sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[1817.] "Em Portugal, um bom tradicionalista tem de ser republicano."

Cortes de Coimbra, 6 a 10 de abril de 1385

«Nos liberi sumus, Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt»

Em dia 31 de janeiro, 123 anos depois do '31 da Armada', o brilhante pensador José Adelino Maltez, que aprecio absolutamente, na sua página do Facebook, postava:

«O Portugal político nasceu em 1385. Com rei eleito. À boa maneira visigótica. Nesse costume bárbaro de dar primado ao povo, pelo senhorio natural contra o senhorio de honra, o que chamou ao reino um concelho em ponto grande, como diria o Infante D. Pedro, no seu "Livro da Virtuosa Benfeitoria", pela primeira vez editado por Sampaio Bruno, a partir do Porto, e depois do 5 de Outubro de 1910. Há muitos reacionários que não o leram. Ainda estão no Marquês de Penalva.(...)
Por outras palavras, em Portugal, um bom tradicionalista tem de ser republicano.»

Subsescrevo!

[1816.] As mulheres do 31 de janeiro em 5 de outubro (ou vice-versa)...


A expressão "31 da Armada" é idiomática de confusão, de rebuliço. Nasce dos acontecimentos do Porto, em 31 de janeiro de 1891, a chamada 'Revolta do 31 de Janeiro'. O '31 de janeiro' foi o primeiro acontecimento revolucionário que antecede a implantação da República em Portugal.

Tenho para mim que nenhuma revolução em Portugal foi tão feminina como a implantação da República. O papel e a preponderância das mulheres nesse processo teve uma importância que não teve no 25 de abril de 1974 e mesmo nada no 28 de maio de 1926.

Em dia que 31 de janeiro é 'Veneris dies', fica a memória de mulheres como Adelaide Cabete, Carolina Michaelis, Carolina Beatriz Angelo, Ana de Castro Osório, Maria Veleda, Angelina Vidal entre muitas outras.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

[1815.] Bloody sunday, on thursday

 
Um mural na área de Bogside, em Derry, na Irlanda do Norte, perto do sítio onde as mortes do Bloody Sunday, em 30 de janeiro de 1972, tiveram lugar.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

[1813.] Falas bem... é calada...


 
Ronan Keating
When You Say Nothing At All
Versão 1999
 
[Este post é uma amorosa provocação]
 
Esta música vai ficar para a playlist da minha vida. É uma das músicas preferidas da Inês e quando namorávamos dentro do carro... e tínhamos o rádio ligado ao fundo, várias vezes a ouvimos com mais interesse...
E, naturalmente, a letra serviria para uma provocação para apimentar a conversa. A minha mulher é uma mulher autónoma e decidida (amamos-nos como 'as cordas do alaúde e os pilares do templo') e faz-me confusão como é que a sua condição feminina moderna pode aceitar uma música que, efetivamente, no refrão, afirma: "Tu falas melhor, é quando está caladinha!"
 
Mas enfim... é a vantagem de as músicas serem em inglês... porque se fosse em português... não passava de um hino 'porco machista'

[1811.] São três coisas diferentes? Olhar, Ver e Reparar?

 
28 DE JANEIRO DE 2014
Três dias depois da 'Conversão de São Paulo'
 
Irmãos Caríssimos,
 
Saulo de Tarso fazia a estrada de Damasco quando foi "envolvido" (a palavra é a litúrgica) por uma luz intensa que o deixou cego. Encadeado ouviu uma pergunta: «Saulo, Saulo, porque Me persegues?». Naturalmente sem conseguir ver seja o que for, respondeu com a pergunta natural: «Quem és tu?».
Os companheiros levaram Saulo até ao final da viagem, a Damasco, e o cego ficou três dias sem vista e sem comer nem beber. 
Foi Ananias de Damasco que, a mando de Jesus, foi à procura de Saulo e o batizou. Estava convertido.
 
A conversão de Saulo não foi imediata. Demorou três dias até perceber que teria de mudar. Três dias em escuridão, em abstinência total de comida e bebida, naturalmente em sofrimento. Crescer doi. Há dores musculares e há dores de transformação que ensinam e, usando uma linguagem bíblica, convertem.
Jesus fez uma pergunta simples a Saulo de Tarso: «Porque me persegues?». Fiz-te alguma coisa? Há alguma coisa em mim que te motive a procurar destruir e magoar os que me são fieis? Incomodam-te assim tanto? Ameaçam-te de alguma maneira? Saulo não compreendeu imediatamente, porque se isso tivesse acontecido, possivelmente teria percebido que o castigo da cegueira valeria a pena uma resposta imediata. Não compreendeu, não respondeu e continuou cego.
Mas será que Saulo ficou cego com a luz que o envolveu? Ou pura e simplesmente deixou de ver... porque cego sempre esteve...
 
E nós? Será que já deixámos de estar cegos?
 
José Saramago, na contracapa do seu livro 'Ensaio sobre a Cegueira' tem uma daquelas frases lapidares que ele próprio inventava, mas que citava de forma a parecer uma erudição maior. Aquela ideia de que se dermos a entender que o dizer é antigo, milenar, ele ganha sabedoria e fortalece-se.
 
«Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara.»
 
São três coisas diferentes? Olhar, Ver e Reparar?
Serão três coisas diferentes? Acreditar, Ser e Ser Testemunho?
 
 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

[1812.] Lunae dies, em 27 de janeiro de 2014

 
Ensinava-me um professor há muitos anos que o capitalismo tinha "o inconveniente" de tornar as pessoas ambiciosas e de, por comparação com o pares, quererem ser sempre mais e ter sempre mais. Na prática o capitalismo permite que a capacidade de sonhar possa alimentar, ainda mais, o próprio capitalismo.
 
