quarta-feira, 5 de março de 2014

[1842.] "Nada é sagrado, tudo pode ser dito"


A tradição parlamentar portuguesa instituiu uma figura a que vulgarmente se chama 'imunidade parlamentar' no sentido de evitar que a maioria das discussões no hemiciclo de São Bento terminassem no pátio em duelos para defesa da honra e acertos de contas. A verborreia parlamentar encontrou, assim, na segunda metade do século XIX, uma medida cautelar para subsistir e desenvolver-se, escondida na figura do "tudo pode ser dito".

Vem isto a propósito do debate parlamentar de quarta-feira em que os deputados puderam insultar-se mutuamente sem pudor num espetáculo paupérrimo em que adjetivos como 'ladrão' ou 'mentiroso' deixaram de ser insultos para ser um nome próprio associado aos políticos, nomeadamente aos primeiros-ministros.

Na quarta-feira, depois de ouvir, da parte da deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, a afirmação de que "a sua palavra não vale nada", o primeiro-ministro entendeu que não deveria usar palavras que nada valem respondendo a alguém que, provavelmente queria apenas ouvir apenas o eco das suas próprias palavras...

'Aqui d'El Rei' que o primeiro-ministro ofendeu os eleitos do povo porque não lhes respondeu. A classe comentarista dominante logo veio em defesa da tese de antidemocrática atitude que as cadeiras do anexo palacete de São Bento incorpora nos primeiros-ministros.

Pois bem. Parece-me que o primeiro-ministro fez muito bem. Não pode tudo ser dito, não podemos banalizar as atitudes e os discursos. A verdade e o respeito são coisas diferentes e nenhuma das duas se pode sobrepor à outra. O areópago do país denigre a Nação, se se denegrir a si próprio.

Não temos de ouvir tudo. Não temos de abdicar da espinha dorsal em nome da legalidade regimental de uma alegada imunidade pelo vale tudo. O exemplo é a única forma de educar (e governar).

terça-feira, 4 de março de 2014

[1841.] Uma banda sonora para uma geração



U2 - Ordinary Love
Banda sonora de "Mandela: Long Walk To Freedom", U2

segunda-feira, 3 de março de 2014

[1840.] "Isto sim é tradição"


"Isto sim é tradição"... Não falo do slogan de uma escola de samba da Mealhada. Não falo do facto de haver desfile no centro da Mealhada - lembro-me das razões que levaram os dirigentes a mudar de localização e ainda as acho razoáveis sem falsas memórias de passadismos bacocos e muitas vezes fáceis de explicar...

Falo de uma coisa que já há muitos anos identifiquei como sendo fundamental para o Carnaval na Mealhada, que os actuais dirigentes sempre desvalorizaram (E desvalorizavam, publicamente, até alguém ter tido a coragem de demonstrar a imbecilidade desse pensamento). O carnaval da criança é fundamental para o futuro do carnaval na Mealhada. Disse-o e escrevi-o dezenas de vezes. Claro que não é usando o modelo de há trinta anos (onde as escolas do primeiro ciclo eram as protagonistas) que morreu naturalmente. É através de um modelo onde as IPSS com valência de infância - e que têm  a cobertura de quase todas as crianças dos 0 aos 10 anos - são as parceiras fundamentais.

Os tempos mudaram e quem esteve tempo demais no sarcófago não percebe isso, e diz publicamente alarvidades como a dos professores que não querem trabalhar... E fazer carnaval...

Hoje ficou demonstrado que é possível, é viável, é necessário, é o futuro. Com diplomacia, com audácia, com alguma coragem e muita confiança. Está de parabéns o executivo municipal e especialmente a vereadora Arminda Martins pela audácia. 

 
Como dizem os matemáticos: "QED" "quod erat demonstrandum"

sábado, 1 de março de 2014

[1838.] Scientiae thesaurus mirabilis

Em 1 de março de 1290, em Leiria, Dinis de Portugal, rei, o primeiro do seu nome e o sexto da Nação, assinou o documento Scientiae thesaurus mirabilis, e assim criou a Universidade de Coimbra, pedindo ao Papa Nicolau IV que confirmasse a decisão.

Nascia, assim, a primeira Universidade do país, e a 14.ª mais antiga universidade do mundo.

A minha escola.

Feliz Dia da Universidade de Coimbra.

[1837.] Breve dizer do (nosso) Ibn Ammar


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

[1836.] Mártires da democracia


É possível que se possa dizer propriedade que a Democracia precisa dos seus mártires e que são eles que, transformando-se em mitos, se convertem em referências que são endeusadas e chegam a patamares de admiração que nunca alcançariam se tivessem sobrevivido. É assim com Francisco Sá Carneiro em Portugal, com John F. Kennedy nos Estados Unidos, com Aldo Moro em Itália, e com Olof Palme na Suécia.

Faz hoje 28 anos que Olof Palme (1927-1986) foi assassinado à porta de um cinema em Estocolmo. Olof Palme é um modelo da social-democracia europeia e um modelo para líderes europeu onde se inclui o Presidente Cavaco Silva, que já se assumiu como um admirador do antigo primeiro-ministro sueco.

Pessoalmente serei mais liberal do que Olof Palme, mas foi uma figura política que tive de aprender a compreender para poder pensar por mim próprio politicamente.

«A diferença entre a Suécia e Portugal ficou bem expressa no diálogo entre Otelo Saraiva de Carvalho e o então Primeiro Ministro Olof Palme. Quando Otelo, ufanamente, lhe disse que "em Portugal já acabámos com os ricos", ouviu de Palme que "na Suécia acabámos com os pobres".» Miguel Mota


[1835.] Viva o Carnaval e Chiquinha Gonzaga


 
O Carnaval começa hoje... é um dos problemas das sociedades contemporâneas... começamos a viver as datas com uma antecedência despropositada... mas enfim... em Roma sê romano.
 
E para começar a festejar o Carnaval fica, em Veneris dies, a homenagem a uma mulher que foi a primeira pianista de choro e a autora da primeira marcha carnavalesca com letra, intitulada "Ô Abre-alas", em 1899.
 
Refiro-me a Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — 28 de fevereiro de 1935). No Brasil assinala-se o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, a 17 de outubro por ser o dia do seu aniversário.
 
Há uma novela com a sua biografia.
 
"Viva o Carnaval" é uma composição de 1884.
 
