21 de Julho de 2013
Ao ver entrar um peregrino cá em casa, de mochila às costas, com aquele sorriso e descanso de quem já encontrou poiso por hoje, lembro que há uma semana o backpacker era eu. E parece que revivo exactamente aquilo que o peregrino está a sentir. E parece que consigo perceber a satisfação com que bebe a primeira cerveja fresquinha e descansada. E parece que sei a que sabe esticar os músculos numa cama e num banho fresco e retemperador.
E vivo tudo outra vez.
A semana passada na Irlanda foi a primeira experiência backpacker que tive depois de ser um honrado estalajadeiro (o Ovelha prefere a hospitaleiro...) e senti algo de especial.
Senti-me na simpatia do empregado da pousada de Cork que me fez logo perceber que a Irlanda não é a Britânia. Senti-me no acolhimento da família Bresham na casa de quem dormimos em Kilkenny (um bed and breakfast localizado numa vivenda familiar) e no pequeno-almoço que nos serviram na manhã seguinte. Senti no profissionalismo do funcionário da Pousada da Juventude de Belfast, que apesar de ser muito esquisito foi competente. Senti no esforço do funcionário do BB de Dublin em nos arranjar uma solução numa cidade overbooked e na mudança de atitude da sua colega, no dia seguinte, que não encontrava remédio para o irremediável.
Provavelmente passei a ver o mundo de uma maneira diferente e a sentir a satisfação de conseguir estar dos dois lados da barricada... ou do balcão...
segunda-feira, 22 de julho de 2013
[1705.] REFLEXÕES DE UM HOSPITALEIRO #11
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[1704.] REFLEXÕES DE UM HOSPITALEIRO #10
Allie é irlandesa. É uma mulher muito bonita. É alta, loura, bem feita. Não deverá ter mais do que 45 anos. É irlandesa. É peregrina. Chegou cá a 19 de julho e foi preciso ir busca-la à Esplanada. É jornalista e entrevistou o Diogo. Até aqui tudo normal, não fosse trazer os dois filhos consigo, de mochila às costas a Ava e o Ollie, ela com 15 anos e ele com 8.
Como eu gostava de um dia fazer o caminho com os meus filhos e com os meus afilhados.
Se calhar senti inveja...
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[1709.] IV República já!
Apanhei a brincadeira política dos asininos de 'Lesboa' a que alguns chamaram 'Crise' no meu primeiro dia de férias. Procurei acompanhar e da primeira vez que aqui no Facebook comentei o caso só disse asneira. Saí do país - fui até à resgatada Irlanda - e mesmo lá assisti (atónito) ao desenrolar de vinte dias de angustia de um país que na prática é, apenas formalmente, uma Democracia com quatro décadas. Longe dos comentadores especialistas em assuntos gerais, pagos pelos partidos (mesmo que indirectamente) pude pensar na Democracia do meu amado país. Decidi que só voltaria a abrir a boca quando o assunto estivesse terminado. Ainda não está, falta empossar o 'XIX Governo - Parte 2'. Depois disso direi o que penso. Para já reafirmo o que escrevi há 20 dias: 'É a hora de começar a construir a IV República.
[1703.] As tocas de um leão... que podia ser leoa?
Há uma antiga praxe de Coimbra que leva os caloiros junto do Monumento a Camões, junto do exemplar do Panthera Leo que lá está a rugir, na base, e lhes é pedido que digam, comprovando cientificamente se o exemplar é um macho ou uma fêmea. O caloiro é incentivado a aproximar-se do animal e procurar o órgão reprodutor masculino. Não o encontrará e dirá que se trata de uma fêmea. Naturalmente, e porque tem juba, o doutor dir-lhe-á que se trata de um macho e que a cena de ridicula apalpação seria despropositada.
O César é teimoso. Certo dia, em conversa solta, comentei que o Monumento a Camões já teve mais sitios na cidade do que importância para os coimbrinhas... Hoje (diga-se em abono da verdade) ocupa lugar proeminente na Avenida Sá da Bandeira, quase em frente ao Centro Comercial Avenida, mas também já esteve escondido na Rua do Arco da Traição, ao lado do Instituto Universitário Justiça e Paz, sem que ninguém desse por ele. Dizia eu ao César que o lugar originário do monumento foi no chamado largo das Mamonas, onde hoje se situa a Faculdade de Letras. No estilo que lhe é peculiar, o César chamou-me de burro, que tal coisa nunca teria acontecido e que eu estava a "espetar a tanga".