A Ucrânia vive um momento de capitalismo puro. Parece-me. Se pode comparar-se com a Europa, e ser um dos grandes, porquê subjogar-se aos russos e ser apenas um parceiro? Por outro lado, ser da Europa significa ser do lado da Democracia e ser do lado dos que crescerão e não dos que vão acabar na Oligarquia dos Miseráveis.
 
A Ucrânia quer ser maior. A Ucrânia quer ser independente. A Ucrânia quer deixar de ser da Russia para passar a ser da Europa. A Ucrânia quer passar, definitivamente, para cá dos Urais.
 
Podemos criticar isso?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

[1810.] Las 'meninas'

 
O Museo Nacional do Prado tem patente, até 9 de fevereiro, uma exposição com as pinturas de Diego Velásquez sobre "Vélasquez e a Família de Filipe IV" que é o nome oficial da pintura conhecida como "Las 'Meninas'", de 1656.
 
Passando à porta do Prado e vendo a enorme publicidade da exposição não pude deixar de fazer algumas associações de ideias. A primeira, quase imediata, é que Filipe IV das Espanhas é Filipe III de Portugal. Não sou grande fã dos Filipes, mas não posso deixar de associar a ideia de que este personagem também faz parte da história de Portugal. A segunda ideia associada é que a palavra 'Meninas' não é castelhana, é portuguesa. Ou seja, o nome popular da pintura de Velasquez da família do rei de Portugal Filipe III tem um nome português.
 
Afinal, Portugal pode até ser mais de Filipe de Habsburgo do que o contrário.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

[1809.] El Quijote

Um dia passado entre Salamanca e Ávila, até Madrid só pode fazer lembrar as aventuras do 'Cavaleiro da Triste Figura', uma das personagens de que mais gosto da literatura universal. A paisagem de Castela e Leão remete-me imediatamente para o rasto do Rocinante e o olhar atento de um Sancho que procura proteger Quixote de si próprio.
 
Esta imagem, em Iovis dies, é um desenho de Pablo Picasso, de 1955, publicado na edição de 18/24 de agosto desse ano na revista francesa 'Les lettres françaises', na comemoração dos 350 anos do Don Quixote de Miguel Cervantes. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

[1808.] Aqua Nativa


Uma das minhas maiores frustrações profissionais é o facto de não ter conseguido fazer vingar o projeto da revista VIA, uma revista de caráter historiográfico que me parece fazer falta (muita falta?) no panorama regional e especialmente no concelho da Mealhada e na região do Bussaco.
Sem qualquer pretensão, assumo considerar que faz falta à Mealhada a revista que a ‘Aqua Nativa’ é para Anadia. Claro que a ‘Aqua Nativa’ também tem artigos sobre a Mealhada e que a ‘Pampilhosa – Uma terra e um povo’ também é uma referência, mas faz falta uma publicação que se dedique, especialmente, a pequenas investigações, mesmo que possam ainda não ter o peso de um estatuto de História – ao nível do tempo passado ou mesmo da relevância do assunto.
Fui hoje buscar, finalmente, as duas edições da ‘Aqua Nativa’ que falhavam na minha coleção pessoal. Anseio pelo número 41, referente a 2013. E com elas na mão, fica mais viva o desencanto de não ter conseguido que a VIA tivesse a mesma importância, ou relevância equiparada na Mealhada.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[1807.] "O fado é o veneno da raça"


 
Fado do Estudante
também conhecido pelo nome "fado do Vasquinho"
1933

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

[1806.] "Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens"

“Quando for assassinado, sê-lo-ei por um homem do meu povo, do meu partido, provavelmente fundador, ainda que guiado pelo inimigo”, terá dito Amílcar Cabral a Manuel Alegre, em Argel. Assim foi, em 20 de janeiro de 1973, aos 48 anos, por três homens armados do PAIGC, o seu partido, perto da sua casa em Conacri.
"Até hoje as circunstâncias da morte estão por esclarecer. Inocêncio Kani, companheiro de luta de Cabral deu o primeiro tiro, outro, ainda não identificado, deu-lhe os tiros de misericórdia. Também não há uma verdade quanto à autoria moral do crime: um plano da PIDE? Divergência no seio do partido? Conflito de interesses na Guiné-Conacri?", pode ler-se num qualquer blogue sobre Cabral, que nunca deixou de ser um teorizador, um ideólogo da luta armada africana de libertação.
Cabral dirá: “Eu fui fiel à Pátria portuguesa lutando ao lado do povo português contra o salazarismo. Cantando nas ruas de Lisboa, abrindo brechas entre a polícia, na Rua Augusta, aquando da eleição de Humberto Delgado. Lutei pela Pátria portuguesa sem ser português.”
 

[1805.] Lunae dies

 
Mais uma segunda-feira e é mais uma imagem do mundo de Futebol a marcar a imagem do dia... Desta vez, a condecoração de Cristiano Ronaldo como Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

[1802.] Mulheres da minha vida

A Isa faz hoje 17 anos. Isso significa que o batizado, o meu primeiro na qualidade de padrinho, foi há 16 anos, precisamente.

A Isa é filha de alguém que é como se fosse meu irmão mais velho. Alguém que, como a onda, o mar faz ir e vir, mas que resiste, naquela relação fraternal de quem fala uma mesma linguagem, inaudível.

Fiquei muito entusiasmado quando fui convidado para ser o padrinho da Isa. Não serei o padrinho que a Isa merece, e que eu próprio gostaria de ser, mas acompanhar uma criança desde as primeiras aventuras de enganar com queijo, de brincar com o lançamento de imanes ao frigorífico, de ouvir cantar preciosamente é nada mais nada menos do que um privilégio que levamos da vida.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

[1801.] Cores

 
Malangatana Valente Ngwenya
(1936 - 2011)
 
As cores de Moçambique são quentes.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

[1800.] Magister adest et vocat te* (2)

Em menos de um mês tive a grata oportunidade de assistir a duas intervenções do Professor Doutor Francisco Carvalho Guerra. A primeira foi no auditório com o seu nome, na Universidade Católica do Porto, em 20 de dezembro de 2013, e a segunda foi hoje, no auditório do Instituto Camões, em Lisboa.