 





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

[1834.] Porque Portugal é uma portada, à varanda, com vista para o mar

 
Janela de Évora
1990
 
MALUDA
1934-1999
 
Faz hoje, 27 de fevereiro, 504 anos que Afonso de Albuquerque, vice-rei da India, conquistou Goa para Portugal. Em Goa, dessa Goa de um império onde o sol (também) nunca se punha, há quase 80 anos, nasceu Maria de Lourdes Ribeiro, conhecida por Maluda, uma das mais brilhantes (em sentido literal) pintoras portuguesas. Em sua homenagem fica em Iovis dies uma pintura que parece uma fotografia, de uma janela de Évora, límpida como Portugal, onde se reflete a paisagem. Como esta janela, Portugal é uma varanda, onde até de Évora se vê o mar, e que quando se olha para a janela se vê refletido o que de lá se vê.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

[1832.] Monsenhor Raul Duarte Mira

BREVE RECORTE E APONTAMENTO BIOGRÁFICO

De Pe.Carlos Godinho

No dia 3 de Maio de 2008, a Paróquia de Luso promoveu a celebração do Centenário do nascimento de Monsenhor Raul Mira. Este insigne sacerdote, nascido no Luso a 3 de Maio de 1908, foi ordenado presbítero na Sé Catedral de Coimbra, a 4 de Abril de 1931, pelo então bispo Diocesano, D. Manuel Luís Coelho da Silva. Depois de um primeiro serviço pastoral em Ferreira do Zêzere, extremo sul da Diocese de Coimbra, foi em Aveiro que viveu a maior parte do seu múnus sacerdotal. Ali permaneceu de 1937 a 1956, para onde transitou logo após a restauração desta Diocese, exercendo um trabalho inestimável ao seu serviço: foi Pároco da Paróquia da Glória, na cidade; Vigário Geral da Diocese, de 1939 a 1956; Vice-Reitor do Seminário de Aveiro, obra em cuja construção se empenhou ao lado do Bispo Diocesano, D. João Evangelista de Lima Vidal; mais tarde Reitor do mesmo Seminário, onde foi ainda professor.
Igualmente professor na Escola do Magistério Primário de Aveiro, desenvolveu um trabalho pastoral e humano de grande profundidade ao serviço da comunidade humana e cristã a que se dedicou.
Viria a receber a nomeação de Monsenhor, como reconhecimento do trabalho já então desenvolvido, a 27 de Fevereiro de 1947, como Prelado Doméstico de Sua Santidade, o Papa Pio XII.
Em 1957, acompanhando o Bispo de Quelimane, parte em serviço para esta diocese de África, onde permaneceu até 1964. Neste ano regressa ao Luso, sua terra natal, onde lhe são confiados outros serviços pastorais: pároco de Luso e pároco de Vacariça, trabalho que acumulou com o de professor no Colégio da Mealhada.
A 10 de Julho de 1988, gravemente doente, veio a ser dispensado do serviço paroquial de Luso, falecendo na sua residência a 4 de Setembro do mesmo ano.
A comunidade de Luso consciente do carácter da pessoa e do pastor que foi Monsenhor Raul Mira e dos serviços prestados á Igreja, e ainda consciente do carinho que sempre lhe votou, não quis deixar de assinalar esta efeméride.
Assim, das celebrações constam: às 11.00 h – Solene Concelebração Eucarística na Igreja Paroquial de Luso, presidida pelo Rev.mo Senhor D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra; às 12.30h – Inauguração do Busto de Monsenhor Raul Mira, no Adro da Igreja Paroquial; às 13.00h – Almoço no Grande Hotel de Luso, aberto a quem quiser associar-se, mediante prévia inscrição; às 15.00h – Conferência, a proferir pelo Professor Doutor José Carlos Seabra Pereira, sobre a Vida e Obra de Monsenhor Raul Mira, seguida de abertura de exposição, a decorrer nas instalações da Junta de Turismo de Luso.
Esta procurará ser a justa homenagem àquele de quem um dia D. João Evangelista de Lima Vidal dizia: “Ele tem sido a luz dos meus olhos cegos, ele tem sido a respiração do meu peito seco, ele tem sido os braços do meu esqueleto, ele tem sido a vida da minha morte; ele é a alma branca da Diocese de Aveiro”. Nada melhor que esta citação para ilustrar o reconhecimento deste bispo relativamente ao seu trabalho. Mas, em sintonia com o povo de Luso e parafraseando D. João Evangelista de Lima Vidal, se ele foi a alma branca da Diocese de Aveiro, deixou que o brilho dessa alma se estendesse a terras de África e à sua Diocese de origem, terra onde nasceu, se formou e, no final da vida, com tanta afabilidade, soube servir os seus.
A homenagem é, por isso, acção de graças pelo dom que foi para todos e recordação do bem que entre tantos semeou.


