terça-feira, 26 de agosto de 2014

[1895.] Pátria de negreiro


 
"Queda do Império"
Vitorino, 1983
Álbum "Flor de La Mar"
 
Esta música terá sido das primeiras que aprendi a cantar de cor. Um poema lindo, bonito de se dizer e mastigar, uma ode encantadora com a saber a canela e laranja. Fantástico.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

[1894.] Ele gostava de ser um javali...

 
Sentado no jipe entre as encostas das serras de Mortágua só lhe passava uma ideia pela cabeça:
 
"Fora eu um javali!".
 
Um javali desgrenhado e sujo e livre.
Um javali severo e bruto e livre.
Um javali ignorante e ignorado e livre.
Um javali voraz e sagaz e livre.
Um javali maternal e infernal e livre.
Um javali enraivecido e esquecido e livre.
 
Um javali.
 
Livre.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

[1891.] E terminaram as férias...

Desde putito que nos últimos dias de férias me assolava aquela reflexão bucólica: Será que gozei as férias que queria? que podia? que merecia?
Mesmo que a resposta não fosse imediata - nunca fui tão optimista como sou hoje - acho que a resposta foi sempre genericamente positiva. Inter-rail, viagens a Africa, viagem a Macau, mochileiro pela Europa, muitos acampamentos de...
verão. Sou um privilegiado.

Tenho ideia de nestas férias a coisa não foi diferente. Não me lembro de passar 15 dias de férias no mesmo sitio talvez há uns 20 anos... Ainda por cima na praia - que detesto... sinto-me uma tosta mista ou uma febra a ser virada periodicamente para grelhar -, mas foi muito bom.

A companhia, o relax, as good vibes do Mié, revigoraram-me como há muito não me sentia recarregado. Não estive sempre na praia, confesso, nem sequer no Algarve... andei por Westeros, na companhia dos Lannisters, dos Stark, dos Tullys e dos Crakehalls... e foi muito bom.

Obrigado a quem me proporcionou o descanso (merecido ou não!).

sábado, 16 de agosto de 2014

[1892.] Por uma mudança positiva

Quando me pergunta "porquê?", nem sempre tenho a resposta na ponta da língua. "Porquê" sou escuteiro? "Porquê" sou tão teimoso? "Porquê", tendo tanto com que me preocupar, ainda me tornei presidente dos Bombeiros? "Porquê" sou tão truculento quando sei que tenho razão? "Porquê" incentivo meio mundo a deixar de ser apático e apresentar projectos, e programas e ir a votos... quanto mais não seja para que não haja a inevitabilidade de uma não escolha... "Porquê"? "Porquê"?

Não sei.

Mas desconfio.

Há algumas pessoas (poucas) que me fazem acreditar que há um caminho. Essas pessoas não são o caminho, mas demonstram que há um caminho... sempre. Demonstram que podes não te razão hoje. Ou até podes nunca ter razão... mas se lutaste pelo que acreditaste, então fizeste a diferença. Não foste mais um, acrescentaste alguma coisa à vida dos outros.

O João Armando é uma dessas pessoas. Ele foi truculento, ele mandou-se aos ares, ele luta por aquilo que acredita. Apesar de parecer ser a pessoa mais calma do mundo. Não me incluo certamente no grupo de amigos do João Armando, mas sito que o João é uma inspiração.

Não sou do tempo em que o João Armando incendiava os Conselhos Regionais do CNE de Coimbra. Conheci o João em 2003 quando me ofereci para estar no Roverway 2003, na Ervideira. Ele era o chefe de campo e eu estava no Youth Programme. Percebi que o "fulano" era um visionário...

A partir daí fui acompanhando, como pedagógico nacional, convidou-me para estar na equipa projeto do Rover 2005 (que nunca aconteceu porque a Junta Central se demitiu...), do Cenáculo Nacional... e depois quando integrei a Equipa Nacional do Programa Educativo e a renovação da ação pedagógica percebi, de facto, o que o João já tinha feito, o que podia fazer e quem era no escutismo mundial.

Foi hoje reeleito para o bureau mundial do movimento escutista e escolhido para presidir aos trabalhos do Comité Mundial.
 
Parabéns João. Estamos contigo. O CNE, e com grande intensidade o CNE de Coimbra, vibra com a tua eleição. Tenho pena que a Associação dos Escoteiros de Portugal tenha preferido não manifestar o seu apoio a um candidato que o mundo declarou ser digno da sua confiança para uma mudança positiva. Os actos ficam com quem os pratica e, de certo modo, até engrandece a tua vitória. És o maior e é um privilégio conhecer-te!
 
Parabéns João.

domingo, 27 de julho de 2014

[1890.] 87.º aniversário dos Bombeiros Voluntários da Mealhada - Intervenção



É com muita alegria que nos voltamos a encontrar, neste mesmo espaço, para a comemoração de mais um aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada, o octogésimo sétimo aniversário. Fazemo-lo hoje com a especial circunstância de procedermos à bênção de duas viaturas – uma nova e uma reconvertida –, de entregarmos Medalhas de Dedicação e Assiduidade a 14 bombeiros do nosso corpo activo e, ainda, de entregarmos a Carta de Missão ao nosso Comandante. Tudo razões para festejar, para nos alegrarmos e para, daqui, e mais uma vez, reconfirmarmos o compromisso, o contrato sagrado que temos com os mais de onze mil cidadãos que constituem a nossa área de intervenção, e as comunidades do concelho da Mealhada.

