quarta-feira, 28 de agosto de 2013

[1748.] 28 de agosto de 1963

"I Have A Dream" 
50th Anniversary Celebration

No dia 28 de agosto de 1963, há 50 anos, Martin Luther King foi o grande protagonista da chamada Marcha sobre Washington, que juntou 250 mil pessoas em frente ao Lincoln Memorial, em nome da defesa dos Direitos Civis da população americana. Nesse dia, nessa ocasião, Luther King enunciaria a celebre frase "I have a dream" (Eu tenho um sonho).



A sociedade americana sempre foi tremendamente hipócrita. Enquanto se proclamava a terra dos bravos e dos livres, tinha uma política de segregação racial que não lembrava aos países mais subdesenvolvidos. Ao mesmo tempo que recebia os sobreviventes do holocausto judeu tratava os negros como um povo inferior.

Cinquenta anos passados, a União americana é governada por um afrodescendente, mas será que isso significa que o sonho de Luther King se concretizou? 

Será que na América e no mundo ocidental somos todos iguais, todos somos criados iguais?

Será?

[1747.] Ypsílon_23

28 DE AGOSTO DE 2013
DIA DE SANTO AGOSTINHO DE HIPONA, padroeiro da Diocese de Coimbra

[1745.] Lido


Li, nos últimos dias, a primeira encíclica do Papa Francisco (e simultaneamente a última de Bento XVI), Lumen Fidei - Luz da Fé. Apesar de o tema, a Fé, ser muito mais complexo do que os temas das três anteriores encíclicas (Deus Caritat Est - Deus é Amor, sobre o "Amor Cristão". Spe Salvi - Salvos na Esperança, sobre a "Esperança Cristã", Caritat in veritate - A Caridade na Verdade, sobre "o Desenvolvimento Integral na Caridade e na Verdade"), achei este texto muito mais simples, muito mais acessível, muito mais próximo. Não terá sido indiferente o estilo do escrevedor. 

As quatro encíclicas papais parecem completar uma triologia alargada e enunciada na Epístola de São Paulo aos Coríntios: «Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.» 1 Coríntios 13:13



«Assim, o dinamismo de fé, esperança e caridade (cf. 1 Ts 1, 3; 1 Cor 13, 13) faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens, no nosso caminho rumo àquela cidade, "cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus" (Heb 11, 10), porque "a esperança não engana" (Rm 5, 5).
Unida à fé e à caridade, a esperança projecta-nos para um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias. Não deixemos que nos roubem a esperança, nem permitamos que esta seja anulada por soluções e propostas imediatas que nos bloqueiam no caminho, que "fragmentam" o tempo transformando-o em espaço. O tempo é sempre superior ao espaço: o espaço cristaliza os processos, ao passo que o tempo projecta para o futuro e impele a caminhar na esperança.»


AQUI... ainda

terça-feira, 27 de agosto de 2013

[1744.] O Miguel faz hoje um ano!



«On Top of the World»
Imagine Dragons
'Night Visions'
2013


O meu afilhado Miguel faz hoje um ano. O dia em que nasceu foi muito especial. O pai ligou-me logo de manhã, pouco tempo depois de ele ter nascido. Eu estava de saída, para ir fazer o jornal da Mealhada em dia de folga no restaurante. A Inês ainda estava em causa e ficámos os dois muito contentes. Desliguei o telefone e fui ver no meu caderno preto d' 'o fio dos dias' as efemérides do dia 27 de agosto. O Miguel nasceu sob o signo de Virgem, no Dia de Santa Mónica, padroeira das mães, 2563 anos depois de Confúcio, 242 anos depois de Hegel, 102 anos depois de Agnes Gonxha Bojaxhiu, a madre Teresa de Calcutá. Miguel será, então, um Príncipe da Paz. 
Avisado o pai dos bons augúrios, viveu-se um dia de grande ansiedade, atenuada pelo momento em que chegou a primeira fotografia, via telemóvel. 

Esta música é a canção da hora da papa e do banho do Miguel... numa tradução livre da sua mãe, que entoa a melodia com grande mestria numa hora de animação, o 'top of the world' anuncia tempos de festa...

Não podendo estar hoje com o Miguel. Fica a música dele, para atenuar saudades... 

Se amares alguém, 
O melhor será dizeres-lho quanto antes.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

[1743.] É Hilário, fadista, em 1932, no Choupal


É Hilário, fadista. Não é o Augusto do Fado. É o ti'Hilarito de Sernadelo. 
É o meu avô, em 1932, no Choupal, de Coimbra, do Hilário, Augusto.

