domingo, 7 de dezembro de 2014

[1937.] Fiat lux


E por fim concretizou-se o sonho antigo, a demanda aconteceu.
A ti, velho Liberto.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

[1932.] Reunindo na Reunião #07

Eu acho que sou um imperialista... Acho... Se calhar não sou... Acredito que haveria mais portugueses felizes se o nosso Portugal político fosse do tamanho do nosso Portugal espiritual... Mas enfim. E por isso, a minha reflexão de hoje é contraditória. Porque estando eu numa colónia francesa, a 10 mil km da metrópole, não consigo perceber quais as vantagens para a França e para a Europa em ter aqui este território... Honestamente... Não compreendo... E não compreendo especialmente quando fiquei hoje a saber que um funcionário público a trabalhar na Ilha da Reunião recebe um salário 1,70 vezes maior do que outro funcionário na França metropolitana ganha por desempenhar a mesma função e com a mesma responsabilidade...

É esquisito... Se calhar estou a passar por uma crise ideológica...



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

[1931.] Reunindo na Reunião #06


Hoje foi dia de visita ao vulcão mais recente da ilha. Estivemos no Piton de la fournaise... Imagens devastadoras de uma quase completa ausência de vida. Paisagem lunar é o termo! Será uma imagem do passado da Terra ou do seu futuro? 
 



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

[1930.] Reunindo na Reunião #05




O que é uma escola?

A pergunta é patética! se não fosse patética era preocupante... Hoje deu para conversarmos um bocadinho sobre os nossos problemas nacionais quanto à educação - que na prática é a nossa vida. Juntámos-nos checos, polacos, lituanos e portugueses... Fiquei a perceber que há problemas que não são muito diferentes... Miúdos apáticos e desinteressados, demasiadas competências com as novas tecnologias, mas sem qualquer capacidade de comunicação interpessoal... Ah e um ódio comum aos diretores das escolas... Aos headmasters... Nas costas dos outros, vejo as minhas...

Mas também a identificação de problemas diferentes e o debate sobre isso. A escola checa com turmas de 12 e 13 alunos, a dos franceses com um máximo de 24 e as dos tugas com 24 no mínimo e 30 no máximo. Com expulsões sumárias na escola onde estamos por falta de respeito na fila da cantina ou por trazerem navalhas para a escola e outras onde as penas são rejeitadas pela administração central educativa por serem muito severas... Como aconteceu na EPVL...

A escola onde estamos é caótica. Parece uma prisão, com todas as portas a darem para o exterior... os miúdos portam-se mal... Estávamos numa sala a trabalhar e garotos às pedradas à nossa porta, e a passar a correr abrir a porta, escancara-la e fugirem. Os professores reuniram de emergência, enquanto estávamos a reunir, porque um garoto tinha agredido o professor e os outros ponderavam recusar-se a trabalhar...

O que é afinal a escola na Europa?





terça-feira, 2 de dezembro de 2014

[1929.] Reunindo na Reunião #04


Hoje a manhã foi passada a descobrir um pouco mais da história da ilha. À tarde estivemos a trabalhar no projecto - com a participação portuguesa a marcar pontos em toda a linha, desde a criatividade, à qualidade do vídeo apresentado, à presença notória da marca da escola e do seu espírito, até ao cuidado com os pormenores, com a atenção dada ao receptor da mensagem. EPVL esteve muito bem, com ênfase, também para a postura do Igor.
Mas de manhã, dizia eu, a mensagem foi histórica e muito clara... Numa palavra: Escravatura.
Começámos por ir visitar a propriedade de madame Desbassyns, que até 1843 (quando foi abolida a escravatura) teve ao seu serviço 400 escravos - negros de Moçambique, Zanzibar e Madagascar... Mas também muitos indianos. E que depois disso decaiu até aos dias de hoje... Uma ruína e um museu recuperado recentemente. Para quem se habituou a ver novelas brasileiras de época e leu e viu o Equador... Não há muitas novidades... Igual em todo o lado... Há sítios onde os nativos se recusam a ir por causa dos espíritos dos mortos torturados. Infelizmente e isso custou-me muito, foi saber que os escravos da Reunião eram marcados com um ferro quente com a flor de lis...
A seguir foi fomos visitar uma antiga usina ou engenho de cana de açúcar... A Stela Matutina... O planeta vénus que as 4 da manhã, antes do nascer do sol aparece no hemisfério mesmo em cima da Reunião. Uma fábrica, fechada desde 1978, aberta em 1850, logo depois da abolição da escravatura e dos franceses terem acabado com a plantação de café e obrigado os reunieses a produzir cana de açúcar. Uma fábrica que trabalha com escravos, pôs escravatura... Os engages ( cuja tradução devia ser comprometidos) mas que no fundo eram escravos... Que recebiam salário, mas tinham de pagar a renda e a comida ao patrão. Que podiam regressar a casa se apetecesse ao patrão... No fundo... Escravos.