Passaram-se alguns meses quando, na Feira do Livro de Coimbra encontrei um livro chamado "Coimbra Antiga", telefonei ao César com ar de quem precisa de ser socorrido e ele, solicito, veio à Praça da República. Chamei-o junto do livro, mostrei-lhe quem era o burro, e fomos beber uma cerveja ao Cartola. A foto é esta.
O César é teimoso. Certo dia, em conversa solta, comentei que o Monumento a Camões já teve mais sitios na cidade do que importância para os coimbrinhas... Hoje (diga-se em abono da verdade) ocupa lugar proeminente na Avenida Sá da Bandeira, quase em frente ao Centro Comercial Avenida, mas também já esteve escondido na Rua do Arco da Traição, ao lado do Instituto Universitário Justiça e Paz, sem que ninguém desse por ele. Dizia eu ao César que o lugar originário do monumento foi no chamado largo das Mamonas, onde hoje se situa a Faculdade de Letras. No estilo que lhe é peculiar, o César chamou-me de burro, que tal coisa nunca teria acontecido e que eu estava a "espetar a tanga".
Passaram-se alguns meses quando, na Feira do Livro de Coimbra encontrei um livro chamado "Coimbra Antiga", telefonei ao César com ar de quem precisa de ser socorrido e ele, solicito, veio à Praça da República. Chamei-o junto do livro, mostrei-lhe quem era o burro, e fomos beber uma cerveja ao Cartola. A foto é esta.
domingo, 21 de julho de 2013
[1702.] De regresso às Moradas Frias
O Conselho de Agrupamento decidiu e eu estou feliz com a decisão.
VOLTEI ÀS MORADAS FRIAS!
[John Charles Dollman - Mowgli made leader of the BandarLog]
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sexta-feira, 19 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
[1701.] Reflexões de um hospitaleiro, powered by Paulo Valdez
O Paulo Valdez fez-me uma ilustração caricatural para o Reflexões de um Hospitaleiro.
Está ou não está lindo?
Obrigado Paulo!
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reflexões de um hospitaleiro
[1700.] São boas as férias, não foram?
28 gostos ;)
Nuno Castela Canilho As duas beldades na foto são o Miguel e o padrinho dele. Digam lá que não há sintonia? [1699.] Atónito
quarta-feira, 3 de julho de 2013
[1698.] Desabafo no epicentro...4
Se
Seguro chamar Portas ao XX Governo sofrerá na pele a mesma traição que
Passos. Ninguém espere que seja fiel a mulher adultera que deixou alguém
para estar consigo.
[1697.] Desabafo no epicentro...3
Sou
da opinião de que Pedro Passos Coelho deve apresentar a sua demissão
quanto antes. Portugal voltou ao pântano e à espada e à parede. Uma
clarificação parece ser a única salvação possível no curto-prazo. O
médio longo prazo só que resolve com uma refundação do Regime e com a IV
República. Até lá, Pedro Passos Coelho é o melhor primeiro-ministro do
Século XXI e sai (se sair) como a vitima num processo da politica velha e
caduca que vais regurgitar os portugueses. Portugal reconhecerá o valor
de Passos depois do fracasso de Seguro... espero que não seja tarde de
mais!
[1696.] Desabafo no epicentro...2
Hoje é
a noite de fogo para o CDS/PP de Paulo Portas. Se matarem o XIX Governo
não me parece que tenham condições para se sentarem no XX, nem mesmo se
essa fosse a vontade de Seguro. A velha máxima latina de que 'Roma não
paga a traidores' ainda vale.
terça-feira, 2 de julho de 2013
[1695.] Desabafo no epicentro...
Já não há homens de Estado!
A III REPÚBLICA ACABOU. Funde-se a IV República! JÁ!
A III REPÚBLICA ACABOU. Funde-se a IV República! JÁ!
Nuno Castela Canilho Admiro,
pessoalmente, o primeiro-ministro, mas se for verdade o que diz PORTAS,
que (apesar de ser ministro de Estado e o líder do partido da
coligação) não foi consultado na escolha do Ministro das Finanças, então
a culpa de uma eventual queda do Governo é da exclusiva
responsabilidade de PASSOS COELHO. É inadmissível.