Não era grande guitarrista (nem tão bom músico como o irmão Alexandre), mas dava uns toques... era um curioso, um galã, que de dia era caixeiro no Arnado e à noite acompanhava uns doutores na gandaia. Gostava do copito, era uma jovem. Nesta altura tinha 27 anos. Faltariam dez para regressar a casa, a Sernadelo, para ajudar o cunhado a construir um império!

domingo, 25 de agosto de 2013

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

[1740.] De quem é a culpa?


O país está chocado com a terceira morte de bombeiros, em combate, em quinze dias. Perante o primeiro morto, em 4 de agosto, António Nuno Ferreira, quarenta e quatro anos, filhos menores, ouviu-se solidariedade, falou-se em acidente, compreendeu-se que há um risco que os bombeiros aceitam correr quando, voluntariamente, abraçam esta causa. Um risco que nem sempre corre bem. Quando, a 15 de agosto, se soube da morte de Pedro Rodrigues, solteiro, sentiu-se a angústia, acentuou-se a perda. Ontem, a morte de uma bombeira de 22 anos, com uma filha de quatro anos, instalou-se o choque e a revolta. Compreende-se.

Hoje a pergunta impõe-se:  
De quem é a culpa de tantos fogos e de tantas mortes?

Fizeram-me a pergunta várias vezes hoje. Até de um jornal. A resposta que dei foi simples:
A culpa é minha!

Poderia responder que a culpa é da falta de meios. Podia, mas a verdade é que, apesar do completo desinvestimento do Estado, as associações de bombeiros voluntários, com o apoio das autarquias, o sacrifício dos próprios bombeiros e a solidariedade das populações, têm conseguido, de uma forma geral, adquirir viaturas e materiais no sentido do combate aos incêndios florestais em Portugal ser eficiente.

Poderia responder que a culpa é da falta de condições dos bombeiros. Podia, mas a verdade é que, apesar de por exemplo estar a decorrer um concurso público para a compra de equipamentos de protecção individual desde janeiro, com financiamento comunitário e de esse concurso ter sido anulado várias vezes porque foi mal feito pelo Governo, tem sido possível dar à maior parte dos bombeiros protecção condigna, especialmente para os mais operacionais.

Poderia dizer-se que a culpa é da falta de conhecimentos ou preparação dos bombeiros. Podia, mas a verdade é que apesar de a Escola Nacional de Bombeiros não estar a dar a formação necessária e na quantidade que as corporações precisam, e de até as promoções estarem todas paradas porque não há respostas, os bombeiros portugueses - muitas vezes com um saber de experiência feito -, de uma forma geral, não estão impreparados.

Poderia dizer-se que a culpa é da falta de legislação regulamentar sobre a floresta. Podia, mas a verdade é que, apesar de o Estado ser o proprietário florestal mais negligente que existe e de as suas matas estarem ao abandono, a legislação existe - quanto a perimetros de segurança, por exemplo, não há é quem a cumpra e quem a faça cumprir. A GNR, nesse dominio é perfeitamente incompetente e os tribunais perfeitamente irresponsáveis e desajustados da situação do país.

Poderia dizer-se que a culpa é da falta de legislação penal. Podia, mas a verdade é que, apesar de o regime de prisão preventiva e da aplicação de outras medidas de segurança aos incendiários não ser suficientemente persuasora, muitos dos incendiários são pessoas doentes e o problema não está em prende-los, está em tê-los internados ou debaixo de olho, especialmente nesta altura do ano.

No fundo,
A culpa é minha, que herdei pinhais e que há anos que não vou lá. Pinhais que não mando limpar, cujas extremas nem sequer conheço. Pinhais com árvores que crescem, caem, apodrecem e ardem e eu nem disso tenho reflexo.

Os juízes são fracos, os GNR são moles, há pessoas doentes em liberdade a meter fogos por vingança, por diversão - para verem o movimento, a adrenalina e o espectáculo de carros e aviões -, há governantes e políticos irresponsáveis, há bombeiros aventureiros, há isso tudo.

Mas só quando eu tiver consciência de que a floresta arde porque eu, como proprietário, nada faço, é que o problemas dos fogos florestais em Portugal deixa de ser letal.