Encheu- me o orgulho perceber que os primeiros europeus a chegar aqui foram os portugueses. Uma ilha desabitada que interessava pouco e que os fez seguir em frente, para a Índia. Estou a ver se percebo se não será está a Ilha dos Amores do canto IX... Mas não há dúvida que os portugueses são especiais. E isso vê-se na forma como num projeto destes nós somos os conciliadores, o apoio na falha... Os facilitadores quando todos os sentimentos da Europa central se misturam...

E mais não digo...
Até amanhã. 

* a foto é a casa de madame Desbassyns. A casa grande.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

[1928.] Reunindo na Reunião #03


O dia de hoje foi de actividades outdoor. A Lituânia só chegou hoje ao fim do dia e a França metropolitana só chega amanhã. Portanto, o trabalho propriamente dito do comenius só começa amanhã.
Hoje fomos ver o Circus Mafate. Um vulcão apagado há 180 mil anos que deu origem a uma caldeira verdejante onde há três pequenas aldeias para as quais não há uma única estrada. Só um trilho pedestre de grande dificuldade e o serviço de helicóptero para as emergências e abastecimentos. Fizemos o trilho. Duas horas a descer a pique e três a subir o mesmo trilho. Chegámos os três ao fim... Mas não foi fácil. 
Chegámos a La Nouvelle (a maior das três aldeias, na foto do meio) e vimos uma aldeiazinha com a padaria, que é também tudo o resto, a igreja para 100 almas e a escola. Na escola, dos 4 aos 12 anos. Fomos encontrará a professora a entrar ao serviço.
A professora reside na escola sozinha, dá as aulas aos 20 miúdos destas idades todas, à sexta à tarde vai de helicóptero para a civilização e volta na segunda ao almoço... Vi no paraíso... Ou num inferno verde. A escola é agradável, mas quando falamos com os miúdos não deixamos de ter aquele complexo de estar a falar com eles como se eles fossem esquisitinhos...
Um isolamento que não é diferente de muitos outros... Só é francês, no meio do indico, e por isso mais exótico, e por isso menos criticável. Porque é que está gente continua a viver aqui? Não imagino... Mas muito nem francês falam...

A primeira imagem não é do Circus Mafate, é do Salavazie, imediatamente ao lado e que atravessamos para chegar à borda do Mafate.

domingo, 30 de novembro de 2014

[1927.] Reunindo na Reunião #02


Out sont les pirates?


[1926.] Reunindo na Reunião...#01

Em trânsito... Em Paris Orlly ouve-se tanto português como no Sá Carneiro no Porto... É lindo ser português dos sete mares andarilho...



domingo, 23 de novembro de 2014

[1942.] Intocabilidade

Não acompanho a ideia de que a detenção de José Sócrates constitua um acrescento no decréscimo de confiança no regime democrático português. Os portugueses ficaram a perceber que não há intocáveis e isso é bom. Ficaram a perceber que há políticos que pautam a sua vida por comportamentos desonestos e isso (infelizmente) não é novidade! Nem aqui nem em lado nenhum. Logo, não me parece que ontem tenha acontecido algo de negativo (para além do drama humano intrínseco).

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

[1941.] Só não se queixem...

Portugueses e brasileiros são muito parecidos... não há duvida.

Com o coração ao pé da boca, uns e outros ralham muito e algumas vezes manifestam-se. Os portugueses não, mas os brasileiros até são espancados na rua à frente das câmaras de tv do mundo para dizer mal do regime e do sistema, em vésperas de enchente mundial.

