segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[1549.] O fio dos dias

'O fio dos dias' completou seis anos no passado dia 2 de novembro de 2012. Ao longo destes dois anos teve quatro tipos diferentes de aparência e disposição e 12 layouts. Uns duraram mais do que outros, mas aqui estão todos, para memória futura.

Numa primeira fase, procurámos a ideia da árvore (e não a floresta) perdida e solitária na paisagem. Um elogio à individualidade da opinião, simbolizada na árvore fixa ao chão de um território.
 






Depois, procurámos evidenciar 'O fio dos dias', mais como uma página pessoal do que como um mero blogue. Foi nessa altura incluída a página 'biografia' - essencialmente para colocação de um currículo acessível em caso de necessidade - e linkagem a outros blogues - como o Eternas Efemérides (ainda sem postagens) e o Lobo Irmão (exclusivo da temática escutista). Como página pessoal procurámos colocar em destaque a pessoa do autor, e o moto: "Saber, Querer e Agir", três verbos de que gostamos muito, em detrimento do "Nada nos é indiferente" da primeira fase. 



  

Mais recentemente, já em 2012, tirámos a carantonha do autor do layout e procurámos regressar ao tom mais blogueiro e menos página pessoal. Manteve-se o nome do autor no layout. A primeira experiência não gostou muito bem, os amigos acharam o olhar do fauno demasiado diabólico. A segunda esteve apenas poucos dias, também muito criticado pelos fans do blogue. O terceiro, apesar das criticas da corda - que, dizem, parece ser do enforcado - ainda tem perdurado...


 

É possível que nas semanas voltemos às mudanças... Para onde? Não se sabe... Regressar às àrvores sioladas? É uma hipótese.

Agradeço sugestões.

domingo, 9 de dezembro de 2012

[1547.] Dia vencido - 9 de dezembro de 2012

Hoje houve Conselho Regional de Coimbra do CNE. Depois de todas as tentativas- adiamentos sine die, silêncios, anuncios de pseudo-movimentos de fundo de contestação - para impedir que em agosto próximo tivesse lugar o Acampamento Regional, a verdade é que os conselheiros presentes disseram mesmo que queriam o acampamento. Uma vez mais, reinou o "nim" da parte de quem quer estar bem com Deus e com o diabo e transferir para os outros o ónus de uma decisão. É a chamada Alta Política de quem mais depressa aponta uma falha nos outros do que em si...

Saí da reunião com uma alegria:
Nem mesmo um "fraco rei faz fraca a forte gente!", que me perdoe o Camões...


[1537.] Hoje... 9 de dezembro

Há precisamente 620 anos, em 1392, nasceu Pedro, filho de D.João I, o primeiro Duque de Coimbra.
Foi um dos mais brilhantes governantes de Portugal - como regente na menoridade do seu sobrinho D.Afonso V. O ideal do Político brilhante e extraordinário. A falta que nos fazem os testemunhos de homens como este.

sábado, 8 de dezembro de 2012

[1546.] Dia vencido - 8 de dezembro de 2012


O amor e os laços II

 O olhar de um bebé, mesmo que vago e espantado, com a nossa consciência de que não está a ver, realmente nada, parece sintetizar toda a Esperança no mundo. É quase mágico.






[1606.] YPSILÓN_10



YPSILÓN #10
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

[1545.] Dia vencido - 7 de dezembro de 2012

 O amor e os laços I



Socorri-me da primeira carta Enciclica de Bento XVI - Deus é Amor - para encontrar uma definição simples e precisa das diferenças de Amor, ou dos diferentes "amores" que aos homens o sentimento permite. Tinha ideia de lá ter essa definição. Não me satisfez... Socorri-me da Wikipédia... mas também ficou aquém do pretendido...

Que nome se dá a um laço completo e riquissimo, ao amor, que sentimos por uma criança que não sendo nossa filha nos parece que, mesmo assim, estabelece connosco, na primeira troca de olhares, uma ligação perpétua?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

[1543.] Dia vencido - 6 de dezembro de 2012

Ter um blogue...

Um professor universitário, há uns dias, sugeria aos novos estudantes de jornalismo e comunicação social de uma escola superior de Coimbra (das muitas com estes cursos), que os alunos expressassem a sua opinião, mantivessem blogues actualizados onde pudessem, amplamente, divulgar os seus estados de alma.
O professor terá razão, certamente, no sentido da importância de os alunos conseguirem demonstrar, clara e inequivvocamente, que sabem escrever correctamente, que conseguem apresentar um raciocicio coerente e eficaz aos olhos do receptor de uma determinada mensagem. Não tenho a mesma certeza da razão do professor relativamente à questão da opinião amplamente divulgada...

Parece-me importante que o jornalista tenha uma visão do mundo, tenha cultura geral suficiente para ser versátil e eficaz no tratamento de mensagens que podem, num mesmo dia, ir da astronomia, à política, passando pela religião ou pela medicina ou futebol... Mas daí a apresentar a sua opinião não como transmissor, mas como emissor de ideias pessoais parece-me arriscado. Ao jornalista exige-se que seja imparcial, que consiga transmitir uma informação sem se perceber, claramente, se discorda ou concorda com o conteúdo, ou se gosta ou não gosta do emissor.

Ter um blogue, nesse sentido, é perigoso. Falo, naturalmente, por experiência própria, apesar de quando assumi as funções de direção do Jornal da Mealhada ter assumida uma identidade politica e ideologicamente conhecida pela comunidade. Muitas vezes limitei a minha opinião aqui n' o fio dos dias para que na minha função profissional não fossem deturpadas as informações sobre um determinado tema.

Agora mais liberto destes algozes e auto-censuras, talvez o fio dos dias ganhe alguma vitalidade e não seja, apenas, um repositório.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[1542.] Dia vencido - 5 de dezembro de 2012

Alguma nostalgia, alguns telefonemas, alguns mails, algumas mensagens no facebook. Em muitos a pergunta: Porquê? E a resposta na ponta da lingua: Oito anos não serão tempo mais do que suficiente?
Na minha cabeça apenas uma pergunta. Apenas uma. Será que algum dia vou ser tão feliz a trabalhar como fui no Jornal da Mealhada?
A resposta virá no fim, apenas no fim.

[1536.] Mercurii dies... o último editorial

Missão cumprida.

Até sempre.

