veja-se aqui:



quinta-feira, 24 de maio de 2012

[1500.] Iovis dies... Mudar é preciso


Às vezes é preciso mudar... abrir, aligeirar, dar espaço para que as coisa boas possam acontecer livremente. Ou como dizia o Lampedusa no "Leopardo"... às vezes "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma!"

O fio dos dias hoje mudou qualquer coisa... De imagem, pelo menos... e como não queremos problemas com Direitos de Autor aqui ficam os registos:

A imagem do cabeçalho é um pormenor do quadro "Dois Sátiros", do pintor flamenco Peter Paul Rubens (1577-1640). Esta obra foi pintada em 1618/19 e está no
Alte Pinakothek, em Munique, na Alemanha.

Gosto do olhar do sátiro do primeiro plano... parece malandro e afável... ou não...
Espero que gostem.

terça-feira, 1 de maio de 2012

[1498.] Marti dies... vendo aviões do sofá



ANDA COMIGO VER OS AVIÕES

"(...) Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti"

Azeitonas, 2009

Os feriados são românticos. No aconchego do lar. Os meus, pelo menos... os de 2012... apenas esses... Longe de confusões, das aritméticas de metades à borla, quando a metade já é demais e não fica menos por ser, apenas, metade do que não precisamos!

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quarta-feira, 21 de março de 2012

[1497.] Lunae dies

Pormenor da frontaria da Capela de N.ª Sr.ª das Candeias, em Mala
(freguesia de Casal Comba, concelho da Mealhada)


A Capela de Mala é das mais bonitas do concelho da Mealhada. É um edificio do século XVIII (que segundo a memória paroquial do pároco, em 1758, tinha como orago N.ª Sr.ª da Purificação).
No sábado, com os meus escuteiros, fizemos o percurso do Caminho de Santiago no concelho da ealhada (Adões-Mealhada) e pude deter-me a observar a frontaria da capela que é muito trabalhada e muito linda.
Detive-me a ver três anjos, que decoram a base do campanário, os três feínhos que Deus-me-Livre, nenhum com cara de criança e todos homens feitos (não estivessem eles ali especados há séculos). Dá-me a impressão que antes de ali estarem terão estado noutra capela - nos tempos em que se desmantelavam capelas em Coimbra e as peças eram espalhadas pela diocese... (Agora dá a sensação que é ao contrário...).
Fica aqui o pormenor de um desses anjos... o menos senior dos três...

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sexta-feira, 16 de março de 2012

[1496.] Caminho

Caminhos de Santiago: Em 2011, passaram pela Mealhada, pelo menos, 647 peregrinos