Muito obrigado pela vossa presença, a todos vós e a cada um em especial. Permitam-me que vos abrace primeiros aos nossos bombeiros – a todos, os do ativo, e de maneira muito calorosa os do Quadro de Honra e do Quadro de reserva – depois aos nosso sócios, aos nossos autarcas, e aos nossos amigos, a todos eles sem excepção, onde incluo, naturalmente os familiares dos nossos bombeiros.

Antes de entrarmos neste pavilhão, e depois de termos benzido duas novas viaturas e de termos homenageado os bombeiros falecido – os nossos e todos os outros – inaugurámos a galeria dos fundadores da nossa associação e a galeria dos presidentes da mesa da assembleia-geral. Lembro-me de um texto assinado pelo nosso saudoso fundador João Saraiva – que apesar de ter dado a esta casa tanto e de maneira tão forte não tinha uma única fotografia nesta casa – dizer que não se tinha feito, ainda justiça ao trabalho diligente e dedicado de outro fundador, o senhor Augusto Ramalheira. Estou convencido que hoje fizemos o pedido de João Saraiva e no lugar mais destacado e bonito do nosso quartel, temos as fotografias dos três fundadores, o trio de amigos que se juntava ao almoço na Rua Costa Simões, três jovens caixeiros, de vinte e poucos anos, que no dia 26 de julho de 1927, com o apoio do presidente da Câmara, o Padre Breda, fundaram esta grande associação, a maior do concelho.

A organização de Augusto Ramalheira, a operacionalidade e os conhecimentos de quem já tinha sido bombeiro, Bernardino Felgueiras, e o espirito dinâmico e congregador de João Saraiva deram o pontapé de saída para tudo isto, que ao longo de 87 anos tanto cresceu e tanto serviu. Nos filhos, o senhor Ramalheira e Dr. Mário Saraiva, aqui presentes, e nos netos, entrego o meu muitíssimo obrigado.

Inaugurámos, tanto, noutro acto de justiça, a galeria dos presidentes da mesa da assembleia-geral. Que no salão nobre passam a pontificar no terreiro sagrado onde se reúnem os sócios e em muito mais ocasiões a comunidade ativa desta terra. A assembleia-geral, presidida por tão grandes figuras, representa o plenários dos quase 3000 sócios desta casa,  e a democraticidade que a sustenta e superintende. Destaco, nessa galeria – não me vão levar a mal, nem me vai levar a mal o Dr. Branquinho de Carvalho aqui presente, o único sobrevivo da galeria – a figura do Dr. Manuel Oliveira Andrade. Um homem que foi presidente da mesa da assembleia-geral desta casa durante pelo menos cinco décadas. Que deixou de o ser três dias antes de falecer, que fez da inauguração deste mesmo quartel, neste mesmo pavilhão, a sua ultima aparição publica, e que, infelizmente não tinha ainda uma memória nesta casa.

Não me leva a mal o senhor presidente da Câmara se lhe pedir que reponha a justiça moral desta nossa Linda Mealhada Linda e que, uma vez que a Rua Manuel Andrade se transformou num carreirito que une a passagem subterrânea ao Hospital da Misericórdia, ajude a encontrar uma outra artéria a quem possa ser dado o nome deste mealhadense que tanto serviu a Mealhada e as suas gentes. Considere este meu pedido como o presente de aniversário que nos podia dar hoje.   

Caríssimos bombeiros, caríssimos amigos.

Entregamos hoje a Carta de Missão ao nosso comandante Nuno Antunes João. Será estranho fazermos sessão solene da entrega de uma carta de missão, quando não fizemos da tomada de posse. É capaz de ser verdade. Mas entendemos que não deveríamos esperar pela tomada de posse e fizemo-la quase imediatamente, em 19 de abril. E consideramos que é muito importante a figura da Carta de Missão, entregue pela direcção ao seu comandante, que ele aceita e à qual se compromete, num contrato solene com a associação e com a população que por ela é servida. Esta figura da Carta de Missão foi introduzida na alteração do quadro legislativo de 2012, e encarna bem a imagem do comandante que se apresenta como um líder, com um plano e uma estratégia, um rumo e uma missão, assumido através de um compromisso.

E a falta que faz aos portugueses a assunção de valores assentes em compromissos. A importância que tem a lealdade a compromissos.

Nuno Antunes João é um homem de compromissos, de valores. É alguém que acredita no valor do trabalho, e na liderança pelo exemplo. Um homem que tem dado mostras diárias de disponibilidade, de simpatia, de proximidade com as pessoas, com carisma, liderança e um fortíssimo espirito de serviço.

