segunda-feira, 6 de outubro de 2014

[1917.] O CNE sem medo



Haverá vários CNE (Corpo Nacional de Escutas).

Estar em Braga (VN Famalicão), assistir à tomada de posse da Junta Regional - liderada pelo Hugo Cunha, que tem 33 anos -, ver uma atividade onde participaram 10 mil escuteiros, mostra que há um CNE vivo, sem medo, arrojado, e acima de tudo jovem e com vitalidade.

Participar no ENFORMA - Encontro Nacional de Formadores do CNE - mostrou-me que há um CNE que quer transformar. Ver que são os chefes mais antigos que estão mais motivados com o Sistema de Renovação da Formação de Dirigentes, que há vários ritmos mas um sentido comum de mudança pela positiva, de alegria e orgulho nas novas medidas e metas, mostra-me que há um CNE reformista e na vanguarda da transformação.

Ouvir alguns discursos e intervenções de lideranças de topo mostra-me que há um outro CNE, enquistado, mal fardado e mal humorado, que adora passar graxa ao clero e por tudo e por nada elogiar as batinas e bater no peito. Um CNE que ignora a juventude que o outro CNE procura servir. Um CNE que fala demais quando devia estar em silêncio e que se cala quando devia intervir na sociedade.

Há, afinal, vários CNE... Mas há um que prefere "Servir sem medo!". E isso é que importa. O outro? Durará enquanto quisermos!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

[1916.] Nos desenhos animados é raro chover



Eu quero a sorte de um cartoon
Nas manhãs da RTP 1
És o meu Tom Sawyer
O meu Huckleberry Finn
E vens de mascarilha e espadachim
Lá em cima há planetas sem fim

Tu és o meu super-herói
Sem tirar o chapéu de cowboy
Com o teu galeão e uma garrafa de rum
Eu era tua e mais nenhum
Um por todos e todos por um

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho
A golpe de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Eu sou Jane e tu Tarzan
Julieta do meu Dartagnan
Se o teu cavalo falasse
Tinha tanto para contar
Ao fantasma debaixo dos meus lençóis
Dos tesouros que escondemos dos espanhóis

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho
A golpe de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Quando chegar o final
Já podemos mudar de canal
Nos desenhos animados
É raro chover
E nunca, quase nunca acaba mal
By the power of Greyskull

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

[1915.] Melhor (não) jogar pelo seguro...

Foto do dia
Depois de perder as primárias,
António José Seguro demitiu-se do cargo de secretário-geral do PS
 
 
Deve ser frustrante andar com a cruz às costas e na fase em que pode parecer estar-se na reta final alguém nos derruba e toma o lugar, quando o pior já passou... Ser líder do PS hoje não é tão difícil como há três anos, quando a missão era atravessar o deserto fazendo oposição a um governo de coligação que está preso a um acordo de assistência draconiana negociado e assinado pelo PS. Quando o objetivo era resistir a uma imagem de PS onde o líder anterior está todas as semanas, na televisão pública a vomitar trampa na ventoinha.

Seguro era um líder frágil, mas aguentou o partido na fase mais difícil da sua história. Seguro era um líder jovem e progressista, mas completamente isolado e constantemente debaixo de mira. Como se tivesse um alvo nas costas...

Mas fez o que precisava ser feito durante três anos. Abriu o caminho. Agora ver-se-á se Costa e os Socráticos têm unhas para tocar a viola num ano que falta para ganhar as eleições a um governo que tem resistido e se tem mostrado reformista e transformador. Faltam 12 meses. A ver vamos.

Costuma dizer-se que "Roma não paga a traidores"... Os militantes e simpatizantes do PS preferiram o candidato que trapaceou o líder do partido... vamos ver se vão manter-se fieis a quem já mostrou ser capaz de trair...
  

[1914.] O mentiroso silêncio, segundo Unamuno no seu 150.º aniversário

Assinalam-se hoje os 150 anos do nascimento do filosofo espanhol, Miguel de Unamuno. Um inteletual extraordinário, nascido basco e que chegou a ser reitor da Universidade de Salamanca. O professor Manuel dos Santos, meu mestre nalguns temas era um admirador do filosofo espanhol. E eu aprendi a ser com ele...