Só que, no dia de ir a votos, uns e outros preferem ficar com tudo na mesma... Apesar do mensalão, da corrupção, do cinismo e da arrogância! Mais vale um triste, velho e gordo burro que me carregue do que um corcel que me derrube. Fazem muito bem... mas por favor não se queixem!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[2102.] Entrevista ao Clube da Comunicação Social de Coimbra


No dia 22 de outubro de 2014 tive o prazer de ser entrevistado pelo Clube da Comunicação Social de Coimbra, especificamente pelo Professor Armando Braga da Cruz e pelo Dr. Américo Baptista dos Santos.

Aqui estão os links:


http://ccscoimbra.blogspot.pt/search?q=nuno+canilho

https://chirb.it/GxdpIx

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

[1923.] As (novas) Marias da Fonte nunca nascidas

 
Lembro-me de, há uns anos, um autarca declarar que uma determinada medida do Governo - no caso uma alteração a um imposto que aumentava a fórmula de pagamento e, por conseguinte, o valor a pagar - ia ser uma "Nova Maria da Fonte"!
Nunca mais me esqueci da expressão... e vi a medida ser implementada e nunca cheguei a ver "a minhota de pistolas na mão!".
Vem isto a propósito da contestação do Povo português... das contestações que achamos que vão nascer e da verificação, posterior, de que afinal fica tudo na mesma e mesmo que alguns políticos ou comentadores gritem um bocadito, o Bom Povo nunca chega a vias de facto... nunca pega nas forquilhas... e com o tempo até os políticos e os comentadores se acomodam...
 
Não é isso que aconteceu ou está a acontecer com a Reforma das Freguesias?
Passou um ano... e já está tudo bem... já não há problemas nenhuns... já nos acomodámos... como sempre...
 
 
Imagem de Maria Estela Veloso de Antas Varajão Costa Gomes, num retrato de Mestre Henrique Medina



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

[1922.] Um ano depois...

Faz hoje um ano que me tornei Diretor-geral da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, sucedendo a alguém que o ocupou o cargo desde a fundação da escola e de forma extremamente carismática durante 23 anos. O desafio era imenso. Acredito que com o voto de confiança demonstrado por quem me nomeou, com a certeza de que tinha de demonstrar aos que não concordavam que estaria à altura, encontrei o meu registo. Com o apoio da pessoa a quem sucedi criámos um sistema de sucessão fora do habitual e sem precedentes. Com o apoio de professores, funcionários e da diretora pedagógica fizemos o caminho que tinha de ser trilhado.
Foi muito bom, está a ser muito bom. Obrigado a todos pela ajuda.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

[1921.] Ontem voltei a Rodrigo Leão



Pasión

No, no digas que yo me muero
Amor, mi vida es sufrimiento
Yo te quiero en mi camino
Por vos cambiaba mi destino

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos

Tengo un corazón ganando
Yo sé que vos me estas escuchando
Con mis lagrimas te quiero
Pasión, sos mi amor sincero

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos

[1920.] O Porquê do V da Vitória...


No sábado, na hora em que Paulo Valdez, enquanto secretário regional dos Adultos e mandatado pela Junta Central, me entregou o colar de três contas, depois de o cumprimentar, ergui a mão e fiz o V da Vitória com os dedos. O João Fortunato captou o momento e a foto foi por mim colocada no facebook como capa. Recebeu um número significativo de gostos, um ou outro comentário mas suscitou várias mensagens privadas.

Interessa portanto esclarecer o gesto. Quem me conhece sabe que aprecio gestos e simbolos e não os uso sem ter uma intenção especifica e concreta. Não teve qualquer conotação política ou partidára, mas sim é um V de Vitória. A ultima vez que fiz um gesto semelhante foi quando me casei...

Efectivamente, no sábado, com a entrega do colar de contas alcancei uma grande vitória. Suei para ter este colar de contas e era uma questão de honra conquistá-lo.
- Comecei a fazer um CAP da IV secção há uns 9 ou 10 anos. Não consegui concluí-lo porque falhei uma sessão e não me deixaram prosseguir.
- Em 2008 fui a Aveiro fazer o CAP da III secção. Não consegui concluir porque faltei a uma sessão e ficou tudo pelo caminho.
- Em 2009, estava nas equipas nacionais, inscrevi-me para fazer um CAF. Tive um acidente a caminho de Vila Nova de Milfontes e foi tudo or agua abaixo.
- Em 2012 fiz o CAP da II secção, de novo em Coimbra, já se passaram dois anos e continuo à espera da homologação.

