sábado, 29 de dezembro de 2012
[1555.] "Já não somos a força de outros tempos", diz M.
Ontem fomos ao cinema. Vimos o 23.º filme da saga James Bond, ainda com Daniel Craig, "Skyfall". Somos fãs da saga de Ian Flemming... e talvez por isso custe um pouco mais entusiasmarmo-nos com um destes filmes. Este filme de Sam Mendes não comprometeu. Gostámos.
O enredo não é original... a morte de Bond já está mais que gasta... aliás o próprio personagem reconhece que o seu hobby é ressuscitar... a vingança do espião traído já tem barbas... mas enfim... Gostamos de filmes Bond em que se desvenda alguma coisa do passado do espião mais clássico do cinema.
O filme (e a noite), para além da companhia, valeu por dois pormenores interessantes.
O da conversa entre o novo Q e James Bond sobre eficiência e inovação, e o da citação de M do poeta Alfred Tennyson.
«Though much is taken, much abides; and though
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven; that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.»
Lord Alfred Tennyson, Ullisses
Tradução livre:
«Apesar muito ter sido tomado, muito permanece e, embora
Não sejamos agora aquela força que nos velhos tempos
Movia a terra e o céu; Nós somos, o que nós somos;
Um temperamento igual de corações heróicos,
Enfraquecidos pelo tempo e pelo destino, mas fortes na vontade
Para lutar, buscar, encontrar, e não se render.»
A diretora do MI6, Judi Dench, em M, personagem central deste filme, narrava assim a espionagem da modernidade e a história da necessidade de combate do inimigo desconhecido. O inimigo sem rosto, que hoje se disfarça de protector...
Muito interessante, se obrigar à reflexão.
Aguarda-se novo Bond... 50 anos depois do primeiro, com o inesquecível Sean Connery - que bem podia ser convidado para ser M.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
[1554.] Outras mensagens aos portugueses.
Mensagem (de Agostinho da Silva) aos Portugueses
«O que quero de todos os portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é. Alguma coisa que ele sinta que o está desenvolvendo na mensagem única que tem que dar do mundo, de maneira que a minha mensagem para qualquer aluno de qualquer escola é: faça favor de cuidar da sua mensagem e não da minha. A minha foi, é só para dizer «cuide da sua», porque essa é que tem importância. E a mensagem será vossa na medida em que for o mais diferente possível da minha, ou de qualquer outra. Senão, para quê duplicados no mundo? Não é preciso. Para isso é que inventaram os carimbos. Eu não sou um carimbo de ninguém. »
Agostinho da Silva, in 'Entrevista'
«O que quero de todos os portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é. Alguma coisa que ele sinta que o está desenvolvendo na mensagem única que tem que dar do mundo, de maneira que a minha mensagem para qualquer aluno de qualquer escola é: faça favor de cuidar da sua mensagem e não da minha. A minha foi, é só para dizer «cuide da sua», porque essa é que tem importância. E a mensagem será vossa na medida em que for o mais diferente possível da minha, ou de qualquer outra. Senão, para quê duplicados no mundo? Não é preciso. Para isso é que inventaram os carimbos. Eu não sou um carimbo de ninguém. »
Agostinho da Silva, in 'Entrevista'
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
[1553.] A República do Rei Gaspar
Em dias de balanço de mais um ano politico em crise, os jornais e as revistas destacam a figura do Ministro de Estado e das Finaças, Vitor Gaspar, como a figura nacional do ano. De facto, a figura do tecnocrata calmissimo (às vezes dá a impressão que não lhe corre pinga de sangue) que veio de Bruxelas passou de desconhecido a amado... Sim, eu disse amado!
Há quem diga (Miguel Sousa Tavares, ontem, por exemplo) que Gaspar manda mais no Governo e no País do que o próprio Passos Coelho. De facto, é capaz de não ser mentira. Em Portugal, desde 1926 que é assim. Com exceção dos anos em que o ministro das Finanças foi o próprio Chefe do Governo, o titular das Finanças sempre foi o mais poderoso do Governo. Cavaco, na sua autobiografia politica, explana, largamente, essa ideia e essa tradição.
O ministro das Finanças sempre exigiu ter poderes reforçados num Governo - seja ele ou não de auteridade -. Poderes nas autorizações de despesa, na planificação de investimentos... sempre. Muitos foram os ministros que sairam por causa desta supremacia política de governantes que nem sempre são políticos profissionais.
Portanto, não é diferente com Gaspar.
Mas eu disse que Gaspar era amado? Disse...
Se não fosse amado será que tinha tido tanta preponderância neste Natal? Desde o bolo-rei austero na Pastelaria coimbrã Vasco da Gama, passando pelo rei mago com olheiras, cara pálida e sem camelo, que bebe Licor Beirão e pede factura... em nome do burro, ou pelo paizinho com voz fina que cortava a barba do pai Natal em 50% e corria tudo a meias... se não fosse a mulher a mandar lá em casa...
Não é isto amor?

[1552.] Da esperança... a mais e a menos...
As mensagens de Natal tornaram-se habituais nos meios políticos nacionais. Uma forma de chegar às pessoas, diretamente, em dia de festa, estilo "Conversa em Família", na aproximação entre os líderes e os liderados. A ideia é britânica e a Rainha de Inglaterra é a catedrática no formato (este ano, de Jubileu, até o fez em 3D).
Passos Coelho, o primeiro-ministo, voltou a cumprir a tradição e apresentou-se, em tom próprio, pouco ecuménico, sem árvore de Natal, mas com o presépio sem burro (Vista Alegre?) na retaguarda. Não caiu o nosso presidente do Governo no extremo do Chefe de Estado espanhol, o recentemente intervencionado à anca, Don Juan Carlos, que discursou este ano... sentado na secretaria...
A mensagem de Pedro Passos Coelho na televisão foi de severidade, ao estilo Ferreira Leite (o da Verdade por muito que custe)... com um toque esperançoso demasiado lapaliciano: "Os dias mais felizes e mais prósperos estão à nossa frente". É verdade. Um dia isto há-de acabar e teremos dias mais felizes e mais prósperos. Não se sabe é quando... convenhamos.

Já com a mensagem, ontem, no Facebook, Pedro Passos Coelho deu azo a um tom que, convenhamos também, já começa a ser um bocadito salazarento... A ideia dos "felizes dos pobrezinhos" não pode ser aceite de animo leve por ninguém. Pode pensar-se nela, pode, um dia no Futuro, ser vista com "orgulho" - como o primeiro-ministro sugere - mas hoje doi e por isso não se vê nela qualquer vantagem. Há coisas que não se verbalizam... ainda... e hoje ainda não dá para se ver o lado bom do sofrimento... pelo menos para os não-católicos.
O primeiro-ministro, ao fim de um ano e meio de mandato, continua a ser criticado mais pelo que diz, ou como diz, do que do que faz ou como faz. Já ia sendo tempo de pedir nova assessoria de comunicação no sapatinho. Não?
