sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

[1943.] Chegou, mas...


Chegou hoje. Finalmente. É lindo... Mas, lamentavelmente, vai voltar à procedência. Não aceito o motor sem o resto da carroçaria e se paguei a prata, exijo a prata... Não se mudam as regras a meio do jogo, (re)ensinaram-me lá!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

[1936.] A Montanha

 
View Of Loch Coruisk, Isle Of Skye
WILLIAM TURNER
 
No Dia Internacional das Montanhas, Iovis Dies, fica a reflexão sobre o subir e o descer da Montanha... O desafio da Montanha, e a dificuldade que para uns é descer a montanha - com grande desgaste muscular e nas articulações - e para outros o sacrificio que é subir a montanha - nomeadamente para os cardíacos. Subir ou descer... a montanha nunca é indiferente. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

[1938.]

 
 
A Educação é a única ferramenta que existe para construir a Paz!

[1935.] «Não há factos, há apenas interpretação de factos»


 

«Não há factos, há apenas interpretação de factos. A verdade da agenda mediática pode coincidir com a da comissão parlamentar de inquérito. Mas nem todas as relações da vida social são relações jurídicas. Logo, como o direito não é a vida, o que não está no teatro do processo não faz parte do mundo da administração da justiça. Ou de como a verdade é relativa. Relativíssima.»
José Adelino Maltez, na sua página pessoal do facebook

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

[1933.] Lunae dies a 8 de dezembro


 
Quando se constitui uma nova familia, com duas pessoas independentes e inteligentes (e já agora humildes) criam-se e estabelecem-se regras que um dia mais tarde serão tradições familiares. No dia 8 de dezembro faz-se a árvore de Natal, no dia 6 de janeiro há a troca de presentes e no dia 8 de janeiro desmancha-se a árvore... Acabadinho de chegar, foi tempo de alombar com a árvore e assistir à decoração da árvore... com assinalável distância para não destruir as bolas de vidro que um dia hão-de ser alvo preferido dos petizes...

domingo, 7 de dezembro de 2014

[1937.] Fiat lux


E por fim concretizou-se o sonho antigo, a demanda aconteceu.
A ti, velho Liberto.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

[1932.] Reunindo na Reunião #07

Eu acho que sou um imperialista... Acho... Se calhar não sou... Acredito que haveria mais portugueses felizes se o nosso Portugal político fosse do tamanho do nosso Portugal espiritual... Mas enfim. E por isso, a minha reflexão de hoje é contraditória. Porque estando eu numa colónia francesa, a 10 mil km da metrópole, não consigo perceber quais as vantagens para a França e para a Europa em ter aqui este território... Honestamente... Não compreendo... E não compreendo especialmente quando fiquei hoje a saber que um funcionário público a trabalhar na Ilha da Reunião recebe um salário 1,70 vezes maior do que outro funcionário na França metropolitana ganha por desempenhar a mesma função e com a mesma responsabilidade...

É esquisito... Se calhar estou a passar por uma crise ideológica...



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

[1931.] Reunindo na Reunião #06


Hoje foi dia de visita ao vulcão mais recente da ilha. Estivemos no Piton de la fournaise... Imagens devastadoras de uma quase completa ausência de vida. Paisagem lunar é o termo! Será uma imagem do passado da Terra ou do seu futuro? 
 



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

[1930.] Reunindo na Reunião #05




O que é uma escola?

A pergunta é patética! se não fosse patética era preocupante... Hoje deu para conversarmos um bocadinho sobre os nossos problemas nacionais quanto à educação - que na prática é a nossa vida. Juntámos-nos checos, polacos, lituanos e portugueses... Fiquei a perceber que há problemas que não são muito diferentes... Miúdos apáticos e desinteressados, demasiadas competências com as novas tecnologias, mas sem qualquer capacidade de comunicação interpessoal... Ah e um ódio comum aos diretores das escolas... Aos headmasters... Nas costas dos outros, vejo as minhas...

Mas também a identificação de problemas diferentes e o debate sobre isso. A escola checa com turmas de 12 e 13 alunos, a dos franceses com um máximo de 24 e as dos tugas com 24 no mínimo e 30 no máximo. Com expulsões sumárias na escola onde estamos por falta de respeito na fila da cantina ou por trazerem navalhas para a escola e outras onde as penas são rejeitadas pela administração central educativa por serem muito severas... Como aconteceu na EPVL...

A escola onde estamos é caótica. Parece uma prisão, com todas as portas a darem para o exterior... os miúdos portam-se mal... Estávamos numa sala a trabalhar e garotos às pedradas à nossa porta, e a passar a correr abrir a porta, escancara-la e fugirem. Os professores reuniram de emergência, enquanto estávamos a reunir, porque um garoto tinha agredido o professor e os outros ponderavam recusar-se a trabalhar...