A presente edição do Jornal da Mealhada, em vésperas do 27.º aniversário da publicação, é a última em que exerço as funções de director. Oito anos depois de ter aceite o desafio de dirigir a mais antiga publicação do concelho da Mealhada, sinto que cumpri a minha missão e é com muita satisfação e alegria que a dou por terminada e me dirijo aos seus leitores na primeira pessoa.
Os primeiros seis meses deste ano de 2012 foram, para mim, extraordinariamente dolorosos e exigentes na procura de uma solução económico-financeira que permitisse a subsistência de uma publicação que é, para mim, mais do que uma casa. Tenho a consciência de que fui criticado, censurado e, tantas vezes, ridicularizado por manter nos lábios a garantia de que o Jornal da Mealhada não iria acabar, iria “regressar”, iria resistir a um momento difícil que infelizmente está a destruir milhares de pequenas e médias empresas em toda a Europa. Não será falsa modéstia asseverar que a minha teimosia, aliada a uma forte convicção e esperança – quando mesmo no meu círculo mais próximo já não se acreditava –, confederada no apoio de Bruno Peres, da minha família, e, mais tarde, na aceitação da parte da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, e do seu provedor, permitiram que em 4 de julho de 2012, cento e oitenta e sete dias depois de termos anunciado a suspensão, o Jornal da Mealhada voltasse às bancas e os delatores tivessem de se reduzir ao embaraço de engolir o muito que expeliram. Ficaram, para trás, nessa altura, cento e oitenta e sete dias de grande esgotamento psicológico e emocional, mas, também aqui, a convicção da missão cumprida.
Ao longo de oito anos, procurei dirigir o Jornal da Mealhada com inteligência e imparcialidade. Nunca impus as minhas ideias ou idiossincrasias ideológicas aos leitores. Muitas coisas que não corroboro foram publicadas, ao abrigo do Direito à Opinião de cada um dos colaboradores e dos protagonistas, cumprindo a máxima de Voltaire: “Não gosto de nada do que diz, mas seria capaz de dar a vida para que continuasse a poder dizê-lo!”. Procurei, sem pôr em causa a herança, desenvolver, procurei inovar, procurei ir mais além no serviço público de informar, intervir e dar opinião na comunidade em que o Jornal da Mealhada, há 27 anos, se insere. Não terei conseguido totalmente, não terei conseguido sempre, mas acredito que a minha missão foi amplamente cumprida.
Não é um momento de despedida, até porque continuarei a colaborar com o Jornal da Mealhada, que foi a casa onde desde os meus oito anos – desde logo com a paciência do professor Armindo Pega – aprendi a ler, a escrever, a contar, a manusear um computador, a colar etiquetas, a gostar de jornais, a conhecer o mundo e, principalmente, a comunidade que me comprometi servir. Nos primeiros meses em que dirigi o Jornal da Mealhada, era recorrente dizer que nem me parecia justo receber remuneração para fazer algo que me dava muito prazer. Nos últimos quarenta meses, quando a remuneração não existia, continuei com a mesma alegria e prazer, até à inevitabilidade da paragem.
Neste fim de ciclo, cumpre-me agradecer. Um primeiro agradecimento para Isabel Canilho – que soube ser colaboradora sem deixar de ser mãe –, para Afonso Simões – que foi sempre inexcedivelmente solidário e amigo –, para Mónica Sofia Lopes – que foi de uma dedicação e resistência inauditas –, e, de modo muito especial, para Bruno Peres – que conseguiu sempre ser cúmplice, especialmente nos maus momentos. Um agradecimento especial, também, para os sócios da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, que nunca deixaram de dar apoio ao director, e especialmente aos gerentes que comigo trabalharam – César Carvalheira, Hélder Xabregas, António Lucas, Edmundo Carvalho, Carla Carvalheira e João Pega – que foram sempre solidários e nunca admitiram que faltasse fosse o que fosse aos que ao Jornal dedicavam o seu esforço. Não menos importante, o agradecimento a todos os colaboradores que escreveram, deram opinião, análise e trabalho, tornando este jornal numa publicação de referência. E a todos os protagonistas desta comunidade – autarcas, dirigentes, entre outros – que sempre trataram o Jornal da Mealhada com respeito e sentido de colaboração.
Os últimos agradecimentos ficam para a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, para os leitores, e especialmente aos assinantes, e aos anunciantes, pela confiança, e para os dois maiores responsáveis pelo sucesso desta demanda: Abílio Duarte Simões e Manuel Almeida dos Santos. Estejam onde estiverem, aceitem o meu humilde obrigado pelos ensinamentos, pela solidariedade, pela cumplicidade, pela paciência, e pelo enorme sacrifício.
Ao professor Braga da Cruz, que me sucederá nesta missão, tornando-se o oitavo director do Jornal da Mealhada, fica a minha disponibilidade para colaborar e ajudar no que considerar necessário e os votos de grande felicidade – pelo menos tão grande como a minha.                                                               

Até sempre.

Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

[1541.] Dia vencido - 4 de dezembro de 2012

Hoje escrevi o meu último Editorial, para a edição de amanhã do Jornal da Mealhada - a última que assinarei como diretor.  Ao longo de, aproximadamente, 2890 dias, dirigi a publicação que tinha dezanove anos quando assumi a sua direção editorial e deixo, agora, com 27 anos. Ao longo deste tempo procurei sempre dar ao jornal uma assinatura, sem com isso querer fazer do jornal um aeropago das ideias de quem o dirige. Contrariamente ao que acontece com a maior parte dos jornais regionais, procurei que o Jornal da Mealhada tivesse, sempre, Editorial. Só no último ano, em 2011, é que fui menos profícuo na produção de editoriais semanais, sem ser repetitivo. Provavelmente, um dos sinais visiveis do meu cansaço poderá consubstanciar-se neste facto, que é, para mim, uma falha.
Nos primeiros tempos, em 2005 e até fevereiro de 2007, eu escrevia os editoriais e dava a lê-los ao Padre Abílio Simões, que o discutia comigo o seu conteúdo e clareza. Mais tarde, depois do falecimento deste, fui ajudado na mesma tarefa - com menos discussão, no entanto, pelo professor Manuel Santos. Depois da descoberta da doença do professor Santos, passei a fazer esse trabalho sozinho, sem rede.
O editorial não deve ser sentido como um texto de opinião do autor. Isso seria, tão só, uma mera opinião. Também não pode ser uma posição oficial da redacção, pois isso obrigaria a uma tomada de posição unanime ou pelo menos generalizada. Ou seja, trata-se de uma peça redactorial importante que não pode ser banalizada nem comprometer demasiado. Acho que consegui, na maior parte das vezes.

