sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[1771.] Madiba


O mundo está de luto com a morte (já há muito esperada) de Nelson Mandela.
Há uns anos, quando Mandela saiu de Robben Island, o mundo não era tão positivamente pequenino como é hoje. E hoje, ao chorarmos a morte de Madiba, somos todos mais humanos do que eramos quando em 11 de fevereiro de 1990 o prisioneiro 46664 foi libertado sobre o protesto de muito líderes da Europa conservadora.

Mas hoje a conservadora Europa tem as bandeiras a meia haste porque valeu a pena Mandela ter vivido, porque a vida dele fez sentido num mundo em que para a maior parte das pessoas não vale a pena mudar o que parece impossível. Porque tudo parece ser impossível até alguém o tornar possível. Porque tudo é imperdoável até alguém ter a capacidade de perdoar. Porque tudo é merecedor de ódio até alguém decidir amar o carcereiro.

Uma das últimas grandes discussões que tive, daquelas violentas de apresentação dura de argumentos, daquelas estimulantes que nos fazem crescer e ser maiores, foi há cerca de um ano, quando sugeri, num 'brainstoming' para escolha de um tema para uma actividade escutista, que, no âmbito do tema 'Ubuntu', tratássemos a vida de Nelson Mandela. Dias depois, no seguimento dessa conversa, alguém me dizia que a vida de Mandela era pouco aconselhável, dado que se tratava de um terrorista. Um terrorista. Dirimi os meus argumentos e no fim ninguém ganhou.

Mandeloa pode ter sido, efectivamente, um terrorista. E não seremos todos terroristas até o tempo demonstrar que temos razão?

Se for cumprido o seu desejo, a lápide de Mandela terá escrito:
Aqui jaz um homem que cumpriu o seu dever na Terra

Não teremos todos essa missão na Terra?

domingo, 20 de outubro de 2013

[1770.] Novos desafios


Recebi, há alguns dias, o convite para assumir o cargo de Diretor-geral da Escola Profissional Vasconcellos Lebre. Foi um convite inesperado, surpreendente, mas foi um desafio que abracei com toda a determinação. Tenho muito respeito por quem me convidou, tenho muito apreço pela pessoa a quem sucedo e acho que a Escola Profissional da Mealhada é um dos mais interessantes e relevantes construções na Mealhada no século XX e inicio do século XXI.

Espero estar à altura.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[1769.] Antecipando

A poucas horas do anúncio do Comité Nobel Norueguês sobre a identidade do 126.º galardoado com o Prémio Nobel da Paz, faz sentido ressuscitar a reflexão do tema e uma opinião muito pessoal sobre este tema.

Já noutras oportunidades declarei que acho que o Comité Nobel deve a atribuição do Nobel da Paz à Organização Mundial do Movimento Escutista. Deve-o, depois de em 1923 e 1924 o ter negado a Lord Robert Baden-Powell de Gilwell, fundador do Movimento Escutista.

O Mundo tem 32 milhões de escuteiros no activo (dados de 2010), número a que se deve somar os homens e mulheres que o foram quando crianças e jovens e hoje, já adultos não o são. Se fossem contabilizados, a cifra colocava-se nos 300 milhões de pessoas. Dos quase 222 países que existem no mundo, apenas em 6 destes territórios não existe escutismo. Em cinco deles por razões óbvias - República Popular da China, Coreia do Norte, Laos, Myanmar e Cuba. E ainda em Andorra também não há escutismo, porque nunca houve.

Centenas de homens e mulheres que fizeram a sua aprendizagem no Escutismo são figuras impares da história mundial contemporânea (ver aqui), um deles, por exemplo, o Prémio Nobel da Paz 2006, Muhammad Yunus, o Banqueiro dos Pobres, ou o Prémio Nobel da Paz de 1996, D.Carlos Ximenes Belo, ou ainda o Prémio Nobel da Paz de 2009, Barack Obama.

O Escutismo é um Movimento de Paz, que se rege pelo lema mundial "Creating a better world" e que se constitui como uma grande fraternidade mundial de "Mensageiros para a Paz".

A noticia, amanhã, de que o Comité Nobel Norueguês havia galardoado a Organização Mundial do Movimento Escutista, mais do que uma grande alegria, seria um singular acto de justiça.