O que é afinal a escola na Europa?





terça-feira, 2 de dezembro de 2014

[1929.] Reunindo na Reunião #04


Hoje a manhã foi passada a descobrir um pouco mais da história da ilha. À tarde estivemos a trabalhar no projecto - com a participação portuguesa a marcar pontos em toda a linha, desde a criatividade, à qualidade do vídeo apresentado, à presença notória da marca da escola e do seu espírito, até ao cuidado com os pormenores, com a atenção dada ao receptor da mensagem. EPVL esteve muito bem, com ênfase, também para a postura do Igor.
Mas de manhã, dizia eu, a mensagem foi histórica e muito clara... Numa palavra: Escravatura.
Começámos por ir visitar a propriedade de madame Desbassyns, que até 1843 (quando foi abolida a escravatura) teve ao seu serviço 400 escravos - negros de Moçambique, Zanzibar e Madagascar... Mas também muitos indianos. E que depois disso decaiu até aos dias de hoje... Uma ruína e um museu recuperado recentemente. Para quem se habituou a ver novelas brasileiras de época e leu e viu o Equador... Não há muitas novidades... Igual em todo o lado... Há sítios onde os nativos se recusam a ir por causa dos espíritos dos mortos torturados. Infelizmente e isso custou-me muito, foi saber que os escravos da Reunião eram marcados com um ferro quente com a flor de lis...
A seguir foi fomos visitar uma antiga usina ou engenho de cana de açúcar... A Stela Matutina... O planeta vénus que as 4 da manhã, antes do nascer do sol aparece no hemisfério mesmo em cima da Reunião. Uma fábrica, fechada desde 1978, aberta em 1850, logo depois da abolição da escravatura e dos franceses terem acabado com a plantação de café e obrigado os reunieses a produzir cana de açúcar. Uma fábrica que trabalha com escravos, pôs escravatura... Os engages ( cuja tradução devia ser comprometidos) mas que no fundo eram escravos... Que recebiam salário, mas tinham de pagar a renda e a comida ao patrão. Que podiam regressar a casa se apetecesse ao patrão... No fundo... Escravos.

Encheu- me o orgulho perceber que os primeiros europeus a chegar aqui foram os portugueses. Uma ilha desabitada que interessava pouco e que os fez seguir em frente, para a Índia. Estou a ver se percebo se não será está a Ilha dos Amores do canto IX... Mas não há dúvida que os portugueses são especiais. E isso vê-se na forma como num projeto destes nós somos os conciliadores, o apoio na falha... Os facilitadores quando todos os sentimentos da Europa central se misturam...

E mais não digo...
Até amanhã. 

* a foto é a casa de madame Desbassyns. A casa grande.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

[1928.] Reunindo na Reunião #03


O dia de hoje foi de actividades outdoor. A Lituânia só chegou hoje ao fim do dia e a França metropolitana só chega amanhã. Portanto, o trabalho propriamente dito do comenius só começa amanhã.
Hoje fomos ver o Circus Mafate. Um vulcão apagado há 180 mil anos que deu origem a uma caldeira verdejante onde há três pequenas aldeias para as quais não há uma única estrada. Só um trilho pedestre de grande dificuldade e o serviço de helicóptero para as emergências e abastecimentos. Fizemos o trilho. Duas horas a descer a pique e três a subir o mesmo trilho. Chegámos os três ao fim... Mas não foi fácil. 
Chegámos a La Nouvelle (a maior das três aldeias, na foto do meio) e vimos uma aldeiazinha com a padaria, que é também tudo o resto, a igreja para 100 almas e a escola. Na escola, dos 4 aos 12 anos. Fomos encontrará a professora a entrar ao serviço.
A professora reside na escola sozinha, dá as aulas aos 20 miúdos destas idades todas, à sexta à tarde vai de helicóptero para a civilização e volta na segunda ao almoço... Vi no paraíso... Ou num inferno verde. A escola é agradável, mas quando falamos com os miúdos não deixamos de ter aquele complexo de estar a falar com eles como se eles fossem esquisitinhos...
Um isolamento que não é diferente de muitos outros... Só é francês, no meio do indico, e por isso mais exótico, e por isso menos criticável. Porque é que está gente continua a viver aqui? Não imagino... Mas muito nem francês falam...

A primeira imagem não é do Circus Mafate, é do Salavazie, imediatamente ao lado e que atravessamos para chegar à borda do Mafate.

domingo, 30 de novembro de 2014

[1927.] Reunindo na Reunião #02


Out sont les pirates?


[1926.] Reunindo na Reunião...#01

Em trânsito... Em Paris Orlly ouve-se tanto português como no Sá Carneiro no Porto... É lindo ser português dos sete mares andarilho...



domingo, 23 de novembro de 2014

[1942.] Intocabilidade

Não acompanho a ideia de que a detenção de José Sócrates constitua um acrescento no decréscimo de confiança no regime democrático português. Os portugueses ficaram a perceber que não há intocáveis e isso é bom. Ficaram a perceber que há políticos que pautam a sua vida por comportamentos desonestos e isso (infelizmente) não é novidade! Nem aqui nem em lado nenhum. Logo, não me parece que ontem tenha acontecido algo de negativo (para além do drama humano intrínseco).

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

[1941.] Só não se queixem...

Portugueses e brasileiros são muito parecidos... não há duvida.

Com o coração ao pé da boca, uns e outros ralham muito e algumas vezes manifestam-se. Os portugueses não, mas os brasileiros até são espancados na rua à frente das câmaras de tv do mundo para dizer mal do regime e do sistema, em vésperas de enchente mundial.

Só que, no dia de ir a votos, uns e outros preferem ficar com tudo na mesma... Apesar do mensalão, da corrupção, do cinismo e da arrogância! Mais vale um triste, velho e gordo burro que me carregue do que um corcel que me derrube. Fazem muito bem... mas por favor não se queixem!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[2102.] Entrevista ao Clube da Comunicação Social de Coimbra


No dia 22 de outubro de 2014 tive o prazer de ser entrevistado pelo Clube da Comunicação Social de Coimbra, especificamente pelo Professor Armando Braga da Cruz e pelo Dr. Américo Baptista dos Santos.