Hoje foi o ultimo. procurei não ser demasiado lamechas, mas não perder a sensibilidade de uma despedida de 8 anos...

A ver vamos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

[1540.] Dia vencido - 3 de dezembro de 2012

O Senhor ajuntou:  
"É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra,
e o seu pecado é muito grande". 
Génesis 18,21

domingo, 2 de dezembro de 2012

[1539.] Dia vencido - 2 de dezembro de 2012

Uma das principais frustrações de ser adulto no Escutismo é a dupla obrigação de ser testemunho e de estar presente.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.

sábado, 1 de dezembro de 2012

[1538.] Dia vencido - 1 de dezembro de 2012

O estigma do dia passava por ser o do último feriado da "Restauração da Independência". Depois de um ano a discutir feriados e a ouvir argumentos e contra-argumentos para acabarem todos menos o preferido de cada um, chegámos, finalmente, à vaca-fria... que este ano nem se sentiria (porque calhou a um sábado) e para o ano também não se vai sentir (por ser domingo)... Provavelmente quando chegarmos a 2014 já ninguém se lembra deste feriado... até porque poucos eram os que sabiam o significado deste e de qualquer outro.
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...  
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
 Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.

Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...

[1605.] YPSILÓN_09



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sábado, 24 de novembro de 2012

[1604.] YPSILÓN_08



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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

[1603.] YPSILÓN_07



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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

[1535.] Mercurii dies

O dilema, no esplendor do caos
 
Do confronto político em Portugal, dos pseudodebates entre partes organizadas na dialéctica democrática, chegamos à conclusão de que é completamente estéril o formalismo que a Constituição estabelece como forma de organização dos cidadãos. Contrariamente ao que asseveram senadores (no caso senadora) da Economia-que-só-acerta-quando-está-fora, não queremos com isto dizer que "os problemas complexos não se conseguem resolver em democracia". Não, nada disso!

O que nos parece é que o sistema partidário em Portugal está completamente falido. Os partidos políticos estão completamente focados na transmissão da sua cassete, que só eles ouvem — como se discursassem para se ouvir a si próprios — e não na resolução concreta de problemas reais das pessoas. Os partidos portugueses são hoje parte do problema, e não parte de qualquer solução.

Não se reduz o número de deputados, porque os partidos mais pequenos não deixam. Não se mudam leis eleitorais porque os partidos da coligação do Governo não se entendem. Não conversam os líderes dos principais partidos porque um acha que foi desrespeitado e o outro não disse sobre o que queria falar. Não se tolera que se altere a constituição porque cada partido acha que o outro a quer subverter ideologicamente...

Portugal precisa de uma refundação? Claro que sim. Precisa de reajustar o Estado Social? Claro que sim. Mas só depois de os partidos políticos se refundarem, se democratizarem e se reajustarem ao mundo. Primeiro salvem-se, e depois queiram ajudar a salvar o país!

Como diz Eduardo Lourenço: "Pode discutir-se se a desordem em que estamos mergulhados — desde a económica até à da legalidade e da ética — releva ou não, em sentido próprio, do conceito de caos. Do que não há dúvidas é de que o habitamos como se fosse o próprio esplendor". 
 
Editorial do Jornal da Mealhada de 7 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

[1534.] Hoje... é dia de São Nuno de Santa Maria

 
São Nuno de Santa Maria, no

[1533.] Hoje... é dia de Marte

Hoje, dia 6 de novembro é Dia Grande.
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...


[1532.] Mesmo desiludido, eu votaria Obama.

 
Se eu visse um americano a dizer-me em que eu deveria votar, eu, provavelmente, faria exactamente o contrário... porque sei que os americanos são completamente indiferentes ao que se passa no meu país e o seu envolvimento não seria inocente, nem a pensar no bem-comum de Portugal. Mas o que se passa na América não é indiferente ao resto do mundo, e por isso a minha opinião não é indiferente, porque o mal da América é o mal do mundo. 
Eu votaria Obama. Não porque tenha feito um bom mandato, ou porque tenha estado de acordo com as expetativas que o mundo criou com ele. Não. Antes pelo contrário. Relativamente à política externa, esteve muito manso para alguém que em menos de um ano na Casa Branca foi Prémio Nobel da Paz. 
 
Eu votaria Obama porque a alternativa é muito pior do que o que nele podemos criticar. Eu, hoje, votaria Obama, porque votar noutra solução é apoiar novas guerras, mais mortes, mais desnorte, mais crise e mais marasmo. E disso prescindo eu, e prescinde o mundo. Todo.

[1602.] YPSILÓN_06




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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

[1530.] Lunae dies no Camiño (da vida)


Regressar a Santiago é uma experiência espiritual.
Regressei a Santiago, como peregrino, na quinta-feira, 1 de novembro, pela quinta vez. Desta vez pelo Camiño "dos mil nomes" - Sudeste, Via da Prata, Sanabrês, da Fonseca, Mozárabe... seja o que for.
Graças a Deus, cada regresso é feito na companhia de amigos e companheiros de viagem. "Nunquam solo ambulanbatis", ou "Nunca Caminharás Sozinho", para não cantarolar o "You'll never walk alone!". Em 2007 fomos quatro, o mesmo número em 2009 e 2010, sete em 2011 e, agora, dez.
Em cada uma das experiências a companhia é relevante. Os fidelíssimos, os que caminham em espírito em cada jornada, os que repetem, os que ensinam, os que amam, os que são, e os novos aventureiros, todos alinham numa experiência que é, ao mesmo tempo, comunitária - entre nós e entre os peregrinos que encontramos no caminho - mas, também, muito solitária.
Em 2009, eu e a Inês eramos namorados. Noivos, mas (apenas) namorados. A experiência não foi fácil para nenhum dos dois, deixou mazelas durante e depois do Camiño, e a repetição da experiência seria uma coisa a fazer, mas com conta, peso e medida. Já casados, repetimos a experiência, mais maduros, mais avisados, mais conscientes, mais cúmplices. E porque mais apaixonados, fizemo-lo mais autónomos. Contradição? "Assim como as cordas do alaúde são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia, também as colunas do templo erguem-se separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro".
Foi uma experiência transcendente e muito importante para um caminho entre duas pessoas que querem ser felizes até à eternidade. Porque o Camiño recomeça em cada regresso a casa.
Amo-te muito princesa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