Homenagem na saudade*
Neste dia em que exactamente ocorre o primeiro centenário do nascimento de Mons. Raul Duarte Mira na vila do Luso, a Diocese de Aveiro, de cujo clero ele foi um membro destacado, não podia deixar de estar presente nas respectivas comemorações, que esta Paróquia, consciente do mérito do seu ilustre conterrâneo e do carinho com que se guarda a sua memória, houve por bem e por justiça promover e levar a efeito. Na impossibilidade de estar presente, o bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos – nesta ocasião ocupado em trabalhos inadiáveis – pediu-me que viesse aqui para o representar. Aceitei o encargo, embora sabendo de antemão que o homenageado era merecedor de algo mais. Mas desempenho esta missão com grande aprazimento, porque, tendo sido seu discípulo e mantendo por ele grande consideração e penhorada estima, em parte tenho também continuado as suas pegadas na mesma galeria de serviço que ele, como vigário-geral, tão hábil e previdentemente desempenhou. Mons. Raul Duarte Mira, quando jovem, sonhou e abraçou o belo ideal do sacerdócio, sem quaisquer dúvidas. Decerto que, então, Deus o atirava para um futuro cor de ouro; nessa altura, porém, como acontece com todos nós, desconhecia as encruzilhadas nos destinos da vida. Mas estava por tudo, confiado na presença e protecção de Deus, mesmo que nós não tenhamos disso consciência por mera distracção. Por isso, em face do convite de alguém a insinuar-lhe que deixasse o Seminário e que ingressasse na Universidade de Coimbra para cursar Medicina – não lhe faltariam as ajudas económicas – ele logo replicou negativamente, sem hesitação. Se aceitasse o convite, não seria feliz. «Quero ser padre, com plena autonomia do meu espírito» - foi a resposta pronta. As suas primeiras tarefas de pastor de almas decorreram no extremo sul da Diocese de Coimbra, «nas margens belas do belo Zêzere» - segundo ele haveria de evocar, encantado com as paisagens ímpares que se lhe gravaram para sempre. Posteriormente, a partir de 1937, desempenhou o múnus pastoral nas terras da Ria e do Vouga, em Aveiro, onde se manteve até 1957. Como logo se notou o invulgar valor do então Padre Raul Mira, o Santo Padre Pio XII, uma vez informado, em 27 de Fevereiro de 1947 agraciou-o com a dignidade de Prelado de Honra, podendo usar o título de Monsenhor. Em 4 de Abril de 1956, ocorreu o vigésimo quinto aniversário da ordenação sacerdotal de Mons. Raul Duarte Mira. Diante da proposta dos seus conterrâneos em lhe prestarem uma justa homenagem, ele opôs-se terminantemente, porque desejava passar o dia em oração pessoal, sem distracções que o perturbassem. Contudo, ao deslocar-se à igreja matriz do Luso no dia 12 desse mês, quinta-feira, para celebrar a Eucaristia comemorativa do dia da Missa Nova, que fora no mesmo templo, ele teve a surpresa de um grupo de sacerdotes amigos que solenizaram a liturgia. Foi uma atitude inesperada e afectuosa, que comoveu o aniversariante e que ele, no futuro, havia de recordar com reconhecimento. Há pequenas coisas que jamais esquecem. Passados meses, precisamente em 17 de Janeiro do ano seguinte, efectuou-se em Aveiro uma especial manifestação de simpatia, não apenas para recordar a referida data festiva, mas também para lhe agradecer o exemplo do desprendimento sem condições, da dedicação sem fronteiras, da caridade sem artificialismos, do trabalho em profundidade, da disponibilidade sempre pronta, do sacrifício sem limites, que Mons. Raul Mira manifestara como sacerdote do presbitério aveirense, como pároco da freguesia da Glória, como vigário-geral da Diocese, como vice-reitor e reitor do Seminário de Santa Joana Princesa, como assistente religioso de movimentos da Acção Católica e como professor de Educação Moral e Religiosa no Liceu de Aveiro. Houve a consciência de que ele também era credor de muito da formação dos novos sacerdotes – nos quais eu me incluo – pelo seu exemplo de vida, pela sua larga erudição, pela sua invulgar cultura, pela sua delicadeza de maneiras, pelos seus atributos de educador, pela sua bondade natural e pela sua humildade sem dissimulações – tudo aliado às virtudes cristãs e sacerdotais. Como era de pressupor, não foi esquecida, mas antes foi louvada a sua labuta constante e cansativa em prol da construção do magnífico edifício do novo Seminário que, projectado com rasgada visão, ficou a atestar a beleza nas suas inconfundíveis linhas arquitectónicas. Além disso, a homenagem significava outrossim uma despedida, porque, na linha das suas aspirações, manifestadas uma ou outra vez, Mons. Raul Mira oferecera-se para a pastoral missionária, acompanhando D. Francisco Nunes Teixeira, bispo de Quelimane, em Moçambique, para colaborar nos trabalhos da sua Diocese. Se Aveiro iria sentir na saudade a sua falta, Quelimane iria ganhar com o seu dinamismo zeloso e solícito. Desta maneira, após os dezoito anos de actividade na restaurada Diocese, no exercício dos mais altos cargos, deixando o exemplo de um dos seus maiores cabouqueiros, ao lado de D. João Evangelista de Lima Vidal, seguir-se-ia um período de sete anos de pastoral em terras de Moçambique, durante os quais continuou a dar provas da sua conhecida generosidade e dos dotes da sua rica personalidade; aí permaneceu até 1964, regressando neste ano à sua terra natal, onde lhe foram confiados diversos trabalhos pastorais. Contudo, apesar de ausente, sem ligação directa à comunidade cristã de Aveiro, o bondoso sacerdote continuaria a sentir e a viver os seus problemas, contribuindo mesmo com os seus donativos, além dos seus conselhos e das suas orações. A Diocese jamais esquecerá a dívida de gratidão a quem tanto trabalhou por ela, numa abnegação inestimável. Mons. Raul Duarte Mira faleceu há quase vinte anos. Do além perene de Deus, o seu exemplo continua a falar-nos e a ensinar-nos, quiçá numa presença mística de memória, nostálgica mas jubilosa. A celebração do centenário do seu nascimento significa isto mesmo. Terminando esta minha mensagem, afirmo que efectivamente a sua vida desmentiu, sem qualquer sombra de dúvida, a amargurada confissão que Antero de Quental penosamente proferiu nos derradeiros anos: - «Cheguei à morte e a vida não vivi.» Pelo contrário, ele poderia com verdade atestar, como S. Paulo (1Timóteo, 4, 7-8): - «Lutei o melhor que pude pela causa do Evangelho de Cristo, percorri o meu caminho e guardei a fé; agora só me resta receber a merecida recompensa, que o Senhor, justo Juiz, me dará no dia marcado; e não apenas a mim, mas também a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda.» * Texto proferido no centenário do nascimento de Mons. Raul Duarte Mira, na paróquia do Luso, no dia 3 de Maio de 2008



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

[1831.] Agir. Reagir. Decidir.


 
Estamos a três meses das Eleições para o Parlamento Europeu. O único momento próximo de uma democracia que 57 anos de união europeia concederam. Em 25 de maio (os ingleses votam à quinta...) os europeus escolherão um parlamento e depois disso, as maiorias ditarão um novo presidente da comissão e depois um presidente para o conselho europeu.
 
Precisamente três meses antes vemos os partidos políticos portugueses, conservadores como não podiam ser mais, apresentar os cabeças de lista do costume. Sem novidades, sem nada de motivador. João Ferreira outra vez pela CDU, Marisa Matias outra vez pelo Bloco de Esquerda, Paulo Rangel e Nuno Melo outra vez pelo PSD/CDS, Francisco Assis (mais uma vez) pelo PS. E mais uma vez as esquerdas não se entenderam e Carvalho da Silva não pode aparecer como o congregador da Esquerda Portuguesa (talvez fique para as Presidenciais). O Partido Livre ainda não tem cabeça-de-lista, mas quase que aposto que será Rui Tavares...
 
Mesmo assim, um ano após o ANO EUROPEU DO CIDADÃO, a União Europeia sugere como mote para as próximas europeias o lema «Agir/Reagir/Decidir». Parece ser ridículo, depois de uma crise onde os nossos líderes nos deram a entender que os alemães eram mesmo mauzões, que Merkel é nome de vilã, que os franceses são chauvinistas, que os gregos são preguiçosos, que os irlandeses é que são os meninos bonitos e que os ingleses já não querem saber de nós.
 
Vai ser difícil votar em 25 de maio. A melhor ação poderá ser a reação natural de não querer participar no que já está há muito decidido! 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

[1830.] Lunae dies

 
 
Ontem eramos muitos, hoje já somos milhões...
 