Por duas vezes, Carvalho Guerra foi eloquente, foi brilhante, foi capaz de sacar uma lágrima fugaz da plateia, enquanto gesticulava as mãos gigantes sem respirar.

Muitas memórias, uma mão cheia de citações sempre ritmadas e de tirar o fôlego. Fiquei estarrecido. Um mestre.

* O mestre está aqui e chama-te [Vulgata, João 11.28]. O título deste post é repetido. Usei o mesmo título no [385.] sobre Figueiredo Dias.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

[1799.] Cinderela


Cinderela
1984
Carlos Paião
 
Mais uma canção da minha playlist, da minha primeira infância.
Um hino... ao amor e à infância.

[1798.] Portugal no Coração na EPVL

http://www.rtp.pt/play/p1058/e140344/portugal-no-coracao-ii/335135
 
PORTUGAL NO CORAÇÃO (RTP) NA EPVL
a partir do minuto 41

[1797.] Parabéns e obrigado Xaru

O grande Xaru faz hoje 80 anos, quase 60 dos quais oferecidos ao voluntariado nos Bombeiros Voluntários da Mealhada. Com simplicidade e de surpresa fizemos uma festa no quartel, com a cumplicidade da direção, do comando e dos bombeiros e colaboradores de serviço, a que se associou, o antigo comandante António Lousada, e o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, o vice-presidente Guilherme Duarte e a vereadora Arminda Martins .A jornalista Mónica Sofia Lopes, do Jornal da Mealhada, assistiu para contar.

Legenda: Esta foto foi tirada ao pé da 'Internacional', uma viatura que em 26.07.1978 recebeu o nome de Xaru, em sua homenagem... Nesta data eu ainda nem concebido tinha sido...

sábado, 11 de janeiro de 2014

[1794.] Um Homem e a sua Vida, segundo Yehuda Amichai


Poema completo [aqui]
Sobre Yehuda Amichai [aqui

Em jeito de (não) homenagem a Ariel Sharon.

[1793.] Senhor da Guerra

 
A política israelita tem protagonistas que são Senhores da Guerra e Senhores da Paz.
Hoje morreu um dos maiores Senhores da Guerra, Ariel Sharon (à direita).  

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

[1790.] 106.º aniversário de Simone de Beauvoir e as 'verdades do vinho'

 
 
Simone de Beauvoir faria hoje 106 anos. A companheira de Jean-Paul
Sartre, uma dupla da suprema intelectualidade francesa da segunda metade do século XX, foi escritora, filósofa existencialista e feminista e escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia.
 
Encontrado num café parisiense, este retrato de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre parece ser pintado sobre garrafas de vinho! E visto com cuidado parece-me soberbo.
 
Copyright © 2009 Lee B. Spitzer.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[1791.] A propriedade de Eusébio, 44 anos depois de Salazar

AINDA SOBRE A QUESTÃO DO PANTEÃO...
 

Que Salazar tenha 'nacionalizado' Eusébio, classificando-o como "Património do Estado" não me surpreende. É normal para a época e para as circunstâncias político-diplomáticas do Império.

Mas choca-me, profundamente, que os democratas, os abrilistas da actualidade, façam exactamente a mesma coisa, pondo e dispondo do cadáver, como se o individuo não tivesse família nem a possibilidade de, ela própria, ser achada na definição do sitio onde o corpo fica sepultado.

[1789.] Pedido


Aceitei o desafio que me foi lançado de redigir um opusculo sobre a vida de ABILIO DUARTE SIMÕES. A tarefa passará por compilar um conjunto vasto de coisas que redigi e ajudei a redigir na altura da sua morte (em 2007), mas acredito que há muito, muitíssimo, que estará por dizer, por lembrar, por aclarar...

Assim, pedia a todas as pessoas que tivessem algo a dizer, algum apontamento ou contributo a deixar, alguma foto a mostrar, que mo fizessem chegar para o e-mail ncastelacanilho@gmail.com.

OBRIGADO

O trabalho final será publicado e apresentado publicamente na tarde de 9 de fevereiro de 2014, dia em que será inaugurado o busto em homenagem ao Padre Abílio Simões.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

[1788.] Tarzan boy?


 
Tarzan Boy
Baltimora
 
Esta é uma daquelas músicas da minha infância.
Lembro-me perfeitamente de andar a gritar isto de um lado para o outro.
Baltimora foi um projeto musical italiano de italo disco da metade da década de 80, liderado por Jimmy McShane (1957-1995). Tornou-se mundialmente conhecida graças ao hit "Tarzan Boy".

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

[1787.] Lunae dies, 6 de janeiro de 2014


[1785.] Os reis já cá passaram por casa...


Uma das vantagens de se começar uma nova família é a possibilidade de criarmos novas tradições familiares, que, assim esperamos, faremos um dia perdurar... Cá em casa, há quatro natais, no nosso primeiro natal como marido e mulher, eu e a Inês instituímos que a troca de prendas se faz na noite de Reis, de 5 para 6 de janeiro. Afinal foram os reis que deram prendas ao menino Jesus e não o Jesus que deu prendas aos meninos...
O ritual é espanhol, bem sei, boa homenagem à minha penta-avó paterna Maria de Latavim, que era castelhana, e será tradição no futuro. Para além das festas natalícias faz anos, nesta noite, que as nossas vidas se reencontraram...