Número de peregrinos a passar na Mealhada é onze vezes maior do que há 8 anos


Foi recentemente publicado - pela Oficina do Peregrino de Santiago, em Compostela - a estatística da peregrinação do ano de 2011 (de janeiro a dezembro). Da leitura do documento - disponível em http://www.peregrinossantiago.es/ - pode registar-se o aumento exponencial do número de peregrinos de todas as nacionalidades que faz o Caminho Português e os que, começando em Lisboa, passam, obrigatoriamente, pelo concelho da Mealhada.
A Oficina do Peregrino de Compostela não disponibiliza a informação de quantos peregrinos começam a sua peregrinação em qualquer ponto intermédio entre Lisboa e Porto. Assim, podendo ser uma estimativa por defeito, e sendo certo que todos os peregrinos de Santiago que partem de Lisboa e chegam a Compostela passam pela Mealhada, pode afirmar-se que no ano de 2011 passaram pelo concelho 647 peregrinos. Este número é inferior ao número de peregrinos que passaram em 2010 - foram 718 -, mas é importante salientar que o ano de 2010 foi Ano Santo Jacobeu, ou seja uma época em que o número total de peregrinos é, sempre, muito maior. Registe-se que em 2010 registaram-se 272 mil peregrinos a entrar na cidade galega de Santiago, enquanto que em 2011 o número total foi de cerca de 183 mil peregrinos.
Analisando os dados dos últimos oito anos - desde que há estatísticas publicadas - regista-se um aumento exponencial de peregrinos a passar pela Mealhada. Em 2004 foram apenas 57 os peregrinos a rumar no sentido sul-norte. No ano seguinte o aumento não foi significativo - apenas mais um. A viragem dá-se depois de em julho de 2006 o francês Alain Bezard ter feito a marcação do caminho português desde Lisboa com setas amarelas. Em 2006 passaram 72 peregrinos, mas em 2007 já passaram 219 - um aumento de 300 por cento. E a partir daí foi sempre a aumentar: Em 2008 o número de peregrinos a passar na Mealhada foi de, pelo menos, 357, de 449 no ano seguinte e, como já se disse, de 718 em 2010.
"Para este aumento terá contribuído a divulgação do Caminho Português junto das comunidades de aficionados do norte da Europa, mas, também, a melhoria das condições dadas ao peregrino para fazer o Caminho", declara o mealhadense Nuno Castela Canilho, peregrino, chefe dos escuteiros da Mealhada e membro da Archiconfradia Universal do Apotol Santiago. "Falamos, naturalmente, da marcação da rota fora das estradas nacionais e alcatroadas (trabalho e manutenção da sinalética que, no percurso Coimbra-Anadia, tem sido feito por voluntários e pelos escuteiros da Mealhada), do aumento de hospedarias e locais para os peregrinos dormirem - como a abertura de um Albergue de Peregrinos, privado, na Mealhada, ou do anuncio da construção de um albergue público em Coimbra - e, acima de tudo, da gentileza e abordagem das populações à passagem dos peregrinos", acrescenta Nuno Canilho, que exemplifica: "Se em 2006, quando passou Alain Bezard, o peregrino de Santiago era visto com estranheza e algum receio pelas pessoas, em 2011 a postura dos populares é completamente diferente".
"O Caminho Português de Santiago é uma oportunidade de negócio, para muitos dos cafés, mercearias, padarias, farmácias e outros comércios que estão espalhadas pelas aldeias que são cruzadas pelo caminho. Uma oportunidade que, nos dias de hoje, não faz sentido alguém se dar ao luxo de perder!", assevera Nuno Canilho, que estende a sentença, também, a residenciais e hoteis da Mealhada: "A rota está desenhada para ser conveniente ao peregrino a dormida na Mealhada, depois de na noite anterior ter dormido em Coimbra. Dormida que implica, para um peregrino jacobeu, o jantar de gastronomia local e substancial - no comer e no beber -".