Curso de Guias do Núcleo e Dia de B.-P. 2014, cá em casa... 300 almas a vibrar.
Lindo!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

[1825.] Cuerdas (Linda historia para 'reflexionar')


[1824.] 40 anos... de 'Portugal e o Futuro'


Faz hoje 40 anos que foi lançado o livro 'Portugal e o Futuro', de António de Spínola, na altura general e vice-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e antigo governador da Guiné-Bissau.

A publicação deste livro, dois meses e dois dias antes do Golpe Militar, abanou a Ditadura liderada por Marcello Caetano de forma fundamental. Depois da publicação deste livro Marcello ainda apresenta a sua demissão ao Presidente da República, mas Américo Tomaz não aceita. Os fieis ao regime vão prestar vassalagem ao Presidente do Conselho, um gesto que fixou conhecido como a "Brigada do Reumático" e pelo facto de nem Spínola nem Costa Gomes lá terem ido, foram demitidos em 14 de março.

Parte do livro, a revisão pelo menos, foi feita em Luso, no concelho da Mealhada.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

[1833.] Україна є Європа (якщо ви хочете!)**



** Ucrânia é Europa (se quiser!)

[1823.] Dia de B.-P.


Irmãos caríssimos,

Assinalamos hoje o 157.º do fundador do Movimento Escutista, Robert Baden-Powell, a quem nós, os 28 milhões de escuteiros de todo o mundo, tratamos por B.-P.. É um dia de festa, um dia de comemoração para escuteiros e também para as Guias – para quem hoje é o Dia do Pensamento.

Comemorar a vida de B.-P. não é apenas celebrar o Homem que idealizou, experimentou, arriscou e viu ser aplicado e multiplicado um método de felicidade que transforma vida de pessoas. É, acima de tudo, celebrar uma forma de estar na vida, uma atitude perante o que poderíamos dizer “o que andamos a fazer no mundo”. Digamos que a festa é mais bela se nos centrarmos mais no que nós fazemos com o que B.-P. nos deixou.

Normalmente, temos a tentação de colocar as pessoas de quem gostamos num pedestal de perfeição e imortalidade. O próprio B.-P. diria que é um erro! B.-P. foi, ainda hoje é, um homem muito controverso, que foi um herói da guerra mas criou um movimento de Paz – a quem o Nobel da Paz não foi dado por mera injustiça histórica –, que tinha uma visão do mundo e da juventude que muitas vezes chocava com o conformismo generalizado, ou que analisado aos olhos de hoje pode ser interpretado de maneira desproporcionada. B.-P. foi um inconformista e é desse inconformismo que nasce um Movimento – não uma organização – que ainda hoje cresce e se espalha.

Celebramos hoje – de maneira muito particular nos núcleos e nos agrupamentos da Região de Coimbra (nalguns com a homenagem maior, as Promessas e Investiduras) – a vida de um homem que não teve qualquer pudor em, na última mensagem que dirigiu aos escuteiros, assumir que passou “uma vida felicíssima”.

Um homem que até na hora da morte, num momento de grande sabedoria prática, deixa um desafio simples:“Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes”. Porque uma vida baseada na ideia de que “o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros” só pode ser uma vida de alegria e paz interior, uma vida em que sentimos a felicidade de perceber que somos o Sal da Terra.

Procuremos hoje recordar-nos de todos os chefes, guias e escuteiros que cantaram ao nosso lado nos fogos de conselho, que acamparam ao nosso lado e que por algum motivo já não o podem fazer. E saibamos homenagear condignamente “o homem que nos tocou bem lá no fundo”.

Boa Caça e Boa Pesca

Lobo Irmão
 





 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

[1828.] Momentos de um «abraço armilar»


Gosto muito da expressão «Abraço Armilar». É uma expressão de José Adelino Maltez que já utilizei várias vezes e que faz efetivamente sentido para um português - e nunca para um inglês ou para um francês.
Neste caso, deixo aqui o testemunho de uma recordação de um gesto de cooperação entre o diretor da EPVL e o diretor da Escola Domingos Sávio, em Inharrime-Inhambane-Moçambique, o Padre salesiano timorense Adolfo Sarmento.
A EPVL e a Escola Domingos Sávio celebraram um protocolo de geminação em 11 de maio de 2012, uma cooperação que se quer de futuro, de igualdade e solidariedade entre duas realidades imperfeitas e inacabadas.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

[1822.] Duas semanas loucas

Têm sido duas semanas loucas. Com muito trabalho, muitas preocupações e nenhum tempo para parar, pensar e escrever.

Volto, assim que der.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

[1829.] Mealhada Terra Viva


Participar num fórum de discussão onde o moderador do debate dá a entender que está ali reunida a 'fina flor'... não pode deixar de ser para um cachopo como uma honra imensa. Poder estar à mesa com pessoas que são, de facto, uma referência e parte integrante da história viva de uma comunidade é um privilégio.

Assim foi, a 7 de fevereiro, durante duas horas, no Paço do Concelho, em direto para a Rádio Província no programa Terra Viva, moderado por João Paulo Teles.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

[1827.] Servir para cumprir! (I)


Na pesquisa que ando a fazer para poder escrever o opúsculo sobre a vida do Padre Abílio Duarte Simões, tenho encontrado algumas situações que se apresentam, claramente, como justificações para a concretização de uma postura, uma vida, uma atitude perante si próprio e perante os outros. Nunca chegamos a conhecer, realmente, as pessoas... para o bem (como é o caso) e para o mal. A infância, a passagem pela Guerra Colonial, por exemplo, são situações que moldaram um homem que quando se cruzou comigo era muito mais do que a visível circunstância.

Encontrei, também, esta foto, onde o jovem padre Abílio Simões, pároco da Vacariça e reitor Mealhada, ouve, atentamente, as palavras gesticuladas do veterano e (já) ancião Monsenhor Raul Mira. O texto autobiográfico que publicou no Jornal de Notícias sobre a Idalina 'da Portela' e os filhos tocou-me muito e fez-me entender muita coisa. O relato de Nelson Franco sobre o Capelão de Pereira d'Eça revelou-me tantas meias palavras...