Aqui estão os links:


http://ccscoimbra.blogspot.pt/search?q=nuno+canilho

https://chirb.it/GxdpIx

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

[1923.] As (novas) Marias da Fonte nunca nascidas

 
Lembro-me de, há uns anos, um autarca declarar que uma determinada medida do Governo - no caso uma alteração a um imposto que aumentava a fórmula de pagamento e, por conseguinte, o valor a pagar - ia ser uma "Nova Maria da Fonte"!
Nunca mais me esqueci da expressão... e vi a medida ser implementada e nunca cheguei a ver "a minhota de pistolas na mão!".
Vem isto a propósito da contestação do Povo português... das contestações que achamos que vão nascer e da verificação, posterior, de que afinal fica tudo na mesma e mesmo que alguns políticos ou comentadores gritem um bocadito, o Bom Povo nunca chega a vias de facto... nunca pega nas forquilhas... e com o tempo até os políticos e os comentadores se acomodam...
 
Não é isso que aconteceu ou está a acontecer com a Reforma das Freguesias?
Passou um ano... e já está tudo bem... já não há problemas nenhuns... já nos acomodámos... como sempre...
 
 
Imagem de Maria Estela Veloso de Antas Varajão Costa Gomes, num retrato de Mestre Henrique Medina



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

[1922.] Um ano depois...

Faz hoje um ano que me tornei Diretor-geral da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, sucedendo a alguém que o ocupou o cargo desde a fundação da escola e de forma extremamente carismática durante 23 anos. O desafio era imenso. Acredito que com o voto de confiança demonstrado por quem me nomeou, com a certeza de que tinha de demonstrar aos que não concordavam que estaria à altura, encontrei o meu registo. Com o apoio da pessoa a quem sucedi criámos um sistema de sucessão fora do habitual e sem precedentes. Com o apoio de professores, funcionários e da diretora pedagógica fizemos o caminho que tinha de ser trilhado.
Foi muito bom, está a ser muito bom. Obrigado a todos pela ajuda.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

[1921.] Ontem voltei a Rodrigo Leão



Pasión

No, no digas que yo me muero
Amor, mi vida es sufrimiento
Yo te quiero en mi camino
Por vos cambiaba mi destino

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos

Tengo un corazón ganando
Yo sé que vos me estas escuchando
Con mis lagrimas te quiero
Pasión, sos mi amor sincero

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos

[1920.] O Porquê do V da Vitória...


No sábado, na hora em que Paulo Valdez, enquanto secretário regional dos Adultos e mandatado pela Junta Central, me entregou o colar de três contas, depois de o cumprimentar, ergui a mão e fiz o V da Vitória com os dedos. O João Fortunato captou o momento e a foto foi por mim colocada no facebook como capa. Recebeu um número significativo de gostos, um ou outro comentário mas suscitou várias mensagens privadas.

Interessa portanto esclarecer o gesto. Quem me conhece sabe que aprecio gestos e simbolos e não os uso sem ter uma intenção especifica e concreta. Não teve qualquer conotação política ou partidára, mas sim é um V de Vitória. A ultima vez que fiz um gesto semelhante foi quando me casei...

Efectivamente, no sábado, com a entrega do colar de contas alcancei uma grande vitória. Suei para ter este colar de contas e era uma questão de honra conquistá-lo.
- Comecei a fazer um CAP da IV secção há uns 9 ou 10 anos. Não consegui concluí-lo porque falhei uma sessão e não me deixaram prosseguir.
- Em 2008 fui a Aveiro fazer o CAP da III secção. Não consegui concluir porque faltei a uma sessão e ficou tudo pelo caminho.
- Em 2009, estava nas equipas nacionais, inscrevi-me para fazer um CAF. Tive um acidente a caminho de Vila Nova de Milfontes e foi tudo or agua abaixo.
- Em 2012 fiz o CAP da II secção, de novo em Coimbra, já se passaram dois anos e continuo à espera da homologação.

- E em 2013 fui, então, fazer o CAF. Como descrevi aqui: [1782.] "Em fevereiro de 2012, sabendo que ia abrir novo curso nesse ano, pedi à Junta Regional de Coimbra que me inscrevesse no CAF. Depois de me fazerem esperar sete meses por uma resposta, no dia seguinte ao fim do prazo, consegui que me dissessem que "não iam aprovar o meu nome, nem o inscrever, mas que não se opunham a que eu fizesse, pessoalmente, a inscrição", que eles sabiam que só poderia ser feita através das juntas regionais. Felizmente, o número de desistências no curso e a boa-vontade fez com que os serviços centrais aceitassem a minha inscrição unilateral.
 Fiz o curso, em Fátima, com algum sacrifício, confesso, mas com muito prazer.
 
Portanto custou mas foi. E ter estas contas ao pescoço é uma vitória, que dedico a todos e a tudo o que me ajudou a torná-lo possivel. Contra a vontade de alguns que fizeram o que podiam para o impedir.
 
Agora, como sempre, prossigo disponível a servir o CNE que serve.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[1919.] O Eco dos nossos actos


É muito interessante o processo que vai desde aquele momento em que, em equipa, tivemos uma ideia até ao outro momento em que vemos as coisas que sonhámos acontecerem. É muito reconfortante ver esse tempo passar e as coisas construírem-se a um ritmo alucinante. Mas acontecerem.

No sábado, ver o bispo de Coimbra, perante 1400 escuteiros, fazer uma homilia sobre uma ideia construída por uma equipa de que fiz parte, aproveitando-a, desenvolvendo-a, servindo-se dela para pedir testemunho e alegria, encheu-me o coração.

E fez-me pensar: Faz sentido Servir sem Medo!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

[1918.] Ensarilharam-se os designios e as tralhas dos dois.



