domingo, 16 de março de 2014

[1855.] 40 anos... da Revolta das Caldas


Faz hoje 40 anos que, aconteceu o episódio que para a História da Democracia Portuguesa ficará conhecido como a Revolta das Caldas. Um golpe falhado, mais um - como já havia sido o da Revolta da Mealhada, em 11 de outubro de 1946 - com vista ao derrube do Estado Novo, nesta altura, em 1974, já no final da Primavera Marcelista. O golpe, alegadamente, "pouco preparado" foi o percursor do 25 de Abril, uma vez que ajudou a congregar a ideia de que os oficiais teriam de se unir em torno do Movimento das Forças Armadas se quisessem acabar com o regime.

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2014-03-16-revolta-das-caldas-serviu-para-preparacao-do-25-de-abril;jsessionid=009CE3B29EDEB6145858AA9573C29CCE

O '16 de Março' tem lugar onze dias depois do documento de Ernesto Melo Antunes 'Os Militares, as Forças Armadas e a Nação' ter sido aprovado na reunião da Comissão Coordenadora do MFA. Tem lugar, ainda, dois dias depois de os generais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes, Chefe e Vice-Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, respetivamente, serem demitidos por não terem ido ao beija-mão da Brigada do Reumático.

O Golpe previa a participação de outras unidades militares, mas apenas o Regimento de Infantaria n.º 5, das Caldas da Rainha, saiu do quartel e marchou sobre Lisboa, sob o comando do capitão Armamdo Marques Ramos, com 250 homens. Às portas de Lisboa, isolado, capitula perante as unidades leais ao regime. São todos presos, na Trafaria.

Na televisão, o presidente do Conselho, Marcello Caetano, consideraria a ação como "um triste episódio militar" fruto da "irreflexão e a ingenuidade de alguns oficiais". Mas a revolta não foi indiferente ao Chefe do Estado Novo, que se refugiou no Palace do Bussaco, nos dias imediatamente a seguir, para refletir e repensar a estratégia de (não) renovação do regime que prometera.




Texto do Correio da Manhã:

A Revolução a 40 Km/h das Caldas para Lisboa

Saíram do quartel das Caldas da Rainha para fazerem a revolução. À beira de Lisboa, os oficiais da RI5 voltaram para trás. A má comunicação e a chuva impediram que o 25 de Abril de 1974 tivesse nascido no 16 de Março