[1601.] YPSILÓN_05


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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

[1600.] YPSILÓN_04



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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

[1599.] YPSILÓN_03



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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

[1598.] YPSILÓN_02


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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

[1529.] Mercurii dies em nome da Pátria

"O Último Castelo"


A República Portuguesa em tempo de resgate viveu mais um dia em que pode "comprovar" a Lei de Murphy: "Se alguma coisa puder correr mal... certamente correrá mal!". Não bastava o pulsar do Povo a gritar, a instabilidade na coligação governamental, as críticas de insensibilidade ao Chefe de Estado, a tensão nas autarquias locais, a certeza de um último feriado em cinco de outubro e alguma coisa tinha de correr mal... a bandeira da República foi hasteada ao contrário. Alguma coisa poderia correr pior? Se podia vai acontecer em breve...
A imagem do próprio Chefe do Estado, ao lado de alguém que se perfila para lhe suceder ou chefiar o Governo, a hastear a bandeira nacional de pernas para o ar, em dia de cerimónia do 102.º aniversário da implantação da República, perante o olhar distante dos portugueses na Praça do Municipio de Lisboa e em casa pela televisão,  pode parecer, apenas uma caricatura... mas é mais do que isso... é uma terrível alegoria!
Em linguagem militar, uma bandeira hasteada de pernas para o ar é um sinal, é uma codificação para transmissão de uma mensagem muito precisa. Uma bandeira hasteada ao contrário significa que o território onde ela está foi tomado pelo inimigo. Ao hastear uma bandeira ao contrário, o transmissor pretende pedir ajuda a quem, ao longe, pode observar a bandeira. Trata-se de um pedido de socorro, naturalmente, que se verbaliza na consciência de que quem hasteia a sua bandeira nacional - o símbolo máximo da Pátria - de pernas para o ar está em terrível sofrimento.
No filme "O Último Castelo", de 2001, com Robert Redford e James Gandolfini, de Rod Lurie, o gesto é dissecado e a sua explicação democratizada. Redford faz o papel de um coronel preso por insubordinação, mas que se mantém leal aos valores e à ética militar, consciente de que o que o levou à prisão foi resultado de uma opção de mal menor. Na prisão deve obedecer a  alguém arrogante, incompetente e que maltrata e desrespeita os presos. A visão estratégica do preso leva-o a tomar a prisão, desmascarando o mau da fita, e morre agarrado à bandeira que deveria ter sido hasteada ao contrário, mas que não o foi, porque se "castelo estava tomado" pelo lado Bom da Força não valia a pena desrespeitar a bandeira.
Num país tão romântico como o nosso, a passada sexta-feira teria sido um dia simbólico para a ocorrência de um pronunciamento. A 5 de outubro assinala-se o dia da assinatura do Tratado de Zamora, entre o Rei Fundador e Afonso VII de leão e Castela. 5 de outubro de 1143 foi o dia da Fundação de Portugal, é o dia primeiro de quase nove séculos de história. Esta data seria merecedora de feriado nacional, em qualquer país do mundo... Em Portugal é feriado por causa de uma mudança de regime, qual elogio da justiça dos vencedores. Dizem que vai deixar de ser... por cinco anos... nos próximos dois calhará ao fim-de-semana e ninguém dele se lembraria... depois se verá. E quando voltar será o dia da República? Será o dia da Fundação? Será o dia em que o Chefe do Estado mostrou ao mundo que o país foi ocupado e está em sofrimento?
Cavaco poderá perguntar a si próprio: O que mais me poderá acontecer? Um dos seus assessores evitará dizê-lo, mas lembrar-se-á de Edward Murphy...

Editorial do Jornal da Mealhada de 10 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

[1597.] YPSILÓN_01




YPSILÓN #01

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

[1528.] Mercurii dies escatologicamente

 

Morte

Os gregos antigos, os clássicos, acreditavam que o destino dos homens e dos deuses era tecido, enrolado e cortado por três irmãs, as Moiras, filhas de Zeus e de Nix, a deusa da Noite. Clótos tecia o fio da vida, fazendo nascer os homens. Láquesis enrolava o tal fio, definindo, com as suas voltas, o que seria a vida de cada um. E Átropos cortava o fio, pondo um fim à tal vida controlada. Cada uma destas irmãs era ajudada por mais três divindades, que isto de olhar por tanta gente não seria tarefa fácil. O filósofo holandês Espinoza dizia que “O homem livre, no que pensa menos é na morte”. Será verdade? Serão Láquesis e Átropos tão insignificantes para nós?

Nos momentos em que sofremos com o desaparecimento de alguém de quem gostamos - como é o caso do Dr. José Rocha - ou lembramos com saudade que já partiram - como Manuel Santos, Abílio Duarte Simões ou Liberto Maia, para não falar de familiares, naturalmente - não conseguimos deixar de pensar na fragilidade da existência e de chamar estúpida à morte, que tantas vezes surge, convenhamos, como um alívio.

Parece que nunca pudemos ser tão saudáveis como somos hoje, e no entanto parece que nunca estivemos tão doentes. Todos os dias sabemos de mais um caso de cancro, de mais um exemplo de sofrimento. E a pergunta surge: "Como é possível?", "O que será que andámos a fazer uns aos outros? E a nós próprios?".

Não é fácil arranjar ânimo para continuar e cada ida ao médico é mais uma angústia, porque, mesmo vivendo em Economia de Guerra, parece que subsistem pandemias, numa espécie de catastrófico estado global de Depressão.

Dizia-me um grande amigo, falecido em fevereiro e que faria anos na passada segunda-feira, que a Fé, mesmo estando ao alcance de todos, só chegava a quem abrisse o coração. Este amigo, sofredor como não pensei ser alguma vez possível, chamava "colegas" aos rostos que ia vendo, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, na quimioterapia do IPO em Coimbra. Na contabilidade de mais um que se juntava ao grupo dos colegas, somava-se a angústia e a dificuldade em aceitar "que calha a vez a todos...".

Nascemos - e por isso nos alegramos com o nascimento do Miguel, da Bruna e do Alexandre, enquanto esperamos pela Marta, pelo Pedro ou pela Margarida -, vivemos e sofremos, na primeira vez que a Carolina vai à escola, ou quando o César vai estudar para Coimbra. Saudamos os sucessos e amparamos as angústias nos tropeções que só ensinam. Mas não conseguimos ser indiferentes à morte, à saudade, à perda. Elogiamos Cloto, percebemos Láquesis, mas não perdoamos a Átropos. Mesmo quando ela alivia e põe fim ao sofrimento.