Aguardo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[1767.] Manifesto autárquico

Já defini o meu voto nas próximas autárquicas há vários meses. Não precisei de grande reflexão para decidir em quem vou votar no próximo domingo. Infelizmente, tenho ideia de que muito poucos são os que analisam programas eleitorais no momento de decidir "onde se vai pôr!" Eu integro essa grande maioria.
Tenho ideia, também, que a escolha passa mais pela análise das caras que concorrem do que pelas ideias. No fundo, as eleições (especialmente autárquicas, que muitos dizem mais genuína porque menos partidarizadas) acabam por ser concursos de popularidade. As escolhas dos partidos para os convites têm em atenção a popularidade e os eleitores dão razão a esse critério de elaboração de listas.

No entanto, acho que é fundamental votar. Defendo que o voto, em Portugal, devia ser obrigatório. Se é obrigatório usar cinto de segurança, não percebo porque não é obrigatório exercer o dever de escolher os responsáveis políticos da República. Porque só assim há República: Quando todos podem escolher e ser escolhidos...
Até porque só quando todos votarmos é que o gesto dos que não votaram, ou os votos em branco ganham realmente valor político. Dizer que a abstenção é uma forma de protesto é mentira. Pode ser, de facto, mas na maior parte das vezes é, apenas, um gesto de negligência e omissão. Dar-lhe valor estatístico e político é absurdo. Se, pelo contrário, todos fossemos penalizados se não votassemos, quem arriscasse esse "castigo" estava, de facto, a operar um gesto de rebeldia.

Todos me dizem que "nem parece que estamos em campanha eleitoral". Se por um lado isso significa que os candidatos estão a responder ao desafio de austeridade e contenção, por outro lado pode dar a entender que não há aquela euforia colectiva que tem sido direta e inversamente proporcional aos níveis de abstenção. O que pode não ser bom... para ninguém.

Veremos.
No domingo, vote.

E se for eleitor na freguesia da Mealhada não se esqueça de levar uns euritos para "lá pôr" e ajudar a comprar a Ambulância de Socorro que já temos encomendada...

[1768.] Manifesto

Foire à tout
[Justo para todos]

Vasily Tsagolov
(Ucrânia, 1965 - ...)

Descobri o Vasily Tsagolov num daqueles programas da RTP1 "Portugueses no Mundo". Na visita a Moscovo, uma funcionária da ONU na capital russa mostrou uma exposição deste pintor ucraniano contemporâneo. Gostei imediatamente. A internet e o google fez o resto e aprecio muito a obra deste tipo. Este nem sequer é o quadro mais interessante - vale pelo momento político nacional actual -, tem alguns bem mais pitorescos... mas este suscitou-me um sorriso... afinal, estamos a três dias de nova ninhada da velha porca...

[1766.] Polémicas na porta da escola


No dia  16 de setembro coloquei no facebook, na minha página pessoal, o seguinte comentário:

"Enquanto a escola não estiver em condições, os nossos filhos não entram!" exclama uma mãe em protesto. Em protesto contra quem? Contra a Escola? Então mas o prejudicado é o filho! Contra o filho? Mas a criança não tem culpa nenhuma... Os portugueses acham que os filhos são do Estado e que é ao Estado que compete educá-los... Ou então são só burros... ainda não percebi!"

A coisa suscitou 19 gostos e 32 comentários, o que na minha escala é imenso.
Identica situação já tinha acontecido quando me pronunciei sobre a greve de professores em época de exames nacionais.
Nesta vez, como na outra, confundiu-se o meu comentário como uma atitude reacionária contra a escola, contra os alunos e professores e pró-Crato, ou pró-Governo.
Parece-me que estamos num tempo do "quem não é por mim é contra mim" e que ninguém pode considerar criticável um gesto de um dos lados da barricada sem com isso querer dizer que se está do outro lado da barricada. Até porque não há só dois lados nesta "guerra", nem tão pouco qualquer um dos lados esteja isento de críticas.
Reservo-me no direito de opinar livremente... esse sim um dos valores democráticos da República verdadeira.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

[1765.] SERvir


 (Ainda) Não tenho filhos. Tenho quatro afilhados (uma por afinidade) e é neles, nas caras deles, que penso quando sinto que tenho que fazer um qualquer sacrificio em nome do Corpo Nacional de Escutas. Durante muito tempo vinha-me à memória a cara de muitas dezenas de crianças e jovens que já ajudei a educar no escutismo... mas ultimamente é a cara do Miguel, da Carolina, do Zé Gonçalo e da Isa que me vem à memória...