Em Portugal mata-se por causa de uma extrema de um terreno. Há tribunais completamente entupidos por causa de partilhas de terras. Mas os portugueses querem os terrenos para fingir que são proprietários. Mas a verdade é que não são, porque não cuidam, não tratam e ainda acham injusto serem multados por serem irresponsáveis.

A Ana Rita morreu, o António morreu, o Pedro morreu. E o culpado sou eu!

[1739.] Já há demasiados heróis nos cemitérios.

Ana Rita Abreu Pereira
Bombeira de 2.ª - BV Alcabideche
(1989-2013)

Há um número crescente de mulheres bombeiras em Portugal. Há quem concorde, há quem discorde, há quem não se aperceba, há não se queira aperceber. Há quarteis novos sem camaratas femininas, há corporações com grupos de mulheres organizadas e associadas. A bombeira que morreu ontem era uma das muitas mulheres bombeiras em Portugal.

Terá ido com a mesma vontade com que as bombeiras (e os bombeiros também) da Mealhada pedem para ir para fogos e incorporar Grupos de Reforço noutras paragens. Terá tido o sentimento de boa adrenalina que todos os bombeiros sentem e terá ido, disponível, voluntária, de Alcabideche para Tondela, como foram os Bombeiros da Mealhada. A Ana Rita terá subido de Alcabideche para Tondela, os bombeiros da Mealhada, que estavam em Castro Daire, desceram até ao Caramulo. 

Mas o pior aconteceu. Não se sabe porquê. Para já. Não se sabe se há mais culpados - para além dos animais que, ao que tudo indica, atearam os fogos que lavram naquela serra há mais de cinquenta horas. Mas a Ana Rita junta-se à lista onde já se encontrava António Nuno Ferreira e Pedro Rodrigues. Deixa uma filha de quatro anos que daqui a dez já não se lembrará da mãe. Deixa uma corporação em sofrimento. Deixa uma comunidade em dor. Deixa um país de luto. Infelizmente, não deixa os estupores que atearam os fogos na prisão, nem sequer os deixará incomodados.

Foram os bombeiros da Mealhada que foram recolher o cadáver da Ana Rita no sítio onde pereceu. Um cadáver "que parecia um tronco queimado", nas palavras dos nossos homens. Um cadáver, irreconhecível, de alguém que morreu no campo de batalha. Os que ficam, os que sofrem, os queimados, os que estiveram lá, guardarão a memória de um modo de vida arriscado ao serviço dos outros. 

Para mim, fica a convicção: Já há demasiados heróis nos cemitérios. 

[1738.] Paisagens do meu quotidiano_8

Outra vez a mesma paisagem [1727.]. Não por que seja bonita. Não por que seja inspiradora. Mas por que infelizemente se repete. E repete-se por terceira vez em 18 dias. 
«Desde 1980, morreram 218 bombeiros em Portugal, enquanto estavam em serviço. Destes, 105 perderam a vida em incêndios florestais. Este mês contam-se já três bombeiros mortos na combate a fogos ou na sequência de ferimentos graves. Para além da bombeira que ontem faleceu em Tondela, no dia 15 um bombeiro morreu num incêndio na Covilhã. No dia 1 deste mês, três homens dos voluntários de Miranda do Douro ficaram feridos com gravidade, e um deles acabaria por morrer a 4 de Agosto, no Hospital da Prelada, no Porto.»

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

[1737.] Paisagens do meu quotidiano_7

Casa do Sal, em Coimbra. É daqui que mando a SMS à Inês a dizer que estou a chegar. A mensagem diz, simplesmente, Casa do Sal.
É código...

[1736.] "Sem o gato o rato não têm limites"*

 O Museu Hermitage, em Sampetersburgo, na Rússia, tem, desde 1774 um batalhão de gatos (actualmente são cerca de 70) que protege o museu dos ratos que possam destruir as obras de arte. Os gatos podem ser 'adoptados' (odeio a expressão) pelos amigos do museu e, recentemente, "a pedido da revista do museu, o artista gráfico Eldar Zakirov, imortalizou 6 destes senhores gatos, num conjunto de imagens inspiradas nas obras de retratistas clássicos russos, do séc. XVIII e XIX, tais como Orest Kiprensky e Ilya Repin, utilizando ao mesmo tempo, uma técnica mais variada, numa aproximação aos mestres contemporâneos.
Os "escolhidos" foram sugeridos por Maria Haltunen, a encarregada principal dos felinos do museu, e segundo Eldar Zakirov, este tentou manter-se o mais próximo possível da verdadeira identidade destes animais e das suas características individuais: "as manchas do seu focinho, a forma das orelhas, o comprimento do pêlo”. Até mesmo a roupa foi escolhida cuidadosamente por um curador do museu no departamento do traje".