Nuno Castela Canilho http://expresso.sapo.pt/gabinete-de-passos-desmente-tese-de-portas=f817799Gabinete de Passos desmente tese de Portas
Passos informou Portas no sábado da saída de Gaspar e escolha de Maria Luís. S. Bento desmente tese do líder do CDS.
Nuno Castela Canilho Se se confirmar que Portas mentiu, então é dele o comportamento inadmissível e são verdadeiras as acusações de que é um escroque.
Nuno Castela Canilho http://www.publico.pt/politica/noticia/declaracao-de-passos-coelho-na-integra-1599063
Passos informou Portas no sábado da saída de Gaspar e escolha de Maria Luís. S. Bento desmente tese do líder do CDS.
Nuno Castela Canilho Se se confirmar que Portas mentiu, então é dele o comportamento inadmissível e são verdadeiras as acusações de que é um escroque.
Nuno Castela Canilho http://www.publico.pt/politica/noticia/declaracao-de-passos-coelho-na-integra-1599063
sábado, 29 de junho de 2013
[1693.] Faleceu ontem o último Bispo-Conde de Coimbra.
Os bispos de Coimbra são ao mesmo tempo detentores do título nobiliárquico de Condes de Arganil. D.João Alves tinha a pose austera e séria de um conde, tenho dele apenas a imagem institucional... (sei que na intimidade era muito afável), mas sempre o vi como uma figura grave, séria, altiva que se tornou ainda mais contrastante quando lhe sucedeu D.Albino Cleto, que era muito mais terno, amigo, próximo.
Para mim, D.João Alves será sempre o Bispo-Conde, o último Bispo-Conde.
Para mim, D.João Alves será sempre o Bispo-Conde, o último Bispo-Conde.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
[1624.] O fio dos dias no Jornal da Mealhada #02
1 de julho de 2003
A
primeira década
Na tarde de 1 de julho de
2003, há dez anos, portanto, o parlamento nacional aprovava, por
unanimidade, a elevação da vila da Mealhada à categoria de cidade.
Depois de um punhado de meses de violenta discussão interna, estava
dado um primeiro passo para uma elevação que, bastante falada na
altura, em breve passaria inócua, ou apenas susceptível a algum
gozo entre trocadilhos.
O processo de elevação
da vila da Mealhada à categoria de cidade – e no mesmo dia o de
Oliveira do Bairro, por exemplo – demonstrou claramente que as leis
da República, quando o legislador é, ao mesmo tempo, o aplicador e
o julgador, mais não servem do que um guião de principios gerais
que só são cumpridos se se quiser. A vila da Mealhada não cumpria
praticamente nenhum dos critérios enunciados na lei, nem sequer a
excepção seria observável. Mas de qualquer forma, a decisão foi
tomada e os dois projectos em análise – de Gonçalo Breda Marques,
do PSD, e a cópia (até nas gralhas) assinada por Rosa Albernaz, do
PS – foram aprovados, com publicação em Diário da República em
26 de agosto.
Retomamos a pergunta: O
que ganhámos em dez anos de cidade? Sugerimos uma resposta: Nada.
Passámos, apenas, ao lado de um boa oportunidade de coesão interna,
do aprofundamento de instrumentos de democracia participativa
modernos, de incremento de desenvolvimento da sociedade civil. Os
responsáveis por esta alegada falta? Todos nós ou cada um dos
mealhadenses. Os responsáveis autárquicos – Junta e a Câmara –
são os que menos devem nesta contabilidade. Porque para se ser
cidade é preciso ser-se cidadão... e aí estamos fraquinhos, muito
fraquinhos!
in JORNAL DA MEALHADA de 26 de junho de 2013
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Jornal da Mealhada
domingo, 23 de junho de 2013
[1690.] Será completamente estúpido perguntar...?
Será completamente estúpido perguntar se o
parque que está a ser construído no Choupal, no centro da Mealhada,
vai ter casa de banho? Pergunto com a mesma ignorância de que indaga
se será completamente estúpido perguntar se o Parque da Cidade da
Mealhada já tem casa de banho.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
[1688.] REFLEXÕES DE UM HOSPITALEIRO #09
20 de Junho de
2013
Promova-se o debate: «Qual o pior inimigo do peregrino?»
A desistência ou o chamado psicológico? As bolhas nos pés? As subidas? Ou as descidas?
A minha opinião é muito mais escatológica. O maior inimigo do peregrino é a DIARREIA! Que o diga o pobre do americano da Florida que hoje entre nós padece em sofrimento...