“O homem livre, no que pensa menos é na morte”. Deve ser verdade, porque caso contrário, não conseguiriamos levantar-nos de manhã da cama. Mas estamos sempre a falar dela... quando vemos os telejornais, quando comentamos o estado do nosso país e as dificuldades que se esperam. Ouvia-se esta semana alguém, da oposição política dizer: "O Governo está morto!". Outro dizia que "o país está morto!".

Será verdade?

Editorial do Jornal da Mealhada de 26 de setembro de 2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

[1527.] Mercurii dies tomando posição pública

Opinião sobre a Reforma da Administração Autárquica
 
A inevitabilidade de um "nem pensar!"
 

Portugal precisa, urgentemente, de uma Reforma da Administração Autárquica. Não o dizemos por questões meramente economicistas, ou por qualquer espécie de preconceito. As autarquias portuguesas precisam de um novo enquadramento legal, no âmbito das suas atribuições e competências, da clareza do seu exercício, da sua forma de eleição, das relações entre os vários níveis da administração local. Precisam, também, de uma revisão do seu mapa territorial e, ainda, do completar do edificio jurídico, com a criação das regiões administrativas, prevista na Constituição democrática.

O XIX Governo Constitucional decidiu - e bem - abalançar-se nesta demanda. No entanto, optou pelo caminho errado, cedeu onde não se admitiria que o fizesse e, portanto, falhou redonda e categoricamente nesse imperioso desígnio nacional.

A poucos dias de terminar o prazo para a pronúncia dos municípios relativamente ao primeiro eixo da alegada Reforma - o da reformulação do mapa territorial - e quando se sabe que os partidos do Governo não se entenderam quanto à elaboração de um projecto de Lei Eleitoral - que seria o segundo eixo da reforma -, é inevitável uma recusa veemente da alegada Reforma Administrativa e a exigência da interrupção imediata do processo legislativo, sob pena da implementação de um sistema perfeitamente atentatório dos preceitos mais importantes do Poder Local Democrático.
 
1 - O processo de elaboração desta alegada reforma começou de forma salutar, com a elaboração de um documento - "verde" - submetido a uma discussão pública. Nesse documento - mal ou bem - era defendida uma categorização das freguesias e definido um limite populacional mínimo por tipo de freguesias. Na nossa opinião, falhava nesse enquadramento inicial a visão reformista global que deveria analisar - a extinção, mas também a criação de - freguesias, mas também de municípios e círculos eleitorais uninominais. Faltava, ainda, uma definição concreta do conceito de freguesia - com a inevitável fixação de um limite populacional máximo -.

2 - O Governo ficou completamente aterrorizado com a vozearia que se fez sentir por parte de alguns autarcas e, em vez de melhorar o "documento verde", decidiu correr para a frente. Numa suposta posição de força meteu o "documento verde" na gaveta (antes mesmo de terminar o período de discussão pública) e construiu uma reforma completamente diferente. Para que não se verificasse mais gritaria, alegando falta de tempo, o projeto da reforma não chegou a ser discutido e só foi conhecido depois de aprovado pelo Conselho de Ministros, com o nome de Lei n.º22/2012 de 30 de maio.

3 - Esta reforma, entre outros absurdos, determina, então, que todos os municípios – a bem ou a mal - diminuam o número de freguesias (excepto para os que tiverem menos de quatro), independentemente seja do que for. Esta universalidade - qual solidariedade do "comem todos" - acaba por ser, então, um exemplo magnífico do absurdo que é a chamada igualdade formal, que não olha ao que é diferente para um tratamento comum, mas cego e nefasto.
Em hipótese académica, o município perfeito, com sete ou oito freguesias de população equilibrada e com características semelhantes é obrigado a agregar freguesias, criando, então, inevitavelmente, um desequilíbrio completo na organização destas comunidades.

4 - Se nalguns municípios bem próximos - como os de Mortágua e Penacova, por exemplo - poderá advir desta reforma alguns aspectos positivos (como o da agregação de freguesias com um número diminuto de pessoas), noutros, também próximos, persistem outros problemas (como o da freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, que tem muito mais pessoas do que todo o concelho da Mealhada).

5 - No caso concreto do concelho da Mealhada não se vislumbra qualquer benefício ou resolução de problemas, antes pelo contrário.
No concelho não há nenhuma freguesia com menos de mil habitantes - que era critério no "documento verde" -, ou seja, segundo a primeira fase desta alegada reforma, não careceria de qualquer "intervenção reformadora".  Com a nova lei do "comem todos", o concelho tem de reduzir de 8 para 6 as suas freguesias. Não pode unir a Mealhada com a Pampilhosa e as novas freguesias agregadas terão de ter continuidade territorial. São estes, à partida, os únicos critérios.
Se, de certa forma, seria entendível voltar a juntar Ventosa do Bairro e Antes - que até 1963 era uma só freguesia e são, ainda hoje, uma só paróquia religiosa -, dado que são as duas freguesias menos populosas (2003 habitantes) e com uma contiguidade quase perfeita (em 1104 ha), tudo o que vá para além disso já é praticamente impossível. Unir Ventosa do Bairro e Antes - mesmo que as duas freguesias, com um governo conjunto, mantivessem a identidade e fossem tratadas como duas freguesias conjunturalmente unidas - não seria fácil gerir as suas populações e criar-se-iam problemas sociais completamente desnecessários. Mas proceder à agregação de qualquer outro par de freguesias no concelho é uma asneira.
Agregar Antes e Casal Comba (uma das maiores freguesias em extensão territorial) e deixar Ventosa do Bairro isolada seria acentuar as desigualdades. Juntar Antes, Ventosa do Bairro e Casal Comba seria criar uma desmesurada extensão territorial que ia da Póvoa do Garção a Santa Luzia (seriam 3024 ha, quase trinta por cento do território). Juntar Casal Comba e Barcouço, ou Casal Comba e Pampilhosa, ou ainda Mealhada e Casal Comba seria criar uma freguesia populosa de mais, face às restantes. Por outro lado, juntar Vacariça e Luso, ou Vacariça e Pampilhosa, ou Vacariça e Mealhada (que foram uma mesma freguesia até 1944 e uma mesma paróquia até 1992), ou, até mesmo que artificialmente, Luso e Mealhada, seria criar extensões de território descomensuradamente ingovernáveis do ponto de vista da gestão dos recursos.