Dois dias depois do Presidente da Generalitat catalã ter assinado o decreto de agendamento do referendo à independencia da Catalunha, fica a resposta de Unamuno, enquanto reitor da Universidade de Salamanca, em 12 de janeiro de 1936, quando os franquistas chamavam à Catalunha e ao País Basco o excremento da Espanha. 
 
«Estais esperando que vos fale. Conhecei-me bem e sabeis que sou incapaz de permanecer em silêncio. As vezes, permanecer calado equivale a mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Quero fazer alguns comentários ao discurso - se posso chamá-lo assim - do professor Maldonado, que se encontra entre nós. Falou-se aqui da guerra internacional em defesa da civilização cristã; eu mesmo já fiz isso em outras oportunidades. Mas não, a nossa é tão somente uma guerra incivil. Vencer não é convencer, e há, sobretudo, que convencer. O ódio - que não deixa lugar à compaixão - não pode convencer. Um dos oradores aqui presentes é catalão, nascido em Barcelona e está aqui para ensinar a doutrina cristã, que vós não quereis conhecer. Eu mesmo nasci em Bilbao e passei a minha vida ensinando a língua espanhola, a qual desconheceis [...] Deixarei de lado a ofensa pessoal que se deduz da repentina explosão contra bascos e catalães, chamando-os de anti-Espanha até porque com a mesma razão poderiam eles dizer o mesmo.»

domingo, 28 de setembro de 2014

[1913.] Pelo Mar a dentro



No sábado à noite, voltei a ver o filme de Amenabar sobre Ramón Sampedro, o galego de Xuño que, tetraplégico, pedia para morrer. O tema interessa-me e perturba-me. E, apesar de católico, reconheço que gostaria que alguém me amasse tanto ao ponto de me ajudar a morrer. O filme "Mar Adentro" é um filme que ajuda a pensar, mas que não toma posição. É um filme sobre o Amor, tal como a história de Ramón é uma história de amor.

O filme obrigou-me a ir à procura de mais... a ver a cara do verdadeiro Ramón, para além da cara de Bardem. E encontrei este documentário. E ver a cara de Rosa, que afinal se chama Ramona. E a cara da cunhada Manuela, do irmão José, e de outros intervenientes numa história com 26 anos. Em que o irmão é contra a opinião de Ramon precisamente com o mesmo argumento de Ramón. Ajudar a morrer por amor.

O filme de mostra alguns meses na vida de Ramón Sampedro. E parece fácil a rotina, a serenidade, o apoio e o dia a dia. Parece que é possivel ser feliz assim, vivendo assim, ajudando alguém a viver assim, aceitar ser ajudado assim... Mas há 26 anos a somar aqueles meses... 26 anos de sofrimento, de dependencia... de um tetraplégico que pensa: esta mulher não pode ir a lado nenhum por mim causa... porque se não não como, não bebo, mas não morro!

De tudo isto fica-me a dúvida:

Qual foi o pecado maior?

- O de permitir que um homem morra quando quiser, e assim ser deus da sua própria vida (uma oferta de Deus)?

- Ou o de ter criado tantas formas de prolongar artificialmente a vida a ponto de as pessoas terem deixado de morrer naturalmente?

Ramón diz neste documentário uma coisa muito importante. Ensinaram-nos a sublimar a vida, como a Igreja nos ensina a sublimar o sofrimento... mas porque raio não se pode sublimar a morte?

sábado, 27 de setembro de 2014

[1912.]



Let the sound of those he wrought for,
And the feet of those he fought for,
Echo round his bones for evermore.

Ode on the death of Duke Wellington
Alfred Tennyson
1852

Homenagem a Arthur Wellesley, 1.º Duque Wellington
Heroi do Bussaco, no 204.º aniversário da Batalha

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

[1911.] BV Mealhada apoia Jaime Soares

A Direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada decidiu apoiar a recandidatura do Cmdt. Jaime Soares à presidencia da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Analisado o papel e o trabalho do atual presidente da LBP nestas funções e analisado o programa eleitoral do candidato - nomeadamente o documento "20 principios abrangentes e orientadores" - entendemos apoiar Jaime Soares à liderança da confederação dos bombeiros.