Promova-se o debate: «Qual o pior inimigo do peregrino?»
A desistência ou o chamado psicológico? As bolhas nos pés? As subidas? Ou as descidas?
A minha opinião é muito mais escatológica. O maior inimigo do peregrino é a DIARREIA! Que o diga o pobre do americano da Florida que hoje entre nós padece em sofrimento...
[1687.] Foi na Vacariça, em 1320, que se instituiu o culto da Imaculada Conceição de Maria, em Portugal

Bispo D. Raimundo Ebrard - (Coimbra)
Data do bispado: 1319-1324
D. Raimundo Ebrard (1319.11.10-1324.07.15) - Era sobrinho do Bispo D. Ayméric, Cónego de Caors e depois Cónego, Tesoureiro e Deão da Sé de Coimbra. Instituiu, pela primeira vez em Portugal, a festa da Imaculada Conceição de Maria, a pedido da Rainha Santa Isabel, por Portaria, assinada na Vacariça, em 17 de Outubro de 1320 e ordenou que ela se celebrasse a 8 de Dezembro. Faleceu em Linhares, a 15 de Julho de 1324.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
[1685.] Será completamente estúpido perguntar...?
Será completamente estúpido perguntar porque
razão é que as Estradas de Portugal não fazem arranjos de estradas
de madrugada? Se assim fosse, não obstruíam o trânsito de tal modo
que as pessoas não conseguem fazer a sua vida normal... Serei eu o
burro?
segunda-feira, 17 de junho de 2013
[1684.] Subsídio para a História do Escutismo na Mealhada
[1682.] Arnaldo de Matos, o Grande Educador da Classe Operária?
Ontem, um dos reaccionários do banco da má lingua, nas tasquinhas da Mealhada, enquanto lhe servia uma taça de tinto, em todo de provocação, chamou-me o ARNALDO DE MATOS 'da Mealhada'.
Receio ter-me sentido lisonjeado!
domingo, 16 de junho de 2013
[1681.] Fazer a diferença
A única alternativa a um bocadito de TV na tarde
de domingo converteu-se à lixeira alegadamente popularucha do
Portugal do pimba e do nacional-porreirismo! Quando é que em
Portugal deixa de vingar a ideia de que se resulta num lado o
inteligente é pura e simplesmente copiar?
Convençam-se de que temos de saber fazer diferente, porque se ninguém fizer a diferença seremos todos igualmente maus!
Convençam-se de que temos de saber fazer diferente, porque se ninguém fizer a diferença seremos todos igualmente maus!
[1679.] Duques e cenas tristes
Notas facebokianas sobre o trabalho da revista Sábado, alegadamente sobre o Leitão da Bairrada, mas que resultou num ataque infame à restauração na Mealhada.
Nuno Castela Canilho Desculpem lá meter a colherada... mas este artigo, publicado na semana em que a Mealhada promove uma Semana do Leitão é tudo menos inocente. Numa leitura mais cuidada do que mera observação das opiniões do senhor Duque (que são completamente caluniosas e indignas), interessa adjectivar o trabalho do pseudo-jornalista que o produziu como uma porcaria indigna de uma revista como a Sábado.
Se não vejamos, confunde sistematicamente Mealhada com Bairrada como se fossem sinónimos, tem frases determinantes como "informações não confirmadas", ou seja: o artigo é um nojo!
Depois há as opiniões do sr.Duque e do sr.Maló que são naturalmente estapafurdias, o segundo é parte interessada porque vende os leitões 'do Lado Bom da Força', o primeiro é um qualquer mestre de 'tainadas' auto-proclamado profundo conhecedor do Leitão. Se fosse um defensor do Leitão procurava que estas alegadas situações se resolvem e não se punha a dizer na imprensa nacional que o que alegadamente defende afinal não presta!
Mas sobre o assunto "da comunidade dos donos de restaurantes que não têm sentido de unidade", gostava de dizer que posso dizer por experiência que isso não é verdade e que eventualmente não haverá nenhum sector económico da Mealhada tão unido como este. Hoje, apesar de concorrentes e com concorrência feroz, há um sentido de solidariedade importante. O passado dia 10 de junho, em que o leitão esgotou em muitas casas, houve um sentido muito grande de solidariedade e partilha e em que muitas casas se uniram, partilharam carcaças e leitões assados, de modo a que nenhum cliente ficasse por servir. Tive clientes a virem recomendados por outros restaurantes e vice-versa. Essa informação é um mito!