Senhor comandante, a missão que lhe é confiada não é fácil – até porque se fosse fácil não seria para si – mas acredito que seja desafiante e que a vai cumprir com brilhantismo e capacidade.

Ao longo dos últimos doze meses – desde o último aniversário – vivemos neste quartel momentos de grande transformação. Nomeámos um novo comandante e atravessámos uma época florestal em que estivemos em todos os mais relevantes teatros de operações. Vimos bombeiros morrer e vimos a população a mostrar a sua solidariedade e apoio incondicional. Alterámos profundamente esquemas de trabalho, horários, esquemas de voluntariado e serviço. Sofremos, em 11 de fevereiro, quando uma viatura nossa ficou destruída e tememos pela sobrevivência de um bombeiro nosso. Foi um ano intenso, muito intenso, mas que serviu para mostrar de que fibra são feitos os nossos bombeiros.

Senti cooperação, senti que os nossos bombeiros sentem esta casa e esta causa, senti que são solidários, que ajudam, que estão prestáveis e prontos a dar tudo de si. Obrigado a todos os bombeiros, especialmente aqueles que se mobilizaram para ajudar em campanhas de angariação de fundos – especialmente na freguesia da Vacariça, da Mealhada e de Ventosa do Bairro e no Carnaval –, aqueles que nos apresentaram sugestões de iniciativas, que vestiram a camisola quando mais precisámos.

Muito obrigado.

Não posso deixar de apresentar uma palavra de elogio e de agradecimento a todos os que gostam dos Bombeiros. Às centenas de pessoas que se dirigiram ao quartel para entregar alimentos quando no verão passado o país ardia e chorava a morte de oito bombeiros. Aos que nos telefonaram a oferecer comida e dinheiro. E, de modo muito especial aos que connosco colaboraram – com trabalho e produtos – na Feira de Artesanato e Gastronomia. À equipa liderada por Joaquim Ricardo, um bombeiro do quadro de honra que mostra ser um homem extraordinário e à sua equipa fantástica – com bombeiros, antigos bombeiros e pessoas que nunca foram bombeiros – e que em cada ano garantem um financiamento fundamental e estruturante a esta associação. A todos eles e a cada um deles, fica o nosso humilde e sincero obrigado.  

Os tempos não são fáceis. Nunca o foram, e o futuro desta casa tem muito de estratégia, gestão e apoio. O nosso mandato vai rigorosamente a meio. A metade que falta pode ser a mais fácil ou a mais difícil. Será a mais fácil se nos limitarmos a gerir os meios, até porque muitas das medidas difíceis estão tomadas e começam a produzir os primeiros frutos. Mas poderá ser a mais difícil se nos dispusermos a fazer o que falta fazer, a fazer o que a associação e a comunidade precisa que seja feito. Como já assumimos, o desafio que nos é apresentado neste momento é o da remodelação estrutural deste quartel. Para isso precisaremos de muito mais do que boas intenções. Precisamos de massa cinzenta, precisamos de sentido critico para perceber para onde queremos caminhar. E depois precisa de operários, de quem esteja disponível para avançar, para trabalhar, para construir. O caminho daqui para a frente tem de ser estudado, pensado, calculado, para ser bem trilhado. Nós estamos disponíveis, mas não o conseguiremos fazer sozinhos.

Hoje, como há um ano, a palavra final da direcção a que presido – uma direcção em que a média de idades é de pouco mais de um terço da idade da associação - que vos quero deixar é de esperança. Somos uma associação que apesar dos quase 90 anos é jovem, com muita vontade de combater os fogos da vida de frente, com uma vontade grande de Servir com abnegação e altruísmo, com uma enorme vontade de estar ao lado das pessoas que precisam de nós e de quem gostamos tanto!

Vivam os Bombeiros da Mealhada,

Viva o concelho da Mealhada.

 

sábado, 19 de julho de 2014

[1889.] A árvore dos Castelas de Sernadelo

Adoro História. Especialmente a História desconhecida e desvendada que se bebe nas fontes simples e se sintetiza, como a de hoje ao almoço quando uma grande senhora da nossa terra me explicou - com a narrativa de dois pequenos episódios - a razão de ser de muito do seu passado com base num passado longínquo situado na sua infância e juventude.
 
Gosto muito da pesquisa e da conquista da verdade que está escondida, por desvendar, nos livros e nos espaços, nas vidas e nos objetos, à espera que alguém una as pontas soltas e encontre a panorâmica geral da floresta. A História Local permite isso, consegue ser um manancial imenso de informações que estão por tratar, por interpretar, por sistematizar. E há tanto, mas tanto para fazer nesta matéria - como a conversa com a Cláudia Emanuel, ontem, poderia provar.
 
Ontem à noite e hoje de manhã estive a rever e sistematizar a árvore genealógica com os descendentes do Alfredo e da Emília (os dois patriarcas dos Castelas de Sernadelo). Tinha ideia de produzir este documento mais para o final, e ir desvendando os antepassados com algumas fotos que tenho... mas um dos primos pediu para antecipar e temos de reconhecer que assim é mais fácil visualizar o quem-é-quem...
 