BALADA ASTRAL
MIGUEL ARAUJO COM INÊS VITERBO

Quando Deus pôs o mundo
E o céu a girar
Bem lá no fundo
Sabia que por aquele andar
Eu te havia de encontrar
Minha mãe, no segundo
Em que aceitou dançar
Foi na cantiga
Dos astros a conspirar
Que do seu cósmico vagar
Mandaram o teu pai
Sorrir pra tua mãe
Para que tu
Existisses também
Era um dia bonito
E na altura, eu também
O infinito
Ainda se lembrava bem
Do seu cósmico refém
Eu que pensava
Que ia só comprar pão
Tu que pensavas
Que ias só passear o cão
A salvo da conspiração
Cruzámos caminhos,
Tropeçámos num olhar
E o pão nesse dia
Ficou por comprar
Ensarilharam-se
As trelas dos cães,
Os astros, os signos,
Os desígnios e as constelações
As estrelas, os trilhos
E as tralhas dos dois.

_____

Amo-te muito, princesa!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

[1917.] O CNE sem medo



Haverá vários CNE (Corpo Nacional de Escutas).

Estar em Braga (VN Famalicão), assistir à tomada de posse da Junta Regional - liderada pelo Hugo Cunha, que tem 33 anos -, ver uma atividade onde participaram 10 mil escuteiros, mostra que há um CNE vivo, sem medo, arrojado, e acima de tudo jovem e com vitalidade.

Participar no ENFORMA - Encontro Nacional de Formadores do CNE - mostrou-me que há um CNE que quer transformar. Ver que são os chefes mais antigos que estão mais motivados com o Sistema de Renovação da Formação de Dirigentes, que há vários ritmos mas um sentido comum de mudança pela positiva, de alegria e orgulho nas novas medidas e metas, mostra-me que há um CNE reformista e na vanguarda da transformação.

Ouvir alguns discursos e intervenções de lideranças de topo mostra-me que há um outro CNE, enquistado, mal fardado e mal humorado, que adora passar graxa ao clero e por tudo e por nada elogiar as batinas e bater no peito. Um CNE que ignora a juventude que o outro CNE procura servir. Um CNE que fala demais quando devia estar em silêncio e que se cala quando devia intervir na sociedade.

Há, afinal, vários CNE... Mas há um que prefere "Servir sem medo!". E isso é que importa. O outro? Durará enquanto quisermos!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

[1916.] Nos desenhos animados é raro chover



Eu quero a sorte de um cartoon
Nas manhãs da RTP 1
És o meu Tom Sawyer
O meu Huckleberry Finn
E vens de mascarilha e espadachim
Lá em cima há planetas sem fim

Tu és o meu super-herói
Sem tirar o chapéu de cowboy
Com o teu galeão e uma garrafa de rum
Eu era tua e mais nenhum
Um por todos e todos por um

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho
A golpe de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Eu sou Jane e tu Tarzan
Julieta do meu Dartagnan
Se o teu cavalo falasse
Tinha tanto para contar
Ao fantasma debaixo dos meus lençóis
Dos tesouros que escondemos dos espanhóis

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho
A golpe de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Quando chegar o final
Já podemos mudar de canal
Nos desenhos animados
É raro chover
E nunca, quase nunca acaba mal
By the power of Greyskull

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

[1915.] Melhor (não) jogar pelo seguro...

Foto do dia
Depois de perder as primárias,
António José Seguro demitiu-se do cargo de secretário-geral do PS
 
 
Deve ser frustrante andar com a cruz às costas e na fase em que pode parecer estar-se na reta final alguém nos derruba e toma o lugar, quando o pior já passou... Ser líder do PS hoje não é tão difícil como há três anos, quando a missão era atravessar o deserto fazendo oposição a um governo de coligação que está preso a um acordo de assistência draconiana negociado e assinado pelo PS. Quando o objetivo era resistir a uma imagem de PS onde o líder anterior está todas as semanas, na televisão pública a vomitar trampa na ventoinha.

Seguro era um líder frágil, mas aguentou o partido na fase mais difícil da sua história. Seguro era um líder jovem e progressista, mas completamente isolado e constantemente debaixo de mira. Como se tivesse um alvo nas costas...

Mas fez o que precisava ser feito durante três anos. Abriu o caminho. Agora ver-se-á se Costa e os Socráticos têm unhas para tocar a viola num ano que falta para ganhar as eleições a um governo que tem resistido e se tem mostrado reformista e transformador. Faltam 12 meses. A ver vamos.

Costuma dizer-se que "Roma não paga a traidores"... Os militantes e simpatizantes do PS preferiram o candidato que trapaceou o líder do partido... vamos ver se vão manter-se fieis a quem já mostrou ser capaz de trair...
  

[1914.] O mentiroso silêncio, segundo Unamuno no seu 150.º aniversário

Assinalam-se hoje os 150 anos do nascimento do filosofo espanhol, Miguel de Unamuno. Um inteletual extraordinário, nascido basco e que chegou a ser reitor da Universidade de Salamanca. O professor Manuel dos Santos, meu mestre nalguns temas era um admirador do filosofo espanhol. E eu aprendi a ser com ele...

Dois dias depois do Presidente da Generalitat catalã ter assinado o decreto de agendamento do referendo à independencia da Catalunha, fica a resposta de Unamuno, enquanto reitor da Universidade de Salamanca, em 12 de janeiro de 1936, quando os franquistas chamavam à Catalunha e ao País Basco o excremento da Espanha. 
 