É um mito, mas tb temos de compreender que quem não é solidário, não pode esperar solidariedade. Eu não tenho razões de queixa, antes pelo contrário, tenho recebido apoio, incentivo e solidariedade de todos, mesmo de concorrentes directos ou vizinhos!
E aos que garantem que aquilo que o sr. Duque diz é, "naturalmente" verdade, eu pergunto: Podem prová-lo? É que este artigo não o demonstra e mesmo ele parece não ter provas disso. Um nojo, portanto!
Comentários num post de Miguel Ferreira
sábado, 15 de junho de 2013
[1680.] Volver
Voltei aos jornais...
É a minha praia, é onde me sinto bem. Obrigado aos que permitiram que voltasse a sentir aquela sensação intima de felicidade.
É a minha praia, é onde me sinto bem. Obrigado aos que permitiram que voltasse a sentir aquela sensação intima de felicidade.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
[1623.] O triunfo dos porcos #01
Ao ouvir os discursos do 10 de Junho, da passada segunda-feira, veio até mim a imagem da nau portuguesa de quinhentos, quase como metáfora da situação política portuguesa na actualidade. Ninguém acredita que os portugueses marinheiros fossem todos heróis embarcados em nome de um sublime altruísmo de dar novos mundos ao mundo, ou provar realmente a viabilidade de uma hipótese remota de encontrar novas terras ou novas rotas comerciais.
Terão embarcado alguns especialistas – astrónomos, matemáticos, marinheiros de facto – mas também muita ‘carne para canhão’, condenados, pessoas indiferenciadas. Perante uma viagem tão longa – a viagem de Vasco da Gama, por exemplo, demorou 10 meses até chegar ao destino. A frota de Gama – aproveitemos o exemplo – tinha 170 homens divididos em quatro naus. Pelo que terá havido, certamente, momentos de dificuldade, de desesperança, de angústia, de depressão. Dito de outra forma: de crise. Estes homens navegavam tendo, apenas, o céu como companheiro e as superstições de monstros marinhos e perigosas criaturas na costa que, ao longe, iam acompanhando.
Será que ao longo destes 10 meses, estes homens não pensaram em desistir? Não pensaram que melhor seria se voltassem para trás?
Será que neste ambiente de dificuldade não lhes passou pela cabeça atirarem o Vasco da Gama borda-fora e, com uma nova liderança, acabarem com a angústia mais depressa? Naturalmente que sim… E o que teria acontecido se não tivessem sabido viver com algum espirito de sacrifício as dificuldades que tinham pela frente. Provavelmente, escolhendo a via mais fácil, nunca teriam chegado…
A imagem destes conflitos nas naus portuguesas pode ser hoje usada para ilustrar um país que não sabe por onde quer ir, mas parece saber – pelo menos os noticiários assim o garantem – que não quer ir pelo caminho das pedras, pelo caminho da austeridade, por ser o mais difícil. Ninguém parece saber mostrar que outro caminho de facilidade poderá ser trilhado… mas mesmo assim, a vontade alegadamente generalizada é a de que tudo menos isto.
A voz da horda grita: Atire-se o comandante borda-fora! Ou ‘Demissão já!’, mas não sabe identificar o que mudaria se o comandante fosse outro. A voz da horda berra: Que se lixe a Troika!, mas não está disposta a resolver os nossos problemas, se isso significar perder direitos, deixar de ter regalias, ou viver as dificuldades tal como elas são: tempos difíceis! Ou seja, sempre ‘o sol na eira e a chuva no nabal!’
Luís de Camões, n’Os Lusíadas, em determinada altura (nos cantos V, VI e IX), apresenta o marinheiro Fernão Veloso, procurando, assim, com este personagem, humanizar os heróis, os marinheiros portugueses que acompanhavam o almirante Vasco da Gama, rumo à India. Fartos de homens providenciais, os portugueses parecem querer ser governados pelos homens normais, pelos que ‘não são insensíveis aos problemas das pessoas’, pelos que estão sempre ao lado da horda, sem nunca a contrariar, para daí não tirar prejuízos.