Já o discurso natalicio do líder da oposição foi - na minha humilde opinião - de cortar os pulsos.
Se Passos acha que chega ao coração pela via salazarenta do elogio do nobre e sofredor povo português, já Seguro apresenta-se pela esquerda chavista a pedir a lágrima ao ouvinte, recordando e chamando à memória mais visual cada uma das misérias humanas... à venezuelana... talvez tenha faltado a banda sonora. O remate de Seguro não foi muito diferente do de Passos... vai haver Mudança, diz ele. O PS vai contribuir para a Mudança, assevera. Mas está com isso a pedir a demissão do Governo? Não. Estará a oferecer-se para um Pacto de Regime? Claro que não!.
Vai haver mudança? Claro. Como de certeza haverá dias mais prósperos e felizes... Não se sabe é quando.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
[1551.] Lunae dies... no Natal, em Medelim
O Natal é diferente em Medelim. Não pelo que acontece ou não acontece, mas pelo ar frio e seco, pelos rituais intimos e, acima de tudo, para a nossa predisposição pela diferença, pelo não-quotidiano, pelo somar das vezes em que repetimos aqueles mesmos passos ano após ano.
O Natal em Medelim tem os avós, tem a memória dos bisavós, tem a intimidade da geneologia latente e nunca conhecida.
O Natal em Medelim tem o sabor às rabanadas fritas, às filhoses de abóbora e ao não gostar das filhoses da tia Piedade.
O Natal em Medelim tem a partilha, tem a televisão que não funciona, tem as fotos que metem medo, tem o cheiro ao fantasma do padre que morreu no primeiro andar da nossa casa.
O Natal em Medelim tem as contradições do meu avô, o vinho bom a saber a vinagre, o sabor ao bacalhau que todos preferiam ser de outra maneira.
O Natal em Medelim tem a missa fria dos aleluias demasiado agudos e as freiras espanholas que acentuam o "Salvadór".
O Natal em Medelim é diferente.
O Natal em Medelim tem os avós, tem a memória dos bisavós, tem a intimidade da geneologia latente e nunca conhecida.
O Natal em Medelim tem o sabor às rabanadas fritas, às filhoses de abóbora e ao não gostar das filhoses da tia Piedade.
O Natal em Medelim tem a partilha, tem a televisão que não funciona, tem as fotos que metem medo, tem o cheiro ao fantasma do padre que morreu no primeiro andar da nossa casa.
O Natal em Medelim tem as contradições do meu avô, o vinho bom a saber a vinagre, o sabor ao bacalhau que todos preferiam ser de outra maneira.
O Natal em Medelim tem a missa fria dos aleluias demasiado agudos e as freiras espanholas que acentuam o "Salvadór".
O Natal em Medelim é diferente.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012
[1557.] Lido... e espantado!
Tenho ideia de que o padre jesuíta Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) é um homem inteligente. Tenho a ideia de que todos os jesuítas são inteligentes... mas tenho apreciado bastante o que diz Morujão. No entanto, na entrevista que deu ao jornal i, em 25.12.12, pareceu-me especialmente idiota.
Fiquei espantado com o espanto do padre Morujão. Confesso.
"Espanta-me, a mim e a várias pessoas com quem tenho faldo, que o número de católicos seja tão alto em Portugal (80 por cento das pessoas, dados Censos 2011 e sondagem da CEP), tendo em conta a erosão dos valores tradicionais nas famílias e a consequente dificuldade de transmitir a herança de fé à geração seguinte. E tendo em conta ventos contrários no clima social que vão na linha do relativismo e do materialismo!"
Às vezes (muitas vezes) há titulos que não refletem o conteúdo do texto ou da entrevista... neste caso, é a própria afirmação do padre que me espanta...
Não percebo o que quer o clérigo dizer com isto... honestamente...
Fiquei espantado com o espanto do padre Morujão. Confesso.
"Espanta-me, a mim e a várias pessoas com quem tenho faldo, que o número de católicos seja tão alto em Portugal (80 por cento das pessoas, dados Censos 2011 e sondagem da CEP), tendo em conta a erosão dos valores tradicionais nas famílias e a consequente dificuldade de transmitir a herança de fé à geração seguinte. E tendo em conta ventos contrários no clima social que vão na linha do relativismo e do materialismo!"
Às vezes (muitas vezes) há titulos que não refletem o conteúdo do texto ou da entrevista... neste caso, é a própria afirmação do padre que me espanta...
Não percebo o que quer o clérigo dizer com isto... honestamente...
domingo, 23 de dezembro de 2012
[1550.] Votos de feliz Natal
NATAL FELIZ
O Natal é um tempo de Alegria, de Esperança e de Vitória. Em tempos obscuros, a Luz da Vitória tem especial intensidade, saibamos aproveitá-la, saibamos absorver todo o seu calor e humanidade e convertê-la em energia positiva, renovadora e transformadora para mais um ano, que se antevê frio e cinzento.
Desejamos, eu e a minha familia, um Feliz Natal a todos os amigos, solidarizando-nos, também, com todos os que, disso impossibilitados, resistem neste tempo que devia ser de festa.
Natal feliz!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
[1548.] Dia vencido - 20 de dezembro de 2012
Fomos a votos e estamos eleitos. Apesar de apresentar-se a sufrágio apenas uma lista, a adesão dos sócios foi simpática - superior à de situações análogas - e sentimo-nos mandatados e legitimados para um mandato que se exige de esforço, empenho, dificuldades, no fundo, e em síntese, de Serviço.
Tomaremos posse no dia 10 de janeiro de 2013, e alguns dias depois, ainda no mês de janeiro, pretendemos levar aos sócios uma proposta de plano de actividades e orçamento para o ano de 2013.
O caminho ainda mal começou e sentimo-nos cheios de vontade para um desafio que quase todos dizem ser dificil e penoso. Não há medo, apenas vontade, disponibilidade e muita Esperança.
Esperamos estar à altura.
Obrigado aos que acreditam e aos que confiaram.
Tomaremos posse no dia 10 de janeiro de 2013, e alguns dias depois, ainda no mês de janeiro, pretendemos levar aos sócios uma proposta de plano de actividades e orçamento para o ano de 2013.
O caminho ainda mal começou e sentimo-nos cheios de vontade para um desafio que quase todos dizem ser dificil e penoso. Não há medo, apenas vontade, disponibilidade e muita Esperança.
Esperamos estar à altura.
Obrigado aos que acreditam e aos que confiaram.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
[1544.] O desafio de Servir os que Servem
Amanhã, 20 de dezembro, entre as 18h e as 22 horas, realizam-se as eleições para os corpos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada. Encabeço a unica lista candidata à direção da associação, para o triénio 2013/2015.