O apoio ao antigo comandante dos BV de VN Poiares e antigo presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra foi expresso junto do próprio no jantar de apoio, em 19 de setembro, em Aveiro, em que participou o presidente da Associação dos Bombeiros da Mealhada e o comandante do corpo de Bombeiros.

No próximo dia 25 de outubro de 2014, no Congresso da LBP em Coimbra, a direção e o comando da Associação dos Bombeiros da Mealhada votará em Jaime Soares.

http://pelosbombeirosporportugal2014.blogspot.pt/

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

[1910.] Canibalismo

 
Canibais preparando as suas vitimas
Francisco Goya
1798 - 1800
Musée des Beaux-Arts et d’Archéologie de Besançon


 
 
A politica é autofágica. E cada vez que os políticos criam grandes factualidades sobre costumes é quase como se estivem a suicidar, ou a comer-se a si próprios. Porque, acredito piamente, há pessoas honestas na vida política, mas não há santos. E mesmo dos atos mais inocentes podem resultar interpretações torcidas e maldizentes. Como se diz na minha terra: "O bom julgador a si se julga", e muitas vezes julgamos os outros pelo nosso quadro de referências e não pelo seu.
 
O epsiódio da Tecnoforma e da atitude menos correta do primeiro-ministro é uma autofagia que aparece poucos dias antes das eleições primárias do PS, depois de um conjunto de debates televisivos que contribuiram de maneira surreal para o desgaste do partido. Arranjar um outro tema, dentro do mesmo quadro, acabou por revelar-se poderosamente relevante para as primárias socialistas. Domingo veremos a quem benefecia.
 
Pedro Passos Coelho era porteiro da Tecnoforma? (Diz que foi convidado para abrir portas...) Recebeu o subsidio de reintegração quando não o merecia? Recebeu uma subvenção vitalicia aos 30 e poucos anos? E os outros não?
 
E quantos presidentes de câmara - alguns dos mais honestos que há - receberam chorudos subsidios para serem reintegrados... na reforma?  
 
Um politico apontar o dedo a outro politico e falar de moral é um exercicio de hipocrisia.
 
"Os canibais preparando as suas vitimas" é uma pintura do grade Goya onde se veem três caníbaiss preparando os corpos das suas vítimas para as comerem.
É possivel que Goya tenha conhecido a história dos missionários jesuitas Jean de Brebeuf e Gabriel Lallemant, assassinados por os indios no Canadá, em 1649, e vítimas de um posterior episodio de canibalismo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[1909.] Enganar e ser enganado

SERMÕES DE DIRETOR #04
 
Não gosto de ser enganado. Acho que ninguém gosta. Mas tenho a certeza de que sou enganado muitas vezes. 
Aceito, no entanto, e até aplaudo a sabedoria e a categoria de quem me sabe enganar, de quem tem a astúcia e ousadia de arriscar enganar.
Mas fico fulo quando me enganam descaradamente, sem pudor, sem qualquer esforço ou artimanha para me fazer acreditar numa ilusão. Sinto-me enganado, e essa é a pior sensação. Odeio quando não se esforçam por me enganar com categoria ou classe.
 
Fazem, simplesmente, de mim parvo.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

[1908.] Se te atreveres a ser completamente tu


 
Largar Mais
MAFALDA VEIGA
Zoom 2011
 
Meu amor há tempo
Se tu quiseres
Sem assombros sem medo, se te atreveres a ser
Completamente tu
Venha o que vier
Agarra bem o mundo

Acredita o tempo, é sempre agora
Não há mais rodeios, desenganos ou demoras
Vê o teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres
Em ti, ainda

Eu sei que às vezes muito perto desfoca
E querer o mundo inteiro no peito, sufoca
Mas eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim

Meu amor há tempo
Se tu quiseres
Sem assombros sem medo, se te atreveres a ser
Completamente tu
Venha o que vier
Agarra bem o mundo

Acredita o tempo, é sempre agora
Não há mais rodeios, desenganos ou demoras
Vê o teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres
Em ti, ainda

Eu sei que às vezes muito perto, desfoca
E querer o mundo inteiro no peito, sufoca
Mas eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim

Eu sei que ao longe há sombras, ausentes
Mas eu vejo-te em zoom e o meu plano é diferente
Eu sinto a tua falta
Não te quero largar mais

Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

[1907.] Da infelicidade pasmosa

 Ontem fomos ao cinema. Já não iamos ao cinema há um tempo. Não sendo uma epoca especialmente interessante, entre ver o Ben Kingsley a fazer pela enésima vez o papel de mau árabe e vermos a mais recente obra de João Botelho, "Os Maias - Cenas de uma Vida Romântica", optámos por consumir português.