Prefira-se, então, o Fernão Veloso, eleja-se, então quem, ignorando o perigo, na sua arrogância, seguro de fazer o que a horda quer que faça, atacado pelos indígenas e forçado a recuar apressado ao navio, mantenha a balofa postura de herói destemido e afirme: "Mas, quando eu pera cá vi tantos vir / Daqueles cães, depressa um pouco vim, / Por me lembrar que estáveis cá sem mim". Vejamos o que dá…
in REGIÃO BAIRRADINA, de 12 de junho de 2013
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[1622.] O fio dos dias no Jornal da Mealhada #01

24 de junho de 1944
O eterno retorno?
Sobre a data da fundação da freguesia da Mealhada passam, no próximo dia 24 de junho, 69 anos. Em 1944, numa altura em que a vila da Mealhada vivia um momento glorioso de expansão, com a construção dos Viveiros Florestais, com a construção da variante conhecida como Estrada Nacional n.º1 (hoje Alameda da Cidade), com a edificação das Caves Messias, nascia a autonomização administrativa da localidade que desde 1836 era sede de concelho, mas que continuava a ser integrante da freguesia da Vacariça.
Esta vontade e esta espécie de autodeterminação nascem não pela vontade política, apesar da ajuda desta, mas pela mão de um conjunto de mealhadenses – onde se destacava João Saraiva, comerciante, que viria a ser o primeiro presidente da Junta de Freguesia, e que já havia sido um dos impulsionadores da criação do Corpo de Bombeiros da Mealhada.Em 2014 ainda haverá a freguesia fundada pelos mealhadenses, setenta anos antes. Mas haverá, também, uma nova estrutura a governá-la, uma União que a congrega às duas freguesias que em 1963 se haviam separado uma da outra, a Antes e Ventosa do Bairro. O retorno à unidade em vez da autonomização. O retorno à unificação em nome da necessidade de agradar à troika e da alegada necessidade de rentabilizar recursos. Será que os mealhadenses que durante 108 anos conviveram com a realidade de ser sede de concelho sem ser sede freguesia se vão importar?
Sobre os candidatos e os futuros eleitos nas eleições autárquicas de setembro de 2013 cai agora, nos ombros, uma grande responsabilidade, a de criar um modelo de governação autárquica integralmente novo, a de congregar três freguesias diferentes numa unificação de esforços, numa unidade orçamental, perante três realidades distintas, com três comunidades desiguais.
Fica a sugestão – até porque ainda nem em campanha estamos – de que os candidatos à União das Freguesias de Antes, Mealhada e Ventosa do Bairro, se recusem a tentar homogeneizar as três freguesias. O ideal seria que continuassem a ser apoiadas e realizadas as iniciativas já características de cada uma das freguesias – como a Festa dos Saberes e Sabores de Ventosa do Bairro –, que se promova a colocação de placas de sinalética com a indicação dos limites geográficos de cada uma das três freguesias, que continue a haver três tasquinhas na Feira de Artesanato para associações de cada uma das freguesias e, porque não, se passe a comemorar com pompa e circunstância a data da fundação de cada uma das freguesias – o 24 de junho de 1944 na Mealhada, o 23 de abril de 1963 na Antes, e, porque a freguesia de Ventosa do Bairro nasceu com a reforma administrativa de 1835, o 18 de julho, que é o dia da publicação da lei.
Os futuros autarcas da União das freguesias têm um trilho tortuoso a percorrer, mas viverão a satisfação de estar a fazer história em cada passo, de estar a transformar o futuro em cada decisão. Trata-se, por isso, acredito eu, de um desafio político como haverá poucos em democracia.
in JORNAL DA MEALHADA de 12 de junho de 2013
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
[1678.] Trezes de junho
Santo António, Vieira da Silva, Álvaro Cunhal, Eugénio de Andrade... Há 13 de junho para todos os gostos... e quadrantes... Haja festa!
[1677.] Favas com todos?
Até para um gesto tão simples como escolher uma data das eleições autárquicas os políticos portugueses demonstram a sua fraqueza de espírito... O chefe do Governo recebeu os representantes dos partidos...
Os partidos do Governo querem as eleições a 22 de setembro, porque dizem que tem de ser o quanto antes e porque as próximas autarquias têm orçamentos para fazer antes do fim do ano.
O Partido Socialista diz que tem de ser o 13 de outubro porque sempre assim foi e tem de continuar.
O Bloco também aponta para 13 de outubro, mas preferiria a 6 de outubro.