A estatística completa do Caminho Português, em 2011
Analisando os dados estatísticos referentes ao ano de 2011, e comparando-os com o ano de 2009 (não sendo possível a comparação com o ano de 2010, por este último ter sido Ano Santo), os Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela, continuam a crescer, sendo - em 2011 - o itinerário que regista o maior crescimento, quase duplicando o número de peregrinos.
O Caminho de Santiago continua a atrair cada vez mais pessoas de todo o mundo. Sendo que este crescimento mantêm-se desde do Ano Santo de 1993. Em 2011 o número total de peregrinos que solicitaram a “Compostela” (diploma para quem efetuou a tradicional peregrinação jacobeia) foi de 183.366 peregrinos (+ 37.489 do que em 2009), de um total de 126 países (em 2009 foram 111 países).
Os Caminhos Portugueses quase duplicam o número de peregrinos, sendo o itinerário que regista o maior aumento. Em 2011 foram 22.062 os peregrinos que seguiram este itinerário.
Interessante é conhecer quem são estes peregrinos que escolhem os Caminhos Portugueses para realizar a sua tradicional peregrinação ao sepulcro do Apóstolo São Tiago Maior, em Compostela. Assim, dos 22.062 peregrinos registados neste itinerário, apenas 6.498 eram cidadãos portugueses. A maioria foi espanhola (com 8.196 peregrinos), sendo a Alemanha o único país a ultrapassar a barreira dos mil peregrinos neste itinerário (com 2.557 peregrinos). Este é um dado muito curioso já que em 2011 quase duplica (em comparação com 2009) o número de portugueses que peregrinam a Santiago de Compostela.
Em 2011 realizaram a tradicional peregrinação jacobeia um total de 8.649 portugueses (registando-se mais 3795 pere­grinos do que em 2009). Note-se que Portugal é o único país (dos 5 que mais contribuem com peregrinos) a registar um crescimento em relação ao Ano Santo de 2010 (com mais 863 peregrinos). Note-se também que o número de peregrinos portugueses ultrapassa pela primeira vez (desde 1992) o número de peregrinos franceses.
Outro dado interessante é saber onde estes peregrinos iniciam a sua peregrinação. Assim, dos 22.062 peregrinos registados nos Caminhos Portugueses, 7.720 começaram a peregrinar em Tui [na fronteira com Portugal, a 3km de Valença do Minho e a 117 km de Compostela] (destes apenas 213 são de nacionalidade portuguesa). Já desde Valença do Minho foram 2.815 peregrinos (dos quais 1466 – mais de metade portanto – são portugueses).
Mas é a cidade do Porto o ponto de partida mais escolhido dos itinerários portugueses (colocando-se no 8º lugar dos pontos de partida mais escolhidos de entre todos os Caminhos/ Itinerários). Foram 6.539 os peregrinos que iniciaram a sua peregrinação na Invicta (dos quais “apenas” 1.924 são portugueses). A partir de Lisboa foram 647 peregrinos a dar o primeiro passo rumo a Compostela e Ponte de Lima, Braga e Chaves são as demais cidades preferidas para se iniciar a peregrinação a Compostela (sendo que os portugueses preferem o Porto, Valença do Minho e Ponte de Lima).
A tradicional peregrinação jacobeia continua claramente a se fazer a pé (153.065 peregrinos escolheram esta modalidade no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 18.155. No entanto os cidadãos portugueses estão divididos! Foram 4.618 que peregrinaram a pé, e 4.026 os que peregrinaram em bicicleta!), e por motivos religiosos ou religiosos e outros (172.116 peregrinos deram esta resposta no conjunto dos itinerários, sendo que nos caminhos portugueses foram 20.799. Esta também foi a resposta da maioria dos portugueses, com 8.259 peregrinos a peregrinarem por estes motivos).
Verifica-se um claro aumento do número de peregrinos nos Caminhos Portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela, bem como do número de peregrinos lusos, isto apesar da contínua indiferença do estado português para com este Grande Itinerário Cultural Europeu.
O Caminho de Santiago é o primeiro e o principal Itinerário Cultural Europeu e um modelo de relação transnacional pan-europeu, com grande biodiversidade e diversidade cultural refletida nas suas paisagens e no seu rico património cultural.
A desarticulação existente na atualidade entre as iniciativas de promoção local e a inexistência de uma estrutura de gestão global deste itinerário em Portugal, num momento em que o nosso país atravessa uma grave crise financeira, é uma oportunidade perdida para o desenvolvimento sustentável, para contrariar a debilidade do sistema demográfico e a escassa densidade populacional e o reequilíbrio do sistema rural-urbano.
Em Dezembro de 2010, o Comité de Ministros do Conselho Europeu, aprovou a Resolução CM/ Res (2010) 53, mediante a qual se estabelece um Acordo Parcial Ampliado (EPA) sobre os Itinerários Culturais, ao mesmo tempo que propõe uma nova regulação para os Itinerários Culturais Europeus, de entre os quais se destaca o Caminho de Santiago, como o Primeiro aprovado.
Durante o ano de 2011, o Conselho de Europa, conjuntamente com a Comissão Europeia, realizaram um estudo sobre a importância destes itinerários para o desenvolvimento, competiti­vidade e inovação das PME’s, concluindo-se da necessidade de articular estratégias conjuntas de I+D entre as universidades e centros de investigação com as associações empresariais (sobretudo representando PME’s).
JM/AEJ

http://www.jornaldamealhada.com/noticias/show.aspx?idioma=pt&idcont=457&title=caminhos-de-santiago-em-2011-passaram-pela-mealhada-pelo-menos-647-peregrinos

terça-feira, 13 de março de 2012

[1495.] Desnorteio


A Vida tem ritmos que nem sempre conseguimos compreender. Seja o destino, seja o teste de Job em cada um de nós na nossa passagem (peregrina) pela terra dos vivos, a verdade é que nem sempre estamos onde queremos, ou estamos a fazer o que gostariamos, ou estamos como gostaríamos. Quando temos consciência disso, vivemos o que se pode chamar um desnorteio...

Sinto-me um bocado desnorteado... Tenho dito aos meus amigos que estou em suspenso... Ou estou mesmo suspenso... Se calhar estou demasiado ligado ao projecto que abracei a 05.01.2005 e estou solidário... até na suspensão.

Acredto que melhores dias virão. Acredito que estou (estamos?) a um passo de sair deste estado de letargia terrível e que voltaremos a ser o que éramos... Ou talvez melhores!

Tenho vivido segundo a máxima: Se o que tens para dizer não é bom... Não digas nada! 
E por isso não há fio nem dias desde 26 de janeiro...