E isso, esse exercício antecipado, fez-me reconhecer que, muitas vezes, estamos tão preocupados com o passado que esquecemos o presente. Esquecemos que os laços da genealogia também se fazem através de uma aproximação aos consanguíneos. De que me vale saber quem são os meus oitavos avós se não conheço os meus primos de Coimbra, com quem é possível me cruzar diariamente, ou num casamento, e não saber sequer que temos antepassados comuns.
 
A arvore cuja primeira versão publiquei hoje no facebook e aqui (ver mais abaixo) tem muitas incorreções e acima de tudo muitas omissões. Mas foi admirável a maneira como quase imediatamente me começaram a chegar mensagens a dizer "corrige aqui ou ali". Esta interação é brutal. 
 
Fico à espera que, nomeadamente por aqui, façam as correções necessárias e fundamentais para que possa surgir uma nova versão em breve.
 
Agradecimentos ao Eduardo B Castela, pelos dados da família em Coimbra, ao Nando, ao Pecá, ao Calinas, ao Ruizinho, ao Filipe Castela e a Sandra pelas datas e alguns nomes.
 
 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

[1888.] Castela - O Patriarca

Continuando na ORIGEM, hoje é dia de aqui lembrar o patriarca, ALFREDO RODRIGUES CASTELLA, o primeiro Castela de Sernadelo. Infelizmente a fotografia de que disponho é a que está na campa, no cemitério, e não é nada boa. A campa foi mandada fazer pela Madrinha Eulália pelo que ela teria uma foto, se alguém tiver conhecimento do paradeiro desta ou de outra foto do Avô Alfredo agradecia muito.


ALFREDO RODRIGUES CASTELLA nasceu na Póvoa da Mealhada, em 19 de Agosto de 1869, e foi batizado na Vacariça em 7 de setembro do mesmo ano. Filho de Joaquim Rodrigues Castella e de Justina Costa. Tornou-se carpinteiro - tal como o seu pai Joaquim, o seu avô Manoel e até o seu bisavô Jacinto Rodrigues Castella. Uma família com pelo menos quatro gerações de carpinteiros. O avô Alfredo foi carpinteiro na construção do Palace Hotel do Bussaco (entre 1888 e 1907) Casou-se em 8 de agosto de 1896, com Emília, e passou a residir em Sernadelo, na zona do Alto da Sobreira (que só teria esse nome a partir da década de 10). Desta união nasceu Alexandre, em 1899, Maria Eulália, em 1903, Hilário, em 1905, José e Paulo, em 1914, e daqui todo o clã "Castela de Sernadelo".

[1887.] Castela - A Matriarca

Nasceu no facebook um grupo fechado dos Castelas de Sernadelo, onde vou colocando aqui algumas imagens de antepassados nossos.

Comecei, naturalmente, pela origem, a matriarca dos Castelas de Sernadelo, a avó Emília - mãe do Alexandre, da Eulália, do Hilário, do José e do Paulo.

EMILIA CARVALHO (ou Carvalha), também conhecida como EMILIA DE JESUS CASTELLA, ou EMILIA DO BENTO, nasceu em Sernadelo em 1 de julho de 1869, foi batizada doze dias depois, na Igreja da Vacariça. Era filha de Bento Carvalho, lavrador, e de Rosa da Fonte. Todos naturais de Sernadelo onde residiam. Emília casou-se com Alfredo Rodrigues Castella, da Póvoa da Mealhada, carpinteiro, em 8 de Agosto de 1896, e os dois vieram para Sernadelo, para o alto da
sobreira, onde viveram o resto dos seus dias. Foi deste casamento que nasceu toda a linhagem dos Castelas de Sernadelo.
A avó Emilia morreu em Sernadelo em 15 de janeiro de 1959, com oitenta e nove anos.



Nalguns sítios, como a campa da própria, está escrito o seu nome como EMILIA CARVALHA, que se justifica pelo apelido do pai - Carvalho - havendo o hábito de as filhas ficarem com o nome do pai... no feminino. Esta é, portanto, a terceira versão do nome da mesma pessoa - EMILIA CARVALHO, EMILIA CARVALHA e EMILIA DE JESUS CASTELA. Em Sernadelo era conhecida como a Ti' Emília do Bento.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

[1886.] Dar (mais) tempo à vida!


Diz-se que ninguém pode dar o que não tem, e que o exemplo não é a melhor forma de Educar... é a única. A equipa da EPVL, AGILIS, da iniciativa 'Dar mais tempo à vida' mostrou que há amor para dar no exemplo e logo há educação a dar pela ação.

A iniciativa 'Dar mais tempo à vida', que o Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro promoveu na Mealhada, de 5 de abril a 5 de julho, mostrou à comunidade local que há uma oportunidade para se ser feliz, mesmo no meio da adversidade e que a adversidade - a da doença oncológica - pode ser aproveitada para unir as pessoas, para as fazer repensar naquilo que é verdadeiramente importante.