Os 'reis' - no caso a minha princesa - já me deu a prendinha... espero que goste das que lhe dei, como eu gostei desta...

domingo, 5 de janeiro de 2014

[1784.] Quando um homem é Património do Estado


Eusébio da Silva Ferreira, hoje falecido, era mais do que um jogador de futebol. Era mais do que um português, cidadão do Império. Eusébio era Património do Estado

«Tinha eu 22 anos e só não fui porque estava na tropa e o Salazar não quis. Foi um ano depois de termos ganho a Taça dos Campeões Europeus e a Juventus queria que eu fosse para lá. O Benfica deve ter falado com o Salazar, que me mandou chamar e disse-me que eu não podia sair do país porque era património do Estado», narra o próprio Eusébio, ao Benfica Ilustrado.

[1786.] Perspectivas...

O Diário de Aveiro pediu, em 1000 caracteres, as minhas perspetivas para 2014... Aqui vai o que eu disse: 
«O ano de 2014 tem tudo para ser um ano de Esperança e de Prosperidade. Alimento, pessoalmente, a esperança de que possa ser confirmada a saída da troika e o programa de assistência financeira ao país. No plano externo, espero que o resultado das eleições para o Parlamento Europeu possa clarificar um rumo estratégico definitivo, baseado nos valores fundacionais de solidariedade e prosperidade, numa altura em que se aguarda um novo Quadro Comunitário de Apoio.
Gostava muito que o 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, por um lado, e o centenário da Primeira Guerra Mundial, aliado ao apelo da Presidência da República, possam alavancar a definição de um Compromisso Político amplo e alargado aos partidos e à sociedade civil, com vista à assunção de um contrato social renovado, pós-troika, com mudanças no plano constitucional, no sistema político, no Estado Social do século XXI.
Se 2014 for o primeiro ano depois da troika, espero que não caiamos no erro de voltar ao trilho que nos levou a ela.»

[1783.] Morrer pela Europa...



"Mais de mil imigrantes ilegais que tentaram chegar à costa da Europa foram resgatados entre quinta e sexta (2 e 3 de janeiro de 2014) pela Marinha italiana. Foram encontrados em quatro barcos superlotados, a Sul da Sicília. Transportavam mais de 800 homens, mulheres e crianças provenientes do Egito, do Paquistão, do Iraque e da Tunísia. Só ontem, as autoridades marítimas de Itália resgataram mais de 200 clandestinos oriundos da Somália, da Zâmbia, do Mali e da Nigéria. A ilha italiana de Lampedusa tem sido a grande porta de entrada na Europa para muitos imigrantes provenientes de África." - RTP1 04.01.2014

Há quem esteja disposto a morrer para entrar na Europa. Seremos nós, europeus, capazes de perceber isto? Nós que somos o epicentro da crise económica mundial ainda somos esperança para mil pessoas num só dia. Mil pessoas...

sábado, 4 de janeiro de 2014

[1782.] Ao serviço de um CNE que serve.

Ontem à noite, já de madrugada, percebi que foi homologada a minha aprovação no Curso de Animador de Formação, ou seja, sou formador (encartado) do Corpo Nacional de Escutas.
 
Em outubro de 2008, quando estava como coordenador da Equipa Nacional de Pioneiros e Marinheiros, tive oportunidade de me inscrever no Curso de 2009. Infelizmente, não tive hipótese de o frequentar, devido a um acidente no percurso até Vila Nova de Milfontes. 
 
Em fevereiro de 2012, sabendo que ia abrir novo curso nesse ano, pedi à Junta Regional de Coimbra que me inscrevesse no CAF. Depois de me fazerem esperar sete meses por uma resposta, no dia seguinte ao fim do prazo, consegui que me dissessem que "não iam aprovar o meu nome, nem o inscrever, mas que não se opunham a que eu fizesse, pessoalmente, a inscrição", que eles sabiam que só poderia ser feita através das juntas regionais.
Felizmente, o número de desistências no curso e a boa-vontade fez com que os serviços centrais aceitassem a minha inscrição unilateral.
 
Fiz o curso, em Fátima, com algum sacrifício, confesso, mas com muito prazer.
 
Terminada a fase de frequência, fiz o estágio (em dois CIP de Coimbra e num CAP de Évora - agradeço ao Neca, ao Vitor Fernandes e à Dina Jeremias pela oportunidade) e na hora de entregar os trabalhos finais, o excesso de trabalho, a mudança de emprego e algum desalento fizeram perigar o sucesso da demanda. Estive a um passo de desistir e de dizer - mais uma vez - fica para a próxima, morrendo na praia.
 
O apoio da minha equipa na Junta Regional de Coimbra, e em do Paulo Valdez, o incentivo, e aquela espécie de desafio pelo canto do olho fizeram-me dar mais um fôlego e avançar. Hoje está homologado.
 
É minha convicção de que ainda tenho muito que aprender, ainda tenho muito que me desenvolver, mas sinto que o papel de formador de dirigentes é, neste momento, o Serviço que o CNE precisa de mim.
 
Sou escuteiro do CNE desde há 22 anos. Trabalho com os miúdos, na animação das unidades desde 1999 e sou dirigente do CNE há quase 10 anos. Desde essa altura, 2004, que para além do agrupamento, trabalhei no Núcleo (2006) na Região (2005), especialmente na organização de atividades de maior dimensão, nomeadamente no Acampamento Nacional de 2007. De 2008 a 2010 trabalhei nas equipas nacionais e fiz parte da equipa que desenhou e implementou o novo Programa Educativo do CNE. Depois dessa altura, especializei-me mais na coordenação de equipas pedagógicas de dirigentes para a animação de atividades do Núcleo (2006-2012) e, agora desde junho de 2013, das Equipa Pedagógica Regional.
 