6 - Poderia restar uma solução menos má, a de agregar Ventosa do Bairro, Antes e Mealhada. Uniam-se, assim, as duas mais pequenas freguesias à maior, mas, por outro lado, àquela que na opinião de muitos, por ser a da sede do concelho e a mais urbana, é a que menos se justifica. Não é essa a nossa opinião, mas respeitamos o argumento.
Agregar estas três freguesias seria criar uma entidade que ficaria com, aproximadamente, um terço da população do concelho - cerca de 6500 habitantes - e uma extensão territorial assinalável - 2132 ha, ainda assim menor que a freguesia de Barcouço -. A questão é que a sede teria de ser recomendavelmente na freguesia urbana - por imperativo legal -, ou seja na Mealhada, pelo que só uma estratégia de desconcentração de serviços evitaria que estas populações perdessem, de facto, proximidade com a autarquia.

7 - Resulta claro - assim nos parece - que um novo mapa administrativo no concelho da Mealhada, com a obrigatória redução para seis freguesias só trará novos problemas e não resolverá nenhum dos existentes. Porque também há problemas.
Diferente seria se, de facto, houvesse uma verdadeira reforma administrativa, com a alteração, de facto, das freguesias e a resolução de problemas - como o de parte de Santa Luzia ser da freguesia de Casal Comba e de Souselas, ou as Lameiras - de São Pedro e São Geraldo, que têm contiguidade - serem ambas de Luso ou ambas da Vacariça - e nessa solução juntar, também, a Lameira de Santa Eufémia a esse consenso, ou colocar a Quinta do Valongo e Santa Cristina na freguesia da Pampilhosa, ou resolver os imbróglios administrativos de Adões e Sargento-Mor, entre muitas outras soluções que carecem de uma resposta verdadeira. Resposta que esta alegada reforma nem sequer tenta dar.

8 - Vimo-nos obrigados, então, a considerar que esta reforma, em vez de resolver os problemas da administração autárquica visa, única e exclusivamente, diminuir cegamente o número de freguesias. Pode dizer-se que é uma imposição do memorando da troika. No entanto, da leitura do referido memorando, resulta o compromisso de "reduzir significativamente o número de autarquias locais". Mas o que é, afinal, "significativamente"? Dez por cento é significativamente? Metade é significativamente? Em lado nenhum se determina o que se entende por "significativamente", e essa apreciação ficou ao critério zeloso de um qualquer funcionário, armado em legislador que entendeu ordenar a redução percentual de freguesias, e ignorando o conceito do que são autarquias locais (onde estão, também os municípios).

9 - Distanciamo-nos da ideia de que esta reforma sofre de inconstitucionalidade pelo facto de ser a Assembleia Municipal a determinar o mapa administrativo local, quando essa é uma competência exclusiva do Parlamento. A decisão final caberá, sempre, ao Parlamento que, para aferir da regularidade e decidir quando houver abstinência municipal, nomeou uma comissão técnica - presidida pelo académico coimbrão Lopes Porto. Recorde-se que, essa ideia de ser a assembleia municipal a definir que freguesias vai agregar, foi uma cedência do Governo à acusação de que os municípios estavam a ser desrespeitados por não terem "voto na matéria". A haver inconstitucionalidade esta seria, então, por excesso de participação, por excesso de democracia, o que não nos parece ser defeito.

10 - O Governo - nomeadamente quando confrontado pelo principal partido da oposição (que teve um comportamento perfeitamente deplorável em todo este processo) - sempre afirmou que a par desta reforma territorial apresentaria uma reforma da lei eleitoral autárquica e do quadro de competências das autarquias. Soube-se, há poucos dias, que os partidos que sustentam o Governo não conseguiram chegar a acordo quanto a uma proposta a negociar com o PS. Ou seja, não há lei. Usando o raciocínio do próprio Governo, se não há nova lei, não há reforma completa e, sem isso, um novo mapa autárquico é uma excreção.

Em suma, a reforma publicada na Lei n.º22/2012 de 30 de maio não é uma reforma, não resolve problemas, cria novos problemas, não é uma obrigação da troika e não há condições para ser completada - porque falta de consenso para a lei eleitoral. Ou seja, não resta outra alternativa ao Governo e aos partidos que o sustentam senão a sua suspensão imediata e de todos os seus procedimentos acessórios.
Os municípios que entendam ser benéfica uma alteração do seu mapa autárquico - se para isso chegaram a consenso e encontraram boas soluções - que a implementem, mas não há condições para ir além disso. Preocupe-se o Governo em regressar ao debate do Documento Verde - e melhore-o - e em fazer uma verdadeira e inteligente reforma administrativa do país. Indiferente ao desejo de ficar, na História de Portugal, ao lado de reformadores como Rodrigo da Fonseca ou Mouzinho da Silveira. Indiferente a vozearias que vão sempre ouvir-se da parte de quem quer que tudo fique na mesma - mesmo que esteja sempre a criticar o que está e passe a vida a desrespeitar as autarquias mais pequenas. Porque a reforma da administração local é imprescindível para o futuro de Portugal.
Entretanto a solução, na Assembleia Municipal da Mealhada, é, assim nos parece, aprovar, por unanimidade e aclamação, um rotundo "Nem pensar!". Mas não deve deixar de dar a sua opinião e de emitir parecer de forma a, em todas as fases de discussão, ter autoridade para se fazer ouvir sobre o que é melhor para a sua população.
 
Artigo publicado na página 20 da edição de 12 de setembro de 2012 do Jornal da Mealhada. Escrevi este texto na qualidade de cidadão que não quer ficar com o peso de consciência de que não fez nada, só porque o que podia fazer era pouco". Assinei-o, como licenciado em Direito, mestrando em Administração Pública e antigo autarca de freguesia e municipio de 2002 a 2005, eleito pelas listas do PSD.