Confirmada a intenção de não recandidatura do actual presidente da direção, o senhor Abílio Semedo - que ocupa o cargo desde 2007 -, recebi da parte de alguns consócios e amigos a sugestão para me candidatar, em forma de desafio. Trata-se de uma responsabilidade de grande exigência e disponibilidade - ou não fosse esta a maior associação do concelho da Mealhada, responsável pela gestão e apoio a um prestigiado corpo de bombeiros com 85 anos de existência. Ainda antes de dar uma resposta, procurei constituir uma equipa que me acompanhasse. A tarefa de constituição da equipa correu muitissimo bem, provando a grande vontade em servir da parte das pessoas que convidei e isso deu-me um alento ainda maior para, a partir desse momento, liderar uma equipa.
Há, naturalmente, muito a fazer, até porque se trata de uma área social e comunitária (o apoio na Saúde e na Protecção Civil) que carece de muito investimento - o que não se revela facilitado nos dias de hoje - e que tem sofrido avanços e recuos (nomeadamente legislativos), que ainda não lhe dão uma completa estabilidade. Faremos o melhor que pudermos, certamente com o apoio dos sócios, dos bombeiros, dos anteriores diretores e de toda a comunidade que desde sempre tem acarinhado esta associação e o seu corpo de bombeiros.
Preocupar-nos-emos, em primeiro lugar, em dar ao corpo de bombeiros todas as condições para que possam cumprir a sua missão da melhor forma possível. Tal como eles, somos voluntários, que se oferecem para Servir os que Servem, para estar na retaguarda, garantindo que nada lhes faltará que ponha em risco o cumprimento da sua missão. Para isso teremos de trabalhar na angariação de fundos de financiamento, teremos de ir ao encontro das suas aspirações, teremos de servir de intermediário entre uma comunidade que precisa dos bombeiros, e que por isso precisa de conhecer o seu trabalho, as suas necessidades e os seus méritos.
A equipa da direção é constituída, ainda, por Nuno Semedo, que é candidato a vice-presidente, por Paulo Júlio Costa, Carlos Castela, Manuel Andrade Vicente, Filipe Rosmaninho Costa, Nuno Timóteo, Filipe Cruz e Frederico Marques Santos. Trata-se de uma equipa jovem e que conta com algumas pessoas que integram já uma segunda geração de mealhadenses servidores nos órgãos sociais da direção da AHBVM.Esta é a única lista candidata à direção. Nuno Silva Salgado recandidata-se a presidente da mesa da assembleia-geral - acompanhado por João Pega, Manuel Teixeira e João Peres. Bruno Peres recandidata-se ao Conselho Fiscal, acomapanhado por Manuel Filipe e Delfim Pereira. Abílio Semedo, ainda presidente da direção, integra a lista candidata ao Conselho Fiscal.
A todos os sócios dos Bombeiros lançamos o apelo para que não deixem de participar na votação, apesar de ser uma lista única. O apoio de todos será, com certeza, um alento importante para os bombeiros, acima de tudo, do interesse que a sua ação tem na comunidade.
AMANHÃ, CONTAMOS CONSIGO.
Confirmada a intenção de não recandidatura do actual presidente da direção, o senhor Abílio Semedo - que ocupa o cargo desde 2007 -, recebi da parte de alguns consócios e amigos a sugestão para me candidatar, em forma de desafio. Trata-se de uma responsabilidade de grande exigência e disponibilidade - ou não fosse esta a maior associação do concelho da Mealhada, responsável pela gestão e apoio a um prestigiado corpo de bombeiros com 85 anos de existência. Ainda antes de dar uma resposta, procurei constituir uma equipa que me acompanhasse. A tarefa de constituição da equipa correu muitissimo bem, provando a grande vontade em servir da parte das pessoas que convidei e isso deu-me um alento ainda maior para, a partir desse momento, liderar uma equipa.
Há, naturalmente, muito a fazer, até porque se trata de uma área social e comunitária (o apoio na Saúde e na Protecção Civil) que carece de muito investimento - o que não se revela facilitado nos dias de hoje - e que tem sofrido avanços e recuos (nomeadamente legislativos), que ainda não lhe dão uma completa estabilidade. Faremos o melhor que pudermos, certamente com o apoio dos sócios, dos bombeiros, dos anteriores diretores e de toda a comunidade que desde sempre tem acarinhado esta associação e o seu corpo de bombeiros.
Preocupar-nos-emos, em primeiro lugar, em dar ao corpo de bombeiros todas as condições para que possam cumprir a sua missão da melhor forma possível. Tal como eles, somos voluntários, que se oferecem para Servir os que Servem, para estar na retaguarda, garantindo que nada lhes faltará que ponha em risco o cumprimento da sua missão. Para isso teremos de trabalhar na angariação de fundos de financiamento, teremos de ir ao encontro das suas aspirações, teremos de servir de intermediário entre uma comunidade que precisa dos bombeiros, e que por isso precisa de conhecer o seu trabalho, as suas necessidades e os seus méritos.
A equipa da direção é constituída, ainda, por Nuno Semedo, que é candidato a vice-presidente, por Paulo Júlio Costa, Carlos Castela, Manuel Andrade Vicente, Filipe Rosmaninho Costa, Nuno Timóteo, Filipe Cruz e Frederico Marques Santos. Trata-se de uma equipa jovem e que conta com algumas pessoas que integram já uma segunda geração de mealhadenses servidores nos órgãos sociais da direção da AHBVM.Esta é a única lista candidata à direção. Nuno Silva Salgado recandidata-se a presidente da mesa da assembleia-geral - acompanhado por João Pega, Manuel Teixeira e João Peres. Bruno Peres recandidata-se ao Conselho Fiscal, acomapanhado por Manuel Filipe e Delfim Pereira. Abílio Semedo, ainda presidente da direção, integra a lista candidata ao Conselho Fiscal.
A todos os sócios dos Bombeiros lançamos o apelo para que não deixem de participar na votação, apesar de ser uma lista única. O apoio de todos será, com certeza, um alento importante para os bombeiros, acima de tudo, do interesse que a sua ação tem na comunidade.
AMANHÃ, CONTAMOS CONSIGO.
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domingo, 16 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
[1549.] O fio dos dias
'O fio dos dias' completou seis anos no passado dia 2 de novembro de 2012. Ao longo destes dois anos teve quatro tipos diferentes de aparência e disposição e 12 layouts. Uns duraram mais do que outros, mas aqui estão todos, para memória futura.
Numa primeira fase, procurámos a ideia da árvore (e não a floresta) perdida e solitária na paisagem. Um elogio à individualidade da opinião, simbolizada na árvore fixa ao chão de um território.