Céu cinzento. Sábado. Meia-noite. 16 de Março. 1974. Uma arma. Dois homens. Defrontam--se. Virgílio Varela, o então novato capitão do Movimento das Forças Armadas (MFA) detém o segundo-comandante do Regimento de Infantaria 5 (RI5) das Caldas da Rainha. Os camaradas Rocha Neves e Silva Carvalho aparecem. Neutralizam a direcção da unidade. O comandante acorda. Mal larga a cama é preso.
As tropas movimentam-se. Camiões. Unimogues. Berliets. Jipes formam a coluna que estava pronta para partir. A meta era ocupar o aeroporto da Portela. E os militares estão impacientes. Têm pressa. Pensam que estão atrasados. Outras forças esperam por eles. Engano. A RI5 é a única que está a cumprir o plano, desde há semanas alinhavado e confirmado na véspera, em Lisboa, na casa de Manuel Monge, capitão do MFA, onde estavam presentes Otelo Saraiva de Carvalho e Casanova Ferreira.
A tensão sobe. O tempo voa. Quatro da amanhã. O troço de soldados em linha comandada pelo capitão Armando Marques Ramos atravessa os portões do aquartelamento do RI5, e inicia a marcha rumo a Lisboa. Os trinta e três oficiais, e mais de duzentos soldados, querem derrubar a ditadura mais teimosa da Europa.
O velocímetro não impõe milagres; 40 km/hora era o máximo que as máquinas bélicas suportavam. Mesmo assim, às seis da manhã, alcançam a capital. A três quilómetros das portagens de Sacavém deparam-se com um golpe totalmente distinto do almejado. Dentro de um Mini, os majores Casanova Ferreira e Manuel Monge trazem novidades. Péssimas; para darem meia-volta e voltar para o lugar de onde tinham vindo. Razões? Falta de planeamento e de comunicação. A chuva não explica o motivo do falhanço, mas os rádios ANGRCq fraquejaram com tantas nuvens.
Pior do que o boletim meteorológico foi o facto das outras unidades, como o Centro de Instrução de Operações Especiais, e inclusive a de Lamego – a pioneira a dar sinais de rebelião, não tinham, sequer, movido um pé. As forças de Mafra ainda andaram 13 quilómetros, em vão. Retrocederam. Os apelos radiofónicos estão a milhas do êxito.
Ninguém. Somente a RI5 pactuou com o golpe celebrizado por 'Golpe das Caldas'. A tentativa falhara redondamente. Os oficiais não acreditam. Alguns não se conformam. Outros não querem arredar o pé. O capitão Armando Ramos recusa-se a dar a meia-volta sugerida. Insiste em realizar o intento: ocupar o aeroporto. E está preparado. Se a coisa azedar e ficar torta, dois aviões seriam a solução ideal para fugir, por exemplo para Suécia, ou para outro canto do mapa. Silva Carvalho aplaude a ideia. Também discorda com a marcha-atrás. Mas Casanova e Monge convencem-nos; lembram que no aeródromo estariam isolados, e no quartel das Caldas ficariam mais protegidos. O Mini fica estacionado em Sacavém. Monge e Casanova acompanham a coluna militar.
Às oito e quase quinze da manhã entram no quartel. A roupa e o corpo ensopados da humidade, e o estômago a dar as horas, falaram alto. Há quem peça o pequeno-almoço para o regimento. A comida não teve gustação doce. São cercados pela RI15 de Tomar, RI7 de Leiria, Polícia Móvel, Escola Prática de Cavalaria de Santarém e pela GNR e pela PIDE/DGS. O Brigadeiro Serrano ameaça abrir fogo. Os militares sentem-se à-vontade; havia oficiais que se posicionavam do lado dos revoltosos.
A rendição surge às cinco da tarde. Os trinta e três oficiais são presos na biblioteca e os praças e sargentos no refeitório. Monge, Casanova, Ivo Garcia, Silva Carvalho, Marques Ramos e os que mais deram a cara pelo movimento seguem o caminho da prisão da Trafaria. A esmagadora maioria dos participantes acabam por ser transferidos para Santa Margarida. Ao que consta, uma semana após a saída em falso, o quartel das Caldas da Rainha tinha sofrido uma limpeza: só se viam caras novas.
Teve influência. Quiçá foi uma resposta. Emotiva.
(...)
Decorreram trinta e quatro anos, mas para Armando Marques Ramos, o militar que assumiu o comando do regimento RI5, parece que foi há meia--hora. O coronel não esconde a emoção. Considera 'O Golpe das Caldas' uma data deveras marcante na História de Portugal.
'Foi o dia em que tive a certeza que valeu bem a pena ter nascido'. As palavras ficam pequenas para relatar a alegria, exprimir a emoção, o contentamento ímpar: 'Nós íamos libertar o país. E que ninguém esqueça; se não fosse o 16 de Março de 1974 não teria existido o 25 de Abril.'
Sem dúvidas. O regime ditatorial conhecia de ginjeira o que se estava a passar no seio das Forças Armadas. O sonho, simples, consistia em implementar os três 'D' – desenvolver, democratizar e descolonizar.
'Não.' Para o tenente-coronel a tentativa de afundar a ditadura não foi um acto precipitado. 'É claro que antes da reunião em casa do Manuel Monge, já tínhamos as coisas alinhavadas.' A tampa que os pára-quedistas tinham dado a 12 de Março de 1974 não esmoreceu a gana de dar um coice ao fascismo.
Quando saiu pelas nove e meia da tal reunião em Lisboa, em casa de Monge, foi directamente para as Caldas da Rainha, convicto da possibilidade da realização dos objectivos. Porém, os camaradas de outras unidades mudaram de ideias. Venda Novas não quis aderir. A chave do paiol de Santarém estava na mão do 'inimigo'. Mafra saiu mas desistiu. 'Se houve falha foi por causa da comunicação'. As transmissões das rádios, quase, primárias. A dificuldade de transmitir oks, sins, nãos, induziu descoordenação.
'O coronel Romeira, da Cavalaria 7 estava feito connosco, mas na altura hesitou'. Mais do que hesitar, telefonou para o cunhado que tinha um cargo no Governo, e terá dado com a língua nos dentes. Spínola adverte Manuel Monge para essa probabilidade. Ao capitão e a Casanova só lhes resta a hipótese; travar o golpe de estado. 'Foi uma decepção'. E um militar decepcionado aos 31 anos tem força. Mas não chegou. 'Fiquei preso na cadeia da Trafaria'. Trataram-no bem. Sabia que, mais tarde ou mais cedo, a viragem era certa. Apanhou um pequeno susto. Quando Marcelo Caetano é ovacionado no Estádio de José Alvalade, o coronel disse 'Ai, ai, ai'. Mas os ais não tinham fundamento.
'Reina a ordem no país' disse Marcelo a 28 de Março de 1974, na sua derradeira 'Conversa em Família', na RTP. Saiu-lhe caro. Quarenta dias após o 'Golpe das Caldas', a Revolução de 25 de Abril derrubava o regime absolutista. Reinava a ordem da liberdade.


sábado, 15 de março de 2014

[1854.] Espero por ti... e tu por mim?