«Estais esperando que vos fale. Conhecei-me bem e sabeis que sou incapaz de permanecer em silêncio. As vezes, permanecer calado equivale a mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Quero fazer alguns comentários ao discurso - se posso chamá-lo assim - do professor Maldonado, que se encontra entre nós. Falou-se aqui da guerra internacional em defesa da civilização cristã; eu mesmo já fiz isso em outras oportunidades. Mas não, a nossa é tão somente uma guerra incivil. Vencer não é convencer, e há, sobretudo, que convencer. O ódio - que não deixa lugar à compaixão - não pode convencer. Um dos oradores aqui presentes é catalão, nascido em Barcelona e está aqui para ensinar a doutrina cristã, que vós não quereis conhecer. Eu mesmo nasci em Bilbao e passei a minha vida ensinando a língua espanhola, a qual desconheceis [...] Deixarei de lado a ofensa pessoal que se deduz da repentina explosão contra bascos e catalães, chamando-os de anti-Espanha até porque com a mesma razão poderiam eles dizer o mesmo.»

domingo, 28 de setembro de 2014

[1913.] Pelo Mar a dentro



No sábado à noite, voltei a ver o filme de Amenabar sobre Ramón Sampedro, o galego de Xuño que, tetraplégico, pedia para morrer. O tema interessa-me e perturba-me. E, apesar de católico, reconheço que gostaria que alguém me amasse tanto ao ponto de me ajudar a morrer. O filme "Mar Adentro" é um filme que ajuda a pensar, mas que não toma posição. É um filme sobre o Amor, tal como a história de Ramón é uma história de amor.

O filme obrigou-me a ir à procura de mais... a ver a cara do verdadeiro Ramón, para além da cara de Bardem. E encontrei este documentário. E ver a cara de Rosa, que afinal se chama Ramona. E a cara da cunhada Manuela, do irmão José, e de outros intervenientes numa história com 26 anos. Em que o irmão é contra a opinião de Ramon precisamente com o mesmo argumento de Ramón. Ajudar a morrer por amor.

O filme de mostra alguns meses na vida de Ramón Sampedro. E parece fácil a rotina, a serenidade, o apoio e o dia a dia. Parece que é possivel ser feliz assim, vivendo assim, ajudando alguém a viver assim, aceitar ser ajudado assim... Mas há 26 anos a somar aqueles meses... 26 anos de sofrimento, de dependencia... de um tetraplégico que pensa: esta mulher não pode ir a lado nenhum por mim causa... porque se não não como, não bebo, mas não morro!

De tudo isto fica-me a dúvida:

Qual foi o pecado maior?

- O de permitir que um homem morra quando quiser, e assim ser deus da sua própria vida (uma oferta de Deus)?

- Ou o de ter criado tantas formas de prolongar artificialmente a vida a ponto de as pessoas terem deixado de morrer naturalmente?

Ramón diz neste documentário uma coisa muito importante. Ensinaram-nos a sublimar a vida, como a Igreja nos ensina a sublimar o sofrimento... mas porque raio não se pode sublimar a morte?

sábado, 27 de setembro de 2014

[1912.]



Let the sound of those he wrought for,
And the feet of those he fought for,
Echo round his bones for evermore.

Ode on the death of Duke Wellington
Alfred Tennyson
1852

Homenagem a Arthur Wellesley, 1.º Duque Wellington
Heroi do Bussaco, no 204.º aniversário da Batalha

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

[1911.] BV Mealhada apoia Jaime Soares

A Direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada decidiu apoiar a recandidatura do Cmdt. Jaime Soares à presidencia da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Analisado o papel e o trabalho do atual presidente da LBP nestas funções e analisado o programa eleitoral do candidato - nomeadamente o documento "20 principios abrangentes e orientadores" - entendemos apoiar Jaime Soares à liderança da confederação dos bombeiros.

O apoio ao antigo comandante dos BV de VN Poiares e antigo presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra foi expresso junto do próprio no jantar de apoio, em 19 de setembro, em Aveiro, em que participou o presidente da Associação dos Bombeiros da Mealhada e o comandante do corpo de Bombeiros.

No próximo dia 25 de outubro de 2014, no Congresso da LBP em Coimbra, a direção e o comando da Associação dos Bombeiros da Mealhada votará em Jaime Soares.

http://pelosbombeirosporportugal2014.blogspot.pt/

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

[1910.] Canibalismo

 
Canibais preparando as suas vitimas
Francisco Goya
1798 - 1800
Musée des Beaux-Arts et d’Archéologie de Besançon


 
 
A politica é autofágica. E cada vez que os políticos criam grandes factualidades sobre costumes é quase como se estivem a suicidar, ou a comer-se a si próprios. Porque, acredito piamente, há pessoas honestas na vida política, mas não há santos. E mesmo dos atos mais inocentes podem resultar interpretações torcidas e maldizentes. Como se diz na minha terra: "O bom julgador a si se julga", e muitas vezes julgamos os outros pelo nosso quadro de referências e não pelo seu.
 
O epsiódio da Tecnoforma e da atitude menos correta do primeiro-ministro é uma autofagia que aparece poucos dias antes das eleições primárias do PS, depois de um conjunto de debates televisivos que contribuiram de maneira surreal para o desgaste do partido. Arranjar um outro tema, dentro do mesmo quadro, acabou por revelar-se poderosamente relevante para as primárias socialistas. Domingo veremos a quem benefecia.
 
Pedro Passos Coelho era porteiro da Tecnoforma? (Diz que foi convidado para abrir portas...) Recebeu o subsidio de reintegração quando não o merecia? Recebeu uma subvenção vitalicia aos 30 e poucos anos? E os outros não?
 