Esta foto remete-me para um dos últimos textos do Padre Abílio publicado no Jornal da Mealhada exatamente sobre a condição de ser padre. No fundo, apresenta a sua visão sobre o que os outros pensam que o padre é...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

[1819.] Paradigmas na Educação

Gostava muito de ouvir a opinião dos meus amigos e leitores aqui d' 'o fio dos dias' sobre este assunto.
Pode ser?


sábado, 1 de fevereiro de 2014

[1818.] Os sinos dobram pelo rei finado…

 
Em 1890, no ano do Ultimato Inglês, Abílio Guerra Junqueiro, o grande escritor republicano e trasmontano, escrevia um poema, "O CAÇADOR  SIMÃO", que se tornou numa das mais agressivas peças da propaganda republicana. Esse poema vaticinava a morte do caçador - um dos mais conhecidos hobbies do Rei Dom Carlos - monarca que tinha Simão como um dos seus últimos nomes próprios -. Dezoito anos depois, a 1 de fevereiro de 1908, Carlos de Bragança seria assassinado pela Carbonária no Terreiro do Paço.
Profecia, desejo, premonição, sorte ou um inevitabilidade, o poema de Guerra Junqueiro tornou-se uma peça de curiosidade mítica na história de Portugal e da República. 
 
Nota curiosa, também, o facto de este poema ter sido dedicado ao médico Fialho de Almeida, que trabalhou na vila da Pampilhosa durante algum tempo, e de ter sido publicado na imprensa da época como no Globo, na Província e nos Pontos nos ii, entre outros.
 
"Logo na primeira quadra, Guerra Junqueiro, hostiliza o rei, acusando-o de indiferença, perante a agonia do seu moribundo pai, o rei D. Luís I e da dor da sua mãe, a rainha D. Maria Pia. Nas restantes quadras pode observar-se o ódio e o sentimento patriótico provocados pelo Ultimato Britânico, o qual vexou uma pátria inteira.

O ódio expresso por Guerra Junqueiro leva-o a escrever a última quadra, que se viria a revelar profética, não faltando quem a interprete como um incentivo ao regicídio (Papagaio real, diz-me, quem passa? - É alguém, é alguém que foi à caça do caçador Simão!...) [Em Simão leia-se o Rei D. Carlos]. 

O regicídio viria a ocorrer no dia  1 de Fevereiro de 1908, quando as armas de  Manuel Buiça e de  Alfredo Costa matam o Rei D. Carlos I, vindo de Vila Viçosa onde praticara a caça, e o Príncipe Real D. Luís Filipe, em pleno Terreiro do Paço." Blogue Alfobre de letras [aqui].
 
O poema na íntegra:

O CAÇADOR  SIMÃO

Jaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente…
Corta a mudez sinistra o mar profundo …
Chora a rainha desgrenhadamente …

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É o príncipe Simão que vai à caça.

Os sinos dobram pelo rei finado …
Morte tremenda, pavoroso horror!...
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d’amargura e dor …

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da pátria a agonizar …
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!...

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

A Pátria é morta! A Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta,
Guarda a Infâmia os sepulcros dos Heróis!

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indolentemente a multidão …
Tocam clarins de guerra a Marselheza …
Desaba um trono em súbita explosão!...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[1817.] "Em Portugal, um bom tradicionalista tem de ser republicano."

Cortes de Coimbra, 6 a 10 de abril de 1385

«Nos liberi sumus, Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt»

Em dia 31 de janeiro, 123 anos depois do '31 da Armada', o brilhante pensador José Adelino Maltez, que aprecio absolutamente, na sua página do Facebook, postava:

«O Portugal político nasceu em 1385. Com rei eleito. À boa maneira visigótica. Nesse costume bárbaro de dar primado ao povo, pelo senhorio natural contra o senhorio de honra, o que chamou ao reino um concelho em ponto grande, como diria o Infante D. Pedro, no seu "Livro da Virtuosa Benfeitoria", pela primeira vez editado por Sampaio Bruno, a partir do Porto, e depois do 5 de Outubro de 1910. Há muitos reacionários que não o leram. Ainda estão no Marquês de Penalva.(...)
Por outras palavras, em Portugal, um bom tradicionalista tem de ser republicano.»

Subsescrevo!

[1816.] As mulheres do 31 de janeiro em 5 de outubro (ou vice-versa)...


A expressão "31 da Armada" é idiomática de confusão, de rebuliço. Nasce dos acontecimentos do Porto, em 31 de janeiro de 1891, a chamada 'Revolta do 31 de Janeiro'. O '31 de janeiro' foi o primeiro acontecimento revolucionário que antecede a implantação da República em Portugal.

Tenho para mim que nenhuma revolução em Portugal foi tão feminina como a implantação da República. O papel e a preponderância das mulheres nesse processo teve uma importância que não teve no 25 de abril de 1974 e mesmo nada no 28 de maio de 1926.

Em dia que 31 de janeiro é 'Veneris dies', fica a memória de mulheres como Adelaide Cabete, Carolina Michaelis, Carolina Beatriz Angelo, Ana de Castro Osório, Maria Veleda, Angelina Vidal entre muitas outras.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

[1815.] Bloody sunday, on thursday

 
Um mural na área de Bogside, em Derry, na Irlanda do Norte, perto do sítio onde as mortes do Bloody Sunday, em 30 de janeiro de 1972, tiveram lugar.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

[1813.] Falas bem... é calada...


 
Ronan Keating
When You Say Nothing At All
Versão 1999
 
[Este post é uma amorosa provocação]
 
Esta música vai ficar para a playlist da minha vida. É uma das músicas preferidas da Inês e quando namorávamos dentro do carro... e tínhamos o rádio ligado ao fundo, várias vezes a ouvimos com mais interesse...
E, naturalmente, a letra serviria para uma provocação para apimentar a conversa. A minha mulher é uma mulher autónoma e decidida (amamos-nos como 'as cordas do alaúde e os pilares do templo') e faz-me confusão como é que a sua condição feminina moderna pode aceitar uma música que, efetivamente, no refrão, afirma: "Tu falas melhor, é quando está caladinha!"
 
Mas enfim... é a vantagem de as músicas serem em inglês... porque se fosse em português... não passava de um hino 'porco machista'

[1811.] São três coisas diferentes? Olhar, Ver e Reparar?

 
28 DE JANEIRO DE 2014
Três dias depois da 'Conversão de São Paulo'
 
Irmãos Caríssimos,
 
Saulo de Tarso fazia a estrada de Damasco quando foi "envolvido" (a palavra é a litúrgica) por uma luz intensa que o deixou cego. Encadeado ouviu uma pergunta: «Saulo, Saulo, porque Me persegues?». Naturalmente sem conseguir ver seja o que for, respondeu com a pergunta natural: «Quem és tu?».
Os companheiros levaram Saulo até ao final da viagem, a Damasco, e o cego ficou três dias sem vista e sem comer nem beber. 
Foi Ananias de Damasco que, a mando de Jesus, foi à procura de Saulo e o batizou. Estava convertido.
 