 
POR TI
 
Por ti espero naquela roça grande
no perfume do izaquente
no sopro do vento irrequieto
no riso da montanha misteriosa.
 
Por ti espero junto ao secador
que meu avô ajudou a construir
e o cheiro do cacau
invade o corpo
que acalenta a esperança
de rever-te.
 
Espero sentada
no caminho que vai até à Grota
e serpenteio
a estrada de Belém onde as fruteiras
espreitam o sol
e o vianteiro.
 
Por ti espero
na calma do poente
entre a ânsia
e o amor que me consome.
 
A tarde vai caindo e nostalgicamente
arrastando o meu dilúvio de ternura.
 
Por ti espero ainda
no breu da noite imensa
na raiva que a paixão derrama e sangra
e é o tam-tam da madrugada que me obriga
a apagar da memória
a tua imagem
 
OLINDA BEJA
1946
São Tomé e Príncipe

[1853.] Ser ou não ser uma Nação Metafísica...


sexta-feira, 14 de março de 2014

[1852.] Veneris dies in White Day


Fez hoje, aos primeiros minutos do dia, logo depois da meia noite, seis anos que a Inês respondeu "sim" ao sms onde lhe fazia a pergunta "queres namorar comigo?". Tudo o resto é a história de um sim.
 
Começámos a namorar no 'White Day', um dia que foi criado pelos japoneses, um mês depois do dia de São Valentim, Dia dos Namorados, para servir de contraponto a esse momento. No 'White Day', os namorados que receberam prendas, retribuem o gesto à sua cara metade.
 
A comemoração começou em 1978, quando um fabricante de marshmallow começou a vender a ideia aos homens de que eles deveriam retribuir as mulheres que lhes deram chocolates e outros presentes com marshmallows. Originalmente o dia foi chamado de dia dos marshmallows, e mais tarde mudado para White Day.
Logo, as companhias de chocolate perceberam que podiam capitalizar esse dia e começaram a vender a ideia de dar chocolate branco. Agora, os homens japoneses dão marshmallows, chocolate branco e não branco, bem como outros presentes comestíveis e não-comestíveis para as mulheres que foram gentis o suficiente para pensar neles e presenteá-los com chocolate no Dia dos Namorados um mês antes.

quinta-feira, 13 de março de 2014

[1851.] Expressionismos russos

 
Considera Nikolai Chulguine que a Rússia é uma Nação Metafísica... Uma Nação que "se assume de um ponto de vista transcendental, representando diversos espaços histórico geográficos de uma só e mesma nação. Daí a sua atracção e repulsão recíprocas".

Não é fácil compreendermos a Rússia de Putin e Medvedev no séc. XXI, nem compreendermos o discurso patriótico do "somos por todos odiados" para unir um povo que é heterogéneo demais para ser um só. Uma estratégia esgotada na primeira metade do século XX, que se repete para lá dos Urais. 
 
Fica uma imagem russa, ou da Rússia, por Alexej Georgewitsch von Jawlensky (13.03.1864 - 15.03.1941)

terça-feira, 11 de março de 2014

[1849.] Suspiros de España




Suspiros de España é um popular pasodoble espanhol. Foi composto pelo maestro Antonio Álvarez Alonso, em Cartagena, em 1902. Em 1938 foi acrescentada letra por Juan Antonio Álvarez Cantos (1897-1964), sobrinho do compositor, para ser cantada num filme por Estrellita Castro.