Um erro. E uma pena. O filme (se pode chamar-se aquilo um filme) é medonho. Uma coisa que seria aceitável por um grupo de alunos de uma escola que quisesse dramatizar 'Os Maias', mas uma merda para um realizador com a fama do João Botelho e para uma coisa financiada pelo Ministério da Cultura através do Instituto do Cinema e do Audiovisual.

O argumento é linear. Corta e cola. Pegamos nas cenas mais importantes das sebentas e reproduzimo-las... num plano fixo e unico, com a parte inicial a preto e branco e sem ritmo. Fez-me lembrar o 'Pai Tirano' e a dictomia entre o cinema e o teatro...

Os actores limitaram-se a dramatizar como se esivessem num palco de teatro, nem uma pequena curiosidadezinha inteligente. Nada. Zero. Um Damaso Salcede desinteressante... um Eusebiozinho inócuo... um Cohen ou um Gouvarinho abjetos... Uma obra de latrina...

Então o pormenor dos cenários foi de uma infelicidade pasmosa, como se não fosse mais barato fazer cenas reais... como se não fosse possivel evitarmos ver as costuras dos cenários, ou as dobras de uma tela mal esticada. Pavoroso!

Valeu a interpretação do ator Pedro Inês, que fez um interessantíssimo 'João da Ega', e do ator Pedro Lacerda, que mostrou um curioso 'Alencar'. O ator Graciano Dias, que fez de 'Carlos Eduardo da Maia', acabou por ser sofrível, no meio de tanta caca...

Com cinema português assim... não vale a pena gastar dinheiro. 'A Gaiola Dourada' não deixou lições.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

[1906.] ... mas os escoceses preferiram o Não!


E eles é que mandam...

A decisão dos escoceses não é estupida, nem descabida, nem sequer inesperada. Do ponto de vista prático, convenhamos que a Escócia tem já um nível de autonomia bastante desenvolvido... e se a diferença fosse deixar de ter a Rainha como Chefe de Estado (do Reino Unido) para ter a Rainha como Chefe de Estado (da Commonwealth) a diferença não era nenhuma.
Os escoceses mostraram-se solidários, porque a verdade é que hoje é na Escócia que está o principal motor do desenvolvimento do país e não já na velha Inglaterra. Os escoceses mostraram-se sensatos porque o que têm a ganhar pode não ser muito, mas o que poderiam perder não se conhece e logo será perigoso.

Aplaudo.
Mas não posso deixar de pensar que Edward Longshanks (e não Longlegs) voltou a ganhar!



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

[1904.] Sermões de Diretor#02

SERMÕES DE DIRETOR#02

As minhas declarações deram azo a titulo jornalístico. Há, efetivamente, escolas a tratar alunos como se fosse gado.
Nunca pensei que as escolas portuguesas estivessem na contingência de disputar alunos com tanta ferocidade.
Há escolas – públicas e privadas – a fazer coisas inacreditáveis para conseguirem arranjar alunos. Coisas que tocam a imoralidade e até o crime – como coacção, por exemplo – que são perfeitamente condenáveis quando estamos a falar de escolas, onde a promoção devia ser a dos valores e do bem-comum.
E porquê? Há cada vez menos alunos – crianças e jovens – e as escolas precisam do que é já um bem escasso.

Mas os alunos – portugueses e portuguesas, mas também alunos africanos, por exemplo – não são gado, que possam ser trocados, guardados ou mantidos no redil desta ou daquela instituição de ensino!

[1905.] A tarefa de Sísifo

 
Sísifo
Ilustração de Karl Kopinski
 
O Mito de Sísifo é um ensaio filosófico de Albert Camus, de 1941, utiliza a figura da mitologia grega, o Sísifo o rei da Éfira, o mais astuto dos mortais e por isso uma ofensa aos deuses do Olimpo que o condenaram a, por toda a eternidade, fazer rolar uma pedra de mármore até ao topo de uma montanha para que ela voltasse a rolar e ele voltasse a faze-la subir.