Depois, procurámos evidenciar 'O fio dos dias', mais como uma página pessoal do que como um mero blogue. Foi nessa altura incluída a página 'biografia' - essencialmente para colocação de um currículo acessível em caso de necessidade - e linkagem a outros blogues - como o Eternas Efemérides (ainda sem postagens) e o Lobo Irmão (exclusivo da temática escutista). Como página pessoal procurámos colocar em destaque a pessoa do autor, e o moto: "Saber, Querer e Agir", três verbos de que gostamos muito, em detrimento do "Nada nos é indiferente" da primeira fase.
Mais recentemente, já em 2012, tirámos a carantonha do autor do layout e procurámos regressar ao tom mais blogueiro e menos página pessoal. Manteve-se o nome do autor no layout. A primeira experiência não gostou muito bem, os amigos acharam o olhar do fauno demasiado diabólico. A segunda esteve apenas poucos dias, também muito criticado pelos fans do blogue. O terceiro, apesar das criticas da corda - que, dizem, parece ser do enforcado - ainda tem perdurado...
É possível que nas semanas voltemos às mudanças... Para onde? Não se sabe... Regressar às àrvores sioladas? É uma hipótese.
Agradeço sugestões.
domingo, 9 de dezembro de 2012
[1547.] Dia vencido - 9 de dezembro de 2012
Hoje houve Conselho Regional de Coimbra do CNE. Depois de todas as tentativas- adiamentos sine die, silêncios, anuncios de pseudo-movimentos de fundo de contestação - para impedir que em agosto próximo tivesse lugar o Acampamento Regional, a verdade é que os conselheiros presentes disseram mesmo que queriam o acampamento. Uma vez mais, reinou o "nim" da parte de quem quer estar bem com Deus e com o diabo e transferir para os outros o ónus de uma decisão. É a chamada Alta Política de quem mais depressa aponta uma falha nos outros do que em si...
Saí da reunião com uma alegria:
Nem mesmo um "fraco rei faz fraca a forte gente!", que me perdoe o Camões...
Saí da reunião com uma alegria:
Nem mesmo um "fraco rei faz fraca a forte gente!", que me perdoe o Camões...
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[1537.] Hoje... 9 de dezembro
Há precisamente 620 anos, em 1392, nasceu Pedro, filho de D.João I, o primeiro Duque de Coimbra.
Foi um dos mais brilhantes governantes de Portugal - como regente na menoridade do seu sobrinho D.Afonso V. O ideal do Político brilhante e extraordinário. A falta que nos fazem os testemunhos de homens como este.
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sábado, 8 de dezembro de 2012
[1546.] Dia vencido - 8 de dezembro de 2012
O amor e os laços II
O olhar de um bebé, mesmo que vago e espantado, com a nossa consciência de que não está a ver, realmente nada, parece sintetizar toda a Esperança no mundo. É quase mágico.
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
[1545.] Dia vencido - 7 de dezembro de 2012
O amor e os laços I
Que nome se dá a um laço completo e riquissimo, ao amor, que sentimos por uma criança que não sendo nossa filha nos parece que, mesmo assim, estabelece connosco, na primeira troca de olhares, uma ligação perpétua?
Socorri-me da primeira carta Enciclica de Bento XVI - Deus é Amor - para encontrar uma definição simples e precisa das diferenças de Amor, ou dos diferentes "amores" que aos homens o sentimento permite. Tinha ideia de lá ter essa definição. Não me satisfez... Socorri-me da Wikipédia... mas também ficou aquém do pretendido...
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
[1543.] Dia vencido - 6 de dezembro de 2012
Ter um blogue...
Um professor universitário, há uns dias, sugeria aos novos estudantes de jornalismo e comunicação social de uma escola superior de Coimbra (das muitas com estes cursos), que os alunos expressassem a sua opinião, mantivessem blogues actualizados onde pudessem, amplamente, divulgar os seus estados de alma.
O professor terá razão, certamente, no sentido da importância de os alunos conseguirem demonstrar, clara e inequivvocamente, que sabem escrever correctamente, que conseguem apresentar um raciocicio coerente e eficaz aos olhos do receptor de uma determinada mensagem. Não tenho a mesma certeza da razão do professor relativamente à questão da opinião amplamente divulgada...
Parece-me importante que o jornalista tenha uma visão do mundo, tenha cultura geral suficiente para ser versátil e eficaz no tratamento de mensagens que podem, num mesmo dia, ir da astronomia, à política, passando pela religião ou pela medicina ou futebol... Mas daí a apresentar a sua opinião não como transmissor, mas como emissor de ideias pessoais parece-me arriscado. Ao jornalista exige-se que seja imparcial, que consiga transmitir uma informação sem se perceber, claramente, se discorda ou concorda com o conteúdo, ou se gosta ou não gosta do emissor.
Ter um blogue, nesse sentido, é perigoso. Falo, naturalmente, por experiência própria, apesar de quando assumi as funções de direção do Jornal da Mealhada ter assumida uma identidade politica e ideologicamente conhecida pela comunidade. Muitas vezes limitei a minha opinião aqui n' o fio dos dias para que na minha função profissional não fossem deturpadas as informações sobre um determinado tema.
Agora mais liberto destes algozes e auto-censuras, talvez o fio dos dias ganhe alguma vitalidade e não seja, apenas, um repositório.
Um professor universitário, há uns dias, sugeria aos novos estudantes de jornalismo e comunicação social de uma escola superior de Coimbra (das muitas com estes cursos), que os alunos expressassem a sua opinião, mantivessem blogues actualizados onde pudessem, amplamente, divulgar os seus estados de alma.
O professor terá razão, certamente, no sentido da importância de os alunos conseguirem demonstrar, clara e inequivvocamente, que sabem escrever correctamente, que conseguem apresentar um raciocicio coerente e eficaz aos olhos do receptor de uma determinada mensagem. Não tenho a mesma certeza da razão do professor relativamente à questão da opinião amplamente divulgada...
Parece-me importante que o jornalista tenha uma visão do mundo, tenha cultura geral suficiente para ser versátil e eficaz no tratamento de mensagens que podem, num mesmo dia, ir da astronomia, à política, passando pela religião ou pela medicina ou futebol... Mas daí a apresentar a sua opinião não como transmissor, mas como emissor de ideias pessoais parece-me arriscado. Ao jornalista exige-se que seja imparcial, que consiga transmitir uma informação sem se perceber, claramente, se discorda ou concorda com o conteúdo, ou se gosta ou não gosta do emissor.
Ter um blogue, nesse sentido, é perigoso. Falo, naturalmente, por experiência própria, apesar de quando assumi as funções de direção do Jornal da Mealhada ter assumida uma identidade politica e ideologicamente conhecida pela comunidade. Muitas vezes limitei a minha opinião aqui n' o fio dos dias para que na minha função profissional não fossem deturpadas as informações sobre um determinado tema.
Agora mais liberto destes algozes e auto-censuras, talvez o fio dos dias ganhe alguma vitalidade e não seja, apenas, um repositório.