É a minha homenagem aos mortos no 11 de Março de 2004, no atentado de Atocha, em Madrid, há precisamente 10 anos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

[1848.] Rir do medo

 
 
Esta é a imagem da edição de 2014 do Carnaval da Mealhada.
Lembro-me de carnavais com rábulas e piadas que faziam gargalhar o público. Mas nunca tinha visto nada que sacasse um efusivo aplauso do público. E isso parece-me um sinal muito importante. O Batuque tem mostrado que é possível inovar num desfile regulamentado e cada vez mais (e bem) formatado a um modelo definido. Mas é possível inovar. E foi possível criar grandes momentos de alegria com a criação da Ala Folia, ou da Velha Guarda. Assim como se demonstrou ser possível num carnaval brasileiro de samba colocar um momento de teatralização e espetáculo, que não teria funcionado numa comissão de frente, mas que deste modo, até recebeu aplausos do publico.
 
As escolas devem sempre procurar melhorar pela aproximação ao modelo do Rio de Janeiro. Mas parece-me que faz sentido ter sentido critico e autonomizarem-se pela criatividade, pela inovação, pela invenção de um modelo que pode ser avaliado e avaliável, mesmo que sem perder a matriz brasileira.
 
Estão de Parabéns o Batuque, a Paula Gradim, o Sérgio Lindo, a Patrícia e a Diana Gonçalves e todos zombies que numa caracterização espetacular não consegui identificar.


(Foto de Rui Santos)

domingo, 9 de março de 2014

[1847.] Tentação




I Domingo da Quaresma
EVANGELHO Mt 4, 1-11
Jesus jejua durante quarenta dias e é tentado

«Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome.»
 

sábado, 8 de março de 2014

[1846.] Reflectio

A um líder exige-se que tome as decisões necessárias, unicamente tomando em consideração o que lhe parece ser o bem-comum coletivo dos que lidera. Sempre que se deixe de o fazer ou sempre que se sinta limitado pelos interesses individuais ou a pela progressão na carreira de alguém (ou de si próprio) está a ser desonesto e não é, de facto, um líder.

[1845.] Feliz Dia Internacional da Mulher


 Poema completo aqui: [218.]

sexta-feira, 7 de março de 2014

[1844.] Bono says

"A Europa é um pensamento
que se tem que transformar num sentimento"
 
Bono Vox, no Congresso do Partido Popular Europeu, em Dublin

quinta-feira, 6 de março de 2014

[1843.] “Há obras em que é indiscutível a presença de tumores”

As Três Graças
 
Peter Paul Rubens
1639
Óleo sobre tela
221X181 cm
Museu do Prado, Madrid


Uma imagem para ilustrar uma noticia. Uma conferência no sábado, Dia Internacional da Mulher, sobre Cancro da Mama na Arte, pela médica Helena Saldanha, catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, no Museu Machado de Castro, em Coimbra. Uma iniciativa promovida pela Liga Portuguesa Contra o Cancro. 
 


quarta-feira, 5 de março de 2014

[1842.] "Nada é sagrado, tudo pode ser dito"


A tradição parlamentar portuguesa instituiu uma figura a que vulgarmente se chama 'imunidade parlamentar' no sentido de evitar que a maioria das discussões no hemiciclo de São Bento terminassem no pátio em duelos para defesa da honra e acertos de contas. A verborreia parlamentar encontrou, assim, na segunda metade do século XIX, uma medida cautelar para subsistir e desenvolver-se, escondida na figura do "tudo pode ser dito".

Vem isto a propósito do debate parlamentar de quarta-feira em que os deputados puderam insultar-se mutuamente sem pudor num espetáculo paupérrimo em que adjetivos como 'ladrão' ou 'mentiroso' deixaram de ser insultos para ser um nome próprio associado aos políticos, nomeadamente aos primeiros-ministros.

Na quarta-feira, depois de ouvir, da parte da deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, a afirmação de que "a sua palavra não vale nada", o primeiro-ministro entendeu que não deveria usar palavras que nada valem respondendo a alguém que, provavelmente queria apenas ouvir apenas o eco das suas próprias palavras...

'Aqui d'El Rei' que o primeiro-ministro ofendeu os eleitos do povo porque não lhes respondeu. A classe comentarista dominante logo veio em defesa da tese de antidemocrática atitude que as cadeiras do anexo palacete de São Bento incorpora nos primeiros-ministros.

Pois bem. Parece-me que o primeiro-ministro fez muito bem. Não pode tudo ser dito, não podemos banalizar as atitudes e os discursos. A verdade e o respeito são coisas diferentes e nenhuma das duas se pode sobrepor à outra. O areópago do país denigre a Nação, se se denegrir a si próprio.