- E em 2013 fui, então, fazer o CAF. Como descrevi aqui: [1782.] "Em fevereiro de 2012, sabendo que ia abrir novo curso nesse ano, pedi à Junta Regional de Coimbra que me inscrevesse no CAF. Depois de me fazerem esperar sete meses por uma resposta, no dia seguinte ao fim do prazo, consegui que me dissessem que "não iam aprovar o meu nome, nem o inscrever, mas que não se opunham a que eu fizesse, pessoalmente, a inscrição", que eles sabiam que só poderia ser feita através das juntas regionais. Felizmente, o número de desistências no curso e a boa-vontade fez com que os serviços centrais aceitassem a minha inscrição unilateral.
 Fiz o curso, em Fátima, com algum sacrifício, confesso, mas com muito prazer.
 
Portanto custou mas foi. E ter estas contas ao pescoço é uma vitória, que dedico a todos e a tudo o que me ajudou a torná-lo possivel. Contra a vontade de alguns que fizeram o que podiam para o impedir.
 
Agora, como sempre, prossigo disponível a servir o CNE que serve.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[1919.] O Eco dos nossos actos


É muito interessante o processo que vai desde aquele momento em que, em equipa, tivemos uma ideia até ao outro momento em que vemos as coisas que sonhámos acontecerem. É muito reconfortante ver esse tempo passar e as coisas construírem-se a um ritmo alucinante. Mas acontecerem.

No sábado, ver o bispo de Coimbra, perante 1400 escuteiros, fazer uma homilia sobre uma ideia construída por uma equipa de que fiz parte, aproveitando-a, desenvolvendo-a, servindo-se dela para pedir testemunho e alegria, encheu-me o coração.

E fez-me pensar: Faz sentido Servir sem Medo!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

[1918.] Ensarilharam-se os designios e as tralhas dos dois.



BALADA ASTRAL
MIGUEL ARAUJO COM INÊS VITERBO

Quando Deus pôs o mundo
E o céu a girar
Bem lá no fundo
Sabia que por aquele andar
Eu te havia de encontrar
Minha mãe, no segundo
Em que aceitou dançar
Foi na cantiga
Dos astros a conspirar
Que do seu cósmico vagar
Mandaram o teu pai
Sorrir pra tua mãe
Para que tu
Existisses também
Era um dia bonito
E na altura, eu também
O infinito
Ainda se lembrava bem
Do seu cósmico refém
Eu que pensava
Que ia só comprar pão
Tu que pensavas
Que ias só passear o cão
A salvo da conspiração
Cruzámos caminhos,
Tropeçámos num olhar
E o pão nesse dia
Ficou por comprar
Ensarilharam-se
As trelas dos cães,
Os astros, os signos,
Os desígnios e as constelações
As estrelas, os trilhos
E as tralhas dos dois.

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Amo-te muito, princesa!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

[1917.] O CNE sem medo



Haverá vários CNE (Corpo Nacional de Escutas).

Estar em Braga (VN Famalicão), assistir à tomada de posse da Junta Regional - liderada pelo Hugo Cunha, que tem 33 anos -, ver uma atividade onde participaram 10 mil escuteiros, mostra que há um CNE vivo, sem medo, arrojado, e acima de tudo jovem e com vitalidade.

Participar no ENFORMA - Encontro Nacional de Formadores do CNE - mostrou-me que há um CNE que quer transformar. Ver que são os chefes mais antigos que estão mais motivados com o Sistema de Renovação da Formação de Dirigentes, que há vários ritmos mas um sentido comum de mudança pela positiva, de alegria e orgulho nas novas medidas e metas, mostra-me que há um CNE reformista e na vanguarda da transformação.

Ouvir alguns discursos e intervenções de lideranças de topo mostra-me que há um outro CNE, enquistado, mal fardado e mal humorado, que adora passar graxa ao clero e por tudo e por nada elogiar as batinas e bater no peito. Um CNE que ignora a juventude que o outro CNE procura servir. Um CNE que fala demais quando devia estar em silêncio e que se cala quando devia intervir na sociedade.

Há, afinal, vários CNE... Mas há um que prefere "Servir sem medo!". E isso é que importa. O outro? Durará enquanto quisermos!