[1526.] Mercurii dies em submersas divagações de Esperança

D'existir
 
Na mesma semana, Adriano Moreira - histórico e nonagenário senador da República - enunciou o perigo de uma "fadiga fiscal" nos cidadãos contribuintes, e o chefe do Governo, Pedro Passos Coelho, no epílogo da quinta avaliação da troika, anunciou as medidas que visam compensar o chumbo do Tribunal Constitucional quanto aos cortes de subsídios de Natal e de Férias. A contradição entre os dois discursos é total e absoluta. Entre outras medidas, o primeiro-ministro informou que os portugueses vão passar a descontar do seu salário uma maior fatia para a Segurança Social. Ou seja, vão ter menos dinheiro disponível no seu rendimento efectivo.

O discurso do chefe do Governo foi pelo próprio "esmiuçado" no Facebook... e confessada a alegada "tristeza" que sentiu ao proferi-lo.

A crise económica e financeira que a Europa atravessa está a ensinar-nos que é grande a distância entre os discursos políticos que se proferem e os discursos que os políticos gostariam de proferir. A verdade não pode ser toda dita, por que se não os mercados reagem e as pessoas entram em colapso, em desespero. Mas não se pode mentir, porque isso traz problemas de credibilidade perante os financiadores. O dilema não podem deixar de ser visto como terrível. Não acreditamos que os políticos gostem de dar más notícias, antes pelo contrário, pelo que, com mais ou menos sinceridade, não consta que masoquismo seja característica dos políticos hodiernos.


Vivemos tempos complexos, e estamos enleados numa teia de que não nos apercebemos. Como um nadador inconsciente, estamos no meio do canal e não nos resta mais nada senão nadar. Podemos nadar para a frente, ou nadar para trás. É exactamente a mesma coisa... Achamos que já não temos mais forças, mas não temos alternativa. Estamos convencidos de que não vamos aguentar mais, mas só nos resta nadar. Não há ajudas, não há salva-vidas, podemos parar e boiar durante um bocado para descansar, mas não dá para sair dali.

Não vale a pena pensar no que poderia ser diferente. Portugal, neste momento, não tem outra solução se não continuar a nadar. Nestes momentos pode pensar-se em desistir. E afogarmo-nos. Mas nem isso resolve nada, porque continuaremos cada vez pior. Podemos gritar por ajuda, e fazer chantagens... mas isso só nos faz perder energias.

Não sabemos se falta muito para chegar a terra, falta o que faltar. Não há hipótese de desistir, só uma alternativa nos resta e essa é a de existir. Continuaremos a existir. Teremos de continuar a lutar, teremos de continuar a fazer sacríficios, teremos de continuar a sofrer e a prescindir dos sonhos mais ambiciosos. Temos maus políticos? Temos. Fizemos más opções? Fizemos! Falhámos em muitas escolhas? Claramente. Mas não há hipótese de sair daqui. Podemos emigrar, mas o mundo todo está em crise. Podemo-nos revoltar e linchar os responsáveis, mas não vai ser esse sangue que nos vai alimentar e saciar a fome que já se vive.

No final fazemos contas.

No final faremos os julgamentos e condenaremos os responsáveis.

É escuro o cenário? É, de facto. Estaremos a ser pessismistas? Não, antes peloc ontrário: Não é pessimismo reconhecer que estamos mal. Não é pessimismo observar que não temos outra alternativa. É clarividência. E muita esperança. Muita Esperança no futuro, muita esperança nos que virão depois de nós e com o nosso testemunho e a nossa memória não repetirão os erros do passado e não se abalançarão a atravessar o canal sem pensar no que vai custar.

Editorial do Jornal da Mealhada de 12 de setembro de 2012
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

[1524.] História dos escutismos portugueses

INTRODUÇÃO DO ESCUTISMO EM PORTUGAL



www.loboirmao.blogspot.com

[1523.] Idos de março

Romae, in Foro Caesaris, a.d. VII Id. Mart., hora undecima

Sentou-se nos degraus do templo a observar as obras na Cúria e, de vez em quando, levantava os olhos para as nuvens cinzentas e desfiadas que pairavam sobre a cidade.
- Não vejo hora de partir. A política romana oprime-me.
- A expedição terá os seus riscos - replicou Cílio.
- Pelo menos, estarei frente a frente com o inimigo, no campo de batalha, e terei homens em quem posso confiar ao meu lado. Aqui não sei em quem posso confiar.
- É verdade, no campo de batalha todos devem confiar uns nos outros, a vida de cada um depende disso.
- Vês esta arcada? Uma delegação do Senado encontrou-se comigo aqui há algum tempo. Para me enumerarem todas as honras que, numa só sessão, me haviam decretado. Respondi que não deviam dar-me mais honras e cargos, mas tirar-mos.
Cílio sorriu.
- Sabes o que me responderam? Que eu era um ingrato.Que não me levantara quandos eles haviam chegado, comportando-me, assim, como um deus, dado o lugar, ou como um rei. Sentado no trono sob a arcada de um templo.
- Sim ouvi dizer. Mas são coisas que não se podem evitar: qualquer gesto teu, o menor deles, mesmo que insignificante, é amplificado, é-lhe atribuído uma enorme importância. Uma importância fulcral! É o preço que qualquer homem tem de pagar pelo poder.
- Bem, a verdade é que até César tem a sua dose de misérias humanas. Sabes porque é que não me levantei? - disse num esgar. - Porque estava com diarreia. E as consequências poderiam ter sido embaraçantes.
- Ninguém acreditaria, bem sabes. De todos os modos, é com estes boatos que tentam destruir a tua imagem junto do povo, convencer toda a gente de que queres tornar-te rei.
César inclinou a cabeça e suspirou. Tinha os braços apoiados nos joelhos como um trabalhador cansado. Depois, ergueu a cabeça, fitou-o com uma expressão enigmática e disse:
- E tu acreditas nisso?
- Em quê, que queres ser rei?
- Sim. Que mais havia de ser?
Cílio, perplexo, também o fitou.

IDOS DE MARÇO
Valerio Massimo Manfredi
Porto Editora, 2011
Páginas 76 e 77, capítulo VII

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

[1522.] Mapa de peregrinar



Já consultei muitos mapas de "caminhos de Santiago". Alguns deles já aqui os postei... No entanto, nenhum me parece tão inteligente como este, do site www.campus-stellae.org, da Universidade de Navarra para a acreditação universitária jacobeia. Apesar de a quilometragem poder não estar exacta (nomeadamente em relação ao Caminho Central Português) parece-me muito bom. Aqui fica para download dos interessados.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

[1521.] Nove anos

No passado domingo, 26 de agosto, passaram nove anos sobre a publicação, em Diário da República, da Lei que elevou a, até essa altura, vila da Mealhada à categoria de cidade. A decisão havia sido aprovada pelo plenário da Assembleia da República em 1 de julho e com a publicação tornava-se definitiva. No mesmo dia, idêntica decisão e publicação em relação a Oliveira do Bairro deu direito - durante breve trecho, é certo -, a Feriado Municipal nesse dia de solenidade. Mas na Mealhada não. Aliás, tirando meia dúzia de foguetes lançados pelo executivo da Junta de Freguesia da novel cidade, nesse dia 1 de julho, nunca houve sequer um simples assinalar da data.
 