E quantos presidentes de câmara - alguns dos mais honestos que há - receberam chorudos subsidios para serem reintegrados... na reforma?  
 
Um politico apontar o dedo a outro politico e falar de moral é um exercicio de hipocrisia.
 
"Os canibais preparando as suas vitimas" é uma pintura do grade Goya onde se veem três caníbaiss preparando os corpos das suas vítimas para as comerem.
É possivel que Goya tenha conhecido a história dos missionários jesuitas Jean de Brebeuf e Gabriel Lallemant, assassinados por os indios no Canadá, em 1649, e vítimas de um posterior episodio de canibalismo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[1909.] Enganar e ser enganado

SERMÕES DE DIRETOR #04
 
Não gosto de ser enganado. Acho que ninguém gosta. Mas tenho a certeza de que sou enganado muitas vezes. 
Aceito, no entanto, e até aplaudo a sabedoria e a categoria de quem me sabe enganar, de quem tem a astúcia e ousadia de arriscar enganar.
Mas fico fulo quando me enganam descaradamente, sem pudor, sem qualquer esforço ou artimanha para me fazer acreditar numa ilusão. Sinto-me enganado, e essa é a pior sensação. Odeio quando não se esforçam por me enganar com categoria ou classe.
 
Fazem, simplesmente, de mim parvo.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

[1908.] Se te atreveres a ser completamente tu


 
Largar Mais
MAFALDA VEIGA
Zoom 2011
 
Meu amor há tempo
Se tu quiseres
Sem assombros sem medo, se te atreveres a ser
Completamente tu
Venha o que vier
Agarra bem o mundo

Acredita o tempo, é sempre agora
Não há mais rodeios, desenganos ou demoras
Vê o teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres
Em ti, ainda

Eu sei que às vezes muito perto desfoca
E querer o mundo inteiro no peito, sufoca
Mas eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim

Meu amor há tempo
Se tu quiseres
Sem assombros sem medo, se te atreveres a ser
Completamente tu
Venha o que vier
Agarra bem o mundo

Acredita o tempo, é sempre agora
Não há mais rodeios, desenganos ou demoras
Vê o teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres
Em ti, ainda

Eu sei que às vezes muito perto, desfoca
E querer o mundo inteiro no peito, sufoca
Mas eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim

Eu sei que ao longe há sombras, ausentes
Mas eu vejo-te em zoom e o meu plano é diferente
Eu sinto a tua falta
Não te quero largar mais

Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

[1907.] Da infelicidade pasmosa

 Ontem fomos ao cinema. Já não iamos ao cinema há um tempo. Não sendo uma epoca especialmente interessante, entre ver o Ben Kingsley a fazer pela enésima vez o papel de mau árabe e vermos a mais recente obra de João Botelho, "Os Maias - Cenas de uma Vida Romântica", optámos por consumir português.

Um erro. E uma pena. O filme (se pode chamar-se aquilo um filme) é medonho. Uma coisa que seria aceitável por um grupo de alunos de uma escola que quisesse dramatizar 'Os Maias', mas uma merda para um realizador com a fama do João Botelho e para uma coisa financiada pelo Ministério da Cultura através do Instituto do Cinema e do Audiovisual.

O argumento é linear. Corta e cola. Pegamos nas cenas mais importantes das sebentas e reproduzimo-las... num plano fixo e unico, com a parte inicial a preto e branco e sem ritmo. Fez-me lembrar o 'Pai Tirano' e a dictomia entre o cinema e o teatro...

Os actores limitaram-se a dramatizar como se esivessem num palco de teatro, nem uma pequena curiosidadezinha inteligente. Nada. Zero. Um Damaso Salcede desinteressante... um Eusebiozinho inócuo... um Cohen ou um Gouvarinho abjetos... Uma obra de latrina...

Então o pormenor dos cenários foi de uma infelicidade pasmosa, como se não fosse mais barato fazer cenas reais... como se não fosse possivel evitarmos ver as costuras dos cenários, ou as dobras de uma tela mal esticada. Pavoroso!

Valeu a interpretação do ator Pedro Inês, que fez um interessantíssimo 'João da Ega', e do ator Pedro Lacerda, que mostrou um curioso 'Alencar'. O ator Graciano Dias, que fez de 'Carlos Eduardo da Maia', acabou por ser sofrível, no meio de tanta caca...

Com cinema português assim... não vale a pena gastar dinheiro. 'A Gaiola Dourada' não deixou lições.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

[1906.] ... mas os escoceses preferiram o Não!


E eles é que mandam...

A decisão dos escoceses não é estupida, nem descabida, nem sequer inesperada. Do ponto de vista prático, convenhamos que a Escócia tem já um nível de autonomia bastante desenvolvido... e se a diferença fosse deixar de ter a Rainha como Chefe de Estado (do Reino Unido) para ter a Rainha como Chefe de Estado (da Commonwealth) a diferença não era nenhuma.
Os escoceses mostraram-se solidários, porque a verdade é que hoje é na Escócia que está o principal motor do desenvolvimento do país e não já na velha Inglaterra. Os escoceses mostraram-se sensatos porque o que têm a ganhar pode não ser muito, mas o que poderiam perder não se conhece e logo será perigoso.

Aplaudo.
Mas não posso deixar de pensar que Edward Longshanks (e não Longlegs) voltou a ganhar!