E é por eles que dou o meu contributo - se calhar menor do que devia, mas quase sempre maior do que posso - para uma causa que me é tão cara e tão importante: Ajudar a educar a próxima geração de líderes portugueses através de um sistema de corresponsabilização, de trabalho em equipa, de descoberta e valorização pessoal, através de um esquema não formal de aquisição de conhecimentos, competências e atitudes. 
 

No fim de semana de 14 e 15 de setembro participei, em Albergaria-a-Velha, no Comité Nacional do Programa Educativo, uma reunião nacional de responsáveis regionais para definição de linhas gerais da acção da associação em termos do seu elemento mais central, a da oferta pedagógica, o "o quê" que o CNE faz. Como sempre foi um encontro de bons amigos, de partilha de experiências e da assunção de uma visão global, mais visionária e mais abrangente daquela que é a maior associação de jovens de Portugal.

Mas desta visão abrangente nem sempre resulta um sentimento de tranquilidade... O CNE está a precisar de uma reflexão profunda, de uma completa renovação da sua prática associativa. Dito de outra forma: Em 2010, o CNE fez a sua mais importante reforma dos últimos 30 anos (altura em que abriu o programa à co-educação para jovens de ambos os géneros), essa foi a Renovação da Acção Pedagógica (feliz e orgulhosamente integrei a equipa nacional que fez essa reforma). Digamos que o RAP trabalhou o "o quê".
Nesta fase, hoje, estamos a fazer a Renovação do Sistema de Formação de Dirigentes - trabalhando o dominio da Relação Educativa, entre os jovens e os animadores adultos.  Estamos, portanto, a trabalhar o "com quem".

Acredito que está na hora de procedermos a uma profunda Renovação da Prática Associativa. Para isso temos de recentrar o debate no "como".
De que forma se organiza uma associação que é juvenil, mas onde os jovens adultos têm um papel perfeitamente subsidiário e apenas decorativo?
De que forma está "regulamentarizada" uma associação que se renovou amplamente com novos esquemas de contacto através de ferramentas eletrónicas e digitais, mas continua refém de burocracias de mangas de alpaca?
De que forma pode continuar a ser gerida uma associação que está a crescer exponencialmente nos últimos anos, mas que tem de continuar fiel a altos padrões morais, de exigência cívica e umbilical a um código de valores perene e solidificado?
E, por fim, de que forma pode a maior associação de jovens do país - repito o epiteto à exaustão - estar em harmonia com a actualidade e com a modernidade quando tem um fraquissima participação nos órgãos de decisão, com (alguns) dirigentes anti-renovação de qualquer espécie que não respeitam nem subscrevem regras de democracia interna, de livre arbítrio das pessoas e que entram para a clandestinidade reaccionária e de guerrilha depois de terem perdido eleições, agindo de forma irracional, nomeadamente sonegando informação (muitas vezes privada e pessoal de outros), recusando-se a passar a pasta?

Há quem diga que o Congresso marcado para os próximos dias 9 e 10 de novembro pode dar um contributo na resposta a estas perguntas. Eu assim espero!

domingo, 15 de setembro de 2013

[1764.] O Vendedor de Fumo


Em campanha eleitoral há sempre "vendedores de fumo"... como se distinguem? Não sei... mas gostava!

[1763.] REFLEXÕES DE UM HOSPITALEIRO #14

15 de setembro

O meu irmão diz que os peregrinos mais dificeis são os portugueses. E eu concordo. Os portugueses parecem ter muito menos paciência e até compreensão... se dizemos que somos um albergue privado, respondem-nos com a pergunta: Então e a Câmara não ajuda?... Se é privado a câmara ajuda como ajuda qualquer empreendimento privado...

Depois, sabem que também já fiz caminho. Perguntam que caminhos fiz... e se digo que fiz o Inglês perguntam logo quantos quilometros tem... Se digo que fiz o Francês dizem-me que antes dos Pirinéus é que é de Homem... E quanto ao Português insultam com todas as palavras do mundo quem começou em Tui ou em Valença...

Há uns dias um tuga de trazer por casa levou uma resposta evitada... Depois de me dizer que os gajos que fazem os ultimos 120 km do caminho português deviam ter vergonha, respondi: "Sabe, há gente que tem familia, e que só tem 22 dias de férias por ano!". Tinha-me acabado de dizer que era a terceira vez num ano que fazia 300km de caminho... não gostou... Azar!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

[1762.] Eu amo Portugal... mas às vezes os portugueses chateiam-me...