* Provérbio russo

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

[1735.] Se eu mandasse

Se eu mandasse, nenhum português poderia ser eleito ou nomeado para um cargo político nacional sem ler este livro.

Não é um compêndio de história. Também não um pangírico auto-elogioso. Trata-se de uma obra simples, clara, fácil de ler, que enuncia uma tese também ela clara e simples: Portugal é um projecto político claro e transparente, construído através de uma conjugação de esforços múltipla que se superou e reinventou várias vezes sempre numa perspectiva de exteriorização, de convívio e serviço ao Outro. No fundo, não conseguiriamos viver sozinhos...

aconselho.

[1734.] (In)Justa e (in)Elegível

Esta trapalhada da declaração de elegibilidade ou não de certos candidatos a autarcas - num tribunal são aceites só porque ninguém se queixou, ou quem se queixou não tinha 'legitimidade' por não ser candidato, e noutro tribunal já não são aceites - revela, mais uma vez, a completa falência do sistema político português. Revela a incompetência dos partidos políticos - que preferiram refugiar-se em equívocos para não tomar uma decisão clara -, do sistema de justiça - com decisões a bel-prazer dos sacerdotes impreparados que nunca são responsabilizados pelas decisões que tomam -, e dos cidadãos - que assistem ao fogo no paiol impávidos e serenos.

Ontem em Coimbra, dois candidatos à União de Freguesias de Santa Clara Castelo Viegas, de dois partidos diferentes, foram considerados inelegíveis. O mesmo tribunal declarou elegíveis outros cinco candidatos que estão exactamente nas mesmas circunstâncias. A diferença? Em Santa Clara/Castelo Viegas houve um Movimento Independente que reclamou e nos outros cinco sítios... não. Compreende-se?

[1733.] Paisagens do meu quotidiano_6

A nova sede do Jornal da Mealhada não me é um sitio indiferente... ainda me é esquisito ali entrar, porque tenho alguma nostalgia da sede antiga - onde trabalhei durante oito anos, onde vivi grandes angústias e decisões, onde na porta de entrada estaria uma frase do Dante "Lasciate ogni speranza voi qui entrati" (sugestão do Professor Santos) -. Mas enfim, é a vida. Neste sitio, como diz a Cila, a minha foto está na parede dos diretores (quase todos mortos...) é um sitio especial...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

[1732.] Paisagens do meu quotidiano_5

Faz hoje 222 dias que tomei posse como presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada.

[1731.] Marti dies... em dias de neura



U2 - Beautiful Day
 All That You Can't Leave Behind

You thought you'd found a friend/ To take you out of this place

Há quem diga que sou estupidamente optimista... mas nem todos os dias... há dias de neura... em que vale a pena curtir a fossa!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

[1730.] Lunae dies... no Dia Mundial da Fotografia

12 de junho de 2010

Não é meu costume colocar nas minhas redes sociais grandes lamechices ou coisas que digam respeito a outras pessoas, que pese embora me sejam próximas, não foram chamadas a opinar sobre se devia colocar ou não dados delas ou imagens. Costumo colocar muitas imagens de pessoas que me são muito queridas - afilhados, por exemplo - mas raramente os identifico a ponto de poderem ser perfeitamente "identificáveis" passo o pleonasmo...

Hoje, Lunae dies, Dia da Lua e da imagem n'o fio dos dias, Dia Mundial da Fotografia, também, decidi meter uma imagem de um momento muito importante da minha vida. A foto mais bonita do meu casamento - assim me parece - é quase aristocrática e gosto muito dela, tirada num lugar que me diz muito, o bisneto do carpinteiro do Palace, sobe a escadaria como se fosse um membro da realeza.

Foi um dia muito importante para mim porque optei por transformar a minha vida ao lado de outra pessoa. Uma pessoa a quem, deliberadamente, decidi dedicar-me de corpo e alma. Uma pessoa que gosta de mim e de quem gosto muito. Uma pessoa que transformou a minha vida ao aceitar-me como sou - com as qualidades e os defeitos (e especialmente estes).

Uma imagem que é um gesto de amor. Espero que a Princesa não me leve a mal!