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

[1904.] Sermões de Diretor#02

SERMÕES DE DIRETOR#02

As minhas declarações deram azo a titulo jornalístico. Há, efetivamente, escolas a tratar alunos como se fosse gado.
Nunca pensei que as escolas portuguesas estivessem na contingência de disputar alunos com tanta ferocidade.
Há escolas – públicas e privadas – a fazer coisas inacreditáveis para conseguirem arranjar alunos. Coisas que tocam a imoralidade e até o crime – como coacção, por exemplo – que são perfeitamente condenáveis quando estamos a falar de escolas, onde a promoção devia ser a dos valores e do bem-comum.
E porquê? Há cada vez menos alunos – crianças e jovens – e as escolas precisam do que é já um bem escasso.

Mas os alunos – portugueses e portuguesas, mas também alunos africanos, por exemplo – não são gado, que possam ser trocados, guardados ou mantidos no redil desta ou daquela instituição de ensino!

[1905.] A tarefa de Sísifo

 
Sísifo
Ilustração de Karl Kopinski
 
O Mito de Sísifo é um ensaio filosófico de Albert Camus, de 1941, utiliza a figura da mitologia grega, o Sísifo o rei da Éfira, o mais astuto dos mortais e por isso uma ofensa aos deuses do Olimpo que o condenaram a, por toda a eternidade, fazer rolar uma pedra de mármore até ao topo de uma montanha para que ela voltasse a rolar e ele voltasse a faze-la subir.

A história do grego ilustra ainda hoje a missão inglória e infrutifera, mas que tem de ser feita, mesmo que se saiba que o resultado é nulo.

Para Camus, a história do rei condenado apresenta a filosofia do absurdo: o do homem em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. E que "Exige revolta".

E há tantos momentos em que parecemos ter a mesma condenação de Sísifo...

Fica a ilustração de Kopinski, um artistica com que esbarrei há pouco tempo no facebook.
 
 
 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[1903.] Sermões de Diretor#01

SERMÕES DE DIRETOR#01

Estamos duas pessoas há três dias a telefonar para antigos alunos, que acabaram o curso em julho, com três propostas de trabalho. A maioria
NÃO ATENDE O TELEFONE... alguns dos (poucos) que atendem dão desculpas inacreditáveis para não responder a trabalho concreto e remunerado... É inacreditável!

[1901.] Eu votaria sim...

 
Na próxima quinta-feira, 18 de setembro, os escoceses são consultados sobre a independência face ao Reino Unido.  Eu votaria Sim.
 
Em primeiro lugar votaria sim porque simpatizo com as autonomias... com as espanholas, as belgas, e as bretãs também. Reconheço que muitas das que podem ansiar um dia a independência não tem qualquer viabilidade, como a Madeira ou a Galiza, mas mesmo assim, simpatizo com a Catalunha, com Euskadi, e, também com a Escócia, enquanto eventual país independente.
 
Em segundo lugar votaria sim porque há que reconhecer que a campanha do sim é muito mais eficaz... Note-se que há decadas que está no terreno, com as mega produções fantásticas e inspiradoras de Braveheart, Rob Roy e tantos outros em que os Beefs ingleses do Long Legs são sempre os maus e os scots são sempre os martires. Em contrapartida a campanha do não é medonha, como a tentativa falhadissima de meter o James Bond (o mais inglês dos ingleses) a nascer numa quintarola das Lowlands, em Skyfall. 


Os escoceses farão o que quiserem - avisem porque pretendo voltar lá e preciso saber se é preciso passaporte ou não - e eu respeitarei... os beefs é que não sei se o farão.



Como ficará o Reino Unido?
Who cares?

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DESDE 2 DE JUNHO DE 2006

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

[1902.] Não podemos desistir...

SERMÕES DE DIRETOR #03

Será muito dificil para quem nunca viveu o processo compreender a azáfama que é dar inicio a um ano letivo. Haverá processos igualmente cansativos noutras profissões, naturalmente, mas neste as coisas roçam, acima de tudo, a insanidade... Um alemão, enquanto diretor de uma escola, cortava os pulsos na primeira dificuldade em que se vê que a administração central não consegue acompanhar o ritmo dos dias e a contagem decrescente para os alunos se sentarem e começarem um ano letivo...E "O dificil é sentá-los!", como dizia o outro.

No primeiro dia de aulas ainda há professores por colocar - e se não estão colocados no publico não aceitam compromissos com o privado - e por isso ainda não há horários, nem respostas quanto a autorizações e afins e então candidaturas a financiamentos nem sequer vale a pena falar.
O que deviam ser problemas acessórios, são, na verdade, preocupações que levam à exaustão o mais português dos portugueses. Gastam-se muitas energias nos ‘bastidores’ e o essencial não pode ser tratado da forma mais correta.

Portugal faz 871 anos no próximo dia 5 de outubro. estamos a trinta anos do 9.º centenário. E lamentavelmente, é na escola que radica a última mecha de esperança na nacionalidade e no futuro da Nação. A escola hoje é o unico e por isso o ultimo bastião da portugalidade. Não temos fronteiras, não temos exercito, não temos marinha, não temos moeda, não temos nada. O que temos é a língua, é a resiliência, é a cultura, é a sabedoria, são as idiosincrasias que permitem a um português aguentar o que um austriaco ou um dinamraquês se recusaria a fazer ou a dizer. E isso, até esse exercicio idiota, está hoje confinado à escola portuguesa.

Por isso, os professores portugueses e os funcionários da escola portuguesa - publica ou privada - são os únicos que não podem desistir. Porque se desistirem acaba-se tudo e nunca chegaremos a fazer os 900 anos de existência.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

[1896.] Uns da Jangada de Pedra... todos na Jangada da Medusa.