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
[1542.] Dia vencido - 5 de dezembro de 2012
Alguma nostalgia, alguns telefonemas, alguns mails, algumas mensagens no facebook. Em muitos a pergunta: Porquê? E a resposta na ponta da lingua: Oito anos não serão tempo mais do que suficiente?
Na minha cabeça apenas uma pergunta. Apenas uma. Será que algum dia vou ser tão feliz a trabalhar como fui no Jornal da Mealhada?
A resposta virá no fim, apenas no fim.
Na minha cabeça apenas uma pergunta. Apenas uma. Será que algum dia vou ser tão feliz a trabalhar como fui no Jornal da Mealhada?
A resposta virá no fim, apenas no fim.
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Jornal da Mealhada
[1536.] Mercurii dies... o último editorial
Missão cumprida.
Ao longo de oito anos, procurei dirigir o Jornal da Mealhada com inteligência e imparcialidade. Nunca impus as minhas ideias ou idiossincrasias ideológicas aos leitores. Muitas coisas que não corroboro foram publicadas, ao abrigo do Direito à Opinião de cada um dos colaboradores e dos protagonistas, cumprindo a máxima de Voltaire: “Não gosto de nada do que diz, mas seria capaz de dar a vida para que continuasse a poder dizê-lo!”. Procurei, sem pôr em causa a herança, desenvolver, procurei inovar, procurei ir mais além no serviço público de informar, intervir e dar opinião na comunidade em que o Jornal da Mealhada, há 27 anos, se insere. Não terei conseguido totalmente, não terei conseguido sempre, mas acredito que a minha missão foi amplamente cumprida.
Não é um momento de despedida, até porque continuarei a colaborar com o Jornal da Mealhada, que foi a casa onde desde os meus oito anos – desde logo com a paciência do professor Armindo Pega – aprendi a ler, a escrever, a contar, a manusear um computador, a colar etiquetas, a gostar de jornais, a conhecer o mundo e, principalmente, a comunidade que me comprometi servir. Nos primeiros meses em que dirigi o Jornal da Mealhada, era recorrente dizer que nem me parecia justo receber remuneração para fazer algo que me dava muito prazer. Nos últimos quarenta meses, quando a remuneração não existia, continuei com a mesma alegria e prazer, até à inevitabilidade da paragem.
Neste fim de ciclo, cumpre-me agradecer. Um primeiro agradecimento para Isabel Canilho – que soube ser colaboradora sem deixar de ser mãe –, para Afonso Simões – que foi sempre inexcedivelmente solidário e amigo –, para Mónica Sofia Lopes – que foi de uma dedicação e resistência inauditas –, e, de modo muito especial, para Bruno Peres – que conseguiu sempre ser cúmplice, especialmente nos maus momentos. Um agradecimento especial, também, para os sócios da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, que nunca deixaram de dar apoio ao director, e especialmente aos gerentes que comigo trabalharam – César Carvalheira, Hélder Xabregas, António Lucas, Edmundo Carvalho, Carla Carvalheira e João Pega – que foram sempre solidários e nunca admitiram que faltasse fosse o que fosse aos que ao Jornal dedicavam o seu esforço. Não menos importante, o agradecimento a todos os colaboradores que escreveram, deram opinião, análise e trabalho, tornando este jornal numa publicação de referência. E a todos os protagonistas desta comunidade – autarcas, dirigentes, entre outros – que sempre trataram o Jornal da Mealhada com respeito e sentido de colaboração.
Os últimos agradecimentos ficam para a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, para os leitores, e especialmente aos assinantes, e aos anunciantes, pela confiança, e para os dois maiores responsáveis pelo sucesso desta demanda: Abílio Duarte Simões e Manuel Almeida dos Santos. Estejam onde estiverem, aceitem o meu humilde obrigado pelos ensinamentos, pela solidariedade, pela cumplicidade, pela paciência, e pelo enorme sacrifício.
Ao professor Braga da Cruz, que me sucederá nesta missão, tornando-se o oitavo director do Jornal da Mealhada, fica a minha disponibilidade para colaborar e ajudar no que considerar necessário e os votos de grande felicidade – pelo menos tão grande como a minha.
Até sempre.
Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de dezembro de 2012
Até sempre.
A presente edição
do Jornal da Mealhada, em vésperas do 27.º aniversário da publicação, é a
última em que exerço as funções de director. Oito anos depois de ter aceite o
desafio de dirigir a mais antiga publicação do concelho da Mealhada, sinto que cumpri
a minha missão e é com muita satisfação e alegria que a dou por terminada e me
dirijo aos seus leitores na primeira pessoa.
Os
primeiros seis meses deste ano de 2012 foram, para mim, extraordinariamente dolorosos
e exigentes na procura de uma solução económico-financeira que permitisse a
subsistência de uma publicação que é, para mim, mais do que uma casa. Tenho a
consciência de que fui criticado, censurado e, tantas vezes, ridicularizado por
manter nos lábios a garantia de que o Jornal da Mealhada não iria acabar, iria
“regressar”, iria resistir a um momento difícil que infelizmente está a destruir
milhares de pequenas e médias empresas em toda a Europa. Não será falsa
modéstia asseverar que a minha teimosia, aliada a uma forte convicção e
esperança – quando mesmo no meu círculo mais próximo já não se acreditava –,
confederada no apoio de Bruno Peres, da minha família, e, mais tarde, na
aceitação da parte da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, e do seu
provedor, permitiram que em 4 de julho de 2012, cento e oitenta e sete dias
depois de termos anunciado a suspensão, o Jornal da Mealhada voltasse às bancas
e os delatores tivessem de se reduzir ao embaraço de engolir o muito que expeliram.
Ficaram, para trás, nessa altura, cento e oitenta e sete dias de grande esgotamento
psicológico e emocional, mas, também aqui, a convicção da missão cumprida.Ao longo de oito anos, procurei dirigir o Jornal da Mealhada com inteligência e imparcialidade. Nunca impus as minhas ideias ou idiossincrasias ideológicas aos leitores. Muitas coisas que não corroboro foram publicadas, ao abrigo do Direito à Opinião de cada um dos colaboradores e dos protagonistas, cumprindo a máxima de Voltaire: “Não gosto de nada do que diz, mas seria capaz de dar a vida para que continuasse a poder dizê-lo!”. Procurei, sem pôr em causa a herança, desenvolver, procurei inovar, procurei ir mais além no serviço público de informar, intervir e dar opinião na comunidade em que o Jornal da Mealhada, há 27 anos, se insere. Não terei conseguido totalmente, não terei conseguido sempre, mas acredito que a minha missão foi amplamente cumprida.
Não é um momento de despedida, até porque continuarei a colaborar com o Jornal da Mealhada, que foi a casa onde desde os meus oito anos – desde logo com a paciência do professor Armindo Pega – aprendi a ler, a escrever, a contar, a manusear um computador, a colar etiquetas, a gostar de jornais, a conhecer o mundo e, principalmente, a comunidade que me comprometi servir. Nos primeiros meses em que dirigi o Jornal da Mealhada, era recorrente dizer que nem me parecia justo receber remuneração para fazer algo que me dava muito prazer. Nos últimos quarenta meses, quando a remuneração não existia, continuei com a mesma alegria e prazer, até à inevitabilidade da paragem.