Não fosse a tradicional aversão dos órgãos autárquicos às comemorações civis da nossa comunidade - de que é exemplo o Feriado Municipal, anual, (nunca assinalado) ou o 175.º aniversário da elevação a concelho, que aconteceu em novembro de 2011 - e poderia dizer-se que há uma espécie de vergonha em festejar a elevação à categoria de cidade. Não há vergonha nenhuma, reconheçamos isso. Há, pelo contrário, uma tradicional negligência neste domínio. E é pena, pensamos nós (naturalmente), que até nem somos muito festeiros... Justificava-se a comemoração - qualquer uma das três referidas - como se justifica o assinalar (por mais simples que seja) da Batalha do Bussaco, ou do 25 de Abril. São datas que fazem parte do nosso património coletivo e que nos distinguem como comunidade.
 
O processo de elevação da Mealhada a cidade foi doloroso, mas, nove anos passados, as feridas deveriam estar saradas. Será cedo para fazer um balanço de nove anos de cidade? Será que essa decisão influenciou alguma coisa o desenvolvimento do concelho? Estas e outras perguntas não precisariam de ser nesta altura respondidas, assim pudessemos nós, como comunidade, ter a maturidade suficiente para as fazer.

Talvez para o ano... Não será, certamente, tarde de mais.

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Às vezes, somos enganados pelo nosso cérebro (ou será pelos nossos medos) e, perante palavras escritas, não lemos o que elas encarreiradas dizem, mas pomo-nos a congeminar sobre as intenções escondidas de quem as terá escrito, recusando-nos a ler, de facto, e caindo na especulação pura. Diz o sábio povo que "bom julgador a si se julga". Pelo que quase sempre vemos no maquiavelismo dos outros o nosso próprio reflexo. Manda a honestidade que cada um seja julgado pelo que fez (ou escreveu) e não pelo que o que os outros teriam querido ler...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

[1518.] A tradição na Arte de Bem Servir...


HILÁRIO RODRIGUES CASTELA nasceu em Sernadelo, em 12 de fevereiro de 1905, filho, o segundo de cinco, de um carpinteiro do Palace Hotel do Bussaco.
Muito jovem, seguiu para Coimbra, para fazer estudo na Escola Comercial da cidade. Empregou-se como caixeiro e ali viveu até à decada de 1940, altura em que regressou a Sernadelo para ajudar o cunhado - Álvaro Pedro - a abrir um novo estabelecimento - o que viria a transformar-se no "Pedro dos Leitões".
Em 1956 casa-se com MARIA DA SILVA GUARDA, ganha a lotaria por duas vezes, é pai, e investe o que ganhou numa vivenda na terra natal.
 
 
A primeira equipa do Restaurante Hilário, em 1973.

Em 1 de janeiro de 1973, Hilário Rodrigues Castela, com a esposa e a filha, estabelece-se por conta própria. Abre o "Restaurante HILÁRIO", e na retaguarda um conjunto de quatro quartos que aluga como residencial. Durante aproximadamente dez anos fará a exploração dos dois estabelecimentos. 
No inicio da década de 1980 cede a exploração do restaurante, e é Mariazinha, a esposa, que fica a gerir a residencial, que expande de maneira muito significativa, primeiro juntando mais seis aos quartos que tinham, e mais tarde, em 1987, mais quinze.

A Residencial Hilário tornou-se, então, num espaço de paragem obrigatória de viajantes e especialmente de peregrinos a caminho de Fátima, que ali encontravam todo o conforto - em ambiente acolhedor e familiar - a um preço extraordinariamente económico.
 
No inicio do ano de 2005, Mariazinha, já com 80 anos, começa a transferir a gestão do espaço e do património que foi construindo aos netos, e em finais de 2008 começa uma nova fase do complexo Restaurante e Residencial Hilário. Filha, genro e netos encetam um processo de ampla reconversão do espaço, com a renovação completa da residencial, com a conversão de alguns espaços em apartamentos T0 e T1 e com a construção de um Albergue de Peregrinos - de inspiração jacobeia com lotação para mais dezasseis pessoas. Numa terceira fase, procedem, ainda, a uma requalificação profunda do espaço do restaurante - incluindo a sala de jantar, a cozinha, espaços de apoio e um lounge.
Em 9 de julho de 2012, filha, genro e netos de Hilário Rodrigues Castela e Mariazinha reabrem o "HILÁRIO", procurando recuperar a tradição e o estilo da Arte de Bem Servir.

A experiência como comercial em Coimbra e o trabalho no restaurante do cunhado tornaram Hilário Rodrigues Castela num especialista na Arte de Bem Receber e Servir. Simpatia, delicadeza e atenção marcam um estilo que fez escola na região e deixou como seguidores todos os que com ele trabalharam ao longo de décadas de serviço à Mealhada, à Bairrada e à sua gastronomia.

Hilário Rodrigues Castela faleceu em 1991, três dias antes de completar 86 anos. Maria da Silva Guarda Castela faleceu em 21 de junho de 2009.

Hoje, com o genro a filha e os netos, a tradição continua viva.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

[1517.] A caminho... em marti dies


Diz-se que o Caminho se faz caminhando... mas é em casa que começa. Sempre em casa.
No sábado acertámos a primeira decisão de mais um Caminho. Acertámos datas e é tempo de escolher o Caminho, ou escolher o percurso, bem entendido.
É como se já estivessemos a caminhar... em mais um roteiro de encontro com nós próprios. Anseia-se, antes do nervoso miudinho... prepara-se, para que só o inevitável falte...


Porque hoje é Marti Dies, terça-feira, fica uma das músicas - Santiago de Compostela - do filme "The Way", de Emilio Estevez, com Martin Sheen. Um tema com letra de Tyler Bates.

[1516.] "O que dizem os outros que Eu Sou?"

"O que dizem os outros que Eu Sou?"