A iniciativa chamou-se 'Dar MAIS tempo à vida'. Honestamente, parece-me que a mensagem fundamental é que é preciso 'DAR TEMPO À VIDA'... seja muito ou pouco, dar algum... porque a verdade é que o mundo que nos rodeia está a fazer-nos, cada dia, dar tempo é à morte, ao pesadelo, ao sombrio e não à vida com tudo o que de bom ela tem... e é muito.

Vinte e cinco equipas deram muito e o que deram foi muito bom. Nem sempre as palestras tiveram cheias de gente, ou as iniciativas foram cheias de interesse e participação. Mas terá bastado o que a campanha operou nos voluntários que foram operadores - passe a redundância - para já ter valido a pena... e foi muito além disso.

Uma dessas equipas foi a Agilis - Em Prol da Vida Lutamos, com o acrónimo EPVL. Uma equipa de uma escola, ato inédito aqui e em iniciativas idênticas. Uma comunidade educativa que se consegue organizar para participar numa atividade onde estão grupos informais de pessoas, e não estruturas organizadas de associações. Uma equipa que demonstrou que a escola vai muito além das paredes do edifício, ou das relações educativas formais entre professores e alunos ou dirigentes e funcionários.

Ninguém pode dar o que não tem, e por isso foi possível realizar palestras, largadas de balões, fazer pulseiras e deixar mensagens. Ouvir testemunhos - especialmente da João e da Sónia, duas professoras que puderam narrar na primeira pessoa o que é sobreviver ao cancro. De certa maneira ficou o testemunho de que é possível uma escola combater o cancro, dando força a um (ou a dois) dos seu membros. E a EPVL já venceu, pelo menos, dois cancros...
O exemplo não é a melhor forma de Educar... é a única. E por isso vimos professores a dar do seu tempo pelos outros, mostrando aos alunos que o tempo se dá, se oferece, gratuitamente e que este se multiplica quando há um gesto de amor, de carinho, de afeto e de alegria. 

A equipa da EPVL, AGILIS, da iniciativa 'Dar mais tempo à vida' mostrou que há amor para dar no exemplo e logo há educação a dar pela ação.

Todas as equipas da iniciativa estão de parabéns, mas a equipa AGILIS merece um carinho especial e um elogio especialíssimo. Porque o trabalho que foi feito nestes três meses vai multiplicar-se pela vida de todos o que a viveram, porque a escola é o terreno de toda a humanidade, o terreno mais fértil e mais produtivo que pode haver, e as sementes lançadas numa escola, multiplicam-se muito mais.

Parabéns à AGILIS. Foram espetaculares... E o que fizeram de facto não pode ainda ser realmente compreendido. Só mais tarde, muito mais tarde, no segredo das vidas onde os alunos serão protagonistas, na intimidade, é que se verá o alcance do que foi feito agora.

Parabéns a todos.

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Nota - No inicio do projeto fui convidado para integrar a Comissão Organizadora Concelhia da campanha. Na altura disse que não iria ter o tempo necessário para fazer fosse o que fosse. Mesmo assim insistiram e o meu nome foi colocado na lista da comissão. Infelizmente não consegui participar num única reunião que fosse... Incentivei a Mané - diretora pedagógica da EPVL - a constituirmos uma equipa na escola, e ela lançou o desafio à Maria João Saraiva e à Sónia Taira, e a equipa Agilis nasceu. Não tive o mesmo sucesso em outras duas tentativas a que me tinha proposto... se calhar porque não teria a oportunidade de delegar como foi possível na escola.
Fui 'convocado' a ir tirar a foto da comissão organizadora... fui contrariado e envergonhado, mas fui... dei o meu testemunho simples, mas fiquei sempre com o receio de estar a fingir ter feito alguma coisa sem o ter feito de facto. No sábado não tive coragem de subir a palco quando chamaram a comissão organizadora. Eu não estava à altura daquelas pessoas que deram tanto e fizeram tanto. Estaria a ser impostor se o fizesse.
Não fiz e honestamente espero não ter magoado ninguém com isso.

Mas como mealhadense estou muito orgulhoso daquilo que toda esta gente fez. Foi muito e foi bom. Muito se critica que as pessoas são isto e são aquilo... fica por demonstrar esse alegado desinteresse das comunidades de hoje. O que eu vi foi que as causas que interessam mobilizam as pessoas e que as pessoas sabem dizer presente nessas situações.

Calculam-se que possam ter sido angariados mais de 30.000 euros nestes três meses. Muito dinheiro, que resulta de muito trabalho e da boa vontade de muitos... mesmo em crise. É dinheiro solidário, é dinheiro limpo e generoso.

terça-feira, 8 de julho de 2014

[1885.] «Foi bonita a festa pá!"



"Foi bonita a festa pá!"... é a frase inicial da segunda versão, de 1976, da canção "Tanto Mar", de Chico Buarque. O cantor brasileiro, revelando uma componente ideológica marxista, revela o desalento pelo 25 de novembro de 1975, em contraposição com a euforia patente na primeira versão da mesma música, logo em 1974.