Se têm emprego dizem achar que o seu emprego é o pior do mundo e melhor fora se estivessem desempregados. Se estão desempregados lamentam-se e dizem que fariam qualquer coisa... bolas! Nunca estão contentes com nada, estão sempre a olhar para o buraco na toalha e para a nódoa na camisa! Será possível que na dificuldade o caminho seja sempre o do faducho, o dos violinos da depressão que gritam como se o mundo tivesse desabado sobre as cabeças!
Não há uma palavra de esperança, um gesto de alegria, um sinal de que há sempre mundo para além da crise e das dificuldades?

Claro que os politicozecos de trazer por casa que por aqui temos não ajudam. Não se cansam de gritar o desalento, de estar a sublinhar a desgraça e o mal que estamos. Mas se deixarem de estar na oposição, ou se estando na oposição nacional estiverem na situação local, já está tudo óptimo e já se vive no melhor dos mundos. Há uma bipolaridade que nos está a influenciar negativamente a todos.

Portugal está em crise há 900 anos. Nasceu na crise, e mesmo quando éramos riquíssimos vivíamos crises e tínhamos problemas muito sérios. Mas há limites... "pimenta no cu dos outros é refresco" e com o "mal dos outros passo eu bem!", mas porque raio havemos estar constantemente a olhar para o mal quando há tanto bem para ver!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

[1761.] A casa da Mariquinhas

  
 VOU DAR DE BEBER À DOR
Alberto Janes, 1969

Foi no Domingo passado que passei ao lugar onde dizia a Casa da Mariquinhas, achei piada e a música não me sai da cabeça desde aí!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[1760.] Caminhos de sal

Salinas de Armazéns de Lavos, Figueira da Foz

Os sítios onde fazemos as coisas não são indiferentes para o resultado final. Especialmente no inicio, no pontapé de saída, no gesto inicial e primitivo, que numa caminhada é o primeiro passo e o balanço para o dar. 

Uma salina é um espaço inóspito, aparentemente insalubre, exausto e de extracção, estamos a arrancar à natureza algo que ela no dá de forma natural. E a forma como lho arrancamos é também ela natural e básica. Para tirar uma coisa que exige peso, conta e medida... em falta sente-se... em exagero torna impraticável... Uma boa forma de começar...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

[1757.] Corneille

China Suite IV
2004
(1922 - 2010)

[1752.] Shanah Tovah 5774

"Shanah Tovah", que é como quem diz, feliz ano novo! Começa hoje o ano 5774 da era judaica, hoje é pois, o segundo dia do Rosh Hashaná. É um dia de introspecção, de julgamento, e o inicio de um período de meditação que culmina com o Yom Kipur, o dia da Expiação, dia 14 de setembro, dia importante muito importante do calendário judaico.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

[1756.] Intendência


[1755.] Playlist


VINTE ANOS
José Cid e os Green Windows
1974

AQUI disse que se tivesse de fazer uma playlist de músicas da minha (curta) vida, a primeira seria a 'The Final Coutdown' dos Europe. A segunda seria esta - 'Vinte Anos' do José Cid. A primeira vez que subi ao palco do cineteatro Messias, na Mealhada, foi para integrar o coro que acompanhava a minha prima Sandra Castela a cantar esta música. Não sei se era um espetáculo para escolha da rainha do Carnaval ou se era para ser outra coisa qualquer... eu devia ter uns 8 ou 9 anos.
Foram semanas a ensaiar e a ter aulas privadas... porque a desgraceira era tanta que me arriscava a ganhar um Emmy de pior coralista... mas foi uma aprendizagem intensiva do "Vem viver a vida amor"...
Enfim... "coisas que o tempo apagou" 


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

[1754.] Mês eleitoral

Assembleia Municipal da Mealhada, em setembro de 2003

Em mês de eleições autárquicas, uma foto memória de 2003, há dez anos, na Assembleia Municipal da Mealhada. À esquerda, a bancada do Partido Socialista, com caras de ontem e de hoje... À direita, a bancada do PSD, e atrás a bancada do Movimento Odete Isabel.

Outros tempos... outros protagonismos!

domingo, 1 de setembro de 2013