A história do grego ilustra ainda hoje a missão inglória e infrutifera, mas que tem de ser feita, mesmo que se saiba que o resultado é nulo.

Para Camus, a história do rei condenado apresenta a filosofia do absurdo: o do homem em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. E que "Exige revolta".

E há tantos momentos em que parecemos ter a mesma condenação de Sísifo...

Fica a ilustração de Kopinski, um artistica com que esbarrei há pouco tempo no facebook.
 
 
 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[1903.] Sermões de Diretor#01

SERMÕES DE DIRETOR#01

Estamos duas pessoas há três dias a telefonar para antigos alunos, que acabaram o curso em julho, com três propostas de trabalho. A maioria
NÃO ATENDE O TELEFONE... alguns dos (poucos) que atendem dão desculpas inacreditáveis para não responder a trabalho concreto e remunerado... É inacreditável!

[1901.] Eu votaria sim...

 
Na próxima quinta-feira, 18 de setembro, os escoceses são consultados sobre a independência face ao Reino Unido.  Eu votaria Sim.
 
Em primeiro lugar votaria sim porque simpatizo com as autonomias... com as espanholas, as belgas, e as bretãs também. Reconheço que muitas das que podem ansiar um dia a independência não tem qualquer viabilidade, como a Madeira ou a Galiza, mas mesmo assim, simpatizo com a Catalunha, com Euskadi, e, também com a Escócia, enquanto eventual país independente.
 
Em segundo lugar votaria sim porque há que reconhecer que a campanha do sim é muito mais eficaz... Note-se que há decadas que está no terreno, com as mega produções fantásticas e inspiradoras de Braveheart, Rob Roy e tantos outros em que os Beefs ingleses do Long Legs são sempre os maus e os scots são sempre os martires. Em contrapartida a campanha do não é medonha, como a tentativa falhadissima de meter o James Bond (o mais inglês dos ingleses) a nascer numa quintarola das Lowlands, em Skyfall. 


Os escoceses farão o que quiserem - avisem porque pretendo voltar lá e preciso saber se é preciso passaporte ou não - e eu respeitarei... os beefs é que não sei se o farão.



Como ficará o Reino Unido?
Who cares?

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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

[1902.] Não podemos desistir...

SERMÕES DE DIRETOR #03

Será muito dificil para quem nunca viveu o processo compreender a azáfama que é dar inicio a um ano letivo. Haverá processos igualmente cansativos noutras profissões, naturalmente, mas neste as coisas roçam, acima de tudo, a insanidade... Um alemão, enquanto diretor de uma escola, cortava os pulsos na primeira dificuldade em que se vê que a administração central não consegue acompanhar o ritmo dos dias e a contagem decrescente para os alunos se sentarem e começarem um ano letivo...E "O dificil é sentá-los!", como dizia o outro.

No primeiro dia de aulas ainda há professores por colocar - e se não estão colocados no publico não aceitam compromissos com o privado - e por isso ainda não há horários, nem respostas quanto a autorizações e afins e então candidaturas a financiamentos nem sequer vale a pena falar.
O que deviam ser problemas acessórios, são, na verdade, preocupações que levam à exaustão o mais português dos portugueses. Gastam-se muitas energias nos ‘bastidores’ e o essencial não pode ser tratado da forma mais correta.

Portugal faz 871 anos no próximo dia 5 de outubro. estamos a trinta anos do 9.º centenário. E lamentavelmente, é na escola que radica a última mecha de esperança na nacionalidade e no futuro da Nação. A escola hoje é o unico e por isso o ultimo bastião da portugalidade. Não temos fronteiras, não temos exercito, não temos marinha, não temos moeda, não temos nada. O que temos é a língua, é a resiliência, é a cultura, é a sabedoria, são as idiosincrasias que permitem a um português aguentar o que um austriaco ou um dinamraquês se recusaria a fazer ou a dizer. E isso, até esse exercicio idiota, está hoje confinado à escola portuguesa.

Por isso, os professores portugueses e os funcionários da escola portuguesa - publica ou privada - são os únicos que não podem desistir. Porque se desistirem acaba-se tudo e nunca chegaremos a fazer os 900 anos de existência.