A conversão de Saulo não foi imediata. Demorou três dias até perceber que teria de mudar. Três dias em escuridão, em abstinência total de comida e bebida, naturalmente em sofrimento. Crescer doi. Há dores musculares e há dores de transformação que ensinam e, usando uma linguagem bíblica, convertem.
Jesus fez uma pergunta simples a Saulo de Tarso: «Porque me persegues?». Fiz-te alguma coisa? Há alguma coisa em mim que te motive a procurar destruir e magoar os que me são fieis? Incomodam-te assim tanto? Ameaçam-te de alguma maneira? Saulo não compreendeu imediatamente, porque se isso tivesse acontecido, possivelmente teria percebido que o castigo da cegueira valeria a pena uma resposta imediata. Não compreendeu, não respondeu e continuou cego.
Mas será que Saulo ficou cego com a luz que o envolveu? Ou pura e simplesmente deixou de ver... porque cego sempre esteve...
 
E nós? Será que já deixámos de estar cegos?
 
José Saramago, na contracapa do seu livro 'Ensaio sobre a Cegueira' tem uma daquelas frases lapidares que ele próprio inventava, mas que citava de forma a parecer uma erudição maior. Aquela ideia de que se dermos a entender que o dizer é antigo, milenar, ele ganha sabedoria e fortalece-se.
 
«Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara.»
 
São três coisas diferentes? Olhar, Ver e Reparar?
Serão três coisas diferentes? Acreditar, Ser e Ser Testemunho?
 
 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

[1812.] Lunae dies, em 27 de janeiro de 2014

 
Ensinava-me um professor há muitos anos que o capitalismo tinha "o inconveniente" de tornar as pessoas ambiciosas e de, por comparação com o pares, quererem ser sempre mais e ter sempre mais. Na prática o capitalismo permite que a capacidade de sonhar possa alimentar, ainda mais, o próprio capitalismo.
 
A Ucrânia vive um momento de capitalismo puro. Parece-me. Se pode comparar-se com a Europa, e ser um dos grandes, porquê subjogar-se aos russos e ser apenas um parceiro? Por outro lado, ser da Europa significa ser do lado da Democracia e ser do lado dos que crescerão e não dos que vão acabar na Oligarquia dos Miseráveis.
 
A Ucrânia quer ser maior. A Ucrânia quer ser independente. A Ucrânia quer deixar de ser da Russia para passar a ser da Europa. A Ucrânia quer passar, definitivamente, para cá dos Urais.
 
Podemos criticar isso?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

[1810.] Las 'meninas'

 
O Museo Nacional do Prado tem patente, até 9 de fevereiro, uma exposição com as pinturas de Diego Velásquez sobre "Vélasquez e a Família de Filipe IV" que é o nome oficial da pintura conhecida como "Las 'Meninas'", de 1656.
 
Passando à porta do Prado e vendo a enorme publicidade da exposição não pude deixar de fazer algumas associações de ideias. A primeira, quase imediata, é que Filipe IV das Espanhas é Filipe III de Portugal. Não sou grande fã dos Filipes, mas não posso deixar de associar a ideia de que este personagem também faz parte da história de Portugal. A segunda ideia associada é que a palavra 'Meninas' não é castelhana, é portuguesa. Ou seja, o nome popular da pintura de Velasquez da família do rei de Portugal Filipe III tem um nome português.
 
Afinal, Portugal pode até ser mais de Filipe de Habsburgo do que o contrário.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

[1809.] El Quijote

Um dia passado entre Salamanca e Ávila, até Madrid só pode fazer lembrar as aventuras do 'Cavaleiro da Triste Figura', uma das personagens de que mais gosto da literatura universal. A paisagem de Castela e Leão remete-me imediatamente para o rasto do Rocinante e o olhar atento de um Sancho que procura proteger Quixote de si próprio.
 
Esta imagem, em Iovis dies, é um desenho de Pablo Picasso, de 1955, publicado na edição de 18/24 de agosto desse ano na revista francesa 'Les lettres françaises', na comemoração dos 350 anos do Don Quixote de Miguel Cervantes. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

[1808.] Aqua Nativa


Uma das minhas maiores frustrações profissionais é o facto de não ter conseguido fazer vingar o projeto da revista VIA, uma revista de caráter historiográfico que me parece fazer falta (muita falta?) no panorama regional e especialmente no concelho da Mealhada e na região do Bussaco.
Sem qualquer pretensão, assumo considerar que faz falta à Mealhada a revista que a ‘Aqua Nativa’ é para Anadia. Claro que a ‘Aqua Nativa’ também tem artigos sobre a Mealhada e que a ‘Pampilhosa – Uma terra e um povo’ também é uma referência, mas faz falta uma publicação que se dedique, especialmente, a pequenas investigações, mesmo que possam ainda não ter o peso de um estatuto de História – ao nível do tempo passado ou mesmo da relevância do assunto.
Fui hoje buscar, finalmente, as duas edições da ‘Aqua Nativa’ que falhavam na minha coleção pessoal. Anseio pelo número 41, referente a 2013. E com elas na mão, fica mais viva o desencanto de não ter conseguido que a VIA tivesse a mesma importância, ou relevância equiparada na Mealhada.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[1807.] "O fado é o veneno da raça"


 
Fado do Estudante
também conhecido pelo nome "fado do Vasquinho"
1933

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

[1806.] "Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens"

“Quando for assassinado, sê-lo-ei por um homem do meu povo, do meu partido, provavelmente fundador, ainda que guiado pelo inimigo”, terá dito Amílcar Cabral a Manuel Alegre, em Argel. Assim foi, em 20 de janeiro de 1973, aos 48 anos, por três homens armados do PAIGC, o seu partido, perto da sua casa em Conacri.
"Até hoje as circunstâncias da morte estão por esclarecer. Inocêncio Kani, companheiro de luta de Cabral deu o primeiro tiro, outro, ainda não identificado, deu-lhe os tiros de misericórdia. Também não há uma verdade quanto à autoria moral do crime: um plano da PIDE? Divergência no seio do partido? Conflito de interesses na Guiné-Conacri?", pode ler-se num qualquer blogue sobre Cabral, que nunca deixou de ser um teorizador, um ideólogo da luta armada africana de libertação.
Cabral dirá: “Eu fui fiel à Pátria portuguesa lutando ao lado do povo português contra o salazarismo. Cantando nas ruas de Lisboa, abrindo brechas entre a polícia, na Rua Augusta, aquando da eleição de Humberto Delgado. Lutei pela Pátria portuguesa sem ser português.”
 