Neste fim de ciclo, cumpre-me agradecer. Um primeiro agradecimento para Isabel Canilho – que soube ser colaboradora sem deixar de ser mãe –, para Afonso Simões – que foi sempre inexcedivelmente solidário e amigo –, para Mónica Sofia Lopes – que foi de uma dedicação e resistência inauditas –, e, de modo muito especial, para Bruno Peres – que conseguiu sempre ser cúmplice, especialmente nos maus momentos. Um agradecimento especial, também, para os sócios da empresa JM – Jornal da Mealhada, Lda, que nunca deixaram de dar apoio ao director, e especialmente aos gerentes que comigo trabalharam – César Carvalheira, Hélder Xabregas, António Lucas, Edmundo Carvalho, Carla Carvalheira e João Pega – que foram sempre solidários e nunca admitiram que faltasse fosse o que fosse aos que ao Jornal dedicavam o seu esforço. Não menos importante, o agradecimento a todos os colaboradores que escreveram, deram opinião, análise e trabalho, tornando este jornal numa publicação de referência. E a todos os protagonistas desta comunidade – autarcas, dirigentes, entre outros – que sempre trataram o Jornal da Mealhada com respeito e sentido de colaboração.
Os últimos agradecimentos ficam para a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, para os leitores, e especialmente aos assinantes, e aos anunciantes, pela confiança, e para os dois maiores responsáveis pelo sucesso desta demanda: Abílio Duarte Simões e Manuel Almeida dos Santos. Estejam onde estiverem, aceitem o meu humilde obrigado pelos ensinamentos, pela solidariedade, pela cumplicidade, pela paciência, e pelo enorme sacrifício.
Ao professor Braga da Cruz, que me sucederá nesta missão, tornando-se o oitavo director do Jornal da Mealhada, fica a minha disponibilidade para colaborar e ajudar no que considerar necessário e os votos de grande felicidade – pelo menos tão grande como a minha.
Até sempre.
Editorial do Jornal da Mealhada de 5 de dezembro de 2012
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
[1541.] Dia vencido - 4 de dezembro de 2012
Hoje escrevi o meu último Editorial, para a edição de amanhã do Jornal da Mealhada - a última que assinarei como diretor. Ao longo de, aproximadamente, 2890 dias, dirigi a publicação que tinha dezanove anos quando assumi a sua direção editorial e deixo, agora, com 27 anos. Ao longo deste tempo procurei sempre dar ao jornal uma assinatura, sem com isso querer fazer do jornal um aeropago das ideias de quem o dirige. Contrariamente ao que acontece com a maior parte dos jornais regionais, procurei que o Jornal da Mealhada tivesse, sempre, Editorial. Só no último ano, em 2011, é que fui menos profícuo na produção de editoriais semanais, sem ser repetitivo. Provavelmente, um dos sinais visiveis do meu cansaço poderá consubstanciar-se neste facto, que é, para mim, uma falha.
Nos primeiros tempos, em 2005 e até fevereiro de 2007, eu escrevia os editoriais e dava a lê-los ao Padre Abílio Simões, que o discutia comigo o seu conteúdo e clareza. Mais tarde, depois do falecimento deste, fui ajudado na mesma tarefa - com menos discussão, no entanto, pelo professor Manuel Santos. Depois da descoberta da doença do professor Santos, passei a fazer esse trabalho sozinho, sem rede.
O editorial não deve ser sentido como um texto de opinião do autor. Isso seria, tão só, uma mera opinião. Também não pode ser uma posição oficial da redacção, pois isso obrigaria a uma tomada de posição unanime ou pelo menos generalizada. Ou seja, trata-se de uma peça redactorial importante que não pode ser banalizada nem comprometer demasiado. Acho que consegui, na maior parte das vezes.
Hoje foi o ultimo. procurei não ser demasiado lamechas, mas não perder a sensibilidade de uma despedida de 8 anos...
A ver vamos.
Nos primeiros tempos, em 2005 e até fevereiro de 2007, eu escrevia os editoriais e dava a lê-los ao Padre Abílio Simões, que o discutia comigo o seu conteúdo e clareza. Mais tarde, depois do falecimento deste, fui ajudado na mesma tarefa - com menos discussão, no entanto, pelo professor Manuel Santos. Depois da descoberta da doença do professor Santos, passei a fazer esse trabalho sozinho, sem rede.
O editorial não deve ser sentido como um texto de opinião do autor. Isso seria, tão só, uma mera opinião. Também não pode ser uma posição oficial da redacção, pois isso obrigaria a uma tomada de posição unanime ou pelo menos generalizada. Ou seja, trata-se de uma peça redactorial importante que não pode ser banalizada nem comprometer demasiado. Acho que consegui, na maior parte das vezes.
Hoje foi o ultimo. procurei não ser demasiado lamechas, mas não perder a sensibilidade de uma despedida de 8 anos...
A ver vamos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
[1540.] Dia vencido - 3 de dezembro de 2012
O Senhor ajuntou:
"É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra,
e o seu pecado é muito grande".
Génesis 18,21
domingo, 2 de dezembro de 2012
[1539.] Dia vencido - 2 de dezembro de 2012
Uma das principais frustrações de ser adulto no Escutismo é a dupla obrigação de ser testemunho e de estar presente.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.
Ser testemunho obriga o adulto no Escutismo a cumprir, mesmo, o principio sobre o qual "O Dever do Escuta Começa Em Casa"! E se há coisas a fazer em casa - leia-se na Família e no Trabalho -, então essas coisas têm de estar em primeiro lugar do que o lazer e o prazer de participar numa actividade que ajudámos a preparar, que idealizámos, e que sonhávamos ver implementada...
Foi (outra vez) isso que aconteceu neste fim-de-semana. Não seria, de todo, possível ter participado no Encontro de Núcleo de Caminheiros do Centro-Norte.
A actividade começou em Coimbra, na sexta-feira, dia 30 de novembro, em plena noite dos Conjurados. Seguiu, depois, mais ou menos secretamente, para Tomar e terminou em Almourol. Foi uma daquelas actividades sonhadas quando visitamos aqueles territórios misticos de templários, quando lemos o livro "A Comenda Secreta", de Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho. O imaginário da actividade era arrojado: "A Idade do Espírito Santo" - já aqui abordámos esse tema, com o recurso a duas grandes figuras da intelectualidade portuguesa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão.
Estive com os participantes no lançamento da actividade, em Coimbra, e, hoje, em Almourol, onde pude assistir ao Bodo e à avaliação. Parece-me que correu tudo bem, e os caminheiros gostaram.