Mas mais importante é a frase... "Foi bonita a festa pá!"... que não me sai da cabeça há uns dias - logo não está ligada à abada que o Brasil levou em casa na meia-final do Mundial de Futebol, em que os tucanos seriam os donos da casa e da bola... mesmo com contestação extrema da parte do povo.

A festa que foi bonita foi na escola, e isso encheu-me de orgulho e satisfação, pelo trabalho fantástico de professores, colaboradores e alunos, que demonstraram que uma escola pode ser um campo de trabalho, de alegria, de harmonia e de conquistas.

"Foi bonita a festa pá" e ainda sinto no ar um belo cheiro de alecrim!

sábado, 5 de julho de 2014

[1884.] No 23.º aniversário da EPVL, em 4 de julho de 2014

 
Excelências,
Caríssimos amigos,
 
Permitam-me que comece por, neste dia e nesta hora, saudar os alunos diplomados, razão fundamental desta escola, que hoje completa 23 anos de existência formal. Para eles, peço uma salva de palmas pela conclusão dos seus cursos, pela coragem, pela resistência, pela superação de todos os medos e fragilidades, por terem conseguido concluir com êxito esta etapa, apenas mais uma, no longo caminho de conquista da felicidade e da autorealização.
 
Juntam-se hoje, de modo formal, ao corpo de antigos alunos da EPVL, mais de meio milhar, que ao longo de 23 anos aprenderam que “Ser Profissional Vale +”, e que hoje estão nas empresas, na fábricas, nos restaurantes, mas também nas universidades, como alunos e como docentes, a demonstrar isso mesmo. A provar que a via da aprendizagem profissionalizante, por ser mais prática, é mais proveitosa, é mais valiosa, é mais formativa e muito mais compensadora, para quem acredita no trabalho como forma de alcançar o sucesso e a realização pessoal.
 
Peço uma salva de palmas, também, para as famílias dos nossos diplomados, que dentro do possível, souberam acompanhar o percurso dos seus educandos, que foram certamente, ao mesmo tempo, a razão e o avaliador da vinda diária à escola. E ainda para as empresas e os empresários, onde os nossos alunos tiveram formação em contexto de trabalho. Obrigado pela vossa disponibilidade, paciência e caridade, no sentido de ser um gesto de amor, o de formar jovens a crescer em alma e valores. A cada um dos empresários presentes, e de modo coletivo ao presidente da direção da Associação Comercial e Industrial da Bairrada Aguieira, direciono o nosso muito obrigado.
 
Agradecia que pudéssemos, igualmente, com uma salva de palmas, saudar e agradecer ao corpo de professores e formadores da nossa escola. Um conjunto de mulheres e homens empenhadíssimo, interessadíssimo, muito dinâmico e ativo que compreendem que a missão da Escola Profissional Vasconcellos Lebre passa pela formação dos nossos formandos, mas, também, por uma disposição para o serviço junto da comunidade, fora das paredes na escola, junto das empresas e do mundo real, onde os homens e as mulheres têm momentos de alegria e de angústia.
 
Um agradecimento e uma salva de palmas, também, para todos os colaboradores da escola, cooperadores na nobre missão de, sem protagonismos, saber dar aos alunos e professores a garantia de que a máquina funciona, discreta e certeira. Um corpo de colaboradores que é constituído na sua grande maioria por antigos alunos, e que por isso conhece a história da escola, a sua filosofia de vida e os valores que a regem.
 
A todos, e em nome de todos, ficam os meus primeiros agradecimentos. Reparem que a todos me referi como sendo um corpo, na metáfora tão sabiamente usada por São Paulo, “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo”, assim é a EPVL também.
 
A EPVL é hoje um corpo, com muitos membros, com 23 anos de sucessos, de alegrias e tristezas, de angústias e de exaltações, sob a liderança de um homem impar, de um cidadão empenhadíssimo, que serviu e serve esta casa de uma maneira sem igual. Um homem, que durante 23 anos, foi o mestre-de-obras de uma construção edificante e majestosa, que converteu a vida de milhares de jovens e famílias em histórias de salvação pessoal pelo trabalho e pela profissionalização. Um homem que até no momento da saída soube ser um professor, um pedagogo, um mestre, um pai e um amigo e que me acompanhou nos meus primeiros passos nestas funções de uma maneira sempre fraternal, autonomizadora e valorizadora. Não peço uma salva de palmas para o Eng. João Pega, sei que lha vamos dar sem ser preciso pedi-lo.
 
Senhor Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Dr. Manuel Castro
Almeida,
Excelência,
 
Muito obrigado pelo privilégio que nos presta por ter acedido ao nosso convite para estar connosco nesta tarde. Permita-me que lhe confidencie que não o convidámos pelo cargo que ocupa. Foi fácil justificar a opção de convidar o Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional para presidir a esta cerimónia, numa escola que há 23 anos não faz outra coisa senão promover o desenvolvimento regional. Porque a verdade é que esta escola já há muito que não é só da Mealhada, e são muitos os alunos que acolhemos de proveniências tão distantes como Sever do Vouga ou Ílhavo, e mais perto como dos concelhos de Oliveira do Bairro, Cantanhede, Mortágua ou Anadia.
 