[1805.] Lunae dies

 
Mais uma segunda-feira e é mais uma imagem do mundo de Futebol a marcar a imagem do dia... Desta vez, a condecoração de Cristiano Ronaldo como Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

[1802.] Mulheres da minha vida

A Isa faz hoje 17 anos. Isso significa que o batizado, o meu primeiro na qualidade de padrinho, foi há 16 anos, precisamente.

A Isa é filha de alguém que é como se fosse meu irmão mais velho. Alguém que, como a onda, o mar faz ir e vir, mas que resiste, naquela relação fraternal de quem fala uma mesma linguagem, inaudível.

Fiquei muito entusiasmado quando fui convidado para ser o padrinho da Isa. Não serei o padrinho que a Isa merece, e que eu próprio gostaria de ser, mas acompanhar uma criança desde as primeiras aventuras de enganar com queijo, de brincar com o lançamento de imanes ao frigorífico, de ouvir cantar preciosamente é nada mais nada menos do que um privilégio que levamos da vida.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

[1801.] Cores

 
Malangatana Valente Ngwenya
(1936 - 2011)
 
As cores de Moçambique são quentes.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

[1800.] Magister adest et vocat te* (2)

Em menos de um mês tive a grata oportunidade de assistir a duas intervenções do Professor Doutor Francisco Carvalho Guerra. A primeira foi no auditório com o seu nome, na Universidade Católica do Porto, em 20 de dezembro de 2013, e a segunda foi hoje, no auditório do Instituto Camões, em Lisboa.

Por duas vezes, Carvalho Guerra foi eloquente, foi brilhante, foi capaz de sacar uma lágrima fugaz da plateia, enquanto gesticulava as mãos gigantes sem respirar.

Muitas memórias, uma mão cheia de citações sempre ritmadas e de tirar o fôlego. Fiquei estarrecido. Um mestre.

* O mestre está aqui e chama-te [Vulgata, João 11.28]. O título deste post é repetido. Usei o mesmo título no [385.] sobre Figueiredo Dias.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

[1799.] Cinderela


Cinderela
1984
Carlos Paião
 
Mais uma canção da minha playlist, da minha primeira infância.
Um hino... ao amor e à infância.

[1798.] Portugal no Coração na EPVL

http://www.rtp.pt/play/p1058/e140344/portugal-no-coracao-ii/335135
 
PORTUGAL NO CORAÇÃO (RTP) NA EPVL
a partir do minuto 41

[1797.] Parabéns e obrigado Xaru

O grande Xaru faz hoje 80 anos, quase 60 dos quais oferecidos ao voluntariado nos Bombeiros Voluntários da Mealhada. Com simplicidade e de surpresa fizemos uma festa no quartel, com a cumplicidade da direção, do comando e dos bombeiros e colaboradores de serviço, a que se associou, o antigo comandante António Lousada, e o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, o vice-presidente Guilherme Duarte e a vereadora Arminda Martins .A jornalista Mónica Sofia Lopes, do Jornal da Mealhada, assistiu para contar.

Legenda: Esta foto foi tirada ao pé da 'Internacional', uma viatura que em 26.07.1978 recebeu o nome de Xaru, em sua homenagem... Nesta data eu ainda nem concebido tinha sido...

sábado, 11 de janeiro de 2014

[1794.] Um Homem e a sua Vida, segundo Yehuda Amichai


Poema completo [aqui]
Sobre Yehuda Amichai [aqui

Em jeito de (não) homenagem a Ariel Sharon.

[1793.] Senhor da Guerra

 
A política israelita tem protagonistas que são Senhores da Guerra e Senhores da Paz.
Hoje morreu um dos maiores Senhores da Guerra, Ariel Sharon (à direita).  

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

[1790.] 106.º aniversário de Simone de Beauvoir e as 'verdades do vinho'

 
 
Simone de Beauvoir faria hoje 106 anos. A companheira de Jean-Paul
Sartre, uma dupla da suprema intelectualidade francesa da segunda metade do século XX, foi escritora, filósofa existencialista e feminista e escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia.
 
Encontrado num café parisiense, este retrato de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre parece ser pintado sobre garrafas de vinho! E visto com cuidado parece-me soberbo.
 
Copyright © 2009 Lee B. Spitzer.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[1791.] A propriedade de Eusébio, 44 anos depois de Salazar

AINDA SOBRE A QUESTÃO DO PANTEÃO...
 

Que Salazar tenha 'nacionalizado' Eusébio, classificando-o como "Património do Estado" não me surpreende. É normal para a época e para as circunstâncias político-diplomáticas do Império.

Mas choca-me, profundamente, que os democratas, os abrilistas da actualidade, façam exactamente a mesma coisa, pondo e dispondo do cadáver, como se o individuo não tivesse família nem a possibilidade de, ela própria, ser achada na definição do sitio onde o corpo fica sepultado.

[1789.] Pedido


Aceitei o desafio que me foi lançado de redigir um opusculo sobre a vida de ABILIO DUARTE SIMÕES. A tarefa passará por compilar um conjunto vasto de coisas que redigi e ajudei a redigir na altura da sua morte (em 2007), mas acredito que há muito, muitíssimo, que estará por dizer, por lembrar, por aclarar...

Assim, pedia a todas as pessoas que tivessem algo a dizer, algum apontamento ou contributo a deixar, alguma foto a mostrar, que mo fizessem chegar para o e-mail ncastelacanilho@gmail.com.

OBRIGADO

O trabalho final será publicado e apresentado publicamente na tarde de 9 de fevereiro de 2014, dia em que será inaugurado o busto em homenagem ao Padre Abílio Simões.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

[1788.] Tarzan boy?


 
Tarzan Boy
Baltimora
 
Esta é uma daquelas músicas da minha infância.
Lembro-me perfeitamente de andar a gritar isto de um lado para o outro.
Baltimora foi um projeto musical italiano de italo disco da metade da década de 80, liderado por Jimmy McShane (1957-1995). Tornou-se mundialmente conhecida graças ao hit "Tarzan Boy".

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

[1787.] Lunae dies, 6 de janeiro de 2014


[1785.] Os reis já cá passaram por casa...


Uma das vantagens de se começar uma nova família é a possibilidade de criarmos novas tradições familiares, que, assim esperamos, faremos um dia perdurar... Cá em casa, há quatro natais, no nosso primeiro natal como marido e mulher, eu e a Inês instituímos que a troca de prendas se faz na noite de Reis, de 5 para 6 de janeiro. Afinal foram os reis que deram prendas ao menino Jesus e não o Jesus que deu prendas aos meninos...
O ritual é espanhol, bem sei, boa homenagem à minha penta-avó paterna Maria de Latavim, que era castelhana, e será tradição no futuro. Para além das festas natalícias faz anos, nesta noite, que as nossas vidas se reencontraram...