Parabéns à equipa (onde me incluo) liderada pelo Jorge Caetano e pelo Gabriel Lopes.
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sábado, 1 de dezembro de 2012
[1538.] Dia vencido - 1 de dezembro de 2012
O estigma do dia passava por ser o do último feriado da "Restauração da Independência". Depois de um ano a discutir feriados e a ouvir argumentos e contra-argumentos para acabarem todos menos o preferido de cada um, chegámos, finalmente, à vaca-fria... que este ano nem se sentiria (porque calhou a um sábado) e para o ano também não se vai sentir (por ser domingo)... Provavelmente quando chegarmos a 2014 já ninguém se lembra deste feriado... até porque poucos eram os que sabiam o significado deste e de qualquer outro.
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.
Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...
Não vejo o "1.º de Dezembro" como um feriado imprescindível... como não vejo outros e como criaria outros ainda...
Em primeiro lugar, a partir do momento em que temos um Dia Nacional (para comemorar o sentido identitário, o 10 de junho), o conteúdo evocativo de um feriado de independencia está esgotado. Do mesmo modo, temos dois feriados que comemorarm o regime (o 25 de abril e o 5 de outubro), não precisariamos de comemorar um deles, eventualmente o mais longínquo. Acontece que o 5 de outubro teria sempre de ser comemorado... não pela Implantação da República - que se equipararia ao 25 de abril, uma revolução - mas, acima de tudo, pela fundação do país (o 5 de outubro de 1143 e a assinatura do Tratado de Zamora). Em boa verdade, o 5 de outubro devia ser o Dia Nacional de Portugal, e o 10 de junho, a existir, (teve dois ou três anos sem existência depois do 25 de abril) um dia de comemoração da cultura portuguesa.
Tirando as festas religiosas da Páscoa e do Natal, não vejo necessidade de termos feriados religiosos como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro. Já o 1 de novembro, me parece um dia feriado a ser mantido, pela sua carga simbólica comunitária.
Em segundo lugar, parece-me um bocado provinciana (ainda mais nos tempos modernos) a ideia de, em 1640, termos recuperado a nossa independência... acima de tudo porque não me parece que alguma vez a tenhamos perdido.
Em 1580 não fomos ocupados por nenhum país que nos tenha usurpado a independência. Em 1580, Filipe de Habsburgo - filho do Imperador Carlos V -, já sendo rei de Espanha desde 1556, foi coroado Rei de Portugal. Filipe I era neto de D.Manuel I, era o filho mais velho da filha primogénita do Rei Venturoso. Ou seja, Filipe de Habsburgo era tão português como a maior parte dos reis de Portugal... apenas um dos seus progenitores era português!
Claro que nenhum país gosta de ser governado por um rei estrangeiro, mas os Filipes tiveram a inteligência de não unir Portugal à Espanha e de agir como sendo uma mesma cabeça com duas coroas. Portugal tinha a sua independência assegurada e o governo do país era assegurado por um vice-rei nomeado pelo monarca. Alguns destes vice-reis eram estrangeiros, mas a maior parte até era português.
Durante a dinastia filipina Portugal não foi ignorado, como alguns querem fazer querer e pôs-se até a hipotese de Lisboa passar a ser a capital do império governado pelos Filipes de Habsburgos. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, foram grandes as transformações (positivas) operadas neste período. Para sublinhar apenas o simbolismo, são de 1591 os 'sextos estatutos', e de 1634 a primeira obra de vulto no Paço das Escolas, a Porta Férrea.
Claro, repito, que era melhor sermos governado por um rei, só nosso, português, do que por um "rei estrangeiro", mas a verdade é que o sonho de muitos monarcas portugueses era casar os seus filhos primogénitos com princesas de Espanha, para um dia um rei português governar a partir de Madrid.
Nos dias de hoje, quando estamos a nossa acção governativa - PELA TERCEIRA VEZ EM 40 ANOS - é controlada por três entidades estrangeiras a quem devemos dinheiro, quando de Bruxelas vêm regras de como é que havemos de estar nas nossas cozinhas ou mexer o tacho do feijão, não me parece que tenhamos mais independência do que tinhamos entre 1580 e 1640. Não consta que haja interesse em tornar feriado o dia em que a Troika sair de Portugal...
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sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
[1535.] Mercurii dies
O dilema, no esplendor do caos
Do
confronto político em Portugal, dos pseudodebates entre partes organizadas na dialéctica
democrática, chegamos à conclusão de que é completamente estéril o formalismo
que a Constituição estabelece como forma de organização dos cidadãos.
Contrariamente ao que asseveram senadores (no caso senadora) da
Economia-que-só-acerta-quando-está-fora, não queremos com isto dizer que
"os problemas complexos não se conseguem resolver em democracia". Não,
nada disso!
O que nos parece
é que o sistema partidário em Portugal está completamente falido. Os partidos
políticos estão completamente focados na transmissão da sua cassete, que só
eles ouvem — como se discursassem para se ouvir a si próprios — e não na
resolução concreta de problemas reais das pessoas. Os partidos portugueses são
hoje parte do problema, e não parte de qualquer solução.
Não se reduz o
número de deputados, porque os partidos mais pequenos não deixam. Não se mudam
leis eleitorais porque os partidos da coligação do Governo não se entendem. Não
conversam os líderes dos principais partidos porque um acha que foi
desrespeitado e o outro não disse sobre o que queria falar. Não se tolera que
se altere a constituição porque cada partido acha que o outro a quer subverter
ideologicamente...
Portugal precisa
de uma refundação? Claro que sim. Precisa de reajustar o Estado Social? Claro
que sim. Mas só depois de os partidos políticos se refundarem, se
democratizarem e se reajustarem ao mundo. Primeiro salvem-se, e depois queiram
ajudar a salvar o país!
Como
diz Eduardo Lourenço: "Pode discutir-se se a desordem em que estamos
mergulhados — desde a económica até à da legalidade e da ética — releva ou não,
em sentido próprio, do conceito de caos. Do que não há dúvidas é de que o
habitamos como se fosse o próprio esplendor".
Editorial do Jornal da Mealhada de 7 de novembro de 2012
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
[1534.] Hoje... é dia de São Nuno de Santa Maria
[1533.] Hoje... é dia de Marte
Hoje, dia 6 de novembro é Dia Grande.
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...
Já me canso de enumerar em cada ano o Dia de São Nuno, a criação do concelho da Mealhada, a elevação de Luso à categoria de vila... etc.etc.etc. Já começo a ser repetitivo... este ano há as eleições americanas... mais uma linha no calendário.
Mas parece-me ser, hoje, um dia escuro e frio. Esquisito. estou cansado e desalentado. É a ressaca de Santiago... talvez. Regressamos e achamos que tudo vai ser diferente... mas não... está tudo igual... os problemas, as decisões, as angustias. Ir e vir de Santiago é quase como entrarmos numa máquina do tempo. Para quem foi viveu-se uma eternidade... mas para o resto do mundo foi só um minuto...