Não temos de ouvir tudo. Não temos de abdicar da espinha dorsal em nome da legalidade regimental de uma alegada imunidade pelo vale tudo. O exemplo é a única forma de educar (e governar).

terça-feira, 4 de março de 2014

[1841.] Uma banda sonora para uma geração



U2 - Ordinary Love
Banda sonora de "Mandela: Long Walk To Freedom", U2

segunda-feira, 3 de março de 2014

[1840.] "Isto sim é tradição"


"Isto sim é tradição"... Não falo do slogan de uma escola de samba da Mealhada. Não falo do facto de haver desfile no centro da Mealhada - lembro-me das razões que levaram os dirigentes a mudar de localização e ainda as acho razoáveis sem falsas memórias de passadismos bacocos e muitas vezes fáceis de explicar...

Falo de uma coisa que já há muitos anos identifiquei como sendo fundamental para o Carnaval na Mealhada, que os actuais dirigentes sempre desvalorizaram (E desvalorizavam, publicamente, até alguém ter tido a coragem de demonstrar a imbecilidade desse pensamento). O carnaval da criança é fundamental para o futuro do carnaval na Mealhada. Disse-o e escrevi-o dezenas de vezes. Claro que não é usando o modelo de há trinta anos (onde as escolas do primeiro ciclo eram as protagonistas) que morreu naturalmente. É através de um modelo onde as IPSS com valência de infância - e que têm  a cobertura de quase todas as crianças dos 0 aos 10 anos - são as parceiras fundamentais.

Os tempos mudaram e quem esteve tempo demais no sarcófago não percebe isso, e diz publicamente alarvidades como a dos professores que não querem trabalhar... E fazer carnaval...

Hoje ficou demonstrado que é possível, é viável, é necessário, é o futuro. Com diplomacia, com audácia, com alguma coragem e muita confiança. Está de parabéns o executivo municipal e especialmente a vereadora Arminda Martins pela audácia. 

 
Como dizem os matemáticos: "QED" "quod erat demonstrandum"

sábado, 1 de março de 2014

[1838.] Scientiae thesaurus mirabilis

Em 1 de março de 1290, em Leiria, Dinis de Portugal, rei, o primeiro do seu nome e o sexto da Nação, assinou o documento Scientiae thesaurus mirabilis, e assim criou a Universidade de Coimbra, pedindo ao Papa Nicolau IV que confirmasse a decisão.

Nascia, assim, a primeira Universidade do país, e a 14.ª mais antiga universidade do mundo.

A minha escola.

Feliz Dia da Universidade de Coimbra.

[1837.] Breve dizer do (nosso) Ibn Ammar


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

[1836.] Mártires da democracia


É possível que se possa dizer propriedade que a Democracia precisa dos seus mártires e que são eles que, transformando-se em mitos, se convertem em referências que são endeusadas e chegam a patamares de admiração que nunca alcançariam se tivessem sobrevivido. É assim com Francisco Sá Carneiro em Portugal, com John F. Kennedy nos Estados Unidos, com Aldo Moro em Itália, e com Olof Palme na Suécia.

Faz hoje 28 anos que Olof Palme (1927-1986) foi assassinado à porta de um cinema em Estocolmo. Olof Palme é um modelo da social-democracia europeia e um modelo para líderes europeu onde se inclui o Presidente Cavaco Silva, que já se assumiu como um admirador do antigo primeiro-ministro sueco.

Pessoalmente serei mais liberal do que Olof Palme, mas foi uma figura política que tive de aprender a compreender para poder pensar por mim próprio politicamente.

«A diferença entre a Suécia e Portugal ficou bem expressa no diálogo entre Otelo Saraiva de Carvalho e o então Primeiro Ministro Olof Palme. Quando Otelo, ufanamente, lhe disse que "em Portugal já acabámos com os ricos", ouviu de Palme que "na Suécia acabámos com os pobres".» Miguel Mota


[1835.] Viva o Carnaval e Chiquinha Gonzaga


 
O Carnaval começa hoje... é um dos problemas das sociedades contemporâneas... começamos a viver as datas com uma antecedência despropositada... mas enfim... em Roma sê romano.
 
E para começar a festejar o Carnaval fica, em Veneris dies, a homenagem a uma mulher que foi a primeira pianista de choro e a autora da primeira marcha carnavalesca com letra, intitulada "Ô Abre-alas", em 1899.
 
Refiro-me a Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — 28 de fevereiro de 1935). No Brasil assinala-se o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, a 17 de outubro por ser o dia do seu aniversário.
 
Há uma novela com a sua biografia.
 
"Viva o Carnaval" é uma composição de 1884.