Espero voltar! - Eis a frase que m acompanha desde janeiro!
Tenho, de facto, essa Esperança.
Até lá!
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

[1494.] O Estado da União (EUA, em 24 de janeiro de 2012)

O Presidente Obama, dirigiu-se à nação, em mais um aniversário da sua tomada de posse, a 24 de janeiro de 2012, naquele que é conhecido como o dscurso do "Estado da União". É um discurso importante, que a Nação e o Mundo ouvem atentamente, até porque - por ser uma tradição e anual - é o balanço da actividade do governo durante o último ano. Em 2012, para Obama, este é, também, o discurso de balanço do mandato que prometeu ser capaz de mudar a América... mesmo em tempo de crise.

Repare-se no video interno da Casa Branca em que é explicado como é escrito o discurso presencial (o primeiro video), e veja-se o discurso a ser proferido... (o segundo video). Disse bem: veja-se! Porque o discurso é proferido com convição, com enfase, com paragens e suspenses, mas leva uma caixinha ao lado, a ilustrar o que o presidente vai dizendo, com fotos, gráficos e esquemas...

É esquisito? É Politica no século XXI!
Um case-study, reconheçamos!



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

[1493.] Dia vencido 16.01.12


No domingo, 15 de janeiro, Dia de Santo Amaro, morreu Manuel Fraga Iribarne. Dom Manuel Fraga Iribarne. Ou simplesmente: Fraga. Presidente da Xunta da Galiza durante 15 anos (1990 a 2005), cargo que abandonou em junho de 2005 depois de ter ganho as eleições para a Xunta, aos 82 anos, perdendo a maioria absoluta por um deputado.

Manuel Fraga Iribarne é uma personagem que sempre me motivou uma grande curiosidade, na procura a algumas respostas.

A principal das questões que me suscita a vida política de Fraga tem a ver com o seguinte: O espirito democrata das pessoas está nas pessoas ou na sua circunstância? Ou seja, um responsável político é democrata ou está democrata numa determinada altura?
Fraga Iribarne foi ministro de Francisco Franco, o Generalíssimo ditador das Espanhas. Foi, de 1962 a 1969 ministro do Turismo e da Informação. Em boa verdade, foi Fraga Iribarne o pai do Turismo Espanhol, da afirmação da Espanha como destino turistico mundial de sol e praia, dos Paradores em luagres históricos. Isto na década de 60 do século passado. Em 1966, foi o pai de uma nova Lei de Imprensa - tema relevante numa ditadura, convenhamos.
Em 1973 tornou-se embaixador de Espanha no Reino Unido, numa espécie de prateleira dourada, depois de se ter incompatibilizado com alguns dos ministros do Governo Carrero Blanco.

Em 1975, com a morte do Caudilho, Fraga regressa a Espanha, para assumir funções no Governo de Transição e da Monarquia Restaurada, como segundo vice-presidente para os Assuntos Interiores e para a Governação, executivo chefiado por Arias Navarro. Ao longo dos dois anos da transição, o ministro o Interior soube segurar o país na transição suave e democrática, apesar de nesta altura de manifestações que acabavam com mortos - nomeadamente dois militantes das comissiones obreras - Fraga atreveu-se a dizer "La calle es mia!" A Rua é minha!.
Fraga foi um dos pais da Constituição Democrática - aprovada em 1978 - e fundou o partido da direita democrática, a Aliança Popular, que mais tarde se tornaria o Partido Popular.
Fraga não voltaria a ocupar lugares governamentais. Sucedeu-lhe na liderança do partido um seu protegido - José Maria Aznar, que viria a chefiar o Governo de Espanha de 1996 a 2004. Foi o mentor de outro galego - Mariano Rajoy - que é primeiro-ministro de Espanha desde 20 de novembro de 2011. Fraga foi o único espanhol a candidatar-se a todas as eleições democráticas em Espanha. Foi deputado, eurodeputado, senador.

Em 1990 este galeo de Villalba, mas que há muitas décadas se perdera por Madrid, regressa para ser presidente da Xunta da Galicia - Presidente do Governo Autonómico da Galiza. Durante os 15 anos do seu madato, a Galiza tornou-se um ponto de interesse turistico global - graças ao apoio que deu Fraga aos Caminhos de Santiago e ao turismo jacobeu. Cidades como Vigo e Corunha tornaram-se importantes polos industriais. A Galiza mostrou à Espanha que não é uma coutada de analfabetos e rurais!

Ontem morreu Dom Manuel Fraga Iribarne. Uma personalidade incontornável da história da Espanha na segunda metade do século XX e na transição democrática (com boas e más razões a justificá-lo!). Um homem igual a si próprio!