Acredito que, não deixando o trabalho no meu agrupamento, prosseguindo as responsabilidades para as quais fui recentemente investido, o meu esforço e o meu serviço deve ir ao encontro do apoio à formação dos adultos, numa fase em que é implementado um novo sistema de formação, numa fase em que se sente que o próprio CNE carece de uma renovação na prática associativa. Sinto que o meu serviço, agora, pede para me disponibilizar para esta nova dimensão. Acho que é este o Serviço que o CNE precisa que eu faça.
 
Obrigado a todos os que me apoiaram e me deram animo e alento, especialmente os escuteiros do meu agrupamento e as pessoas que integram as minhas inúmeras equipas.

[1781.] Centenário da Primeira Guerra Mundial...



No ano do centenário do inicio da Primeira Guerra Mundial (28.07.1914), há debates que se proporcionam...

[Aqui]

[1780.] 49.º aniversário da morte de TS Eliot



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

[1779.] 'Mariazinhas' resilientes

Soube do falecimento da Dona Maria 'do Rei', na quinta-feira. Confesso que estava convencido que a senhora já havia falecido há muito tempo. Lembro-me de a ver na casa da minha avó Maria, há muitos anos, de as ver conversarem e de achar que eram amigas. Foi uma senhora que me habituei a ver pelas imediações. Foi ela que mandou construir a torre que neste momento sustenta o sino da capela de Sernadelo, e dessa benemerência ficará registo histórico.
Soube hoje que se chamava Maria Olímpia Alves Ferreira e que tinha 88 anos. Os meus sentimentos à família.

O que gostava de sublinhar nesta evocação é a força que estas mulheres, as que apoiaram os maridos, que deram a cara, o corpo e muitas delas a saúde pelo projeto coletivo de que hoje nos orgulhamos tanto que são os restaurantes da Mealhada. Não sei se algum dia alguém se dedicará a fazer a história dos restaurantes de leitão de Sernadelo e da Mealhada, da sua fundação e do crescimento que tiveram ao longo de décadas, e das famílias que sob eles se desenvolveram e prosperaram. Espero que se algum dia isso for feito, não se esqueçam das 'Mariazinhas' que os construíram - como a minha avó, a Dona Maria Olímpia, ou a Dona Soledade, por exemplo.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

[1778.] Choque e consternação


Ouvi, mas não processei... Agora, a noticia no site do Jornal da Mealhada [Aqui], e uma SMS para fonte segura, confirmam que não sonhei... (seria mais um pesadelo)...

A pintura de Josefa de Óbidos, a Virgem do Leite, que eu há uns meses - com a preocupação de não a localizar - apelidei de imagem santa, terá ardido no último dia 24 de dezembro. A peça, valiosíssima, eu diria que talvez a peça mais valiosa do património material da Mata - confesso que sou mais sensível à História e à Arte do que à Botânica...- ardeu na sequência de um curto-circuito que se deu no Convento de Santa Cruz do Bussaco. Lembro, agora posso dizê-lo, a pintura estava numa capela adjacente à nave central.

Interessa pouco, agora, chorar pelo leite derramado (sem fazer graçolas com ao título mariano em concreto), e fazer juízos sobre que razões poderão ter levado a que a FMB não tenha retirado o quadro, há vários meses, quando se percebeu que estava a chover dentro do convento.

Interessa, agora, que a nova administração da FMB divulgue publicamente o estado do quadro, se tem salvação ou recuperação possível. E acima de tudo, interessa que se arranje o telhado do convento - SE FOR PRECISO FAZER UMA SUBSCRIÇÃO PÚBLICA EU AJUDO!

A noticia foi divulgada pelo Presidente da Câmara, Dr. Rui Marqueiro, na cerimónia de posse do novo presidente da Fundação Mata do Bussaco - Dr. Fernando Correia.

Um dia triste, muito triste!

[em atualização - 03.01.2014]
 
A noticia está a ganhar o eco que seria de esperar. O Jornal de Notícias publicou o acontecimento [aqui] e dá-me a sensação que a coisa está a verificar a consternação generalizada. A própria FMB publicou comunicado à imprensa [aqui], apesar de ontem haver quem se procurasse 'matar o mensageiro' de tão triste noticia. As duas fotografias abaixo foram, precisamente, enviadas pela FMB a ilustrar a noticia. 
 
 
São, de facto, duas fotografias bem exemplificativas do esplendor da obra, que, descobri hoje, tem como denominação oficial 'Sagrada Família', apesar de o Povo a ter denominado, por devoção e culto de 'Virgem do Leite' ou 'Senhora do Leite', especialmente em auxilio das mães.
Descobri, também, que esta pintura de 1664 - não chegará a fazer os 350 anos -, no inventário do património adstrito à FMB, estava avaliada em cerca de 300 mil euros. Isso mesmo. Pelo que se impõe a pergunta que eu não quis fazer ontem... Como é que a uma peça deste valor estava numa condição de tão precária segurança? E não falo apenas da eventualidade de poder acontecer o que aconteceu - do curto-circuito no convento -, falo do facto de durante imenso tempo haver velas à beira desta imagem, e de não haver qualquer dispositivo de segurança contra roubos.
Agora já é tarde de mais, e não há culpados, o leite está derramado. Irremediavelmente.
 

[1777.] O meu avô António faria hoje 82 anos...


... e eu tenho saudades dele!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

[1774.] Intendência



Nova imagem.

[1773.] A Alegria no Nascimento

 
YPSILÓN # 26
24 DE DEZEMBRO DE 2013
Véspera de Natal

Irmãos Caríssimos,

Confesso que tenho de me sintonizar para viver o natal de cada ano com mais intensidade. Há outras alturas do ano que vivo com mais intensidade. Nunca houve aquela magia das prendas... que mobilizam as crianças - até porque sempre fomos muito despojados em relação a isso, e desde que me casei instituímos que a troca de prendas se faz a 6 de janeiro, Dia de Reis.