[1532.] Mesmo desiludido, eu votaria Obama.
Se eu visse um americano a dizer-me em que eu deveria votar, eu, provavelmente, faria exactamente o contrário... porque sei que os americanos são completamente indiferentes ao que se passa no meu país e o seu envolvimento não seria inocente, nem a pensar no bem-comum de Portugal. Mas o que se passa na América não é indiferente ao resto do mundo, e por isso a minha opinião não é indiferente, porque o mal da América é o mal do mundo.
Eu votaria Obama. Não porque tenha feito um bom mandato, ou porque tenha estado de acordo com as expetativas que o mundo criou com ele. Não. Antes pelo contrário. Relativamente à política externa, esteve muito manso para alguém que em menos de um ano na Casa Branca foi Prémio Nobel da Paz.
Eu votaria Obama porque a alternativa é muito pior do que o que nele podemos criticar. Eu, hoje, votaria Obama, porque votar noutra solução é apoiar novas guerras, mais mortes, mais desnorte, mais crise e mais marasmo. E disso prescindo eu, e prescinde o mundo. Todo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
[1530.] Lunae dies no Camiño (da vida)
Regressar a Santiago é uma experiência espiritual.
Regressei a Santiago, como peregrino, na quinta-feira, 1 de novembro, pela quinta vez. Desta vez pelo Camiño "dos mil nomes" - Sudeste, Via da Prata, Sanabrês, da Fonseca, Mozárabe... seja o que for.
Graças a Deus, cada regresso é feito na companhia de amigos e companheiros de viagem. "Nunquam solo ambulanbatis", ou "Nunca Caminharás Sozinho", para não cantarolar o "You'll never walk alone!". Em 2007 fomos quatro, o mesmo número em 2009 e 2010, sete em 2011 e, agora, dez.
Em cada uma das experiências a companhia é relevante. Os fidelíssimos, os que caminham em espírito em cada jornada, os que repetem, os que ensinam, os que amam, os que são, e os novos aventureiros, todos alinham numa experiência que é, ao mesmo tempo, comunitária - entre nós e entre os peregrinos que encontramos no caminho - mas, também, muito solitária.
Em 2009, eu e a Inês eramos namorados. Noivos, mas (apenas) namorados. A experiência não foi fácil para nenhum dos dois, deixou mazelas durante e depois do Camiño, e a repetição da experiência seria uma coisa a fazer, mas com conta, peso e medida. Já casados, repetimos a experiência, mais maduros, mais avisados, mais conscientes, mais cúmplices. E porque mais apaixonados, fizemo-lo mais autónomos. Contradição? "Assim como as cordas do alaúde são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia, também as colunas do templo erguem-se separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro".
Foi uma experiência transcendente e muito importante para um caminho entre duas pessoas que querem ser felizes até à eternidade. Porque o Camiño recomeça em cada regresso a casa.
Amo-te muito princesa.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
[1531.] Seis anos
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
[1599.] YPSILÓN_03
YPSILÓN #03
http://www.loboirmao.blogspot.pt/2012/10/ypsilon-03a.html
http://www.loboirmao.blogspot.pt/2012/10/ypsilon-03c.html
http://www.loboirmao.blogspot.pt/2012/10/ypsilon-03d.html
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
[1529.] Mercurii dies em nome da Pátria
"O Último Castelo"
Editorial do Jornal da Mealhada de 10 de outubro de 2012
A República Portuguesa em tempo de resgate viveu mais um dia em que pode "comprovar" a Lei de Murphy: "Se alguma coisa puder correr mal... certamente correrá mal!". Não bastava o pulsar do Povo a gritar, a instabilidade na coligação governamental, as críticas de insensibilidade ao Chefe de Estado, a tensão nas autarquias locais, a certeza de um último feriado em cinco de outubro e alguma coisa tinha de correr mal... a bandeira da República foi hasteada ao contrário. Alguma coisa poderia correr pior? Se podia vai acontecer em breve...
A imagem do próprio Chefe do Estado, ao lado de alguém que se perfila para lhe suceder ou chefiar o Governo, a hastear a bandeira nacional de pernas para o ar, em dia de cerimónia do 102.º aniversário da implantação da República, perante o olhar distante dos portugueses na Praça do Municipio de Lisboa e em casa pela televisão, pode parecer, apenas uma caricatura... mas é mais do que isso... é uma terrível alegoria!
Em linguagem militar, uma bandeira hasteada de pernas para o ar é um sinal, é uma codificação para transmissão de uma mensagem muito precisa. Uma bandeira hasteada ao contrário significa que o território onde ela está foi tomado pelo inimigo. Ao hastear uma bandeira ao contrário, o transmissor pretende pedir ajuda a quem, ao longe, pode observar a bandeira. Trata-se de um pedido de socorro, naturalmente, que se verbaliza na consciência de que quem hasteia a sua bandeira nacional - o símbolo máximo da Pátria - de pernas para o ar está em terrível sofrimento.
No filme "O Último Castelo", de 2001, com Robert Redford e James Gandolfini, de Rod Lurie, o gesto é dissecado e a sua explicação democratizada. Redford faz o papel de um coronel preso por insubordinação, mas que se mantém leal aos valores e à ética militar, consciente de que o que o levou à prisão foi resultado de uma opção de mal menor. Na prisão deve obedecer a alguém arrogante, incompetente e que maltrata e desrespeita os presos. A visão estratégica do preso leva-o a tomar a prisão, desmascarando o mau da fita, e morre agarrado à bandeira que deveria ter sido hasteada ao contrário, mas que não o foi, porque se "castelo estava tomado" pelo lado Bom da Força não valia a pena desrespeitar a bandeira.
Num país tão romântico como o nosso, a passada sexta-feira teria sido um dia simbólico para a ocorrência de um pronunciamento. A 5 de outubro assinala-se o dia da assinatura do Tratado de Zamora, entre o Rei Fundador e Afonso VII de leão e Castela. 5 de outubro de 1143 foi o dia da Fundação de Portugal, é o dia primeiro de quase nove séculos de história. Esta data seria merecedora de feriado nacional, em qualquer país do mundo... Em Portugal é feriado por causa de uma mudança de regime, qual elogio da justiça dos vencedores. Dizem que vai deixar de ser... por cinco anos... nos próximos dois calhará ao fim-de-semana e ninguém dele se lembraria... depois se verá. E quando voltar será o dia da República? Será o dia da Fundação? Será o dia em que o Chefe do Estado mostrou ao mundo que o país foi ocupado e está em sofrimento?
Cavaco poderá perguntar a si próprio: O que mais me poderá acontecer? Um dos seus assessores evitará dizê-lo, mas lembrar-se-á de Edward Murphy...
Editorial do Jornal da Mealhada de 10 de outubro de 2012
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