Os 'reis' - no caso a minha princesa - já me deu a prendinha... espero que goste das que lhe dei, como eu gostei desta...

domingo, 5 de janeiro de 2014

[1784.] Quando um homem é Património do Estado


Eusébio da Silva Ferreira, hoje falecido, era mais do que um jogador de futebol. Era mais do que um português, cidadão do Império. Eusébio era Património do Estado

«Tinha eu 22 anos e só não fui porque estava na tropa e o Salazar não quis. Foi um ano depois de termos ganho a Taça dos Campeões Europeus e a Juventus queria que eu fosse para lá. O Benfica deve ter falado com o Salazar, que me mandou chamar e disse-me que eu não podia sair do país porque era património do Estado», narra o próprio Eusébio, ao Benfica Ilustrado.

[1786.] Perspectivas...

O Diário de Aveiro pediu, em 1000 caracteres, as minhas perspetivas para 2014... Aqui vai o que eu disse: 
«O ano de 2014 tem tudo para ser um ano de Esperança e de Prosperidade. Alimento, pessoalmente, a esperança de que possa ser confirmada a saída da troika e o programa de assistência financeira ao país. No plano externo, espero que o resultado das eleições para o Parlamento Europeu possa clarificar um rumo estratégico definitivo, baseado nos valores fundacionais de solidariedade e prosperidade, numa altura em que se aguarda um novo Quadro Comunitário de Apoio.
Gostava muito que o 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, por um lado, e o centenário da Primeira Guerra Mundial, aliado ao apelo da Presidência da República, possam alavancar a definição de um Compromisso Político amplo e alargado aos partidos e à sociedade civil, com vista à assunção de um contrato social renovado, pós-troika, com mudanças no plano constitucional, no sistema político, no Estado Social do século XXI.
Se 2014 for o primeiro ano depois da troika, espero que não caiamos no erro de voltar ao trilho que nos levou a ela.»

[1783.] Morrer pela Europa...



"Mais de mil imigrantes ilegais que tentaram chegar à costa da Europa foram resgatados entre quinta e sexta (2 e 3 de janeiro de 2014) pela Marinha italiana. Foram encontrados em quatro barcos superlotados, a Sul da Sicília. Transportavam mais de 800 homens, mulheres e crianças provenientes do Egito, do Paquistão, do Iraque e da Tunísia. Só ontem, as autoridades marítimas de Itália resgataram mais de 200 clandestinos oriundos da Somália, da Zâmbia, do Mali e da Nigéria. A ilha italiana de Lampedusa tem sido a grande porta de entrada na Europa para muitos imigrantes provenientes de África." - RTP1 04.01.2014

Há quem esteja disposto a morrer para entrar na Europa. Seremos nós, europeus, capazes de perceber isto? Nós que somos o epicentro da crise económica mundial ainda somos esperança para mil pessoas num só dia. Mil pessoas...

sábado, 4 de janeiro de 2014

[1782.] Ao serviço de um CNE que serve.

Ontem à noite, já de madrugada, percebi que foi homologada a minha aprovação no Curso de Animador de Formação, ou seja, sou formador (encartado) do Corpo Nacional de Escutas.
 
Em outubro de 2008, quando estava como coordenador da Equipa Nacional de Pioneiros e Marinheiros, tive oportunidade de me inscrever no Curso de 2009. Infelizmente, não tive hipótese de o frequentar, devido a um acidente no percurso até Vila Nova de Milfontes. 
 
Em fevereiro de 2012, sabendo que ia abrir novo curso nesse ano, pedi à Junta Regional de Coimbra que me inscrevesse no CAF. Depois de me fazerem esperar sete meses por uma resposta, no dia seguinte ao fim do prazo, consegui que me dissessem que "não iam aprovar o meu nome, nem o inscrever, mas que não se opunham a que eu fizesse, pessoalmente, a inscrição", que eles sabiam que só poderia ser feita através das juntas regionais.
Felizmente, o número de desistências no curso e a boa-vontade fez com que os serviços centrais aceitassem a minha inscrição unilateral.
 
Fiz o curso, em Fátima, com algum sacrifício, confesso, mas com muito prazer.
 
Terminada a fase de frequência, fiz o estágio (em dois CIP de Coimbra e num CAP de Évora - agradeço ao Neca, ao Vitor Fernandes e à Dina Jeremias pela oportunidade) e na hora de entregar os trabalhos finais, o excesso de trabalho, a mudança de emprego e algum desalento fizeram perigar o sucesso da demanda. Estive a um passo de desistir e de dizer - mais uma vez - fica para a próxima, morrendo na praia.
 
O apoio da minha equipa na Junta Regional de Coimbra, e em do Paulo Valdez, o incentivo, e aquela espécie de desafio pelo canto do olho fizeram-me dar mais um fôlego e avançar. Hoje está homologado.
 
É minha convicção de que ainda tenho muito que aprender, ainda tenho muito que me desenvolver, mas sinto que o papel de formador de dirigentes é, neste momento, o Serviço que o CNE precisa de mim.
 
Sou escuteiro do CNE desde há 22 anos. Trabalho com os miúdos, na animação das unidades desde 1999 e sou dirigente do CNE há quase 10 anos. Desde essa altura, 2004, que para além do agrupamento, trabalhei no Núcleo (2006) na Região (2005), especialmente na organização de atividades de maior dimensão, nomeadamente no Acampamento Nacional de 2007. De 2008 a 2010 trabalhei nas equipas nacionais e fiz parte da equipa que desenhou e implementou o novo Programa Educativo do CNE. Depois dessa altura, especializei-me mais na coordenação de equipas pedagógicas de dirigentes para a animação de atividades do Núcleo (2006-2012) e, agora desde junho de 2013, das Equipa Pedagógica Regional.
 
Acredito que, não deixando o trabalho no meu agrupamento, prosseguindo as responsabilidades para as quais fui recentemente investido, o meu esforço e o meu serviço deve ir ao encontro do apoio à formação dos adultos, numa fase em que é implementado um novo sistema de formação, numa fase em que se sente que o próprio CNE carece de uma renovação na prática associativa. Sinto que o meu serviço, agora, pede para me disponibilizar para esta nova dimensão. Acho que é este o Serviço que o CNE precisa que eu faça.
 
Obrigado a todos os que me apoiaram e me deram animo e alento, especialmente os escuteiros do meu agrupamento e as pessoas que integram as minhas inúmeras equipas.