Mas procuro que a noite de 24 seja especial e diferente das demais. Quando passo o Natal em Idanha-a-Nova (Medelim) há o madeiro a arder no adro da Igreja e a ida à missa é mesmo à meia noite. Na Mealhada a coisa tem menos simbolismos... mas é igualmente especial.

Ando a ler, de vez em quando, a exortação do Papa Francisco "A Alegria do Evangelho". Ainda vou só no principio, mas já li a parte onde o Papa explica que "A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus" - é, aliás, a primeira frase do documento. E convenhamos que é muito mais simples e interessante encontrar a Alegria de Jesus Salvador no Menino do que Crucificado.

Quando olhamos para uma criança, para um bebé - geralmente com cara de joelho - natural e instintivamente a nossa cara esboça um sorriso. E o "sorriso está para a Humanidade como o Sol está para as flores!". E assim é mais fácil transformar a vida dos nossos irmãos: Com um sorriso de compreensão, de perdão, de simpatia, de conforto. Porque só a compreensão, o perdão, a simpatia, a disponibilidade e o Serviço podem transformar o coração dos outros. Esse é o principal ensinamento que nos deixa um Homem-Novo recentemente falecido: Mandela.

Aos que trabalharam comigo nos últimos anos, e nos últimos meses em especial, peço-vos a vossa compreensão e perdão por todos aqueles momentos em que não soube ser digno da vossa amizade, em que não soube dar conforto nem amizade.

Faço votos de que tenham um Natal com tranquilidade e muita Alegria.
Natal Feliz.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[1771.] Madiba


O mundo está de luto com a morte (já há muito esperada) de Nelson Mandela.
Há uns anos, quando Mandela saiu de Robben Island, o mundo não era tão positivamente pequenino como é hoje. E hoje, ao chorarmos a morte de Madiba, somos todos mais humanos do que eramos quando em 11 de fevereiro de 1990 o prisioneiro 46664 foi libertado sobre o protesto de muito líderes da Europa conservadora.

Mas hoje a conservadora Europa tem as bandeiras a meia haste porque valeu a pena Mandela ter vivido, porque a vida dele fez sentido num mundo em que para a maior parte das pessoas não vale a pena mudar o que parece impossível. Porque tudo parece ser impossível até alguém o tornar possível. Porque tudo é imperdoável até alguém ter a capacidade de perdoar. Porque tudo é merecedor de ódio até alguém decidir amar o carcereiro.

Uma das últimas grandes discussões que tive, daquelas violentas de apresentação dura de argumentos, daquelas estimulantes que nos fazem crescer e ser maiores, foi há cerca de um ano, quando sugeri, num 'brainstoming' para escolha de um tema para uma actividade escutista, que, no âmbito do tema 'Ubuntu', tratássemos a vida de Nelson Mandela. Dias depois, no seguimento dessa conversa, alguém me dizia que a vida de Mandela era pouco aconselhável, dado que se tratava de um terrorista. Um terrorista. Dirimi os meus argumentos e no fim ninguém ganhou.

Mandeloa pode ter sido, efectivamente, um terrorista. E não seremos todos terroristas até o tempo demonstrar que temos razão?

Se for cumprido o seu desejo, a lápide de Mandela terá escrito:
Aqui jaz um homem que cumpriu o seu dever na Terra

Não teremos todos essa missão na Terra?

domingo, 20 de outubro de 2013

[1770.] Novos desafios


Recebi, há alguns dias, o convite para assumir o cargo de Diretor-geral da Escola Profissional Vasconcellos Lebre. Foi um convite inesperado, surpreendente, mas foi um desafio que abracei com toda a determinação. Tenho muito respeito por quem me convidou, tenho muito apreço pela pessoa a quem sucedo e acho que a Escola Profissional da Mealhada é um dos mais interessantes e relevantes construções na Mealhada no século XX e inicio do século XXI.

Espero estar à altura.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[1769.] Antecipando

A poucas horas do anúncio do Comité Nobel Norueguês sobre a identidade do 126.º galardoado com o Prémio Nobel da Paz, faz sentido ressuscitar a reflexão do tema e uma opinião muito pessoal sobre este tema.

Já noutras oportunidades declarei que acho que o Comité Nobel deve a atribuição do Nobel da Paz à Organização Mundial do Movimento Escutista. Deve-o, depois de em 1923 e 1924 o ter negado a Lord Robert Baden-Powell de Gilwell, fundador do Movimento Escutista.

O Mundo tem 32 milhões de escuteiros no activo (dados de 2010), número a que se deve somar os homens e mulheres que o foram quando crianças e jovens e hoje, já adultos não o são. Se fossem contabilizados, a cifra colocava-se nos 300 milhões de pessoas. Dos quase 222 países que existem no mundo, apenas em 6 destes territórios não existe escutismo. Em cinco deles por razões óbvias - República Popular da China, Coreia do Norte, Laos, Myanmar e Cuba. E ainda em Andorra também não há escutismo, porque nunca houve.

Centenas de homens e mulheres que fizeram a sua aprendizagem no Escutismo são figuras impares da história mundial contemporânea (ver aqui), um deles, por exemplo, o Prémio Nobel da Paz 2006, Muhammad Yunus, o Banqueiro dos Pobres, ou o Prémio Nobel da Paz de 1996, D.Carlos Ximenes Belo, ou ainda o Prémio Nobel da Paz de 2009, Barack Obama.

O Escutismo é um Movimento de Paz, que se rege pelo lema mundial "Creating a better world" e que se constitui como uma grande fraternidade mundial de "Mensageiros para a Paz".