Seria fácil justificar a presença do responsável do Governo da República que tem a seu cargo a gestão dos fundos estruturais do próximo pacote de fundos comunitários, na festa de uma escola que é altamente financiada pelos fundos do Programa Operacional do Potencial Humano do até agora Quadro de Referencia Estratégico Nacional.
 
Mas não, não foi por isso que convidámos o senhor secretário de Estado. Fizemo-lo porque quisemos agradecer ao homem, ao Manuel Castro Almeida, o apoio que deu à nossa escola quando, na década de 90 foi secretário de Estado da Educação e do Desporto, e exortá-lo a ele e ao Governo da República a recentrar o olhar no que verdadeiramente interessa no ensino profissionalizante: Um caminho de formação dos jovens portugueses, pensado para os jovens portugueses e para as empresas portuguesas, construído para resolver os problemas de Portugal, que não se compadece com experimentalismos mais ou menos germanofilizados e não ajustados a uma realidade onde o tecido empresarial é composto por micro, pequenas e medias empresas.
 
Dr. Castro Almeida, caríssimo amigo desta escola, secretário de Estado do Desenvolvimento Regional do Governo da República Portuguesa, um dos construtores do Ensino Profissional em Portugal, que é uma referência em toda a Europa e no mundo, mesmo junto daqueles que porventura tentamos agora imitar, peço-lhe que puxe dos seus galões e ajude o Governo da República a recentrar as estratégias do ensino profissional em Portugal, que não são distantes daquilo que o senhor idealizou, com o Dr. Joaquim Azevedo há duas décadas.
 
Desculpe-me senhor Secretário de Estado, o meu atrevimento, saiba que o estimo, e que precisamos de si e do seu conselho. E é com muito prazer que vinte e três anos depois aqui o temos a si, o amigo da escola, o homem que presidiu à primeira sessão de entrega de diplomas da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, na Mealhada.
 
Caríssimo Dr. José Luís Presa, presidente da Direção da Associação Nacional das Escolas Profissionais, agradeço a sua presença, e na sua pessoa todas as escolas irmãs que no último quarto de século, quais pioneiros em território desconhecido, abraçaram o projeto do ensino profissionalizante. Hoje, como há 25 anos, precisamos de voltar a convencer todos – pais e empresários, alunos e comunidade – que a via profissional não é para os menos capazes, não é para os menos inteligentes, não é para os enjeitados de um sistema educativo que tantas vezes promove a ilusão do saber, em vez do saber ser e do saber fazer. A Escola profissional é também para esses jovens, não apenas para eles, mas também para eles que têm direito a ter um futuro. Estes jovens que estão atrás de si são a prova disso. De que há para todos um futuro e uma missão para cada um.
 
Dr.a Ana Mónica Oliveira, caríssima amiga, aqui no papel de representante da senhora Delegada Regional da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares. Agradeço a sua presença, e pedia-lhe que levasse à senhora delegada o testemunho do nosso compromisso em colaborar com o Ministério da Educação, em sermos parceiros leais, sem deixarmos de pensar pela nossa cabeça. Porque somos uma escola, porque queremos transmitir valores e coerência, pedimos que não nos confunda com aqueles que estão a promover cursos que sabem que não vão poder ministrar – enganando famílias e jovens –, que olham os alunos como propriedade ou cabeças de gado que se dá quando está enjeitado, ou se guarda para se autojustificar. Ninguém pode dar o que não tem, mas não é a consciência de que há cada vez menos jovens em idade escolar, logo menos alunos para cada escola, que nos fará entrar na lei da selva e do vale tudo.
 
Senhora presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, e na sua pessoa cumprimento e saúdo todos os autarcas que a nós se juntaram nesta tarde, e que há 23 anos nos amparam e apoiam. Todas as Juntas de Freguesia, Assembleia Municipal e, naturalmente a Câmara Municipal da Mealhada têm sido parceiros estruturantes e decisivos em todos os momentos. De modo muito particular no final do ano passado quando sob a liderança do Presidente Dr. Rui Marqueiro, com a solidariedade de todos os vereadores e na Assembleia Municipal da Mealhada, soubemos salvar a nossa escola de um normativo legal que nos mataria por omissão. Sentimos a coragem e a solidariedade no sinal claro do poder local da Mealhada de que somos também nós um corpo importante na comunidade. Hoje, aqui, agradeço a todos os autarcas esse voto de confiança. E Hoje, aqui, renovo o nosso compromisso de procurar sempre estar à altura desse voto.
 
A todos os parceiros da nossa escola, associações, corpos de bombeiros, grupos desportivos e artísticos, lideres religiosos. Esta casa é a vossa casa. Saibamos todos ser comunidade e corpo unido, criativo, dinâmico e transformador no sentido de um espaço mais justo, mais solidário, mais livre e mais coeso.
 
Agradeço, também, a presença e o apoio que nos tem dado o Eng. Bruno Coimbra, deputado da Nação, que tem sido um bom amigo da escola e um amparo importante em tantos momentos de angústia.
 