A Jangada da Medusa
(Le Radeau de la Méduse)
1818 - 1819
 
Théodore Géricault
Museu do Louvre, em Paris
 
Este quadro entrou na minha vida num qualquer trabalho para a disciplina de História da Arte. Não sei precisar como nem de que forma, seguramente no 12.º ano... mas não me lembro de mais. Sei que tivemos que analisar a história dramática de uma sequência de irresponsabilidade, de falta de coragem, de estupidez que vai desembocar numa catástrofe humanitária... Estávamos no século XIX... há duzentos anos.
 
Mas o mais dramático é que duzentos anos depois, continua a haver comandantes como Chaumareys, que estão ao leme de barcos por esses mares todos, ao leme de países por esse mundo todo, ao leme de agências de rating, e bancos... e tantas outras embarcações cheias de candidato a náufragos.
 
A imagem d' "A Jangada da Medusa" vem-me à cabeça sempre que há desembarques em Lampedusa, sempre que há noticias de experiências de sobrevivência... sempre que há sabores de decisões tão dramáticas como a de comer os mortos para salvar os vivos, ou de matar para não morrer.
 
Saramago sugeria que os Iberos viviam numa Jangada de Pedra... mas parece-me que estaremos todos na Jangada da Medusa... 
 
 «A fragata real "Medusa" deixou Rochefort na França, a 17 de Junho de 1816, em direcção a Saint-Louis, no Senegal. Apontada como uma das mais modernas embarcações da época, a sua missão era tomar posse da colónia do Senegal, que havia passado para a tutela francesa.
A bordo seguia o novo governador do Senegal, com a sua família, soldados e a equipa da marinha. Um total de 400 pessoas, seguramente mais do que as condições do barco permitiam. Ao comando da "Medusa" estava Hugues du Roy de Chaumareys, um capitão que durante 25 anos esteve longe das águas por imposição de Napoleão. Mas com o regresso ao trono dos Bourbons, foi compensado com este comando.
A arrogância deste capitão e as consequentes discussões com os oficiais motivaram a 2 de Julho, um dia de águas calmas e boa visibilidade, o encalhamento da fragata ao largo do Cabo Branco (entre as Canárias e Cabo Verde). A forma como foi ordenada a evacuação do barco revelou egoísmo e gerou pânico. O governador, o capitão e grande parte dos oficiais ocuparam seis salva-vidas enquanto 147 tripulantes não encontraram lugar. Estes foram colocadas numa jangada, construída precariamente com tábuas, cordas e partes do mastro, atada a um dos salva-vidas. A dada altura, acidentalmente ou não, o cabo soltou-se. O que se passou a seguir foram cerca de duas semanas de pesadelo num mar tempestuoso, com mortes brutais e até actos de canibalismo. Os oficiais que ficaram na jangada ocuparam o centro da mesma, estavam armados enquanto que os marinheiros e os soldados tinham sido desarmados antes de subirem a bordo. Destes últimos, 20 desapareceram durante a primeira noite. Na segunda noite, a luta acentuou-se e durante um motim os oficiais, que foram atacados, mataram 65 homens. Após diversos dias na embarcação um dos sobreviventes, o médico Jean-Baptiste Henry Savigny, assumiu a liderança do grupo e passou a dissecar os corpos dos mortos para que servissem de alimento aos sobreviventes, para que estes não morressem de fome. Depois de 13 dias à deriva a jangada da "Medusa" foi resgatada pelo Argus, um pequeno navio mercante. Nesta altura restavam apenas 15 sobreviventes.

A notícia do naufrágio da "Medusa" foi publicada em Setembro de 1816, pelo jornal parisiense Journal des Débats. As investigações sobre as causas e as circunstâncias exactas do desastre ocuparam os jornais franceses durante meses. Uma história de infortúnio que desencadeou um escândalo político. Apenas 10 dos 147 ocupantes da "Medusa" sobreviveram.

Tendo como base este acontecimento, Théodore Géricault resolveu pintar um quadro que começou por chamar-se "Cena de um Naufrágio". A obra integrou a exposição no Salão de Paris, em 1919 e causou grande polémica. O objectivo de Géricault era realizar uma pintura em grande escala, com efeito tremendo, que lhe permitisse atingir o reconhecimento. Para realizar A Jangada da Medusa, Géricault socorreu-se de várias fontes. Conversou com dois sobreviventes (Savigny - médico, Corréard - cartógrafo) e leu também o livro que ambos escreveram sobre o naufrágio. Os objectivos realistas levaram-no a alguns preciosismos como a construção de uma pequena maquete da jangada, para melhor a representar. As dimensões do quadro (491x716 cm) obrigaram ao aluguer de um estúdio maior. Curiosamente, perto de um hospital porque Géricault foi autorizado a fazer esboços de doentes e de moribundos. O pintor levou para casa membros de pessoas mortas para observar a sua coloração nos primeiros dias de putrefacção.
Apesar da imensidão real do mar, a tela atribui-lhe pouca importãncia. Nos primeiros estudos Géricault seguiu o costume ordinariamente utilizado nas cenas marítimas: grandes áreas dedicadas à água e as pessoas e barcos com dimensão reduzida. No entanto, à medida que o trabalho foi avançando, Géricault foi dando mais destaque à jangada, de tal forma que na versão final sente-se que quase se pode entrar a bordo. Assim, a parte atribuída ao mar foi sendo marginalizada, ganhando ênfase a estrutura piramidal da composição.
A obra foi adquirida pelo Museu do Louvre após a morte precoce do artista aos 32 anos. A influência de A Jangada da Medusa, pode ser vista em obras de Eugène Delacroix, J. M. W. Turner, Gustave Courbet e Édouard Manet.»
 
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