A noticia, amanhã, de que o Comité Nobel Norueguês havia galardoado a Organização Mundial do Movimento Escutista, mais do que uma grande alegria, seria um singular acto de justiça.

Aguardo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[1767.] Manifesto autárquico

Já defini o meu voto nas próximas autárquicas há vários meses. Não precisei de grande reflexão para decidir em quem vou votar no próximo domingo. Infelizmente, tenho ideia de que muito poucos são os que analisam programas eleitorais no momento de decidir "onde se vai pôr!" Eu integro essa grande maioria.
Tenho ideia, também, que a escolha passa mais pela análise das caras que concorrem do que pelas ideias. No fundo, as eleições (especialmente autárquicas, que muitos dizem mais genuína porque menos partidarizadas) acabam por ser concursos de popularidade. As escolhas dos partidos para os convites têm em atenção a popularidade e os eleitores dão razão a esse critério de elaboração de listas.

No entanto, acho que é fundamental votar. Defendo que o voto, em Portugal, devia ser obrigatório. Se é obrigatório usar cinto de segurança, não percebo porque não é obrigatório exercer o dever de escolher os responsáveis políticos da República. Porque só assim há República: Quando todos podem escolher e ser escolhidos...
Até porque só quando todos votarmos é que o gesto dos que não votaram, ou os votos em branco ganham realmente valor político. Dizer que a abstenção é uma forma de protesto é mentira. Pode ser, de facto, mas na maior parte das vezes é, apenas, um gesto de negligência e omissão. Dar-lhe valor estatístico e político é absurdo. Se, pelo contrário, todos fossemos penalizados se não votassemos, quem arriscasse esse "castigo" estava, de facto, a operar um gesto de rebeldia.

Todos me dizem que "nem parece que estamos em campanha eleitoral". Se por um lado isso significa que os candidatos estão a responder ao desafio de austeridade e contenção, por outro lado pode dar a entender que não há aquela euforia colectiva que tem sido direta e inversamente proporcional aos níveis de abstenção. O que pode não ser bom... para ninguém.

Veremos.
No domingo, vote.

E se for eleitor na freguesia da Mealhada não se esqueça de levar uns euritos para "lá pôr" e ajudar a comprar a Ambulância de Socorro que já temos encomendada...

[1768.] Manifesto

Foire à tout
[Justo para todos]

Vasily Tsagolov
(Ucrânia, 1965 - ...)

Descobri o Vasily Tsagolov num daqueles programas da RTP1 "Portugueses no Mundo". Na visita a Moscovo, uma funcionária da ONU na capital russa mostrou uma exposição deste pintor ucraniano contemporâneo. Gostei imediatamente. A internet e o google fez o resto e aprecio muito a obra deste tipo. Este nem sequer é o quadro mais interessante - vale pelo momento político nacional actual -, tem alguns bem mais pitorescos... mas este suscitou-me um sorriso... afinal, estamos a três dias de nova ninhada da velha porca...

[1766.] Polémicas na porta da escola


No dia  16 de setembro coloquei no facebook, na minha página pessoal, o seguinte comentário:

"Enquanto a escola não estiver em condições, os nossos filhos não entram!" exclama uma mãe em protesto. Em protesto contra quem? Contra a Escola? Então mas o prejudicado é o filho! Contra o filho? Mas a criança não tem culpa nenhuma... Os portugueses acham que os filhos são do Estado e que é ao Estado que compete educá-los... Ou então são só burros... ainda não percebi!"

A coisa suscitou 19 gostos e 32 comentários, o que na minha escala é imenso.
Identica situação já tinha acontecido quando me pronunciei sobre a greve de professores em época de exames nacionais.
Nesta vez, como na outra, confundiu-se o meu comentário como uma atitude reacionária contra a escola, contra os alunos e professores e pró-Crato, ou pró-Governo.
Parece-me que estamos num tempo do "quem não é por mim é contra mim" e que ninguém pode considerar criticável um gesto de um dos lados da barricada sem com isso querer dizer que se está do outro lado da barricada. Até porque não há só dois lados nesta "guerra", nem tão pouco qualquer um dos lados esteja isento de críticas.
Reservo-me no direito de opinar livremente... esse sim um dos valores democráticos da República verdadeira.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

[1765.] SERvir


 (Ainda) Não tenho filhos. Tenho quatro afilhados (uma por afinidade) e é neles, nas caras deles, que penso quando sinto que tenho que fazer um qualquer sacrificio em nome do Corpo Nacional de Escutas. Durante muito tempo vinha-me à memória a cara de muitas dezenas de crianças e jovens que já ajudei a educar no escutismo... mas ultimamente é a cara do Miguel, da Carolina, do Zé Gonçalo e da Isa que me vem à memória...

E é por eles que dou o meu contributo - se calhar menor do que devia, mas quase sempre maior do que posso - para uma causa que me é tão cara e tão importante: Ajudar a educar a próxima geração de líderes portugueses através de um sistema de corresponsabilização, de trabalho em equipa, de descoberta e valorização pessoal, através de um esquema não formal de aquisição de conhecimentos, competências e atitudes. 
 

No fim de semana de 14 e 15 de setembro participei, em Albergaria-a-Velha, no Comité Nacional do Programa Educativo, uma reunião nacional de responsáveis regionais para definição de linhas gerais da acção da associação em termos do seu elemento mais central, a da oferta pedagógica, o "o quê" que o CNE faz. Como sempre foi um encontro de bons amigos, de partilha de experiências e da assunção de uma visão global, mais visionária e mais abrangente daquela que é a maior associação de jovens de Portugal.