Aos sócios da Escola Profissional da Mealhada, Lda, e na pessoa da D.Graça Baptista, do senhor Carlos Veloso, do senhor João Peres e do Presidente Marqueiro, fica o nosso compromisso renovado em cada dia de querer transformar este projeto em algo sempre crescente e maior. Agradeço a confiança diária e a liberdade que traz sempre mais responsabilidade que me têm devotado, pessoalmente.
 
Dr. Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, e senhor João Peres, presidente da Caixa de Crédito Agrícola da Bairrada Aguieira, ilustres fundadores deste projeto, parabéns por 23 anos de luta, de resistência, de ambição e de sonho. Este é o vosso sonho. Esta é, na minha opinião, a obra maior que algum homem algum dia pode almejar. Catedrais de saber, estruturas perpétuas de saber e conhecimento. A obra de transformar os futuros das pessoas e das sociedades está mais perto dos deuses que dos homens, e vocês conseguiram-no, quando decidiram criar a Escola Profissional da Mealhada. Como cidadão, agradeço-vos por isso.
 
Dr. Marqueiro, caríssimo presidente, esta é a escola que há oito meses e meio me solicitou que gerisse. Serei o último e o único a quem possa ser pedida uma avaliação do desempenho. No entanto, posso garantir-lhe que estamos mais mobilizados que nunca, mais empenhados que nunca, mais entusiasmados que nunca. Posso garantir-lhe que estamos todos – professores, gestores e colaboradores, e de uma maneira especial eu e a nossa extraordinária diretora pedagógica, Dr.a Manuela Alves – cansadíssimos depois de um ano letivo em que demos o litro, como sempre, em que fomos a todas, em que nunca dissemos que não a nada. No entanto, estamos cheios de vontade de abrir mais um ano letivo, com novos cursos e novas apostas, novos desafios e novas demandas. Porque acreditamos que o fazemos em nome de um bem maior.
 
Continuaremos a dar corpo à estratégia definida coletivamente de construir o Centro de Formação Profissional para adultos ativos. É a nossa demanda mais arriscada, mas vamos conseguir. Continuaremos a trabalhar para formar jovens para o emprego e para o mercado, com cursos que o mercado pede e precisa. Continuaremos a fazer desta escola um espaço de memória, de valorização da herança artística, histórica e cultural da comunidade, um espaço de crítica, de reflexão, de cidadania. Um espaço de encontro, de comunhão e partilha de valores e sentimentos.
 
Senhor secretário de Estado, Senhor presidente da Câmara
 
Quando há oito meses e meio aceitei o desafio de ser diretor-geral desta escola, sucedendo a um homem com a envergadura do Eng. João Pega, e aceitando um desafio imenso do Dr. Rui Marqueiro, adotei como lema a frase de Nelson Mandela: “A Educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo!”. Acredito, sinceramente, nesta ideia.
 
Vinte e três anos de vida desta escola, mil e quinhentos alunos diplomados, vinte e um por cento dos quais com frequência no ensino superior, setenta e seis por cento deles a trabalhar, quase todos na sua área de formação, no fundo, noventa e sete por cento de sucesso, são sinais claros de que é possível construir um país novo. Que é possível garantir um futuro para todos e para uma missão para cada um.
 
Dr.Castro Almeida: O desenvolvimento da nossa região está aqui, à nossa frente. Estes jovens estão disponíveis para fazer o que lhes cabe, têm formação, tem as ferramentas para desenvolver o país. Saiba o país dispor deles.
 
Muito obrigado.
 
[Discurso proferido na cerimónia solene dos 23 anos da EPVL]

sexta-feira, 13 de junho de 2014

sexta-feira, 2 de maio de 2014

[1878.] A grande Catarina

Antes de haver Angela Merkel, já outra senhora alemã tinha demonstrado os dotes de regência do governo dos povos com mão de ferro e (apenas aparentemente) de maneira iluminada.

Catarina, a Grande, (1729-1796) imperatriz da Russia, assinala hoje o 285.º aniversário do seu nascimento.

O poder no feminino devia ser objeto de estudo. Governam as mulheres melhor do que os homens? E em que aspectos? O poder absoluto em homens e mulheres manifesta-se de maneiras diferentes?

Catarina depôs o marido, tomou-lhe o lugar, expandiu a Russia, modernizou a administração, tornou-a numa potencia de gente iluminada e sofisticada. Teve na sua corte, como conselheiro de Estado, o médico português e judeu António Nunes Ribeiro Sanches (1699-1783) - natural de Penamacor, cristão-novo dos lados de Idanha a Nova.
Catarina teve à sua volta os maiores intelectuais do iluminismo ocidental, mas em nada aplicou as ideias vanguardistas à opulência czarina.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

[1876.] O primeiro primeiro de maio

 
Cartoon de João Abel Manta (n.1928)
 
João Abel Manta "ficará associado dum modo muito particular ao melhor e ao pior que em Portugal vivemos nesses dois anos" (1974-1975) in João Medina