O PCP prefere o 6 de outubro por causa das peregrinações a Fátima... Afinal o PCP ainda se apresenta como o menos laico dos partidos políticos.
22 de setembro ou 13 de outubro...? Tudo se resume a uma questão: Os partidos do Governo querem distanciar-se dos efeitos colaterais da boataria sobre o Orçamento de 2014 (que tem de ser apresentado até 15 de outubro) e os partidos da oposição não querem deixar escapar a oportunidade de cavalgar eleitoralmente sobre o descontentamento contra o Governo.
Onde é que fica a preocupação com as autarquias no meio disto tudo? Não fica...
Os partidos do Governo querem as eleições a 22 de setembro, porque dizem que tem de ser o quanto antes e porque as próximas autarquias têm orçamentos para fazer antes do fim do ano.
O Partido Socialista diz que tem de ser o 13 de outubro porque sempre assim foi e tem de continuar.
O Bloco também aponta para 13 de outubro, mas preferiria a 6 de outubro.
O PCP prefere o 6 de outubro por causa das peregrinações a Fátima... Afinal o PCP ainda se apresenta como o menos laico dos partidos políticos.
22 de setembro ou 13 de outubro...? Tudo se resume a uma questão: Os partidos do Governo querem distanciar-se dos efeitos colaterais da boataria sobre o Orçamento de 2014 (que tem de ser apresentado até 15 de outubro) e os partidos da oposição não querem deixar escapar a oportunidade de cavalgar eleitoralmente sobre o descontentamento contra o Governo.
Onde é que fica a preocupação com as autarquias no meio disto tudo? Não fica...
terça-feira, 11 de junho de 2013
[1676.] Solis dies e mais memórias de infância que marcaram muito
Quem se lembra?
Animal Farm
A história de George Orwell, 'O Triunfo dos Porcos', em desenhos animados...
Animal Farm
A história de George Orwell, 'O Triunfo dos Porcos', em desenhos animados...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
[1675.] Intimidades em Lunae dies
A minha mãe e o meu avô António, no seio familiar sanguíneo, sempre foram os meus maiores cúmplices. Nesta foto essa amizade e esse Amor é patente. Obrigado a ambos.
Neste dia o meu avô António estava verdadeiramente feliz. Tenho ideia de que foi a ultima vez que o vi assim, desta forma tão contente e satisfeita. Hoje há muita saudade, e uma angústia muito grande, especialmente nas palavras que ficaram por dizer...
Esta talvez seja uma das minhas fotografias favoritas. Ao colo do meu pai.
O meu padrinho sempre foi o meu herói. Eu ainda não sabia escrever... e já queria ser jornalista, como ele. Eu ainda mal sabia andar e já queria correr o mundo, como ele... Uma imagem em Monsanto, numa tarde de calor, certamente, e de muita cumplicidade.
Momentos improváveis de afecto, que acontecem quando temos génio e carácter.
Refugiados, uma tríade feliz, na simplicidade do ser, no meu primeiro dia como mealhadense, na casa que me voltou a acolher com uma nova família, já casado.
A casa como exercício maior de toda a humanidade.
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Lunae dies
[1674.] Esta É A Ditosa Pátria Minha Amada
"Eis aqui, quase cume da cabeça
da Europa toda, o Reino Lusitano,
onde a terra se acaba e o Mar começa
e onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
nas armas contra o torpe Mauritano,
deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente."
"Esta é a ditosa pátria minha amada,
à qual se o Céu me dá que eu sem perigo
torne, com esta empresa já acabada,
acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
de Luso ou Lisa, que de Baco antigo
filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela antão os íncolas primeiros."
Os LusíadasCanto III - 20-21
da Europa toda, o Reino Lusitano,
onde a terra se acaba e o Mar começa
e onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
nas armas contra o torpe Mauritano,
deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente."
"Esta é a ditosa pátria minha amada,
à qual se o Céu me dá que eu sem perigo
torne, com esta empresa já acabada,
acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
de Luso ou Lisa, que de Baco antigo
filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela antão os íncolas primeiros."
Os LusíadasCanto III - 20-21
Quando os meus pais nasceram, o sol nunca se punha em Portugal.
Quando eu nasci a fronteira oriental de Portugal era com a China, na Porta do Cerco, em Macau. Tive a honra de passar esta porta e ler: "A Pátria Honrai que a Pátria vos contempla!".
Os meus filhos herdarão um país mais pequeno.
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