Mas desta visão abrangente nem sempre resulta um sentimento de tranquilidade... O CNE está a precisar de uma reflexão profunda, de uma completa renovação da sua prática associativa. Dito de outra forma: Em 2010, o CNE fez a sua mais importante reforma dos últimos 30 anos (altura em que abriu o programa à co-educação para jovens de ambos os géneros), essa foi a Renovação da Acção Pedagógica (feliz e orgulhosamente integrei a equipa nacional que fez essa reforma). Digamos que o RAP trabalhou o "o quê".
Nesta fase, hoje, estamos a fazer a Renovação do Sistema de Formação de Dirigentes - trabalhando o dominio da Relação Educativa, entre os jovens e os animadores adultos.  Estamos, portanto, a trabalhar o "com quem".

Acredito que está na hora de procedermos a uma profunda Renovação da Prática Associativa. Para isso temos de recentrar o debate no "como".
De que forma se organiza uma associação que é juvenil, mas onde os jovens adultos têm um papel perfeitamente subsidiário e apenas decorativo?
De que forma está "regulamentarizada" uma associação que se renovou amplamente com novos esquemas de contacto através de ferramentas eletrónicas e digitais, mas continua refém de burocracias de mangas de alpaca?
De que forma pode continuar a ser gerida uma associação que está a crescer exponencialmente nos últimos anos, mas que tem de continuar fiel a altos padrões morais, de exigência cívica e umbilical a um código de valores perene e solidificado?
E, por fim, de que forma pode a maior associação de jovens do país - repito o epiteto à exaustão - estar em harmonia com a actualidade e com a modernidade quando tem um fraquissima participação nos órgãos de decisão, com (alguns) dirigentes anti-renovação de qualquer espécie que não respeitam nem subscrevem regras de democracia interna, de livre arbítrio das pessoas e que entram para a clandestinidade reaccionária e de guerrilha depois de terem perdido eleições, agindo de forma irracional, nomeadamente sonegando informação (muitas vezes privada e pessoal de outros), recusando-se a passar a pasta?

Há quem diga que o Congresso marcado para os próximos dias 9 e 10 de novembro pode dar um contributo na resposta a estas perguntas. Eu assim espero!

domingo, 15 de setembro de 2013

[1764.] O Vendedor de Fumo


Em campanha eleitoral há sempre "vendedores de fumo"... como se distinguem? Não sei... mas gostava!

[1763.] REFLEXÕES DE UM HOSPITALEIRO #14

15 de setembro

O meu irmão diz que os peregrinos mais dificeis são os portugueses. E eu concordo. Os portugueses parecem ter muito menos paciência e até compreensão... se dizemos que somos um albergue privado, respondem-nos com a pergunta: Então e a Câmara não ajuda?... Se é privado a câmara ajuda como ajuda qualquer empreendimento privado...

Depois, sabem que também já fiz caminho. Perguntam que caminhos fiz... e se digo que fiz o Inglês perguntam logo quantos quilometros tem... Se digo que fiz o Francês dizem-me que antes dos Pirinéus é que é de Homem... E quanto ao Português insultam com todas as palavras do mundo quem começou em Tui ou em Valença...

Há uns dias um tuga de trazer por casa levou uma resposta evitada... Depois de me dizer que os gajos que fazem os ultimos 120 km do caminho português deviam ter vergonha, respondi: "Sabe, há gente que tem familia, e que só tem 22 dias de férias por ano!". Tinha-me acabado de dizer que era a terceira vez num ano que fazia 300km de caminho... não gostou... Azar!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

[1762.] Eu amo Portugal... mas às vezes os portugueses chateiam-me...

Se têm emprego dizem achar que o seu emprego é o pior do mundo e melhor fora se estivessem desempregados. Se estão desempregados lamentam-se e dizem que fariam qualquer coisa... bolas! Nunca estão contentes com nada, estão sempre a olhar para o buraco na toalha e para a nódoa na camisa! Será possível que na dificuldade o caminho seja sempre o do faducho, o dos violinos da depressão que gritam como se o mundo tivesse desabado sobre as cabeças!
Não há uma palavra de esperança, um gesto de alegria, um sinal de que há sempre mundo para além da crise e das dificuldades?

Claro que os politicozecos de trazer por casa que por aqui temos não ajudam. Não se cansam de gritar o desalento, de estar a sublinhar a desgraça e o mal que estamos. Mas se deixarem de estar na oposição, ou se estando na oposição nacional estiverem na situação local, já está tudo óptimo e já se vive no melhor dos mundos. Há uma bipolaridade que nos está a influenciar negativamente a todos.

Portugal está em crise há 900 anos. Nasceu na crise, e mesmo quando éramos riquíssimos vivíamos crises e tínhamos problemas muito sérios. Mas há limites... "pimenta no cu dos outros é refresco" e com o "mal dos outros passo eu bem!", mas porque raio havemos estar constantemente a olhar para o mal quando há tanto bem para ver!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

[1761.] A casa da Mariquinhas

  
 VOU DAR DE BEBER À DOR
Alberto Janes, 1969

Foi no Domingo passado que passei ao lugar onde dizia a Casa da Mariquinhas, achei piada e a música não me sai da cabeça desde aí!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[1760.] Caminhos de sal

Salinas de Armazéns de Lavos, Figueira da Foz

Os sítios onde fazemos as coisas não são indiferentes para o resultado final. Especialmente no inicio, no pontapé de saída, no gesto inicial e primitivo, que numa caminhada é o primeiro passo e o balanço para o dar. 

Uma salina é um espaço inóspito, aparentemente insalubre, exausto e de extracção, estamos a arrancar à natureza algo que ela no dá de forma natural. E a forma como lho arrancamos é também ela natural e básica. Para tirar uma coisa que exige peso, conta e medida... em falta sente-se... em exagero torna impraticável... Uma boa forma de começar...